"Morbius" cumpre seu papel de apresentar o personagem por ser uma história de origem, mas está muito longe do que poderia ser - e aqui cabe uma observação: nem tudo que funciona na HQ, vai funcionar no cinema se você não tiver o mínimo de bom senso em estruturar a história para que ela que seja coerente com aquele universo na qual ela faz parte. O filme tem sim boas sequências, uma atmosfera um pouco mais densa do que estamos acostumados nos filmes da Marvel e eu diria que até diverte para quem gosta muito do gênero, mas cá entre nós, parece um filme do começo dos anos 2000.
Com uma rara doença no sangue, e determinado a salvar outras pessoas com esse mesmo destino, Dr. Morbius (Jared Leto) tenta uma aposta extrema: misturar o DNA de morcegos vampiros com o humano. O que antes parecia uma grande descoberta científica e de enorme sucesso, se revelou uma solução pior que a própria doença. Confira o trailer:
Eu tenho certeza que o diretor sueco Daniel Espinosa ("Crimes Ocultos") não teve a liberdade para montar o filme da maneira que ele gostaria. A não ser que o roteiro seja muito ruim, dado o potencial do personagem - o que vemos na tela é uma história confusa, cheia de soluções óbvias (razão pela qual criticávamos tanto a DC) e cenas que não levam a absolutamente lugar algum. Veja, se olharmos "Morbius" em camadas, temos momentos interessantes, bem dirigidos e até com efeitos interessantes; o problema é que todos esses pontos oscilam muito durando filme, nada se sustenta de maneira fluida - talvez apenas a fotografia Oliver Wood (da franquia "Bourne") e, acreditem, a performance de Jared Leto, não se encaixem nas inúmeras falhas do filme. Talvez Matt Smith como Milo, possa se salvar também.
As cenas pós-crédito (são duas) que teoricamente conectam o personagem ao universo do Homem-Aranha a partir da relação entre Adrian Toomes (Michael Keaton), o Abutre, e o anti-herói, não tem a menor conexão com a história que acabou de ser contada e até com o personagem que vimos nascer - o diálogo entre Toomes e o Dr. Morbius é constrangedor de ruim. O que provavelmente vai diminuir a decepção pelo filme será a forma como o personagem vai se desenvolver daqui para frente, e digo isso com muita tranquilidade porque já vimos filmes de origem que mesmo aquém do esperado ajudaram a compor o arco maior e passaram a serem vistos como uma peça importante dentro de um quebra-cabeça maior.
Sinceramente esse é o tipo de filme que vai agradar apenas aquele fã de filmes de herói que se obriga a assistir todas as produções para poder se sentir confortável com toda a saga que está sendo criada. Para aqueles que não conhecem o personagem, muito pode ser aproveitado. Para os que já conhecem, uma ou outra cena vai agradar e só!
"Morbius" cumpre seu papel de apresentar o personagem por ser uma história de origem, mas está muito longe do que poderia ser - e aqui cabe uma observação: nem tudo que funciona na HQ, vai funcionar no cinema se você não tiver o mínimo de bom senso em estruturar a história para que ela que seja coerente com aquele universo na qual ela faz parte. O filme tem sim boas sequências, uma atmosfera um pouco mais densa do que estamos acostumados nos filmes da Marvel e eu diria que até diverte para quem gosta muito do gênero, mas cá entre nós, parece um filme do começo dos anos 2000.
Com uma rara doença no sangue, e determinado a salvar outras pessoas com esse mesmo destino, Dr. Morbius (Jared Leto) tenta uma aposta extrema: misturar o DNA de morcegos vampiros com o humano. O que antes parecia uma grande descoberta científica e de enorme sucesso, se revelou uma solução pior que a própria doença. Confira o trailer:
Eu tenho certeza que o diretor sueco Daniel Espinosa ("Crimes Ocultos") não teve a liberdade para montar o filme da maneira que ele gostaria. A não ser que o roteiro seja muito ruim, dado o potencial do personagem - o que vemos na tela é uma história confusa, cheia de soluções óbvias (razão pela qual criticávamos tanto a DC) e cenas que não levam a absolutamente lugar algum. Veja, se olharmos "Morbius" em camadas, temos momentos interessantes, bem dirigidos e até com efeitos interessantes; o problema é que todos esses pontos oscilam muito durando filme, nada se sustenta de maneira fluida - talvez apenas a fotografia Oliver Wood (da franquia "Bourne") e, acreditem, a performance de Jared Leto, não se encaixem nas inúmeras falhas do filme. Talvez Matt Smith como Milo, possa se salvar também.
As cenas pós-crédito (são duas) que teoricamente conectam o personagem ao universo do Homem-Aranha a partir da relação entre Adrian Toomes (Michael Keaton), o Abutre, e o anti-herói, não tem a menor conexão com a história que acabou de ser contada e até com o personagem que vimos nascer - o diálogo entre Toomes e o Dr. Morbius é constrangedor de ruim. O que provavelmente vai diminuir a decepção pelo filme será a forma como o personagem vai se desenvolver daqui para frente, e digo isso com muita tranquilidade porque já vimos filmes de origem que mesmo aquém do esperado ajudaram a compor o arco maior e passaram a serem vistos como uma peça importante dentro de um quebra-cabeça maior.
Sinceramente esse é o tipo de filme que vai agradar apenas aquele fã de filmes de herói que se obriga a assistir todas as produções para poder se sentir confortável com toda a saga que está sendo criada. Para aqueles que não conhecem o personagem, muito pode ser aproveitado. Para os que já conhecem, uma ou outra cena vai agradar e só!
"Nada de Novo no Front" pode ser considerado, tranquilamente, um dos melhores filmes de 2022 - da mesma forma como também deve ser classificado como um dos mais violentos e impactantes visualmente - ele é, de fato, muito pesado! Saiba que após o "play" você estará diante de uma jornada de cerca de duas horas e meia, muito dura, visceral, indigesta e extremamente tocante - eu diria que essa produção da Netflix é praticamente um complemento ou um outro ponto de vista do que assistimos no brilhante "1917"!
"Nada de Novo no Front" conta a emocionante história de um jovem alemão, Paul Baumer (Felix Kammerer), e de seus amigos Albert Kopp (Aaron Hilmer) e Franz Muller (Moritz Klaus), durante a Primeira Guerra Mundial. Lutando pelas próprias vidas, Paul e seus colegas sentem como a euforia inicial, marcada por uma onda de fervor patriótico, se transforma em desespero e medo quando enfrentam a realidade brutal da vida no front. Confira o trailer:
"Im Westen nichts Neues" (no original) é baseado no livro de Erich Maria Remarque publicado em 1929. Já em 1930, a primeira versão de "Nada de Novo no Front", dirigida por Lewis Milestone, venceu o Oscar de "Melhor Filme", "Melhor Roteiro", "Melhor Fotografia" e "Melhor Direção". Chancelado por uma obra premiada e inegavelmente potente, o talentoso diretor alemão Edward Berger (vencedor do Emmy em 2018 por "Patrick Melrose" e do Urso de Ouro em Berlin por "Jack", em 2014) reconstrói uma atmosfera da primeira guerra tão realista quanto impressionante, se apropriando de uma dinâmica narrativa muito envolvente que nem vemos o tempo passar!
Alguns elementos saltam aos olhos: o elenco é o primeiro deles. É tocante como todos os atores (protagonistas e coadjuvantes) passam de uma maneira muito autêntica, todo o horror de estar em uma situação indigna e desprovida de qualquer humanidade, seja durante as batalhas, seja nos momentos em que buscam alguma esperança de um dia voltar para casa, vivos - aliás, estar vivo é um dos gatilhos narrativos que mais vai te provocar durante o filme. A partir de uma bela, mas densa, fotografia do inglês James Friend (vencedor do BAFTA por "Rillington Place"), somos expostos ao que de pior a guerra pode representar e muito habilmente, Berger não suaviza em nenhum momento, deixando claro que diferença entre a vida e morte passa por um mísero milésimo de segundo (ou qualquer ação mal pensada).
"Nada de Novo no Front" foi construído de uma forma que nos tira o fôlego (mesmo com raros momentos de alívios narrativos) - as situações são, de fato, angustiantes e diversas vezes claustrofóbicas, mas é na capacidade humana de representar o medo através do olhar, que mais somos tocados. É interessante como o roteiro (também escrito por Edward Berger) faz paralelos entre o caos e o luxo, entre o horror e a tranquilidade, entre o gabinete politico e o campo de batalha. Tudo é tão bem encaixado pela edição do Sven Budelmann (de "Dark") que temos uma noção exata de como o "bastidor" é tão cruel quanto o "palco", e vice-versa. Reparem como a trilha sonora conecta esses dois mundos - ela parece rasgar a narrativa, cortando a ação com sons e notas completamente desconcertantes que incomodam demais.
Olha, "Nada de Novo no Front" vale muito a pena, mas saiba que não será uma jornada das mais fáceis!
Up-date: o Filme ganhou em quatro categorias no Oscar 2023, inclusive de Melhor Filme Internacional!
"Nada de Novo no Front" pode ser considerado, tranquilamente, um dos melhores filmes de 2022 - da mesma forma como também deve ser classificado como um dos mais violentos e impactantes visualmente - ele é, de fato, muito pesado! Saiba que após o "play" você estará diante de uma jornada de cerca de duas horas e meia, muito dura, visceral, indigesta e extremamente tocante - eu diria que essa produção da Netflix é praticamente um complemento ou um outro ponto de vista do que assistimos no brilhante "1917"!
"Nada de Novo no Front" conta a emocionante história de um jovem alemão, Paul Baumer (Felix Kammerer), e de seus amigos Albert Kopp (Aaron Hilmer) e Franz Muller (Moritz Klaus), durante a Primeira Guerra Mundial. Lutando pelas próprias vidas, Paul e seus colegas sentem como a euforia inicial, marcada por uma onda de fervor patriótico, se transforma em desespero e medo quando enfrentam a realidade brutal da vida no front. Confira o trailer:
"Im Westen nichts Neues" (no original) é baseado no livro de Erich Maria Remarque publicado em 1929. Já em 1930, a primeira versão de "Nada de Novo no Front", dirigida por Lewis Milestone, venceu o Oscar de "Melhor Filme", "Melhor Roteiro", "Melhor Fotografia" e "Melhor Direção". Chancelado por uma obra premiada e inegavelmente potente, o talentoso diretor alemão Edward Berger (vencedor do Emmy em 2018 por "Patrick Melrose" e do Urso de Ouro em Berlin por "Jack", em 2014) reconstrói uma atmosfera da primeira guerra tão realista quanto impressionante, se apropriando de uma dinâmica narrativa muito envolvente que nem vemos o tempo passar!
Alguns elementos saltam aos olhos: o elenco é o primeiro deles. É tocante como todos os atores (protagonistas e coadjuvantes) passam de uma maneira muito autêntica, todo o horror de estar em uma situação indigna e desprovida de qualquer humanidade, seja durante as batalhas, seja nos momentos em que buscam alguma esperança de um dia voltar para casa, vivos - aliás, estar vivo é um dos gatilhos narrativos que mais vai te provocar durante o filme. A partir de uma bela, mas densa, fotografia do inglês James Friend (vencedor do BAFTA por "Rillington Place"), somos expostos ao que de pior a guerra pode representar e muito habilmente, Berger não suaviza em nenhum momento, deixando claro que diferença entre a vida e morte passa por um mísero milésimo de segundo (ou qualquer ação mal pensada).
"Nada de Novo no Front" foi construído de uma forma que nos tira o fôlego (mesmo com raros momentos de alívios narrativos) - as situações são, de fato, angustiantes e diversas vezes claustrofóbicas, mas é na capacidade humana de representar o medo através do olhar, que mais somos tocados. É interessante como o roteiro (também escrito por Edward Berger) faz paralelos entre o caos e o luxo, entre o horror e a tranquilidade, entre o gabinete politico e o campo de batalha. Tudo é tão bem encaixado pela edição do Sven Budelmann (de "Dark") que temos uma noção exata de como o "bastidor" é tão cruel quanto o "palco", e vice-versa. Reparem como a trilha sonora conecta esses dois mundos - ela parece rasgar a narrativa, cortando a ação com sons e notas completamente desconcertantes que incomodam demais.
Olha, "Nada de Novo no Front" vale muito a pena, mas saiba que não será uma jornada das mais fáceis!
Up-date: o Filme ganhou em quatro categorias no Oscar 2023, inclusive de Melhor Filme Internacional!
"Nem um Passo em Falso" é muito divertido! O filme traz todo o talento do diretor Steven Soderbergh (Traffic) e sua enorme capacidade de construir uma narrativa visualmente deslumbrante e extremamente alinhada com um roteiro tão bom quanto - e aqui o mérito é de Ed Solomon (Bill e Ted: Encare a Música). O filme é uma maravilhosa mistura (e por favor me perdoem pela licença criativa) de "Magnatas do Crime"do diretor Guy Ritchie com o "O Irlandês"do Scorsese.
A premissa é relativamente simples: situado em 1955, em Detroit, o filme acompanha um grupo de pequenos criminosos que foram contratados para roubar o que parecia ser apenas um documento, mas que depois se descobre, claro, ser mais importante do que isso - um projeto que vai mudar a história da humanidade (sem exageros). Confira o trailer:
É de se imaginar que o plano inicial fracassa e que a partir daí temos uma verdadeira corrida contra o tempo, cheio de traições e reviravoltas, onde os protagonistas Curt Goynes (Don Cheadle) e Ronald Russo (Benicio Del Toro) precisam escapar da polícia, de grupos mafiosos e ainda tentar se dar bem financeiramente. Olha, é um verdadeiro jogo de xadrez e visto que todos os personagens tem uma enorme importância na narrativa, é preciso prestar muita atenção para não perder em uma série de detalhes que fazem desse roteiro uma coisas mais interessantes que assisti em 2021.
Será natural se algumas pessoas acharem a história complexa e é aqui que Soderbergh mostra sua maturidade: ele cria uma dinâmica narrativa de perder o fôlego, mas não inventa tanta moda - ele é direto, sem rodeios. Seu foco não é impor sua habilidade inventiva (embora as use) e sim colocar a câmera no lugar certa e deixar os atores brilharem - Don Cheadle e Benicio Del Toro não decepcionam e não vou me surpreender se chegarem fortes na temporada de premiação de 2022. Veja, é interessante como Steven Soderbergh usa sua criatividade para compor algumas cenas, mas sem se sobressair ao texto - quando ele usa uma lente que gera uma certa distorção da imagem com o objetivo de criar a sensação de que algo não está certo e que aquele momento pode ter consequências graves, temos a exata confirmação da sua capacidade como cineasta, mas sem querer aparecer mais que a história.
Outro ponto que me chamou a atenção é a montagem - elegante e sucinta, serve como "fio condutor" sem precisar ser didática demais. Nesse ponto, inclusive, a história se fasta de Guy Ritchie e se aproxima Scorsese. Reparem como o filme nunca deixa de ser uma trama sobre um assalto - são pessoas que montaram um plano e que estão, essencialmente, em busca de dinheiro e alimentando sua ganância. Pontuado isso, eu diria que "No Sudden Move" (no original) tem mais ação do que drama e é muito mais entretenimento do que uma imersão no submundo da Máfia, ou seja, um equilíbrio perfeito entre uma boa história e uma atmosfera complexa, mas envolvente - com um diretor talentoso no melhor da sua forma! Vale muito a pena!
"Nem um Passo em Falso" é muito divertido! O filme traz todo o talento do diretor Steven Soderbergh (Traffic) e sua enorme capacidade de construir uma narrativa visualmente deslumbrante e extremamente alinhada com um roteiro tão bom quanto - e aqui o mérito é de Ed Solomon (Bill e Ted: Encare a Música). O filme é uma maravilhosa mistura (e por favor me perdoem pela licença criativa) de "Magnatas do Crime"do diretor Guy Ritchie com o "O Irlandês"do Scorsese.
A premissa é relativamente simples: situado em 1955, em Detroit, o filme acompanha um grupo de pequenos criminosos que foram contratados para roubar o que parecia ser apenas um documento, mas que depois se descobre, claro, ser mais importante do que isso - um projeto que vai mudar a história da humanidade (sem exageros). Confira o trailer:
É de se imaginar que o plano inicial fracassa e que a partir daí temos uma verdadeira corrida contra o tempo, cheio de traições e reviravoltas, onde os protagonistas Curt Goynes (Don Cheadle) e Ronald Russo (Benicio Del Toro) precisam escapar da polícia, de grupos mafiosos e ainda tentar se dar bem financeiramente. Olha, é um verdadeiro jogo de xadrez e visto que todos os personagens tem uma enorme importância na narrativa, é preciso prestar muita atenção para não perder em uma série de detalhes que fazem desse roteiro uma coisas mais interessantes que assisti em 2021.
Será natural se algumas pessoas acharem a história complexa e é aqui que Soderbergh mostra sua maturidade: ele cria uma dinâmica narrativa de perder o fôlego, mas não inventa tanta moda - ele é direto, sem rodeios. Seu foco não é impor sua habilidade inventiva (embora as use) e sim colocar a câmera no lugar certa e deixar os atores brilharem - Don Cheadle e Benicio Del Toro não decepcionam e não vou me surpreender se chegarem fortes na temporada de premiação de 2022. Veja, é interessante como Steven Soderbergh usa sua criatividade para compor algumas cenas, mas sem se sobressair ao texto - quando ele usa uma lente que gera uma certa distorção da imagem com o objetivo de criar a sensação de que algo não está certo e que aquele momento pode ter consequências graves, temos a exata confirmação da sua capacidade como cineasta, mas sem querer aparecer mais que a história.
Outro ponto que me chamou a atenção é a montagem - elegante e sucinta, serve como "fio condutor" sem precisar ser didática demais. Nesse ponto, inclusive, a história se fasta de Guy Ritchie e se aproxima Scorsese. Reparem como o filme nunca deixa de ser uma trama sobre um assalto - são pessoas que montaram um plano e que estão, essencialmente, em busca de dinheiro e alimentando sua ganância. Pontuado isso, eu diria que "No Sudden Move" (no original) tem mais ação do que drama e é muito mais entretenimento do que uma imersão no submundo da Máfia, ou seja, um equilíbrio perfeito entre uma boa história e uma atmosfera complexa, mas envolvente - com um diretor talentoso no melhor da sua forma! Vale muito a pena!
Se estiver com saudades daquele "Black Mirror" raiz, assista esse filme!
"Nerve" acompanha a tímida Vee DeMarco (Emma Roberts), uma garota comum, prestes a sair do ensino médio que sonha em ir para a faculdade. Após uma discussão com sua até então amiga Sydney (Emily Meade), ela resolve provar que tem atitude e decide se inscrever no Nerve, um jogo online onde as pessoas precisam executar tarefas criadas pelos próprios usuários. O Nerve é dividido entre observadores e jogadores, sendo que os primeiros decidem as tarefas a serem realizadas e os demais as executam (ou não). Logo em seu primeiro desafio Vee conhece Ian (Dave Franco), um jogador de passado obscuro e juntos, eles logo caem nas graças dos observadores, que passam a enviar cada vez mais tarefas e sempre aumentando a dificuldade até chegar em níveis inimagináveis. Confira o trailer:
De fato "Nerve" é entretenimento puro, muito divertido e se não fossem os 10 minutos finais poderia, realmente, ser um episódio de Black Mirror tranquilamente! Olha, eu diria que o que vemos na tela é até mais real do que a ficção pode imaginar, e acho que esse é o grande trunfo do roteiro. A maneira como a trama foi filmada pelos diretores Henry Joost e Ariel Schulman (de "Viral" e da já anunciada adaptação de "Megaman") cria uma dinâmica muito interessante para o filme, principalmente com as aplicações gráficas completamente alinhadas com a linguagem tecnologia que os jovens se identificam. A fotografia é outro elemento que merece destaque: ela tem muita personalidade para um gênero que não se apoia nesse tipo de arte, o mérito é do diretor Michael Simmonds (de "Atividade Paranormal 2"). Os atores Emma Roberts e Dave Franco não comprometem e se sustentam na química natural entre eles - funciona bem!
Embora seja um filme notavelmente voltado para o publico jovem, gostei muito do que assisti - um equilíbrio perfeito entre ação e ficção sem soar piegas ao trazer para o universo adolescente, meu único "porém" é para a resolução do terceiro ato: poderia tranquilamente ter terminado antes ou arriscado em um final menos novelesco. Fora isso vale muito pelo ótimo entretenimento!
Se estiver com saudades daquele "Black Mirror" raiz, assista esse filme!
"Nerve" acompanha a tímida Vee DeMarco (Emma Roberts), uma garota comum, prestes a sair do ensino médio que sonha em ir para a faculdade. Após uma discussão com sua até então amiga Sydney (Emily Meade), ela resolve provar que tem atitude e decide se inscrever no Nerve, um jogo online onde as pessoas precisam executar tarefas criadas pelos próprios usuários. O Nerve é dividido entre observadores e jogadores, sendo que os primeiros decidem as tarefas a serem realizadas e os demais as executam (ou não). Logo em seu primeiro desafio Vee conhece Ian (Dave Franco), um jogador de passado obscuro e juntos, eles logo caem nas graças dos observadores, que passam a enviar cada vez mais tarefas e sempre aumentando a dificuldade até chegar em níveis inimagináveis. Confira o trailer:
De fato "Nerve" é entretenimento puro, muito divertido e se não fossem os 10 minutos finais poderia, realmente, ser um episódio de Black Mirror tranquilamente! Olha, eu diria que o que vemos na tela é até mais real do que a ficção pode imaginar, e acho que esse é o grande trunfo do roteiro. A maneira como a trama foi filmada pelos diretores Henry Joost e Ariel Schulman (de "Viral" e da já anunciada adaptação de "Megaman") cria uma dinâmica muito interessante para o filme, principalmente com as aplicações gráficas completamente alinhadas com a linguagem tecnologia que os jovens se identificam. A fotografia é outro elemento que merece destaque: ela tem muita personalidade para um gênero que não se apoia nesse tipo de arte, o mérito é do diretor Michael Simmonds (de "Atividade Paranormal 2"). Os atores Emma Roberts e Dave Franco não comprometem e se sustentam na química natural entre eles - funciona bem!
Embora seja um filme notavelmente voltado para o publico jovem, gostei muito do que assisti - um equilíbrio perfeito entre ação e ficção sem soar piegas ao trazer para o universo adolescente, meu único "porém" é para a resolução do terceiro ato: poderia tranquilamente ter terminado antes ou arriscado em um final menos novelesco. Fora isso vale muito pelo ótimo entretenimento!
"Nocaute" é um excelente exemplo daquele tipo de filme que bastam algumas cenas para você já saber exatamente tudo que vai acontecer durante os 120 minutos de jornada do protagonista! Mas isso faz do filme uma experiência ruim? Não vejo dessa forma, até porquê estamos falando de um estilo de filme bem específico, mas é inegável que a enorme quantidade de clichês narrativos nos dá a sensação de que já assistimos aquela história, com aqueles tipos de personagens e ainda assim nos divertimos com tudo isso. O que eu quero dizer é que a história é do lutador Billy Hope, mas poderia ser de Adonis "Creed" Johnson ou até de Rocky Balboa. Pegou?
Billy "The Great" Hope (Jake Gyllenhaal), é um fenômeno do boxe. Um lutador com 43 vitórias e nenhuma derrota que trilhou o seu caminho rumo ao título de campeão mundial enquanto enfrentava diversas tragédias em sua vida pessoal. Após um evento traumático, Hope perde tudo, inclusive o respeito como atleta; é quando ele é forçado a voltar a lutar para tentar reconquistar a guarda e o amor de sua filha, em uma verdadeira cruzada na busca pela redenção. Confira o trailer:
Dirigido pelo inconstante Antoine Fuqua (de "Dia da Treinamento"), "Southpaw" (no original) é um verdadeiro "filme de ator" - e nesse ponto é visível o esforço de Gyllenhaal para transformar um roteiro mediano (por tudo que comentei acima) em um projeto 100% pessoal. Fico imaginando Gyllenhaal lendo o roteiro e pensando: esse é o meu "Touro Indomável", basta eu me transformar fisicamente como Robert De Niro, trabalhar minha enorme capacidade de atuação, equilibrando momentos de introspecção com algumas explosões emocionais (e físicas), para não exagerar no overacting,que meu Oscar está garantido! Acontece que mesmo com o bom trabalho do ator e com Fuqua impondo um bom ritmo narrativo e lutando (sem trocadilho) para encontrar uma identidade cinematográfica mais requintada, trazendo o "charme" daquela atmosfera novaiorquina do submundo do boxe; a história não se sustenta - ou melhor, não inova e não surpreende.
Essa desconexão entre a qualidade técnica dos realizadores e falta de originalidade da trama que foi desenvolvida pelo Kurt Sutter (de "Sons of Anarchy") certamente distanciou Gyllenhaal do seu objetivo maior, mas pode se dizer que não diminuiu o propósito do filme - o de entreter um público médio. A montagem mais frenética do competente John Refoua (indicado ao Oscar por "Avatar"), a trilha sonora empolgante do saudoso James Horner, repleta de hip-hop e notas de tensão (aquelas que descaradamente pontuam as emoções dos personagens), e a câmera mais nervosa do diretor de fotografia Mauro Fiore (esse sim vencedor do Oscar por "Avatar"), compõem esse cenário envolvente, em muitos momentos, vibrante, e em alguns poucos, emocionante (aliás, para quem é pai de menina, isso fará ainda mais sentido).
“Nocaute” segue a cartilha dos filmes de superação com louvor - quem gosta, gosta muito, e provavelmente vai gostar desse também! Embora não encontre forças suficientes para ser reconhecido como um filme inesquecível, algo como "Creed" (para citar o primo mais novo), podemos dizer que ele cumpre muito bem o seu papel.
"Nocaute" é um excelente exemplo daquele tipo de filme que bastam algumas cenas para você já saber exatamente tudo que vai acontecer durante os 120 minutos de jornada do protagonista! Mas isso faz do filme uma experiência ruim? Não vejo dessa forma, até porquê estamos falando de um estilo de filme bem específico, mas é inegável que a enorme quantidade de clichês narrativos nos dá a sensação de que já assistimos aquela história, com aqueles tipos de personagens e ainda assim nos divertimos com tudo isso. O que eu quero dizer é que a história é do lutador Billy Hope, mas poderia ser de Adonis "Creed" Johnson ou até de Rocky Balboa. Pegou?
Billy "The Great" Hope (Jake Gyllenhaal), é um fenômeno do boxe. Um lutador com 43 vitórias e nenhuma derrota que trilhou o seu caminho rumo ao título de campeão mundial enquanto enfrentava diversas tragédias em sua vida pessoal. Após um evento traumático, Hope perde tudo, inclusive o respeito como atleta; é quando ele é forçado a voltar a lutar para tentar reconquistar a guarda e o amor de sua filha, em uma verdadeira cruzada na busca pela redenção. Confira o trailer:
Dirigido pelo inconstante Antoine Fuqua (de "Dia da Treinamento"), "Southpaw" (no original) é um verdadeiro "filme de ator" - e nesse ponto é visível o esforço de Gyllenhaal para transformar um roteiro mediano (por tudo que comentei acima) em um projeto 100% pessoal. Fico imaginando Gyllenhaal lendo o roteiro e pensando: esse é o meu "Touro Indomável", basta eu me transformar fisicamente como Robert De Niro, trabalhar minha enorme capacidade de atuação, equilibrando momentos de introspecção com algumas explosões emocionais (e físicas), para não exagerar no overacting,que meu Oscar está garantido! Acontece que mesmo com o bom trabalho do ator e com Fuqua impondo um bom ritmo narrativo e lutando (sem trocadilho) para encontrar uma identidade cinematográfica mais requintada, trazendo o "charme" daquela atmosfera novaiorquina do submundo do boxe; a história não se sustenta - ou melhor, não inova e não surpreende.
Essa desconexão entre a qualidade técnica dos realizadores e falta de originalidade da trama que foi desenvolvida pelo Kurt Sutter (de "Sons of Anarchy") certamente distanciou Gyllenhaal do seu objetivo maior, mas pode se dizer que não diminuiu o propósito do filme - o de entreter um público médio. A montagem mais frenética do competente John Refoua (indicado ao Oscar por "Avatar"), a trilha sonora empolgante do saudoso James Horner, repleta de hip-hop e notas de tensão (aquelas que descaradamente pontuam as emoções dos personagens), e a câmera mais nervosa do diretor de fotografia Mauro Fiore (esse sim vencedor do Oscar por "Avatar"), compõem esse cenário envolvente, em muitos momentos, vibrante, e em alguns poucos, emocionante (aliás, para quem é pai de menina, isso fará ainda mais sentido).
“Nocaute” segue a cartilha dos filmes de superação com louvor - quem gosta, gosta muito, e provavelmente vai gostar desse também! Embora não encontre forças suficientes para ser reconhecido como um filme inesquecível, algo como "Creed" (para citar o primo mais novo), podemos dizer que ele cumpre muito bem o seu papel.
"O Agente Noturno" poderia tranquilamente ser uma segunda temporada de "Segurança em Jogo" - e se você sabe do que eu estou falando, também sabe o que te espera! Lançada em 2023 pela Netflix, essa série tem uma mistura de elementos de suspense e de ação das mais envolventes, que simplesmente nos mergulha em um mundo complexo de conspirações governamentais, espionagem e traições. Baseada no livro homônimo de Matthew Quirk, "O Agente Noturno" oferece uma narrativa cheia de tensão, seguindo a trajetória de um agente de baixo escalão que se vê no centro de uma trama maior do que ele poderia imaginar. Para os fãs das saudosas "24 Horas" e "Homeland", aqui temos uma experiência igualmente eletrizante e cheia de surpresas!
A trama segue Peter Sutherland (Gabriel Basso), um jovem agente do FBI que trabalha em um turno noturno aparentemente monótono, respondendo chamadas de emergência em uma linha direta destinada a casos de extrema confidencialidade. Sua rotina muda drasticamente quando ele recebe uma ligação de Rose Larkin (Luciane Buchanan), uma mulher em pânico que se encontra em perigo após um ataque contra sua tia e tio, ambos envolvidos em atividades, no mínimo, suspeitas. À medida que Peter e Rose vão se comprometendo com o caso, eles descobrem uma conspiração que vai até as mais altas posições do governo, colocando suas vidas em risco. Confira o trailer:
Criada e adaptada por Shawn Ryan (de "The Shield"), a trama da série é habilmente construída para manter a audiência engajada do inicio ao fim. Sério, é preciso ter o autocontrole de um monge budista para deixar de assistir o próximo episódio - os "ganchos" são tão bem construídos que chega a irritar! Com reviravoltas inesperadas e uma rede de intrigas que se desenrola gradualmente, a narrativa equilibra habilmente a tensão daqueles momentos de mais ação com um desenvolvimento de personagens bastante cuidadoso, explorando assim, temas como lealdade, corrupção e luta pelo poder. Veja, embora a série siga muitas das convenções do gênero de espionagem, ela consegue se destacar ao introduzir uma camada mais humana aos personagens que ganham cada vez mais força com diálogos, de fato, bastante afiados.
"O Agente Noturno" é comandada por Seth Gordon e uma equipe talentosa de diretores que mantém um ritmo acelerado e constante durante todos os episódios - eu diria até que essa dinâmica é essencial para manter a tensão e o suspense de maneira a nos tirar o fôlego em muitos momentos. A fotografia desenhada pelo Michael Wale (o mesmo de "A Origem") é estilosa - um conceito visual que caminha tranquilamente entre um "House of Cards" e um "Homeland". Wale utiliza muito o jogo de sombras, priorizando uma iluminação mais densa para refletir o tom mais conspiratório de Washington, D.C. Agora vale um comentário: repare como as cenas de ação são bem coreografadas, como as perseguições, as lutas e os tiroteios são bem construídos - é emocionante e plausível dentro do contexto da história. Ah, e sim, será preciso uma certa abstração da realidade para embarcar na jornada do protagonista, mas te garanto que isso não atrapalha em nada na experiência de assistir qualquer que seja a sequência da série. Aliás, Gabriel Basso oferece uma performance sólida, retratando um agente determinado e competente, mas também alguém que luta com questões de confiança e insegurança. Basso consegue nivelar a intensidade exigida pelas cenas de ação com momentos de vulnerabilidade emocional, tornando seu Peter um protagonista fácil de se conectar. Luciane Buchanan, como Rose, também entrega uma atuação convincente, mostrando uma evolução de personagem das mais interessantes: de uma vítima em fuga à uma aliada corajosa.
Como cada personagem traz suas próprias motivações e conflitos, criando uma rede complexa de alianças e traições que nos mantém em dúvida sobre quem realmente está do lado certo, é fácil afirmar que "O Agente Noturno" é muito eficaz ao que se propõe, mesmo que seguindo uma fórmula já familiar do gênero de espionagem, o que pode levar a uma sensação de previsibilidade em certos momentos, mas quem se importa? Com uma narrativa bem estruturada, performances das mais competentes e uma atmosfera tensa em todos os episódios, a série cumpre o que promete: entreter com a qualidade de quem sabe o que está fazendo e onde quer chegar!
Diversão garantida!
"O Agente Noturno" poderia tranquilamente ser uma segunda temporada de "Segurança em Jogo" - e se você sabe do que eu estou falando, também sabe o que te espera! Lançada em 2023 pela Netflix, essa série tem uma mistura de elementos de suspense e de ação das mais envolventes, que simplesmente nos mergulha em um mundo complexo de conspirações governamentais, espionagem e traições. Baseada no livro homônimo de Matthew Quirk, "O Agente Noturno" oferece uma narrativa cheia de tensão, seguindo a trajetória de um agente de baixo escalão que se vê no centro de uma trama maior do que ele poderia imaginar. Para os fãs das saudosas "24 Horas" e "Homeland", aqui temos uma experiência igualmente eletrizante e cheia de surpresas!
A trama segue Peter Sutherland (Gabriel Basso), um jovem agente do FBI que trabalha em um turno noturno aparentemente monótono, respondendo chamadas de emergência em uma linha direta destinada a casos de extrema confidencialidade. Sua rotina muda drasticamente quando ele recebe uma ligação de Rose Larkin (Luciane Buchanan), uma mulher em pânico que se encontra em perigo após um ataque contra sua tia e tio, ambos envolvidos em atividades, no mínimo, suspeitas. À medida que Peter e Rose vão se comprometendo com o caso, eles descobrem uma conspiração que vai até as mais altas posições do governo, colocando suas vidas em risco. Confira o trailer:
Criada e adaptada por Shawn Ryan (de "The Shield"), a trama da série é habilmente construída para manter a audiência engajada do inicio ao fim. Sério, é preciso ter o autocontrole de um monge budista para deixar de assistir o próximo episódio - os "ganchos" são tão bem construídos que chega a irritar! Com reviravoltas inesperadas e uma rede de intrigas que se desenrola gradualmente, a narrativa equilibra habilmente a tensão daqueles momentos de mais ação com um desenvolvimento de personagens bastante cuidadoso, explorando assim, temas como lealdade, corrupção e luta pelo poder. Veja, embora a série siga muitas das convenções do gênero de espionagem, ela consegue se destacar ao introduzir uma camada mais humana aos personagens que ganham cada vez mais força com diálogos, de fato, bastante afiados.
"O Agente Noturno" é comandada por Seth Gordon e uma equipe talentosa de diretores que mantém um ritmo acelerado e constante durante todos os episódios - eu diria até que essa dinâmica é essencial para manter a tensão e o suspense de maneira a nos tirar o fôlego em muitos momentos. A fotografia desenhada pelo Michael Wale (o mesmo de "A Origem") é estilosa - um conceito visual que caminha tranquilamente entre um "House of Cards" e um "Homeland". Wale utiliza muito o jogo de sombras, priorizando uma iluminação mais densa para refletir o tom mais conspiratório de Washington, D.C. Agora vale um comentário: repare como as cenas de ação são bem coreografadas, como as perseguições, as lutas e os tiroteios são bem construídos - é emocionante e plausível dentro do contexto da história. Ah, e sim, será preciso uma certa abstração da realidade para embarcar na jornada do protagonista, mas te garanto que isso não atrapalha em nada na experiência de assistir qualquer que seja a sequência da série. Aliás, Gabriel Basso oferece uma performance sólida, retratando um agente determinado e competente, mas também alguém que luta com questões de confiança e insegurança. Basso consegue nivelar a intensidade exigida pelas cenas de ação com momentos de vulnerabilidade emocional, tornando seu Peter um protagonista fácil de se conectar. Luciane Buchanan, como Rose, também entrega uma atuação convincente, mostrando uma evolução de personagem das mais interessantes: de uma vítima em fuga à uma aliada corajosa.
Como cada personagem traz suas próprias motivações e conflitos, criando uma rede complexa de alianças e traições que nos mantém em dúvida sobre quem realmente está do lado certo, é fácil afirmar que "O Agente Noturno" é muito eficaz ao que se propõe, mesmo que seguindo uma fórmula já familiar do gênero de espionagem, o que pode levar a uma sensação de previsibilidade em certos momentos, mas quem se importa? Com uma narrativa bem estruturada, performances das mais competentes e uma atmosfera tensa em todos os episódios, a série cumpre o que promete: entreter com a qualidade de quem sabe o que está fazendo e onde quer chegar!
Diversão garantida!
É difícil não se apaixonar por "O Assassino" logo de cara - a forma como o grande David Fincher (de "Se7en") conceitualiza a narrativa dessa adaptação do seu parceiro Andrew Kevin Walker a partir da graphic novel "The Killer", escrita por Alexis Nolent, é simplesmente genial! Existe uma certa poesia na narração feita pelo protagonista (certamente referenciada por jogos de video-game como "Max Payne"), onde ele compartilha com a audiência seu estado de espirito mais íntimo, criando uma espécie de filosofia de ação por trás de sua rotina meticulosa como um assassino de aluguel, explorando as nuances mais particulares do seu trabalho e ainda destacando o perfeccionismo como um sintoma da obsessão pela necessidade de cumprir sua missão. Olha, esse filme é, sem dúvida, um dos melhores do ano (2023) e possivelmente um dos mais autorais de Fincher.
A história ganha tons de tensão permanente logo de início quando, após um erro desastroso em uma missão em Paris, o assassino (Michael Fassbender) começa a colapsar psicologicamente enquanto busca por vingança depois que sua mulher sofre um atentado e tudo leva a crer que um de seus clientes queria a sua morte. Confira o trailer:
No coração da trama está um protagonista que entrega uma performance eletrizante como o assassino profissional em busca por respostas. Mesmo com a história se desenrolando de maneira intensa, explorando os dilemas morais e éticos do personagem, o que chama muito a atenção é maneira como o Assassino enfrenta um mundo obscuro e impiedoso que ele mesmo ajudou a construir - eu diria que Fincher propõe uma reflexão ácida sobre a selvageria do mundo moderno pelo olhar de quem não se permite errar, mas erra.
A genialidade de Fincher, obviamente, brilha nos aspectos técnicos e artísticos de "The Killer" (no original). A fotografia do Erik Messerschmidt (de "Mindhunter") captura exatamente a essência sombria da graphic novel, fazendo com que o diretor nos arremesse em uma atmosfera densa e provocativa que mistura as sensações de uma profunda solidão com caos cotidiano de uma metrópole - mais ou menos como vimos Michael Mann fazer em "Colateral". Aliás, como no filme de 2004 de Mann, "O Assassino" também se aproveita de uma relação sensorial que uma edição de som fora da curva do Steve Bissinger (de "Transformers") e uma trilha sonora digna de muito prêmios do Atticus Ross e do Trent Reznor (ambos vencedores do Oscar por "A Rede Social"), podem proporcionar - eu diria que essa relação som e imagem é uma peça fundamental que intensifica nossas emoções e nos envolve demais com a trama. Uma aula!
Dito tudo isso, é inegável que o que diferencia essa adaptação está no detalhe como obra cinematográfica e na habilidade de Fincher em explorar as nuances psicológicas do protagonista, proporcionando uma profundidade emocional que dificilmente encontramos em um filme de ação - e sim, "O Assassino" é um clássico filme de ação dos anos 90, fantasiado de drama existencial na mão de um diretor muito acima da média! "The Killer" não é apenas um filme de vingança, é uma experiência visceral que desafia as expectativas de quem assiste e oferece uma nova perspectiva sobre o gênero. Indo um pouco mais longe (com o risco de soar exagerado), eu diria que é uma obra-prima que vai deixar uma marca duradoura na biografia do diretor e que merece o nosso reconhecimento!
Imperdível!
É difícil não se apaixonar por "O Assassino" logo de cara - a forma como o grande David Fincher (de "Se7en") conceitualiza a narrativa dessa adaptação do seu parceiro Andrew Kevin Walker a partir da graphic novel "The Killer", escrita por Alexis Nolent, é simplesmente genial! Existe uma certa poesia na narração feita pelo protagonista (certamente referenciada por jogos de video-game como "Max Payne"), onde ele compartilha com a audiência seu estado de espirito mais íntimo, criando uma espécie de filosofia de ação por trás de sua rotina meticulosa como um assassino de aluguel, explorando as nuances mais particulares do seu trabalho e ainda destacando o perfeccionismo como um sintoma da obsessão pela necessidade de cumprir sua missão. Olha, esse filme é, sem dúvida, um dos melhores do ano (2023) e possivelmente um dos mais autorais de Fincher.
A história ganha tons de tensão permanente logo de início quando, após um erro desastroso em uma missão em Paris, o assassino (Michael Fassbender) começa a colapsar psicologicamente enquanto busca por vingança depois que sua mulher sofre um atentado e tudo leva a crer que um de seus clientes queria a sua morte. Confira o trailer:
No coração da trama está um protagonista que entrega uma performance eletrizante como o assassino profissional em busca por respostas. Mesmo com a história se desenrolando de maneira intensa, explorando os dilemas morais e éticos do personagem, o que chama muito a atenção é maneira como o Assassino enfrenta um mundo obscuro e impiedoso que ele mesmo ajudou a construir - eu diria que Fincher propõe uma reflexão ácida sobre a selvageria do mundo moderno pelo olhar de quem não se permite errar, mas erra.
A genialidade de Fincher, obviamente, brilha nos aspectos técnicos e artísticos de "The Killer" (no original). A fotografia do Erik Messerschmidt (de "Mindhunter") captura exatamente a essência sombria da graphic novel, fazendo com que o diretor nos arremesse em uma atmosfera densa e provocativa que mistura as sensações de uma profunda solidão com caos cotidiano de uma metrópole - mais ou menos como vimos Michael Mann fazer em "Colateral". Aliás, como no filme de 2004 de Mann, "O Assassino" também se aproveita de uma relação sensorial que uma edição de som fora da curva do Steve Bissinger (de "Transformers") e uma trilha sonora digna de muito prêmios do Atticus Ross e do Trent Reznor (ambos vencedores do Oscar por "A Rede Social"), podem proporcionar - eu diria que essa relação som e imagem é uma peça fundamental que intensifica nossas emoções e nos envolve demais com a trama. Uma aula!
Dito tudo isso, é inegável que o que diferencia essa adaptação está no detalhe como obra cinematográfica e na habilidade de Fincher em explorar as nuances psicológicas do protagonista, proporcionando uma profundidade emocional que dificilmente encontramos em um filme de ação - e sim, "O Assassino" é um clássico filme de ação dos anos 90, fantasiado de drama existencial na mão de um diretor muito acima da média! "The Killer" não é apenas um filme de vingança, é uma experiência visceral que desafia as expectativas de quem assiste e oferece uma nova perspectiva sobre o gênero. Indo um pouco mais longe (com o risco de soar exagerado), eu diria que é uma obra-prima que vai deixar uma marca duradoura na biografia do diretor e que merece o nosso reconhecimento!
Imperdível!
Viciante e muito envolvente - não existe outra forma de definir a série produzida pela Sky em parceria com o Peacock e aqui distribuída pela Disney+. "O Dia do Chacal", criada pelo showrunner irlandês Ronan Bennett (de "Top Boy") e baseada no clássico de espionagem de Frederick Forsyth, oferece uma releitura moderna e sofisticada da história que se tornou um marco do gênero. Ao mesmo tempo em que permanece fiel à essência do romance original, a série expande suas temáticas e personagens, atualizando o contexto para ressoar com questões mais contemporâneas misturando intrigas políticas, uma ação meticulosa e um suspense psicológico dos mais provocadores. Na linha de "Anna" e de "O Assassino", "The Day of the Jackal" (no original) acerta demais ao explorar os bastidores sombrios de missões clandestinas altamente perigosas e das complexidades morais de ser um assassino de aluguel.
Aqui, a trama gira em torno de um assassino misterioso, conhecido como "O Chacal" (Eddie Redmayne), que acabara de realizar um atentado contra um líder político alemão, mas que agora precisa realizar a missão de eliminar o bilionário Ulle Dag Charles (Khalid Abdalla), conhecido pela sigla UDC, que planeja lançar um produto digital batizado de River - cujo objetivo é tornar transparentes todas as operações financeiras de bilionários como ele. Enquanto o assassino usa de sua inteligência, precisão e habilidades excepcionais para planejar o ataque, forças policiais e de inteligência, liderada pela agente do MI-6, Bianca (Lashana Lynch), correm contra o tempo para impedir o que parece ser uma operação definitiva para o criminoso. Confira o trailer:
O confronto entre o "caçador" e aqueles que o perseguem forma o núcleo principal dessa narrativa que nos impede de parar de assistir. É impressionante como Bennett constrói uma narrativa que alterna momentos de uma tensão realmente palpável com reflexões mais profundas sobre lealdade, ideologia e o impacto da violência na vida da sociedade - sem falar em todas as reviravoltas e traições, além do olhar detalhado sobre os sistemas de poder no mundo da espionagem. O roteiro traz com muita sabedoria toda a atmosfera e o conceito mais misterioso do romance original, porém com um desenvolvimento mais robusto dos personagens, dando maior profundidade tanto para o Chacal quanto para aqueles que tentam detê-lo. Essa abordagem moderna do texto de Forsyth humaniza os personagens sem perder aquela frieza e o rigor técnico que ajudou a obra definir o gênero "thriller".
A direção estabelecida pelo talentoso Brian Kirk (de "Game of Thrones") e pelo Paul Wilmshurst (de "The Last Kingdom) destaca a sensação constante de paranoia e perigo, utilizando inúmeras locações internacionais que reforçam a escala e a urgência de uma missão global que não permite erro. Repare como a fotografia explora a claustrofobia do universo da espionagem mesmo enquadrando os vastos cenários urbanos e rurais que abrigam as operações do Chacal - é o contraste entre os espaços íntimos e públicos que enfatiza a vulnerabilidade dos personagens e a capacidade quase mística do assassino operar nas sombras. Aliás, Redmayne entrega uma performance fantástica, capturando a frieza e a astúcia calculada do seu personagem, com a mesma habilidade com que insinua nuances de motivação e moralidade perfeitamente discutíveis. Outro destaque do elenco que vale o registro é Lashana Lynch - ela é o equilíbrio entre a determinação implacável e o desgaste emocional causado por ter que se dividir entre uma missão ultra-secreta e sua família - sim, eu sei que a premissa é batida, mas não pra negar que ela funciona, né?
Apesar de sua qualidade absurda, é verdade que "O Dia do Chacal" pode enfrentar algumas críticas pela familiaridade de sua história (especialmente para aqueles que já conhecem o romance ou a adaptação cinematográfica de 1973). No entanto, a atualização de contexto proposta por Ronan Bennettjustifica sua existência e oferece uma visão renovada que alinha aos desafios e complexidades do mundo contemporâneo, ou seja, esteja preparado para uma experiência rica e instigante, que reafirma a atemporalidade e a universalidade das questões abordadas por Forsyth em seu romance.
"O Dia do Chacal"captura tanto o coração da história original quanto o espírito de nossa era. Então, pode dar o play sem medo de errar que seu entretenimento está garantido!
Viciante e muito envolvente - não existe outra forma de definir a série produzida pela Sky em parceria com o Peacock e aqui distribuída pela Disney+. "O Dia do Chacal", criada pelo showrunner irlandês Ronan Bennett (de "Top Boy") e baseada no clássico de espionagem de Frederick Forsyth, oferece uma releitura moderna e sofisticada da história que se tornou um marco do gênero. Ao mesmo tempo em que permanece fiel à essência do romance original, a série expande suas temáticas e personagens, atualizando o contexto para ressoar com questões mais contemporâneas misturando intrigas políticas, uma ação meticulosa e um suspense psicológico dos mais provocadores. Na linha de "Anna" e de "O Assassino", "The Day of the Jackal" (no original) acerta demais ao explorar os bastidores sombrios de missões clandestinas altamente perigosas e das complexidades morais de ser um assassino de aluguel.
Aqui, a trama gira em torno de um assassino misterioso, conhecido como "O Chacal" (Eddie Redmayne), que acabara de realizar um atentado contra um líder político alemão, mas que agora precisa realizar a missão de eliminar o bilionário Ulle Dag Charles (Khalid Abdalla), conhecido pela sigla UDC, que planeja lançar um produto digital batizado de River - cujo objetivo é tornar transparentes todas as operações financeiras de bilionários como ele. Enquanto o assassino usa de sua inteligência, precisão e habilidades excepcionais para planejar o ataque, forças policiais e de inteligência, liderada pela agente do MI-6, Bianca (Lashana Lynch), correm contra o tempo para impedir o que parece ser uma operação definitiva para o criminoso. Confira o trailer:
O confronto entre o "caçador" e aqueles que o perseguem forma o núcleo principal dessa narrativa que nos impede de parar de assistir. É impressionante como Bennett constrói uma narrativa que alterna momentos de uma tensão realmente palpável com reflexões mais profundas sobre lealdade, ideologia e o impacto da violência na vida da sociedade - sem falar em todas as reviravoltas e traições, além do olhar detalhado sobre os sistemas de poder no mundo da espionagem. O roteiro traz com muita sabedoria toda a atmosfera e o conceito mais misterioso do romance original, porém com um desenvolvimento mais robusto dos personagens, dando maior profundidade tanto para o Chacal quanto para aqueles que tentam detê-lo. Essa abordagem moderna do texto de Forsyth humaniza os personagens sem perder aquela frieza e o rigor técnico que ajudou a obra definir o gênero "thriller".
A direção estabelecida pelo talentoso Brian Kirk (de "Game of Thrones") e pelo Paul Wilmshurst (de "The Last Kingdom) destaca a sensação constante de paranoia e perigo, utilizando inúmeras locações internacionais que reforçam a escala e a urgência de uma missão global que não permite erro. Repare como a fotografia explora a claustrofobia do universo da espionagem mesmo enquadrando os vastos cenários urbanos e rurais que abrigam as operações do Chacal - é o contraste entre os espaços íntimos e públicos que enfatiza a vulnerabilidade dos personagens e a capacidade quase mística do assassino operar nas sombras. Aliás, Redmayne entrega uma performance fantástica, capturando a frieza e a astúcia calculada do seu personagem, com a mesma habilidade com que insinua nuances de motivação e moralidade perfeitamente discutíveis. Outro destaque do elenco que vale o registro é Lashana Lynch - ela é o equilíbrio entre a determinação implacável e o desgaste emocional causado por ter que se dividir entre uma missão ultra-secreta e sua família - sim, eu sei que a premissa é batida, mas não pra negar que ela funciona, né?
Apesar de sua qualidade absurda, é verdade que "O Dia do Chacal" pode enfrentar algumas críticas pela familiaridade de sua história (especialmente para aqueles que já conhecem o romance ou a adaptação cinematográfica de 1973). No entanto, a atualização de contexto proposta por Ronan Bennettjustifica sua existência e oferece uma visão renovada que alinha aos desafios e complexidades do mundo contemporâneo, ou seja, esteja preparado para uma experiência rica e instigante, que reafirma a atemporalidade e a universalidade das questões abordadas por Forsyth em seu romance.
"O Dia do Chacal"captura tanto o coração da história original quanto o espírito de nossa era. Então, pode dar o play sem medo de errar que seu entretenimento está garantido!
"O Homem do Norte" é impressionante visualmente, embora sua narrativa seja um pouco apressada - principalmente no prólogo. E aí, meu amigo, a culpa é do formato de longa-metragem que não permite um cuidado maior na hora de construir uma história repleta de simbolismos que impactam diretamente em inúmeras camadas da personalidade de cada personagem. Em “The Northman” (no original) é possível encontrar todo o talento e a identidade de Robert Eggers, cineasta responsável pelo “A Bruxa” e pelo surreal "O Farol", em uma atmosfera que equilibra perfeitamente fortes elementos teatrais shakespeareanos, ao melhor estilo “A Tragédia de Hamlet”, com épicos de ação, guerra e traição, daqueles grandiosos, como "300" e até "Game of Thrones".
O filme acompanha a história do Príncipe Amleth (Alexander Skarsgard), cuja missão de vida, assim profetizada, é vingar a morte do seu pai, o Rei Aurvandil (Ethan Hawke), que foi covardemente assassinado pelas mãos de seu tio bastardo, Fjölnir (Claes Bang), e assim salvar a sua mãe, a Rainha Gudrún (Nicole Kidman). Vamos ao trailer:
Esse é o primeiro grande filme (em orçamento) de Eggers, um diretor que ganhou notoriedade pela forma como transitou no cinema independente com projetos de gênero (no caso dramas, com fortes referências de terror e suspense psicológico) que fizeram muito sucesso entre os críticos e o público. Aqui, o diretor busca nos contos nórdicos da mitologia viking, um história sangrenta sobre vingança. Aliás, vale dizer que foi Shakespeare quem revisitou a história do Príncipe Amleth e a adaptou aos moldes da sociedade inglesa e não o contrário. Veja, Eggers não reproduz com fidelidade o conto escrito pelo historiador dinamarquês Saxo Grammaticus, que viveu entre os séculos XII e XIII., já que seu Amleth foi, propositalmente, apenas um recorte de uma saga fantástica muito maior, a "Gesta Danorum" - conhecida como a mais importante história medieval da Dinamarca.
Cinematograficamente falando, "O Homem do Norte" chama atenção por alguns elementos que não me surpreenderei se forem lembrados no próximo Oscar. O primeiro, sem dúvida, é a belíssima fotografia do seu parceiro de longa data, Jarin Blaschke - é incrível como Blaschke vai pontuando cada um dos capítulos do filme com cores e enquadramentos que são facilmente percebidos pelo tom dramático da evolução da história. Além de criativo, os planos são perfeitos tecnicamente. O outro ponto que merece nosso aplauso é a trilha sonora - fantástica! Os estreantes Robin Carolan e Sebastian Gainsborough dão um show! E para finalizar, o desenho de produção e o departamento de arte, puxa, impecáveis - reparem como os rituais (que vimos muito na série "Vikings") se integram perfeitamente no cotidiano e nos costumes daquele povo, com o roteiro que respeita a simbologia mitológica da história. A cena em que Björk revela ao Príncipe Amleth sua profecia, talvez seja o maior exemplo disso!
Com elenco afinado e muito bem inseridos na proposta conceitual do diretor, “O Homem do Norte” é um impressionante e verdadeiro espectáculo visual, rico em toda sua essência como obra cinematográfica e honesto com o estilo já estabelecido de Robert Eggers - talvez a única concessão do diretor tenha sido no idioma do filme, que para Eggers faria mais sentido se fosse falado só em nórdico antigo. Em todo caso, você pode esperar uma jornada sangrenta, brutal e empolgante; eu diria que é uma verdadeira viagem no tempo de um trabalho orientado pelos detalhes e pela precisão técnica e artística, mas sem esquecer daquele tempero independente de uma narrativa autoral.
Vale muito a pena!
"O Homem do Norte" é impressionante visualmente, embora sua narrativa seja um pouco apressada - principalmente no prólogo. E aí, meu amigo, a culpa é do formato de longa-metragem que não permite um cuidado maior na hora de construir uma história repleta de simbolismos que impactam diretamente em inúmeras camadas da personalidade de cada personagem. Em “The Northman” (no original) é possível encontrar todo o talento e a identidade de Robert Eggers, cineasta responsável pelo “A Bruxa” e pelo surreal "O Farol", em uma atmosfera que equilibra perfeitamente fortes elementos teatrais shakespeareanos, ao melhor estilo “A Tragédia de Hamlet”, com épicos de ação, guerra e traição, daqueles grandiosos, como "300" e até "Game of Thrones".
O filme acompanha a história do Príncipe Amleth (Alexander Skarsgard), cuja missão de vida, assim profetizada, é vingar a morte do seu pai, o Rei Aurvandil (Ethan Hawke), que foi covardemente assassinado pelas mãos de seu tio bastardo, Fjölnir (Claes Bang), e assim salvar a sua mãe, a Rainha Gudrún (Nicole Kidman). Vamos ao trailer:
Esse é o primeiro grande filme (em orçamento) de Eggers, um diretor que ganhou notoriedade pela forma como transitou no cinema independente com projetos de gênero (no caso dramas, com fortes referências de terror e suspense psicológico) que fizeram muito sucesso entre os críticos e o público. Aqui, o diretor busca nos contos nórdicos da mitologia viking, um história sangrenta sobre vingança. Aliás, vale dizer que foi Shakespeare quem revisitou a história do Príncipe Amleth e a adaptou aos moldes da sociedade inglesa e não o contrário. Veja, Eggers não reproduz com fidelidade o conto escrito pelo historiador dinamarquês Saxo Grammaticus, que viveu entre os séculos XII e XIII., já que seu Amleth foi, propositalmente, apenas um recorte de uma saga fantástica muito maior, a "Gesta Danorum" - conhecida como a mais importante história medieval da Dinamarca.
Cinematograficamente falando, "O Homem do Norte" chama atenção por alguns elementos que não me surpreenderei se forem lembrados no próximo Oscar. O primeiro, sem dúvida, é a belíssima fotografia do seu parceiro de longa data, Jarin Blaschke - é incrível como Blaschke vai pontuando cada um dos capítulos do filme com cores e enquadramentos que são facilmente percebidos pelo tom dramático da evolução da história. Além de criativo, os planos são perfeitos tecnicamente. O outro ponto que merece nosso aplauso é a trilha sonora - fantástica! Os estreantes Robin Carolan e Sebastian Gainsborough dão um show! E para finalizar, o desenho de produção e o departamento de arte, puxa, impecáveis - reparem como os rituais (que vimos muito na série "Vikings") se integram perfeitamente no cotidiano e nos costumes daquele povo, com o roteiro que respeita a simbologia mitológica da história. A cena em que Björk revela ao Príncipe Amleth sua profecia, talvez seja o maior exemplo disso!
Com elenco afinado e muito bem inseridos na proposta conceitual do diretor, “O Homem do Norte” é um impressionante e verdadeiro espectáculo visual, rico em toda sua essência como obra cinematográfica e honesto com o estilo já estabelecido de Robert Eggers - talvez a única concessão do diretor tenha sido no idioma do filme, que para Eggers faria mais sentido se fosse falado só em nórdico antigo. Em todo caso, você pode esperar uma jornada sangrenta, brutal e empolgante; eu diria que é uma verdadeira viagem no tempo de um trabalho orientado pelos detalhes e pela precisão técnica e artística, mas sem esquecer daquele tempero independente de uma narrativa autoral.
Vale muito a pena!
"O Livro de Boba Fett" talvez seja o maior exemplo (até aqui) da infinidade de possibilidades que um serviço de streaming proporciona para a construção (e recuperação) de uma narrativa que vai funcionar como uma importante peça de um enorme quebra-cabeça. Seguindo a cartilha de desenvolvimento de personagens e histórias secundárias, mas relevantes como arco maior, de um Universo repleto de fãs (bem ao estilo Marvel), a série da Disney+ usa seus 7 episódios para contar uma jornada (não revelada e que não mudaria o rumo dos acontecimentos da franquia) de Boba Fett dentro da linha temporal de Star Wars e, mais do que isso, que fortalece a sua relação com o fenômeno "The Mandalorian" abrindo caminho para outros cross-overs.
O foco da série está em acompanhar a ascensão de Boba Fett (Temuera Morrison) ao posto de chefe do crime em Tatooine (continuando de onde parou na segunda temporada de “The Mandalorian"). Após a morte de Jabba "the Hutt" em “O Retorno de Jedi”, a principal família criminosa do planeta ficou sem líder, com o Twi’Lek Bib Fortuna (Matthew Wood) assumindo sem inspirar muita confiança. Fett depõe o antigo mordomo com a brutalidade que lhe é peculiar, mas ele não é um senhor do crime - ele é um caçador de recompensas e com isso ele tem que provar que pode governar o local, ser mais diplomático, enfrentar alguma milícias e ainda manter a ordem e a paz para todos os habitantes do planeta. Confira o trailer:
É difícil não gostar de "O Livro de Boba Fett" depois de duas temporadas de "The Mandalorian" e do gancho deixado para que o personagem, definitivamente, brilhasse em uma jornada solo, porém é preciso que se diga: a construção narrativa de série, obedecendo duas linhas temporais (com o passado e o presente de Fett), não se sustenta - isso é tão claro que a duração dos episódios até a chegada de Mando na trama é de no máximo 30 minutos e depois praticamente dobra. Veja, o roteiro tenta priorizar o ecossistema conflituoso de Tatooine e relaciona-lo ao passado do protagonista, adicionando personagens como os Mods (um grupo de criminosos cyberpunks adolescentes) e até proporcionando o retorno de Cobb Vanth (Timothy Olyphant) e Cad Bane (Corey Burton), mas o fôlego só é recuperado de verdade quando o showrunner Robert Rodriguez transforma "O Livro de Boba Fett" em uma espécie de “Star Wars: a Série”!
Eu explico: o mood do que já deu certo anteriormente é praticamente "copiado e colado". Personagens como o Mandaloriano (Pedro Pascal), Luke Skywalker (Mark Hamill), Ahsoka Tano (Rosario Dawson) e Grogu vão ganhando tempo de tela e deixando o próprio Boba Fett em segundo plano - sem falar que praticamente esquece Fennec Shand (Ming-Na Wen). Por outro lado a dinâmica narrativa da série melhora, ganha mais ação, mais embates, tiroteios, perseguições, etc - só não segue a unidade e, muito menos, o conceito apresentado no primeiro episódio.
Dito isso, é possível que você estranhe essa quebra brusca de conceito (lá pelo quinto episódio). O ritmo muda e o foco também! A história de tudo que aconteceu entre "O Retorno de Jedi" (1983) até o retorno misterioso de Fett em "The Mandalorian", e a trama dele tentando se transformar no novo Daimiô de Tatooine, praticamente deixa de existir e o universo que nos fez reviver os bons tempos de Star Wars passa a ser melhor explorado - até Cad Bane, um dos personagens favoritos dos fãs das animações, surge em live action. O fato é que mesmo inconstante "O Livro de Boba Fett" é bom, cumpre seu papel e se torna uma série imperdível, mas deixa muito claro quem será o personagem-chave dessa nova fase da franquia (agora no streaming).
Vale o play se você for fã!
"O Livro de Boba Fett" talvez seja o maior exemplo (até aqui) da infinidade de possibilidades que um serviço de streaming proporciona para a construção (e recuperação) de uma narrativa que vai funcionar como uma importante peça de um enorme quebra-cabeça. Seguindo a cartilha de desenvolvimento de personagens e histórias secundárias, mas relevantes como arco maior, de um Universo repleto de fãs (bem ao estilo Marvel), a série da Disney+ usa seus 7 episódios para contar uma jornada (não revelada e que não mudaria o rumo dos acontecimentos da franquia) de Boba Fett dentro da linha temporal de Star Wars e, mais do que isso, que fortalece a sua relação com o fenômeno "The Mandalorian" abrindo caminho para outros cross-overs.
O foco da série está em acompanhar a ascensão de Boba Fett (Temuera Morrison) ao posto de chefe do crime em Tatooine (continuando de onde parou na segunda temporada de “The Mandalorian"). Após a morte de Jabba "the Hutt" em “O Retorno de Jedi”, a principal família criminosa do planeta ficou sem líder, com o Twi’Lek Bib Fortuna (Matthew Wood) assumindo sem inspirar muita confiança. Fett depõe o antigo mordomo com a brutalidade que lhe é peculiar, mas ele não é um senhor do crime - ele é um caçador de recompensas e com isso ele tem que provar que pode governar o local, ser mais diplomático, enfrentar alguma milícias e ainda manter a ordem e a paz para todos os habitantes do planeta. Confira o trailer:
É difícil não gostar de "O Livro de Boba Fett" depois de duas temporadas de "The Mandalorian" e do gancho deixado para que o personagem, definitivamente, brilhasse em uma jornada solo, porém é preciso que se diga: a construção narrativa de série, obedecendo duas linhas temporais (com o passado e o presente de Fett), não se sustenta - isso é tão claro que a duração dos episódios até a chegada de Mando na trama é de no máximo 30 minutos e depois praticamente dobra. Veja, o roteiro tenta priorizar o ecossistema conflituoso de Tatooine e relaciona-lo ao passado do protagonista, adicionando personagens como os Mods (um grupo de criminosos cyberpunks adolescentes) e até proporcionando o retorno de Cobb Vanth (Timothy Olyphant) e Cad Bane (Corey Burton), mas o fôlego só é recuperado de verdade quando o showrunner Robert Rodriguez transforma "O Livro de Boba Fett" em uma espécie de “Star Wars: a Série”!
Eu explico: o mood do que já deu certo anteriormente é praticamente "copiado e colado". Personagens como o Mandaloriano (Pedro Pascal), Luke Skywalker (Mark Hamill), Ahsoka Tano (Rosario Dawson) e Grogu vão ganhando tempo de tela e deixando o próprio Boba Fett em segundo plano - sem falar que praticamente esquece Fennec Shand (Ming-Na Wen). Por outro lado a dinâmica narrativa da série melhora, ganha mais ação, mais embates, tiroteios, perseguições, etc - só não segue a unidade e, muito menos, o conceito apresentado no primeiro episódio.
Dito isso, é possível que você estranhe essa quebra brusca de conceito (lá pelo quinto episódio). O ritmo muda e o foco também! A história de tudo que aconteceu entre "O Retorno de Jedi" (1983) até o retorno misterioso de Fett em "The Mandalorian", e a trama dele tentando se transformar no novo Daimiô de Tatooine, praticamente deixa de existir e o universo que nos fez reviver os bons tempos de Star Wars passa a ser melhor explorado - até Cad Bane, um dos personagens favoritos dos fãs das animações, surge em live action. O fato é que mesmo inconstante "O Livro de Boba Fett" é bom, cumpre seu papel e se torna uma série imperdível, mas deixa muito claro quem será o personagem-chave dessa nova fase da franquia (agora no streaming).
Vale o play se você for fã!
"O Pacto" talvez seja o filme de ação menos "Guy Ritchie" do Guy Ritchie. Digo isso com a tranquilidade de quem conhece praticamente todos os projetos do diretor no gênero, que, de alguma forma, impõe sua identidade com a mesma competência com que constrói uma trama normalmente fragmentada, cheia de intervenções gráficas e que fomenta uma certa ironia no tom e na performance dos atores. Aqui, o que temos é sim um filme de ação, que nos faz lembrar os bons tempos de "Homeland", mas a potência da narrativa está mesmo é no drama, na atmosfera de tensão e de angustia pela qual os personagens precisam passar. É uma experiência inesquecível? Certamente não, mas posso te garantir que são 120 minutos de um ótimo e dinâmico entretenimento - eu diria até, imperdível!
Durante a Guerra do Afeganistão, o Sargento John Kinley (Jake Gylenhaal) recruta o intérprete local Ahmed (Dar Salim) para acompanhar a equipe na missão de neutralizar o maior número possível de instalações do Talibã. Porém, no confronto, Kinley acaba sendo atingido e é gravemente ferido. Para salvar o sargento, Ahmed não pensa duas vezes antes de colocar a própria vida em risco e carregar Kinley através de cenários perigosos para escapar dos inimigos. Porém, Kinley volta para casa e descobre que, no Afeganistão, Ahmed está sendo perseguido pelo Talibã por ter salvo sua vida. Com as autoridades se negando a enviar ajuda, John decide retornar para o campo de batalha por conta própria para ajudar o homem. Confira o trailer (em inglês):
Sem a menor dúvida que "The Covenant" (no original) pode ser definido como um drama de guerra dos mais eficientes e empolgantes, no entanto é de se questionar por qual razão que o diretor não se arriscou mais? Isso não é uma critica, mas uma constatação - com exceção de um ou outro plano mais criativo, a sua condução é mais flat. A narrativa também é mais linear, ao ponto de termos a exata sensação de estarmos assistindo um episódio de "Homeland" - no bom e no mal sentido. No bom, é perceptível que Ritchie se apropria dos dramas dos personagens para dimensionar o tamanho do problema que foi a Guerra do Afeganistão - inclusive ao abordar o evento de forma realista, explorando as complexidades morais e éticas enfrentadas pelos soldados americanos, bem como os dilemas enfrentados pelos afegãos que eram contra o sistema talibã. Já pelo lado, digamos, "ruim"; o filme não traz nada de muito novo, ou seja, é mais um filme sobre a jornada do herói que busca sua redenção.
Visualmente, o trabalho do diretor de fotografia Ed Wild (o mesmo de "Invasão a Londres") é impecável. Os planos construídos ao lado Ritchie são incríveis - a forma como Wild interpreta a geografia local soa quase documental (e não é exagero). As montanhas, o silêncio, as estradas vazias, o ar pesado, o calor, enfim, todos esses elementos são brilhantemente explorados e dão o tom claustrofóbico da trama. Reparem que até nas sequências de ação na fábrica e depois na barragem, a câmera pontua o local do embate sem esquecer do cenário em que ele está inserido e ao somar aqueles enquadramentos mais baixos, com as caminhonetes cheias de talibãs chegando, pronto, tudo fica muito alinhado à angústia e ao suspense do momento.
Olhar a Guerra no Oriente Médio sob o contexto dos americanos e suas alianças estratégicas superficiais virou algo comum em Hollywood nesses mais de 20 anos de produção do gênero - algo como os anos 80 fez com o Vietnã. No entanto, "O Pacto" parece ter adicionado algumas camadas que o diferenciam e, de certa forma, insere mais realidade ao filme. O excepcional trabalho de Gyllenhaal ao lado de Salim potencializa essa premissa e nos conecta à jornada sem muito esforço. Até quando o roteiro aponta bem rapidamente para a Síndrome de Estresse Pós-Traumático do personagem, sabemos que aquilo vai funcionar apenas como gatilho para um embate que vem pela frente. Em um filme claramente dividido só em dois atos, cada qual com seu "salvamento" para guiar a narrativa, eu reforço que ambos são dignos de muitos elogios.
Vale muito o seu play!
"O Pacto" talvez seja o filme de ação menos "Guy Ritchie" do Guy Ritchie. Digo isso com a tranquilidade de quem conhece praticamente todos os projetos do diretor no gênero, que, de alguma forma, impõe sua identidade com a mesma competência com que constrói uma trama normalmente fragmentada, cheia de intervenções gráficas e que fomenta uma certa ironia no tom e na performance dos atores. Aqui, o que temos é sim um filme de ação, que nos faz lembrar os bons tempos de "Homeland", mas a potência da narrativa está mesmo é no drama, na atmosfera de tensão e de angustia pela qual os personagens precisam passar. É uma experiência inesquecível? Certamente não, mas posso te garantir que são 120 minutos de um ótimo e dinâmico entretenimento - eu diria até, imperdível!
Durante a Guerra do Afeganistão, o Sargento John Kinley (Jake Gylenhaal) recruta o intérprete local Ahmed (Dar Salim) para acompanhar a equipe na missão de neutralizar o maior número possível de instalações do Talibã. Porém, no confronto, Kinley acaba sendo atingido e é gravemente ferido. Para salvar o sargento, Ahmed não pensa duas vezes antes de colocar a própria vida em risco e carregar Kinley através de cenários perigosos para escapar dos inimigos. Porém, Kinley volta para casa e descobre que, no Afeganistão, Ahmed está sendo perseguido pelo Talibã por ter salvo sua vida. Com as autoridades se negando a enviar ajuda, John decide retornar para o campo de batalha por conta própria para ajudar o homem. Confira o trailer (em inglês):
Sem a menor dúvida que "The Covenant" (no original) pode ser definido como um drama de guerra dos mais eficientes e empolgantes, no entanto é de se questionar por qual razão que o diretor não se arriscou mais? Isso não é uma critica, mas uma constatação - com exceção de um ou outro plano mais criativo, a sua condução é mais flat. A narrativa também é mais linear, ao ponto de termos a exata sensação de estarmos assistindo um episódio de "Homeland" - no bom e no mal sentido. No bom, é perceptível que Ritchie se apropria dos dramas dos personagens para dimensionar o tamanho do problema que foi a Guerra do Afeganistão - inclusive ao abordar o evento de forma realista, explorando as complexidades morais e éticas enfrentadas pelos soldados americanos, bem como os dilemas enfrentados pelos afegãos que eram contra o sistema talibã. Já pelo lado, digamos, "ruim"; o filme não traz nada de muito novo, ou seja, é mais um filme sobre a jornada do herói que busca sua redenção.
Visualmente, o trabalho do diretor de fotografia Ed Wild (o mesmo de "Invasão a Londres") é impecável. Os planos construídos ao lado Ritchie são incríveis - a forma como Wild interpreta a geografia local soa quase documental (e não é exagero). As montanhas, o silêncio, as estradas vazias, o ar pesado, o calor, enfim, todos esses elementos são brilhantemente explorados e dão o tom claustrofóbico da trama. Reparem que até nas sequências de ação na fábrica e depois na barragem, a câmera pontua o local do embate sem esquecer do cenário em que ele está inserido e ao somar aqueles enquadramentos mais baixos, com as caminhonetes cheias de talibãs chegando, pronto, tudo fica muito alinhado à angústia e ao suspense do momento.
Olhar a Guerra no Oriente Médio sob o contexto dos americanos e suas alianças estratégicas superficiais virou algo comum em Hollywood nesses mais de 20 anos de produção do gênero - algo como os anos 80 fez com o Vietnã. No entanto, "O Pacto" parece ter adicionado algumas camadas que o diferenciam e, de certa forma, insere mais realidade ao filme. O excepcional trabalho de Gyllenhaal ao lado de Salim potencializa essa premissa e nos conecta à jornada sem muito esforço. Até quando o roteiro aponta bem rapidamente para a Síndrome de Estresse Pós-Traumático do personagem, sabemos que aquilo vai funcionar apenas como gatilho para um embate que vem pela frente. Em um filme claramente dividido só em dois atos, cada qual com seu "salvamento" para guiar a narrativa, eu reforço que ambos são dignos de muitos elogios.
Vale muito o seu play!
Entretenimento puro, despretensioso e com um toque de nostalgia! Não existe maneira melhor de definir "O Predador: A Caçada", vendido como um filme de origem, quando na verdade é mais um prequel com uma boa chance de se tornar um reboot graças a quantidade de elogios que o filme vem recebendo desde sua estreia.
Ambientado no mundo da Nação Comanche no início de 1700; munida com armas primitivas, Naru (Amber Midthunder) persegue e finalmente confronta seu pior inimigo: um predador alienígena altamente evoluído, com um arsenal tecnologicamente avançado, resultando em um confronto brutal e aterrorizante. Protegendo seu povo do Predador que caça humanos por esporte, lutando contra a natureza, colonizadores perigosos, entre outros desafios, a jovem corajosa precisa provar que possui a força para enfrentar o que for necessário para manter seu povo seguro. Confira o trailer:
É inegável o valor que o primeiro filme da franquia teve para toda uma geração - basta dizer que em 1987, Arnold Schwarzenegger estava no auge e filmes que equilibravam muita ação com elementos de ficção científica eram, sem a menor dúvida, o gênero que mais provocava o interesse da audiência (mainstream) na época. Pois bem, de lá para cá pouco se aproveitou de uma franquia que poderia tranquilamente se estabelecer como uma grande mina de ouro - muito do que foi lançado nos últimos 35 anos não merece nem ser mencionado aqui para não descaracterizar as recomendações de qualidade que nos propomos a fazer. Até que surge o diretor Dan Trachtenberg, em apenas o seu segundo filme, mas chancelado pela critica e pelo público depois do seu longa-metragem de estreia: "Rua Cloverfield, 10".
Estabelecida sua capacidade de construir narrativas envolventes com poucos recursos de orçamento, mas com uma gramática cinematográfica precisa para nos prender à trama mesmo com a clara intenção de apenas entreter, Trachtenberg, outra vez, entrega mais do que o esperado. "O Predador: A Caçada" é uma evolução do filme de 1987 ao mesmo tempo em que recupera sua essência - não existe aqui uma necessidade de aprofundamento nas motivações dos personagens ou de maiores explicações sobre a criatura que simplesmente surge no planeta para "se divertir". O Predador é um colecionador, mata por prazer, em busca de troféus e ponto final! Já Naru usa sua jornada contra o alienígena apenas como gatilho para se provar (e, claro, sobreviver) - e é isso! Com um subtexto relevante para os dias de hoje, afinal a protagonista foi treinada a vida inteira para ser uma curandeira, mas na verdade o que ela deseja mesmo é ser uma caçadora (função costumeiramente reservada aos homens de sua tribo), o filme cria uma camada inteligente que nos conecta imediatamente com a personagem e nos faz torcer pelo seu sucesso - só não espere uma discussão muito além disso.
O roteiro de estreia de Patrick Aison (de "Jack Ryan" e "Wayward Pines") sofre um pouco com a necessidade de explicar em diálogos muito do que poderia ser simplesmente resolvido com imagens - o filme de 1987 tinha isso, aliás. Veja, sendo Naru uma heroína clássica de filmes de ação em seu processo de amadurecimento e transformação, o embate com um inimigo maligno e muito mais poderoso já seria suficiente para dinâmica na história - não que os "papos cabeça" entre ela e o irmão sejam ruins, mas servem mais como alívios narrativos do que como elementos que possam fazer diferença no resultado final. Os efeitos visuais, com algumas escorregadas (principalmente no sangue), também são competentes e quando Trachtenberg entende suas limitações técnicas, tudo se encaixa ainda melhor - ele resolve com os enquadramentos e com os movimentos de câmera, situações que um diretor menos talentoso sofreria para entregar.
Dito isso, "Prey" (no original) é mais uma agradável surpresa no catálogo do streaming. Não será um filme inesquecível, mas certamente vai agradar quem busca um entretenimento de qualidade que certamente terá continuações - reparem como as “ilustrações” dos créditos nos indicam esse caminho.
Vale seu play!
Entretenimento puro, despretensioso e com um toque de nostalgia! Não existe maneira melhor de definir "O Predador: A Caçada", vendido como um filme de origem, quando na verdade é mais um prequel com uma boa chance de se tornar um reboot graças a quantidade de elogios que o filme vem recebendo desde sua estreia.
Ambientado no mundo da Nação Comanche no início de 1700; munida com armas primitivas, Naru (Amber Midthunder) persegue e finalmente confronta seu pior inimigo: um predador alienígena altamente evoluído, com um arsenal tecnologicamente avançado, resultando em um confronto brutal e aterrorizante. Protegendo seu povo do Predador que caça humanos por esporte, lutando contra a natureza, colonizadores perigosos, entre outros desafios, a jovem corajosa precisa provar que possui a força para enfrentar o que for necessário para manter seu povo seguro. Confira o trailer:
É inegável o valor que o primeiro filme da franquia teve para toda uma geração - basta dizer que em 1987, Arnold Schwarzenegger estava no auge e filmes que equilibravam muita ação com elementos de ficção científica eram, sem a menor dúvida, o gênero que mais provocava o interesse da audiência (mainstream) na época. Pois bem, de lá para cá pouco se aproveitou de uma franquia que poderia tranquilamente se estabelecer como uma grande mina de ouro - muito do que foi lançado nos últimos 35 anos não merece nem ser mencionado aqui para não descaracterizar as recomendações de qualidade que nos propomos a fazer. Até que surge o diretor Dan Trachtenberg, em apenas o seu segundo filme, mas chancelado pela critica e pelo público depois do seu longa-metragem de estreia: "Rua Cloverfield, 10".
Estabelecida sua capacidade de construir narrativas envolventes com poucos recursos de orçamento, mas com uma gramática cinematográfica precisa para nos prender à trama mesmo com a clara intenção de apenas entreter, Trachtenberg, outra vez, entrega mais do que o esperado. "O Predador: A Caçada" é uma evolução do filme de 1987 ao mesmo tempo em que recupera sua essência - não existe aqui uma necessidade de aprofundamento nas motivações dos personagens ou de maiores explicações sobre a criatura que simplesmente surge no planeta para "se divertir". O Predador é um colecionador, mata por prazer, em busca de troféus e ponto final! Já Naru usa sua jornada contra o alienígena apenas como gatilho para se provar (e, claro, sobreviver) - e é isso! Com um subtexto relevante para os dias de hoje, afinal a protagonista foi treinada a vida inteira para ser uma curandeira, mas na verdade o que ela deseja mesmo é ser uma caçadora (função costumeiramente reservada aos homens de sua tribo), o filme cria uma camada inteligente que nos conecta imediatamente com a personagem e nos faz torcer pelo seu sucesso - só não espere uma discussão muito além disso.
O roteiro de estreia de Patrick Aison (de "Jack Ryan" e "Wayward Pines") sofre um pouco com a necessidade de explicar em diálogos muito do que poderia ser simplesmente resolvido com imagens - o filme de 1987 tinha isso, aliás. Veja, sendo Naru uma heroína clássica de filmes de ação em seu processo de amadurecimento e transformação, o embate com um inimigo maligno e muito mais poderoso já seria suficiente para dinâmica na história - não que os "papos cabeça" entre ela e o irmão sejam ruins, mas servem mais como alívios narrativos do que como elementos que possam fazer diferença no resultado final. Os efeitos visuais, com algumas escorregadas (principalmente no sangue), também são competentes e quando Trachtenberg entende suas limitações técnicas, tudo se encaixa ainda melhor - ele resolve com os enquadramentos e com os movimentos de câmera, situações que um diretor menos talentoso sofreria para entregar.
Dito isso, "Prey" (no original) é mais uma agradável surpresa no catálogo do streaming. Não será um filme inesquecível, mas certamente vai agradar quem busca um entretenimento de qualidade que certamente terá continuações - reparem como as “ilustrações” dos créditos nos indicam esse caminho.
Vale seu play!
Se você gostou das adaptações para o cinema de "O Código Da Vinci" (2006), "Anjos & Demônios" (2011) e "Inferno" (2016), você nem precisa terminar de ler esse review, basta dar o play que sua diversão estará garantida por quase dez horas de história que estão divididas em 10 episódios! Para aqueles que ainda não se aventuraram pelas obras de Dan Brown, talvez a série "O Símbolo Perdido" seja um bom ponto de partida, já que os próprios produtores (e diretor) da trilogia cinematográfica, Ron Howard e Brian Grazer, quebraram a linha temporal do personagem eternizado por Tom Hanks, Robert Langdon, transformando o terceiro livro do autor em uma espécie de prequel, contando a mesma história, porém com Langdon em inicio de carreira.
Chamado por seu amigo e mentor, Peter Solomon (Eddie Izzard), para dar uma palestra em Washington, Robert Langdon (Ashley Zukerman) viaja até a capital americana, mas antes de entrar no palco para iniciar sua apresentação, descobre que tudo aquilo foi uma armação para obriga-lo a desvendar uma série de enigmas e assim iniciar uma busca por um antigo portal místico em meio a uma enorme conspiração que envolve políticos, pensadores históricos, perigosos assassinos, extremistas religiosos, a maçonaria e a própria CIA. Confira o trailer (em inglês):
Criada por Dan Dworkin ao lado de Jay Beattie e produzida originalmente para o Peacock, "O Símbolo Perdido" chegou ao Brasil pelo Globoplay com status de superprodução, porém o que seria uma série antológica acabou se transformando em uma minissérie (sim, a história tem um final) já que a NBCUniversal resolveu não dar continuidade ao projeto pelo seu alto custo e baixo retorno após a exibição do que seria a primeira temporada. O fato é que mesmo sendo apresentada como uma nova abordagem do trabalho de Dan Brown, Howard e Grazer replicaram muito da dinâmica visual e narrativa que fizeram com que os filmes funcionassem - talvez com menos intervenções gráficas e sem, obviamente, a maestria de Hanks.
É inegável que mesmo com uma atualização inteligente em sua forma, a minissérie sofra com o conteúdo datado em seu conceito narrativo - o sucesso arrebatador do estilo bem particular de escrita de Dan Brown, já com mais de vinte anos de "Anjos & Demônios", dificilmente se conecta com uma audiência acostumada com tramas menos expositivas. Por outro lado, o fã do autor sabe exatamente o que vai encontrar e gosta: entretenimento, aquela sensação de urgência a todo momento e o equilíbrio inteligente entre o místico, o cientifico e o religioso - tudo isso com uma boa dose de suspensão da realidade e uma certa boa vontade com todas aquelas reviravoltas sem muita lógica que ele propõe.
A minissérie tem o beneficio do tempo, fator que até justifica algumas criticas sobre os filmes, mas parece ter chegado às telas alguns anos atrasada. Por outro lado, ela se aproveita muito bem de uma fórmula que agrada uma audiência muito grande (basta lembrar do sucesso que foi "Lupin"na Netflix): a mistura dos gêneros policial e de ação, com um personagem marcante e muito atraente, como Robert Langdon (e seus parceiros de investigação), e ainda uma trama de muito mistério e misticismo - elementos que nos remetem ao Sherlock Holmes de Benedict Cumberbatch ou o Assane Diop de Omar Sy, com um toque romântico de Indiana Jones de Harrison Ford.
Se você gostou das adaptações para o cinema de "O Código Da Vinci" (2006), "Anjos & Demônios" (2011) e "Inferno" (2016), você nem precisa terminar de ler esse review, basta dar o play que sua diversão estará garantida por quase dez horas de história que estão divididas em 10 episódios! Para aqueles que ainda não se aventuraram pelas obras de Dan Brown, talvez a série "O Símbolo Perdido" seja um bom ponto de partida, já que os próprios produtores (e diretor) da trilogia cinematográfica, Ron Howard e Brian Grazer, quebraram a linha temporal do personagem eternizado por Tom Hanks, Robert Langdon, transformando o terceiro livro do autor em uma espécie de prequel, contando a mesma história, porém com Langdon em inicio de carreira.
Chamado por seu amigo e mentor, Peter Solomon (Eddie Izzard), para dar uma palestra em Washington, Robert Langdon (Ashley Zukerman) viaja até a capital americana, mas antes de entrar no palco para iniciar sua apresentação, descobre que tudo aquilo foi uma armação para obriga-lo a desvendar uma série de enigmas e assim iniciar uma busca por um antigo portal místico em meio a uma enorme conspiração que envolve políticos, pensadores históricos, perigosos assassinos, extremistas religiosos, a maçonaria e a própria CIA. Confira o trailer (em inglês):
Criada por Dan Dworkin ao lado de Jay Beattie e produzida originalmente para o Peacock, "O Símbolo Perdido" chegou ao Brasil pelo Globoplay com status de superprodução, porém o que seria uma série antológica acabou se transformando em uma minissérie (sim, a história tem um final) já que a NBCUniversal resolveu não dar continuidade ao projeto pelo seu alto custo e baixo retorno após a exibição do que seria a primeira temporada. O fato é que mesmo sendo apresentada como uma nova abordagem do trabalho de Dan Brown, Howard e Grazer replicaram muito da dinâmica visual e narrativa que fizeram com que os filmes funcionassem - talvez com menos intervenções gráficas e sem, obviamente, a maestria de Hanks.
É inegável que mesmo com uma atualização inteligente em sua forma, a minissérie sofra com o conteúdo datado em seu conceito narrativo - o sucesso arrebatador do estilo bem particular de escrita de Dan Brown, já com mais de vinte anos de "Anjos & Demônios", dificilmente se conecta com uma audiência acostumada com tramas menos expositivas. Por outro lado, o fã do autor sabe exatamente o que vai encontrar e gosta: entretenimento, aquela sensação de urgência a todo momento e o equilíbrio inteligente entre o místico, o cientifico e o religioso - tudo isso com uma boa dose de suspensão da realidade e uma certa boa vontade com todas aquelas reviravoltas sem muita lógica que ele propõe.
A minissérie tem o beneficio do tempo, fator que até justifica algumas criticas sobre os filmes, mas parece ter chegado às telas alguns anos atrasada. Por outro lado, ela se aproveita muito bem de uma fórmula que agrada uma audiência muito grande (basta lembrar do sucesso que foi "Lupin"na Netflix): a mistura dos gêneros policial e de ação, com um personagem marcante e muito atraente, como Robert Langdon (e seus parceiros de investigação), e ainda uma trama de muito mistério e misticismo - elementos que nos remetem ao Sherlock Holmes de Benedict Cumberbatch ou o Assane Diop de Omar Sy, com um toque romântico de Indiana Jones de Harrison Ford.
Operação Lioness" ou simplesmente "Lioness", é uma série com muita ação e boas pitadas de drama político, que mergulha nos perigos e nas complexidades da vida de agentes secretos envolvidos em operações especiais anti-terrorismo. Criada pelo Taylor Sheridan, conhecido por seu trabalho em séries como "Yellowstone" e "Mayor of Kingstown", "Lioness" repete sua fórmula de sucesso de "Homeland", com uma narrativa intensa e focada em personagens realmente bem desenvolvidos, oferecendo uma visão cheia de adrenalina de um mundo onde a espionagem se mistura com o cotidiano para entregar episódios de tirar o fôlego!
A trama, basicamente, segue a história de Joe (Zoe Saldaña), uma agente da CIA encarregada de liderar uma unidade ultra-secreta de operações especiais conhecida como "Lioness". Essa unidade é composta por mulheres altamente treinadas, cuja missão é se infiltrar em redes terroristas de alto risco, ganhando a confiança de pessoas próximas aos alvos e com isso realizar operações suicidas que são cruciais para a segurança nacional dos Estados Unidos. Confira o trailer:
O mais interessante de "Lioness" é a forma como a série sabe explorar tanto os perigos físicos das missões quanto os dilemas morais e emocionais enfrentados pelas protagonistas - especialmente quando tentam equilibrar essa vida dupla, muitas vezes com lealdade conflitantes, e onde os traumas psicológicos dessas atividades clandestinas parecem impossíveis de lidar com naturalidade. Sheridan, mais uma vez, traz uma intensidade característica à narrativa, que é envolvente e implacável. Ele constrói o roteiro da temporada com uma estrutura que alterna entre cenas de ação explosivas e momentos de desenvolvimento de personagem mais introspectivos, criando um equilíbrio que mantém a audiência imersa na trama ao mesmo tempo em que tenta se conectar com as motivações dos personagens - nesse ponto, a série, de fato, traz muito de "Homeland".
Rica em tensão e suspense, fica fácil para a direção de John Hillcoat (e equipe) encontrar um ritmo que basicamente nos impede de parar de assistir um episódio após o outro. Tudo é muito bem executado, com um estilo muito particular e uma cinematografia que captura a vastidão e o isolamento dos ambientes desérticos onde muitas das missões se desenrolam com a mesma competência com que enquadra o visual mais cosmopolita das grandes cidades onde as estratégias são desenhadas. O uso de câmeras na mão e os ângulos mais dinâmicos durante as cenas de ação aumentam a sensação de urgência e perigo, enquanto as sequências mais calmas utilizam enquadramentos fechados para explorar a vulnerabilidade emocional dos personagens - eu diria que aqui temos um thriller de ação e espionagem com alma. Nesse sentido, Zoe Saldaña entrega uma performance poderosa, liderando o elenco com uma intensidade que reflete a dureza de uma personagem cheia de marcas - repare como ela traz aquela camada de humanidade para um papel que poderia facilmente ter sido unidimensional, mostrando tanto a força quanto as dores de uma agente que é, antes de tudo, uma mulher de carne e osso.
"Lioness" sabe perfeitamente como explorar temas espinhosos como a moralidade das operações, os efeitos psicológicos da violência e o impacto das decisões de "colarinho branco" nas vidas dos indivíduos. A série questiona as linhas tênues entre bem e mal, certo e errado, muitas vezes colocando suas personagens em posições onde a escolha certa é ambígua ou até inexistente. Essa exploração adiciona profundidade à narrativa e oferece para a audiência uma experiência desconfortavelmente mais reflexiva - o prólogo do primeiro episódio é um bom exemplo desse conceito na prática. Eficaz em capturar o perigo e a incerteza do mundo da espionagem moderna, ao mesmo tempo em que oferece uma visão humana das pessoas que realizam essas missões, "Lioness" merece muitos elogios por conseguir traçar uma jornada de ação e drama de uma maneira que nos mantém engajados e reflexivos sobre os reais custos do dever e da lealdade.
Olha, entretenimento da melhor qualidade! Só dar o play!
Operação Lioness" ou simplesmente "Lioness", é uma série com muita ação e boas pitadas de drama político, que mergulha nos perigos e nas complexidades da vida de agentes secretos envolvidos em operações especiais anti-terrorismo. Criada pelo Taylor Sheridan, conhecido por seu trabalho em séries como "Yellowstone" e "Mayor of Kingstown", "Lioness" repete sua fórmula de sucesso de "Homeland", com uma narrativa intensa e focada em personagens realmente bem desenvolvidos, oferecendo uma visão cheia de adrenalina de um mundo onde a espionagem se mistura com o cotidiano para entregar episódios de tirar o fôlego!
A trama, basicamente, segue a história de Joe (Zoe Saldaña), uma agente da CIA encarregada de liderar uma unidade ultra-secreta de operações especiais conhecida como "Lioness". Essa unidade é composta por mulheres altamente treinadas, cuja missão é se infiltrar em redes terroristas de alto risco, ganhando a confiança de pessoas próximas aos alvos e com isso realizar operações suicidas que são cruciais para a segurança nacional dos Estados Unidos. Confira o trailer:
O mais interessante de "Lioness" é a forma como a série sabe explorar tanto os perigos físicos das missões quanto os dilemas morais e emocionais enfrentados pelas protagonistas - especialmente quando tentam equilibrar essa vida dupla, muitas vezes com lealdade conflitantes, e onde os traumas psicológicos dessas atividades clandestinas parecem impossíveis de lidar com naturalidade. Sheridan, mais uma vez, traz uma intensidade característica à narrativa, que é envolvente e implacável. Ele constrói o roteiro da temporada com uma estrutura que alterna entre cenas de ação explosivas e momentos de desenvolvimento de personagem mais introspectivos, criando um equilíbrio que mantém a audiência imersa na trama ao mesmo tempo em que tenta se conectar com as motivações dos personagens - nesse ponto, a série, de fato, traz muito de "Homeland".
Rica em tensão e suspense, fica fácil para a direção de John Hillcoat (e equipe) encontrar um ritmo que basicamente nos impede de parar de assistir um episódio após o outro. Tudo é muito bem executado, com um estilo muito particular e uma cinematografia que captura a vastidão e o isolamento dos ambientes desérticos onde muitas das missões se desenrolam com a mesma competência com que enquadra o visual mais cosmopolita das grandes cidades onde as estratégias são desenhadas. O uso de câmeras na mão e os ângulos mais dinâmicos durante as cenas de ação aumentam a sensação de urgência e perigo, enquanto as sequências mais calmas utilizam enquadramentos fechados para explorar a vulnerabilidade emocional dos personagens - eu diria que aqui temos um thriller de ação e espionagem com alma. Nesse sentido, Zoe Saldaña entrega uma performance poderosa, liderando o elenco com uma intensidade que reflete a dureza de uma personagem cheia de marcas - repare como ela traz aquela camada de humanidade para um papel que poderia facilmente ter sido unidimensional, mostrando tanto a força quanto as dores de uma agente que é, antes de tudo, uma mulher de carne e osso.
"Lioness" sabe perfeitamente como explorar temas espinhosos como a moralidade das operações, os efeitos psicológicos da violência e o impacto das decisões de "colarinho branco" nas vidas dos indivíduos. A série questiona as linhas tênues entre bem e mal, certo e errado, muitas vezes colocando suas personagens em posições onde a escolha certa é ambígua ou até inexistente. Essa exploração adiciona profundidade à narrativa e oferece para a audiência uma experiência desconfortavelmente mais reflexiva - o prólogo do primeiro episódio é um bom exemplo desse conceito na prática. Eficaz em capturar o perigo e a incerteza do mundo da espionagem moderna, ao mesmo tempo em que oferece uma visão humana das pessoas que realizam essas missões, "Lioness" merece muitos elogios por conseguir traçar uma jornada de ação e drama de uma maneira que nos mantém engajados e reflexivos sobre os reais custos do dever e da lealdade.
Olha, entretenimento da melhor qualidade! Só dar o play!
"Pantera Negra" é um filme divertido, um bom filme de super-heróis e só!!! Definitivamente ele não é, nem de longe, o melhor filme do gênero já feito! São 7 indicações para o Oscar 2019, inclusive de Melhor Filme!!! Acho que forçaram um pouco a barra!!! O filme tem uma história interessante, é dinâmico, mas não me surpreendeu como obra! Agora, o fato de trazer um personagem que sempre foi secundário para um protagonismo importante que vai além das telas, tem seu valor, sua importância e ajudou muito na valorização do filme. Eu sempre gostei de quadrinhos, mas nunca havia lido uma história exclusiva do personagem, por exemplo - e certamente não sou o único!
O filme acompanha T’Challa (Chadwick Boseman) que após a morte de seu pai, o Rei de Wakanda, volta para casa - uma isolada e tecnologicamente avançada nação africana - para a suceder ao trono e ocupar o seu lugar de direito como rei. Mas, com o reaparecimento de um velho inimigo, Erik Killmonger (Michael B. Jordan), o valor de T’Challa como rei (e como Pantera Negra) é testado, colocando o destino de Wakanda, e do mundo todo, em risco!
Tecnicamente o filme é muito interessante, os efeitos especiais são realmente incríveis, muito bem integrados a história - principalmente nos planos de transformação do traje do personagem (funcionou de uma maneira orgânica até melhor que a armadura do Homem de Ferro - por ser quase uma segunda pele, a dificuldade na composição é muito maior e mereceu a indicação para o Oscar). Já o departamento de Arte do filme também merece um destaque. Os Figurinos, Cenários e Objetos de Cena (Desenho de Produção) estão lindos - trouxe uma veracidade muito interessante e criativa para aquele mundo fictício que mistura tradição com tecnologia. Das indicações ao Oscar, desenho de som e mixagem também são bacanas e me chamaram atenção - se leva a estatueta, aí eu já acho que a coisa fica mais complicada, mas tem chance! Música, esquece e trilha sonora, pode rolar!
O ponto alto do filme, uma das coisas que eu mais gostei, foi a criação da Mitologia de Wakanda e como isso pode ser explorado em toda a franquia da Marvel. A DC tinha sinalizado um pouco disso no filme do "Homem de Aço" com aqueles 30 minutos de Krypton, mas, como sempre, jogou o que tinha de melhor no lixo e não aproveitou nada daquilo nos filmes seguintes (pelo menos até agora)! O diretor de Pantera, Ryan Coogler, também é um cara que temos que acompanhar de perto - ele sempre trás um ar de cinema independente para os seus filmes - o que dá um certo charme para uma ou outra sequência. "Creed" (excelente filme aliás) foi um bom exemplo disso, e em Pantera Negra, nas cenas de diálogos, ele também soube conduzir de uma forma muito particular e funcionou muito bem contrastando com as cenas de ação e pancadaria. Nas atuações, tenho minhas ressalvas com o Chadwick Boseman, mas gostei muito do Michael B. Jordan e, claro, da Lupita Nyong'o - que atriz incrível!!!!
Enfim, "Pantera Negra" é bom, mas não tem nada de tão diferente de outros filmes de heróis. É um bom entretenimento e, definitivamente, foi indicado por outras questões que vão além das mais de duas horas de filme! Merece? Talvez... e isso já pode ser considerada uma vitória!!!!
Up-date: "Pantera Negra" ganhou em três categorias no Oscar 2019: Melhor Trilha Sonora, Melhor Figurino e Melhor Desenho de Produção!
"Pantera Negra" é um filme divertido, um bom filme de super-heróis e só!!! Definitivamente ele não é, nem de longe, o melhor filme do gênero já feito! São 7 indicações para o Oscar 2019, inclusive de Melhor Filme!!! Acho que forçaram um pouco a barra!!! O filme tem uma história interessante, é dinâmico, mas não me surpreendeu como obra! Agora, o fato de trazer um personagem que sempre foi secundário para um protagonismo importante que vai além das telas, tem seu valor, sua importância e ajudou muito na valorização do filme. Eu sempre gostei de quadrinhos, mas nunca havia lido uma história exclusiva do personagem, por exemplo - e certamente não sou o único!
O filme acompanha T’Challa (Chadwick Boseman) que após a morte de seu pai, o Rei de Wakanda, volta para casa - uma isolada e tecnologicamente avançada nação africana - para a suceder ao trono e ocupar o seu lugar de direito como rei. Mas, com o reaparecimento de um velho inimigo, Erik Killmonger (Michael B. Jordan), o valor de T’Challa como rei (e como Pantera Negra) é testado, colocando o destino de Wakanda, e do mundo todo, em risco!
Tecnicamente o filme é muito interessante, os efeitos especiais são realmente incríveis, muito bem integrados a história - principalmente nos planos de transformação do traje do personagem (funcionou de uma maneira orgânica até melhor que a armadura do Homem de Ferro - por ser quase uma segunda pele, a dificuldade na composição é muito maior e mereceu a indicação para o Oscar). Já o departamento de Arte do filme também merece um destaque. Os Figurinos, Cenários e Objetos de Cena (Desenho de Produção) estão lindos - trouxe uma veracidade muito interessante e criativa para aquele mundo fictício que mistura tradição com tecnologia. Das indicações ao Oscar, desenho de som e mixagem também são bacanas e me chamaram atenção - se leva a estatueta, aí eu já acho que a coisa fica mais complicada, mas tem chance! Música, esquece e trilha sonora, pode rolar!
O ponto alto do filme, uma das coisas que eu mais gostei, foi a criação da Mitologia de Wakanda e como isso pode ser explorado em toda a franquia da Marvel. A DC tinha sinalizado um pouco disso no filme do "Homem de Aço" com aqueles 30 minutos de Krypton, mas, como sempre, jogou o que tinha de melhor no lixo e não aproveitou nada daquilo nos filmes seguintes (pelo menos até agora)! O diretor de Pantera, Ryan Coogler, também é um cara que temos que acompanhar de perto - ele sempre trás um ar de cinema independente para os seus filmes - o que dá um certo charme para uma ou outra sequência. "Creed" (excelente filme aliás) foi um bom exemplo disso, e em Pantera Negra, nas cenas de diálogos, ele também soube conduzir de uma forma muito particular e funcionou muito bem contrastando com as cenas de ação e pancadaria. Nas atuações, tenho minhas ressalvas com o Chadwick Boseman, mas gostei muito do Michael B. Jordan e, claro, da Lupita Nyong'o - que atriz incrível!!!!
Enfim, "Pantera Negra" é bom, mas não tem nada de tão diferente de outros filmes de heróis. É um bom entretenimento e, definitivamente, foi indicado por outras questões que vão além das mais de duas horas de filme! Merece? Talvez... e isso já pode ser considerada uma vitória!!!!
Up-date: "Pantera Negra" ganhou em três categorias no Oscar 2019: Melhor Trilha Sonora, Melhor Figurino e Melhor Desenho de Produção!
O terceiro capítulo da franquia "Planeta dos Macacos", possivelmente é o menos profundo se olharmos pela perspectiva de um roteiro cheio de camadas e nuances, que sempre nos deixou aquela sensação de ser algo inteligente, bem desenvolvido. No entanto, também é preciso que se diga, esse talvez seja o filme que melhor se aproxima de sua proposta em ser um thriller de ação e não um drama existencial. Lançado em 2017, "A Guerra" (ou "War for the Planet of the Apes", no original) seria o encerramento épico da trilogia que redefiniu o legado da franquia, até que, sete anos depois, a 20th Century Studios inventou o competente, "O Reinado" - mas esse é assunto para outro review. Mais uma vez dirigido pelo Matt Reeves, esse filme combina um escopo grandioso de um universo bem construído e com uma abordagem emocionalmente íntima capaz de entregar uma história que explora as consequências do "Confronto"- especialmente temas como liderança e os limites da luta pela sobrevivência. Assim como grandes épicos do cinema, Reeves utiliza a grandiosidade de um conceito visual único e o impacto emocional de nossa relação com personagens já marcantes para oferecer um desfecho que é ao mesmo tempo espetacular e introspectivo.
A narrativa acompanha César (Andy Serkis), o líder dos macacos, enquanto ele enfrenta uma guerra implacável contra os humanos liderados por um coronel impiedoso (Woody Harrelson). Após sofrer uma perda devastadora, César embarca em uma jornada pessoal de vingança e redenção, que o coloca diante de decisões morais complexas e questionamentos sobre o verdadeiro significado de liderança e sacrifício. Confira o trailer:
Veja, "Planeta dos Macacos: A Guerra" até busca o equilibro entra a ação de grande escala com momentos de pura introspecção, no entanto a evolução emocional de César como personagem central já estava estabelecida desde os outros dois filmes, o que transformou sua motivação aqui em algo mais visceral (primitivo) - e funciona, mas causa uma certa estranheza ao percebermos que os sub-plots encontram soluções mais óbvias (e muitas vezes mais fáceis) do que estávamos acostumados. O roteiro, assinado por Reeves e pelo time liderado pelo Mark Bomback, se pauta nas consequências sanguinárias de uma guerra e na luta por encontrar um estado de paz que parece ser impossível. Bomback continua sua busca por humanizar os macacos ao mesmo tempo que usa da simbologia para questionar a crueldade e a hipocrisia dos humanos. A construção de César como um líder complexo e moralmente ambíguo é um dos grandes méritos da trilogia, e "A Guerra" só aprofunda ainda mais sua jornada, com mais ação para destacar, na prática, os dilemas éticos que ele enfrenta ao tentar proteger seu povo enquanto lida com sua sede de vingança (tão discutida no filme anterior "com" e "por" Koba).
Matt Reeves demonstra mais uma vez sua habilidade excepcional como diretor. Ele constrói uma narrativa explorando temas como empatia, moralidade e brutalidade. Sua segunda direção na franquia, dessa vez se destaca pela maneira como ele utiliza a fotografia e os efeitos visuais para dar mais amplitude e fluidez, e assim contar sua história - confiando nos movimentos, gestos e olhares tanto quanto nos diálogos. Sua escolha por planos longos em uma atmosfera desoladora reforça a sensação de tensão e melancolia que permeia o filme. Nesse sentido Andy Serkis entrega uma das melhores performances de sua carreira - ele é capaz de transmitir a dor, mas também a determinação e a sabedoria de César. Woody Harrelson, como o Coronel, é o outro pilar do conflito principal - ele traz intensidade ao papel de um antagonista cuja motivação é moldada pelo medo e pela crueldade, criando um vilão de fato ameaçador.
Tecnicamente, o filme é impecável. Os efeitos visuais, mais uma vez criados pela Weta Digital, elevam o realismo dos macacos para um novo patamar - garantindo, inclusive, a terceira indicação ao Oscar de Efeitos Visuais. É realmente incrível como, filme após filme, o visual em CG (e captura) só melhora! "Planeta dos Macacos: A Guerra" é uma conclusão coerente para a trilogia, com ação, tensão e ritmo, mas sem nunca esquecer da importância de um impacto emocional. Para quem procura uma imersão ao universo da franquia, esse filme é tão essencial quanto os outros e certamente fará ainda mais sentido no destino de uma nova geração de personagens que vem por aí!
Vale seu play!
O terceiro capítulo da franquia "Planeta dos Macacos", possivelmente é o menos profundo se olharmos pela perspectiva de um roteiro cheio de camadas e nuances, que sempre nos deixou aquela sensação de ser algo inteligente, bem desenvolvido. No entanto, também é preciso que se diga, esse talvez seja o filme que melhor se aproxima de sua proposta em ser um thriller de ação e não um drama existencial. Lançado em 2017, "A Guerra" (ou "War for the Planet of the Apes", no original) seria o encerramento épico da trilogia que redefiniu o legado da franquia, até que, sete anos depois, a 20th Century Studios inventou o competente, "O Reinado" - mas esse é assunto para outro review. Mais uma vez dirigido pelo Matt Reeves, esse filme combina um escopo grandioso de um universo bem construído e com uma abordagem emocionalmente íntima capaz de entregar uma história que explora as consequências do "Confronto"- especialmente temas como liderança e os limites da luta pela sobrevivência. Assim como grandes épicos do cinema, Reeves utiliza a grandiosidade de um conceito visual único e o impacto emocional de nossa relação com personagens já marcantes para oferecer um desfecho que é ao mesmo tempo espetacular e introspectivo.
A narrativa acompanha César (Andy Serkis), o líder dos macacos, enquanto ele enfrenta uma guerra implacável contra os humanos liderados por um coronel impiedoso (Woody Harrelson). Após sofrer uma perda devastadora, César embarca em uma jornada pessoal de vingança e redenção, que o coloca diante de decisões morais complexas e questionamentos sobre o verdadeiro significado de liderança e sacrifício. Confira o trailer:
Veja, "Planeta dos Macacos: A Guerra" até busca o equilibro entra a ação de grande escala com momentos de pura introspecção, no entanto a evolução emocional de César como personagem central já estava estabelecida desde os outros dois filmes, o que transformou sua motivação aqui em algo mais visceral (primitivo) - e funciona, mas causa uma certa estranheza ao percebermos que os sub-plots encontram soluções mais óbvias (e muitas vezes mais fáceis) do que estávamos acostumados. O roteiro, assinado por Reeves e pelo time liderado pelo Mark Bomback, se pauta nas consequências sanguinárias de uma guerra e na luta por encontrar um estado de paz que parece ser impossível. Bomback continua sua busca por humanizar os macacos ao mesmo tempo que usa da simbologia para questionar a crueldade e a hipocrisia dos humanos. A construção de César como um líder complexo e moralmente ambíguo é um dos grandes méritos da trilogia, e "A Guerra" só aprofunda ainda mais sua jornada, com mais ação para destacar, na prática, os dilemas éticos que ele enfrenta ao tentar proteger seu povo enquanto lida com sua sede de vingança (tão discutida no filme anterior "com" e "por" Koba).
Matt Reeves demonstra mais uma vez sua habilidade excepcional como diretor. Ele constrói uma narrativa explorando temas como empatia, moralidade e brutalidade. Sua segunda direção na franquia, dessa vez se destaca pela maneira como ele utiliza a fotografia e os efeitos visuais para dar mais amplitude e fluidez, e assim contar sua história - confiando nos movimentos, gestos e olhares tanto quanto nos diálogos. Sua escolha por planos longos em uma atmosfera desoladora reforça a sensação de tensão e melancolia que permeia o filme. Nesse sentido Andy Serkis entrega uma das melhores performances de sua carreira - ele é capaz de transmitir a dor, mas também a determinação e a sabedoria de César. Woody Harrelson, como o Coronel, é o outro pilar do conflito principal - ele traz intensidade ao papel de um antagonista cuja motivação é moldada pelo medo e pela crueldade, criando um vilão de fato ameaçador.
Tecnicamente, o filme é impecável. Os efeitos visuais, mais uma vez criados pela Weta Digital, elevam o realismo dos macacos para um novo patamar - garantindo, inclusive, a terceira indicação ao Oscar de Efeitos Visuais. É realmente incrível como, filme após filme, o visual em CG (e captura) só melhora! "Planeta dos Macacos: A Guerra" é uma conclusão coerente para a trilogia, com ação, tensão e ritmo, mas sem nunca esquecer da importância de um impacto emocional. Para quem procura uma imersão ao universo da franquia, esse filme é tão essencial quanto os outros e certamente fará ainda mais sentido no destino de uma nova geração de personagens que vem por aí!
Vale seu play!
"Planeta dos Macacos: A Origem" é entretenimento puro - e se você também demorou para dar o play nessa nova versão do clássico de 1968, saiba que você está perdendo 120 minutos de muita diversão e adrenalina. Dirigido por Rupert Wyatt (da série "The Mosquito Coast") e baseado na obra de Pierre Boulle, esse filme é uma reinvenção ousada e tecnicamente impressionante da icônica franquia de ficção científica composta pelos cinco filmes originais - e que não tem nenhuma ligação com o filme do Tim Burton de 2001. Com um roteiro assinado por Rick Jaffa e Amanda Silver (dupla responsável por "Avatar: O Caminho da Água"), "Rise of the Planet of the Apes", no original, mistura ação e drama, com uma pitada de crítica social nas entrelinhas, para explorar as origens de um dos universos mais fascinantes do cinema. O interessante desse reboot, podemos chamar assim, é que ele equilibra perfeitamente o espetáculo visual com uma narrativa dinâmica e bem construída, criando uma obra que ressoa emocionalmente enquanto expande sua mitologia.
A história acompanha Will Rodman (James Franco), um cientista dedicado a encontrar a cura para o Alzheimer, doença que afeta seu pai, Charles (John Lithgow). Durante seus experimentos, no entanto, Will desenvolve uma espécie de vírus que nos macacos testados, aumenta significativamente sua inteligência. É nesse contexto que nasce César (Andy Serkis), um chimpanzé que herda a inteligência extraordinária do experimento e se torna o centro de uma revolução contra os humanos. Ao longo do filme, a relação entre César e Will evolui, enquanto questões de ética, controle e evolução são exploradas de forma realmente envolvente. Confira o trailer:
Rupert Wyatt dirige o filme com uma abordagem que busca nivelar elementos dramáticos que remetem tanto ao íntimo quanto ao épico. Wyatt constrói, cuidadosamente, a jornada de César, transformando um chimpanzé inocente e curioso em um líder carismático e inspirador - sim, você vai torcer para os macacos contra os seres-humanos (e isso é muito divertido)! Wyatt usa sequências de ação impactantes, mas sem sacrificar o desenvolvimento emocional dos personagens, criando assim uma narrativa que surpreendentemente se torna reflexiva. Obviamente que o gênero pede uma edição dinâmica com uma fotografia que capture tanto a beleza da natureza quanto a opressão dos ambientes controlados pelos humanos, no entanto é essa dicotomia bem pontuada no roteiro que coloca o filme em outro patamar.
O roteiro de Jaffa e Silver é uma das maiores forças do filme. Ele consegue equilibrar o drama humano com questões éticas de forma acessível e envolvente. A transformação de César é o coração da história, claro, mas o roteiro consegue oferecer bons momentos de introspecção com a mesma potência com que traz a tensão para a narrativa. Ao abordar questões como a exploração científica, os impactos dos testes em animais e os perigos do poder descontrolado, "Planeta dos Macacos: A Origem" ganha musculatura e cria uma conexão interessante com a audiência sem precisar ser verborrágico demais. Aliás, ponto para Andy Serkis - ele entrega uma atuação impressionante como César, mesmo com sua composição em CG. Por meio de captura de movimento, Serkis traz uma complexidade emocional impressionante ao personagem, tornando-o uma figura sensível e poderosa ao mesmo tempo. James Franco também vai bem - ele entrega uma atuação sólida, especialmente na sua relação com John Lithgow, trazendo uma dose significativa de humanidade perante uma relação familiar pautada pela finitude.
Mesmo datados, os efeitos visuais, criados pela Weta Digital, são um marco na indústria cinematográfica. A captura de movimentos e a animação digital que deu vida ao César (e aos outros macacos) têm um nível de realismo e expressividade sem precedentes - sem dúvida que elevou o filme a um novo patamar técnico (tanto que foi indicado ao Oscar da categoria em 2012). Cada detalhe, desde o olhar de César até suas interações com o ambiente, é meticulosamente projetado para criar uma experiência imersiva e emocionalmente impactante - funciona demais e foi o que abriu espaço para o que viria anos depois. A trilha sonora de Patrick Doyle (de "Frankenstein de Mary Shelley") intensifica o impacto emocional e a tensão do filme, enquanto o espetacular desenho de som destaca o contraste entre os mundos (humano e animal), amplificando a atmosfera de conflito e de transformação. Então, para finalizar um conselho: assista o filme na maior tela que puder e com o som mais alto que suportar, a experiência será sensacional!
Vale demais o seu play!
"Planeta dos Macacos: A Origem" é entretenimento puro - e se você também demorou para dar o play nessa nova versão do clássico de 1968, saiba que você está perdendo 120 minutos de muita diversão e adrenalina. Dirigido por Rupert Wyatt (da série "The Mosquito Coast") e baseado na obra de Pierre Boulle, esse filme é uma reinvenção ousada e tecnicamente impressionante da icônica franquia de ficção científica composta pelos cinco filmes originais - e que não tem nenhuma ligação com o filme do Tim Burton de 2001. Com um roteiro assinado por Rick Jaffa e Amanda Silver (dupla responsável por "Avatar: O Caminho da Água"), "Rise of the Planet of the Apes", no original, mistura ação e drama, com uma pitada de crítica social nas entrelinhas, para explorar as origens de um dos universos mais fascinantes do cinema. O interessante desse reboot, podemos chamar assim, é que ele equilibra perfeitamente o espetáculo visual com uma narrativa dinâmica e bem construída, criando uma obra que ressoa emocionalmente enquanto expande sua mitologia.
A história acompanha Will Rodman (James Franco), um cientista dedicado a encontrar a cura para o Alzheimer, doença que afeta seu pai, Charles (John Lithgow). Durante seus experimentos, no entanto, Will desenvolve uma espécie de vírus que nos macacos testados, aumenta significativamente sua inteligência. É nesse contexto que nasce César (Andy Serkis), um chimpanzé que herda a inteligência extraordinária do experimento e se torna o centro de uma revolução contra os humanos. Ao longo do filme, a relação entre César e Will evolui, enquanto questões de ética, controle e evolução são exploradas de forma realmente envolvente. Confira o trailer:
Rupert Wyatt dirige o filme com uma abordagem que busca nivelar elementos dramáticos que remetem tanto ao íntimo quanto ao épico. Wyatt constrói, cuidadosamente, a jornada de César, transformando um chimpanzé inocente e curioso em um líder carismático e inspirador - sim, você vai torcer para os macacos contra os seres-humanos (e isso é muito divertido)! Wyatt usa sequências de ação impactantes, mas sem sacrificar o desenvolvimento emocional dos personagens, criando assim uma narrativa que surpreendentemente se torna reflexiva. Obviamente que o gênero pede uma edição dinâmica com uma fotografia que capture tanto a beleza da natureza quanto a opressão dos ambientes controlados pelos humanos, no entanto é essa dicotomia bem pontuada no roteiro que coloca o filme em outro patamar.
O roteiro de Jaffa e Silver é uma das maiores forças do filme. Ele consegue equilibrar o drama humano com questões éticas de forma acessível e envolvente. A transformação de César é o coração da história, claro, mas o roteiro consegue oferecer bons momentos de introspecção com a mesma potência com que traz a tensão para a narrativa. Ao abordar questões como a exploração científica, os impactos dos testes em animais e os perigos do poder descontrolado, "Planeta dos Macacos: A Origem" ganha musculatura e cria uma conexão interessante com a audiência sem precisar ser verborrágico demais. Aliás, ponto para Andy Serkis - ele entrega uma atuação impressionante como César, mesmo com sua composição em CG. Por meio de captura de movimento, Serkis traz uma complexidade emocional impressionante ao personagem, tornando-o uma figura sensível e poderosa ao mesmo tempo. James Franco também vai bem - ele entrega uma atuação sólida, especialmente na sua relação com John Lithgow, trazendo uma dose significativa de humanidade perante uma relação familiar pautada pela finitude.
Mesmo datados, os efeitos visuais, criados pela Weta Digital, são um marco na indústria cinematográfica. A captura de movimentos e a animação digital que deu vida ao César (e aos outros macacos) têm um nível de realismo e expressividade sem precedentes - sem dúvida que elevou o filme a um novo patamar técnico (tanto que foi indicado ao Oscar da categoria em 2012). Cada detalhe, desde o olhar de César até suas interações com o ambiente, é meticulosamente projetado para criar uma experiência imersiva e emocionalmente impactante - funciona demais e foi o que abriu espaço para o que viria anos depois. A trilha sonora de Patrick Doyle (de "Frankenstein de Mary Shelley") intensifica o impacto emocional e a tensão do filme, enquanto o espetacular desenho de som destaca o contraste entre os mundos (humano e animal), amplificando a atmosfera de conflito e de transformação. Então, para finalizar um conselho: assista o filme na maior tela que puder e com o som mais alto que suportar, a experiência será sensacional!
Vale demais o seu play!
No que se propõe, essa continuação é um raro caso de ser tão boa quanto o primeiro filme! "Planeta dos Macacos: O Confronto", dessa vez dirigido por um talentoso Matt Reeves que havia brilhado ao construir uma narrativa incrivelmente tensa e angustiante em "Cloverfield: Monstro" e em "Deixe-me Entrar", é um complemento interessante no projeto de revitalizar a franquia. Continuando a história iniciada em "A Origem"de 2011, o filme expande sua proposta de modernizar um clássico da ficção cientifica com o equilíbrio magistral entre o drama humano, uma ação de tirar o fôlego e outras reflexões sobre poder, liderança e convivência entre diferentes.
A trama se passa uma década após os eventos do primeiro filme. A vida como conhecemos foi transformada por uma pandemia causada pelo vírus símio (tema introduzido com muita inteligência em "A Origem"), enquanto os macacos liderados por César (Andy Serkis) prosperam em uma comunidade organizada e isolada nas florestas próximas a São Francisco. A paz entre humanos e macacos é colocada à prova quando um grupo de sobreviventes humanos, liderado por Malcolm (Jason Clarke), precisa acessar uma usina hidrelétrica na área dominada pelos símios para restaurar a energia de sua colônia. Apesar das tentativas de César e Malcolm de estabelecerem um entendimento pacífico, tensões externas e internas, especialmente com Koba (Toby Kebbell), ameaçam desencadear um confronto inevitável que pode mudar a história da humanidade. Confira o trailer:
É inegável a qualidade de Matt Reeves como diretor e ao imprimir sua marca - ele transforma "O Confronto" em uma experiência cinematográfica realmente épica e emocionalmente bem envolvente. Sua habilidade em equilibrar sequências de ação espetaculares com momentos mais intimistas e carregados de significado, eleva o filme a um nível muito interessante de sofisticação - especialmente se pensarmos que aqui temos uma continuação de um reboot! O trabalho de Reeves com seus belos planos e com o desenvolvimento de um ritmo que respeita a gramática do gênero, é exemplar - ele utiliza das nuances da natureza para contrastar a harmonia do mundo dos macacos com o caos e a desesperança de uma sociedade humana devastada. A frase de César "Macaco não mata Macaco", pode até parecer "pronta" demais, mas nesse contexto comparativo ela vem carregada de simbolismo - repare como a direção se aproveita disso para transmitir uma sensação constante de tensão crescente, culminando em um clímax emocionante e devastador.
O roteiro, assinado por Rick Jaffa e Amanda Silver (de "A Origem") com o reforço de Mark Bomback, (de "Em Defesa de Jacob"), traz para a jornada personagens ricos e mais complexos, que tomam decisões moralmente ambíguas. César se desenvolve como um líder carismático e ético, mas que passa a enfrentar os desafios e dúvidas em seu próprio grupo, principalmente com Koba - um macaco traumatizado pelos abusos humanos do passado. Do outro lado, somos apresentados a Malcolm que serve como um contraponto esperançoso ao pragmatismo brutal de Dreyfus (Gary Oldman). A construção desses quatro personagens e a forma como o roteiro explora as nuances das relações entre eles fazem de "O Confronto" uma história capaz de discutir nas entrelinhas, temas como confiança, traição e os perigos latentes do preconceito.
Com uma direção magistral de Matt Reeves, performances marcantes lideradas por Andy Serkis (agora 100% protagonista) e uma narrativa visualmente arrebatadora, com efeitos especiais ainda melhores que do primeiro filme, eu diria que "O Confronto" se consolida como um dos melhores da franquia e que deve ser encarado com um certo destaque na perspectiva do cinema contemporâneo de reinvenção. Esse "Planeta dos Macacos" é mesmo um espetáculo visual, emocionante e reflexivo, que transcende o entretenimento banal para se tornar uma obra profundamente impactante como experiência que vai fazer valer muito o seu play!
Pegue a pipoca e divirta-se!
No que se propõe, essa continuação é um raro caso de ser tão boa quanto o primeiro filme! "Planeta dos Macacos: O Confronto", dessa vez dirigido por um talentoso Matt Reeves que havia brilhado ao construir uma narrativa incrivelmente tensa e angustiante em "Cloverfield: Monstro" e em "Deixe-me Entrar", é um complemento interessante no projeto de revitalizar a franquia. Continuando a história iniciada em "A Origem"de 2011, o filme expande sua proposta de modernizar um clássico da ficção cientifica com o equilíbrio magistral entre o drama humano, uma ação de tirar o fôlego e outras reflexões sobre poder, liderança e convivência entre diferentes.
A trama se passa uma década após os eventos do primeiro filme. A vida como conhecemos foi transformada por uma pandemia causada pelo vírus símio (tema introduzido com muita inteligência em "A Origem"), enquanto os macacos liderados por César (Andy Serkis) prosperam em uma comunidade organizada e isolada nas florestas próximas a São Francisco. A paz entre humanos e macacos é colocada à prova quando um grupo de sobreviventes humanos, liderado por Malcolm (Jason Clarke), precisa acessar uma usina hidrelétrica na área dominada pelos símios para restaurar a energia de sua colônia. Apesar das tentativas de César e Malcolm de estabelecerem um entendimento pacífico, tensões externas e internas, especialmente com Koba (Toby Kebbell), ameaçam desencadear um confronto inevitável que pode mudar a história da humanidade. Confira o trailer:
É inegável a qualidade de Matt Reeves como diretor e ao imprimir sua marca - ele transforma "O Confronto" em uma experiência cinematográfica realmente épica e emocionalmente bem envolvente. Sua habilidade em equilibrar sequências de ação espetaculares com momentos mais intimistas e carregados de significado, eleva o filme a um nível muito interessante de sofisticação - especialmente se pensarmos que aqui temos uma continuação de um reboot! O trabalho de Reeves com seus belos planos e com o desenvolvimento de um ritmo que respeita a gramática do gênero, é exemplar - ele utiliza das nuances da natureza para contrastar a harmonia do mundo dos macacos com o caos e a desesperança de uma sociedade humana devastada. A frase de César "Macaco não mata Macaco", pode até parecer "pronta" demais, mas nesse contexto comparativo ela vem carregada de simbolismo - repare como a direção se aproveita disso para transmitir uma sensação constante de tensão crescente, culminando em um clímax emocionante e devastador.
O roteiro, assinado por Rick Jaffa e Amanda Silver (de "A Origem") com o reforço de Mark Bomback, (de "Em Defesa de Jacob"), traz para a jornada personagens ricos e mais complexos, que tomam decisões moralmente ambíguas. César se desenvolve como um líder carismático e ético, mas que passa a enfrentar os desafios e dúvidas em seu próprio grupo, principalmente com Koba - um macaco traumatizado pelos abusos humanos do passado. Do outro lado, somos apresentados a Malcolm que serve como um contraponto esperançoso ao pragmatismo brutal de Dreyfus (Gary Oldman). A construção desses quatro personagens e a forma como o roteiro explora as nuances das relações entre eles fazem de "O Confronto" uma história capaz de discutir nas entrelinhas, temas como confiança, traição e os perigos latentes do preconceito.
Com uma direção magistral de Matt Reeves, performances marcantes lideradas por Andy Serkis (agora 100% protagonista) e uma narrativa visualmente arrebatadora, com efeitos especiais ainda melhores que do primeiro filme, eu diria que "O Confronto" se consolida como um dos melhores da franquia e que deve ser encarado com um certo destaque na perspectiva do cinema contemporâneo de reinvenção. Esse "Planeta dos Macacos" é mesmo um espetáculo visual, emocionante e reflexivo, que transcende o entretenimento banal para se tornar uma obra profundamente impactante como experiência que vai fazer valer muito o seu play!
Pegue a pipoca e divirta-se!
A longeva (e para alguns já desgastada) franquia "Planeta dos Macacos" retorna com mais um episódio, dessa vez "O Reinado". Dirigido por Wes Ball (de "Maze Runner"), o filme traz uma nova perspectiva ao universo estabelecido na trilogia de César, comandada por Rupert Wyatt e Matt Reeves. Ambientado muitos anos após os eventos de "A Guerra", "Kingdom of the Planet of the Apes" (no original) busca expandir a mitologia da saga, apresentando novos personagens, uma nova sociedade animal e outros dilemas morais em um mundo onde a humanidade se tornou uma sombra do que já foi. Novamente com um visual deslumbrante e uma trama que mantém a essência reflexiva da franquia, "O Reinado" é mais um bom entretenimento para um final de semana chuvoso - ainda que sem a mesma profundidade emocional dos filmes anteriores, vai te divertir!
A história se passa várias gerações após a morte de César, quando os macacos já estabeleceram diferentes comunidades e vivem em uma sociedade onde a hierarquia e o controle são disputados com novas ideologias. Noé (Owen Teague), um jovem macaco pertencente a um clã pacífico, vê sua vida mudar drasticamente quando seu vilarejo é atacado por Proximus César (Kevin Durand), um líder tirânico que distorce o legado do verdadeiro César para justificar sua busca por poder. Durante sua jornada de vingança e autodescoberta, Noé se alia à Nova (Freya Allan), cuja inteligência desafia a crença de que os humanos perderam completamente sua racionalidade. À medida que ambos exploram o mundo em transformação, o filme levanta questionamentos importantes sobre memória histórica, sobre poder e sobre a natureza da liderança sob diversos aspectos. Confira o trailer:
Diferente da trilogia anterior, que acompanhava a evolução filosófica de César e sua busca por coexistência, "O Reinado" adota uma estrutura mais próxima de uma aventura épica. Wes Ball imprime sua assinatura visual, criando um universo realmente grandioso e cheio de detalhes, com cenários impressionantes que mostram tanto a degradação humana quanto a ascensão das civilizações dos macacos. A direção se destaca pelas sequências de ação bem construídas e pelo ritmo que mantém a audiência realmente imersa na jornada do jovem Noé. Ainda assim, a profundidade emocional que marcou os filmes anteriores é diluída em prol de uma narrativa mais convencional de uma jornada do herói versus o tirano que agora é seu semelhante.
O roteiro de Josh Friedman (de "Avatar: O Caminho da Água") até que busca equilibrar bem os elementos de ficção científica com o drama íntimo e assim fortalecer a construção de um novo capítulo da franquia que certamente terá mais desdobramentos. A escolha de explorar um vilão como Proximus César, que manipula o legado de César para seus próprios fins, adiciona elementos interessantes sobre o uso da história para justificar o autoritarismo - uma temática, aliás, que dialoga fortemente com eventos do mundo real, não é mesmo? Contudo, Noé, apesar de ser um protagonista cativante, carece do tempo e de um arco transformador mais forte - algo que César teve durante sua trilogia. Sua jornada é eficiente, porém menos impactante, mas, sinceramente, acho que vale pelo beneficio da dúvida. Quem sabe não estamos sendo precipitados demais em julgar o personagem por um único filme?!
No campo técnico, "O Reinado" supera ainda mais o padrão que já era elevado. Os trabalhos de composição e de captura continuam impressionantes, tornando os macacos incrivelmente mais realistas, especialmente nas expressões faciais e agora com uma movimentação bem mais fluida - e claro que justifica sua indicação para o Oscar de Efeitos Visuais em 2025. A fotografia do húngaro Gyula Pados também merece destaque - ele captura com maestria a grandiosidade dos ambientes naturais e das ruínas de Proximus César, enquanto a trilha sonora de John Paesano complementa toda essa atmosfera épica da narrativa de Ball. O fato é que "Planeta dos Macacos: O Reinado" abre sim um caminho para novas possibilidades dentro desse universo, deixando plots promissores para futuras sequências e quem sabe, para consolidar ainda mais o valor e o poder da franquia!
Especialmente para os fãs da saga, vale muito o seu play!
A longeva (e para alguns já desgastada) franquia "Planeta dos Macacos" retorna com mais um episódio, dessa vez "O Reinado". Dirigido por Wes Ball (de "Maze Runner"), o filme traz uma nova perspectiva ao universo estabelecido na trilogia de César, comandada por Rupert Wyatt e Matt Reeves. Ambientado muitos anos após os eventos de "A Guerra", "Kingdom of the Planet of the Apes" (no original) busca expandir a mitologia da saga, apresentando novos personagens, uma nova sociedade animal e outros dilemas morais em um mundo onde a humanidade se tornou uma sombra do que já foi. Novamente com um visual deslumbrante e uma trama que mantém a essência reflexiva da franquia, "O Reinado" é mais um bom entretenimento para um final de semana chuvoso - ainda que sem a mesma profundidade emocional dos filmes anteriores, vai te divertir!
A história se passa várias gerações após a morte de César, quando os macacos já estabeleceram diferentes comunidades e vivem em uma sociedade onde a hierarquia e o controle são disputados com novas ideologias. Noé (Owen Teague), um jovem macaco pertencente a um clã pacífico, vê sua vida mudar drasticamente quando seu vilarejo é atacado por Proximus César (Kevin Durand), um líder tirânico que distorce o legado do verdadeiro César para justificar sua busca por poder. Durante sua jornada de vingança e autodescoberta, Noé se alia à Nova (Freya Allan), cuja inteligência desafia a crença de que os humanos perderam completamente sua racionalidade. À medida que ambos exploram o mundo em transformação, o filme levanta questionamentos importantes sobre memória histórica, sobre poder e sobre a natureza da liderança sob diversos aspectos. Confira o trailer:
Diferente da trilogia anterior, que acompanhava a evolução filosófica de César e sua busca por coexistência, "O Reinado" adota uma estrutura mais próxima de uma aventura épica. Wes Ball imprime sua assinatura visual, criando um universo realmente grandioso e cheio de detalhes, com cenários impressionantes que mostram tanto a degradação humana quanto a ascensão das civilizações dos macacos. A direção se destaca pelas sequências de ação bem construídas e pelo ritmo que mantém a audiência realmente imersa na jornada do jovem Noé. Ainda assim, a profundidade emocional que marcou os filmes anteriores é diluída em prol de uma narrativa mais convencional de uma jornada do herói versus o tirano que agora é seu semelhante.
O roteiro de Josh Friedman (de "Avatar: O Caminho da Água") até que busca equilibrar bem os elementos de ficção científica com o drama íntimo e assim fortalecer a construção de um novo capítulo da franquia que certamente terá mais desdobramentos. A escolha de explorar um vilão como Proximus César, que manipula o legado de César para seus próprios fins, adiciona elementos interessantes sobre o uso da história para justificar o autoritarismo - uma temática, aliás, que dialoga fortemente com eventos do mundo real, não é mesmo? Contudo, Noé, apesar de ser um protagonista cativante, carece do tempo e de um arco transformador mais forte - algo que César teve durante sua trilogia. Sua jornada é eficiente, porém menos impactante, mas, sinceramente, acho que vale pelo beneficio da dúvida. Quem sabe não estamos sendo precipitados demais em julgar o personagem por um único filme?!
No campo técnico, "O Reinado" supera ainda mais o padrão que já era elevado. Os trabalhos de composição e de captura continuam impressionantes, tornando os macacos incrivelmente mais realistas, especialmente nas expressões faciais e agora com uma movimentação bem mais fluida - e claro que justifica sua indicação para o Oscar de Efeitos Visuais em 2025. A fotografia do húngaro Gyula Pados também merece destaque - ele captura com maestria a grandiosidade dos ambientes naturais e das ruínas de Proximus César, enquanto a trilha sonora de John Paesano complementa toda essa atmosfera épica da narrativa de Ball. O fato é que "Planeta dos Macacos: O Reinado" abre sim um caminho para novas possibilidades dentro desse universo, deixando plots promissores para futuras sequências e quem sabe, para consolidar ainda mais o valor e o poder da franquia!
Especialmente para os fãs da saga, vale muito o seu play!
Inicialmente o que mais me chamou a atenção em "Power" (ou "Project Power", título original) foi o fato de se tratar de um projeto do diretores Henry Joost e Ariel Schulman, reponsáveis pelo ótimo "Nerve" e pela adaptação (do anunciado) "Megaman". Acontece que essa produção da Netflix, com um orçamento de 85 milhões de dólares, se apega tanto nas cenas de ação que acaba esquecendo de contar a história como deveria.
O filme acompanha um ex-militar, Art (Jamie Foxx) e um policial, Frank (Joseph Gordon-Levitt) que tentam descobrir quem está por trás do tráfico de uma nova droga que dá para seus usuários superpoderes aleatórios e com isso, claro, gerando uma série de problemas na cidade de New Orleans. Confira o trailer:
Embora não seja uma história muito original (basta lembrarmos do que assistimos em "The Boys"), "Power" tem alguns elementos bastante interessantes para um gênero de ação com grife - seu conceito visual e a montagem mais clipada, não são novidades, mas trazem uma certa elegância e uma dinâmica bacana para o filme, porém o roteiro não acompanha essa qualidade. Me deu a impressão de que quiseram criar algo tão complexo, que faltou tempo de tela para desenvolver todos os personagens - o fato de não sabermos exatamente quem é o vilão, é um ótimo exemplo dessa incoerência.
Mattson Tomlin é um roteirista romeno que caiu nas graças de Hollywood depois de escrever e dirigir alguns curtas-metragens. O interessante, porém, é que mesmo sem uma carreira premiada, Tomlin está envolvido com projetos grandes (e caros) como o do novo Batman, por exemplo. Só que seu trabalho em "Power" me deixou com a pulga atrás da orelha. Seu roteiro é irregular, com falhas técnicas, de certa forma, primárias para quem deveria dominar a gramática da ação - como já citamos, a falta de definição do vilão é o que mais me incomodou: em um primeiro momento achamos que seria o Rodrigo Santoro (e o seu estereotipado Biggie), logo depois achamos que o vilão mesmo é o fortão Wallace (Tait Fletcher), quando na verdade quem realmente manda em tudo é a Gardner (Amy Landecker). Outra coisa, o escolher para qual "mocinho" torcer também é um pouco confuso: seria para o Art, para o Frank ou para a adolescente Robin (Dominique Fishback)? Na verdade até não seria um grande problema ter três protagonistas, desde que ficasse estabelecido a importância de cada um dentro do contexto e com suas motivações bem desenvolvidas - não é o caso! O fato de não se aprofundar em nenhum dos temas que aborda, inclusive com algumas criticas sociais bem pontuadas, e nem explicar muito bem todas as motivações dos personagens-chave faz com que até os diálogos cheios de clichês pareçam gratuitos demais. E aqui cabe uma pequena observação: existe uma cultura de que filme de ação não precisa ter um bom roteiro para valer a pena, eu discordo, mas respeito - mas o que não pode, na minha opinião, é abrir mão de uma certa identificação com o protagonista para que venhamos a torcer por ele durante toda a jornada e no caso de "Power" isso acontece - sem falar que não existe grandes dificuldades para vencer os inimigos, nos privando daquela "tensão" pré combate!
A jovem Dominique Fishback talvez seja o destaque do elenco. Santoro tem potencial para mais, mas seu texto e tempo de tela não ajudaram. Jamie Foxx e Joseph Gordon-Levitt fazem o arroz com feijão bem feito e saem no 0 x 0. Amy Landecker e Tait Fletcher quase não aparecem, então não prejudicam. Alguns pontos que merecem destaque mostram a qualidade dos diretores: mesmo com uma edição bastante picotada (e aqui é impossível saber o quanto os produtores influenciaram no trabalho do montador Jeff McEvoy), o filme é bastante inventivo em algumas cenas de ação onde a câmera não está no lugar mais óbvio - isso pode causar uma certa confusão em algum momento, mas nos coloca dentro da cena: a sequência inicial do "Tocha Humana" e a cena no cassino clandestino com a "Mulher de Gelo" foram muito bem executadas. Reparem!
Antes de finalizar uma curiosidade que provavelmente vai passar despercebido para muitos, mas vale a referência: a camisa que Joseph Gordon-Levitt usa durante todo o filme é do time de futebol americano da cidade de New Orleans, o Saints. O nome estampado atrás é de um jogador chamado Steve Gleason - ele é considerado um verdadeiro herói por bloquear um punt do Falcons (de Atlanta) que acabou culminando no primeiro touchdownda equipe no seu retorno ao Estádio, que foi símbolo de uma cidade destruída pelo furacão Katrina. Essa jogada foi eternizada por uma estátua na frente do Superdome, mas a história não acaba por aí: em 2011, já aposentado e ainda muito jovem, Gleason foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA) poucos dias antes de receber a noticia de que seria pai pela primeira vez! Com medo de não ter saúde para conhecer e se relacionar com o filho, Gleason resolve filmar sua rotina para fazer uma espécie de diário para seu filho e toda essa jornada acabou virando um emocionante documentário que leva o seu nome!
Dito isso e voltando ao motivo desse review, posso dizer que os amantes do gênero de ação vão se divertir com "Power", mas é inegável que, se melhor desenvolvida, a história entregaria muito mais que um filme sobre drogas e heróis sem uniforme. Toda aquela ambição pelo poder pincelada em algumas cenas poderiam transformar o filme em uma ótima alegoria sobre o egoísmo e corrupção social, existentes na cultura da violência, tão em alta ultimamente.
Inicialmente o que mais me chamou a atenção em "Power" (ou "Project Power", título original) foi o fato de se tratar de um projeto do diretores Henry Joost e Ariel Schulman, reponsáveis pelo ótimo "Nerve" e pela adaptação (do anunciado) "Megaman". Acontece que essa produção da Netflix, com um orçamento de 85 milhões de dólares, se apega tanto nas cenas de ação que acaba esquecendo de contar a história como deveria.
O filme acompanha um ex-militar, Art (Jamie Foxx) e um policial, Frank (Joseph Gordon-Levitt) que tentam descobrir quem está por trás do tráfico de uma nova droga que dá para seus usuários superpoderes aleatórios e com isso, claro, gerando uma série de problemas na cidade de New Orleans. Confira o trailer:
Embora não seja uma história muito original (basta lembrarmos do que assistimos em "The Boys"), "Power" tem alguns elementos bastante interessantes para um gênero de ação com grife - seu conceito visual e a montagem mais clipada, não são novidades, mas trazem uma certa elegância e uma dinâmica bacana para o filme, porém o roteiro não acompanha essa qualidade. Me deu a impressão de que quiseram criar algo tão complexo, que faltou tempo de tela para desenvolver todos os personagens - o fato de não sabermos exatamente quem é o vilão, é um ótimo exemplo dessa incoerência.
Mattson Tomlin é um roteirista romeno que caiu nas graças de Hollywood depois de escrever e dirigir alguns curtas-metragens. O interessante, porém, é que mesmo sem uma carreira premiada, Tomlin está envolvido com projetos grandes (e caros) como o do novo Batman, por exemplo. Só que seu trabalho em "Power" me deixou com a pulga atrás da orelha. Seu roteiro é irregular, com falhas técnicas, de certa forma, primárias para quem deveria dominar a gramática da ação - como já citamos, a falta de definição do vilão é o que mais me incomodou: em um primeiro momento achamos que seria o Rodrigo Santoro (e o seu estereotipado Biggie), logo depois achamos que o vilão mesmo é o fortão Wallace (Tait Fletcher), quando na verdade quem realmente manda em tudo é a Gardner (Amy Landecker). Outra coisa, o escolher para qual "mocinho" torcer também é um pouco confuso: seria para o Art, para o Frank ou para a adolescente Robin (Dominique Fishback)? Na verdade até não seria um grande problema ter três protagonistas, desde que ficasse estabelecido a importância de cada um dentro do contexto e com suas motivações bem desenvolvidas - não é o caso! O fato de não se aprofundar em nenhum dos temas que aborda, inclusive com algumas criticas sociais bem pontuadas, e nem explicar muito bem todas as motivações dos personagens-chave faz com que até os diálogos cheios de clichês pareçam gratuitos demais. E aqui cabe uma pequena observação: existe uma cultura de que filme de ação não precisa ter um bom roteiro para valer a pena, eu discordo, mas respeito - mas o que não pode, na minha opinião, é abrir mão de uma certa identificação com o protagonista para que venhamos a torcer por ele durante toda a jornada e no caso de "Power" isso acontece - sem falar que não existe grandes dificuldades para vencer os inimigos, nos privando daquela "tensão" pré combate!
A jovem Dominique Fishback talvez seja o destaque do elenco. Santoro tem potencial para mais, mas seu texto e tempo de tela não ajudaram. Jamie Foxx e Joseph Gordon-Levitt fazem o arroz com feijão bem feito e saem no 0 x 0. Amy Landecker e Tait Fletcher quase não aparecem, então não prejudicam. Alguns pontos que merecem destaque mostram a qualidade dos diretores: mesmo com uma edição bastante picotada (e aqui é impossível saber o quanto os produtores influenciaram no trabalho do montador Jeff McEvoy), o filme é bastante inventivo em algumas cenas de ação onde a câmera não está no lugar mais óbvio - isso pode causar uma certa confusão em algum momento, mas nos coloca dentro da cena: a sequência inicial do "Tocha Humana" e a cena no cassino clandestino com a "Mulher de Gelo" foram muito bem executadas. Reparem!
Antes de finalizar uma curiosidade que provavelmente vai passar despercebido para muitos, mas vale a referência: a camisa que Joseph Gordon-Levitt usa durante todo o filme é do time de futebol americano da cidade de New Orleans, o Saints. O nome estampado atrás é de um jogador chamado Steve Gleason - ele é considerado um verdadeiro herói por bloquear um punt do Falcons (de Atlanta) que acabou culminando no primeiro touchdownda equipe no seu retorno ao Estádio, que foi símbolo de uma cidade destruída pelo furacão Katrina. Essa jogada foi eternizada por uma estátua na frente do Superdome, mas a história não acaba por aí: em 2011, já aposentado e ainda muito jovem, Gleason foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA) poucos dias antes de receber a noticia de que seria pai pela primeira vez! Com medo de não ter saúde para conhecer e se relacionar com o filho, Gleason resolve filmar sua rotina para fazer uma espécie de diário para seu filho e toda essa jornada acabou virando um emocionante documentário que leva o seu nome!
Dito isso e voltando ao motivo desse review, posso dizer que os amantes do gênero de ação vão se divertir com "Power", mas é inegável que, se melhor desenvolvida, a história entregaria muito mais que um filme sobre drogas e heróis sem uniforme. Toda aquela ambição pelo poder pincelada em algumas cenas poderiam transformar o filme em uma ótima alegoria sobre o egoísmo e corrupção social, existentes na cultura da violência, tão em alta ultimamente.