"Fique Rico ou Morra Tentando" é uma jornada tão impressionante que por muitas vezes você vai se perguntar se tudo aquilo de fato aconteceu - e a resposta é: "não, nem tudo que está no filme faz parte da história real do rapper 50 Cent"! Dito isso é possível estabelecer que o filme funciona muito mais como thriller de ação do que como um drama biográfico - o que certamente vai dividir opiniões, porém é fato que após o play, seu entretenimento estará garantido, principalmente se você gostar de séries como "Power", por exemplo.
Marcus (50 Cent) é um jovem da periferia que sofreu uma atentado que por pouco não lhe tirou a vida. Em meio à sua recuperação, ele se lembra de uma vida difícil como órfão nas ruas violentas do Bronx. Sua vida muda após conhecer um ex-condenado, que luta para transforma-lo em uma estrela do rap. Confira o trailer (em inglês):
Dirigido pelo Jim Sheridan (indicado ao Oscar por 6 vezes e que tem em seu currículo clássicos como "Em Nome do Pai" e "Meu Pé Esquerdo"), "Fique Rico ou Morra Tentando" é um excelente exemplo de como uma história bem contada (mesmo com um roteiro mediano) é capaz de criar inúmeras sensações que vão da tensão absurda até o alívio de um momento de emoção - e aqui sugiro que você repare na ótima performance de Viola Davis como a vó de Marcus para entender como isso acontece na prática.
Como era de se esperar (e mesmo fora da sua zona de conforto), Sheridan comandou uma produção de altíssima qualidade, que tem no seu elenco o maior trunfo. Veja, se Curtis “50 Cent” Jackson não pode ser considerado um grande ator, é de se elogiar a capacidade que o diretor teve em potencializar a naturalidade do rapper criando uma química impressionante com atores veteranos como Adewale Akinnuoye-Agbaje (o Mr. Eko de "Lost") e Terrence Howard (de "Ray"). Se em "Nasce uma Estrela" a jornada (para a fama) do herói (músico) se pautava pelo romance e por uma relação problemática entre um casal improvável, aqui o foco é inversamente proporcional: não existe romantismo, tudo é obscuro, denso - como deve ser o submundo das drogas e da violência nua e crua. Aliás essa atmosfera é brilhantemente retratada por uma fotografia que coloca NY quase como um personagem, graças ao talento de Declan Quinn (o cara por trás de "Hamilton").
"Fique Rico ou Morra Tentando" pode não agradar a todos, mas é inegável sua qualidade como produção cinematográfica. Saíba que a dinâmica narrativa é extremamente eficiente, fazendo com que a história, mesmo carregada de violência e cenas impactantes, flua muito bem e que, embora superficialmente, nos permite embarcar em um universo sombrio, diferente do que vemos em um artista de sucesso como “50 Cent” quando está no palco - algo que também encontramos na minissérie "Mike".
Em tempo: mesmo com uma recepção favorável, chegando a 73% de aprovação da audiência, "Fique Rico ou Morra Tentando" rendeu apenas $46.442.528 dólares em bilheteria, pouco para um filme que havia custado $40.000.000 dólares na época.
"Fique Rico ou Morra Tentando" é uma jornada tão impressionante que por muitas vezes você vai se perguntar se tudo aquilo de fato aconteceu - e a resposta é: "não, nem tudo que está no filme faz parte da história real do rapper 50 Cent"! Dito isso é possível estabelecer que o filme funciona muito mais como thriller de ação do que como um drama biográfico - o que certamente vai dividir opiniões, porém é fato que após o play, seu entretenimento estará garantido, principalmente se você gostar de séries como "Power", por exemplo.
Marcus (50 Cent) é um jovem da periferia que sofreu uma atentado que por pouco não lhe tirou a vida. Em meio à sua recuperação, ele se lembra de uma vida difícil como órfão nas ruas violentas do Bronx. Sua vida muda após conhecer um ex-condenado, que luta para transforma-lo em uma estrela do rap. Confira o trailer (em inglês):
Dirigido pelo Jim Sheridan (indicado ao Oscar por 6 vezes e que tem em seu currículo clássicos como "Em Nome do Pai" e "Meu Pé Esquerdo"), "Fique Rico ou Morra Tentando" é um excelente exemplo de como uma história bem contada (mesmo com um roteiro mediano) é capaz de criar inúmeras sensações que vão da tensão absurda até o alívio de um momento de emoção - e aqui sugiro que você repare na ótima performance de Viola Davis como a vó de Marcus para entender como isso acontece na prática.
Como era de se esperar (e mesmo fora da sua zona de conforto), Sheridan comandou uma produção de altíssima qualidade, que tem no seu elenco o maior trunfo. Veja, se Curtis “50 Cent” Jackson não pode ser considerado um grande ator, é de se elogiar a capacidade que o diretor teve em potencializar a naturalidade do rapper criando uma química impressionante com atores veteranos como Adewale Akinnuoye-Agbaje (o Mr. Eko de "Lost") e Terrence Howard (de "Ray"). Se em "Nasce uma Estrela" a jornada (para a fama) do herói (músico) se pautava pelo romance e por uma relação problemática entre um casal improvável, aqui o foco é inversamente proporcional: não existe romantismo, tudo é obscuro, denso - como deve ser o submundo das drogas e da violência nua e crua. Aliás essa atmosfera é brilhantemente retratada por uma fotografia que coloca NY quase como um personagem, graças ao talento de Declan Quinn (o cara por trás de "Hamilton").
"Fique Rico ou Morra Tentando" pode não agradar a todos, mas é inegável sua qualidade como produção cinematográfica. Saíba que a dinâmica narrativa é extremamente eficiente, fazendo com que a história, mesmo carregada de violência e cenas impactantes, flua muito bem e que, embora superficialmente, nos permite embarcar em um universo sombrio, diferente do que vemos em um artista de sucesso como “50 Cent” quando está no palco - algo que também encontramos na minissérie "Mike".
Em tempo: mesmo com uma recepção favorável, chegando a 73% de aprovação da audiência, "Fique Rico ou Morra Tentando" rendeu apenas $46.442.528 dólares em bilheteria, pouco para um filme que havia custado $40.000.000 dólares na época.
Por mais que meu comentário possa parecer redundante, é preciso pontuar alguns detalhes antes de entrarmos em uma análise mais profunda: "Flash" é um filme de herói e como tal, eu diria que é um ótimo entretenimento para quem gosta do gênero - embora tenha alguns gaps de roteiro que provavelmente se devem as incontáveis montagens e alterações que o filme sofreu para se adequar ao novo DCU. Ao olhar para o filme como uma obra individual, tenha certeza que sua diversão está garantida (mesmo que para o meu gosto, ainda falte uma identidade estética para a DC desde que Zack Snyder deixou a direção artística do Estúdio). A síndrome de vira-lata da DC em querer transformar seus projetos em um conjunto de "piadinhas" como da Marvel, chega a irritar mesmo tendo momentos engraçados - mas isso a gente deixa para os fãs discutirem. O fato é que essa adaptação livremente baseada na HQ do personagem, "Ponto de Ignição", tem mais méritos do que problemas e se o James Gunn e o Peter Safran forem inteligentes (e acho que são), o pontapé inicial que eles precisavam para a nova fase, sem jogar fora tudo que já foi produzido até aqui, está no filme!
Depois dos eventos de "Liga da Justiça", Barry Allen decide viajar no tempo para evitar o assassinato de sua mãe, pelo qual seu pai foi injustamente condenado. O que ele não imaginava é que essa escolha teria consequências catastróficas para todo universo. Ao voltar no tempo, Allen se vê em uma espécie de efeito borboleta que vai muito além do seu drama pessoal, com isso ele precisa voltar ao seu plano original para tentar reestabelecer a ordem natural das coisas. Confira o trailer:
O criativo Andy Muschietti (que alcançou fama mundial após comandar os dois capítulos do terror "IT") faz um trabalho primoroso ao trazer elementos visuais vibrantes e muito bem estilizados de um personagem secundário da DC que veio ganhando cada vez mais a atenção do grande público. É perceptível que Muschietti ainda titubeia entre as cenas de ação e a narrativa mais dramática do roteiro, no entanto é preciso elogiar sua capacidade de criar uma dinâmica eletrizante para contar essa história. Os efeitos visuais oscilam entre a alta qualidade que dá vida à velocidade impressionante do Flash e as composições "Chapolin Colorado" de alguns eventos do filme como, por exemplo, a cena dos bebês em perigo do prólogo - os bebês eram tão falsos que nem angustiados ficamos. É importante ressaltar aqui, como a fotografia do inglês Henry Braham (parceiro de Gunn em "O Esquadrão Suicida") é importante: ele brinca com o conceito de tempo e espaço, utilizando técnicas de câmera lenta e panorâmicas rápidas para transmitir a sensação de movimento supersônico com maestria. Golaço do filme!
Jogando um pouco na contramão do "épico de herói" com muita inteligência, "Flash" sabe aproveitar o drama emocionalmente marcante - algo como vimos no "Batman" do Nolan (não na forma, mas no conceito). O filme sabe muito bem mergulhar fundo nas consequências das escolhas do personagem fortalecendo o dilema central de sacrificar sua felicidade pessoal em prol de um mundo melhor - o relacionamento entre Barry e sua mãe Iris West (Kiersey Clemons), simboliza exatamente esse paradoxo! A relação entre eles na linha do tempo alternativa, adiciona uma dimensão de afeto e saudade que resolve o problema da falta de desenvolvimento que precede o drama de seu pai (Ron Livingston) e que potencializa os eventos do terceiro ato conectando toda a jornada do protagonista com um tom mais clássico.
Se o clímax de "Flash" está justamente na colisão dos mundos ao assumir que a sequência é um retalho de referências e homenagens que vão de Christopher Reeve até Nicolas Cage, passando por Jack Nicholson e até Adam West, fica fácil argumentar que estamos diante de um final de ciclo e de um inicio promissor de outro (essencialmente se o novo Batman for o George Clooney - se não for, Gunn pode ter perdido uma oportunidade marcante de apresentar o novo personagem e você vai entender ao assistir o filme). A verdade é que "Flash", surpreendentemente, cumpre muito bem o seu papel e não apenas como uma peça de quebra-cabeça, mas sim como um novo olhar para uma jornada que explora as consequências das escolhas e o peso do sacrifício pessoal perante o todo, mesmo que repleto de ação, alguma emoção e até funcionando como gatilho para um futuro que nos gera boas expectativas - então que venha "Superman: Legacy"!
Por mais que meu comentário possa parecer redundante, é preciso pontuar alguns detalhes antes de entrarmos em uma análise mais profunda: "Flash" é um filme de herói e como tal, eu diria que é um ótimo entretenimento para quem gosta do gênero - embora tenha alguns gaps de roteiro que provavelmente se devem as incontáveis montagens e alterações que o filme sofreu para se adequar ao novo DCU. Ao olhar para o filme como uma obra individual, tenha certeza que sua diversão está garantida (mesmo que para o meu gosto, ainda falte uma identidade estética para a DC desde que Zack Snyder deixou a direção artística do Estúdio). A síndrome de vira-lata da DC em querer transformar seus projetos em um conjunto de "piadinhas" como da Marvel, chega a irritar mesmo tendo momentos engraçados - mas isso a gente deixa para os fãs discutirem. O fato é que essa adaptação livremente baseada na HQ do personagem, "Ponto de Ignição", tem mais méritos do que problemas e se o James Gunn e o Peter Safran forem inteligentes (e acho que são), o pontapé inicial que eles precisavam para a nova fase, sem jogar fora tudo que já foi produzido até aqui, está no filme!
Depois dos eventos de "Liga da Justiça", Barry Allen decide viajar no tempo para evitar o assassinato de sua mãe, pelo qual seu pai foi injustamente condenado. O que ele não imaginava é que essa escolha teria consequências catastróficas para todo universo. Ao voltar no tempo, Allen se vê em uma espécie de efeito borboleta que vai muito além do seu drama pessoal, com isso ele precisa voltar ao seu plano original para tentar reestabelecer a ordem natural das coisas. Confira o trailer:
O criativo Andy Muschietti (que alcançou fama mundial após comandar os dois capítulos do terror "IT") faz um trabalho primoroso ao trazer elementos visuais vibrantes e muito bem estilizados de um personagem secundário da DC que veio ganhando cada vez mais a atenção do grande público. É perceptível que Muschietti ainda titubeia entre as cenas de ação e a narrativa mais dramática do roteiro, no entanto é preciso elogiar sua capacidade de criar uma dinâmica eletrizante para contar essa história. Os efeitos visuais oscilam entre a alta qualidade que dá vida à velocidade impressionante do Flash e as composições "Chapolin Colorado" de alguns eventos do filme como, por exemplo, a cena dos bebês em perigo do prólogo - os bebês eram tão falsos que nem angustiados ficamos. É importante ressaltar aqui, como a fotografia do inglês Henry Braham (parceiro de Gunn em "O Esquadrão Suicida") é importante: ele brinca com o conceito de tempo e espaço, utilizando técnicas de câmera lenta e panorâmicas rápidas para transmitir a sensação de movimento supersônico com maestria. Golaço do filme!
Jogando um pouco na contramão do "épico de herói" com muita inteligência, "Flash" sabe aproveitar o drama emocionalmente marcante - algo como vimos no "Batman" do Nolan (não na forma, mas no conceito). O filme sabe muito bem mergulhar fundo nas consequências das escolhas do personagem fortalecendo o dilema central de sacrificar sua felicidade pessoal em prol de um mundo melhor - o relacionamento entre Barry e sua mãe Iris West (Kiersey Clemons), simboliza exatamente esse paradoxo! A relação entre eles na linha do tempo alternativa, adiciona uma dimensão de afeto e saudade que resolve o problema da falta de desenvolvimento que precede o drama de seu pai (Ron Livingston) e que potencializa os eventos do terceiro ato conectando toda a jornada do protagonista com um tom mais clássico.
Se o clímax de "Flash" está justamente na colisão dos mundos ao assumir que a sequência é um retalho de referências e homenagens que vão de Christopher Reeve até Nicolas Cage, passando por Jack Nicholson e até Adam West, fica fácil argumentar que estamos diante de um final de ciclo e de um inicio promissor de outro (essencialmente se o novo Batman for o George Clooney - se não for, Gunn pode ter perdido uma oportunidade marcante de apresentar o novo personagem e você vai entender ao assistir o filme). A verdade é que "Flash", surpreendentemente, cumpre muito bem o seu papel e não apenas como uma peça de quebra-cabeça, mas sim como um novo olhar para uma jornada que explora as consequências das escolhas e o peso do sacrifício pessoal perante o todo, mesmo que repleto de ação, alguma emoção e até funcionando como gatilho para um futuro que nos gera boas expectativas - então que venha "Superman: Legacy"!
“Free Guy" que no Brasil ganhou o subtítulo de "Assumindo o Controle” é uma mistura de vários filmes que deram certo como, por exemplo, “Jogador Nº 1” e “O Show de Truman”, mas as semelhanças vão além!
Na trama, Guy (Ryan Reynalds) é um personagem "não-jogável" (NPC) em Free City, um jogo de RPG online. Sem saber que o mundo em que vive é um videogame, ele trabalha como caixa de banco em uma entediante rotina, que se repete diversas vezes (como no clássico “O Feitiço do Tempo”). No jogo, Millie (Jodie Comer), conhecida como Molotov Girl, chama a atenção de Guy cantando sua música favorita da Mariah Carey, é aí que ele começa a se desviar de sua programação. Mas é quando Guy pega um óculos de um jogador, que ele passa a ver Free City através de uma versão única da interface e, surpreendentemente, acaba virando um jogador. Agora ele precisa aceitar sua realidade e lidar com o fato de que é o único personagem-jogável que pode salvar o mundo. Confira o trailer:
Os clichês frequentes acabam tirando o brilho de um filme que poderia ser tão mais criativo e original quanto “Jogador Nº 1” - ainda mais tendo como um dos roteiristas Zak Penn que também colaborou para o filme de Steven Spielberg. Mas em um longa visualmente atrativo e com os carismáticos Ryan Reynalds e Jodie Comer no elenco, chegar até o final e sentir aquele gostinho de que a aventura tinha muito potencial e foi desperdiçada por excessivos clichês acaba sendo um pouco frustrante.
Ainda assim, os efeitos especiais e visuais são mágicos e criam uma dimensão bastante imersiva. É evidente que a aventura descompromissada funciona e entrega momentos divertidíssimos que incluem ótimas sequências de ação e referências da cultura pop. Uma trilha sonora bem gostosinha (daquelas que procuramos a playlist para ouvir) também é um dos bons ingredientes do filme. A canção “Fantasy” da Mariah Carey gruda como chiclete.
“Free Guy” diverte e garante boas risadas, mas não é nenhuma aventura que você já não tenha visto antes, mas se você gosta do estilo "Ryan Reynalds" de filmes, vale o seu play!
Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver
“Free Guy" que no Brasil ganhou o subtítulo de "Assumindo o Controle” é uma mistura de vários filmes que deram certo como, por exemplo, “Jogador Nº 1” e “O Show de Truman”, mas as semelhanças vão além!
Na trama, Guy (Ryan Reynalds) é um personagem "não-jogável" (NPC) em Free City, um jogo de RPG online. Sem saber que o mundo em que vive é um videogame, ele trabalha como caixa de banco em uma entediante rotina, que se repete diversas vezes (como no clássico “O Feitiço do Tempo”). No jogo, Millie (Jodie Comer), conhecida como Molotov Girl, chama a atenção de Guy cantando sua música favorita da Mariah Carey, é aí que ele começa a se desviar de sua programação. Mas é quando Guy pega um óculos de um jogador, que ele passa a ver Free City através de uma versão única da interface e, surpreendentemente, acaba virando um jogador. Agora ele precisa aceitar sua realidade e lidar com o fato de que é o único personagem-jogável que pode salvar o mundo. Confira o trailer:
Os clichês frequentes acabam tirando o brilho de um filme que poderia ser tão mais criativo e original quanto “Jogador Nº 1” - ainda mais tendo como um dos roteiristas Zak Penn que também colaborou para o filme de Steven Spielberg. Mas em um longa visualmente atrativo e com os carismáticos Ryan Reynalds e Jodie Comer no elenco, chegar até o final e sentir aquele gostinho de que a aventura tinha muito potencial e foi desperdiçada por excessivos clichês acaba sendo um pouco frustrante.
Ainda assim, os efeitos especiais e visuais são mágicos e criam uma dimensão bastante imersiva. É evidente que a aventura descompromissada funciona e entrega momentos divertidíssimos que incluem ótimas sequências de ação e referências da cultura pop. Uma trilha sonora bem gostosinha (daquelas que procuramos a playlist para ouvir) também é um dos bons ingredientes do filme. A canção “Fantasy” da Mariah Carey gruda como chiclete.
“Free Guy” diverte e garante boas risadas, mas não é nenhuma aventura que você já não tenha visto antes, mas se você gosta do estilo "Ryan Reynalds" de filmes, vale o seu play!
Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver
O que mais chama atenção em "Ghostbusters - Mais Além", sem a menor dúvida, é o elemento nostálgico - principalmente se você estiver na casa dos 45 anos e lembrar do que representou o filme original para a cultura pop da época. Já para os mais novos, a comparação com "Stranger Things" será natural e isso, de fato, pode prejudicar sua percepção sobre a proposta do filme. Claro que existem similaridades, mas o tom é completamente outro e basta assistir ao "Ghostbusters" de 1984 para entender que a estrutura narrativa do novo filme é muito semelhante, menos densa que a série da Netflix, mas também muito divertida - alinhar as expectativas é a principal premissa para que sua experiência seja divertida aqui!
Depois de se mudar com seus filhos, Trevor (Finn Wolfhard) e Phoebe (Mckenna Grace), para uma pequena cidade, Callie (Carrie Coon) acaba descobrindo sobre os escombros de seu passado uma conexão inesperada com os Caça-Fantasmas por meio da herança deixada para trás por seu pai. Confira o trailer:
Mesmo não sendo uma continuação direta (simplesmente ignorando os filmes de 1989 e o reboot de 2016), eu sugiro que antes do play, você assista o "Ghostbusters" original, pois, muito mais do que uma revitalização da franquia (que nunca decolou, convenhamos), "Ghostbusters - Afterlife" (no original) é uma grande homenagem, cheio de elementos emocionais e referências narrativas que impactam diretamente na nossa jornada como audiência - e aqui cabe um comentário que pode gerar certa polêmica: eu não tenho certeza se esse filme funciona tão bem isoladamente, quanto dentro de um contexto histórico e , principalmente, afetivo.
Mas "afetivo"? Sim e cito dois pontos cruciais que justificam essa tese. O primeiro é o fato de Jason Reitman (do imperdível "Tully") ser filho do diretor Ivan Reitman, responsável pelos dois primeiros filmes - é incrível como Jason moderniza seu conceito cinematográfico, construindo belíssimas cenas com a ajuda do fotógrafo Eric Steelberg (também de "Tully"), entregando um filme visualmente impecável, sem perder aquele estilo narrativo que fez muito sucesso nos anos 80 com os clássicos "Goonies", "Gremlins" e até "E.T.". A sensação de estarmos assistindo um filme "datado", que exige uma boa dose de suspensão da realidade (mesmo sendo fantasia), nos acompanha durante toda a história - e é proposital, então se acostume. Já o segundo fato diz respeito ao subtítulo em inglês (claro). "Afterlife" nos remete a algo como "o que acontece depois que morremos" - é quando a arte imita a vida, já que Harold Ramis (o Caça Fantasma original Egan Spangler) nos deixou em 2014. E é a partir da sua "morte" em "Ghostbusters - Mais Além" que essa jornada começa (eu diria, inclusive, que as cenas finais são emocionantes justamente por essa conexão entre presente e passado, entre ficção e realidade)!
"Ghostbusters - Mais Além" está recheado de easter-eggs que passam pelos diálogos (muitos deles com um certo tom de humor - como quando o xerife pergunta para quem Phoebe gostaria de ligar?), pelos cenários, até chegar nos objetos de cena onde encontramos com as mochilas de prótons, com várias Ghost Trap e, claro, com o inesquecível Ectomóvel, o Ecto-1 - sem falar nas participações mais que especiais de vários personagens do filme original! Dito isso, é impossível não se conectar emocionalmente com a história, mesmo não sendo um primor de roteiro; por outro lado é de se elogiar que o elenco formado por Finn Wolfhard, McKenna Grace, Celeste O 'Connor e o estreante (e impagável) Logan Kim, tenha deixado muito claro sua capacidade de perpetuar uma franquia que precisava se revitalizar e que agora sabe exatamente qual o melhor caminho à seguir.
Vale a pena pelo entretenimento e pela nostalgia!
O que mais chama atenção em "Ghostbusters - Mais Além", sem a menor dúvida, é o elemento nostálgico - principalmente se você estiver na casa dos 45 anos e lembrar do que representou o filme original para a cultura pop da época. Já para os mais novos, a comparação com "Stranger Things" será natural e isso, de fato, pode prejudicar sua percepção sobre a proposta do filme. Claro que existem similaridades, mas o tom é completamente outro e basta assistir ao "Ghostbusters" de 1984 para entender que a estrutura narrativa do novo filme é muito semelhante, menos densa que a série da Netflix, mas também muito divertida - alinhar as expectativas é a principal premissa para que sua experiência seja divertida aqui!
Depois de se mudar com seus filhos, Trevor (Finn Wolfhard) e Phoebe (Mckenna Grace), para uma pequena cidade, Callie (Carrie Coon) acaba descobrindo sobre os escombros de seu passado uma conexão inesperada com os Caça-Fantasmas por meio da herança deixada para trás por seu pai. Confira o trailer:
Mesmo não sendo uma continuação direta (simplesmente ignorando os filmes de 1989 e o reboot de 2016), eu sugiro que antes do play, você assista o "Ghostbusters" original, pois, muito mais do que uma revitalização da franquia (que nunca decolou, convenhamos), "Ghostbusters - Afterlife" (no original) é uma grande homenagem, cheio de elementos emocionais e referências narrativas que impactam diretamente na nossa jornada como audiência - e aqui cabe um comentário que pode gerar certa polêmica: eu não tenho certeza se esse filme funciona tão bem isoladamente, quanto dentro de um contexto histórico e , principalmente, afetivo.
Mas "afetivo"? Sim e cito dois pontos cruciais que justificam essa tese. O primeiro é o fato de Jason Reitman (do imperdível "Tully") ser filho do diretor Ivan Reitman, responsável pelos dois primeiros filmes - é incrível como Jason moderniza seu conceito cinematográfico, construindo belíssimas cenas com a ajuda do fotógrafo Eric Steelberg (também de "Tully"), entregando um filme visualmente impecável, sem perder aquele estilo narrativo que fez muito sucesso nos anos 80 com os clássicos "Goonies", "Gremlins" e até "E.T.". A sensação de estarmos assistindo um filme "datado", que exige uma boa dose de suspensão da realidade (mesmo sendo fantasia), nos acompanha durante toda a história - e é proposital, então se acostume. Já o segundo fato diz respeito ao subtítulo em inglês (claro). "Afterlife" nos remete a algo como "o que acontece depois que morremos" - é quando a arte imita a vida, já que Harold Ramis (o Caça Fantasma original Egan Spangler) nos deixou em 2014. E é a partir da sua "morte" em "Ghostbusters - Mais Além" que essa jornada começa (eu diria, inclusive, que as cenas finais são emocionantes justamente por essa conexão entre presente e passado, entre ficção e realidade)!
"Ghostbusters - Mais Além" está recheado de easter-eggs que passam pelos diálogos (muitos deles com um certo tom de humor - como quando o xerife pergunta para quem Phoebe gostaria de ligar?), pelos cenários, até chegar nos objetos de cena onde encontramos com as mochilas de prótons, com várias Ghost Trap e, claro, com o inesquecível Ectomóvel, o Ecto-1 - sem falar nas participações mais que especiais de vários personagens do filme original! Dito isso, é impossível não se conectar emocionalmente com a história, mesmo não sendo um primor de roteiro; por outro lado é de se elogiar que o elenco formado por Finn Wolfhard, McKenna Grace, Celeste O 'Connor e o estreante (e impagável) Logan Kim, tenha deixado muito claro sua capacidade de perpetuar uma franquia que precisava se revitalizar e que agora sabe exatamente qual o melhor caminho à seguir.
Vale a pena pelo entretenimento e pela nostalgia!
"Greyhound" merecia ser visto no cinema - de preferência em um IMax! Esse novo filme do Tom Hanks, que inclusive assina o roteiro, é uma adaptação o livro "The Good Shepherd", escrito em 1955 pelo autor C.S. Forester, e mostra a jornada do capitão Ernest Krause (Hanks) que, durante a Segunda Guerra Mundial, recebe a difícil missão de levar 37 navios aliados dos EUA até o Reino Unido, pelo Atlântico, em uma região repleta de submarinos U-Boats alemães. Confira o trailer (em inglês):
Embora o filme tenha uma dinâmica narrativa focada em um único personagem e nas decisões que ele precisa tomar para cumprir sua missão (e sobreviver), durante os 90 minutos de história, "Greyhound" está longe de ser um grande filme como "1917" - que se apoia na mesma premissa, porém em outro cenário! É claro que a tensão existe, que o visual é incrível e que o desenho de som e a mixagem criam um ambiente bastante interessante, como era de se esperar, mas o fato é que "Greyhound" não trás o diferencial estético que supere um roteiro sem muitos atrativos. O filme é um ótimo entretenimento, tem a ação que o gênero pede, mas no final não passa de mais um filme americano sobre a jornada do seu herói que luta com todas as adversidades e vence de maneira improvável seus inimigos - e fique tranquilo, isso não é spoiler, é só a constatação de um estilo de filme que se aproxima muito mais da estrutura de "Armagedom" ou "Pearl Harbor" do que de um genial "Dunkirk", por exemplo! Claro que "Greyhound" vale a pena, mas muito mais pela diversão e entretenimento, do que pela representatividade que o filme poderia ter na história!
Por incrível que possa parecer, o melhor do roteiro que Hanks escreveu está em um elemento que a maioria das pessoas nem tem condições de julgar - os diálogos técnicos entre o capitão e sua tripulação realmente condizem com a realidade da época e essa veracidade textual, de fato, nos coloca dentro do terror que aqueles personagens estão vivendo, embora a direção do Aaron Schneider, muito mais conhecido pelos filmes que fotografou do que pelos filmes que dirigiu e já tenha ganhado um Oscar de Curta-Metragem em 2003 com o excelente "Dois Soldados", não nos cause aquela sensação claustrofóbica que o roteiro pedia. Talvez por sua linha mais visual, faltou um cuidado maior em humanizar o capitão Ernest Krause, mesmo com todo esforço e talento de Tom Hanks - o recente "7500" é um bom exemplo do que um estilo de direção correto pode causar de angustia e tensão, sem precisar se apoiar em Computação Gráfica ou em movimentos de câmera grandiosos.
A dominância azulada de "Greyhound" é outra bengala no qual o filme se apoia para criar a sensação gélida daquela jornada - mais uma vez: não é que seja ruim, mas não é nada original - até quando o fotógrafo Shelly Johnson (Jurassic Park III) sugere um movimento de câmera interessante que sai do navio de Krause, abre o plano para mostrar o comboio no mar e depois sobe acima das nuvens para contrapor aquela suposta tensão com a poesia de uma Aurora Boreal, não soa orgânico e muito menos essencial para o filme! Por outro lado, as cenas de batalha naval são muito bem arquitetadas e criam uma dinâmica muito interessante para a narrativa porque ajudam a não aliviar a expectativa dos ataques - elas apenas sobrepõem uma ação à outra. Já li algumas críticas sobre essa escolha do Diretor, mas para mim, foi a estratégia que deu o tom de ação que o filme pedia, reparem!
"Greyhound" é uma espécie de "Sessão da Tarde", que funciona em sua proposta, mas não entrega um filme à altura da enorme expectativa que gerou desde a divulgação do seu trailer. Faltou um roteiro melhor, talvez com alguns minutos a mais de desenvolvimento de personagens para estabelecer melhor suas relações - como é o caso de Cleveland e Krause; e um diretor que além de ser capaz de criar uma atmosfera de tensão com as cenas de batalha, também explorasse o sofrimento humano e o incômodo que os jovens da tripulação estavam vivendo. Sem querer soar pedante, mas faltou um "Nolan" no comando!
Vale a pena pelo entretenimento e nada além disso!
"Greyhound" merecia ser visto no cinema - de preferência em um IMax! Esse novo filme do Tom Hanks, que inclusive assina o roteiro, é uma adaptação o livro "The Good Shepherd", escrito em 1955 pelo autor C.S. Forester, e mostra a jornada do capitão Ernest Krause (Hanks) que, durante a Segunda Guerra Mundial, recebe a difícil missão de levar 37 navios aliados dos EUA até o Reino Unido, pelo Atlântico, em uma região repleta de submarinos U-Boats alemães. Confira o trailer (em inglês):
Embora o filme tenha uma dinâmica narrativa focada em um único personagem e nas decisões que ele precisa tomar para cumprir sua missão (e sobreviver), durante os 90 minutos de história, "Greyhound" está longe de ser um grande filme como "1917" - que se apoia na mesma premissa, porém em outro cenário! É claro que a tensão existe, que o visual é incrível e que o desenho de som e a mixagem criam um ambiente bastante interessante, como era de se esperar, mas o fato é que "Greyhound" não trás o diferencial estético que supere um roteiro sem muitos atrativos. O filme é um ótimo entretenimento, tem a ação que o gênero pede, mas no final não passa de mais um filme americano sobre a jornada do seu herói que luta com todas as adversidades e vence de maneira improvável seus inimigos - e fique tranquilo, isso não é spoiler, é só a constatação de um estilo de filme que se aproxima muito mais da estrutura de "Armagedom" ou "Pearl Harbor" do que de um genial "Dunkirk", por exemplo! Claro que "Greyhound" vale a pena, mas muito mais pela diversão e entretenimento, do que pela representatividade que o filme poderia ter na história!
Por incrível que possa parecer, o melhor do roteiro que Hanks escreveu está em um elemento que a maioria das pessoas nem tem condições de julgar - os diálogos técnicos entre o capitão e sua tripulação realmente condizem com a realidade da época e essa veracidade textual, de fato, nos coloca dentro do terror que aqueles personagens estão vivendo, embora a direção do Aaron Schneider, muito mais conhecido pelos filmes que fotografou do que pelos filmes que dirigiu e já tenha ganhado um Oscar de Curta-Metragem em 2003 com o excelente "Dois Soldados", não nos cause aquela sensação claustrofóbica que o roteiro pedia. Talvez por sua linha mais visual, faltou um cuidado maior em humanizar o capitão Ernest Krause, mesmo com todo esforço e talento de Tom Hanks - o recente "7500" é um bom exemplo do que um estilo de direção correto pode causar de angustia e tensão, sem precisar se apoiar em Computação Gráfica ou em movimentos de câmera grandiosos.
A dominância azulada de "Greyhound" é outra bengala no qual o filme se apoia para criar a sensação gélida daquela jornada - mais uma vez: não é que seja ruim, mas não é nada original - até quando o fotógrafo Shelly Johnson (Jurassic Park III) sugere um movimento de câmera interessante que sai do navio de Krause, abre o plano para mostrar o comboio no mar e depois sobe acima das nuvens para contrapor aquela suposta tensão com a poesia de uma Aurora Boreal, não soa orgânico e muito menos essencial para o filme! Por outro lado, as cenas de batalha naval são muito bem arquitetadas e criam uma dinâmica muito interessante para a narrativa porque ajudam a não aliviar a expectativa dos ataques - elas apenas sobrepõem uma ação à outra. Já li algumas críticas sobre essa escolha do Diretor, mas para mim, foi a estratégia que deu o tom de ação que o filme pedia, reparem!
"Greyhound" é uma espécie de "Sessão da Tarde", que funciona em sua proposta, mas não entrega um filme à altura da enorme expectativa que gerou desde a divulgação do seu trailer. Faltou um roteiro melhor, talvez com alguns minutos a mais de desenvolvimento de personagens para estabelecer melhor suas relações - como é o caso de Cleveland e Krause; e um diretor que além de ser capaz de criar uma atmosfera de tensão com as cenas de batalha, também explorasse o sofrimento humano e o incômodo que os jovens da tripulação estavam vivendo. Sem querer soar pedante, mas faltou um "Nolan" no comando!
Vale a pena pelo entretenimento e nada além disso!
"Homeland" ganhou os principais prêmios no Emmy de 2012, entre eles o de melhor roteiro e melhor série dramática - o que foi uma surpresa na época. Na verdade, eu nunca havia me interessado pelo seu argumento, achava que seria "mais do mesmo"! Mas por causa dessa premiação resolvi assistir o "piloto" para entender como uma série sobre terrorismo conseguiu desbancar pesos-pesados que já acompanha como "Mad Men" e "Game of Thrones". Pois bem meus amigos, "Homeland" é genial! O roteiro de piloto é muito intrigante e chega a lembrar "24 horas" nos seus melhores anos. Não dá vontade parar de assistir. A estrutura do roteiro casa muito bem os dramas pessoais dos protagonistas (e é aí que Homeland dá um banho em 24 horas) com a tensão constante do terrorismo que está no argumento. É sensacional!
Após o desaparecimento de dois soldados americanos no Iraque, um deles, o sargento Nicholas Brody (Damian Lewis), retorna aos EUA após ser resgatado pelo exército. Repatriado, ele é recebido como herói pela família, pelos amigos e pelo governo. Porém a agente da CIA Carrie Mathison (Claire Danes), especialista em anti-terrorismo e que passou vários anos infiltrada no Afeganistão, não acredita que Brody seja realmente um herói de guerra - ela desconfia que ele é, na verdade, um espião iraquiano preparando o próximo ataque terrorista em solo dos EUA.
O ponto alto de "Homeland", como comentei acima, é a relação entre os dois personagens principais. Fica claro, logo de cara, que realmente existe algo de errado com Brody - suas atitudes remetem a uma série de referências ao islamismo ou a cultura daquela região, porém ninguém consegue reparar que essa sua postura pode significar algo que vai além do respeito às tradições. Carrie parece ser a única pessoa que consegue detectar algo suspeito nas atitudes de Brody, acontece que ela sofre de um distúrbio bipolar e sua obsessão em descobrir a verdade soa como desequilíbrio e paranóia para a maioria dos seus superiores, o que, óbvio, só a motiva em descobrir a verdade - mesmo que usando de artifícios pouco convencionais para uma agente da CIA.
É fato que o roteiro das primeiras temporadas são mais dinâmicos e inteligentes, porém a série, já com várias temporadas, consegue manter parte do seu público engajado mesmo com as trocas de elenco e as várias mudanças nas motivações de Carrie. Embora não seja uma antologia como em "24 horas", por exemplo, "Homeland" procura equilibrar suas histórias pontuais com os dramas que a protagonista tem que lidar para continuar sua caminhada como heroína. As vezes a série falha, parece perder o fôlego, mas de repente algo surge e trás um sentido novo que levanta a história novamente e a mantém sendo produzida - aliás, a produção continua excelente e mesmo com episódios de 2011, a série está em ótima forma no que diz respeito aos conceitos cinematográficos!
"Homeland" é uma livre adaptação de uma série israelense de muito sucesso chamada "Hatufim", que significa “Sequestrados” - traduzida para o inglês como "Prisioneiros de Guerra" .Ela vale cada episódio, cada temporada; e posso afirmar que já se transformou em uma referência que merece ser vista por quem gosta do gênero!
"Homeland" ganhou os principais prêmios no Emmy de 2012, entre eles o de melhor roteiro e melhor série dramática - o que foi uma surpresa na época. Na verdade, eu nunca havia me interessado pelo seu argumento, achava que seria "mais do mesmo"! Mas por causa dessa premiação resolvi assistir o "piloto" para entender como uma série sobre terrorismo conseguiu desbancar pesos-pesados que já acompanha como "Mad Men" e "Game of Thrones". Pois bem meus amigos, "Homeland" é genial! O roteiro de piloto é muito intrigante e chega a lembrar "24 horas" nos seus melhores anos. Não dá vontade parar de assistir. A estrutura do roteiro casa muito bem os dramas pessoais dos protagonistas (e é aí que Homeland dá um banho em 24 horas) com a tensão constante do terrorismo que está no argumento. É sensacional!
Após o desaparecimento de dois soldados americanos no Iraque, um deles, o sargento Nicholas Brody (Damian Lewis), retorna aos EUA após ser resgatado pelo exército. Repatriado, ele é recebido como herói pela família, pelos amigos e pelo governo. Porém a agente da CIA Carrie Mathison (Claire Danes), especialista em anti-terrorismo e que passou vários anos infiltrada no Afeganistão, não acredita que Brody seja realmente um herói de guerra - ela desconfia que ele é, na verdade, um espião iraquiano preparando o próximo ataque terrorista em solo dos EUA.
O ponto alto de "Homeland", como comentei acima, é a relação entre os dois personagens principais. Fica claro, logo de cara, que realmente existe algo de errado com Brody - suas atitudes remetem a uma série de referências ao islamismo ou a cultura daquela região, porém ninguém consegue reparar que essa sua postura pode significar algo que vai além do respeito às tradições. Carrie parece ser a única pessoa que consegue detectar algo suspeito nas atitudes de Brody, acontece que ela sofre de um distúrbio bipolar e sua obsessão em descobrir a verdade soa como desequilíbrio e paranóia para a maioria dos seus superiores, o que, óbvio, só a motiva em descobrir a verdade - mesmo que usando de artifícios pouco convencionais para uma agente da CIA.
É fato que o roteiro das primeiras temporadas são mais dinâmicos e inteligentes, porém a série, já com várias temporadas, consegue manter parte do seu público engajado mesmo com as trocas de elenco e as várias mudanças nas motivações de Carrie. Embora não seja uma antologia como em "24 horas", por exemplo, "Homeland" procura equilibrar suas histórias pontuais com os dramas que a protagonista tem que lidar para continuar sua caminhada como heroína. As vezes a série falha, parece perder o fôlego, mas de repente algo surge e trás um sentido novo que levanta a história novamente e a mantém sendo produzida - aliás, a produção continua excelente e mesmo com episódios de 2011, a série está em ótima forma no que diz respeito aos conceitos cinematográficos!
"Homeland" é uma livre adaptação de uma série israelense de muito sucesso chamada "Hatufim", que significa “Sequestrados” - traduzida para o inglês como "Prisioneiros de Guerra" .Ela vale cada episódio, cada temporada; e posso afirmar que já se transformou em uma referência que merece ser vista por quem gosta do gênero!
"Homem-Aranha: Longe de Casa" é, sem dúvida, um dos melhores filmes do Universo Marvel no Cinema! Pode parecer exagerado ou até empolgação depois de uma "obra de arte" como "Vingadores Ultimato", mas não; posso te garantir que o segundo filme do Homem-Aranha é daqueles acertos que agradam à todos pelo seu equilíbrio narrativo e pela qualidade técnica, ou seja, a história é muito boa e o visual melhor ainda!!! Mais um acerto - o que parece redundante, vale dizer!
Anunciado como um Epílogo para a Fase 3, após os acontecimentos do último "Vingadores", "Homem-Aranha: Longe de Casa" está muito bem amarrado como arco narrativo e como desenvolvimento de personagem (no caso, a ascensão do Homem Aranha dentro da equipe e a promessa intelectual de Peter Parker assumir responsabilidades que antes eram do Stark). É preciso dizer que o reboot (o terceiro) do herói pareceu prematuro, mas o tempo provou ter sido uma decisão correta, pois a identificação do público com um personagem mais jovem, com tantas descobertas e inseguranças, foi imediata - e olha, nesse filme eles acertam o tom de uma forma surpreendente. O filme é leve ao mesmo tempo que é dinâmico. Os personagens são extremamente carismáticos, humanos e os alívios cômicos estão muito bem pontuados. Eu diria que "Homem-Aranha: Longe de Casa" é ainda melhor que o primeiro filme e que Tom Holland é, definitivamente, o melhor Homem-Aranha dos últimos tempos.
Em meio a ressaca de "Ultimato" e todas as perdas tão doloridas para a humanidade, o planeta começa a sofrer uma série de ataques de Monstros Elementais. É quando surge um novo "herói" chamado Mystério (Jake Gyllenhaal). Ele parece ser a única esperança de deter essas criaturas e isso deixa Nick Fury preocupado. Para que os Vingadores não sejam esquecidos ou fragilizados na presença de um desconhecido, ele vai atrás do Homem-Aranha para representar a equipe e se unir a Mystério nessa luta. Acontece que Parker também está abalado com o que aconteceu na batalha com Thanos e, aproveitando um programa de reintegração dos alunos que ficaram fora do mundo por cinco anos depois de "Guerra Infinita", deseja sair de férias com os amigos em um tour pela Europa. - aqui cabe um comentário: eles amarraram tão bem os dois filmes finais dos Vingadores e inseriram esses fatos melhor ainda no Epílogo - um show de planejamento! Bem, voltando... Com a pressão de Fury e o medo de colocar em risco seus amigos, Parker resolve abraçar a causa e lutar ao lado de Mystério. Acontece que as coisas não são exatamente como Parker imagina e aqui eu me sinto obrigado a parar para não estragar a sua experiência de assistir essa dualidade de sentimentos que o personagem vive no filme. Só te adianto, vem um show pela frente: nas cenas de ação, na qualidade dos efeitos (CG) e na forma como o arco, mais uma vez, se fecha!
"Homem-Aranha: Longe de Casa" é um grande filme, merece ser assistido no cinema e abre caminho para uma nova fase do MCU que parece ser ainda mais promissora, pois vai trazer muito dos "Universos Paralelos" dos quadrinhos e quem sabe até um resgate do sucesso da recente animação do "Aranhaverso". Olha, nada mais me surpreenderia (rs), pois a Marvel já me provou que tudo acontece por um motivo nos (vários) filmes que compõem o seu Universo, eles sabem muito bem o que estão fazendo e conhecem melhor ainda o potencial dos seus personagens e das suas sagas!!!
Que venham muitos outros grandes filmes!!!
"Homem-Aranha: Longe de Casa" é, sem dúvida, um dos melhores filmes do Universo Marvel no Cinema! Pode parecer exagerado ou até empolgação depois de uma "obra de arte" como "Vingadores Ultimato", mas não; posso te garantir que o segundo filme do Homem-Aranha é daqueles acertos que agradam à todos pelo seu equilíbrio narrativo e pela qualidade técnica, ou seja, a história é muito boa e o visual melhor ainda!!! Mais um acerto - o que parece redundante, vale dizer!
Anunciado como um Epílogo para a Fase 3, após os acontecimentos do último "Vingadores", "Homem-Aranha: Longe de Casa" está muito bem amarrado como arco narrativo e como desenvolvimento de personagem (no caso, a ascensão do Homem Aranha dentro da equipe e a promessa intelectual de Peter Parker assumir responsabilidades que antes eram do Stark). É preciso dizer que o reboot (o terceiro) do herói pareceu prematuro, mas o tempo provou ter sido uma decisão correta, pois a identificação do público com um personagem mais jovem, com tantas descobertas e inseguranças, foi imediata - e olha, nesse filme eles acertam o tom de uma forma surpreendente. O filme é leve ao mesmo tempo que é dinâmico. Os personagens são extremamente carismáticos, humanos e os alívios cômicos estão muito bem pontuados. Eu diria que "Homem-Aranha: Longe de Casa" é ainda melhor que o primeiro filme e que Tom Holland é, definitivamente, o melhor Homem-Aranha dos últimos tempos.
Em meio a ressaca de "Ultimato" e todas as perdas tão doloridas para a humanidade, o planeta começa a sofrer uma série de ataques de Monstros Elementais. É quando surge um novo "herói" chamado Mystério (Jake Gyllenhaal). Ele parece ser a única esperança de deter essas criaturas e isso deixa Nick Fury preocupado. Para que os Vingadores não sejam esquecidos ou fragilizados na presença de um desconhecido, ele vai atrás do Homem-Aranha para representar a equipe e se unir a Mystério nessa luta. Acontece que Parker também está abalado com o que aconteceu na batalha com Thanos e, aproveitando um programa de reintegração dos alunos que ficaram fora do mundo por cinco anos depois de "Guerra Infinita", deseja sair de férias com os amigos em um tour pela Europa. - aqui cabe um comentário: eles amarraram tão bem os dois filmes finais dos Vingadores e inseriram esses fatos melhor ainda no Epílogo - um show de planejamento! Bem, voltando... Com a pressão de Fury e o medo de colocar em risco seus amigos, Parker resolve abraçar a causa e lutar ao lado de Mystério. Acontece que as coisas não são exatamente como Parker imagina e aqui eu me sinto obrigado a parar para não estragar a sua experiência de assistir essa dualidade de sentimentos que o personagem vive no filme. Só te adianto, vem um show pela frente: nas cenas de ação, na qualidade dos efeitos (CG) e na forma como o arco, mais uma vez, se fecha!
"Homem-Aranha: Longe de Casa" é um grande filme, merece ser assistido no cinema e abre caminho para uma nova fase do MCU que parece ser ainda mais promissora, pois vai trazer muito dos "Universos Paralelos" dos quadrinhos e quem sabe até um resgate do sucesso da recente animação do "Aranhaverso". Olha, nada mais me surpreenderia (rs), pois a Marvel já me provou que tudo acontece por um motivo nos (vários) filmes que compõem o seu Universo, eles sabem muito bem o que estão fazendo e conhecem melhor ainda o potencial dos seus personagens e das suas sagas!!!
Que venham muitos outros grandes filmes!!!
"Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" sem dúvida é um dos melhores filmes do gênero já produzidos! Além de um excelente entretenimento se pensarmos no filme como algo isolado, seu caráter nostálgico também transforma nossa experiência como audiência em algo ainda mais divertido, já que a história recupera a essência e ajusta os caminhos de outras versões do herói que ficaram pelo caminho - eu diria até que "Sem Volta para Casa" serve quase como uma recompensa para quem assistiu os filmes do Homem-Aranha por tanto tempo.
Graças ao que aconteceu no final de "Longe de Casa", Peter Parker (Tom Holland) precisa lidar com as consequências de ter sua identidade como o herói revelada. Incapaz de separar sua vida normal das responsabilidade de ser um super-herói, além de ter sua reputação arruinada pela versão tendenciosa do Clarim, onde ele é acusado de ter matado Mysterio, Parker pede ao Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) que intervenha com alguma magia e assim faça com que todos esqueçam sua verdadeira identidade. Entretanto, o feitiço não sai como planejado e a situação torna-se ainda mais perigosa quando vilões de outros universos acabam indo parar no seu mundo. Agora, Peter não só precisa deter os vilões de suas outras versões, como também aprender que, com grandes poderes, realmente, vem grandes responsabilidades. Confira o trailer:
A título de curiosidade, "Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" é uma espécie de livre adaptação de uma HQ que gerou muita controvérsia em 2007 chamada “Um Dia a Mais”. Aproveitando muito do seu conceito narrativo e cruzando com o planejamento da Marvel de explorar o Multiverso, o filme substitui Mefisto por Doutor Estranho, mas não deixa de pontuar no roteiro algumas passagens interessantes da história clássica (aqui apresentadas em outras versões do herói) sem descaraterizar a atual - alguns fãs mais, digamos, ferrenhos, até criticaram essa escolha, mas, pessoalmente, eu achei interessante, coerente e corajosa.
O diretor Jon Watts, como nos filmes anteriores, aproveita de uma dinâmica visual extremamente moderna tecnicamente para nos colocar ao lado do herói em todos os movimentos que ele faz pelos arranhas-céu de Nova York - essa predileção de Watts por nos provocar essa sensação de liberdade sempre foi algo a se observar, mas me parece que nesse filme ele subiu um degrau (mesmo com um ou outro CG duvidoso) - tem um plano, mais aberto, onde o Homem-Aranha se movimenta com suas teias com um pôr do sol ao fundo que é belíssimo. Outro elemento que o diretor domina e que tem o auxilio do roteiro de seus companheiros de longa data, Chris McKenna e Erik Sommers, sem dúvida, é a pausa correta para que humor espirituoso que enriquece os alívios cômicos funcionem sempre - a própria Marvel deveria aprender mais com a produção da Sony.
"Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" tem um toque de leveza (sem trocadilhos) que é empolgante e em cada gatilho visual, nossa relação com o filme só melhora - embora sem muita razão de acontecer, até a aparição de Charlie Cox faz sentido dentro do nosso coração de fã. A proposta da Marvel sempre foi transformar seu MCU em uma experiência própria, uma espécie de "série" que aproveita das salas de cinema (e agora do streaming) para construir algo maior e marcante para o imaginário coletivo, fantasiada de herói e divertida como uma boa história de HQ - e essa trilogia de "Homem-Aranha" cumpre muito bem esse papel e fecha com chave-de-ouro a jornada do herói!
Vale muito seu play!
"Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" sem dúvida é um dos melhores filmes do gênero já produzidos! Além de um excelente entretenimento se pensarmos no filme como algo isolado, seu caráter nostálgico também transforma nossa experiência como audiência em algo ainda mais divertido, já que a história recupera a essência e ajusta os caminhos de outras versões do herói que ficaram pelo caminho - eu diria até que "Sem Volta para Casa" serve quase como uma recompensa para quem assistiu os filmes do Homem-Aranha por tanto tempo.
Graças ao que aconteceu no final de "Longe de Casa", Peter Parker (Tom Holland) precisa lidar com as consequências de ter sua identidade como o herói revelada. Incapaz de separar sua vida normal das responsabilidade de ser um super-herói, além de ter sua reputação arruinada pela versão tendenciosa do Clarim, onde ele é acusado de ter matado Mysterio, Parker pede ao Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) que intervenha com alguma magia e assim faça com que todos esqueçam sua verdadeira identidade. Entretanto, o feitiço não sai como planejado e a situação torna-se ainda mais perigosa quando vilões de outros universos acabam indo parar no seu mundo. Agora, Peter não só precisa deter os vilões de suas outras versões, como também aprender que, com grandes poderes, realmente, vem grandes responsabilidades. Confira o trailer:
A título de curiosidade, "Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" é uma espécie de livre adaptação de uma HQ que gerou muita controvérsia em 2007 chamada “Um Dia a Mais”. Aproveitando muito do seu conceito narrativo e cruzando com o planejamento da Marvel de explorar o Multiverso, o filme substitui Mefisto por Doutor Estranho, mas não deixa de pontuar no roteiro algumas passagens interessantes da história clássica (aqui apresentadas em outras versões do herói) sem descaraterizar a atual - alguns fãs mais, digamos, ferrenhos, até criticaram essa escolha, mas, pessoalmente, eu achei interessante, coerente e corajosa.
O diretor Jon Watts, como nos filmes anteriores, aproveita de uma dinâmica visual extremamente moderna tecnicamente para nos colocar ao lado do herói em todos os movimentos que ele faz pelos arranhas-céu de Nova York - essa predileção de Watts por nos provocar essa sensação de liberdade sempre foi algo a se observar, mas me parece que nesse filme ele subiu um degrau (mesmo com um ou outro CG duvidoso) - tem um plano, mais aberto, onde o Homem-Aranha se movimenta com suas teias com um pôr do sol ao fundo que é belíssimo. Outro elemento que o diretor domina e que tem o auxilio do roteiro de seus companheiros de longa data, Chris McKenna e Erik Sommers, sem dúvida, é a pausa correta para que humor espirituoso que enriquece os alívios cômicos funcionem sempre - a própria Marvel deveria aprender mais com a produção da Sony.
"Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" tem um toque de leveza (sem trocadilhos) que é empolgante e em cada gatilho visual, nossa relação com o filme só melhora - embora sem muita razão de acontecer, até a aparição de Charlie Cox faz sentido dentro do nosso coração de fã. A proposta da Marvel sempre foi transformar seu MCU em uma experiência própria, uma espécie de "série" que aproveita das salas de cinema (e agora do streaming) para construir algo maior e marcante para o imaginário coletivo, fantasiada de herói e divertida como uma boa história de HQ - e essa trilogia de "Homem-Aranha" cumpre muito bem esse papel e fecha com chave-de-ouro a jornada do herói!
Vale muito seu play!
Se você está em busca de um bom entretenimento sobre assaltos espetaculares em uma mistura de ação com algum drama, "Ida Red - O Preço da Liberdade" pode ser uma boa pedida - mas te adianto: não se trata de um filme inesquecível, pelo contrário, ele é despretensioso ao ponto de abdicar de pelo menos 30 minutos de história, onde as tramas, subtramas e soluções narrativas certamente seriam melhores desenvolvidas, para ganhar em dinâmica e alguma emoção. Isso faz do filme escrito e dirigido por John Swab (do mediano "One Day as a Lion") honesto em sua proposta, tanto que chegou a ser indicado ao Locarno em 2021, mas é inegável que deixa um gostinho de que poderia ser melhor do que realmente é!
"Ida Red - O Preço da Liberdade", basicamente, acompanha a carreira da criminosa Ida ‘Red’ Walker (Melissa Leo), que luta contra uma doença terminal enquanto cumpre uma pena de 25 anos de prisão em Oklahoma. Sob a tutela de Ida, seu filho, Wyatt Walker (Josh Hartnett) sustenta os negócios da família ao lado de seu tio, Dallas Walker (Frank Grillo), até que um assalto dá errado e o detetive local e cunhado de Wyatt, Bodie Collier (George Carroll), se junta ao agente do FBI Lawrence Twilley (William Forsythe) para tentar rastrear os responsáveis pelo crime - e como é de se imaginar, eles já têm seus suspeitos. Confira o trailer:
Embora o filme se apresente como uma montanha-russa emocional que mergulha nas complexidades das relações familiares e do dilema moral para definir o que é certo, o que é errado e em qual circunstâncias isso pode se misturar, "Ida Red" é mesmo um filme de ação. Certo disso, percebemos que durante os 120 minutos de história, assistimos Swab nos negar alguns eventos importantes da trama e isso faz com que todos aqueles conflitos soem mais superficiais do que eles poderiam ser. Ao recortar o grande arco dramático de uma família amplamente envolvida com o mundo do crime e nos apresentar apenas uma parte desse todo, o diretor assume o risco de que sua audiência não se importe realmente com aqueles personagens - isso me pareceu acontecer, por outro lado não impacta no que ele prioriza como fio condutor.
A direção de John Swab respeita suas próprias escolhas conceituais e sua abordagem habilidosa dessa gramática de gênero ao criar uma atmosfera mais sombria do que tensa, especialmente no prólogo e no final do terceiro ato, onde a ação propriamente dita, nos conduz entre os dramas mais existenciais dos personagens. Essa proposta acaba deixando para o elenco todo ônus da falta de tempo de tela - Melissa Leo talvez seja o maior exemplo disso. Ela oferece uma atuação de tirar o fôlego quando é demandada, incorporando uma Ida Red com presença magnética, mas pouco aproveitada. Josh Hartnett e Frank Grillo, esses sim oferecem performances convincentes sem tanta pressa - a química entre eles é palpável, o que adiciona uma camada extra de autenticidade à história, mas infelizmente, mesmo assim, falta aquela conexão.
A fotografia do Matt Clegg (de "What Doesn't Float") é primorosa ao equilibrar o drama mais íntimo com seus planos fechados e quase sempre estáticos, com a ação mais dinâmica das lentes mais abertas e uma câmera mais nervosa. A escolha de locações e a trilha sonora se combinam com essa dualidade da fotografia para criar um ambiente mais imersivo que faz com que a audiência se sinta parte daquele submundo - uma pena que essas sensações sejam tão esporádicas devido aos gaps do roteiro. Em resumo, "Ida Red - O Preço da Liberdade" diverte mais do que nos impacta, mesmo quando escolhe questionar o real valor da família como instituição inabalável em meio aquele cenário imoral de crimes e redenção. Uma pena que não tenha tido o tempo necessário para unificar esses dois elementos dramáticos, que estão lá, mas que acabaram funcionando mais sozinhos do que juntos.
Se você está em busca de um bom entretenimento sobre assaltos espetaculares em uma mistura de ação com algum drama, "Ida Red - O Preço da Liberdade" pode ser uma boa pedida - mas te adianto: não se trata de um filme inesquecível, pelo contrário, ele é despretensioso ao ponto de abdicar de pelo menos 30 minutos de história, onde as tramas, subtramas e soluções narrativas certamente seriam melhores desenvolvidas, para ganhar em dinâmica e alguma emoção. Isso faz do filme escrito e dirigido por John Swab (do mediano "One Day as a Lion") honesto em sua proposta, tanto que chegou a ser indicado ao Locarno em 2021, mas é inegável que deixa um gostinho de que poderia ser melhor do que realmente é!
"Ida Red - O Preço da Liberdade", basicamente, acompanha a carreira da criminosa Ida ‘Red’ Walker (Melissa Leo), que luta contra uma doença terminal enquanto cumpre uma pena de 25 anos de prisão em Oklahoma. Sob a tutela de Ida, seu filho, Wyatt Walker (Josh Hartnett) sustenta os negócios da família ao lado de seu tio, Dallas Walker (Frank Grillo), até que um assalto dá errado e o detetive local e cunhado de Wyatt, Bodie Collier (George Carroll), se junta ao agente do FBI Lawrence Twilley (William Forsythe) para tentar rastrear os responsáveis pelo crime - e como é de se imaginar, eles já têm seus suspeitos. Confira o trailer:
Embora o filme se apresente como uma montanha-russa emocional que mergulha nas complexidades das relações familiares e do dilema moral para definir o que é certo, o que é errado e em qual circunstâncias isso pode se misturar, "Ida Red" é mesmo um filme de ação. Certo disso, percebemos que durante os 120 minutos de história, assistimos Swab nos negar alguns eventos importantes da trama e isso faz com que todos aqueles conflitos soem mais superficiais do que eles poderiam ser. Ao recortar o grande arco dramático de uma família amplamente envolvida com o mundo do crime e nos apresentar apenas uma parte desse todo, o diretor assume o risco de que sua audiência não se importe realmente com aqueles personagens - isso me pareceu acontecer, por outro lado não impacta no que ele prioriza como fio condutor.
A direção de John Swab respeita suas próprias escolhas conceituais e sua abordagem habilidosa dessa gramática de gênero ao criar uma atmosfera mais sombria do que tensa, especialmente no prólogo e no final do terceiro ato, onde a ação propriamente dita, nos conduz entre os dramas mais existenciais dos personagens. Essa proposta acaba deixando para o elenco todo ônus da falta de tempo de tela - Melissa Leo talvez seja o maior exemplo disso. Ela oferece uma atuação de tirar o fôlego quando é demandada, incorporando uma Ida Red com presença magnética, mas pouco aproveitada. Josh Hartnett e Frank Grillo, esses sim oferecem performances convincentes sem tanta pressa - a química entre eles é palpável, o que adiciona uma camada extra de autenticidade à história, mas infelizmente, mesmo assim, falta aquela conexão.
A fotografia do Matt Clegg (de "What Doesn't Float") é primorosa ao equilibrar o drama mais íntimo com seus planos fechados e quase sempre estáticos, com a ação mais dinâmica das lentes mais abertas e uma câmera mais nervosa. A escolha de locações e a trilha sonora se combinam com essa dualidade da fotografia para criar um ambiente mais imersivo que faz com que a audiência se sinta parte daquele submundo - uma pena que essas sensações sejam tão esporádicas devido aos gaps do roteiro. Em resumo, "Ida Red - O Preço da Liberdade" diverte mais do que nos impacta, mesmo quando escolhe questionar o real valor da família como instituição inabalável em meio aquele cenário imoral de crimes e redenção. Uma pena que não tenha tido o tempo necessário para unificar esses dois elementos dramáticos, que estão lá, mas que acabaram funcionando mais sozinhos do que juntos.
Filmes de ação raramente entregam histórias que nos fazem refletir sobre o sistema e a corrupção como deveriam. Na maioria das vezes as cenas frenéticas tomam conta da tela e engolem qualquer história diante de tantas coreografias de lutas, tiros e perseguições. Mas “Justiça Brutal” entrega tudo o que gênero pede e muito mais - você só deve ter em mente que o desenvolvimento da narrativa é um pouco mais lenta que o usual. O filme ainda explora o contexto social e aborda temas relevantes como o racismo, sem deixar sequências espetaculares de perseguição e tiroteio de lado.
Na trama, o veterano policial Brett Ridgeman (Mel Gibson) e seu parceiro mais jovem e volátil, Anthony Lurasetti (Vince Vaughn), são suspensos quando um vídeo de suas táticas de trabalho brutais vira notícia. Sem dinheiro e sem opções, eles decidem entrar para o mundo do crime. Porém, o que eles encontram na criminalidade é algo muito mais obscuro do que esperavam. Confira o trailer (em inglês):
Com uma premissa interessante, a primeira hora pode decepcionar aquelas pessoas que esperam muito mais por explosões, lutas e tiroteios, mas “Dragged Across Concrete” (no original) se preocupa muito mais em apresentar seus personagens e todo o contexto social antes de chegar no ápice da ação. Ainda assim, devo ressaltar que a ação é contida, existe muito mais uma tensão crescente nos momentos de perseguições do que outros artifícios usados para gerar o êxtase visual - você ficará apreensivo com o decorrer da história, definitivamente. Eu diria que é uma experiência diferente de filmes de ação de atores como Liam Neeson ou Jason Statham.
A direção traz alguns elementos interessantes de séries como ”Breaking Bad”, por exemplo - que praticamente acompanham o dia a dia de seus personagens como se a câmera estivesse escondida, mostrando cada passo, cada detalhe! Ao mesmo tempo, se você gosta de um estilo mais clássico como ”Fogo Contra Fogo”, provavelmente a sua experiência com esse thriller de ação escrito e dirigido por S. Craig Zahler (dos aclamados ”Rastros de Maldade” e ”Confusão no Pavilhão 99”), será completa e te garanto: esse é mais um daqueles achados que só nos resta agradecer ao serviço de streaming.
No elenco todos entregam perfomances marcantes, especialmente os protagonistas Mel Gibson e Vince Vaughn, que poderiam facilmente estrelar uma temporada de ”True Detective”! Que química incrível esses dois tem em cena. Assim como Matthew McConaughey e Woody Harrelson haviam trabalhado juntos anteriormente e anos depois estrelaram a série antológica da HBO.
“Justiça Brutal” se diferencia dos demais filmes de ação por ser bem construído, realista e, de fato, brutal. O filme pode ser facilmente comparado aos clássicos de ação e suspense criminal, e não aos recentes filmes esquecíveis que o gênero vem produzindo.
PS: o que impede o filme ser uma obra-prima "nível Michael Mann", talvez seja o excesso e até mesmo um pouco de pieguice no seu desfecho. Imagino que um certo polimento teria feito muito bem a narrativa, especialmente porque todos os inúmeros acertos da direção e do roteiro são notáveis.
Vale o seu play!
Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver
Filmes de ação raramente entregam histórias que nos fazem refletir sobre o sistema e a corrupção como deveriam. Na maioria das vezes as cenas frenéticas tomam conta da tela e engolem qualquer história diante de tantas coreografias de lutas, tiros e perseguições. Mas “Justiça Brutal” entrega tudo o que gênero pede e muito mais - você só deve ter em mente que o desenvolvimento da narrativa é um pouco mais lenta que o usual. O filme ainda explora o contexto social e aborda temas relevantes como o racismo, sem deixar sequências espetaculares de perseguição e tiroteio de lado.
Na trama, o veterano policial Brett Ridgeman (Mel Gibson) e seu parceiro mais jovem e volátil, Anthony Lurasetti (Vince Vaughn), são suspensos quando um vídeo de suas táticas de trabalho brutais vira notícia. Sem dinheiro e sem opções, eles decidem entrar para o mundo do crime. Porém, o que eles encontram na criminalidade é algo muito mais obscuro do que esperavam. Confira o trailer (em inglês):
Com uma premissa interessante, a primeira hora pode decepcionar aquelas pessoas que esperam muito mais por explosões, lutas e tiroteios, mas “Dragged Across Concrete” (no original) se preocupa muito mais em apresentar seus personagens e todo o contexto social antes de chegar no ápice da ação. Ainda assim, devo ressaltar que a ação é contida, existe muito mais uma tensão crescente nos momentos de perseguições do que outros artifícios usados para gerar o êxtase visual - você ficará apreensivo com o decorrer da história, definitivamente. Eu diria que é uma experiência diferente de filmes de ação de atores como Liam Neeson ou Jason Statham.
A direção traz alguns elementos interessantes de séries como ”Breaking Bad”, por exemplo - que praticamente acompanham o dia a dia de seus personagens como se a câmera estivesse escondida, mostrando cada passo, cada detalhe! Ao mesmo tempo, se você gosta de um estilo mais clássico como ”Fogo Contra Fogo”, provavelmente a sua experiência com esse thriller de ação escrito e dirigido por S. Craig Zahler (dos aclamados ”Rastros de Maldade” e ”Confusão no Pavilhão 99”), será completa e te garanto: esse é mais um daqueles achados que só nos resta agradecer ao serviço de streaming.
No elenco todos entregam perfomances marcantes, especialmente os protagonistas Mel Gibson e Vince Vaughn, que poderiam facilmente estrelar uma temporada de ”True Detective”! Que química incrível esses dois tem em cena. Assim como Matthew McConaughey e Woody Harrelson haviam trabalhado juntos anteriormente e anos depois estrelaram a série antológica da HBO.
“Justiça Brutal” se diferencia dos demais filmes de ação por ser bem construído, realista e, de fato, brutal. O filme pode ser facilmente comparado aos clássicos de ação e suspense criminal, e não aos recentes filmes esquecíveis que o gênero vem produzindo.
PS: o que impede o filme ser uma obra-prima "nível Michael Mann", talvez seja o excesso e até mesmo um pouco de pieguice no seu desfecho. Imagino que um certo polimento teria feito muito bem a narrativa, especialmente porque todos os inúmeros acertos da direção e do roteiro são notáveis.
Vale o seu play!
Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver
"Killing Eve" é muito divertida! Na verdade é uma jornada de "gato e rato" com pitadas de espionagem, conspirações e... muita ironia. Se você gosta de filmes como "Nikita", "Anna" e até "Viúva Negra"certamente você vai gostar dessa série da BBC America, criada pela Sally Woodward Gentle (Whitechapel), Lee Morris e Phoebe Waller-Bridge (Fleabag), e baseada na saga literária "Codinome Villanelle", escrita por Luke Jennings - porém um detalhe não pode passar batido para alinharmos as expectativas: diferente dos três filmes que comentei acima, o tom de "Killing Eve" é outro, ele se apoia na ironia ao usar tantos clichês do gênero e isso vai exigir uma enorme suspensão da realidade, mas que ao mesmo tempo vai deixar a história leve, despretensiosa e não menos inteligente.
Eve Polastri (Sandra Oh) é uma funcionária de uma “divisão fantasma” do MI5 que fica obcecada em conseguir capturar uma misteriosa, impiedosa e precisa assassina chamada Oxana Vorontsova (Jodie Comer). Ao ser colocada na posição de "agente secreta", Eve embarca em uma perigosa caçada, assumindo riscos impensáveis, iniciando complexas investigações e criando um cenário de tensão que ultrapassa as fronteiras do Reino Unido. Confira o trailer(em inglês):
Um bom roteiro precisa de apenas uma cena para estabelecer um personagem e "Killing Eve" faz isso com maestria. No prólogo conhecemos a assassina Villanelle, codinome de Vorontsova - ela observa uma linda garotinha tomando um sorvete. Depois de uma dificuldade inicial em interagir com a garotinha, Vorontsova troca sorrisos, cheia de simpatia. Porém em um determinado momento, ela se levanta, imponente, chamando a atenção dos olhos masculinos, caminha até a garotinha e simplesmente derruba o sorvete, propositalmente, com um leve sorriso no rosto até sair da sorveteria como se nada tivesse acontecido. Fiz questão de citar essa sequência (que inclusive está editada no trailer acima) justamente para antecipar o que você vai encontrar na série: esse tipo de ironia inteligente que, sem uma única palavra, já pontua exatamente o que podemos esperar de uma personagem.
Do outro lado temos Sandra Oh (a "insuportável" Cristina Yang de "Greys Anatomy"). Aqui ela é apaixonante, teimosa e irresponsável, mas com muito charme e simpatia. Seu estilo, até fisico, se encaixa perfeitamente no tom da série e acaba funcionando como contraponto ao estilo "camaleão com elegância" de Comer - essas diferenças se completam de tal forma que fica impossível pensar na série sem essas duas atrizes. Essa química, inclusive, rendeu para elas inúmeras indicações em várias premiações importantes e um Emmy de "Melhor Atriz" para Comer em 2019. Outra peça importante do elenco é Fiona Shaw - também indicada ao Emmy, mas como coadjuvante. Shaw é o ponto de equilíbrio da série, aquela personagem que não deixa a história descambar para a comédia pastelão e muito menos para o drama denso - é incrível como o roteiro usa os personagens para entregar uma história dinâmica e empolgante, que flerta com o humor de um jeito macabro, sombrio, até escrachado, mas sem esquecer de ser um entretenimento dos mais divertidos.
Antes de finalizar é preciso dizer que a ideia central da trama vai mudando durante a primeira temporada e se expande em outras possibilidades nas demais, mesmo sabendo que a quarta (ainda inédita) será a última. Essa transformação narrativa mais ajuda do que atrapalha, governos que teoricamente seriam os mocinhos e os espiões e assassinos cruéis que seriam os bandidos, na verdade andam de mãos dadas em muitos casos, e é justamente esse tipo de similaridade que o texto passa a trabalhar - onde, mais uma vez, Comer ajuda construir excelentes momentos. É natural a mudança, claro, mas alguns podem não gostar - não foi o meu caso. Achei que a cada reinvenção imposta, a série ganhava mais fôlego e já sabendo que teremos um final logo ali, ajudou muito na escolha de embarcar nessa jornada.
Vale muito a pena!
"Killing Eve" é muito divertida! Na verdade é uma jornada de "gato e rato" com pitadas de espionagem, conspirações e... muita ironia. Se você gosta de filmes como "Nikita", "Anna" e até "Viúva Negra"certamente você vai gostar dessa série da BBC America, criada pela Sally Woodward Gentle (Whitechapel), Lee Morris e Phoebe Waller-Bridge (Fleabag), e baseada na saga literária "Codinome Villanelle", escrita por Luke Jennings - porém um detalhe não pode passar batido para alinharmos as expectativas: diferente dos três filmes que comentei acima, o tom de "Killing Eve" é outro, ele se apoia na ironia ao usar tantos clichês do gênero e isso vai exigir uma enorme suspensão da realidade, mas que ao mesmo tempo vai deixar a história leve, despretensiosa e não menos inteligente.
Eve Polastri (Sandra Oh) é uma funcionária de uma “divisão fantasma” do MI5 que fica obcecada em conseguir capturar uma misteriosa, impiedosa e precisa assassina chamada Oxana Vorontsova (Jodie Comer). Ao ser colocada na posição de "agente secreta", Eve embarca em uma perigosa caçada, assumindo riscos impensáveis, iniciando complexas investigações e criando um cenário de tensão que ultrapassa as fronteiras do Reino Unido. Confira o trailer(em inglês):
Um bom roteiro precisa de apenas uma cena para estabelecer um personagem e "Killing Eve" faz isso com maestria. No prólogo conhecemos a assassina Villanelle, codinome de Vorontsova - ela observa uma linda garotinha tomando um sorvete. Depois de uma dificuldade inicial em interagir com a garotinha, Vorontsova troca sorrisos, cheia de simpatia. Porém em um determinado momento, ela se levanta, imponente, chamando a atenção dos olhos masculinos, caminha até a garotinha e simplesmente derruba o sorvete, propositalmente, com um leve sorriso no rosto até sair da sorveteria como se nada tivesse acontecido. Fiz questão de citar essa sequência (que inclusive está editada no trailer acima) justamente para antecipar o que você vai encontrar na série: esse tipo de ironia inteligente que, sem uma única palavra, já pontua exatamente o que podemos esperar de uma personagem.
Do outro lado temos Sandra Oh (a "insuportável" Cristina Yang de "Greys Anatomy"). Aqui ela é apaixonante, teimosa e irresponsável, mas com muito charme e simpatia. Seu estilo, até fisico, se encaixa perfeitamente no tom da série e acaba funcionando como contraponto ao estilo "camaleão com elegância" de Comer - essas diferenças se completam de tal forma que fica impossível pensar na série sem essas duas atrizes. Essa química, inclusive, rendeu para elas inúmeras indicações em várias premiações importantes e um Emmy de "Melhor Atriz" para Comer em 2019. Outra peça importante do elenco é Fiona Shaw - também indicada ao Emmy, mas como coadjuvante. Shaw é o ponto de equilíbrio da série, aquela personagem que não deixa a história descambar para a comédia pastelão e muito menos para o drama denso - é incrível como o roteiro usa os personagens para entregar uma história dinâmica e empolgante, que flerta com o humor de um jeito macabro, sombrio, até escrachado, mas sem esquecer de ser um entretenimento dos mais divertidos.
Antes de finalizar é preciso dizer que a ideia central da trama vai mudando durante a primeira temporada e se expande em outras possibilidades nas demais, mesmo sabendo que a quarta (ainda inédita) será a última. Essa transformação narrativa mais ajuda do que atrapalha, governos que teoricamente seriam os mocinhos e os espiões e assassinos cruéis que seriam os bandidos, na verdade andam de mãos dadas em muitos casos, e é justamente esse tipo de similaridade que o texto passa a trabalhar - onde, mais uma vez, Comer ajuda construir excelentes momentos. É natural a mudança, claro, mas alguns podem não gostar - não foi o meu caso. Achei que a cada reinvenção imposta, a série ganhava mais fôlego e já sabendo que teremos um final logo ali, ajudou muito na escolha de embarcar nessa jornada.
Vale muito a pena!
“Kingsman: Serviço Secreto” é um filme dos mais divertidos dirigido por Matthew Vaughn, dos ótimos “Kick-Ass” e “X-Men: Primeira Classe”. Você só precisa ter em mente que esse filme não é para ser levado a sério - no bom sentido, claro. As cenas mais piradas e insanas são propositais, e isso é feito com muita energia e paixão pelo diretor - um apaixonado pelo agente 007.
Na trama, Eggsy (Taron Egerton) é um jovem com problemas de disciplina que parece perto de se tornar um criminoso. Determinado dia, ele entra em contato com Harry (Colin Firth), que lhe apresenta a agência de espionagem Kingsman. O jovem então se une a um time de recrutas em busca de uma vaga nessa agência ao mesmo tempo em que Harry tenta impedir a ascensão do vilão Valentine (Samuel L. Jackson). Confira o trailer:
Assim como “Kick-Ass”, que era uma adaptação de uma HQ e fazia uma gozação aos filmes de super-heróis, “Kingsman” (também é uma releitura de HQ, no caso "The Secret Service" de Mark Millar), e não hesita em satirizar os clássicos de espionagem dos anos 70 como os filmes de James Bond, que por si só já eram cheio de momentos estapafúrdicos. Se tratando de uma adaptação de quadrinhos, você pode esperar por um filme frenético que abraça a loucura de forma desvairada. Isso é o que “Kingsman" tem de melhor, pelo menos até certo momento.
Na sequência final, após a ausência de um personagem importante, o ritmo se excede um pouco na megalomania, mas isso não torna o filme menos atrativo. No elenco; Colin Firth e Taron Egerton tem uma química perfeita, e ambos se saem muito bem, independente de quando contracenam ou não. Inclusive, tem uma cena específica do Colin Firth, que é simplesmente alucinante e violenta - e isso pode agradar muitos ou enterrar o filme de vez para outros.
O fato é que mesmo que “Kingsman: Serviço Secreto” faça tributos para vários filmes de espionagem, ele por si só não deixa de ser original pela maneira com que é dirigido por Vaughn, fotografado pelo sempre criativo George Richmond (de "Filhos da Esperança") e desenvolvido pelo roteiro Jane Goldman (parceira do diretor em vários títulos de sua filmografia), porém com uma originalidade e qualidade técnica rara nos filmes do gênero.
Vela muito a pena!
PS: Esse é o primeiro filme da trilogia “Kingsman". Os outros dois filmes, "Círculo Dourado" e o recente "A Origem", também estão disponíveis no Star+!
Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver
“Kingsman: Serviço Secreto” é um filme dos mais divertidos dirigido por Matthew Vaughn, dos ótimos “Kick-Ass” e “X-Men: Primeira Classe”. Você só precisa ter em mente que esse filme não é para ser levado a sério - no bom sentido, claro. As cenas mais piradas e insanas são propositais, e isso é feito com muita energia e paixão pelo diretor - um apaixonado pelo agente 007.
Na trama, Eggsy (Taron Egerton) é um jovem com problemas de disciplina que parece perto de se tornar um criminoso. Determinado dia, ele entra em contato com Harry (Colin Firth), que lhe apresenta a agência de espionagem Kingsman. O jovem então se une a um time de recrutas em busca de uma vaga nessa agência ao mesmo tempo em que Harry tenta impedir a ascensão do vilão Valentine (Samuel L. Jackson). Confira o trailer:
Assim como “Kick-Ass”, que era uma adaptação de uma HQ e fazia uma gozação aos filmes de super-heróis, “Kingsman” (também é uma releitura de HQ, no caso "The Secret Service" de Mark Millar), e não hesita em satirizar os clássicos de espionagem dos anos 70 como os filmes de James Bond, que por si só já eram cheio de momentos estapafúrdicos. Se tratando de uma adaptação de quadrinhos, você pode esperar por um filme frenético que abraça a loucura de forma desvairada. Isso é o que “Kingsman" tem de melhor, pelo menos até certo momento.
Na sequência final, após a ausência de um personagem importante, o ritmo se excede um pouco na megalomania, mas isso não torna o filme menos atrativo. No elenco; Colin Firth e Taron Egerton tem uma química perfeita, e ambos se saem muito bem, independente de quando contracenam ou não. Inclusive, tem uma cena específica do Colin Firth, que é simplesmente alucinante e violenta - e isso pode agradar muitos ou enterrar o filme de vez para outros.
O fato é que mesmo que “Kingsman: Serviço Secreto” faça tributos para vários filmes de espionagem, ele por si só não deixa de ser original pela maneira com que é dirigido por Vaughn, fotografado pelo sempre criativo George Richmond (de "Filhos da Esperança") e desenvolvido pelo roteiro Jane Goldman (parceira do diretor em vários títulos de sua filmografia), porém com uma originalidade e qualidade técnica rara nos filmes do gênero.
Vela muito a pena!
PS: Esse é o primeiro filme da trilogia “Kingsman". Os outros dois filmes, "Círculo Dourado" e o recente "A Origem", também estão disponíveis no Star+!
Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver
"La Casa de Papel" é uma série espanhola criada por Álex Pina que se tornou um fenômeno global meio que por acaso, conquistando milhões de fãs em todo o mundo e fazendo com que a plataforma que só tinha o direito de distribuição da primeira temporada investisse em mais alguns anos - que cá entre nós, se mostrou uma das decisões mais acertadas de empresa em muitos anos. A produção, que estreou na Netflix em 2017, tem todos os elementos que nos conquista, mas a relação da audiência com seus personagens, de fato, coloca o título em um outro patamar - os personagens são carismáticos e bem desenvolvidos, desde seu líder brilhante, mas também complexo e cheio de segredos, como todos os outros assaltantes também são interessantes, com suas próprias histórias e motivações.
Para quem não sabe, a série acompanha a história de um grupo de assaltantes liderados por um misterioso homem conhecido como "O Professor" (Álvaro Morte), cujo objetivo é realizar o maior assalto da história, roubando 2,4 bilhões de euros da Casa da Moeda Real da Espanha. Veja, embora não seja uma grande novidade (com cenas que já vimos em outros filmes), a forma como a trama é narrada é muito interessante, eu diria que é daquelas séries que surpreendem já no primeiro episódio e nos prendem até o final - e realmente temos um final. Confira o trailer:
"La Casa de Papel" segue uma linha narrativa bem parecida com alguns filmes da Espanha que fizeram muito sucesso na temporada 2017 - um drama (quase non-sense de absurdo) cheio de alívios cômicos inteligentes, muito contraste visual, extremamente bem produzido, com bons atores (atenção para o Pedro Alonso que interpreta o "Berlin") e um roteiro realmente bem construído - mesmo que exija certa suspensão da realidade para embarcar nas soluções "malucas" do Professor!
Um dos elementos que mais chamam a atenção em "La Casa de Papel" é a sua estética. A série é filmada com uma paleta de cores fortes e vibrantes, que criam uma atmosfera envolvente e cheia de energia. A direção também é muito dinâmica, com cenas de ação que são filmadas de forma primorosa - empolgante na sua essência. Outro ponto forte, e que alinha todos eles elementos visuais e narrativos, é sua trilha sonora. A música é usada de forma inteligente para potencializar a atmosfera certa em cada momento - as músicas clássicas, como "Bella Ciao", são criam um senso de nostalgia e emoção, enquanto as músicas eletrônicas são usadas para pontuar a tensão e o suspense.
O que dizer de Úrsula Corberó (Tóquio), Jaime Lorente (Denver), Miguel Herrán (Rio) e Esther Acebo (Estocolmo)? Como pontuei na introdução: a cereja do bolo de uma uma série imperdível que conquista o público de todas as idades com a alma - mesmo que fantasiada por uma dinâmica eletrizante, uma produção impecável e uma estética vibrante de cair o queixo. Se as últimas temporadas perdem o elemento "novidade", saiba que até lá já estamos apaixonados ao ponto de nem ligar para caminho que a trama seguiu, só queremos que aquela aventura nunca acabe mesmo!
Vale muito a pena!
"La Casa de Papel" é uma série espanhola criada por Álex Pina que se tornou um fenômeno global meio que por acaso, conquistando milhões de fãs em todo o mundo e fazendo com que a plataforma que só tinha o direito de distribuição da primeira temporada investisse em mais alguns anos - que cá entre nós, se mostrou uma das decisões mais acertadas de empresa em muitos anos. A produção, que estreou na Netflix em 2017, tem todos os elementos que nos conquista, mas a relação da audiência com seus personagens, de fato, coloca o título em um outro patamar - os personagens são carismáticos e bem desenvolvidos, desde seu líder brilhante, mas também complexo e cheio de segredos, como todos os outros assaltantes também são interessantes, com suas próprias histórias e motivações.
Para quem não sabe, a série acompanha a história de um grupo de assaltantes liderados por um misterioso homem conhecido como "O Professor" (Álvaro Morte), cujo objetivo é realizar o maior assalto da história, roubando 2,4 bilhões de euros da Casa da Moeda Real da Espanha. Veja, embora não seja uma grande novidade (com cenas que já vimos em outros filmes), a forma como a trama é narrada é muito interessante, eu diria que é daquelas séries que surpreendem já no primeiro episódio e nos prendem até o final - e realmente temos um final. Confira o trailer:
"La Casa de Papel" segue uma linha narrativa bem parecida com alguns filmes da Espanha que fizeram muito sucesso na temporada 2017 - um drama (quase non-sense de absurdo) cheio de alívios cômicos inteligentes, muito contraste visual, extremamente bem produzido, com bons atores (atenção para o Pedro Alonso que interpreta o "Berlin") e um roteiro realmente bem construído - mesmo que exija certa suspensão da realidade para embarcar nas soluções "malucas" do Professor!
Um dos elementos que mais chamam a atenção em "La Casa de Papel" é a sua estética. A série é filmada com uma paleta de cores fortes e vibrantes, que criam uma atmosfera envolvente e cheia de energia. A direção também é muito dinâmica, com cenas de ação que são filmadas de forma primorosa - empolgante na sua essência. Outro ponto forte, e que alinha todos eles elementos visuais e narrativos, é sua trilha sonora. A música é usada de forma inteligente para potencializar a atmosfera certa em cada momento - as músicas clássicas, como "Bella Ciao", são criam um senso de nostalgia e emoção, enquanto as músicas eletrônicas são usadas para pontuar a tensão e o suspense.
O que dizer de Úrsula Corberó (Tóquio), Jaime Lorente (Denver), Miguel Herrán (Rio) e Esther Acebo (Estocolmo)? Como pontuei na introdução: a cereja do bolo de uma uma série imperdível que conquista o público de todas as idades com a alma - mesmo que fantasiada por uma dinâmica eletrizante, uma produção impecável e uma estética vibrante de cair o queixo. Se as últimas temporadas perdem o elemento "novidade", saiba que até lá já estamos apaixonados ao ponto de nem ligar para caminho que a trama seguiu, só queremos que aquela aventura nunca acabe mesmo!
Vale muito a pena!
Divertido como um "filme de assalto" deve ser - mas, sim, será preciso uma boa dose de suspensão da realidade para embarcar na proposta narrativa do diretor F. Gary Gray (de "Código de Conduta") e do roteirista Daniel Kunka (de "12 rounds"). "Lift: Roubo nas Alturas" é entretenimento puro, uma mistura de ação com ótimos toques de comédia que realmente prende a atenção da audiência do início ao fim pela forma despretensiosa com que conduz sua narrativa. Essa produção original da Netflixsegue a fórmula mirabolante do roubo improvável com uma equipe de ladrões, com diferentes habilidades, que se reune para realizar o maior golpe de suas vidas. Inovador? Longe disso, aliás é cheio de clichês, o que é ótimo para o gênero, no entanto aqui temos um ponto que triunfa, mesmo tendo essa premissa, digamos, batida: seu elenco, e a interação entre todos os atores, é excelente!
A trama segue um grupo de criminosos internacionais liderado por Cyrus (Kevin Hart) que acabam de ser contratados por Abby (Gugu Mbatha-Raw), uma agente federal, para que cumpram uma missão ambiciosa: roubar meio bilhão de dólares em barras de ouro que estão sendo transportadas para uma célula terrorista. Para deixar tudo ainda mais insano, a carga está sendo transportada em um Boeing 777 que parte de Londres rumo a Zurique, e eles devem roubá-la em pleno vôo. Confira o trailer:
"Lift: Roubo nas Alturas" é "cinema pipoca", um prato cheio para quem gosta de filmes de ação e não quer pensar muito. Como obra ele até repete aquela atmosfera "La Casa de Papel" com um dinamismo que a própria série teve dificuldade de emplacar em sua primeira temporada. Se você reparar bem, aqui no filme, a sequência que mostra toda a preparação do golpe é menor, claro, mas tão divertida quanto da série espanhola. Enquanto o texto brinca com as diferentes possibilidades e soluções para que tudo dê certo na hora do roubo (e nunca dá), também temos a oportunidade de ver o elenco de apoio ter seu momento - talvez sem o mesmo charme, mas igualmente simpáticos, eu diria. Olhando já pelo lado da ação, as sequências de perseguição são, de fato, bem realizadas - a do plot inicial, que acompanha o roubo no leilão, achei até melhor que a do plot principal (especialmente porque exige menos das composições em CGI - e algumas não estão 100% no filme).
Olhando pela perspectiva do roteiro, é até fácil dizer que o filme não decepciona, que tem um bom senso de humor, com piadas que funcionam na maioria das vezes, de forma equilibrada e sem forçar muito a barra. O que pega, é a falta de originalidade ou até de coragem para propor algo menos previsível - é aqui que a química de todo o elenco segura o rojão. Kevin Hart está engraçado, irônico - parece que está se divertindo em cena (o que mostra sua capacidade como um comediante que amadurece como ator). Hart tem ótimas sacadas com Gugu Mbatha-Raw - que chega até aqui depois de uma ótima jornada em "The Morning Show". Tenho certeza que ainda vamos ver ótimos e mais profundos trabalhos desses dois atores.
A direção de F. Gary Gray é segura e competente - ele sabe como criar cenas de ação e como equilibrar drama e humor. Ele brinca com a câmera, é coerente na forma como conta a história, mas acho que seu principal valor está em saber os limites da produção, do roteiro e do orçamento. Dentro dos limites, tudo é bacana! Sabe aquele filme que a gente reservava na quinta-feira para alugar no fim de semana, e quando devolvíamos na segunda achando divertido, até dávamos boas recomendações, só que nunca mais pensávamos nele? Pois é, "Lift: Roubo nas Alturas" é isso: uma ótima opção para quem está procurando um filme de ação mais descartável, no bom sentido, mais ou menos como foi aquele "O Fugitivo" de 1993.
Divertido como um "filme de assalto" deve ser - mas, sim, será preciso uma boa dose de suspensão da realidade para embarcar na proposta narrativa do diretor F. Gary Gray (de "Código de Conduta") e do roteirista Daniel Kunka (de "12 rounds"). "Lift: Roubo nas Alturas" é entretenimento puro, uma mistura de ação com ótimos toques de comédia que realmente prende a atenção da audiência do início ao fim pela forma despretensiosa com que conduz sua narrativa. Essa produção original da Netflixsegue a fórmula mirabolante do roubo improvável com uma equipe de ladrões, com diferentes habilidades, que se reune para realizar o maior golpe de suas vidas. Inovador? Longe disso, aliás é cheio de clichês, o que é ótimo para o gênero, no entanto aqui temos um ponto que triunfa, mesmo tendo essa premissa, digamos, batida: seu elenco, e a interação entre todos os atores, é excelente!
A trama segue um grupo de criminosos internacionais liderado por Cyrus (Kevin Hart) que acabam de ser contratados por Abby (Gugu Mbatha-Raw), uma agente federal, para que cumpram uma missão ambiciosa: roubar meio bilhão de dólares em barras de ouro que estão sendo transportadas para uma célula terrorista. Para deixar tudo ainda mais insano, a carga está sendo transportada em um Boeing 777 que parte de Londres rumo a Zurique, e eles devem roubá-la em pleno vôo. Confira o trailer:
"Lift: Roubo nas Alturas" é "cinema pipoca", um prato cheio para quem gosta de filmes de ação e não quer pensar muito. Como obra ele até repete aquela atmosfera "La Casa de Papel" com um dinamismo que a própria série teve dificuldade de emplacar em sua primeira temporada. Se você reparar bem, aqui no filme, a sequência que mostra toda a preparação do golpe é menor, claro, mas tão divertida quanto da série espanhola. Enquanto o texto brinca com as diferentes possibilidades e soluções para que tudo dê certo na hora do roubo (e nunca dá), também temos a oportunidade de ver o elenco de apoio ter seu momento - talvez sem o mesmo charme, mas igualmente simpáticos, eu diria. Olhando já pelo lado da ação, as sequências de perseguição são, de fato, bem realizadas - a do plot inicial, que acompanha o roubo no leilão, achei até melhor que a do plot principal (especialmente porque exige menos das composições em CGI - e algumas não estão 100% no filme).
Olhando pela perspectiva do roteiro, é até fácil dizer que o filme não decepciona, que tem um bom senso de humor, com piadas que funcionam na maioria das vezes, de forma equilibrada e sem forçar muito a barra. O que pega, é a falta de originalidade ou até de coragem para propor algo menos previsível - é aqui que a química de todo o elenco segura o rojão. Kevin Hart está engraçado, irônico - parece que está se divertindo em cena (o que mostra sua capacidade como um comediante que amadurece como ator). Hart tem ótimas sacadas com Gugu Mbatha-Raw - que chega até aqui depois de uma ótima jornada em "The Morning Show". Tenho certeza que ainda vamos ver ótimos e mais profundos trabalhos desses dois atores.
A direção de F. Gary Gray é segura e competente - ele sabe como criar cenas de ação e como equilibrar drama e humor. Ele brinca com a câmera, é coerente na forma como conta a história, mas acho que seu principal valor está em saber os limites da produção, do roteiro e do orçamento. Dentro dos limites, tudo é bacana! Sabe aquele filme que a gente reservava na quinta-feira para alugar no fim de semana, e quando devolvíamos na segunda achando divertido, até dávamos boas recomendações, só que nunca mais pensávamos nele? Pois é, "Lift: Roubo nas Alturas" é isso: uma ótima opção para quem está procurando um filme de ação mais descartável, no bom sentido, mais ou menos como foi aquele "O Fugitivo" de 1993.
Antes de mais nada é preciso parabenizar o trabalho do Zack Snyder, ele provou para os executivos da Warner que estava certo e que a coerência do Universo que ele estava construindo tinha uma identidade que o diretor da outra versão de "Liga da Justiça", Joss Whedon, simplesmente jogou no lixo. E esse, digamos, não foi um caso isolado, já que a mesma Warner também cuspiu no trabalho do Nolan na trilogia do "Cavaleiro das Trevas" mesmo o diretor deixando tudo certinho para uma expansão inteligente. Mas não vamos falar das péssimas decisões corporativas de executivos que não sabem a diferença entre uma lente 35mm e uma 85mm - e se você também não sabe, está tudo certo, mas que esse exemplo seja uma forma de entender o quanto é solitário o trabalho de um diretor mesmo cercado de tantos profissionais competentes e como é importante deixar ele expor sua visão até o final - para, aí sim, criticar!
Esquece o filme de 2017, o "Snyder Cut" é outra coisa! mesmo contendo muitas cenas da versão anterior, a construção da narrativa é completamente diferente - e aqui ele aproveitou muito bem a liberdade do streaming em disponibilizar 4 horas para contar uma história. Visualmente, o filme tem uma elegância que o filme de Whedon não teve. Os detalhes da finalização, a correção da cor, da pós-produção, composição de CG e efeitos, tudo ficou muito, mas muito, bom - como comentei acima: é um filme com a identidade (acrescento) e com a alma da DC. Goste ou não de "Homem de Aço" e "Batman X Superman", o novo "Liga da Justiça" conversa muito bem com os outros filmes. A única coisa que me incomodou foi a escolha do 4:3 (aquele aspecto quadrado), mesmo com a desculpa de projeção em IMAX. Não faz sentido e vou explicar com uma analogia: imagina você comprar uma Ferrari e só trocar as marchas até a terceira - é isso que é colocar um filme 4:3 no IMAX, sim vai ficar enorme, impositivo, mas vai perder amplitude lateral que pedem as cenas de ação para que se tornem grandiosas, épicas!
Depois de restaurar sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman (Henry Cavill), Bruce Wayne (Ben Affleck) convoca Diana Prince (Gal Gadot) para combater um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam um time de meta-humanos para combater o Lobo da Estepe e seu Mestre Darkseid. Mesmo com a formação da Liga de heróis sem precedentes – Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman (Jason Momoa), Ciborgue (Ray Fisher), e Flash (Ezra Miller), talvez ainda não seja o suficiente para salvar o planeta de um catastrófico ataque que pode mudar a história da humanidade para sempre. Confira o trailer:
O Thiago Siqueira definiu muito bem o trabalho do Diretor no seu texto para o Cinema com Rapadura, então peço licença para reproduzir aqui: "O Zack Snyder tem uma visão muito própria dos heróis da DC. Enquanto a Marvel Studios retrata seus heróis – mesmo os mais extravagantes – de um ponto de vista extremamente humano, o cineasta enxerga a Liga da Justiça como deuses modernos, extraindo influências das mais diversas fontes, indo desde a mitologia greco-romana, passando pelas lendas arturianas, pelo legendarium de Tolkien e pelo cristianismo, sempre com um grau quase absoluto de solenidade." - Não interessa se a Marvel é um sucesso absoluto, isso é impossível de negar, mas ela tem o seu estilo e a DC precisava estruturar o seu, com identidade, e o "Snyder Cut" recuperou isso.
A forma como as histórias dos personagens secundários: Aquaman, Ciborgue, e Flash, são construídas e depois conectadas, funciona infinitamente melhor e cria um sentido de grupo, além de entendermos mais facilmente as motivações de cada um deles. Mesmo o roteiro dando algumas derrapadas, como na cena "Martha" do reencontro do Superman com a Lois ou na pouca explicação sobre as reais motivações que fizeram Darkseid enviar o Lobo da Estepe para além de recuperar as caixas maternas. Claro que nada disso prejudica a experiência e muitos desses gaps facilmente podem ser ajustados no futuro, mas aí que chega o problema maior: teremos um futuro com esse universo da DC, com essa identidade, com essa unidade narrativa?
O fato é que visão de Zack Snyder é um presente para os fãs desse tipo de filme, especialmente aos amantes da DC (como eu). O filme traz ganhos significativos para a narrativa e para o desenvolvimento de personagens (futuros, inclusive), se tornando uma espécie de versão definitiva e merecida da "Liga da Justiça".
Ufa, agora sim temos um filme de verdade! Imperdível!
Antes de mais nada é preciso parabenizar o trabalho do Zack Snyder, ele provou para os executivos da Warner que estava certo e que a coerência do Universo que ele estava construindo tinha uma identidade que o diretor da outra versão de "Liga da Justiça", Joss Whedon, simplesmente jogou no lixo. E esse, digamos, não foi um caso isolado, já que a mesma Warner também cuspiu no trabalho do Nolan na trilogia do "Cavaleiro das Trevas" mesmo o diretor deixando tudo certinho para uma expansão inteligente. Mas não vamos falar das péssimas decisões corporativas de executivos que não sabem a diferença entre uma lente 35mm e uma 85mm - e se você também não sabe, está tudo certo, mas que esse exemplo seja uma forma de entender o quanto é solitário o trabalho de um diretor mesmo cercado de tantos profissionais competentes e como é importante deixar ele expor sua visão até o final - para, aí sim, criticar!
Esquece o filme de 2017, o "Snyder Cut" é outra coisa! mesmo contendo muitas cenas da versão anterior, a construção da narrativa é completamente diferente - e aqui ele aproveitou muito bem a liberdade do streaming em disponibilizar 4 horas para contar uma história. Visualmente, o filme tem uma elegância que o filme de Whedon não teve. Os detalhes da finalização, a correção da cor, da pós-produção, composição de CG e efeitos, tudo ficou muito, mas muito, bom - como comentei acima: é um filme com a identidade (acrescento) e com a alma da DC. Goste ou não de "Homem de Aço" e "Batman X Superman", o novo "Liga da Justiça" conversa muito bem com os outros filmes. A única coisa que me incomodou foi a escolha do 4:3 (aquele aspecto quadrado), mesmo com a desculpa de projeção em IMAX. Não faz sentido e vou explicar com uma analogia: imagina você comprar uma Ferrari e só trocar as marchas até a terceira - é isso que é colocar um filme 4:3 no IMAX, sim vai ficar enorme, impositivo, mas vai perder amplitude lateral que pedem as cenas de ação para que se tornem grandiosas, épicas!
Depois de restaurar sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman (Henry Cavill), Bruce Wayne (Ben Affleck) convoca Diana Prince (Gal Gadot) para combater um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam um time de meta-humanos para combater o Lobo da Estepe e seu Mestre Darkseid. Mesmo com a formação da Liga de heróis sem precedentes – Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman (Jason Momoa), Ciborgue (Ray Fisher), e Flash (Ezra Miller), talvez ainda não seja o suficiente para salvar o planeta de um catastrófico ataque que pode mudar a história da humanidade para sempre. Confira o trailer:
O Thiago Siqueira definiu muito bem o trabalho do Diretor no seu texto para o Cinema com Rapadura, então peço licença para reproduzir aqui: "O Zack Snyder tem uma visão muito própria dos heróis da DC. Enquanto a Marvel Studios retrata seus heróis – mesmo os mais extravagantes – de um ponto de vista extremamente humano, o cineasta enxerga a Liga da Justiça como deuses modernos, extraindo influências das mais diversas fontes, indo desde a mitologia greco-romana, passando pelas lendas arturianas, pelo legendarium de Tolkien e pelo cristianismo, sempre com um grau quase absoluto de solenidade." - Não interessa se a Marvel é um sucesso absoluto, isso é impossível de negar, mas ela tem o seu estilo e a DC precisava estruturar o seu, com identidade, e o "Snyder Cut" recuperou isso.
A forma como as histórias dos personagens secundários: Aquaman, Ciborgue, e Flash, são construídas e depois conectadas, funciona infinitamente melhor e cria um sentido de grupo, além de entendermos mais facilmente as motivações de cada um deles. Mesmo o roteiro dando algumas derrapadas, como na cena "Martha" do reencontro do Superman com a Lois ou na pouca explicação sobre as reais motivações que fizeram Darkseid enviar o Lobo da Estepe para além de recuperar as caixas maternas. Claro que nada disso prejudica a experiência e muitos desses gaps facilmente podem ser ajustados no futuro, mas aí que chega o problema maior: teremos um futuro com esse universo da DC, com essa identidade, com essa unidade narrativa?
O fato é que visão de Zack Snyder é um presente para os fãs desse tipo de filme, especialmente aos amantes da DC (como eu). O filme traz ganhos significativos para a narrativa e para o desenvolvimento de personagens (futuros, inclusive), se tornando uma espécie de versão definitiva e merecida da "Liga da Justiça".
Ufa, agora sim temos um filme de verdade! Imperdível!
Não tem como não gostar de "Line of Duty", especialmente se você (como eu) foi um grande fã de "24 Horas"! Mas calma, nada é por acaso - para minha surpresa, eu já tinha comentado sobre as referências do criador dessa série em uma análise de outra de suas produções, a minissérie sensação de 2018, "Segurança em Jogo"da Netflix! É isso, criada por Jed Mercurio, "Line of Duty" é daquelas séries raras que prende a atenção da audiência pela dinâmica narrativa, pela inteligência de suas reviravoltas, pela tensão constante de sua sequências de ação e pela habilidade de se reinventar a cada temporada, mantendo um altíssimo nível do início ao fim. Olha, se prepare para não sair do sofá, pois são seis temporadas (com uma média de seis episódios cada) de muito (mas, muito) entretenimento de qualidade!
"Line of Duty" é um premiadíssimo drama britânico que, basicamente, mergulha no universo da corrupção policial. Após uma delicada incursão contraterrorista dar muito errado, o Sargento Steve Arnott (Martin Compston) se recusa a encobertar os erros de sua equipe. Ao ser hostilizado pelos seus superiores, Arnott então se transfere para uma unidade anti-corrupção da policia local comandada pelo peculiar superintendente Ted Hastings (Adrian Dunbar). Lançada em 2012 pela BBC, a série rapidamente se consolidou como uma das melhores obras policiais das últimas décadas, graças à sua capacidade excepcional de equilibrar mistério, ação e uma reflexão crítica sobre poder, ética e integridade institucional. Confira o trailer (em inglês):
Mercurio já é conhecido por uma escrita, ao mesmo tempo, sofisticada e criativa. Dessa vez ele entrega uma jornada ainda mais empolgante que "Segurança em Jogo" e sem perder sua marca registrada: oferecer um olhar minucioso sobre os meandros da corrupção policial e sobre as complexidades morais enfrentadas por aqueles que tentam combatê-la. A cada temporada, a série apresenta um caso diferente, com personagens centrais que trazem consigo uma narrativa própria, mergulhando profundamente em dilemas éticos, pontuando as relações de poder e escolhas difíceis que cada um precisa tomar ao longo da jornada. Porém, o núcleo permanente formado pelo trio de investigadores Steve Arnott, Kate Fleming (Vicky McClure) e Ted Hastings (Adrian Dunbar) funciona como a espinha dorsal de "Line of Duty", trazendo muito do conceito de antologia procedural, bem anos 2000, para a produção.
A série, impossível negar, se destaca especialmente pelo seu roteiro inteligente e elaborado, que raramente oferece respostas fáceis - mesmo exigindo uma certa suspensão da realidade graças a alguns atalhos dramáticos que Mercurio insiste em pegar. Repare como cada episódio é construído com muita precisão, repleto de diálogos rápidos e referências técnicas de investigação bastante detalhadas que criam um ritmo intenso, potencializado por reviravoltas, de fato, inesperadas. As entrevistas conduzidas pela equipe da AC-12, aliás, são particularmente memoráveis - filmadas em espaços claustrofóbicos e com enquadramentos fechados, elas aumentam a tensão e frequentemente geram momentos de grande impacto emocional e narrativo. Outro elemento marcante em "Line of Duty" é a excelência do elenco convidado a cada temporada: atores e atrizes consagrados como Keeley Hawes, Lennie James, Thandiwe Newton, Kelly Macdonald e até Stephen Graham tiveram interpretações brilhantes, trazendo complexidade aos seus personagens e deixando um forte legado para a história da série.
A direção ao longo das temporadas, mesmo com vários profissionais no comando, também mantém uma solidez e um refinamento elogiável. Os episódios contam com um trabalho excepcional de câmera, especialmente na construção das cenas de ação e das perseguições, que nunca se limitam ao mero espetáculo. Ao contrário, elas sempre servem à narrativa, reforçando a sensação de urgência e de perigo iminente enfrentado pelos personagens. Além de ser um mestre em narrativas como essa, Mercurio é também um observador sagaz dos conflitos internos de seus personagens, ou seja, os protagonistas carregam suas próprias sombras e lutas pessoais, sendo colocados à prova constantemente - é essa dinâmica que funciona como um elo praticamente inquebrável de uma temporada até a outra. Embora mantenha um ritmo empolgante e um tom bastante investigativo, a obra nunca deixa de apresentar reflexões críticas sobre temas contemporâneos, o que coloca "Line of Duty" em um patamar tão elevado entre as produções policiais que, para mim, entra no hall das melhores do gênero já produzidas! Sem exageros!
Com sua mistura impecável de suspense, drama e crítica, "Line of Duty" é mais um exemplo primoroso do que a televisão britânica é capaz de produzir de melhor!
Não tem como não gostar de "Line of Duty", especialmente se você (como eu) foi um grande fã de "24 Horas"! Mas calma, nada é por acaso - para minha surpresa, eu já tinha comentado sobre as referências do criador dessa série em uma análise de outra de suas produções, a minissérie sensação de 2018, "Segurança em Jogo"da Netflix! É isso, criada por Jed Mercurio, "Line of Duty" é daquelas séries raras que prende a atenção da audiência pela dinâmica narrativa, pela inteligência de suas reviravoltas, pela tensão constante de sua sequências de ação e pela habilidade de se reinventar a cada temporada, mantendo um altíssimo nível do início ao fim. Olha, se prepare para não sair do sofá, pois são seis temporadas (com uma média de seis episódios cada) de muito (mas, muito) entretenimento de qualidade!
"Line of Duty" é um premiadíssimo drama britânico que, basicamente, mergulha no universo da corrupção policial. Após uma delicada incursão contraterrorista dar muito errado, o Sargento Steve Arnott (Martin Compston) se recusa a encobertar os erros de sua equipe. Ao ser hostilizado pelos seus superiores, Arnott então se transfere para uma unidade anti-corrupção da policia local comandada pelo peculiar superintendente Ted Hastings (Adrian Dunbar). Lançada em 2012 pela BBC, a série rapidamente se consolidou como uma das melhores obras policiais das últimas décadas, graças à sua capacidade excepcional de equilibrar mistério, ação e uma reflexão crítica sobre poder, ética e integridade institucional. Confira o trailer (em inglês):
Mercurio já é conhecido por uma escrita, ao mesmo tempo, sofisticada e criativa. Dessa vez ele entrega uma jornada ainda mais empolgante que "Segurança em Jogo" e sem perder sua marca registrada: oferecer um olhar minucioso sobre os meandros da corrupção policial e sobre as complexidades morais enfrentadas por aqueles que tentam combatê-la. A cada temporada, a série apresenta um caso diferente, com personagens centrais que trazem consigo uma narrativa própria, mergulhando profundamente em dilemas éticos, pontuando as relações de poder e escolhas difíceis que cada um precisa tomar ao longo da jornada. Porém, o núcleo permanente formado pelo trio de investigadores Steve Arnott, Kate Fleming (Vicky McClure) e Ted Hastings (Adrian Dunbar) funciona como a espinha dorsal de "Line of Duty", trazendo muito do conceito de antologia procedural, bem anos 2000, para a produção.
A série, impossível negar, se destaca especialmente pelo seu roteiro inteligente e elaborado, que raramente oferece respostas fáceis - mesmo exigindo uma certa suspensão da realidade graças a alguns atalhos dramáticos que Mercurio insiste em pegar. Repare como cada episódio é construído com muita precisão, repleto de diálogos rápidos e referências técnicas de investigação bastante detalhadas que criam um ritmo intenso, potencializado por reviravoltas, de fato, inesperadas. As entrevistas conduzidas pela equipe da AC-12, aliás, são particularmente memoráveis - filmadas em espaços claustrofóbicos e com enquadramentos fechados, elas aumentam a tensão e frequentemente geram momentos de grande impacto emocional e narrativo. Outro elemento marcante em "Line of Duty" é a excelência do elenco convidado a cada temporada: atores e atrizes consagrados como Keeley Hawes, Lennie James, Thandiwe Newton, Kelly Macdonald e até Stephen Graham tiveram interpretações brilhantes, trazendo complexidade aos seus personagens e deixando um forte legado para a história da série.
A direção ao longo das temporadas, mesmo com vários profissionais no comando, também mantém uma solidez e um refinamento elogiável. Os episódios contam com um trabalho excepcional de câmera, especialmente na construção das cenas de ação e das perseguições, que nunca se limitam ao mero espetáculo. Ao contrário, elas sempre servem à narrativa, reforçando a sensação de urgência e de perigo iminente enfrentado pelos personagens. Além de ser um mestre em narrativas como essa, Mercurio é também um observador sagaz dos conflitos internos de seus personagens, ou seja, os protagonistas carregam suas próprias sombras e lutas pessoais, sendo colocados à prova constantemente - é essa dinâmica que funciona como um elo praticamente inquebrável de uma temporada até a outra. Embora mantenha um ritmo empolgante e um tom bastante investigativo, a obra nunca deixa de apresentar reflexões críticas sobre temas contemporâneos, o que coloca "Line of Duty" em um patamar tão elevado entre as produções policiais que, para mim, entra no hall das melhores do gênero já produzidas! Sem exageros!
Com sua mistura impecável de suspense, drama e crítica, "Line of Duty" é mais um exemplo primoroso do que a televisão britânica é capaz de produzir de melhor!
É inegável que existe dentro da Marvel uma certa orientação para a criatividade - em alguns projetos com IPs (propriedade intelectual) menos conhecidos (não necessariamente menos relevantes) é, inclusive, incentivado pesar um pouco na mão, arriscar, inovar narrativamente e até experimentar novas formas ou conceitos que de alguma maneira possam impactar na percepção da audiência e assim colocar o projeto mais em evidência. Aconteceu lá trás com "Guardiões da Galáxia" e mais recentemente com "WandaVision". Pois bem, "Lobisomem da Noite" certamente se encaixa dentro dessa linha e justamente por isso vai dividir opiniões - ou você vai gostar muito, ou vai achar bobo (tenho até uma tendência a imaginar que a maturidade de quem assiste vai impactar diretamente nesse julgamento).
Em uma noite escura e sombria, uma cabala secreta de caçadores de monstros emerge das sombras e se reúne no Templo Bloodstone após a morte de seu líder. Em um estranho e macabro memorial à vida do líder, os participantes são empurrados para uma misteriosa e mortal competição por uma relíquia poderosa – uma caçada que, em última análise, os colocará cara a cara com uma criatura das mais perigosas. Confira o trailer (em inglês):
Com pouco menos de uma hora de duração e embaixo do novo selo de "Especiais" da Marvel, "Lobisomem da Noite" marca a nova empreitada do compositor (vencedor do Oscar por "Up" e indicado por "Ratatouille") Michael Giacchino como diretor. Giacchino que carrega no seu invejável currículo trabalhos sensacionais como em "Batman" e "Lost" (só para citar dois dos mais referenciados), se aproveitou de uma surpreendente liberdade criativa para construir uma atmosfera que nos remete aos filmes de horror dos anos 30 da Universal - não apenas por ser em P&B (branco e preto), como também por emular algumas características nostálgicas de um filme em película e de uma estética narrativa bastante particular do gênero como, por exemplo, o longo close-up no rosto apavorado de Elsa Bloodstone (Laura Donnelly) que testemunha a esperada transformação de Jack Russell (Gael García Bernal) no Lobisomem.
A ideia de celebrar histórias de horror do cinema antigo com monstros clássicos como oLobisomem, Drácula e A Múmia, não surgiu por acaso. A partir de tramas mais curtas, a Marvel pretende ampliar seu universo e assim ir criando conexões com alguns personagens que serão inseridos na sua linha do tempo e em produções mais complexas como "Blade" e o "Cavaleiro Negro". Essa informação é muito importante até para darmos a devida importância ao "Lobisomem da Noite" - aqui não se trata de uma obra completa, com três atos estabelecidos e 100% desenvolvido, mas sim de uma peça (criativa) dentro de um jogo muito maior que, pouco a pouco, vai ser construído.
"Lobisomem na Noite" provavelmente não é o que você espera - nem um longa-metragem ele é, mas por outro lado é divertido dentro da sua simplicidade e aproveita muito bem do formato para contar uma história que vai te levar para algum lugar mais interessante muito em breve. O conceito visual se encaixa perfeitamente com a proposta de entregar uma viagem obscura de horror com elementos de ação e drama pontuando temas como vingança, legado e amizade. Como trabalho de estreia de Giacchino, uma agradável surpresa - tudo funciona perfeitamente e mesmo que alguns planos possam irritar aqueles mais tradicionais por sugerir mais do que mostrar, é inegável a qualidade cinematográfica que ele impõe para a produção.
Dito tudo isso, vale a pena experimentar "Lobisomem na Noite" sem perder de vista que sua importância só vai ser percebida lá na frente.
É inegável que existe dentro da Marvel uma certa orientação para a criatividade - em alguns projetos com IPs (propriedade intelectual) menos conhecidos (não necessariamente menos relevantes) é, inclusive, incentivado pesar um pouco na mão, arriscar, inovar narrativamente e até experimentar novas formas ou conceitos que de alguma maneira possam impactar na percepção da audiência e assim colocar o projeto mais em evidência. Aconteceu lá trás com "Guardiões da Galáxia" e mais recentemente com "WandaVision". Pois bem, "Lobisomem da Noite" certamente se encaixa dentro dessa linha e justamente por isso vai dividir opiniões - ou você vai gostar muito, ou vai achar bobo (tenho até uma tendência a imaginar que a maturidade de quem assiste vai impactar diretamente nesse julgamento).
Em uma noite escura e sombria, uma cabala secreta de caçadores de monstros emerge das sombras e se reúne no Templo Bloodstone após a morte de seu líder. Em um estranho e macabro memorial à vida do líder, os participantes são empurrados para uma misteriosa e mortal competição por uma relíquia poderosa – uma caçada que, em última análise, os colocará cara a cara com uma criatura das mais perigosas. Confira o trailer (em inglês):
Com pouco menos de uma hora de duração e embaixo do novo selo de "Especiais" da Marvel, "Lobisomem da Noite" marca a nova empreitada do compositor (vencedor do Oscar por "Up" e indicado por "Ratatouille") Michael Giacchino como diretor. Giacchino que carrega no seu invejável currículo trabalhos sensacionais como em "Batman" e "Lost" (só para citar dois dos mais referenciados), se aproveitou de uma surpreendente liberdade criativa para construir uma atmosfera que nos remete aos filmes de horror dos anos 30 da Universal - não apenas por ser em P&B (branco e preto), como também por emular algumas características nostálgicas de um filme em película e de uma estética narrativa bastante particular do gênero como, por exemplo, o longo close-up no rosto apavorado de Elsa Bloodstone (Laura Donnelly) que testemunha a esperada transformação de Jack Russell (Gael García Bernal) no Lobisomem.
A ideia de celebrar histórias de horror do cinema antigo com monstros clássicos como oLobisomem, Drácula e A Múmia, não surgiu por acaso. A partir de tramas mais curtas, a Marvel pretende ampliar seu universo e assim ir criando conexões com alguns personagens que serão inseridos na sua linha do tempo e em produções mais complexas como "Blade" e o "Cavaleiro Negro". Essa informação é muito importante até para darmos a devida importância ao "Lobisomem da Noite" - aqui não se trata de uma obra completa, com três atos estabelecidos e 100% desenvolvido, mas sim de uma peça (criativa) dentro de um jogo muito maior que, pouco a pouco, vai ser construído.
"Lobisomem na Noite" provavelmente não é o que você espera - nem um longa-metragem ele é, mas por outro lado é divertido dentro da sua simplicidade e aproveita muito bem do formato para contar uma história que vai te levar para algum lugar mais interessante muito em breve. O conceito visual se encaixa perfeitamente com a proposta de entregar uma viagem obscura de horror com elementos de ação e drama pontuando temas como vingança, legado e amizade. Como trabalho de estreia de Giacchino, uma agradável surpresa - tudo funciona perfeitamente e mesmo que alguns planos possam irritar aqueles mais tradicionais por sugerir mais do que mostrar, é inegável a qualidade cinematográfica que ele impõe para a produção.
Dito tudo isso, vale a pena experimentar "Lobisomem na Noite" sem perder de vista que sua importância só vai ser percebida lá na frente.
"Lupin" chega na Netflix para cobrir o gap deixado por "La Casa de Papel" e, de fato, deve conseguir. Essa série francesa é bem divertida e rápida - já que vem com apenas 5 episódios de 40 minutos, seguindo a mesma estratégia da sua antecessora espanhola, de dividir uma temporada em "partes". Só para contextualizar, é preciso pontuar a importância do famoso personagem literário, criado porMaurice Leblanc, Arsène Lupin - ele é uma espécie de Sherlock Holmes francês as avessas, um ladrão sofisticado e esperto, especialmente habilidoso na arte dos disfarces.
Pois bem, na série, acompanhamos Assane Diop (Omar Sy), um imigrante senegalês que, na adolescência, viu seu pai ser incriminado (injustamente) pelo roubo de um colar valioso pela poderosa família endinheirada e mesquinha de quem era motorista particular. Antes de ser mandado para a prisão, porém, Diop deixou um último presente para o filho: um romance de Arsène Lupin. Respeitando a obra como o último vínculo afetivo com seu pai, Assane transforma as histórias de Lupin em inspiração para elaborar sua vingança contra os responsáveis por sujar a honra de sua família. Confira o trailer:
Um elemento narrativo que me chamou a atenção e que tem que ser destacado é que "Lupin" não tem a menor preocupação em criar explicações "técnicas" para justificar as ações do protagonista como fazia, mesmo que fantasiosamente, o roteiro de "La Casa de Papel"; ou seja, não se preocupe com a veracidade, embarque na fantasia, porque a série propositalmente manipula o misticismo em torno do legado original de Lupin, transformando a história de Assane em uma homenagem ao clássico personagem.
Antes de finalizar vale o registro: Omar Sy esbanja carisma e acrescenta uma dose de malícia ao personagem que fica difícil não torcer para o sucesso dos seus crimes. Golaço na escolha do protagonista dessa produção de extrema qualidade visual, com uma fotografia que "abusa" de uma Paris cinematográfica e que tem um roteiro fácil e dinâmico! Vale muito a pena pelo entretenimento puro e pela diversão sem compromisso!
"Lupin" chega na Netflix para cobrir o gap deixado por "La Casa de Papel" e, de fato, deve conseguir. Essa série francesa é bem divertida e rápida - já que vem com apenas 5 episódios de 40 minutos, seguindo a mesma estratégia da sua antecessora espanhola, de dividir uma temporada em "partes". Só para contextualizar, é preciso pontuar a importância do famoso personagem literário, criado porMaurice Leblanc, Arsène Lupin - ele é uma espécie de Sherlock Holmes francês as avessas, um ladrão sofisticado e esperto, especialmente habilidoso na arte dos disfarces.
Pois bem, na série, acompanhamos Assane Diop (Omar Sy), um imigrante senegalês que, na adolescência, viu seu pai ser incriminado (injustamente) pelo roubo de um colar valioso pela poderosa família endinheirada e mesquinha de quem era motorista particular. Antes de ser mandado para a prisão, porém, Diop deixou um último presente para o filho: um romance de Arsène Lupin. Respeitando a obra como o último vínculo afetivo com seu pai, Assane transforma as histórias de Lupin em inspiração para elaborar sua vingança contra os responsáveis por sujar a honra de sua família. Confira o trailer:
Um elemento narrativo que me chamou a atenção e que tem que ser destacado é que "Lupin" não tem a menor preocupação em criar explicações "técnicas" para justificar as ações do protagonista como fazia, mesmo que fantasiosamente, o roteiro de "La Casa de Papel"; ou seja, não se preocupe com a veracidade, embarque na fantasia, porque a série propositalmente manipula o misticismo em torno do legado original de Lupin, transformando a história de Assane em uma homenagem ao clássico personagem.
Antes de finalizar vale o registro: Omar Sy esbanja carisma e acrescenta uma dose de malícia ao personagem que fica difícil não torcer para o sucesso dos seus crimes. Golaço na escolha do protagonista dessa produção de extrema qualidade visual, com uma fotografia que "abusa" de uma Paris cinematográfica e que tem um roteiro fácil e dinâmico! Vale muito a pena pelo entretenimento puro e pela diversão sem compromisso!
Antes de falar de "Magnatas do Crime" gostaria de contextualizar o que representará assistir esse filme do diretor Guy Ritchie. Em 2000, quando assisti "Snatch: Porcos e Diamantes" nos cinemas, foi como se minha cabeça explodisse! Era um conceito visual tão diferente e tão alinhado àquela narrativa dinâmica e envolvente, que logo trouxe Ritchie para a minha lista de diretores favoritos. Sinceramente não sei explicar o que acabou me afastando de seus filmes, mas nada que veio depois me impactou, até assistir "Magnatas do Crime"! De fato não existe nada de novo, mas por outro lado fica muito claro, logo nos primeiros minutos, que aquela identidade de "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes" e de "Snatch" está de volta e eu diria: no melhor da sua forma!
Na história acompanhamos Michael Pearson (Matthew McConaughey). Elegante como sempre, Pearson está tentando vender o seu império de produção de maconha no Reino Unido, mas percebe que se aposentar em um mercado como esse não é (e nem será) tarefa das mais fáceis. O preço que ele está pedindo soa alto para os potenciais compradores e claro, os interessados no negócio são candidatos a se tornar verdadeiros chefões das drogas, com isso criasse uma espécie de caos, onde quem quer comprar faz de tudo para o preço baixar e quem quer vender não abre mão do valor e do potencial do negócio, mesmo que para isso, seja preciso, digamos, fazer um trabalho sujo! Confira o trailer (em inglês):
O mais bacana do filme, para mim, foi encontrar um Guy Ritchie no que ele sabe fazer de melhor: usar o plot central de um roteiro (que ele mesmo escreveu), para explorar todas as suas possibilidades em diversas ramificações. Isso não é apresentado de maneira simples, é preciso dizer, e muito menos de forma linear, porém tudo funciona tão orgânico que a cada movimento somos surpreendidos pelas reviravoltas da história e quando as peças resolvem se encaixar, tudo faz sentido! Como em "Snatch", por exemplo, não é o "fim" seu maior mérito, mas a "jornada"!
Entretenimento de ótima qualidade com a assinatura de um diretor (e roteirista) talentoso que pode ter se perdido no meio de suas próprias ambições, mas que se reencontrou e foi capaz de nos entregar diversão do começo ao fim!
Quando Fletcher (Hugh Grant) surge inesperadamente e praticamente força Ray (Charlie Hunnam) a escutar sua história, não sabemos exatamente se estamos escutando o que realmente aconteceu, se é um roteiro de cinema ou as duas coisas se confundindo de acordo com a vontade do seu autor. Essa confusão em um primeiro momento pode parecer enfadonha, mas acredite: não é! Fletcher é o fio condutor de uma trama caótica, porém muito bem organizada por uma montagem digna de prêmios. Tanto os flashbacks, quanto as repetições de cenas por um ponto de vista diferente, funcionam perfeitamente em pró da narrativa - não são muletas, são artifícios bem desenvolvidos pelo diretor e que transformam nossa experiência! Reparem!
O elenco dá um verdadeiro show com atuações no tom exato para o gênero - o que vai te roubar ótimas risadas, inclusive. Matthew McConaughey, Hugh Grant, Charlie Hunnam e Colin Farrell (Coach) estão impagáveis! A própria Michelle Dockery e o sempre competente Jeremy Strong funcionam perfeitamente para a narrativa, mesmo com pouco tempo de tela. O figurino é outro elemento que merece atenção: ele trás um tom farsesco para o filme, transformando a caracterização exagerada em atitude do personagem - como se as tribos fossem separadas pelo que vestem, não pelo que são ou pelo que falam!
"The Gentlemen" (título original) é inteligente, irônico e até um pouco audacioso se levarmos em conta que a narrativa é totalmente desconstruída até voltar a fazer sentido no terceiro ato. Mesmo navegando em aguas que lhe trazem segurança, Guy Ritchie prova sua importância para o roteiro dos novatos na função, Ivan Atkinson e Marn Davies, da mesma forma que interfere no trabalho dos seus montadores: o parceiro de longa data, James Herbert, e o seu novo respiro conceitual, Paul Machliss.
Resumindo: "Magnatas do Crime" é um filme de Guy Ritchie da mesma forma que "Era uma vez em Hollywood" é do Tarantino!
Antes de falar de "Magnatas do Crime" gostaria de contextualizar o que representará assistir esse filme do diretor Guy Ritchie. Em 2000, quando assisti "Snatch: Porcos e Diamantes" nos cinemas, foi como se minha cabeça explodisse! Era um conceito visual tão diferente e tão alinhado àquela narrativa dinâmica e envolvente, que logo trouxe Ritchie para a minha lista de diretores favoritos. Sinceramente não sei explicar o que acabou me afastando de seus filmes, mas nada que veio depois me impactou, até assistir "Magnatas do Crime"! De fato não existe nada de novo, mas por outro lado fica muito claro, logo nos primeiros minutos, que aquela identidade de "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes" e de "Snatch" está de volta e eu diria: no melhor da sua forma!
Na história acompanhamos Michael Pearson (Matthew McConaughey). Elegante como sempre, Pearson está tentando vender o seu império de produção de maconha no Reino Unido, mas percebe que se aposentar em um mercado como esse não é (e nem será) tarefa das mais fáceis. O preço que ele está pedindo soa alto para os potenciais compradores e claro, os interessados no negócio são candidatos a se tornar verdadeiros chefões das drogas, com isso criasse uma espécie de caos, onde quem quer comprar faz de tudo para o preço baixar e quem quer vender não abre mão do valor e do potencial do negócio, mesmo que para isso, seja preciso, digamos, fazer um trabalho sujo! Confira o trailer (em inglês):
O mais bacana do filme, para mim, foi encontrar um Guy Ritchie no que ele sabe fazer de melhor: usar o plot central de um roteiro (que ele mesmo escreveu), para explorar todas as suas possibilidades em diversas ramificações. Isso não é apresentado de maneira simples, é preciso dizer, e muito menos de forma linear, porém tudo funciona tão orgânico que a cada movimento somos surpreendidos pelas reviravoltas da história e quando as peças resolvem se encaixar, tudo faz sentido! Como em "Snatch", por exemplo, não é o "fim" seu maior mérito, mas a "jornada"!
Entretenimento de ótima qualidade com a assinatura de um diretor (e roteirista) talentoso que pode ter se perdido no meio de suas próprias ambições, mas que se reencontrou e foi capaz de nos entregar diversão do começo ao fim!
Quando Fletcher (Hugh Grant) surge inesperadamente e praticamente força Ray (Charlie Hunnam) a escutar sua história, não sabemos exatamente se estamos escutando o que realmente aconteceu, se é um roteiro de cinema ou as duas coisas se confundindo de acordo com a vontade do seu autor. Essa confusão em um primeiro momento pode parecer enfadonha, mas acredite: não é! Fletcher é o fio condutor de uma trama caótica, porém muito bem organizada por uma montagem digna de prêmios. Tanto os flashbacks, quanto as repetições de cenas por um ponto de vista diferente, funcionam perfeitamente em pró da narrativa - não são muletas, são artifícios bem desenvolvidos pelo diretor e que transformam nossa experiência! Reparem!
O elenco dá um verdadeiro show com atuações no tom exato para o gênero - o que vai te roubar ótimas risadas, inclusive. Matthew McConaughey, Hugh Grant, Charlie Hunnam e Colin Farrell (Coach) estão impagáveis! A própria Michelle Dockery e o sempre competente Jeremy Strong funcionam perfeitamente para a narrativa, mesmo com pouco tempo de tela. O figurino é outro elemento que merece atenção: ele trás um tom farsesco para o filme, transformando a caracterização exagerada em atitude do personagem - como se as tribos fossem separadas pelo que vestem, não pelo que são ou pelo que falam!
"The Gentlemen" (título original) é inteligente, irônico e até um pouco audacioso se levarmos em conta que a narrativa é totalmente desconstruída até voltar a fazer sentido no terceiro ato. Mesmo navegando em aguas que lhe trazem segurança, Guy Ritchie prova sua importância para o roteiro dos novatos na função, Ivan Atkinson e Marn Davies, da mesma forma que interfere no trabalho dos seus montadores: o parceiro de longa data, James Herbert, e o seu novo respiro conceitual, Paul Machliss.
Resumindo: "Magnatas do Crime" é um filme de Guy Ritchie da mesma forma que "Era uma vez em Hollywood" é do Tarantino!
Desde o lançamento do trailer, "Messiah" chamou atenção em dois aspectos: trazia uma discussão extremamente criativa (e se o Messias retornasse nos dias de hoje com toda essa tecnologia de disseminação de informação - inclusive as "fake news"?) e pelo nível de produção que colocou o projeto como o primeiro grande lançamento da Netflix para ano de 2020.
A série conta a história de um homem (Mehdi Dehbi) que surge em meio a um conflito no Oriente Médio e chama a atenção do mundo pelos seus supostos milagres e sua mensagem de paz. Com um número de seguidores cada vez maior, todos os seus passos se tornam um evento e um perigo iminente - afinal não se sabe a verdadeira origem desse (falso?) profeta e o que ele será capaz de fazer com a multidão que o acompanha! Uma agente da CIA (Michelle Monaghan) começa uma investigação e com a "ajuda" do FBI acaba se infiltrando em uma enorme rede de conspiração politica, religiosa e ideológica com o único objetivo de desmascarar Al-Massih. A série tem elementos muito parecidos com "Homeland", então se você acompanhou a história de Brody e Carrie é bem provável que você não vá conseguir parar de assistir "Messiah".
Talvez o ponto alto de "Messiah" seja o seu roteiro. Em muitos momentos a idéia inicial parece que não vai se sustentar ou que alguns personagens surgem e não dão o fôlego que a trama precisa - olha, é um grande engano. Tudo vai se encaixando e movendo a história para frente com muita inteligência. É claro que é o tipo da série que exige uma certa suspensão da realidade, mas a jornada do tal Al-Massih é tão bem desenhada que fica impossível cravar se o personagem é ou não um vilão - e foi aí que me veio a primeira lembrança de "Homeland": com o retorno de Brody e todo mistério sobre seu personagem, o roteiro nos levava de um lado ao outro a cada episódio: essa dúvida constante nos prendia e nos obrigava a assistir ao próximo episódio - "Messiah" faz exatamente a mesma coisa! Quando vamos perdendo o interesse ou algo vai ficando claro demais, surge uma cena cena-chave ou uma nova informação que nos faz repensar a história! Talvez a personagem Eva (a agente da CIA que investiga o caso) não seja tão complexa quanto a Carrie, da excelente Claire Danes, mas mesmo assim é perceptível o conflito interno entre trabalho e vida pessoal da mesma forma, sem falar nos fantasmas do passado - um ponto muito interessante das duas personagens e que, ao fragiliza-las, reforça um drama paralelo, humanizando suas posturas e que sempre rendem ótimas cenas.
A dinâmica da história, mostrando dois núcleos: um no Oriente Médio e outro nos EUA, também trazem aquele tom de suspense e drama de "Homeland" - inclusive com os flashbacks bem pontuais que ajudam a contar um ou outro lado da história ou de um personagem e que compõem muito bem esse enorme quebra-cabeça. Reparem como nunca um episódio começa exatamente onde o anterior terminou. Sempre é dada mais uma informação no prólogo que, inclusive, parece completamente desconexa da história, mas que no final justifica uma ação ou decisão de algum personagem e capaz de modificar o rumo da história - essa técnica é um ótimo exemplo de roteiro bem planejado! Se atentem ao exame de tumor no inicio da temporada!
A produção da série é enorme, além de réplicas perfeitas de determinadas locações, a equipe filmou em Israel, na Palestina e na Jordânia (além dos EUA, claro) - isso só valida que"Messiah" não chegou para ser mais uma série de catálogo (só não entendo porque o marketing não foi mais agressivo, mas ok)! Os efeitos especiais não são perfeitos, mas estão longe de serem mal executados - a cena do Tornado é um ótimo exemplo de um bom resultado. A tempestade de areia também não foi tão ruim nos planos fechados, mas no aberto ficou um pouco estranho. As explosões funcionam bem e não devem incomodar. A direção em si é excelente - James McTeigue (Sense8) e Kate Woods (Castle) entregam ação, drama, suspense com planos muito bem elaborados e de extremo bom gosto. Até as sequências mais complicadas são muito bem realizadas - reparem na cena da Mesquita do episódio 9, vejam como ela cria uma certa tensão e como seu resultado final é avassalador e quebra uma expectativa que nos faz querer assistir o próximo imediatamente! Mais uma vez, se você assistiu "Homeland" as referências são claras e diretas - impossível não lembrar do final da primeira temporada!
Bom, dito tudo isso, eu posso garantir que "Messiah" vale a maratona e que o entretenimento está garantido! São dez episódios de 45 minutos em média, com "viradas surpreendentes" que nos mantém ligados em cada detalhe - é ótimo assistir uma série onde nada é jogado fora, mesmo que seja "apenas" para construir um sentimento em quem assiste e que pode até não interferir tanto no arco maior (o caso da menina com câncer é um bom exemplo)!
Boa diversão!
Up-date: Infelizmente no dia 17/04/2020 a Netflix informou o cancelamento da série com apenas uma temporada!
Desde o lançamento do trailer, "Messiah" chamou atenção em dois aspectos: trazia uma discussão extremamente criativa (e se o Messias retornasse nos dias de hoje com toda essa tecnologia de disseminação de informação - inclusive as "fake news"?) e pelo nível de produção que colocou o projeto como o primeiro grande lançamento da Netflix para ano de 2020.
A série conta a história de um homem (Mehdi Dehbi) que surge em meio a um conflito no Oriente Médio e chama a atenção do mundo pelos seus supostos milagres e sua mensagem de paz. Com um número de seguidores cada vez maior, todos os seus passos se tornam um evento e um perigo iminente - afinal não se sabe a verdadeira origem desse (falso?) profeta e o que ele será capaz de fazer com a multidão que o acompanha! Uma agente da CIA (Michelle Monaghan) começa uma investigação e com a "ajuda" do FBI acaba se infiltrando em uma enorme rede de conspiração politica, religiosa e ideológica com o único objetivo de desmascarar Al-Massih. A série tem elementos muito parecidos com "Homeland", então se você acompanhou a história de Brody e Carrie é bem provável que você não vá conseguir parar de assistir "Messiah".
Talvez o ponto alto de "Messiah" seja o seu roteiro. Em muitos momentos a idéia inicial parece que não vai se sustentar ou que alguns personagens surgem e não dão o fôlego que a trama precisa - olha, é um grande engano. Tudo vai se encaixando e movendo a história para frente com muita inteligência. É claro que é o tipo da série que exige uma certa suspensão da realidade, mas a jornada do tal Al-Massih é tão bem desenhada que fica impossível cravar se o personagem é ou não um vilão - e foi aí que me veio a primeira lembrança de "Homeland": com o retorno de Brody e todo mistério sobre seu personagem, o roteiro nos levava de um lado ao outro a cada episódio: essa dúvida constante nos prendia e nos obrigava a assistir ao próximo episódio - "Messiah" faz exatamente a mesma coisa! Quando vamos perdendo o interesse ou algo vai ficando claro demais, surge uma cena cena-chave ou uma nova informação que nos faz repensar a história! Talvez a personagem Eva (a agente da CIA que investiga o caso) não seja tão complexa quanto a Carrie, da excelente Claire Danes, mas mesmo assim é perceptível o conflito interno entre trabalho e vida pessoal da mesma forma, sem falar nos fantasmas do passado - um ponto muito interessante das duas personagens e que, ao fragiliza-las, reforça um drama paralelo, humanizando suas posturas e que sempre rendem ótimas cenas.
A dinâmica da história, mostrando dois núcleos: um no Oriente Médio e outro nos EUA, também trazem aquele tom de suspense e drama de "Homeland" - inclusive com os flashbacks bem pontuais que ajudam a contar um ou outro lado da história ou de um personagem e que compõem muito bem esse enorme quebra-cabeça. Reparem como nunca um episódio começa exatamente onde o anterior terminou. Sempre é dada mais uma informação no prólogo que, inclusive, parece completamente desconexa da história, mas que no final justifica uma ação ou decisão de algum personagem e capaz de modificar o rumo da história - essa técnica é um ótimo exemplo de roteiro bem planejado! Se atentem ao exame de tumor no inicio da temporada!
A produção da série é enorme, além de réplicas perfeitas de determinadas locações, a equipe filmou em Israel, na Palestina e na Jordânia (além dos EUA, claro) - isso só valida que"Messiah" não chegou para ser mais uma série de catálogo (só não entendo porque o marketing não foi mais agressivo, mas ok)! Os efeitos especiais não são perfeitos, mas estão longe de serem mal executados - a cena do Tornado é um ótimo exemplo de um bom resultado. A tempestade de areia também não foi tão ruim nos planos fechados, mas no aberto ficou um pouco estranho. As explosões funcionam bem e não devem incomodar. A direção em si é excelente - James McTeigue (Sense8) e Kate Woods (Castle) entregam ação, drama, suspense com planos muito bem elaborados e de extremo bom gosto. Até as sequências mais complicadas são muito bem realizadas - reparem na cena da Mesquita do episódio 9, vejam como ela cria uma certa tensão e como seu resultado final é avassalador e quebra uma expectativa que nos faz querer assistir o próximo imediatamente! Mais uma vez, se você assistiu "Homeland" as referências são claras e diretas - impossível não lembrar do final da primeira temporada!
Bom, dito tudo isso, eu posso garantir que "Messiah" vale a maratona e que o entretenimento está garantido! São dez episódios de 45 minutos em média, com "viradas surpreendentes" que nos mantém ligados em cada detalhe - é ótimo assistir uma série onde nada é jogado fora, mesmo que seja "apenas" para construir um sentimento em quem assiste e que pode até não interferir tanto no arco maior (o caso da menina com câncer é um bom exemplo)!
Boa diversão!
Up-date: Infelizmente no dia 17/04/2020 a Netflix informou o cancelamento da série com apenas uma temporada!