"Homem-Aranha: Longe de Casa" é, sem dúvida, um dos melhores filmes do Universo Marvel no Cinema! Pode parecer exagerado ou até empolgação depois de uma "obra de arte" como "Vingadores Ultimato", mas não; posso te garantir que o segundo filme do Homem-Aranha é daqueles acertos que agradam à todos pelo seu equilíbrio narrativo e pela qualidade técnica, ou seja, a história é muito boa e o visual melhor ainda!!! Mais um acerto - o que parece redundante, vale dizer!
Anunciado como um Epílogo para a Fase 3, após os acontecimentos do último "Vingadores", "Homem-Aranha: Longe de Casa" está muito bem amarrado como arco narrativo e como desenvolvimento de personagem (no caso, a ascensão do Homem Aranha dentro da equipe e a promessa intelectual de Peter Parker assumir responsabilidades que antes eram do Stark). É preciso dizer que o reboot (o terceiro) do herói pareceu prematuro, mas o tempo provou ter sido uma decisão correta, pois a identificação do público com um personagem mais jovem, com tantas descobertas e inseguranças, foi imediata - e olha, nesse filme eles acertam o tom de uma forma surpreendente. O filme é leve ao mesmo tempo que é dinâmico. Os personagens são extremamente carismáticos, humanos e os alívios cômicos estão muito bem pontuados. Eu diria que "Homem-Aranha: Longe de Casa" é ainda melhor que o primeiro filme e que Tom Holland é, definitivamente, o melhor Homem-Aranha dos últimos tempos.
Em meio a ressaca de "Ultimato" e todas as perdas tão doloridas para a humanidade, o planeta começa a sofrer uma série de ataques de Monstros Elementais. É quando surge um novo "herói" chamado Mystério (Jake Gyllenhaal). Ele parece ser a única esperança de deter essas criaturas e isso deixa Nick Fury preocupado. Para que os Vingadores não sejam esquecidos ou fragilizados na presença de um desconhecido, ele vai atrás do Homem-Aranha para representar a equipe e se unir a Mystério nessa luta. Acontece que Parker também está abalado com o que aconteceu na batalha com Thanos e, aproveitando um programa de reintegração dos alunos que ficaram fora do mundo por cinco anos depois de "Guerra Infinita", deseja sair de férias com os amigos em um tour pela Europa. - aqui cabe um comentário: eles amarraram tão bem os dois filmes finais dos Vingadores e inseriram esses fatos melhor ainda no Epílogo - um show de planejamento! Bem, voltando... Com a pressão de Fury e o medo de colocar em risco seus amigos, Parker resolve abraçar a causa e lutar ao lado de Mystério. Acontece que as coisas não são exatamente como Parker imagina e aqui eu me sinto obrigado a parar para não estragar a sua experiência de assistir essa dualidade de sentimentos que o personagem vive no filme. Só te adianto, vem um show pela frente: nas cenas de ação, na qualidade dos efeitos (CG) e na forma como o arco, mais uma vez, se fecha!
"Homem-Aranha: Longe de Casa" é um grande filme, merece ser assistido no cinema e abre caminho para uma nova fase do MCU que parece ser ainda mais promissora, pois vai trazer muito dos "Universos Paralelos" dos quadrinhos e quem sabe até um resgate do sucesso da recente animação do "Aranhaverso". Olha, nada mais me surpreenderia (rs), pois a Marvel já me provou que tudo acontece por um motivo nos (vários) filmes que compõem o seu Universo, eles sabem muito bem o que estão fazendo e conhecem melhor ainda o potencial dos seus personagens e das suas sagas!!!
Que venham muitos outros grandes filmes!!!
"Homem-Aranha: Longe de Casa" é, sem dúvida, um dos melhores filmes do Universo Marvel no Cinema! Pode parecer exagerado ou até empolgação depois de uma "obra de arte" como "Vingadores Ultimato", mas não; posso te garantir que o segundo filme do Homem-Aranha é daqueles acertos que agradam à todos pelo seu equilíbrio narrativo e pela qualidade técnica, ou seja, a história é muito boa e o visual melhor ainda!!! Mais um acerto - o que parece redundante, vale dizer!
Anunciado como um Epílogo para a Fase 3, após os acontecimentos do último "Vingadores", "Homem-Aranha: Longe de Casa" está muito bem amarrado como arco narrativo e como desenvolvimento de personagem (no caso, a ascensão do Homem Aranha dentro da equipe e a promessa intelectual de Peter Parker assumir responsabilidades que antes eram do Stark). É preciso dizer que o reboot (o terceiro) do herói pareceu prematuro, mas o tempo provou ter sido uma decisão correta, pois a identificação do público com um personagem mais jovem, com tantas descobertas e inseguranças, foi imediata - e olha, nesse filme eles acertam o tom de uma forma surpreendente. O filme é leve ao mesmo tempo que é dinâmico. Os personagens são extremamente carismáticos, humanos e os alívios cômicos estão muito bem pontuados. Eu diria que "Homem-Aranha: Longe de Casa" é ainda melhor que o primeiro filme e que Tom Holland é, definitivamente, o melhor Homem-Aranha dos últimos tempos.
Em meio a ressaca de "Ultimato" e todas as perdas tão doloridas para a humanidade, o planeta começa a sofrer uma série de ataques de Monstros Elementais. É quando surge um novo "herói" chamado Mystério (Jake Gyllenhaal). Ele parece ser a única esperança de deter essas criaturas e isso deixa Nick Fury preocupado. Para que os Vingadores não sejam esquecidos ou fragilizados na presença de um desconhecido, ele vai atrás do Homem-Aranha para representar a equipe e se unir a Mystério nessa luta. Acontece que Parker também está abalado com o que aconteceu na batalha com Thanos e, aproveitando um programa de reintegração dos alunos que ficaram fora do mundo por cinco anos depois de "Guerra Infinita", deseja sair de férias com os amigos em um tour pela Europa. - aqui cabe um comentário: eles amarraram tão bem os dois filmes finais dos Vingadores e inseriram esses fatos melhor ainda no Epílogo - um show de planejamento! Bem, voltando... Com a pressão de Fury e o medo de colocar em risco seus amigos, Parker resolve abraçar a causa e lutar ao lado de Mystério. Acontece que as coisas não são exatamente como Parker imagina e aqui eu me sinto obrigado a parar para não estragar a sua experiência de assistir essa dualidade de sentimentos que o personagem vive no filme. Só te adianto, vem um show pela frente: nas cenas de ação, na qualidade dos efeitos (CG) e na forma como o arco, mais uma vez, se fecha!
"Homem-Aranha: Longe de Casa" é um grande filme, merece ser assistido no cinema e abre caminho para uma nova fase do MCU que parece ser ainda mais promissora, pois vai trazer muito dos "Universos Paralelos" dos quadrinhos e quem sabe até um resgate do sucesso da recente animação do "Aranhaverso". Olha, nada mais me surpreenderia (rs), pois a Marvel já me provou que tudo acontece por um motivo nos (vários) filmes que compõem o seu Universo, eles sabem muito bem o que estão fazendo e conhecem melhor ainda o potencial dos seus personagens e das suas sagas!!!
Que venham muitos outros grandes filmes!!!
"Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" sem dúvida é um dos melhores filmes do gênero já produzidos! Além de um excelente entretenimento se pensarmos no filme como algo isolado, seu caráter nostálgico também transforma nossa experiência como audiência em algo ainda mais divertido, já que a história recupera a essência e ajusta os caminhos de outras versões do herói que ficaram pelo caminho - eu diria até que "Sem Volta para Casa" serve quase como uma recompensa para quem assistiu os filmes do Homem-Aranha por tanto tempo.
Graças ao que aconteceu no final de "Longe de Casa", Peter Parker (Tom Holland) precisa lidar com as consequências de ter sua identidade como o herói revelada. Incapaz de separar sua vida normal das responsabilidade de ser um super-herói, além de ter sua reputação arruinada pela versão tendenciosa do Clarim, onde ele é acusado de ter matado Mysterio, Parker pede ao Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) que intervenha com alguma magia e assim faça com que todos esqueçam sua verdadeira identidade. Entretanto, o feitiço não sai como planejado e a situação torna-se ainda mais perigosa quando vilões de outros universos acabam indo parar no seu mundo. Agora, Peter não só precisa deter os vilões de suas outras versões, como também aprender que, com grandes poderes, realmente, vem grandes responsabilidades. Confira o trailer:
A título de curiosidade, "Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" é uma espécie de livre adaptação de uma HQ que gerou muita controvérsia em 2007 chamada “Um Dia a Mais”. Aproveitando muito do seu conceito narrativo e cruzando com o planejamento da Marvel de explorar o Multiverso, o filme substitui Mefisto por Doutor Estranho, mas não deixa de pontuar no roteiro algumas passagens interessantes da história clássica (aqui apresentadas em outras versões do herói) sem descaraterizar a atual - alguns fãs mais, digamos, ferrenhos, até criticaram essa escolha, mas, pessoalmente, eu achei interessante, coerente e corajosa.
O diretor Jon Watts, como nos filmes anteriores, aproveita de uma dinâmica visual extremamente moderna tecnicamente para nos colocar ao lado do herói em todos os movimentos que ele faz pelos arranhas-céu de Nova York - essa predileção de Watts por nos provocar essa sensação de liberdade sempre foi algo a se observar, mas me parece que nesse filme ele subiu um degrau (mesmo com um ou outro CG duvidoso) - tem um plano, mais aberto, onde o Homem-Aranha se movimenta com suas teias com um pôr do sol ao fundo que é belíssimo. Outro elemento que o diretor domina e que tem o auxilio do roteiro de seus companheiros de longa data, Chris McKenna e Erik Sommers, sem dúvida, é a pausa correta para que humor espirituoso que enriquece os alívios cômicos funcionem sempre - a própria Marvel deveria aprender mais com a produção da Sony.
"Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" tem um toque de leveza (sem trocadilhos) que é empolgante e em cada gatilho visual, nossa relação com o filme só melhora - embora sem muita razão de acontecer, até a aparição de Charlie Cox faz sentido dentro do nosso coração de fã. A proposta da Marvel sempre foi transformar seu MCU em uma experiência própria, uma espécie de "série" que aproveita das salas de cinema (e agora do streaming) para construir algo maior e marcante para o imaginário coletivo, fantasiada de herói e divertida como uma boa história de HQ - e essa trilogia de "Homem-Aranha" cumpre muito bem esse papel e fecha com chave-de-ouro a jornada do herói!
Vale muito seu play!
"Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" sem dúvida é um dos melhores filmes do gênero já produzidos! Além de um excelente entretenimento se pensarmos no filme como algo isolado, seu caráter nostálgico também transforma nossa experiência como audiência em algo ainda mais divertido, já que a história recupera a essência e ajusta os caminhos de outras versões do herói que ficaram pelo caminho - eu diria até que "Sem Volta para Casa" serve quase como uma recompensa para quem assistiu os filmes do Homem-Aranha por tanto tempo.
Graças ao que aconteceu no final de "Longe de Casa", Peter Parker (Tom Holland) precisa lidar com as consequências de ter sua identidade como o herói revelada. Incapaz de separar sua vida normal das responsabilidade de ser um super-herói, além de ter sua reputação arruinada pela versão tendenciosa do Clarim, onde ele é acusado de ter matado Mysterio, Parker pede ao Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) que intervenha com alguma magia e assim faça com que todos esqueçam sua verdadeira identidade. Entretanto, o feitiço não sai como planejado e a situação torna-se ainda mais perigosa quando vilões de outros universos acabam indo parar no seu mundo. Agora, Peter não só precisa deter os vilões de suas outras versões, como também aprender que, com grandes poderes, realmente, vem grandes responsabilidades. Confira o trailer:
A título de curiosidade, "Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" é uma espécie de livre adaptação de uma HQ que gerou muita controvérsia em 2007 chamada “Um Dia a Mais”. Aproveitando muito do seu conceito narrativo e cruzando com o planejamento da Marvel de explorar o Multiverso, o filme substitui Mefisto por Doutor Estranho, mas não deixa de pontuar no roteiro algumas passagens interessantes da história clássica (aqui apresentadas em outras versões do herói) sem descaraterizar a atual - alguns fãs mais, digamos, ferrenhos, até criticaram essa escolha, mas, pessoalmente, eu achei interessante, coerente e corajosa.
O diretor Jon Watts, como nos filmes anteriores, aproveita de uma dinâmica visual extremamente moderna tecnicamente para nos colocar ao lado do herói em todos os movimentos que ele faz pelos arranhas-céu de Nova York - essa predileção de Watts por nos provocar essa sensação de liberdade sempre foi algo a se observar, mas me parece que nesse filme ele subiu um degrau (mesmo com um ou outro CG duvidoso) - tem um plano, mais aberto, onde o Homem-Aranha se movimenta com suas teias com um pôr do sol ao fundo que é belíssimo. Outro elemento que o diretor domina e que tem o auxilio do roteiro de seus companheiros de longa data, Chris McKenna e Erik Sommers, sem dúvida, é a pausa correta para que humor espirituoso que enriquece os alívios cômicos funcionem sempre - a própria Marvel deveria aprender mais com a produção da Sony.
"Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" tem um toque de leveza (sem trocadilhos) que é empolgante e em cada gatilho visual, nossa relação com o filme só melhora - embora sem muita razão de acontecer, até a aparição de Charlie Cox faz sentido dentro do nosso coração de fã. A proposta da Marvel sempre foi transformar seu MCU em uma experiência própria, uma espécie de "série" que aproveita das salas de cinema (e agora do streaming) para construir algo maior e marcante para o imaginário coletivo, fantasiada de herói e divertida como uma boa história de HQ - e essa trilogia de "Homem-Aranha" cumpre muito bem esse papel e fecha com chave-de-ouro a jornada do herói!
Vale muito seu play!
Se você está em busca de um bom entretenimento sobre assaltos espetaculares em uma mistura de ação com algum drama, "Ida Red - O Preço da Liberdade" pode ser uma boa pedida - mas te adianto: não se trata de um filme inesquecível, pelo contrário, ele é despretensioso ao ponto de abdicar de pelo menos 30 minutos de história, onde as tramas, subtramas e soluções narrativas certamente seriam melhores desenvolvidas, para ganhar em dinâmica e alguma emoção. Isso faz do filme escrito e dirigido por John Swab (do mediano "One Day as a Lion") honesto em sua proposta, tanto que chegou a ser indicado ao Locarno em 2021, mas é inegável que deixa um gostinho de que poderia ser melhor do que realmente é!
"Ida Red - O Preço da Liberdade", basicamente, acompanha a carreira da criminosa Ida ‘Red’ Walker (Melissa Leo), que luta contra uma doença terminal enquanto cumpre uma pena de 25 anos de prisão em Oklahoma. Sob a tutela de Ida, seu filho, Wyatt Walker (Josh Hartnett) sustenta os negócios da família ao lado de seu tio, Dallas Walker (Frank Grillo), até que um assalto dá errado e o detetive local e cunhado de Wyatt, Bodie Collier (George Carroll), se junta ao agente do FBI Lawrence Twilley (William Forsythe) para tentar rastrear os responsáveis pelo crime - e como é de se imaginar, eles já têm seus suspeitos. Confira o trailer:
Embora o filme se apresente como uma montanha-russa emocional que mergulha nas complexidades das relações familiares e do dilema moral para definir o que é certo, o que é errado e em qual circunstâncias isso pode se misturar, "Ida Red" é mesmo um filme de ação. Certo disso, percebemos que durante os 120 minutos de história, assistimos Swab nos negar alguns eventos importantes da trama e isso faz com que todos aqueles conflitos soem mais superficiais do que eles poderiam ser. Ao recortar o grande arco dramático de uma família amplamente envolvida com o mundo do crime e nos apresentar apenas uma parte desse todo, o diretor assume o risco de que sua audiência não se importe realmente com aqueles personagens - isso me pareceu acontecer, por outro lado não impacta no que ele prioriza como fio condutor.
A direção de John Swab respeita suas próprias escolhas conceituais e sua abordagem habilidosa dessa gramática de gênero ao criar uma atmosfera mais sombria do que tensa, especialmente no prólogo e no final do terceiro ato, onde a ação propriamente dita, nos conduz entre os dramas mais existenciais dos personagens. Essa proposta acaba deixando para o elenco todo ônus da falta de tempo de tela - Melissa Leo talvez seja o maior exemplo disso. Ela oferece uma atuação de tirar o fôlego quando é demandada, incorporando uma Ida Red com presença magnética, mas pouco aproveitada. Josh Hartnett e Frank Grillo, esses sim oferecem performances convincentes sem tanta pressa - a química entre eles é palpável, o que adiciona uma camada extra de autenticidade à história, mas infelizmente, mesmo assim, falta aquela conexão.
A fotografia do Matt Clegg (de "What Doesn't Float") é primorosa ao equilibrar o drama mais íntimo com seus planos fechados e quase sempre estáticos, com a ação mais dinâmica das lentes mais abertas e uma câmera mais nervosa. A escolha de locações e a trilha sonora se combinam com essa dualidade da fotografia para criar um ambiente mais imersivo que faz com que a audiência se sinta parte daquele submundo - uma pena que essas sensações sejam tão esporádicas devido aos gaps do roteiro. Em resumo, "Ida Red - O Preço da Liberdade" diverte mais do que nos impacta, mesmo quando escolhe questionar o real valor da família como instituição inabalável em meio aquele cenário imoral de crimes e redenção. Uma pena que não tenha tido o tempo necessário para unificar esses dois elementos dramáticos, que estão lá, mas que acabaram funcionando mais sozinhos do que juntos.
Se você está em busca de um bom entretenimento sobre assaltos espetaculares em uma mistura de ação com algum drama, "Ida Red - O Preço da Liberdade" pode ser uma boa pedida - mas te adianto: não se trata de um filme inesquecível, pelo contrário, ele é despretensioso ao ponto de abdicar de pelo menos 30 minutos de história, onde as tramas, subtramas e soluções narrativas certamente seriam melhores desenvolvidas, para ganhar em dinâmica e alguma emoção. Isso faz do filme escrito e dirigido por John Swab (do mediano "One Day as a Lion") honesto em sua proposta, tanto que chegou a ser indicado ao Locarno em 2021, mas é inegável que deixa um gostinho de que poderia ser melhor do que realmente é!
"Ida Red - O Preço da Liberdade", basicamente, acompanha a carreira da criminosa Ida ‘Red’ Walker (Melissa Leo), que luta contra uma doença terminal enquanto cumpre uma pena de 25 anos de prisão em Oklahoma. Sob a tutela de Ida, seu filho, Wyatt Walker (Josh Hartnett) sustenta os negócios da família ao lado de seu tio, Dallas Walker (Frank Grillo), até que um assalto dá errado e o detetive local e cunhado de Wyatt, Bodie Collier (George Carroll), se junta ao agente do FBI Lawrence Twilley (William Forsythe) para tentar rastrear os responsáveis pelo crime - e como é de se imaginar, eles já têm seus suspeitos. Confira o trailer:
Embora o filme se apresente como uma montanha-russa emocional que mergulha nas complexidades das relações familiares e do dilema moral para definir o que é certo, o que é errado e em qual circunstâncias isso pode se misturar, "Ida Red" é mesmo um filme de ação. Certo disso, percebemos que durante os 120 minutos de história, assistimos Swab nos negar alguns eventos importantes da trama e isso faz com que todos aqueles conflitos soem mais superficiais do que eles poderiam ser. Ao recortar o grande arco dramático de uma família amplamente envolvida com o mundo do crime e nos apresentar apenas uma parte desse todo, o diretor assume o risco de que sua audiência não se importe realmente com aqueles personagens - isso me pareceu acontecer, por outro lado não impacta no que ele prioriza como fio condutor.
A direção de John Swab respeita suas próprias escolhas conceituais e sua abordagem habilidosa dessa gramática de gênero ao criar uma atmosfera mais sombria do que tensa, especialmente no prólogo e no final do terceiro ato, onde a ação propriamente dita, nos conduz entre os dramas mais existenciais dos personagens. Essa proposta acaba deixando para o elenco todo ônus da falta de tempo de tela - Melissa Leo talvez seja o maior exemplo disso. Ela oferece uma atuação de tirar o fôlego quando é demandada, incorporando uma Ida Red com presença magnética, mas pouco aproveitada. Josh Hartnett e Frank Grillo, esses sim oferecem performances convincentes sem tanta pressa - a química entre eles é palpável, o que adiciona uma camada extra de autenticidade à história, mas infelizmente, mesmo assim, falta aquela conexão.
A fotografia do Matt Clegg (de "What Doesn't Float") é primorosa ao equilibrar o drama mais íntimo com seus planos fechados e quase sempre estáticos, com a ação mais dinâmica das lentes mais abertas e uma câmera mais nervosa. A escolha de locações e a trilha sonora se combinam com essa dualidade da fotografia para criar um ambiente mais imersivo que faz com que a audiência se sinta parte daquele submundo - uma pena que essas sensações sejam tão esporádicas devido aos gaps do roteiro. Em resumo, "Ida Red - O Preço da Liberdade" diverte mais do que nos impacta, mesmo quando escolhe questionar o real valor da família como instituição inabalável em meio aquele cenário imoral de crimes e redenção. Uma pena que não tenha tido o tempo necessário para unificar esses dois elementos dramáticos, que estão lá, mas que acabaram funcionando mais sozinhos do que juntos.
Filmes de ação raramente entregam histórias que nos fazem refletir sobre o sistema e a corrupção como deveriam. Na maioria das vezes as cenas frenéticas tomam conta da tela e engolem qualquer história diante de tantas coreografias de lutas, tiros e perseguições. Mas “Justiça Brutal” entrega tudo o que gênero pede e muito mais - você só deve ter em mente que o desenvolvimento da narrativa é um pouco mais lenta que o usual. O filme ainda explora o contexto social e aborda temas relevantes como o racismo, sem deixar sequências espetaculares de perseguição e tiroteio de lado.
Na trama, o veterano policial Brett Ridgeman (Mel Gibson) e seu parceiro mais jovem e volátil, Anthony Lurasetti (Vince Vaughn), são suspensos quando um vídeo de suas táticas de trabalho brutais vira notícia. Sem dinheiro e sem opções, eles decidem entrar para o mundo do crime. Porém, o que eles encontram na criminalidade é algo muito mais obscuro do que esperavam. Confira o trailer (em inglês):
Com uma premissa interessante, a primeira hora pode decepcionar aquelas pessoas que esperam muito mais por explosões, lutas e tiroteios, mas “Dragged Across Concrete” (no original) se preocupa muito mais em apresentar seus personagens e todo o contexto social antes de chegar no ápice da ação. Ainda assim, devo ressaltar que a ação é contida, existe muito mais uma tensão crescente nos momentos de perseguições do que outros artifícios usados para gerar o êxtase visual - você ficará apreensivo com o decorrer da história, definitivamente. Eu diria que é uma experiência diferente de filmes de ação de atores como Liam Neeson ou Jason Statham.
A direção traz alguns elementos interessantes de séries como ”Breaking Bad”, por exemplo - que praticamente acompanham o dia a dia de seus personagens como se a câmera estivesse escondida, mostrando cada passo, cada detalhe! Ao mesmo tempo, se você gosta de um estilo mais clássico como ”Fogo Contra Fogo”, provavelmente a sua experiência com esse thriller de ação escrito e dirigido por S. Craig Zahler (dos aclamados ”Rastros de Maldade” e ”Confusão no Pavilhão 99”), será completa e te garanto: esse é mais um daqueles achados que só nos resta agradecer ao serviço de streaming.
No elenco todos entregam perfomances marcantes, especialmente os protagonistas Mel Gibson e Vince Vaughn, que poderiam facilmente estrelar uma temporada de ”True Detective”! Que química incrível esses dois tem em cena. Assim como Matthew McConaughey e Woody Harrelson haviam trabalhado juntos anteriormente e anos depois estrelaram a série antológica da HBO.
“Justiça Brutal” se diferencia dos demais filmes de ação por ser bem construído, realista e, de fato, brutal. O filme pode ser facilmente comparado aos clássicos de ação e suspense criminal, e não aos recentes filmes esquecíveis que o gênero vem produzindo.
PS: o que impede o filme ser uma obra-prima "nível Michael Mann", talvez seja o excesso e até mesmo um pouco de pieguice no seu desfecho. Imagino que um certo polimento teria feito muito bem a narrativa, especialmente porque todos os inúmeros acertos da direção e do roteiro são notáveis.
Vale o seu play!
Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver
Filmes de ação raramente entregam histórias que nos fazem refletir sobre o sistema e a corrupção como deveriam. Na maioria das vezes as cenas frenéticas tomam conta da tela e engolem qualquer história diante de tantas coreografias de lutas, tiros e perseguições. Mas “Justiça Brutal” entrega tudo o que gênero pede e muito mais - você só deve ter em mente que o desenvolvimento da narrativa é um pouco mais lenta que o usual. O filme ainda explora o contexto social e aborda temas relevantes como o racismo, sem deixar sequências espetaculares de perseguição e tiroteio de lado.
Na trama, o veterano policial Brett Ridgeman (Mel Gibson) e seu parceiro mais jovem e volátil, Anthony Lurasetti (Vince Vaughn), são suspensos quando um vídeo de suas táticas de trabalho brutais vira notícia. Sem dinheiro e sem opções, eles decidem entrar para o mundo do crime. Porém, o que eles encontram na criminalidade é algo muito mais obscuro do que esperavam. Confira o trailer (em inglês):
Com uma premissa interessante, a primeira hora pode decepcionar aquelas pessoas que esperam muito mais por explosões, lutas e tiroteios, mas “Dragged Across Concrete” (no original) se preocupa muito mais em apresentar seus personagens e todo o contexto social antes de chegar no ápice da ação. Ainda assim, devo ressaltar que a ação é contida, existe muito mais uma tensão crescente nos momentos de perseguições do que outros artifícios usados para gerar o êxtase visual - você ficará apreensivo com o decorrer da história, definitivamente. Eu diria que é uma experiência diferente de filmes de ação de atores como Liam Neeson ou Jason Statham.
A direção traz alguns elementos interessantes de séries como ”Breaking Bad”, por exemplo - que praticamente acompanham o dia a dia de seus personagens como se a câmera estivesse escondida, mostrando cada passo, cada detalhe! Ao mesmo tempo, se você gosta de um estilo mais clássico como ”Fogo Contra Fogo”, provavelmente a sua experiência com esse thriller de ação escrito e dirigido por S. Craig Zahler (dos aclamados ”Rastros de Maldade” e ”Confusão no Pavilhão 99”), será completa e te garanto: esse é mais um daqueles achados que só nos resta agradecer ao serviço de streaming.
No elenco todos entregam perfomances marcantes, especialmente os protagonistas Mel Gibson e Vince Vaughn, que poderiam facilmente estrelar uma temporada de ”True Detective”! Que química incrível esses dois tem em cena. Assim como Matthew McConaughey e Woody Harrelson haviam trabalhado juntos anteriormente e anos depois estrelaram a série antológica da HBO.
“Justiça Brutal” se diferencia dos demais filmes de ação por ser bem construído, realista e, de fato, brutal. O filme pode ser facilmente comparado aos clássicos de ação e suspense criminal, e não aos recentes filmes esquecíveis que o gênero vem produzindo.
PS: o que impede o filme ser uma obra-prima "nível Michael Mann", talvez seja o excesso e até mesmo um pouco de pieguice no seu desfecho. Imagino que um certo polimento teria feito muito bem a narrativa, especialmente porque todos os inúmeros acertos da direção e do roteiro são notáveis.
Vale o seu play!
Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver
"Killing Eve" é muito divertida! Na verdade é uma jornada de "gato e rato" com pitadas de espionagem, conspirações e... muita ironia. Se você gosta de filmes como "Nikita", "Anna" e até "Viúva Negra"certamente você vai gostar dessa série da BBC America, criada pela Sally Woodward Gentle (Whitechapel), Lee Morris e Phoebe Waller-Bridge (Fleabag), e baseada na saga literária "Codinome Villanelle", escrita por Luke Jennings - porém um detalhe não pode passar batido para alinharmos as expectativas: diferente dos três filmes que comentei acima, o tom de "Killing Eve" é outro, ele se apoia na ironia ao usar tantos clichês do gênero e isso vai exigir uma enorme suspensão da realidade, mas que ao mesmo tempo vai deixar a história leve, despretensiosa e não menos inteligente.
Eve Polastri (Sandra Oh) é uma funcionária de uma “divisão fantasma” do MI5 que fica obcecada em conseguir capturar uma misteriosa, impiedosa e precisa assassina chamada Oxana Vorontsova (Jodie Comer). Ao ser colocada na posição de "agente secreta", Eve embarca em uma perigosa caçada, assumindo riscos impensáveis, iniciando complexas investigações e criando um cenário de tensão que ultrapassa as fronteiras do Reino Unido. Confira o trailer(em inglês):
Um bom roteiro precisa de apenas uma cena para estabelecer um personagem e "Killing Eve" faz isso com maestria. No prólogo conhecemos a assassina Villanelle, codinome de Vorontsova - ela observa uma linda garotinha tomando um sorvete. Depois de uma dificuldade inicial em interagir com a garotinha, Vorontsova troca sorrisos, cheia de simpatia. Porém em um determinado momento, ela se levanta, imponente, chamando a atenção dos olhos masculinos, caminha até a garotinha e simplesmente derruba o sorvete, propositalmente, com um leve sorriso no rosto até sair da sorveteria como se nada tivesse acontecido. Fiz questão de citar essa sequência (que inclusive está editada no trailer acima) justamente para antecipar o que você vai encontrar na série: esse tipo de ironia inteligente que, sem uma única palavra, já pontua exatamente o que podemos esperar de uma personagem.
Do outro lado temos Sandra Oh (a "insuportável" Cristina Yang de "Greys Anatomy"). Aqui ela é apaixonante, teimosa e irresponsável, mas com muito charme e simpatia. Seu estilo, até fisico, se encaixa perfeitamente no tom da série e acaba funcionando como contraponto ao estilo "camaleão com elegância" de Comer - essas diferenças se completam de tal forma que fica impossível pensar na série sem essas duas atrizes. Essa química, inclusive, rendeu para elas inúmeras indicações em várias premiações importantes e um Emmy de "Melhor Atriz" para Comer em 2019. Outra peça importante do elenco é Fiona Shaw - também indicada ao Emmy, mas como coadjuvante. Shaw é o ponto de equilíbrio da série, aquela personagem que não deixa a história descambar para a comédia pastelão e muito menos para o drama denso - é incrível como o roteiro usa os personagens para entregar uma história dinâmica e empolgante, que flerta com o humor de um jeito macabro, sombrio, até escrachado, mas sem esquecer de ser um entretenimento dos mais divertidos.
Antes de finalizar é preciso dizer que a ideia central da trama vai mudando durante a primeira temporada e se expande em outras possibilidades nas demais, mesmo sabendo que a quarta (ainda inédita) será a última. Essa transformação narrativa mais ajuda do que atrapalha, governos que teoricamente seriam os mocinhos e os espiões e assassinos cruéis que seriam os bandidos, na verdade andam de mãos dadas em muitos casos, e é justamente esse tipo de similaridade que o texto passa a trabalhar - onde, mais uma vez, Comer ajuda construir excelentes momentos. É natural a mudança, claro, mas alguns podem não gostar - não foi o meu caso. Achei que a cada reinvenção imposta, a série ganhava mais fôlego e já sabendo que teremos um final logo ali, ajudou muito na escolha de embarcar nessa jornada.
Vale muito a pena!
"Killing Eve" é muito divertida! Na verdade é uma jornada de "gato e rato" com pitadas de espionagem, conspirações e... muita ironia. Se você gosta de filmes como "Nikita", "Anna" e até "Viúva Negra"certamente você vai gostar dessa série da BBC America, criada pela Sally Woodward Gentle (Whitechapel), Lee Morris e Phoebe Waller-Bridge (Fleabag), e baseada na saga literária "Codinome Villanelle", escrita por Luke Jennings - porém um detalhe não pode passar batido para alinharmos as expectativas: diferente dos três filmes que comentei acima, o tom de "Killing Eve" é outro, ele se apoia na ironia ao usar tantos clichês do gênero e isso vai exigir uma enorme suspensão da realidade, mas que ao mesmo tempo vai deixar a história leve, despretensiosa e não menos inteligente.
Eve Polastri (Sandra Oh) é uma funcionária de uma “divisão fantasma” do MI5 que fica obcecada em conseguir capturar uma misteriosa, impiedosa e precisa assassina chamada Oxana Vorontsova (Jodie Comer). Ao ser colocada na posição de "agente secreta", Eve embarca em uma perigosa caçada, assumindo riscos impensáveis, iniciando complexas investigações e criando um cenário de tensão que ultrapassa as fronteiras do Reino Unido. Confira o trailer(em inglês):
Um bom roteiro precisa de apenas uma cena para estabelecer um personagem e "Killing Eve" faz isso com maestria. No prólogo conhecemos a assassina Villanelle, codinome de Vorontsova - ela observa uma linda garotinha tomando um sorvete. Depois de uma dificuldade inicial em interagir com a garotinha, Vorontsova troca sorrisos, cheia de simpatia. Porém em um determinado momento, ela se levanta, imponente, chamando a atenção dos olhos masculinos, caminha até a garotinha e simplesmente derruba o sorvete, propositalmente, com um leve sorriso no rosto até sair da sorveteria como se nada tivesse acontecido. Fiz questão de citar essa sequência (que inclusive está editada no trailer acima) justamente para antecipar o que você vai encontrar na série: esse tipo de ironia inteligente que, sem uma única palavra, já pontua exatamente o que podemos esperar de uma personagem.
Do outro lado temos Sandra Oh (a "insuportável" Cristina Yang de "Greys Anatomy"). Aqui ela é apaixonante, teimosa e irresponsável, mas com muito charme e simpatia. Seu estilo, até fisico, se encaixa perfeitamente no tom da série e acaba funcionando como contraponto ao estilo "camaleão com elegância" de Comer - essas diferenças se completam de tal forma que fica impossível pensar na série sem essas duas atrizes. Essa química, inclusive, rendeu para elas inúmeras indicações em várias premiações importantes e um Emmy de "Melhor Atriz" para Comer em 2019. Outra peça importante do elenco é Fiona Shaw - também indicada ao Emmy, mas como coadjuvante. Shaw é o ponto de equilíbrio da série, aquela personagem que não deixa a história descambar para a comédia pastelão e muito menos para o drama denso - é incrível como o roteiro usa os personagens para entregar uma história dinâmica e empolgante, que flerta com o humor de um jeito macabro, sombrio, até escrachado, mas sem esquecer de ser um entretenimento dos mais divertidos.
Antes de finalizar é preciso dizer que a ideia central da trama vai mudando durante a primeira temporada e se expande em outras possibilidades nas demais, mesmo sabendo que a quarta (ainda inédita) será a última. Essa transformação narrativa mais ajuda do que atrapalha, governos que teoricamente seriam os mocinhos e os espiões e assassinos cruéis que seriam os bandidos, na verdade andam de mãos dadas em muitos casos, e é justamente esse tipo de similaridade que o texto passa a trabalhar - onde, mais uma vez, Comer ajuda construir excelentes momentos. É natural a mudança, claro, mas alguns podem não gostar - não foi o meu caso. Achei que a cada reinvenção imposta, a série ganhava mais fôlego e já sabendo que teremos um final logo ali, ajudou muito na escolha de embarcar nessa jornada.
Vale muito a pena!
“Kingsman: Serviço Secreto” é um filme dos mais divertidos dirigido por Matthew Vaughn, dos ótimos “Kick-Ass” e “X-Men: Primeira Classe”. Você só precisa ter em mente que esse filme não é para ser levado a sério - no bom sentido, claro. As cenas mais piradas e insanas são propositais, e isso é feito com muita energia e paixão pelo diretor - um apaixonado pelo agente 007.
Na trama, Eggsy (Taron Egerton) é um jovem com problemas de disciplina que parece perto de se tornar um criminoso. Determinado dia, ele entra em contato com Harry (Colin Firth), que lhe apresenta a agência de espionagem Kingsman. O jovem então se une a um time de recrutas em busca de uma vaga nessa agência ao mesmo tempo em que Harry tenta impedir a ascensão do vilão Valentine (Samuel L. Jackson). Confira o trailer:
Assim como “Kick-Ass”, que era uma adaptação de uma HQ e fazia uma gozação aos filmes de super-heróis, “Kingsman” (também é uma releitura de HQ, no caso "The Secret Service" de Mark Millar), e não hesita em satirizar os clássicos de espionagem dos anos 70 como os filmes de James Bond, que por si só já eram cheio de momentos estapafúrdicos. Se tratando de uma adaptação de quadrinhos, você pode esperar por um filme frenético que abraça a loucura de forma desvairada. Isso é o que “Kingsman" tem de melhor, pelo menos até certo momento.
Na sequência final, após a ausência de um personagem importante, o ritmo se excede um pouco na megalomania, mas isso não torna o filme menos atrativo. No elenco; Colin Firth e Taron Egerton tem uma química perfeita, e ambos se saem muito bem, independente de quando contracenam ou não. Inclusive, tem uma cena específica do Colin Firth, que é simplesmente alucinante e violenta - e isso pode agradar muitos ou enterrar o filme de vez para outros.
O fato é que mesmo que “Kingsman: Serviço Secreto” faça tributos para vários filmes de espionagem, ele por si só não deixa de ser original pela maneira com que é dirigido por Vaughn, fotografado pelo sempre criativo George Richmond (de "Filhos da Esperança") e desenvolvido pelo roteiro Jane Goldman (parceira do diretor em vários títulos de sua filmografia), porém com uma originalidade e qualidade técnica rara nos filmes do gênero.
Vela muito a pena!
PS: Esse é o primeiro filme da trilogia “Kingsman". Os outros dois filmes, "Círculo Dourado" e o recente "A Origem", também estão disponíveis no Star+!
Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver
“Kingsman: Serviço Secreto” é um filme dos mais divertidos dirigido por Matthew Vaughn, dos ótimos “Kick-Ass” e “X-Men: Primeira Classe”. Você só precisa ter em mente que esse filme não é para ser levado a sério - no bom sentido, claro. As cenas mais piradas e insanas são propositais, e isso é feito com muita energia e paixão pelo diretor - um apaixonado pelo agente 007.
Na trama, Eggsy (Taron Egerton) é um jovem com problemas de disciplina que parece perto de se tornar um criminoso. Determinado dia, ele entra em contato com Harry (Colin Firth), que lhe apresenta a agência de espionagem Kingsman. O jovem então se une a um time de recrutas em busca de uma vaga nessa agência ao mesmo tempo em que Harry tenta impedir a ascensão do vilão Valentine (Samuel L. Jackson). Confira o trailer:
Assim como “Kick-Ass”, que era uma adaptação de uma HQ e fazia uma gozação aos filmes de super-heróis, “Kingsman” (também é uma releitura de HQ, no caso "The Secret Service" de Mark Millar), e não hesita em satirizar os clássicos de espionagem dos anos 70 como os filmes de James Bond, que por si só já eram cheio de momentos estapafúrdicos. Se tratando de uma adaptação de quadrinhos, você pode esperar por um filme frenético que abraça a loucura de forma desvairada. Isso é o que “Kingsman" tem de melhor, pelo menos até certo momento.
Na sequência final, após a ausência de um personagem importante, o ritmo se excede um pouco na megalomania, mas isso não torna o filme menos atrativo. No elenco; Colin Firth e Taron Egerton tem uma química perfeita, e ambos se saem muito bem, independente de quando contracenam ou não. Inclusive, tem uma cena específica do Colin Firth, que é simplesmente alucinante e violenta - e isso pode agradar muitos ou enterrar o filme de vez para outros.
O fato é que mesmo que “Kingsman: Serviço Secreto” faça tributos para vários filmes de espionagem, ele por si só não deixa de ser original pela maneira com que é dirigido por Vaughn, fotografado pelo sempre criativo George Richmond (de "Filhos da Esperança") e desenvolvido pelo roteiro Jane Goldman (parceira do diretor em vários títulos de sua filmografia), porém com uma originalidade e qualidade técnica rara nos filmes do gênero.
Vela muito a pena!
PS: Esse é o primeiro filme da trilogia “Kingsman". Os outros dois filmes, "Círculo Dourado" e o recente "A Origem", também estão disponíveis no Star+!
Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver
"La Casa de Papel" é uma série espanhola criada por Álex Pina que se tornou um fenômeno global meio que por acaso, conquistando milhões de fãs em todo o mundo e fazendo com que a plataforma que só tinha o direito de distribuição da primeira temporada investisse em mais alguns anos - que cá entre nós, se mostrou uma das decisões mais acertadas de empresa em muitos anos. A produção, que estreou na Netflix em 2017, tem todos os elementos que nos conquista, mas a relação da audiência com seus personagens, de fato, coloca o título em um outro patamar - os personagens são carismáticos e bem desenvolvidos, desde seu líder brilhante, mas também complexo e cheio de segredos, como todos os outros assaltantes também são interessantes, com suas próprias histórias e motivações.
Para quem não sabe, a série acompanha a história de um grupo de assaltantes liderados por um misterioso homem conhecido como "O Professor" (Álvaro Morte), cujo objetivo é realizar o maior assalto da história, roubando 2,4 bilhões de euros da Casa da Moeda Real da Espanha. Veja, embora não seja uma grande novidade (com cenas que já vimos em outros filmes), a forma como a trama é narrada é muito interessante, eu diria que é daquelas séries que surpreendem já no primeiro episódio e nos prendem até o final - e realmente temos um final. Confira o trailer:
"La Casa de Papel" segue uma linha narrativa bem parecida com alguns filmes da Espanha que fizeram muito sucesso na temporada 2017 - um drama (quase non-sense de absurdo) cheio de alívios cômicos inteligentes, muito contraste visual, extremamente bem produzido, com bons atores (atenção para o Pedro Alonso que interpreta o "Berlin") e um roteiro realmente bem construído - mesmo que exija certa suspensão da realidade para embarcar nas soluções "malucas" do Professor!
Um dos elementos que mais chamam a atenção em "La Casa de Papel" é a sua estética. A série é filmada com uma paleta de cores fortes e vibrantes, que criam uma atmosfera envolvente e cheia de energia. A direção também é muito dinâmica, com cenas de ação que são filmadas de forma primorosa - empolgante na sua essência. Outro ponto forte, e que alinha todos eles elementos visuais e narrativos, é sua trilha sonora. A música é usada de forma inteligente para potencializar a atmosfera certa em cada momento - as músicas clássicas, como "Bella Ciao", são criam um senso de nostalgia e emoção, enquanto as músicas eletrônicas são usadas para pontuar a tensão e o suspense.
O que dizer de Úrsula Corberó (Tóquio), Jaime Lorente (Denver), Miguel Herrán (Rio) e Esther Acebo (Estocolmo)? Como pontuei na introdução: a cereja do bolo de uma uma série imperdível que conquista o público de todas as idades com a alma - mesmo que fantasiada por uma dinâmica eletrizante, uma produção impecável e uma estética vibrante de cair o queixo. Se as últimas temporadas perdem o elemento "novidade", saiba que até lá já estamos apaixonados ao ponto de nem ligar para caminho que a trama seguiu, só queremos que aquela aventura nunca acabe mesmo!
Vale muito a pena!
"La Casa de Papel" é uma série espanhola criada por Álex Pina que se tornou um fenômeno global meio que por acaso, conquistando milhões de fãs em todo o mundo e fazendo com que a plataforma que só tinha o direito de distribuição da primeira temporada investisse em mais alguns anos - que cá entre nós, se mostrou uma das decisões mais acertadas de empresa em muitos anos. A produção, que estreou na Netflix em 2017, tem todos os elementos que nos conquista, mas a relação da audiência com seus personagens, de fato, coloca o título em um outro patamar - os personagens são carismáticos e bem desenvolvidos, desde seu líder brilhante, mas também complexo e cheio de segredos, como todos os outros assaltantes também são interessantes, com suas próprias histórias e motivações.
Para quem não sabe, a série acompanha a história de um grupo de assaltantes liderados por um misterioso homem conhecido como "O Professor" (Álvaro Morte), cujo objetivo é realizar o maior assalto da história, roubando 2,4 bilhões de euros da Casa da Moeda Real da Espanha. Veja, embora não seja uma grande novidade (com cenas que já vimos em outros filmes), a forma como a trama é narrada é muito interessante, eu diria que é daquelas séries que surpreendem já no primeiro episódio e nos prendem até o final - e realmente temos um final. Confira o trailer:
"La Casa de Papel" segue uma linha narrativa bem parecida com alguns filmes da Espanha que fizeram muito sucesso na temporada 2017 - um drama (quase non-sense de absurdo) cheio de alívios cômicos inteligentes, muito contraste visual, extremamente bem produzido, com bons atores (atenção para o Pedro Alonso que interpreta o "Berlin") e um roteiro realmente bem construído - mesmo que exija certa suspensão da realidade para embarcar nas soluções "malucas" do Professor!
Um dos elementos que mais chamam a atenção em "La Casa de Papel" é a sua estética. A série é filmada com uma paleta de cores fortes e vibrantes, que criam uma atmosfera envolvente e cheia de energia. A direção também é muito dinâmica, com cenas de ação que são filmadas de forma primorosa - empolgante na sua essência. Outro ponto forte, e que alinha todos eles elementos visuais e narrativos, é sua trilha sonora. A música é usada de forma inteligente para potencializar a atmosfera certa em cada momento - as músicas clássicas, como "Bella Ciao", são criam um senso de nostalgia e emoção, enquanto as músicas eletrônicas são usadas para pontuar a tensão e o suspense.
O que dizer de Úrsula Corberó (Tóquio), Jaime Lorente (Denver), Miguel Herrán (Rio) e Esther Acebo (Estocolmo)? Como pontuei na introdução: a cereja do bolo de uma uma série imperdível que conquista o público de todas as idades com a alma - mesmo que fantasiada por uma dinâmica eletrizante, uma produção impecável e uma estética vibrante de cair o queixo. Se as últimas temporadas perdem o elemento "novidade", saiba que até lá já estamos apaixonados ao ponto de nem ligar para caminho que a trama seguiu, só queremos que aquela aventura nunca acabe mesmo!
Vale muito a pena!
Divertido como um "filme de assalto" deve ser - mas, sim, será preciso uma boa dose de suspensão da realidade para embarcar na proposta narrativa do diretor F. Gary Gray (de "Código de Conduta") e do roteirista Daniel Kunka (de "12 rounds"). "Lift: Roubo nas Alturas" é entretenimento puro, uma mistura de ação com ótimos toques de comédia que realmente prende a atenção da audiência do início ao fim pela forma despretensiosa com que conduz sua narrativa. Essa produção original da Netflixsegue a fórmula mirabolante do roubo improvável com uma equipe de ladrões, com diferentes habilidades, que se reune para realizar o maior golpe de suas vidas. Inovador? Longe disso, aliás é cheio de clichês, o que é ótimo para o gênero, no entanto aqui temos um ponto que triunfa, mesmo tendo essa premissa, digamos, batida: seu elenco, e a interação entre todos os atores, é excelente!
A trama segue um grupo de criminosos internacionais liderado por Cyrus (Kevin Hart) que acabam de ser contratados por Abby (Gugu Mbatha-Raw), uma agente federal, para que cumpram uma missão ambiciosa: roubar meio bilhão de dólares em barras de ouro que estão sendo transportadas para uma célula terrorista. Para deixar tudo ainda mais insano, a carga está sendo transportada em um Boeing 777 que parte de Londres rumo a Zurique, e eles devem roubá-la em pleno vôo. Confira o trailer:
"Lift: Roubo nas Alturas" é "cinema pipoca", um prato cheio para quem gosta de filmes de ação e não quer pensar muito. Como obra ele até repete aquela atmosfera "La Casa de Papel" com um dinamismo que a própria série teve dificuldade de emplacar em sua primeira temporada. Se você reparar bem, aqui no filme, a sequência que mostra toda a preparação do golpe é menor, claro, mas tão divertida quanto da série espanhola. Enquanto o texto brinca com as diferentes possibilidades e soluções para que tudo dê certo na hora do roubo (e nunca dá), também temos a oportunidade de ver o elenco de apoio ter seu momento - talvez sem o mesmo charme, mas igualmente simpáticos, eu diria. Olhando já pelo lado da ação, as sequências de perseguição são, de fato, bem realizadas - a do plot inicial, que acompanha o roubo no leilão, achei até melhor que a do plot principal (especialmente porque exige menos das composições em CGI - e algumas não estão 100% no filme).
Olhando pela perspectiva do roteiro, é até fácil dizer que o filme não decepciona, que tem um bom senso de humor, com piadas que funcionam na maioria das vezes, de forma equilibrada e sem forçar muito a barra. O que pega, é a falta de originalidade ou até de coragem para propor algo menos previsível - é aqui que a química de todo o elenco segura o rojão. Kevin Hart está engraçado, irônico - parece que está se divertindo em cena (o que mostra sua capacidade como um comediante que amadurece como ator). Hart tem ótimas sacadas com Gugu Mbatha-Raw - que chega até aqui depois de uma ótima jornada em "The Morning Show". Tenho certeza que ainda vamos ver ótimos e mais profundos trabalhos desses dois atores.
A direção de F. Gary Gray é segura e competente - ele sabe como criar cenas de ação e como equilibrar drama e humor. Ele brinca com a câmera, é coerente na forma como conta a história, mas acho que seu principal valor está em saber os limites da produção, do roteiro e do orçamento. Dentro dos limites, tudo é bacana! Sabe aquele filme que a gente reservava na quinta-feira para alugar no fim de semana, e quando devolvíamos na segunda achando divertido, até dávamos boas recomendações, só que nunca mais pensávamos nele? Pois é, "Lift: Roubo nas Alturas" é isso: uma ótima opção para quem está procurando um filme de ação mais descartável, no bom sentido, mais ou menos como foi aquele "O Fugitivo" de 1993.
Divertido como um "filme de assalto" deve ser - mas, sim, será preciso uma boa dose de suspensão da realidade para embarcar na proposta narrativa do diretor F. Gary Gray (de "Código de Conduta") e do roteirista Daniel Kunka (de "12 rounds"). "Lift: Roubo nas Alturas" é entretenimento puro, uma mistura de ação com ótimos toques de comédia que realmente prende a atenção da audiência do início ao fim pela forma despretensiosa com que conduz sua narrativa. Essa produção original da Netflixsegue a fórmula mirabolante do roubo improvável com uma equipe de ladrões, com diferentes habilidades, que se reune para realizar o maior golpe de suas vidas. Inovador? Longe disso, aliás é cheio de clichês, o que é ótimo para o gênero, no entanto aqui temos um ponto que triunfa, mesmo tendo essa premissa, digamos, batida: seu elenco, e a interação entre todos os atores, é excelente!
A trama segue um grupo de criminosos internacionais liderado por Cyrus (Kevin Hart) que acabam de ser contratados por Abby (Gugu Mbatha-Raw), uma agente federal, para que cumpram uma missão ambiciosa: roubar meio bilhão de dólares em barras de ouro que estão sendo transportadas para uma célula terrorista. Para deixar tudo ainda mais insano, a carga está sendo transportada em um Boeing 777 que parte de Londres rumo a Zurique, e eles devem roubá-la em pleno vôo. Confira o trailer:
"Lift: Roubo nas Alturas" é "cinema pipoca", um prato cheio para quem gosta de filmes de ação e não quer pensar muito. Como obra ele até repete aquela atmosfera "La Casa de Papel" com um dinamismo que a própria série teve dificuldade de emplacar em sua primeira temporada. Se você reparar bem, aqui no filme, a sequência que mostra toda a preparação do golpe é menor, claro, mas tão divertida quanto da série espanhola. Enquanto o texto brinca com as diferentes possibilidades e soluções para que tudo dê certo na hora do roubo (e nunca dá), também temos a oportunidade de ver o elenco de apoio ter seu momento - talvez sem o mesmo charme, mas igualmente simpáticos, eu diria. Olhando já pelo lado da ação, as sequências de perseguição são, de fato, bem realizadas - a do plot inicial, que acompanha o roubo no leilão, achei até melhor que a do plot principal (especialmente porque exige menos das composições em CGI - e algumas não estão 100% no filme).
Olhando pela perspectiva do roteiro, é até fácil dizer que o filme não decepciona, que tem um bom senso de humor, com piadas que funcionam na maioria das vezes, de forma equilibrada e sem forçar muito a barra. O que pega, é a falta de originalidade ou até de coragem para propor algo menos previsível - é aqui que a química de todo o elenco segura o rojão. Kevin Hart está engraçado, irônico - parece que está se divertindo em cena (o que mostra sua capacidade como um comediante que amadurece como ator). Hart tem ótimas sacadas com Gugu Mbatha-Raw - que chega até aqui depois de uma ótima jornada em "The Morning Show". Tenho certeza que ainda vamos ver ótimos e mais profundos trabalhos desses dois atores.
A direção de F. Gary Gray é segura e competente - ele sabe como criar cenas de ação e como equilibrar drama e humor. Ele brinca com a câmera, é coerente na forma como conta a história, mas acho que seu principal valor está em saber os limites da produção, do roteiro e do orçamento. Dentro dos limites, tudo é bacana! Sabe aquele filme que a gente reservava na quinta-feira para alugar no fim de semana, e quando devolvíamos na segunda achando divertido, até dávamos boas recomendações, só que nunca mais pensávamos nele? Pois é, "Lift: Roubo nas Alturas" é isso: uma ótima opção para quem está procurando um filme de ação mais descartável, no bom sentido, mais ou menos como foi aquele "O Fugitivo" de 1993.
Antes de mais nada é preciso parabenizar o trabalho do Zack Snyder, ele provou para os executivos da Warner que estava certo e que a coerência do Universo que ele estava construindo tinha uma identidade que o diretor da outra versão de "Liga da Justiça", Joss Whedon, simplesmente jogou no lixo. E esse, digamos, não foi um caso isolado, já que a mesma Warner também cuspiu no trabalho do Nolan na trilogia do "Cavaleiro das Trevas" mesmo o diretor deixando tudo certinho para uma expansão inteligente. Mas não vamos falar das péssimas decisões corporativas de executivos que não sabem a diferença entre uma lente 35mm e uma 85mm - e se você também não sabe, está tudo certo, mas que esse exemplo seja uma forma de entender o quanto é solitário o trabalho de um diretor mesmo cercado de tantos profissionais competentes e como é importante deixar ele expor sua visão até o final - para, aí sim, criticar!
Esquece o filme de 2017, o "Snyder Cut" é outra coisa! mesmo contendo muitas cenas da versão anterior, a construção da narrativa é completamente diferente - e aqui ele aproveitou muito bem a liberdade do streaming em disponibilizar 4 horas para contar uma história. Visualmente, o filme tem uma elegância que o filme de Whedon não teve. Os detalhes da finalização, a correção da cor, da pós-produção, composição de CG e efeitos, tudo ficou muito, mas muito, bom - como comentei acima: é um filme com a identidade (acrescento) e com a alma da DC. Goste ou não de "Homem de Aço" e "Batman X Superman", o novo "Liga da Justiça" conversa muito bem com os outros filmes. A única coisa que me incomodou foi a escolha do 4:3 (aquele aspecto quadrado), mesmo com a desculpa de projeção em IMAX. Não faz sentido e vou explicar com uma analogia: imagina você comprar uma Ferrari e só trocar as marchas até a terceira - é isso que é colocar um filme 4:3 no IMAX, sim vai ficar enorme, impositivo, mas vai perder amplitude lateral que pedem as cenas de ação para que se tornem grandiosas, épicas!
Depois de restaurar sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman (Henry Cavill), Bruce Wayne (Ben Affleck) convoca Diana Prince (Gal Gadot) para combater um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam um time de meta-humanos para combater o Lobo da Estepe e seu Mestre Darkseid. Mesmo com a formação da Liga de heróis sem precedentes – Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman (Jason Momoa), Ciborgue (Ray Fisher), e Flash (Ezra Miller), talvez ainda não seja o suficiente para salvar o planeta de um catastrófico ataque que pode mudar a história da humanidade para sempre. Confira o trailer:
O Thiago Siqueira definiu muito bem o trabalho do Diretor no seu texto para o Cinema com Rapadura, então peço licença para reproduzir aqui: "O Zack Snyder tem uma visão muito própria dos heróis da DC. Enquanto a Marvel Studios retrata seus heróis – mesmo os mais extravagantes – de um ponto de vista extremamente humano, o cineasta enxerga a Liga da Justiça como deuses modernos, extraindo influências das mais diversas fontes, indo desde a mitologia greco-romana, passando pelas lendas arturianas, pelo legendarium de Tolkien e pelo cristianismo, sempre com um grau quase absoluto de solenidade." - Não interessa se a Marvel é um sucesso absoluto, isso é impossível de negar, mas ela tem o seu estilo e a DC precisava estruturar o seu, com identidade, e o "Snyder Cut" recuperou isso.
A forma como as histórias dos personagens secundários: Aquaman, Ciborgue, e Flash, são construídas e depois conectadas, funciona infinitamente melhor e cria um sentido de grupo, além de entendermos mais facilmente as motivações de cada um deles. Mesmo o roteiro dando algumas derrapadas, como na cena "Martha" do reencontro do Superman com a Lois ou na pouca explicação sobre as reais motivações que fizeram Darkseid enviar o Lobo da Estepe para além de recuperar as caixas maternas. Claro que nada disso prejudica a experiência e muitos desses gaps facilmente podem ser ajustados no futuro, mas aí que chega o problema maior: teremos um futuro com esse universo da DC, com essa identidade, com essa unidade narrativa?
O fato é que visão de Zack Snyder é um presente para os fãs desse tipo de filme, especialmente aos amantes da DC (como eu). O filme traz ganhos significativos para a narrativa e para o desenvolvimento de personagens (futuros, inclusive), se tornando uma espécie de versão definitiva e merecida da "Liga da Justiça".
Ufa, agora sim temos um filme de verdade! Imperdível!
Antes de mais nada é preciso parabenizar o trabalho do Zack Snyder, ele provou para os executivos da Warner que estava certo e que a coerência do Universo que ele estava construindo tinha uma identidade que o diretor da outra versão de "Liga da Justiça", Joss Whedon, simplesmente jogou no lixo. E esse, digamos, não foi um caso isolado, já que a mesma Warner também cuspiu no trabalho do Nolan na trilogia do "Cavaleiro das Trevas" mesmo o diretor deixando tudo certinho para uma expansão inteligente. Mas não vamos falar das péssimas decisões corporativas de executivos que não sabem a diferença entre uma lente 35mm e uma 85mm - e se você também não sabe, está tudo certo, mas que esse exemplo seja uma forma de entender o quanto é solitário o trabalho de um diretor mesmo cercado de tantos profissionais competentes e como é importante deixar ele expor sua visão até o final - para, aí sim, criticar!
Esquece o filme de 2017, o "Snyder Cut" é outra coisa! mesmo contendo muitas cenas da versão anterior, a construção da narrativa é completamente diferente - e aqui ele aproveitou muito bem a liberdade do streaming em disponibilizar 4 horas para contar uma história. Visualmente, o filme tem uma elegância que o filme de Whedon não teve. Os detalhes da finalização, a correção da cor, da pós-produção, composição de CG e efeitos, tudo ficou muito, mas muito, bom - como comentei acima: é um filme com a identidade (acrescento) e com a alma da DC. Goste ou não de "Homem de Aço" e "Batman X Superman", o novo "Liga da Justiça" conversa muito bem com os outros filmes. A única coisa que me incomodou foi a escolha do 4:3 (aquele aspecto quadrado), mesmo com a desculpa de projeção em IMAX. Não faz sentido e vou explicar com uma analogia: imagina você comprar uma Ferrari e só trocar as marchas até a terceira - é isso que é colocar um filme 4:3 no IMAX, sim vai ficar enorme, impositivo, mas vai perder amplitude lateral que pedem as cenas de ação para que se tornem grandiosas, épicas!
Depois de restaurar sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman (Henry Cavill), Bruce Wayne (Ben Affleck) convoca Diana Prince (Gal Gadot) para combater um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam um time de meta-humanos para combater o Lobo da Estepe e seu Mestre Darkseid. Mesmo com a formação da Liga de heróis sem precedentes – Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman (Jason Momoa), Ciborgue (Ray Fisher), e Flash (Ezra Miller), talvez ainda não seja o suficiente para salvar o planeta de um catastrófico ataque que pode mudar a história da humanidade para sempre. Confira o trailer:
O Thiago Siqueira definiu muito bem o trabalho do Diretor no seu texto para o Cinema com Rapadura, então peço licença para reproduzir aqui: "O Zack Snyder tem uma visão muito própria dos heróis da DC. Enquanto a Marvel Studios retrata seus heróis – mesmo os mais extravagantes – de um ponto de vista extremamente humano, o cineasta enxerga a Liga da Justiça como deuses modernos, extraindo influências das mais diversas fontes, indo desde a mitologia greco-romana, passando pelas lendas arturianas, pelo legendarium de Tolkien e pelo cristianismo, sempre com um grau quase absoluto de solenidade." - Não interessa se a Marvel é um sucesso absoluto, isso é impossível de negar, mas ela tem o seu estilo e a DC precisava estruturar o seu, com identidade, e o "Snyder Cut" recuperou isso.
A forma como as histórias dos personagens secundários: Aquaman, Ciborgue, e Flash, são construídas e depois conectadas, funciona infinitamente melhor e cria um sentido de grupo, além de entendermos mais facilmente as motivações de cada um deles. Mesmo o roteiro dando algumas derrapadas, como na cena "Martha" do reencontro do Superman com a Lois ou na pouca explicação sobre as reais motivações que fizeram Darkseid enviar o Lobo da Estepe para além de recuperar as caixas maternas. Claro que nada disso prejudica a experiência e muitos desses gaps facilmente podem ser ajustados no futuro, mas aí que chega o problema maior: teremos um futuro com esse universo da DC, com essa identidade, com essa unidade narrativa?
O fato é que visão de Zack Snyder é um presente para os fãs desse tipo de filme, especialmente aos amantes da DC (como eu). O filme traz ganhos significativos para a narrativa e para o desenvolvimento de personagens (futuros, inclusive), se tornando uma espécie de versão definitiva e merecida da "Liga da Justiça".
Ufa, agora sim temos um filme de verdade! Imperdível!
"Lupin" chega na Netflix para cobrir o gap deixado por "La Casa de Papel" e, de fato, deve conseguir. Essa série francesa é bem divertida e rápida - já que vem com apenas 5 episódios de 40 minutos, seguindo a mesma estratégia da sua antecessora espanhola, de dividir uma temporada em "partes". Só para contextualizar, é preciso pontuar a importância do famoso personagem literário, criado porMaurice Leblanc, Arsène Lupin - ele é uma espécie de Sherlock Holmes francês as avessas, um ladrão sofisticado e esperto, especialmente habilidoso na arte dos disfarces.
Pois bem, na série, acompanhamos Assane Diop (Omar Sy), um imigrante senegalês que, na adolescência, viu seu pai ser incriminado (injustamente) pelo roubo de um colar valioso pela poderosa família endinheirada e mesquinha de quem era motorista particular. Antes de ser mandado para a prisão, porém, Diop deixou um último presente para o filho: um romance de Arsène Lupin. Respeitando a obra como o último vínculo afetivo com seu pai, Assane transforma as histórias de Lupin em inspiração para elaborar sua vingança contra os responsáveis por sujar a honra de sua família. Confira o trailer:
Um elemento narrativo que me chamou a atenção e que tem que ser destacado é que "Lupin" não tem a menor preocupação em criar explicações "técnicas" para justificar as ações do protagonista como fazia, mesmo que fantasiosamente, o roteiro de "La Casa de Papel"; ou seja, não se preocupe com a veracidade, embarque na fantasia, porque a série propositalmente manipula o misticismo em torno do legado original de Lupin, transformando a história de Assane em uma homenagem ao clássico personagem.
Antes de finalizar vale o registro: Omar Sy esbanja carisma e acrescenta uma dose de malícia ao personagem que fica difícil não torcer para o sucesso dos seus crimes. Golaço na escolha do protagonista dessa produção de extrema qualidade visual, com uma fotografia que "abusa" de uma Paris cinematográfica e que tem um roteiro fácil e dinâmico! Vale muito a pena pelo entretenimento puro e pela diversão sem compromisso!
"Lupin" chega na Netflix para cobrir o gap deixado por "La Casa de Papel" e, de fato, deve conseguir. Essa série francesa é bem divertida e rápida - já que vem com apenas 5 episódios de 40 minutos, seguindo a mesma estratégia da sua antecessora espanhola, de dividir uma temporada em "partes". Só para contextualizar, é preciso pontuar a importância do famoso personagem literário, criado porMaurice Leblanc, Arsène Lupin - ele é uma espécie de Sherlock Holmes francês as avessas, um ladrão sofisticado e esperto, especialmente habilidoso na arte dos disfarces.
Pois bem, na série, acompanhamos Assane Diop (Omar Sy), um imigrante senegalês que, na adolescência, viu seu pai ser incriminado (injustamente) pelo roubo de um colar valioso pela poderosa família endinheirada e mesquinha de quem era motorista particular. Antes de ser mandado para a prisão, porém, Diop deixou um último presente para o filho: um romance de Arsène Lupin. Respeitando a obra como o último vínculo afetivo com seu pai, Assane transforma as histórias de Lupin em inspiração para elaborar sua vingança contra os responsáveis por sujar a honra de sua família. Confira o trailer:
Um elemento narrativo que me chamou a atenção e que tem que ser destacado é que "Lupin" não tem a menor preocupação em criar explicações "técnicas" para justificar as ações do protagonista como fazia, mesmo que fantasiosamente, o roteiro de "La Casa de Papel"; ou seja, não se preocupe com a veracidade, embarque na fantasia, porque a série propositalmente manipula o misticismo em torno do legado original de Lupin, transformando a história de Assane em uma homenagem ao clássico personagem.
Antes de finalizar vale o registro: Omar Sy esbanja carisma e acrescenta uma dose de malícia ao personagem que fica difícil não torcer para o sucesso dos seus crimes. Golaço na escolha do protagonista dessa produção de extrema qualidade visual, com uma fotografia que "abusa" de uma Paris cinematográfica e que tem um roteiro fácil e dinâmico! Vale muito a pena pelo entretenimento puro e pela diversão sem compromisso!
Antes de falar de "Magnatas do Crime" gostaria de contextualizar o que representará assistir esse filme do diretor Guy Ritchie. Em 2000, quando assisti "Snatch: Porcos e Diamantes" nos cinemas, foi como se minha cabeça explodisse! Era um conceito visual tão diferente e tão alinhado àquela narrativa dinâmica e envolvente, que logo trouxe Ritchie para a minha lista de diretores favoritos. Sinceramente não sei explicar o que acabou me afastando de seus filmes, mas nada que veio depois me impactou, até assistir "Magnatas do Crime"! De fato não existe nada de novo, mas por outro lado fica muito claro, logo nos primeiros minutos, que aquela identidade de "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes" e de "Snatch" está de volta e eu diria: no melhor da sua forma!
Na história acompanhamos Michael Pearson (Matthew McConaughey). Elegante como sempre, Pearson está tentando vender o seu império de produção de maconha no Reino Unido, mas percebe que se aposentar em um mercado como esse não é (e nem será) tarefa das mais fáceis. O preço que ele está pedindo soa alto para os potenciais compradores e claro, os interessados no negócio são candidatos a se tornar verdadeiros chefões das drogas, com isso criasse uma espécie de caos, onde quem quer comprar faz de tudo para o preço baixar e quem quer vender não abre mão do valor e do potencial do negócio, mesmo que para isso, seja preciso, digamos, fazer um trabalho sujo! Confira o trailer (em inglês):
O mais bacana do filme, para mim, foi encontrar um Guy Ritchie no que ele sabe fazer de melhor: usar o plot central de um roteiro (que ele mesmo escreveu), para explorar todas as suas possibilidades em diversas ramificações. Isso não é apresentado de maneira simples, é preciso dizer, e muito menos de forma linear, porém tudo funciona tão orgânico que a cada movimento somos surpreendidos pelas reviravoltas da história e quando as peças resolvem se encaixar, tudo faz sentido! Como em "Snatch", por exemplo, não é o "fim" seu maior mérito, mas a "jornada"!
Entretenimento de ótima qualidade com a assinatura de um diretor (e roteirista) talentoso que pode ter se perdido no meio de suas próprias ambições, mas que se reencontrou e foi capaz de nos entregar diversão do começo ao fim!
Quando Fletcher (Hugh Grant) surge inesperadamente e praticamente força Ray (Charlie Hunnam) a escutar sua história, não sabemos exatamente se estamos escutando o que realmente aconteceu, se é um roteiro de cinema ou as duas coisas se confundindo de acordo com a vontade do seu autor. Essa confusão em um primeiro momento pode parecer enfadonha, mas acredite: não é! Fletcher é o fio condutor de uma trama caótica, porém muito bem organizada por uma montagem digna de prêmios. Tanto os flashbacks, quanto as repetições de cenas por um ponto de vista diferente, funcionam perfeitamente em pró da narrativa - não são muletas, são artifícios bem desenvolvidos pelo diretor e que transformam nossa experiência! Reparem!
O elenco dá um verdadeiro show com atuações no tom exato para o gênero - o que vai te roubar ótimas risadas, inclusive. Matthew McConaughey, Hugh Grant, Charlie Hunnam e Colin Farrell (Coach) estão impagáveis! A própria Michelle Dockery e o sempre competente Jeremy Strong funcionam perfeitamente para a narrativa, mesmo com pouco tempo de tela. O figurino é outro elemento que merece atenção: ele trás um tom farsesco para o filme, transformando a caracterização exagerada em atitude do personagem - como se as tribos fossem separadas pelo que vestem, não pelo que são ou pelo que falam!
"The Gentlemen" (título original) é inteligente, irônico e até um pouco audacioso se levarmos em conta que a narrativa é totalmente desconstruída até voltar a fazer sentido no terceiro ato. Mesmo navegando em aguas que lhe trazem segurança, Guy Ritchie prova sua importância para o roteiro dos novatos na função, Ivan Atkinson e Marn Davies, da mesma forma que interfere no trabalho dos seus montadores: o parceiro de longa data, James Herbert, e o seu novo respiro conceitual, Paul Machliss.
Resumindo: "Magnatas do Crime" é um filme de Guy Ritchie da mesma forma que "Era uma vez em Hollywood" é do Tarantino!
Antes de falar de "Magnatas do Crime" gostaria de contextualizar o que representará assistir esse filme do diretor Guy Ritchie. Em 2000, quando assisti "Snatch: Porcos e Diamantes" nos cinemas, foi como se minha cabeça explodisse! Era um conceito visual tão diferente e tão alinhado àquela narrativa dinâmica e envolvente, que logo trouxe Ritchie para a minha lista de diretores favoritos. Sinceramente não sei explicar o que acabou me afastando de seus filmes, mas nada que veio depois me impactou, até assistir "Magnatas do Crime"! De fato não existe nada de novo, mas por outro lado fica muito claro, logo nos primeiros minutos, que aquela identidade de "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes" e de "Snatch" está de volta e eu diria: no melhor da sua forma!
Na história acompanhamos Michael Pearson (Matthew McConaughey). Elegante como sempre, Pearson está tentando vender o seu império de produção de maconha no Reino Unido, mas percebe que se aposentar em um mercado como esse não é (e nem será) tarefa das mais fáceis. O preço que ele está pedindo soa alto para os potenciais compradores e claro, os interessados no negócio são candidatos a se tornar verdadeiros chefões das drogas, com isso criasse uma espécie de caos, onde quem quer comprar faz de tudo para o preço baixar e quem quer vender não abre mão do valor e do potencial do negócio, mesmo que para isso, seja preciso, digamos, fazer um trabalho sujo! Confira o trailer (em inglês):
O mais bacana do filme, para mim, foi encontrar um Guy Ritchie no que ele sabe fazer de melhor: usar o plot central de um roteiro (que ele mesmo escreveu), para explorar todas as suas possibilidades em diversas ramificações. Isso não é apresentado de maneira simples, é preciso dizer, e muito menos de forma linear, porém tudo funciona tão orgânico que a cada movimento somos surpreendidos pelas reviravoltas da história e quando as peças resolvem se encaixar, tudo faz sentido! Como em "Snatch", por exemplo, não é o "fim" seu maior mérito, mas a "jornada"!
Entretenimento de ótima qualidade com a assinatura de um diretor (e roteirista) talentoso que pode ter se perdido no meio de suas próprias ambições, mas que se reencontrou e foi capaz de nos entregar diversão do começo ao fim!
Quando Fletcher (Hugh Grant) surge inesperadamente e praticamente força Ray (Charlie Hunnam) a escutar sua história, não sabemos exatamente se estamos escutando o que realmente aconteceu, se é um roteiro de cinema ou as duas coisas se confundindo de acordo com a vontade do seu autor. Essa confusão em um primeiro momento pode parecer enfadonha, mas acredite: não é! Fletcher é o fio condutor de uma trama caótica, porém muito bem organizada por uma montagem digna de prêmios. Tanto os flashbacks, quanto as repetições de cenas por um ponto de vista diferente, funcionam perfeitamente em pró da narrativa - não são muletas, são artifícios bem desenvolvidos pelo diretor e que transformam nossa experiência! Reparem!
O elenco dá um verdadeiro show com atuações no tom exato para o gênero - o que vai te roubar ótimas risadas, inclusive. Matthew McConaughey, Hugh Grant, Charlie Hunnam e Colin Farrell (Coach) estão impagáveis! A própria Michelle Dockery e o sempre competente Jeremy Strong funcionam perfeitamente para a narrativa, mesmo com pouco tempo de tela. O figurino é outro elemento que merece atenção: ele trás um tom farsesco para o filme, transformando a caracterização exagerada em atitude do personagem - como se as tribos fossem separadas pelo que vestem, não pelo que são ou pelo que falam!
"The Gentlemen" (título original) é inteligente, irônico e até um pouco audacioso se levarmos em conta que a narrativa é totalmente desconstruída até voltar a fazer sentido no terceiro ato. Mesmo navegando em aguas que lhe trazem segurança, Guy Ritchie prova sua importância para o roteiro dos novatos na função, Ivan Atkinson e Marn Davies, da mesma forma que interfere no trabalho dos seus montadores: o parceiro de longa data, James Herbert, e o seu novo respiro conceitual, Paul Machliss.
Resumindo: "Magnatas do Crime" é um filme de Guy Ritchie da mesma forma que "Era uma vez em Hollywood" é do Tarantino!
"Mayor of Kingstown" é excelente e te falo: ela tem uma vibe meio "Ozark" que é muito envolvente! Criada pelo novato Hugh Dillon e pelo "Rock Star" Taylor Sheridan (de "Yellowstone" e "Tulsa King"), "Mayor of Kingstown" é um drama criminal que mergulha profundamente nas entranhas do sistema penitenciário dos Estados Unidos pelo viés de quem está do lado de fora, mas (in)diretamente envolvido com o sistema. Lançada em 2021 pela Paramount+, a série explora temas como poder, corrupção e traição com o enfoque de quem luta pela sobrevivência em uma cidade onde as prisões são o principal ativo financeiro da região. Com uma narrativa realmente sombria e intensa, performances que vão chamar sua atenção e uma direção muito competente, "Mayor of Kingstown" se destaca como um dos melhores entretenimentos do gênero nos últimos tempos. Com uma mistura equilibrada de "Oz" com "The Wire", aqui temos uma visão igualmente implacável e perturbadora da realidade carcerária que vai fazer valer seu play!
A trama acompanha a família McLusky, que há gerações controla a cidade de Kingstown, no Michigan. Liderada por Mike McLusky (Jeremy Renner), a família atua como intermediária entre os presos, as autoridades e as várias facções que operam dentro e fora das prisões. Mike, que assume o papel de "prefeito" informal da cidade após a morte de seu irmão Mitch (Kyle Chandler), tenta manter uma frágil paz em um ambiente onde a violência e a corrupção são onipresentes. Confira o trailer:
Taylor Sheridan e Hugh Dillon (que também estrela na série como Ian), trazem uma abordagem crua e realista à narrativa que faz muita diferença na nossa experiência como audiência. Com um roteiro denso e cheio de camadas interessantes, a série é muito feliz ao explorar as complexas relações de poder e a moralidade, digamos, ambígua dos personagens construindo um entretenimento de altíssima qualidade - mesmo que algumas situações soem absurdas, o contexto mais realista é muito provocador. O time de roteiristas foi capaz de criar uma dinâmica bastante afiada, com diálogos potentes e um enredo que nos mantém engajados através de reviravoltas inesperadas e momentos de alta tensão. Mesmo que inicialmente demore para entendermos a conexão entre histórias e personagens, a série ainda assim se destaca por trazer para os holofotes temas como a injustiça social e a brutalidade policial, além de discutir a natureza cíclica da violência, oferecendo uma crítica incisiva do sistema penitenciário americano.
A direção de um time talentoso de profissionais com passagens por obras relevantes para o gênero como a já citada "The Wire", além de "O Justiceiro", "Mare of Easttown" e "SWAT", é meticulosa, capaz de capturar a brutalidade e a desesperança do sistema prisional com a atmosfera realmente depressiva e caótica das ruas. A série tem uma identidade visual forte, com uma paleta de cores desbotada e uma iluminação que enfatiza a opressão e a deterioração da cidade, criando uma sensação constante de angústia e perigo iminente. Jeremy Renner também entrega uma performance impressionante para compor essa pintura - ele tem uma intensidade e um carisma que sustentam a narrativa. Seu personagem é complexo, um homem endurecido pelas circunstâncias que, apesar de suas ações moralmente questionáveis, luta por um senso de ordem e justiça em um ambiente caótico. Kyle Chandler, embora sua presença na série seja breve, deixa uma marca indelével como Mitch, o irmão mais velho e ex-líder da família. O elenco de apoio, incluindo Dianne Wiest como a matriarca Mariam McLusky e Hugh Dillon como Ian, contribui significativamente para a riqueza da narrativa, oferecendo atuações que são ao mesmo tempo cheia de nuances e impactantes.
"Mayor of Kingstown" segue a abordagem conceitual mais sombria e muitas vezes excessivamente brutal, que para muitos pode soar deprimente ou difícil de assistir, de "Ozark". Além disso, a complexidade da trama e a densidade dos personagens podem ser um desafio para aqueles que preferem narrativas mais diretas e simples, no entanto, para quem está disposto a enfrentar a jornada dos McLusky proposta por Taylor Sheridan e Hugh Dillon, eu garanto: você não vai se arrepender e muito menos conseguir parar de assistir a série!
Vale muito o seu play!
"Mayor of Kingstown" é excelente e te falo: ela tem uma vibe meio "Ozark" que é muito envolvente! Criada pelo novato Hugh Dillon e pelo "Rock Star" Taylor Sheridan (de "Yellowstone" e "Tulsa King"), "Mayor of Kingstown" é um drama criminal que mergulha profundamente nas entranhas do sistema penitenciário dos Estados Unidos pelo viés de quem está do lado de fora, mas (in)diretamente envolvido com o sistema. Lançada em 2021 pela Paramount+, a série explora temas como poder, corrupção e traição com o enfoque de quem luta pela sobrevivência em uma cidade onde as prisões são o principal ativo financeiro da região. Com uma narrativa realmente sombria e intensa, performances que vão chamar sua atenção e uma direção muito competente, "Mayor of Kingstown" se destaca como um dos melhores entretenimentos do gênero nos últimos tempos. Com uma mistura equilibrada de "Oz" com "The Wire", aqui temos uma visão igualmente implacável e perturbadora da realidade carcerária que vai fazer valer seu play!
A trama acompanha a família McLusky, que há gerações controla a cidade de Kingstown, no Michigan. Liderada por Mike McLusky (Jeremy Renner), a família atua como intermediária entre os presos, as autoridades e as várias facções que operam dentro e fora das prisões. Mike, que assume o papel de "prefeito" informal da cidade após a morte de seu irmão Mitch (Kyle Chandler), tenta manter uma frágil paz em um ambiente onde a violência e a corrupção são onipresentes. Confira o trailer:
Taylor Sheridan e Hugh Dillon (que também estrela na série como Ian), trazem uma abordagem crua e realista à narrativa que faz muita diferença na nossa experiência como audiência. Com um roteiro denso e cheio de camadas interessantes, a série é muito feliz ao explorar as complexas relações de poder e a moralidade, digamos, ambígua dos personagens construindo um entretenimento de altíssima qualidade - mesmo que algumas situações soem absurdas, o contexto mais realista é muito provocador. O time de roteiristas foi capaz de criar uma dinâmica bastante afiada, com diálogos potentes e um enredo que nos mantém engajados através de reviravoltas inesperadas e momentos de alta tensão. Mesmo que inicialmente demore para entendermos a conexão entre histórias e personagens, a série ainda assim se destaca por trazer para os holofotes temas como a injustiça social e a brutalidade policial, além de discutir a natureza cíclica da violência, oferecendo uma crítica incisiva do sistema penitenciário americano.
A direção de um time talentoso de profissionais com passagens por obras relevantes para o gênero como a já citada "The Wire", além de "O Justiceiro", "Mare of Easttown" e "SWAT", é meticulosa, capaz de capturar a brutalidade e a desesperança do sistema prisional com a atmosfera realmente depressiva e caótica das ruas. A série tem uma identidade visual forte, com uma paleta de cores desbotada e uma iluminação que enfatiza a opressão e a deterioração da cidade, criando uma sensação constante de angústia e perigo iminente. Jeremy Renner também entrega uma performance impressionante para compor essa pintura - ele tem uma intensidade e um carisma que sustentam a narrativa. Seu personagem é complexo, um homem endurecido pelas circunstâncias que, apesar de suas ações moralmente questionáveis, luta por um senso de ordem e justiça em um ambiente caótico. Kyle Chandler, embora sua presença na série seja breve, deixa uma marca indelével como Mitch, o irmão mais velho e ex-líder da família. O elenco de apoio, incluindo Dianne Wiest como a matriarca Mariam McLusky e Hugh Dillon como Ian, contribui significativamente para a riqueza da narrativa, oferecendo atuações que são ao mesmo tempo cheia de nuances e impactantes.
"Mayor of Kingstown" segue a abordagem conceitual mais sombria e muitas vezes excessivamente brutal, que para muitos pode soar deprimente ou difícil de assistir, de "Ozark". Além disso, a complexidade da trama e a densidade dos personagens podem ser um desafio para aqueles que preferem narrativas mais diretas e simples, no entanto, para quem está disposto a enfrentar a jornada dos McLusky proposta por Taylor Sheridan e Hugh Dillon, eu garanto: você não vai se arrepender e muito menos conseguir parar de assistir a série!
Vale muito o seu play!
Desde o lançamento do trailer, "Messiah" chamou atenção em dois aspectos: trazia uma discussão extremamente criativa (e se o Messias retornasse nos dias de hoje com toda essa tecnologia de disseminação de informação - inclusive as "fake news"?) e pelo nível de produção que colocou o projeto como o primeiro grande lançamento da Netflix para ano de 2020.
A série conta a história de um homem (Mehdi Dehbi) que surge em meio a um conflito no Oriente Médio e chama a atenção do mundo pelos seus supostos milagres e sua mensagem de paz. Com um número de seguidores cada vez maior, todos os seus passos se tornam um evento e um perigo iminente - afinal não se sabe a verdadeira origem desse (falso?) profeta e o que ele será capaz de fazer com a multidão que o acompanha! Uma agente da CIA (Michelle Monaghan) começa uma investigação e com a "ajuda" do FBI acaba se infiltrando em uma enorme rede de conspiração politica, religiosa e ideológica com o único objetivo de desmascarar Al-Massih. A série tem elementos muito parecidos com "Homeland", então se você acompanhou a história de Brody e Carrie é bem provável que você não vá conseguir parar de assistir "Messiah".
Talvez o ponto alto de "Messiah" seja o seu roteiro. Em muitos momentos a idéia inicial parece que não vai se sustentar ou que alguns personagens surgem e não dão o fôlego que a trama precisa - olha, é um grande engano. Tudo vai se encaixando e movendo a história para frente com muita inteligência. É claro que é o tipo da série que exige uma certa suspensão da realidade, mas a jornada do tal Al-Massih é tão bem desenhada que fica impossível cravar se o personagem é ou não um vilão - e foi aí que me veio a primeira lembrança de "Homeland": com o retorno de Brody e todo mistério sobre seu personagem, o roteiro nos levava de um lado ao outro a cada episódio: essa dúvida constante nos prendia e nos obrigava a assistir ao próximo episódio - "Messiah" faz exatamente a mesma coisa! Quando vamos perdendo o interesse ou algo vai ficando claro demais, surge uma cena cena-chave ou uma nova informação que nos faz repensar a história! Talvez a personagem Eva (a agente da CIA que investiga o caso) não seja tão complexa quanto a Carrie, da excelente Claire Danes, mas mesmo assim é perceptível o conflito interno entre trabalho e vida pessoal da mesma forma, sem falar nos fantasmas do passado - um ponto muito interessante das duas personagens e que, ao fragiliza-las, reforça um drama paralelo, humanizando suas posturas e que sempre rendem ótimas cenas.
A dinâmica da história, mostrando dois núcleos: um no Oriente Médio e outro nos EUA, também trazem aquele tom de suspense e drama de "Homeland" - inclusive com os flashbacks bem pontuais que ajudam a contar um ou outro lado da história ou de um personagem e que compõem muito bem esse enorme quebra-cabeça. Reparem como nunca um episódio começa exatamente onde o anterior terminou. Sempre é dada mais uma informação no prólogo que, inclusive, parece completamente desconexa da história, mas que no final justifica uma ação ou decisão de algum personagem e capaz de modificar o rumo da história - essa técnica é um ótimo exemplo de roteiro bem planejado! Se atentem ao exame de tumor no inicio da temporada!
A produção da série é enorme, além de réplicas perfeitas de determinadas locações, a equipe filmou em Israel, na Palestina e na Jordânia (além dos EUA, claro) - isso só valida que"Messiah" não chegou para ser mais uma série de catálogo (só não entendo porque o marketing não foi mais agressivo, mas ok)! Os efeitos especiais não são perfeitos, mas estão longe de serem mal executados - a cena do Tornado é um ótimo exemplo de um bom resultado. A tempestade de areia também não foi tão ruim nos planos fechados, mas no aberto ficou um pouco estranho. As explosões funcionam bem e não devem incomodar. A direção em si é excelente - James McTeigue (Sense8) e Kate Woods (Castle) entregam ação, drama, suspense com planos muito bem elaborados e de extremo bom gosto. Até as sequências mais complicadas são muito bem realizadas - reparem na cena da Mesquita do episódio 9, vejam como ela cria uma certa tensão e como seu resultado final é avassalador e quebra uma expectativa que nos faz querer assistir o próximo imediatamente! Mais uma vez, se você assistiu "Homeland" as referências são claras e diretas - impossível não lembrar do final da primeira temporada!
Bom, dito tudo isso, eu posso garantir que "Messiah" vale a maratona e que o entretenimento está garantido! São dez episódios de 45 minutos em média, com "viradas surpreendentes" que nos mantém ligados em cada detalhe - é ótimo assistir uma série onde nada é jogado fora, mesmo que seja "apenas" para construir um sentimento em quem assiste e que pode até não interferir tanto no arco maior (o caso da menina com câncer é um bom exemplo)!
Boa diversão!
Up-date: Infelizmente no dia 17/04/2020 a Netflix informou o cancelamento da série com apenas uma temporada!
Desde o lançamento do trailer, "Messiah" chamou atenção em dois aspectos: trazia uma discussão extremamente criativa (e se o Messias retornasse nos dias de hoje com toda essa tecnologia de disseminação de informação - inclusive as "fake news"?) e pelo nível de produção que colocou o projeto como o primeiro grande lançamento da Netflix para ano de 2020.
A série conta a história de um homem (Mehdi Dehbi) que surge em meio a um conflito no Oriente Médio e chama a atenção do mundo pelos seus supostos milagres e sua mensagem de paz. Com um número de seguidores cada vez maior, todos os seus passos se tornam um evento e um perigo iminente - afinal não se sabe a verdadeira origem desse (falso?) profeta e o que ele será capaz de fazer com a multidão que o acompanha! Uma agente da CIA (Michelle Monaghan) começa uma investigação e com a "ajuda" do FBI acaba se infiltrando em uma enorme rede de conspiração politica, religiosa e ideológica com o único objetivo de desmascarar Al-Massih. A série tem elementos muito parecidos com "Homeland", então se você acompanhou a história de Brody e Carrie é bem provável que você não vá conseguir parar de assistir "Messiah".
Talvez o ponto alto de "Messiah" seja o seu roteiro. Em muitos momentos a idéia inicial parece que não vai se sustentar ou que alguns personagens surgem e não dão o fôlego que a trama precisa - olha, é um grande engano. Tudo vai se encaixando e movendo a história para frente com muita inteligência. É claro que é o tipo da série que exige uma certa suspensão da realidade, mas a jornada do tal Al-Massih é tão bem desenhada que fica impossível cravar se o personagem é ou não um vilão - e foi aí que me veio a primeira lembrança de "Homeland": com o retorno de Brody e todo mistério sobre seu personagem, o roteiro nos levava de um lado ao outro a cada episódio: essa dúvida constante nos prendia e nos obrigava a assistir ao próximo episódio - "Messiah" faz exatamente a mesma coisa! Quando vamos perdendo o interesse ou algo vai ficando claro demais, surge uma cena cena-chave ou uma nova informação que nos faz repensar a história! Talvez a personagem Eva (a agente da CIA que investiga o caso) não seja tão complexa quanto a Carrie, da excelente Claire Danes, mas mesmo assim é perceptível o conflito interno entre trabalho e vida pessoal da mesma forma, sem falar nos fantasmas do passado - um ponto muito interessante das duas personagens e que, ao fragiliza-las, reforça um drama paralelo, humanizando suas posturas e que sempre rendem ótimas cenas.
A dinâmica da história, mostrando dois núcleos: um no Oriente Médio e outro nos EUA, também trazem aquele tom de suspense e drama de "Homeland" - inclusive com os flashbacks bem pontuais que ajudam a contar um ou outro lado da história ou de um personagem e que compõem muito bem esse enorme quebra-cabeça. Reparem como nunca um episódio começa exatamente onde o anterior terminou. Sempre é dada mais uma informação no prólogo que, inclusive, parece completamente desconexa da história, mas que no final justifica uma ação ou decisão de algum personagem e capaz de modificar o rumo da história - essa técnica é um ótimo exemplo de roteiro bem planejado! Se atentem ao exame de tumor no inicio da temporada!
A produção da série é enorme, além de réplicas perfeitas de determinadas locações, a equipe filmou em Israel, na Palestina e na Jordânia (além dos EUA, claro) - isso só valida que"Messiah" não chegou para ser mais uma série de catálogo (só não entendo porque o marketing não foi mais agressivo, mas ok)! Os efeitos especiais não são perfeitos, mas estão longe de serem mal executados - a cena do Tornado é um ótimo exemplo de um bom resultado. A tempestade de areia também não foi tão ruim nos planos fechados, mas no aberto ficou um pouco estranho. As explosões funcionam bem e não devem incomodar. A direção em si é excelente - James McTeigue (Sense8) e Kate Woods (Castle) entregam ação, drama, suspense com planos muito bem elaborados e de extremo bom gosto. Até as sequências mais complicadas são muito bem realizadas - reparem na cena da Mesquita do episódio 9, vejam como ela cria uma certa tensão e como seu resultado final é avassalador e quebra uma expectativa que nos faz querer assistir o próximo imediatamente! Mais uma vez, se você assistiu "Homeland" as referências são claras e diretas - impossível não lembrar do final da primeira temporada!
Bom, dito tudo isso, eu posso garantir que "Messiah" vale a maratona e que o entretenimento está garantido! São dez episódios de 45 minutos em média, com "viradas surpreendentes" que nos mantém ligados em cada detalhe - é ótimo assistir uma série onde nada é jogado fora, mesmo que seja "apenas" para construir um sentimento em quem assiste e que pode até não interferir tanto no arco maior (o caso da menina com câncer é um bom exemplo)!
Boa diversão!
Up-date: Infelizmente no dia 17/04/2020 a Netflix informou o cancelamento da série com apenas uma temporada!
Vai ser difícil você querer parar de assistir mais essa pérola que está no catálogo da Disney+! Com apenas 6 episódios nessa primeira temporada, "Mil Golpes", criada por Steven Knight (o brilhante roteirista por trás de sucessos como "Peaky Blinders"), é uma série intensa, visualmente deslumbrante e com uma história profundamente envolvente. Knight novamente demonstra seu talento ao criar um drama histórico brutal, com personagens reais e ambientado nas ruas violentas e decadentes do subúrbio de uma Londres vitoriana. Combinando a crueza da luta pela sobrevivência com uma narrativa que aborda temas sensíveis como racismo, imigração e identidade cultural, "Mil Golpes", pode apostar, já se coloca entre os grandes dramas de época dos últimos anos, ao lado de produções "de grife" como "The Knick" e "Gangs of New York".
A trama se passa em meados do século XIX e acompanha a trajetória de Hezekiah Moscow (Malachi Kirby), um imigrante jamaicano que chega à Londres em busca de uma nova vida, até ele se encontrar em um submundo sombrio dominado pela violência, pela corrupção e pelo preconceito racial. Lutando para sobreviver e prosperar, ele se envolve com o brutal mundo do boxe clandestino, onde ele cruza caminhos com Sugar Goodson (Stephen Graham), um lutador implacável, cuja abordagem para a vida e para o esporte torna-se o fio condutor para uma série de conflitos explosivos, tanto dentro quanto fora do ringue. Confira o trailer:
Steven Knight é conhecido por sua capacidade de criar atmosferas de tensão com um rigor histórico impressionante - e em "Mil Golpes" não é diferente! Sua escrita detalhada e meticulosa revela um profundo compromisso em retratar uma Londres sem romantismo ou glamourização exagerada. Knight expõe as entranhas de uma sociedade que se sustentava à base da exploração, discriminação e violência. Sua habilidade em criar personagens moralmente ambíguos, multifacetados e, ao mesmo tempo, profundamente humanos, é o ponto alto da série. Os diálogos são realmente afiados, vigorosos e frequentemente dúbios, mesmo quando refletem o desespero e as batalhas cotidianas das classes marginalizadas. Nesse sentido, a equipe de direção da série liderada por Nick Murphy (de "O Nevoeiro") merece um reconhecimento especial. Alinhado a uma fotografia deslumbrante e sombria, cada episódio tem uma textura visual quase palpável, lembrando em alguns momentos o estilo cru e fantasioso de séries como "Carnival Row". Repare como a Londres apresentada aqui é uma cidade ao mesmo tempo vibrante e sufocante, cheia de becos escuros, tavernas lotadas e arenas clandestinas. A violência das lutas é retratada com um realismo visceral, com cenas de combate coreografadas com uma precisão quase cirúrgica - cada golpe é sentido pela audiência, não apenas fisicamente, mas emocionalmente, algo reforçado pela excelente edição de som e pela trilha sonora primorosa.
A performance de Malachi Kirby é digna de todos os elogios, entregando um protagonista mais complexo do que carismático - seu Hezekiah é uma figura poderosa, movida por sonhos, dores e cicatrizes de uma vida difícil e de um passado marcante. Kirby sabe navegar com segurança pelas nuances emocionais do personagem - nos provocando uma enorme empatia por ele. Já Stephen Graham entrega outra atuação impressionante como Sugar Goodson, um homem cuja dureza exterior esconde cicatrizes profundas - Graham constrói um personagem enigmático, cativante e perigoso, que muitas vezes rouba a cena graças ao magnetismo de sua interpretação. Outro ponto alto de "Mil Golpes" não poderia deixar de ser a Mary Carr de Erin Doherty. Que personagem incrível, uma espécie de Don Corleone de saias - com sua força, inteligência, charme e, principalmente, coerência!
Se há um aspecto que merece um olhar mais crítico para "A Thousand Blows" (no original) é a lentidão ocasional com que a narrativa se desenvolve na metade inicial da temporada. Knight se dedica bastante a estabelecer cuidadosamente seu universo e os conflitos centrais, como aliás ele já tinha feito em Peaky Blinders - isso pode exigir um pouco mais de paciência daqueles mais ansiosos por uma ação imediata. No entanto, esse investimento compensa, já que a série vai ganhando força episódio após episódio, culminando em um final onde todos os elementos dramáticos finalmente se encaixam de forma brilhante. Saiba que "Mil Golpes" é, acima de tudo, uma série sobre resistência e sobrevivência em um mundo cruel e indiferente. Ao tratar com honestidade temas sensíveis, Steven Knight entrega mais um projeto notável, que certamente agradará os fãs de dramas históricos densos com um toque de humanidade que faz toda a diferença!.
Mais um título imperdível da Disney+! Vale muito o seu play!
Vai ser difícil você querer parar de assistir mais essa pérola que está no catálogo da Disney+! Com apenas 6 episódios nessa primeira temporada, "Mil Golpes", criada por Steven Knight (o brilhante roteirista por trás de sucessos como "Peaky Blinders"), é uma série intensa, visualmente deslumbrante e com uma história profundamente envolvente. Knight novamente demonstra seu talento ao criar um drama histórico brutal, com personagens reais e ambientado nas ruas violentas e decadentes do subúrbio de uma Londres vitoriana. Combinando a crueza da luta pela sobrevivência com uma narrativa que aborda temas sensíveis como racismo, imigração e identidade cultural, "Mil Golpes", pode apostar, já se coloca entre os grandes dramas de época dos últimos anos, ao lado de produções "de grife" como "The Knick" e "Gangs of New York".
A trama se passa em meados do século XIX e acompanha a trajetória de Hezekiah Moscow (Malachi Kirby), um imigrante jamaicano que chega à Londres em busca de uma nova vida, até ele se encontrar em um submundo sombrio dominado pela violência, pela corrupção e pelo preconceito racial. Lutando para sobreviver e prosperar, ele se envolve com o brutal mundo do boxe clandestino, onde ele cruza caminhos com Sugar Goodson (Stephen Graham), um lutador implacável, cuja abordagem para a vida e para o esporte torna-se o fio condutor para uma série de conflitos explosivos, tanto dentro quanto fora do ringue. Confira o trailer:
Steven Knight é conhecido por sua capacidade de criar atmosferas de tensão com um rigor histórico impressionante - e em "Mil Golpes" não é diferente! Sua escrita detalhada e meticulosa revela um profundo compromisso em retratar uma Londres sem romantismo ou glamourização exagerada. Knight expõe as entranhas de uma sociedade que se sustentava à base da exploração, discriminação e violência. Sua habilidade em criar personagens moralmente ambíguos, multifacetados e, ao mesmo tempo, profundamente humanos, é o ponto alto da série. Os diálogos são realmente afiados, vigorosos e frequentemente dúbios, mesmo quando refletem o desespero e as batalhas cotidianas das classes marginalizadas. Nesse sentido, a equipe de direção da série liderada por Nick Murphy (de "O Nevoeiro") merece um reconhecimento especial. Alinhado a uma fotografia deslumbrante e sombria, cada episódio tem uma textura visual quase palpável, lembrando em alguns momentos o estilo cru e fantasioso de séries como "Carnival Row". Repare como a Londres apresentada aqui é uma cidade ao mesmo tempo vibrante e sufocante, cheia de becos escuros, tavernas lotadas e arenas clandestinas. A violência das lutas é retratada com um realismo visceral, com cenas de combate coreografadas com uma precisão quase cirúrgica - cada golpe é sentido pela audiência, não apenas fisicamente, mas emocionalmente, algo reforçado pela excelente edição de som e pela trilha sonora primorosa.
A performance de Malachi Kirby é digna de todos os elogios, entregando um protagonista mais complexo do que carismático - seu Hezekiah é uma figura poderosa, movida por sonhos, dores e cicatrizes de uma vida difícil e de um passado marcante. Kirby sabe navegar com segurança pelas nuances emocionais do personagem - nos provocando uma enorme empatia por ele. Já Stephen Graham entrega outra atuação impressionante como Sugar Goodson, um homem cuja dureza exterior esconde cicatrizes profundas - Graham constrói um personagem enigmático, cativante e perigoso, que muitas vezes rouba a cena graças ao magnetismo de sua interpretação. Outro ponto alto de "Mil Golpes" não poderia deixar de ser a Mary Carr de Erin Doherty. Que personagem incrível, uma espécie de Don Corleone de saias - com sua força, inteligência, charme e, principalmente, coerência!
Se há um aspecto que merece um olhar mais crítico para "A Thousand Blows" (no original) é a lentidão ocasional com que a narrativa se desenvolve na metade inicial da temporada. Knight se dedica bastante a estabelecer cuidadosamente seu universo e os conflitos centrais, como aliás ele já tinha feito em Peaky Blinders - isso pode exigir um pouco mais de paciência daqueles mais ansiosos por uma ação imediata. No entanto, esse investimento compensa, já que a série vai ganhando força episódio após episódio, culminando em um final onde todos os elementos dramáticos finalmente se encaixam de forma brilhante. Saiba que "Mil Golpes" é, acima de tudo, uma série sobre resistência e sobrevivência em um mundo cruel e indiferente. Ao tratar com honestidade temas sensíveis, Steven Knight entrega mais um projeto notável, que certamente agradará os fãs de dramas históricos densos com um toque de humanidade que faz toda a diferença!.
Mais um título imperdível da Disney+! Vale muito o seu play!
"Morbius" cumpre seu papel de apresentar o personagem por ser uma história de origem, mas está muito longe do que poderia ser - e aqui cabe uma observação: nem tudo que funciona na HQ, vai funcionar no cinema se você não tiver o mínimo de bom senso em estruturar a história para que ela que seja coerente com aquele universo na qual ela faz parte. O filme tem sim boas sequências, uma atmosfera um pouco mais densa do que estamos acostumados nos filmes da Marvel e eu diria que até diverte para quem gosta muito do gênero, mas cá entre nós, parece um filme do começo dos anos 2000.
Com uma rara doença no sangue, e determinado a salvar outras pessoas com esse mesmo destino, Dr. Morbius (Jared Leto) tenta uma aposta extrema: misturar o DNA de morcegos vampiros com o humano. O que antes parecia uma grande descoberta científica e de enorme sucesso, se revelou uma solução pior que a própria doença. Confira o trailer:
Eu tenho certeza que o diretor sueco Daniel Espinosa ("Crimes Ocultos") não teve a liberdade para montar o filme da maneira que ele gostaria. A não ser que o roteiro seja muito ruim, dado o potencial do personagem - o que vemos na tela é uma história confusa, cheia de soluções óbvias (razão pela qual criticávamos tanto a DC) e cenas que não levam a absolutamente lugar algum. Veja, se olharmos "Morbius" em camadas, temos momentos interessantes, bem dirigidos e até com efeitos interessantes; o problema é que todos esses pontos oscilam muito durando filme, nada se sustenta de maneira fluida - talvez apenas a fotografia Oliver Wood (da franquia "Bourne") e, acreditem, a performance de Jared Leto, não se encaixem nas inúmeras falhas do filme. Talvez Matt Smith como Milo, possa se salvar também.
As cenas pós-crédito (são duas) que teoricamente conectam o personagem ao universo do Homem-Aranha a partir da relação entre Adrian Toomes (Michael Keaton), o Abutre, e o anti-herói, não tem a menor conexão com a história que acabou de ser contada e até com o personagem que vimos nascer - o diálogo entre Toomes e o Dr. Morbius é constrangedor de ruim. O que provavelmente vai diminuir a decepção pelo filme será a forma como o personagem vai se desenvolver daqui para frente, e digo isso com muita tranquilidade porque já vimos filmes de origem que mesmo aquém do esperado ajudaram a compor o arco maior e passaram a serem vistos como uma peça importante dentro de um quebra-cabeça maior.
Sinceramente esse é o tipo de filme que vai agradar apenas aquele fã de filmes de herói que se obriga a assistir todas as produções para poder se sentir confortável com toda a saga que está sendo criada. Para aqueles que não conhecem o personagem, muito pode ser aproveitado. Para os que já conhecem, uma ou outra cena vai agradar e só!
"Morbius" cumpre seu papel de apresentar o personagem por ser uma história de origem, mas está muito longe do que poderia ser - e aqui cabe uma observação: nem tudo que funciona na HQ, vai funcionar no cinema se você não tiver o mínimo de bom senso em estruturar a história para que ela que seja coerente com aquele universo na qual ela faz parte. O filme tem sim boas sequências, uma atmosfera um pouco mais densa do que estamos acostumados nos filmes da Marvel e eu diria que até diverte para quem gosta muito do gênero, mas cá entre nós, parece um filme do começo dos anos 2000.
Com uma rara doença no sangue, e determinado a salvar outras pessoas com esse mesmo destino, Dr. Morbius (Jared Leto) tenta uma aposta extrema: misturar o DNA de morcegos vampiros com o humano. O que antes parecia uma grande descoberta científica e de enorme sucesso, se revelou uma solução pior que a própria doença. Confira o trailer:
Eu tenho certeza que o diretor sueco Daniel Espinosa ("Crimes Ocultos") não teve a liberdade para montar o filme da maneira que ele gostaria. A não ser que o roteiro seja muito ruim, dado o potencial do personagem - o que vemos na tela é uma história confusa, cheia de soluções óbvias (razão pela qual criticávamos tanto a DC) e cenas que não levam a absolutamente lugar algum. Veja, se olharmos "Morbius" em camadas, temos momentos interessantes, bem dirigidos e até com efeitos interessantes; o problema é que todos esses pontos oscilam muito durando filme, nada se sustenta de maneira fluida - talvez apenas a fotografia Oliver Wood (da franquia "Bourne") e, acreditem, a performance de Jared Leto, não se encaixem nas inúmeras falhas do filme. Talvez Matt Smith como Milo, possa se salvar também.
As cenas pós-crédito (são duas) que teoricamente conectam o personagem ao universo do Homem-Aranha a partir da relação entre Adrian Toomes (Michael Keaton), o Abutre, e o anti-herói, não tem a menor conexão com a história que acabou de ser contada e até com o personagem que vimos nascer - o diálogo entre Toomes e o Dr. Morbius é constrangedor de ruim. O que provavelmente vai diminuir a decepção pelo filme será a forma como o personagem vai se desenvolver daqui para frente, e digo isso com muita tranquilidade porque já vimos filmes de origem que mesmo aquém do esperado ajudaram a compor o arco maior e passaram a serem vistos como uma peça importante dentro de um quebra-cabeça maior.
Sinceramente esse é o tipo de filme que vai agradar apenas aquele fã de filmes de herói que se obriga a assistir todas as produções para poder se sentir confortável com toda a saga que está sendo criada. Para aqueles que não conhecem o personagem, muito pode ser aproveitado. Para os que já conhecem, uma ou outra cena vai agradar e só!
"Nem um Passo em Falso" é muito divertido! O filme traz todo o talento do diretor Steven Soderbergh (Traffic) e sua enorme capacidade de construir uma narrativa visualmente deslumbrante e extremamente alinhada com um roteiro tão bom quanto - e aqui o mérito é de Ed Solomon (Bill e Ted: Encare a Música). O filme é uma maravilhosa mistura (e por favor me perdoem pela licença criativa) de "Magnatas do Crime"do diretor Guy Ritchie com o "O Irlandês"do Scorsese.
A premissa é relativamente simples: situado em 1955, em Detroit, o filme acompanha um grupo de pequenos criminosos que foram contratados para roubar o que parecia ser apenas um documento, mas que depois se descobre, claro, ser mais importante do que isso - um projeto que vai mudar a história da humanidade (sem exageros). Confira o trailer:
É de se imaginar que o plano inicial fracassa e que a partir daí temos uma verdadeira corrida contra o tempo, cheio de traições e reviravoltas, onde os protagonistas Curt Goynes (Don Cheadle) e Ronald Russo (Benicio Del Toro) precisam escapar da polícia, de grupos mafiosos e ainda tentar se dar bem financeiramente. Olha, é um verdadeiro jogo de xadrez e visto que todos os personagens tem uma enorme importância na narrativa, é preciso prestar muita atenção para não perder em uma série de detalhes que fazem desse roteiro uma coisas mais interessantes que assisti em 2021.
Será natural se algumas pessoas acharem a história complexa e é aqui que Soderbergh mostra sua maturidade: ele cria uma dinâmica narrativa de perder o fôlego, mas não inventa tanta moda - ele é direto, sem rodeios. Seu foco não é impor sua habilidade inventiva (embora as use) e sim colocar a câmera no lugar certa e deixar os atores brilharem - Don Cheadle e Benicio Del Toro não decepcionam e não vou me surpreender se chegarem fortes na temporada de premiação de 2022. Veja, é interessante como Steven Soderbergh usa sua criatividade para compor algumas cenas, mas sem se sobressair ao texto - quando ele usa uma lente que gera uma certa distorção da imagem com o objetivo de criar a sensação de que algo não está certo e que aquele momento pode ter consequências graves, temos a exata confirmação da sua capacidade como cineasta, mas sem querer aparecer mais que a história.
Outro ponto que me chamou a atenção é a montagem - elegante e sucinta, serve como "fio condutor" sem precisar ser didática demais. Nesse ponto, inclusive, a história se fasta de Guy Ritchie e se aproxima Scorsese. Reparem como o filme nunca deixa de ser uma trama sobre um assalto - são pessoas que montaram um plano e que estão, essencialmente, em busca de dinheiro e alimentando sua ganância. Pontuado isso, eu diria que "No Sudden Move" (no original) tem mais ação do que drama e é muito mais entretenimento do que uma imersão no submundo da Máfia, ou seja, um equilíbrio perfeito entre uma boa história e uma atmosfera complexa, mas envolvente - com um diretor talentoso no melhor da sua forma! Vale muito a pena!
"Nem um Passo em Falso" é muito divertido! O filme traz todo o talento do diretor Steven Soderbergh (Traffic) e sua enorme capacidade de construir uma narrativa visualmente deslumbrante e extremamente alinhada com um roteiro tão bom quanto - e aqui o mérito é de Ed Solomon (Bill e Ted: Encare a Música). O filme é uma maravilhosa mistura (e por favor me perdoem pela licença criativa) de "Magnatas do Crime"do diretor Guy Ritchie com o "O Irlandês"do Scorsese.
A premissa é relativamente simples: situado em 1955, em Detroit, o filme acompanha um grupo de pequenos criminosos que foram contratados para roubar o que parecia ser apenas um documento, mas que depois se descobre, claro, ser mais importante do que isso - um projeto que vai mudar a história da humanidade (sem exageros). Confira o trailer:
É de se imaginar que o plano inicial fracassa e que a partir daí temos uma verdadeira corrida contra o tempo, cheio de traições e reviravoltas, onde os protagonistas Curt Goynes (Don Cheadle) e Ronald Russo (Benicio Del Toro) precisam escapar da polícia, de grupos mafiosos e ainda tentar se dar bem financeiramente. Olha, é um verdadeiro jogo de xadrez e visto que todos os personagens tem uma enorme importância na narrativa, é preciso prestar muita atenção para não perder em uma série de detalhes que fazem desse roteiro uma coisas mais interessantes que assisti em 2021.
Será natural se algumas pessoas acharem a história complexa e é aqui que Soderbergh mostra sua maturidade: ele cria uma dinâmica narrativa de perder o fôlego, mas não inventa tanta moda - ele é direto, sem rodeios. Seu foco não é impor sua habilidade inventiva (embora as use) e sim colocar a câmera no lugar certa e deixar os atores brilharem - Don Cheadle e Benicio Del Toro não decepcionam e não vou me surpreender se chegarem fortes na temporada de premiação de 2022. Veja, é interessante como Steven Soderbergh usa sua criatividade para compor algumas cenas, mas sem se sobressair ao texto - quando ele usa uma lente que gera uma certa distorção da imagem com o objetivo de criar a sensação de que algo não está certo e que aquele momento pode ter consequências graves, temos a exata confirmação da sua capacidade como cineasta, mas sem querer aparecer mais que a história.
Outro ponto que me chamou a atenção é a montagem - elegante e sucinta, serve como "fio condutor" sem precisar ser didática demais. Nesse ponto, inclusive, a história se fasta de Guy Ritchie e se aproxima Scorsese. Reparem como o filme nunca deixa de ser uma trama sobre um assalto - são pessoas que montaram um plano e que estão, essencialmente, em busca de dinheiro e alimentando sua ganância. Pontuado isso, eu diria que "No Sudden Move" (no original) tem mais ação do que drama e é muito mais entretenimento do que uma imersão no submundo da Máfia, ou seja, um equilíbrio perfeito entre uma boa história e uma atmosfera complexa, mas envolvente - com um diretor talentoso no melhor da sua forma! Vale muito a pena!
Se você gostou de "Parasita" e de "Expresso do Amanhã" você certamente vai gostar de "Nuevo Orden" - é possível dizer, inclusive, que se "Parasita" tivesse uma continuação, essa produção mexicana se encaixaria tranquilamente na temática e na forma como Bong Joon Ho trouxe para discussão a desigualdade social e os relacionamentos imersos nesse contexto, porém aqui com um certo toque distópico em uma atmosfera político-social como em "Expresso do Amanhã".
Na trama, a desigualdade econômica e social, a luta de classes e a corrupção no México detonam uma revolução caótica, amoral e sem ética. Por trás desta "Nova Ordem" implementada por políticos e militares, até as emoções que motivaram a rebelião serão completamente censuradas. Confira o trailer (em espanhol):
A filmografia do cineasta Michel Franco (do excelente "Depois de Lucia") nos remete ao provocativo explícito, porém com um toque de semiótica que só aprofunda sua interpretação da realidade. Em "Nuevo Orden", Franco pontua didaticamente diferenças de posição e tratamento conforme as etnias dos personagens - os ricos são brancos (resquício da dominação europeia configurada como uma das tragédias históricas da América Latina), enquanto os pobres apresentam os traços do povo local, daqueles que viviam no território mexicano antes que ele fosse dominado por seus invasores. Dentro da imponente propriedade, o casamento de Marianne (Naian González Norvind) e Alan (Dario Yazbek Bernal) retrata essa diferença, ele é repleto de pompa e circunstância, enquanto do lado de fora, uma convulsão social acontece - porém aquela fortaleza parece intransponível, a realidade ali é outra, os convidados são inatingíveis, mas até quando?
Após um passeio por imagens fortes (realmente impactantes plasticamente) e créditos de apresentação belíssimos em sua simbologia (interprete como quiser, vale o exercício), a presença de uma tinta verde escorrendo pelas torneiras daquela mansão sinaliza que algo muito errado está prestes a acontecer (e aqui o seu ponto de vista vai te guiar por toda a experiência do filme até, propositalmente, te dar uma rasteira ideológica). Michel Franco é fantástico ao criar essa atmosfera de tensão, fantasiada de ostentação em um ambiente onde a alegria é quase utópica e o carinho é conseguido através do tamanho de um cheque - reparem em como os convidados presenteiam os noivos e como a família lida com esse "presente". Existe uma inquietude na condução da câmera ao longo desse cenário, enquanto o ambiente dos empregados parece mais controlado, até que esse conceito narrativo se transforma no segundo ato quando a "Nova Ordem" se aproveita do caos para se posicionar perante uma nova visão de "igualdade" brutal e violenta - esse trabalho de subversão do diretor de fotografia belga Yves Cape (de "Era uma segunda vez") é magistral.
O interessante do filme, porém, é justamente o que fez alguns críticos torcerem o nariz para a obra. Franco, ao contar essa história, não tem como objetivo principal levantar bandeiras politicas polarizadas determinando quem é o mocinho e quem é o bandido. Sim, ele tem o prazer em criticar os lados, mas em momento algum se sente confortável em defender seus personagens pelo viés sócio-antropológico já que entende que o mundo de hoje teve suas regras estabelecidas pela própria sociedade e quando essas mesmas regras são quebradas (mesmo que para alguns com base em boas intenções), elas não se sustentam e quem vence no final é justamente quem esteve do outro lado sempre, mas que soube manipular uma situação a seu favor - sim, você já viu isso na ficção e no seu país!
Complicado? Na teoria sim, mas o roteiro do próprio Franco se incumbe de colocar as peças no tabuleiro e conforme vão sendo movimentadas, essa ideia vai se construindo e nossa posição vai sendo, no mínimo, questionada. "Nuevo Orden" soa entretenimento, mas tem muito mais camadas se você estiver disposto a explorá-las e discuti-las assim que os créditos (espelhados, ops) subirem!
Vale muito o seu play!
Se você gostou de "Parasita" e de "Expresso do Amanhã" você certamente vai gostar de "Nuevo Orden" - é possível dizer, inclusive, que se "Parasita" tivesse uma continuação, essa produção mexicana se encaixaria tranquilamente na temática e na forma como Bong Joon Ho trouxe para discussão a desigualdade social e os relacionamentos imersos nesse contexto, porém aqui com um certo toque distópico em uma atmosfera político-social como em "Expresso do Amanhã".
Na trama, a desigualdade econômica e social, a luta de classes e a corrupção no México detonam uma revolução caótica, amoral e sem ética. Por trás desta "Nova Ordem" implementada por políticos e militares, até as emoções que motivaram a rebelião serão completamente censuradas. Confira o trailer (em espanhol):
A filmografia do cineasta Michel Franco (do excelente "Depois de Lucia") nos remete ao provocativo explícito, porém com um toque de semiótica que só aprofunda sua interpretação da realidade. Em "Nuevo Orden", Franco pontua didaticamente diferenças de posição e tratamento conforme as etnias dos personagens - os ricos são brancos (resquício da dominação europeia configurada como uma das tragédias históricas da América Latina), enquanto os pobres apresentam os traços do povo local, daqueles que viviam no território mexicano antes que ele fosse dominado por seus invasores. Dentro da imponente propriedade, o casamento de Marianne (Naian González Norvind) e Alan (Dario Yazbek Bernal) retrata essa diferença, ele é repleto de pompa e circunstância, enquanto do lado de fora, uma convulsão social acontece - porém aquela fortaleza parece intransponível, a realidade ali é outra, os convidados são inatingíveis, mas até quando?
Após um passeio por imagens fortes (realmente impactantes plasticamente) e créditos de apresentação belíssimos em sua simbologia (interprete como quiser, vale o exercício), a presença de uma tinta verde escorrendo pelas torneiras daquela mansão sinaliza que algo muito errado está prestes a acontecer (e aqui o seu ponto de vista vai te guiar por toda a experiência do filme até, propositalmente, te dar uma rasteira ideológica). Michel Franco é fantástico ao criar essa atmosfera de tensão, fantasiada de ostentação em um ambiente onde a alegria é quase utópica e o carinho é conseguido através do tamanho de um cheque - reparem em como os convidados presenteiam os noivos e como a família lida com esse "presente". Existe uma inquietude na condução da câmera ao longo desse cenário, enquanto o ambiente dos empregados parece mais controlado, até que esse conceito narrativo se transforma no segundo ato quando a "Nova Ordem" se aproveita do caos para se posicionar perante uma nova visão de "igualdade" brutal e violenta - esse trabalho de subversão do diretor de fotografia belga Yves Cape (de "Era uma segunda vez") é magistral.
O interessante do filme, porém, é justamente o que fez alguns críticos torcerem o nariz para a obra. Franco, ao contar essa história, não tem como objetivo principal levantar bandeiras politicas polarizadas determinando quem é o mocinho e quem é o bandido. Sim, ele tem o prazer em criticar os lados, mas em momento algum se sente confortável em defender seus personagens pelo viés sócio-antropológico já que entende que o mundo de hoje teve suas regras estabelecidas pela própria sociedade e quando essas mesmas regras são quebradas (mesmo que para alguns com base em boas intenções), elas não se sustentam e quem vence no final é justamente quem esteve do outro lado sempre, mas que soube manipular uma situação a seu favor - sim, você já viu isso na ficção e no seu país!
Complicado? Na teoria sim, mas o roteiro do próprio Franco se incumbe de colocar as peças no tabuleiro e conforme vão sendo movimentadas, essa ideia vai se construindo e nossa posição vai sendo, no mínimo, questionada. "Nuevo Orden" soa entretenimento, mas tem muito mais camadas se você estiver disposto a explorá-las e discuti-las assim que os créditos (espelhados, ops) subirem!
Vale muito o seu play!
É difícil não se apaixonar por "O Assassino" logo de cara - a forma como o grande David Fincher (de "Se7en") conceitualiza a narrativa dessa adaptação do seu parceiro Andrew Kevin Walker a partir da graphic novel "The Killer", escrita por Alexis Nolent, é simplesmente genial! Existe uma certa poesia na narração feita pelo protagonista (certamente referenciada por jogos de video-game como "Max Payne"), onde ele compartilha com a audiência seu estado de espirito mais íntimo, criando uma espécie de filosofia de ação por trás de sua rotina meticulosa como um assassino de aluguel, explorando as nuances mais particulares do seu trabalho e ainda destacando o perfeccionismo como um sintoma da obsessão pela necessidade de cumprir sua missão. Olha, esse filme é, sem dúvida, um dos melhores do ano (2023) e possivelmente um dos mais autorais de Fincher.
A história ganha tons de tensão permanente logo de início quando, após um erro desastroso em uma missão em Paris, o assassino (Michael Fassbender) começa a colapsar psicologicamente enquanto busca por vingança depois que sua mulher sofre um atentado e tudo leva a crer que um de seus clientes queria a sua morte. Confira o trailer:
No coração da trama está um protagonista que entrega uma performance eletrizante como o assassino profissional em busca por respostas. Mesmo com a história se desenrolando de maneira intensa, explorando os dilemas morais e éticos do personagem, o que chama muito a atenção é maneira como o Assassino enfrenta um mundo obscuro e impiedoso que ele mesmo ajudou a construir - eu diria que Fincher propõe uma reflexão ácida sobre a selvageria do mundo moderno pelo olhar de quem não se permite errar, mas erra.
A genialidade de Fincher, obviamente, brilha nos aspectos técnicos e artísticos de "The Killer" (no original). A fotografia do Erik Messerschmidt (de "Mindhunter") captura exatamente a essência sombria da graphic novel, fazendo com que o diretor nos arremesse em uma atmosfera densa e provocativa que mistura as sensações de uma profunda solidão com caos cotidiano de uma metrópole - mais ou menos como vimos Michael Mann fazer em "Colateral". Aliás, como no filme de 2004 de Mann, "O Assassino" também se aproveita de uma relação sensorial que uma edição de som fora da curva do Steve Bissinger (de "Transformers") e uma trilha sonora digna de muito prêmios do Atticus Ross e do Trent Reznor (ambos vencedores do Oscar por "A Rede Social"), podem proporcionar - eu diria que essa relação som e imagem é uma peça fundamental que intensifica nossas emoções e nos envolve demais com a trama. Uma aula!
Dito tudo isso, é inegável que o que diferencia essa adaptação está no detalhe como obra cinematográfica e na habilidade de Fincher em explorar as nuances psicológicas do protagonista, proporcionando uma profundidade emocional que dificilmente encontramos em um filme de ação - e sim, "O Assassino" é um clássico filme de ação dos anos 90, fantasiado de drama existencial na mão de um diretor muito acima da média! "The Killer" não é apenas um filme de vingança, é uma experiência visceral que desafia as expectativas de quem assiste e oferece uma nova perspectiva sobre o gênero. Indo um pouco mais longe (com o risco de soar exagerado), eu diria que é uma obra-prima que vai deixar uma marca duradoura na biografia do diretor e que merece o nosso reconhecimento!
Imperdível!
É difícil não se apaixonar por "O Assassino" logo de cara - a forma como o grande David Fincher (de "Se7en") conceitualiza a narrativa dessa adaptação do seu parceiro Andrew Kevin Walker a partir da graphic novel "The Killer", escrita por Alexis Nolent, é simplesmente genial! Existe uma certa poesia na narração feita pelo protagonista (certamente referenciada por jogos de video-game como "Max Payne"), onde ele compartilha com a audiência seu estado de espirito mais íntimo, criando uma espécie de filosofia de ação por trás de sua rotina meticulosa como um assassino de aluguel, explorando as nuances mais particulares do seu trabalho e ainda destacando o perfeccionismo como um sintoma da obsessão pela necessidade de cumprir sua missão. Olha, esse filme é, sem dúvida, um dos melhores do ano (2023) e possivelmente um dos mais autorais de Fincher.
A história ganha tons de tensão permanente logo de início quando, após um erro desastroso em uma missão em Paris, o assassino (Michael Fassbender) começa a colapsar psicologicamente enquanto busca por vingança depois que sua mulher sofre um atentado e tudo leva a crer que um de seus clientes queria a sua morte. Confira o trailer:
No coração da trama está um protagonista que entrega uma performance eletrizante como o assassino profissional em busca por respostas. Mesmo com a história se desenrolando de maneira intensa, explorando os dilemas morais e éticos do personagem, o que chama muito a atenção é maneira como o Assassino enfrenta um mundo obscuro e impiedoso que ele mesmo ajudou a construir - eu diria que Fincher propõe uma reflexão ácida sobre a selvageria do mundo moderno pelo olhar de quem não se permite errar, mas erra.
A genialidade de Fincher, obviamente, brilha nos aspectos técnicos e artísticos de "The Killer" (no original). A fotografia do Erik Messerschmidt (de "Mindhunter") captura exatamente a essência sombria da graphic novel, fazendo com que o diretor nos arremesse em uma atmosfera densa e provocativa que mistura as sensações de uma profunda solidão com caos cotidiano de uma metrópole - mais ou menos como vimos Michael Mann fazer em "Colateral". Aliás, como no filme de 2004 de Mann, "O Assassino" também se aproveita de uma relação sensorial que uma edição de som fora da curva do Steve Bissinger (de "Transformers") e uma trilha sonora digna de muito prêmios do Atticus Ross e do Trent Reznor (ambos vencedores do Oscar por "A Rede Social"), podem proporcionar - eu diria que essa relação som e imagem é uma peça fundamental que intensifica nossas emoções e nos envolve demais com a trama. Uma aula!
Dito tudo isso, é inegável que o que diferencia essa adaptação está no detalhe como obra cinematográfica e na habilidade de Fincher em explorar as nuances psicológicas do protagonista, proporcionando uma profundidade emocional que dificilmente encontramos em um filme de ação - e sim, "O Assassino" é um clássico filme de ação dos anos 90, fantasiado de drama existencial na mão de um diretor muito acima da média! "The Killer" não é apenas um filme de vingança, é uma experiência visceral que desafia as expectativas de quem assiste e oferece uma nova perspectiva sobre o gênero. Indo um pouco mais longe (com o risco de soar exagerado), eu diria que é uma obra-prima que vai deixar uma marca duradoura na biografia do diretor e que merece o nosso reconhecimento!
Imperdível!
Na linha de "Como Vender Drogas Online (Rápido)" e "Clark", para citar só dois exemplos de produções divertidas sobre "até onde a ganância pode nos levar", "O Cheiro do Ouro" chega com seu humor ácido, personagens cativantes e uma trama envolvente que te prende do início ao fim - eu diria que estamos diante de um ótimo entretenimento e só. Dirigido pelo estreante Jérémie Rozan e diferente das referências citadas, o filme não é baseado em uma história real, embora aborde com muita ironia questões relevantes sobre riqueza geracional e desigualdade social, especialmente em cidades pequenas onde o "sobrenome" vale mais do que tudo. A empresa fictícia Breuil & Sons é apresentada como um símbolo universalmente reconhecível de riqueza e poder, independentemente da sua origem ou das dificuldades que seu fundador passou (não é essa a pauta), justamente por isso que a relação entre "mocinho" e "bandido", "certo" ou "errado", movimenta a trama e inevitavelmente nos conecta com o personagem transgressor - ao ponto de torcermos pelo seu sucesso "custe o que custar".
Daniel Sauveur (Raphaël Quenard) é um rapaz comum que trabalha em uma empresa de logística de perfumes de luxo, cercado por aromas inebriantes e preços exorbitantes. Cansado de sua vida medíocre e da exploração dos "Breuil", seus patrões, ele bola um plano audacioso: desviar perfumes caros para vender no mercado negro bem mais barato. Confira o trailer (em francês):
Mesmo fantasiada de um entretenimento despretensioso e divertido, "O Cheiro do Ouro" realmente constrói um universo bastante particular que nos remete muito ao estilo que Vince Gilligan adora imprimir em seus projetos: personagens cheios de camadas, diálogos afiados e aquela critica desconfortável sobre moralidade, narrado por quem tem os seus motivos para agir daquela forma. A direção de Rozan mostra que sabe bem disso e se apoia nessa premissa para, com uma tocada precisa e criativa, transformar uma história simples em algo dinâmico e apaixonante. Veja, ao levantar discussões sobre o papel dos negócios familiares em uma economia local sem outras oportunidades, o diretor mais uma vez brinca com a percepção (quase sempre fantasiosa) de que uma administração familiar só cria uma geração de “ricos preguiçosos” que dependem apenas da herança e de quem trabalha duro para eles para ganhar ainda mais dinheiro.
Dito isso, não espere uma trama que vai te arrancar gargalhadas, mas com certeza ela irá te fazer pensar sobre a razão daquilo tudo não ser uma série que justificaria explorar mais a fundo cada um daqueles personagens - seria incrível e com muito potencial. Ao nos convidar a refletir sobre temas como desigualdade social, ganância e o sonho de uma vida melhor, a jornada de Daniel nos leva a questionar os valores da sociedade moderna e como a busca por meios, digamos, "alternativos", nem parece tão ruim assim. Raphaël Quenard entrega uma performance interessante, imprimindo aquele carisma do jovem cheio de sonhos e disposto a tudo para ter uma vida mais digna - sim, o protagonista tem aquela sagacidade que adoramos acompanhar, mas sem esquecer do toque de melancolia de quem vive na linha tênue entre o sucesso e o fracasso. Essa ganância angustiante está lá e dita o ritmo da trama.
"O Cheiro do Ouro" é um filme que diverte pela sua simplicidade - nada soa rebuscado e é essa a proposta de Rozan que também escreveu o roteiro - sim, esse é mais um exemplo do "jeito Breaking Bad" de subverter os padrões morais da narrativa em pró do bom entretenimento. Funciona!
Vale o seu play!
Na linha de "Como Vender Drogas Online (Rápido)" e "Clark", para citar só dois exemplos de produções divertidas sobre "até onde a ganância pode nos levar", "O Cheiro do Ouro" chega com seu humor ácido, personagens cativantes e uma trama envolvente que te prende do início ao fim - eu diria que estamos diante de um ótimo entretenimento e só. Dirigido pelo estreante Jérémie Rozan e diferente das referências citadas, o filme não é baseado em uma história real, embora aborde com muita ironia questões relevantes sobre riqueza geracional e desigualdade social, especialmente em cidades pequenas onde o "sobrenome" vale mais do que tudo. A empresa fictícia Breuil & Sons é apresentada como um símbolo universalmente reconhecível de riqueza e poder, independentemente da sua origem ou das dificuldades que seu fundador passou (não é essa a pauta), justamente por isso que a relação entre "mocinho" e "bandido", "certo" ou "errado", movimenta a trama e inevitavelmente nos conecta com o personagem transgressor - ao ponto de torcermos pelo seu sucesso "custe o que custar".
Daniel Sauveur (Raphaël Quenard) é um rapaz comum que trabalha em uma empresa de logística de perfumes de luxo, cercado por aromas inebriantes e preços exorbitantes. Cansado de sua vida medíocre e da exploração dos "Breuil", seus patrões, ele bola um plano audacioso: desviar perfumes caros para vender no mercado negro bem mais barato. Confira o trailer (em francês):
Mesmo fantasiada de um entretenimento despretensioso e divertido, "O Cheiro do Ouro" realmente constrói um universo bastante particular que nos remete muito ao estilo que Vince Gilligan adora imprimir em seus projetos: personagens cheios de camadas, diálogos afiados e aquela critica desconfortável sobre moralidade, narrado por quem tem os seus motivos para agir daquela forma. A direção de Rozan mostra que sabe bem disso e se apoia nessa premissa para, com uma tocada precisa e criativa, transformar uma história simples em algo dinâmico e apaixonante. Veja, ao levantar discussões sobre o papel dos negócios familiares em uma economia local sem outras oportunidades, o diretor mais uma vez brinca com a percepção (quase sempre fantasiosa) de que uma administração familiar só cria uma geração de “ricos preguiçosos” que dependem apenas da herança e de quem trabalha duro para eles para ganhar ainda mais dinheiro.
Dito isso, não espere uma trama que vai te arrancar gargalhadas, mas com certeza ela irá te fazer pensar sobre a razão daquilo tudo não ser uma série que justificaria explorar mais a fundo cada um daqueles personagens - seria incrível e com muito potencial. Ao nos convidar a refletir sobre temas como desigualdade social, ganância e o sonho de uma vida melhor, a jornada de Daniel nos leva a questionar os valores da sociedade moderna e como a busca por meios, digamos, "alternativos", nem parece tão ruim assim. Raphaël Quenard entrega uma performance interessante, imprimindo aquele carisma do jovem cheio de sonhos e disposto a tudo para ter uma vida mais digna - sim, o protagonista tem aquela sagacidade que adoramos acompanhar, mas sem esquecer do toque de melancolia de quem vive na linha tênue entre o sucesso e o fracasso. Essa ganância angustiante está lá e dita o ritmo da trama.
"O Cheiro do Ouro" é um filme que diverte pela sua simplicidade - nada soa rebuscado e é essa a proposta de Rozan que também escreveu o roteiro - sim, esse é mais um exemplo do "jeito Breaking Bad" de subverter os padrões morais da narrativa em pró do bom entretenimento. Funciona!
Vale o seu play!
Viciante e muito envolvente - não existe outra forma de definir a série produzida pela Sky em parceria com o Peacock e aqui distribuída pela Disney+. "O Dia do Chacal", criada pelo showrunner irlandês Ronan Bennett (de "Top Boy") e baseada no clássico de espionagem de Frederick Forsyth, oferece uma releitura moderna e sofisticada da história que se tornou um marco do gênero. Ao mesmo tempo em que permanece fiel à essência do romance original, a série expande suas temáticas e personagens, atualizando o contexto para ressoar com questões mais contemporâneas misturando intrigas políticas, uma ação meticulosa e um suspense psicológico dos mais provocadores. Na linha de "Anna" e de "O Assassino", "The Day of the Jackal" (no original) acerta demais ao explorar os bastidores sombrios de missões clandestinas altamente perigosas e das complexidades morais de ser um assassino de aluguel.
Aqui, a trama gira em torno de um assassino misterioso, conhecido como "O Chacal" (Eddie Redmayne), que acabara de realizar um atentado contra um líder político alemão, mas que agora precisa realizar a missão de eliminar o bilionário Ulle Dag Charles (Khalid Abdalla), conhecido pela sigla UDC, que planeja lançar um produto digital batizado de River - cujo objetivo é tornar transparentes todas as operações financeiras de bilionários como ele. Enquanto o assassino usa de sua inteligência, precisão e habilidades excepcionais para planejar o ataque, forças policiais e de inteligência, liderada pela agente do MI-6, Bianca (Lashana Lynch), correm contra o tempo para impedir o que parece ser uma operação definitiva para o criminoso. Confira o trailer:
O confronto entre o "caçador" e aqueles que o perseguem forma o núcleo principal dessa narrativa que nos impede de parar de assistir. É impressionante como Bennett constrói uma narrativa que alterna momentos de uma tensão realmente palpável com reflexões mais profundas sobre lealdade, ideologia e o impacto da violência na vida da sociedade - sem falar em todas as reviravoltas e traições, além do olhar detalhado sobre os sistemas de poder no mundo da espionagem. O roteiro traz com muita sabedoria toda a atmosfera e o conceito mais misterioso do romance original, porém com um desenvolvimento mais robusto dos personagens, dando maior profundidade tanto para o Chacal quanto para aqueles que tentam detê-lo. Essa abordagem moderna do texto de Forsyth humaniza os personagens sem perder aquela frieza e o rigor técnico que ajudou a obra definir o gênero "thriller".
A direção estabelecida pelo talentoso Brian Kirk (de "Game of Thrones") e pelo Paul Wilmshurst (de "The Last Kingdom) destaca a sensação constante de paranoia e perigo, utilizando inúmeras locações internacionais que reforçam a escala e a urgência de uma missão global que não permite erro. Repare como a fotografia explora a claustrofobia do universo da espionagem mesmo enquadrando os vastos cenários urbanos e rurais que abrigam as operações do Chacal - é o contraste entre os espaços íntimos e públicos que enfatiza a vulnerabilidade dos personagens e a capacidade quase mística do assassino operar nas sombras. Aliás, Redmayne entrega uma performance fantástica, capturando a frieza e a astúcia calculada do seu personagem, com a mesma habilidade com que insinua nuances de motivação e moralidade perfeitamente discutíveis. Outro destaque do elenco que vale o registro é Lashana Lynch - ela é o equilíbrio entre a determinação implacável e o desgaste emocional causado por ter que se dividir entre uma missão ultra-secreta e sua família - sim, eu sei que a premissa é batida, mas não pra negar que ela funciona, né?
Apesar de sua qualidade absurda, é verdade que "O Dia do Chacal" pode enfrentar algumas críticas pela familiaridade de sua história (especialmente para aqueles que já conhecem o romance ou a adaptação cinematográfica de 1973). No entanto, a atualização de contexto proposta por Ronan Bennettjustifica sua existência e oferece uma visão renovada que alinha aos desafios e complexidades do mundo contemporâneo, ou seja, esteja preparado para uma experiência rica e instigante, que reafirma a atemporalidade e a universalidade das questões abordadas por Forsyth em seu romance.
"O Dia do Chacal"captura tanto o coração da história original quanto o espírito de nossa era. Então, pode dar o play sem medo de errar que seu entretenimento está garantido!
Viciante e muito envolvente - não existe outra forma de definir a série produzida pela Sky em parceria com o Peacock e aqui distribuída pela Disney+. "O Dia do Chacal", criada pelo showrunner irlandês Ronan Bennett (de "Top Boy") e baseada no clássico de espionagem de Frederick Forsyth, oferece uma releitura moderna e sofisticada da história que se tornou um marco do gênero. Ao mesmo tempo em que permanece fiel à essência do romance original, a série expande suas temáticas e personagens, atualizando o contexto para ressoar com questões mais contemporâneas misturando intrigas políticas, uma ação meticulosa e um suspense psicológico dos mais provocadores. Na linha de "Anna" e de "O Assassino", "The Day of the Jackal" (no original) acerta demais ao explorar os bastidores sombrios de missões clandestinas altamente perigosas e das complexidades morais de ser um assassino de aluguel.
Aqui, a trama gira em torno de um assassino misterioso, conhecido como "O Chacal" (Eddie Redmayne), que acabara de realizar um atentado contra um líder político alemão, mas que agora precisa realizar a missão de eliminar o bilionário Ulle Dag Charles (Khalid Abdalla), conhecido pela sigla UDC, que planeja lançar um produto digital batizado de River - cujo objetivo é tornar transparentes todas as operações financeiras de bilionários como ele. Enquanto o assassino usa de sua inteligência, precisão e habilidades excepcionais para planejar o ataque, forças policiais e de inteligência, liderada pela agente do MI-6, Bianca (Lashana Lynch), correm contra o tempo para impedir o que parece ser uma operação definitiva para o criminoso. Confira o trailer:
O confronto entre o "caçador" e aqueles que o perseguem forma o núcleo principal dessa narrativa que nos impede de parar de assistir. É impressionante como Bennett constrói uma narrativa que alterna momentos de uma tensão realmente palpável com reflexões mais profundas sobre lealdade, ideologia e o impacto da violência na vida da sociedade - sem falar em todas as reviravoltas e traições, além do olhar detalhado sobre os sistemas de poder no mundo da espionagem. O roteiro traz com muita sabedoria toda a atmosfera e o conceito mais misterioso do romance original, porém com um desenvolvimento mais robusto dos personagens, dando maior profundidade tanto para o Chacal quanto para aqueles que tentam detê-lo. Essa abordagem moderna do texto de Forsyth humaniza os personagens sem perder aquela frieza e o rigor técnico que ajudou a obra definir o gênero "thriller".
A direção estabelecida pelo talentoso Brian Kirk (de "Game of Thrones") e pelo Paul Wilmshurst (de "The Last Kingdom) destaca a sensação constante de paranoia e perigo, utilizando inúmeras locações internacionais que reforçam a escala e a urgência de uma missão global que não permite erro. Repare como a fotografia explora a claustrofobia do universo da espionagem mesmo enquadrando os vastos cenários urbanos e rurais que abrigam as operações do Chacal - é o contraste entre os espaços íntimos e públicos que enfatiza a vulnerabilidade dos personagens e a capacidade quase mística do assassino operar nas sombras. Aliás, Redmayne entrega uma performance fantástica, capturando a frieza e a astúcia calculada do seu personagem, com a mesma habilidade com que insinua nuances de motivação e moralidade perfeitamente discutíveis. Outro destaque do elenco que vale o registro é Lashana Lynch - ela é o equilíbrio entre a determinação implacável e o desgaste emocional causado por ter que se dividir entre uma missão ultra-secreta e sua família - sim, eu sei que a premissa é batida, mas não pra negar que ela funciona, né?
Apesar de sua qualidade absurda, é verdade que "O Dia do Chacal" pode enfrentar algumas críticas pela familiaridade de sua história (especialmente para aqueles que já conhecem o romance ou a adaptação cinematográfica de 1973). No entanto, a atualização de contexto proposta por Ronan Bennettjustifica sua existência e oferece uma visão renovada que alinha aos desafios e complexidades do mundo contemporâneo, ou seja, esteja preparado para uma experiência rica e instigante, que reafirma a atemporalidade e a universalidade das questões abordadas por Forsyth em seu romance.
"O Dia do Chacal"captura tanto o coração da história original quanto o espírito de nossa era. Então, pode dar o play sem medo de errar que seu entretenimento está garantido!