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Buscando...

"Buscando..." é, por si só, um filme criativo - e é partindo desse princípio que o diretor russo Timur Bekmambetov nos provoca uma experiência angustiante, transformando a tela do computador em uma espécie de prisão, que trabalha tão perfeitamente a dicotomia entre a "esperança" e o "desespero" que não serão poucas as vezes que você vai se perguntar "o que eu faria em uma situação como essa e com acesso apenas a um laptop".

O filme acompanha a saga de David Kim (John Cho), um pai que se encontra numa redoma de mistérios depois que sua filha Margot (Michelle La) desaparece deixando apenas alguns poucos vestígios por meio dos rastros virtuais relacionados aos seus acessos nas redes sociais e caixa de mensagens. Ajudando nessa busca, Kim conta com o apoio do irmão Peter (Joseph Lee) e com o atendimento profissional de Vick (Debra Messing), uma detetive dedicada e responsável pelo caso, para juntos tentar encaixar as dezenas de peças e finalmente encontrar o paradeiro de Margot. Confira o trailer:

Há algum tempo histórias contadas sob o ponto de vista de computadores e smartphones, usando de interfaces de webcam, redes sociais e apps de troca de mensagem instantânea, já não são uma grande novidade - o próprio "Amizade Desfeita" (de 2014) usou muito bem algumas dessas ferramentas virtuais para contar uma história de terror bem construída e original (eu diria, inclusive, partindo da mesma essência criativa de "A Bruxa de Blair" de 1999 - mas com um certo "upgrade" tecnológico).

Ao se propor elaborar um conceito narrativo dinâmico, mas ao mesmo tempo não convencional, esse estilo conhecido como "screenlife" de "Buscando..." aproxima o hábito moderno de registrar nossa história virtualmente (ou o que queremos mostrar dela) de uma trama recheada de mistério policial com ótimos plots twists -característica tradicional do gênero. Quando já no prólogo somos apresentados a família Kin por meio de um "passo-a-passo" de instalação de algumas ferramentas do Windows, temos a exata ideia do potencial criativo que esse estilo pode entregar.

Além do drama investigativo (dos bons), o roteiro ainda discute temas muito pertinentes como a falta de privacidade, os impactos da tecnologia nos relacionamentos dos jovens e outras especificidades dessa cultura superficial da sociedade. John Cho mostra todo seu potencial como ator praticamente se apoiando em monólogos estruturados ou em ligações telefônicas bem orquestradas no estilo de "Calls".

Veja, são esses elementos narrativos que parecem simples, mas que na verdade são até mais complexos como processo cinematográfico - Bekmambetov, por exemplo, precisou de três diretores de fotografia para contar a história: Juan Sebastian Baron ficou responsável pelas cenas externas enquanto Will Merrick e Nicholas D. Johnson cuidaram das cenas virtuais. O desenho de produção de Angel Herrera é o que une tudo: são os ambientes íntimos dos personagens que trazem veracidade para uma jornada que soa irreal.

"Buscando..." é um drama com elementos policiais que usa do que o online tem de melhor (e de pior) para criar uma verdadeira e dinâmica imersão visual e narrativa.

Vale muito a pena!

Up Date: O filme foi duplamente premiado no Festival de Sundance em 2018 - inclusive como "Melhor Filme" escolhido pelo público.

Assista Agora

"Buscando..." é, por si só, um filme criativo - e é partindo desse princípio que o diretor russo Timur Bekmambetov nos provoca uma experiência angustiante, transformando a tela do computador em uma espécie de prisão, que trabalha tão perfeitamente a dicotomia entre a "esperança" e o "desespero" que não serão poucas as vezes que você vai se perguntar "o que eu faria em uma situação como essa e com acesso apenas a um laptop".

O filme acompanha a saga de David Kim (John Cho), um pai que se encontra numa redoma de mistérios depois que sua filha Margot (Michelle La) desaparece deixando apenas alguns poucos vestígios por meio dos rastros virtuais relacionados aos seus acessos nas redes sociais e caixa de mensagens. Ajudando nessa busca, Kim conta com o apoio do irmão Peter (Joseph Lee) e com o atendimento profissional de Vick (Debra Messing), uma detetive dedicada e responsável pelo caso, para juntos tentar encaixar as dezenas de peças e finalmente encontrar o paradeiro de Margot. Confira o trailer:

Há algum tempo histórias contadas sob o ponto de vista de computadores e smartphones, usando de interfaces de webcam, redes sociais e apps de troca de mensagem instantânea, já não são uma grande novidade - o próprio "Amizade Desfeita" (de 2014) usou muito bem algumas dessas ferramentas virtuais para contar uma história de terror bem construída e original (eu diria, inclusive, partindo da mesma essência criativa de "A Bruxa de Blair" de 1999 - mas com um certo "upgrade" tecnológico).

Ao se propor elaborar um conceito narrativo dinâmico, mas ao mesmo tempo não convencional, esse estilo conhecido como "screenlife" de "Buscando..." aproxima o hábito moderno de registrar nossa história virtualmente (ou o que queremos mostrar dela) de uma trama recheada de mistério policial com ótimos plots twists -característica tradicional do gênero. Quando já no prólogo somos apresentados a família Kin por meio de um "passo-a-passo" de instalação de algumas ferramentas do Windows, temos a exata ideia do potencial criativo que esse estilo pode entregar.

Além do drama investigativo (dos bons), o roteiro ainda discute temas muito pertinentes como a falta de privacidade, os impactos da tecnologia nos relacionamentos dos jovens e outras especificidades dessa cultura superficial da sociedade. John Cho mostra todo seu potencial como ator praticamente se apoiando em monólogos estruturados ou em ligações telefônicas bem orquestradas no estilo de "Calls".

Veja, são esses elementos narrativos que parecem simples, mas que na verdade são até mais complexos como processo cinematográfico - Bekmambetov, por exemplo, precisou de três diretores de fotografia para contar a história: Juan Sebastian Baron ficou responsável pelas cenas externas enquanto Will Merrick e Nicholas D. Johnson cuidaram das cenas virtuais. O desenho de produção de Angel Herrera é o que une tudo: são os ambientes íntimos dos personagens que trazem veracidade para uma jornada que soa irreal.

"Buscando..." é um drama com elementos policiais que usa do que o online tem de melhor (e de pior) para criar uma verdadeira e dinâmica imersão visual e narrativa.

Vale muito a pena!

Up Date: O filme foi duplamente premiado no Festival de Sundance em 2018 - inclusive como "Melhor Filme" escolhido pelo público.

Assista Agora

Cadáver

"Cadáver" (ou Kadaver, no seu título original) é um filme norueguês que vem chamando muito a atenção dos assinantes da Netflix por apresentar uma história criativa bem ao estilo "Sleep No More" - espetáculo que trás uma interessante proposta narrativa conhecida como teatro de imersão. Vale ressaltar que essa é, provavelmente, a experiência teatral mais original em muito tempo, de Nova York, onde você não senta para assistir a peça, pois não existe palco para se ter platéia; se você quer saber a história, é preciso acompanhar os atores pelos corredores e cômodos de um hotel, vivenciar as cenas, mesmo que mascarados para diferenciar público de personagens.

Pois bem, esse suspense psicológico da Netflix mostra uma cidade arrasada por uma catástrofe nuclear, onde as pessoas não tem o que comer e, literalmente, estão morrendo de fome e de frio pelas ruas. Escondidos em uma casa, a ex-atriz Leo (Gitte Witt) tenta sobreviver como pode com sua filha de dez anos, Alice (Tuva Olivia Remman), e com seu marido, Jacob (Thomas Gullestad). É nessa realidade devastadora, mas relativizada pelo lúdico da relação mãe e filha, que surge um fio de esperança quando o dono de um hotel de luxo da cidade convida alguns moradores para um misterioso jantar que culminará, justamente, em um bizarro espetáculo de teatro imersivo! Confira o trailer:

Talvez "Cadáver" não tenha o impacto visual para chocar ou até uma profundidade narrativa como o "O Poço", porém é preciso dizer que o diretor e roteirista Jarand Herdal (Everywhen) teve o grande mérito de criar uma constante tensão se apoiando muito mais no medo do desconhecido do que nos sustos que poderíamos levar durante o filme e isso, propositalmente, nos remete ao estilo de entretenimento que temos ao assistir um teatro imersivo: o fato de Herdal manipular nossa curiosidade ao mesmo tempo que manipula as sensações de insegurança dos protagonistas nos coloca dentro daquela realidade!

Saiba que não se trata de algo tão marcante, mas mesmo assim vale muito a pena se você se interessa pelo estilo do filme, por se tratar de uma escola cinematográfica completamente diferente do que estamos acostumados e, claro, por nos provocar a entender o que de fato está acontecendo ali.

Quando entendemos que a maior referência de "Cadáver" vem da obra de Lewis Carroll e é praticamente uma versão macabra de "Alice no País das Maravilhas", tudo passa a fazer um pouco mais de sentido. Veja: Alice é uma linda menina loira, seu bicho de pelúcia é um coelho, o convite para o chá na verdade é um banquete que antecede o espetáculo, Mathias é um anfitrião maluco como o chapeleiro, o cenário é repleto de espelhos, buracos e formas, e o tempo se torna questão de sobrevivência para tentar encontrar o caminho de volta para casa. Reparem: não é por acaso que, na chegada da família ao hotel, Mathias diz, encantado com a pequena Alice:Você deixa eu te mostrar o meu País das Maravilhas?”

Marcante como a versão de Tim Burton para o clássico de Carroll, "Cadáver" trás a bela fotografia de Jallo Faber que mostra diferentes ambientes, separados como universos, a partir de uma predominância azulada e fria para o mundo exterior, pontuada com o vermelho do figurino de Alice, e uma linha mais amarelada, quente, quase "kubrickiana" dentro do hotel. Aliás, o cenário é quase um copy/paste de "O Iluminado" - repleto de corredores longos e escuros, quadros de animais (na maioria das vezes, mortos) e um mobilia pesada, vitoriana.

Se visualmente o filme chama atenção é no roteiro que ele vacila: Herdal pesa na mão ao focar na busca desesperada de uma mãe por sua filha e esquece de tudo que está acontecendo a sua volta. Não que isso não carregue um drama natural, mas é que quase nada é revelado durante os dois primeiros atos e, de repente, tudo é despejado no terceiro para finalizar o arco principal e os secundários, sem muitas explicações e com motivações bem previsíveis, eu diria.

É fato que a história não tem um ritmo tão marcante quanto "Us" do Jordan Peele, por exemplo, mas é impossível negar que ela não te prenda! Por tudo isso vale a recomendação e a promessa de um entretenimento de qualidade, mas que não vai ser inesquecível (como poderia)!

Assista Agora

"Cadáver" (ou Kadaver, no seu título original) é um filme norueguês que vem chamando muito a atenção dos assinantes da Netflix por apresentar uma história criativa bem ao estilo "Sleep No More" - espetáculo que trás uma interessante proposta narrativa conhecida como teatro de imersão. Vale ressaltar que essa é, provavelmente, a experiência teatral mais original em muito tempo, de Nova York, onde você não senta para assistir a peça, pois não existe palco para se ter platéia; se você quer saber a história, é preciso acompanhar os atores pelos corredores e cômodos de um hotel, vivenciar as cenas, mesmo que mascarados para diferenciar público de personagens.

Pois bem, esse suspense psicológico da Netflix mostra uma cidade arrasada por uma catástrofe nuclear, onde as pessoas não tem o que comer e, literalmente, estão morrendo de fome e de frio pelas ruas. Escondidos em uma casa, a ex-atriz Leo (Gitte Witt) tenta sobreviver como pode com sua filha de dez anos, Alice (Tuva Olivia Remman), e com seu marido, Jacob (Thomas Gullestad). É nessa realidade devastadora, mas relativizada pelo lúdico da relação mãe e filha, que surge um fio de esperança quando o dono de um hotel de luxo da cidade convida alguns moradores para um misterioso jantar que culminará, justamente, em um bizarro espetáculo de teatro imersivo! Confira o trailer:

Talvez "Cadáver" não tenha o impacto visual para chocar ou até uma profundidade narrativa como o "O Poço", porém é preciso dizer que o diretor e roteirista Jarand Herdal (Everywhen) teve o grande mérito de criar uma constante tensão se apoiando muito mais no medo do desconhecido do que nos sustos que poderíamos levar durante o filme e isso, propositalmente, nos remete ao estilo de entretenimento que temos ao assistir um teatro imersivo: o fato de Herdal manipular nossa curiosidade ao mesmo tempo que manipula as sensações de insegurança dos protagonistas nos coloca dentro daquela realidade!

Saiba que não se trata de algo tão marcante, mas mesmo assim vale muito a pena se você se interessa pelo estilo do filme, por se tratar de uma escola cinematográfica completamente diferente do que estamos acostumados e, claro, por nos provocar a entender o que de fato está acontecendo ali.

Quando entendemos que a maior referência de "Cadáver" vem da obra de Lewis Carroll e é praticamente uma versão macabra de "Alice no País das Maravilhas", tudo passa a fazer um pouco mais de sentido. Veja: Alice é uma linda menina loira, seu bicho de pelúcia é um coelho, o convite para o chá na verdade é um banquete que antecede o espetáculo, Mathias é um anfitrião maluco como o chapeleiro, o cenário é repleto de espelhos, buracos e formas, e o tempo se torna questão de sobrevivência para tentar encontrar o caminho de volta para casa. Reparem: não é por acaso que, na chegada da família ao hotel, Mathias diz, encantado com a pequena Alice:Você deixa eu te mostrar o meu País das Maravilhas?”

Marcante como a versão de Tim Burton para o clássico de Carroll, "Cadáver" trás a bela fotografia de Jallo Faber que mostra diferentes ambientes, separados como universos, a partir de uma predominância azulada e fria para o mundo exterior, pontuada com o vermelho do figurino de Alice, e uma linha mais amarelada, quente, quase "kubrickiana" dentro do hotel. Aliás, o cenário é quase um copy/paste de "O Iluminado" - repleto de corredores longos e escuros, quadros de animais (na maioria das vezes, mortos) e um mobilia pesada, vitoriana.

Se visualmente o filme chama atenção é no roteiro que ele vacila: Herdal pesa na mão ao focar na busca desesperada de uma mãe por sua filha e esquece de tudo que está acontecendo a sua volta. Não que isso não carregue um drama natural, mas é que quase nada é revelado durante os dois primeiros atos e, de repente, tudo é despejado no terceiro para finalizar o arco principal e os secundários, sem muitas explicações e com motivações bem previsíveis, eu diria.

É fato que a história não tem um ritmo tão marcante quanto "Us" do Jordan Peele, por exemplo, mas é impossível negar que ela não te prenda! Por tudo isso vale a recomendação e a promessa de um entretenimento de qualidade, mas que não vai ser inesquecível (como poderia)!

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Calls

"Calls" é uma das melhores séries de ficção científica que já assisti - e o que poderia ser apenas uma opinião pontual acaba ganhando muito peso quando definimos o que essa experiência audiovisual inovadora representa através de um conceito narrativo bastante antigo: "para que uma história seja uma boa história, ela precisa apenas ser sentida"! Mas como isso é possível? Simples, porém genial: em "Calls" o que interessa são os diálogos que ouvimos e não a ação que poderíamos ver -na tela, só assistimos algumas animações que pontuam criativamente uma conversa pelo telefone ou pelo celular. 

Essa série originalmente francesa foi criada porTimothée Hochet, teve sua versão americana adaptada pelo excelente diretor uruguaio Fede Álvarez (de "O Homem nas Trevas") para oApple TV+. Sem entrar em muitos detalhes para não estragar a experiência sensorial que é assistir "Calls", sua premissa é enganosamente simples, ou seja, em cada episódio (aparentemente independente) temos acesso as conversas telefônicas entre duas ou mais pessoas lidando com uma situação aparentemente casual, mas que vai ganhando contornos (literalmente) fantásticos, recheados de suspense e drama. Confira o trailer:

Antes de mais nada eu preciso dizer que "Calls" pode até causar um estranhamento inicial, mas se você gosta de ficção cientifica, não desista! É claro que o fato de não podermos assistir o que está sendo captado pelo áudio das ligações, naturalmente, nos gera certa ansiedade e angustia. Ao acreditar em uma experiência imersiva e sensorial como essa, só nos resta imaginar - como nos bons tempos da rádio e mais recentemente como alguns audiobooks ou podcasts recheados de stroytelling.

Os episódios de 15 minutos em média são extremamente bem dirigidos! Os atores são incríveis e aqui cabe um conselho: não assista dublado em hipótese alguma! No elenco temos ótimos atores como Aaron Taylor-Johnson,  Pedro Pascal, Aubrey Plaza, Mark Duplass, Rosario Dawson, Nick Jonas. Outro elemento técnico que salta aos olhos, ou melhor, "aos ouvidos", é o desenho de som e a mixagem da série - é o equilíbrio perfeito entre efeitos, trilha e voz! É impressionante como essa arte é levada para outro patamar com o objetivo claro de mexer com nossas sensações - e consegue!

Não se enganem: o diretor, todo elenco e as soluções técnicas e artísticas da série evitam que "Calls" possa ser classificada como um simples podcast ou ou até uma radionovela. As imagens que transitam entre o abstrato e o realismo tecnológico das ondas sonoras, de fato, contam ou ajudam a contar uma história extremamente bem construída e cheia de detalhes assustadores - mesmo sendo apenas retas, pontos e distorções, essas animações estão completamente alinhadas com o tom da narrativa e elas transformam a maneira com que vivenciamos todo mistério - é como se estivéssemos ouvindo a conversa alheia ou, por curiosidade, a caixa preta de uma avião antes de um acidente fatal! Emocionante e Angustiante, com o mesmo peso dramático!

Vale muito a pena: pela experiência, pela inovação e pela história bem amarrada!

Assista Agora

"Calls" é uma das melhores séries de ficção científica que já assisti - e o que poderia ser apenas uma opinião pontual acaba ganhando muito peso quando definimos o que essa experiência audiovisual inovadora representa através de um conceito narrativo bastante antigo: "para que uma história seja uma boa história, ela precisa apenas ser sentida"! Mas como isso é possível? Simples, porém genial: em "Calls" o que interessa são os diálogos que ouvimos e não a ação que poderíamos ver -na tela, só assistimos algumas animações que pontuam criativamente uma conversa pelo telefone ou pelo celular. 

Essa série originalmente francesa foi criada porTimothée Hochet, teve sua versão americana adaptada pelo excelente diretor uruguaio Fede Álvarez (de "O Homem nas Trevas") para oApple TV+. Sem entrar em muitos detalhes para não estragar a experiência sensorial que é assistir "Calls", sua premissa é enganosamente simples, ou seja, em cada episódio (aparentemente independente) temos acesso as conversas telefônicas entre duas ou mais pessoas lidando com uma situação aparentemente casual, mas que vai ganhando contornos (literalmente) fantásticos, recheados de suspense e drama. Confira o trailer:

Antes de mais nada eu preciso dizer que "Calls" pode até causar um estranhamento inicial, mas se você gosta de ficção cientifica, não desista! É claro que o fato de não podermos assistir o que está sendo captado pelo áudio das ligações, naturalmente, nos gera certa ansiedade e angustia. Ao acreditar em uma experiência imersiva e sensorial como essa, só nos resta imaginar - como nos bons tempos da rádio e mais recentemente como alguns audiobooks ou podcasts recheados de stroytelling.

Os episódios de 15 minutos em média são extremamente bem dirigidos! Os atores são incríveis e aqui cabe um conselho: não assista dublado em hipótese alguma! No elenco temos ótimos atores como Aaron Taylor-Johnson,  Pedro Pascal, Aubrey Plaza, Mark Duplass, Rosario Dawson, Nick Jonas. Outro elemento técnico que salta aos olhos, ou melhor, "aos ouvidos", é o desenho de som e a mixagem da série - é o equilíbrio perfeito entre efeitos, trilha e voz! É impressionante como essa arte é levada para outro patamar com o objetivo claro de mexer com nossas sensações - e consegue!

Não se enganem: o diretor, todo elenco e as soluções técnicas e artísticas da série evitam que "Calls" possa ser classificada como um simples podcast ou ou até uma radionovela. As imagens que transitam entre o abstrato e o realismo tecnológico das ondas sonoras, de fato, contam ou ajudam a contar uma história extremamente bem construída e cheia de detalhes assustadores - mesmo sendo apenas retas, pontos e distorções, essas animações estão completamente alinhadas com o tom da narrativa e elas transformam a maneira com que vivenciamos todo mistério - é como se estivéssemos ouvindo a conversa alheia ou, por curiosidade, a caixa preta de uma avião antes de um acidente fatal! Emocionante e Angustiante, com o mesmo peso dramático!

Vale muito a pena: pela experiência, pela inovação e pela história bem amarrada!

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Cela 211

"Cela 211" é um grande filme, mas não é uma grande produção - o que eu quero dizer é que o roteiro de Jorge Guerricaechevarría (El Bar) e do diretor Daniel Monzón (O Segredo de Kovak) merecia um orçamento de super-produção (tipo "Prison Break") - o que inviabilizaria o projeto; então será preciso fechar os olhos para a falta de cuidado no que acontece em segundo plano, mesmo tendo no foco da narrativa um grande ator como Luis Tosar (de "Quem com ferro fere"). É preciso dizer também que eram outros tempos, quando do lançamento de "Cela 211", uma era pré-streaming, portanto é natural essa dificuldade na produção, mas eu adianto: essas limitações pouco vão interferir na experiência imersiva que é assistir o filme!

Juan Oliver (Alberto Ammann) é um funcionário novato de uma prisão espanhola, que acaba sofrendo um acidente no seu primeiro dia de trabalho. Acontece que logo depois explode um motim justamente na área onde Oliver está sendo cuidado e que acaba sendo tomada pelos presos mais temidos e perigosos, encabeçado por Mala Madre (Luis Tosar). Para salvar suas vidas, os companheiros de Oliver fogem deixando ele desmaiado na cela 211 - a única vazia do pavilhão. Ao acordar, Oliver compreende o perigo da situação e resolve se passar por um presidiário perante os amotinados. A partir desse momento, o protagonista tem que sobreviver a base de mentiras até que tudo muda de uma hora para outra. Confira o trailer original, com legendas em inglês:

Vencedor de 8 prêmios Goya em 2010 (o Oscar Espanhol), entre eles o de Melhor Filme, superando, inclusive, o sensacional "O Segredo dos seus Olhos", "Cela 211" se estabelece como uma crítica pesada às condições precárias a que os presos são submetidos e ao funcionamento do sistema carcerário espanhol. Porém esse é só o pano fundo para discutir algo muito mais profundo: a capacidade que o "meio" tem de corromper até aqueles de caráter (aparentemente) inabalável - e o pior de tudo é que damos razão a essa transformação do personagem porque o sistema é realmente falho e muitas vezes até desleal.

Sem dúvida que o ponto alto do filme é a bem estruturada construção da personalidade complexa do protagonista, que vai de um extremo ao outro durante as quase duas horas de filme, sempre motivado por situações onde as próprias relações com os presos e com os funcionários do presídio, vão sendo propostas - essa transformação me lembrou muito uma imperdível minissérie da HBO chamada "The Night Of". Como Riz Ahmed lá, Ammann se apoia em pequenas expressões, sem apelar para o exagero, trazendo uma realidade brutal para seu personagem que chega a ser impressionante, enquanto Luis Tosar nos entrega um antagonista, líder entre os presidiários, Malamadre, controlado e assustador - ambas performances, inclusive, foram vencedoras no Goya.

"Cela 211" é mais um belo trabalho do cinema espanhol, com uma narrativa ágil e muito bem construída,que chega ao ápice no final do segundo ato com uma reviravolta surpreendente e, na minha opinião, extremamente corajosa. Aliás, o filme do talentoso Daniel Monzón, em nenhum momento cai na covardia de encontrar o caminho mais fácil, mesmo nas passagens mais previsíveis, ele encontra camadas que geram, no mínimo, certa angústia em quem assiste. Com um tom independente, "Cela 211" deve agradar a todos que buscam um bom drama com ótimos elementos de ação.

Vale a pena!

Assista Agora

"Cela 211" é um grande filme, mas não é uma grande produção - o que eu quero dizer é que o roteiro de Jorge Guerricaechevarría (El Bar) e do diretor Daniel Monzón (O Segredo de Kovak) merecia um orçamento de super-produção (tipo "Prison Break") - o que inviabilizaria o projeto; então será preciso fechar os olhos para a falta de cuidado no que acontece em segundo plano, mesmo tendo no foco da narrativa um grande ator como Luis Tosar (de "Quem com ferro fere"). É preciso dizer também que eram outros tempos, quando do lançamento de "Cela 211", uma era pré-streaming, portanto é natural essa dificuldade na produção, mas eu adianto: essas limitações pouco vão interferir na experiência imersiva que é assistir o filme!

Juan Oliver (Alberto Ammann) é um funcionário novato de uma prisão espanhola, que acaba sofrendo um acidente no seu primeiro dia de trabalho. Acontece que logo depois explode um motim justamente na área onde Oliver está sendo cuidado e que acaba sendo tomada pelos presos mais temidos e perigosos, encabeçado por Mala Madre (Luis Tosar). Para salvar suas vidas, os companheiros de Oliver fogem deixando ele desmaiado na cela 211 - a única vazia do pavilhão. Ao acordar, Oliver compreende o perigo da situação e resolve se passar por um presidiário perante os amotinados. A partir desse momento, o protagonista tem que sobreviver a base de mentiras até que tudo muda de uma hora para outra. Confira o trailer original, com legendas em inglês:

Vencedor de 8 prêmios Goya em 2010 (o Oscar Espanhol), entre eles o de Melhor Filme, superando, inclusive, o sensacional "O Segredo dos seus Olhos", "Cela 211" se estabelece como uma crítica pesada às condições precárias a que os presos são submetidos e ao funcionamento do sistema carcerário espanhol. Porém esse é só o pano fundo para discutir algo muito mais profundo: a capacidade que o "meio" tem de corromper até aqueles de caráter (aparentemente) inabalável - e o pior de tudo é que damos razão a essa transformação do personagem porque o sistema é realmente falho e muitas vezes até desleal.

Sem dúvida que o ponto alto do filme é a bem estruturada construção da personalidade complexa do protagonista, que vai de um extremo ao outro durante as quase duas horas de filme, sempre motivado por situações onde as próprias relações com os presos e com os funcionários do presídio, vão sendo propostas - essa transformação me lembrou muito uma imperdível minissérie da HBO chamada "The Night Of". Como Riz Ahmed lá, Ammann se apoia em pequenas expressões, sem apelar para o exagero, trazendo uma realidade brutal para seu personagem que chega a ser impressionante, enquanto Luis Tosar nos entrega um antagonista, líder entre os presidiários, Malamadre, controlado e assustador - ambas performances, inclusive, foram vencedoras no Goya.

"Cela 211" é mais um belo trabalho do cinema espanhol, com uma narrativa ágil e muito bem construída,que chega ao ápice no final do segundo ato com uma reviravolta surpreendente e, na minha opinião, extremamente corajosa. Aliás, o filme do talentoso Daniel Monzón, em nenhum momento cai na covardia de encontrar o caminho mais fácil, mesmo nas passagens mais previsíveis, ele encontra camadas que geram, no mínimo, certa angústia em quem assiste. Com um tom independente, "Cela 211" deve agradar a todos que buscam um bom drama com ótimos elementos de ação.

Vale a pena!

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Chloe

Chloe

Essa minissérie co-produzida pela Amazon com a BBC dividiu opinões - a nossa, no entanto, é que vale muito a pena; eu diria até que é aquele tipo de entretenimento despretensioso que realmente vale a maratona em um final de semana chuvoso sem sair debaixo do cobertor! "Chloe" é uma criação de Alice Seabright (a mente criativa por trás de "Sex Education") que traz para a tela uma espécie de suspense psicológico que sabe explorar com muita sensibilidade temas como identidade e obsessão, sempre pautada pela percepção construída nas redes sociais. A trama é centrada na vida de Becky Green (Erin Doherty), uma jovem introspectiva e solitária que passa seus dias comparando sua própria vida com as imagens cuidadosamente montadas que vê nas redes sociais, especialmente no perfil de Chloe (Poppy Gilbert), uma influenciadora aparentemente perfeita. O interessante dessa premissa é como ela se aprofunda nas consequências emocionais de uma obsessão digital, e como essa dependência pode fazer alguém se perder na busca por uma vida perfeita que sabemos, nem existe!

A narrativa começa quando Becky descobre que Chloe morreu sob circunstâncias misteriosas. Dominada pela curiosidade e pela obsessão que já nutria pela vida glamorosa da influenciadora, Becky adota uma nova identidade para se infiltrar no círculo social de Chloe e assim tentar desvendar os segredos por trás de sua morte. À medida que ela se aproxima de pessoas próximas a Chloe, Becky começa a viver uma vida dupla, mergulhando cada vez mais fundo em uma teia de mentiras que além de insustentável, é muito perigosa. Confira o trailer:

O interessante de "Chloe", sem dúvida, é a forma como seu roteiro nos transporta, com uma certa familiaridade, para uma jornada envolvente e empolgante - é uma experiência que mistura o melhor de "Inventando Anna" com o mistério de "Garota Exemplar". A história criada por Seabright é inteligente e cheia de camadas, revelando de uma maneira não linear uma trama que deixa muito espaço para um tipo de ambiguidade que nos provoca a cada episódio - Becky, por exemplo, é uma personagem difícil de cravar de imediato se é do bem ou do mal (a relação com sua mãe diz muito sobre isso). O mistério em torno da morte de Chloe é outro fator que equilibra a narrativa - ele se desenvolve gradualmente, mantendo a audiência engajada e questionando constantemente a confiabilidade de Becky como narradora. A minissérie, é preciso que se diga, se destaca por evitar explicações fáceis ou pela escolha de caminhos convencionais, optando por uma abordagem que valoriza a complexidade emocional e psicológica dos personagens.

Seabright e Amanda Boyle (de "Skins") sabem como construir uma atmosfera de tensão ao mesmo tempo que manipulam habilmente as nossas percepções sobre Becky e sobre as reais motivações sobre sua busca pela verdade. A direção inova ao usar como pano de fundo o mistério para aí sim explorar os perigos da auto-promoção digital - repare como é palpável a forma como roteiro retrata as redes sociais e como elas podem intensificar os sentimentos de inadequação e inveja. "Chloe" é um ótimo exemplo de como as redes se tornam um terreno fértil para a idealização e a alienação, ao mesmo tempo em que questiona a capacidade de realmente conhecer alguém pela vida que projeta online. Becky, nesse sentido, é uma personagem multifacetada, complexa e, muitas vezes, desconfortável por suas inseguranças, o que torna essa jornada psicológica tão fascinante quanto inquietante. Erin Doherty oferece uma performance memorável - ela captura a solidão de sua personagem, alternando uma certa vulnerabilidade com uma frieza quase psicopata.

Alinhada ao conceito misterioso da história, a minissérie abusa de sua paleta de cores frias e dos cenários cuidadosamente enquadrados para intensificar o sentimento de isolamento e de observação de Beck - essa proposta torna a nossa experiência visualmente bem imersiva, mas nos tira da zona de conforto a todo momento. Se com muita criatividade, as cenas que se alternam entre o mundo real e o digital são montadas de maneira fluida, criando uma narrativa que reflete o impacto psicológico das redes sociais sobre a protagonista, permitindo um mergulho profundo no seu psicológico; o fator investigativo pode parecer mais arrastado que o normal - dito isso, tenha alguma paciência e não espere um final emblemático. Saiba que em "Chloe" o caminho é até mais interessante que seu destino e é isso que vai te divertir durante os seis episódios!

Vale seu play!

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Essa minissérie co-produzida pela Amazon com a BBC dividiu opinões - a nossa, no entanto, é que vale muito a pena; eu diria até que é aquele tipo de entretenimento despretensioso que realmente vale a maratona em um final de semana chuvoso sem sair debaixo do cobertor! "Chloe" é uma criação de Alice Seabright (a mente criativa por trás de "Sex Education") que traz para a tela uma espécie de suspense psicológico que sabe explorar com muita sensibilidade temas como identidade e obsessão, sempre pautada pela percepção construída nas redes sociais. A trama é centrada na vida de Becky Green (Erin Doherty), uma jovem introspectiva e solitária que passa seus dias comparando sua própria vida com as imagens cuidadosamente montadas que vê nas redes sociais, especialmente no perfil de Chloe (Poppy Gilbert), uma influenciadora aparentemente perfeita. O interessante dessa premissa é como ela se aprofunda nas consequências emocionais de uma obsessão digital, e como essa dependência pode fazer alguém se perder na busca por uma vida perfeita que sabemos, nem existe!

A narrativa começa quando Becky descobre que Chloe morreu sob circunstâncias misteriosas. Dominada pela curiosidade e pela obsessão que já nutria pela vida glamorosa da influenciadora, Becky adota uma nova identidade para se infiltrar no círculo social de Chloe e assim tentar desvendar os segredos por trás de sua morte. À medida que ela se aproxima de pessoas próximas a Chloe, Becky começa a viver uma vida dupla, mergulhando cada vez mais fundo em uma teia de mentiras que além de insustentável, é muito perigosa. Confira o trailer:

O interessante de "Chloe", sem dúvida, é a forma como seu roteiro nos transporta, com uma certa familiaridade, para uma jornada envolvente e empolgante - é uma experiência que mistura o melhor de "Inventando Anna" com o mistério de "Garota Exemplar". A história criada por Seabright é inteligente e cheia de camadas, revelando de uma maneira não linear uma trama que deixa muito espaço para um tipo de ambiguidade que nos provoca a cada episódio - Becky, por exemplo, é uma personagem difícil de cravar de imediato se é do bem ou do mal (a relação com sua mãe diz muito sobre isso). O mistério em torno da morte de Chloe é outro fator que equilibra a narrativa - ele se desenvolve gradualmente, mantendo a audiência engajada e questionando constantemente a confiabilidade de Becky como narradora. A minissérie, é preciso que se diga, se destaca por evitar explicações fáceis ou pela escolha de caminhos convencionais, optando por uma abordagem que valoriza a complexidade emocional e psicológica dos personagens.

Seabright e Amanda Boyle (de "Skins") sabem como construir uma atmosfera de tensão ao mesmo tempo que manipulam habilmente as nossas percepções sobre Becky e sobre as reais motivações sobre sua busca pela verdade. A direção inova ao usar como pano de fundo o mistério para aí sim explorar os perigos da auto-promoção digital - repare como é palpável a forma como roteiro retrata as redes sociais e como elas podem intensificar os sentimentos de inadequação e inveja. "Chloe" é um ótimo exemplo de como as redes se tornam um terreno fértil para a idealização e a alienação, ao mesmo tempo em que questiona a capacidade de realmente conhecer alguém pela vida que projeta online. Becky, nesse sentido, é uma personagem multifacetada, complexa e, muitas vezes, desconfortável por suas inseguranças, o que torna essa jornada psicológica tão fascinante quanto inquietante. Erin Doherty oferece uma performance memorável - ela captura a solidão de sua personagem, alternando uma certa vulnerabilidade com uma frieza quase psicopata.

Alinhada ao conceito misterioso da história, a minissérie abusa de sua paleta de cores frias e dos cenários cuidadosamente enquadrados para intensificar o sentimento de isolamento e de observação de Beck - essa proposta torna a nossa experiência visualmente bem imersiva, mas nos tira da zona de conforto a todo momento. Se com muita criatividade, as cenas que se alternam entre o mundo real e o digital são montadas de maneira fluida, criando uma narrativa que reflete o impacto psicológico das redes sociais sobre a protagonista, permitindo um mergulho profundo no seu psicológico; o fator investigativo pode parecer mais arrastado que o normal - dito isso, tenha alguma paciência e não espere um final emblemático. Saiba que em "Chloe" o caminho é até mais interessante que seu destino e é isso que vai te divertir durante os seis episódios!

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Cisne Negro

"Cisne Negro" é um verdadeiro espetáculo visual - daqueles inesquecíveis que merecem um play quantas vezes forem necessários para podermos absorver a potência de uma narrativa extremamente marcante! Sem dúvida, um thriller psicológico dos mais intensos e emocionantes, dirigido pelo talentoso Darren Aronofsky (de "Mãe!") e estrelado por uma Natalie Portman no melhor de sua forma - tanto que sua performance lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz em 2011.

A história é até que simples, deixando sua complexidade para as diversas camadas emocionais da protagonista Nina (Portman), uma bailarina ambiciosa que é escolhida para o desafio de interpretar um papel duplo de cisne branco e negro em uma produção do tradicional "O Lago dos Cisnes". Confira o trailer (em inglês):

"Black Swan" (no original) chama atenção por suas imagens deslumbrantes, mérito do diretor de fotografia Matthew Libatique (de "Nasce uma Estrela") e por sua coreografia impecável que transporta a audiência para o universo da dança de uma forma impressionante - eu diria que é como se fosse uma versão de "Any Given Sunday" só que em cima do palco! A atuação de Portman também merece todos os elogios - ela é, de fato, excepcional. Ela mergulha profundamente nas nuances mais sensíveis da personagem, mostrando uma personalidade carregada de dramaticidade que transita entre a fragilidade e a obsessão em um suspiro, um olhar.

A direção de Aronofsky é fantástica - ele usa o simbolismo do cisne branco e negro para explorar temas espinhosos como a dualidade, a perfeição e a obstinação. Tudo misturado, com tons tão desconexos que o incômodo narrativo acaba fazendo parte da experiência. A trilha sonora, que incorpora elementos da música clássica de Tchaikovsky, potencializa esse conceito - ela é tão arrepiante quanto emocionante, adicionando ainda mais tensão para a trama.

É inegável que o filme tem uma atmosfera sombria e claustrofóbica, o que nos causa a sensação de que algo terrível está prestes a acontecer em todo momento. Essa tensão é construída gradualmente até o clímax final, mas muito antes, "Cisne Negro" já poderia ser considerado uma obra-prima do cinema moderno. Olha, essa é uma mistura perfeita de drama, suspense e arte, fazendo com que o filme fique na nossa mente por muito tempo depois que os créditos subirem. 

Vale muito a pena! 

Up-date: "Cisne Negro" foi indicado em 5 categorias no Oscar 2011, inclusive de Melhor Filme do Ano!

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"Cisne Negro" é um verdadeiro espetáculo visual - daqueles inesquecíveis que merecem um play quantas vezes forem necessários para podermos absorver a potência de uma narrativa extremamente marcante! Sem dúvida, um thriller psicológico dos mais intensos e emocionantes, dirigido pelo talentoso Darren Aronofsky (de "Mãe!") e estrelado por uma Natalie Portman no melhor de sua forma - tanto que sua performance lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz em 2011.

A história é até que simples, deixando sua complexidade para as diversas camadas emocionais da protagonista Nina (Portman), uma bailarina ambiciosa que é escolhida para o desafio de interpretar um papel duplo de cisne branco e negro em uma produção do tradicional "O Lago dos Cisnes". Confira o trailer (em inglês):

"Black Swan" (no original) chama atenção por suas imagens deslumbrantes, mérito do diretor de fotografia Matthew Libatique (de "Nasce uma Estrela") e por sua coreografia impecável que transporta a audiência para o universo da dança de uma forma impressionante - eu diria que é como se fosse uma versão de "Any Given Sunday" só que em cima do palco! A atuação de Portman também merece todos os elogios - ela é, de fato, excepcional. Ela mergulha profundamente nas nuances mais sensíveis da personagem, mostrando uma personalidade carregada de dramaticidade que transita entre a fragilidade e a obsessão em um suspiro, um olhar.

A direção de Aronofsky é fantástica - ele usa o simbolismo do cisne branco e negro para explorar temas espinhosos como a dualidade, a perfeição e a obstinação. Tudo misturado, com tons tão desconexos que o incômodo narrativo acaba fazendo parte da experiência. A trilha sonora, que incorpora elementos da música clássica de Tchaikovsky, potencializa esse conceito - ela é tão arrepiante quanto emocionante, adicionando ainda mais tensão para a trama.

É inegável que o filme tem uma atmosfera sombria e claustrofóbica, o que nos causa a sensação de que algo terrível está prestes a acontecer em todo momento. Essa tensão é construída gradualmente até o clímax final, mas muito antes, "Cisne Negro" já poderia ser considerado uma obra-prima do cinema moderno. Olha, essa é uma mistura perfeita de drama, suspense e arte, fazendo com que o filme fique na nossa mente por muito tempo depois que os créditos subirem. 

Vale muito a pena! 

Up-date: "Cisne Negro" foi indicado em 5 categorias no Oscar 2011, inclusive de Melhor Filme do Ano!

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Coerência

Embora "Coerência" tenha fortes elementos de ficção científica, é impossível deixar de dizer que seu suspense repleto de muito mistério e drama, é o que nos mantém "literalmente" grudados na tela durante os 90 minutos de narrativa. Dirigido por James Ward Byrkit,  o filme se destaca não apenas pela intrigante jornada que o roteiro propõe, mas também pela maneira criativa com que foi concebido e executado. Lançado em 2013, "Coherence" (no original) foi aclamado em diversos festivais de cinema independente, incluindo o Austin Fantastic Fest, onde recebeu elogios pela sua originalidade e pela forma como desafiou as convenções narrativas mais tradicionais. Em uma era onde efeitos especiais dominam o gênero, Byrkit opta por uma abordagem minimalista, lembrando clássicos como "Donnie Darko", onde é a atmosfera inquietante do desconhecido que nos tira o equilíbrio (e o conforto)!

Basicamente, a trama gira em torno de um grupo de amigos que se reúne para um jantar na noite em que um cometa passa pela Terra. À medida que a noite avança, eventos estranhos e perturbadores começam a acontecer, desafiando a sanidade dos presentes. Condira o trailer:

Um dos maiores triunfos de "Coerência", sem dúvida alguma, é sua capacidade de construir (e manter) a tensão e o mistério, mesmo com seus perceptíveis recursos limitados. Filmado em apenas cinco dias, o projeto não possui um roteiro convencional, evitando assim as respostas fáceis, permitindo que apoie na exploração e no impacto psicológico dos fenômenos inexplicáveis que os personagens precisam enfrentar. Byrkit fez escolhas conceituais arriscadas, eu diria até experimentais, optando por fornecer aos atores apenas esboços de suas cenas, fazendo com que a maior parte dos diálogos fosse improvisada. Esse método, que poderia facilmente resultar em um caos narrativo, nos confere uma autenticidade crua às interações, intensificando a sensação de desconforto e de imprevisibilidade - é como se estivéssemos ali, naquela situação, tentando entender tudo que está acontecendo sem ao menos ter onde se apegar. É impressionante como a narrativa mexe com a nossa percepção de mundo e praticamente brinca com a nossa compreensão de espaço!

Outro aspecto crucial para o sucesso de "Coerência" é sua abordagem até então inovadora sobre a teoria dos multiversos - isso aqui não é spoiler e você vai entender quando der o play. O filme sabe brincar com a ideia de realidades paralelas e suas consequências a partir de escolhas aparentemente triviais - esse é um conceito inteligentemente incorporado na narrativa sem recorrer a super exposições ou aquela forçada de barra natural nesse tipo de proposta. Repare como a fotografia de Arlene Muller e Nic Sadler, com o uso inteligente de iluminação natural e enquadramentos claustrofóbicos, de uma câmera bastante nervosa, aumenta ainda mais a sensação de paranoia e incerteza com tanta propriedade. A montagem ágil de Lance Pereira (de "A Cura") contribui demais para essa dinâmica onde o deslocamento e a dúvida pautam as performances dos atores - aliás, que elenco, que trabalho de direção de atores! Destaco o trabalho de Emily Baldoni e sua Em - a jornada emocional da personagem serve como espinha dorsal da narrativa e sua habilidade em transmitir uma gama complexa de emoções, desde a confusão até o desespero, é fundamental para o impacto do filme.

Grande parte do suspense de "Coerência" deriva das dinâmicas interpessoais de seu elenco - isso é um fato. No entanto cada elemento técnico do filme é meticulosamente trabalhado para servir à história com muita inteligência. Criando uma experiência imersiva e perturbadora, Byrkit realmente surpreende pela competência e coragem, entregando um filme que não só entretém, mas que também incita reflexão e discussão, exigindo atenção total, já que cada detalhe pode ser uma peça crucial em um quebra-cabeça muito maior. Para aqueles que apreciam um bom mistério e não têm medo de questionar a realidade imersos em uma atmosfera tensa e inquietante, "Coherence" é sim uma experiência cinematográfica obrigatória!

Vale muito o seu play!

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Embora "Coerência" tenha fortes elementos de ficção científica, é impossível deixar de dizer que seu suspense repleto de muito mistério e drama, é o que nos mantém "literalmente" grudados na tela durante os 90 minutos de narrativa. Dirigido por James Ward Byrkit,  o filme se destaca não apenas pela intrigante jornada que o roteiro propõe, mas também pela maneira criativa com que foi concebido e executado. Lançado em 2013, "Coherence" (no original) foi aclamado em diversos festivais de cinema independente, incluindo o Austin Fantastic Fest, onde recebeu elogios pela sua originalidade e pela forma como desafiou as convenções narrativas mais tradicionais. Em uma era onde efeitos especiais dominam o gênero, Byrkit opta por uma abordagem minimalista, lembrando clássicos como "Donnie Darko", onde é a atmosfera inquietante do desconhecido que nos tira o equilíbrio (e o conforto)!

Basicamente, a trama gira em torno de um grupo de amigos que se reúne para um jantar na noite em que um cometa passa pela Terra. À medida que a noite avança, eventos estranhos e perturbadores começam a acontecer, desafiando a sanidade dos presentes. Condira o trailer:

Um dos maiores triunfos de "Coerência", sem dúvida alguma, é sua capacidade de construir (e manter) a tensão e o mistério, mesmo com seus perceptíveis recursos limitados. Filmado em apenas cinco dias, o projeto não possui um roteiro convencional, evitando assim as respostas fáceis, permitindo que apoie na exploração e no impacto psicológico dos fenômenos inexplicáveis que os personagens precisam enfrentar. Byrkit fez escolhas conceituais arriscadas, eu diria até experimentais, optando por fornecer aos atores apenas esboços de suas cenas, fazendo com que a maior parte dos diálogos fosse improvisada. Esse método, que poderia facilmente resultar em um caos narrativo, nos confere uma autenticidade crua às interações, intensificando a sensação de desconforto e de imprevisibilidade - é como se estivéssemos ali, naquela situação, tentando entender tudo que está acontecendo sem ao menos ter onde se apegar. É impressionante como a narrativa mexe com a nossa percepção de mundo e praticamente brinca com a nossa compreensão de espaço!

Outro aspecto crucial para o sucesso de "Coerência" é sua abordagem até então inovadora sobre a teoria dos multiversos - isso aqui não é spoiler e você vai entender quando der o play. O filme sabe brincar com a ideia de realidades paralelas e suas consequências a partir de escolhas aparentemente triviais - esse é um conceito inteligentemente incorporado na narrativa sem recorrer a super exposições ou aquela forçada de barra natural nesse tipo de proposta. Repare como a fotografia de Arlene Muller e Nic Sadler, com o uso inteligente de iluminação natural e enquadramentos claustrofóbicos, de uma câmera bastante nervosa, aumenta ainda mais a sensação de paranoia e incerteza com tanta propriedade. A montagem ágil de Lance Pereira (de "A Cura") contribui demais para essa dinâmica onde o deslocamento e a dúvida pautam as performances dos atores - aliás, que elenco, que trabalho de direção de atores! Destaco o trabalho de Emily Baldoni e sua Em - a jornada emocional da personagem serve como espinha dorsal da narrativa e sua habilidade em transmitir uma gama complexa de emoções, desde a confusão até o desespero, é fundamental para o impacto do filme.

Grande parte do suspense de "Coerência" deriva das dinâmicas interpessoais de seu elenco - isso é um fato. No entanto cada elemento técnico do filme é meticulosamente trabalhado para servir à história com muita inteligência. Criando uma experiência imersiva e perturbadora, Byrkit realmente surpreende pela competência e coragem, entregando um filme que não só entretém, mas que também incita reflexão e discussão, exigindo atenção total, já que cada detalhe pode ser uma peça crucial em um quebra-cabeça muito maior. Para aqueles que apreciam um bom mistério e não têm medo de questionar a realidade imersos em uma atmosfera tensa e inquietante, "Coherence" é sim uma experiência cinematográfica obrigatória!

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Coringa

É preciso dizer que "Coringa" é o melhor filme que a DC produziu desde o "Cavaleiro das Trevas" do Nolan!!! O filme é simplesmente sensacional - eu diria que quase perfeito (e mais abaixo vou explicar por onde, na minha opinião, escapou a perfeição). Algumas observações para você que está muito ansioso para assistir: o filme é uma verdadeira imersão na "sombra" do personagem, na construção da jornada de transformação e nas suas motivações. "Coringa" merece servir de modelo para todos os filmes que a DC vai produzir daqui para frente, pois trouxe para o selo (black / dark) a identidade que foi se perdendo depois dos sucessos da Marvel - e aqui cabe o comentário: a DC não é a Marvel e o seu maior erro foi querer suavizar suas histórias para se enquadrar em uma classificação que não está no seu DNA. Esse novo selo da DC deu a liberdade que algumas histórias pediam e fica claro na tela que a violência, a profundidade psíquica, o cuidado no roteiro e o conceito estético são pilares que devem ser seguidos daqui para frente, porque o resultado é incrível!

"Coringa" segue a vida Arthur Fleck, um aspirante a comediante, completamente fracassado e com uma condição mental bastante peculiar onde, em determinados momentos,  o faz rir compulsivamente (normalmente o gatilho vem do seu estado emocional fragilizado ou ameaçado). Morando com mãe, Fleck é um pacato ser humano, vítima de uma sociedade elitista e preconceituosa. Aliás, aqui vem o primeiro elogio ao roteiro: situar a história no começo dos anos 80 permitiu não só construir um novo personagem como também iniciar uma gênese que pode servir de base para futuros filmes. Em "Coringa" vemos porque Gothan se tornou tão violenta e como a dinastia Wayne interferiu nessa realidade. Aliás não foi preciso citar nada além do que vemos na tela para nos sentirmos familiarizados com aquele Universo de tão bem construído que foi. Só espero que a DC saiba usar isso com inteligência e que as informações que foram veiculadas sobre a independência dos filmes desse selo seja revista, porque seria um pecado não aproveitar "Coringa" para nada!

O roteiro é poético ao mesmo tempo que é extremamente violento. O diretor Todd Phillips ("Se beber, não case") merece uma indicação ao Oscar, pois seu trabalho é simplesmente perfeito. Ele achou o tom do filme, alinhou com a espetacular atuação de Joaquin Phoenix (que também vai ser indicado) e finalizou com uma fotografia lindíssima de um surpreendente Lawrence Sher (Godzilla II e Cães de Guerra). O roteiro é super original até para quem ama o personagem e acompanha os quadrinhos, porém peca em dois únicos momentos (e aí parece muito mais culpa ou pressão do Estúdio, do que um preciosismo dos roteiristas): quando explica as alucinações de Fleck (não precisava explicar, estava claro, o corte já contava essa história, não precisava mastigar para o público - deu raiva) e quando, mais uma vez, mostra o destino dos Wayne saindo do cinema - sério, eu já não aguento mais assistir aquele colar de pérolas caindo (desperdício de oportunidade de só sugestionar uma situação e trabalhar com a memória emotiva de quem acompanha a saga do Batman há anos). A edição de som, mixagem, a trilha sonora e o desenho de produção, olha, estão primorosos!

"Coringa" vai levar Phoenix ao Oscar por entregar um personagem tão bem construído (ou mais) que Heath Ledger. A comparação será inevitável, mas injusta, pois não se trata de um filme do Batman e sim do Coringa, mas se pensarmos como uma homenagem, meu Deus, que personagem complexo e profundo que vemos nesse filme - os caras deveriam ter feito uma série sobre ele (rs)! O filme é tão bom, tão dinâmico, tão redondo, que nem vemos o tempo passar e chegamos a torcer para que ele não acabe - e são duas horas de filme!!! Puxa, é preciso admitir que foi um grande trabalho da DC e, pode apostar, vai render pelo menos umas 5 indicações no próximo Oscar - me cobrem! Grande acerto, só, por favor, não estraguem essa obra-prima com o que já está planejado!!!

Assistam o que foi, para mim, um dos melhore filmes do ano até aqui! Mesmo!!!

Up-date: "Coringa" ganhou em duas categorias no Oscar 2020: Melhor Trilha Sonora e Melhor Ator!

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É preciso dizer que "Coringa" é o melhor filme que a DC produziu desde o "Cavaleiro das Trevas" do Nolan!!! O filme é simplesmente sensacional - eu diria que quase perfeito (e mais abaixo vou explicar por onde, na minha opinião, escapou a perfeição). Algumas observações para você que está muito ansioso para assistir: o filme é uma verdadeira imersão na "sombra" do personagem, na construção da jornada de transformação e nas suas motivações. "Coringa" merece servir de modelo para todos os filmes que a DC vai produzir daqui para frente, pois trouxe para o selo (black / dark) a identidade que foi se perdendo depois dos sucessos da Marvel - e aqui cabe o comentário: a DC não é a Marvel e o seu maior erro foi querer suavizar suas histórias para se enquadrar em uma classificação que não está no seu DNA. Esse novo selo da DC deu a liberdade que algumas histórias pediam e fica claro na tela que a violência, a profundidade psíquica, o cuidado no roteiro e o conceito estético são pilares que devem ser seguidos daqui para frente, porque o resultado é incrível!

"Coringa" segue a vida Arthur Fleck, um aspirante a comediante, completamente fracassado e com uma condição mental bastante peculiar onde, em determinados momentos,  o faz rir compulsivamente (normalmente o gatilho vem do seu estado emocional fragilizado ou ameaçado). Morando com mãe, Fleck é um pacato ser humano, vítima de uma sociedade elitista e preconceituosa. Aliás, aqui vem o primeiro elogio ao roteiro: situar a história no começo dos anos 80 permitiu não só construir um novo personagem como também iniciar uma gênese que pode servir de base para futuros filmes. Em "Coringa" vemos porque Gothan se tornou tão violenta e como a dinastia Wayne interferiu nessa realidade. Aliás não foi preciso citar nada além do que vemos na tela para nos sentirmos familiarizados com aquele Universo de tão bem construído que foi. Só espero que a DC saiba usar isso com inteligência e que as informações que foram veiculadas sobre a independência dos filmes desse selo seja revista, porque seria um pecado não aproveitar "Coringa" para nada!

O roteiro é poético ao mesmo tempo que é extremamente violento. O diretor Todd Phillips ("Se beber, não case") merece uma indicação ao Oscar, pois seu trabalho é simplesmente perfeito. Ele achou o tom do filme, alinhou com a espetacular atuação de Joaquin Phoenix (que também vai ser indicado) e finalizou com uma fotografia lindíssima de um surpreendente Lawrence Sher (Godzilla II e Cães de Guerra). O roteiro é super original até para quem ama o personagem e acompanha os quadrinhos, porém peca em dois únicos momentos (e aí parece muito mais culpa ou pressão do Estúdio, do que um preciosismo dos roteiristas): quando explica as alucinações de Fleck (não precisava explicar, estava claro, o corte já contava essa história, não precisava mastigar para o público - deu raiva) e quando, mais uma vez, mostra o destino dos Wayne saindo do cinema - sério, eu já não aguento mais assistir aquele colar de pérolas caindo (desperdício de oportunidade de só sugestionar uma situação e trabalhar com a memória emotiva de quem acompanha a saga do Batman há anos). A edição de som, mixagem, a trilha sonora e o desenho de produção, olha, estão primorosos!

"Coringa" vai levar Phoenix ao Oscar por entregar um personagem tão bem construído (ou mais) que Heath Ledger. A comparação será inevitável, mas injusta, pois não se trata de um filme do Batman e sim do Coringa, mas se pensarmos como uma homenagem, meu Deus, que personagem complexo e profundo que vemos nesse filme - os caras deveriam ter feito uma série sobre ele (rs)! O filme é tão bom, tão dinâmico, tão redondo, que nem vemos o tempo passar e chegamos a torcer para que ele não acabe - e são duas horas de filme!!! Puxa, é preciso admitir que foi um grande trabalho da DC e, pode apostar, vai render pelo menos umas 5 indicações no próximo Oscar - me cobrem! Grande acerto, só, por favor, não estraguem essa obra-prima com o que já está planejado!!!

Assistam o que foi, para mim, um dos melhore filmes do ano até aqui! Mesmo!!!

Up-date: "Coringa" ganhou em duas categorias no Oscar 2020: Melhor Trilha Sonora e Melhor Ator!

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Corra

"Get Out" (título original) talvez seja o maior exemplo de um marketing mal feito: o cartaz e o nome em português, "Corra", devem ter afastado muita gente (inclusive eu), o que é uma pena porque o filme é muito mais do que aquela estrutura superficial de humor negro que foi apresentada.

Chris (Daniel Kaluuya) e Rose (Allison Williams) são namorados há já algum tempo. Com o evoluir da relação, ela acha que chegou o momento de apresentar o namorado para os pais, Missy (Catherine Keener) e Dean (Bradley Whitford). Ela, então, resolve convidá-lo para uma reunião familiar que todos os anos os pais organizam em sua casa, numa zona rural dos EUA. Apesar de alguma relutância por parte de Chris, Rose acha que não há a menor necessidade de avisar seus pais, que ela considera cultos e esclarecidos, o fato de que ele é negro. Quando chegam ao evento, apesar de toda a simpatia com que é tratado, Chris percebe que algo de muito estranho se passa naquela casa e com aqueles convidados. Quando ele resolve fugir daquele ambiente bizarro e um pouco claustrofóbico, percebe que ninguém está interessado em deixá-lo partir e isso é só o começo de uma longa jornada. Confira o trailer:

"Corra" é muito bem dirigido pelo excelente Jordan Peele que estreia na função - ele foi capaz que trazer muito de um conceito que estava em alta na época: um suspense independente com um roteiro bem inteligente, cheio de críticas sociais e ideológicas e com momentos completamente non-sense. De fato, Jordan Peele representou muito bem uma nova geração de diretores e roteiristas de gênero que estão bombando atualmente!

O filme foi muito bem de publico, não nos patamares de "Bruxa de Blair" como muita gente falou, mas teve um lucro de respeito: custou 5 milhões de dólares e já faturou quase 250 milhões - foi um bom investimento ou não? O filme tem um roteiro muito bem estruturado, com bons plots e muito, mas muito, criativo - o que lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2018.

"Corra" é um suspense muito bem realizado, sai do lugar comum, passa sua mensagem sem parecer enfadonho e para quem gosta do gênero, é uma ótima pedida! Vale seu play tranquilamente!

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"Get Out" (título original) talvez seja o maior exemplo de um marketing mal feito: o cartaz e o nome em português, "Corra", devem ter afastado muita gente (inclusive eu), o que é uma pena porque o filme é muito mais do que aquela estrutura superficial de humor negro que foi apresentada.

Chris (Daniel Kaluuya) e Rose (Allison Williams) são namorados há já algum tempo. Com o evoluir da relação, ela acha que chegou o momento de apresentar o namorado para os pais, Missy (Catherine Keener) e Dean (Bradley Whitford). Ela, então, resolve convidá-lo para uma reunião familiar que todos os anos os pais organizam em sua casa, numa zona rural dos EUA. Apesar de alguma relutância por parte de Chris, Rose acha que não há a menor necessidade de avisar seus pais, que ela considera cultos e esclarecidos, o fato de que ele é negro. Quando chegam ao evento, apesar de toda a simpatia com que é tratado, Chris percebe que algo de muito estranho se passa naquela casa e com aqueles convidados. Quando ele resolve fugir daquele ambiente bizarro e um pouco claustrofóbico, percebe que ninguém está interessado em deixá-lo partir e isso é só o começo de uma longa jornada. Confira o trailer:

"Corra" é muito bem dirigido pelo excelente Jordan Peele que estreia na função - ele foi capaz que trazer muito de um conceito que estava em alta na época: um suspense independente com um roteiro bem inteligente, cheio de críticas sociais e ideológicas e com momentos completamente non-sense. De fato, Jordan Peele representou muito bem uma nova geração de diretores e roteiristas de gênero que estão bombando atualmente!

O filme foi muito bem de publico, não nos patamares de "Bruxa de Blair" como muita gente falou, mas teve um lucro de respeito: custou 5 milhões de dólares e já faturou quase 250 milhões - foi um bom investimento ou não? O filme tem um roteiro muito bem estruturado, com bons plots e muito, mas muito, criativo - o que lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2018.

"Corra" é um suspense muito bem realizado, sai do lugar comum, passa sua mensagem sem parecer enfadonho e para quem gosta do gênero, é uma ótima pedida! Vale seu play tranquilamente!

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Crash

"Crash" é um daqueles filmes polêmicos que dividem opiniões - a minha, no entanto, é a melhor possível! "Crash" tem intensidade emocional e nos remete para aquela potência narrativa de "Amores Brutos", por exemplo - talvez com um toque a mais de provocação que faz toda a diferença durante a jornada. Com algumas passagens de difícil digestão, o vencedor do Oscar de "Melhor Filme" em 2006, dirigida por Paul Haggis, é uma obra que se propõe a ser um retrato cru das complexas relações raciais e sociais em Los Angeles, trazendo uma estrutura de múltiplas narrativas entrelaçadas que, de fato, transformam nossa experiência em algo único e visceral! Com um elenco cheio de estrelas e um roteiro realmente ambicioso, o filme escancara os preconceitos enraizados na sociedade moderna onde as dinâmicas de poder afetam não só o cotidiano de cada um dos personagens como também o seu íntimo - cada qual com sua dor e desprezo. 

A sinopse oficial descreve "Crash" da seguinte maneira: Em Los Angeles, uma série de histórias se cruzam ao longo de 36 horas, revelando o impacto do racismo e da intolerância no dia a dia de pessoas de diferentes origens e classes sociais. Policiais corruptos, uma promotora branca privilegiada, um diretor de TV negro, um casal imigrante iraniano e um ladrão que questiona o próprio preconceito, são alguns dos personagens cujas vidas se chocam de maneiras inesperadas. Confira o belíssimo trailer (em inglês):

Paul Haggis conduz a trama com maestria, estruturando o filme de forma a criar conexões entre personagens que, à primeira vista, parecem não ter nada em comum. A montagem do vencedor do Oscar da categoria, Hughes Winborne, se alinha a esse conceito de forma ágil, enquanto o roteiro, também vencedor do ano, é bem estruturado ao ponto de fazer com que os acontecimentos fluam naturalmente, resultando em momentos de grande impacto emocional - para o bem e para o mal. Veja, a intenção do filme não é apenas apontar o preconceito alheio, mas provocar uma reflexão sobre nossas próprias percepções e como elas podem influenciar algumas ações que soam até inofensivas pelo olhar menos sensível e empático. O formato proposto por Haggis permite que a audiência experiencie diferentes perspectivas, julgue e tente (ou não) entender como o racismo pode surgir de formas tão inesperadas, até mesmo nas pessoas que acreditam ser imunes a ele.

Don Cheadle, Matt Dillon, Thandiwe Newton, Sandra Bullock, Michael Peña, Brendan Fraser, Terrence Howard e Ryan Phillippe entregam performances intensas, cada um trazendo nuances e humanidade para seus personagens. Dillon, em especial, se destaca interpretando um policial com atitudes questionáveis, mas que carrega uma certa complexidade que o torna mais do que apenas um vilão unidimensional. Já Michael Peña protagoniza uma das cenas mais emocionantes do filme, trazendo momentos de vulnerabilidade e conexão que sintetizam exatamente a mensagem que "Crash" se esforça tanto em passar - e que muitos não engoliram. Visualmente, o filme brinca com uma fotografia mais  sóbria e realista possível - tudo para capturar o clima urbano e a sensação de tensão latente entre os personagens. A direção de fotografia do J. Michael Muro opta por uma iluminação dramática primorosa, eu diria até poética, criando um ambiente que reflete exatamente as emoções conflitantes presentes na narrativa. A trilha sonora de Mark Isham (de "Nada é para Sempre") traz composições melancólicas que reforçam a carga emocional dos eventos do filme - repare em "In the Deep" de Kathleen York e Michael Becker. Linda demais!

"Crash" constrói um estudo de personagens envolvente, trazendo diálogos afiados e cenas memoráveis. Em vez de tratar o racismo de maneira didática, o filme prefere mostrar como ele se manifesta no cotidiano, muitas vezes de formas sutis e inesperadas. A estrutura narrativa permite que os personagens sejam apresentados em situações que desafiam suas crenças e comportamentos, mostrando que ninguém é completamente bom ou mau, mas sim produto de suas experiências e do meio em que vivem. Mesmo que sua recepção tenha gerado discussões ao longo dos anos, especialmente pela sua sua abordagem, é inegável que o filme possui méritos significativos, técnicos e artísticos, além, é claro, de ser um catalizador disposto a estimular debates importantes.

Vale muito o seu play!

Up Date: "Crash" ganhou em três categorias das seis que disputou no Oscar 2006! 

Assista Agora

"Crash" é um daqueles filmes polêmicos que dividem opiniões - a minha, no entanto, é a melhor possível! "Crash" tem intensidade emocional e nos remete para aquela potência narrativa de "Amores Brutos", por exemplo - talvez com um toque a mais de provocação que faz toda a diferença durante a jornada. Com algumas passagens de difícil digestão, o vencedor do Oscar de "Melhor Filme" em 2006, dirigida por Paul Haggis, é uma obra que se propõe a ser um retrato cru das complexas relações raciais e sociais em Los Angeles, trazendo uma estrutura de múltiplas narrativas entrelaçadas que, de fato, transformam nossa experiência em algo único e visceral! Com um elenco cheio de estrelas e um roteiro realmente ambicioso, o filme escancara os preconceitos enraizados na sociedade moderna onde as dinâmicas de poder afetam não só o cotidiano de cada um dos personagens como também o seu íntimo - cada qual com sua dor e desprezo. 

A sinopse oficial descreve "Crash" da seguinte maneira: Em Los Angeles, uma série de histórias se cruzam ao longo de 36 horas, revelando o impacto do racismo e da intolerância no dia a dia de pessoas de diferentes origens e classes sociais. Policiais corruptos, uma promotora branca privilegiada, um diretor de TV negro, um casal imigrante iraniano e um ladrão que questiona o próprio preconceito, são alguns dos personagens cujas vidas se chocam de maneiras inesperadas. Confira o belíssimo trailer (em inglês):

Paul Haggis conduz a trama com maestria, estruturando o filme de forma a criar conexões entre personagens que, à primeira vista, parecem não ter nada em comum. A montagem do vencedor do Oscar da categoria, Hughes Winborne, se alinha a esse conceito de forma ágil, enquanto o roteiro, também vencedor do ano, é bem estruturado ao ponto de fazer com que os acontecimentos fluam naturalmente, resultando em momentos de grande impacto emocional - para o bem e para o mal. Veja, a intenção do filme não é apenas apontar o preconceito alheio, mas provocar uma reflexão sobre nossas próprias percepções e como elas podem influenciar algumas ações que soam até inofensivas pelo olhar menos sensível e empático. O formato proposto por Haggis permite que a audiência experiencie diferentes perspectivas, julgue e tente (ou não) entender como o racismo pode surgir de formas tão inesperadas, até mesmo nas pessoas que acreditam ser imunes a ele.

Don Cheadle, Matt Dillon, Thandiwe Newton, Sandra Bullock, Michael Peña, Brendan Fraser, Terrence Howard e Ryan Phillippe entregam performances intensas, cada um trazendo nuances e humanidade para seus personagens. Dillon, em especial, se destaca interpretando um policial com atitudes questionáveis, mas que carrega uma certa complexidade que o torna mais do que apenas um vilão unidimensional. Já Michael Peña protagoniza uma das cenas mais emocionantes do filme, trazendo momentos de vulnerabilidade e conexão que sintetizam exatamente a mensagem que "Crash" se esforça tanto em passar - e que muitos não engoliram. Visualmente, o filme brinca com uma fotografia mais  sóbria e realista possível - tudo para capturar o clima urbano e a sensação de tensão latente entre os personagens. A direção de fotografia do J. Michael Muro opta por uma iluminação dramática primorosa, eu diria até poética, criando um ambiente que reflete exatamente as emoções conflitantes presentes na narrativa. A trilha sonora de Mark Isham (de "Nada é para Sempre") traz composições melancólicas que reforçam a carga emocional dos eventos do filme - repare em "In the Deep" de Kathleen York e Michael Becker. Linda demais!

"Crash" constrói um estudo de personagens envolvente, trazendo diálogos afiados e cenas memoráveis. Em vez de tratar o racismo de maneira didática, o filme prefere mostrar como ele se manifesta no cotidiano, muitas vezes de formas sutis e inesperadas. A estrutura narrativa permite que os personagens sejam apresentados em situações que desafiam suas crenças e comportamentos, mostrando que ninguém é completamente bom ou mau, mas sim produto de suas experiências e do meio em que vivem. Mesmo que sua recepção tenha gerado discussões ao longo dos anos, especialmente pela sua sua abordagem, é inegável que o filme possui méritos significativos, técnicos e artísticos, além, é claro, de ser um catalizador disposto a estimular debates importantes.

Vale muito o seu play!

Up Date: "Crash" ganhou em três categorias das seis que disputou no Oscar 2006! 

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Culpa

Antes de mais nada é preciso dizer que "Culpa" (Den Skyldige, no original) é um filmaço! Mas calma, ele pode não te agradar pela forma, mas nunca pelo conteúdo. Veja, se em "Locke", de 2013, Tom Hardy passou o filme inteiro em uma BMW falando no celular e mais recentemente "Calls"se tornou uma das melhores séries de ficção científica apenas nos mostrando os diálogos de pessoas falando no telefone, é de se esperar que uma dinâmica narrativa bem executada nem sempre precise de ação para contar uma boa história - apenas os diálogos e um bom trabalho do elenco é o suficiente para nos provocar sensações e sentimentos que transformam aquela jornada em uma experiência única.

A "Culpa" é justamente isso: o policial Asger Holm (Jakob Cedergren) está acostumado a trabalhar nas ruas de Copenhagen, mas devido a um conflito ético no trabalho, ele é direcionado para cuidar da mesa de emergências da polícia. Encarregado de receber ligações e transmitir às delegacias responsáveis, ele é surpreendido pela chamada de uma mulher desesperada, tentando comunicar o seu sequestro sem chamar a atenção do sequestrador. Infelizmente, ela precisa desligar antes de ser descoberta, de modo que Asger dispõe de poucas informações para encontrá-la. É aí que começa uma corrida contra o relógio para descobrir onde ela está, para mobilizar os policiais mais próximos e salvar a vítima antes que uma tragédia aconteça. Confira o trailer:

Esse premiadíssimo filme dinamarquês é mais um ótimo exemplo do casamento perfeito entre um roteiro excelente e uma atuação muito acima da média. Jakob Cedergren (Forbrydelsen) dá uma aula de interpretação ao se apropriar do silêncio para expor seus sentimentos mais profundos e, descaradamente, manipular nossas percepções sobre aquela situação que está vivendo. O roteiro escrito pelo diretor Gustav Möller ao lado de Emil Nygaard Albertsen, é extremamente eficiente em pontuar vários momentos de tensão sem ao menos precisar nos mostrar tudo que está acontecendo. O fato da história ser contada pelo olhar de um único personagem a partir do que só ele imagina, cria uma sensação de angustia quase que indescritível. Möller, ainda é muito perspicaz como diretor ao nos conceder algum tempo para que possamos recuperar o fôlego e aí seguir em frente, porém sua gramática cinematográfica só alimenta nossa expectativa e também nos convida a imaginar o que vai acontecer do outro lado linha a cada toque do telefone (ou quando acende a luz vermelha assim que uma chamado acontece). Além de explicar gradativamente o motivo de Asger estar afastado de suas funções, o roteiro constrói sua personalidade sem precisar ser didático demais - o que faz todo sentido pelas atitudes que o protagonista tem durante os 90 minutos de filme.

A montagem de Carla Luffe, que fez sua carreira na publicidade, é outro aspecto que merece bastante destaque - ela é capaz de aplicar aquele conceito do "menos é mais" tão comum quando precisamos contar uma boa história em pouco tempo. Embora a escassez de tempo não fosse uma preocupação aqui, imagine o quão monótono seria um filme onde tudo que vemos se resume a um homem enquadrado atrás de uma mesa com um fone na cabeça. Em "Culpa" não existe monotonia, e sim um mergulho profundo na pré concepção de nossos estigmas e (in)seguranças - por mais incoerente que possa parecer essa definição!

"Culpa" funciona muito bem como um suspense, mas é no drama que o filme ganha outro valor - no drama pessoal mais precisamente! É um exercício cinematográfico dos mais complicados transformar o público em personagens ativos da história e em "Culpa" temos a exata sensação de estar ao lado de Asger Holm, escutando sua conversa, sem saber exatamente o que está acontecendo, mas julgando pelas atitudes dele (que também não tem todas as ferramentas para fazer isso com segurança e... ética)!

Vale muito a pena!

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Antes de mais nada é preciso dizer que "Culpa" (Den Skyldige, no original) é um filmaço! Mas calma, ele pode não te agradar pela forma, mas nunca pelo conteúdo. Veja, se em "Locke", de 2013, Tom Hardy passou o filme inteiro em uma BMW falando no celular e mais recentemente "Calls"se tornou uma das melhores séries de ficção científica apenas nos mostrando os diálogos de pessoas falando no telefone, é de se esperar que uma dinâmica narrativa bem executada nem sempre precise de ação para contar uma boa história - apenas os diálogos e um bom trabalho do elenco é o suficiente para nos provocar sensações e sentimentos que transformam aquela jornada em uma experiência única.

A "Culpa" é justamente isso: o policial Asger Holm (Jakob Cedergren) está acostumado a trabalhar nas ruas de Copenhagen, mas devido a um conflito ético no trabalho, ele é direcionado para cuidar da mesa de emergências da polícia. Encarregado de receber ligações e transmitir às delegacias responsáveis, ele é surpreendido pela chamada de uma mulher desesperada, tentando comunicar o seu sequestro sem chamar a atenção do sequestrador. Infelizmente, ela precisa desligar antes de ser descoberta, de modo que Asger dispõe de poucas informações para encontrá-la. É aí que começa uma corrida contra o relógio para descobrir onde ela está, para mobilizar os policiais mais próximos e salvar a vítima antes que uma tragédia aconteça. Confira o trailer:

Esse premiadíssimo filme dinamarquês é mais um ótimo exemplo do casamento perfeito entre um roteiro excelente e uma atuação muito acima da média. Jakob Cedergren (Forbrydelsen) dá uma aula de interpretação ao se apropriar do silêncio para expor seus sentimentos mais profundos e, descaradamente, manipular nossas percepções sobre aquela situação que está vivendo. O roteiro escrito pelo diretor Gustav Möller ao lado de Emil Nygaard Albertsen, é extremamente eficiente em pontuar vários momentos de tensão sem ao menos precisar nos mostrar tudo que está acontecendo. O fato da história ser contada pelo olhar de um único personagem a partir do que só ele imagina, cria uma sensação de angustia quase que indescritível. Möller, ainda é muito perspicaz como diretor ao nos conceder algum tempo para que possamos recuperar o fôlego e aí seguir em frente, porém sua gramática cinematográfica só alimenta nossa expectativa e também nos convida a imaginar o que vai acontecer do outro lado linha a cada toque do telefone (ou quando acende a luz vermelha assim que uma chamado acontece). Além de explicar gradativamente o motivo de Asger estar afastado de suas funções, o roteiro constrói sua personalidade sem precisar ser didático demais - o que faz todo sentido pelas atitudes que o protagonista tem durante os 90 minutos de filme.

A montagem de Carla Luffe, que fez sua carreira na publicidade, é outro aspecto que merece bastante destaque - ela é capaz de aplicar aquele conceito do "menos é mais" tão comum quando precisamos contar uma boa história em pouco tempo. Embora a escassez de tempo não fosse uma preocupação aqui, imagine o quão monótono seria um filme onde tudo que vemos se resume a um homem enquadrado atrás de uma mesa com um fone na cabeça. Em "Culpa" não existe monotonia, e sim um mergulho profundo na pré concepção de nossos estigmas e (in)seguranças - por mais incoerente que possa parecer essa definição!

"Culpa" funciona muito bem como um suspense, mas é no drama que o filme ganha outro valor - no drama pessoal mais precisamente! É um exercício cinematográfico dos mais complicados transformar o público em personagens ativos da história e em "Culpa" temos a exata sensação de estar ao lado de Asger Holm, escutando sua conversa, sem saber exatamente o que está acontecendo, mas julgando pelas atitudes dele (que também não tem todas as ferramentas para fazer isso com segurança e... ética)!

Vale muito a pena!

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Dentro da Casa

"Dentro da Casa", filme do diretor François Ozon, do também excelente, "O Amante Duplo", brinca com o mesmo elemento narrativo que nos motivou assistir "A Mulher na Janela"e "The Voyeurs" -aquela curiosidade incontrolável de saber o que acontece na vida dos outros, dentro de quatro paredes. Se nos filmes citados o foco era o suspense psicológico, aqui o objetivo é mostrar o poder que as palavras têm na construção de uma imaginação quase literal de uma história! "Dentro da Casa" também provoca um certo desconforto pelo receio de ser descoberto, mas está longe de ser um thriller - eu diria, inclusive, que ele é um ótimo e criativo drama de relações.

Um pouco cansado da rotina de professor de literatura francesa, Germain (Fabrice Luchini) chega a atormentar sua esposa Jeanne (Kristin Scott Thomas) com suas reclamações, mas ela também tem seus problemas profissionais para resolver e nem sempre dá a atenção desejada. Até o dia em que ele descobre na redação de um dos seus alunos, o adolescente Claude (Ernst Umhauer), um estilo diferente de escrita, que dá início a um intrigante jogo de sedução entre pupilo e mestre, que acaba envolvendo a própria esposa, a família de um colega de classe e seu dia a dia profissional. Confira o trailer:

Baseado na peça teatral "The Boy in the Last Row" de Juan Mayorga, "Dentro da Casa" tem o mérito de manipular a realidade pelos olhos de vários personagens de uma forma que em muitos momentos nos pegamos contestando se aquilo tudo pode ser verossímil. A cada capítulo escrito (vamos chamar assim) que Claude entrega para Germain ler, somos arremessados para dentro de um contexto palpável, o lar de uma família aparentemente feliz. O interessante é que levada autoral do filme torna impossível cravar o que é real e o que é imaginação nesse mesmo contexto. Se para Germain as histórias do seu aluno não passam de uma pura interpretação de seus desejos mais adolescentes, para sua esposa Jeanne, os detalhes são tão reais que ela mesmo duvida que aquela história possa ser fruto da criatividade de um rapaz tão jovem.

Esse "vai e vem" entre realidade e imaginação, através dos textos de Claude, é muito bem traduzido em imagens por Ozon, que também assinou o roteiro. As intervenções metalinguísticas que o diretor faz durante algumas cenas são sensacionais e tira, mais uma vez, o peso da necessidade de surpreender a audiência com um plot twist matador, típico do suspense, afinal, a cada momento, só temos ferramentas para "supor" e nunca para "afirmar" que aquilo tudo está, de fato, acontecendo. Quando Claude traz para a história suas fantasias adolescentes, é clara a identificação de Germain com seu passado de escritor, ao mesmo tempo quando as soluções de seu aluno são mais trágicas, o que vemos é o medo do professor em assumir que está indo longe demais em pró da sua paixão pela literatura (ou pela reparação de uma frustração antiga).

"Dentro da Casa" parece um jogo, cheio de provocações e fantasias, onde a relação entre as pessoas, em diferente níveis, são expostas de uma forma muito autêntica - é uma verdadeira celebração aos diversos tipos de arte (literatura, cinema, artes plásticas, pintura). Ozon foi muito feliz em usar vários conceitos cinematográficos para incitar nossa imaginação e desejos - Emmanuelle Seigner (Esther) funciona como gatilho para isso, mas seria injusto com todo o excelente elenco dar esse mérito apenas para ela. O filme é tão bom e dinâmico que quando Claude finaliza sua história, surpreendentemente, pouco nos importa se tudo aquilo foi real em algum momento - o que no moveu até ali foram as sensações provocadas, como em um bom livro, aliás.

Vale muito seu play! Filmaço!

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"Dentro da Casa", filme do diretor François Ozon, do também excelente, "O Amante Duplo", brinca com o mesmo elemento narrativo que nos motivou assistir "A Mulher na Janela"e "The Voyeurs" -aquela curiosidade incontrolável de saber o que acontece na vida dos outros, dentro de quatro paredes. Se nos filmes citados o foco era o suspense psicológico, aqui o objetivo é mostrar o poder que as palavras têm na construção de uma imaginação quase literal de uma história! "Dentro da Casa" também provoca um certo desconforto pelo receio de ser descoberto, mas está longe de ser um thriller - eu diria, inclusive, que ele é um ótimo e criativo drama de relações.

Um pouco cansado da rotina de professor de literatura francesa, Germain (Fabrice Luchini) chega a atormentar sua esposa Jeanne (Kristin Scott Thomas) com suas reclamações, mas ela também tem seus problemas profissionais para resolver e nem sempre dá a atenção desejada. Até o dia em que ele descobre na redação de um dos seus alunos, o adolescente Claude (Ernst Umhauer), um estilo diferente de escrita, que dá início a um intrigante jogo de sedução entre pupilo e mestre, que acaba envolvendo a própria esposa, a família de um colega de classe e seu dia a dia profissional. Confira o trailer:

Baseado na peça teatral "The Boy in the Last Row" de Juan Mayorga, "Dentro da Casa" tem o mérito de manipular a realidade pelos olhos de vários personagens de uma forma que em muitos momentos nos pegamos contestando se aquilo tudo pode ser verossímil. A cada capítulo escrito (vamos chamar assim) que Claude entrega para Germain ler, somos arremessados para dentro de um contexto palpável, o lar de uma família aparentemente feliz. O interessante é que levada autoral do filme torna impossível cravar o que é real e o que é imaginação nesse mesmo contexto. Se para Germain as histórias do seu aluno não passam de uma pura interpretação de seus desejos mais adolescentes, para sua esposa Jeanne, os detalhes são tão reais que ela mesmo duvida que aquela história possa ser fruto da criatividade de um rapaz tão jovem.

Esse "vai e vem" entre realidade e imaginação, através dos textos de Claude, é muito bem traduzido em imagens por Ozon, que também assinou o roteiro. As intervenções metalinguísticas que o diretor faz durante algumas cenas são sensacionais e tira, mais uma vez, o peso da necessidade de surpreender a audiência com um plot twist matador, típico do suspense, afinal, a cada momento, só temos ferramentas para "supor" e nunca para "afirmar" que aquilo tudo está, de fato, acontecendo. Quando Claude traz para a história suas fantasias adolescentes, é clara a identificação de Germain com seu passado de escritor, ao mesmo tempo quando as soluções de seu aluno são mais trágicas, o que vemos é o medo do professor em assumir que está indo longe demais em pró da sua paixão pela literatura (ou pela reparação de uma frustração antiga).

"Dentro da Casa" parece um jogo, cheio de provocações e fantasias, onde a relação entre as pessoas, em diferente níveis, são expostas de uma forma muito autêntica - é uma verdadeira celebração aos diversos tipos de arte (literatura, cinema, artes plásticas, pintura). Ozon foi muito feliz em usar vários conceitos cinematográficos para incitar nossa imaginação e desejos - Emmanuelle Seigner (Esther) funciona como gatilho para isso, mas seria injusto com todo o excelente elenco dar esse mérito apenas para ela. O filme é tão bom e dinâmico que quando Claude finaliza sua história, surpreendentemente, pouco nos importa se tudo aquilo foi real em algum momento - o que no moveu até ali foram as sensações provocadas, como em um bom livro, aliás.

Vale muito seu play! Filmaço!

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Desaparecida

Se você gosta do estilo "Buscando..." de drama policial, pode dar o play tranquilamente em "Desaparecida" que seu entretenimento está garantido. Essa produção dirigida pelos novatos Nicholas D. Johnson e Will Merrick, ambos montadores de "Buscando...", não decepciona em nada, pelo contrário, é até mais dinâmico que seu antecessor. No entanto, também é preciso que se diga, que aqui percebemos uma dificuldade maior em criar aquela sensação claustrofobia que o diretor russo Timur Bekmambetov impôs com maestria na produção de 2018 - afinal é inegável que o estilo found footage tinha mais fôlego na época, mas nem por isso "Missing" (no original) deixa de ser bem criativo. 

Quando sua mãe Grace (Nia Long) desaparece enquanto estava de férias na Colômbia com seu novo namorado, a busca de June (Storm Reid) por respostas é prejudicada pela burocracia internacional. Embora os agentes Park (Daniel Henney) e Heather (Amy Landecker) assegurem à filha preocupada que estão fazendo tudo ao seu alcance, o tempo acaba jogando contra. Presa a milhares de quilômetros de distância em Los Angeles, June usa todas as tecnologias à sua disposição para tentar encontrar sua mãe antes que seja tarde demais. Conforme ela se aprofunda, suas investigações levantam mais perguntas do que respostas. Não apenas a informação sobre o novo namorado de sua mãe, Kevin (Ken Leung), é mais do que preocupante, como  também os mistérios envolvendo sua mãe, transformam essa jornada em algo surpreendente e angustiante. Confira o trailer:

Nesse tipo de produção a "forma" se sobrepõe ao "conteúdo" em um primeiro olhar, claro. É até muito bacana como os roteiros vão se adaptando à toda essa evolução tecnológica, e a cada nova incursão ao estilo, sempre percebemos um sopro de inovação e criatividade - a própria Sony usou desse conceito para vender "Desaparecida" como uma espécie de antologia que começou com "Buscando..." e que certamente deve ter outras histórias pela frente. 

Pensando na narrativa em si, o que encontramos em "Desaparecida" é uma linha temporal habilmente estruturada, alternando entre diferentes modos de enxergar uma situação, respeitando os limites das telas, o que contribui e muito para a construção da tensão em torno do mistério envolvendo Grace e Kevin. Reparem como a fórmula, mesmo repetida, funciona perfeitamente, nos dando a impressão de que, a medida que a investigação avança, somos levados a questionar todos os personagens e a formular nossas próprias teorias sobre o que realmente aconteceu. Talvez esteja aí o grande valor desse estilo gameficado do screen life!

Johnson e Merrick, de fato, criam uma atmosfera palpável de angústia e insegurança, trabalhando as cores e a estética a partir de uma paleta de cores mais sombria, onde o desenho de som e o silêncio em cena transformam toda aquela ambientação em algo muito mais melancólico - e Storm Reid também cumpre muito bem essa missão como protagonista. Veja, cada cena é cuidadosamente enquadrada pelo fotógrafo Steven Holleran (que esteve na segunda unidade de "Creed II") para transmitir a sensação de isolamento e desorientação que June enfrenta, intensificando ainda mais esse mood de suspense.

"Desaparecida" não deixa de nos provocar reflexões sobre nossas responsabilidades e pontuais culpas. O filme não se prende em explorar as repercussões que um evento traumático na vida de uma criança pode causar, mas também não deixa de questionar suas ações adolescente e como elas podem afetar aqueles ao seu redor. Dito isso, temos aqui mais um filme interessante e divertido que combina uma narrativa intrigante, com ótimas atuações e uma atmosfera intensa que nos leva em uma jornada das mais envolventes. 

Vale o seu play!

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Se você gosta do estilo "Buscando..." de drama policial, pode dar o play tranquilamente em "Desaparecida" que seu entretenimento está garantido. Essa produção dirigida pelos novatos Nicholas D. Johnson e Will Merrick, ambos montadores de "Buscando...", não decepciona em nada, pelo contrário, é até mais dinâmico que seu antecessor. No entanto, também é preciso que se diga, que aqui percebemos uma dificuldade maior em criar aquela sensação claustrofobia que o diretor russo Timur Bekmambetov impôs com maestria na produção de 2018 - afinal é inegável que o estilo found footage tinha mais fôlego na época, mas nem por isso "Missing" (no original) deixa de ser bem criativo. 

Quando sua mãe Grace (Nia Long) desaparece enquanto estava de férias na Colômbia com seu novo namorado, a busca de June (Storm Reid) por respostas é prejudicada pela burocracia internacional. Embora os agentes Park (Daniel Henney) e Heather (Amy Landecker) assegurem à filha preocupada que estão fazendo tudo ao seu alcance, o tempo acaba jogando contra. Presa a milhares de quilômetros de distância em Los Angeles, June usa todas as tecnologias à sua disposição para tentar encontrar sua mãe antes que seja tarde demais. Conforme ela se aprofunda, suas investigações levantam mais perguntas do que respostas. Não apenas a informação sobre o novo namorado de sua mãe, Kevin (Ken Leung), é mais do que preocupante, como  também os mistérios envolvendo sua mãe, transformam essa jornada em algo surpreendente e angustiante. Confira o trailer:

Nesse tipo de produção a "forma" se sobrepõe ao "conteúdo" em um primeiro olhar, claro. É até muito bacana como os roteiros vão se adaptando à toda essa evolução tecnológica, e a cada nova incursão ao estilo, sempre percebemos um sopro de inovação e criatividade - a própria Sony usou desse conceito para vender "Desaparecida" como uma espécie de antologia que começou com "Buscando..." e que certamente deve ter outras histórias pela frente. 

Pensando na narrativa em si, o que encontramos em "Desaparecida" é uma linha temporal habilmente estruturada, alternando entre diferentes modos de enxergar uma situação, respeitando os limites das telas, o que contribui e muito para a construção da tensão em torno do mistério envolvendo Grace e Kevin. Reparem como a fórmula, mesmo repetida, funciona perfeitamente, nos dando a impressão de que, a medida que a investigação avança, somos levados a questionar todos os personagens e a formular nossas próprias teorias sobre o que realmente aconteceu. Talvez esteja aí o grande valor desse estilo gameficado do screen life!

Johnson e Merrick, de fato, criam uma atmosfera palpável de angústia e insegurança, trabalhando as cores e a estética a partir de uma paleta de cores mais sombria, onde o desenho de som e o silêncio em cena transformam toda aquela ambientação em algo muito mais melancólico - e Storm Reid também cumpre muito bem essa missão como protagonista. Veja, cada cena é cuidadosamente enquadrada pelo fotógrafo Steven Holleran (que esteve na segunda unidade de "Creed II") para transmitir a sensação de isolamento e desorientação que June enfrenta, intensificando ainda mais esse mood de suspense.

"Desaparecida" não deixa de nos provocar reflexões sobre nossas responsabilidades e pontuais culpas. O filme não se prende em explorar as repercussões que um evento traumático na vida de uma criança pode causar, mas também não deixa de questionar suas ações adolescente e como elas podem afetar aqueles ao seu redor. Dito isso, temos aqui mais um filme interessante e divertido que combina uma narrativa intrigante, com ótimas atuações e uma atmosfera intensa que nos leva em uma jornada das mais envolventes. 

Vale o seu play!

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Devs

Se você considera "Ex-Machina"e "Ruptura" uma espécie de binômio cultural capaz de colocar o que existe de melhor na ficção cientifica, na sua forma e no seu conteúdo, em outro patamar; você vai me agradecer depois de maratonar os 8 episódios de "Devs" - ou, como eu, se perguntar porquê raios não assistiu essa obra-prima antes! É sério! Essa minissérie de 2020 é uma verdadeira jornada cinematográfica imperdível, criada e dirigida pelo visionário Alex Garland (de "Ex-Machina"), que mistura com muita inteligência elementos narrativos que vão da ciência, passando pela filosofia e religião, até chegar naquele estilo de ficção raiz que deixaria Stanley Kubrick orgulhoso!

Lily (Sonoya Mizuno) é uma brilhante engenheira de computação de uma gigante do Vale do Silício, chamada Amaya, que por uma circunstância muito particular começa a investigar uma divisão ultra-secreta de desenvolvimento da empresa. Determinada a descobrir a verdade sobre o desaparecimento de seu namorado, Sergei (Karl Glusman), Lily passa a confrontar seu passado e sua própria condição mental para descobrir o que de fato há por trás dos Devs e de seu CEO, Forest (Nick Offerman), que lidera descobertas cada vez mais impactantes. Confira o trailer:

A genialidade de "Devs" vai além de uma trama intrigante, mesmo que isso custe a fluidez de sua narrativa que em muitos momentos se cadencia ao ponto de exigir muita atenção. A partir de uma exploração profunda sobre a natureza da realidade como entendemos, da liberdade (ou do livre-arbítrio, como preferir) e da predestinação pelo olhar do determinismo, Garland é capaz de criar (mais uma vez)  uma atmosfera única que nos envolve e nos provoca a cada nova "explicação" - algo que "Matrix" soube fazer com muita competência em 1999.

A fotografia do Rob Hardy, com sua paleta de cores e contrastes, evoca sensações impressionantes - criando um mundo que parece familiar, mas ao mesmo tempo, inquietante. Ao conectar visualmente essa fotografia com o Desenho de Produção do Mark Digby e a trilha sonora do Geoff Barrow e do Ben Salisbury, a narrativa eleva a tensão a níveis quase insuportáveis, em um ambiente onde cada detalhe é carregado de significado e de simbologias. Veja, o fato de todos esses profissionais acompanharem Garland desde "Ex-Machina", dá para se ter uma ideia da potência conceitual da obra - nossa, uma aula para quem se apega aos detalhes mais sensíveis que um sci-fi pode ter.

O elenco mesmo que possa parecer estereotipado demais em alguns momentos, se aproveita das inúmeras camadas de seus personagens (imperfeitos) para brilhar. Sonoya Mizuno e Nick Offerman entregam performances memoráveis, explorando a complexidade de suas jornadas íntimas de maneira sublime, proporcionando uma rara introspecção nas motivações e dilemas morais que os conduzem que me lembrou muito "Interestelar" na sua essência.

Talvez, o verdadeiro trunfo de "Devs" seja justamente a sua habilidade de desafiar a audiência ao longo de cada episódio, quando somos confrontados com questões filosóficas e científicas profundas, que vão além do "quem matou quem" ou "o que aconteceu com esse ou aquele personagem" - isso não tem lá muita importância quando olhamos pela perspectiva de repensar nossa compreensão do mundo ou de nossas prioridades como seres humanos. Mesmo que essa minissérie questione o verdadeiro poder das empresas do Vale do Silício e de seus brilhantes CEOs, até mesmo ao nível político, eu diria que aqui o foco não é apenas o entretenimento; mas sim um convite que nos força a confrontar nossas próprias crenças.

Sim, "Devs" pede um pouco de paciência, mas acreditem, ela nos recompensa com uma história fascinante e visualmente arrebatadora que vale muito o seu play!

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Se você considera "Ex-Machina"e "Ruptura" uma espécie de binômio cultural capaz de colocar o que existe de melhor na ficção cientifica, na sua forma e no seu conteúdo, em outro patamar; você vai me agradecer depois de maratonar os 8 episódios de "Devs" - ou, como eu, se perguntar porquê raios não assistiu essa obra-prima antes! É sério! Essa minissérie de 2020 é uma verdadeira jornada cinematográfica imperdível, criada e dirigida pelo visionário Alex Garland (de "Ex-Machina"), que mistura com muita inteligência elementos narrativos que vão da ciência, passando pela filosofia e religião, até chegar naquele estilo de ficção raiz que deixaria Stanley Kubrick orgulhoso!

Lily (Sonoya Mizuno) é uma brilhante engenheira de computação de uma gigante do Vale do Silício, chamada Amaya, que por uma circunstância muito particular começa a investigar uma divisão ultra-secreta de desenvolvimento da empresa. Determinada a descobrir a verdade sobre o desaparecimento de seu namorado, Sergei (Karl Glusman), Lily passa a confrontar seu passado e sua própria condição mental para descobrir o que de fato há por trás dos Devs e de seu CEO, Forest (Nick Offerman), que lidera descobertas cada vez mais impactantes. Confira o trailer:

A genialidade de "Devs" vai além de uma trama intrigante, mesmo que isso custe a fluidez de sua narrativa que em muitos momentos se cadencia ao ponto de exigir muita atenção. A partir de uma exploração profunda sobre a natureza da realidade como entendemos, da liberdade (ou do livre-arbítrio, como preferir) e da predestinação pelo olhar do determinismo, Garland é capaz de criar (mais uma vez)  uma atmosfera única que nos envolve e nos provoca a cada nova "explicação" - algo que "Matrix" soube fazer com muita competência em 1999.

A fotografia do Rob Hardy, com sua paleta de cores e contrastes, evoca sensações impressionantes - criando um mundo que parece familiar, mas ao mesmo tempo, inquietante. Ao conectar visualmente essa fotografia com o Desenho de Produção do Mark Digby e a trilha sonora do Geoff Barrow e do Ben Salisbury, a narrativa eleva a tensão a níveis quase insuportáveis, em um ambiente onde cada detalhe é carregado de significado e de simbologias. Veja, o fato de todos esses profissionais acompanharem Garland desde "Ex-Machina", dá para se ter uma ideia da potência conceitual da obra - nossa, uma aula para quem se apega aos detalhes mais sensíveis que um sci-fi pode ter.

O elenco mesmo que possa parecer estereotipado demais em alguns momentos, se aproveita das inúmeras camadas de seus personagens (imperfeitos) para brilhar. Sonoya Mizuno e Nick Offerman entregam performances memoráveis, explorando a complexidade de suas jornadas íntimas de maneira sublime, proporcionando uma rara introspecção nas motivações e dilemas morais que os conduzem que me lembrou muito "Interestelar" na sua essência.

Talvez, o verdadeiro trunfo de "Devs" seja justamente a sua habilidade de desafiar a audiência ao longo de cada episódio, quando somos confrontados com questões filosóficas e científicas profundas, que vão além do "quem matou quem" ou "o que aconteceu com esse ou aquele personagem" - isso não tem lá muita importância quando olhamos pela perspectiva de repensar nossa compreensão do mundo ou de nossas prioridades como seres humanos. Mesmo que essa minissérie questione o verdadeiro poder das empresas do Vale do Silício e de seus brilhantes CEOs, até mesmo ao nível político, eu diria que aqui o foco não é apenas o entretenimento; mas sim um convite que nos força a confrontar nossas próprias crenças.

Sim, "Devs" pede um pouco de paciência, mas acreditem, ela nos recompensa com uma história fascinante e visualmente arrebatadora que vale muito o seu play!

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Disclaimer

Simplesmente imperdível - pela trama e pelo selo do multi-premiado Alfonso Cuarón (vencedor de 4 Oscars com "Roma" e "Gravidade"). Certamente, "Disclaimer" já surge como forte candidata para "Melhor Minissérie de 2024" - e não é nenhum exagero. Essa minissérie da AppleTV+, criada e dirigida por Cuarón, adapta o thriller psicológico homônimo de Renée Knight, com muita competência. Ao explorar as consequências dos segredos e traumas enterrados no passado, o diretor mexicano traz o esmero de sua visão cinematográfica para criar uma narrativa impactante e cheia de tensão. Assim como em obras como "O Segredo dos Seus Olhos" e "Big Little Lies", "Disclaimer" vai revelando camadas de uma história complexa, que envolve a audiência desde os primeiros minutos em uma trama carregada de mistérios, de memórias reprimidas e de conflitos íntimos e pessoais que ameaçam não só desestabilizar a vida dos protagonistas como também transformar seu futuro.

A trama, basicamente, segue Catherine Ravenscroft (Cate Blanchett), uma jornalista investigativa renomada, cuja vida aparentemente estável começa a desmoronar quando ela recebe um livro misterioso que parece revelar segredos obscuros do seu passado. O livro expõe detalhes de um evento traumático e de uma relação extra-conjugal que ela acreditava estar enterrada há 20 anos, obrigando-a a confrontar memórias dolorosas e a lidar com ameaças à sua vida pessoal e profissional. Paralelamente, o autor do livro, Stephen Brigstocke (Kevin Kline), uma figura enigmática e perturbadora, parece ter um interesse mais do que pessoal em Catherine e em sua história, o que gera uma crescente tensão entre os dois, impactando diretamente no casamento e na relação da jornalista com seu filho. Confira o trailer:

Alfonso Cuarón, em sua estreia dirigindo uma minissérie, traz para o streaming sua assinatura visual incontestável - com planos longos, lindos enquadramentos, movimentos de câmera fluidos e um trabalho focado no elenco, pontuando a introspecção como ninguém, Cuarón constrói um drama profundo que se desenrola lentamente, permitindo que o mistério e as nuances dos personagens se revelem de forma gradual. Seu trabalho minucioso cria uma atmosfera de paranoia constante, onde a linha entre verdade e ilusão é frequentemente questionada pela audiência, refletindo como a fragilidade da memória e os efeitos devastadores do trauma podem ser devastadores mesmo tantos anos depois. O roteiro, também de Cuarón, adapta a obra de Knight com muita fidelidade, mas não deixa de incorporar elementos visuais e simbólicos que adicionam camadas muito interessantes para a narrativa. Veja, "Disclaimer" não se limita a ser um thriller psicológico com forte apelo sexual ao melhor estilo "Instinto Selvagem", ela também discute temas mais dramáticos como o peso da culpa ou a busca por perdão, sempre explorando o verdadeiro impacto das escolhas do passado.

Com um roteiro que utiliza a dualidade de uma obra literária como um símbolo de confronto interno, onde Catherine precisa lidar com suas memórias mais sombrias, e a relação com o autor como um reflexo de tensão entre o desejo de esconder algo e a necessidade de enfrentá-lo, Cate Blanchett surge com uma atuação poderosa, transmitindo a complexidade de uma mulher que, ao mesmo tempo que tenta se proteger, precisa enfrentar algumas verdades que ameaçam destruir tudo o que ela construiu. Blanchett domina a cena com um misto de intensidade e vulnerabilidade, mostrando o desgaste emocional da personagem enquanto lida com a pressão do arrependimento (ou da falta dele). Kevin Kline, por outro lado, também entrega uma performance inquietante, nesse caso oscilando entre a fragilidade e a ameaça, criando uma dinâmica intrigante e perigosa com a protagonista que vale o aplauso.

"Disclaimer" é mais um acerto da AppleTV+ e mesmo que alguns possam considerar lenta demais, te garanto: vale muito pela forma como Cuarón brinca com nossa percepção de "certo e errado" em uma narrativa que se concentra mais no desenvolvimento psicológico dos personagens do que em reviravoltas que tendem a surpreender a audiência. Essa escolha é tão intencional quanto acertada, afinal é ela que reforça o tom introspectivo da história e que potencializa as ambiguidades de uma conclusão que deixa espaço para múltiplas interpretações, ou seja, não espere respostas fáceis e sim uma jornada empolgante que vai te tirar da zona de conforto e te provocar muitas discussões (e teorias)!

Vale demais o seu play!

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Simplesmente imperdível - pela trama e pelo selo do multi-premiado Alfonso Cuarón (vencedor de 4 Oscars com "Roma" e "Gravidade"). Certamente, "Disclaimer" já surge como forte candidata para "Melhor Minissérie de 2024" - e não é nenhum exagero. Essa minissérie da AppleTV+, criada e dirigida por Cuarón, adapta o thriller psicológico homônimo de Renée Knight, com muita competência. Ao explorar as consequências dos segredos e traumas enterrados no passado, o diretor mexicano traz o esmero de sua visão cinematográfica para criar uma narrativa impactante e cheia de tensão. Assim como em obras como "O Segredo dos Seus Olhos" e "Big Little Lies", "Disclaimer" vai revelando camadas de uma história complexa, que envolve a audiência desde os primeiros minutos em uma trama carregada de mistérios, de memórias reprimidas e de conflitos íntimos e pessoais que ameaçam não só desestabilizar a vida dos protagonistas como também transformar seu futuro.

A trama, basicamente, segue Catherine Ravenscroft (Cate Blanchett), uma jornalista investigativa renomada, cuja vida aparentemente estável começa a desmoronar quando ela recebe um livro misterioso que parece revelar segredos obscuros do seu passado. O livro expõe detalhes de um evento traumático e de uma relação extra-conjugal que ela acreditava estar enterrada há 20 anos, obrigando-a a confrontar memórias dolorosas e a lidar com ameaças à sua vida pessoal e profissional. Paralelamente, o autor do livro, Stephen Brigstocke (Kevin Kline), uma figura enigmática e perturbadora, parece ter um interesse mais do que pessoal em Catherine e em sua história, o que gera uma crescente tensão entre os dois, impactando diretamente no casamento e na relação da jornalista com seu filho. Confira o trailer:

Alfonso Cuarón, em sua estreia dirigindo uma minissérie, traz para o streaming sua assinatura visual incontestável - com planos longos, lindos enquadramentos, movimentos de câmera fluidos e um trabalho focado no elenco, pontuando a introspecção como ninguém, Cuarón constrói um drama profundo que se desenrola lentamente, permitindo que o mistério e as nuances dos personagens se revelem de forma gradual. Seu trabalho minucioso cria uma atmosfera de paranoia constante, onde a linha entre verdade e ilusão é frequentemente questionada pela audiência, refletindo como a fragilidade da memória e os efeitos devastadores do trauma podem ser devastadores mesmo tantos anos depois. O roteiro, também de Cuarón, adapta a obra de Knight com muita fidelidade, mas não deixa de incorporar elementos visuais e simbólicos que adicionam camadas muito interessantes para a narrativa. Veja, "Disclaimer" não se limita a ser um thriller psicológico com forte apelo sexual ao melhor estilo "Instinto Selvagem", ela também discute temas mais dramáticos como o peso da culpa ou a busca por perdão, sempre explorando o verdadeiro impacto das escolhas do passado.

Com um roteiro que utiliza a dualidade de uma obra literária como um símbolo de confronto interno, onde Catherine precisa lidar com suas memórias mais sombrias, e a relação com o autor como um reflexo de tensão entre o desejo de esconder algo e a necessidade de enfrentá-lo, Cate Blanchett surge com uma atuação poderosa, transmitindo a complexidade de uma mulher que, ao mesmo tempo que tenta se proteger, precisa enfrentar algumas verdades que ameaçam destruir tudo o que ela construiu. Blanchett domina a cena com um misto de intensidade e vulnerabilidade, mostrando o desgaste emocional da personagem enquanto lida com a pressão do arrependimento (ou da falta dele). Kevin Kline, por outro lado, também entrega uma performance inquietante, nesse caso oscilando entre a fragilidade e a ameaça, criando uma dinâmica intrigante e perigosa com a protagonista que vale o aplauso.

"Disclaimer" é mais um acerto da AppleTV+ e mesmo que alguns possam considerar lenta demais, te garanto: vale muito pela forma como Cuarón brinca com nossa percepção de "certo e errado" em uma narrativa que se concentra mais no desenvolvimento psicológico dos personagens do que em reviravoltas que tendem a surpreender a audiência. Essa escolha é tão intencional quanto acertada, afinal é ela que reforça o tom introspectivo da história e que potencializa as ambiguidades de uma conclusão que deixa espaço para múltiplas interpretações, ou seja, não espere respostas fáceis e sim uma jornada empolgante que vai te tirar da zona de conforto e te provocar muitas discussões (e teorias)!

Vale demais o seu play!

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Distrito 9

Se você ainda não assistiu "Distrito 9", assista! Visualmente impactante e repleto de críticas sociais afiadíssimas, essa produção de 2009, dirigida por Neill Blomkamp, se destaca não só pela sua abordagem inovadora da ficção científica (para época), mas também pela sua profunda reflexão sobre a humanidade e sobre a segregação. Para quem não sabe, "Distrito 9" é baseado no curta-metragem de Blomkamp, "Alive in Joburg", e expande suas ideias para criar uma narrativa que é ao mesmo tempo perturbadora e provocativa. Vale citar que, assumindo essa identidade critica, Blomkamp também veio a dirigir outros filmes que abordam temas similares como exclusão e discriminação, sempre com o mesmo toque de ficção científica, são eles: "Elysium" e "Chappie".

A trama se passa em um mundo onde uma enorme nave alienígena paira sobre Joanesburgo, África do Sul, desde 1982. Dentro dela, milhões de alienígenas – chamados de "camarões" devido à sua aparência – são encontrados malnutridos e em estado deplorável. As autoridades decidem confiná-los em uma área militarizada chamada Distrito 9, transformando-os em refugiados segregados. A história se concentra em Wikus van de Merwe (Sharlto Copley), um funcionário de uma corporação privada encarregada de realocar os alienígenas para um campo ainda mais distante. No entanto, durante a operação, Wikus é exposto a um fluido alienígena que começa a transformá-lo em um dos "camarões". Confira o trailer:

Neill Blomkamp, em sua estreia como diretor de longa-metragem, demonstra uma habilidade notável ao criar um universo visualmente coeso e com uma temática para lá de densa. O diretor utiliza uma estética de documentário, com câmeras de mão e entrevistas simuladas, que adicionam uma camada de realismo e urgência para uma narrativa que não se perde no tempo - parece, de fato, que tudo aquilo é muito real (e não é?). A direção de fotografia de Trent Opaloch (o cara por trás de "Vingadores: Ultimato") é extremamente eficaz, utilizando uma conceito visual, digamos "desbotado" e um estilo de enquadramento que enfatiza toda aquela degradação e a brutalidade do ambiente - somos realmente jogados naquela atmosfera de uma maneira bastante imersiva. Já o roteiro, escrito por Blomkamp e pela Terri Tatchell (sua esposa), equilibra perfeitamente a ação visceral com uma crítica social incisiva, focando em temas sensíveis como racismo, xenofobia e segregação, usando a situação dos alienígenas como uma metáfora para a condição dos refugiados e das minorias marginalizadas. A real: a narrativa não apenas entretém, mas também nos convida a refletir sobre questões éticas e sociais bem contemporâneas.

Sharlto Copley (o Wikus) captura muito bem a transformação gradual de um burocrata arrogante e insensível para uma figura mais empática. Copley, com seu carisma, nos leva a sentir a dor, a luta e a desesperança de Wikus à medida que ele enfrenta a alienação e a perseguição. Sua atuação é um dos pilares que sustentam a narrativa, tornando-o um personagem complexo e cheio de nuances. Os efeitos visuais, especialmente para um filme de orçamento relativamente modesto como o de "Distrito 9" são impressionantes- foram gastos meros 30 milhões de dólares. Os alienígenas são renderizados com um nível de detalhe e realismo que facilita a suspensão da descrença, deixando as interações com os personagens humanos incrivelmente convincentes. A combinação de CGI e a performance do elenco é muito harmoniosa, criando um mundo que é estranho, mas familiar - mérito total de Blomkamp.

Indicado a 4 Oscars, inclusive de Melhor Filme de 2009, "Distrito 9" muda na sua segunda metade quando a ênfase passa a ser a ação e os efeitos especiais, perdendo um pouco do foco nas questões sociais que tornaram a primeira metade tão poderosa. No entanto, esse fato não diminui em nada a importância e o impacto de "Distrito 9" como critica e como entretenimento. O filme pode (e deve) ser considerado um marco dentro do gênero de ficção científica pela relação "orçamento x resultado", e que oferece uma exploração rica e provocativa de temas sociais tão atuais através de uma narrativa envolvente e visualmente deslumbrante.

Para fãs de ficção científica, "Distrito 9" é essencial!

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Se você ainda não assistiu "Distrito 9", assista! Visualmente impactante e repleto de críticas sociais afiadíssimas, essa produção de 2009, dirigida por Neill Blomkamp, se destaca não só pela sua abordagem inovadora da ficção científica (para época), mas também pela sua profunda reflexão sobre a humanidade e sobre a segregação. Para quem não sabe, "Distrito 9" é baseado no curta-metragem de Blomkamp, "Alive in Joburg", e expande suas ideias para criar uma narrativa que é ao mesmo tempo perturbadora e provocativa. Vale citar que, assumindo essa identidade critica, Blomkamp também veio a dirigir outros filmes que abordam temas similares como exclusão e discriminação, sempre com o mesmo toque de ficção científica, são eles: "Elysium" e "Chappie".

A trama se passa em um mundo onde uma enorme nave alienígena paira sobre Joanesburgo, África do Sul, desde 1982. Dentro dela, milhões de alienígenas – chamados de "camarões" devido à sua aparência – são encontrados malnutridos e em estado deplorável. As autoridades decidem confiná-los em uma área militarizada chamada Distrito 9, transformando-os em refugiados segregados. A história se concentra em Wikus van de Merwe (Sharlto Copley), um funcionário de uma corporação privada encarregada de realocar os alienígenas para um campo ainda mais distante. No entanto, durante a operação, Wikus é exposto a um fluido alienígena que começa a transformá-lo em um dos "camarões". Confira o trailer:

Neill Blomkamp, em sua estreia como diretor de longa-metragem, demonstra uma habilidade notável ao criar um universo visualmente coeso e com uma temática para lá de densa. O diretor utiliza uma estética de documentário, com câmeras de mão e entrevistas simuladas, que adicionam uma camada de realismo e urgência para uma narrativa que não se perde no tempo - parece, de fato, que tudo aquilo é muito real (e não é?). A direção de fotografia de Trent Opaloch (o cara por trás de "Vingadores: Ultimato") é extremamente eficaz, utilizando uma conceito visual, digamos "desbotado" e um estilo de enquadramento que enfatiza toda aquela degradação e a brutalidade do ambiente - somos realmente jogados naquela atmosfera de uma maneira bastante imersiva. Já o roteiro, escrito por Blomkamp e pela Terri Tatchell (sua esposa), equilibra perfeitamente a ação visceral com uma crítica social incisiva, focando em temas sensíveis como racismo, xenofobia e segregação, usando a situação dos alienígenas como uma metáfora para a condição dos refugiados e das minorias marginalizadas. A real: a narrativa não apenas entretém, mas também nos convida a refletir sobre questões éticas e sociais bem contemporâneas.

Sharlto Copley (o Wikus) captura muito bem a transformação gradual de um burocrata arrogante e insensível para uma figura mais empática. Copley, com seu carisma, nos leva a sentir a dor, a luta e a desesperança de Wikus à medida que ele enfrenta a alienação e a perseguição. Sua atuação é um dos pilares que sustentam a narrativa, tornando-o um personagem complexo e cheio de nuances. Os efeitos visuais, especialmente para um filme de orçamento relativamente modesto como o de "Distrito 9" são impressionantes- foram gastos meros 30 milhões de dólares. Os alienígenas são renderizados com um nível de detalhe e realismo que facilita a suspensão da descrença, deixando as interações com os personagens humanos incrivelmente convincentes. A combinação de CGI e a performance do elenco é muito harmoniosa, criando um mundo que é estranho, mas familiar - mérito total de Blomkamp.

Indicado a 4 Oscars, inclusive de Melhor Filme de 2009, "Distrito 9" muda na sua segunda metade quando a ênfase passa a ser a ação e os efeitos especiais, perdendo um pouco do foco nas questões sociais que tornaram a primeira metade tão poderosa. No entanto, esse fato não diminui em nada a importância e o impacto de "Distrito 9" como critica e como entretenimento. O filme pode (e deve) ser considerado um marco dentro do gênero de ficção científica pela relação "orçamento x resultado", e que oferece uma exploração rica e provocativa de temas sociais tão atuais através de uma narrativa envolvente e visualmente deslumbrante.

Para fãs de ficção científica, "Distrito 9" é essencial!

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Durante a Tormenta

"Durante a Tormenta" é mais um daqueles filmes escondidos no catálogo da Netflix que nos perguntamos: "Por que não assisti antes?"

Esse filme espanhol de 2018 é do mesmo roteirista e diretor do excelente "Um Contratempo" - o que de cara já nos gera algum interesse. Mas, claro, os pré-requisitos para um bom filme não param por aí: ao dar o play, já percebemos que, além de muito bem produzido, muito bem dirigido; a história é muito envolvente (e surpreendente) desde o inicio, e ainda trás elementos narrativos que nos remetem à "Dark", uma das melhores séries da história da Netflix!

Ao encontrar algumas fitas VHS velhas em sua nova casa, Vera (Adriana Ugarte) conhece Nico (Julio Bohigas), um garoto que morava com sua mãe na mesma residência há 25 anos atrás. Curiosa, ela faz uma pesquisa na internet sobre o jovem e descobre que ele morreu em um acidente, em uma noite repleta de acontecimentos misteriosos na região. Por conta de um raro evento que quebra a relação "espaço/tempo", os dois conseguem se comunicar rapidamente por meio de uma filmadora ligada na televisão. Sabendo sobre o acidente, Vera aproveita para avisar Nico e assim evitar a sua morte. Acontece que, ao fazer isso, Vera altera vários acontecimentos a partir dali e agora precisa lidar com sua nova realidade enquanto busca uma forma de colocar a história no caminho que, para ela, parecia ser o correto. Confira o trailer:

Antes de mais nada temos que deixar uma coisa bem claro: trata-se de uma ficção cientifica e por isso, embarcar na história vai te exigir uma certa suspensão da realidade! Por mais que algumas soluções narrativas possam parecer frágeis, eu te garanto: trata-se de um roteiro muito bem construído, daquele tipo que não podemos tirar o olho da tela para não se perder nada da história - e isso é entretenimento de primeira! 

Oriol Paulo é um diretor talentoso e que já comprovou isso em todos os trabalhos que realizou até aqui - ele domina a gramática cinematográfica do mistério e sabe perfeitamente onde nos levar em suas histórias. Em "Durante a Tormenta" não é diferente, ele joga as peças do quebra-cabeça e nos provoca a montar junto com ele, com isso somos fisgados pela história e a sensação de estarmos diante de algo inteligente e surpreendente é incrível! 

Pode dar o play sem receio, sua diversão estará garantida!

Assista Agora 

"Durante a Tormenta" é mais um daqueles filmes escondidos no catálogo da Netflix que nos perguntamos: "Por que não assisti antes?"

Esse filme espanhol de 2018 é do mesmo roteirista e diretor do excelente "Um Contratempo" - o que de cara já nos gera algum interesse. Mas, claro, os pré-requisitos para um bom filme não param por aí: ao dar o play, já percebemos que, além de muito bem produzido, muito bem dirigido; a história é muito envolvente (e surpreendente) desde o inicio, e ainda trás elementos narrativos que nos remetem à "Dark", uma das melhores séries da história da Netflix!

Ao encontrar algumas fitas VHS velhas em sua nova casa, Vera (Adriana Ugarte) conhece Nico (Julio Bohigas), um garoto que morava com sua mãe na mesma residência há 25 anos atrás. Curiosa, ela faz uma pesquisa na internet sobre o jovem e descobre que ele morreu em um acidente, em uma noite repleta de acontecimentos misteriosos na região. Por conta de um raro evento que quebra a relação "espaço/tempo", os dois conseguem se comunicar rapidamente por meio de uma filmadora ligada na televisão. Sabendo sobre o acidente, Vera aproveita para avisar Nico e assim evitar a sua morte. Acontece que, ao fazer isso, Vera altera vários acontecimentos a partir dali e agora precisa lidar com sua nova realidade enquanto busca uma forma de colocar a história no caminho que, para ela, parecia ser o correto. Confira o trailer:

Antes de mais nada temos que deixar uma coisa bem claro: trata-se de uma ficção cientifica e por isso, embarcar na história vai te exigir uma certa suspensão da realidade! Por mais que algumas soluções narrativas possam parecer frágeis, eu te garanto: trata-se de um roteiro muito bem construído, daquele tipo que não podemos tirar o olho da tela para não se perder nada da história - e isso é entretenimento de primeira! 

Oriol Paulo é um diretor talentoso e que já comprovou isso em todos os trabalhos que realizou até aqui - ele domina a gramática cinematográfica do mistério e sabe perfeitamente onde nos levar em suas histórias. Em "Durante a Tormenta" não é diferente, ele joga as peças do quebra-cabeça e nos provoca a montar junto com ele, com isso somos fisgados pela história e a sensação de estarmos diante de algo inteligente e surpreendente é incrível! 

Pode dar o play sem receio, sua diversão estará garantida!

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Em defesa de Jacob

É preciso entender que a AppleTV+ está apenas no começo da sua jornada e talvez por isso eu fique muito tranquilo em afirmar: de tudo que assisti até agora no serviço de streaming da Apple, "Em defesa de Jacob" é disparado o melhor titulo - não que os outros sejam ruins, mas essa minissérie é impecável, no seu roteiro, na sua produção e no seu elenco! 

Baseada no livro de 2012 do americano William Landay, "Em Defesa de Jacob" conta a história do promotor Andy Barber (Chris Evans), um homem que acreditava ter uma vida perfeita ao lado de sua esposa Laurie (Michelle Dockery) e do filho Jacob (Jaeden Martell). Porém quando Barber é escalado para investigar o assassinato de um adolescente de 14 anos que foi encontrado esfaqueado em um parque da pequena cidade de Massachusetts onde moram, ele começa a enfrentar um verdadeiro pesadelo. O garoto estudava com seu filho que, pouco tempo depois, passa a ser apontado como o principal suspeito de ter cometido o crime. A partir daí, a vida da família Barber vira de ponta-cabeça, sua intimidade é completamente exposta, a repercussão da acusação destrói seu convívio social e a dúvida sobre o que realmente aconteceu transforma a relação entre eles em um verdadeiro jogo de verdades e mentiras! Confira o trailer:

Antes de seguir, eu preciso dizer que "Em Defesa de Jacob" já começa genial pelo duplo sentido do seu título - isso só ficará claro no último episódio, porém o que você vai assistir nos outros sete que compõem a minissérie, é uma história dinâmica que, mesmo com algumas escolhas óbvias, nos mantém envolvidos e cheio de dúvidas sobre os fatos que levaram o crime ser cometido e sobre quem cometeu! É um verdadeiro exercício de adivinhação constante, mas que o roteiro insiste em nos afastar da solução a cada nova descoberta! Olha, vale muito a pena mesmo, entretenimento de primeira linha, nível HBO, mas na AppleTV+!

"Em Defesa de Jacob" foi criada por Mark Bomback, roteirista de "Planeta dos Macacos" e "Wolverine - Imortal". Seu roteiro traz muitas referências do excelente "Precisamos falar sobre Kevin" de 2011, mas com o frescor de se tratar de uma minissérie e de poder explorar uma história complexa, com personagens profundos, com muito mais tempo de desenvolvimento que as duas horas do filme. Toda a trama envolvendo o assassinato, a investigação criminal e o julgamento é equilibrada com momentos bastante particulares da relação familiar dos Barber. Aquela família perfeita de fato não existe, personagens impecáveis, acima do bem e do mal, muito menos, com isso, a todo momento, o roteiro nos coloca uma pulga atrás da orelha com diálogos inteligentes e, principalmente, atuações acima da média, principalmente de Jaeden Martell - o ator consegue entregar uma performance incrível, extremamente contido, trabalhando o silêncio de um forma sombria em alguns momentos e frágil em outros - reparem! Michelle Dockery também surpreende como Laurie e o contraponto da dúvida é tão bem trabalhado pela personagem que o ótimo trabalho do Chris Evans acaba ganhando ainda mais força - embora ele tenha um tendência absurda a trabalhar um tom acima, sua certeza sobre a inocência do filho é de emocionar!

A edição também é um ponto que merece ser comentado: ela é a responsável pela dinâmica narrativa que o premiadíssimo diretor Morten Tyldum (Jogo da Imitação) impõe à história. A quebra da linha temporal parece mais confundir do que explicar e , propositalmente, os cortes nos criam a sensação de insegurança que vai progredindo até chegarmos nos episódios 7 e 8, quando nossa angústia já está quase insuportável. O fato do diretor ser norueguês, certamente, contribuiu para a escolha do look gélido que a minissérie tem - se "Garota Exemplar" trazia uma dominância mais esverdeada, "Em Defesa de Jacob" usa do azul para retratar a frieza e a solidão dos momentos de dúvida e de introspecção que acompanham cada um dos personagens, ao seu modo, em toda história!

"Em Defesa de Jacob" vem forte para a temporada de premiações, com aquele empurrãozinho de sucessos como  "Big Little Lies" ou "Em Prantos", mas com a coragem de um roteiro que nos tira da zona de conforto e nos provoca ao não responder a questão principal da trama, mas de expor as imperfeições dos relacionamentos familiares em várias camadas e situações até o seu limite!

Vale o seu play!

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É preciso entender que a AppleTV+ está apenas no começo da sua jornada e talvez por isso eu fique muito tranquilo em afirmar: de tudo que assisti até agora no serviço de streaming da Apple, "Em defesa de Jacob" é disparado o melhor titulo - não que os outros sejam ruins, mas essa minissérie é impecável, no seu roteiro, na sua produção e no seu elenco! 

Baseada no livro de 2012 do americano William Landay, "Em Defesa de Jacob" conta a história do promotor Andy Barber (Chris Evans), um homem que acreditava ter uma vida perfeita ao lado de sua esposa Laurie (Michelle Dockery) e do filho Jacob (Jaeden Martell). Porém quando Barber é escalado para investigar o assassinato de um adolescente de 14 anos que foi encontrado esfaqueado em um parque da pequena cidade de Massachusetts onde moram, ele começa a enfrentar um verdadeiro pesadelo. O garoto estudava com seu filho que, pouco tempo depois, passa a ser apontado como o principal suspeito de ter cometido o crime. A partir daí, a vida da família Barber vira de ponta-cabeça, sua intimidade é completamente exposta, a repercussão da acusação destrói seu convívio social e a dúvida sobre o que realmente aconteceu transforma a relação entre eles em um verdadeiro jogo de verdades e mentiras! Confira o trailer:

Antes de seguir, eu preciso dizer que "Em Defesa de Jacob" já começa genial pelo duplo sentido do seu título - isso só ficará claro no último episódio, porém o que você vai assistir nos outros sete que compõem a minissérie, é uma história dinâmica que, mesmo com algumas escolhas óbvias, nos mantém envolvidos e cheio de dúvidas sobre os fatos que levaram o crime ser cometido e sobre quem cometeu! É um verdadeiro exercício de adivinhação constante, mas que o roteiro insiste em nos afastar da solução a cada nova descoberta! Olha, vale muito a pena mesmo, entretenimento de primeira linha, nível HBO, mas na AppleTV+!

"Em Defesa de Jacob" foi criada por Mark Bomback, roteirista de "Planeta dos Macacos" e "Wolverine - Imortal". Seu roteiro traz muitas referências do excelente "Precisamos falar sobre Kevin" de 2011, mas com o frescor de se tratar de uma minissérie e de poder explorar uma história complexa, com personagens profundos, com muito mais tempo de desenvolvimento que as duas horas do filme. Toda a trama envolvendo o assassinato, a investigação criminal e o julgamento é equilibrada com momentos bastante particulares da relação familiar dos Barber. Aquela família perfeita de fato não existe, personagens impecáveis, acima do bem e do mal, muito menos, com isso, a todo momento, o roteiro nos coloca uma pulga atrás da orelha com diálogos inteligentes e, principalmente, atuações acima da média, principalmente de Jaeden Martell - o ator consegue entregar uma performance incrível, extremamente contido, trabalhando o silêncio de um forma sombria em alguns momentos e frágil em outros - reparem! Michelle Dockery também surpreende como Laurie e o contraponto da dúvida é tão bem trabalhado pela personagem que o ótimo trabalho do Chris Evans acaba ganhando ainda mais força - embora ele tenha um tendência absurda a trabalhar um tom acima, sua certeza sobre a inocência do filho é de emocionar!

A edição também é um ponto que merece ser comentado: ela é a responsável pela dinâmica narrativa que o premiadíssimo diretor Morten Tyldum (Jogo da Imitação) impõe à história. A quebra da linha temporal parece mais confundir do que explicar e , propositalmente, os cortes nos criam a sensação de insegurança que vai progredindo até chegarmos nos episódios 7 e 8, quando nossa angústia já está quase insuportável. O fato do diretor ser norueguês, certamente, contribuiu para a escolha do look gélido que a minissérie tem - se "Garota Exemplar" trazia uma dominância mais esverdeada, "Em Defesa de Jacob" usa do azul para retratar a frieza e a solidão dos momentos de dúvida e de introspecção que acompanham cada um dos personagens, ao seu modo, em toda história!

"Em Defesa de Jacob" vem forte para a temporada de premiações, com aquele empurrãozinho de sucessos como  "Big Little Lies" ou "Em Prantos", mas com a coragem de um roteiro que nos tira da zona de conforto e nos provoca ao não responder a questão principal da trama, mas de expor as imperfeições dos relacionamentos familiares em várias camadas e situações até o seu limite!

Vale o seu play!

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Emergência

O racismo estrutural existe - isso é um fato! Infelizmente esse mal está incutido em toda a sociedade, e é algo que todos nós cometemos, em maior ou menor grau, quer a gente aceite ou não. São tantos episódios que basta parar e observar, para entender prontamente que o racismo precisa ser combatido, sempre! O filme “Emergência”, disponível no catálogo da Prime Vídeo, trata exatamente disso - apresentando o racismo estrutural de forma visceral e, ao mesmo tempo, didática. O interessante é que o enredo não dá brecha para questionamentos, ele mostra exatamente como o problema continua enraizado e como é difícil ser extirpado para sempre da nossa realidade.

A trama mostra três estudantes universitários, Kunle (Donald Elise Watkins), Sean (RJ Cyler) e Carlos (Sebastian Chacon), dois negros e um latino, que antes de sair para uma balada, encontram uma garota desconhecida desacordada no chão da casa onde residem. A partir daí, eles vivem um impasse: chamar a emergência e correr o risco de serem acusados de algum crime, ou abandonar a menina, sem sofrer maiores consequências. Confira o trailer:

A premissa é muito inteligente em levantar questões bastante delicadas, mas pelos olhos de quem realmente sofre preconceito - e o roteiro da K.D. Dávila foi muito feliz em desenvolver um plot que explora a dificuldade de tomar uma decisão mais coerente pelos protagonistas, já que a garota desmaiada é branca, loira e menor de idade. Se chamarem a polícia ou a ambulância, será que vão acreditar na história deles? O receio e o medo que eles sentem é legítimo e verdadeiro, mas ao mesmo tempo escancara como o racismo estrutural pode moldar as atitudes das pessoas. Essa dualidade, ou desconforto, de comportamento exige uma sensibilidade enorme de condução para que as muitas camadas dos personagens possam ser aproveitadas, e o diretor Carey Williams (nomeado um dos novos diretores mais promissores de 2018 pela Filmmaker Magazine) foi muito seguro nesse desenvolvimento. 

“Emergência” é baseado em um curta-metragem e Williams, premiadíssimo em 2018 (vencedor do SXSW  e de Sundance no mesmo ano), que transita magistralmente por diversos gêneros: como a comédia, o drama e o suspense. Obviamente que esse é um daqueles filmes necessários, que todo mundo deveria ver e rever! É também provocativo, reflexivo e extremamente desconfortável! E é, antes de tudo, um aviso para que pessoas brancas como eu e você. tenham consciência que ainda precisamos evoluir muito, para um dia, finalmente, dizermos que vivemos em mundo mais justo e sem preconceitos.

Vale muito seu play, Vale muito sua reflexão!

Escrito por Lucio Tannure - uma parceria @dicas_pra_maratonar

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O racismo estrutural existe - isso é um fato! Infelizmente esse mal está incutido em toda a sociedade, e é algo que todos nós cometemos, em maior ou menor grau, quer a gente aceite ou não. São tantos episódios que basta parar e observar, para entender prontamente que o racismo precisa ser combatido, sempre! O filme “Emergência”, disponível no catálogo da Prime Vídeo, trata exatamente disso - apresentando o racismo estrutural de forma visceral e, ao mesmo tempo, didática. O interessante é que o enredo não dá brecha para questionamentos, ele mostra exatamente como o problema continua enraizado e como é difícil ser extirpado para sempre da nossa realidade.

A trama mostra três estudantes universitários, Kunle (Donald Elise Watkins), Sean (RJ Cyler) e Carlos (Sebastian Chacon), dois negros e um latino, que antes de sair para uma balada, encontram uma garota desconhecida desacordada no chão da casa onde residem. A partir daí, eles vivem um impasse: chamar a emergência e correr o risco de serem acusados de algum crime, ou abandonar a menina, sem sofrer maiores consequências. Confira o trailer:

A premissa é muito inteligente em levantar questões bastante delicadas, mas pelos olhos de quem realmente sofre preconceito - e o roteiro da K.D. Dávila foi muito feliz em desenvolver um plot que explora a dificuldade de tomar uma decisão mais coerente pelos protagonistas, já que a garota desmaiada é branca, loira e menor de idade. Se chamarem a polícia ou a ambulância, será que vão acreditar na história deles? O receio e o medo que eles sentem é legítimo e verdadeiro, mas ao mesmo tempo escancara como o racismo estrutural pode moldar as atitudes das pessoas. Essa dualidade, ou desconforto, de comportamento exige uma sensibilidade enorme de condução para que as muitas camadas dos personagens possam ser aproveitadas, e o diretor Carey Williams (nomeado um dos novos diretores mais promissores de 2018 pela Filmmaker Magazine) foi muito seguro nesse desenvolvimento. 

“Emergência” é baseado em um curta-metragem e Williams, premiadíssimo em 2018 (vencedor do SXSW  e de Sundance no mesmo ano), que transita magistralmente por diversos gêneros: como a comédia, o drama e o suspense. Obviamente que esse é um daqueles filmes necessários, que todo mundo deveria ver e rever! É também provocativo, reflexivo e extremamente desconfortável! E é, antes de tudo, um aviso para que pessoas brancas como eu e você. tenham consciência que ainda precisamos evoluir muito, para um dia, finalmente, dizermos que vivemos em mundo mais justo e sem preconceitos.

Vale muito seu play, Vale muito sua reflexão!

Escrito por Lucio Tannure - uma parceria @dicas_pra_maratonar

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Encounter

"Encounter" é um filme difícil de definir como gênero ao dar o play. Ele tem elementos de ficção cientifica, de suspense, de road movie, de drama e acreditem: tudo muito bem arquitetado para que a gente não tire os olhos da tela até entendermos como as peças vão se encaixando até entregar um final dos mais interessantes e satisfatórios - além, é claro, de ter no elenco um dos atores que mais vem se destacando nos últimos anos: Riz Ahmed (de "O Som do Silêncio" e "The Night Of", só para citar dois sucessos recentes do ator).

Aqui, Ahmed é um fuzileiro naval condecorado chamado Malik Khan. Certo dia ele aparece na casa da ex-mulher e simplesmente pega seus dois filhos, Jay (Lucian River-Chauhan) e Bobby (Aditya Geddada) no que ele considera ser uma missão de resgate para salva-los de uma ameaça não humana. Conforme a jornada os leva em direção ao perigo, os meninos precisam deixar a infância para trás e entender qual é a verdadeira ameaça que eles precisam enfrentar. Confira o trailer:

Apenas para alinharmos a expectativa: "Encounter" não é um filme de ação como "A Guerra do Amanhã". Embora o prólogo do filme mostre uma incrível (e quase poética) sequência onde microorganismos alienígenas penetram em uma versão reimaginada do corpo humano como se iniciasse ali uma conquista silenciosa para destruição da humanidade que se daria pelas próprias fraquezas do seu hospedeiro, o talentoso diretor Michael Pearce (de "Beast") não só impõe um tom narrativo dos mais sofisticados, como nos prepara para um drama cheio de tensão e angústia - onde a força das cenas está muito mais no psicológico do que no impacto visual.

A premissa nos levava a crer que se tratava de um filme próximo de "Invasion"  e o desenrolar da história nos coloca em contato com uma versão até mais dark e complexa que a série da AppleTV+. A forma como Pearce estabelece as relações de Malik Khan com seus filhos, consigo e com aquela atmosfera "apocalíptica", é sensacional - mesmo que em alguns momentos a narrativa se torne mais cadenciada do que estamos esperando. Os planos fechados do diretor, com o desenho de som de Paul Davies, uma trilha sonora que mistura desde os ruídos mais bruscos com agudos extremamente irritantes, tudo criado porJed Kurzel ("Alien: Covenant"), e uma fotografia linda de Benjamin Kracun ("The Third Day"), faz o filme brincar, o tempo todo, com a nossa perspectiva - mesmo parecendo óbvio, somos surpreendidos em muitos momentos.

Riz Ahmed é um grande ator - ele leva o filme nas costas com uma habilidade única. Suas cenas não precisam de diálogos, sua entrega está no olhar, no movimento pontuado, na forma como ele se aproxima ou se relaciona com a ação sem ao menos precisar expor isso ao público que assiste. Sua capacidade de se transformar de acordo com as demandas do roteiro impressiona e, tanto Lucian River-Chauhan quanto Aditya Geddada, seus filhos, acompanham. Octavia Spencer faz uma pequena participação, mas sem dúvida traz humanidade para narrativa e merece destaque.

O fato é que a união do talento com o primor técnico e artístico fazem de "Encounter"  uma agradável surpresa que pode colher frutos, mesmo sendo azarão (como inclusive foi "O Som do Silêncio"), na próxima temporada de premiações. O filme é muito bom, profundo, provocador, incômodo, mas não vai agradar a todos justamente por sua identidade quase independente. Por outro lado, fica aqui a recomendação de um bom drama de relações que vai além do óbvio, mesmo quando se torna óbvio.

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"Encounter" é um filme difícil de definir como gênero ao dar o play. Ele tem elementos de ficção cientifica, de suspense, de road movie, de drama e acreditem: tudo muito bem arquitetado para que a gente não tire os olhos da tela até entendermos como as peças vão se encaixando até entregar um final dos mais interessantes e satisfatórios - além, é claro, de ter no elenco um dos atores que mais vem se destacando nos últimos anos: Riz Ahmed (de "O Som do Silêncio" e "The Night Of", só para citar dois sucessos recentes do ator).

Aqui, Ahmed é um fuzileiro naval condecorado chamado Malik Khan. Certo dia ele aparece na casa da ex-mulher e simplesmente pega seus dois filhos, Jay (Lucian River-Chauhan) e Bobby (Aditya Geddada) no que ele considera ser uma missão de resgate para salva-los de uma ameaça não humana. Conforme a jornada os leva em direção ao perigo, os meninos precisam deixar a infância para trás e entender qual é a verdadeira ameaça que eles precisam enfrentar. Confira o trailer:

Apenas para alinharmos a expectativa: "Encounter" não é um filme de ação como "A Guerra do Amanhã". Embora o prólogo do filme mostre uma incrível (e quase poética) sequência onde microorganismos alienígenas penetram em uma versão reimaginada do corpo humano como se iniciasse ali uma conquista silenciosa para destruição da humanidade que se daria pelas próprias fraquezas do seu hospedeiro, o talentoso diretor Michael Pearce (de "Beast") não só impõe um tom narrativo dos mais sofisticados, como nos prepara para um drama cheio de tensão e angústia - onde a força das cenas está muito mais no psicológico do que no impacto visual.

A premissa nos levava a crer que se tratava de um filme próximo de "Invasion"  e o desenrolar da história nos coloca em contato com uma versão até mais dark e complexa que a série da AppleTV+. A forma como Pearce estabelece as relações de Malik Khan com seus filhos, consigo e com aquela atmosfera "apocalíptica", é sensacional - mesmo que em alguns momentos a narrativa se torne mais cadenciada do que estamos esperando. Os planos fechados do diretor, com o desenho de som de Paul Davies, uma trilha sonora que mistura desde os ruídos mais bruscos com agudos extremamente irritantes, tudo criado porJed Kurzel ("Alien: Covenant"), e uma fotografia linda de Benjamin Kracun ("The Third Day"), faz o filme brincar, o tempo todo, com a nossa perspectiva - mesmo parecendo óbvio, somos surpreendidos em muitos momentos.

Riz Ahmed é um grande ator - ele leva o filme nas costas com uma habilidade única. Suas cenas não precisam de diálogos, sua entrega está no olhar, no movimento pontuado, na forma como ele se aproxima ou se relaciona com a ação sem ao menos precisar expor isso ao público que assiste. Sua capacidade de se transformar de acordo com as demandas do roteiro impressiona e, tanto Lucian River-Chauhan quanto Aditya Geddada, seus filhos, acompanham. Octavia Spencer faz uma pequena participação, mas sem dúvida traz humanidade para narrativa e merece destaque.

O fato é que a união do talento com o primor técnico e artístico fazem de "Encounter"  uma agradável surpresa que pode colher frutos, mesmo sendo azarão (como inclusive foi "O Som do Silêncio"), na próxima temporada de premiações. O filme é muito bom, profundo, provocador, incômodo, mas não vai agradar a todos justamente por sua identidade quase independente. Por outro lado, fica aqui a recomendação de um bom drama de relações que vai além do óbvio, mesmo quando se torna óbvio.

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