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Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror

"Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" é uma excelente série documental da Netflix que coloca na linha do tempo as "causas" e "consequências" do 11 de setembro pelo ponto de vista de várias pessoas que de alguma forma estiveram (e estão) envolvidas com a relação entre os EUA e os grupos terroristas da Al-Qaeda e do Talibã. E aqui cabe uma primeira observação: o documentário é muito cuidadoso em apontar quem são os bandidos e quem são os mocinhos dessa história e ao assistir os cinco episódios, nossa sensação é que os mocinhos simplesmente não existem!

Como é de se imaginar, "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" acompanha os ataques terroristas lançados contra o World Trade Center pela Al-Qaeda em setembro de 2001, explorando desde as origens da organização terrorista na década de 1980, passando pela violenta resposta dos EUA no Oriente Médio depois dos ataques até os dias de hoje e o recente processo de desocupação das foças americanas no Afeganistão. Confira o trailer (em inglês):

Talvez "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" seja o documentário que melhor explica tudo que envolveu os ataques terroristas até hoje. Misturando muitas imagens de arquivo, gravações telefônicas, depoimentos de muitos personagens (uns bastante impactantes, inclusive), fotografias e documentos confidenciais, no fim da jornada é possível ter a exata noção de como o ser humano é um caso perdido! Desculpem a constatação, mas a forma como as peças vão se encaixando e as ações vão sendo discutidas, não raramente mostrando os dois lados da história, é de se perder a fé perante a humanidade - alguns depoimentos são tão sinceros, doloridos, além de editados de uma forma tão sensacional, que fica impossível não se emocionar e, claro, refletir sobre tudo.

O diretor Brian Knappenberger, do ótimo "Nobody Speak: Trials of the Free Press", criou uma dinâmica bastante interessante para contar a história do 11 de setembro. Knappenberger vai e volta no tempo de acordo com as ramificações que cada assunto vai abrindo. Veja, em um único documentários acompanhamos a relação da União Soviética com o Afeganistão, o nascimento da Al-Qaeda, os conflitos entre Bush e Saddam Hussein, os abusos que aconteceram em Guantánamo, o despreparo de alguns oficiais do exército americano para traçar estratégias de combate, os absurdos (e desvios) durante a criação de um novo exército afegão, como se deu a caçada a Osama Bin Laden, entre várias outras passagens marcantes da "Guerra contra o Terror" mesmo antes dela existir.

O bacana "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror"é que todos os assuntos abordados, embora sem tanta profundidade, são extremamente bem pontuados e explicados de uma forma didática até, porém muito fácil de acompanhar - cada assunto faz sentido no todo e isso nos causa uma agradável sensação de conhecimento de causa. Vale dizer que os cinco episódios podem ser destrinchados se buscarmos outros títulos para termos uma visão mais completa sobre os temas - "9/11: Inside the President's War Room" mostra os ataques pelos olhos do presidente Bush e de seu staff; "Vice"conta a história Dick Cheney, vice-presidente dos EUA e responsável pela invasão do Iraque, tendo como desculpa os ataques de 11 de setembro; "Segredos Oficiais" acompanha uma funcionária inglesa que recebeu ordens para que buscasse informações sobre membros do Conselho de Segurança da ONU que pudessem ser utilizados para chantagear seis países a votarem a favor da Guerra do Iraque; e assim por diante.

Como disse, são muitos filmes e séries sobre vários sub-temas que se conectam ao documentário "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" - então a partir desse competente overview vai ficar mais fácil decidir qual caminho seguir daqui para frente para se aprofundar nessas histórias que marcaram a humanidade.

Vale muito a pena, mesmo!!!

Assista Agora

"Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" é uma excelente série documental da Netflix que coloca na linha do tempo as "causas" e "consequências" do 11 de setembro pelo ponto de vista de várias pessoas que de alguma forma estiveram (e estão) envolvidas com a relação entre os EUA e os grupos terroristas da Al-Qaeda e do Talibã. E aqui cabe uma primeira observação: o documentário é muito cuidadoso em apontar quem são os bandidos e quem são os mocinhos dessa história e ao assistir os cinco episódios, nossa sensação é que os mocinhos simplesmente não existem!

Como é de se imaginar, "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" acompanha os ataques terroristas lançados contra o World Trade Center pela Al-Qaeda em setembro de 2001, explorando desde as origens da organização terrorista na década de 1980, passando pela violenta resposta dos EUA no Oriente Médio depois dos ataques até os dias de hoje e o recente processo de desocupação das foças americanas no Afeganistão. Confira o trailer (em inglês):

Talvez "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" seja o documentário que melhor explica tudo que envolveu os ataques terroristas até hoje. Misturando muitas imagens de arquivo, gravações telefônicas, depoimentos de muitos personagens (uns bastante impactantes, inclusive), fotografias e documentos confidenciais, no fim da jornada é possível ter a exata noção de como o ser humano é um caso perdido! Desculpem a constatação, mas a forma como as peças vão se encaixando e as ações vão sendo discutidas, não raramente mostrando os dois lados da história, é de se perder a fé perante a humanidade - alguns depoimentos são tão sinceros, doloridos, além de editados de uma forma tão sensacional, que fica impossível não se emocionar e, claro, refletir sobre tudo.

O diretor Brian Knappenberger, do ótimo "Nobody Speak: Trials of the Free Press", criou uma dinâmica bastante interessante para contar a história do 11 de setembro. Knappenberger vai e volta no tempo de acordo com as ramificações que cada assunto vai abrindo. Veja, em um único documentários acompanhamos a relação da União Soviética com o Afeganistão, o nascimento da Al-Qaeda, os conflitos entre Bush e Saddam Hussein, os abusos que aconteceram em Guantánamo, o despreparo de alguns oficiais do exército americano para traçar estratégias de combate, os absurdos (e desvios) durante a criação de um novo exército afegão, como se deu a caçada a Osama Bin Laden, entre várias outras passagens marcantes da "Guerra contra o Terror" mesmo antes dela existir.

O bacana "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror"é que todos os assuntos abordados, embora sem tanta profundidade, são extremamente bem pontuados e explicados de uma forma didática até, porém muito fácil de acompanhar - cada assunto faz sentido no todo e isso nos causa uma agradável sensação de conhecimento de causa. Vale dizer que os cinco episódios podem ser destrinchados se buscarmos outros títulos para termos uma visão mais completa sobre os temas - "9/11: Inside the President's War Room" mostra os ataques pelos olhos do presidente Bush e de seu staff; "Vice"conta a história Dick Cheney, vice-presidente dos EUA e responsável pela invasão do Iraque, tendo como desculpa os ataques de 11 de setembro; "Segredos Oficiais" acompanha uma funcionária inglesa que recebeu ordens para que buscasse informações sobre membros do Conselho de Segurança da ONU que pudessem ser utilizados para chantagear seis países a votarem a favor da Guerra do Iraque; e assim por diante.

Como disse, são muitos filmes e séries sobre vários sub-temas que se conectam ao documentário "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" - então a partir desse competente overview vai ficar mais fácil decidir qual caminho seguir daqui para frente para se aprofundar nessas histórias que marcaram a humanidade.

Vale muito a pena, mesmo!!!

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11/9 - A Vida sob Ataque

"11/9 - A Vida sob Ataque" é um documentário muito humano, sensível e ao mesmo tempo impactante, já que seu foco é exclusivamente contar a história do 11 de setembro pelos olhos de alguns novaiorquinos que de alguma forma presenciaram os ataques as Torres Gêmeas. 

É de fato um relato único, comovente e vívido do dia que mudou o mundo moderno. "9/11 Life Under Attack" (no original) é um filme de 90 minutos da ITV que conta histórias nunca antes reveladas, criadas por meio de uma montagem de vários vídeos e áudios inéditos. Confira o trailer (em inglês):

Veja, o que você vai encontrar é o mais próximo do que uma pessoa conseguiu assistir durante os ataques em NY. O diretor Nigel Levy (o mesmo por trás de "Formula 1: Dirigir para Viver") reuniu dezenas de vídeos caseiros e construiu uma narrativa "minuto a minuto" dos atentados. Sem nenhum depoimento, apenas apresentando os personagens com legendas, áudios das rádios locais, dos controladores de voo, de telefonemas vindos das Torres e dos aviões, Levy ilustra toda a tensão e incredulidade que as testemunhas viveram naquela manhã.

Claro que muitas daquelas imagens nós já conhecemos, mas as histórias não - são tão pessoais quanto desesperadoras! É conjunto de narrativas em primeira pessoa (na maioria das vezes) que nos impacta de uma forma muito sentimental, pois não faz parte de uma reinterpretação dos fatos, de uma lembrança distante ou de uma visão confortável do que acontecia - tudo que vemos em "real time" talvez seja a melhor definição do caos e isso é impressionante!

Para quem gostou de "11/9: Dentro da Sala de Guerra do Presidente" e "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" esse é mais um documentário imperdível - pela originalidade e pelo testemunho cruel! Vale muito a pena, mesmo!

Assista Agora

"11/9 - A Vida sob Ataque" é um documentário muito humano, sensível e ao mesmo tempo impactante, já que seu foco é exclusivamente contar a história do 11 de setembro pelos olhos de alguns novaiorquinos que de alguma forma presenciaram os ataques as Torres Gêmeas. 

É de fato um relato único, comovente e vívido do dia que mudou o mundo moderno. "9/11 Life Under Attack" (no original) é um filme de 90 minutos da ITV que conta histórias nunca antes reveladas, criadas por meio de uma montagem de vários vídeos e áudios inéditos. Confira o trailer (em inglês):

Veja, o que você vai encontrar é o mais próximo do que uma pessoa conseguiu assistir durante os ataques em NY. O diretor Nigel Levy (o mesmo por trás de "Formula 1: Dirigir para Viver") reuniu dezenas de vídeos caseiros e construiu uma narrativa "minuto a minuto" dos atentados. Sem nenhum depoimento, apenas apresentando os personagens com legendas, áudios das rádios locais, dos controladores de voo, de telefonemas vindos das Torres e dos aviões, Levy ilustra toda a tensão e incredulidade que as testemunhas viveram naquela manhã.

Claro que muitas daquelas imagens nós já conhecemos, mas as histórias não - são tão pessoais quanto desesperadoras! É conjunto de narrativas em primeira pessoa (na maioria das vezes) que nos impacta de uma forma muito sentimental, pois não faz parte de uma reinterpretação dos fatos, de uma lembrança distante ou de uma visão confortável do que acontecia - tudo que vemos em "real time" talvez seja a melhor definição do caos e isso é impressionante!

Para quem gostou de "11/9: Dentro da Sala de Guerra do Presidente" e "Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra ao Terror" esse é mais um documentário imperdível - pela originalidade e pelo testemunho cruel! Vale muito a pena, mesmo!

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11/9: Dentro da Sala de Guerra do Presidente

"9/11: Inside the President's War Room" (no original), documentário da BBC Films em parceria com a Apple, é simplesmente imperdível - pelas imagens dramáticas, pelos depoimentos de quem esteve ao lado do presidente Bush naquele dia e, principalmente, pela forma como a linha do tempo foi construída. Eu diria que esse documentário da AppleTV+ é um dos melhores do ano e certamente vai te colocar naquela atmosfera tão marcante de 20 anos atrás.

Em pouco mais de 90 minutos experimentamos os eventos de 11 de setembro de 2001 através dos olhos do presidente Bush e de seus assessores mais próximos, enquanto eles detalham pessoalmente alguns momentos cruciais e as principais decisões daquele dia histórico. O documentário cobre as primeiras 12 horas de terror e desinformação de uma forma avassaladora. Confira o trailer (em inglês):

O diferencial desse documentário com relação aos vários outros que já assisti, sem dúvida, diz respeito aos personagens que dão depoimentos: são entrevistas exclusivas com o presidente George W. Bush, com o vice Dick Cheney, com a conselheira de segurança nacional Condoleezza Rice, com o secretário de Estado Colin Powell, ente outros - inclusive profissionais da imprensa que cobriam a agenda do presidente na Flórida e que, indiretamente, viveram aquele dia histórico ao lado dele.

É muito interessante a proposta do diretor Adam Wishart em nos posicionar na linha do tempo em relação as (des)informações do staff do presidente em paralelo aos acontecimentos de Nova York e Washington, em tempo real. A forma como os personagens se dividem nas ações em resposta aos relatórios iniciais, primeiro descartando um acidente com um avião de pequeno porte e depois quando os ataques foram confirmados como uma atividade terrorista - as reações, a tensão, tudo está ali. É muito curioso como cada personagem assume uma posição hierárquica perante o caos e como algumas deficiências tecnológicas da época impactaram nas tomadas de decisões - a ordem para abater o United 93 é um ótimo exemplo e sem dúvida um dos momentos que mais embrulha o estômago. 

"9/11: Inside the President's War Room" é uma aula de narrativa que equilibra perfeitamente entrevistas, cenas de arquivo e imagens inéditas dos ataques, incluindo uma quantidade enorme de fotos de dentro da própria "sala de guerra" do presidente (e de seu vice) que passou o dia entre o Air Force One e vários Bunkers, até chegar na Casa Branca para um pronunciamento emocionante e histórico.

Em tempo, se você gosta do assunto eu sugiro que você assista dois títulos antes de chegar no documentário (nessa ordem): "The Looming Tower" com Jeff Daniels (que inclusive é o narrador de "9/11: Inside the President's War Room") e depois "O Relatório"com Adam Driver - tenha certeza que a experiência será incrível pelo encaixe das narrativas e visões dos seus personagens.

Imperdível!

Assista Agora

 

"9/11: Inside the President's War Room" (no original), documentário da BBC Films em parceria com a Apple, é simplesmente imperdível - pelas imagens dramáticas, pelos depoimentos de quem esteve ao lado do presidente Bush naquele dia e, principalmente, pela forma como a linha do tempo foi construída. Eu diria que esse documentário da AppleTV+ é um dos melhores do ano e certamente vai te colocar naquela atmosfera tão marcante de 20 anos atrás.

Em pouco mais de 90 minutos experimentamos os eventos de 11 de setembro de 2001 através dos olhos do presidente Bush e de seus assessores mais próximos, enquanto eles detalham pessoalmente alguns momentos cruciais e as principais decisões daquele dia histórico. O documentário cobre as primeiras 12 horas de terror e desinformação de uma forma avassaladora. Confira o trailer (em inglês):

O diferencial desse documentário com relação aos vários outros que já assisti, sem dúvida, diz respeito aos personagens que dão depoimentos: são entrevistas exclusivas com o presidente George W. Bush, com o vice Dick Cheney, com a conselheira de segurança nacional Condoleezza Rice, com o secretário de Estado Colin Powell, ente outros - inclusive profissionais da imprensa que cobriam a agenda do presidente na Flórida e que, indiretamente, viveram aquele dia histórico ao lado dele.

É muito interessante a proposta do diretor Adam Wishart em nos posicionar na linha do tempo em relação as (des)informações do staff do presidente em paralelo aos acontecimentos de Nova York e Washington, em tempo real. A forma como os personagens se dividem nas ações em resposta aos relatórios iniciais, primeiro descartando um acidente com um avião de pequeno porte e depois quando os ataques foram confirmados como uma atividade terrorista - as reações, a tensão, tudo está ali. É muito curioso como cada personagem assume uma posição hierárquica perante o caos e como algumas deficiências tecnológicas da época impactaram nas tomadas de decisões - a ordem para abater o United 93 é um ótimo exemplo e sem dúvida um dos momentos que mais embrulha o estômago. 

"9/11: Inside the President's War Room" é uma aula de narrativa que equilibra perfeitamente entrevistas, cenas de arquivo e imagens inéditas dos ataques, incluindo uma quantidade enorme de fotos de dentro da própria "sala de guerra" do presidente (e de seu vice) que passou o dia entre o Air Force One e vários Bunkers, até chegar na Casa Branca para um pronunciamento emocionante e histórico.

Em tempo, se você gosta do assunto eu sugiro que você assista dois títulos antes de chegar no documentário (nessa ordem): "The Looming Tower" com Jeff Daniels (que inclusive é o narrador de "9/11: Inside the President's War Room") e depois "O Relatório"com Adam Driver - tenha certeza que a experiência será incrível pelo encaixe das narrativas e visões dos seus personagens.

Imperdível!

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13 de Novembro: Terror em Paris

Por mais dolorido que possa parecer, a série documental da Netflix é um retrato da capacidade humana de se reinventar, seja nos momentos mais extremos, seja pela forma como ela reage ao evento que transformou sua vida!

São 3 episódios de quase 1 hora, mostrando minuto a minuto, tudo o que aconteceu naquela noite em Paris quando as primeiras explosões chamaram a atenção de todos que acompanhavam o amistoso França e Alemanha no Stade de France em Saint-Denis. As 80 mil pessoas que ali estavam, não tinham a menor noção do se transformaria aquela noite quando, poucos minutos depois, restaurantes e bares começaram a ser atacados por terroristas, culminando no massacre da boate Bataclan.

Pelo olhar e a lembrança de quem estava lá, em cada um desses lugares, ou pelos depoimentos de quem socorreu as vítimas naquela noite, e até pelas constatações dos políticos e policiais que precisaram tomar decisões difíceis durante os ataques, "13 de Novembro: Terror em Paris", talvez seja o documentário mais humano sobre um ataque terrorista que eu já assisti. É impressionante, marcante, mas, principalmente, necessário, pois só assim vamos entender o quanto a humanidade está machucada, mas ainda luta para continuar caminhando com a cabeça erguida!

A série mistura depoimentos com imagens de arquivos, vídeos feitos por celulares e até gravações da própria polícia, para ilustrar, em detalhes, o inferno de quem viveu e sobreviveu aos atentados. Muito interessante é a dinâmica que os diretores Gédéon Naudet e Jules Naudet, que já ganharam um Emmy pelo também excelente "9/11" de 2002, usaram para contar cada uma das histórias do ataque. Em nenhum momento sentimos um viés político, muito pelo contrário - nem o Estado Islâmico é citado durante os episódios. O foco é realmente o lado humano dos atentados e é aí que o drama pega forte. Fica fácil de visualizar aqueles momentos tão particulares que são contados pelos sobreviventes e isso dói. Os relatos são impressionantes, sinceros, sem nenhum tipo de máscara ou receio. É forte!!!!

Um dos artifícios usados pelos irmãos Naudet foi a inserção de elementos gráficos que serviram para pontuar o trajeto que os terroristas fizeram até chegar na Bataclan. Enquanto o primeiro episódio da série se dedica aos ataques nos restaurantes e bares, o segundo e o terceiro mergulham no interior da boate - o bacana é que, mesmo complexos, os fatos são facilmente explicados e localizados por uma  animação que ilustra perfeitamente onde estavam os personagens, os terroristas e, finalmente, os policiais. Fica tudo muito simples, fluido, o que, sem dúvida, nos coloca dentro da história sem a menor piedade. É belo como obra, como técnica de storytelling, mas difícil de digerir como ser humano!

"13 de Novembro: Terror em Paris" é uma bela surpresa escondida dentro do catálogo da Netflix. É preciso estar disposto para encarar uma história como essa, mas a experiência é extremamente imersiva e provocadora. É impossível não se colocar no lugar daquelas pessoas quando relatam o silêncio após os disparos, o cheiro de sangue misturado com pólvora, os clarões das explosões e até o barulho ensurdecedor dos celulares das vítimas tocando depois do massacre.  Embora esse seja o melhor elogio que um documentário pode receber, estar ali dentro, mesmo que pelos olhos dos outros, não é uma tarefa fácil!!!

Eu indico tranquilamente, mas assista sabendo que o assunto vai machucar e que o resultado da obra é um relato emocionante, cheio de detalhes, de uma noite que nunca mais será esquecida!!!!

Assista Agora 

Por mais dolorido que possa parecer, a série documental da Netflix é um retrato da capacidade humana de se reinventar, seja nos momentos mais extremos, seja pela forma como ela reage ao evento que transformou sua vida!

São 3 episódios de quase 1 hora, mostrando minuto a minuto, tudo o que aconteceu naquela noite em Paris quando as primeiras explosões chamaram a atenção de todos que acompanhavam o amistoso França e Alemanha no Stade de France em Saint-Denis. As 80 mil pessoas que ali estavam, não tinham a menor noção do se transformaria aquela noite quando, poucos minutos depois, restaurantes e bares começaram a ser atacados por terroristas, culminando no massacre da boate Bataclan.

Pelo olhar e a lembrança de quem estava lá, em cada um desses lugares, ou pelos depoimentos de quem socorreu as vítimas naquela noite, e até pelas constatações dos políticos e policiais que precisaram tomar decisões difíceis durante os ataques, "13 de Novembro: Terror em Paris", talvez seja o documentário mais humano sobre um ataque terrorista que eu já assisti. É impressionante, marcante, mas, principalmente, necessário, pois só assim vamos entender o quanto a humanidade está machucada, mas ainda luta para continuar caminhando com a cabeça erguida!

A série mistura depoimentos com imagens de arquivos, vídeos feitos por celulares e até gravações da própria polícia, para ilustrar, em detalhes, o inferno de quem viveu e sobreviveu aos atentados. Muito interessante é a dinâmica que os diretores Gédéon Naudet e Jules Naudet, que já ganharam um Emmy pelo também excelente "9/11" de 2002, usaram para contar cada uma das histórias do ataque. Em nenhum momento sentimos um viés político, muito pelo contrário - nem o Estado Islâmico é citado durante os episódios. O foco é realmente o lado humano dos atentados e é aí que o drama pega forte. Fica fácil de visualizar aqueles momentos tão particulares que são contados pelos sobreviventes e isso dói. Os relatos são impressionantes, sinceros, sem nenhum tipo de máscara ou receio. É forte!!!!

Um dos artifícios usados pelos irmãos Naudet foi a inserção de elementos gráficos que serviram para pontuar o trajeto que os terroristas fizeram até chegar na Bataclan. Enquanto o primeiro episódio da série se dedica aos ataques nos restaurantes e bares, o segundo e o terceiro mergulham no interior da boate - o bacana é que, mesmo complexos, os fatos são facilmente explicados e localizados por uma  animação que ilustra perfeitamente onde estavam os personagens, os terroristas e, finalmente, os policiais. Fica tudo muito simples, fluido, o que, sem dúvida, nos coloca dentro da história sem a menor piedade. É belo como obra, como técnica de storytelling, mas difícil de digerir como ser humano!

"13 de Novembro: Terror em Paris" é uma bela surpresa escondida dentro do catálogo da Netflix. É preciso estar disposto para encarar uma história como essa, mas a experiência é extremamente imersiva e provocadora. É impossível não se colocar no lugar daquelas pessoas quando relatam o silêncio após os disparos, o cheiro de sangue misturado com pólvora, os clarões das explosões e até o barulho ensurdecedor dos celulares das vítimas tocando depois do massacre.  Embora esse seja o melhor elogio que um documentário pode receber, estar ali dentro, mesmo que pelos olhos dos outros, não é uma tarefa fácil!!!

Eu indico tranquilamente, mas assista sabendo que o assunto vai machucar e que o resultado da obra é um relato emocionante, cheio de detalhes, de uma noite que nunca mais será esquecida!!!!

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15:17 Destino Paris

15:17 Destino Paris

Baseado no livro “The 15:17 to Paris: The True Story of a Terrorist, a Train, and Three American Soldiers”, o filme de Clint Eastwood conta a história de três americanos, Spencer Stone, Anthony Sadler e Alek Skarlatos. Amigos desde a infância, eles estavam viajando pela Europa quando acabaram reféns de um terrorista marroquino, Ayoub El-Khazzani (Ray Corasani), em um trem que ia de Amsterdã para Paris.

Pelo trailer temos a impressão que é mais um grande filme sobre heróis americanos "15:17 Destino Paris", certo? Pois é, de fato, esse é o objetivo de Eastwood, mas o resultado talvez deixe a desejar para os mais exigentes, embora seja um bom entretenimento se você não assistir com as expectativas que um filme do diretor carrega!

"15:17 Destino Paris" é muito bem dirigido por uma cara que domina a gramática cinematográfica como ninguém - é perceptível a qualidade técnica e a capacidade que Eastwood tem de contar uma história que dialoga com seus propósitos, mas para mim, o maior problema do filme acabou sendo seu roteiro! Ele é muito inconsistente - parece que editaram para caber na "Tela Quente", sabe? 

O roteiro de Dorothy Blyskal transita entre a vida adulta e a infância dos três protagonistas, porém, o que poderia ser um trabalho profundo sobre a formação do caráter e dos valores dos futuros heróis em diversas camadas, é só um retrato de três garotos fazendo malcriação! Já adultos, o filme soa mais como uma espécie de Road Movie, quase colegial, com diálogos muitas vezes superficiais e sem muito propósito para o que mais interessa: os momentos de tensão perante uma experiência marcante e aterrorizante vivida naquele 21 de agosto de 2015 - como, por exemplo, Paul Greengrass fez brilhantemente no excelente "Voo United 93".

A parte curiosa do filme é que Clint Eastwood não usou atores para contar a história! Quem viveu aquele dia, reviveu na ficção - e isso pesa no filme! Spencer Stone, Anthony Sadler e Alek Skarlatos se esforçam, mas não entregam a dramaticidade que o filme pedia!

Olha, de fato, "15:17 Destino Paris" era uma história que merecia ser contada! Vale como referência histórica, como retrato de uma sociedade doentia, mas como filme em si, é aquele típico entretenimento "Sessão da Tarde" sem maiores pretensões ou seja, vale pela diversão!

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Baseado no livro “The 15:17 to Paris: The True Story of a Terrorist, a Train, and Three American Soldiers”, o filme de Clint Eastwood conta a história de três americanos, Spencer Stone, Anthony Sadler e Alek Skarlatos. Amigos desde a infância, eles estavam viajando pela Europa quando acabaram reféns de um terrorista marroquino, Ayoub El-Khazzani (Ray Corasani), em um trem que ia de Amsterdã para Paris.

Pelo trailer temos a impressão que é mais um grande filme sobre heróis americanos "15:17 Destino Paris", certo? Pois é, de fato, esse é o objetivo de Eastwood, mas o resultado talvez deixe a desejar para os mais exigentes, embora seja um bom entretenimento se você não assistir com as expectativas que um filme do diretor carrega!

"15:17 Destino Paris" é muito bem dirigido por uma cara que domina a gramática cinematográfica como ninguém - é perceptível a qualidade técnica e a capacidade que Eastwood tem de contar uma história que dialoga com seus propósitos, mas para mim, o maior problema do filme acabou sendo seu roteiro! Ele é muito inconsistente - parece que editaram para caber na "Tela Quente", sabe? 

O roteiro de Dorothy Blyskal transita entre a vida adulta e a infância dos três protagonistas, porém, o que poderia ser um trabalho profundo sobre a formação do caráter e dos valores dos futuros heróis em diversas camadas, é só um retrato de três garotos fazendo malcriação! Já adultos, o filme soa mais como uma espécie de Road Movie, quase colegial, com diálogos muitas vezes superficiais e sem muito propósito para o que mais interessa: os momentos de tensão perante uma experiência marcante e aterrorizante vivida naquele 21 de agosto de 2015 - como, por exemplo, Paul Greengrass fez brilhantemente no excelente "Voo United 93".

A parte curiosa do filme é que Clint Eastwood não usou atores para contar a história! Quem viveu aquele dia, reviveu na ficção - e isso pesa no filme! Spencer Stone, Anthony Sadler e Alek Skarlatos se esforçam, mas não entregam a dramaticidade que o filme pedia!

Olha, de fato, "15:17 Destino Paris" era uma história que merecia ser contada! Vale como referência histórica, como retrato de uma sociedade doentia, mas como filme em si, é aquele típico entretenimento "Sessão da Tarde" sem maiores pretensões ou seja, vale pela diversão!

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22 July

Um filme europeu chamou muito a minha atenção quando esteve em Berlin: Utøya 22. juli. - pelo "simples" fato do filme ser um plano sequência de mais de uma hora. Pois bem, eu não conhecia a história dos atentados a um grupo de jovens que estavam em um ilha na Noruega antes de assistir esse filme, e de fato é realmente perturbador! Agora a Netflix que não é boba nem nada, resolveu trazer para o seu catálogo original esses terríveis e dramáticos acontecimentos com uma visão mais complexa. Então, ninguém melhor que Paul Greengrass (de "Vôo United 93" e "Capitão Phillips") para contar parte da história real que o filme do Erik Poppe não contou. Aliás, se tiverem oportunidade, não deixem de assistir os dois, eles se completam - da mesma forma que "Dunkirk" foi essencial para contar parte da história que "O Destino de uma Nação" não contou.

Noruega, 2011. Anders Behring Breivik, consumido pelos seus ideias fundamentalistas cristãos e anti-islâmicos, mata 75 pessoas a tiros em um acampamento na Ilha de Utoya. Os sobreviventes do ataque pedem justiça ao governo Norueguês, enquanto os advogados do terrorista condenado se mobilizam para defendê-lo perante a lei. Confira o trailer:

"22 July" não é visceral como "Utøya", mas nem por isso deixa de ser um grande filme, muito pelo contrário, cinematograficamente falando é até mais relevante pois mostra muito mais do que o ataque a ilha, mostra a causa, a consequência, o debate, os absurdos que o extremismo pode gerar em uma sociedade cheia de pessoas doentes (estou falando só do filme, ok?). O roteiro foi baseado no livro do Åsne Seierstad ("One of Us") - ponto alto do filme ao lado da camera solta, quase documental, do Greengrass.

Se no filme norueguês sofremos com aqueles adolescentes que estavam sem saída na ilha, nessa versão da Netflix vemos o inicio dos atentados, o que pensava o terrorista, como ele agiu, como ele planejou e como ele lidou com a prisão. É curioso que na ilha mesmo, são poucas cenas, e não sentimos falta porque nada é gratuito no filme. As sequências se constroem de uma forma tão orgânica que você nem sente as mais de duas horas passarem.

Pessoalmente achei "Utøya" mais marcante (quase uma experiência sensorial), enquanto "22 July" é mais um entretenimento - os dois são excelentes filmes, que fique claro. A dica, no entanto, é para que você assista os dois e tenha experiências tão diferentes quanto complementares! Pode acreditar, vai valer muito a pena!

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Um filme europeu chamou muito a minha atenção quando esteve em Berlin: Utøya 22. juli. - pelo "simples" fato do filme ser um plano sequência de mais de uma hora. Pois bem, eu não conhecia a história dos atentados a um grupo de jovens que estavam em um ilha na Noruega antes de assistir esse filme, e de fato é realmente perturbador! Agora a Netflix que não é boba nem nada, resolveu trazer para o seu catálogo original esses terríveis e dramáticos acontecimentos com uma visão mais complexa. Então, ninguém melhor que Paul Greengrass (de "Vôo United 93" e "Capitão Phillips") para contar parte da história real que o filme do Erik Poppe não contou. Aliás, se tiverem oportunidade, não deixem de assistir os dois, eles se completam - da mesma forma que "Dunkirk" foi essencial para contar parte da história que "O Destino de uma Nação" não contou.

Noruega, 2011. Anders Behring Breivik, consumido pelos seus ideias fundamentalistas cristãos e anti-islâmicos, mata 75 pessoas a tiros em um acampamento na Ilha de Utoya. Os sobreviventes do ataque pedem justiça ao governo Norueguês, enquanto os advogados do terrorista condenado se mobilizam para defendê-lo perante a lei. Confira o trailer:

"22 July" não é visceral como "Utøya", mas nem por isso deixa de ser um grande filme, muito pelo contrário, cinematograficamente falando é até mais relevante pois mostra muito mais do que o ataque a ilha, mostra a causa, a consequência, o debate, os absurdos que o extremismo pode gerar em uma sociedade cheia de pessoas doentes (estou falando só do filme, ok?). O roteiro foi baseado no livro do Åsne Seierstad ("One of Us") - ponto alto do filme ao lado da camera solta, quase documental, do Greengrass.

Se no filme norueguês sofremos com aqueles adolescentes que estavam sem saída na ilha, nessa versão da Netflix vemos o inicio dos atentados, o que pensava o terrorista, como ele agiu, como ele planejou e como ele lidou com a prisão. É curioso que na ilha mesmo, são poucas cenas, e não sentimos falta porque nada é gratuito no filme. As sequências se constroem de uma forma tão orgânica que você nem sente as mais de duas horas passarem.

Pessoalmente achei "Utøya" mais marcante (quase uma experiência sensorial), enquanto "22 July" é mais um entretenimento - os dois são excelentes filmes, que fique claro. A dica, no entanto, é para que você assista os dois e tenha experiências tão diferentes quanto complementares! Pode acreditar, vai valer muito a pena!

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7 Dias em Entebbe

Finalmente "7 Dias em Entebbe", novo filme do brasileiro José Padilha que estreou em Berlin, está disponível no streaming! Antes de mais nada é preciso dizer que o filme foi muito criticado pelo fato do Padilha ter "humanizado" os terroristas e ter focado em relações pouco usuais quando o assunto é o sequestro de um avião cheio de civis que serviriam de moeda de troca para presos políticos. Sinceramente isso não interferiu em absolutamente nada na minha experiência ao assistir o filme - talvez até pelo fato de eu não conhecer muito da história e muito menos estar inserido nesse tipo de discussão.

Em julho de 1976, um voo da Air France que partiu de Tel-Aviv à Paris é sequestrado e forçado a pousar em Entebbe, na Uganda. Os passageiros judeus são mantidos reféns para que seja negociada a liberação dos terroristas e anarquistas palestinos presos em Israel, na Alemanha e na Suécia. Sob pressão, o governo israelita decide organizar uma operação de resgate, atacar o campo de pouso e soltar os reféns. Confira o trailer:

Independente do tipo de abordagem, o que me interessou foi o filme em si e nisso ele é irretocável. Tecnicamente perfeito! A fotografia do Lula Carvalho está linda, com planos muito bem construídos e um movimento de câmera que me agrada muito, equilibrando muito bem o estilo de direção do Padilha com o que a história pedia em cada cena. Aliás, o Padilha vai muito bem (óbvio) e mesmo trazendo uma ou outra referência dos seus antigos trabalhos, não se apoia em muletas que já foram motivo de muitas criticas recentes como aquele voice over de "Narcos" e do "Mecanismo", por exemplo - embora eu nunca tenha achado que era "mais do mesmo" e sim o estilo que ele gosta de imprimir como conceito narrativo e ponto final - escolha puramente pessoal do Diretor!

Eu realmente gostei do filme, trouxe uma sensação muito parecida de quando assisti "Argo", e a construção do roteiro proposta pelo Gregory Burke(de "71: Esquecido em Belfast") fazendo sempre um contraponto com os ensaios de uma companhia de ballet trouxe uma certa poesia para o filme, encaixou muito bem como alivio dramático e fez do trabalho do desenho de som, da mixagem e da trilha sonora um dos pontos mais interessantes do filme! Reparem como tudo se encaixa perfeitamente e nos convidam a refletir sobre tudo o que está acontecendo em Uganda!

Olha, é um filme com a marca do Padilha e ainda bem! Na minha opinião, um dos melhores de 2018!

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Finalmente "7 Dias em Entebbe", novo filme do brasileiro José Padilha que estreou em Berlin, está disponível no streaming! Antes de mais nada é preciso dizer que o filme foi muito criticado pelo fato do Padilha ter "humanizado" os terroristas e ter focado em relações pouco usuais quando o assunto é o sequestro de um avião cheio de civis que serviriam de moeda de troca para presos políticos. Sinceramente isso não interferiu em absolutamente nada na minha experiência ao assistir o filme - talvez até pelo fato de eu não conhecer muito da história e muito menos estar inserido nesse tipo de discussão.

Em julho de 1976, um voo da Air France que partiu de Tel-Aviv à Paris é sequestrado e forçado a pousar em Entebbe, na Uganda. Os passageiros judeus são mantidos reféns para que seja negociada a liberação dos terroristas e anarquistas palestinos presos em Israel, na Alemanha e na Suécia. Sob pressão, o governo israelita decide organizar uma operação de resgate, atacar o campo de pouso e soltar os reféns. Confira o trailer:

Independente do tipo de abordagem, o que me interessou foi o filme em si e nisso ele é irretocável. Tecnicamente perfeito! A fotografia do Lula Carvalho está linda, com planos muito bem construídos e um movimento de câmera que me agrada muito, equilibrando muito bem o estilo de direção do Padilha com o que a história pedia em cada cena. Aliás, o Padilha vai muito bem (óbvio) e mesmo trazendo uma ou outra referência dos seus antigos trabalhos, não se apoia em muletas que já foram motivo de muitas criticas recentes como aquele voice over de "Narcos" e do "Mecanismo", por exemplo - embora eu nunca tenha achado que era "mais do mesmo" e sim o estilo que ele gosta de imprimir como conceito narrativo e ponto final - escolha puramente pessoal do Diretor!

Eu realmente gostei do filme, trouxe uma sensação muito parecida de quando assisti "Argo", e a construção do roteiro proposta pelo Gregory Burke(de "71: Esquecido em Belfast") fazendo sempre um contraponto com os ensaios de uma companhia de ballet trouxe uma certa poesia para o filme, encaixou muito bem como alivio dramático e fez do trabalho do desenho de som, da mixagem e da trilha sonora um dos pontos mais interessantes do filme! Reparem como tudo se encaixa perfeitamente e nos convidam a refletir sobre tudo o que está acontecendo em Uganda!

Olha, é um filme com a marca do Padilha e ainda bem! Na minha opinião, um dos melhores de 2018!

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7500

"7500" é mais uma excelente surpresa que você pode encontrar na Prime Vídeo! O filme acompanha a história de um voo entre Alemanha e França que sofre uma tentativa de ataque terrorista comandada por extremistas muçulmanos. O interessante, porém, é que o diretor e roteirista alemão, Patrick Vollrath, acabou criando uma atmosfera de tensão quase insuportável ao decidir nos mostrar um único ponto de vista dessa situação de terror: a do co-piloto Tobias Ellis (Joseph Gordon-Levitt), "preso" em sua cabine de comando! Confira o trailer (em inglês):

Para quem gosta desse estilo de filme, a lembrança do ótimo "Voo United 93", do grande diretor Paul Greengrass, surgirá imediatamente na memória. Pelo estilo da câmera solta, mais nervosa, quase documental, ao conceito narrativo escolhido para contar a história, "7500" bebe da mesma fonte com muita competência e nos coloca dentro do avião sem pedir muita licença. Vollrath não economiza ao mostrar os momentos de desespero do protagonista ao ter que tomar decisões muito difíceis, ao mesmo tempo que apenas sugere o que está acontecendo entre a tripulação, passageiros e terroristas fora da cabine. De fato, pode parecer que a história está incompleta, mas a sensação acaba sendo tão claustrofóbica e profunda que temos a impressão de estarmos assistindo uma transmissão ao vivo de tudo aquilo! Mas aqui cabe um aviso importante: "7500" não é um filme de ação, é um drama quase psicológico, angustiante pela veracidade das situações e muito difícil de digerir. Vale muito a pena, mesmo!

Como curiosidade, o código de emergência em situações de seqüestro de um avião é "7500" e a apropriação dessa importante informação para ser o ponto de partida desse filme se justifica desde as primeiras cenas. Enquanto os créditos iniciais ainda são mostrados, vemos a imagem de monitores de segurança acompanhando (e apresentando) os terroristas - muito parecido com o que vimos exaustivamente durante as investigações do 11 de setembro, inclusive. Enquanto isso o co-piloto Tobias Ellis e o comandante Michael Lutzmann (Carlo Kitzlinger) fazem todo o procedimento de checagem e preparação para o voo -  eles conversam sobre amenidades, mas já se cria uma relação de empatia com quem assiste ao filme que é impressionante. A câmera se move pouco, o ambiente é realmente muito apertado, escuro, mas o trabalho dos atores deixa transparecer que tudo aquilo é muito aconchegante para ambos. Ao mesmo tempo, a tripulação vai recebendo os passageiros que estão embarcando - temos a impressão de estarmos espiando a cena, até que vemos um dos terroristas passando sem gerar nenhuma suspeita - claro que sabemos o que vai acontecer, mas a forma como esse prólogo é construído já nos incomoda demais! A partir daí, entre a decolagem e o inicio do ato terrorista, vemos um show de direção, um domínio impressionante da gramática cinematográfica do suspense, sem ter que mostrar muito, muitas vezes observando situações apenas pelo monitor da cabine, ou somente escutando a crescente tensão entre os terroristas e passageiros fora dali! Reparem, é sensacional!

Patrick Vollrath é comedido, mas também tem uma direção potente, que até Joseph Gordon-Levitt chama atenção pela sua imersão comovente ao viver aquela situação extrema - ele consegue transmitir todo o peso de ser o responsável por tentar manter passageiros e tripulação seguros ao mesmo tempo em que tem que seguir alguns protocolos para evitar uma tragédia ainda maior. É um trabalho complicado, solitário, silencioso muitas vezes, mas Gordon-Levitt entrega todos esses sentimentos com muita habilidade - eu diria até que o filme poderia ter se tornado um fiasco não fosse seu trabalho! Vollrath, indicado ao Oscar com seu curta-metragem "Tudo ficará bem" de 2016, tem ao seu lado Sebastian Thaler como diretor de Fotografia, e ambos praticamente se completam nesse filme. Thaler usa da restrição de movimento (e das escolhas perfeitas das lentes) sua principal arma, com isso, tudo que vemos na tela fica palpável, visceral! 

"7500" nos transporta, em apenas 90 minutos, para o inferno de uma situação improvável com uma verdade perturbadora. Se em alguns momentos o filme pode parecer simplista demais, fica claro que o grande objetivo foi contar uma história pelo ponto de vista de um único personagem que agiu com coragem, cautela, paciência e até desespero, de uma jeito tão humano que acabou transformando o ato de assistir um filme bom em uma ótima experiência! 

Imperdível!

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"7500" é mais uma excelente surpresa que você pode encontrar na Prime Vídeo! O filme acompanha a história de um voo entre Alemanha e França que sofre uma tentativa de ataque terrorista comandada por extremistas muçulmanos. O interessante, porém, é que o diretor e roteirista alemão, Patrick Vollrath, acabou criando uma atmosfera de tensão quase insuportável ao decidir nos mostrar um único ponto de vista dessa situação de terror: a do co-piloto Tobias Ellis (Joseph Gordon-Levitt), "preso" em sua cabine de comando! Confira o trailer (em inglês):

Para quem gosta desse estilo de filme, a lembrança do ótimo "Voo United 93", do grande diretor Paul Greengrass, surgirá imediatamente na memória. Pelo estilo da câmera solta, mais nervosa, quase documental, ao conceito narrativo escolhido para contar a história, "7500" bebe da mesma fonte com muita competência e nos coloca dentro do avião sem pedir muita licença. Vollrath não economiza ao mostrar os momentos de desespero do protagonista ao ter que tomar decisões muito difíceis, ao mesmo tempo que apenas sugere o que está acontecendo entre a tripulação, passageiros e terroristas fora da cabine. De fato, pode parecer que a história está incompleta, mas a sensação acaba sendo tão claustrofóbica e profunda que temos a impressão de estarmos assistindo uma transmissão ao vivo de tudo aquilo! Mas aqui cabe um aviso importante: "7500" não é um filme de ação, é um drama quase psicológico, angustiante pela veracidade das situações e muito difícil de digerir. Vale muito a pena, mesmo!

Como curiosidade, o código de emergência em situações de seqüestro de um avião é "7500" e a apropriação dessa importante informação para ser o ponto de partida desse filme se justifica desde as primeiras cenas. Enquanto os créditos iniciais ainda são mostrados, vemos a imagem de monitores de segurança acompanhando (e apresentando) os terroristas - muito parecido com o que vimos exaustivamente durante as investigações do 11 de setembro, inclusive. Enquanto isso o co-piloto Tobias Ellis e o comandante Michael Lutzmann (Carlo Kitzlinger) fazem todo o procedimento de checagem e preparação para o voo -  eles conversam sobre amenidades, mas já se cria uma relação de empatia com quem assiste ao filme que é impressionante. A câmera se move pouco, o ambiente é realmente muito apertado, escuro, mas o trabalho dos atores deixa transparecer que tudo aquilo é muito aconchegante para ambos. Ao mesmo tempo, a tripulação vai recebendo os passageiros que estão embarcando - temos a impressão de estarmos espiando a cena, até que vemos um dos terroristas passando sem gerar nenhuma suspeita - claro que sabemos o que vai acontecer, mas a forma como esse prólogo é construído já nos incomoda demais! A partir daí, entre a decolagem e o inicio do ato terrorista, vemos um show de direção, um domínio impressionante da gramática cinematográfica do suspense, sem ter que mostrar muito, muitas vezes observando situações apenas pelo monitor da cabine, ou somente escutando a crescente tensão entre os terroristas e passageiros fora dali! Reparem, é sensacional!

Patrick Vollrath é comedido, mas também tem uma direção potente, que até Joseph Gordon-Levitt chama atenção pela sua imersão comovente ao viver aquela situação extrema - ele consegue transmitir todo o peso de ser o responsável por tentar manter passageiros e tripulação seguros ao mesmo tempo em que tem que seguir alguns protocolos para evitar uma tragédia ainda maior. É um trabalho complicado, solitário, silencioso muitas vezes, mas Gordon-Levitt entrega todos esses sentimentos com muita habilidade - eu diria até que o filme poderia ter se tornado um fiasco não fosse seu trabalho! Vollrath, indicado ao Oscar com seu curta-metragem "Tudo ficará bem" de 2016, tem ao seu lado Sebastian Thaler como diretor de Fotografia, e ambos praticamente se completam nesse filme. Thaler usa da restrição de movimento (e das escolhas perfeitas das lentes) sua principal arma, com isso, tudo que vemos na tela fica palpável, visceral! 

"7500" nos transporta, em apenas 90 minutos, para o inferno de uma situação improvável com uma verdade perturbadora. Se em alguns momentos o filme pode parecer simplista demais, fica claro que o grande objetivo foi contar uma história pelo ponto de vista de um único personagem que agiu com coragem, cautela, paciência e até desespero, de uma jeito tão humano que acabou transformando o ato de assistir um filme bom em uma ótima experiência! 

Imperdível!

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A Agência

Menos ação, mais tensão e uma boa dose de drama pessoal - é isso que você vai encontrar nessa produção da Showtime que está na Paramount+. "A Agência", na verdade, é uma adaptação da premiada série francesa "Le Bureau des Légendes" de Eric Rochant - que inclusive teve cinco excelentes temporadas por lá.  Seguindo uma linha narrativa e visual que transita perfeitamente entre "O Dia do Chacal" e "The Night Manager", mas com um leve toque de "O Assassino" do David Fincher, essa é uma das séries de espionagem mais inteligentes, envolventes e sofisticadas que você vai encontrar no streaming. Sob a liderança de Jez e John-Henry Butterworth (de "Ford vs. Ferrari"), "The Agency" (no original) constrói uma trama densa e psicologicamente instigante, que ecoa o trabalho de mestres do gênero como John Le Carré. Com uma jornada recheada de dilemas morais e intrigas políticas, mas sempre com uma abordagem profundamente humana, eu diria que você vai se impressionar com "A Agência" por sua complexidade dramática e especialmente pela riqueza de seus personagens.

No centro da história está Brandon Cunningham (Michael Fassbender), codinome "Marciano", um agente da CIA recém-retornado de uma missão de seis anos no Sudão. Durante esse tempo, ele viveu como "Paul Lewis", uma identidade falsa que utilizou para infiltrações e recrutamentos. Porém, Marciano carrega as marcas psicológicas dessa longa missão e tem dificuldade em abandonar seu alter ego. A situação se complica quando Samia Zahir (Jodie Turner-Smith), uma antropóloga sudanesa com quem teve um relacionamento secreto, aparece inesperadamente em Londres. Dividido entre a paixão por Samia e a paranoia de que ela possa ser uma espiã, Marciano entra em uma espiral de decisões erráticas que ameaçam sua carreira e sua segurança ao mesmo tempo em que precisa lidar com o desaparecimento de uma fonte da CIA na Bielorrússia. Confira o trailer:

Não espere resposta fáceis já que o grande mérito de "A Agência" é seu foco no estudo de personagens. A partir da complexidade das relações humanas e da introspecção dos desejos pessoais e dos deveres profissionais, a série é muito competente ao explorar a deterioração mental e emocional do protagonista enquanto ele se aprofunda em um jogo de mentiras, manipulações e escolhas bastante duvidosas. A atuação de Michael Fassbender, claro, é magnética - ele captura tanto o carisma quanto as fraquezas de um homem que é referência em seu ofício, mas vive à beira do colapso. Repare como a interação de Fassbender com a personagem de Jodie Turner-Smith combina fragilidade e determinação, adicionando camadas tão bem desenvolvidas à trama que o mistério em torno das verdadeiras intenções de Samia nos mantém em constante tensão - é realmente impressionante.

Embora soe mais cadenciado, sem pressa de nos mostrar os caminhos narrativos que "A Agência" pretende desenvolver ao longo das temporadas, aqui encontramos subtramas de fato muito ricas em conflitos, bem estabelecidos e que naturalmente expandem o escopo da história. A investigação sobre o desaparecimento na Bielorrússia por exemplo, conecta o protagonista ao chefe do escritório da CIA em Londres, James Bradley (Richard Gere), e ao seu subordinado Henry Ogletree (Jeffrey Wright). Esses personagens e suas respectivas ações, criam uma rede de eventos que refletem perfeitamente a pressão global sobre a agência, particularmente em situações atuais de alto risco como a Guerra da Ucrânia - essa atualização do conteúdo geopolítico para as crises dos dias atuais, aliás, é o grande acerto da adaptação em relação ao material original. E não para por aí, já que paralelamente, a série ainda aborda negociações de paz na Guerra Civil do Sudão, mediadas pelos chineses; o treinamento de uma jovem espiã, Danny (Saura Lightfoot-Leon), para se infiltrar no programa nuclear do Irã; entre outras coisas mais.

Com um ritmo envolvente, combinando tensão psicológica com sequências mais tradicionais de espionagem, Jez e John-Henry Butterworth, ao lado do diretor Joe Wright, acertam ao moldar uma atmosfera ficcional que captura o realismo das operações da CIA, com diálogos cheios de detalhes que dão autenticidade ao universo retratado. Nesse sentido as comparações com as obras de John Le Carré são inevitáveis e até justas, já que assim como as histórias do lendário autor britânico, "A Agência" é mais sobre os dilemas internos e o impacto na vida de seus personagens do que propriamente sobre perseguições frenéticas e ações paramilitares como vemos em "Lioness". Dito isso, esteja preparado para uma abordagem madura e reflexiva que evita simplificações em prol de uma análise mais profunda do mundo da espionagem como poucas vezes encontramos e acredite: vai valer demais o seu play!

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Menos ação, mais tensão e uma boa dose de drama pessoal - é isso que você vai encontrar nessa produção da Showtime que está na Paramount+. "A Agência", na verdade, é uma adaptação da premiada série francesa "Le Bureau des Légendes" de Eric Rochant - que inclusive teve cinco excelentes temporadas por lá.  Seguindo uma linha narrativa e visual que transita perfeitamente entre "O Dia do Chacal" e "The Night Manager", mas com um leve toque de "O Assassino" do David Fincher, essa é uma das séries de espionagem mais inteligentes, envolventes e sofisticadas que você vai encontrar no streaming. Sob a liderança de Jez e John-Henry Butterworth (de "Ford vs. Ferrari"), "The Agency" (no original) constrói uma trama densa e psicologicamente instigante, que ecoa o trabalho de mestres do gênero como John Le Carré. Com uma jornada recheada de dilemas morais e intrigas políticas, mas sempre com uma abordagem profundamente humana, eu diria que você vai se impressionar com "A Agência" por sua complexidade dramática e especialmente pela riqueza de seus personagens.

No centro da história está Brandon Cunningham (Michael Fassbender), codinome "Marciano", um agente da CIA recém-retornado de uma missão de seis anos no Sudão. Durante esse tempo, ele viveu como "Paul Lewis", uma identidade falsa que utilizou para infiltrações e recrutamentos. Porém, Marciano carrega as marcas psicológicas dessa longa missão e tem dificuldade em abandonar seu alter ego. A situação se complica quando Samia Zahir (Jodie Turner-Smith), uma antropóloga sudanesa com quem teve um relacionamento secreto, aparece inesperadamente em Londres. Dividido entre a paixão por Samia e a paranoia de que ela possa ser uma espiã, Marciano entra em uma espiral de decisões erráticas que ameaçam sua carreira e sua segurança ao mesmo tempo em que precisa lidar com o desaparecimento de uma fonte da CIA na Bielorrússia. Confira o trailer:

Não espere resposta fáceis já que o grande mérito de "A Agência" é seu foco no estudo de personagens. A partir da complexidade das relações humanas e da introspecção dos desejos pessoais e dos deveres profissionais, a série é muito competente ao explorar a deterioração mental e emocional do protagonista enquanto ele se aprofunda em um jogo de mentiras, manipulações e escolhas bastante duvidosas. A atuação de Michael Fassbender, claro, é magnética - ele captura tanto o carisma quanto as fraquezas de um homem que é referência em seu ofício, mas vive à beira do colapso. Repare como a interação de Fassbender com a personagem de Jodie Turner-Smith combina fragilidade e determinação, adicionando camadas tão bem desenvolvidas à trama que o mistério em torno das verdadeiras intenções de Samia nos mantém em constante tensão - é realmente impressionante.

Embora soe mais cadenciado, sem pressa de nos mostrar os caminhos narrativos que "A Agência" pretende desenvolver ao longo das temporadas, aqui encontramos subtramas de fato muito ricas em conflitos, bem estabelecidos e que naturalmente expandem o escopo da história. A investigação sobre o desaparecimento na Bielorrússia por exemplo, conecta o protagonista ao chefe do escritório da CIA em Londres, James Bradley (Richard Gere), e ao seu subordinado Henry Ogletree (Jeffrey Wright). Esses personagens e suas respectivas ações, criam uma rede de eventos que refletem perfeitamente a pressão global sobre a agência, particularmente em situações atuais de alto risco como a Guerra da Ucrânia - essa atualização do conteúdo geopolítico para as crises dos dias atuais, aliás, é o grande acerto da adaptação em relação ao material original. E não para por aí, já que paralelamente, a série ainda aborda negociações de paz na Guerra Civil do Sudão, mediadas pelos chineses; o treinamento de uma jovem espiã, Danny (Saura Lightfoot-Leon), para se infiltrar no programa nuclear do Irã; entre outras coisas mais.

Com um ritmo envolvente, combinando tensão psicológica com sequências mais tradicionais de espionagem, Jez e John-Henry Butterworth, ao lado do diretor Joe Wright, acertam ao moldar uma atmosfera ficcional que captura o realismo das operações da CIA, com diálogos cheios de detalhes que dão autenticidade ao universo retratado. Nesse sentido as comparações com as obras de John Le Carré são inevitáveis e até justas, já que assim como as histórias do lendário autor britânico, "A Agência" é mais sobre os dilemas internos e o impacto na vida de seus personagens do que propriamente sobre perseguições frenéticas e ações paramilitares como vemos em "Lioness". Dito isso, esteja preparado para uma abordagem madura e reflexiva que evita simplificações em prol de uma análise mais profunda do mundo da espionagem como poucas vezes encontramos e acredite: vai valer demais o seu play!

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A Diplomata

É inegável que desde seu anúncio, expectativas foram criadas em cima de "A Diplomata" como uma substituta natural de "House of Cards" pela perspectiva politica que a série traria para sua trama. De fato, ter Debora Cahn como criadora, trazendo toda sua expertise de "West Wing", potencializou essa premissa, no entanto, e até para alinharmos nossa expectativa, essa produção da Netflix está mais próxima da dinâmica de "Homeland" (também de Cahn) ou de "Scandal" - na forma e no conteúdo. Isso ruim? Não, muito pelo contrário, mas também não pode ser considerada uma produção "prime" como acompanhamos nos primórdios da Netflix.

Em meio a uma crise política de grandes proporções, graças a um ataque terrorista contra um porta-aviões britânico, Kate (Keri Russell) é designada pelo presidente americano para ser a representante dos EUA em Londres e assim tentar colocar panos quentes na tensão mundial enquanto uma delicada investigação acontece. Porém, esse novo posto de Kate é considerado largamente cerimonial e ela se sente inadequada para cumprir tal função, além de saber que as diferenças entre essa missão e sua personalidade podem afetar o seu casamento e ainda impactar o resto do mundo. Confira o trailer:

Não será preciso mais que alguns minutos para entender que Kate Wyler está anos luz de Frank e Claire Underwood - embora bem construída por Russel, a personagem não tem as nuances da dupla de "House of Cards", a profundidade dramática e muito menos o charme com aquele toque de ironia, muitas vezes requintada, de se comunicar. Isso impacta diretamente na forma como a direção conduz a série, e mais uma vez falando de requinte, faz falta um David Fincher. Por outro lado, "A Diplomata" acerta ao simplificar aquele universo complexo dos bastidores políticos, muitas vezes se apoiando em alívios cômicos bem inseridos, o que suaviza a narrativa e nos aproxima dos personagens sem a necessidade de julga-los a todo momento. Veja, nomes de cargos e suas dinâmicas de poder são condensados de uma forma que até os jargões políticos soam naturais, e toda aquela dinâmica de informações entre várias esferas de governo que nos deixavam de cabelo em pé em "House of Cards", na verdade, faz pouca ou nenhuma diferença no conflito central aqui - o que eu quero dizer, é que o entretenimento despretensioso impera, deixando as teorias de conspiração apenas como um bom e equilibrado recheio.

Outro ponto que merece ser observado está na maneira pela qual a série constrói um cenário plenamente reconhecível, porém sem se deixar datar por ele. Mais uma vez na linha de "Homeland" a história pega emprestado o contexto, se localiza, para só depois valorizar os pilares dramáticos de um mundo em crise onde a confiança na democracia está sempre colocada a prova. Os protagonistas, Kate e Hal (Rufus Sewell), funcionam como o elo de ligação entre a veracidade e o fantasioso - e até quando a tensão ganha força, o texto logo se apropria de um tom mais satírico para valorizar sua identidade. Imagine, isso só aconteceria em "House of Cards" se a Shonda Rhimes fosse sua criadora.

"A Diplomata" tem mesmo um ritmo frenético, com episódios dinâmicos e bem estruturados que nos permite diversão sem sofrimento. O roteiro sabe dosar a acidez de seus diálogos, com uma trama política envolvente e protagonistas divertidos - um verdadeiro mix de gêneros e estilos que vai se conectar com um público muito maior do que aqueles fãs de thrillers políticos mais sérios e densos. Com uma produção que merece elogios, belas locações e um requintado desenho de produção, a série tem tudo para cair nas graças da audiência e ganhar algumas temporadas - o que ela não pode, é ceder a tentação de querer ser algo que não nasceu para ser e você sabe do que eu estou falando!

Vale seu play!

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É inegável que desde seu anúncio, expectativas foram criadas em cima de "A Diplomata" como uma substituta natural de "House of Cards" pela perspectiva politica que a série traria para sua trama. De fato, ter Debora Cahn como criadora, trazendo toda sua expertise de "West Wing", potencializou essa premissa, no entanto, e até para alinharmos nossa expectativa, essa produção da Netflix está mais próxima da dinâmica de "Homeland" (também de Cahn) ou de "Scandal" - na forma e no conteúdo. Isso ruim? Não, muito pelo contrário, mas também não pode ser considerada uma produção "prime" como acompanhamos nos primórdios da Netflix.

Em meio a uma crise política de grandes proporções, graças a um ataque terrorista contra um porta-aviões britânico, Kate (Keri Russell) é designada pelo presidente americano para ser a representante dos EUA em Londres e assim tentar colocar panos quentes na tensão mundial enquanto uma delicada investigação acontece. Porém, esse novo posto de Kate é considerado largamente cerimonial e ela se sente inadequada para cumprir tal função, além de saber que as diferenças entre essa missão e sua personalidade podem afetar o seu casamento e ainda impactar o resto do mundo. Confira o trailer:

Não será preciso mais que alguns minutos para entender que Kate Wyler está anos luz de Frank e Claire Underwood - embora bem construída por Russel, a personagem não tem as nuances da dupla de "House of Cards", a profundidade dramática e muito menos o charme com aquele toque de ironia, muitas vezes requintada, de se comunicar. Isso impacta diretamente na forma como a direção conduz a série, e mais uma vez falando de requinte, faz falta um David Fincher. Por outro lado, "A Diplomata" acerta ao simplificar aquele universo complexo dos bastidores políticos, muitas vezes se apoiando em alívios cômicos bem inseridos, o que suaviza a narrativa e nos aproxima dos personagens sem a necessidade de julga-los a todo momento. Veja, nomes de cargos e suas dinâmicas de poder são condensados de uma forma que até os jargões políticos soam naturais, e toda aquela dinâmica de informações entre várias esferas de governo que nos deixavam de cabelo em pé em "House of Cards", na verdade, faz pouca ou nenhuma diferença no conflito central aqui - o que eu quero dizer, é que o entretenimento despretensioso impera, deixando as teorias de conspiração apenas como um bom e equilibrado recheio.

Outro ponto que merece ser observado está na maneira pela qual a série constrói um cenário plenamente reconhecível, porém sem se deixar datar por ele. Mais uma vez na linha de "Homeland" a história pega emprestado o contexto, se localiza, para só depois valorizar os pilares dramáticos de um mundo em crise onde a confiança na democracia está sempre colocada a prova. Os protagonistas, Kate e Hal (Rufus Sewell), funcionam como o elo de ligação entre a veracidade e o fantasioso - e até quando a tensão ganha força, o texto logo se apropria de um tom mais satírico para valorizar sua identidade. Imagine, isso só aconteceria em "House of Cards" se a Shonda Rhimes fosse sua criadora.

"A Diplomata" tem mesmo um ritmo frenético, com episódios dinâmicos e bem estruturados que nos permite diversão sem sofrimento. O roteiro sabe dosar a acidez de seus diálogos, com uma trama política envolvente e protagonistas divertidos - um verdadeiro mix de gêneros e estilos que vai se conectar com um público muito maior do que aqueles fãs de thrillers políticos mais sérios e densos. Com uma produção que merece elogios, belas locações e um requintado desenho de produção, a série tem tudo para cair nas graças da audiência e ganhar algumas temporadas - o que ela não pode, é ceder a tentação de querer ser algo que não nasceu para ser e você sabe do que eu estou falando!

Vale seu play!

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A Ordem

Antes mais nada é preciso alinhar as expectativas: talvez a história de "A Ordem" seja até mais interessante que o filme em si, mas posso te adiantar, é impressionante como a narrativa acerta em cheio ao explorar a insanidade de um ser humano desprezível pautado pelo extremismo. Nesse sentido, poucos diretores têm o dom de transformar o desconforto em uma experiência cinematográfica tão impactante quanto Justin Kurzel. Depois de dissecar a mente de assassinos em "Snowtown" e "Nitram", o cineasta retorna ao submundo da violência ideológica com um competente "A Ordem" - baseado no livro "The Order: Inside America's Racist Underground", de Kevin Flynn e Gary Gerhardt. Se seus trabalhos anteriores já demonstravam uma obsessão pelo processo de radicalização e suas consequências mais devastadoras, aqui ele expande essa análise para o cenário político e social dos EUA, expondo como um movimento neonazista saiu das sombras e marcou a história real americana.

O filme mergulha na ascensão do grupo extremista The Order, que operou nos anos 1980, liderado por Robert Jay Mathews (Nicholas Hoult) e que foi responsável por crimes que transitaram entre assaltos a bancos até assassinatos políticos e atentados terroristas. O roteiro, que mistura elementos ficcionais com uma reconstituição fiel dos eventos documentados no livro, constrói uma atmosfera densa e angustiante pela perspectiva do agente do FBI, Terry Husk (Jude Law). Confira o trailer (em inglês):

Em vez de tratar seus personagens como meros vilões superficiais, Kurzel acerta demais ao estudar a personalidade de cada um deles como peças de um sistema corrompido pela paranoia, pelo ressentimento e pela necessidade de pertencimento - uma abordagem semelhante ao que Drew e John Erick Dowdle fizeram na excelente minissérie "Waco". Desde os primeiros minutos, Kurzel estabelece um tom opressivo que permanece constante ao longo da narrativa - conceito potencializado pelo fotógrafo Adam Arkapaw (seu parceiro em "Macbeth"). Repare como Arkapaw prioriza cores pouco saturadas com uma iluminação dura e planos bem construídos que nos remetem aos filmes de ação, mas sem esquecer a potência do drama íntimo daqueles personagens. É palpável o ambiente de desesperança de uma realidade brutal que assola aquelas comunidades do noroeste do EUA - o uso calculado de sombras e desfoques para isolar figuras em meio ao caos, com o diretor de fotografia frequentemente usando lentes de 50mm e 75mm, gera um efeito claustrofóbico muito interessante, aprisionando os personagens dentro de sua própria narrativa de ódio.

Enquanto o roteiro oferece momentos de introspecção e inquietação, a trilha sonora original de Jed Kurzel (de "Encounter") opta por uma abordagem minimalista, deixando o desenho de som e seus ruídos de ambiente assumirem um papel fundamental. O impacto das armas, o som abafado de uma discussão dentro de um carro, a estática de um rádio da polícia, ou seja, cada detalhe sonoro amplifica a sensação de estarmos à beira de um colapso iminente - a nossa percepção de desintegração social é angustiante. Veja, Justin Kurzel não está interessado na ação gratuita, ou seja, ele praticamente se desfaz de figuras unidimensionais de uma maneira extremamente orgânica - e todo esse cuidado conceitual, do desenho de produção ao trabalho da mixagem, reflete diretamente na performance do elenco. Tal qual Taylor Kitsch como David Koresh, Nicholas Hoult expõe a desconexão com a realidade de "Bob" Mathewscom uma precisão cirúrgica - aliás, evocando momentos que nos remetem a Edward Norton em "A Outra História Americana". Já Jude Law, como o agente do FBI obcecado em desmontar o grupo, entrega outra atuação perturbadora - ao ponto de trazer para cena aquela atmosfera de mal-estar emocional que encontramos em "True Detective" e em "Se7en".

Ao contrário de filmes que romantizam o universo do crime, "A Ordem" se esforça para destruir qualquer ilusão de grandiosidade ao "humanizar" figuras extremistas - com certo tato, é verdade, O roteiro de Zach Baylin (de "King Richard: Criando Campeãs") evita simplificações, mostrando como a radicalização se alimenta de ciclos de frustração, medo e manipulação. O filme não cai na armadilha de dar voz à retórica do ódio sem contraponto, mas também não se apressa em oferecer respostas fáceis. No final, "A Ordem" se apresenta mais do que um thriller sobre terrorismo doméstico (não espere muita ação), se colocando como um retrato brutal e necessário sobre como a ideologia supremacista continua a contaminar sociedades, muitas vezes sob novas roupagens. O filme vai além de sua estética impecável; ele provoca, incomoda e força a audiência a refletir - eu dia até que, mesmo como um golpe seco no estômago, "A Ordem" é uma obra necessária e impossível de ignorar.

Vale muito o seu play!

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Antes mais nada é preciso alinhar as expectativas: talvez a história de "A Ordem" seja até mais interessante que o filme em si, mas posso te adiantar, é impressionante como a narrativa acerta em cheio ao explorar a insanidade de um ser humano desprezível pautado pelo extremismo. Nesse sentido, poucos diretores têm o dom de transformar o desconforto em uma experiência cinematográfica tão impactante quanto Justin Kurzel. Depois de dissecar a mente de assassinos em "Snowtown" e "Nitram", o cineasta retorna ao submundo da violência ideológica com um competente "A Ordem" - baseado no livro "The Order: Inside America's Racist Underground", de Kevin Flynn e Gary Gerhardt. Se seus trabalhos anteriores já demonstravam uma obsessão pelo processo de radicalização e suas consequências mais devastadoras, aqui ele expande essa análise para o cenário político e social dos EUA, expondo como um movimento neonazista saiu das sombras e marcou a história real americana.

O filme mergulha na ascensão do grupo extremista The Order, que operou nos anos 1980, liderado por Robert Jay Mathews (Nicholas Hoult) e que foi responsável por crimes que transitaram entre assaltos a bancos até assassinatos políticos e atentados terroristas. O roteiro, que mistura elementos ficcionais com uma reconstituição fiel dos eventos documentados no livro, constrói uma atmosfera densa e angustiante pela perspectiva do agente do FBI, Terry Husk (Jude Law). Confira o trailer (em inglês):

Em vez de tratar seus personagens como meros vilões superficiais, Kurzel acerta demais ao estudar a personalidade de cada um deles como peças de um sistema corrompido pela paranoia, pelo ressentimento e pela necessidade de pertencimento - uma abordagem semelhante ao que Drew e John Erick Dowdle fizeram na excelente minissérie "Waco". Desde os primeiros minutos, Kurzel estabelece um tom opressivo que permanece constante ao longo da narrativa - conceito potencializado pelo fotógrafo Adam Arkapaw (seu parceiro em "Macbeth"). Repare como Arkapaw prioriza cores pouco saturadas com uma iluminação dura e planos bem construídos que nos remetem aos filmes de ação, mas sem esquecer a potência do drama íntimo daqueles personagens. É palpável o ambiente de desesperança de uma realidade brutal que assola aquelas comunidades do noroeste do EUA - o uso calculado de sombras e desfoques para isolar figuras em meio ao caos, com o diretor de fotografia frequentemente usando lentes de 50mm e 75mm, gera um efeito claustrofóbico muito interessante, aprisionando os personagens dentro de sua própria narrativa de ódio.

Enquanto o roteiro oferece momentos de introspecção e inquietação, a trilha sonora original de Jed Kurzel (de "Encounter") opta por uma abordagem minimalista, deixando o desenho de som e seus ruídos de ambiente assumirem um papel fundamental. O impacto das armas, o som abafado de uma discussão dentro de um carro, a estática de um rádio da polícia, ou seja, cada detalhe sonoro amplifica a sensação de estarmos à beira de um colapso iminente - a nossa percepção de desintegração social é angustiante. Veja, Justin Kurzel não está interessado na ação gratuita, ou seja, ele praticamente se desfaz de figuras unidimensionais de uma maneira extremamente orgânica - e todo esse cuidado conceitual, do desenho de produção ao trabalho da mixagem, reflete diretamente na performance do elenco. Tal qual Taylor Kitsch como David Koresh, Nicholas Hoult expõe a desconexão com a realidade de "Bob" Mathewscom uma precisão cirúrgica - aliás, evocando momentos que nos remetem a Edward Norton em "A Outra História Americana". Já Jude Law, como o agente do FBI obcecado em desmontar o grupo, entrega outra atuação perturbadora - ao ponto de trazer para cena aquela atmosfera de mal-estar emocional que encontramos em "True Detective" e em "Se7en".

Ao contrário de filmes que romantizam o universo do crime, "A Ordem" se esforça para destruir qualquer ilusão de grandiosidade ao "humanizar" figuras extremistas - com certo tato, é verdade, O roteiro de Zach Baylin (de "King Richard: Criando Campeãs") evita simplificações, mostrando como a radicalização se alimenta de ciclos de frustração, medo e manipulação. O filme não cai na armadilha de dar voz à retórica do ódio sem contraponto, mas também não se apressa em oferecer respostas fáceis. No final, "A Ordem" se apresenta mais do que um thriller sobre terrorismo doméstico (não espere muita ação), se colocando como um retrato brutal e necessário sobre como a ideologia supremacista continua a contaminar sociedades, muitas vezes sob novas roupagens. O filme vai além de sua estética impecável; ele provoca, incomoda e força a audiência a refletir - eu dia até que, mesmo como um golpe seco no estômago, "A Ordem" é uma obra necessária e impossível de ignorar.

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Bagagem de Risco

Entretenimento puro - divertido e cheio de referências. Genial? Longe disso, mas bastante honesto pelo que se propõe! Veja, Jaume Collet-Serra construiu sua carreira equilibrando o suspense e a ação com uma eficiência rara. Desde "Águas Rasas" até "O Passageiro", o diretor espanhol se especializou em transformar premissas aparentemente simples em experiências carregadas de tensão, apostando no dinamismo da narrativa e no uso inteligente do espaço cênico. Em "Bagagem de Risco", sua estreia na Netflix, ele retoma essas características dentro de um thriller ambientado inteiramente em um aeroporto durante a véspera de Natal. Com um elenco liderado por Taron Egerton e Jason Bateman, o filme busca recriar a sensação claustrofóbica de clássicos do gênero, como "Plano de Voo" e "Código de Conduta", mas com um toque contemporâneo e um subtexto moral que adiciona mais camadas à trama.

A história gira em torno de Ethan Kopek (Egerton), um jovem agente do TSA (Administração de Segurança de Transporte) que, em um dia de trabalho aparentemente normal no aeroporto de Los Angeles, recebe uma missão impossível de recusar: um estranho enigmático (Bateman) ameaça eliminar sua esposa grávida caso Kopek não consiga deixar passar uma bagagem pela segurança, especificamente pelo seu raio-x, que irá detonar uma bomba durante um voo doméstico. Confira o trailer (em inglês):

Talvez o mais bacana de "Bagagem de Risco" esteja justamente em seu primeiro ato onde, ao melhor estilo "Culpa", o dilema ético é colocado à prova. Dentro de um contexto narrativo bem construído onde o personagem Kopek, que tem um histórico problemático, se vê em um jogo psicológico que qualquer decisão errada que tome, pode resultar em centenas de mortes. Com essa premissa estabelecida, Collet-Serra, como de costume, dosa bem o ritmo e entrega uma atmosfera de tensão, deixando a audiência imersa em uma sufocante sequência de ações dentro de um aeroporto lotado - que, aliás, se torna um personagem tão importante quanto os protagonistas. Lembram de John McClane em "Duro de Matar"?

Repare como a fotografia de Lyle Vincent (de "A Escada" e "Má Educação") trabalha com os tons frios e uma iluminação artificial agressiva (natural de aeroportos mais tradicionais), criando um ambiente quase inóspito, onde a impessoalidade do espaço reflete a angústia crescente de Kopek. É aí que a câmera de Collet-Serra (que está sempre em movimento, alternando entre planos fechados mais sufocantes e composições que exploram a vastidão do aeroporto) destaca como o protagonista, mesmo cercado por milhares de pessoas, está completamente sozinho diante de uma ameaça invisível. Esse jogo visual reforça a sensação de paranoia, lembrando o que o diretor fez em "Sem Escalas".

Taron Egerton entrega uma performance sólida, sustentando a carga dramática do filme com uma presença física e emocional que lembra seu trabalho em "Black Bird". Seu Kopek é um homem pressionado por traumas do passado e pela exigência de um sistema que não perdoa erros. Jason Bateman, por sua vez, assume um papel que destoa de seus personagens mais conhecidos. Seu antagonista não é exatamente ameaçador no sentido físico, mas exerce um domínio psicológico que mantém a tensão elevada na narrativa. A escolha de Bateman para o papel pode parecer inusitada, mas funciona dentro da proposta do filme já que a dinâmica entre os dois personagens, um dos pontos altos da narrativa, se apoia em diálogos carregados de subtexto e de manipulação. O roteiro de TJ Fixman (com longa carreira escrevendo bons jogos de video-game) aposta em uma dinâmica mais cerebral do que explosiva, evitando as tradicionais sequências grandiosas de ação. Isso não significa que "Bagagem de Risco" careça de adrenalina - a tensão aqui está em cada movimento de Kopek, nas escolhas que ele precisa fazer e na dúvida sobre até que ponto ele está disposto a ceder para garantir a segurança das pessoas ao seu redor. 

O uso do tempo real na narrativa é um acerto de Collet-Serra - isso notavelmente amplifica a imersão. À medida que o relógio avança, a urgência se torna mais palpável, e o diretor utiliza isso com maestria a seu favor. No entanto o terceiro ato acaba tropeçando na sua pretensão - muito ao tentar entregar uma resolução impactante sem necessariamente justificar algumas das decisões tomadas no caminho. O fato é que têm momentos em que o roteiro se apoia em tantas conveniências narrativas para conduzir a trama ao clímax, que certamente vai frustrar aqueles mais exigentes. O que eu quero dizer é que o filme se abstém de explorar mais profundamente algumas das questões morais que ele mesmo levantou, optando por um desfecho que privilegia a ação e não a reflexão inteligente. Mesmo assim, posso dizer que "Bagagem de Risco" cumpre seu papel com um thriller eficiente e bem conduzido, que reforça a habilidade de Jaume Collet-Serra em transformar cenários cotidianos em palcos de alta tensão capaz de mexer com nossas sensações - e é isso que importa!

Vale seu play!

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Entretenimento puro - divertido e cheio de referências. Genial? Longe disso, mas bastante honesto pelo que se propõe! Veja, Jaume Collet-Serra construiu sua carreira equilibrando o suspense e a ação com uma eficiência rara. Desde "Águas Rasas" até "O Passageiro", o diretor espanhol se especializou em transformar premissas aparentemente simples em experiências carregadas de tensão, apostando no dinamismo da narrativa e no uso inteligente do espaço cênico. Em "Bagagem de Risco", sua estreia na Netflix, ele retoma essas características dentro de um thriller ambientado inteiramente em um aeroporto durante a véspera de Natal. Com um elenco liderado por Taron Egerton e Jason Bateman, o filme busca recriar a sensação claustrofóbica de clássicos do gênero, como "Plano de Voo" e "Código de Conduta", mas com um toque contemporâneo e um subtexto moral que adiciona mais camadas à trama.

A história gira em torno de Ethan Kopek (Egerton), um jovem agente do TSA (Administração de Segurança de Transporte) que, em um dia de trabalho aparentemente normal no aeroporto de Los Angeles, recebe uma missão impossível de recusar: um estranho enigmático (Bateman) ameaça eliminar sua esposa grávida caso Kopek não consiga deixar passar uma bagagem pela segurança, especificamente pelo seu raio-x, que irá detonar uma bomba durante um voo doméstico. Confira o trailer (em inglês):

Talvez o mais bacana de "Bagagem de Risco" esteja justamente em seu primeiro ato onde, ao melhor estilo "Culpa", o dilema ético é colocado à prova. Dentro de um contexto narrativo bem construído onde o personagem Kopek, que tem um histórico problemático, se vê em um jogo psicológico que qualquer decisão errada que tome, pode resultar em centenas de mortes. Com essa premissa estabelecida, Collet-Serra, como de costume, dosa bem o ritmo e entrega uma atmosfera de tensão, deixando a audiência imersa em uma sufocante sequência de ações dentro de um aeroporto lotado - que, aliás, se torna um personagem tão importante quanto os protagonistas. Lembram de John McClane em "Duro de Matar"?

Repare como a fotografia de Lyle Vincent (de "A Escada" e "Má Educação") trabalha com os tons frios e uma iluminação artificial agressiva (natural de aeroportos mais tradicionais), criando um ambiente quase inóspito, onde a impessoalidade do espaço reflete a angústia crescente de Kopek. É aí que a câmera de Collet-Serra (que está sempre em movimento, alternando entre planos fechados mais sufocantes e composições que exploram a vastidão do aeroporto) destaca como o protagonista, mesmo cercado por milhares de pessoas, está completamente sozinho diante de uma ameaça invisível. Esse jogo visual reforça a sensação de paranoia, lembrando o que o diretor fez em "Sem Escalas".

Taron Egerton entrega uma performance sólida, sustentando a carga dramática do filme com uma presença física e emocional que lembra seu trabalho em "Black Bird". Seu Kopek é um homem pressionado por traumas do passado e pela exigência de um sistema que não perdoa erros. Jason Bateman, por sua vez, assume um papel que destoa de seus personagens mais conhecidos. Seu antagonista não é exatamente ameaçador no sentido físico, mas exerce um domínio psicológico que mantém a tensão elevada na narrativa. A escolha de Bateman para o papel pode parecer inusitada, mas funciona dentro da proposta do filme já que a dinâmica entre os dois personagens, um dos pontos altos da narrativa, se apoia em diálogos carregados de subtexto e de manipulação. O roteiro de TJ Fixman (com longa carreira escrevendo bons jogos de video-game) aposta em uma dinâmica mais cerebral do que explosiva, evitando as tradicionais sequências grandiosas de ação. Isso não significa que "Bagagem de Risco" careça de adrenalina - a tensão aqui está em cada movimento de Kopek, nas escolhas que ele precisa fazer e na dúvida sobre até que ponto ele está disposto a ceder para garantir a segurança das pessoas ao seu redor. 

O uso do tempo real na narrativa é um acerto de Collet-Serra - isso notavelmente amplifica a imersão. À medida que o relógio avança, a urgência se torna mais palpável, e o diretor utiliza isso com maestria a seu favor. No entanto o terceiro ato acaba tropeçando na sua pretensão - muito ao tentar entregar uma resolução impactante sem necessariamente justificar algumas das decisões tomadas no caminho. O fato é que têm momentos em que o roteiro se apoia em tantas conveniências narrativas para conduzir a trama ao clímax, que certamente vai frustrar aqueles mais exigentes. O que eu quero dizer é que o filme se abstém de explorar mais profundamente algumas das questões morais que ele mesmo levantou, optando por um desfecho que privilegia a ação e não a reflexão inteligente. Mesmo assim, posso dizer que "Bagagem de Risco" cumpre seu papel com um thriller eficiente e bem conduzido, que reforça a habilidade de Jaume Collet-Serra em transformar cenários cotidianos em palcos de alta tensão capaz de mexer com nossas sensações - e é isso que importa!

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Califado

Antes de mais nada é preciso dizer que "Califado" é surpreendente e muito em breve deve cair no gosto de muitos assinantes da Netflix. Essa série sueca de 8 episódios é muito original, se não pelo tema, pela forma como retrata o terrorismo ao nos colocar dentro do extremismo devastador do Estado Islâmico! 

"Califado" acompanha três personagens-chaves, não por acaso, mulheres: Pervin (Gizem Erdogan) é uma sueca que mora na Síria e que vive o terror de viver com o marido Husam (Amed Bozan), jihadista do Estado Islâmico. Já Fatima (Aliette Opheim) é uma policial sueca que faz parte de um departamento que monitora atividades do Oriente Médio, muitas delas terroristas. E por fim, Sulle (Nora Rios), uma adolescente de 15 anos, adepta da religião muçulmana, que acredita que o governo sueco é contra sua crença e que a luta extremista do E.I. é 100% legítima! Embora as três histórias pareçam completamente distintas, elas começam a se interligar (e esse é um dos pontos altos da série) quando surge a suspeita que um possível ataque terrorista está sendo orquestrado a partir da Síria e que o alvo é a Suécia. Confira o trailer (dublado):

O maior mérito da série é o nível de tensão que ela vai criando - quase como uma bola de neve, eu diria. O roteiro é muito feliz ao construir uma complexa rede entre os personagens e fatos isolados que parecem sem conexão, nos provocando a não acreditar em tudo que assistimos - mais ou menos como "Homeland" fez em suas primeiras temporadas, porém com o agravante de nos mostrar um universo pouco confortável, cheio de dogmas e costumes difíceis de digerir (um sentimento muito próximo da experiência de assistir "Nada Ortodoxa")! Olha, "Califado" é uma série excelente, mas é pesada, tem cenas fortes e mexe com um assunto que mesmo parecendo muito distante, nos soa muito familiar!

O fanatismo e a irracionalidade são elementos narrativos certeiros para séries desse gênero e "Califado" bebe muito na mesma fonte de referências que vai de "24 horas" à, já citada,"Homeland". Justamente por isso, essa produção sueca se apoia em um nível de qualidade de produção excelente e na tradição nórdica de séries de investigação para entregar um drama focado nos personagens e não no terrorismo em si! A própria trama da personagem que investiga a denúncia do possível ataque e que supostamente seria a protagonista (Fatima), não tem a força dramática que as histórias de Sulle (e de sua família) e, principalmente, de Pervin - que, na minha opinião, rouba essa primeira temporada pra ela! Pervin vive em um ambiente claustrofóbico, onde o nível de tensão e o medo da morte é absurdo. O reflexo da sua jornada nos atinge a cada episódio e, por incrível que pareça, nos distancia de quem deveria ser a heroína - criando até uma certa antipatia por ela. Já Sulle funciona como ponto de reflexão, empatia e identificação para quem se coloca no lugar de seus pais - aqui a discussão ganha profundidade e, te garanto, é difícil encontrar as respostas!

O diretor Goran Kapetanovic é muito criativo na sua forma de contar a história - com uma câmera mais solta, nervosa até, temos a real impressão de sempre estarmos seguindo algum personagem e é incrível como o sentimento de insegurança e angústia toma conta de nós quando os perdemos de vista, mesmo com a câmera ainda se movimentando, meio perdida, até que nos encontramos com eles novamente - e quando isso acontece não gostamos muito do que vemos! Outro ponto que vale reparar é como Kapetanovic escolhe o que vai mostrar e mesmo quando ele só sugere, já sentimos exatamente a tensão que a cena pede - e isso acontece muito, reparem! A fotografia  do diretor Jonas Alarik segue muito a escola nórdica de enquadramento, porém sem aquele look gélido, azulado, frio, e sim trazendo o marrom, o calor, cheio de contrastes de Raqqa, na Síria, intercalando planos extremamente fechados com panorâmicas belíssimas. As cenas em Estocolmo seguem a mesma lógica, sempre com a preocupação de mostrar o que é real, sem maquiagem - e isso ajuda a contar a história de uma forma muito interessante. Me lembrou um filme alemão sensacional e que eu indico de olhos fechados, chamado  "Em Pedaços".

"Califado" é uma ótima surpresa e um entretenimento de altíssima qualidade para quem gosta de séries de investigação, terrorismo e dramas pessoais. O roteiro nos prende do começo ao fim e, mesmo tendo um ou outro deslize, justifica a quantidade de elogios que a série vem recebendo da crítica. Agora é esperar o anuncio da segunda temporada!

Vale seu play sem o menor medo de errar!

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Antes de mais nada é preciso dizer que "Califado" é surpreendente e muito em breve deve cair no gosto de muitos assinantes da Netflix. Essa série sueca de 8 episódios é muito original, se não pelo tema, pela forma como retrata o terrorismo ao nos colocar dentro do extremismo devastador do Estado Islâmico! 

"Califado" acompanha três personagens-chaves, não por acaso, mulheres: Pervin (Gizem Erdogan) é uma sueca que mora na Síria e que vive o terror de viver com o marido Husam (Amed Bozan), jihadista do Estado Islâmico. Já Fatima (Aliette Opheim) é uma policial sueca que faz parte de um departamento que monitora atividades do Oriente Médio, muitas delas terroristas. E por fim, Sulle (Nora Rios), uma adolescente de 15 anos, adepta da religião muçulmana, que acredita que o governo sueco é contra sua crença e que a luta extremista do E.I. é 100% legítima! Embora as três histórias pareçam completamente distintas, elas começam a se interligar (e esse é um dos pontos altos da série) quando surge a suspeita que um possível ataque terrorista está sendo orquestrado a partir da Síria e que o alvo é a Suécia. Confira o trailer (dublado):

O maior mérito da série é o nível de tensão que ela vai criando - quase como uma bola de neve, eu diria. O roteiro é muito feliz ao construir uma complexa rede entre os personagens e fatos isolados que parecem sem conexão, nos provocando a não acreditar em tudo que assistimos - mais ou menos como "Homeland" fez em suas primeiras temporadas, porém com o agravante de nos mostrar um universo pouco confortável, cheio de dogmas e costumes difíceis de digerir (um sentimento muito próximo da experiência de assistir "Nada Ortodoxa")! Olha, "Califado" é uma série excelente, mas é pesada, tem cenas fortes e mexe com um assunto que mesmo parecendo muito distante, nos soa muito familiar!

O fanatismo e a irracionalidade são elementos narrativos certeiros para séries desse gênero e "Califado" bebe muito na mesma fonte de referências que vai de "24 horas" à, já citada,"Homeland". Justamente por isso, essa produção sueca se apoia em um nível de qualidade de produção excelente e na tradição nórdica de séries de investigação para entregar um drama focado nos personagens e não no terrorismo em si! A própria trama da personagem que investiga a denúncia do possível ataque e que supostamente seria a protagonista (Fatima), não tem a força dramática que as histórias de Sulle (e de sua família) e, principalmente, de Pervin - que, na minha opinião, rouba essa primeira temporada pra ela! Pervin vive em um ambiente claustrofóbico, onde o nível de tensão e o medo da morte é absurdo. O reflexo da sua jornada nos atinge a cada episódio e, por incrível que pareça, nos distancia de quem deveria ser a heroína - criando até uma certa antipatia por ela. Já Sulle funciona como ponto de reflexão, empatia e identificação para quem se coloca no lugar de seus pais - aqui a discussão ganha profundidade e, te garanto, é difícil encontrar as respostas!

O diretor Goran Kapetanovic é muito criativo na sua forma de contar a história - com uma câmera mais solta, nervosa até, temos a real impressão de sempre estarmos seguindo algum personagem e é incrível como o sentimento de insegurança e angústia toma conta de nós quando os perdemos de vista, mesmo com a câmera ainda se movimentando, meio perdida, até que nos encontramos com eles novamente - e quando isso acontece não gostamos muito do que vemos! Outro ponto que vale reparar é como Kapetanovic escolhe o que vai mostrar e mesmo quando ele só sugere, já sentimos exatamente a tensão que a cena pede - e isso acontece muito, reparem! A fotografia  do diretor Jonas Alarik segue muito a escola nórdica de enquadramento, porém sem aquele look gélido, azulado, frio, e sim trazendo o marrom, o calor, cheio de contrastes de Raqqa, na Síria, intercalando planos extremamente fechados com panorâmicas belíssimas. As cenas em Estocolmo seguem a mesma lógica, sempre com a preocupação de mostrar o que é real, sem maquiagem - e isso ajuda a contar a história de uma forma muito interessante. Me lembrou um filme alemão sensacional e que eu indico de olhos fechados, chamado  "Em Pedaços".

"Califado" é uma ótima surpresa e um entretenimento de altíssima qualidade para quem gosta de séries de investigação, terrorismo e dramas pessoais. O roteiro nos prende do começo ao fim e, mesmo tendo um ou outro deslize, justifica a quantidade de elogios que a série vem recebendo da crítica. Agora é esperar o anuncio da segunda temporada!

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Conclave

"Conclave" é um verdadeiro "House of Cards" do Vaticano - e isso é um baita elogio! Dirigido pelo talentoso Edward Berger (de "Nada de Novo no Front") e roteirizado por Peter Straughan (indicado ao Oscar pelo "O Espião Que Sabia Demais"), o filme adapta o romance de Robert Harris para um verdadeiro thriller político e religioso que mergulha nos segredos e conspirações de um dos processos mais misteriosos e influentes do mundo: a escolha de um novo Papa. O filme combina elementos de suspense psicológico, com um drama verdadeiramente humano e questionamentos éticos e morais que nos tiram do sério. É impressionante como a narrativa é capaz de revelar o impacto do poder perante a fé em contextos de grande tensão, onde o ego parece guiar não só as ações como também as palavras - por mais absurdas que sejam. Assim como o inesquecível "O Nome da Rosa", "Conclave" sabe muito bem equilibrar uma dinâmica intensa com reflexões profundas, oferecendo um retrato fascinante de um sistema fechado e impregnado de tradições milenares.

A trama é centrada no Cardeal Lawrence (Ralph Fiennes), encarregado de supervisionar o conclave que será responsável por eleger o novo Papa após a morte súbita do pontífice. No entanto, à medida que os cardeais se reúnem na Capela Sistina, segredos pessoais, alianças políticas e revelações surpreendentes começam a emergir, colocando em risco não apenas a integridade do processo, mas também a estabilidade da Igreja Católica. Enquanto Lawrence tenta manter a ordem, ele é forçado a enfrentar suas próprias dúvidas de fé e moralidade, criando uma tensão permanente que se reflete em cada decisão do conclave. Confira o trailer:

Edward Berger, mais uma vez, imprime sua marca ao transformar o claustrofóbico ambiente do Vaticano em um palco de intrigas e reviravoltas. Sua direção é precisa ao utilizar planos muito bem pensados - dos abertos e com uma iluminação extremamente dramática para capturar a opulência e a austeridade daquele cenário, como dos fechados onde o silêncio ou os sussurros dos cardeais ao fundo criam uma atmosfera de constante atenção que contrasta com os momentos de introspecção e dúvida do protagonista em meio ao seu caos emocional. A abordagem de Berger, aliás, é cuidadosa nesse sentido, já que o diretor busca de todas as formas manter o equilíbrio entre o realismo e o simbolismo, sem nunca perder o foco nos personagens ou até de desrespeita-los. O roteiro de Peter Straughan adapta o romance de Robert Harris com precisão e inteligência, preservando a complexidade dos temas com diálogos incisivos e cheios de subtexto, refletindo as batalhas internas e externas dos cardeais enquanto navegam pela dicotomia do poder e da espiritualidade. A trama é hábil em revelar os segredos de cada um dos personagens gradualmente, mantendo o suspense enquanto aprofunda as questões delicadas que sustentam a história - porém, também é preciso que se diga, existe uma certa previsibilidade narrativa, mas que acaba quebrando nossa expectativa com outras revelações, de fato, surpreendentes. 

Ralph Fiennes entrega a complexidade de um homem dividido entre sua devoção à Igreja e as verdades desconfortáveis que emergem durante o conclave. Sua performance transmite uma mistura de autoridade, vulnerabilidade e inquietação, tornando seu Cardeal Lawrence um protagonista fascinante e nitidamente humano. O elenco de coadjuvantes é outro golaço do filme - composto por intérpretes talentosos como Stanley Tucci, John Lithgow e Sergio Castellitto, ele traz credibilidade e nuances para personagens tão particulares e influentes que não se surpreenda se você desejar que "Conclave" seja uma minissérie.

Tecnicamente, não posso deixar de citar, "Conclave" é impecável. A fotografia do Stéphane Fontaine (de "Capitão Fantástico") é luxuosa, aproveitando o excepcional trabalho de Desenho de Produção que reconstrói a arquitetura e a arte do Vaticano para criar um ambiente visualmente deslumbrante, mas também carregado de opressão e ostentação. O uso das sombras e de uma iluminação recortada reflete a dualidade entre a santidade e a corrupção que permeia a narrativa, enquanto a trilha sonora e o desenho de som, evocativa ao extremo, adiciona um peso emocional aos momentos de maior tensão e introspecção - dignos de Oscar.

"Conclave", na sua essência,  é um ótimo drama politico, mais elegante e introspectivo do que estamos acostumados, é verdade; que explora o poder, a fé e a moralidade em um dos contextos mais fascinantes da humanidade. Com uma direção refinada de Edward Berger, um roteiro inteligente de Peter Straughan e atuações marcantes lideradas por Ralph Fiennes, o filme é uma experiência cinematográfica rica, provocativa e marcante, que certamente vai dar muito o que falar no Oscar 2025!

Imperdível!

Up-date: "Conclave" ganhou na categoria Melhor Roteiro Adaptado no Oscar 2025!

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"Conclave" é um verdadeiro "House of Cards" do Vaticano - e isso é um baita elogio! Dirigido pelo talentoso Edward Berger (de "Nada de Novo no Front") e roteirizado por Peter Straughan (indicado ao Oscar pelo "O Espião Que Sabia Demais"), o filme adapta o romance de Robert Harris para um verdadeiro thriller político e religioso que mergulha nos segredos e conspirações de um dos processos mais misteriosos e influentes do mundo: a escolha de um novo Papa. O filme combina elementos de suspense psicológico, com um drama verdadeiramente humano e questionamentos éticos e morais que nos tiram do sério. É impressionante como a narrativa é capaz de revelar o impacto do poder perante a fé em contextos de grande tensão, onde o ego parece guiar não só as ações como também as palavras - por mais absurdas que sejam. Assim como o inesquecível "O Nome da Rosa", "Conclave" sabe muito bem equilibrar uma dinâmica intensa com reflexões profundas, oferecendo um retrato fascinante de um sistema fechado e impregnado de tradições milenares.

A trama é centrada no Cardeal Lawrence (Ralph Fiennes), encarregado de supervisionar o conclave que será responsável por eleger o novo Papa após a morte súbita do pontífice. No entanto, à medida que os cardeais se reúnem na Capela Sistina, segredos pessoais, alianças políticas e revelações surpreendentes começam a emergir, colocando em risco não apenas a integridade do processo, mas também a estabilidade da Igreja Católica. Enquanto Lawrence tenta manter a ordem, ele é forçado a enfrentar suas próprias dúvidas de fé e moralidade, criando uma tensão permanente que se reflete em cada decisão do conclave. Confira o trailer:

Edward Berger, mais uma vez, imprime sua marca ao transformar o claustrofóbico ambiente do Vaticano em um palco de intrigas e reviravoltas. Sua direção é precisa ao utilizar planos muito bem pensados - dos abertos e com uma iluminação extremamente dramática para capturar a opulência e a austeridade daquele cenário, como dos fechados onde o silêncio ou os sussurros dos cardeais ao fundo criam uma atmosfera de constante atenção que contrasta com os momentos de introspecção e dúvida do protagonista em meio ao seu caos emocional. A abordagem de Berger, aliás, é cuidadosa nesse sentido, já que o diretor busca de todas as formas manter o equilíbrio entre o realismo e o simbolismo, sem nunca perder o foco nos personagens ou até de desrespeita-los. O roteiro de Peter Straughan adapta o romance de Robert Harris com precisão e inteligência, preservando a complexidade dos temas com diálogos incisivos e cheios de subtexto, refletindo as batalhas internas e externas dos cardeais enquanto navegam pela dicotomia do poder e da espiritualidade. A trama é hábil em revelar os segredos de cada um dos personagens gradualmente, mantendo o suspense enquanto aprofunda as questões delicadas que sustentam a história - porém, também é preciso que se diga, existe uma certa previsibilidade narrativa, mas que acaba quebrando nossa expectativa com outras revelações, de fato, surpreendentes. 

Ralph Fiennes entrega a complexidade de um homem dividido entre sua devoção à Igreja e as verdades desconfortáveis que emergem durante o conclave. Sua performance transmite uma mistura de autoridade, vulnerabilidade e inquietação, tornando seu Cardeal Lawrence um protagonista fascinante e nitidamente humano. O elenco de coadjuvantes é outro golaço do filme - composto por intérpretes talentosos como Stanley Tucci, John Lithgow e Sergio Castellitto, ele traz credibilidade e nuances para personagens tão particulares e influentes que não se surpreenda se você desejar que "Conclave" seja uma minissérie.

Tecnicamente, não posso deixar de citar, "Conclave" é impecável. A fotografia do Stéphane Fontaine (de "Capitão Fantástico") é luxuosa, aproveitando o excepcional trabalho de Desenho de Produção que reconstrói a arquitetura e a arte do Vaticano para criar um ambiente visualmente deslumbrante, mas também carregado de opressão e ostentação. O uso das sombras e de uma iluminação recortada reflete a dualidade entre a santidade e a corrupção que permeia a narrativa, enquanto a trilha sonora e o desenho de som, evocativa ao extremo, adiciona um peso emocional aos momentos de maior tensão e introspecção - dignos de Oscar.

"Conclave", na sua essência,  é um ótimo drama politico, mais elegante e introspectivo do que estamos acostumados, é verdade; que explora o poder, a fé e a moralidade em um dos contextos mais fascinantes da humanidade. Com uma direção refinada de Edward Berger, um roteiro inteligente de Peter Straughan e atuações marcantes lideradas por Ralph Fiennes, o filme é uma experiência cinematográfica rica, provocativa e marcante, que certamente vai dar muito o que falar no Oscar 2025!

Imperdível!

Up-date: "Conclave" ganhou na categoria Melhor Roteiro Adaptado no Oscar 2025!

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Em Pedaços

"Em Pedaços" conta a história de Katia Sekerci (Diane Kruger), uma alemã que leva uma vida normal ao lado do marido turco Nuri (Numan Acar), e do filho de 7 anos. Certo dia, ela é surpreendida ao descobrir que ambos morreram devido a uma bomba colocada na frente do escritório do marido. Desesperada, Katia decide lutar por justiça ao descobrir que os responsáveis foram integrantes de um grupo neonazista. Veja o trailer:

Olha, "In the Fade" (no original) foi o vencedor do Golden Globe de 2018, foi indicado ao Palme d'Or e vencedor da categoria melhor atriz com Diane Kruger em Cannes. Sério, o filme é imperdível! Tenso do começo ao fim, é extremamente bem dirigido pelo alemão (com descendência turca) Fatih Akin, e tem um roteiro capaz de brincar com nossos sentimentos a cada cena. Chega ser inacreditável que a Diane Kruger não tenha sido indicada ao Oscar de 2008 - reparem como ela está simplesmente perfeita no filme!

A experiência de assistir esse filme sem saber muito sobre ele, é única! Faça isso que você não vai se arrepender!

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"Em Pedaços" conta a história de Katia Sekerci (Diane Kruger), uma alemã que leva uma vida normal ao lado do marido turco Nuri (Numan Acar), e do filho de 7 anos. Certo dia, ela é surpreendida ao descobrir que ambos morreram devido a uma bomba colocada na frente do escritório do marido. Desesperada, Katia decide lutar por justiça ao descobrir que os responsáveis foram integrantes de um grupo neonazista. Veja o trailer:

Olha, "In the Fade" (no original) foi o vencedor do Golden Globe de 2018, foi indicado ao Palme d'Or e vencedor da categoria melhor atriz com Diane Kruger em Cannes. Sério, o filme é imperdível! Tenso do começo ao fim, é extremamente bem dirigido pelo alemão (com descendência turca) Fatih Akin, e tem um roteiro capaz de brincar com nossos sentimentos a cada cena. Chega ser inacreditável que a Diane Kruger não tenha sido indicada ao Oscar de 2008 - reparem como ela está simplesmente perfeita no filme!

A experiência de assistir esse filme sem saber muito sobre ele, é única! Faça isso que você não vai se arrepender!

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Golda

Esse é um filme sobre os horrores da guerra pela perspectiva do silêncio. E aqui não estou falando sobre "a ausência de som" e sim sobre a sua jornada solitária de alguém que precisa tomar decisões que impactam a vida de milhares de semelhantes e que precisa carregar a dor de estar nessa posição. Se você está em busca de uma experiência íntima que mistura o drama das tensões geopolíticas com a luta de um personagem histórico que pouca gente conhece, "Golda" é simplesmente imperdível. Dirigido por Guy Nattiv, o filme nos transporta para um momento crucial na história de Israel a partir de uma narrativa truncada, cadenciada, mas extremamente envolvente para aqueles que se identificam com o tema e com esse tipo de dinâmica. Bem ao estilo de "Oslo" ou de "O Destino de uma Nação""Golda" é um filme que se destaca, proporcionando uma visão única e poderosa desse doloroso capítulo da humanidade.

Ambientado na Guerra do Yom Kippur, em 1973, esse drama político baseado em uma história real, mostra como a primeira-ministra Golda Meir (Helen Mirren), conhecida como a “Dama de Ferro” de Israel, enfrenta uma possível destruição do Estado, tomando decisões de alto risco, enquanto trava uma batalha pessoal contra o câncer. Confira o trailer (em inglês):

Esteja preparado para se deparar com um filme difícil na sua proposta narrativa, mas genial na forma com que explora não apenas os desafios políticos da protagonista, mas também sua luta pessoal contra o câncer, oferecendo um olhar íntimo e humano de um momento crítico na história de Israel e também impactante na sua vida. O brilhantismo do trabalho de Mirren, que inexplicavelmente não foi indicada ao Oscar 2024 por esse personagem, está justamente em desmistificar a imagem de Golda Meir como uma líder incansável e segura que toma decisões de alto risco para salvar seu país de uma iminente destruição. Aqui, o que vemos é a fragilidade, o receio, o medo, a dor, e até a insegurança sobre o futuro, mas sempre com muita sensibilidade - o sentimento de Meir está no olhar não nas palavras e isso é bonito demais!

Obviamente que "Golda" brilha não apenas por sua narrativa envolvente ou por uma performance notavelmente acima da média, mas também por elementos técnicos e artísticos que elevam a nossa jornada como audiência. A fotografia do Jasper Wolf (de "Monos - Entre o Céu e o Inferno"), por exemplo, captura de maneira extremamente realista a atmosfera tensa da guerra através dos sentidos - olhar esse horror por uma tela ou escutar o sofrimento por um rádio, estando em segurança, exige do ator um trabalho de introspecção difícil, mas com uma lente fechada (85mm) que super expõe essa condição, conseguimos não só sentir a angustia e a tensão como também testemunhar os reflexos das decisões ali tomadas, sejam elas certas ou erradas. A direção habilidosa de Guy Nattiv (vencedor do Oscar de "Melhor Curta-Metragem" em 2019 por "Skin") sabe da importância dessa dicotomia e não por acaso mescla imagens documentais com suas reconstituições, nos guiando por essas reviravoltas politicas (e bélicas) com a eficiência de quem não esquece que é o ser humano quem transforma uma história. 

Dito isso, é de se elogiar como "Golda" demonstra um compromisso impressionante com a autenticidade histórica, recriando fielmente os eventos da época bem como transformando Helen Mirren na própria Meir com uma maquiagem que rendeu até uma indicação ao Oscar para o time de "ais do que um filme histórico, muito bem produzido e realizado, "Golda" é uma jornada emocional que nos leva aos corredores do poder, revelando a complexidade e coragem por trás da "Dama de Ferro" de Israel. Todo mundo vai gostar? Acho que não, mas se você leu até aqui, pode dar o play porque você não vai se arrepender. História pura, simplesmente imperdível!

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Esse é um filme sobre os horrores da guerra pela perspectiva do silêncio. E aqui não estou falando sobre "a ausência de som" e sim sobre a sua jornada solitária de alguém que precisa tomar decisões que impactam a vida de milhares de semelhantes e que precisa carregar a dor de estar nessa posição. Se você está em busca de uma experiência íntima que mistura o drama das tensões geopolíticas com a luta de um personagem histórico que pouca gente conhece, "Golda" é simplesmente imperdível. Dirigido por Guy Nattiv, o filme nos transporta para um momento crucial na história de Israel a partir de uma narrativa truncada, cadenciada, mas extremamente envolvente para aqueles que se identificam com o tema e com esse tipo de dinâmica. Bem ao estilo de "Oslo" ou de "O Destino de uma Nação""Golda" é um filme que se destaca, proporcionando uma visão única e poderosa desse doloroso capítulo da humanidade.

Ambientado na Guerra do Yom Kippur, em 1973, esse drama político baseado em uma história real, mostra como a primeira-ministra Golda Meir (Helen Mirren), conhecida como a “Dama de Ferro” de Israel, enfrenta uma possível destruição do Estado, tomando decisões de alto risco, enquanto trava uma batalha pessoal contra o câncer. Confira o trailer (em inglês):

Esteja preparado para se deparar com um filme difícil na sua proposta narrativa, mas genial na forma com que explora não apenas os desafios políticos da protagonista, mas também sua luta pessoal contra o câncer, oferecendo um olhar íntimo e humano de um momento crítico na história de Israel e também impactante na sua vida. O brilhantismo do trabalho de Mirren, que inexplicavelmente não foi indicada ao Oscar 2024 por esse personagem, está justamente em desmistificar a imagem de Golda Meir como uma líder incansável e segura que toma decisões de alto risco para salvar seu país de uma iminente destruição. Aqui, o que vemos é a fragilidade, o receio, o medo, a dor, e até a insegurança sobre o futuro, mas sempre com muita sensibilidade - o sentimento de Meir está no olhar não nas palavras e isso é bonito demais!

Obviamente que "Golda" brilha não apenas por sua narrativa envolvente ou por uma performance notavelmente acima da média, mas também por elementos técnicos e artísticos que elevam a nossa jornada como audiência. A fotografia do Jasper Wolf (de "Monos - Entre o Céu e o Inferno"), por exemplo, captura de maneira extremamente realista a atmosfera tensa da guerra através dos sentidos - olhar esse horror por uma tela ou escutar o sofrimento por um rádio, estando em segurança, exige do ator um trabalho de introspecção difícil, mas com uma lente fechada (85mm) que super expõe essa condição, conseguimos não só sentir a angustia e a tensão como também testemunhar os reflexos das decisões ali tomadas, sejam elas certas ou erradas. A direção habilidosa de Guy Nattiv (vencedor do Oscar de "Melhor Curta-Metragem" em 2019 por "Skin") sabe da importância dessa dicotomia e não por acaso mescla imagens documentais com suas reconstituições, nos guiando por essas reviravoltas politicas (e bélicas) com a eficiência de quem não esquece que é o ser humano quem transforma uma história. 

Dito isso, é de se elogiar como "Golda" demonstra um compromisso impressionante com a autenticidade histórica, recriando fielmente os eventos da época bem como transformando Helen Mirren na própria Meir com uma maquiagem que rendeu até uma indicação ao Oscar para o time de "ais do que um filme histórico, muito bem produzido e realizado, "Golda" é uma jornada emocional que nos leva aos corredores do poder, revelando a complexidade e coragem por trás da "Dama de Ferro" de Israel. Todo mundo vai gostar? Acho que não, mas se você leu até aqui, pode dar o play porque você não vai se arrepender. História pura, simplesmente imperdível!

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Homeland

"Homeland" ganhou os principais prêmios no Emmy de 2012, entre eles o de melhor roteiro e melhor série dramática - o que foi uma surpresa na época. Na verdade, eu nunca havia me interessado pelo seu argumento, achava que seria "mais do mesmo"! Mas por causa dessa premiação resolvi assistir o "piloto" para entender como uma série sobre terrorismo conseguiu desbancar pesos-pesados que já acompanha como "Mad Men" e "Game of Thrones". Pois bem meus amigos, "Homeland" é genial! O roteiro de piloto é muito intrigante e chega a lembrar "24 horas" nos seus melhores anos. Não dá vontade parar de assistir. A estrutura do roteiro casa muito bem os dramas pessoais dos protagonistas (e é aí que Homeland dá um banho em 24 horas) com a tensão constante do terrorismo que está no argumento. É sensacional!

Após o desaparecimento de dois soldados americanos no Iraque, um deles, o sargento Nicholas Brody (Damian Lewis), retorna aos EUA após ser resgatado pelo exército. Repatriado, ele é recebido como herói pela família, pelos amigos e pelo governo. Porém a agente da CIA Carrie Mathison (Claire Danes), especialista em anti-terrorismo e que passou vários anos infiltrada no Afeganistão, não acredita que Brody seja realmente um herói de guerra - ela desconfia que ele é, na verdade, um espião iraquiano preparando o próximo ataque terrorista em solo dos EUA.

O ponto alto de "Homeland", como comentei acima, é a relação entre os dois personagens principais. Fica claro, logo de cara, que realmente existe algo de errado com Brody - suas atitudes remetem a uma série de referências ao islamismo ou a cultura daquela região, porém ninguém consegue reparar que essa sua postura pode significar algo que vai além do respeito às tradições. Carrie parece ser a única pessoa que consegue detectar algo suspeito nas atitudes de Brody, acontece que ela sofre de um distúrbio bipolar e sua obsessão em descobrir a verdade soa como desequilíbrio e paranóia para a maioria dos seus superiores, o que, óbvio, só a motiva em descobrir a verdade - mesmo que usando de artifícios pouco convencionais para uma agente da CIA.

É fato que o roteiro das primeiras temporadas são mais dinâmicos e inteligentes, porém a série, já com várias temporadas, consegue manter parte do seu público engajado mesmo com as trocas de elenco e as várias mudanças nas motivações de Carrie. Embora não seja uma antologia como em "24 horas", por exemplo, "Homeland" procura equilibrar suas histórias pontuais com os dramas que a protagonista tem que lidar para continuar sua caminhada como heroína. As vezes a série falha, parece perder o fôlego, mas de repente algo surge e trás um sentido novo que levanta a história novamente e a mantém sendo produzida - aliás, a produção continua excelente e mesmo com episódios de 2011, a série está em ótima forma no que diz respeito aos conceitos cinematográficos!

"Homeland" é uma livre adaptação de uma série israelense de muito sucesso chamada "Hatufim", que significa “Sequestrados” - traduzida para o inglês como "Prisioneiros de Guerra" .Ela vale cada episódio, cada temporada; e posso afirmar que já se transformou em uma referência que merece ser vista por quem gosta do gênero!

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"Homeland" ganhou os principais prêmios no Emmy de 2012, entre eles o de melhor roteiro e melhor série dramática - o que foi uma surpresa na época. Na verdade, eu nunca havia me interessado pelo seu argumento, achava que seria "mais do mesmo"! Mas por causa dessa premiação resolvi assistir o "piloto" para entender como uma série sobre terrorismo conseguiu desbancar pesos-pesados que já acompanha como "Mad Men" e "Game of Thrones". Pois bem meus amigos, "Homeland" é genial! O roteiro de piloto é muito intrigante e chega a lembrar "24 horas" nos seus melhores anos. Não dá vontade parar de assistir. A estrutura do roteiro casa muito bem os dramas pessoais dos protagonistas (e é aí que Homeland dá um banho em 24 horas) com a tensão constante do terrorismo que está no argumento. É sensacional!

Após o desaparecimento de dois soldados americanos no Iraque, um deles, o sargento Nicholas Brody (Damian Lewis), retorna aos EUA após ser resgatado pelo exército. Repatriado, ele é recebido como herói pela família, pelos amigos e pelo governo. Porém a agente da CIA Carrie Mathison (Claire Danes), especialista em anti-terrorismo e que passou vários anos infiltrada no Afeganistão, não acredita que Brody seja realmente um herói de guerra - ela desconfia que ele é, na verdade, um espião iraquiano preparando o próximo ataque terrorista em solo dos EUA.

O ponto alto de "Homeland", como comentei acima, é a relação entre os dois personagens principais. Fica claro, logo de cara, que realmente existe algo de errado com Brody - suas atitudes remetem a uma série de referências ao islamismo ou a cultura daquela região, porém ninguém consegue reparar que essa sua postura pode significar algo que vai além do respeito às tradições. Carrie parece ser a única pessoa que consegue detectar algo suspeito nas atitudes de Brody, acontece que ela sofre de um distúrbio bipolar e sua obsessão em descobrir a verdade soa como desequilíbrio e paranóia para a maioria dos seus superiores, o que, óbvio, só a motiva em descobrir a verdade - mesmo que usando de artifícios pouco convencionais para uma agente da CIA.

É fato que o roteiro das primeiras temporadas são mais dinâmicos e inteligentes, porém a série, já com várias temporadas, consegue manter parte do seu público engajado mesmo com as trocas de elenco e as várias mudanças nas motivações de Carrie. Embora não seja uma antologia como em "24 horas", por exemplo, "Homeland" procura equilibrar suas histórias pontuais com os dramas que a protagonista tem que lidar para continuar sua caminhada como heroína. As vezes a série falha, parece perder o fôlego, mas de repente algo surge e trás um sentido novo que levanta a história novamente e a mantém sendo produzida - aliás, a produção continua excelente e mesmo com episódios de 2011, a série está em ótima forma no que diz respeito aos conceitos cinematográficos!

"Homeland" é uma livre adaptação de uma série israelense de muito sucesso chamada "Hatufim", que significa “Sequestrados” - traduzida para o inglês como "Prisioneiros de Guerra" .Ela vale cada episódio, cada temporada; e posso afirmar que já se transformou em uma referência que merece ser vista por quem gosta do gênero!

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Hotel Mumbai

Talvez você ainda não tenha assistido um filme sobre ataques terroristas ao redor do planeta por uma perspectiva tão brutal como em "Hotel Mumbai". Esse filme realmente traz o horror dessa experiência tão marcante de uma forma muito palpável, visceral eu diria, que é impossível não se sentir impactado - sua narrativa me lembrou muito o documentário (também imperdível), "13 de Novembro: Terror em Paris". O fato é que "Atentado ao Hotel Taj Mahal" (título nacional), filme de estréia do diretor Anthony Maras, é uma obra cinematográfica que se destaca não apenas pela sua excelência técnica, mas também pela maneira como sua narrativa constrói uma jornada de profunda humanidade e coragem de personagens. Baseado nos eventos reais do atentado ao Hotel Taj Mahal Palace em Mumbai, Índia, o filme oferece uma visão angustiante e comovente sobre os horrores do terrorismo e a resiliência do espírito humano. Recebendo elogios tanto da crítica quanto do público, esse é aquele tipo de obra que transcende os limites do entretenimento e que, de fato, nos faz refletir sobre o extremismo e suas implicações na sociedade - em vários níveis, aliás.

Basicamente "Hotel Mumbai" acompanha a história real de alguns dos seus  funcionários, incluindo o renomado chef Hemant Oberoi (Anupam Kher) e de seu ajudante Arjun (Dev Patel), que arriscam suas próprias vidas para proteger os hóspedes do requintado Hotel Taj Mahal Palace durante os ataques terroristas de 2008. Enquanto o caos se desenrola ao seu redor, esses funcionários se tornam heróis improváveis, lutando para manter a calma e a esperança em meio à violência dos extremistas e ao desespero de seus hóspedes. Confira o trailer:

É perceptível a tentativa do diretor Anthony Maras de fazer de "Hotel Mumbai" um recorte intimista do que realmente aconteceu naquele 26 de novembro de 2008 - e por isso fica fácil atestar que sua proposta se destaca pela autenticidade e realismo com que narra os bastidores do atentado. Sua direção é magistral, justamente por criar uma impressionante atmosfera de tensão, capaz de transportar a audiência para dentro do caos sem pedir muita licença. “Golpear contra um símbolo da riqueza e do progresso daÍndia” - era esse um dos objetivos do grupo terrorista Lashkar-e-Taiba ao atacar o Taj Mahal Palace Hotel e outros pontos isolados de Mumbai e é seguindo uma ordem cronológica das mais interessantes que Maras nos dá a exata noção da carnificina que aconteceu na cidade naquele dia. Veja, se o filme propositalmente não se aprofunda nas relações entre os diversos personagens, é nessa sensação de abandono que sua narrativa se apoia - reparem como as histórias pessoais de cada um dos personagens (sejam eles terroristas, hóspedes ou funcionários) são mais sugeridas do que escancaradas.  

Existe um conceito claro em "Hotel Mumbai" que ajuda na nossa imersão: em muitos momentos o diretor mistura cenas reais (imagens de arquivo mesmo) com sua versão na ficção - a reconstituição é tão bem feita que vai exigir muito da audiência caso ela queira diferenciar uma da outra. A fotografia do também estreante Nick Remy Matthews, é impecável, já que ele é capaz de captar cada momento com uma intensidade absurda e sem esquecer das referências reais daquelas horas intermináveis de terror. Junto com a montagem e com a direção, sem dúvida, que é a fotografia quem expõe o poder do roteiro de John Collee (de "Mestre dos Mares") em transitar entre o suspense e o drama com a mesma competência e sensibilidade.

Antes de finalizar, impossível não citar as performances dos atores. Dev Patel entrega um trabalho emotivo e poderoso como Arjun, o garçom determinado a proteger os hóspedes do hotel a todo custo, independente do preconceito que sofria. Seu desempenho convincente é a base para brilhante interpretação de Anupam Kher (chef Oberoi) cuja coragem e liderança inspiraram aqueles ao seu redor - a química entre eles é lindo de ver.

"Hotel Mumbai" é uma homenagem aos heróis anônimos que emergiram em meio àquela tragédia, demonstrando coragem, compaixão e humanidade em face do terror. O filme sabe de sua força ao nos servir como um meio de nos transportar para lugares e experiências além de nossa imaginação e vontade, ou seja, não serão raras as vezes que você vai se pegar pensando em "o que eu faria" se estivesse no Hotel Taj Mahal aquela noite. Como "Utoya 22 de Julho", sua narrativa envolvente, performances emocionantes e uma direção habilidosa, "Hotel Mumbai" é uma obra que ficará gravada na sua memória, pode ter certeza!

Vale seu play!

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Talvez você ainda não tenha assistido um filme sobre ataques terroristas ao redor do planeta por uma perspectiva tão brutal como em "Hotel Mumbai". Esse filme realmente traz o horror dessa experiência tão marcante de uma forma muito palpável, visceral eu diria, que é impossível não se sentir impactado - sua narrativa me lembrou muito o documentário (também imperdível), "13 de Novembro: Terror em Paris". O fato é que "Atentado ao Hotel Taj Mahal" (título nacional), filme de estréia do diretor Anthony Maras, é uma obra cinematográfica que se destaca não apenas pela sua excelência técnica, mas também pela maneira como sua narrativa constrói uma jornada de profunda humanidade e coragem de personagens. Baseado nos eventos reais do atentado ao Hotel Taj Mahal Palace em Mumbai, Índia, o filme oferece uma visão angustiante e comovente sobre os horrores do terrorismo e a resiliência do espírito humano. Recebendo elogios tanto da crítica quanto do público, esse é aquele tipo de obra que transcende os limites do entretenimento e que, de fato, nos faz refletir sobre o extremismo e suas implicações na sociedade - em vários níveis, aliás.

Basicamente "Hotel Mumbai" acompanha a história real de alguns dos seus  funcionários, incluindo o renomado chef Hemant Oberoi (Anupam Kher) e de seu ajudante Arjun (Dev Patel), que arriscam suas próprias vidas para proteger os hóspedes do requintado Hotel Taj Mahal Palace durante os ataques terroristas de 2008. Enquanto o caos se desenrola ao seu redor, esses funcionários se tornam heróis improváveis, lutando para manter a calma e a esperança em meio à violência dos extremistas e ao desespero de seus hóspedes. Confira o trailer:

É perceptível a tentativa do diretor Anthony Maras de fazer de "Hotel Mumbai" um recorte intimista do que realmente aconteceu naquele 26 de novembro de 2008 - e por isso fica fácil atestar que sua proposta se destaca pela autenticidade e realismo com que narra os bastidores do atentado. Sua direção é magistral, justamente por criar uma impressionante atmosfera de tensão, capaz de transportar a audiência para dentro do caos sem pedir muita licença. “Golpear contra um símbolo da riqueza e do progresso daÍndia” - era esse um dos objetivos do grupo terrorista Lashkar-e-Taiba ao atacar o Taj Mahal Palace Hotel e outros pontos isolados de Mumbai e é seguindo uma ordem cronológica das mais interessantes que Maras nos dá a exata noção da carnificina que aconteceu na cidade naquele dia. Veja, se o filme propositalmente não se aprofunda nas relações entre os diversos personagens, é nessa sensação de abandono que sua narrativa se apoia - reparem como as histórias pessoais de cada um dos personagens (sejam eles terroristas, hóspedes ou funcionários) são mais sugeridas do que escancaradas.  

Existe um conceito claro em "Hotel Mumbai" que ajuda na nossa imersão: em muitos momentos o diretor mistura cenas reais (imagens de arquivo mesmo) com sua versão na ficção - a reconstituição é tão bem feita que vai exigir muito da audiência caso ela queira diferenciar uma da outra. A fotografia do também estreante Nick Remy Matthews, é impecável, já que ele é capaz de captar cada momento com uma intensidade absurda e sem esquecer das referências reais daquelas horas intermináveis de terror. Junto com a montagem e com a direção, sem dúvida, que é a fotografia quem expõe o poder do roteiro de John Collee (de "Mestre dos Mares") em transitar entre o suspense e o drama com a mesma competência e sensibilidade.

Antes de finalizar, impossível não citar as performances dos atores. Dev Patel entrega um trabalho emotivo e poderoso como Arjun, o garçom determinado a proteger os hóspedes do hotel a todo custo, independente do preconceito que sofria. Seu desempenho convincente é a base para brilhante interpretação de Anupam Kher (chef Oberoi) cuja coragem e liderança inspiraram aqueles ao seu redor - a química entre eles é lindo de ver.

"Hotel Mumbai" é uma homenagem aos heróis anônimos que emergiram em meio àquela tragédia, demonstrando coragem, compaixão e humanidade em face do terror. O filme sabe de sua força ao nos servir como um meio de nos transportar para lugares e experiências além de nossa imaginação e vontade, ou seja, não serão raras as vezes que você vai se pegar pensando em "o que eu faria" se estivesse no Hotel Taj Mahal aquela noite. Como "Utoya 22 de Julho", sua narrativa envolvente, performances emocionantes e uma direção habilidosa, "Hotel Mumbai" é uma obra que ficará gravada na sua memória, pode ter certeza!

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House of Cards

"House of Cards", criada por Beau Willimon e baseada no romance homônimo de Michael Dobbs, é uma série que redefiniu o drama político na televisão. Lançada em 2013 pela Netflix, a série rapidamente se tornou um fenômeno cultural, destacando-se por sua narrativa intricada, personagens complexos e uma visão cínica e implacável do mundo da política americana. Ao longo de suas seis temporadas, "House of Cards" ofereceu um mergulho profundo no poder e na corrupção, capturando a atenção e a imaginação dos espectadores em todo o mundo.

A trama de "House of Cards" segue Francis "Frank" Underwood (Kevin Spacey), um político ambicioso e implacável que, após ser preterido para o cargo de Secretário de Estado, embarca em uma jornada de vingança e manipulação para conquistar a presidência dos Estados Unidos. Ao seu lado está sua igualmente ambiciosa esposa, Claire Underwood (Robin Wright), cuja busca por poder e influência é tão implacável quanto a de Frank. Juntos, eles formam uma das duplas mais formidáveis e temíveis da televisão.

O maior trunfo de "House of Cards" está em suas performances soberbas, especialmente as de Kevin Spacey e Robin Wright. Spacey traz uma intensidade magnética a Frank Underwood, quebrando a quarta parede com seus monólogos cínicos e perspicazes, que revelam as profundezas de sua mente maquiavélica. Robin Wright, por sua vez, entrega uma atuação igualmente poderosa como Claire Underwood, evoluindo de uma parceira silenciosa para uma figura de poder autônoma e dominante. Sua química é palpável e sua dinâmica, fascinante, sustentando a série mesmo nos momentos mais sombrios.

A direção de David Fincher no piloto estabelece o tom visual da série: elegante, sombrio e imbuído de uma sensação constante de tensão. A cinematografia de Igor Martinovic e a trilha sonora de Jeff Beal complementam perfeitamente a narrativa, criando uma atmosfera opressiva que espelha o mundo moralmente ambíguo que os personagens habitam. As escolhas estéticas e a atenção aos detalhes visuais reforçam a sensação de decadência e corrupção que permeia a série. A narrativa de "House of Cards" é intricada e cheia de reviravoltas, explorando os mecanismos sombrios da política e do poder. A série é habilidosa em desenvolver arcos complexos e personagens multifacetados, onde cada ação tem consequências profundas e muitas vezes devastadoras. A escrita de Beau Willimon e sua equipe é afiada, com diálogos mordazes e uma trama que mantém os espectadores na ponta da cadeira.

No entanto, "House of Cards" não está isenta de controvérsias e desafios. As alegações de má conduta contra Kevin Spacey resultaram em sua saída abrupta após a quinta temporada, obrigando a série a reformular sua narrativa para a temporada final. Robin Wright assumiu o papel principal, e embora sua performance tenha sido amplamente elogiada, a série lutou para manter a mesma intensidade e coesão sem a presença de Spacey. Além disso, alguns críticos apontaram que as temporadas posteriores não conseguiram capturar a mesma magia das primeiras, com tramas que, por vezes, se tornaram excessivamente enroladas e menos impactantes.

Ainda assim, "House of Cards" permaneça uma série marcante e influente, que ofereceu uma visão corajosa e muitas vezes perturbadora do mundo da política. Seu impacto na cultura pop é inegável, inspirando inúmeras discussões e análises sobre poder, ética e corrupção. A série é um testemunho da capacidade da televisão de explorar temas complexos e de desafiar os espectadores a refletir sobre a natureza do poder e da ambição.

Em resumo, temos uma obra imperdível para os amantes de dramas políticos que vale muito o seu play!

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"House of Cards", criada por Beau Willimon e baseada no romance homônimo de Michael Dobbs, é uma série que redefiniu o drama político na televisão. Lançada em 2013 pela Netflix, a série rapidamente se tornou um fenômeno cultural, destacando-se por sua narrativa intricada, personagens complexos e uma visão cínica e implacável do mundo da política americana. Ao longo de suas seis temporadas, "House of Cards" ofereceu um mergulho profundo no poder e na corrupção, capturando a atenção e a imaginação dos espectadores em todo o mundo.

A trama de "House of Cards" segue Francis "Frank" Underwood (Kevin Spacey), um político ambicioso e implacável que, após ser preterido para o cargo de Secretário de Estado, embarca em uma jornada de vingança e manipulação para conquistar a presidência dos Estados Unidos. Ao seu lado está sua igualmente ambiciosa esposa, Claire Underwood (Robin Wright), cuja busca por poder e influência é tão implacável quanto a de Frank. Juntos, eles formam uma das duplas mais formidáveis e temíveis da televisão.

O maior trunfo de "House of Cards" está em suas performances soberbas, especialmente as de Kevin Spacey e Robin Wright. Spacey traz uma intensidade magnética a Frank Underwood, quebrando a quarta parede com seus monólogos cínicos e perspicazes, que revelam as profundezas de sua mente maquiavélica. Robin Wright, por sua vez, entrega uma atuação igualmente poderosa como Claire Underwood, evoluindo de uma parceira silenciosa para uma figura de poder autônoma e dominante. Sua química é palpável e sua dinâmica, fascinante, sustentando a série mesmo nos momentos mais sombrios.

A direção de David Fincher no piloto estabelece o tom visual da série: elegante, sombrio e imbuído de uma sensação constante de tensão. A cinematografia de Igor Martinovic e a trilha sonora de Jeff Beal complementam perfeitamente a narrativa, criando uma atmosfera opressiva que espelha o mundo moralmente ambíguo que os personagens habitam. As escolhas estéticas e a atenção aos detalhes visuais reforçam a sensação de decadência e corrupção que permeia a série. A narrativa de "House of Cards" é intricada e cheia de reviravoltas, explorando os mecanismos sombrios da política e do poder. A série é habilidosa em desenvolver arcos complexos e personagens multifacetados, onde cada ação tem consequências profundas e muitas vezes devastadoras. A escrita de Beau Willimon e sua equipe é afiada, com diálogos mordazes e uma trama que mantém os espectadores na ponta da cadeira.

No entanto, "House of Cards" não está isenta de controvérsias e desafios. As alegações de má conduta contra Kevin Spacey resultaram em sua saída abrupta após a quinta temporada, obrigando a série a reformular sua narrativa para a temporada final. Robin Wright assumiu o papel principal, e embora sua performance tenha sido amplamente elogiada, a série lutou para manter a mesma intensidade e coesão sem a presença de Spacey. Além disso, alguns críticos apontaram que as temporadas posteriores não conseguiram capturar a mesma magia das primeiras, com tramas que, por vezes, se tornaram excessivamente enroladas e menos impactantes.

Ainda assim, "House of Cards" permaneça uma série marcante e influente, que ofereceu uma visão corajosa e muitas vezes perturbadora do mundo da política. Seu impacto na cultura pop é inegável, inspirando inúmeras discussões e análises sobre poder, ética e corrupção. A série é um testemunho da capacidade da televisão de explorar temas complexos e de desafiar os espectadores a refletir sobre a natureza do poder e da ambição.

Em resumo, temos uma obra imperdível para os amantes de dramas políticos que vale muito o seu play!

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Interrompemos a Programação

"Prime Time" (que no Brasil ganhou o sugestivo título de "Interrompemos a Programação") chegou na Netflix com a chancela de ter sido indicado ao Grand Jury Prize de Sundance em 2021, porém, essa produção polonesa, certamente veio para entrar naquela prateleira de "ame ou odeie"!

A premissa é simples, mas excelente: Na véspera do Ano Novo de 1999, um homem armado invade um estúdio de uma TV de Varsóvia, fazendo um segurança e uma apresentadora como reféns, tendo apenas uma única exigência: entrar ao vivo em rede nacional para transmitir uma mensagem. Confira o trailer (dublado):

O Filme é dirigido por Jakub Piatek e conta com Bartosz Bielenia - ator que ganhou muita notoriedade por sua participação no ótimo "Corpus Christi" (de 2019), representante da Polônia na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2020. Embora estreante na função, Piatek teve muita personalidade ao escolher o caminho mais difícil para contar uma história aparentemente simples, mas cheia de camadas. Veja, a tensão de "Interrompemos a Programação" não se baseia na ação imersiva como no excelente "Utoya 22 de Julho" e sim na expectativa do que pode acontecer a qualquer momento e por motivos que não sabemos. Ao focar na cadência narrativa, o diretor deixa claro preferir o tom mais autoral, independente, e assume a responsabilidade por inúmeras criticas - muitas de quem via sua obra como uma nova visão de "Jogo do Dinheiro" de 2016, longa com George Clooney e Julia Roberts sobre um rapaz que invade um estúdio de TV armado e faz o apresentador refém.

Três cenas definem a força da narrativa apoiada nos detalhes e na sensibilidade do elenco. A primeira, sem dúvida, é o embate entre Sebastian e seu pai - se até ali o garoto parecia sem propósito ou força para assumir suas decisões, claramente após essa discussão, tudo ganha um novo rumo. Detalhe para o ótimo trabalho, tanto de  Bielenia quanto Juliusz Chrzastowski. Já na outra cena, vemos Mira (Magdalena Poplawska), visivelmente irritada ao ser contrariada pelos seus superiores, ligando para um contato na emissora concorrente, oferecendo uma transmissão exclusiva do seu sequestrador. Para finalizar, reparem na atitude da produtora executiva e diretora do programa de Mira, Laura (Malgorzata Hajewska), em uma das últimas cenas do filme.

Saiba que "Interrompemos a Programação" não é sobre os motivos que levaram Sebastian até ali - isso pouco importa na verdade. O filme é sobre a solidão do ser humano, sobre a vaidade, sobre a incompreensão e sobre o espetáculo, ainda que grotesco, que a mídia tenta impor com a desculpa de fazer jornalismo. Ah, e a critica politica é fácil de ser percebida em vários momentos - dentro e fora do estúdio onde 90% da narrativa acontece!

Eu entendo que pode ficar uma sensação, de certa forma até frustrante, de que o potencial de "Interrompemos a Programação" foi desperdiçado. Para alguns essa percepção será óbvia e o roteiro, em muitos momentos, colabora para esse mal-humor, mas convido nosso leitor a olhar além e buscar entender como o desespero pode nos levar a atitudes impensáveis - seja por medo ou, simplesmente, por vaidade!

Vale o play, mas com todos esses "poréns" bastante particulares que o filme não se preocupa em esconder. Filme para quem gosta do que não é óbvio!

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"Prime Time" (que no Brasil ganhou o sugestivo título de "Interrompemos a Programação") chegou na Netflix com a chancela de ter sido indicado ao Grand Jury Prize de Sundance em 2021, porém, essa produção polonesa, certamente veio para entrar naquela prateleira de "ame ou odeie"!

A premissa é simples, mas excelente: Na véspera do Ano Novo de 1999, um homem armado invade um estúdio de uma TV de Varsóvia, fazendo um segurança e uma apresentadora como reféns, tendo apenas uma única exigência: entrar ao vivo em rede nacional para transmitir uma mensagem. Confira o trailer (dublado):

O Filme é dirigido por Jakub Piatek e conta com Bartosz Bielenia - ator que ganhou muita notoriedade por sua participação no ótimo "Corpus Christi" (de 2019), representante da Polônia na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2020. Embora estreante na função, Piatek teve muita personalidade ao escolher o caminho mais difícil para contar uma história aparentemente simples, mas cheia de camadas. Veja, a tensão de "Interrompemos a Programação" não se baseia na ação imersiva como no excelente "Utoya 22 de Julho" e sim na expectativa do que pode acontecer a qualquer momento e por motivos que não sabemos. Ao focar na cadência narrativa, o diretor deixa claro preferir o tom mais autoral, independente, e assume a responsabilidade por inúmeras criticas - muitas de quem via sua obra como uma nova visão de "Jogo do Dinheiro" de 2016, longa com George Clooney e Julia Roberts sobre um rapaz que invade um estúdio de TV armado e faz o apresentador refém.

Três cenas definem a força da narrativa apoiada nos detalhes e na sensibilidade do elenco. A primeira, sem dúvida, é o embate entre Sebastian e seu pai - se até ali o garoto parecia sem propósito ou força para assumir suas decisões, claramente após essa discussão, tudo ganha um novo rumo. Detalhe para o ótimo trabalho, tanto de  Bielenia quanto Juliusz Chrzastowski. Já na outra cena, vemos Mira (Magdalena Poplawska), visivelmente irritada ao ser contrariada pelos seus superiores, ligando para um contato na emissora concorrente, oferecendo uma transmissão exclusiva do seu sequestrador. Para finalizar, reparem na atitude da produtora executiva e diretora do programa de Mira, Laura (Malgorzata Hajewska), em uma das últimas cenas do filme.

Saiba que "Interrompemos a Programação" não é sobre os motivos que levaram Sebastian até ali - isso pouco importa na verdade. O filme é sobre a solidão do ser humano, sobre a vaidade, sobre a incompreensão e sobre o espetáculo, ainda que grotesco, que a mídia tenta impor com a desculpa de fazer jornalismo. Ah, e a critica politica é fácil de ser percebida em vários momentos - dentro e fora do estúdio onde 90% da narrativa acontece!

Eu entendo que pode ficar uma sensação, de certa forma até frustrante, de que o potencial de "Interrompemos a Programação" foi desperdiçado. Para alguns essa percepção será óbvia e o roteiro, em muitos momentos, colabora para esse mal-humor, mas convido nosso leitor a olhar além e buscar entender como o desespero pode nos levar a atitudes impensáveis - seja por medo ou, simplesmente, por vaidade!

Vale o play, mas com todos esses "poréns" bastante particulares que o filme não se preocupa em esconder. Filme para quem gosta do que não é óbvio!

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