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Privacidade Hackeada

O que as eleições da Argentina em 2015, Trindade e Tobago em 2009, Índia em 2010, Malásia em 2013, Itália em 2012, Quênia em 2013 e Colômbia 2011 tem em comum? Por mais surpreendente que possa parecer a resposta, o seu complemento é ainda mais assustador: "análise de dados"... "roubados". A responsável por isso interferiu em dois recentes momentos históricos da politica mundial: a improvável eleição de Trump e o plebicito do Brexit.

"Privacidade Hackeada", documentário original da Netflix, mostra como esses dados roubados ajudaram na manipulação de eleitores indecisos nesses dois eventos políticos e quais foram as consequências no processo de fragilização da democracia. Tendo como vilões dois personagens-chave: o Facebook e a Cambridge Analytica, o documentário analisa cada um dos movimentos estratégicos que renderam milhões de dólares para a empresa inglesa e uma grande dor de cabeça para o Mark Zuckerberg. É preciso dizer que o volume de informações prejudica a experiência de quem assiste e não conhece do assunto - por isso sugiro que, antes do documentário, você assista o filme da HBO "Brexit", pois nele fica mais fácil perceber como esses dados roubados foram, na prática, fundamentais na estratégia de campanha do "Leave.EU". O documentário vale muito a pena, mas claramente tem o objetivo de demonizar a tecnologia e o tamanho da nossa exposição que ela gera quando clicamos no quadradinho "aceito" de vários aplicativos e sites!

Através de um simples questionário de personalidade, a Cambridge Analytica se aproveitou de uma permissão especial do Facebook que dava acesso ao app para coletar não apenas os dados das pessoas que participavam do quiz, mas também os dados de todos os amigos dela - se você nunca respondeu um quiz, mas algum amigo já fez, seus dados também foram roubados sem você saber! Com essa enorme base de dados, a empresa inglesa, através do seu criador e CEO, Alexander Nix, negociava informações e estratégias de campanha com políticos em troca de enormes quantias de dinheiro. Imagina que cada perfil se baseava em 5 mil pontos de análise! Tudo começa a desmoronar quando dois ex-funcionários da Cambridge Analytica vão à público para desmascarar as estratégias de manipulação que eram criadas com essa quantidade absurda de dados. Christopher Wylie e Brittany Kaiser foram fundamentais na investigação feita pela jornalista do The Guardian, e finalista do Pulitzer,Carole Cadwalladr. Cadwalladr, ao lado do professor David Carroll, costuram todas essas informações com ajuda de muitas inserções gráficas e reportagens da época. Com isso, a narrativa fica mais dinâmica, fluida, mas ainda difícil de entender as pequenas nuances apresentadas por eles. Na minha visão, um dos fatores que colaboram com essa confusão é a ambiguidade de Brittany Kaiser - alta executiva da Cambridge Analytica, Kaiser parece viver em uma eterna colônia de férias e mesmo ajudando (e muito) nas investigações, sua postura acaba criando um certo distanciamento do seu propósito perante as autoridades e até perante os jornalistas - e o documentário faz uma força enorme para não acharmos que ela tem alguma culpa em toda história!

"Privacidade Hackeada" é aquele típico documentário que definimos como "mal necessário", pelo seu conteúdo, pela exposição de um assunto tão sério e pela força dos personagens envolvidos; mas peca ao definir quem são os bandidos e que são os mocinhos logo de cara, impedindo assim que a audiência reflita sobre os fatos e tirem suas próprias conclusões. A verdade é que somos levados à acreditar que tudo está perdido, sem ao menos ouvir o outro lado. Quando aos diretores Karim Amer e Jehane Noujaim (indicados ao Oscar de 2013 por "The Square") mostram Carole Cadwalladr citando, em sua apresentação no TED (sim, isso ainda é uma validação de "personalidade"), nomes como Sheryl Sandberg, Larry Page e Sergey Brin (entre outros) quase que intimando cada um deles a mostrar o rosto e discutir sobre o assunto, e depois não publica nenhuma resposta ou ponto de vista deles (o que certamente deve existir em uma fonte confiável), dá-se a impressão que todos são farinha do mesmo saco do Alexander Nix - e isso é muito ruim para uma obra que deveria ser imparcial. Enfim, o documentário é muito bom, super bem produzido, bem amarrado, mas derrapa nesses detalhes. Vale o play e vale a reflexão!

Assista Agora 

O que as eleições da Argentina em 2015, Trindade e Tobago em 2009, Índia em 2010, Malásia em 2013, Itália em 2012, Quênia em 2013 e Colômbia 2011 tem em comum? Por mais surpreendente que possa parecer a resposta, o seu complemento é ainda mais assustador: "análise de dados"... "roubados". A responsável por isso interferiu em dois recentes momentos históricos da politica mundial: a improvável eleição de Trump e o plebicito do Brexit.

"Privacidade Hackeada", documentário original da Netflix, mostra como esses dados roubados ajudaram na manipulação de eleitores indecisos nesses dois eventos políticos e quais foram as consequências no processo de fragilização da democracia. Tendo como vilões dois personagens-chave: o Facebook e a Cambridge Analytica, o documentário analisa cada um dos movimentos estratégicos que renderam milhões de dólares para a empresa inglesa e uma grande dor de cabeça para o Mark Zuckerberg. É preciso dizer que o volume de informações prejudica a experiência de quem assiste e não conhece do assunto - por isso sugiro que, antes do documentário, você assista o filme da HBO "Brexit", pois nele fica mais fácil perceber como esses dados roubados foram, na prática, fundamentais na estratégia de campanha do "Leave.EU". O documentário vale muito a pena, mas claramente tem o objetivo de demonizar a tecnologia e o tamanho da nossa exposição que ela gera quando clicamos no quadradinho "aceito" de vários aplicativos e sites!

Através de um simples questionário de personalidade, a Cambridge Analytica se aproveitou de uma permissão especial do Facebook que dava acesso ao app para coletar não apenas os dados das pessoas que participavam do quiz, mas também os dados de todos os amigos dela - se você nunca respondeu um quiz, mas algum amigo já fez, seus dados também foram roubados sem você saber! Com essa enorme base de dados, a empresa inglesa, através do seu criador e CEO, Alexander Nix, negociava informações e estratégias de campanha com políticos em troca de enormes quantias de dinheiro. Imagina que cada perfil se baseava em 5 mil pontos de análise! Tudo começa a desmoronar quando dois ex-funcionários da Cambridge Analytica vão à público para desmascarar as estratégias de manipulação que eram criadas com essa quantidade absurda de dados. Christopher Wylie e Brittany Kaiser foram fundamentais na investigação feita pela jornalista do The Guardian, e finalista do Pulitzer,Carole Cadwalladr. Cadwalladr, ao lado do professor David Carroll, costuram todas essas informações com ajuda de muitas inserções gráficas e reportagens da época. Com isso, a narrativa fica mais dinâmica, fluida, mas ainda difícil de entender as pequenas nuances apresentadas por eles. Na minha visão, um dos fatores que colaboram com essa confusão é a ambiguidade de Brittany Kaiser - alta executiva da Cambridge Analytica, Kaiser parece viver em uma eterna colônia de férias e mesmo ajudando (e muito) nas investigações, sua postura acaba criando um certo distanciamento do seu propósito perante as autoridades e até perante os jornalistas - e o documentário faz uma força enorme para não acharmos que ela tem alguma culpa em toda história!

"Privacidade Hackeada" é aquele típico documentário que definimos como "mal necessário", pelo seu conteúdo, pela exposição de um assunto tão sério e pela força dos personagens envolvidos; mas peca ao definir quem são os bandidos e que são os mocinhos logo de cara, impedindo assim que a audiência reflita sobre os fatos e tirem suas próprias conclusões. A verdade é que somos levados à acreditar que tudo está perdido, sem ao menos ouvir o outro lado. Quando aos diretores Karim Amer e Jehane Noujaim (indicados ao Oscar de 2013 por "The Square") mostram Carole Cadwalladr citando, em sua apresentação no TED (sim, isso ainda é uma validação de "personalidade"), nomes como Sheryl Sandberg, Larry Page e Sergey Brin (entre outros) quase que intimando cada um deles a mostrar o rosto e discutir sobre o assunto, e depois não publica nenhuma resposta ou ponto de vista deles (o que certamente deve existir em uma fonte confiável), dá-se a impressão que todos são farinha do mesmo saco do Alexander Nix - e isso é muito ruim para uma obra que deveria ser imparcial. Enfim, o documentário é muito bom, super bem produzido, bem amarrado, mas derrapa nesses detalhes. Vale o play e vale a reflexão!

Assista Agora 

Proibido por Deus

"Proibido por Deus" é muito bom! Esse documentário produzido pela Hulu (e que aqui no Brasil você encontra no Star+) acompanha mais uma história "cabeluda" que expõe aquela receita explosiva que tem tudo para dar errado: politica, religião, sexo e poder, com um certo toque especial de hipocrisia que a sociedade americana adora fingir que não existe. Mesmo que inicialmente nossa percepção seja baseada em uma única perspectiva sobre o escândalo que derrubou Jerry Fallwell Jr., filho de um dos mais influentes pastores evangélicos do país, diretor da Liberty University e um dos mais importantes apoiadores de Donald Trump durante a campanha que o levou à presidência dos EUA, o filme dirigido pelo premiado Billy Corben (de "Cocaine Cowboys: The Kings of Miami") se esforça para equilibrar inúmeros fatos relevantes sobre o caso com um recorte de como a comunidade evangélica e o culto à personalidade podem, de fato, decidir uma eleição presidencial.

"God Forbid: The Sex Scandal that Brought Down a Dynasty" (no original) nos apresenta Giancarlo Granda, um ex-funcionário do badalado Fontainebleau Hotel em Miami Beach, que compartilha detalhes íntimos sobre seu relacionamento de 7 anos com uma mulher 20 anos mais velha, Becki Falwell, e seu influente marido, Jerry Falwell Jr. Confira o trailer (em inglês):

Com uma pegada que mistura "Jeffrey Epstein: Poder e Perversão" (da Netflix) com "The Vow" (da HBO), "Proibido por Deus" é muito mais do que um olhar ingênuo sobre fantasias e desejos como pode parecer em seu primeiro ato, já que o roteiro não se limita em contar apenas as aventuras sexuais de um complicado e sórdido relacionamento de Granda com o casal de evangélicos, mas em uma camada mais profunda, ele discute a enorme influência que a rica cúpula evangélica americana tem sobre a política dos Estados Unidos e sobre a perigosa ascensão do ultra-nacionalismo cristão. Veja, é muito interessante como Corben vai contextualizando os acontecimentos envolvendo Granda e os Fallwell, e criando pontos de conexão com uma herança histórica, social e politica vergonhosa.

Através de uma narrativa extremamente envolvente e dinâmica que mostra, aí sim, os reflexos da falta de maturidade de um jovem ambicioso, o filme acaba provocando discussões significativas ao levantar questões importantes sobre as lideranças religiosas, sobre os valores mais conservadores, sobre a ética pessoal e, principalmente, sobre moralidade - talvez por isso, esse caso tenha ganhado uma repercussão tão importante ao mostrar a capacidade que os escândalos tem em influenciar a percepção pública e a reputação dos envolvidos em tempos de redes sociais, mesmo que isso vá mudando enquanto as verdades vão aparecendo.

Se apropriando de um tom de denúncia, "Proibido por Deus" funciona muito bem como entretenimento, no entanto não deixa de tocar em pontos sensíveis à condição humana que nos tiram de uma zona de conforto como audiência, e, claro, nos convida ao julgamento - esse conceito funciona tão bem que nem vemos o tempo passar, mesmo quando a história parece não caminhar para uma conclusão. Dito isso, tenho certeza que vale pela diversão então fica impossível não recomendar o play!

Assista Agora

"Proibido por Deus" é muito bom! Esse documentário produzido pela Hulu (e que aqui no Brasil você encontra no Star+) acompanha mais uma história "cabeluda" que expõe aquela receita explosiva que tem tudo para dar errado: politica, religião, sexo e poder, com um certo toque especial de hipocrisia que a sociedade americana adora fingir que não existe. Mesmo que inicialmente nossa percepção seja baseada em uma única perspectiva sobre o escândalo que derrubou Jerry Fallwell Jr., filho de um dos mais influentes pastores evangélicos do país, diretor da Liberty University e um dos mais importantes apoiadores de Donald Trump durante a campanha que o levou à presidência dos EUA, o filme dirigido pelo premiado Billy Corben (de "Cocaine Cowboys: The Kings of Miami") se esforça para equilibrar inúmeros fatos relevantes sobre o caso com um recorte de como a comunidade evangélica e o culto à personalidade podem, de fato, decidir uma eleição presidencial.

"God Forbid: The Sex Scandal that Brought Down a Dynasty" (no original) nos apresenta Giancarlo Granda, um ex-funcionário do badalado Fontainebleau Hotel em Miami Beach, que compartilha detalhes íntimos sobre seu relacionamento de 7 anos com uma mulher 20 anos mais velha, Becki Falwell, e seu influente marido, Jerry Falwell Jr. Confira o trailer (em inglês):

Com uma pegada que mistura "Jeffrey Epstein: Poder e Perversão" (da Netflix) com "The Vow" (da HBO), "Proibido por Deus" é muito mais do que um olhar ingênuo sobre fantasias e desejos como pode parecer em seu primeiro ato, já que o roteiro não se limita em contar apenas as aventuras sexuais de um complicado e sórdido relacionamento de Granda com o casal de evangélicos, mas em uma camada mais profunda, ele discute a enorme influência que a rica cúpula evangélica americana tem sobre a política dos Estados Unidos e sobre a perigosa ascensão do ultra-nacionalismo cristão. Veja, é muito interessante como Corben vai contextualizando os acontecimentos envolvendo Granda e os Fallwell, e criando pontos de conexão com uma herança histórica, social e politica vergonhosa.

Através de uma narrativa extremamente envolvente e dinâmica que mostra, aí sim, os reflexos da falta de maturidade de um jovem ambicioso, o filme acaba provocando discussões significativas ao levantar questões importantes sobre as lideranças religiosas, sobre os valores mais conservadores, sobre a ética pessoal e, principalmente, sobre moralidade - talvez por isso, esse caso tenha ganhado uma repercussão tão importante ao mostrar a capacidade que os escândalos tem em influenciar a percepção pública e a reputação dos envolvidos em tempos de redes sociais, mesmo que isso vá mudando enquanto as verdades vão aparecendo.

Se apropriando de um tom de denúncia, "Proibido por Deus" funciona muito bem como entretenimento, no entanto não deixa de tocar em pontos sensíveis à condição humana que nos tiram de uma zona de conforto como audiência, e, claro, nos convida ao julgamento - esse conceito funciona tão bem que nem vemos o tempo passar, mesmo quando a história parece não caminhar para uma conclusão. Dito isso, tenho certeza que vale pela diversão então fica impossível não recomendar o play!

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Quanto Vale?

Quanto vale uma vida que se foi? Talvez essa seja a pergunta mais difícil de responder independente do motivo pelo qual ela está sendo feita. Em "Worth" (título original) temos a exata noção do quão dolorido é lidar com algum tipo de acordo ou compensação pela vida de alguém que amamos. Ao explorar um lado muito interessante, sensível e difícil do pós 11 de setembro, a jovem e talentosa diretora Sara Colangelo entrega um filme muito mais profundo que seu roteiro e talvez por isso não agrade a todos, mas que sem dúvida merece muito ser visto - mais ou menos como aconteceu com "Oslo".

Após os ataques de 2001 ao World Trade Center e ao Pentágono, o Congresso Americano nomeou o advogado e renomado mediador Kenneth Feinberg (Michael Keaton) para liderar o Fundo de Compensação às Vítimas do 11 de setembro. Encarregados de destinar recursos financeiros para as vítimas da tragédia, Feinberg e sua sócia Camille Biros (Amy Ryan), enfrentam a impossível tarefa de determinar o valor de uma vida, que servirá de auxílio para as famílias que sofreram perdas no atentado. Quando Feinberg conhece Charles Wolf (Stanley Tucci), um organizador comunitário que perdeu sua esposa naquele fatídico dia, ele entende que as coisas não são tão simples e práticas como uma fórmula matemática, e agora precisa encontrar uma maneira de conseguir se aproximar destas famílias que permanecem em luto para cumprir a missão pela qual foi designado. Confira o trailer:

Max Borenstein (Kong: A Ilha da Caveira) teve a difícil tarefa de construir uma linha narrativa interessante e convincente em cima de uma história real que, digamos, não tem uma dinâmica tão claras muito menos empolgante. A relação entre advogado e cliente, no cinema, funciona perfeitamente quando o conflito extrapola a lógica e a busca pela verdade a qualquer preço passa a ser o principal objetivo para alcançar o cálice sagrado da jornada do herói - por isso o fascínio por tantos filmes de tribunal que se tornaram inesquecíveis. Acontece que aqui, o roteiro não consegue seguir essa regra, pois o elemento marcante da história está na busca pelo respeito, pela dor e pelo luto de uma tragédia - e o protagonista não quer isso em nenhum momento.

Veja, o que nos toca em "Quanto vale?" são as histórias que ouvimos dos familiares das vítimas e não o processo de transformação de um personagem prático (como todo advogado) em um ser emocional capaz de se adaptar as circunstâncias para encontrar um solução mais humana e assim ter sucesso na sua missão. Embora Michael Keaton esteja sensacional (mais uma vez), em nenhum momento torcemos por Kenneth Feinberg ou por sua redenção - isso não nos move; por outro lado entender o que sentem as pessoas que tiveram que se relacionar com a perda ou precisam lidar com as marcas do 11 de setembro, isso sim nos toca, mas acaba sendo pouco explorado.

Baseado no livro escrito pelo próprio Feinberg, o protagonista de Keaton passa por uma difícil jornada e sem dúvida transformadora, mas no filme soa atropelada, desequilibrada. Quando Sara Colangelo traz para narrativa a força dos depoimentos doas vítimas, entendemos como a dor verdadeira é muito mais valiosa que os bastidores burocráticos que parece ser o assunto central - o objetivo de proteger a economia americana em um momento de crise para não deixar que companhias aéreas caíssem em longos e custosos processos judiciais. No filme, como "o" filme, quando se trata de uma tragédia como a de 11 de setembro, o burocrático por si só é frágil - o olhar humano vale muito mais do que os diálogos rebuscados que nos afastam da humanidade.

Dito isso, "Quanto vale?" mostra um ponto de vista diferente, curioso e doloroso; é muito bom, mas que não será inesquecível. Vale a pena pela história, pela verdade dos relatos e não pelo luta do protagonista. O play passa a ser essencial por ser mais uma peça importante desse enorme quebra-cabeça, cheio de variáveis que ainda estamos aprendendo a digerir com o passar dor anos. 

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Quanto vale uma vida que se foi? Talvez essa seja a pergunta mais difícil de responder independente do motivo pelo qual ela está sendo feita. Em "Worth" (título original) temos a exata noção do quão dolorido é lidar com algum tipo de acordo ou compensação pela vida de alguém que amamos. Ao explorar um lado muito interessante, sensível e difícil do pós 11 de setembro, a jovem e talentosa diretora Sara Colangelo entrega um filme muito mais profundo que seu roteiro e talvez por isso não agrade a todos, mas que sem dúvida merece muito ser visto - mais ou menos como aconteceu com "Oslo".

Após os ataques de 2001 ao World Trade Center e ao Pentágono, o Congresso Americano nomeou o advogado e renomado mediador Kenneth Feinberg (Michael Keaton) para liderar o Fundo de Compensação às Vítimas do 11 de setembro. Encarregados de destinar recursos financeiros para as vítimas da tragédia, Feinberg e sua sócia Camille Biros (Amy Ryan), enfrentam a impossível tarefa de determinar o valor de uma vida, que servirá de auxílio para as famílias que sofreram perdas no atentado. Quando Feinberg conhece Charles Wolf (Stanley Tucci), um organizador comunitário que perdeu sua esposa naquele fatídico dia, ele entende que as coisas não são tão simples e práticas como uma fórmula matemática, e agora precisa encontrar uma maneira de conseguir se aproximar destas famílias que permanecem em luto para cumprir a missão pela qual foi designado. Confira o trailer:

Max Borenstein (Kong: A Ilha da Caveira) teve a difícil tarefa de construir uma linha narrativa interessante e convincente em cima de uma história real que, digamos, não tem uma dinâmica tão claras muito menos empolgante. A relação entre advogado e cliente, no cinema, funciona perfeitamente quando o conflito extrapola a lógica e a busca pela verdade a qualquer preço passa a ser o principal objetivo para alcançar o cálice sagrado da jornada do herói - por isso o fascínio por tantos filmes de tribunal que se tornaram inesquecíveis. Acontece que aqui, o roteiro não consegue seguir essa regra, pois o elemento marcante da história está na busca pelo respeito, pela dor e pelo luto de uma tragédia - e o protagonista não quer isso em nenhum momento.

Veja, o que nos toca em "Quanto vale?" são as histórias que ouvimos dos familiares das vítimas e não o processo de transformação de um personagem prático (como todo advogado) em um ser emocional capaz de se adaptar as circunstâncias para encontrar um solução mais humana e assim ter sucesso na sua missão. Embora Michael Keaton esteja sensacional (mais uma vez), em nenhum momento torcemos por Kenneth Feinberg ou por sua redenção - isso não nos move; por outro lado entender o que sentem as pessoas que tiveram que se relacionar com a perda ou precisam lidar com as marcas do 11 de setembro, isso sim nos toca, mas acaba sendo pouco explorado.

Baseado no livro escrito pelo próprio Feinberg, o protagonista de Keaton passa por uma difícil jornada e sem dúvida transformadora, mas no filme soa atropelada, desequilibrada. Quando Sara Colangelo traz para narrativa a força dos depoimentos doas vítimas, entendemos como a dor verdadeira é muito mais valiosa que os bastidores burocráticos que parece ser o assunto central - o objetivo de proteger a economia americana em um momento de crise para não deixar que companhias aéreas caíssem em longos e custosos processos judiciais. No filme, como "o" filme, quando se trata de uma tragédia como a de 11 de setembro, o burocrático por si só é frágil - o olhar humano vale muito mais do que os diálogos rebuscados que nos afastam da humanidade.

Dito isso, "Quanto vale?" mostra um ponto de vista diferente, curioso e doloroso; é muito bom, mas que não será inesquecível. Vale a pena pela história, pela verdade dos relatos e não pelo luta do protagonista. O play passa a ser essencial por ser mais uma peça importante desse enorme quebra-cabeça, cheio de variáveis que ainda estamos aprendendo a digerir com o passar dor anos. 

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Quarto 2806

De cara, “Quarto 2806: A Acusação” chama muito a atenção pela qualidade visual do documentário, e que só se fortalece pelos conceitos narrativos muito mais próximos da ficção do que normalmente estamos acostumados a encontrar em uma série como essa. Por outro lado, a história em si é muito indigesta, mas o diretor Jalil Lespert foi muito inteligente ao equilibrar "fatos" com "suposições" a todo momento, o que, naturalmente, nos provoca algumas emoções bem particulares - nem todas tão agradáveis. Veja, é como se estivéssemos assistindo um episódio de "House of Cards", mas da vida real e com consequências muito mais sérias!

A história acompanha as investigações a partir das acusações de assédio sexual de uma camareira (Nafissatou Diallo) de um hotel de luxo em Nova York, contra o ex-diretor do FMI e na época postulante a presidente da França, o político Dominique Strauss-Kahn. Confira o trailer:

Além de nos conduzir por uma narrativa de fácil entendimento, “Quarto 2806: A Acusação” nos mostra tanto a ascensão profissional de Strauss-Kahn, quanto uma verdadeira compulsão sexual que resultou na sua queda. Se a construção de sua carreira se mostrava sólida, suas atitudes pessoais, das mais íntimas às mais descaradas, iam minando seu enorme carisma perante o povo francês e se tornando um prato cheio para seus inimigos - entre eles, seu adversário político, Nicolas Sarkozy. O paralelo entre a maneira como a mídia internacional, particularmente a francesa, e as investigações nos EUA discutem sobre as questõesrelacionadas a DSK (como era conhecido) é apenas um reflexo de como o diretor vai nos colocando na posição de julgamento em todo momento, sem nem mesmo nos apresentar todas as peças do quebra-cabeça e isso é genial!

A acusação de Diallo inicialmente parece forte, consistente, mas depois se mostra insuficiente para batermos o martelo sobre a culpa de DSK, não pela falta de coerência do seu depoimento, mas pela dúvida que o caso vai levantando a cada nova descoberta, o que inclui algumas atitudes da própria vítima - e aqui não estamos nos colocando na posição de senhores da verdade, apenas levantando as versões que o próprio documentário nos apresenta e que a narrativa nos provoca com tanta maestria, como se fizéssemos parte do júri. Reparem como essa isenção de um pré julgamento só vai criando incertezas (mesmo que moralmente pendendo para um dos lados sempre) - a maneira como Anne Sinclair, mulher de Strauss-Kahn e herdeira de uma das maiores fortunas da França, lida com a situação é um grande exemplo dessa dualidade do documentário.

O fato é que “Quarto 2806: A Acusação” não mostra muitas respostas, mas apresenta opiniões e como uma boa conversa entre amigos, vai provocar a discussão e interpretações diferentes! Eu diria que a série de 4 episódios, vale muito a pena pela história, mas talvez tenha ainda mais valor pela forma como ela contada e por tudo que ela nos provoca! 

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De cara, “Quarto 2806: A Acusação” chama muito a atenção pela qualidade visual do documentário, e que só se fortalece pelos conceitos narrativos muito mais próximos da ficção do que normalmente estamos acostumados a encontrar em uma série como essa. Por outro lado, a história em si é muito indigesta, mas o diretor Jalil Lespert foi muito inteligente ao equilibrar "fatos" com "suposições" a todo momento, o que, naturalmente, nos provoca algumas emoções bem particulares - nem todas tão agradáveis. Veja, é como se estivéssemos assistindo um episódio de "House of Cards", mas da vida real e com consequências muito mais sérias!

A história acompanha as investigações a partir das acusações de assédio sexual de uma camareira (Nafissatou Diallo) de um hotel de luxo em Nova York, contra o ex-diretor do FMI e na época postulante a presidente da França, o político Dominique Strauss-Kahn. Confira o trailer:

Além de nos conduzir por uma narrativa de fácil entendimento, “Quarto 2806: A Acusação” nos mostra tanto a ascensão profissional de Strauss-Kahn, quanto uma verdadeira compulsão sexual que resultou na sua queda. Se a construção de sua carreira se mostrava sólida, suas atitudes pessoais, das mais íntimas às mais descaradas, iam minando seu enorme carisma perante o povo francês e se tornando um prato cheio para seus inimigos - entre eles, seu adversário político, Nicolas Sarkozy. O paralelo entre a maneira como a mídia internacional, particularmente a francesa, e as investigações nos EUA discutem sobre as questõesrelacionadas a DSK (como era conhecido) é apenas um reflexo de como o diretor vai nos colocando na posição de julgamento em todo momento, sem nem mesmo nos apresentar todas as peças do quebra-cabeça e isso é genial!

A acusação de Diallo inicialmente parece forte, consistente, mas depois se mostra insuficiente para batermos o martelo sobre a culpa de DSK, não pela falta de coerência do seu depoimento, mas pela dúvida que o caso vai levantando a cada nova descoberta, o que inclui algumas atitudes da própria vítima - e aqui não estamos nos colocando na posição de senhores da verdade, apenas levantando as versões que o próprio documentário nos apresenta e que a narrativa nos provoca com tanta maestria, como se fizéssemos parte do júri. Reparem como essa isenção de um pré julgamento só vai criando incertezas (mesmo que moralmente pendendo para um dos lados sempre) - a maneira como Anne Sinclair, mulher de Strauss-Kahn e herdeira de uma das maiores fortunas da França, lida com a situação é um grande exemplo dessa dualidade do documentário.

O fato é que “Quarto 2806: A Acusação” não mostra muitas respostas, mas apresenta opiniões e como uma boa conversa entre amigos, vai provocar a discussão e interpretações diferentes! Eu diria que a série de 4 episódios, vale muito a pena pela história, mas talvez tenha ainda mais valor pela forma como ela contada e por tudo que ela nos provoca! 

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Reacher

Reacher

"Reacher" é muito divertida - e para os mais velhos, uma referência narrativa certamente vai emergir da nossa lembrança: "Prison Break". Baseada no aclamado romance "Dinheiro Sujo" de Lee Child, essa produção da Amazon é uma jornada eletrizante através do mundo sombrio e implacável do famoso personagem Jack Reacher - que no cinema foi interpretado por Tom Cruise. Sob o olhar habilidoso de Nick Santora (produtor executivo de "Prison Break" e de "Fubar"), a série é um verdadeiro convite ao entretenimento leve com uma trama cheia de reviravoltas e ação (leia-se pancadaria), que foi capaz capturar a essência de um personagem icônico da literatura com muita maestria, mas sem a pretensão de entregar um estudo complexo da psique humana. Com uma narrativa de fato envolvente e performances cativantes do trio de atores Alan Ritchson, Malcolm Goodwin e Willa Fitzgerald, "Reacher" é a escolha certa para aquele final de semana maratonando algo interessante e divertido com um toque investigativo anos 80.

Após abandonar o Exército dos Estados Unidos, o veterano Jack Reacher (Ritchson) chega em uma pequena cidade chamada Margrave, onde várias mortes começam a ocorrer e ele acaba se tornando o principal suspeito. Depois de provar sua inocência (claro), o xerife local decide pedir sua ajuda para resolver a série de brutais homicídios. Mesmo contrariado, Reacher decide usar suas habilidades para desvendar quem está por trás dos crimes e suas motivações. Para isso, ele não medirá esforços e usará todos os recursos disponíveis, inclusive burlando algumas leis quando necessário. Confira o trailer:

Cheia de piadinhas duvidosas, mas inegavelmente charmosas, "Reacher" sabe exatamente da sua capacidade de equilibrar bons momentos de ação com um desenvolvimento narrativo, no mínimo, perspicaz. Tudo é muito fluído, fácil, e parte disso se dá pela superficialidade fantasiada de complexidade do protagonista - Jack Reacher é uma espécie de super herói, um detetive que transita entre a capacidade de Sherlock Holmes deduzir o impossível e da habilidade de Batman em unir ironia com alguns socos e ponta-pés para alcançar seus objetivos. Embora a série até procure evitar, ela é um apanhado delicioso de clichês do gênero de investigação que opta por explorar temas como corrupção, moralidade e redenção de maneira divertida e muito envolvente.

Veja, comparando "Reacher" com uma outra série de ação da Prime Vídeo que se apoia em um personagem que segue a mesma cartilha narrativa, talvez sem tantos músculos é preciso ressaltar, como Jack Ryan, é possível afirmar que aqui temos uma versão "lite" criada essencialmente para os dias chuvosos - e isso não é um problema, é um enorme trunfo que faz com que a série possa perdurar por inúmeras temporadas. Se levarmos em consideração que a primeira temporada foi baseada no primeiro livro da obra de Child enquanto a segunda encontrou inspiração em "Azar e Contratempo" que é o 11º livro do autor, dá para se ter uma ideia de onde Nick Santora pode nos levar.

Muito bem produzida e dirigida, mas sem muitas inovações narrativas (sejam elas conceituais ou visuais), "Reacher" é um baita de um acerto da Prime Vídeo pela perspectiva da construção de franquia de gênero que a própria Netflix penou para estabelecer até encontrar seu "Resgate". Dito isso, você está prestes a encontrar uma espécie de versão plus size daqueles filmes meio "brucutus" dos anos 80 que tando fizeram sucesso e que trouxeram Steven Seagal, Sylvester Stallone e Bruce Willis para os holofotes, mas claro que com uma certa sensibilidade e requinte das produções atuais. Funciona e muito!

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"Reacher" é muito divertida - e para os mais velhos, uma referência narrativa certamente vai emergir da nossa lembrança: "Prison Break". Baseada no aclamado romance "Dinheiro Sujo" de Lee Child, essa produção da Amazon é uma jornada eletrizante através do mundo sombrio e implacável do famoso personagem Jack Reacher - que no cinema foi interpretado por Tom Cruise. Sob o olhar habilidoso de Nick Santora (produtor executivo de "Prison Break" e de "Fubar"), a série é um verdadeiro convite ao entretenimento leve com uma trama cheia de reviravoltas e ação (leia-se pancadaria), que foi capaz capturar a essência de um personagem icônico da literatura com muita maestria, mas sem a pretensão de entregar um estudo complexo da psique humana. Com uma narrativa de fato envolvente e performances cativantes do trio de atores Alan Ritchson, Malcolm Goodwin e Willa Fitzgerald, "Reacher" é a escolha certa para aquele final de semana maratonando algo interessante e divertido com um toque investigativo anos 80.

Após abandonar o Exército dos Estados Unidos, o veterano Jack Reacher (Ritchson) chega em uma pequena cidade chamada Margrave, onde várias mortes começam a ocorrer e ele acaba se tornando o principal suspeito. Depois de provar sua inocência (claro), o xerife local decide pedir sua ajuda para resolver a série de brutais homicídios. Mesmo contrariado, Reacher decide usar suas habilidades para desvendar quem está por trás dos crimes e suas motivações. Para isso, ele não medirá esforços e usará todos os recursos disponíveis, inclusive burlando algumas leis quando necessário. Confira o trailer:

Cheia de piadinhas duvidosas, mas inegavelmente charmosas, "Reacher" sabe exatamente da sua capacidade de equilibrar bons momentos de ação com um desenvolvimento narrativo, no mínimo, perspicaz. Tudo é muito fluído, fácil, e parte disso se dá pela superficialidade fantasiada de complexidade do protagonista - Jack Reacher é uma espécie de super herói, um detetive que transita entre a capacidade de Sherlock Holmes deduzir o impossível e da habilidade de Batman em unir ironia com alguns socos e ponta-pés para alcançar seus objetivos. Embora a série até procure evitar, ela é um apanhado delicioso de clichês do gênero de investigação que opta por explorar temas como corrupção, moralidade e redenção de maneira divertida e muito envolvente.

Veja, comparando "Reacher" com uma outra série de ação da Prime Vídeo que se apoia em um personagem que segue a mesma cartilha narrativa, talvez sem tantos músculos é preciso ressaltar, como Jack Ryan, é possível afirmar que aqui temos uma versão "lite" criada essencialmente para os dias chuvosos - e isso não é um problema, é um enorme trunfo que faz com que a série possa perdurar por inúmeras temporadas. Se levarmos em consideração que a primeira temporada foi baseada no primeiro livro da obra de Child enquanto a segunda encontrou inspiração em "Azar e Contratempo" que é o 11º livro do autor, dá para se ter uma ideia de onde Nick Santora pode nos levar.

Muito bem produzida e dirigida, mas sem muitas inovações narrativas (sejam elas conceituais ou visuais), "Reacher" é um baita de um acerto da Prime Vídeo pela perspectiva da construção de franquia de gênero que a própria Netflix penou para estabelecer até encontrar seu "Resgate". Dito isso, você está prestes a encontrar uma espécie de versão plus size daqueles filmes meio "brucutus" dos anos 80 que tando fizeram sucesso e que trouxeram Steven Seagal, Sylvester Stallone e Bruce Willis para os holofotes, mas claro que com uma certa sensibilidade e requinte das produções atuais. Funciona e muito!

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Reality

O cinema tem uma longa tradição de explorar histórias baseadas em eventos reais, mas poucos filmes conseguem capturar a tensão de uma situação verídica com a precisão e o minimalismo de "Reality"- no entanto, ele vai dividir opiniões, muito mais por sua forma do que pelo seu conteúdo. Eu diria que se você não gostou do conceito narrativo de "A Assistente", possivelmente você também não terá um boa experiência com "Reality", mas saiba que o inverso é proporcionalmente verdadeiro! Dirigido pela Tina Satter e estrelado pela queridinha Sydney Sweeney, o filme adapta para as telas a transcrição exata do interrogatório do FBI com Reality Winner, ex-funcionária da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) que supostamente vazou um documento confidencial sobre a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016. Com uma abordagem, não por acaso, quase teatral e uma direção meticulosa, "Reality" se destaca como um thriller psicólogo e político atípico, que transforma diálogos burocráticos em uma experiência claustrofóbica e muito angustiante.

O filme inteiro se desenrola em 3 de junho de 2017, quando Reality Winner (Sweeney) retorna para casa e é imediatamente confrontada por agentes do FBI. Em tempo real, acompanhamos seu interrogatório, conduzido por dois agentes interpretados por Josh Hamilton e Marchánt Davis, enquanto a tensão cresce a cada resposta aparentemente inocente. O roteiro é construído inteiramente com base na transcrição do interrogatório oficial, o que confere ao filme um senso de autenticidade raro, sem concessões dramatúrgicas convencionais. A escolha de manter cada hesitação, pausa e repetição de palavras enfatiza a frieza do processo e a vulnerabilidade da protagonista. Confira o trailer (em inglês):

Tina Satter, que já havia explorado essa história no teatro com "Is This a Room", transporta sua visão para o cinema com uma direção extremamente austera e econômica. Sua câmera permanece próxima dos personagens, capturando os mínimos gestos e expressões, enquanto a montagem sutil reforça a crescente opressão psicológica que a protagonista precisa lidar. A decisão de manter a ação restrita ao ambiente fechado da casa de Reality contribui para todo esse caráter claustrofóbico e angustiante da narrativa, criando um senso de sufocamento que se intensifica conforme o interrogatório avança - é impossível você não se colocar no lugar dela e assim sentir seus medos e receios. Além disso, o uso ocasional de silêncios e sobreposições sonoras (como as falas censuradas da transcrição original) sublinha a natureza fria e meticulosa dessa operação do FBI.

Sydney Sweeney entrega, possivelmente, a melhor performance de sua carreira, afastando-se completamente de seus papéis anteriores em "Euphoria" e "The White Lotus". Aqui, ela encarna uma Reality com um realismo impressionante, equilibrando nervosismo, confusão e resignação diante de uma situação que rapidamente foge do seu controle (mesmo ela tentando manter a calma). Seu trabalho corporal e a maneira como ela reage aos agentes do FBI sem recorrer a exageros dramáticos demonstram uma maturidade impressionante como atriz - não por acaso ela foi indicada ao . Já Josh Hamilton e Marchánt Davis, como os agentes interrogadores, também brilham ao trazer uma performance contida, no tom exato, que enfatiza a banalidade do mal. Veja, aqui não há vilões caricatos, apenas burocratas fazendo seu trabalho de forma fria e impessoal.

A grande verdade é que o que torna "Reality" tão impactante é a sua capacidade de transformar um simples diálogo em um thriller psicológico denso e inquietante. A ausência de trilha sonora, a iluminação naturalista e a montagem linear fazem com que a audiência sinta o peso da manipulação exercida durante o interrogatório - temos impressão que nada acontece, mas na realidade aquilo é nos leva para um caos íntimo e sem fim. Para mim,"Reality" é um estudo muito poderoso e atual sobre poder, vigilância, privacidade e, claro, sobre as consequências de desafiar um sistema que costuma ser implacável.

Vale muito o seu play!

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O cinema tem uma longa tradição de explorar histórias baseadas em eventos reais, mas poucos filmes conseguem capturar a tensão de uma situação verídica com a precisão e o minimalismo de "Reality"- no entanto, ele vai dividir opiniões, muito mais por sua forma do que pelo seu conteúdo. Eu diria que se você não gostou do conceito narrativo de "A Assistente", possivelmente você também não terá um boa experiência com "Reality", mas saiba que o inverso é proporcionalmente verdadeiro! Dirigido pela Tina Satter e estrelado pela queridinha Sydney Sweeney, o filme adapta para as telas a transcrição exata do interrogatório do FBI com Reality Winner, ex-funcionária da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) que supostamente vazou um documento confidencial sobre a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016. Com uma abordagem, não por acaso, quase teatral e uma direção meticulosa, "Reality" se destaca como um thriller psicólogo e político atípico, que transforma diálogos burocráticos em uma experiência claustrofóbica e muito angustiante.

O filme inteiro se desenrola em 3 de junho de 2017, quando Reality Winner (Sweeney) retorna para casa e é imediatamente confrontada por agentes do FBI. Em tempo real, acompanhamos seu interrogatório, conduzido por dois agentes interpretados por Josh Hamilton e Marchánt Davis, enquanto a tensão cresce a cada resposta aparentemente inocente. O roteiro é construído inteiramente com base na transcrição do interrogatório oficial, o que confere ao filme um senso de autenticidade raro, sem concessões dramatúrgicas convencionais. A escolha de manter cada hesitação, pausa e repetição de palavras enfatiza a frieza do processo e a vulnerabilidade da protagonista. Confira o trailer (em inglês):

Tina Satter, que já havia explorado essa história no teatro com "Is This a Room", transporta sua visão para o cinema com uma direção extremamente austera e econômica. Sua câmera permanece próxima dos personagens, capturando os mínimos gestos e expressões, enquanto a montagem sutil reforça a crescente opressão psicológica que a protagonista precisa lidar. A decisão de manter a ação restrita ao ambiente fechado da casa de Reality contribui para todo esse caráter claustrofóbico e angustiante da narrativa, criando um senso de sufocamento que se intensifica conforme o interrogatório avança - é impossível você não se colocar no lugar dela e assim sentir seus medos e receios. Além disso, o uso ocasional de silêncios e sobreposições sonoras (como as falas censuradas da transcrição original) sublinha a natureza fria e meticulosa dessa operação do FBI.

Sydney Sweeney entrega, possivelmente, a melhor performance de sua carreira, afastando-se completamente de seus papéis anteriores em "Euphoria" e "The White Lotus". Aqui, ela encarna uma Reality com um realismo impressionante, equilibrando nervosismo, confusão e resignação diante de uma situação que rapidamente foge do seu controle (mesmo ela tentando manter a calma). Seu trabalho corporal e a maneira como ela reage aos agentes do FBI sem recorrer a exageros dramáticos demonstram uma maturidade impressionante como atriz - não por acaso ela foi indicada ao . Já Josh Hamilton e Marchánt Davis, como os agentes interrogadores, também brilham ao trazer uma performance contida, no tom exato, que enfatiza a banalidade do mal. Veja, aqui não há vilões caricatos, apenas burocratas fazendo seu trabalho de forma fria e impessoal.

A grande verdade é que o que torna "Reality" tão impactante é a sua capacidade de transformar um simples diálogo em um thriller psicológico denso e inquietante. A ausência de trilha sonora, a iluminação naturalista e a montagem linear fazem com que a audiência sinta o peso da manipulação exercida durante o interrogatório - temos impressão que nada acontece, mas na realidade aquilo é nos leva para um caos íntimo e sem fim. Para mim,"Reality" é um estudo muito poderoso e atual sobre poder, vigilância, privacidade e, claro, sobre as consequências de desafiar um sistema que costuma ser implacável.

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Roma

"Roma" é sensacional!!!! Talvez o melhor trabalho da carreira do Alfonso Cuarón!!! Dito isso, você precisa saber que se trata de um filme longo, P&B (preto e branco), bem lento e que fala de relações humanas!!! Mas você precisa saber também que esse filme já ganhou 83 prêmios em Festivais pelo mundo - e isso não é nada fácil - inclusive o Leão de Ouro em Veneza!!!

Certamente a pergunta que fica é: como um filme p&b, lento, longo e sem uma história tão marcante ganha tantos prêmios? Simples - "Roma" é uma aula de Cinema. Todos, eu disse todos, os planos são muito bem pensados, coreografadas e cirurgicamente bem realizados com enquadramentos que parecem muito mais uma pintura. Movimentos de câmera inovadores (como ele mesmo fez em Gravidade)? Que nada, cinema raiz (rs) - um ou outro travelling nas externas (muito bem feitos, com uma composição de centenas de figurantes e uma direção de arte que poucas vezes vi de tão orgânica), além de muitas, muitas, panorâmicas!!! Panorâmicas bem feitas, que criam a sensação de amplitude, de um vazio dos personagens dentro daquela casa repleta de histórias que ninguém teria coragem de contar porque são simples histórias do dia a dia, de todos nós, de uma ou outra família, mas que o Cuarón transformou em uma obra prima."Roma" é o retrato de um ano tumultuado na vida de uma família de classe média da Cidade do México no início dos anos 70, como vemos no trailer a seguir:

Os sentimentos estavam lá, no silêncio, no diálogo baixinho, quase inseguro; ou no desenho de som perturbador que transformava o vazio daquele ambiente (como a cena do carro raspando na garagem ou nas crianças brigando na sala). Meu amigo, isso é cinema com alma, maravilhosamente bem captado em aspecto "2.35" (mais largado), com grande angulares, e muito mais espaço para compor aqueles planos... lindo de ver!!! É um filme simples, com uma das cenas mais impactantes que eu já assisti (do parto da protagonista), onde o Cuarón não faz nenhum movimento com a câmera, não inventa, só deixa esse maravilhoso instrumento contar aquela dolorida história - sem cortes!!!! Ou a cena na loja de móveis, com um show de atuação da Yaritza Aparicio e do Jorge Antonio Guerrero - sem nenhuma palavra, só no olhar!!!

Cuarón é um cineasta incrível, versátil, mas é humano, gente como a gente - tive a honra de assistir a palestra que ele fez em 2017 durante o Festival de Cannes e posso afirmar com todas as letras: um ser humano talentoso que aceita suas fraquezas, mas que trabalha muito para transforma-las em sua maior virtude!!! Ele escreveu, dirigiu e fotografou (sim, Alfonso Cuarón dá uma aula de fotografia no primeiro longa que ele fotografa e se ele não for, no mínimo, indicado ao Oscar, será uma das maiores injustiças dos últimos tempos). "Roma" não vai agradar a todos, não está bombando nas redes sociais como "Bohemian Rhapsody" ou "Infiltrado na Klan" (que são ótimos diga-se de passagem), mas posso te garantir que esse filme vai te fazer pensar e trazer sentimentos e sensações como nenhum outro, em muito tempo. Eu diria que é outro patamar de cinematografia!!!

Obrigado Netflix pelo presente de Natal. Obrigado Alfonso Cuarón por nos permitir conhecer sua história. É só dar o play e separar a estatueta!!!!

Up-date: "Roma" ganhou em três categorias no Oscar 2019: Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Fotografia e Melhor Diretor!

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"Roma" é sensacional!!!! Talvez o melhor trabalho da carreira do Alfonso Cuarón!!! Dito isso, você precisa saber que se trata de um filme longo, P&B (preto e branco), bem lento e que fala de relações humanas!!! Mas você precisa saber também que esse filme já ganhou 83 prêmios em Festivais pelo mundo - e isso não é nada fácil - inclusive o Leão de Ouro em Veneza!!!

Certamente a pergunta que fica é: como um filme p&b, lento, longo e sem uma história tão marcante ganha tantos prêmios? Simples - "Roma" é uma aula de Cinema. Todos, eu disse todos, os planos são muito bem pensados, coreografadas e cirurgicamente bem realizados com enquadramentos que parecem muito mais uma pintura. Movimentos de câmera inovadores (como ele mesmo fez em Gravidade)? Que nada, cinema raiz (rs) - um ou outro travelling nas externas (muito bem feitos, com uma composição de centenas de figurantes e uma direção de arte que poucas vezes vi de tão orgânica), além de muitas, muitas, panorâmicas!!! Panorâmicas bem feitas, que criam a sensação de amplitude, de um vazio dos personagens dentro daquela casa repleta de histórias que ninguém teria coragem de contar porque são simples histórias do dia a dia, de todos nós, de uma ou outra família, mas que o Cuarón transformou em uma obra prima."Roma" é o retrato de um ano tumultuado na vida de uma família de classe média da Cidade do México no início dos anos 70, como vemos no trailer a seguir:

Os sentimentos estavam lá, no silêncio, no diálogo baixinho, quase inseguro; ou no desenho de som perturbador que transformava o vazio daquele ambiente (como a cena do carro raspando na garagem ou nas crianças brigando na sala). Meu amigo, isso é cinema com alma, maravilhosamente bem captado em aspecto "2.35" (mais largado), com grande angulares, e muito mais espaço para compor aqueles planos... lindo de ver!!! É um filme simples, com uma das cenas mais impactantes que eu já assisti (do parto da protagonista), onde o Cuarón não faz nenhum movimento com a câmera, não inventa, só deixa esse maravilhoso instrumento contar aquela dolorida história - sem cortes!!!! Ou a cena na loja de móveis, com um show de atuação da Yaritza Aparicio e do Jorge Antonio Guerrero - sem nenhuma palavra, só no olhar!!!

Cuarón é um cineasta incrível, versátil, mas é humano, gente como a gente - tive a honra de assistir a palestra que ele fez em 2017 durante o Festival de Cannes e posso afirmar com todas as letras: um ser humano talentoso que aceita suas fraquezas, mas que trabalha muito para transforma-las em sua maior virtude!!! Ele escreveu, dirigiu e fotografou (sim, Alfonso Cuarón dá uma aula de fotografia no primeiro longa que ele fotografa e se ele não for, no mínimo, indicado ao Oscar, será uma das maiores injustiças dos últimos tempos). "Roma" não vai agradar a todos, não está bombando nas redes sociais como "Bohemian Rhapsody" ou "Infiltrado na Klan" (que são ótimos diga-se de passagem), mas posso te garantir que esse filme vai te fazer pensar e trazer sentimentos e sensações como nenhum outro, em muito tempo. Eu diria que é outro patamar de cinematografia!!!

Obrigado Netflix pelo presente de Natal. Obrigado Alfonso Cuarón por nos permitir conhecer sua história. É só dar o play e separar a estatueta!!!!

Up-date: "Roma" ganhou em três categorias no Oscar 2019: Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Fotografia e Melhor Diretor!

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Roman J. Israel, Esq.

Um advogado com princípios muito enraizados que, por uma circunstância de vida, faz uma escolha errada. Não é uma história tão original, mas te prende do começo ao fim!

Roman J. Israel (Denzel Washington) é um inteligente advogado que trabalha há muito tempo em uma firma de advocacia que ajudava pessoas de baixa renda. Roman era uma espécie de coadjuvante, não ia aos tribunais, conhecia todos os casos e ajudava na sua resolução, mas sempre atuando nos bastidores. Quando, inesperadamente, seu sócio morre, o protagonista acaba se envolvendo na situação da empresa e acaba tendo que começar a aparecer mais, porém com a projeção vem a responsabilidade e é aí que Roman J. Israel começa a se perder entre seu idealismo e a necessidade de se transformar em algo maior!

"Roman J. Israel" já se define pelo título - É um filme de personagem e embora eu ache o Denzel Washington um péssimo "perdedor" (vide a cara feia no Oscar 2017), ele está impecável no papel. Foi realmente merecida sua indicação como "Melhor Ator" em 2018. Já o filme, olha, é bom, mas tem um "problema" de roteiro que pode incomodar os mais exigentes - o primeiro ato é muito longo, com isso o clímax e o desfecho são pouco desenvolvidos. Quando a história pega, faltam só 40 minutos para acabar o filme e dá a impressão que tudo acaba sendo resolvido com muita pressa. Tinha um potencial de exploração muito maior (e aí não sei se foi o Estúdio que mandou cortar) porque a trama é bem amarradinha no segundo ato, criando uma sensação de angústia muito grande em quem assiste, mas, infelizmente, acaba rápido demais! O ritmo muda tão drasticamente que no final surge aquele: "Já?"!!!

O diretor é o Dan Gilroy, o mesmo do excelente "Nightcrawler" (O Abutre). Ele constrói muito bem essa atmosfera de tensão (inclusive porque é ele que escreve os roteiros que filma), mas em "Roman J. Israel, Esq.", embora competente demais na direção, seguro e sem querer aparecer muito, achei que acabou derrapando no roteiro pelo elementos que citei acima!

Resumindo: é um filme bom; com uma história realmente boa, mas tinha potencial pra ser um filme muito melhor! Vale o play, será um ótimo entretenimento, mas não é um filme inesquecível!

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Um advogado com princípios muito enraizados que, por uma circunstância de vida, faz uma escolha errada. Não é uma história tão original, mas te prende do começo ao fim!

Roman J. Israel (Denzel Washington) é um inteligente advogado que trabalha há muito tempo em uma firma de advocacia que ajudava pessoas de baixa renda. Roman era uma espécie de coadjuvante, não ia aos tribunais, conhecia todos os casos e ajudava na sua resolução, mas sempre atuando nos bastidores. Quando, inesperadamente, seu sócio morre, o protagonista acaba se envolvendo na situação da empresa e acaba tendo que começar a aparecer mais, porém com a projeção vem a responsabilidade e é aí que Roman J. Israel começa a se perder entre seu idealismo e a necessidade de se transformar em algo maior!

"Roman J. Israel" já se define pelo título - É um filme de personagem e embora eu ache o Denzel Washington um péssimo "perdedor" (vide a cara feia no Oscar 2017), ele está impecável no papel. Foi realmente merecida sua indicação como "Melhor Ator" em 2018. Já o filme, olha, é bom, mas tem um "problema" de roteiro que pode incomodar os mais exigentes - o primeiro ato é muito longo, com isso o clímax e o desfecho são pouco desenvolvidos. Quando a história pega, faltam só 40 minutos para acabar o filme e dá a impressão que tudo acaba sendo resolvido com muita pressa. Tinha um potencial de exploração muito maior (e aí não sei se foi o Estúdio que mandou cortar) porque a trama é bem amarradinha no segundo ato, criando uma sensação de angústia muito grande em quem assiste, mas, infelizmente, acaba rápido demais! O ritmo muda tão drasticamente que no final surge aquele: "Já?"!!!

O diretor é o Dan Gilroy, o mesmo do excelente "Nightcrawler" (O Abutre). Ele constrói muito bem essa atmosfera de tensão (inclusive porque é ele que escreve os roteiros que filma), mas em "Roman J. Israel, Esq.", embora competente demais na direção, seguro e sem querer aparecer muito, achei que acabou derrapando no roteiro pelo elementos que citei acima!

Resumindo: é um filme bom; com uma história realmente boa, mas tinha potencial pra ser um filme muito melhor! Vale o play, será um ótimo entretenimento, mas não é um filme inesquecível!

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Seberg

"Seberg", que no Brasil ganhou o subtítulo de "Contra Todos", passou quase despercebido pelos cinemas em 2020 e, sinceramente, merecia mais atenção. Primeiro pela força de uma história real, de fato, surpreendente e segundo pelo excelente trabalho de Kristen Stewart como protagonista.

Para quem não conhece, Seberg foi uma verdadeira estrela de um movimento cinematográfico francês chamado Nouvelle Vague,trabalhando com nomes consagrados como Jean-Luc Godard e François Truffaut. Embora tenha evitado Hollywood ao máximo, Seberg acabou escalada para viverJoana D’Arc de Otto Preminger, porém um acidente durante as filmagens quase matou a atriz queimada. Embora o filme pontue esse fato, é o inicio do romance com Hakim Jamal (Anthony Mackie), integrante dos Panteras Negras, e sua relação com o movimento dos direitos civis, que transformaram uma investigação feita pelo FBI no maior pesadelo da sua vida. Confira o trailer:

O fato do roteiro focar em um breve recorte da vida de Jean Seberg ajuda no desenvolvimento do drama pela qual a atriz passou, mas nos distancia do entendimento sobre o tamanho e a importância que ela tinha como figura pública. Dito isso, demoramos um pouco mais para mergulhar nas aflições da personagem - fato que não aconteceu em "Judy", por exemplo. Porém, assim que nos familiarizamos com o contexto politico e social da época e nos reconhecemos na forma como a atriz reage aos absurdos raciais, claro, tudo passa a fluir melhor. Kristen Stewart tem muito mérito nisso, já que seu trabalho explora todas as camadas de uma estrela, cheia de problemas pessoais, mas incrivelmente a frente do seu tempo. Vince Vaughn como o veterano radical e sem escrúpulos que trabalha no FBI, Carl Kowalski, também merece elogios. Reparem!

O interessante de "Seberg contra Todos", além de apresentar uma personagem forte e uma história que merecia ser contada, é a forma cruel como os fatos vão sendo construídos e como, pouco a pouco, isso vai interferindo na vida (e na sanidade) da protagonista. Saiba que o filme tem um caminho, uma direção clara, que impede maiores distrações, com isso tudo fica engessado e não dá tempo de provocar muitas reflexões como em "Infiltrado na Klan" ou em "Os Sete de Chicago"- para citar produções com eventos de uma mesma época e que trazem muitas referências. Independente disso, a recomendação é das mais tranquilas: trata-se de um ótimo filme, que acabou sendo deixado de lado injustamente e que merece muito o seu play!

Antes de terminar, mais uma observação: Rachel Morrison, jovem indicada ao Oscar na categoria "Melhor Fotografia" por "Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi" de 2017, e que também trabalhou em "Pantera Negra" (2018), mais uma vez dá um show - o trabalho dela em "Seberg" é digno de prêmios!

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"Seberg", que no Brasil ganhou o subtítulo de "Contra Todos", passou quase despercebido pelos cinemas em 2020 e, sinceramente, merecia mais atenção. Primeiro pela força de uma história real, de fato, surpreendente e segundo pelo excelente trabalho de Kristen Stewart como protagonista.

Para quem não conhece, Seberg foi uma verdadeira estrela de um movimento cinematográfico francês chamado Nouvelle Vague,trabalhando com nomes consagrados como Jean-Luc Godard e François Truffaut. Embora tenha evitado Hollywood ao máximo, Seberg acabou escalada para viverJoana D’Arc de Otto Preminger, porém um acidente durante as filmagens quase matou a atriz queimada. Embora o filme pontue esse fato, é o inicio do romance com Hakim Jamal (Anthony Mackie), integrante dos Panteras Negras, e sua relação com o movimento dos direitos civis, que transformaram uma investigação feita pelo FBI no maior pesadelo da sua vida. Confira o trailer:

O fato do roteiro focar em um breve recorte da vida de Jean Seberg ajuda no desenvolvimento do drama pela qual a atriz passou, mas nos distancia do entendimento sobre o tamanho e a importância que ela tinha como figura pública. Dito isso, demoramos um pouco mais para mergulhar nas aflições da personagem - fato que não aconteceu em "Judy", por exemplo. Porém, assim que nos familiarizamos com o contexto politico e social da época e nos reconhecemos na forma como a atriz reage aos absurdos raciais, claro, tudo passa a fluir melhor. Kristen Stewart tem muito mérito nisso, já que seu trabalho explora todas as camadas de uma estrela, cheia de problemas pessoais, mas incrivelmente a frente do seu tempo. Vince Vaughn como o veterano radical e sem escrúpulos que trabalha no FBI, Carl Kowalski, também merece elogios. Reparem!

O interessante de "Seberg contra Todos", além de apresentar uma personagem forte e uma história que merecia ser contada, é a forma cruel como os fatos vão sendo construídos e como, pouco a pouco, isso vai interferindo na vida (e na sanidade) da protagonista. Saiba que o filme tem um caminho, uma direção clara, que impede maiores distrações, com isso tudo fica engessado e não dá tempo de provocar muitas reflexões como em "Infiltrado na Klan" ou em "Os Sete de Chicago"- para citar produções com eventos de uma mesma época e que trazem muitas referências. Independente disso, a recomendação é das mais tranquilas: trata-se de um ótimo filme, que acabou sendo deixado de lado injustamente e que merece muito o seu play!

Antes de terminar, mais uma observação: Rachel Morrison, jovem indicada ao Oscar na categoria "Melhor Fotografia" por "Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi" de 2017, e que também trabalhou em "Pantera Negra" (2018), mais uma vez dá um show - o trabalho dela em "Seberg" é digno de prêmios!

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Segredos Oficiais

"Segredos Oficiais" é um daqueles dramas políticos de revirar o estômago, ainda mais por se tratar de um história real e muito recente. Seguindo a história por trás do excelente "Vice", que mostra o lado americano, ou melhor: os bastidores da decisão que levaram o EUA atacar o Iraque pós 11 de setembro; esse filme do diretor sul-africano Gavin Hood (de X-Men Origens: Wolverine), acompanha a história de Katherine Gun (Keira Knightley), uma agente britânica da GCHQ (ou Government Communications Headquarters) que atuava, basicamente, coletando informações como tradutora de mandarim. Porém, em 2003, ela e seus colegas receberam ordens através de um e-mail para que buscassem informações sobre membros do Conselho de Segurança da ONU que pudessem ser utilizados para chantagear seis países a votarem a favor da Guerra do Iraque. Reconhecendo a ilegalidade daquela ordem e a maneira manipuladora como Tony Blair informava os cidadãos britânicos sobre sua relação com Bush, Katherine resolveu divulgar esse e-mail através do “The Observer”, quebrando assim o "Ato de Segredos Oficiais" - o que resultou em um processo que colocou em risco sua vida, sua carreira e seu casamento! Confira o trailer:

Talvez sem o peso de tantas informações bastante complexas ou até de uma cadeia de intrigas tão bem estruturadas como em "O Relatório""Segredos Oficiais" entrega um filme interessante, dinâmico e muito bem realizado - uma excelente opção para quem gosta do gênero. Talvez o grande mérito do filme seja o de humanizar a protagonista, mostrando suas fraquezas e dúvidas, ao mesmo tempo em que age baseada em seus princípios e se enche de coragem para vazar o documento. Mesmo sem grandes inovações narrativas, temos um roteiro equilibrado e que não se preocupa com alegorias visuais e sim em traçar uma linha temporal coerente com os acontecimentos que marcaram a história e, principalmente, transformaram a vida de Katherine Gun durante pouco mais de um ano! Vale seu play, com a mais absoluta certeza!

Apesar de se tratar de um filme baseado em histórias reais e relativamente recente, "Segredos Oficiais" resiste ao impulso de idealizar seus heróis ou exacerbar um patriotismo unilateral pautado em uma bandeira pacifista. O fato de vermos Katherine insegura em diversos momentos ou de se arrepender de suas decisões, ao mesmo tempo em que acompanhamos as falhas de revisão do próprio “The Observer” ao publicar a matéria do jornalista Martin Bright (Matt Smith) que se delicia com o meteórico sucesso, mas logo depois é questionado sobre a veracidade da sua reportagem ou até quando Ben Emmerson (Ralph Fiennes), advogado que se utiliza de um argumento extremamente arriscado na defesa de Gun na tentativa de desqualificar a procuradoria nos tribunais. Essa humanização dos personagens, mostrando suas falhas e egos ajuda demais na identificação com o público e cria uma tensão quase documental durante a apresentação dos fatos.

Gavin Hood faz o seu arroz com feijão de uma forma muito competente e acredito que sua familiaridade com a atuação tenha contribuído para o excelente trabalho que realizou com todo o elenco. Keira Knightley e Ralph Fiennes chamam atenção por uma performance sem nenhum exagero (acreditem se quiser). O conceito estético que Hood imprimiu também me agradou: misturar ficção com imagens de arquivo da época sempre funciona, mas a forma como ele integrou na narrativa ficou extremamente natural - até quando vem um tom mais crítico sobre meios de comunicação que colocam suas ideologias e interesses acima da própria notícia ou que mudam seus discursos de acordo com a quantidade de dinheiro e exposição que uma matéria pode gerar.

O filme chegou a concorrer ao prêmio de melhor filme no Festival de Hamburgo em 2019, o que chancela a qualidade de "Segredos Oficiais". Vale muito pela história, pela qualidade da produção e do elenco. Um ótimo entretenimento e um material quase complementar ao já citado "Vice" do Adam McKay.

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"Segredos Oficiais" é um daqueles dramas políticos de revirar o estômago, ainda mais por se tratar de um história real e muito recente. Seguindo a história por trás do excelente "Vice", que mostra o lado americano, ou melhor: os bastidores da decisão que levaram o EUA atacar o Iraque pós 11 de setembro; esse filme do diretor sul-africano Gavin Hood (de X-Men Origens: Wolverine), acompanha a história de Katherine Gun (Keira Knightley), uma agente britânica da GCHQ (ou Government Communications Headquarters) que atuava, basicamente, coletando informações como tradutora de mandarim. Porém, em 2003, ela e seus colegas receberam ordens através de um e-mail para que buscassem informações sobre membros do Conselho de Segurança da ONU que pudessem ser utilizados para chantagear seis países a votarem a favor da Guerra do Iraque. Reconhecendo a ilegalidade daquela ordem e a maneira manipuladora como Tony Blair informava os cidadãos britânicos sobre sua relação com Bush, Katherine resolveu divulgar esse e-mail através do “The Observer”, quebrando assim o "Ato de Segredos Oficiais" - o que resultou em um processo que colocou em risco sua vida, sua carreira e seu casamento! Confira o trailer:

Talvez sem o peso de tantas informações bastante complexas ou até de uma cadeia de intrigas tão bem estruturadas como em "O Relatório""Segredos Oficiais" entrega um filme interessante, dinâmico e muito bem realizado - uma excelente opção para quem gosta do gênero. Talvez o grande mérito do filme seja o de humanizar a protagonista, mostrando suas fraquezas e dúvidas, ao mesmo tempo em que age baseada em seus princípios e se enche de coragem para vazar o documento. Mesmo sem grandes inovações narrativas, temos um roteiro equilibrado e que não se preocupa com alegorias visuais e sim em traçar uma linha temporal coerente com os acontecimentos que marcaram a história e, principalmente, transformaram a vida de Katherine Gun durante pouco mais de um ano! Vale seu play, com a mais absoluta certeza!

Apesar de se tratar de um filme baseado em histórias reais e relativamente recente, "Segredos Oficiais" resiste ao impulso de idealizar seus heróis ou exacerbar um patriotismo unilateral pautado em uma bandeira pacifista. O fato de vermos Katherine insegura em diversos momentos ou de se arrepender de suas decisões, ao mesmo tempo em que acompanhamos as falhas de revisão do próprio “The Observer” ao publicar a matéria do jornalista Martin Bright (Matt Smith) que se delicia com o meteórico sucesso, mas logo depois é questionado sobre a veracidade da sua reportagem ou até quando Ben Emmerson (Ralph Fiennes), advogado que se utiliza de um argumento extremamente arriscado na defesa de Gun na tentativa de desqualificar a procuradoria nos tribunais. Essa humanização dos personagens, mostrando suas falhas e egos ajuda demais na identificação com o público e cria uma tensão quase documental durante a apresentação dos fatos.

Gavin Hood faz o seu arroz com feijão de uma forma muito competente e acredito que sua familiaridade com a atuação tenha contribuído para o excelente trabalho que realizou com todo o elenco. Keira Knightley e Ralph Fiennes chamam atenção por uma performance sem nenhum exagero (acreditem se quiser). O conceito estético que Hood imprimiu também me agradou: misturar ficção com imagens de arquivo da época sempre funciona, mas a forma como ele integrou na narrativa ficou extremamente natural - até quando vem um tom mais crítico sobre meios de comunicação que colocam suas ideologias e interesses acima da própria notícia ou que mudam seus discursos de acordo com a quantidade de dinheiro e exposição que uma matéria pode gerar.

O filme chegou a concorrer ao prêmio de melhor filme no Festival de Hamburgo em 2019, o que chancela a qualidade de "Segredos Oficiais". Vale muito pela história, pela qualidade da produção e do elenco. Um ótimo entretenimento e um material quase complementar ao já citado "Vice" do Adam McKay.

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Segurança em Jogo

"Segurança em Jogo" (ou Bodyguard) é daquelas séries que chegam na Netflix e ninguém dá muita bola. Essa produção da BBC (inglesa) foi a mais assistida no Reino Unido nessa década. Seu último episódio teve uma audiência de pelo menos 17 milhões de pessoas e, mesmo assim, não tivemos nenhuma grande campanha de marketing para sua chegada no streaming aqui no Brasil. O cartaz que a Netflix escolheu é muito parecido com o de "Designer Survivor" que, mesmo sendo uma série razoável, não está entre as mais queridas e, certamente, não atrairia um grande público. Até o ator principal, Richard Madden, o finado Robb Stark, está irreconhecível - eu mesmo demorei muito para ligar o nome a pessoa! Ou seja, nada chama pra série - o que é um pecado!!!! Bom, disse tudo isso para afirmar que "Segurança em Jogo" é uma surpresa tão boa quanto "La Casa de Papel" (que também chegou quietinha).

Se você gostou de "Homeland", você já sabe qual série precisa maratonar - e você vai nos agradecer por isso! Veja o trailer:

David Budd (Richard Madden) é um veterano de guerra que agora trabalha para o Serviço de Polícia Metropolitano de Londres. Quando ele é designado para ser o guarda-costas da secretária do Ministério de Administração Interna do Reino Unido, cuja política representa tudo o que despreza, Budd se vê dividido entre seu dever como profissional e suas crenças como pessoa - mais ou menos como colocar o Jack Bauer para proteger o Donald Trump (rs)! Só por esse story line já seria possível imaginar o potencial da história e os conflitos que poderiam gerar, mas depois de você assistir a primeira sequência do piloto, vai ser impossível você não querer ir até o final.

Os primeiros 20 minutos são grandiosos, como poucas vezes eu vi em uma série. O diretor cria um ambiente de tensão digno dos melhores tempos de "24 horas". O interessante é que o ritmo pode até diminuir (o que é natural), mas nunca deixa de ser convidativo para continuar acompanhando a saga do protagonista. Claro que tem alguns elementos de gênero completamente batidos, mas quando você acha que a história entra na zona de conforto, vem uma virada que te tira do eixo - você vai saber do que eu estou falando!

É assim, um drama politico da melhor qualidade, muito bem produzido pela World Productions e, na minha opinião, mesmo com um protagonista parecendo um pouco canastrão em vários momentos, em nada prejudica a ótima experiência que é assistir "Segurança em Jogo". Roteiro bom, excelente direção, super-produção, fotografia linda e um destaque especial para a atuação da Keeley Hawes.

São 6 episódios de 55 minutos em média. Assista, porque é entretenimento de primeira!

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"Segurança em Jogo" (ou Bodyguard) é daquelas séries que chegam na Netflix e ninguém dá muita bola. Essa produção da BBC (inglesa) foi a mais assistida no Reino Unido nessa década. Seu último episódio teve uma audiência de pelo menos 17 milhões de pessoas e, mesmo assim, não tivemos nenhuma grande campanha de marketing para sua chegada no streaming aqui no Brasil. O cartaz que a Netflix escolheu é muito parecido com o de "Designer Survivor" que, mesmo sendo uma série razoável, não está entre as mais queridas e, certamente, não atrairia um grande público. Até o ator principal, Richard Madden, o finado Robb Stark, está irreconhecível - eu mesmo demorei muito para ligar o nome a pessoa! Ou seja, nada chama pra série - o que é um pecado!!!! Bom, disse tudo isso para afirmar que "Segurança em Jogo" é uma surpresa tão boa quanto "La Casa de Papel" (que também chegou quietinha).

Se você gostou de "Homeland", você já sabe qual série precisa maratonar - e você vai nos agradecer por isso! Veja o trailer:

David Budd (Richard Madden) é um veterano de guerra que agora trabalha para o Serviço de Polícia Metropolitano de Londres. Quando ele é designado para ser o guarda-costas da secretária do Ministério de Administração Interna do Reino Unido, cuja política representa tudo o que despreza, Budd se vê dividido entre seu dever como profissional e suas crenças como pessoa - mais ou menos como colocar o Jack Bauer para proteger o Donald Trump (rs)! Só por esse story line já seria possível imaginar o potencial da história e os conflitos que poderiam gerar, mas depois de você assistir a primeira sequência do piloto, vai ser impossível você não querer ir até o final.

Os primeiros 20 minutos são grandiosos, como poucas vezes eu vi em uma série. O diretor cria um ambiente de tensão digno dos melhores tempos de "24 horas". O interessante é que o ritmo pode até diminuir (o que é natural), mas nunca deixa de ser convidativo para continuar acompanhando a saga do protagonista. Claro que tem alguns elementos de gênero completamente batidos, mas quando você acha que a história entra na zona de conforto, vem uma virada que te tira do eixo - você vai saber do que eu estou falando!

É assim, um drama politico da melhor qualidade, muito bem produzido pela World Productions e, na minha opinião, mesmo com um protagonista parecendo um pouco canastrão em vários momentos, em nada prejudica a ótima experiência que é assistir "Segurança em Jogo". Roteiro bom, excelente direção, super-produção, fotografia linda e um destaque especial para a atuação da Keeley Hawes.

São 6 episódios de 55 minutos em média. Assista, porque é entretenimento de primeira!

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Sergio

Estava muito ansioso para assistir "Sergio" - filme sobre o diplomata Sergio Viera de Mello, morto em um ataque terrorista em Bagdá, mas também estava muito receoso com a escolha do diretor Greg Barker, um documentarista com nenhuma experiência em dramaturgia. Pois bem, meu receio se confirmou, mas o maior problema do filme está no seu roteiro e talvez Baker tenha muita culpa disso como com explicar mais a frente.

Baseado no livro "O homem que queria salvar o mundo: Uma biografia de Sergio Vieira de Mello" de Samantha Power, o filme acompanha os momentos mais marcantes do brasileiro Sergio Vieira de Mello (Wagner Moura) que dedicou a maior parte de sua carreira como diplomata da ONU trabalhando nas regiões mais instáveis do mundo, negociando habilmente com presidentes, revolucionários e criminosos de guerra para proteger a vida de pessoas comuns. Porém, assim que Sergio chega para uma missão em Bagdá, recém-mergulhada no caos após a invasão americana, uma explosão de um carro bomba faz com que as paredes da sede da ONU caiam literalmente sobre ele, desencadeando uma emocionante luta entre vida e morte. Confira o trailer:

De fato "Sergio" não é um filme ruim, mas quando um diretor se propõe a contar a história de uma personalidade tão importante pelas suas ações humanitárias e relacionamentos políticos que interferiram ativamente na história recente desse planeta, é de se esperar muito mais do que um romance água com açúcar como vemos em 1/3 do filme! Aliás, o tempo que o roteiro perde para contar a história de amor entre Sergio e Carolina é completamente desproporcional à quantidade de assuntos políticos (lei-se intrigas) que o filme deixou de explorar. Dito isso, "Sergio" é um filme muito bem realizado, com dois atores acima da média, uma fotografia linda e um roteiro fraco. O resultado final ainda é um filme mediano, que deve ser esquecido em poucas semanas, mas que merece ser assistido pelo tamanho e importância do seu protagonista!

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Estava muito ansioso para assistir "Sergio" - filme sobre o diplomata Sergio Viera de Mello, morto em um ataque terrorista em Bagdá, mas também estava muito receoso com a escolha do diretor Greg Barker, um documentarista com nenhuma experiência em dramaturgia. Pois bem, meu receio se confirmou, mas o maior problema do filme está no seu roteiro e talvez Baker tenha muita culpa disso como com explicar mais a frente.

Baseado no livro "O homem que queria salvar o mundo: Uma biografia de Sergio Vieira de Mello" de Samantha Power, o filme acompanha os momentos mais marcantes do brasileiro Sergio Vieira de Mello (Wagner Moura) que dedicou a maior parte de sua carreira como diplomata da ONU trabalhando nas regiões mais instáveis do mundo, negociando habilmente com presidentes, revolucionários e criminosos de guerra para proteger a vida de pessoas comuns. Porém, assim que Sergio chega para uma missão em Bagdá, recém-mergulhada no caos após a invasão americana, uma explosão de um carro bomba faz com que as paredes da sede da ONU caiam literalmente sobre ele, desencadeando uma emocionante luta entre vida e morte. Confira o trailer:

De fato "Sergio" não é um filme ruim, mas quando um diretor se propõe a contar a história de uma personalidade tão importante pelas suas ações humanitárias e relacionamentos políticos que interferiram ativamente na história recente desse planeta, é de se esperar muito mais do que um romance água com açúcar como vemos em 1/3 do filme! Aliás, o tempo que o roteiro perde para contar a história de amor entre Sergio e Carolina é completamente desproporcional à quantidade de assuntos políticos (lei-se intrigas) que o filme deixou de explorar. Dito isso, "Sergio" é um filme muito bem realizado, com dois atores acima da média, uma fotografia linda e um roteiro fraco. O resultado final ainda é um filme mediano, que deve ser esquecido em poucas semanas, mas que merece ser assistido pelo tamanho e importância do seu protagonista!

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Silo

Você não vai precisar mais do que um episódio para se perguntar "por que diabos eu não assisti essa série antes?". "Silo", da AppleTV+, é uma ficção científica de respeito, que se baseia no aclamado romance "Wool" de Hugh Howey. Desenvolvida por Graham Yost (de "From the Earth to the Moon"), a série nos transporta para um futuro distópico onde a humanidade vive em um gigantesco silo subterrâneo de 144 andares, protegido de um mundo exterior tóxico e desconhecido. Com uma narrativa das mais misteriosas e envolventes, um conceito visual impressionante e um elenco de peso, "Silo" realmente chama atenção pela forma como oferece uma exploração profunda, cheia de simbologia, sobre o controle da informação, os mistérios da sobrevivência e a incessante busca pela verdade.

Basicamente, a trama gira em torno dos habitantes desse silo, uma sociedade fechada e rigidamente controlada que obedece a um conjunto de estritas regras chamada de Pacto, com a mais radical sendo que, se alguém manifestar a vontade de sair de lá e encarar o envenenado mundo exterior, esse desejo passa ser obrigatório e a pessoa será, então, expulsa do silo com um único pedido: antes de morrer ela precisa limpar a lente do sensor que é o único olhar de seus pares para a desolação do lado de fora. Quando uma sucessão de acontecimentos faz com que Juliette Nichols (Rebecca Ferguson), uma engenheira do andar mais profundo do silo, hesitantemente aceite ser a nova chefe de polícia, ela começa a fazer investigações que a levam a duvidar de tudo aquilo que conhece, com consequências cada vez mais angustiantes e perigosas. Confira o trailer:

Antes de mais nada é preciso dizer que "Silo" é muito bem-sucedida em criar um mundo envolvente e misterioso, no entanto o seu estilo de narrativa, naturalmente, brinca com nossa percepção ao deixar claro que as respostas não virão com tanta facilidade - certamente isso vai testar a paciência de quem espera por uma jornada de fácil entendimento. Ao melhor estilo "Lost" com um toque de "Ruptura", a densidade do texto adaptado por Yost faz com que certos aspectos da trama pareçam complexos demais para serem totalmente explorados em uma única temporada, ou seja, esteja preparado para lidar com a angústia de um dia saber o final - internamente é sugerido que a série tenha 4 temporadas.

O roteiro é habilmente construído para equilibrar o desenvolvimento de personagens cheio de camadas com uma progressão da trama que envolve todas essas revelações e mistérios. Yost sabe como manter a audiência engajada, oferecendo reviravoltas e momentos de alta tensão sempre no tom certo - dificilmente você terá a sensação de que está sendo "enrolado". Ao trazer temas profundos como a verdade versus a mentira, o controle autoritário e a natureza da liberdade, tudo de uma maneira que é ao mesmo tempo intelectual e emocionalmente ressonante, a série adiciona o drama real mesmo envelopada de distópica. Rebecca Ferguson entrega uma performance poderosa e convincente como Juliette, capturando a determinação, a inteligência e a vulnerabilidade da sua personagem - existe uma profundidade emocional impressionante no seu trabalho. Aliás, o elenco de apoio inteiro, incluindo Tim Robbins como o misterioso Bernard e Rashida Jones como Allison, também oferece atuações sólidas que só enriquecem a narrativa.

"Silo" tem uma estética visual sombria e claustrofóbica que reflete a opressão do ambiente subterrâneo que, de fato, é impactante. Os enquadramentos acentuam essa sensação de confinamento e a tensão constantes, o que nos leva a uma reflexão importante sobre os extremos do controle social e da vulnerabilidade de uma pseudo-resistência humana - essa abordagem mais intelectual e emocional, repare, só complementa perfeitamente a atmosfera dessa série imperdível.

Saiba que "Silo" vale muito o seu play, especialmente se você for fã de ficção científica com esse mood mais distópico.

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Você não vai precisar mais do que um episódio para se perguntar "por que diabos eu não assisti essa série antes?". "Silo", da AppleTV+, é uma ficção científica de respeito, que se baseia no aclamado romance "Wool" de Hugh Howey. Desenvolvida por Graham Yost (de "From the Earth to the Moon"), a série nos transporta para um futuro distópico onde a humanidade vive em um gigantesco silo subterrâneo de 144 andares, protegido de um mundo exterior tóxico e desconhecido. Com uma narrativa das mais misteriosas e envolventes, um conceito visual impressionante e um elenco de peso, "Silo" realmente chama atenção pela forma como oferece uma exploração profunda, cheia de simbologia, sobre o controle da informação, os mistérios da sobrevivência e a incessante busca pela verdade.

Basicamente, a trama gira em torno dos habitantes desse silo, uma sociedade fechada e rigidamente controlada que obedece a um conjunto de estritas regras chamada de Pacto, com a mais radical sendo que, se alguém manifestar a vontade de sair de lá e encarar o envenenado mundo exterior, esse desejo passa ser obrigatório e a pessoa será, então, expulsa do silo com um único pedido: antes de morrer ela precisa limpar a lente do sensor que é o único olhar de seus pares para a desolação do lado de fora. Quando uma sucessão de acontecimentos faz com que Juliette Nichols (Rebecca Ferguson), uma engenheira do andar mais profundo do silo, hesitantemente aceite ser a nova chefe de polícia, ela começa a fazer investigações que a levam a duvidar de tudo aquilo que conhece, com consequências cada vez mais angustiantes e perigosas. Confira o trailer:

Antes de mais nada é preciso dizer que "Silo" é muito bem-sucedida em criar um mundo envolvente e misterioso, no entanto o seu estilo de narrativa, naturalmente, brinca com nossa percepção ao deixar claro que as respostas não virão com tanta facilidade - certamente isso vai testar a paciência de quem espera por uma jornada de fácil entendimento. Ao melhor estilo "Lost" com um toque de "Ruptura", a densidade do texto adaptado por Yost faz com que certos aspectos da trama pareçam complexos demais para serem totalmente explorados em uma única temporada, ou seja, esteja preparado para lidar com a angústia de um dia saber o final - internamente é sugerido que a série tenha 4 temporadas.

O roteiro é habilmente construído para equilibrar o desenvolvimento de personagens cheio de camadas com uma progressão da trama que envolve todas essas revelações e mistérios. Yost sabe como manter a audiência engajada, oferecendo reviravoltas e momentos de alta tensão sempre no tom certo - dificilmente você terá a sensação de que está sendo "enrolado". Ao trazer temas profundos como a verdade versus a mentira, o controle autoritário e a natureza da liberdade, tudo de uma maneira que é ao mesmo tempo intelectual e emocionalmente ressonante, a série adiciona o drama real mesmo envelopada de distópica. Rebecca Ferguson entrega uma performance poderosa e convincente como Juliette, capturando a determinação, a inteligência e a vulnerabilidade da sua personagem - existe uma profundidade emocional impressionante no seu trabalho. Aliás, o elenco de apoio inteiro, incluindo Tim Robbins como o misterioso Bernard e Rashida Jones como Allison, também oferece atuações sólidas que só enriquecem a narrativa.

"Silo" tem uma estética visual sombria e claustrofóbica que reflete a opressão do ambiente subterrâneo que, de fato, é impactante. Os enquadramentos acentuam essa sensação de confinamento e a tensão constantes, o que nos leva a uma reflexão importante sobre os extremos do controle social e da vulnerabilidade de uma pseudo-resistência humana - essa abordagem mais intelectual e emocional, repare, só complementa perfeitamente a atmosfera dessa série imperdível.

Saiba que "Silo" vale muito o seu play, especialmente se você for fã de ficção científica com esse mood mais distópico.

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Slow Horses

Imagine se o Dr. House tivesse a missão de recuperar agentes do MI5 a partir de uma estrutura precária, mas repleta de talentos incompreendidos! É mais ou menos isso que você vai encontrar em "Slow Horses" e com o bônus desse "Dr. House" ser um Gary Oldman no melhor da sua forma! Lançada em 2022 pela Apple TV+, aqui temos uma série de espionagem que mistura tensão e drama com uma boa dose do humor negro inglês. Baseada no romance de Mick Herron, "Slow Horses" oferece uma visão diferenciada do contra-terrorismo, focando em um grupo de agentes que trabalham nessa divisão, digamos, menos glamourosa do Serviço Secreto Britânico. Com uma narrativa realmente cativante, a série se apropria de toda aquela atmosfera angustiante e de urgência de "The Night Manager" com aquele tom menos realista de "Killing Eve", para oferecer uma experiência igualmente envolvente e cheia de reviravoltas muito divertidas para quem gosta do gênero. Um ótimo entretenimento!

A trama, basicamente, segue Jackson Lamb (Gary Oldman), um espião veterano, cínico e desiludido, que lidera uma divisão do MI5, a Slough House, onde são enviados os agentes que cometeram erros embaraçosos para a instituição. Esta equipe é composta por agentes que, por diferentes razões, foram relegados a tarefas tediosas e aparentemente sem importância. No entanto, quando um jovem é sequestrado e uma conspiração maior começa a se desdobrar, Lamb e sua equipe têm a chance de provar seu valor para então redimir suas carreiras. Confira o trailer:

Após o play você vai encontrar uma mistura de tensão e humor, equilibrando habilmente os elementos de suspense e drama com ótimos momentos de alívios cômicos. Essa dinâmica demora um certo tempo para fazer sentido já que a série parece não se levar muito a sério - o que, vamos admitir, é um refresco para um gênero de espionagem desgastado e que frequentemente prefere o sombrio e o intenso para contar a "mesma história". Desculpe a redundância, mas é como se comparássemos "Greys Anatomy" ou "E.R." com "House" ou "The Good Doctor". O roteiro, claro, é um dos pontos fortes de "Slow Horses" - adaptado de uma série de livros de espionagem altamente aclamados, a escrita é afiada, os diálogos inteligentes e as tramas muito bem construídos - a ideia é que cada temporada cubra algum volume da versão literária. Temas como redenção e lealdade nos proporcionam uma reflexão mais profunda sobre os sacrifícios e as desilusões desses agentes desde "Missão Impossível" ou "007", mas aqui, com sua narrativa melhor estruturada, ficamos engajados mesmo entendendo que os mistérios que se desenrolam gradualmente (e de maneira satisfatória) soem um pouco absurdos demais (embora nesse mundo que vivemos, nada tão absurdo surpreende mais).

A direção de James Hawes (de "Uma Vida") e de Jeremy Lovering (de "Sherlock"), na primeira temporada, dão o tom do que se segue nas demais. Ela é precisa, utilizando uma fotografia de uma Londres cinzenta e chuvosa, que captura toda a atmosfera opressiva e às vezes deprimente do Slough House. Os cenários são cuidadosamente escolhidos para refletir toda decadência e a marginalização dos personagens - e isso é muito bacana, basta imaginar um agente do MI5 revirando um saco de lixo de um um suspeito, dentro de um escritório que mais parece uma casa abandonada. Gary Oldman, é peça chave nessa conexão entre o real e o absurdo - ele está simplesmente magistral. Ele traz uma profundidade e complexidade ao personagem, equilibrando seu cinismo mordaz com momentos de vulnerabilidade impressionantes. Oldman é capaz de transmitir o peso do passado de Lamb e sua desilusão com a espionagem, ao mesmo tempo em que infunde o personagem com um humor ácido cativante. O elenco de apoio também é excepcional, especialmente com Jack Lowden como o ambicioso e determinado River Cartwright, e com Kristin Scott Thomas como a impassível e poderosa Diana Taverner.

"Slow Horses" pode até parecer ter um ritmo mais lento em certos momentos, especialmente nas subtramas que exploram a vida pessoal dos personagens, mas é justamente essa natureza cínica e desencantada, personificada fortemente por Lamb, que transforma um dos aspectos mais distintos e interessantes da série, em uma jornada de entretenimento realmente deliciosa. "Slow Horses", com sua abordagem diferente sobre temas relevantes como corrupção e política, mostra ser mais inteligente e perspicaz do que muitas produções que foram se perdendo ao longo dos anos dentro de sua própria pretensão de ser realista demais!

Vale muito o seu play!

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Imagine se o Dr. House tivesse a missão de recuperar agentes do MI5 a partir de uma estrutura precária, mas repleta de talentos incompreendidos! É mais ou menos isso que você vai encontrar em "Slow Horses" e com o bônus desse "Dr. House" ser um Gary Oldman no melhor da sua forma! Lançada em 2022 pela Apple TV+, aqui temos uma série de espionagem que mistura tensão e drama com uma boa dose do humor negro inglês. Baseada no romance de Mick Herron, "Slow Horses" oferece uma visão diferenciada do contra-terrorismo, focando em um grupo de agentes que trabalham nessa divisão, digamos, menos glamourosa do Serviço Secreto Britânico. Com uma narrativa realmente cativante, a série se apropria de toda aquela atmosfera angustiante e de urgência de "The Night Manager" com aquele tom menos realista de "Killing Eve", para oferecer uma experiência igualmente envolvente e cheia de reviravoltas muito divertidas para quem gosta do gênero. Um ótimo entretenimento!

A trama, basicamente, segue Jackson Lamb (Gary Oldman), um espião veterano, cínico e desiludido, que lidera uma divisão do MI5, a Slough House, onde são enviados os agentes que cometeram erros embaraçosos para a instituição. Esta equipe é composta por agentes que, por diferentes razões, foram relegados a tarefas tediosas e aparentemente sem importância. No entanto, quando um jovem é sequestrado e uma conspiração maior começa a se desdobrar, Lamb e sua equipe têm a chance de provar seu valor para então redimir suas carreiras. Confira o trailer:

Após o play você vai encontrar uma mistura de tensão e humor, equilibrando habilmente os elementos de suspense e drama com ótimos momentos de alívios cômicos. Essa dinâmica demora um certo tempo para fazer sentido já que a série parece não se levar muito a sério - o que, vamos admitir, é um refresco para um gênero de espionagem desgastado e que frequentemente prefere o sombrio e o intenso para contar a "mesma história". Desculpe a redundância, mas é como se comparássemos "Greys Anatomy" ou "E.R." com "House" ou "The Good Doctor". O roteiro, claro, é um dos pontos fortes de "Slow Horses" - adaptado de uma série de livros de espionagem altamente aclamados, a escrita é afiada, os diálogos inteligentes e as tramas muito bem construídos - a ideia é que cada temporada cubra algum volume da versão literária. Temas como redenção e lealdade nos proporcionam uma reflexão mais profunda sobre os sacrifícios e as desilusões desses agentes desde "Missão Impossível" ou "007", mas aqui, com sua narrativa melhor estruturada, ficamos engajados mesmo entendendo que os mistérios que se desenrolam gradualmente (e de maneira satisfatória) soem um pouco absurdos demais (embora nesse mundo que vivemos, nada tão absurdo surpreende mais).

A direção de James Hawes (de "Uma Vida") e de Jeremy Lovering (de "Sherlock"), na primeira temporada, dão o tom do que se segue nas demais. Ela é precisa, utilizando uma fotografia de uma Londres cinzenta e chuvosa, que captura toda a atmosfera opressiva e às vezes deprimente do Slough House. Os cenários são cuidadosamente escolhidos para refletir toda decadência e a marginalização dos personagens - e isso é muito bacana, basta imaginar um agente do MI5 revirando um saco de lixo de um um suspeito, dentro de um escritório que mais parece uma casa abandonada. Gary Oldman, é peça chave nessa conexão entre o real e o absurdo - ele está simplesmente magistral. Ele traz uma profundidade e complexidade ao personagem, equilibrando seu cinismo mordaz com momentos de vulnerabilidade impressionantes. Oldman é capaz de transmitir o peso do passado de Lamb e sua desilusão com a espionagem, ao mesmo tempo em que infunde o personagem com um humor ácido cativante. O elenco de apoio também é excepcional, especialmente com Jack Lowden como o ambicioso e determinado River Cartwright, e com Kristin Scott Thomas como a impassível e poderosa Diana Taverner.

"Slow Horses" pode até parecer ter um ritmo mais lento em certos momentos, especialmente nas subtramas que exploram a vida pessoal dos personagens, mas é justamente essa natureza cínica e desencantada, personificada fortemente por Lamb, que transforma um dos aspectos mais distintos e interessantes da série, em uma jornada de entretenimento realmente deliciosa. "Slow Horses", com sua abordagem diferente sobre temas relevantes como corrupção e política, mostra ser mais inteligente e perspicaz do que muitas produções que foram se perdendo ao longo dos anos dentro de sua própria pretensão de ser realista demais!

Vale muito o seu play!

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Sob Suspeita: O Caso Wesphael

A Netflix continua apostando em séries documentais que abordam histórias de crimes reais. Se você gostou de "The Jinx", “The Staircase”, “Cenas de um Homicídio: Uma Família Vizinha” e “Amanda Knox”, não deixe de assistir “Sob Suspeita: O Caso Wesphael”. Em cinco episódios de pouco mais de 30 minutos, o diretor Alain Brunard se aproveita de um ótimo roteiro de Georges Huercano, Yann Le Gal e Pascal Vrebos para mostrar o polêmico caso do político belga Bernard Wesphael, acusado de assassinar a esposa Véronique Pirotton, em 2013.

O crime chamou a atenção da mídia na época pelo fato de que, embora as investigações e todas as evidências o apontassem como culpado, Wesphael sustentou até o fim seu argumento de inocência, apesar de ter sido a única pessoa que esteve com Véronique naquela noite e de haver relatos de testemunhas que afirmaram ter escutado sons suspeitos vindos do quarto deles.

O casal, que estava recém-separado, estaria tentando uma reconciliação num hotel em Ostende, cidade turística belga, quando Véronique foi encontrada morta no banheiro, com um saco plástico na cabeça e vários hematomas pelo corpo. Mesmo que parecendo impossível, a tese sustentada por Wesphael foi a de que ela havia cometido suicídio.

A série, como todos já devem saber, não traz soluções para o crime e isso não é exatamente um problema, já que, como muitas de suas antecessoras, a narrativa acaba focando em um dos personagens, no caso o político, que insiste na versão de um possível comportamento autodestrutivo da ex-mulher, que envolvia desde a infidelidade, tendências suicidas até o consumo excessivo de álcool e medicamentos - os depoimentos Wesphael para o documentário são impressionantes. 

Infelizmente Véronique não tem voz, apenas sua irmã, um primo e alguns jornalistas tentam mostrar um outro lado da personalidade da vitima e sua relação conflituosa com o acusado. O fato é que ficamos sem uma conclusão sobre o que de fato aconteceu, porém a produção tem o mérito de prender a atenção da audiência desde o primeiro minuto da narrativa e a todo momento, provocando cada um de nós a tirar nossas próprias conclusões, independente do veredito ou de todas as evidências apresentadas. 

Vale muito a pena, mas será preciso ter estômago ou, no mínimo, uma boa dose de isenção para traçar mentalmente todas as possibilidades - e posso garantir, não são muitas!

Escrito por Ana Cristina Paixão com Edição de André Siqueira

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A Netflix continua apostando em séries documentais que abordam histórias de crimes reais. Se você gostou de "The Jinx", “The Staircase”, “Cenas de um Homicídio: Uma Família Vizinha” e “Amanda Knox”, não deixe de assistir “Sob Suspeita: O Caso Wesphael”. Em cinco episódios de pouco mais de 30 minutos, o diretor Alain Brunard se aproveita de um ótimo roteiro de Georges Huercano, Yann Le Gal e Pascal Vrebos para mostrar o polêmico caso do político belga Bernard Wesphael, acusado de assassinar a esposa Véronique Pirotton, em 2013.

O crime chamou a atenção da mídia na época pelo fato de que, embora as investigações e todas as evidências o apontassem como culpado, Wesphael sustentou até o fim seu argumento de inocência, apesar de ter sido a única pessoa que esteve com Véronique naquela noite e de haver relatos de testemunhas que afirmaram ter escutado sons suspeitos vindos do quarto deles.

O casal, que estava recém-separado, estaria tentando uma reconciliação num hotel em Ostende, cidade turística belga, quando Véronique foi encontrada morta no banheiro, com um saco plástico na cabeça e vários hematomas pelo corpo. Mesmo que parecendo impossível, a tese sustentada por Wesphael foi a de que ela havia cometido suicídio.

A série, como todos já devem saber, não traz soluções para o crime e isso não é exatamente um problema, já que, como muitas de suas antecessoras, a narrativa acaba focando em um dos personagens, no caso o político, que insiste na versão de um possível comportamento autodestrutivo da ex-mulher, que envolvia desde a infidelidade, tendências suicidas até o consumo excessivo de álcool e medicamentos - os depoimentos Wesphael para o documentário são impressionantes. 

Infelizmente Véronique não tem voz, apenas sua irmã, um primo e alguns jornalistas tentam mostrar um outro lado da personalidade da vitima e sua relação conflituosa com o acusado. O fato é que ficamos sem uma conclusão sobre o que de fato aconteceu, porém a produção tem o mérito de prender a atenção da audiência desde o primeiro minuto da narrativa e a todo momento, provocando cada um de nós a tirar nossas próprias conclusões, independente do veredito ou de todas as evidências apresentadas. 

Vale muito a pena, mas será preciso ter estômago ou, no mínimo, uma boa dose de isenção para traçar mentalmente todas as possibilidades - e posso garantir, não são muitas!

Escrito por Ana Cristina Paixão com Edição de André Siqueira

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Sobrevivendo ao 11/9

"Sobrevivendo ao 11/9" foi um dos últimos documentários a chegar no streaming após os especiais de 20 anos dos atentados terroristas aos EUA. Cercado de muita expectativa, essa produção da BBC foi indicada ao BAFTA de 2022 e certamente é um dos materiais mais humanos sobre o assunto - muito desse mérito é responsabilidade do diretor Arthur Cary (de "The Last Survivors") que foi capaz de encontrar em depoimentos muito particulares, o sentimento real do que aquela experiência representou para cada uma daquelas pessoas. Eu diria que o filme fala, basicamente, sobre o trauma do 11 de setembro!

"Surviving 9/11" (no original) tem pouco mais de 90 minutos de duração e retrata o período de duas horas dos ataques terroristas que mudaram o mundo e a vida de quem presenciou tudo, em uma interação entre passado e presente. Com imagens inéditas e um roteiro muito bem amarrado, o filme encontra em seus personagens, histórias surpreendentes e muito emocionantes. Confira o trailer (em inglês):

É possível que algumas das histórias que você vai encontrar nesse documentário, você já conheça. A forma como ele está envelopado, é que vai colocar a mesma história em outro patamar. O trabalho jornalístico do diretor Arthur Cary é tão importantequanto a qualidade cinematográfica de como ele constrói a narrativa visualmente. Embora o filme não se aprofunde em nenhuma das histórias, ele conecta os fatos de uma maneira muito inteligente, pois se apoia na emoção de quem esteve lá ou perdeu alguém muito próximo naquela manhã enrolada de setembro - existe muita honestidade sentimental nos depoimentos.

Embora as imagens dos ataques ao World Trade Center sejam impactantes - e aqui eu destaco o plano do segundo avião se chocando com uma das torres; é no fator humano que o roteiro se apoia. A história de um bombeiro que se preparava para entrar na Torre Sul e que foi atingido por uma mulher que se jogou, contada por sua esposa, é de cortar o coração. Ou da jovem oficial da aeronáutica de decolou com seu caça para colidir com o United 93 já que não houve tempo de carregar seu avião com mísseis, também é impressionante. Mas os depoimentos não param em Nova York, pela primeira vez uma testumunha ocular conta como o avião se chocou com o Pentágono e outro, em como o United praticamente se desintegrou ao encontrar o solo do condado de Somerset, naPensilvânia.

Com tantos documentários sobre os ataques de 11 de setembro já produzidos, os últimos tendem a requentar algumas histórias - não é o caso de "Sobrevivendo ao 11/9", porém é preciso que se diga que o filme não é o que traz as imagens mais impressionantes ou visualmente impactantes, mas com certeza está entre os melhores se considerarmos a qualidade cinematográfica da obra como um todo. Para quem gosta do assunto e já conferiu a seleção que fizemos para o Blog da Viu Review, o play é obrigatório!

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"Sobrevivendo ao 11/9" foi um dos últimos documentários a chegar no streaming após os especiais de 20 anos dos atentados terroristas aos EUA. Cercado de muita expectativa, essa produção da BBC foi indicada ao BAFTA de 2022 e certamente é um dos materiais mais humanos sobre o assunto - muito desse mérito é responsabilidade do diretor Arthur Cary (de "The Last Survivors") que foi capaz de encontrar em depoimentos muito particulares, o sentimento real do que aquela experiência representou para cada uma daquelas pessoas. Eu diria que o filme fala, basicamente, sobre o trauma do 11 de setembro!

"Surviving 9/11" (no original) tem pouco mais de 90 minutos de duração e retrata o período de duas horas dos ataques terroristas que mudaram o mundo e a vida de quem presenciou tudo, em uma interação entre passado e presente. Com imagens inéditas e um roteiro muito bem amarrado, o filme encontra em seus personagens, histórias surpreendentes e muito emocionantes. Confira o trailer (em inglês):

É possível que algumas das histórias que você vai encontrar nesse documentário, você já conheça. A forma como ele está envelopado, é que vai colocar a mesma história em outro patamar. O trabalho jornalístico do diretor Arthur Cary é tão importantequanto a qualidade cinematográfica de como ele constrói a narrativa visualmente. Embora o filme não se aprofunde em nenhuma das histórias, ele conecta os fatos de uma maneira muito inteligente, pois se apoia na emoção de quem esteve lá ou perdeu alguém muito próximo naquela manhã enrolada de setembro - existe muita honestidade sentimental nos depoimentos.

Embora as imagens dos ataques ao World Trade Center sejam impactantes - e aqui eu destaco o plano do segundo avião se chocando com uma das torres; é no fator humano que o roteiro se apoia. A história de um bombeiro que se preparava para entrar na Torre Sul e que foi atingido por uma mulher que se jogou, contada por sua esposa, é de cortar o coração. Ou da jovem oficial da aeronáutica de decolou com seu caça para colidir com o United 93 já que não houve tempo de carregar seu avião com mísseis, também é impressionante. Mas os depoimentos não param em Nova York, pela primeira vez uma testumunha ocular conta como o avião se chocou com o Pentágono e outro, em como o United praticamente se desintegrou ao encontrar o solo do condado de Somerset, naPensilvânia.

Com tantos documentários sobre os ataques de 11 de setembro já produzidos, os últimos tendem a requentar algumas histórias - não é o caso de "Sobrevivendo ao 11/9", porém é preciso que se diga que o filme não é o que traz as imagens mais impressionantes ou visualmente impactantes, mas com certeza está entre os melhores se considerarmos a qualidade cinematográfica da obra como um todo. Para quem gosta do assunto e já conferiu a seleção que fizemos para o Blog da Viu Review, o play é obrigatório!

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Sobreviventes

"Sobreviventes" (que por aqui ainda ganhou o complemento de "Depois do Terremoto"), por incrível que pareça, não é um "filme-catátrofe" - pelo menos não em sua essência. O que quero dizer é que essa produção coreana dirigida pelo talentoso Tae-hwa Eom (de "Desaparecimento: O Garoto que Retornou") está mais para um drama social ao melhor estilo "Parasita" do que para um thriller de ação e efeitos especiais como "Terremoto: A Falha de San Andreas". Aliás, essa confusão conceitual muito se dá pelo fato de não se ter mantido o título original do filme aqui no Brasil, algo como "Concreto Utópico", em tradução livre - que certamente se conecta muito melhor com o que assistimos na tela! Veja, aqui não se trata de "por que" toda a cidade de Seul foi destruída por um terremoto de proporções inimagináveis, mas sim "como" os seres humanos que sobreviveram, diante desse cenário apocalíptico, se comportam intimamente e perante o seu semelhante!

A trama, basicamente, acompanha os moradores de um prédio de apartamentos que, milagrosamente, permaneceu intacto após o cataclisma. Com o passar do tempo, refugiados em busca de abrigo devido ao frio glacial que assola Seul e sem qualquer tipo de alimentação, começam a invadir o local, obrigando os moradores a tomarem medidas drásticas para garantir sua sobrevivência. Essa dinâmica segregadora, gera um conflito crescente, expondo os lados mais sombrios e altruístas da alma humana em uma luta moral que vai além da sobrevivência. Confira o trailer (dublado):

"Sobreviventes - Depois do Terremoto" de fato se diferencia por sua capacidade imersiva em um ambiente extremamente claustrofóbico e realista, onde cada metro quadrado se torna palco de tensões e conflitos além do óbvio. Se em um primeiro momento nossa preocupação como audiência é entender a razão pela qual apenas um prédio se manteve em pé após a catástrofe, rapidamente percebemos que o evento em si é apenas o pano de fundo para discussões infinitamente mais profundas. É preciso pontuar que o filme ainda sim tem excelentes sequências que mostram o terremoto acontecendo, no entanto é no cenário caótico posterior que o drama realmente ganha força.

O que vale são os conflitos de relacionamento entre os personagens em uma "nova" dinâmica de poder e influência - mais uma vez o cinema coreano mostra, com muita simbologia, como o ser humano pode ser brutal. A direção de Tae-hwa Eom é precisa e visceral nesse sentido já que ele conduz a trama com um ritmo frenético e um suspense constante sem perder aquela atmosfera de tensão permanente. A câmera de Eom explora com maestria os corredores apertados do prédio, os apartamentos precários e os rostos angustiados dos personagens, criando uma sensação sufocante - a montagem equilibra os cortes rápidos com planos bem estruturados dos embates entres os personagens, o que pontua o tom mais melancólico do filme com as complexas emoções daqueles personagens. Olha, é praticamente impossível não se colocar dentro daquela dinâmica social sem refletir sobre qual seria o melhor caminho para sobreviver!

"Sobreviventes - Depois do Terremoto" é um filme imperdível que obviamente te fará questionar seus próprios limites e que vai te provocar discussões interessantes como a própria fragilidade da civilização diante de eventos catastróficos. Com atuações realmente impecáveis, especialmente de Min-sung (o Park Seo-joon, de "Parasita:), uma direção precisa de Eom e uma história instigante e inteligente ao mesmo tempo, eu te garanto que, embarcando na proposta crítica do diretor, você estará diante de muito mais que um simples entretenimento.

Prepare-se para uma jornada perturbadora que te mostrará o lado mais sombrio e por consequência, o mais resiliente, da humanidade em situações impensáveis. Vale seu play!

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"Sobreviventes" (que por aqui ainda ganhou o complemento de "Depois do Terremoto"), por incrível que pareça, não é um "filme-catátrofe" - pelo menos não em sua essência. O que quero dizer é que essa produção coreana dirigida pelo talentoso Tae-hwa Eom (de "Desaparecimento: O Garoto que Retornou") está mais para um drama social ao melhor estilo "Parasita" do que para um thriller de ação e efeitos especiais como "Terremoto: A Falha de San Andreas". Aliás, essa confusão conceitual muito se dá pelo fato de não se ter mantido o título original do filme aqui no Brasil, algo como "Concreto Utópico", em tradução livre - que certamente se conecta muito melhor com o que assistimos na tela! Veja, aqui não se trata de "por que" toda a cidade de Seul foi destruída por um terremoto de proporções inimagináveis, mas sim "como" os seres humanos que sobreviveram, diante desse cenário apocalíptico, se comportam intimamente e perante o seu semelhante!

A trama, basicamente, acompanha os moradores de um prédio de apartamentos que, milagrosamente, permaneceu intacto após o cataclisma. Com o passar do tempo, refugiados em busca de abrigo devido ao frio glacial que assola Seul e sem qualquer tipo de alimentação, começam a invadir o local, obrigando os moradores a tomarem medidas drásticas para garantir sua sobrevivência. Essa dinâmica segregadora, gera um conflito crescente, expondo os lados mais sombrios e altruístas da alma humana em uma luta moral que vai além da sobrevivência. Confira o trailer (dublado):

"Sobreviventes - Depois do Terremoto" de fato se diferencia por sua capacidade imersiva em um ambiente extremamente claustrofóbico e realista, onde cada metro quadrado se torna palco de tensões e conflitos além do óbvio. Se em um primeiro momento nossa preocupação como audiência é entender a razão pela qual apenas um prédio se manteve em pé após a catástrofe, rapidamente percebemos que o evento em si é apenas o pano de fundo para discussões infinitamente mais profundas. É preciso pontuar que o filme ainda sim tem excelentes sequências que mostram o terremoto acontecendo, no entanto é no cenário caótico posterior que o drama realmente ganha força.

O que vale são os conflitos de relacionamento entre os personagens em uma "nova" dinâmica de poder e influência - mais uma vez o cinema coreano mostra, com muita simbologia, como o ser humano pode ser brutal. A direção de Tae-hwa Eom é precisa e visceral nesse sentido já que ele conduz a trama com um ritmo frenético e um suspense constante sem perder aquela atmosfera de tensão permanente. A câmera de Eom explora com maestria os corredores apertados do prédio, os apartamentos precários e os rostos angustiados dos personagens, criando uma sensação sufocante - a montagem equilibra os cortes rápidos com planos bem estruturados dos embates entres os personagens, o que pontua o tom mais melancólico do filme com as complexas emoções daqueles personagens. Olha, é praticamente impossível não se colocar dentro daquela dinâmica social sem refletir sobre qual seria o melhor caminho para sobreviver!

"Sobreviventes - Depois do Terremoto" é um filme imperdível que obviamente te fará questionar seus próprios limites e que vai te provocar discussões interessantes como a própria fragilidade da civilização diante de eventos catastróficos. Com atuações realmente impecáveis, especialmente de Min-sung (o Park Seo-joon, de "Parasita:), uma direção precisa de Eom e uma história instigante e inteligente ao mesmo tempo, eu te garanto que, embarcando na proposta crítica do diretor, você estará diante de muito mais que um simples entretenimento.

Prepare-se para uma jornada perturbadora que te mostrará o lado mais sombrio e por consequência, o mais resiliente, da humanidade em situações impensáveis. Vale seu play!

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Spotlight

"Spotlight" é de fato marcante e vai te provocar inúmeras reflexões! Dirigido pelo Tom McCarthy (de "Ganhar ou Ganhar: A Vida é um Jogo"), o filme retrata uma das maiores investigações jornalísticas da história recente dos Estados Unidos. Lançado em 2015, o roteiro aborda com maestria, detalhes sobre o escândalo de abusos sexuais envolvendo membros da Igreja Católica em Boston, Massachusetts. Olha, é impressionante como filme apresenta uma análise detalhada da investigação ao mesmo tempo em que nos provoca um olhar critico para temas importantes e indigestos, como o abuso de poder e a influência institucional da Igreja.

O drama vencedor do Oscar de "Melhor Filme" em 2016, acompanha a equipe de jornalistas investigativos do jornal The Boston Globe, conhecida como "Spotlight", enquanto eles se aprofundam na denúncia de abusos sexuais cometidos por padres católicos na cidade de Boston. A história se desenrola de forma envolvente e realista, à medida que a equipe luta para desvendar o caso e expor a verdade por trás do abuso de poder dentro da Igreja. Confira o trailer:

O ponto alto de "Spotlight - Segredos Revelados" é, sem dúvida, sua abordagem sóbria e intensamente realista. O diretor Tom McCarthy opta por uma narrativa linear, focando no desenvolvimento meticuloso da investigação e no impacto que ela tem sobre toda equipe de jornalistas. Aliás, o trabalho dos atores só colabora para validar a escolha desse conceito. Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams e Stanley Tucci entregam performances poderosas e emocionalmente densas - chega a ser impressionante a entrega do elenco na construção de algumas camadas tão sensíveis que fica impossível não se identificar com toda aquela cruzada. É como se estivéssemos lá, nessa luta!

O roteiro, também vencedor do Oscar, foi escrito pelo próprio McCarthy com a ajuda de Josh Singer - olha, eu diria que é uma verdadeira obra-prima. Ele equilibra tão bem a complexidade da investigação com os dilemas éticos e morais enfrentados pelos personagens que não são raras a vezes que nos pegamos pensando o que faríamos naquelas situações. Outro ponto interessante do roteiro de "Spotlight" é a forma como ele mergulha no tema da responsabilidade da Igreja, questionando a influência e a força da instituição perante uma comunidade inteira - raparem no senso de urgência que acompanha os personagens na tentativa de expor a verdade, independentemente das consequências dessa decisão. A direção de McCarthy é precisa e minimalista, sem recorrer a artifícios visuais desnecessários ou cair em clichês baratos. Ele enfatiza o trabalho dos jornalistas e o peso das informações reveladas, criando uma atmosfera de tensão crescente ao longo do filme onde uma bela trilha sonora, embora sutil, soa extremamente eficaz como complemento para esse estilo de narrativa.

A grande verdade é que "Spotlight" é muito mais do que um simples filme de investigação. Sua complexidade ideológica está nos detalhes, na forma como ele aponta o problema e estimula o debate, a reflexão. Ao construir a sua narrativa em cima de discussões sobre a hipocrisia, a ética e a coragem, somos diretamente impactados e nos sentimos desafiados a sempre questionar o sistema e a lutar pelo que é certo, mesmo que para isso tenhamos que olhar para os nossos próprios fantasmas como sociedade e enfrenta-los.

Vale muito o seu play!

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"Spotlight" é de fato marcante e vai te provocar inúmeras reflexões! Dirigido pelo Tom McCarthy (de "Ganhar ou Ganhar: A Vida é um Jogo"), o filme retrata uma das maiores investigações jornalísticas da história recente dos Estados Unidos. Lançado em 2015, o roteiro aborda com maestria, detalhes sobre o escândalo de abusos sexuais envolvendo membros da Igreja Católica em Boston, Massachusetts. Olha, é impressionante como filme apresenta uma análise detalhada da investigação ao mesmo tempo em que nos provoca um olhar critico para temas importantes e indigestos, como o abuso de poder e a influência institucional da Igreja.

O drama vencedor do Oscar de "Melhor Filme" em 2016, acompanha a equipe de jornalistas investigativos do jornal The Boston Globe, conhecida como "Spotlight", enquanto eles se aprofundam na denúncia de abusos sexuais cometidos por padres católicos na cidade de Boston. A história se desenrola de forma envolvente e realista, à medida que a equipe luta para desvendar o caso e expor a verdade por trás do abuso de poder dentro da Igreja. Confira o trailer:

O ponto alto de "Spotlight - Segredos Revelados" é, sem dúvida, sua abordagem sóbria e intensamente realista. O diretor Tom McCarthy opta por uma narrativa linear, focando no desenvolvimento meticuloso da investigação e no impacto que ela tem sobre toda equipe de jornalistas. Aliás, o trabalho dos atores só colabora para validar a escolha desse conceito. Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams e Stanley Tucci entregam performances poderosas e emocionalmente densas - chega a ser impressionante a entrega do elenco na construção de algumas camadas tão sensíveis que fica impossível não se identificar com toda aquela cruzada. É como se estivéssemos lá, nessa luta!

O roteiro, também vencedor do Oscar, foi escrito pelo próprio McCarthy com a ajuda de Josh Singer - olha, eu diria que é uma verdadeira obra-prima. Ele equilibra tão bem a complexidade da investigação com os dilemas éticos e morais enfrentados pelos personagens que não são raras a vezes que nos pegamos pensando o que faríamos naquelas situações. Outro ponto interessante do roteiro de "Spotlight" é a forma como ele mergulha no tema da responsabilidade da Igreja, questionando a influência e a força da instituição perante uma comunidade inteira - raparem no senso de urgência que acompanha os personagens na tentativa de expor a verdade, independentemente das consequências dessa decisão. A direção de McCarthy é precisa e minimalista, sem recorrer a artifícios visuais desnecessários ou cair em clichês baratos. Ele enfatiza o trabalho dos jornalistas e o peso das informações reveladas, criando uma atmosfera de tensão crescente ao longo do filme onde uma bela trilha sonora, embora sutil, soa extremamente eficaz como complemento para esse estilo de narrativa.

A grande verdade é que "Spotlight" é muito mais do que um simples filme de investigação. Sua complexidade ideológica está nos detalhes, na forma como ele aponta o problema e estimula o debate, a reflexão. Ao construir a sua narrativa em cima de discussões sobre a hipocrisia, a ética e a coragem, somos diretamente impactados e nos sentimos desafiados a sempre questionar o sistema e a lutar pelo que é certo, mesmo que para isso tenhamos que olhar para os nossos próprios fantasmas como sociedade e enfrenta-los.

Vale muito o seu play!

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Succession

Se você é um fã de "Billions" e acha que que já assistiu tudo sobre traições e armações em "Game of Thrones", provavelmente você (como eu) não vai conseguir parar de assistir "Succession" da HBO. A série pega o que tem de melhor dessas séries citadas e se aprofunda ainda mais no desenvolvimento de 5 ou 6 personagens bastante complexos e perturbadores. Ok, então como eu ainda não sabia que uma série tão interessante assim existia? Essa é uma boa pergunta, mas pode confiar: não perca mais tempo, assista e depois me agradeça. 

"Succession" acompanha o dia a dia da Família Roy dona de um dos maiores conglomerados de Mídia e Entretenimento do Mundo. Acontece que as relações dentro dos convívio familiar não são, digamos, tão sadias assim. As disputas pelo poder movem os personagens dentro desse universo corporativo, trabalhando como ninguém aquela linha bastante tênue entre o objetivo pessoal (e privado) e a ganância profissional (e pública) - tudo isso regado a muito dinheiro e ostentação capaz de deixar "Suits" no chinelo!

Logan (Brian Cox) comanda o 5º maior conglomerado de mídia de entretenimento do mundo. O patriarca da família Roy conseguiu construir um verdadeiro império e se tronar um dos homens mais poderosos (e odiados) do mundo. Seu estilo pouco popular de administrar o negócio transformou Logan em um profissional muito bem sucedido, ao mesmo tempo em que foi um pai extremamente autoritário e um ser humano rancoroso, misógino e preconceituoso. Em cima desses valores nada nobres é  que conhecemos Kendall (Jeremy Strong), o segundo filho mais velho, um rapaz esforçado e o mais envolvido com o negócio da família, o problema é que suas referências o tornaram um profissional inseguro, sem alto estima e limitado. Recém separado da mulher Rava e depois de um problema crônico com drogas, Kendall sofre para se tornar alguém respeitado dentro da empresa e principalmente para ganhar a aprovação e o apoio do pai - chega a dar dó! Roman (Kieran Culkin - o irmão de Macaulay) é o caçula, um playboy mimado, preguiçoso e sem noção, completamente sem escrúpulos nos negócios e nas relações pessoais - um perfeito idiota! Shiv (Saraha Snook), a única filha mulher, é completamente desequilibrada emocionalmente, provavelmente o reflexo da criação machista que teve durante toda sua infância. Embora seja uma profissional respeitada na carreira política, Shiv vive interferindo nas decisões da empresa da família e se colocando contra as atitudes egoístas e vaidosas dos irmãos (e muitas vezes do próprio pai). Para finalizar, o filho mais velho, Connor (Alan Ruck), não quer nenhuma ligação com a empresa desde que continue sendo financiado pelo dinheiro "que lhe é de direito"! Completamente fora da realidade, Connor mora em uma fazenda (de luxo) e namora uma jovem atriz de teatro que a família insiste em dizer que é uma prostituta! Outros três personagens coadjuvantes também chamam a atenção por sua importância nas tramas e pela complexidade com que se envolvem nas relações: Greg (Nicholas Braun) um sobrinho distante que quer vencer na vida custe o que custar, Tom (Matthew Macfadyen), noivo de Shiv e um executivo medíocre em busca de ascensão profissional / social e Marcia (Hiam Abbass), a companheira misteriosa de Logan.

A partir do trailer e da descrição dos personagens já dá para se ter uma idéia de como podem ser constrangedoras as situações envolvendo esses pares. Sério, a sensação é que somos colocados em um ambiente fechado, claustrofóbico até, com uma bomba prestes a explodir, só não sabemos exatamente "quando" e nem "como" - isso gera uma espécie de tensão como poucas vezes senti ao assistir uma série (talvez minha única lembrança imediata seja "Breaking Bad"). A relação entre eles é tão superficial e egocêntrica que chega a embrulhar o estômago e essa sensação é muito mérito do conceito estético que o showrunner aplicou na série. Com uma câmera mais solta, os diretores usam muito do "zoom" para nos aproximar da tensão de cada diálogo, trazendo um toque documental para a ficção - mais ou menos como foi feito em "The Office". A fotografia também merece destaque, os planos abertos, além de mostrar uma arquitetura moderna e luxuosa, trás uma Nova Yorke charmosa e agitada como nas já citadas "Billions" e "Suits".

É fato que "Succession" surfa na onda do hype corporativo e da tendência de dramas do mercado financeiro - como citamos recentemente no Blog da Viu Review, porém a série não deixa de ser uma grande (e agradável) surpresa, pois mesmo chegando quietinha, sem muito marketing, acabou levando o Emmy2019 de Melhor Roteiro para Série Dramática com "Nobody is ever missing" - do excelente episódio final da primeira temporada! Ah, a série ainda levou o prêmio de Melhor Música de Abertura! Olha, vale muito a pena, mas é preciso ter estômago, porque os roteiros escancaram, uma cena atrás da outra, aquele famoso ditado de que "dinheiro não traz felicidade" e vai além, trazendo para discussão uma outra pergunta: então, o que é preciso para feliz?

Dê o play sem medo!

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Se você é um fã de "Billions" e acha que que já assistiu tudo sobre traições e armações em "Game of Thrones", provavelmente você (como eu) não vai conseguir parar de assistir "Succession" da HBO. A série pega o que tem de melhor dessas séries citadas e se aprofunda ainda mais no desenvolvimento de 5 ou 6 personagens bastante complexos e perturbadores. Ok, então como eu ainda não sabia que uma série tão interessante assim existia? Essa é uma boa pergunta, mas pode confiar: não perca mais tempo, assista e depois me agradeça. 

"Succession" acompanha o dia a dia da Família Roy dona de um dos maiores conglomerados de Mídia e Entretenimento do Mundo. Acontece que as relações dentro dos convívio familiar não são, digamos, tão sadias assim. As disputas pelo poder movem os personagens dentro desse universo corporativo, trabalhando como ninguém aquela linha bastante tênue entre o objetivo pessoal (e privado) e a ganância profissional (e pública) - tudo isso regado a muito dinheiro e ostentação capaz de deixar "Suits" no chinelo!

Logan (Brian Cox) comanda o 5º maior conglomerado de mídia de entretenimento do mundo. O patriarca da família Roy conseguiu construir um verdadeiro império e se tronar um dos homens mais poderosos (e odiados) do mundo. Seu estilo pouco popular de administrar o negócio transformou Logan em um profissional muito bem sucedido, ao mesmo tempo em que foi um pai extremamente autoritário e um ser humano rancoroso, misógino e preconceituoso. Em cima desses valores nada nobres é  que conhecemos Kendall (Jeremy Strong), o segundo filho mais velho, um rapaz esforçado e o mais envolvido com o negócio da família, o problema é que suas referências o tornaram um profissional inseguro, sem alto estima e limitado. Recém separado da mulher Rava e depois de um problema crônico com drogas, Kendall sofre para se tornar alguém respeitado dentro da empresa e principalmente para ganhar a aprovação e o apoio do pai - chega a dar dó! Roman (Kieran Culkin - o irmão de Macaulay) é o caçula, um playboy mimado, preguiçoso e sem noção, completamente sem escrúpulos nos negócios e nas relações pessoais - um perfeito idiota! Shiv (Saraha Snook), a única filha mulher, é completamente desequilibrada emocionalmente, provavelmente o reflexo da criação machista que teve durante toda sua infância. Embora seja uma profissional respeitada na carreira política, Shiv vive interferindo nas decisões da empresa da família e se colocando contra as atitudes egoístas e vaidosas dos irmãos (e muitas vezes do próprio pai). Para finalizar, o filho mais velho, Connor (Alan Ruck), não quer nenhuma ligação com a empresa desde que continue sendo financiado pelo dinheiro "que lhe é de direito"! Completamente fora da realidade, Connor mora em uma fazenda (de luxo) e namora uma jovem atriz de teatro que a família insiste em dizer que é uma prostituta! Outros três personagens coadjuvantes também chamam a atenção por sua importância nas tramas e pela complexidade com que se envolvem nas relações: Greg (Nicholas Braun) um sobrinho distante que quer vencer na vida custe o que custar, Tom (Matthew Macfadyen), noivo de Shiv e um executivo medíocre em busca de ascensão profissional / social e Marcia (Hiam Abbass), a companheira misteriosa de Logan.

A partir do trailer e da descrição dos personagens já dá para se ter uma idéia de como podem ser constrangedoras as situações envolvendo esses pares. Sério, a sensação é que somos colocados em um ambiente fechado, claustrofóbico até, com uma bomba prestes a explodir, só não sabemos exatamente "quando" e nem "como" - isso gera uma espécie de tensão como poucas vezes senti ao assistir uma série (talvez minha única lembrança imediata seja "Breaking Bad"). A relação entre eles é tão superficial e egocêntrica que chega a embrulhar o estômago e essa sensação é muito mérito do conceito estético que o showrunner aplicou na série. Com uma câmera mais solta, os diretores usam muito do "zoom" para nos aproximar da tensão de cada diálogo, trazendo um toque documental para a ficção - mais ou menos como foi feito em "The Office". A fotografia também merece destaque, os planos abertos, além de mostrar uma arquitetura moderna e luxuosa, trás uma Nova Yorke charmosa e agitada como nas já citadas "Billions" e "Suits".

É fato que "Succession" surfa na onda do hype corporativo e da tendência de dramas do mercado financeiro - como citamos recentemente no Blog da Viu Review, porém a série não deixa de ser uma grande (e agradável) surpresa, pois mesmo chegando quietinha, sem muito marketing, acabou levando o Emmy2019 de Melhor Roteiro para Série Dramática com "Nobody is ever missing" - do excelente episódio final da primeira temporada! Ah, a série ainda levou o prêmio de Melhor Música de Abertura! Olha, vale muito a pena, mas é preciso ter estômago, porque os roteiros escancaram, uma cena atrás da outra, aquele famoso ditado de que "dinheiro não traz felicidade" e vai além, trazendo para discussão uma outra pergunta: então, o que é preciso para feliz?

Dê o play sem medo!

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Terrorismo Americano

Você não vai precisar mais do que 8 minutos para sentir seu estômago completamente embrulhado! Sim, esse documentário da HBO vai mexer com suas emoções de uma maneira avassaladora, vai te provocar muitos julgamentos e, principalmente, vai te fazer refletir justamente pela forma como sua narrativa vai desconstruindo, ponto a ponto, o atentado ocorrido em 19 de abril de 1995, em Oklahoma, até encontrar os motivos que levaram Timothy McVeigh a cometer um ato tão brutal contra seu próprio país - e olha, já te adianto: você vai se surpreender com essa relação "causa e consequência" às avessas e entender como nada acontece por acaso quando se trata de mentes doentias como a de McVeigh.

"Terrorismo Americano: O Atentado de Oklahoma City" oferece em pouco mais de 90 minutos, não apenas um relato factual e doloroso do maior ataque terrorista doméstico da história americana, mas também uma reflexão crítica sobre as raízes da violência extremista nos Estados Unidos, questionando como discursos ultra-radicais e a crescente ideologia do ódio fomentam atos de terror. Confira o trailer (em inglês):

Assim como em "13ª Emenda" (de 2016) e "American Manhunt: The Boston Marathon Bombing" (de 2023), esse documentário dirigido por Marc Levin (diretor premiado com um Emmy por "Thug Life in D.C." e em Cannes por "Slam") é muito competente em ir além dos eventos de 19 de abril de 1995 ao examinar todo o contexto social e político que moldou esse ato devastador. Basicamente, a narrativa se estrutura em duas frentes: por um lado, reconstitui o planejamento e a execução do atentado perpetrado por Timothy McVeigh e seus cúmplices, e por outro, investiga as motivações e ideologias que impulsionaram o ato. Muito bem dirigido e editado, o documentário entrelaça depoimentos dos familiares das vítimas com jornalistas, políticos (inclusive do ex-presidente americano, Bill Clinton), advogados e investigadores, mas também com especialistas em terrorismo doméstico e dissidentes do movimento de extrema direita americano, oferecendo uma perspectiva abrangente sobre o impacto do ataque e a crescente ameaça do terrorismo doméstico no país. 

Marc Levin adota uma abordagem documental rigorosa, evitando sensacionalismo e priorizando a profundidade da análise bilateral. Ao intercalar imagens de arquivo, entrevistas e reconstituições para criar uma narrativa que mantém o ritmo e a tensão, o diretor se aprofunda em questões sociopolíticas para contextualizar o atentado dentro de uma linha histórica de eventos que parecem isolados, mas ao se permitir um mergulho mais rigoroso, tudo passa a fazer sentido  — o cerco de Waco em 1993 e o confronto em Ruby Ridge em 1992, são dois exemplos dessa conexão com Timothy McVeigh. Repare como essa proposta de Levin oferece uma compreensão mais ampla tanto das motivações ideológicas  quanto da retórica antigovernamental que só se intensificou a partir dos anos 1990. O diretor é muito competente ao explorar como discursos de ódio e as teorias conspiratórias encontraram terreno fértil em grupos paramilitares e movimentos supremacistas, desenhando paralelos inquietantes com a ascensão de extremistas no presente. Essa abordagem mais crítica torna a obra não apenas um recorte histórica, mas também uma reflexão relevante sobre a fragilidade da democracia e os riscos que surgem quando a desinformação e a radicalização são normalizadas.

Apesar de todos os seus méritos, "An American Bombing: The Road to April 19th" (no original) pode até ser considerado denso para parte de audiência - o que é compreensível. Mas para aqueles que entendem a complexidade dos temas abordados durante a jornada e a real tentativa de conectar o atentado na sede federal Alfred P. Murrah, em Oklahoma, com outros eventos históricos, eu diria que a experiência é das mais completas. Saiba que essa abordagem histórica ampla é um dos grandes trunfos da obra e é ela que vai te oferecer uma compreensão mais profunda das raízes da violência doméstica e do perigo que é a polarização política - até, obviamente, te levar ao play de outras duas obras co-relacionadas: "O Cerco de Waco" e "Waco".

Esteja preparado, mas vale muito o seu play!

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Você não vai precisar mais do que 8 minutos para sentir seu estômago completamente embrulhado! Sim, esse documentário da HBO vai mexer com suas emoções de uma maneira avassaladora, vai te provocar muitos julgamentos e, principalmente, vai te fazer refletir justamente pela forma como sua narrativa vai desconstruindo, ponto a ponto, o atentado ocorrido em 19 de abril de 1995, em Oklahoma, até encontrar os motivos que levaram Timothy McVeigh a cometer um ato tão brutal contra seu próprio país - e olha, já te adianto: você vai se surpreender com essa relação "causa e consequência" às avessas e entender como nada acontece por acaso quando se trata de mentes doentias como a de McVeigh.

"Terrorismo Americano: O Atentado de Oklahoma City" oferece em pouco mais de 90 minutos, não apenas um relato factual e doloroso do maior ataque terrorista doméstico da história americana, mas também uma reflexão crítica sobre as raízes da violência extremista nos Estados Unidos, questionando como discursos ultra-radicais e a crescente ideologia do ódio fomentam atos de terror. Confira o trailer (em inglês):

Assim como em "13ª Emenda" (de 2016) e "American Manhunt: The Boston Marathon Bombing" (de 2023), esse documentário dirigido por Marc Levin (diretor premiado com um Emmy por "Thug Life in D.C." e em Cannes por "Slam") é muito competente em ir além dos eventos de 19 de abril de 1995 ao examinar todo o contexto social e político que moldou esse ato devastador. Basicamente, a narrativa se estrutura em duas frentes: por um lado, reconstitui o planejamento e a execução do atentado perpetrado por Timothy McVeigh e seus cúmplices, e por outro, investiga as motivações e ideologias que impulsionaram o ato. Muito bem dirigido e editado, o documentário entrelaça depoimentos dos familiares das vítimas com jornalistas, políticos (inclusive do ex-presidente americano, Bill Clinton), advogados e investigadores, mas também com especialistas em terrorismo doméstico e dissidentes do movimento de extrema direita americano, oferecendo uma perspectiva abrangente sobre o impacto do ataque e a crescente ameaça do terrorismo doméstico no país. 

Marc Levin adota uma abordagem documental rigorosa, evitando sensacionalismo e priorizando a profundidade da análise bilateral. Ao intercalar imagens de arquivo, entrevistas e reconstituições para criar uma narrativa que mantém o ritmo e a tensão, o diretor se aprofunda em questões sociopolíticas para contextualizar o atentado dentro de uma linha histórica de eventos que parecem isolados, mas ao se permitir um mergulho mais rigoroso, tudo passa a fazer sentido  — o cerco de Waco em 1993 e o confronto em Ruby Ridge em 1992, são dois exemplos dessa conexão com Timothy McVeigh. Repare como essa proposta de Levin oferece uma compreensão mais ampla tanto das motivações ideológicas  quanto da retórica antigovernamental que só se intensificou a partir dos anos 1990. O diretor é muito competente ao explorar como discursos de ódio e as teorias conspiratórias encontraram terreno fértil em grupos paramilitares e movimentos supremacistas, desenhando paralelos inquietantes com a ascensão de extremistas no presente. Essa abordagem mais crítica torna a obra não apenas um recorte histórica, mas também uma reflexão relevante sobre a fragilidade da democracia e os riscos que surgem quando a desinformação e a radicalização são normalizadas.

Apesar de todos os seus méritos, "An American Bombing: The Road to April 19th" (no original) pode até ser considerado denso para parte de audiência - o que é compreensível. Mas para aqueles que entendem a complexidade dos temas abordados durante a jornada e a real tentativa de conectar o atentado na sede federal Alfred P. Murrah, em Oklahoma, com outros eventos históricos, eu diria que a experiência é das mais completas. Saiba que essa abordagem histórica ampla é um dos grandes trunfos da obra e é ela que vai te oferecer uma compreensão mais profunda das raízes da violência doméstica e do perigo que é a polarização política - até, obviamente, te levar ao play de outras duas obras co-relacionadas: "O Cerco de Waco" e "Waco".

Esteja preparado, mas vale muito o seu play!

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