A Diretora Lisa Cholodenko dirigiu alguns pilotos de séries americanas de certo sucesso como "Hung" e "Six Feet Under", mas foi escrevendo "The Kids Are All Right" (título original) que ela mostrou seu grande talento - trabalho que, inclusive, lhe rendeu uma indicação no Oscar de melhor Roteiro Original em 2011. O fato é que estamos falando de um belíssimo e sensível roteiro!
Dois irmãos adolescentes, Joni (Mia Wasikowaska) e Laser (Josh Hutcherson), são filhos do casal, Jules (Julianne Moore) e Nic (Annette Bening), concebidos através da inseminação artificial de um doador anônimo. Contudo, ao completar a maioridade, Joni encoraja o irmão a embarcar numa aventura para encontrar o pai biológico sem que as mães saibam. Quando Paul (Mark Ruffalo) aparece tudo muda, já que logo ele passa a fazer parte do cotidiano da família. Confira o trailer:
"Minhas Mães e Meu Pai" acerta ao tratar um drama bastante denso na sua origem, com uma narrativa extremamente leve e envolvente. Cholodenko que também dirigiu o filme, parte de sua própria experiência para contar uma história que, antes de tudo, fala sobre amor, companheirismo e família. Ela pontua os momentos de confusão (natural pela situação) com inteligência, usando muito bem os alívios cômicos como pontos de equilíbrio. O trabalho excepcional do elenco é inegável - o que resultou em mais duas indicações ao Oscar. É preciso elogiar a sensibilidade como os atores foram dirigidos e a resposta que cada um deu em cena, também reflexo de um texto muito bem escrito - Annette Bening concorreu como "Melhor Atriz" e Mark Ruffalo como "Ator Coadjuvante".
Um orçamento de U$ 4 milhões e um cronograma de filmagem de apenas 23 dias, são outros dois fatores que surpreendem e validam com muito mérito todos os prêmios que o filme ganhou durante sua carreira em festivais com mais de 130 indicações, que vão do Melhor Filme do Ano para a Academia até a vitória no Globo de Ouro de 2011 como "Melhor Filme de Comédia ou Musical", passando por reconhecimentos importantes no BAFTA, em Berlin, no Spirit Awards, etc.
"Minhas Mães e Meu Pai" é um filme que nos enche o coração, que nos faz refletir sobre o real e verdadeiro significado do amor, sobre nossas inseguranças durante um relacionamento, sobre as escolhas de vida que fazemos e até sobre a forma com que olhamos as convenções sociais para determinados assuntos. Com uma trilha escolhida a dedo, que vai de David Bowie à Joni Mitchell, e uma edição (que também merecia uma indicação) fabulosa do Jeffrey M. Werner, esse filme de 2010 é simplesmente imperdível!
Sensível e inteligente!!! Assista!!!
A Diretora Lisa Cholodenko dirigiu alguns pilotos de séries americanas de certo sucesso como "Hung" e "Six Feet Under", mas foi escrevendo "The Kids Are All Right" (título original) que ela mostrou seu grande talento - trabalho que, inclusive, lhe rendeu uma indicação no Oscar de melhor Roteiro Original em 2011. O fato é que estamos falando de um belíssimo e sensível roteiro!
Dois irmãos adolescentes, Joni (Mia Wasikowaska) e Laser (Josh Hutcherson), são filhos do casal, Jules (Julianne Moore) e Nic (Annette Bening), concebidos através da inseminação artificial de um doador anônimo. Contudo, ao completar a maioridade, Joni encoraja o irmão a embarcar numa aventura para encontrar o pai biológico sem que as mães saibam. Quando Paul (Mark Ruffalo) aparece tudo muda, já que logo ele passa a fazer parte do cotidiano da família. Confira o trailer:
"Minhas Mães e Meu Pai" acerta ao tratar um drama bastante denso na sua origem, com uma narrativa extremamente leve e envolvente. Cholodenko que também dirigiu o filme, parte de sua própria experiência para contar uma história que, antes de tudo, fala sobre amor, companheirismo e família. Ela pontua os momentos de confusão (natural pela situação) com inteligência, usando muito bem os alívios cômicos como pontos de equilíbrio. O trabalho excepcional do elenco é inegável - o que resultou em mais duas indicações ao Oscar. É preciso elogiar a sensibilidade como os atores foram dirigidos e a resposta que cada um deu em cena, também reflexo de um texto muito bem escrito - Annette Bening concorreu como "Melhor Atriz" e Mark Ruffalo como "Ator Coadjuvante".
Um orçamento de U$ 4 milhões e um cronograma de filmagem de apenas 23 dias, são outros dois fatores que surpreendem e validam com muito mérito todos os prêmios que o filme ganhou durante sua carreira em festivais com mais de 130 indicações, que vão do Melhor Filme do Ano para a Academia até a vitória no Globo de Ouro de 2011 como "Melhor Filme de Comédia ou Musical", passando por reconhecimentos importantes no BAFTA, em Berlin, no Spirit Awards, etc.
"Minhas Mães e Meu Pai" é um filme que nos enche o coração, que nos faz refletir sobre o real e verdadeiro significado do amor, sobre nossas inseguranças durante um relacionamento, sobre as escolhas de vida que fazemos e até sobre a forma com que olhamos as convenções sociais para determinados assuntos. Com uma trilha escolhida a dedo, que vai de David Bowie à Joni Mitchell, e uma edição (que também merecia uma indicação) fabulosa do Jeffrey M. Werner, esse filme de 2010 é simplesmente imperdível!
Sensível e inteligente!!! Assista!!!
"Moneyball" é um filme, de fato, fascinante e que oferece uma abordagem única que vai além do universo do beisebol (um esporte que o brasileiro não se conecta em sua maioria) - ou seja, embora tenha muitos elementos que remetam ao esporte em si, o filme é muito mais sobre um protagonista que pensava "fora da caixa", que estava a frente do seu tempo, do que qualquer outra coisa! Certamente um dos melhores de 2010, o filme dirigido pelo Bennett Miller (de "Capote") equilibra perfeitamente algumas curiosidades sobre os bastidores do esporte com a mesma habilidade com que constrói um drama coeso com um leve toque de crítica social, sem nunca perder seu ritmo empolgante.
Baseado em uma história real, o filme acompanha a jornada de Billy Beane (Brad Pitt), o gerente geral do time de beisebol Oakland Athletics, que decide abandonar as práticas convencionais de contratação de jogadores para adotar uma estratégia arriscada, baseada em dados e estatística, para formar um time barato, mas vencedor, e assim tentar mudar a história de como as pessoas viam o esporte. Confira o trailer:
Escrito por Aaron Sorkin e Steven Zaillian, e baseado na história de Stan Chervin, o roteiro de "Moneyball" é uma verdadeira obra-prima. Sua narrativa se desenvolve de maneira inteligente, cativando o público desde o primeiro momento. Embora o filme tenha um ritmo mais cadenciado em alguns momentos, com diálogos apressados (até verborrágicos demais) e termos pouco convencionais para o grande público, eu diria que a história é tão envolvente que fica até difícil perder o interesse pela jornada de Beane.
Aliás, Brad Pitt entrega uma performance fenomenal, capturando perfeitamente a complexidade de seu personagem - dos seus sonhos até suas inseguranças. Sua presença em cena cativa nossa atenção, ele transmite as emoções e a determinação de Beane de uma forma muito autêntica, muito verdadeira. Jonah Hill também merece elogios como Peter Brand, o economista que se junta a Beane na busca por essa nova abordagem. A química entre os dois atores é evidente, proporcionando momentos divertidíssimos. A fotografia de "Moneyball" é outro elemento técnico que precisa ser citado: o trabalho do Wally Pfister (parceiro de Nolan em vários filmes e vencedor do Oscar por "A Origem") impõe uma estética tão elegante quanto realista. As cenas dentro e fora do campo são capturadas de forma magistral, transmitindo a intensidade do jogo e a pressão enfrentada por Beane de uma forma muito natural.
"Moneyball" é um filme excepcional que transcende o gênero esportivo. É uma história das mais inspiradoras sobre perseverança, inovação e a busca incansável para alcançar o sucesso. Sua mensagem é tão poderosa que o filme virou referência quando o assunto é questionar as tradições e lidar com a mudança.
Imperdível!
Up-date:"Moneyball" foi indicado em seis categorias no Oscar 2012, inclusive de "Melhor Filme".
Vale seu play!
"Moneyball" é um filme, de fato, fascinante e que oferece uma abordagem única que vai além do universo do beisebol (um esporte que o brasileiro não se conecta em sua maioria) - ou seja, embora tenha muitos elementos que remetam ao esporte em si, o filme é muito mais sobre um protagonista que pensava "fora da caixa", que estava a frente do seu tempo, do que qualquer outra coisa! Certamente um dos melhores de 2010, o filme dirigido pelo Bennett Miller (de "Capote") equilibra perfeitamente algumas curiosidades sobre os bastidores do esporte com a mesma habilidade com que constrói um drama coeso com um leve toque de crítica social, sem nunca perder seu ritmo empolgante.
Baseado em uma história real, o filme acompanha a jornada de Billy Beane (Brad Pitt), o gerente geral do time de beisebol Oakland Athletics, que decide abandonar as práticas convencionais de contratação de jogadores para adotar uma estratégia arriscada, baseada em dados e estatística, para formar um time barato, mas vencedor, e assim tentar mudar a história de como as pessoas viam o esporte. Confira o trailer:
Escrito por Aaron Sorkin e Steven Zaillian, e baseado na história de Stan Chervin, o roteiro de "Moneyball" é uma verdadeira obra-prima. Sua narrativa se desenvolve de maneira inteligente, cativando o público desde o primeiro momento. Embora o filme tenha um ritmo mais cadenciado em alguns momentos, com diálogos apressados (até verborrágicos demais) e termos pouco convencionais para o grande público, eu diria que a história é tão envolvente que fica até difícil perder o interesse pela jornada de Beane.
Aliás, Brad Pitt entrega uma performance fenomenal, capturando perfeitamente a complexidade de seu personagem - dos seus sonhos até suas inseguranças. Sua presença em cena cativa nossa atenção, ele transmite as emoções e a determinação de Beane de uma forma muito autêntica, muito verdadeira. Jonah Hill também merece elogios como Peter Brand, o economista que se junta a Beane na busca por essa nova abordagem. A química entre os dois atores é evidente, proporcionando momentos divertidíssimos. A fotografia de "Moneyball" é outro elemento técnico que precisa ser citado: o trabalho do Wally Pfister (parceiro de Nolan em vários filmes e vencedor do Oscar por "A Origem") impõe uma estética tão elegante quanto realista. As cenas dentro e fora do campo são capturadas de forma magistral, transmitindo a intensidade do jogo e a pressão enfrentada por Beane de uma forma muito natural.
"Moneyball" é um filme excepcional que transcende o gênero esportivo. É uma história das mais inspiradoras sobre perseverança, inovação e a busca incansável para alcançar o sucesso. Sua mensagem é tão poderosa que o filme virou referência quando o assunto é questionar as tradições e lidar com a mudança.
Imperdível!
Up-date:"Moneyball" foi indicado em seis categorias no Oscar 2012, inclusive de "Melhor Filme".
Vale seu play!
"Moonlight" é um grande filme - uma história que mostra uma realidade dura, mas sem ser piegas. Chega ser surpreendente como as coisas acontecem na vida do protagonista! "Moonlight" tem o mérito de focar nas ligações humanas e na auto-descoberta, através da vida de um jovem afro-americano desde a sua infância até à idade adulta, acompanhando a sua luta até encontrar um lugar no mundo à medida que vai crescendo em um bairro pobre de Miami. O filme é um retrato real da vida contemporânea da comunidade afro-americana ao mesmo tempo que é um convite à uma reflexão profundamente pessoal sobre identidade! Confira o trailer:
Sem dúvida, o melhor trabalho entre os indicados ao Oscar 2017 para melhor diretor ao lado do Denis Villeneuve (com "A Chegada") - e isso fez muita diferença no filme, pois a sensibilidade do diretor transformou uma jornada impactante (e até já vista) em algo original e surpreendente em muitos momentos. Baseado no projeto “In Moonlight Black Boys Look Blue” de Tarell Alvin McCraney, acompanhar a transformação na vida de Chiron (Ashton Sanders) durante três fases: infância, adolescência e maturidade, nos tira completamente da zona de conforto e nos move em uma incrível jornada - se não tão emotiva como em "Lion", certamente mais impactante!
Barry Jenkins mandou muito bem nas escolhas dos planos, dos movimentos e principalmente na direção dos atores - Mahershala Ali como Juan é quase uma barbada na categoria de ator coadjuvante! A maneira como Jenkins usou o silencio para trazer as sensações que a história pedia é impressionante! Confesso que não conhecia o trabalho dele e gostei muito! Um diretor com muita personalidade pra quem está apenas no segundo longa-metragem e que merece ser observado de perto - vale ressaltar que Barry Jenkins já tinha uma carreira bastante sólida em festivais de curtas-metragem e seu primeiro filme já havia chamado muita atenção dos críticos!
A fotografia de "Moonlight" do diretor James Laxton (companheiro de longa data de Jenkins desde seu primeiro curta em 2003) também é incrível, mas não acho que levaria o prêmio pelos concorrentes fortes que tem nessa categoria! Outra do elenco que mereceria o prêmio é a Naomie Harris que interpreta a mãe do protagonista e concorre como atriz coadjuvante! Está certo que o papel é um presente: uma viciada em crack! Ma ela simplesmente destrói!
Nas outras categorias em que o filme foi indicado, e são 8 no total, Roteiro Adaptado corre por fora, mas não me surpreenderia se ganhasse. Embora "Moonlight" tenha sido muito premiado em festivas pelo mundo, não acho que teria força pra desbancar os favoritos como Melhor Filme, embora tem tenha todos os elementos para isso! O que eu posso dizer é que, independente de qualquer coisa, temos mais um grande filme em uma temporada muito pulverizada nos gêneros!
Vale muito o seu play - daquele para ver e rever!
Up-date: "Moonlight" ganhou em três categorias no Oscar 2017: Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado e, surpreendeu como, Melhor Filme!
"Moonlight" é um grande filme - uma história que mostra uma realidade dura, mas sem ser piegas. Chega ser surpreendente como as coisas acontecem na vida do protagonista! "Moonlight" tem o mérito de focar nas ligações humanas e na auto-descoberta, através da vida de um jovem afro-americano desde a sua infância até à idade adulta, acompanhando a sua luta até encontrar um lugar no mundo à medida que vai crescendo em um bairro pobre de Miami. O filme é um retrato real da vida contemporânea da comunidade afro-americana ao mesmo tempo que é um convite à uma reflexão profundamente pessoal sobre identidade! Confira o trailer:
Sem dúvida, o melhor trabalho entre os indicados ao Oscar 2017 para melhor diretor ao lado do Denis Villeneuve (com "A Chegada") - e isso fez muita diferença no filme, pois a sensibilidade do diretor transformou uma jornada impactante (e até já vista) em algo original e surpreendente em muitos momentos. Baseado no projeto “In Moonlight Black Boys Look Blue” de Tarell Alvin McCraney, acompanhar a transformação na vida de Chiron (Ashton Sanders) durante três fases: infância, adolescência e maturidade, nos tira completamente da zona de conforto e nos move em uma incrível jornada - se não tão emotiva como em "Lion", certamente mais impactante!
Barry Jenkins mandou muito bem nas escolhas dos planos, dos movimentos e principalmente na direção dos atores - Mahershala Ali como Juan é quase uma barbada na categoria de ator coadjuvante! A maneira como Jenkins usou o silencio para trazer as sensações que a história pedia é impressionante! Confesso que não conhecia o trabalho dele e gostei muito! Um diretor com muita personalidade pra quem está apenas no segundo longa-metragem e que merece ser observado de perto - vale ressaltar que Barry Jenkins já tinha uma carreira bastante sólida em festivais de curtas-metragem e seu primeiro filme já havia chamado muita atenção dos críticos!
A fotografia de "Moonlight" do diretor James Laxton (companheiro de longa data de Jenkins desde seu primeiro curta em 2003) também é incrível, mas não acho que levaria o prêmio pelos concorrentes fortes que tem nessa categoria! Outra do elenco que mereceria o prêmio é a Naomie Harris que interpreta a mãe do protagonista e concorre como atriz coadjuvante! Está certo que o papel é um presente: uma viciada em crack! Ma ela simplesmente destrói!
Nas outras categorias em que o filme foi indicado, e são 8 no total, Roteiro Adaptado corre por fora, mas não me surpreenderia se ganhasse. Embora "Moonlight" tenha sido muito premiado em festivas pelo mundo, não acho que teria força pra desbancar os favoritos como Melhor Filme, embora tem tenha todos os elementos para isso! O que eu posso dizer é que, independente de qualquer coisa, temos mais um grande filme em uma temporada muito pulverizada nos gêneros!
Vale muito o seu play - daquele para ver e rever!
Up-date: "Moonlight" ganhou em três categorias no Oscar 2017: Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado e, surpreendeu como, Melhor Filme!
"Nada de Novo no Front" pode ser considerado, tranquilamente, um dos melhores filmes de 2022 - da mesma forma como também deve ser classificado como um dos mais violentos e impactantes visualmente - ele é, de fato, muito pesado! Saiba que após o "play" você estará diante de uma jornada de cerca de duas horas e meia, muito dura, visceral, indigesta e extremamente tocante - eu diria que essa produção da Netflix é praticamente um complemento ou um outro ponto de vista do que assistimos no brilhante "1917"!
"Nada de Novo no Front" conta a emocionante história de um jovem alemão, Paul Baumer (Felix Kammerer), e de seus amigos Albert Kopp (Aaron Hilmer) e Franz Muller (Moritz Klaus), durante a Primeira Guerra Mundial. Lutando pelas próprias vidas, Paul e seus colegas sentem como a euforia inicial, marcada por uma onda de fervor patriótico, se transforma em desespero e medo quando enfrentam a realidade brutal da vida no front. Confira o trailer:
"Im Westen nichts Neues" (no original) é baseado no livro de Erich Maria Remarque publicado em 1929. Já em 1930, a primeira versão de "Nada de Novo no Front", dirigida por Lewis Milestone, venceu o Oscar de "Melhor Filme", "Melhor Roteiro", "Melhor Fotografia" e "Melhor Direção". Chancelado por uma obra premiada e inegavelmente potente, o talentoso diretor alemão Edward Berger (vencedor do Emmy em 2018 por "Patrick Melrose" e do Urso de Ouro em Berlin por "Jack", em 2014) reconstrói uma atmosfera da primeira guerra tão realista quanto impressionante, se apropriando de uma dinâmica narrativa muito envolvente que nem vemos o tempo passar!
Alguns elementos saltam aos olhos: o elenco é o primeiro deles. É tocante como todos os atores (protagonistas e coadjuvantes) passam de uma maneira muito autêntica, todo o horror de estar em uma situação indigna e desprovida de qualquer humanidade, seja durante as batalhas, seja nos momentos em que buscam alguma esperança de um dia voltar para casa, vivos - aliás, estar vivo é um dos gatilhos narrativos que mais vai te provocar durante o filme. A partir de uma bela, mas densa, fotografia do inglês James Friend (vencedor do BAFTA por "Rillington Place"), somos expostos ao que de pior a guerra pode representar e muito habilmente, Berger não suaviza em nenhum momento, deixando claro que diferença entre a vida e morte passa por um mísero milésimo de segundo (ou qualquer ação mal pensada).
"Nada de Novo no Front" foi construído de uma forma que nos tira o fôlego (mesmo com raros momentos de alívios narrativos) - as situações são, de fato, angustiantes e diversas vezes claustrofóbicas, mas é na capacidade humana de representar o medo através do olhar, que mais somos tocados. É interessante como o roteiro (também escrito por Edward Berger) faz paralelos entre o caos e o luxo, entre o horror e a tranquilidade, entre o gabinete politico e o campo de batalha. Tudo é tão bem encaixado pela edição do Sven Budelmann (de "Dark") que temos uma noção exata de como o "bastidor" é tão cruel quanto o "palco", e vice-versa. Reparem como a trilha sonora conecta esses dois mundos - ela parece rasgar a narrativa, cortando a ação com sons e notas completamente desconcertantes que incomodam demais.
Olha, "Nada de Novo no Front" vale muito a pena, mas saiba que não será uma jornada das mais fáceis!
Up-date: o Filme ganhou em quatro categorias no Oscar 2023, inclusive de Melhor Filme Internacional!
"Nada de Novo no Front" pode ser considerado, tranquilamente, um dos melhores filmes de 2022 - da mesma forma como também deve ser classificado como um dos mais violentos e impactantes visualmente - ele é, de fato, muito pesado! Saiba que após o "play" você estará diante de uma jornada de cerca de duas horas e meia, muito dura, visceral, indigesta e extremamente tocante - eu diria que essa produção da Netflix é praticamente um complemento ou um outro ponto de vista do que assistimos no brilhante "1917"!
"Nada de Novo no Front" conta a emocionante história de um jovem alemão, Paul Baumer (Felix Kammerer), e de seus amigos Albert Kopp (Aaron Hilmer) e Franz Muller (Moritz Klaus), durante a Primeira Guerra Mundial. Lutando pelas próprias vidas, Paul e seus colegas sentem como a euforia inicial, marcada por uma onda de fervor patriótico, se transforma em desespero e medo quando enfrentam a realidade brutal da vida no front. Confira o trailer:
"Im Westen nichts Neues" (no original) é baseado no livro de Erich Maria Remarque publicado em 1929. Já em 1930, a primeira versão de "Nada de Novo no Front", dirigida por Lewis Milestone, venceu o Oscar de "Melhor Filme", "Melhor Roteiro", "Melhor Fotografia" e "Melhor Direção". Chancelado por uma obra premiada e inegavelmente potente, o talentoso diretor alemão Edward Berger (vencedor do Emmy em 2018 por "Patrick Melrose" e do Urso de Ouro em Berlin por "Jack", em 2014) reconstrói uma atmosfera da primeira guerra tão realista quanto impressionante, se apropriando de uma dinâmica narrativa muito envolvente que nem vemos o tempo passar!
Alguns elementos saltam aos olhos: o elenco é o primeiro deles. É tocante como todos os atores (protagonistas e coadjuvantes) passam de uma maneira muito autêntica, todo o horror de estar em uma situação indigna e desprovida de qualquer humanidade, seja durante as batalhas, seja nos momentos em que buscam alguma esperança de um dia voltar para casa, vivos - aliás, estar vivo é um dos gatilhos narrativos que mais vai te provocar durante o filme. A partir de uma bela, mas densa, fotografia do inglês James Friend (vencedor do BAFTA por "Rillington Place"), somos expostos ao que de pior a guerra pode representar e muito habilmente, Berger não suaviza em nenhum momento, deixando claro que diferença entre a vida e morte passa por um mísero milésimo de segundo (ou qualquer ação mal pensada).
"Nada de Novo no Front" foi construído de uma forma que nos tira o fôlego (mesmo com raros momentos de alívios narrativos) - as situações são, de fato, angustiantes e diversas vezes claustrofóbicas, mas é na capacidade humana de representar o medo através do olhar, que mais somos tocados. É interessante como o roteiro (também escrito por Edward Berger) faz paralelos entre o caos e o luxo, entre o horror e a tranquilidade, entre o gabinete politico e o campo de batalha. Tudo é tão bem encaixado pela edição do Sven Budelmann (de "Dark") que temos uma noção exata de como o "bastidor" é tão cruel quanto o "palco", e vice-versa. Reparem como a trilha sonora conecta esses dois mundos - ela parece rasgar a narrativa, cortando a ação com sons e notas completamente desconcertantes que incomodam demais.
Olha, "Nada de Novo no Front" vale muito a pena, mas saiba que não será uma jornada das mais fáceis!
Up-date: o Filme ganhou em quatro categorias no Oscar 2023, inclusive de Melhor Filme Internacional!
"Não olhe para cima" não é, e talvez nunca será, um filme unânime, longe disso; já que o conceito narrativo foi construído de uma forma muito inteligente (e peculiar) a partir de uma sátira que obviamente extrapola no tom, mas esconde em um roteiro irônico (e acreditem, sutil) as nuances de viver em uma época onde "ser" e "estar" se confundem a cada clique (ou arraste para o lado) perante a mediocridade e o egoísmo do ser-humano.
A premissa é simples, mas nada simplista: dois astrônomos renomados, porém pouco conhecidos das organizações governamentais dos EUA, Dr. Randall Mindy (Leonardo DiCaprio) e Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence), tentam alertar a humanidade sobre a aproximação de um cometa que acabaram de descobrir e que está prestes a destruir a Terra. Obviamente que eles são desacreditados pela presidente americana, mesmo com todas as evidências comprovadas cientificamente, então ambos resolvem fazer uma espécie de tour midiática para tentar mobilizar o maior número de pessoas e assim provocar o governo a encontrar uma solução antes que seja tarde. Confira o trailer:
Costumo dizer que você é as referências que você têm, e "Não olhe para cima" constrói uma trama que eleva essa afirmação para outro patamar - algumas sacadas são muito engraçadas, mas podem passar despercebidas por várias pessoas se não estiverem atentas. Muito bem dirigido e roteirizado pelo Adam Mckay (o cara por trás de "Succession", "A Grande Aposta", "Vice", entre outros inúmeros sucessos), o filme usa da semiótica para posicionar a audiência em um universo tão absurdo quanto real. Se dentro da trama os personagens mantém um tom naturalista de interpretação, a cada palavra pronunciada, suas mensagens chegam carregadas de ironias - e a conexão com esse tipo de texto só fará sentido se o mesmo for bem interpretado, entendido e digerido; caso contrário será o "absurdo!" que se sobressairá.
Tecnicamente o filme vai muito bem - as inserções gráficas, a câmera nervosa e a edição moderna, marca registrada de Mckay, criam uma dinâmica impressionante - conectados (vale sempre lembrar), nem vemos os mais de 120 minutos passar. Tanto DiCaprio quanto Lawrence brilham, mas impossível não destacar o trabalho de Meryl Streep como a negacionista e completamente fora da realidade, Presidente Orlean, e do seu filho, ou melhor, "assessor", Jason Orlean (Jonah Hill) - os textos de ambos são tão constrangedores que não por acaso lembraremos de Roman Roy.
Em "Não olhe para cima" não existe o menor espaço para um diálogo inteligente, um pensamento crítico ou discussões aprofundadas sobre algo que está cientificamente comprovado - fica tudo para quem assiste (e juro que estou falando apenas do filme e não do Brasil em época de pandemia). Acaba sendo uma aula de marketing de percepção que se ajusta completamente a uma agenda onde a prioridade é lucrar com suas decisões, nunca quem vai sofrer com elas - eu diria até, que é a ficção mais real dos últimos tempos, com um tempero agridoce do saudoso Monty Python. São tantas (e tantas) críticas fantasiadas de "exagero" que fica difícil tirar o sorriso amarelo do rosto ou a lembrança de uma realidade recente que gostaríamos que fosse apenas um filme da Netflix.
Vale muito seu play!
"Não olhe para cima" não é, e talvez nunca será, um filme unânime, longe disso; já que o conceito narrativo foi construído de uma forma muito inteligente (e peculiar) a partir de uma sátira que obviamente extrapola no tom, mas esconde em um roteiro irônico (e acreditem, sutil) as nuances de viver em uma época onde "ser" e "estar" se confundem a cada clique (ou arraste para o lado) perante a mediocridade e o egoísmo do ser-humano.
A premissa é simples, mas nada simplista: dois astrônomos renomados, porém pouco conhecidos das organizações governamentais dos EUA, Dr. Randall Mindy (Leonardo DiCaprio) e Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence), tentam alertar a humanidade sobre a aproximação de um cometa que acabaram de descobrir e que está prestes a destruir a Terra. Obviamente que eles são desacreditados pela presidente americana, mesmo com todas as evidências comprovadas cientificamente, então ambos resolvem fazer uma espécie de tour midiática para tentar mobilizar o maior número de pessoas e assim provocar o governo a encontrar uma solução antes que seja tarde. Confira o trailer:
Costumo dizer que você é as referências que você têm, e "Não olhe para cima" constrói uma trama que eleva essa afirmação para outro patamar - algumas sacadas são muito engraçadas, mas podem passar despercebidas por várias pessoas se não estiverem atentas. Muito bem dirigido e roteirizado pelo Adam Mckay (o cara por trás de "Succession", "A Grande Aposta", "Vice", entre outros inúmeros sucessos), o filme usa da semiótica para posicionar a audiência em um universo tão absurdo quanto real. Se dentro da trama os personagens mantém um tom naturalista de interpretação, a cada palavra pronunciada, suas mensagens chegam carregadas de ironias - e a conexão com esse tipo de texto só fará sentido se o mesmo for bem interpretado, entendido e digerido; caso contrário será o "absurdo!" que se sobressairá.
Tecnicamente o filme vai muito bem - as inserções gráficas, a câmera nervosa e a edição moderna, marca registrada de Mckay, criam uma dinâmica impressionante - conectados (vale sempre lembrar), nem vemos os mais de 120 minutos passar. Tanto DiCaprio quanto Lawrence brilham, mas impossível não destacar o trabalho de Meryl Streep como a negacionista e completamente fora da realidade, Presidente Orlean, e do seu filho, ou melhor, "assessor", Jason Orlean (Jonah Hill) - os textos de ambos são tão constrangedores que não por acaso lembraremos de Roman Roy.
Em "Não olhe para cima" não existe o menor espaço para um diálogo inteligente, um pensamento crítico ou discussões aprofundadas sobre algo que está cientificamente comprovado - fica tudo para quem assiste (e juro que estou falando apenas do filme e não do Brasil em época de pandemia). Acaba sendo uma aula de marketing de percepção que se ajusta completamente a uma agenda onde a prioridade é lucrar com suas decisões, nunca quem vai sofrer com elas - eu diria até, que é a ficção mais real dos últimos tempos, com um tempero agridoce do saudoso Monty Python. São tantas (e tantas) críticas fantasiadas de "exagero" que fica difícil tirar o sorriso amarelo do rosto ou a lembrança de uma realidade recente que gostaríamos que fosse apenas um filme da Netflix.
Vale muito seu play!
"Nasce uma Estrela" começa com um jeitão de comédia romântica, meio que no estilo "Nothing Hill" sabe?!!! Vem com aquela levada de "conto de fadas moderno" adaptada para universo da música, onde o Pop Star (famoso, rico e bonito) se apaixona pela garota normal, mas muito talentosa, que canta nos bares da noite após dar um duro danado durante o dia inteiro, aguentando o chefe idiota e a difícil batalha cotidiana da vida normal!!! Sim, eu sei que, pela rápida sinopse, parece o típico filme "Sessão da Tarde" que já cansamos de assistir... mas, te garanto, a superficialidade do enredo acaba justamente por aí, ou melhor, ela vai se transformando em algo muito mais intenso!!!
"Nasce uma Estrela" tem o mérito de revisitar uma história que já foi contada no cinema pelo menos três vezes, mas vem com um novo olhar e, principalmente, com uma sensibilidade muito interessante, diferente. Com o desenrolar do filme, vamos sendo apresentados às várias camadas dos personagens e das situações que os rodeiam e conforme você vai conhecendo cada uma delas, vai se aprofundando e entendendo dramas mais complexos do que parecem - aí fica fácil perceber porque ganhou mais de 50 prêmios em Festivais ao redor do Mundo e porque está indicado em 8 categorias do Oscar, inclusive como melhor filme!!!
O Filme traz em primeiro plano o sonho de um amor improvável, da imperdível chance de mostrar um talento escondido, mas logo trás à tona o drama do alcoolismo, da insegurança da perda de personalidade. Ao mesmo tempo que trás a sedução do sucesso, mostra o constrangimento do fracasso. Fala sobre cumplicidade familiar, mas também escancara as feridas de um passado marcado por decepções. O genial é que tudo isso está personificado nos dois personagens principais e em duas excelentes atuações: Bradley Cooper como Jack e Lady Gaga como Allie - aliás, Lady Gaga foi uma notável surpresa... a primeira cena dela mostra até um pouco de insegurança, mas depois ela vai ganhando força, encontrando o caminho, o tom certo! Já o Bradley Cooper, talvez tenha feito o melhor papel dele.
"Nasce uma Estrela" ainda tem "Shallow" concorrendo como Melhor Canção (e tem tudo para levar), Melhor Edição de Som (esquece) , Melhor Roteiro Adaptado (aqui também pode levar), Melhor Fotografia (duvido) e Melhor Ator Coadjuvante, com o também excelente Sam Elliott (que corre por fora, mas não seria uma surpresa se levasse). Uma categoria que senti falta na indicação foi a de Melhor Diretor - talvez por puro preconceito. Bradley Cooper fez um excelente trabalho, foi indicado em todos os prêmios até agora e, para mim, foi até melhor que o Bryan Singer em Bohemian Rhapsody, principalmente nas cenas de palco onde a comparação é inevitável. Está certo que são câmeras diferentes: a do Cooper é mais solta, mais orgânica; a do Singer, é mais fixa, ensaiada, porém muito inventiva - pessoalmente, gosto mais da escolha do Cooper: tem uns planos sequência, onde ele deixa aquele flare das luzes do palco interferirem na lente no meio da narrativa, de uma forma tão natural, que fica lindo!!!
Enfim, "Nasce uma Estrela" é um filme que transita por um universo bastante seguro, porque é praticamente impossível, quem assiste, não se importar (e não sofrer) com a história da protagonista. Cooper sabia disso e conduziu a história de uma maneira bem bacana - tecnicamente é muito bem realizado - até melhor que Bohemian.
Olha, é um excelente entretenimento, fácil de se emocionar!
Up-date: "Nasce uma Estrela" ganhou em uma categoria no Oscar 2019: Melhor Canção!
"Nasce uma Estrela" começa com um jeitão de comédia romântica, meio que no estilo "Nothing Hill" sabe?!!! Vem com aquela levada de "conto de fadas moderno" adaptada para universo da música, onde o Pop Star (famoso, rico e bonito) se apaixona pela garota normal, mas muito talentosa, que canta nos bares da noite após dar um duro danado durante o dia inteiro, aguentando o chefe idiota e a difícil batalha cotidiana da vida normal!!! Sim, eu sei que, pela rápida sinopse, parece o típico filme "Sessão da Tarde" que já cansamos de assistir... mas, te garanto, a superficialidade do enredo acaba justamente por aí, ou melhor, ela vai se transformando em algo muito mais intenso!!!
"Nasce uma Estrela" tem o mérito de revisitar uma história que já foi contada no cinema pelo menos três vezes, mas vem com um novo olhar e, principalmente, com uma sensibilidade muito interessante, diferente. Com o desenrolar do filme, vamos sendo apresentados às várias camadas dos personagens e das situações que os rodeiam e conforme você vai conhecendo cada uma delas, vai se aprofundando e entendendo dramas mais complexos do que parecem - aí fica fácil perceber porque ganhou mais de 50 prêmios em Festivais ao redor do Mundo e porque está indicado em 8 categorias do Oscar, inclusive como melhor filme!!!
O Filme traz em primeiro plano o sonho de um amor improvável, da imperdível chance de mostrar um talento escondido, mas logo trás à tona o drama do alcoolismo, da insegurança da perda de personalidade. Ao mesmo tempo que trás a sedução do sucesso, mostra o constrangimento do fracasso. Fala sobre cumplicidade familiar, mas também escancara as feridas de um passado marcado por decepções. O genial é que tudo isso está personificado nos dois personagens principais e em duas excelentes atuações: Bradley Cooper como Jack e Lady Gaga como Allie - aliás, Lady Gaga foi uma notável surpresa... a primeira cena dela mostra até um pouco de insegurança, mas depois ela vai ganhando força, encontrando o caminho, o tom certo! Já o Bradley Cooper, talvez tenha feito o melhor papel dele.
"Nasce uma Estrela" ainda tem "Shallow" concorrendo como Melhor Canção (e tem tudo para levar), Melhor Edição de Som (esquece) , Melhor Roteiro Adaptado (aqui também pode levar), Melhor Fotografia (duvido) e Melhor Ator Coadjuvante, com o também excelente Sam Elliott (que corre por fora, mas não seria uma surpresa se levasse). Uma categoria que senti falta na indicação foi a de Melhor Diretor - talvez por puro preconceito. Bradley Cooper fez um excelente trabalho, foi indicado em todos os prêmios até agora e, para mim, foi até melhor que o Bryan Singer em Bohemian Rhapsody, principalmente nas cenas de palco onde a comparação é inevitável. Está certo que são câmeras diferentes: a do Cooper é mais solta, mais orgânica; a do Singer, é mais fixa, ensaiada, porém muito inventiva - pessoalmente, gosto mais da escolha do Cooper: tem uns planos sequência, onde ele deixa aquele flare das luzes do palco interferirem na lente no meio da narrativa, de uma forma tão natural, que fica lindo!!!
Enfim, "Nasce uma Estrela" é um filme que transita por um universo bastante seguro, porque é praticamente impossível, quem assiste, não se importar (e não sofrer) com a história da protagonista. Cooper sabia disso e conduziu a história de uma maneira bem bacana - tecnicamente é muito bem realizado - até melhor que Bohemian.
Olha, é um excelente entretenimento, fácil de se emocionar!
Up-date: "Nasce uma Estrela" ganhou em uma categoria no Oscar 2019: Melhor Canção!
Simplesmente sensacional - embora a sensação ao subirem os créditos não seja das mais agradáveis! "Navalny", documentário da HBO em parceira com a CNN e indicado ao Oscar 2023, é um verdadeiro soco no estômago, daqueles difíceis de digerir e capaz de nos provocar as mais diversas emoções em uma jornada que soa até ficção, mas que infelizmente é um retrato dolorido da realidade que representa a política de Valdimir Putin na Rússia.
Aqui conhecemos a história de Alexei Navalny, um dos opositores mais fortes que Putin jamais enfrentou e que, justamente por isso, em 2020, em um voo doméstico da Sibéria para Moscou, foi envenenado com Novichok, uma combinação de substâncias neurotóxicas altamente letal e marca registrada de como o presidente da Rússia trata seus desafetos. Confira o trailer (original):
"Navalny" representa para a política, mais ou menos o que representou "Icarus" para o esporte em 2018 - onde, aliás, o "bandido" era o mesmo! Revelador e muito potente como narrativa, o documentário do diretor Daniel Roher (de "Once Were Brothers: Robbie Robertson & The Band") se propõe a mostrar de uma forma muito honesta, as ideias políticas de Navalny, passando por toda sua estratégia para enfrentar Putin após o evento do envenenamento que quase tirou a sua vida. Roher equilibra muito bem o tom investigativo da história com um recorte mais pessoal do protagonista que expõe sua relação com a mulher e com seus filhos ao mesmo tempo em que precisa lidar com as constantes ameaças que sua posição provoca em seus oponentes.
E acho que aqui cabe um pequeno disclaimer: mesmo sendo muito cuidadoso para não apagar (ou manchar) a aura de "salvador da pátria" de Navalny, Roher não se esconde ao trazer para discussão algumas passagens polêmicas do politico como quando ele participou de um evento nacionalista com inspirações neonazistas ou quando ele discute com sua RP sobre a forma com que está transmitindo suas mensagens no documentário (aqui sem saber que câmera estava ligada e gravando a conversa). Veja, ninguém é santo, muito menos políticos (e estamos cansados de saber disso), porém o foco aqui vai além dos fatos em si, já que o plot se apoia em como hoje em dia é possível criar e capilarizar um discurso capaz de incomodar até aqueles que se acham intocáveis - reparem como Navalny e sua equipe lidam com as informações usando todos os canais de comunicação eletrônica, e seus respectivos públicos, com muita inteligência e, principalmente, coerência.
Como em "Icarus", alguns momentos são incrivelmente marcantes (para não dizer históricos) - é o caso da ligação entre o protagonista e um cientista, aliado de Putin, que trabalhou na missão de envenená-lo. O fato é que "Navalny" consegue trazer para os holofotes um assunto relevante para o futuro da geopolítica mundial e que mais uma vez expõe o modus operandi de um ser-humano que foi agente da KGB, chefe dos serviços secretos soviético e que hoje comanda um país tão forte como a Rússia. Se o documentário será um instrumento de mudança, é difícil saber, mas que ele, de alguma forma, vai provocar muita reflexão, isso é inegável!
Daqueles imperdíveis! Vale muito o seu play!
Up-date: "Navalny" foi o grande vencedor do Oscar 2023 na categoria "Melhor Documentário"!
Simplesmente sensacional - embora a sensação ao subirem os créditos não seja das mais agradáveis! "Navalny", documentário da HBO em parceira com a CNN e indicado ao Oscar 2023, é um verdadeiro soco no estômago, daqueles difíceis de digerir e capaz de nos provocar as mais diversas emoções em uma jornada que soa até ficção, mas que infelizmente é um retrato dolorido da realidade que representa a política de Valdimir Putin na Rússia.
Aqui conhecemos a história de Alexei Navalny, um dos opositores mais fortes que Putin jamais enfrentou e que, justamente por isso, em 2020, em um voo doméstico da Sibéria para Moscou, foi envenenado com Novichok, uma combinação de substâncias neurotóxicas altamente letal e marca registrada de como o presidente da Rússia trata seus desafetos. Confira o trailer (original):
"Navalny" representa para a política, mais ou menos o que representou "Icarus" para o esporte em 2018 - onde, aliás, o "bandido" era o mesmo! Revelador e muito potente como narrativa, o documentário do diretor Daniel Roher (de "Once Were Brothers: Robbie Robertson & The Band") se propõe a mostrar de uma forma muito honesta, as ideias políticas de Navalny, passando por toda sua estratégia para enfrentar Putin após o evento do envenenamento que quase tirou a sua vida. Roher equilibra muito bem o tom investigativo da história com um recorte mais pessoal do protagonista que expõe sua relação com a mulher e com seus filhos ao mesmo tempo em que precisa lidar com as constantes ameaças que sua posição provoca em seus oponentes.
E acho que aqui cabe um pequeno disclaimer: mesmo sendo muito cuidadoso para não apagar (ou manchar) a aura de "salvador da pátria" de Navalny, Roher não se esconde ao trazer para discussão algumas passagens polêmicas do politico como quando ele participou de um evento nacionalista com inspirações neonazistas ou quando ele discute com sua RP sobre a forma com que está transmitindo suas mensagens no documentário (aqui sem saber que câmera estava ligada e gravando a conversa). Veja, ninguém é santo, muito menos políticos (e estamos cansados de saber disso), porém o foco aqui vai além dos fatos em si, já que o plot se apoia em como hoje em dia é possível criar e capilarizar um discurso capaz de incomodar até aqueles que se acham intocáveis - reparem como Navalny e sua equipe lidam com as informações usando todos os canais de comunicação eletrônica, e seus respectivos públicos, com muita inteligência e, principalmente, coerência.
Como em "Icarus", alguns momentos são incrivelmente marcantes (para não dizer históricos) - é o caso da ligação entre o protagonista e um cientista, aliado de Putin, que trabalhou na missão de envenená-lo. O fato é que "Navalny" consegue trazer para os holofotes um assunto relevante para o futuro da geopolítica mundial e que mais uma vez expõe o modus operandi de um ser-humano que foi agente da KGB, chefe dos serviços secretos soviético e que hoje comanda um país tão forte como a Rússia. Se o documentário será um instrumento de mudança, é difícil saber, mas que ele, de alguma forma, vai provocar muita reflexão, isso é inegável!
Daqueles imperdíveis! Vale muito o seu play!
Up-date: "Navalny" foi o grande vencedor do Oscar 2023 na categoria "Melhor Documentário"!
"CODA", que no Brasil ganhou o sugestivo título "No Ritmo do Coração", é uma graça - uma mistura de "Nasce uma Estrela" com "Juno" ou "Lady Bird". O fato é que o filme da diretora Sian Heder é uma delicia de assistir, equilibrando perfeitamente o drama da protagonista com todo aquele universo que ela está inserida - o que me deixa muito tranquilo em afirmar que "CODA" é mesmo um filme sobre "empatia"!
Nele acompanhamos a história de Ruby (Emilia Jones), uma jovem que mora com sua família em uma cidade pesqueira no norte dos Estados Unidos. Todas as manhãs, antes de ir para a escola, ela embarca com seu pai Frank (Troy Kotsur) e seu irmão Leo (Daniel Durant) para ajudá-los na pescaria do dia - o que já seria uma grande responsabilidade não fosse um agravante - ela é a única pessoa da família que não é surda. Dividida entre sua paixão, a música, e a necessidade de ajudar sua família a se comunicar com o mundo, Ruby precisa decidir quais os caminhos deve seguir assim que acabar o seu último ano do Ensino Médio. Confira o trailer:
CODA significa "children of deaf adults" ou "filha de adultos surdos" em uma tradução livre - é esse "detalhe" que transforma a premissa simples daquela clássica trama de amadurecimento, protagonizada por uma adolescente que se vê dividida entre as obrigações familiares e a vontade de seguir seus próprios sonhos, em um um filme único e muito sensível.
Também roteirizado por Sian Heder (que se baseou no filme francês "A Família Bélier", de 2014), "No Ritmo do Coração" usa de uma narrativa bastante leve para discutir a importância da inclusão e a relação que os surdos tem com o mundo - e aqui cabe um comentário: a dinâmica familiar entre Ruby, seu pai Frank, seu irmão Leo e sua mãe Jackie (Marlee Matlin) é muito divertida, o que nos ajuda a criar uma conexão imediata com todos e a entender os limites e dificuldades de se comunicar quando o outro, muitas vezes, não está disposto a lidar com as diferenças.
Embora o filme não tenha nenhuma inovação narrativa ou visual tão impactante, mesmo se apropriando do silêncio e das legendas para facilitar o entendimento quando a linguagem de sinais é a única ferramenta de comunicação, a cena em que Ruby se apresenta no coral da escola é simplesmente fantástica - é nela que temos a exata sensação do problema que o filme se propõe a discutir! O elenco é um show à parte: Emilia Jones, mostra todo o seu carisma e talento ao criar uma adolescente apaixonante, mas que sobe de patamar ao assumir toda a potência vocal que personagem pede - eu diria que é nível indicação para o Oscar de "Melhor Atriz". Já Kotsur, Matlin e Durant, todos surdos na vida real, entregam atuações cheias de detalhes e simpatia - e mesmo em cenas que exigem mais do drama, funcionam cirurgicamente como alívios cômicos com todo respeito que lhes são de direito, mostrando assim várias camadas de seus personagem. Te desafio a não se emocionar com eles - Kotsur ou (e) Matlin mereceriam uma indicação de ator/atriz coadjuvante tranquilamente.
"CODA - No Ritmo do Coração" é um filme levemente açucarado e previsível - feito para nos fazer rir e chorar, além de aquecer nossa alma e nosso coração, e tudo bem, porque falo isso sem demérito algum, já que traz uma honestidade para sua trama que o coloca naquela prateleira de um dos melhores filmes do ano de 2021.
Vale muito a pena!
Up-date: "CODA - No Ritmo do Coração" ganhou em três categorias no Oscar 2022: Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Filme!
"CODA", que no Brasil ganhou o sugestivo título "No Ritmo do Coração", é uma graça - uma mistura de "Nasce uma Estrela" com "Juno" ou "Lady Bird". O fato é que o filme da diretora Sian Heder é uma delicia de assistir, equilibrando perfeitamente o drama da protagonista com todo aquele universo que ela está inserida - o que me deixa muito tranquilo em afirmar que "CODA" é mesmo um filme sobre "empatia"!
Nele acompanhamos a história de Ruby (Emilia Jones), uma jovem que mora com sua família em uma cidade pesqueira no norte dos Estados Unidos. Todas as manhãs, antes de ir para a escola, ela embarca com seu pai Frank (Troy Kotsur) e seu irmão Leo (Daniel Durant) para ajudá-los na pescaria do dia - o que já seria uma grande responsabilidade não fosse um agravante - ela é a única pessoa da família que não é surda. Dividida entre sua paixão, a música, e a necessidade de ajudar sua família a se comunicar com o mundo, Ruby precisa decidir quais os caminhos deve seguir assim que acabar o seu último ano do Ensino Médio. Confira o trailer:
CODA significa "children of deaf adults" ou "filha de adultos surdos" em uma tradução livre - é esse "detalhe" que transforma a premissa simples daquela clássica trama de amadurecimento, protagonizada por uma adolescente que se vê dividida entre as obrigações familiares e a vontade de seguir seus próprios sonhos, em um um filme único e muito sensível.
Também roteirizado por Sian Heder (que se baseou no filme francês "A Família Bélier", de 2014), "No Ritmo do Coração" usa de uma narrativa bastante leve para discutir a importância da inclusão e a relação que os surdos tem com o mundo - e aqui cabe um comentário: a dinâmica familiar entre Ruby, seu pai Frank, seu irmão Leo e sua mãe Jackie (Marlee Matlin) é muito divertida, o que nos ajuda a criar uma conexão imediata com todos e a entender os limites e dificuldades de se comunicar quando o outro, muitas vezes, não está disposto a lidar com as diferenças.
Embora o filme não tenha nenhuma inovação narrativa ou visual tão impactante, mesmo se apropriando do silêncio e das legendas para facilitar o entendimento quando a linguagem de sinais é a única ferramenta de comunicação, a cena em que Ruby se apresenta no coral da escola é simplesmente fantástica - é nela que temos a exata sensação do problema que o filme se propõe a discutir! O elenco é um show à parte: Emilia Jones, mostra todo o seu carisma e talento ao criar uma adolescente apaixonante, mas que sobe de patamar ao assumir toda a potência vocal que personagem pede - eu diria que é nível indicação para o Oscar de "Melhor Atriz". Já Kotsur, Matlin e Durant, todos surdos na vida real, entregam atuações cheias de detalhes e simpatia - e mesmo em cenas que exigem mais do drama, funcionam cirurgicamente como alívios cômicos com todo respeito que lhes são de direito, mostrando assim várias camadas de seus personagem. Te desafio a não se emocionar com eles - Kotsur ou (e) Matlin mereceriam uma indicação de ator/atriz coadjuvante tranquilamente.
"CODA - No Ritmo do Coração" é um filme levemente açucarado e previsível - feito para nos fazer rir e chorar, além de aquecer nossa alma e nosso coração, e tudo bem, porque falo isso sem demérito algum, já que traz uma honestidade para sua trama que o coloca naquela prateleira de um dos melhores filmes do ano de 2021.
Vale muito a pena!
Up-date: "CODA - No Ritmo do Coração" ganhou em três categorias no Oscar 2022: Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Filme!
"Nomadland" é um filme sobre a solidão - então saiba que aquele aperto no peito quase insuportável vai te acompanhar por quase duas horas!
Ok, mas existe beleza na solidão? A diretora Chloé Zhao, ao lado do jovem fotógrafo Joshua James Richards, tenta mostrar que sim - mesmo apoiada em um drama extremamente denso e introspectivo que além de nos provocar inúmeras reflexões sobre as nossas escolhas ao longo da vida, ainda nos conduz para discussões pertinentes sobre o luto, sobre a saudade e, principalmente, sobre a fragilidade dos relacionamentos (seja entre casais ou com a família) em uma sociedade americana extremamente capitalista que nos inunda de expectativas.
Após o colapso econômico de uma cidade na zona rural de Nevada, nos Estados Unidos, em 2011, Fern (Frances McDormand), uma mulher de 60 anos, entra em sua van e parte para a estrada, vivendo uma vida fora da sociedade convencional como uma nômade moderna. Confira o trailer:
A experiência de assistir "Nomadland" é incrivelmente sensorial. A capacidade de Zhao em construir uma narrativa tão profunda, se aproveitando do silêncio, da natureza e da incrível performance de Frances McDormand para conectar visualmente as dores da personagem em passagens muito bem pontuadas com uma trilha sonora maravilhosa, olha, é de tirar o chapéu! Veja, não se trata um filme sobre uma jornada de auto-conhecimento ou superação, se trata de um recorte bastante realista sobre o dia a dia de uma pessoa que "escolheu" estar/ficar sozinha, uma pessoa que perdeu a vontade de se relacionar intimamente e que, para mim, abriu mão da felicidade.
O roteiro da própria Zhao, baseado no livro "Nomadland: Sobrevivendo aos Estados Unidos no século XXI" da autora Jessica Bruder, traz muito do que experienciamos em "Na Natureza Selvagem" (2007) com o mérito de adicionar uma certa dualidade para a discussão. A montagem, também de Zhao (sim, ela fez quase tudo pelo filme e por isso seu Oscar é muito mais do que merecido) sugere uma quebra de linearidade tão orgânica que estabelecer tempo e espaço fica praticamente impossível. O interessante que esse conceito de "simplesmente ver o tempo passar" é justamente o gatilho para refletirmos sobre as escolhas da personagem - o que seria melhor: viver livre e viver mal, entre o trabalho braçal e o ócio criativo, entre o tédio da rotina e o maravilhamento com a natureza, ou simplesmente seguir a cartilha que a sociedade nos impõe mesmo que isso nos sufoque? - o comentário sobre o "barco no quintal" é cirúrgico para fomentar essa discussão. Reparem.
"Nomadland" é duro, difícil e pode parecer muito cadenciado para a maior parte da audiência - mas é viceral! Sua narrativa foi arriscada, com um toque autoral e independente que normalmente gera alguma repulsa no circuito comercial - mas não foi o caso aqui já que o filme custou certa de 5 milhões de dólares e faturou próximo de 8 vezes esse valor. Felizmente, o "singelo" que vemos na tela é tão profundo que nos toca a alma - a sensibilidade de Zhao em nenhum momento ignora a frieza da realidade, mas ao mesmo tempo também se esforça para nos mostrar a magia da escolha de Fern e, de alguma forma, cumpre muito bem esse papel.
Vale muito o seu play.
Up-date: "Nomadland" ganhou em três categorias no Oscar 2021 das seis indicações que recebeu, inclusive como Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz! Aliás, o filme de Zhao ganhou mais de 250 prêmios e recebeu mais de 150 indicações nos mais renomados festivais do mundo.
"Nomadland" é um filme sobre a solidão - então saiba que aquele aperto no peito quase insuportável vai te acompanhar por quase duas horas!
Ok, mas existe beleza na solidão? A diretora Chloé Zhao, ao lado do jovem fotógrafo Joshua James Richards, tenta mostrar que sim - mesmo apoiada em um drama extremamente denso e introspectivo que além de nos provocar inúmeras reflexões sobre as nossas escolhas ao longo da vida, ainda nos conduz para discussões pertinentes sobre o luto, sobre a saudade e, principalmente, sobre a fragilidade dos relacionamentos (seja entre casais ou com a família) em uma sociedade americana extremamente capitalista que nos inunda de expectativas.
Após o colapso econômico de uma cidade na zona rural de Nevada, nos Estados Unidos, em 2011, Fern (Frances McDormand), uma mulher de 60 anos, entra em sua van e parte para a estrada, vivendo uma vida fora da sociedade convencional como uma nômade moderna. Confira o trailer:
A experiência de assistir "Nomadland" é incrivelmente sensorial. A capacidade de Zhao em construir uma narrativa tão profunda, se aproveitando do silêncio, da natureza e da incrível performance de Frances McDormand para conectar visualmente as dores da personagem em passagens muito bem pontuadas com uma trilha sonora maravilhosa, olha, é de tirar o chapéu! Veja, não se trata um filme sobre uma jornada de auto-conhecimento ou superação, se trata de um recorte bastante realista sobre o dia a dia de uma pessoa que "escolheu" estar/ficar sozinha, uma pessoa que perdeu a vontade de se relacionar intimamente e que, para mim, abriu mão da felicidade.
O roteiro da própria Zhao, baseado no livro "Nomadland: Sobrevivendo aos Estados Unidos no século XXI" da autora Jessica Bruder, traz muito do que experienciamos em "Na Natureza Selvagem" (2007) com o mérito de adicionar uma certa dualidade para a discussão. A montagem, também de Zhao (sim, ela fez quase tudo pelo filme e por isso seu Oscar é muito mais do que merecido) sugere uma quebra de linearidade tão orgânica que estabelecer tempo e espaço fica praticamente impossível. O interessante que esse conceito de "simplesmente ver o tempo passar" é justamente o gatilho para refletirmos sobre as escolhas da personagem - o que seria melhor: viver livre e viver mal, entre o trabalho braçal e o ócio criativo, entre o tédio da rotina e o maravilhamento com a natureza, ou simplesmente seguir a cartilha que a sociedade nos impõe mesmo que isso nos sufoque? - o comentário sobre o "barco no quintal" é cirúrgico para fomentar essa discussão. Reparem.
"Nomadland" é duro, difícil e pode parecer muito cadenciado para a maior parte da audiência - mas é viceral! Sua narrativa foi arriscada, com um toque autoral e independente que normalmente gera alguma repulsa no circuito comercial - mas não foi o caso aqui já que o filme custou certa de 5 milhões de dólares e faturou próximo de 8 vezes esse valor. Felizmente, o "singelo" que vemos na tela é tão profundo que nos toca a alma - a sensibilidade de Zhao em nenhum momento ignora a frieza da realidade, mas ao mesmo tempo também se esforça para nos mostrar a magia da escolha de Fern e, de alguma forma, cumpre muito bem esse papel.
Vale muito o seu play.
Up-date: "Nomadland" ganhou em três categorias no Oscar 2021 das seis indicações que recebeu, inclusive como Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz! Aliás, o filme de Zhao ganhou mais de 250 prêmios e recebeu mais de 150 indicações nos mais renomados festivais do mundo.
Tem Diretor que te dá a certeza de um grande filme e o iraniano Asghar Farhadié um desses caras. Todos os filmes dele são realmente muito bons, acima da média! "O apartamento" não é diferente: ganhou Cannes, Oscar, Globo de Ouro e mais de 80 festivais importantes pelo mundo!
"The Salesman" (em titulo internacional) conta a história de um casal que é obrigado a se mudar para um apto onde a antiga moradora era uma prostituta. Essa particularidade acaba gerando uma situação que marca a relação deles, iniciando um jogo psicológico ao melhor estilo Denis Villeneuve em "Os Suspeitos". Confira o trailer:
A trama de "O Apartamento" apresenta o casal Emad (Shahab Hosseini) e Rana (Taraneh Alidoosti) novos locatários do apartamento de Babak (Babak Karimi), que acabou despejando a antiga moradora, uma prostituta. Certa noite, Rana esquece a porta do apartamento aberta e acaba sendo estuprada por um intruso misterioso que deixa para trás algumas pistas de sua identidade. Revoltado, Emad prefere não avisar a polícia e inicia uma investigação por conta própria na tentativa de descobrir o autor do crime enquanto tenta apoiar sua esposa, manter seu emprego, superar o trauma e continuar sua vida.
Uma das coisas que precisamos elogiar no trabalho sensacional do Asghar Farhadi é sua discrição - ele dirige seus filmes sem querer aparecer mais do que sua obra. Em todos os seus trabalhos, ele coloca a câmera sempre no melhor lugar, mesmo que esse lugar seja o mais óbvio possível para contar aquela parte da história. Ele é muito técnico, seguro e prioriza o trabalho de direção de atores como poucos da sua geração - o que inegavelmente faz toda a diferença. Reparem aqui no trabalho profundo de Hosseini e Alidoosti!
Outra coisa que chama muito a atenção ao acompanhar o trabalho de Farhadi é que ele escreve todos os filmes que dirige - chega ser impressionante como ele consegue manter a qualidade da escrita alinhada com a sua capacidade como diretor. Em "O Apartamento", ele vai construindo uma narrativa densa e multifacetada, explorando as profundezas da psique humana e as complexas relações interpessoais - eu diria que seu principal gatilho está justamente em desvendar os segredos dos personagens e a questionar suas motivações. Isso cria uma atmosfera de angustia onde, a cada cena, a tensão e o suspense só aumentam, mas de uma forma muito palpável.
Asghar Farhadi tem 2 Oscars, e só não ganhou o terceiro com "O Passado" em 2014 porque seria barbada demais - tanto que já tinha levado o Globo de Ouro naquele ano. Agora é preciso que se diga: "O Apartamento" é indigesto ao retratar temas como violência, vingança, culpa e redenção em uma jornada que não oferece respostas fáceis, mas que nos leva por uma jornada profunda de julgamento e de análise moral dos personagens e, claro, de suas ações. Imperdível!
Sim, estamos diante de um cinema iraniano de muita qualidade!
Tem Diretor que te dá a certeza de um grande filme e o iraniano Asghar Farhadié um desses caras. Todos os filmes dele são realmente muito bons, acima da média! "O apartamento" não é diferente: ganhou Cannes, Oscar, Globo de Ouro e mais de 80 festivais importantes pelo mundo!
"The Salesman" (em titulo internacional) conta a história de um casal que é obrigado a se mudar para um apto onde a antiga moradora era uma prostituta. Essa particularidade acaba gerando uma situação que marca a relação deles, iniciando um jogo psicológico ao melhor estilo Denis Villeneuve em "Os Suspeitos". Confira o trailer:
A trama de "O Apartamento" apresenta o casal Emad (Shahab Hosseini) e Rana (Taraneh Alidoosti) novos locatários do apartamento de Babak (Babak Karimi), que acabou despejando a antiga moradora, uma prostituta. Certa noite, Rana esquece a porta do apartamento aberta e acaba sendo estuprada por um intruso misterioso que deixa para trás algumas pistas de sua identidade. Revoltado, Emad prefere não avisar a polícia e inicia uma investigação por conta própria na tentativa de descobrir o autor do crime enquanto tenta apoiar sua esposa, manter seu emprego, superar o trauma e continuar sua vida.
Uma das coisas que precisamos elogiar no trabalho sensacional do Asghar Farhadi é sua discrição - ele dirige seus filmes sem querer aparecer mais do que sua obra. Em todos os seus trabalhos, ele coloca a câmera sempre no melhor lugar, mesmo que esse lugar seja o mais óbvio possível para contar aquela parte da história. Ele é muito técnico, seguro e prioriza o trabalho de direção de atores como poucos da sua geração - o que inegavelmente faz toda a diferença. Reparem aqui no trabalho profundo de Hosseini e Alidoosti!
Outra coisa que chama muito a atenção ao acompanhar o trabalho de Farhadi é que ele escreve todos os filmes que dirige - chega ser impressionante como ele consegue manter a qualidade da escrita alinhada com a sua capacidade como diretor. Em "O Apartamento", ele vai construindo uma narrativa densa e multifacetada, explorando as profundezas da psique humana e as complexas relações interpessoais - eu diria que seu principal gatilho está justamente em desvendar os segredos dos personagens e a questionar suas motivações. Isso cria uma atmosfera de angustia onde, a cada cena, a tensão e o suspense só aumentam, mas de uma forma muito palpável.
Asghar Farhadi tem 2 Oscars, e só não ganhou o terceiro com "O Passado" em 2014 porque seria barbada demais - tanto que já tinha levado o Globo de Ouro naquele ano. Agora é preciso que se diga: "O Apartamento" é indigesto ao retratar temas como violência, vingança, culpa e redenção em uma jornada que não oferece respostas fáceis, mas que nos leva por uma jornada profunda de julgamento e de análise moral dos personagens e, claro, de suas ações. Imperdível!
Sim, estamos diante de um cinema iraniano de muita qualidade!
"O Beco do Pesadelo" tem a identidade de peso do seu diretor, Guillermo del Toro ("A Forma da Água" e "O Labirinto do Fauno") - visualmente impecável, com um história envolvente e que te prende do começo ao fim (sempre com uma lição escondida). Talvez um pouco menos "poético" que seus dois filmes que citamos, "O Beco do Pesadelo" usa a exploração da miséria humana (e aqui a "miséria" não tem necessariamente a ver com dinheiro) para discutir sobre a ambição descomedida que pode ser levada aos últimos níveis (e aqui sim estamos falando só de dinheiro)!
No filme conhecemos Stanton Carlisle (Bradley Cooper), um homem de passado nebuloso que encontra ocupação e companhia junto a outros marginalizados em uma espécie de circo itinerante repleto de espetáculos bizarros. Percebendo ótimas oportunidades de enganar as pessoas utilizando artimanhas bastante duvidosas, Stan se junta a Molly Cahill (Rooney Mara) em busca de melhores oportunidades até se tornar reconhecido como um mentalista famoso, ludibriando a elite rica da sociedade de Nova York dos anos 1940. Já é nesse contexto que ele conhece a psiquiatra Lilith Ritter (Cate Blanchett), iniciando uma parceria entre eles que transforma golpes até então inofensivos em um perigoso jogo de mentiras. Confira o trailer:
É impossível assistir "O Beco do Pesadelo" e não ficar deslumbrado com a qualidade visual do filme - do desenho de produção da premiada Tamara Deverell (Star Trek: Discovery) até a fotografia do sempre genial Dan Laustsen (A Forma da Água). Obviamente que todo departamento de arte segue esse mesmo cuidado estético, ajudando Del Toro a contar essa história com muito esmero visual - reparem como conseguimos perceber a presença de determinados personagens, mesmo antes deles serem totalmente enquadrados para que a cena de fato aconteça.
Ao focar no visual temos a impressão que o roteiro perde força, não é o caso - aqui a adaptação da obra homônima de William Lindsay Gresham se ajusta perfeitamente com a proposta do diretor que mistura elementos fantásticos, com um bom drama de personagem, usando vários gatilhos de suspense (e até de terror, eu diria), em uma dinâmica narrativa muito interessante (mesmo que um pouco longa para o meu gosto). Se no primeiro ato Del Toro nos direciona para um estilo narrativo mais explicativo, a partir do segundo, ele simplesmente transforma a história em uma espécie de fábula que expõe as profundas consequências perante algumas atitudes duvidosas que são tomadas na busca de uma ascensão social frágil e nada honesta.
Se nas cenas iniciais vemos um homem que chegou ao fundo do poço sendo cruelmente explorado por mera diversão, logo nos deparamos com outro que deseja apenas recomeçar sua vida "custe o que custar". Sabiamente Del Toro fomenta essa dicotomia a todo momento, mostrando as fragilidades dos personagens e onde isso pode leva-los. Dito isso, "O Beco do Pesadelo" não deve ser encarado como um suspense noir como o recente "Noite Passada em Soho", muito pelo contrário, o filme é muito mais um drama de personagem na sua essência - que aliás é potencializado pelo irretocável trabalho do trio Bradley Cooper, Cate Blanchett e Rooney Mara, e com a participação luxuosa de Toni Collette e Willem Dafoe.
Vale muito a pena!
"O Beco do Pesadelo" tem a identidade de peso do seu diretor, Guillermo del Toro ("A Forma da Água" e "O Labirinto do Fauno") - visualmente impecável, com um história envolvente e que te prende do começo ao fim (sempre com uma lição escondida). Talvez um pouco menos "poético" que seus dois filmes que citamos, "O Beco do Pesadelo" usa a exploração da miséria humana (e aqui a "miséria" não tem necessariamente a ver com dinheiro) para discutir sobre a ambição descomedida que pode ser levada aos últimos níveis (e aqui sim estamos falando só de dinheiro)!
No filme conhecemos Stanton Carlisle (Bradley Cooper), um homem de passado nebuloso que encontra ocupação e companhia junto a outros marginalizados em uma espécie de circo itinerante repleto de espetáculos bizarros. Percebendo ótimas oportunidades de enganar as pessoas utilizando artimanhas bastante duvidosas, Stan se junta a Molly Cahill (Rooney Mara) em busca de melhores oportunidades até se tornar reconhecido como um mentalista famoso, ludibriando a elite rica da sociedade de Nova York dos anos 1940. Já é nesse contexto que ele conhece a psiquiatra Lilith Ritter (Cate Blanchett), iniciando uma parceria entre eles que transforma golpes até então inofensivos em um perigoso jogo de mentiras. Confira o trailer:
É impossível assistir "O Beco do Pesadelo" e não ficar deslumbrado com a qualidade visual do filme - do desenho de produção da premiada Tamara Deverell (Star Trek: Discovery) até a fotografia do sempre genial Dan Laustsen (A Forma da Água). Obviamente que todo departamento de arte segue esse mesmo cuidado estético, ajudando Del Toro a contar essa história com muito esmero visual - reparem como conseguimos perceber a presença de determinados personagens, mesmo antes deles serem totalmente enquadrados para que a cena de fato aconteça.
Ao focar no visual temos a impressão que o roteiro perde força, não é o caso - aqui a adaptação da obra homônima de William Lindsay Gresham se ajusta perfeitamente com a proposta do diretor que mistura elementos fantásticos, com um bom drama de personagem, usando vários gatilhos de suspense (e até de terror, eu diria), em uma dinâmica narrativa muito interessante (mesmo que um pouco longa para o meu gosto). Se no primeiro ato Del Toro nos direciona para um estilo narrativo mais explicativo, a partir do segundo, ele simplesmente transforma a história em uma espécie de fábula que expõe as profundas consequências perante algumas atitudes duvidosas que são tomadas na busca de uma ascensão social frágil e nada honesta.
Se nas cenas iniciais vemos um homem que chegou ao fundo do poço sendo cruelmente explorado por mera diversão, logo nos deparamos com outro que deseja apenas recomeçar sua vida "custe o que custar". Sabiamente Del Toro fomenta essa dicotomia a todo momento, mostrando as fragilidades dos personagens e onde isso pode leva-los. Dito isso, "O Beco do Pesadelo" não deve ser encarado como um suspense noir como o recente "Noite Passada em Soho", muito pelo contrário, o filme é muito mais um drama de personagem na sua essência - que aliás é potencializado pelo irretocável trabalho do trio Bradley Cooper, Cate Blanchett e Rooney Mara, e com a participação luxuosa de Toni Collette e Willem Dafoe.
Vale muito a pena!
Denzel Washington pode preparar mais um cara feia porque o Oscar de 2018 para "Melhor Ator" será do Gary Oldman. Barbada!!! Mas antes de analisarmos as chances do filme, vamos entender sua história. em "Darkest Hour" (título original), depois da renúncia de Neville Chamberlain (Ronald Pickup), movido por uma enorme pressão política depois do fracasso ao tentar impedir o avanço da Alemanha pela Europa, Winston Churchill (Gary Oldman) está prestes a se tornar o Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha. Com um poder assombroso nas mãos, ele precisa enfrentar exaustivos dilemas - um povo despreparado, um rei cético e o próprio partido conspirando contra ele. A fim de garantir a integridade do seu povo e de seus aliados, com uma invasão iminente de Hitler, diversas respostas são colocadas desesperadamente na mesa, muitos jogadores tramam os próximos movimentos do governo e soldados perecem sacrificando-se pelo bem da Coroa e de seu reino. Confira o trailer:
Vamos lá: assistindo o filme, é impossível não imaginar a alegria do diretor quando, já na primeira diária, ele corta o primeiro take de uma cena com o Gary Oldman como Winston Churchill. Olha, o cara está simplesmente irretocável!!! Uma grande atuação, uma aula de imersão no personagem, com profundidade, verdade e carisma!!! O filme vale por ele, sim, mas tem alguns outros elementos que gostaria de ressaltar e vale nossa tenção:
A fotografia é belíssima - Também indicado ao Oscar (pela quinta vez, inclusive) Bruno Delbonnel foi o responsável pela fotografia de Amélie Poulain para se ter uma idéia. O trabalho dele está magnifico - dos travellings pelos corredores do parlamento ao planos fechado e introspectivos de Churchill. E aí chegamos em outra barbada da noite: "Melhor Cabelo e Maquiagem" - o trabalho de caracterização é impressionante!! Na verdade, todo Departamento de Arte dá um show a parte!
Outro ponto a se destacar é a direção do Joe Wright - ele mata a pau (o que até é normal)! É um plano melhor que o outro, com movimentos precisos, escolhas perfeitas, enfim, é um absurdo ele não ter sido indicado como Melhor Diretor! Independente disso, acho que vala a pena acompanhar mais de perto o seu trabalho - acho ele um diretor sensacional porque ele alia criatividade, técnica e inventividade com o equilíbrio certo, sem querer aparecer mais que a história, além de ser excelente diretor de atores. Indico "Orgulho e Preconceito" e "Desejo e Reparação".
Vale muito a pena, principalmente se você já tiver assistido "Dunkirk" - eles se completam perfeitamente!!!! Se "Dunkirk" mostra o terror da guerra , "O Destino de uma Nação" mostra os bastidores políticos! Vale muito seu play!!!
Up-date: "O Destino de uma Nação" ganhou em duas categorias no Oscar 2018: Melhor Cabelo e Maquiagem e Melhor Ator!
Denzel Washington pode preparar mais um cara feia porque o Oscar de 2018 para "Melhor Ator" será do Gary Oldman. Barbada!!! Mas antes de analisarmos as chances do filme, vamos entender sua história. em "Darkest Hour" (título original), depois da renúncia de Neville Chamberlain (Ronald Pickup), movido por uma enorme pressão política depois do fracasso ao tentar impedir o avanço da Alemanha pela Europa, Winston Churchill (Gary Oldman) está prestes a se tornar o Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha. Com um poder assombroso nas mãos, ele precisa enfrentar exaustivos dilemas - um povo despreparado, um rei cético e o próprio partido conspirando contra ele. A fim de garantir a integridade do seu povo e de seus aliados, com uma invasão iminente de Hitler, diversas respostas são colocadas desesperadamente na mesa, muitos jogadores tramam os próximos movimentos do governo e soldados perecem sacrificando-se pelo bem da Coroa e de seu reino. Confira o trailer:
Vamos lá: assistindo o filme, é impossível não imaginar a alegria do diretor quando, já na primeira diária, ele corta o primeiro take de uma cena com o Gary Oldman como Winston Churchill. Olha, o cara está simplesmente irretocável!!! Uma grande atuação, uma aula de imersão no personagem, com profundidade, verdade e carisma!!! O filme vale por ele, sim, mas tem alguns outros elementos que gostaria de ressaltar e vale nossa tenção:
A fotografia é belíssima - Também indicado ao Oscar (pela quinta vez, inclusive) Bruno Delbonnel foi o responsável pela fotografia de Amélie Poulain para se ter uma idéia. O trabalho dele está magnifico - dos travellings pelos corredores do parlamento ao planos fechado e introspectivos de Churchill. E aí chegamos em outra barbada da noite: "Melhor Cabelo e Maquiagem" - o trabalho de caracterização é impressionante!! Na verdade, todo Departamento de Arte dá um show a parte!
Outro ponto a se destacar é a direção do Joe Wright - ele mata a pau (o que até é normal)! É um plano melhor que o outro, com movimentos precisos, escolhas perfeitas, enfim, é um absurdo ele não ter sido indicado como Melhor Diretor! Independente disso, acho que vala a pena acompanhar mais de perto o seu trabalho - acho ele um diretor sensacional porque ele alia criatividade, técnica e inventividade com o equilíbrio certo, sem querer aparecer mais que a história, além de ser excelente diretor de atores. Indico "Orgulho e Preconceito" e "Desejo e Reparação".
Vale muito a pena, principalmente se você já tiver assistido "Dunkirk" - eles se completam perfeitamente!!!! Se "Dunkirk" mostra o terror da guerra , "O Destino de uma Nação" mostra os bastidores políticos! Vale muito seu play!!!
Up-date: "O Destino de uma Nação" ganhou em duas categorias no Oscar 2018: Melhor Cabelo e Maquiagem e Melhor Ator!
Antes de mais nada é preciso dizer que "O Escândalo" é um filme difícil de digerir - é preciso ter estômago e, certamente, vai tocar mais em algumas pessoas do que em outras, mas posso garantir: é um grande filme! Ele é baseado na história real sobre as denúncias de assédio sexual contra o então presidente e fundador da Fox News, Roger Ailes (John Lithgow).
A história é contada pelo ponto de vista de três personagens-chaves: Megyn Kelly (Charlize Theron), Gretchen Carlson (Nicole Kidman) - âncoras do canal; e Kayla Pospisil (Margot Robbie) uma produtora, personagem criada para o filme, que representa (e até com um certo estereótipo) várias outras funcionárias da emissora que também sofreram algum tipo de assédio de Ailes. O fato é que tudo caminhava bem até que Gretchen Carlson, cansada dos seguidos ataques de assédio moral, resolve forçar sua demissão para iniciar um processo contra as várias investidas que sofreu de Roger Ailes no passado. Embora fosse um tiro no escuro, afinal Roger Ailes sempre foi um dos homens mais poderosos dos Estados Unidos, várias mulheres começam a se pronunciar contra o executivo, fortalecendo a iniciativa de Gretchen - mas faltava alguém de dentro da Fox News para dar o "tiro de misericórdia" e é aí que o Megyn Kelly e Kayla Pospisil ganham força no drama e o filme deslancha!
O ponto forte do filme está no elenco: Charlize Theron é uma grande atriz e está perfeita como Megyn Kelly - é impressionante como as duas estão parecidas, o que só fortalece a chance de "O Escândalo" ganhar o Oscar na categoria "Cabelo/Maquiagem". Margot Robbie também está impecável e por mais que possa parecer que ela é a personificação do estereótipo da mulher bonita/ingênua/oportunista, seu trabalho vai muito além: ela transita por cada uma dessas características de uma forma muito introspectiva, causando uma enorme confusão na sua cabeça, porém quando tudo começa a fazer sentido, seus olhos falam mais do que qualquer diálogo que o roteirista pudesse ter escrito para explicar o que passa com uma mulher assediada daquela forma - é lindo de ver! Nicole Kidman também está incrível, mas o pouco tempo de tela prejudicou sua caminha até o Oscar - se a dúvida ficou entre ela e Margot Robbie, ficaria impossível tirar a chance da segunda! John Lithgow também está ótimo como Roger Ailes - um pecado ele não ter tido a chance de disputar os maiores prêmios da temporada. Merecia!
O roteiro do Charles Randolph (vencedor do Oscar por "A Grande Aposta") é bom, mas pode parecer confuso para quem não conhece dos bastidores da politica americana. Embora o prólogo nos ajude entender a dinâmica sócio-politica da Fox News, as quebras narrativas da linha temporal dificultam o entendimento logo de cara. Além disso, o roteiro trás alguns elementos sem a menor conceitualização dramática: a quebra da quarta parede e a exposição do pensamento funcionam bem, mas são usadas poucas vezes, parecendo ser muito mais uma solução pontual do que uma característica marcante da escrita! A direção do Jay Roach é ótima, embora tenha lido muitas críticas sobre suas escolhas - disseram, inclusive, que ele copiou o estilo de Adam McKay depois dos sucessos de "Vice"e a "Grande Aposta". Outro elemento que incomodou alguns críticos foi o tom que ele imprimiu no filme, parecendo menos preocupado com a seriedade das denúncias e mais em justificar as atitudes erradas de Ailes - a cena onde Kayla Pospisil vai até a sala de Roger Ailes pela primeira vez é o exemplo que justifica essa tese. Eu discordo!
"O Escândalo" foi indicado em 3 categorias do Oscar 2020 e, sinceramente, "Cabelo/Maquiagem" é sua única chance real. Margot Robbie e Charlize Theron, embora com excelentes performances, não tem chance pelo nível das concorrentes diretas pelo prêmio, porém isso não diminui em nada a qualidade e a importância delas no filme. "O Escândalo" funciona como entretenimento, mas é muito mais valoroso pela exposição de uma história que perecia ser tão usual nos corredores da Fox News e de vários outras lugares onde o poder parece estar acima de tudo!
Up-date: "O Escândalo" ganhou em uma categoria no Oscar 2020: Melhor Cabelo e Maquiagem!
Antes de mais nada é preciso dizer que "O Escândalo" é um filme difícil de digerir - é preciso ter estômago e, certamente, vai tocar mais em algumas pessoas do que em outras, mas posso garantir: é um grande filme! Ele é baseado na história real sobre as denúncias de assédio sexual contra o então presidente e fundador da Fox News, Roger Ailes (John Lithgow).
A história é contada pelo ponto de vista de três personagens-chaves: Megyn Kelly (Charlize Theron), Gretchen Carlson (Nicole Kidman) - âncoras do canal; e Kayla Pospisil (Margot Robbie) uma produtora, personagem criada para o filme, que representa (e até com um certo estereótipo) várias outras funcionárias da emissora que também sofreram algum tipo de assédio de Ailes. O fato é que tudo caminhava bem até que Gretchen Carlson, cansada dos seguidos ataques de assédio moral, resolve forçar sua demissão para iniciar um processo contra as várias investidas que sofreu de Roger Ailes no passado. Embora fosse um tiro no escuro, afinal Roger Ailes sempre foi um dos homens mais poderosos dos Estados Unidos, várias mulheres começam a se pronunciar contra o executivo, fortalecendo a iniciativa de Gretchen - mas faltava alguém de dentro da Fox News para dar o "tiro de misericórdia" e é aí que o Megyn Kelly e Kayla Pospisil ganham força no drama e o filme deslancha!
O ponto forte do filme está no elenco: Charlize Theron é uma grande atriz e está perfeita como Megyn Kelly - é impressionante como as duas estão parecidas, o que só fortalece a chance de "O Escândalo" ganhar o Oscar na categoria "Cabelo/Maquiagem". Margot Robbie também está impecável e por mais que possa parecer que ela é a personificação do estereótipo da mulher bonita/ingênua/oportunista, seu trabalho vai muito além: ela transita por cada uma dessas características de uma forma muito introspectiva, causando uma enorme confusão na sua cabeça, porém quando tudo começa a fazer sentido, seus olhos falam mais do que qualquer diálogo que o roteirista pudesse ter escrito para explicar o que passa com uma mulher assediada daquela forma - é lindo de ver! Nicole Kidman também está incrível, mas o pouco tempo de tela prejudicou sua caminha até o Oscar - se a dúvida ficou entre ela e Margot Robbie, ficaria impossível tirar a chance da segunda! John Lithgow também está ótimo como Roger Ailes - um pecado ele não ter tido a chance de disputar os maiores prêmios da temporada. Merecia!
O roteiro do Charles Randolph (vencedor do Oscar por "A Grande Aposta") é bom, mas pode parecer confuso para quem não conhece dos bastidores da politica americana. Embora o prólogo nos ajude entender a dinâmica sócio-politica da Fox News, as quebras narrativas da linha temporal dificultam o entendimento logo de cara. Além disso, o roteiro trás alguns elementos sem a menor conceitualização dramática: a quebra da quarta parede e a exposição do pensamento funcionam bem, mas são usadas poucas vezes, parecendo ser muito mais uma solução pontual do que uma característica marcante da escrita! A direção do Jay Roach é ótima, embora tenha lido muitas críticas sobre suas escolhas - disseram, inclusive, que ele copiou o estilo de Adam McKay depois dos sucessos de "Vice"e a "Grande Aposta". Outro elemento que incomodou alguns críticos foi o tom que ele imprimiu no filme, parecendo menos preocupado com a seriedade das denúncias e mais em justificar as atitudes erradas de Ailes - a cena onde Kayla Pospisil vai até a sala de Roger Ailes pela primeira vez é o exemplo que justifica essa tese. Eu discordo!
"O Escândalo" foi indicado em 3 categorias do Oscar 2020 e, sinceramente, "Cabelo/Maquiagem" é sua única chance real. Margot Robbie e Charlize Theron, embora com excelentes performances, não tem chance pelo nível das concorrentes diretas pelo prêmio, porém isso não diminui em nada a qualidade e a importância delas no filme. "O Escândalo" funciona como entretenimento, mas é muito mais valoroso pela exposição de uma história que perecia ser tão usual nos corredores da Fox News e de vários outras lugares onde o poder parece estar acima de tudo!
Up-date: "O Escândalo" ganhou em uma categoria no Oscar 2020: Melhor Cabelo e Maquiagem!
"O Irlandês" chegou recentemente na Netflix com status de produção do ano e não era para menos, afinal não é tão simples reunir em um mesmo filme Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci sob a direção de Martin Scorsese - só por esse primeiro parágrafo eu já poderia colocar o botão "assista agora" e descansar tranquilamente, mas não vou fazer isso, pois uma obra como essa vai muito além de um elenco sensacional e de um diretor premiadíssimo. "O Irlandês" é um filme de máfia, mas com um conceito narrativo muito inteligente e que aprofunda a discussão moral dos personagens sem parecer romântico - "O Poderoso Chefão" fez muito isso! O filme mostra a história de Frank Sheeran (Robert De Niro), não por acaso o irlandês do título, que se tornou uma espécie de liderança sindical enquanto, paralelamente, era considerado o assassino predileto de um dos mais respeitados chefões da Máfia. Sheeran é o narrador do filme, ele nos conta sua história em retrospectiva: do início da sua relação Russell Bufalino até o momento em que percebe estar sozinho na vida! É impressionante como a narrativa é fluída e como somos convidados a julgar Sheeran por suas escolhas e nos penalizar por seus arrependimentos e culpas. Olha, certamente o filme estará em algumas categorias do próximo Oscar (2020), então não perca tempo: se você é um amante de "Os bons companheiros", "Era uma vez na América" e, claro, "O Poderoso Chefão", dê o play sem medo porque serão três horas e meia de muito prazer e entretenimento!
Antes de mais nada é preciso dizer que "O Irlandês" não é um filme violento na sua forma - talvez na sua essência, mas não na sua forma! Martin Scorsese é cirúrgico ao escolher os enquadramentos e movimentos de câmera que vão contar as histórias de assassinatos do filme. Em outros tempos tudo seria mostrado, hoje é apenas sugerido - um exemplo é o belo movimento de câmera do massacre na barbearia: existe uma certa poesia, muito bem ensaiada até o enquadramento final na floricultura. É como o signo que encontramos no cemitério desse o ponto final ao movimento e o resultado disso só nas manchetes do dia seguinte! É lindo! Claro que o assassinato à sangue frio não é deixado de lado, até porque o profissional que Frank Sheeran se tornou era conhecido como pintor: uma alegoria pela quantidade de sangue que espirra na parede após um tiro na cabeça à queima roupa!
São muitos personagens, muitos nomes, apelidos e núcleos, mas o roteiro é muito inteligente em guiar nossa atenção apenas para o que realmente importa e quando um personagem tem uma certa relevância histórica, mas por não fazer parte daquela linha narrativa é apenas uma citação, surge um lettering nos apresentando ele e nos contando qual final levou! O roteiro, aliás, é muito bom e amarra muito bem todas as situações do passado e do presente de uma forma muito orgânica e sem a necessidade de interferências conceituais nas imagens - tudo é clean e com o desenho de produção se encarregando do desafio. A tecnologia que permitiu o rejuvenescimento dos atores é tão imperceptível perante a força da história que nem nos apegamos a ela, embora os movimentos do De Niro, por exemplo, muitas vezes entrega uma certa incompatibilidade entre idade e postura corporal (e até no timbre da voz). O filme é uma adaptação da obra de mesmo nome de Charles Brandt, um ex-investigador que liga (ou sugere uma ligação de) vários fatos da história americana com a Máfia. Steven Zaillan, de "A Lista de Schindler", assina o roteiro.
Embora o filme seja realmente longo, Scorsese não economiza em planos mais coreografados - como o próprio Alfonso Cuarón fez em Roma com seus traveliings interminavelmente bem executados. Só que aqui o equipamento é o Steadicam (aquela geringonça que vai presa no corpo do câmera-man e permite que ele ande com a câmera sem balançar muito) e o resultado é igualmente competente. A fotografia do mexicano Rodrigo Pietro, de "Silêncio", é espetacular - e, para mim, um forte concorrente ao Oscar - repare como ele posiciona a câmera nas passagens onde existem uma narração ou uma sequência de fatos, nos colocando como espectador ou melhor, como observador, permitindo que a história continue sendo contada sem a necessidade de participarmos dela ativamente. É uma percepção delicada, mas típico de cineastas acima da média que pensam cada plano, cada conceito, cada detalhe para termos a melhor experiência possível ao assistir o filme - por isso que Scorsese pediu para que o filme não fosse assistido na tela do celular!
Para finalizar alguns rápidos comentários sobre os atores: Al Pacino como Jimmy Hoffa é inferior ao trabalho que o Jack Nicholson fez com o mesmo personagem em 1992. De Niro está bem, faz um trabalho de introspecção e explora o silêncio e o olhar de uma forma magnífica (principalmente quando se refere a sua filha Peggy ou quando se sente incomodado com algum pedido de Ruffo). Agora Joe Pesci está sensacional e sou capaz de apostar que será indicado ao Oscar de ator coadjuvante e tem grande chance de levar o prêmio pela segunda vez (a primeira foi com "Os bons companheiros", também do Scorsese).
"O Irlandês" é uma grande (literalmente) homenagem aos filmes de gângsters. Tem todos os elementos que nos fazem amar o gênero e a mesma mestria no comando que trouxe Martin Scorsese para o primeiro time de diretores de Hollywood. De fato não é sua melhor direção, existem erros de continuidade que nem montagem não foi capaz de esconder, mas é impossível não se envolver com a forma como ele conta a história e como aqueles personagens foram nos cativando, mesmo na sombra da marginalidade. "O Irlandês" é sim um dos melhores filmes do ano e deve fazer barulho por um bom tempo! Tiro certo da Netflix nesse momento conturbado do mercado! Vale o play!
"O Irlandês" chegou recentemente na Netflix com status de produção do ano e não era para menos, afinal não é tão simples reunir em um mesmo filme Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci sob a direção de Martin Scorsese - só por esse primeiro parágrafo eu já poderia colocar o botão "assista agora" e descansar tranquilamente, mas não vou fazer isso, pois uma obra como essa vai muito além de um elenco sensacional e de um diretor premiadíssimo. "O Irlandês" é um filme de máfia, mas com um conceito narrativo muito inteligente e que aprofunda a discussão moral dos personagens sem parecer romântico - "O Poderoso Chefão" fez muito isso! O filme mostra a história de Frank Sheeran (Robert De Niro), não por acaso o irlandês do título, que se tornou uma espécie de liderança sindical enquanto, paralelamente, era considerado o assassino predileto de um dos mais respeitados chefões da Máfia. Sheeran é o narrador do filme, ele nos conta sua história em retrospectiva: do início da sua relação Russell Bufalino até o momento em que percebe estar sozinho na vida! É impressionante como a narrativa é fluída e como somos convidados a julgar Sheeran por suas escolhas e nos penalizar por seus arrependimentos e culpas. Olha, certamente o filme estará em algumas categorias do próximo Oscar (2020), então não perca tempo: se você é um amante de "Os bons companheiros", "Era uma vez na América" e, claro, "O Poderoso Chefão", dê o play sem medo porque serão três horas e meia de muito prazer e entretenimento!
Antes de mais nada é preciso dizer que "O Irlandês" não é um filme violento na sua forma - talvez na sua essência, mas não na sua forma! Martin Scorsese é cirúrgico ao escolher os enquadramentos e movimentos de câmera que vão contar as histórias de assassinatos do filme. Em outros tempos tudo seria mostrado, hoje é apenas sugerido - um exemplo é o belo movimento de câmera do massacre na barbearia: existe uma certa poesia, muito bem ensaiada até o enquadramento final na floricultura. É como o signo que encontramos no cemitério desse o ponto final ao movimento e o resultado disso só nas manchetes do dia seguinte! É lindo! Claro que o assassinato à sangue frio não é deixado de lado, até porque o profissional que Frank Sheeran se tornou era conhecido como pintor: uma alegoria pela quantidade de sangue que espirra na parede após um tiro na cabeça à queima roupa!
São muitos personagens, muitos nomes, apelidos e núcleos, mas o roteiro é muito inteligente em guiar nossa atenção apenas para o que realmente importa e quando um personagem tem uma certa relevância histórica, mas por não fazer parte daquela linha narrativa é apenas uma citação, surge um lettering nos apresentando ele e nos contando qual final levou! O roteiro, aliás, é muito bom e amarra muito bem todas as situações do passado e do presente de uma forma muito orgânica e sem a necessidade de interferências conceituais nas imagens - tudo é clean e com o desenho de produção se encarregando do desafio. A tecnologia que permitiu o rejuvenescimento dos atores é tão imperceptível perante a força da história que nem nos apegamos a ela, embora os movimentos do De Niro, por exemplo, muitas vezes entrega uma certa incompatibilidade entre idade e postura corporal (e até no timbre da voz). O filme é uma adaptação da obra de mesmo nome de Charles Brandt, um ex-investigador que liga (ou sugere uma ligação de) vários fatos da história americana com a Máfia. Steven Zaillan, de "A Lista de Schindler", assina o roteiro.
Embora o filme seja realmente longo, Scorsese não economiza em planos mais coreografados - como o próprio Alfonso Cuarón fez em Roma com seus traveliings interminavelmente bem executados. Só que aqui o equipamento é o Steadicam (aquela geringonça que vai presa no corpo do câmera-man e permite que ele ande com a câmera sem balançar muito) e o resultado é igualmente competente. A fotografia do mexicano Rodrigo Pietro, de "Silêncio", é espetacular - e, para mim, um forte concorrente ao Oscar - repare como ele posiciona a câmera nas passagens onde existem uma narração ou uma sequência de fatos, nos colocando como espectador ou melhor, como observador, permitindo que a história continue sendo contada sem a necessidade de participarmos dela ativamente. É uma percepção delicada, mas típico de cineastas acima da média que pensam cada plano, cada conceito, cada detalhe para termos a melhor experiência possível ao assistir o filme - por isso que Scorsese pediu para que o filme não fosse assistido na tela do celular!
Para finalizar alguns rápidos comentários sobre os atores: Al Pacino como Jimmy Hoffa é inferior ao trabalho que o Jack Nicholson fez com o mesmo personagem em 1992. De Niro está bem, faz um trabalho de introspecção e explora o silêncio e o olhar de uma forma magnífica (principalmente quando se refere a sua filha Peggy ou quando se sente incomodado com algum pedido de Ruffo). Agora Joe Pesci está sensacional e sou capaz de apostar que será indicado ao Oscar de ator coadjuvante e tem grande chance de levar o prêmio pela segunda vez (a primeira foi com "Os bons companheiros", também do Scorsese).
"O Irlandês" é uma grande (literalmente) homenagem aos filmes de gângsters. Tem todos os elementos que nos fazem amar o gênero e a mesma mestria no comando que trouxe Martin Scorsese para o primeiro time de diretores de Hollywood. De fato não é sua melhor direção, existem erros de continuidade que nem montagem não foi capaz de esconder, mas é impossível não se envolver com a forma como ele conta a história e como aqueles personagens foram nos cativando, mesmo na sombra da marginalidade. "O Irlandês" é sim um dos melhores filmes do ano e deve fazer barulho por um bom tempo! Tiro certo da Netflix nesse momento conturbado do mercado! Vale o play!
Ame ou odeie! Sem dúvida essa será a sensação de assistir "O Lagosta", dirigido por Yorgos Lanthimos (de "A Favorita"). Embora seja assumidamente um drama distópico, o tom non-sentede sua narrativa extrapola e desafia as convenções do cinema contemporâneo que estamos acostumados. Lanthimos sabe exatamente como mergulhar sua audiência nesse mundo absurdo e sombrio, onde as relações humanas são exploradas de forma provocativa e muitas vezes perturbadora - reparem como a performance dos atores só aumenta o desconforto que a própria situação, por si só, já representa. Mais uma vez, o diretor demonstra uma habilidade magistral em criar uma atmosfera única, combinando um pontual humor negro, cheio de simbolismos, com o surrealismo prático - ao ponto de desprezar a lógica e renegar os padrões estabelecidos de ordem moral e social para criticar a superficialidade das conexões emocionais de maneira brilhante. Olha, você pode até não gostar de proposta de Lanthimos, mas nunca poderá negar que se trata de uma experiência cinematográfica verdadeiramente original e muito reflexiva.
A trama de "O Lagosta" se passa em um futuro distópico, onde os solteiros são obrigados a encontrar um parceiro dentro de um prazo estipulado. Caso contrário, são transformados em um animal de sua escolha e soltos na floresta. Após perder a esposa, o protagonista, David (Colin Farrell), decide se refugiar em um hotel peculiar, onde os hóspedes têm a oportunidade de encontrar um novo amor. No entanto, o que parece ser uma simples busca por companhia revela-se uma jornada existencial surreal. Condira o trailer (em inglês):
Mais atual do que nunca, "O Lagosta" é uma obra de arte que transcende o ordinário ao fazer um retrato dos relacionamentos em uma sociedade que não tolera o meio-termo, ou seja, onde o extremismo faz parte do dia a dia auto-destrutivo daquele universo. E é justamente nesse ponto que a direção de Lanthimos soa magistral, já que ele potencializa essa atmosfera de estranheza e alienação permeando toda a narrativa com metáforas muito inteligentes - reparem na forma como os hóspedes do hotel se relacionam entre si, todos da mesma forma, vestidos iguais, seguindo as mesmas regras rígidas e, principalmente, sabendo que o tempo é seu pior inimigo nesse objetivo de encontrar um grande amor e assim não virar, por exemplo, uma lagosta.
O roteiro, co-escrito por Lanthimos e Efthymis Filippou, chegou a ser indicado ao Oscar em 2017 por sua originalidade acima da média. Seu texto é uma mistura perspicaz de comédia, drama e sátira social que usa de uma linguagem peculiar e de diálogos absurdos para acrescentar uma camada extra de estranheza e humor capaz de desafiar nossas expectativas a cada nova sequência - algo entre "O Ensaio sobre a Cegueira" e "Parasita". A fotografia do Thimios Bakatakis (de "O Chalé") segue o mesmo conceito desolador da narrativa e dentro daqueles cenários minimalistas, clean ao extremo, contribui ainda mais para a construção de um gélido mundo distópico, onde as regras sociais são tão distorcidas quanto a solidão como uma forma de ameaça constante.
O elenco, é preciso ressaltar, entrega performances excepcionais, com destaque para Colin Farrell, Rachel Weisz e Olivia Colman. Farrell incorpora brilhantemente a angústia e a vulnerabilidade de seu personagem, enquanto Weisz e Colman trazem uma profundidade emocional cativante às suas interpretações - a química entre eles é tão palpável que adiciona uma complexidade para as relações que de fato nos faz refletir sobre temas como identidade, amor e liberdade de escolha. "The Lobster" (no original) realmente desafia e fascina em igual medida, então se você está em busca de uma experiência verdadeiramente única e provocativa, não ignore essa recomendação - mas saiba que você está prestes a navegar por um oceano pouquíssimo explorado no cinema comercial!
Vale seu play!
Ame ou odeie! Sem dúvida essa será a sensação de assistir "O Lagosta", dirigido por Yorgos Lanthimos (de "A Favorita"). Embora seja assumidamente um drama distópico, o tom non-sentede sua narrativa extrapola e desafia as convenções do cinema contemporâneo que estamos acostumados. Lanthimos sabe exatamente como mergulhar sua audiência nesse mundo absurdo e sombrio, onde as relações humanas são exploradas de forma provocativa e muitas vezes perturbadora - reparem como a performance dos atores só aumenta o desconforto que a própria situação, por si só, já representa. Mais uma vez, o diretor demonstra uma habilidade magistral em criar uma atmosfera única, combinando um pontual humor negro, cheio de simbolismos, com o surrealismo prático - ao ponto de desprezar a lógica e renegar os padrões estabelecidos de ordem moral e social para criticar a superficialidade das conexões emocionais de maneira brilhante. Olha, você pode até não gostar de proposta de Lanthimos, mas nunca poderá negar que se trata de uma experiência cinematográfica verdadeiramente original e muito reflexiva.
A trama de "O Lagosta" se passa em um futuro distópico, onde os solteiros são obrigados a encontrar um parceiro dentro de um prazo estipulado. Caso contrário, são transformados em um animal de sua escolha e soltos na floresta. Após perder a esposa, o protagonista, David (Colin Farrell), decide se refugiar em um hotel peculiar, onde os hóspedes têm a oportunidade de encontrar um novo amor. No entanto, o que parece ser uma simples busca por companhia revela-se uma jornada existencial surreal. Condira o trailer (em inglês):
Mais atual do que nunca, "O Lagosta" é uma obra de arte que transcende o ordinário ao fazer um retrato dos relacionamentos em uma sociedade que não tolera o meio-termo, ou seja, onde o extremismo faz parte do dia a dia auto-destrutivo daquele universo. E é justamente nesse ponto que a direção de Lanthimos soa magistral, já que ele potencializa essa atmosfera de estranheza e alienação permeando toda a narrativa com metáforas muito inteligentes - reparem na forma como os hóspedes do hotel se relacionam entre si, todos da mesma forma, vestidos iguais, seguindo as mesmas regras rígidas e, principalmente, sabendo que o tempo é seu pior inimigo nesse objetivo de encontrar um grande amor e assim não virar, por exemplo, uma lagosta.
O roteiro, co-escrito por Lanthimos e Efthymis Filippou, chegou a ser indicado ao Oscar em 2017 por sua originalidade acima da média. Seu texto é uma mistura perspicaz de comédia, drama e sátira social que usa de uma linguagem peculiar e de diálogos absurdos para acrescentar uma camada extra de estranheza e humor capaz de desafiar nossas expectativas a cada nova sequência - algo entre "O Ensaio sobre a Cegueira" e "Parasita". A fotografia do Thimios Bakatakis (de "O Chalé") segue o mesmo conceito desolador da narrativa e dentro daqueles cenários minimalistas, clean ao extremo, contribui ainda mais para a construção de um gélido mundo distópico, onde as regras sociais são tão distorcidas quanto a solidão como uma forma de ameaça constante.
O elenco, é preciso ressaltar, entrega performances excepcionais, com destaque para Colin Farrell, Rachel Weisz e Olivia Colman. Farrell incorpora brilhantemente a angústia e a vulnerabilidade de seu personagem, enquanto Weisz e Colman trazem uma profundidade emocional cativante às suas interpretações - a química entre eles é tão palpável que adiciona uma complexidade para as relações que de fato nos faz refletir sobre temas como identidade, amor e liberdade de escolha. "The Lobster" (no original) realmente desafia e fascina em igual medida, então se você está em busca de uma experiência verdadeiramente única e provocativa, não ignore essa recomendação - mas saiba que você está prestes a navegar por um oceano pouquíssimo explorado no cinema comercial!
Vale seu play!
Essa recomendação faz parte do nosso projeto "Semana dos Clássicos", onde convidamos você a revisitar filmes que mudaram os rumos da narrativa cinematográfica e que merecem um olhar mais critico sem esquecer, claro, do que pode ter representado emocionalmente na nossa vida!
Há poucas verdades absolutas no cinema, no entanto aqui temos uma delas: "O Poderoso Chefão" é (e será para sempre) o melhor filme de máfia já produzido! "The Godfather" (no original), dirigido por Francis Ford Coppola e lançado em 1972, é uma unanimidade ao ser considerado uma verdadeira obra-prima do cinema e um dos filmes mais influentes de todos os tempos. Baseado no livro homônimo de Mario Puzo, "O Poderoso Chefão"combina, de forma brilhante, o drama familiar em um mundo do crime organizado, oferecendo uma narrativa profunda sobre poder, lealdade, moralidade e sobre a plena destruição da alma humana. Com uma direção magistral, performances lendárias e um roteiro impecável, "O Poderoso Chefão" não apenas redefiniu o gênero, como também consolidou o status de Coppola como um dos maiores cineastas da história.
A trama segue a família Corleone, uma das mais poderosas famílias mafiosas de Nova York. O patriarca, Don Vito Corleone (Marlon Brando), é um chefe de respeito e influência, que governa com uma combinação de carisma, honra e violência. Quando um atentado contra sua vida o coloca em uma posição vulnerável, seu filho Michael (Al Pacino) é forçado a entrar no mundo do crime para proteger a família, embora tenha inicialmente rejeitado esse destino. A jornada de Michael, de um herói de guerra distante da vida criminosa a um chefe implacável, é o coração da narrativa, simbolizando a transformação trágica e moralmente complexa de um homem diante das circunstâncias. Confira o trailer:
Mas o que faz de "O Poderoso Chefão" um filme tão aclamado?
Sem a menor dúvida, é a profundidade de seus personagens e a complexidade de suas relações! Vito Corleone, por exemplo, é um personagem ambíguo - ao mesmo tempo um homem de valores fortes, que preza pela família, e um implacável chefe da máfia, que não hesita em usar a violência para manter o poder. E aqui cabe a primeira observação técnica sobre essa obra-prima: a performance de Marlon Brando, com sua voz rouca e gestual controlado, torna Don Vito uma figura icônica, projetando uma presença quase mitológica de uma entidade em seu meio, que praticamente define o filme. Um ainda desconhecido Al Pacino, entrega uma jornada transformadora para seu personagem - ele começa como um homem que quer se distanciar do legado mafioso de sua família, mas, lentamente, vai sendo consumido pelo poder, pela vingança e pela necessidade de proteger seus entes queridos. Essa transição de Michael, de filho inocente a um homem frio e calculista, é uma das narrativas mais cativantes e trágicas da história do cinema. Pacino atua de forma contida, permitindo que o público veja a escuridão crescendo dentro de Michael, mesmo antes dele abraçar plenamente seu destino. É fantástico!
A direção de Coppola é outro elemento essencial: ela é simplesmente impecável. Coppola usa uma estética visual clássica, mas sem deixar de ser inovadora em vários momentos - o filme traz a densidade visual do submundo do crime com a mesma potência com que explora a deterioração moral dos personagens. A narrativa é meticulosamente desenvolvida nesse sentido, alternando momentos de tensão física com longas cenas de diálogos que revelam os conflitos íntimos dos personagens. Coppola também faz um uso impressionante de simbolismos visuais como o icônico "batismo de sangue", em que Michael se torna oficialmente o novo "Don" enquanto manda executar seus inimigos, contrastando a pureza do ritual religioso com a brutalidade do crime. É muito bom!
Além da direção e da performance do elenco, o roteiro coescrito por Coppola e Puzo, é outro ponto alto desse tripé. Cada diálogo é carregado de significados, e a forma como o filme explora as dinâmicas de poder e lealdade dentro da família Corleone é fascinante. "O Poderoso Chefão", saiba, não é apenas um filme sobre o mundo do crime, é uma reflexão visceral sobre o poder, os sacrifícios feitos em nome da família e as escolhas morais que definem a vida dos personagens. E é aqui que entra a trilha sonora de Nino Rota como a cereja do bolo: seu tema principal, com sua melodia melancólica e dramática, tornou-se instantaneamente reconhecível e é o que complementa o tom épico do filme. O fato é que "O Poderoso Chefão" é daquelas raridades onde as cenas são compostas com tanta precisão, usando todos esses elementos técnicos e artísticos, para criar uma atmosfera de ameaça iminente, que mesmo na tranquilidade das ambientações mais luxuosas sabemos que a brutalidade do mundo do crime respira
Essa é uma história imperdível de uma família mafiosa e sua relação com o poder e a corrupção!
PS: Sugiro fortemente que assim que subirem os créditos, você vá para o Paramount+ e assista "The Offer", minissérie sobre os bastidores e o processo de criação de "O Poderoso Chefão".
Essa recomendação faz parte do nosso projeto "Semana dos Clássicos", onde convidamos você a revisitar filmes que mudaram os rumos da narrativa cinematográfica e que merecem um olhar mais critico sem esquecer, claro, do que pode ter representado emocionalmente na nossa vida!
Há poucas verdades absolutas no cinema, no entanto aqui temos uma delas: "O Poderoso Chefão" é (e será para sempre) o melhor filme de máfia já produzido! "The Godfather" (no original), dirigido por Francis Ford Coppola e lançado em 1972, é uma unanimidade ao ser considerado uma verdadeira obra-prima do cinema e um dos filmes mais influentes de todos os tempos. Baseado no livro homônimo de Mario Puzo, "O Poderoso Chefão"combina, de forma brilhante, o drama familiar em um mundo do crime organizado, oferecendo uma narrativa profunda sobre poder, lealdade, moralidade e sobre a plena destruição da alma humana. Com uma direção magistral, performances lendárias e um roteiro impecável, "O Poderoso Chefão" não apenas redefiniu o gênero, como também consolidou o status de Coppola como um dos maiores cineastas da história.
A trama segue a família Corleone, uma das mais poderosas famílias mafiosas de Nova York. O patriarca, Don Vito Corleone (Marlon Brando), é um chefe de respeito e influência, que governa com uma combinação de carisma, honra e violência. Quando um atentado contra sua vida o coloca em uma posição vulnerável, seu filho Michael (Al Pacino) é forçado a entrar no mundo do crime para proteger a família, embora tenha inicialmente rejeitado esse destino. A jornada de Michael, de um herói de guerra distante da vida criminosa a um chefe implacável, é o coração da narrativa, simbolizando a transformação trágica e moralmente complexa de um homem diante das circunstâncias. Confira o trailer:
Mas o que faz de "O Poderoso Chefão" um filme tão aclamado?
Sem a menor dúvida, é a profundidade de seus personagens e a complexidade de suas relações! Vito Corleone, por exemplo, é um personagem ambíguo - ao mesmo tempo um homem de valores fortes, que preza pela família, e um implacável chefe da máfia, que não hesita em usar a violência para manter o poder. E aqui cabe a primeira observação técnica sobre essa obra-prima: a performance de Marlon Brando, com sua voz rouca e gestual controlado, torna Don Vito uma figura icônica, projetando uma presença quase mitológica de uma entidade em seu meio, que praticamente define o filme. Um ainda desconhecido Al Pacino, entrega uma jornada transformadora para seu personagem - ele começa como um homem que quer se distanciar do legado mafioso de sua família, mas, lentamente, vai sendo consumido pelo poder, pela vingança e pela necessidade de proteger seus entes queridos. Essa transição de Michael, de filho inocente a um homem frio e calculista, é uma das narrativas mais cativantes e trágicas da história do cinema. Pacino atua de forma contida, permitindo que o público veja a escuridão crescendo dentro de Michael, mesmo antes dele abraçar plenamente seu destino. É fantástico!
A direção de Coppola é outro elemento essencial: ela é simplesmente impecável. Coppola usa uma estética visual clássica, mas sem deixar de ser inovadora em vários momentos - o filme traz a densidade visual do submundo do crime com a mesma potência com que explora a deterioração moral dos personagens. A narrativa é meticulosamente desenvolvida nesse sentido, alternando momentos de tensão física com longas cenas de diálogos que revelam os conflitos íntimos dos personagens. Coppola também faz um uso impressionante de simbolismos visuais como o icônico "batismo de sangue", em que Michael se torna oficialmente o novo "Don" enquanto manda executar seus inimigos, contrastando a pureza do ritual religioso com a brutalidade do crime. É muito bom!
Além da direção e da performance do elenco, o roteiro coescrito por Coppola e Puzo, é outro ponto alto desse tripé. Cada diálogo é carregado de significados, e a forma como o filme explora as dinâmicas de poder e lealdade dentro da família Corleone é fascinante. "O Poderoso Chefão", saiba, não é apenas um filme sobre o mundo do crime, é uma reflexão visceral sobre o poder, os sacrifícios feitos em nome da família e as escolhas morais que definem a vida dos personagens. E é aqui que entra a trilha sonora de Nino Rota como a cereja do bolo: seu tema principal, com sua melodia melancólica e dramática, tornou-se instantaneamente reconhecível e é o que complementa o tom épico do filme. O fato é que "O Poderoso Chefão" é daquelas raridades onde as cenas são compostas com tanta precisão, usando todos esses elementos técnicos e artísticos, para criar uma atmosfera de ameaça iminente, que mesmo na tranquilidade das ambientações mais luxuosas sabemos que a brutalidade do mundo do crime respira
Essa é uma história imperdível de uma família mafiosa e sua relação com o poder e a corrupção!
PS: Sugiro fortemente que assim que subirem os créditos, você vá para o Paramount+ e assista "The Offer", minissérie sobre os bastidores e o processo de criação de "O Poderoso Chefão".
Alguns filmes acabam passando pela nossa lista e muitas vezes nem damos o valor que eles realmente merecem - "O Primeiro Homem" pode ser um desses casos, mesmo chancelado por quatro indicações para o Oscar 2019 (todas técnicas, é verdade) e ganhando o de "Melhor Efeito Visual". Esse "descaso" pode até ser justificado, já que o diretor Damien Chazelle havia provado sua maestria ao explorar a obsessão em filmes como "Whiplash" e "La La Land", mas com "O Primeiro Homem", ao levar essa abordagem para um novo patamar de produção, ele não recebeu o reconhecimento que merecia. Ao mergulhar na jornada de Neil Armstrong com um olhar mais intimista, Chazelle sugere que a audiência esqueça a grandiosidade convencional dos épicos espaciais ou até aquela exaltação patriótica de filmes como "Apollo 13" e "Os Eleitos" para, aqui, a "conquista da Lua" ser retratada com um realismo quase documental, destacando não apenas o feito histórico, mas o custo emocional e psicológico para aqueles envolvidos. O resultado é um drama mais introspectivo, tenso e profundamente humano, que nos faz lembrar que por trás das maiores conquistas da humanidade estão indivíduos extremamente complexos.
"O Primeiro Homem" acompanha a fascinante história de um compromisso da NASA - o de levar o homem para a Lua antes da União Soviética. Focando em nada menos que Neil Armstrong (Ryan Gosling), no período de 1961 a 1969, o filme é um relato visceral e íntimo, baseado na biografia oficial escrita por James R. Hansen, que explora os sacrifícios e o custo - para Armstrong e para os Estados Unidos - de uma das missões mais perigosas da história da exploração espacial até hoje. Confira o trailer:
Chazelle e o roteirista Josh Singer (de "Spotlight" e "The Post") se baseiam no livro de Hansen para construir um retrato meticuloso de Armstrong, que foge completamente do arquétipo tradicional de herói. Gosling entrega uma atuação contida, minimalista, capturando a introspecção e o estoicismo do astronauta com uma precisão impressionante. Seu Neil Armstrong é um homem assombrado pela dolorosa perda da filha Karen e pelo peso de suas responsabilidades perante a nação - e o filme, ainda bem, não se esforça para romantizá-lo. Veja, Armstrong é alguém que carrega uma dor imensa e a canaliza em seu trabalho, muitas vezes se fechando emocionalmente para aqueles ao seu redor - essa abordagem pode afastar quem espera um protagonista mais carismático, mas é justamente essa contenção que torna o personagem tão fascinante. A relação entre Armstrong e sua esposa, Janet (Claire Foy), é outro ponto central da narrativa. Enquanto ele se mantém frio e reservado, Janet se torna o elo entre sua família e a realidade da missão, funcionando como uma espécie de âncora emocional. Claire Foy brilha em uma atuação que equilibra força e solidão, especialmente em cenas que evidenciam sua frustração com a incapacidade de Neil em se abrir sobre seus sentimentos - uma das melhores sequências do filme ocorre quando ela exige que ele explique aos filhos a possibilidade real dele não voltar para casa. Pesado!
Se há um elemento em "O Primeiro Homem" que merece destaque absoluto, é a fotografia de Linus Sandgren. Diferente da grandiosidade visual de "Gravidade", Sandgren opta por um realismo quase claustrofóbico, usando uma câmera mais nervosa com lentes mais fechadas, gerando close-ups intensos que nos colocam dentro da experiência angustiante de Armstrong. Desde os primeiros testes de voo até o pouso na Lua, Chazelle aposta em uma abordagem subjetiva, muitas vezes restrita à perspectiva do protagonista, tornando cada decolagem, cada turbulência e cada falha mecânica, uma experiência profunda e extremamente imersiva. A cena do pouso, em particular, é um espetáculo técnico e emocional: a tensão construída no silêncio do espaço, o som abafado dos instrumentos e a incerteza do sucesso tornam a chegada à Lua um momento de triunfo até melancólico. O Desenho de som é um dos melhores já feitos em filmes do gênero - o contraste entre o barulho ensurdecedor do foguete e o silêncio absoluto do espaço cria uma imersão inigualável. A trilha sonora de Justin Hurwitz, que colaborou com Chazelle em "La La Land" e em "Whiplash", foge do tradicional e aposta em melodias delicadas e etéreas, reforçando a sensação de isolamento e introspecção da jornada de Armstrong.
Agora é preciso que se diga, "O Primeiro Homem" não é um filme fácil. Seu ritmo mais contemplativo e sua abordagem emocionalmente distante podem frustrar aqueles que esperam um épico espacial tradicional - aqui estamos entre um "Gravidade" e um "Ad Astra". Saiba que a decisão de focar na jornada interna de Armstrong ao invés de enfatizar a grandiosidade do feito pode até parecer anticlimática, mas é essa perspectiva que torna o filme tão singular. Chazelle não quer glorificar a conquista da Lua; ele quer mostrar o preço que foi pago por ela. "O Primeiro Homem" é um filme que desafia expectativas, recusa sentimentalismos fáceis e entrega uma visão crua e poderosa sobre o que significa ir além dos limites do possível, ou seja, para quem busca uma experiência de fato imersiva, introspectiva e visualmente impecável, essa é uma obra que merece ser vista – e sentida.
Assista na maior tela tela que puder e com o melhor sistema som que existir, porque vai fazer toda diferença! Lindo demais!
Alguns filmes acabam passando pela nossa lista e muitas vezes nem damos o valor que eles realmente merecem - "O Primeiro Homem" pode ser um desses casos, mesmo chancelado por quatro indicações para o Oscar 2019 (todas técnicas, é verdade) e ganhando o de "Melhor Efeito Visual". Esse "descaso" pode até ser justificado, já que o diretor Damien Chazelle havia provado sua maestria ao explorar a obsessão em filmes como "Whiplash" e "La La Land", mas com "O Primeiro Homem", ao levar essa abordagem para um novo patamar de produção, ele não recebeu o reconhecimento que merecia. Ao mergulhar na jornada de Neil Armstrong com um olhar mais intimista, Chazelle sugere que a audiência esqueça a grandiosidade convencional dos épicos espaciais ou até aquela exaltação patriótica de filmes como "Apollo 13" e "Os Eleitos" para, aqui, a "conquista da Lua" ser retratada com um realismo quase documental, destacando não apenas o feito histórico, mas o custo emocional e psicológico para aqueles envolvidos. O resultado é um drama mais introspectivo, tenso e profundamente humano, que nos faz lembrar que por trás das maiores conquistas da humanidade estão indivíduos extremamente complexos.
"O Primeiro Homem" acompanha a fascinante história de um compromisso da NASA - o de levar o homem para a Lua antes da União Soviética. Focando em nada menos que Neil Armstrong (Ryan Gosling), no período de 1961 a 1969, o filme é um relato visceral e íntimo, baseado na biografia oficial escrita por James R. Hansen, que explora os sacrifícios e o custo - para Armstrong e para os Estados Unidos - de uma das missões mais perigosas da história da exploração espacial até hoje. Confira o trailer:
Chazelle e o roteirista Josh Singer (de "Spotlight" e "The Post") se baseiam no livro de Hansen para construir um retrato meticuloso de Armstrong, que foge completamente do arquétipo tradicional de herói. Gosling entrega uma atuação contida, minimalista, capturando a introspecção e o estoicismo do astronauta com uma precisão impressionante. Seu Neil Armstrong é um homem assombrado pela dolorosa perda da filha Karen e pelo peso de suas responsabilidades perante a nação - e o filme, ainda bem, não se esforça para romantizá-lo. Veja, Armstrong é alguém que carrega uma dor imensa e a canaliza em seu trabalho, muitas vezes se fechando emocionalmente para aqueles ao seu redor - essa abordagem pode afastar quem espera um protagonista mais carismático, mas é justamente essa contenção que torna o personagem tão fascinante. A relação entre Armstrong e sua esposa, Janet (Claire Foy), é outro ponto central da narrativa. Enquanto ele se mantém frio e reservado, Janet se torna o elo entre sua família e a realidade da missão, funcionando como uma espécie de âncora emocional. Claire Foy brilha em uma atuação que equilibra força e solidão, especialmente em cenas que evidenciam sua frustração com a incapacidade de Neil em se abrir sobre seus sentimentos - uma das melhores sequências do filme ocorre quando ela exige que ele explique aos filhos a possibilidade real dele não voltar para casa. Pesado!
Se há um elemento em "O Primeiro Homem" que merece destaque absoluto, é a fotografia de Linus Sandgren. Diferente da grandiosidade visual de "Gravidade", Sandgren opta por um realismo quase claustrofóbico, usando uma câmera mais nervosa com lentes mais fechadas, gerando close-ups intensos que nos colocam dentro da experiência angustiante de Armstrong. Desde os primeiros testes de voo até o pouso na Lua, Chazelle aposta em uma abordagem subjetiva, muitas vezes restrita à perspectiva do protagonista, tornando cada decolagem, cada turbulência e cada falha mecânica, uma experiência profunda e extremamente imersiva. A cena do pouso, em particular, é um espetáculo técnico e emocional: a tensão construída no silêncio do espaço, o som abafado dos instrumentos e a incerteza do sucesso tornam a chegada à Lua um momento de triunfo até melancólico. O Desenho de som é um dos melhores já feitos em filmes do gênero - o contraste entre o barulho ensurdecedor do foguete e o silêncio absoluto do espaço cria uma imersão inigualável. A trilha sonora de Justin Hurwitz, que colaborou com Chazelle em "La La Land" e em "Whiplash", foge do tradicional e aposta em melodias delicadas e etéreas, reforçando a sensação de isolamento e introspecção da jornada de Armstrong.
Agora é preciso que se diga, "O Primeiro Homem" não é um filme fácil. Seu ritmo mais contemplativo e sua abordagem emocionalmente distante podem frustrar aqueles que esperam um épico espacial tradicional - aqui estamos entre um "Gravidade" e um "Ad Astra". Saiba que a decisão de focar na jornada interna de Armstrong ao invés de enfatizar a grandiosidade do feito pode até parecer anticlimática, mas é essa perspectiva que torna o filme tão singular. Chazelle não quer glorificar a conquista da Lua; ele quer mostrar o preço que foi pago por ela. "O Primeiro Homem" é um filme que desafia expectativas, recusa sentimentalismos fáceis e entrega uma visão crua e poderosa sobre o que significa ir além dos limites do possível, ou seja, para quem busca uma experiência de fato imersiva, introspectiva e visualmente impecável, essa é uma obra que merece ser vista – e sentida.
Assista na maior tela tela que puder e com o melhor sistema som que existir, porque vai fazer toda diferença! Lindo demais!
"O Sabor da Vida" é um típico drama francês - na sua essência e na sua cadência. O curioso, no entanto, é que o filme foi dirigido pelo Anh Hung Tran, de "O Cheiro do Papaia Verde" e de "As Luzes de um Verão" - todos reverenciados em Cannes. Esse imigrante vietnamita que desde os anos 90 se posicionou no cinema europeu como um contador de histórias sensíveis sobre as relações, sempre inseridas em um contexto poético, outra vez entrega uma obra para, mais do que assistir, admirar! "La Passion de Dodin Bouffant" (no original) não é um filme tradicional, ele é mais uma poesia, cheia de simbolismos (claro), que explora a conexão íntima entre a gastronomia e as emoções humanas. Baseado na obra de Marcel Rouff, o filme retrata a relação complexa e profunda entre o renomado chef Dodin Bouffant e sua cozinheira Eugénie, em uma história que se desenrola na França de 1885. Com uma abordagem intimista e muito sensível, "O Sabor da Vida"evoca o universo sensorial da culinária como expressão de amor, desejo, dedicação e arte - uma espécie de "Chef's Table" do século XIX"!
A narrativa gira em torno da paixão que une Dodin (Benoît Magimel) e Eugénie (Juliette Binoche), tanto na cozinha quanto fora dela. Em meio à preparação de pratos elaborados e cenas de refinada técnica culinária, o relacionamento dos dois é revelado com muita sutileza. Dodin deseja que Eugénie se case com ele, mas ela hesita em aceitar, já que é uma mulher de princípios independentes e dedicada a sua arte - para ela, o amor entre os dois está na relação profissional. Acontece que a dualidade entre o desejo de liberdade de Eugénie e a conexão emocional que a gastronomia proporciona para ambos, reflete as nuances de uma relação que transcende as palavras até que Dodin, finalmente, resolve cozinhar para ela. Confira o trailer:
Até pela proposta narrativa de "O Sabor da Vida", imediatamente já entendemos o quanto a direção de Anh Hung Tran prioriza o sutil e o contemplativa. Capturando cada detalhe com precisão e profundidade, o diretor faz uso de uma cinematografia rica e texturizada, onde cada prato preparado se torna uma verdadeira obra de arte. A fotografia de Jonathan Ricquebourg volta sua câmera para as sensações e texturas daquele mundo cheio de cores e sabores - os pratos e ingredientes são filmados com um olhar cuidadoso, quase reverencial, evocando o fascínio e o respeito pela culinária francesa tradicional. Alinhado com o estilo de Hung Tran, Ricquebourg utiliza planos fechados que intensificam a experiência sensorial, permitindo que a audiência praticamente "sinta" o aroma e o gosto das preparações - um conselho: não assista esse filme com fome!
Benoît Magimel e Juliette Binoche, ambos com atuações sublimes, capturam a complexidade de seus personagens com uma química magnética (eles já foram um casal na vida real). Magimel traz a Dodin uma camada de profundidade que vai além do mero papel de um chef; ele é um homem apaixonado pela comida e pelas experiências que o sabor pode proporcionar, mas também é uma figura vulnerável e de certa forma inseguro perante seu amor por Eugénie. Binoche, por sua vez, oferece uma interpretação rica e contida, expressando uma força interior e uma independência que são fundamentais para o desenvolvimento da narrativa. A dinâmica entre os dois é carregada de desejo e respeito mútuo, se comunicando mais pelos gestos e olhares do que com palavras, em um retrato delicado do amor e do companheirismo verdadeiro.
Veja, o filme se concentra nos momentos de convivência silenciosa, nas delicadezas que revelam as profundezas emocionais dos protagonistas, ou seja, você está realmente diante de um drama de relações nada convencional, mas belíssimo de assistir. "O Sabor da Vida" poderia até ter, mas evita cenas dramáticas intensas para construir uma jornada onde os pequenos detalhes, como a preparação de uma refeição ou o ajuste cuidadoso de um prato, se tornam veículos de expressão muito mais potentes e representativos de um sentimento mais íntimo. Indicado ao Oscar de Filme Internacional pela França e premiado em festivais importantes em 2023, "O Sabor da Vida" é belo e reflexivo, moldado para aqueles que apreciam o cinema sensorial e o valor de uma boa gastronomia.
Vale muito o seu play!
"O Sabor da Vida" é um típico drama francês - na sua essência e na sua cadência. O curioso, no entanto, é que o filme foi dirigido pelo Anh Hung Tran, de "O Cheiro do Papaia Verde" e de "As Luzes de um Verão" - todos reverenciados em Cannes. Esse imigrante vietnamita que desde os anos 90 se posicionou no cinema europeu como um contador de histórias sensíveis sobre as relações, sempre inseridas em um contexto poético, outra vez entrega uma obra para, mais do que assistir, admirar! "La Passion de Dodin Bouffant" (no original) não é um filme tradicional, ele é mais uma poesia, cheia de simbolismos (claro), que explora a conexão íntima entre a gastronomia e as emoções humanas. Baseado na obra de Marcel Rouff, o filme retrata a relação complexa e profunda entre o renomado chef Dodin Bouffant e sua cozinheira Eugénie, em uma história que se desenrola na França de 1885. Com uma abordagem intimista e muito sensível, "O Sabor da Vida"evoca o universo sensorial da culinária como expressão de amor, desejo, dedicação e arte - uma espécie de "Chef's Table" do século XIX"!
A narrativa gira em torno da paixão que une Dodin (Benoît Magimel) e Eugénie (Juliette Binoche), tanto na cozinha quanto fora dela. Em meio à preparação de pratos elaborados e cenas de refinada técnica culinária, o relacionamento dos dois é revelado com muita sutileza. Dodin deseja que Eugénie se case com ele, mas ela hesita em aceitar, já que é uma mulher de princípios independentes e dedicada a sua arte - para ela, o amor entre os dois está na relação profissional. Acontece que a dualidade entre o desejo de liberdade de Eugénie e a conexão emocional que a gastronomia proporciona para ambos, reflete as nuances de uma relação que transcende as palavras até que Dodin, finalmente, resolve cozinhar para ela. Confira o trailer:
Até pela proposta narrativa de "O Sabor da Vida", imediatamente já entendemos o quanto a direção de Anh Hung Tran prioriza o sutil e o contemplativa. Capturando cada detalhe com precisão e profundidade, o diretor faz uso de uma cinematografia rica e texturizada, onde cada prato preparado se torna uma verdadeira obra de arte. A fotografia de Jonathan Ricquebourg volta sua câmera para as sensações e texturas daquele mundo cheio de cores e sabores - os pratos e ingredientes são filmados com um olhar cuidadoso, quase reverencial, evocando o fascínio e o respeito pela culinária francesa tradicional. Alinhado com o estilo de Hung Tran, Ricquebourg utiliza planos fechados que intensificam a experiência sensorial, permitindo que a audiência praticamente "sinta" o aroma e o gosto das preparações - um conselho: não assista esse filme com fome!
Benoît Magimel e Juliette Binoche, ambos com atuações sublimes, capturam a complexidade de seus personagens com uma química magnética (eles já foram um casal na vida real). Magimel traz a Dodin uma camada de profundidade que vai além do mero papel de um chef; ele é um homem apaixonado pela comida e pelas experiências que o sabor pode proporcionar, mas também é uma figura vulnerável e de certa forma inseguro perante seu amor por Eugénie. Binoche, por sua vez, oferece uma interpretação rica e contida, expressando uma força interior e uma independência que são fundamentais para o desenvolvimento da narrativa. A dinâmica entre os dois é carregada de desejo e respeito mútuo, se comunicando mais pelos gestos e olhares do que com palavras, em um retrato delicado do amor e do companheirismo verdadeiro.
Veja, o filme se concentra nos momentos de convivência silenciosa, nas delicadezas que revelam as profundezas emocionais dos protagonistas, ou seja, você está realmente diante de um drama de relações nada convencional, mas belíssimo de assistir. "O Sabor da Vida" poderia até ter, mas evita cenas dramáticas intensas para construir uma jornada onde os pequenos detalhes, como a preparação de uma refeição ou o ajuste cuidadoso de um prato, se tornam veículos de expressão muito mais potentes e representativos de um sentimento mais íntimo. Indicado ao Oscar de Filme Internacional pela França e premiado em festivais importantes em 2023, "O Sabor da Vida" é belo e reflexivo, moldado para aqueles que apreciam o cinema sensorial e o valor de uma boa gastronomia.
Vale muito o seu play!
"O segredo dos seus olhos" do diretor Juan José Campanella é o filme argentino que venceu o Oscar em 2010 o que nos faz partir do princípio que é um filme bom - e te garanto: o filme é simplesmente sensacional! É muito original e tecnicamente perfeito!
Após trabalhar a vida inteira em num Tribunal, Benjamín (Ricardo Darín) resolve se aposentar e aproveitar o seu tempo livre para escrever um romance baseado num acontecimento que ele mesmo vivenciou alguns anos atrás: em 1974, ele foi encarregado de investigar um violento assassinato. Ao encarar velhos traumas, Benjamín confronta o intenso romance que teve com sua antiga chefe Irene (Soledad Villamil), assim como decisões e equívocos que tomou no passado. Com o tempo, as memórias terminam por transformar novamente sua vida e os reflexos de suas descobertas podem ser devastadores. Confira o trailer:
"O segredo dos seus olhos" equilibra perfeitamente os elementos de suspense com o drama, mas sem esquecer de vários momentos onde o alivio cômico dá o tom irônico que ajuda a construir a personalidade de Benjamín. O roteiro nos entrega uma trama nada previsível, muito envolvente e que consegue nos deixar tenso sempre que necessário. A capacidade que Darín tem como ator é muito bem aproveitado no filme, sua composição externa é tão bem construída quando seu trabalho íntimo. Tudo acaba se tornando bastante orgânico - do roteiro ao produto final que vemos na tela. Aliás é impossível não citar o "plano sequência" que busca Benjamín no meio de um Estádio de Futebol lotado. Reparem. A edição também merece destaque, pois o conceito narrativo imposta pelo roteiro sugere várias quebras na linha do tempo e a montagem do próprio Campanella resolve esse desafio de uma maneira muito criativa e uniforme - está realmente linda!
De fato é um grande trabalho do cinema argentino, sem dúvida um dos melhores da sua história e a vitória no Oscar 2010 só serviu para coroar um grande sucesso nas bilheterias - o filme custou 2 milhões de dólares e rendeu mais de 42 milhões no mundo inteiro!
Vale muito a pena e se prepare: o final é surpreendente!
"O segredo dos seus olhos" do diretor Juan José Campanella é o filme argentino que venceu o Oscar em 2010 o que nos faz partir do princípio que é um filme bom - e te garanto: o filme é simplesmente sensacional! É muito original e tecnicamente perfeito!
Após trabalhar a vida inteira em num Tribunal, Benjamín (Ricardo Darín) resolve se aposentar e aproveitar o seu tempo livre para escrever um romance baseado num acontecimento que ele mesmo vivenciou alguns anos atrás: em 1974, ele foi encarregado de investigar um violento assassinato. Ao encarar velhos traumas, Benjamín confronta o intenso romance que teve com sua antiga chefe Irene (Soledad Villamil), assim como decisões e equívocos que tomou no passado. Com o tempo, as memórias terminam por transformar novamente sua vida e os reflexos de suas descobertas podem ser devastadores. Confira o trailer:
"O segredo dos seus olhos" equilibra perfeitamente os elementos de suspense com o drama, mas sem esquecer de vários momentos onde o alivio cômico dá o tom irônico que ajuda a construir a personalidade de Benjamín. O roteiro nos entrega uma trama nada previsível, muito envolvente e que consegue nos deixar tenso sempre que necessário. A capacidade que Darín tem como ator é muito bem aproveitado no filme, sua composição externa é tão bem construída quando seu trabalho íntimo. Tudo acaba se tornando bastante orgânico - do roteiro ao produto final que vemos na tela. Aliás é impossível não citar o "plano sequência" que busca Benjamín no meio de um Estádio de Futebol lotado. Reparem. A edição também merece destaque, pois o conceito narrativo imposta pelo roteiro sugere várias quebras na linha do tempo e a montagem do próprio Campanella resolve esse desafio de uma maneira muito criativa e uniforme - está realmente linda!
De fato é um grande trabalho do cinema argentino, sem dúvida um dos melhores da sua história e a vitória no Oscar 2010 só serviu para coroar um grande sucesso nas bilheterias - o filme custou 2 milhões de dólares e rendeu mais de 42 milhões no mundo inteiro!
Vale muito a pena e se prepare: o final é surpreendente!
"O som do silêncio" é um filme difícil, daqueles que doem na alma! Ele, basicamente, fala sobre a necessidade de aceitar as mudanças que a vida nos apresenta e da importância de entender que olhar para frente é a melhor escolha, mesmo sabendo que o que ficou para trás foi importante (mas passou)!
A história acompanha Ruben Stone (Riz Ahmed) um o baterista de uma banda de heavy metal que está em turnê pelos Estados Unidos. Ele namora com a vocalista, Lou (Olivia Cooke) há quatro anos, mesmo período em que ele está longe das drogas e ela, longe da automutilação. Eles parecem viver em um relacionamento verdadeiro, felizes dentro daquele universo que escolheram - tudo, de fato, está dando certo na vida do casal até que Ruben passa a sofrer com uma perda brusca de audição. Incapaz de ouvir como antes, de se expor ao barulho de sua profissão e sem dinheiro para um procedimento médico que talvez pudesse recuperá-lo, ele é obrigado a buscar ajuda em um centro de apoio para surdos, sozinho! Confira o trailer:
"O som do silêncio" é um filme cadenciado, o que pode gerar alguma resistência, principalmente durante o segundo ato. Ao mesmo tempo ele muito bem dirigido pelo estreante Darius Marder e com a ajuda de um desenho de som simplesmente magnifico, "O som do silêncio" é um mergulho nos medos mais profundos de um ser humano através da ausência do som! Com uma interpretação digna de prêmios de Riz Ahmed ("The Night Of"), "Sound of Metal" (título original) é uma agradável surpresa no catálogo da Prime Vídeo e chega com chancela do talentoso Derek Cianfrance ("Namorados para Sempre") que divide o roteiro com Abraham Marder (irmão do diretor).
Como já conhecemos o trabalho de Cianfrance, esse filme não foge a regra: é uma história composta por várias camadas, que usa do silêncio (literalmente) para nos criar sensações que vão da angústia ao sofrimento sem pedir muita licença e tudo pelos olhos de um grande ator e de uma atriz, Olivia Cooke, que mesmo sem muito tempo de tela, é capaz de nos tocar a cada cena! Temos um lindo e profundo filme para quem gosta de uma narrativa mais intimista e reflexiva! Vale muito seu play!
"O som do silêncio" é um filme difícil, daqueles que doem na alma! Ele, basicamente, fala sobre a necessidade de aceitar as mudanças que a vida nos apresenta e da importância de entender que olhar para frente é a melhor escolha, mesmo sabendo que o que ficou para trás foi importante (mas passou)!
A história acompanha Ruben Stone (Riz Ahmed) um o baterista de uma banda de heavy metal que está em turnê pelos Estados Unidos. Ele namora com a vocalista, Lou (Olivia Cooke) há quatro anos, mesmo período em que ele está longe das drogas e ela, longe da automutilação. Eles parecem viver em um relacionamento verdadeiro, felizes dentro daquele universo que escolheram - tudo, de fato, está dando certo na vida do casal até que Ruben passa a sofrer com uma perda brusca de audição. Incapaz de ouvir como antes, de se expor ao barulho de sua profissão e sem dinheiro para um procedimento médico que talvez pudesse recuperá-lo, ele é obrigado a buscar ajuda em um centro de apoio para surdos, sozinho! Confira o trailer:
"O som do silêncio" é um filme cadenciado, o que pode gerar alguma resistência, principalmente durante o segundo ato. Ao mesmo tempo ele muito bem dirigido pelo estreante Darius Marder e com a ajuda de um desenho de som simplesmente magnifico, "O som do silêncio" é um mergulho nos medos mais profundos de um ser humano através da ausência do som! Com uma interpretação digna de prêmios de Riz Ahmed ("The Night Of"), "Sound of Metal" (título original) é uma agradável surpresa no catálogo da Prime Vídeo e chega com chancela do talentoso Derek Cianfrance ("Namorados para Sempre") que divide o roteiro com Abraham Marder (irmão do diretor).
Como já conhecemos o trabalho de Cianfrance, esse filme não foge a regra: é uma história composta por várias camadas, que usa do silêncio (literalmente) para nos criar sensações que vão da angústia ao sofrimento sem pedir muita licença e tudo pelos olhos de um grande ator e de uma atriz, Olivia Cooke, que mesmo sem muito tempo de tela, é capaz de nos tocar a cada cena! Temos um lindo e profundo filme para quem gosta de uma narrativa mais intimista e reflexiva! Vale muito seu play!