Um MBA de Liderança!
Sim, o documentário "O Time da Redenção" é uma aula sobre liderança graças a alguns personagens que merecem ser observados muito de perto para que se possa entender o contexto da jornada de reconstrução da Seleção Americana de Basquete Masculino e a importância da diferença entre se ter um "plano" ou um bom "planejamento" para conquistar determinados objetivos. Mike Krzyzewski (o Coach K), Kobe Bryant, LeBron James e Dwyane Wade são protagonistas dessa produção da Uninterrupted (a mesma de "Neymar - O Caos Perfeito" e de "Naomi Osaka: Estrela do Tênis") que vai te provocar excelentes reflexões!
Com imagens e conteúdo de bastidores inéditos, "O Time da Redenção" conta a história da jornada rumo ao ouro do time de basquete masculino dos EUA em Pequim 2008, após repetidos "fiascos" em dois campeonatos mundiais e nas Olimpíadas de Atenas (2004) quando perdeu uma semi-final improvável para a Argentina. Confira o trailer:
Contextualizando, após a derrota nas Olimpíadas de 1988 em Seul a Confederação Americana de Basquete tinha um plano: fazer com que o Comitê Olímpico permitisse que jogadores profissionais da NBA pudessem disputar uma competição "amadora" e assim reconquistar a hegemonia absoluta do esporte quatro anos depois em Barcelona. Até aquele momento o time dos Universitário dos EUA tinham um histórico de 84 vitórias e apenas 1 derrota - a dolorida e controversa medalha de prata em Munique quando a URSS venceu no último segundo após uma readequação no cronometro para que o time soviético tivesse mais uma chance no jogo. Pois bem, como todo plano, a estratégia funcionou em curto prazo, os EUA foram campeões olímpicos em Barcelona, em Atlanta e em Sidney (já com muita dificuldade); mas não se sustentou no longo prazo quando as outras seleções começaram a ser adequar àquele novo cenário, complicando a vida (e o jogo) dos americanos com muito mais eficiência e frequência como nunca. Era preciso urgente de um planejamento!
Depois da derrota na semi-final olímpica de 2004 foi iniciado um programa de reconstrução - se reunir 15 dias antes de uma competição importante para treinar, já não era uma opção. Com a chegada do nosso primeiro personagem, Mike Krzyzewski, se estabeleceu que os astros da NBA passariam a jogar dentro de um sistema que privilegiaria o conjunto, mesmo que incentivados a ser quem eram em seus times - até porquê, tanto LeBron James quanto Dwyane Wade já haviam participado da campanha fracassada de Atenas e sentiram na pele que o individualismo não se sustentaria mais. Explorar essa transição de mentalidade é, sem dúvida, o grande diferencial do documentário dirigido pelo Jon Weinbach (o cara por traz de "Arremesso Final") - com vários depoimentos dos personagens que fizeram parte dessa reconstrução e uma quantidade considerável de imagens inéditas dos bastidores dessa preparação, "O Time da Redenção" é um estudo de caso dos mais completos e complexos sobre liderança, motivação e planejamento que já assisti! Uma verdadeira aula de gestão em todos os níveis de relação!
"O Time da Redenção" é um presente para quem gosta do esporte e se aproveita dessas histórias (e aqui não estamos falando apenas das histórias de sucesso, mas também das de fracasso) para decodificar tantas lições e aplicar em seu dia a dia profissional. Entender que é preciso liderar pelo exemplo, como Kobe Bryant fez em sua chegada ao time; ou refletir sobre o papel do profissional que está no topo da pirâmide dentro de uma organização, como sempre pregou o Coach K; e até como o fracasso pode servir de combustível para quem não teria mais nada que provar, como aconteceu com James e Wade; enfim, tudo isso e muito mais está nesses 90 minutos de documentário que, no mínimo, vai te deixar muito mais atento a certos detalhes que para muitos nem importantes são, mas fazem muita diferença como prova essa história.
Vale muito o seu play!
E em tempo, se você quiser se aprofundar nos conceitos de liderança de Mike Krzyzewski (o Coach K) indico com muita tranquilidade o livro "Liderar com o Coração" que ele escreveu ao lado de Jamie K. Spatola.
Um MBA de Liderança!
Sim, o documentário "O Time da Redenção" é uma aula sobre liderança graças a alguns personagens que merecem ser observados muito de perto para que se possa entender o contexto da jornada de reconstrução da Seleção Americana de Basquete Masculino e a importância da diferença entre se ter um "plano" ou um bom "planejamento" para conquistar determinados objetivos. Mike Krzyzewski (o Coach K), Kobe Bryant, LeBron James e Dwyane Wade são protagonistas dessa produção da Uninterrupted (a mesma de "Neymar - O Caos Perfeito" e de "Naomi Osaka: Estrela do Tênis") que vai te provocar excelentes reflexões!
Com imagens e conteúdo de bastidores inéditos, "O Time da Redenção" conta a história da jornada rumo ao ouro do time de basquete masculino dos EUA em Pequim 2008, após repetidos "fiascos" em dois campeonatos mundiais e nas Olimpíadas de Atenas (2004) quando perdeu uma semi-final improvável para a Argentina. Confira o trailer:
Contextualizando, após a derrota nas Olimpíadas de 1988 em Seul a Confederação Americana de Basquete tinha um plano: fazer com que o Comitê Olímpico permitisse que jogadores profissionais da NBA pudessem disputar uma competição "amadora" e assim reconquistar a hegemonia absoluta do esporte quatro anos depois em Barcelona. Até aquele momento o time dos Universitário dos EUA tinham um histórico de 84 vitórias e apenas 1 derrota - a dolorida e controversa medalha de prata em Munique quando a URSS venceu no último segundo após uma readequação no cronometro para que o time soviético tivesse mais uma chance no jogo. Pois bem, como todo plano, a estratégia funcionou em curto prazo, os EUA foram campeões olímpicos em Barcelona, em Atlanta e em Sidney (já com muita dificuldade); mas não se sustentou no longo prazo quando as outras seleções começaram a ser adequar àquele novo cenário, complicando a vida (e o jogo) dos americanos com muito mais eficiência e frequência como nunca. Era preciso urgente de um planejamento!
Depois da derrota na semi-final olímpica de 2004 foi iniciado um programa de reconstrução - se reunir 15 dias antes de uma competição importante para treinar, já não era uma opção. Com a chegada do nosso primeiro personagem, Mike Krzyzewski, se estabeleceu que os astros da NBA passariam a jogar dentro de um sistema que privilegiaria o conjunto, mesmo que incentivados a ser quem eram em seus times - até porquê, tanto LeBron James quanto Dwyane Wade já haviam participado da campanha fracassada de Atenas e sentiram na pele que o individualismo não se sustentaria mais. Explorar essa transição de mentalidade é, sem dúvida, o grande diferencial do documentário dirigido pelo Jon Weinbach (o cara por traz de "Arremesso Final") - com vários depoimentos dos personagens que fizeram parte dessa reconstrução e uma quantidade considerável de imagens inéditas dos bastidores dessa preparação, "O Time da Redenção" é um estudo de caso dos mais completos e complexos sobre liderança, motivação e planejamento que já assisti! Uma verdadeira aula de gestão em todos os níveis de relação!
"O Time da Redenção" é um presente para quem gosta do esporte e se aproveita dessas histórias (e aqui não estamos falando apenas das histórias de sucesso, mas também das de fracasso) para decodificar tantas lições e aplicar em seu dia a dia profissional. Entender que é preciso liderar pelo exemplo, como Kobe Bryant fez em sua chegada ao time; ou refletir sobre o papel do profissional que está no topo da pirâmide dentro de uma organização, como sempre pregou o Coach K; e até como o fracasso pode servir de combustível para quem não teria mais nada que provar, como aconteceu com James e Wade; enfim, tudo isso e muito mais está nesses 90 minutos de documentário que, no mínimo, vai te deixar muito mais atento a certos detalhes que para muitos nem importantes são, mas fazem muita diferença como prova essa história.
Vale muito o seu play!
E em tempo, se você quiser se aprofundar nos conceitos de liderança de Mike Krzyzewski (o Coach K) indico com muita tranquilidade o livro "Liderar com o Coração" que ele escreveu ao lado de Jamie K. Spatola.
Tudo pode ser vendido, desde que você tenha os argumentos certos! É com certo tom de ironia que o diretor Jason Reitman (de "Tully") fez sua estreia em longas-metragem em 2005 com o excelente (e polêmico) "Obrigado por Fumar". Se na época do seu lançamento a discussão sobre "liberdade de escolha" parecia se apoiar na forma como uma mensagem poderia ser manipulada apenas através da publicidade e do marketing, hoje, alguns bons anos depois, sabemos que o problema é muito (mas, muito) mais profundo - e talvez por isso faça total sentido revisitar o filme. O conceito narrativo escolhido por Reitman ganhou outras camadas, principalmente com diretores como Adam McKay ou até com o Spike Lee, e isso não nos impacta mais: aquela montagem mais recortada e o tom mais satirizado funcionam como gatilho para discussões profundas sobre assuntos bem sérios, mas não é tão novidade assim. Porém, é de se elogiar a maneira como o diretor, ainda começando, "brinca" com nossa percepção sobre o que é certo e errado através de pontos de vista diferentes e de como a uma determinada mensagem pode ser replicada dependendo de como ela é interpretada - em tempos de rede social, isso acaba ganhando uma importância ainda maior, não?
Nick Naylor (Aaron Eckhart) é o porta-voz de grandes empresas de cigarros que ganha a vida defendendo a liberdade de escolha dos fumantes nos Estados Unidos. Desafiado pelos vigilantes da saúde e também pelo senador Ortolan K. Finistirre (William H. Macy), que deseja colocar um rótulo de veneno nos maços de cigarros, Nick passa a manipular informações de forma a diminuir os riscos da nicotina em entrevistas em programas de TV. Sua fama faz com que Nick atraia a atenção de Heather Holloway (Katie Holmes), uma jovem repórter de Washington que deseja investigá-lo. Embora ele diga repetidamente que trabalha apenas para pagar as contas, sua relação com o trabalho passa a mudar quando seu filho Joey (Cameron Bright) busca entender em que realmente seu pai trabalha.
Obviamente que "Obrigado por Fumar" é uma crítica mordaz aos métodos de manipulação de informações utilizados por inúmeros lobistas e relações públicas quando o objetivo é defender algo que é indefensável. Embora o roteiro, baseado no livro de Christopher Buckley, seja inteligente o suficiente ao mostrar como Nick habilmente distorce a verdade, utilizando argumentos convincentes e artifícios retóricos para moldar a opinião pública a seu favor, é na exposição da natureza subjetiva do seu discurso que o filme questiona a ética por trás de promoção de produtos prejudiciais à saúde. Existe uma sensibilidade impressionante na forma como os diálogos são construídos e como o protagonista lida com a moralidade, ou seja, excluindo o cinismo proposital da provocação, o que temos é uma aula de persuasão e vendas.
Naylor é uma figura fascinante e contraditória - e isso humaniza seu personagem em tempos onde ser herói ou bandido era definido exclusivamente pelos atos durante uma visão única da história. Aqui, o tom é mais acizentado, pois as perspectivas sobre o assunto são diferentes e complementares. Veja, apesar de promover um produto prejudicial, Naylor é apresentado como um personagem carismático e cativante - existe uma quebra de expectativa que dificulta nossa análise crítica. A complexidade da relação moral do protagonista reside no conflito interno entre sua profissão e sua vida pessoal, brilhantemente representados pelo filho pré-adolescente e pela jornalista sedutora que entram na trama para desempenhar papéis importantes nesse jogo de manipulação - Heather Holloway, inclusive, traz até a "hipocrisia" para a discussão.
Com um humor sutil e razoavelmente sarcástico, o filme não apenas faz piadas sobre a indústria do tabaco, mas também sobre as contradições do universo politico (já viram isso em algum lugar?), corporativo (ops!) e midiático (bingo!). Fato é que, ao explorar o mundo controverso do tabaco através dos olhos de um porta-voz carismático, "Obrigado por Fumar" nos convida a questionar a verdade, a ética e o papel da comunicação persuasiva nas decisões que tomamos até hoje. Com sua mistura de humor inteligente e crítica social, este filme continua a ser relevante ao destacar as táticas utilizadas para moldar percepções e influenciar debates.
Vale muito o seu play!
Tudo pode ser vendido, desde que você tenha os argumentos certos! É com certo tom de ironia que o diretor Jason Reitman (de "Tully") fez sua estreia em longas-metragem em 2005 com o excelente (e polêmico) "Obrigado por Fumar". Se na época do seu lançamento a discussão sobre "liberdade de escolha" parecia se apoiar na forma como uma mensagem poderia ser manipulada apenas através da publicidade e do marketing, hoje, alguns bons anos depois, sabemos que o problema é muito (mas, muito) mais profundo - e talvez por isso faça total sentido revisitar o filme. O conceito narrativo escolhido por Reitman ganhou outras camadas, principalmente com diretores como Adam McKay ou até com o Spike Lee, e isso não nos impacta mais: aquela montagem mais recortada e o tom mais satirizado funcionam como gatilho para discussões profundas sobre assuntos bem sérios, mas não é tão novidade assim. Porém, é de se elogiar a maneira como o diretor, ainda começando, "brinca" com nossa percepção sobre o que é certo e errado através de pontos de vista diferentes e de como a uma determinada mensagem pode ser replicada dependendo de como ela é interpretada - em tempos de rede social, isso acaba ganhando uma importância ainda maior, não?
Nick Naylor (Aaron Eckhart) é o porta-voz de grandes empresas de cigarros que ganha a vida defendendo a liberdade de escolha dos fumantes nos Estados Unidos. Desafiado pelos vigilantes da saúde e também pelo senador Ortolan K. Finistirre (William H. Macy), que deseja colocar um rótulo de veneno nos maços de cigarros, Nick passa a manipular informações de forma a diminuir os riscos da nicotina em entrevistas em programas de TV. Sua fama faz com que Nick atraia a atenção de Heather Holloway (Katie Holmes), uma jovem repórter de Washington que deseja investigá-lo. Embora ele diga repetidamente que trabalha apenas para pagar as contas, sua relação com o trabalho passa a mudar quando seu filho Joey (Cameron Bright) busca entender em que realmente seu pai trabalha.
Obviamente que "Obrigado por Fumar" é uma crítica mordaz aos métodos de manipulação de informações utilizados por inúmeros lobistas e relações públicas quando o objetivo é defender algo que é indefensável. Embora o roteiro, baseado no livro de Christopher Buckley, seja inteligente o suficiente ao mostrar como Nick habilmente distorce a verdade, utilizando argumentos convincentes e artifícios retóricos para moldar a opinião pública a seu favor, é na exposição da natureza subjetiva do seu discurso que o filme questiona a ética por trás de promoção de produtos prejudiciais à saúde. Existe uma sensibilidade impressionante na forma como os diálogos são construídos e como o protagonista lida com a moralidade, ou seja, excluindo o cinismo proposital da provocação, o que temos é uma aula de persuasão e vendas.
Naylor é uma figura fascinante e contraditória - e isso humaniza seu personagem em tempos onde ser herói ou bandido era definido exclusivamente pelos atos durante uma visão única da história. Aqui, o tom é mais acizentado, pois as perspectivas sobre o assunto são diferentes e complementares. Veja, apesar de promover um produto prejudicial, Naylor é apresentado como um personagem carismático e cativante - existe uma quebra de expectativa que dificulta nossa análise crítica. A complexidade da relação moral do protagonista reside no conflito interno entre sua profissão e sua vida pessoal, brilhantemente representados pelo filho pré-adolescente e pela jornalista sedutora que entram na trama para desempenhar papéis importantes nesse jogo de manipulação - Heather Holloway, inclusive, traz até a "hipocrisia" para a discussão.
Com um humor sutil e razoavelmente sarcástico, o filme não apenas faz piadas sobre a indústria do tabaco, mas também sobre as contradições do universo politico (já viram isso em algum lugar?), corporativo (ops!) e midiático (bingo!). Fato é que, ao explorar o mundo controverso do tabaco através dos olhos de um porta-voz carismático, "Obrigado por Fumar" nos convida a questionar a verdade, a ética e o papel da comunicação persuasiva nas decisões que tomamos até hoje. Com sua mistura de humor inteligente e crítica social, este filme continua a ser relevante ao destacar as táticas utilizadas para moldar percepções e influenciar debates.
Vale muito o seu play!
Para o amante da sétima arte, é impossível não ser impactado por um filme que antes do seu início tem a ilustre presença do diretor Steven Spielberg olhando no fundo dos seus olhos e agradecendo por você estar ali para acompanhar duas horas e meia de suas memórias. Como o próprio Spielberg diz, não se trata de uma metáfora, mas sim de uma jornada de descobertas e, essencialmente, uma declaração de amor - mesmo que assumidamente dividida entre suas duas paixões!
O filme é um retrato profundamente pessoal da vida de um dos maiores cineastas de todos os tempos, o diretor Steven Spielberg. "Os Fabelmans", escrito e dirigido pelo próprio Spielberg, narra a história de um jovem, Sammy (Gabriel LaBelle/Mateo Zoryan), que descobre um segredo familiar devastador e que aprende o poder dos filmes para ajudar a enxergar a verdade sobre os outros e sobre si mesmo. Confira o trailer:
Daqui a alguns anos, talvez, "Os Fabelmans" tenha a mesma representatividade para algumas gerações que "Cinema Paradiso", do grande Giuseppe Tornatore, representou para outras. Escrevo isso sem o menor receio de estar exagerando, pois a forma como o roteirista Tony Kushner estrutura as memórias de Spielberg para dar sentido a uma vida aparentemente feliz e tranquila, mas que vai se quebrando sem que o protagonista possa controlar, é sensacional. São tantas nuances e simbologias que citá-las provavelmente influenciaria demais na sua experiência, então eu apenas aconselho: preste atenção em cada detalhe, nos diálogos, nas construções de cada quadro, de cada plano, de como o jovem Sam se relaciona com o mundo e em como as referências de sua vida foram fielmente reproduzidas em seus filmes.
Veja, a linha entre o que é de fato real e o que é pura interpretação é propositalmente confusa, porque Spielberg faz questão de deixar claro que: “é assim que eu me vejo” - você pode até achar que a iluminação recortada pelas árvores em um bosque soa artificial, mas era dessa forma quase poética que Sam se relacionava com seus sentimentos e sentidos. Repare! Também não serão poucas as vezes que você terá a sensação de "eu já vi isso antes" - a genialidade de Kushner e o perfeccionismo de Spielberg entregam dentro de um outro contexto, exatamente as mesmas cenas que um dia vieram a fazer sucesso em sua carreira como diretor. Rapidamente conseguimos identificar as inspirações de enquadramentos de "E.T."., "Tubarão", Contatos Imediatos do Terceiro Grau", "Lista de Schindler", "Cor Púrpura", "Indiana Jones", "Império do Sol", "O Resgate do Soldado Ryan" e até de "Encurralado" - encontrar esses easter eggsé tão divertido quanto nostálgico!
"Os Fabelmans" ainda encontra tempo para discutir sobre as relações familiares. Brilhantemente conduzido por Michelle Williams (como a mãe, Mitzi Fabelman), Paul Dano (como o pai, Burt Fabelman), Seth Rogen(como o melhor amigo da família, Bennie Loewy), além de uma participação tão especial quanto de gala de Judd Hirsch (o tio Boris - para mim o personagem fundamental para o que Spielberg se tornou), os assuntos são espinhosos, marcantes e delicados, mas o que não falta, claro, é sensibilidade para o diretor pontuar algumas passagens que mudaram a sua vida.
Para finalizar, é preciso dizer que a audiência familiarizada com a carreira do Diretor e com as particularidades da profissão de cineasta, deve até se divertir mais que, digamos, o público em geral - não foram poucas as vezes que me vi rindo sozinho de uma piada que ninguém entendeu. Saber a diferença entre uma câmera Bolex 8mm e uma Arriflex 16mm, de fato, não é usual, porém existe um cuidado em explorar as fragilidades do protagonista e até em como ele foi percebendo sua capacidade de manipular imagens para alcançar diferentes emoções, que transformam a história de "Os Fabelmans" em algo realmente universal e apaixonante!
Simplesmente imperdível!
Antes do play, não deixe de assistir o documentário da HBO Max "Spielberg".
Para o amante da sétima arte, é impossível não ser impactado por um filme que antes do seu início tem a ilustre presença do diretor Steven Spielberg olhando no fundo dos seus olhos e agradecendo por você estar ali para acompanhar duas horas e meia de suas memórias. Como o próprio Spielberg diz, não se trata de uma metáfora, mas sim de uma jornada de descobertas e, essencialmente, uma declaração de amor - mesmo que assumidamente dividida entre suas duas paixões!
O filme é um retrato profundamente pessoal da vida de um dos maiores cineastas de todos os tempos, o diretor Steven Spielberg. "Os Fabelmans", escrito e dirigido pelo próprio Spielberg, narra a história de um jovem, Sammy (Gabriel LaBelle/Mateo Zoryan), que descobre um segredo familiar devastador e que aprende o poder dos filmes para ajudar a enxergar a verdade sobre os outros e sobre si mesmo. Confira o trailer:
Daqui a alguns anos, talvez, "Os Fabelmans" tenha a mesma representatividade para algumas gerações que "Cinema Paradiso", do grande Giuseppe Tornatore, representou para outras. Escrevo isso sem o menor receio de estar exagerando, pois a forma como o roteirista Tony Kushner estrutura as memórias de Spielberg para dar sentido a uma vida aparentemente feliz e tranquila, mas que vai se quebrando sem que o protagonista possa controlar, é sensacional. São tantas nuances e simbologias que citá-las provavelmente influenciaria demais na sua experiência, então eu apenas aconselho: preste atenção em cada detalhe, nos diálogos, nas construções de cada quadro, de cada plano, de como o jovem Sam se relaciona com o mundo e em como as referências de sua vida foram fielmente reproduzidas em seus filmes.
Veja, a linha entre o que é de fato real e o que é pura interpretação é propositalmente confusa, porque Spielberg faz questão de deixar claro que: “é assim que eu me vejo” - você pode até achar que a iluminação recortada pelas árvores em um bosque soa artificial, mas era dessa forma quase poética que Sam se relacionava com seus sentimentos e sentidos. Repare! Também não serão poucas as vezes que você terá a sensação de "eu já vi isso antes" - a genialidade de Kushner e o perfeccionismo de Spielberg entregam dentro de um outro contexto, exatamente as mesmas cenas que um dia vieram a fazer sucesso em sua carreira como diretor. Rapidamente conseguimos identificar as inspirações de enquadramentos de "E.T."., "Tubarão", Contatos Imediatos do Terceiro Grau", "Lista de Schindler", "Cor Púrpura", "Indiana Jones", "Império do Sol", "O Resgate do Soldado Ryan" e até de "Encurralado" - encontrar esses easter eggsé tão divertido quanto nostálgico!
"Os Fabelmans" ainda encontra tempo para discutir sobre as relações familiares. Brilhantemente conduzido por Michelle Williams (como a mãe, Mitzi Fabelman), Paul Dano (como o pai, Burt Fabelman), Seth Rogen(como o melhor amigo da família, Bennie Loewy), além de uma participação tão especial quanto de gala de Judd Hirsch (o tio Boris - para mim o personagem fundamental para o que Spielberg se tornou), os assuntos são espinhosos, marcantes e delicados, mas o que não falta, claro, é sensibilidade para o diretor pontuar algumas passagens que mudaram a sua vida.
Para finalizar, é preciso dizer que a audiência familiarizada com a carreira do Diretor e com as particularidades da profissão de cineasta, deve até se divertir mais que, digamos, o público em geral - não foram poucas as vezes que me vi rindo sozinho de uma piada que ninguém entendeu. Saber a diferença entre uma câmera Bolex 8mm e uma Arriflex 16mm, de fato, não é usual, porém existe um cuidado em explorar as fragilidades do protagonista e até em como ele foi percebendo sua capacidade de manipular imagens para alcançar diferentes emoções, que transformam a história de "Os Fabelmans" em algo realmente universal e apaixonante!
Simplesmente imperdível!
Antes do play, não deixe de assistir o documentário da HBO Max "Spielberg".
"Os olhos de Tammy Faye" merecia mais - merecia uma minissérie! Não que o filme seja ruim, muito pelo contrário, achei muito bom (não genial), mas a história, essa sim, é impressionante! Obviamente que o limite de 120 minutos prejudica a experiência, os saltos temporais são inevitáveis quando você quer cobrir um recorte muito maior do que um roteiro de longa-metragem permite e é aí que o filme perde força. Passagens muito interessantes e curiosas da jornada de Tammy Faye e de seu marido, Jim Bakker, precisaram ficar de fora da montagem final e a sensação de urgência para que os pontos-chaves sejam expostos e a história faça sentido, atrapalha muito - uma pena!
O filme é baseado na história da maior apresentadora gospel da TV norte-americana de todos os tempos, a lendária Tammy Faye Bakker (Jessica Chastain). "Os olhos de Tammy Faye" acompanha a ascensão e queda da televangelista e de seu marido, Jim Bakker (Andrew Garfield) nas décadas de 1970 e 1980. Os dois vieram de origens humildes e conseguiram criar a maior rede de radiodifusão religiosa do mundo, alcançando respeito e reverência por sua mensagem de amor, aceitação e prosperidade. Tammy Faye era reconhecida por sua beleza extravagante, seus olhos e maquiagem bem marcados, sua forma singular de cantar e seu jeito empático com as pessoas. No entanto, os escândalos e seus rivais procuraram alguma forma de derrubar seu império... e conseguiram! Confira o trailer:
Em um primeiro momento, "Os olhos de Tammy Faye" me lembrou "Joy", quando na verdade o filme dirigido pelo Michael Showalter (de "The Dropout") é muito mais parecido (dadas suas devidas diferenças históricas) com o excelente documentário da Prime Vídeo "As Faces da Marca". Quando o roteiro escrito pelo trio improvável, mas de certa forma até coerente para o projeto, formado pelos multi-premiados Fenton Bailey e Randy Barbato da franquia "Drag RuPaul's" (e que já haviam escrito um documentário sobre a personagem) e Abe Sylvia de "The Affair", prioriza a estrutura "origem-ascensão-declínio-ressurgimento" temos a exata impressão que a preocupação do filme está muito mais em atenuar a parte problemática da protagonista e evidenciar as suas virtudes do que expor uma realidade (seja ela qual for) que condene suas falhas de caráter.
Obviamente que nos conectamos com Tammy Fay imediatamente, e eu diria que até certo ponto, com Jim Bakker também - e por isso a comparação com DeAnne Brady e Mark Stidham da LuLaRoe. Jessica Chastain e Andrew Garfield têm muitos méritos nisso e mesmo com toda inconsistência do roteiro, conseguem construir uma ligação emocional interessante para a narrativa, que nos ajuda a projetar certa verossimilhança - apesar dos personagens, principalmente Fay, serem extremamente caricatos. O fato é que assim que os crédito sobem temos duas certezas: Chastain mereceu o Oscar de melhor atriz pelo papel e Garfield provavelmente também seria indicado, não fosse sua incrível performance em "Tick, Tick... Boom!".
Embora me incomode que a transição daquele pequeno sucesso em uma TV local que se transforma em um verdadeiro império aconteça repentinamente (e sem parecer custar qualquer esforço), fica muito difícil não considerar que o problema está mais no formato do que no roteiro. Saiba que depois do play, você estará de frente com uma história poderosa e com uma personagem única, que está apoiada em uma narrativa apenas superficial, mas que nos momentos em que se permite ir além, é possível entender o tamanho do potencial do filme. Por isso "Os olhos de Tammy Faye" pode soar mais como um entretenimento do que como um convite para a reflexão ou até para julgamentos que gerem alguma discussão sobre moralidade, hipocrisia, identidade e até sobre o papel da religião como negócio, mas tudo está ali, mesmo que escondido.
Vale o seu play? Claro, mas vai ficar um gostinho de "quero mais"!
"Os olhos de Tammy Faye" merecia mais - merecia uma minissérie! Não que o filme seja ruim, muito pelo contrário, achei muito bom (não genial), mas a história, essa sim, é impressionante! Obviamente que o limite de 120 minutos prejudica a experiência, os saltos temporais são inevitáveis quando você quer cobrir um recorte muito maior do que um roteiro de longa-metragem permite e é aí que o filme perde força. Passagens muito interessantes e curiosas da jornada de Tammy Faye e de seu marido, Jim Bakker, precisaram ficar de fora da montagem final e a sensação de urgência para que os pontos-chaves sejam expostos e a história faça sentido, atrapalha muito - uma pena!
O filme é baseado na história da maior apresentadora gospel da TV norte-americana de todos os tempos, a lendária Tammy Faye Bakker (Jessica Chastain). "Os olhos de Tammy Faye" acompanha a ascensão e queda da televangelista e de seu marido, Jim Bakker (Andrew Garfield) nas décadas de 1970 e 1980. Os dois vieram de origens humildes e conseguiram criar a maior rede de radiodifusão religiosa do mundo, alcançando respeito e reverência por sua mensagem de amor, aceitação e prosperidade. Tammy Faye era reconhecida por sua beleza extravagante, seus olhos e maquiagem bem marcados, sua forma singular de cantar e seu jeito empático com as pessoas. No entanto, os escândalos e seus rivais procuraram alguma forma de derrubar seu império... e conseguiram! Confira o trailer:
Em um primeiro momento, "Os olhos de Tammy Faye" me lembrou "Joy", quando na verdade o filme dirigido pelo Michael Showalter (de "The Dropout") é muito mais parecido (dadas suas devidas diferenças históricas) com o excelente documentário da Prime Vídeo "As Faces da Marca". Quando o roteiro escrito pelo trio improvável, mas de certa forma até coerente para o projeto, formado pelos multi-premiados Fenton Bailey e Randy Barbato da franquia "Drag RuPaul's" (e que já haviam escrito um documentário sobre a personagem) e Abe Sylvia de "The Affair", prioriza a estrutura "origem-ascensão-declínio-ressurgimento" temos a exata impressão que a preocupação do filme está muito mais em atenuar a parte problemática da protagonista e evidenciar as suas virtudes do que expor uma realidade (seja ela qual for) que condene suas falhas de caráter.
Obviamente que nos conectamos com Tammy Fay imediatamente, e eu diria que até certo ponto, com Jim Bakker também - e por isso a comparação com DeAnne Brady e Mark Stidham da LuLaRoe. Jessica Chastain e Andrew Garfield têm muitos méritos nisso e mesmo com toda inconsistência do roteiro, conseguem construir uma ligação emocional interessante para a narrativa, que nos ajuda a projetar certa verossimilhança - apesar dos personagens, principalmente Fay, serem extremamente caricatos. O fato é que assim que os crédito sobem temos duas certezas: Chastain mereceu o Oscar de melhor atriz pelo papel e Garfield provavelmente também seria indicado, não fosse sua incrível performance em "Tick, Tick... Boom!".
Embora me incomode que a transição daquele pequeno sucesso em uma TV local que se transforma em um verdadeiro império aconteça repentinamente (e sem parecer custar qualquer esforço), fica muito difícil não considerar que o problema está mais no formato do que no roteiro. Saiba que depois do play, você estará de frente com uma história poderosa e com uma personagem única, que está apoiada em uma narrativa apenas superficial, mas que nos momentos em que se permite ir além, é possível entender o tamanho do potencial do filme. Por isso "Os olhos de Tammy Faye" pode soar mais como um entretenimento do que como um convite para a reflexão ou até para julgamentos que gerem alguma discussão sobre moralidade, hipocrisia, identidade e até sobre o papel da religião como negócio, mas tudo está ali, mesmo que escondido.
Vale o seu play? Claro, mas vai ficar um gostinho de "quero mais"!
Imagine-se diferente de todos ao seu redor. Imagine que resolva mostrar ao mundo quem você é, e não há preconceito, luta, injustiça e humilhação que o detenha de alcançar seu grande sonho... simplesmente ser quem você é! "Pose" é isso e muito mais!
A série se passa em meados dos anos 80/90, em Nova York, onde, para sobreviver e se proteger, os transexuais se reúnem em "famílias", sob as diretrizes das chamadas "Mães", que enxergam o melhor em cada um de seus "filhos", e se lançam nos badalados bailes LGBTQ, em busca de oportunidades para mostrar ao mundo toda a sua sensualidade, beleza e ousadia, através dos movimentos inusitados da Dança Vogue - leia-se a diva mor Madonna no hot parade. Confira o trailer:
Antes de mais nada é preciso dizer que a trilha sonora é um elemento a parte - simplesmente incrível! Já o roteiro não suaviza ao expor o fantasma da AIDS e como a doença continuava causando medo e incerteza na comunidade, embora o tratamento já mostrasse alguns resultados importantes - bem diferente de “Halston”dos anos 70 e do mesmo Ryan Murphy (criador da série). Drogas, violência, conteúdo sexual e uma pegada de humor trágico, é um retrato do que enfrentavam os transsexuais, com muita pose, para serem aceitos e respeitados em suas diferenças - e há muita sensibilidade para dimensionar isso naquela sociedade.
Outro ponto que merece destaque, diz respeito ao maior elenco transexual reunido em uma única produção! Blanca (Mj Rodriguez), Elektra (Dominique Jackson), Angel (Indya Moore) e Candy (Angelica Ross) trazem para a tela, o que há por trás de todas as cores e brilhos daquele universo onde não se trata de escolha ou de opção, é simplesmente ser quem realmente é - e olha, não foi por acaso que "Pose" teve 10 indicações ao Emmy, inclusive como "Melhor Elenco em Série Dramática", além de mais de 70 indicações e 30 prêmios em vários festivais pelo mundo.
O fato é que "Pose" brilha dentro e fora de cada um dos personagens, sem perder de vista a elegância e a sutileza para tocar em temas muito desconfortáveis, mas essenciais na discussão sobre tolerância e respeito, onde a voz das minorias reverbera, humildemente, na evolução do ser humano pelos olhos da cultura pop.
Vale o play!
Escrito por Willy Roosevelt com Edição de André Siqueira - uma parceria @tudocine1
Imagine-se diferente de todos ao seu redor. Imagine que resolva mostrar ao mundo quem você é, e não há preconceito, luta, injustiça e humilhação que o detenha de alcançar seu grande sonho... simplesmente ser quem você é! "Pose" é isso e muito mais!
A série se passa em meados dos anos 80/90, em Nova York, onde, para sobreviver e se proteger, os transexuais se reúnem em "famílias", sob as diretrizes das chamadas "Mães", que enxergam o melhor em cada um de seus "filhos", e se lançam nos badalados bailes LGBTQ, em busca de oportunidades para mostrar ao mundo toda a sua sensualidade, beleza e ousadia, através dos movimentos inusitados da Dança Vogue - leia-se a diva mor Madonna no hot parade. Confira o trailer:
Antes de mais nada é preciso dizer que a trilha sonora é um elemento a parte - simplesmente incrível! Já o roteiro não suaviza ao expor o fantasma da AIDS e como a doença continuava causando medo e incerteza na comunidade, embora o tratamento já mostrasse alguns resultados importantes - bem diferente de “Halston”dos anos 70 e do mesmo Ryan Murphy (criador da série). Drogas, violência, conteúdo sexual e uma pegada de humor trágico, é um retrato do que enfrentavam os transsexuais, com muita pose, para serem aceitos e respeitados em suas diferenças - e há muita sensibilidade para dimensionar isso naquela sociedade.
Outro ponto que merece destaque, diz respeito ao maior elenco transexual reunido em uma única produção! Blanca (Mj Rodriguez), Elektra (Dominique Jackson), Angel (Indya Moore) e Candy (Angelica Ross) trazem para a tela, o que há por trás de todas as cores e brilhos daquele universo onde não se trata de escolha ou de opção, é simplesmente ser quem realmente é - e olha, não foi por acaso que "Pose" teve 10 indicações ao Emmy, inclusive como "Melhor Elenco em Série Dramática", além de mais de 70 indicações e 30 prêmios em vários festivais pelo mundo.
O fato é que "Pose" brilha dentro e fora de cada um dos personagens, sem perder de vista a elegância e a sutileza para tocar em temas muito desconfortáveis, mas essenciais na discussão sobre tolerância e respeito, onde a voz das minorias reverbera, humildemente, na evolução do ser humano pelos olhos da cultura pop.
Vale o play!
Escrito por Willy Roosevelt com Edição de André Siqueira - uma parceria @tudocine1
"Print the Legend" é para você que é empreendedor ou para quem está prestes a tirar sua ideia do papel! Esse documentário produzido pela Netflix não romantiza a difícil jornada do empreendedor e tem o mérito de ampliar a nossa percepção sobre o universo de uma startup em um momento crucial para o seu sucesso (ou fracasso): o momento de crescer. Se eu pudesse definir "Print the Legend", eu diria que é um documentário sobre "as dores do crescimento" de uma startup, de seus fundadores e de como essas mudanças refletem nos relacionamentos e na cultura da empresa!
A partir da história de duas promissoras startups: a MarketBot e a FormLabs, entendemos como as impressoras 3D tem mudado a vida de muita gente, seja na impressão de armas de fogo, bijuterias ou até de órgãos humanos, e também como essa tecnologia pode prejudicar muitas indústrias, já que permite a fabricação de inúmeros itens com um custo baixo e de forma caseira. Entre os que produzem essa impressora, há empresas pequenas e grandes, e o documentário mostra muitos dos desafios envolvidos durante a corrida para disponibilizar o device para o público em geral. Confira o trailer (em inglês):
Muito bem escrito por Steven Klein (de "Out of Omaha") e pelo diretores Luis Lopez e Clay Tweel (de "Make Believe"), "Print the Legend" é mais um estudo de caso, quase um MBA de empreendedorismo que está escondido no catálogo de um serviço de streaming. O roteiro é muito feliz em retratar a rotina de pessoas que sonham em tornar a impressão 3D algo acessível para toda a sociedade. Com uma linha do tempo muito bem construída, a história mostra a evolução do mercado, desde as máquinas da 3DSystems e da Stratasys até o conceito open-source da MarketBot e low-costda FormLabs.
Embora o documentário tenha o mercado de impressão 3D como foco, os ensinamentos baseado nas experiências da MarketBot e da FormLabs, e de seu fundadores, são facilmente adaptáveis à realidade de qualquer empreendedor - todas as dificuldades que a startup enfrenta no seu processo de growth são discutidos por quem viveu essa dor. Da adaptação na forma de liderar uma equipe que já não está mais na garagem de casa à pressão de conseguir milhões em investimentos, ou até quando a startup começa incomodar uma gigante do setor e um processo de M&A passa a ser uma realidade tão presente quando um de quebra de patente.
Um ponto interessante que vale a pena reparar é como o co-founder da MarketBot, Bre Pattis, vai mudando com o passar do tempo - como sua postura vai influenciando na cultura da empresa, de acessível e aberta, para outra cada vez mais fechada e burocrática, ao ponto de tomar decisões polêmicas que vão contra os seus valores e propósito, ao comentário que a empresa passou a ser odiada pelos seus próprios funcionários.
Mesmo que o documentário dê holofote para um idiota como Cody Wilson, o cara que usou uma impressora 3D para criar armas de fogo e disponibilizou o projeto para qualquer um imprimir a sua, eu diria que "Print the Legend" é uma agradável surpresa. Além de um overview muito interessante sobre inovação e disrupção de mercado, os pontos levantados sobre o universo empreendedor são incríveis e provocam ótimas reflexões, principalmente aquela onde é preciso virar a chave e entender que o "sonho" agora é um "negócio" e que decisões difíceis e impopulares precisam ser tomadas.
Vale muito o seu play!
"Print the Legend" é para você que é empreendedor ou para quem está prestes a tirar sua ideia do papel! Esse documentário produzido pela Netflix não romantiza a difícil jornada do empreendedor e tem o mérito de ampliar a nossa percepção sobre o universo de uma startup em um momento crucial para o seu sucesso (ou fracasso): o momento de crescer. Se eu pudesse definir "Print the Legend", eu diria que é um documentário sobre "as dores do crescimento" de uma startup, de seus fundadores e de como essas mudanças refletem nos relacionamentos e na cultura da empresa!
A partir da história de duas promissoras startups: a MarketBot e a FormLabs, entendemos como as impressoras 3D tem mudado a vida de muita gente, seja na impressão de armas de fogo, bijuterias ou até de órgãos humanos, e também como essa tecnologia pode prejudicar muitas indústrias, já que permite a fabricação de inúmeros itens com um custo baixo e de forma caseira. Entre os que produzem essa impressora, há empresas pequenas e grandes, e o documentário mostra muitos dos desafios envolvidos durante a corrida para disponibilizar o device para o público em geral. Confira o trailer (em inglês):
Muito bem escrito por Steven Klein (de "Out of Omaha") e pelo diretores Luis Lopez e Clay Tweel (de "Make Believe"), "Print the Legend" é mais um estudo de caso, quase um MBA de empreendedorismo que está escondido no catálogo de um serviço de streaming. O roteiro é muito feliz em retratar a rotina de pessoas que sonham em tornar a impressão 3D algo acessível para toda a sociedade. Com uma linha do tempo muito bem construída, a história mostra a evolução do mercado, desde as máquinas da 3DSystems e da Stratasys até o conceito open-source da MarketBot e low-costda FormLabs.
Embora o documentário tenha o mercado de impressão 3D como foco, os ensinamentos baseado nas experiências da MarketBot e da FormLabs, e de seu fundadores, são facilmente adaptáveis à realidade de qualquer empreendedor - todas as dificuldades que a startup enfrenta no seu processo de growth são discutidos por quem viveu essa dor. Da adaptação na forma de liderar uma equipe que já não está mais na garagem de casa à pressão de conseguir milhões em investimentos, ou até quando a startup começa incomodar uma gigante do setor e um processo de M&A passa a ser uma realidade tão presente quando um de quebra de patente.
Um ponto interessante que vale a pena reparar é como o co-founder da MarketBot, Bre Pattis, vai mudando com o passar do tempo - como sua postura vai influenciando na cultura da empresa, de acessível e aberta, para outra cada vez mais fechada e burocrática, ao ponto de tomar decisões polêmicas que vão contra os seus valores e propósito, ao comentário que a empresa passou a ser odiada pelos seus próprios funcionários.
Mesmo que o documentário dê holofote para um idiota como Cody Wilson, o cara que usou uma impressora 3D para criar armas de fogo e disponibilizou o projeto para qualquer um imprimir a sua, eu diria que "Print the Legend" é uma agradável surpresa. Além de um overview muito interessante sobre inovação e disrupção de mercado, os pontos levantados sobre o universo empreendedor são incríveis e provocam ótimas reflexões, principalmente aquela onde é preciso virar a chave e entender que o "sonho" agora é um "negócio" e que decisões difíceis e impopulares precisam ser tomadas.
Vale muito o seu play!
Esse é o melhor documentário sobre o assunto que você vai encontrar nos catálogos de streaming e te garanto: a história que você vai conhecer em "Procurado - A Fuga de Carlos Ghosn" é surpreendente - uma mistura de "Indústria Americana" com "A Verdadeira História do Roubo do Século" e ainda com um leve toque de cinebiografia empreendedora como em "Steve Jobs: O Homem e a Máquina". Muito bem dirigida pelo talentoso James Jones (do premiado "Chernobyl: The Lost Tapes" - indicado ao BAFTA 2023), esse documentário em quatro partes transita perfeitamente por um suposto universo de conspiração sem a pretensão de cravar quem seria o verdadeiro culpado - Ghosn ou a Nissan. Por mais que um dos lados carregue o peso do protagonismo, Jones deixa claro desde o inicio que toda história possui duas versões e é isso que ele tenta explorar.
Produzido AppleTV+, a minissérie faz um verdadeiro mergulho na carreira de Carlos Ghosn, brasileiro e ex-CEO da Aliança Renault-Nissan, que precisou fugir do Japão após ser acusado de crimes financeiros em 2019 quando ainda comandava a Nissan. A partir de entrevistas com o próprio Ghosn e de incontáveis imagens de arquivo, essa história impressionante ganha novos detalhes e, pela primeira, a voz de quem acredita ser vitima de uma grande conspiração política. Confira o trailer (em inglês):
Os problemas de Carlos Ghosn com a justiça japonesa começaram em novembro de 2018, quando ele foi preso assim que desembarcou no Japão para uma reunião corporativa. Sem muitas explicações, o executivo da Aliança Renault-Nissan foi acusado de ocultar parte de seus ganhos salariais. Ghosn ficou 3 meses na prisão até conseguir, em um acordo de US$ 14 milhões, migrar para a prisão domiciliar. Apesar das acusações da promotoria japonesa terem sido feitas com base em uma investigação interna da Nissan, não havia perspectiva alguma de um julgamento justo e, enquanto aguardava, Ghosn ainda ficou proibido de ter qualquer tipo de contato com qualquer pessoa de sua família, incluindo sua esposa Carole. Desesperado, óbvio, ele decide fugir do país em uma ação simplesmente cinematográfica.
Além de uma narrativa muito bem desenvolvida por Jones, onde o diretor constrói uma linha do tempo extremamente didática sobre a vida e a carreira do executivo, "Procurado - A Fuga de Carlos Ghosn" se beneficia muito pelo fato de ter o protagonista dando depoimentos detalhados sobre toda essa epopeia. Minha única crítica, fantasiada de elogio, é que fosse um documentário em duas partes estabelecidas, uma focada na versão de Ghosn e outra na versão da Nissan, o resultado poderia ser até mais satisfatório já que muitas passagens desse embrolho corporativo foram explicadas muito apressadamente - especialmente a versão japonesa dos fatos.
O fato é que "Wanted: The Escape of Carlos Ghosn" (no original) é mais uma minissérie sobre fraudes, ganância e ressentimento, que vai te surpreender. Essa é uma história de sucesso profissional cercada de preconceito e inveja, com forte envolvimento político, que extrapolou as paredes corporativas de duas empresas automobilísticas com culturas completamente distintas e que naturalmente encontraram inúmeros pontos de embate e desacordo. Essa é uma história que nos provoca muitos julgamentos e reflexões, que também envolveu muito dinheiro, poder, e ego. Além, é claro, de um desfecho que se tivesse assistido em algum filme de ação hollywoodiano, eu diria ser impossível de dar certo!
Se prepare, porque vale muito a pena!
Esse é o melhor documentário sobre o assunto que você vai encontrar nos catálogos de streaming e te garanto: a história que você vai conhecer em "Procurado - A Fuga de Carlos Ghosn" é surpreendente - uma mistura de "Indústria Americana" com "A Verdadeira História do Roubo do Século" e ainda com um leve toque de cinebiografia empreendedora como em "Steve Jobs: O Homem e a Máquina". Muito bem dirigida pelo talentoso James Jones (do premiado "Chernobyl: The Lost Tapes" - indicado ao BAFTA 2023), esse documentário em quatro partes transita perfeitamente por um suposto universo de conspiração sem a pretensão de cravar quem seria o verdadeiro culpado - Ghosn ou a Nissan. Por mais que um dos lados carregue o peso do protagonismo, Jones deixa claro desde o inicio que toda história possui duas versões e é isso que ele tenta explorar.
Produzido AppleTV+, a minissérie faz um verdadeiro mergulho na carreira de Carlos Ghosn, brasileiro e ex-CEO da Aliança Renault-Nissan, que precisou fugir do Japão após ser acusado de crimes financeiros em 2019 quando ainda comandava a Nissan. A partir de entrevistas com o próprio Ghosn e de incontáveis imagens de arquivo, essa história impressionante ganha novos detalhes e, pela primeira, a voz de quem acredita ser vitima de uma grande conspiração política. Confira o trailer (em inglês):
Os problemas de Carlos Ghosn com a justiça japonesa começaram em novembro de 2018, quando ele foi preso assim que desembarcou no Japão para uma reunião corporativa. Sem muitas explicações, o executivo da Aliança Renault-Nissan foi acusado de ocultar parte de seus ganhos salariais. Ghosn ficou 3 meses na prisão até conseguir, em um acordo de US$ 14 milhões, migrar para a prisão domiciliar. Apesar das acusações da promotoria japonesa terem sido feitas com base em uma investigação interna da Nissan, não havia perspectiva alguma de um julgamento justo e, enquanto aguardava, Ghosn ainda ficou proibido de ter qualquer tipo de contato com qualquer pessoa de sua família, incluindo sua esposa Carole. Desesperado, óbvio, ele decide fugir do país em uma ação simplesmente cinematográfica.
Além de uma narrativa muito bem desenvolvida por Jones, onde o diretor constrói uma linha do tempo extremamente didática sobre a vida e a carreira do executivo, "Procurado - A Fuga de Carlos Ghosn" se beneficia muito pelo fato de ter o protagonista dando depoimentos detalhados sobre toda essa epopeia. Minha única crítica, fantasiada de elogio, é que fosse um documentário em duas partes estabelecidas, uma focada na versão de Ghosn e outra na versão da Nissan, o resultado poderia ser até mais satisfatório já que muitas passagens desse embrolho corporativo foram explicadas muito apressadamente - especialmente a versão japonesa dos fatos.
O fato é que "Wanted: The Escape of Carlos Ghosn" (no original) é mais uma minissérie sobre fraudes, ganância e ressentimento, que vai te surpreender. Essa é uma história de sucesso profissional cercada de preconceito e inveja, com forte envolvimento político, que extrapolou as paredes corporativas de duas empresas automobilísticas com culturas completamente distintas e que naturalmente encontraram inúmeros pontos de embate e desacordo. Essa é uma história que nos provoca muitos julgamentos e reflexões, que também envolveu muito dinheiro, poder, e ego. Além, é claro, de um desfecho que se tivesse assistido em algum filme de ação hollywoodiano, eu diria ser impossível de dar certo!
Se prepare, porque vale muito a pena!
Se em um primeiro olhar "Quadra de Ouro" parece uma segunda temporada do excelente "O Time da Redenção", posso te garantir que você vai se surpreender, pois essa minissérie da Netflix, produzida por nada menos que Barack Obama, é ainda melhor! Veja, a disputa por uma medalha de ouro no basquete olímpico nunca esteve tão acirrada. Nos últimos anos, a globalização do esporte reduziu as distâncias entre as seleções, tornando cada competição um verdadeiro espetáculo. É dentro desse contexto que "Quadra de Ouro"mergulha em um universo único, com um acesso sem precedentes aos bastidores das quatro seleções mais fortes do torneio de Paris 2024: EUA, França, Sérvia e Canadá. Bem ao estilo narrativo de "Formula 1: Dirigir paraViver" essa produção se apresenta como um registro envolvente do que é preciso para competir, e vencer, no mais alto nível do basquete mundial. Impressionante!
Com seis episódios,"Quadra de Ouro", na verdade, vai além da quadra, mostrando a preparação intensa, os desafios físicos e mentais, as rivalidades crescentes e os momentos de tensão que antecedem os jogos decisivos. Acompanhamos a rotina dos atletas, desde os treinos exaustivos até as conversas estratégicas nos vestiários, além das pressões externas que influenciam o desempenho dentro de quadra. O documentário costura habilmente momentos de bastidores com um recorte histórico do esporte a partir de depoimentos de estrelas como Kevin Durant, Steph Curry, Victor Wembanyama, Shai Gilgeous-Alexander e Bogdan Bogdanovic, além de lendas como Carmelo Anthony, Steve Nash e Tony Parker, que discutem a evolução do basquete internacional. Confira o trailer (em inglês):
O ponto alto de "Court of Gold", no original, está muito no contraste entre as seleções. Os EUA, com um legado dominante e a missão de retomar sua hegemonia, enfrentam uma nova geração de talentos internacionais prontos para desafiar sua supremacia. A França, impulsionada por Wembanyama, joga em casa e sente o peso da expectativa de sua torcida. A Sérvia, uma potência europeia tradicional, aposta na disciplina tática e na experiência de seus astros, especialmente Nikola Jokic; enquanto o Canadá, liderado por Shai Gilgeous-Alexander, representa a ascensão de uma nova força no cenário global. O roteiro da minissérie é muito bem amarrado, explorando a construção das rivalidades e o impacto da cultura esportiva em cada um desses países - especialmente na forma como o basquete é jogado e compreendido. Mais do que um simples registro olímpico, o roteiro é inteligente ao ponto de retratar a jornada a partir de seus ícones e referências, refletindo sobre o crescimento do basquete fora dos Estados Unidos e a democratização do talento de uma forma global.
Embora a minissérie se preocupe em mostrar como o esporte vai além das estatísticas, revelando os sacrifícios pessoais e a resiliência necessária para chegar ao topo, eu diria que a direção de Jake Rogal se preocupa muito mais em garantir um olhar imersivo no coletivo, especialmente por se tratar de um ambiente muito particular - as Olimpíadas de Paris. Nesse sentido, vale destacar que a montagem funciona perfeitamente ao intercalar imagens dos treinos com registros das partidas mais eletrizantes, capturando não apenas a intensidade do jogo, mas também as emoções individuais dos atletas e dos treinadores diante de uma competição tão importante. Ver os atletas americanos acompanhando outras modalidades durante os dias de competições, por exemplo, humaniza essa jornada, funcionando como um certo alívio narrativo para os momentos de maior tensão, como os jogos decisivos, as disputas por medalhas e os reflexos do peso emocional que impactam nas derrotas ou nas vitórias.
Com produção da Higher Ground Productions, em parceria com o Olympic Channel e Words + Pictures, "Quadra de Ouro" é uma experiência essencial para os fãs do esporte. A minissérie entrega um registro envolvente e bem produzido da luta pelo ouro olímpico, trazendo à tona não apenas o talento e a estratégia, mas também nuances de comportamento que definem grandes campeões. Com um equilíbrio entre ação, drama e história, esta é uma das produções mais interessantes sobre o esporte que já acompanhamos e certamente vai merecer um lugar ao lado dos grandes documentários da atualidade, como a queridinha "The Last Dance"!
Vale muito o seu play!
Se em um primeiro olhar "Quadra de Ouro" parece uma segunda temporada do excelente "O Time da Redenção", posso te garantir que você vai se surpreender, pois essa minissérie da Netflix, produzida por nada menos que Barack Obama, é ainda melhor! Veja, a disputa por uma medalha de ouro no basquete olímpico nunca esteve tão acirrada. Nos últimos anos, a globalização do esporte reduziu as distâncias entre as seleções, tornando cada competição um verdadeiro espetáculo. É dentro desse contexto que "Quadra de Ouro"mergulha em um universo único, com um acesso sem precedentes aos bastidores das quatro seleções mais fortes do torneio de Paris 2024: EUA, França, Sérvia e Canadá. Bem ao estilo narrativo de "Formula 1: Dirigir paraViver" essa produção se apresenta como um registro envolvente do que é preciso para competir, e vencer, no mais alto nível do basquete mundial. Impressionante!
Com seis episódios,"Quadra de Ouro", na verdade, vai além da quadra, mostrando a preparação intensa, os desafios físicos e mentais, as rivalidades crescentes e os momentos de tensão que antecedem os jogos decisivos. Acompanhamos a rotina dos atletas, desde os treinos exaustivos até as conversas estratégicas nos vestiários, além das pressões externas que influenciam o desempenho dentro de quadra. O documentário costura habilmente momentos de bastidores com um recorte histórico do esporte a partir de depoimentos de estrelas como Kevin Durant, Steph Curry, Victor Wembanyama, Shai Gilgeous-Alexander e Bogdan Bogdanovic, além de lendas como Carmelo Anthony, Steve Nash e Tony Parker, que discutem a evolução do basquete internacional. Confira o trailer (em inglês):
O ponto alto de "Court of Gold", no original, está muito no contraste entre as seleções. Os EUA, com um legado dominante e a missão de retomar sua hegemonia, enfrentam uma nova geração de talentos internacionais prontos para desafiar sua supremacia. A França, impulsionada por Wembanyama, joga em casa e sente o peso da expectativa de sua torcida. A Sérvia, uma potência europeia tradicional, aposta na disciplina tática e na experiência de seus astros, especialmente Nikola Jokic; enquanto o Canadá, liderado por Shai Gilgeous-Alexander, representa a ascensão de uma nova força no cenário global. O roteiro da minissérie é muito bem amarrado, explorando a construção das rivalidades e o impacto da cultura esportiva em cada um desses países - especialmente na forma como o basquete é jogado e compreendido. Mais do que um simples registro olímpico, o roteiro é inteligente ao ponto de retratar a jornada a partir de seus ícones e referências, refletindo sobre o crescimento do basquete fora dos Estados Unidos e a democratização do talento de uma forma global.
Embora a minissérie se preocupe em mostrar como o esporte vai além das estatísticas, revelando os sacrifícios pessoais e a resiliência necessária para chegar ao topo, eu diria que a direção de Jake Rogal se preocupa muito mais em garantir um olhar imersivo no coletivo, especialmente por se tratar de um ambiente muito particular - as Olimpíadas de Paris. Nesse sentido, vale destacar que a montagem funciona perfeitamente ao intercalar imagens dos treinos com registros das partidas mais eletrizantes, capturando não apenas a intensidade do jogo, mas também as emoções individuais dos atletas e dos treinadores diante de uma competição tão importante. Ver os atletas americanos acompanhando outras modalidades durante os dias de competições, por exemplo, humaniza essa jornada, funcionando como um certo alívio narrativo para os momentos de maior tensão, como os jogos decisivos, as disputas por medalhas e os reflexos do peso emocional que impactam nas derrotas ou nas vitórias.
Com produção da Higher Ground Productions, em parceria com o Olympic Channel e Words + Pictures, "Quadra de Ouro" é uma experiência essencial para os fãs do esporte. A minissérie entrega um registro envolvente e bem produzido da luta pelo ouro olímpico, trazendo à tona não apenas o talento e a estratégia, mas também nuances de comportamento que definem grandes campeões. Com um equilíbrio entre ação, drama e história, esta é uma das produções mais interessantes sobre o esporte que já acompanhamos e certamente vai merecer um lugar ao lado dos grandes documentários da atualidade, como a queridinha "The Last Dance"!
Vale muito o seu play!
Se você gostou de "WeCrashed", "The Dropout", "Super Pumped: A Batalha Pela Uber" e da também alemã, "Batalha Bilionária: O Caso Google Earth", pode ter certeza que você vai se divertir (e muito) com a sátira inteligente e muito bem equilibrada de "Rei dos Stonks". Essa é mais uma série sobre startups, CEOs excêntricos e, claro, fraudes; porém o seu diferencial, além de ser "baseado em fatos reais mas sem citar nomes", é o tom - se em todas as outras referências sobre o assunto, o drama pautava a narrativa, aqui é a dramédia, o que, diga-se de passagem, se encaixa perfeitamente ao tema. ;)
A trama gira em torno de Felix Armand (Thomas Schubert) um co-founder pouco reconhecido que quer chegar ao topo de sua Startup. Ele é o cérebro por trás da Fintech mais bem sucedida de todos os tempos da Alemanha - uma espécie de PayPal, que recebeu o sugestivo nome de CableCash. Pois bem, tudo começa a complicar após o IPO, onde é descoberto algumas movimentações suspeitas, investidores enganados, relações institucionais com mafiosos e sites de conteúdo impróprio, etc. Porém Felix acredita que tudo pode melhorar e como um "bom" empreendedor, luta com unhas e dentes para salvar sua empresa do desastre ao mesmo tempo em que tem que lidar com um CEO sem noção, Dr. Magnus Cramer (Matthias Brandt). Confira o trailer (em alemão):
Com uma narrativa mais despojada, divertida e leve como vimos em "Batalha Bilionária: O Caso Google Earth" e até em "Clark" (para citar produções fora dos EUA, mas que fizeram sucesso na Netflix), "Rei dos Stonks" tem claras influências de “O Lobo de Wall Street” de Martin Scorsese e do igualmente excelente “A Grande Jogada” de Adam McKay, com isso em mente fica fácil lembrar de uma das séries mais bacanas disponíveis no catálogo da Netflix atualmente: “Como Vender Drogas Online (Rápido)” - e claro que nada disso é por acaso, afinal Matthias Murmann (criador) e o time de produtores são os mesmos.
O ponto alto, sem a menor dúvida, é a forma como os roteiristas traçam paralelos entre o absurdo e o real - até porquê sabemos que muitas coisas que vemos em Startups nem são tão absurdas assim, basta lembrar das estripulias de Adam Neumann (da WeWork) e de Travis Kalanick (do UBER). O CEO da CableCash, Dr. Magnus Cramer, é a soma estereotipada de todos eles que sonha em ser reconhecido e respeitado como Jeff Bezos, Steve Jobs e, claro, Elon Musk (seu ídolo) - as citações são frequentes. Só por isso já teríamos uma série divertida, mas o fator "crescimento a qualquer custo" entra com força na história e tudo parece fazer ainda mais sentido - ver as jogadas de Felix para tentar salvar a empresa, é impagável.
Embora "Rei dos Stonks" seja um sátira, não vemos uma mão tão pesada no conceito narrativo quanto em "Silicon Valley" da HBO, mas diverte igual. A dinâmica dos episódios, como não poderia deixar de ser sabendo dos nomes envolvidos, é empolgante; porém as tramas mais profundas podem se tornar confusas para quem não está ambientado com o universo startupeiro e empreendedor - além de muitos personagens, os assuntos exigem um raciocínio lógico e um conhecimento sobre as artimanhas de investimento e relações corporativas (muito até é explicado, mas de forma rápida). Dito isso, a série vai agradar mais um nicho que parece estar crescendo dado o número de produções que vem explorando o tema - e essa é mais uma das boas!
Obs: A CableCash da vida real se chama Wirecard, mas muito do que se vê em tela realmente ocorreu. A empresa inicialmente se envolvia com traficantes de drogas, prostituição e pornografia on line, ou seja, clientes que queriam discrição em seus negócios. A série mostra bem essa relação conflituosa e também é eficaz em tentar explicar a dificuldade de legitimar a empresa e leva-la para outro patamar, no caso, o de capital aberto.
Vale seu play!
Se você gostou de "WeCrashed", "The Dropout", "Super Pumped: A Batalha Pela Uber" e da também alemã, "Batalha Bilionária: O Caso Google Earth", pode ter certeza que você vai se divertir (e muito) com a sátira inteligente e muito bem equilibrada de "Rei dos Stonks". Essa é mais uma série sobre startups, CEOs excêntricos e, claro, fraudes; porém o seu diferencial, além de ser "baseado em fatos reais mas sem citar nomes", é o tom - se em todas as outras referências sobre o assunto, o drama pautava a narrativa, aqui é a dramédia, o que, diga-se de passagem, se encaixa perfeitamente ao tema. ;)
A trama gira em torno de Felix Armand (Thomas Schubert) um co-founder pouco reconhecido que quer chegar ao topo de sua Startup. Ele é o cérebro por trás da Fintech mais bem sucedida de todos os tempos da Alemanha - uma espécie de PayPal, que recebeu o sugestivo nome de CableCash. Pois bem, tudo começa a complicar após o IPO, onde é descoberto algumas movimentações suspeitas, investidores enganados, relações institucionais com mafiosos e sites de conteúdo impróprio, etc. Porém Felix acredita que tudo pode melhorar e como um "bom" empreendedor, luta com unhas e dentes para salvar sua empresa do desastre ao mesmo tempo em que tem que lidar com um CEO sem noção, Dr. Magnus Cramer (Matthias Brandt). Confira o trailer (em alemão):
Com uma narrativa mais despojada, divertida e leve como vimos em "Batalha Bilionária: O Caso Google Earth" e até em "Clark" (para citar produções fora dos EUA, mas que fizeram sucesso na Netflix), "Rei dos Stonks" tem claras influências de “O Lobo de Wall Street” de Martin Scorsese e do igualmente excelente “A Grande Jogada” de Adam McKay, com isso em mente fica fácil lembrar de uma das séries mais bacanas disponíveis no catálogo da Netflix atualmente: “Como Vender Drogas Online (Rápido)” - e claro que nada disso é por acaso, afinal Matthias Murmann (criador) e o time de produtores são os mesmos.
O ponto alto, sem a menor dúvida, é a forma como os roteiristas traçam paralelos entre o absurdo e o real - até porquê sabemos que muitas coisas que vemos em Startups nem são tão absurdas assim, basta lembrar das estripulias de Adam Neumann (da WeWork) e de Travis Kalanick (do UBER). O CEO da CableCash, Dr. Magnus Cramer, é a soma estereotipada de todos eles que sonha em ser reconhecido e respeitado como Jeff Bezos, Steve Jobs e, claro, Elon Musk (seu ídolo) - as citações são frequentes. Só por isso já teríamos uma série divertida, mas o fator "crescimento a qualquer custo" entra com força na história e tudo parece fazer ainda mais sentido - ver as jogadas de Felix para tentar salvar a empresa, é impagável.
Embora "Rei dos Stonks" seja um sátira, não vemos uma mão tão pesada no conceito narrativo quanto em "Silicon Valley" da HBO, mas diverte igual. A dinâmica dos episódios, como não poderia deixar de ser sabendo dos nomes envolvidos, é empolgante; porém as tramas mais profundas podem se tornar confusas para quem não está ambientado com o universo startupeiro e empreendedor - além de muitos personagens, os assuntos exigem um raciocínio lógico e um conhecimento sobre as artimanhas de investimento e relações corporativas (muito até é explicado, mas de forma rápida). Dito isso, a série vai agradar mais um nicho que parece estar crescendo dado o número de produções que vem explorando o tema - e essa é mais uma das boas!
Obs: A CableCash da vida real se chama Wirecard, mas muito do que se vê em tela realmente ocorreu. A empresa inicialmente se envolvia com traficantes de drogas, prostituição e pornografia on line, ou seja, clientes que queriam discrição em seus negócios. A série mostra bem essa relação conflituosa e também é eficaz em tentar explicar a dificuldade de legitimar a empresa e leva-la para outro patamar, no caso, o de capital aberto.
Vale seu play!
Essa é mais uma história do esporte que merecia ser contada e diferente do que estamos acostumados, aqui o foco é o remo! Mas não desanime, já que esse esporte pode até parecer pouco convencional para nós brasileiros, mas aqui é a jornada que importa. Dirigido pelo astro George Clooney e baseado na história real da equipe de remo da Universidade de Washington, o filme nos convida a mergulhar na década de 1930, época marcada pela Grande Depressão e pela ascensão do nazismo - embora o contexto sócio-politico, de fato, não seja o foco. Eu quero dizer é que em "Remando para o Ouro" o que realmente interessa é o drama esportivo pela perspectiva de seus atletas, da perseverança, da superação e de certa forma, do poder transformador do trabalho em equipe.
"The Boys in the Boat" (no original) basicamente retrata a história real de um grupo de jovens azarões que acabam sob os holofotes do esporte ao enfrentarem de igual para igual rivais da elite americana do remo até alcançarem o grande objetivo de disputar os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936. Confira o trailer (em inglês):
Se você procura originalidade pode ser que você não se conecte com "Remando para o Ouro", já que sua narrativa é extremamente linear e muito previsível. Por outro lado, o que nos encanta nesse projeto liderado por Clooney é justamente a simplicidade com que ele conta essa história - claramente esse é um daqueles filmes despretensiosos e gostosos de assistir. Para alinhar as expectavas, não espere mais do que um agradável e curioso entretenimento. Embora o roteiro do Daniel James Brown (autor do livro que deu origem ao filme) e do Mark L. Smith (de "O Regresso") não se limite a ser um mero conto de fadas sobre uma equipe de remo, eu diria que é na fórmula "importância da resiliência", "trabalho em equipe" e "busca pelos nossos sonhos" que a narrativa se apoia. Agora é preciso ressaltar: todo o contexto que a equipe de remo da Universidade de Washington estava inserida faz dessa jornada algo muito especial!
A direção de Clooney é precisa e envolvente, mas conservadora. Ele conduz a narrativa com ritmo impecável, alternando com maestria momentos de ação e tensão com cenas de profunda introspecção e emoção. A fotografia do Martin Ruhe (de "O Céu da Meia-Noite") captura com maestria a beleza das paisagens e a grandiosidade das competições de remo nos EUA e depois em Berlin - as cenas das regatas, acreditem, são excelentes! Obviamente que a trilha sonora, em um filme esportivo, é um elemento essencial para a construção das camadas emocionais da história e aqui o trabalho de Alexandre Desplat (vencedor de dois Oscars por "A Forma da Água" e "O Grande Hotel Budapeste") é simplesmente sensacional!
Embora o filme peque na construção de personagens complexos e multidimensionais, Callum Turner, ainda assim, entrega uma performance honesta. O ponto é que "Remando para o Ouro" vem com esse mood inspirador, emocionante e visualmente deslumbrante - um filme feito para te tocar com uma história improvável de jovens remadores que, contra todas as probabilidades, alcançaram a glória e provaram (e aqui me desculpe o tom auto-ajuda) que mais importante que o "destino" é o "caminho"!
Vale seu play!
Essa é mais uma história do esporte que merecia ser contada e diferente do que estamos acostumados, aqui o foco é o remo! Mas não desanime, já que esse esporte pode até parecer pouco convencional para nós brasileiros, mas aqui é a jornada que importa. Dirigido pelo astro George Clooney e baseado na história real da equipe de remo da Universidade de Washington, o filme nos convida a mergulhar na década de 1930, época marcada pela Grande Depressão e pela ascensão do nazismo - embora o contexto sócio-politico, de fato, não seja o foco. Eu quero dizer é que em "Remando para o Ouro" o que realmente interessa é o drama esportivo pela perspectiva de seus atletas, da perseverança, da superação e de certa forma, do poder transformador do trabalho em equipe.
"The Boys in the Boat" (no original) basicamente retrata a história real de um grupo de jovens azarões que acabam sob os holofotes do esporte ao enfrentarem de igual para igual rivais da elite americana do remo até alcançarem o grande objetivo de disputar os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936. Confira o trailer (em inglês):
Se você procura originalidade pode ser que você não se conecte com "Remando para o Ouro", já que sua narrativa é extremamente linear e muito previsível. Por outro lado, o que nos encanta nesse projeto liderado por Clooney é justamente a simplicidade com que ele conta essa história - claramente esse é um daqueles filmes despretensiosos e gostosos de assistir. Para alinhar as expectavas, não espere mais do que um agradável e curioso entretenimento. Embora o roteiro do Daniel James Brown (autor do livro que deu origem ao filme) e do Mark L. Smith (de "O Regresso") não se limite a ser um mero conto de fadas sobre uma equipe de remo, eu diria que é na fórmula "importância da resiliência", "trabalho em equipe" e "busca pelos nossos sonhos" que a narrativa se apoia. Agora é preciso ressaltar: todo o contexto que a equipe de remo da Universidade de Washington estava inserida faz dessa jornada algo muito especial!
A direção de Clooney é precisa e envolvente, mas conservadora. Ele conduz a narrativa com ritmo impecável, alternando com maestria momentos de ação e tensão com cenas de profunda introspecção e emoção. A fotografia do Martin Ruhe (de "O Céu da Meia-Noite") captura com maestria a beleza das paisagens e a grandiosidade das competições de remo nos EUA e depois em Berlin - as cenas das regatas, acreditem, são excelentes! Obviamente que a trilha sonora, em um filme esportivo, é um elemento essencial para a construção das camadas emocionais da história e aqui o trabalho de Alexandre Desplat (vencedor de dois Oscars por "A Forma da Água" e "O Grande Hotel Budapeste") é simplesmente sensacional!
Embora o filme peque na construção de personagens complexos e multidimensionais, Callum Turner, ainda assim, entrega uma performance honesta. O ponto é que "Remando para o Ouro" vem com esse mood inspirador, emocionante e visualmente deslumbrante - um filme feito para te tocar com uma história improvável de jovens remadores que, contra todas as probabilidades, alcançaram a glória e provaram (e aqui me desculpe o tom auto-ajuda) que mais importante que o "destino" é o "caminho"!
Vale seu play!
É muito provável que se você está lendo esse review, você também conheça o astro do basquete norte-americano e MVP da NBA em 2021, Giannis Antetokounmpo. O que provavelmente você ainda não conheça é sua incrível história de vida e o que levou um jovem grego de descendência africana até o topo do esporte ao fazer do modesto Milwaukee Bucks, campeão depois de meio século da sua última conquista e, pasmem, marcando 50 pontos no jogo final - onde apenas 7 jogadores na história conseguiram esse feito.
"Rise" não mostra o sucesso de Giannis mais sim a jornada da família Antetokounmpo após Veronika (Yetide Badaki) e Charles (Dayo Okeniyi) chegarem na Grécia, vindos na Nigéria, onde lutaram para sobreviver e sustentar seus cinco filhos, enquanto viviam sob a ameaça diária de deportação. Com seu filho mais velho ainda na Nigéria com parentes, o casal estava desesperado para obter cidadania grega mas se via minado por um sistema que bloqueava, a cada tentativa, todas as possibilidades de se legalizarem. Quando não estavam estudando ou vendendo artigos para turistas nas ruas com o resto da família, os irmãos Thanasis (Ral Agada) e Giannis (Uche Agada) iam escondidos jogar basquete com um time juvenil local. Ingressando tarde no esporte, eles descobriram suas grandes habilidades na quadra e se esforçaram muito para se tornarem atletas de altíssimo nível. Com a ajuda de um jovem agente, Haris (Efthimis Chalkidis), Giannis se credenciou para o NBA Draft em 2013 em uma improvável perspectiva que mudaria não apenas sua vida, mas a vida de toda a sua família. Confira o trailer (dublado):
"Rise" é uma mistura de "Arremessando Alto" com "King Richard" e com um toque de "American Underdog" - ou seja, se você gostou de qualquer um desses títulos, você está no lugar certo! Embora o roteiro do Arash Amel (indicado ao Emmy em 2014 por "Grace of Monaco") não seja um primor e a direção do nigeriano Akin Omotoso (mais conhecido como o ator que interpretou o General Solomon em "Senhor das Armas") seja apenas mediana, "Rise" tem uma história sensacional e extremamente curiosa - eu diria até surpreendente visto que os três irmão de Giannis também conseguiram jogar no basquete americano.
Obviamente que pelo tamanho do seu protagonista, essa história merecia um diretor mais experiente e uma produção mais bem cuidada, mas em nada isso atrapalha nossa experiência como audiência. Você vai se revoltar, se emocionar e ainda torcer pelos personagens (mesmo sabendo o que a realidade já tratou de nos contar), mas também vai encontrar inúmeras frases de efeito (sempre com aquele tom motivacional barato) e algumas cenas super clichês (mesmo que bonitas visualmente), como a de Thanasis e Giannis treinando na chuva sob o olhar atento do seu pai Charles. Um ponto alto, sem dúvida, é a presença de Fela Kuti na trilha sonora, que, diga-se de passagem, é um dos elementos mais bem trabalhados no filme.
O fato é que "Rise", embora seja um filme para quem gosta de histórias marcantes e de superação sobre, hoje, astros do esporte; ainda traz um drama familiar muito interessante e real, além de uma jornada pela busca de pertencimento que toca em assuntos delicados e sensíveis como o racismo e a crise de imigração da Grécia no inicio dos anos 2000, mas que peca pela superficialidade como tratou o processo de ascensão de Giannis até chegar na NBA - talvez não fosse nem essa a proposta, eu entendo, mas é impossível não lembrar de como os títulos recentes que mencionei acima olharam para esse elemento dramático tão essencial e que acaba colocando o filme em outro patamar.
Vale pela história, pelo entretenimento e pela sensação de alegria e satisfação ao ver os créditos subindo com o resultado real de toda essa jornada!
É muito provável que se você está lendo esse review, você também conheça o astro do basquete norte-americano e MVP da NBA em 2021, Giannis Antetokounmpo. O que provavelmente você ainda não conheça é sua incrível história de vida e o que levou um jovem grego de descendência africana até o topo do esporte ao fazer do modesto Milwaukee Bucks, campeão depois de meio século da sua última conquista e, pasmem, marcando 50 pontos no jogo final - onde apenas 7 jogadores na história conseguiram esse feito.
"Rise" não mostra o sucesso de Giannis mais sim a jornada da família Antetokounmpo após Veronika (Yetide Badaki) e Charles (Dayo Okeniyi) chegarem na Grécia, vindos na Nigéria, onde lutaram para sobreviver e sustentar seus cinco filhos, enquanto viviam sob a ameaça diária de deportação. Com seu filho mais velho ainda na Nigéria com parentes, o casal estava desesperado para obter cidadania grega mas se via minado por um sistema que bloqueava, a cada tentativa, todas as possibilidades de se legalizarem. Quando não estavam estudando ou vendendo artigos para turistas nas ruas com o resto da família, os irmãos Thanasis (Ral Agada) e Giannis (Uche Agada) iam escondidos jogar basquete com um time juvenil local. Ingressando tarde no esporte, eles descobriram suas grandes habilidades na quadra e se esforçaram muito para se tornarem atletas de altíssimo nível. Com a ajuda de um jovem agente, Haris (Efthimis Chalkidis), Giannis se credenciou para o NBA Draft em 2013 em uma improvável perspectiva que mudaria não apenas sua vida, mas a vida de toda a sua família. Confira o trailer (dublado):
"Rise" é uma mistura de "Arremessando Alto" com "King Richard" e com um toque de "American Underdog" - ou seja, se você gostou de qualquer um desses títulos, você está no lugar certo! Embora o roteiro do Arash Amel (indicado ao Emmy em 2014 por "Grace of Monaco") não seja um primor e a direção do nigeriano Akin Omotoso (mais conhecido como o ator que interpretou o General Solomon em "Senhor das Armas") seja apenas mediana, "Rise" tem uma história sensacional e extremamente curiosa - eu diria até surpreendente visto que os três irmão de Giannis também conseguiram jogar no basquete americano.
Obviamente que pelo tamanho do seu protagonista, essa história merecia um diretor mais experiente e uma produção mais bem cuidada, mas em nada isso atrapalha nossa experiência como audiência. Você vai se revoltar, se emocionar e ainda torcer pelos personagens (mesmo sabendo o que a realidade já tratou de nos contar), mas também vai encontrar inúmeras frases de efeito (sempre com aquele tom motivacional barato) e algumas cenas super clichês (mesmo que bonitas visualmente), como a de Thanasis e Giannis treinando na chuva sob o olhar atento do seu pai Charles. Um ponto alto, sem dúvida, é a presença de Fela Kuti na trilha sonora, que, diga-se de passagem, é um dos elementos mais bem trabalhados no filme.
O fato é que "Rise", embora seja um filme para quem gosta de histórias marcantes e de superação sobre, hoje, astros do esporte; ainda traz um drama familiar muito interessante e real, além de uma jornada pela busca de pertencimento que toca em assuntos delicados e sensíveis como o racismo e a crise de imigração da Grécia no inicio dos anos 2000, mas que peca pela superficialidade como tratou o processo de ascensão de Giannis até chegar na NBA - talvez não fosse nem essa a proposta, eu entendo, mas é impossível não lembrar de como os títulos recentes que mencionei acima olharam para esse elemento dramático tão essencial e que acaba colocando o filme em outro patamar.
Vale pela história, pelo entretenimento e pela sensação de alegria e satisfação ao ver os créditos subindo com o resultado real de toda essa jornada!
"Rocketman" é mais um filme biográfico de um astro da música com vários elementos dramáticos de "Bohemian Rhapsody" e "Judy", para citar apenas duas recentes produções! Porém, o conceito narrativo de "Rocketman" é diferente: ele traz para dentro do roteiro performances extremamente alinhadas com a história, que explicam determinadas passagens da vida do protagonista ao som de suas próprias músicas. Com isso, eu diria que o filme se torna um híbrido entre um drama biográfico e um musical da Broadway!
"Rocketman" acompanha a jornada do Elton John desde sua infância até sua transformação em um astro pop! Para contar essa história, porém, o roteirista Lee Hall colocou o protagonista em uma espécie de reunião dos Alcóolicos Anônimos para criar um mecanismo onde Elton John se mostrasse mais vulnerável e, de alguma forma, defendesse apenas seu ponto de vista, mesmo que a sua versão não fosse exatamente um reflexo da realidade, e sim a forma como ele enxergava essa "realidade"! Confira o trailer e sinta o clima que te espera:
O que mais me chamou a atenção é que "Rocketman" não estrutura sua história tendo o sucesso de Elton John como foco, mas sim a sua trajetória de fracasso. Rocketman, além do apelido famoso, tem outro significado: o do artista que alcançou um sucesso tão meteórico que mal conseguiu prever o tombo gigantesco que levaria da vida e é isso que humaniza o personagem, que deixa sua história menos romântica, se mostrando mais pessoal e sincera. Talvez "Judy" tenha um pouco disso também, mas nesse caso, o fato do próprio Elton John e do seu marido, David Furnish (que, inclusive, já fez um documentário sobre a vida do artista) terem participado da produção, fez toda a diferença! Olha, não é uma jornada das mais tranquilas, algumas cenas podem incomodar por diversos fatores, mas posso garantir que é um grande filme - certamente um dos mais injustiçados no Oscar 2020 ao lado de "Jóias Brutas" e "A Despedida"!
“Oi, meu nome é Elton Hercules John. Eu sou viciado em álcool, drogas em geral, cocaína, maconha, sou bulímico, tenho acessos de raiva e sou víciado em sexo” - esse é o cartão de visitas de um roteiro muito bem escrito pelo já citado Lee Hal (de "Billy Elliot" - filme que lhe garantiu uma indicação ao Oscar). Sua capacidade de condensar um história tão poderosa em tão pouco tempo merece elogios - mesmo que alguns possam reclamar que faltou profundidade em determinadas passagens! Eu discordaria, pois Hal foi cirúrgico em mostrar como o "caos" ajudou a construir o personagem que se transformou em Elton John!
O roteiro se mostra mais inteligente ainda em seus alívios dramáticos, sem perder a linha biográfica, quando, ao invés de focar em como o protagonista criou cada uma de suas composições, as músicas são inseridas para ressaltar o sentimento dos personagens, criando um clima de fantasia em uma história verdadeiramente real - mesmo que pelos olhos do próprio Elton! É lindo - mas será preciso gostar daquele estilo musical mais clássico do cinema antigo, embora modernizado por lindos movimentos de câmera e um aspecto gráfico belíssimo! Reparem na paleta de cores levemente desbotada da primeira intervenção musical do filme: ela serve para mostrar a difícil e pobre infância do garoto em contraponto com o colorido e exuberância do que ele gostaria de se tornar (e fazia questão de explorar em seus figurinos)!
A direção de Dexter Fletcher - que também trabalhou em "Bohemian Rhapsody", mas que não ganhou seus créditos pela assistência na direção; é exemplar! Ele explora a construção da personalidade de Elton John sem remediar nenhum dos seus excessos, com isso ele fortalece o drama pessoal do personagem, dando o tempo para que o grande Taron Egerton (vencedor do Globo de Ouro e, incrivelmente, nem indicado ao Oscar) encontre o sentimento de vazio que permeia a história de vida do astro - essa vida sem amor construiu uma pessoa cheia de buracos que só foi preenchida com a música e isso está no filme, com trocas de estilos narrativos tão orgânicas que muitas vezes nem nos damos conta! Ainda no elenco, destaco a química impressionante entre o Taron Egerton e Jamie Bell que interpreta o parceiro profissional de uma vida, Bernie Taupin - desde as primeiras cenas juntos, eles se completam. Reparem na cena em que surge a música "Your Song˜. Richard Madden como o empresário John Reid também merece seu destaque!
"Rocketman" segue a linha do gênero, mas é diferente por não cair no clichê da volta por cima a qualquer custo sem mostrar as marcas de quando se esteve por baixo - a última cena é um lindo e poético fechamento para essa jornada quase conceitual! Elton John descobriu que o pior do inferno não está na postura dos outros e sim que a responsabilidade de seus atos são exclusivamente dele, o que desperta um nível de honestidade absurdo - e como em uma reunião dos Alcóolicos Anônimos, esse é o primeiro passo para a redenção e as legendas finais comprovam a tese!
Dê o play!
"Rocketman" é mais um filme biográfico de um astro da música com vários elementos dramáticos de "Bohemian Rhapsody" e "Judy", para citar apenas duas recentes produções! Porém, o conceito narrativo de "Rocketman" é diferente: ele traz para dentro do roteiro performances extremamente alinhadas com a história, que explicam determinadas passagens da vida do protagonista ao som de suas próprias músicas. Com isso, eu diria que o filme se torna um híbrido entre um drama biográfico e um musical da Broadway!
"Rocketman" acompanha a jornada do Elton John desde sua infância até sua transformação em um astro pop! Para contar essa história, porém, o roteirista Lee Hall colocou o protagonista em uma espécie de reunião dos Alcóolicos Anônimos para criar um mecanismo onde Elton John se mostrasse mais vulnerável e, de alguma forma, defendesse apenas seu ponto de vista, mesmo que a sua versão não fosse exatamente um reflexo da realidade, e sim a forma como ele enxergava essa "realidade"! Confira o trailer e sinta o clima que te espera:
O que mais me chamou a atenção é que "Rocketman" não estrutura sua história tendo o sucesso de Elton John como foco, mas sim a sua trajetória de fracasso. Rocketman, além do apelido famoso, tem outro significado: o do artista que alcançou um sucesso tão meteórico que mal conseguiu prever o tombo gigantesco que levaria da vida e é isso que humaniza o personagem, que deixa sua história menos romântica, se mostrando mais pessoal e sincera. Talvez "Judy" tenha um pouco disso também, mas nesse caso, o fato do próprio Elton John e do seu marido, David Furnish (que, inclusive, já fez um documentário sobre a vida do artista) terem participado da produção, fez toda a diferença! Olha, não é uma jornada das mais tranquilas, algumas cenas podem incomodar por diversos fatores, mas posso garantir que é um grande filme - certamente um dos mais injustiçados no Oscar 2020 ao lado de "Jóias Brutas" e "A Despedida"!
“Oi, meu nome é Elton Hercules John. Eu sou viciado em álcool, drogas em geral, cocaína, maconha, sou bulímico, tenho acessos de raiva e sou víciado em sexo” - esse é o cartão de visitas de um roteiro muito bem escrito pelo já citado Lee Hal (de "Billy Elliot" - filme que lhe garantiu uma indicação ao Oscar). Sua capacidade de condensar um história tão poderosa em tão pouco tempo merece elogios - mesmo que alguns possam reclamar que faltou profundidade em determinadas passagens! Eu discordaria, pois Hal foi cirúrgico em mostrar como o "caos" ajudou a construir o personagem que se transformou em Elton John!
O roteiro se mostra mais inteligente ainda em seus alívios dramáticos, sem perder a linha biográfica, quando, ao invés de focar em como o protagonista criou cada uma de suas composições, as músicas são inseridas para ressaltar o sentimento dos personagens, criando um clima de fantasia em uma história verdadeiramente real - mesmo que pelos olhos do próprio Elton! É lindo - mas será preciso gostar daquele estilo musical mais clássico do cinema antigo, embora modernizado por lindos movimentos de câmera e um aspecto gráfico belíssimo! Reparem na paleta de cores levemente desbotada da primeira intervenção musical do filme: ela serve para mostrar a difícil e pobre infância do garoto em contraponto com o colorido e exuberância do que ele gostaria de se tornar (e fazia questão de explorar em seus figurinos)!
A direção de Dexter Fletcher - que também trabalhou em "Bohemian Rhapsody", mas que não ganhou seus créditos pela assistência na direção; é exemplar! Ele explora a construção da personalidade de Elton John sem remediar nenhum dos seus excessos, com isso ele fortalece o drama pessoal do personagem, dando o tempo para que o grande Taron Egerton (vencedor do Globo de Ouro e, incrivelmente, nem indicado ao Oscar) encontre o sentimento de vazio que permeia a história de vida do astro - essa vida sem amor construiu uma pessoa cheia de buracos que só foi preenchida com a música e isso está no filme, com trocas de estilos narrativos tão orgânicas que muitas vezes nem nos damos conta! Ainda no elenco, destaco a química impressionante entre o Taron Egerton e Jamie Bell que interpreta o parceiro profissional de uma vida, Bernie Taupin - desde as primeiras cenas juntos, eles se completam. Reparem na cena em que surge a música "Your Song˜. Richard Madden como o empresário John Reid também merece seu destaque!
"Rocketman" segue a linha do gênero, mas é diferente por não cair no clichê da volta por cima a qualquer custo sem mostrar as marcas de quando se esteve por baixo - a última cena é um lindo e poético fechamento para essa jornada quase conceitual! Elton John descobriu que o pior do inferno não está na postura dos outros e sim que a responsabilidade de seus atos são exclusivamente dele, o que desperta um nível de honestidade absurdo - e como em uma reunião dos Alcóolicos Anônimos, esse é o primeiro passo para a redenção e as legendas finais comprovam a tese!
Dê o play!
"Roma" é sensacional!!!! Talvez o melhor trabalho da carreira do Alfonso Cuarón!!! Dito isso, você precisa saber que se trata de um filme longo, P&B (preto e branco), bem lento e que fala de relações humanas!!! Mas você precisa saber também que esse filme já ganhou 83 prêmios em Festivais pelo mundo - e isso não é nada fácil - inclusive o Leão de Ouro em Veneza!!!
Certamente a pergunta que fica é: como um filme p&b, lento, longo e sem uma história tão marcante ganha tantos prêmios? Simples - "Roma" é uma aula de Cinema. Todos, eu disse todos, os planos são muito bem pensados, coreografadas e cirurgicamente bem realizados com enquadramentos que parecem muito mais uma pintura. Movimentos de câmera inovadores (como ele mesmo fez em Gravidade)? Que nada, cinema raiz (rs) - um ou outro travelling nas externas (muito bem feitos, com uma composição de centenas de figurantes e uma direção de arte que poucas vezes vi de tão orgânica), além de muitas, muitas, panorâmicas!!! Panorâmicas bem feitas, que criam a sensação de amplitude, de um vazio dos personagens dentro daquela casa repleta de histórias que ninguém teria coragem de contar porque são simples histórias do dia a dia, de todos nós, de uma ou outra família, mas que o Cuarón transformou em uma obra prima."Roma" é o retrato de um ano tumultuado na vida de uma família de classe média da Cidade do México no início dos anos 70, como vemos no trailer a seguir:
Os sentimentos estavam lá, no silêncio, no diálogo baixinho, quase inseguro; ou no desenho de som perturbador que transformava o vazio daquele ambiente (como a cena do carro raspando na garagem ou nas crianças brigando na sala). Meu amigo, isso é cinema com alma, maravilhosamente bem captado em aspecto "2.35" (mais largado), com grande angulares, e muito mais espaço para compor aqueles planos... lindo de ver!!! É um filme simples, com uma das cenas mais impactantes que eu já assisti (do parto da protagonista), onde o Cuarón não faz nenhum movimento com a câmera, não inventa, só deixa esse maravilhoso instrumento contar aquela dolorida história - sem cortes!!!! Ou a cena na loja de móveis, com um show de atuação da Yaritza Aparicio e do Jorge Antonio Guerrero - sem nenhuma palavra, só no olhar!!!
Cuarón é um cineasta incrível, versátil, mas é humano, gente como a gente - tive a honra de assistir a palestra que ele fez em 2017 durante o Festival de Cannes e posso afirmar com todas as letras: um ser humano talentoso que aceita suas fraquezas, mas que trabalha muito para transforma-las em sua maior virtude!!! Ele escreveu, dirigiu e fotografou (sim, Alfonso Cuarón dá uma aula de fotografia no primeiro longa que ele fotografa e se ele não for, no mínimo, indicado ao Oscar, será uma das maiores injustiças dos últimos tempos). "Roma" não vai agradar a todos, não está bombando nas redes sociais como "Bohemian Rhapsody" ou "Infiltrado na Klan" (que são ótimos diga-se de passagem), mas posso te garantir que esse filme vai te fazer pensar e trazer sentimentos e sensações como nenhum outro, em muito tempo. Eu diria que é outro patamar de cinematografia!!!
Obrigado Netflix pelo presente de Natal. Obrigado Alfonso Cuarón por nos permitir conhecer sua história. É só dar o play e separar a estatueta!!!!
Up-date: "Roma" ganhou em três categorias no Oscar 2019: Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Fotografia e Melhor Diretor!
"Roma" é sensacional!!!! Talvez o melhor trabalho da carreira do Alfonso Cuarón!!! Dito isso, você precisa saber que se trata de um filme longo, P&B (preto e branco), bem lento e que fala de relações humanas!!! Mas você precisa saber também que esse filme já ganhou 83 prêmios em Festivais pelo mundo - e isso não é nada fácil - inclusive o Leão de Ouro em Veneza!!!
Certamente a pergunta que fica é: como um filme p&b, lento, longo e sem uma história tão marcante ganha tantos prêmios? Simples - "Roma" é uma aula de Cinema. Todos, eu disse todos, os planos são muito bem pensados, coreografadas e cirurgicamente bem realizados com enquadramentos que parecem muito mais uma pintura. Movimentos de câmera inovadores (como ele mesmo fez em Gravidade)? Que nada, cinema raiz (rs) - um ou outro travelling nas externas (muito bem feitos, com uma composição de centenas de figurantes e uma direção de arte que poucas vezes vi de tão orgânica), além de muitas, muitas, panorâmicas!!! Panorâmicas bem feitas, que criam a sensação de amplitude, de um vazio dos personagens dentro daquela casa repleta de histórias que ninguém teria coragem de contar porque são simples histórias do dia a dia, de todos nós, de uma ou outra família, mas que o Cuarón transformou em uma obra prima."Roma" é o retrato de um ano tumultuado na vida de uma família de classe média da Cidade do México no início dos anos 70, como vemos no trailer a seguir:
Os sentimentos estavam lá, no silêncio, no diálogo baixinho, quase inseguro; ou no desenho de som perturbador que transformava o vazio daquele ambiente (como a cena do carro raspando na garagem ou nas crianças brigando na sala). Meu amigo, isso é cinema com alma, maravilhosamente bem captado em aspecto "2.35" (mais largado), com grande angulares, e muito mais espaço para compor aqueles planos... lindo de ver!!! É um filme simples, com uma das cenas mais impactantes que eu já assisti (do parto da protagonista), onde o Cuarón não faz nenhum movimento com a câmera, não inventa, só deixa esse maravilhoso instrumento contar aquela dolorida história - sem cortes!!!! Ou a cena na loja de móveis, com um show de atuação da Yaritza Aparicio e do Jorge Antonio Guerrero - sem nenhuma palavra, só no olhar!!!
Cuarón é um cineasta incrível, versátil, mas é humano, gente como a gente - tive a honra de assistir a palestra que ele fez em 2017 durante o Festival de Cannes e posso afirmar com todas as letras: um ser humano talentoso que aceita suas fraquezas, mas que trabalha muito para transforma-las em sua maior virtude!!! Ele escreveu, dirigiu e fotografou (sim, Alfonso Cuarón dá uma aula de fotografia no primeiro longa que ele fotografa e se ele não for, no mínimo, indicado ao Oscar, será uma das maiores injustiças dos últimos tempos). "Roma" não vai agradar a todos, não está bombando nas redes sociais como "Bohemian Rhapsody" ou "Infiltrado na Klan" (que são ótimos diga-se de passagem), mas posso te garantir que esse filme vai te fazer pensar e trazer sentimentos e sensações como nenhum outro, em muito tempo. Eu diria que é outro patamar de cinematografia!!!
Obrigado Netflix pelo presente de Natal. Obrigado Alfonso Cuarón por nos permitir conhecer sua história. É só dar o play e separar a estatueta!!!!
Up-date: "Roma" ganhou em três categorias no Oscar 2019: Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Fotografia e Melhor Diretor!
A minissérie documental da HBO, "Romário, O Cara", dirigida por Bruno Maia, é, de fato, imperdível - especialmente para amantes do futebol (e para os maiores de 40 anos então, nem se fala). Este documentário não apenas revigora a memória do Romário como um dos maiores jogadores da história do futebol mundial, como também nos proporciona uma imersão profunda em sua jornada pessoal e profissional desde os tempos de Olaria. É inegável que a obra se destaca por sua abordagem íntima e desmistificadora, um tanto reminiscentes de produções como "The Last Dance" - referência que o diretor faz questão de citar para justificar as decisões criativas que tomou durante as filmagens. Agora, é preciso que se diga: o que diferencia "Romário, O Cara" das demais produções do gênero é, primeiro, o seu equilíbrio cuidadoso entre os momentos de glória do jogador no campo e as complexidades de sua vida fora dele, segundo, o tempo de tela infinitamente maior que de outros documentários sobre craques do Brasil - isso nos proporciona uma visão completa e emocionante da busca pelo Tetracampeonato na Copa do Mundo de 1994 sob a perspectiva da carreira do Cara!
"Romário, O Cara" explora a trajetória do carismático atacante brasileiro Romário, desde os campos de várzea no Rio de Janeiro até o estrelato no cenário mundial do futebol. A série narra os bastidores de sua carreira brilhante e controversa, passando pelo Vasco, PSV, Barcelona, Flamengo e culminando na conquista da Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos. Com depoimentos inéditos de personalidades como Ronaldo, Bebeto, Neymar, Parreira e Guardiola, além de entrevistas exclusivas com um Romário sem filtro e imagens de arquivo impressionantes, a minissérie traz à vida os triunfos e as dificuldades enfrentadas pelo jogador que encantou o mundo com sua técnica apurada e sua personalidade inconfundível. Confira o trailer:
No cerne da série, a direção de Bruno Maia brilha intensamente - ele adota um estilo que se equilibra habilmente entre a reverência e a crítica. Ele não se limita a glorificar Romário, mas também explora suas falhas e contradições, apresentando um retrato complexo e honesto. As cenas de partidas clássicas são magistralmente intercaladas com entrevistas e imagens de bastidores, criando um ritmo que nos prende do início ao fim - é praticamente impossível não maratonar a série..
A montagem também merece destaque - é ela que consegue transformar dezenas de horas de entrevistas e cenas de arquivo em uma narrativa coesa e dinâmica. Com uma estrutura não linear, o que inicialmente pode parecer confuso, mas logo se revela uma decisão acertada, temos a exata noção da intensidade dos jogos do passado, mas também a introspecção dos momentos de reflexão do jogador do presente. Essa escolha permite que a série explore paralelamente a ascensão de Romário e os desafios pessoais que moldaram seu caráter e suas decisões dentro e fora do campo olhada em retrospectiva - funciona demais!
Como já era de se esperar, "Romário, O Cara" se destaca por sua profundidade emocional e capacidade de humanizar um protagonista autêntico. Romário, com sua personalidade e opiniões contundentes, é apresentado de forma crua e isso gera cada pérola que só nos resta rir. Seus conflitos com treinadores, sua relação com a mídia, suas bagunças fora de campo e suas vitórias e derrotas são explorados com um grau de franqueza que é raro em documentários esportivos. Para aqueles que vivem e respiram futebol, "Romário, O Cara" realmente oferece uma jornada nostálgica pelos anos dourados de um dos maiores ícones do esporte mundial que, para nossa sorte, é brasileiro!
Vale muito o seu play!
A minissérie documental da HBO, "Romário, O Cara", dirigida por Bruno Maia, é, de fato, imperdível - especialmente para amantes do futebol (e para os maiores de 40 anos então, nem se fala). Este documentário não apenas revigora a memória do Romário como um dos maiores jogadores da história do futebol mundial, como também nos proporciona uma imersão profunda em sua jornada pessoal e profissional desde os tempos de Olaria. É inegável que a obra se destaca por sua abordagem íntima e desmistificadora, um tanto reminiscentes de produções como "The Last Dance" - referência que o diretor faz questão de citar para justificar as decisões criativas que tomou durante as filmagens. Agora, é preciso que se diga: o que diferencia "Romário, O Cara" das demais produções do gênero é, primeiro, o seu equilíbrio cuidadoso entre os momentos de glória do jogador no campo e as complexidades de sua vida fora dele, segundo, o tempo de tela infinitamente maior que de outros documentários sobre craques do Brasil - isso nos proporciona uma visão completa e emocionante da busca pelo Tetracampeonato na Copa do Mundo de 1994 sob a perspectiva da carreira do Cara!
"Romário, O Cara" explora a trajetória do carismático atacante brasileiro Romário, desde os campos de várzea no Rio de Janeiro até o estrelato no cenário mundial do futebol. A série narra os bastidores de sua carreira brilhante e controversa, passando pelo Vasco, PSV, Barcelona, Flamengo e culminando na conquista da Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos. Com depoimentos inéditos de personalidades como Ronaldo, Bebeto, Neymar, Parreira e Guardiola, além de entrevistas exclusivas com um Romário sem filtro e imagens de arquivo impressionantes, a minissérie traz à vida os triunfos e as dificuldades enfrentadas pelo jogador que encantou o mundo com sua técnica apurada e sua personalidade inconfundível. Confira o trailer:
No cerne da série, a direção de Bruno Maia brilha intensamente - ele adota um estilo que se equilibra habilmente entre a reverência e a crítica. Ele não se limita a glorificar Romário, mas também explora suas falhas e contradições, apresentando um retrato complexo e honesto. As cenas de partidas clássicas são magistralmente intercaladas com entrevistas e imagens de bastidores, criando um ritmo que nos prende do início ao fim - é praticamente impossível não maratonar a série..
A montagem também merece destaque - é ela que consegue transformar dezenas de horas de entrevistas e cenas de arquivo em uma narrativa coesa e dinâmica. Com uma estrutura não linear, o que inicialmente pode parecer confuso, mas logo se revela uma decisão acertada, temos a exata noção da intensidade dos jogos do passado, mas também a introspecção dos momentos de reflexão do jogador do presente. Essa escolha permite que a série explore paralelamente a ascensão de Romário e os desafios pessoais que moldaram seu caráter e suas decisões dentro e fora do campo olhada em retrospectiva - funciona demais!
Como já era de se esperar, "Romário, O Cara" se destaca por sua profundidade emocional e capacidade de humanizar um protagonista autêntico. Romário, com sua personalidade e opiniões contundentes, é apresentado de forma crua e isso gera cada pérola que só nos resta rir. Seus conflitos com treinadores, sua relação com a mídia, suas bagunças fora de campo e suas vitórias e derrotas são explorados com um grau de franqueza que é raro em documentários esportivos. Para aqueles que vivem e respiram futebol, "Romário, O Cara" realmente oferece uma jornada nostálgica pelos anos dourados de um dos maiores ícones do esporte mundial que, para nossa sorte, é brasileiro!
Vale muito o seu play!
Essa era uma história que precisava ser contada da maneira que foi! Não existe adjetivos para descrever a jornada de Ronaldo Nazário entre a final da Copa do Mundo da França em 1998 e o Pentacampeonato, quatro anos depois - nem o melhor dos roteiristas seria capaz de construir uma trama tão cruel ao mesmo tempo tão espetacular como a que o destino fez questão de pontuar a cada dificuldade que o nosso "Fenômeno" precisou superar para alcançar o seu maior objetivo profissional. "Ronaldo, o Fenômeno" é emocionante e cativante, daquele tipo de documentário que assistimos com um sorriso no rosto e com aquela sensação de dó que uma hora vai acabar!
O filme dedica boa parte de sua narrativa ao desempenho do craque durante a década de 1990, época em que recebeu o primeiro título de "Melhor Jogador do Mundo". "Ronaldo, o Fenômeno" também mostra os bastidores da vida do jogador durante a Copa de 98, o assédio da imprensa e o drama da convulsão antes da final, além de todos os detalhes sobre os momentos difíceis que isso gerou, as futuras lesões no joelho e, claro, sua redenção em 2002. Confira o trailer:
Se o excelente "Brasil 2002 - Bastidores do Penta" é um documentário sobre todo o contexto que envolveu nosso último (até aqui) título mundial de futebol sob a perspectiva da Seleção, essa produção da Zoom Sports e da DAZN Studios, em associação com a Beyond Films e Fifa+, para o Globoplay, foca em seu principal protagonista - o jogador que para muitos estava acabado, mas que a história fez questão de provar que esses "muitos" estava errados.
Com inúmeras imagens de arquivo e entrevistas simplesmente sensacionais, todas muito bem amarradas aos relatos do próprio Ronaldo, o documentário escrito e dirigido pelo Duncan McMath é uma aula de construção narrativa sobre a jornada do herói. A edição do Víctor M. Gros é tão competente que temos a impressão que mesmo com um recorte tão extenso da vida do jogador, tudo se encaixa perfeitamente como uma obra de ficção. Veja, ter no documentário ex-jogadores do calibre de Zidane, Romário, Roberto Carlos, Paolo Maldini, Simeone e Vieri, além, obviamente, de participações do Felipão, do Rodrigo Paiva e de seu familiares, não é para qualquer um.
"Ronaldo, o Fenômeno" é, de fato, um presente para a história esportiva pelo olhar de muitos personagens que passaram pela vida de Ronaldo e/ou estiveram nos eventos esportivos onde, de alguma forma, ele foi o protagonista. Como deve ser, o documentário foca no atleta e nos reflexos de ser a maior referência na sua modalidade, não na sua vida pessoal ou de seus negócios - e só por isso, eu já largaria tudo e daria o play, porque vale muito (mas, muito) a pena!
Essa era uma história que precisava ser contada da maneira que foi! Não existe adjetivos para descrever a jornada de Ronaldo Nazário entre a final da Copa do Mundo da França em 1998 e o Pentacampeonato, quatro anos depois - nem o melhor dos roteiristas seria capaz de construir uma trama tão cruel ao mesmo tempo tão espetacular como a que o destino fez questão de pontuar a cada dificuldade que o nosso "Fenômeno" precisou superar para alcançar o seu maior objetivo profissional. "Ronaldo, o Fenômeno" é emocionante e cativante, daquele tipo de documentário que assistimos com um sorriso no rosto e com aquela sensação de dó que uma hora vai acabar!
O filme dedica boa parte de sua narrativa ao desempenho do craque durante a década de 1990, época em que recebeu o primeiro título de "Melhor Jogador do Mundo". "Ronaldo, o Fenômeno" também mostra os bastidores da vida do jogador durante a Copa de 98, o assédio da imprensa e o drama da convulsão antes da final, além de todos os detalhes sobre os momentos difíceis que isso gerou, as futuras lesões no joelho e, claro, sua redenção em 2002. Confira o trailer:
Se o excelente "Brasil 2002 - Bastidores do Penta" é um documentário sobre todo o contexto que envolveu nosso último (até aqui) título mundial de futebol sob a perspectiva da Seleção, essa produção da Zoom Sports e da DAZN Studios, em associação com a Beyond Films e Fifa+, para o Globoplay, foca em seu principal protagonista - o jogador que para muitos estava acabado, mas que a história fez questão de provar que esses "muitos" estava errados.
Com inúmeras imagens de arquivo e entrevistas simplesmente sensacionais, todas muito bem amarradas aos relatos do próprio Ronaldo, o documentário escrito e dirigido pelo Duncan McMath é uma aula de construção narrativa sobre a jornada do herói. A edição do Víctor M. Gros é tão competente que temos a impressão que mesmo com um recorte tão extenso da vida do jogador, tudo se encaixa perfeitamente como uma obra de ficção. Veja, ter no documentário ex-jogadores do calibre de Zidane, Romário, Roberto Carlos, Paolo Maldini, Simeone e Vieri, além, obviamente, de participações do Felipão, do Rodrigo Paiva e de seu familiares, não é para qualquer um.
"Ronaldo, o Fenômeno" é, de fato, um presente para a história esportiva pelo olhar de muitos personagens que passaram pela vida de Ronaldo e/ou estiveram nos eventos esportivos onde, de alguma forma, ele foi o protagonista. Como deve ser, o documentário foca no atleta e nos reflexos de ser a maior referência na sua modalidade, não na sua vida pessoal ou de seus negócios - e só por isso, eu já largaria tudo e daria o play, porque vale muito (mas, muito) a pena!
"Safety" é muito bacana (muito "mesmo"!) - daqueles filmes emocionantes que nos fazem sorrir com o coração e com a alma! Safety para quem está pouco familiarizado com o Futebol Americano é uma posição importante da linha de defesa de um time e que em uma tradução livre significa "segurança". Muito mais do que contar a história de um atleta que joga nessa posição, o título do filme pretende explorar o real significado da palavra dentro do âmbito familiar e é isso que transforma essa produção original da Disney em um filme simplesmente imperdível!
Essa é a história real de Ray McElrathbey (Jay Reeves), um jovem jogador de futebol americano recém chegado em uma das Universidades mais tradicionais dos EUA quando o assunto é o programa de bolsas para o esporte. A oportunidade de jogar nos "Tigers" de Clemson é tão relevante quanto ganhar uma bolsa integral da Universidade, porém McElrathbey precisa enfrentar uma série de desafiadores obstáculos na vida e lutar contra muitas adversidades para manter essa condição de estudante e atleta, ao mesmo tempo que precisa cuidar de seu irmão de 11 anos de idade enquanto sua mãe passa por um tratamento para se livrar das drogas. Confira o trailer:
Veja, mesmo com inúmeras referências ao esporte, inclusive com diálogos bastante complicados até para os mais familiarizados, "Safety" não é um filme de futebol americano na sua essência - são pouquíssimas cenas de jogos ou de citações sobre a necessidade de vencer o título da temporada. Obviamente que a atmosfera esportiva e a importância dos Tigers para a comunidade são claramente perceptíveis durante o desenrolar do filme, mas eu diria que a relação direta com o esporte em si para por aí. É inegável que a audiência acostumada com o futebol americano vai se relacionar de uma maneira muito mais profunda com a trama, mas o roteiro de Nick Santora (da série “Prison Break”) cumpre muito bem o papel didático para fisgar um público mais abrangente.
"Safety" é um excelente exemplo de história que daria um filme impactante se o conceito narrativo se apoiasse no realismo brutal do drama familiar como em "Florida Project"ou "Palmer", mas assim não seria um filme "Disney". A escolha (ou imposição) do diretor Reginald Hudlin (“O Pai da Black Music”) por um tom mais brando prejudica a experiência? Não, muito pelo contrário, mas não dá para negar que a busca pela solução do problema acaba ganhando uma importância narrativa muito maior do que o problema em si.
Tecnicamente o filme é muito bem realizado - dos planos abertos do campo de futebol americano para nos posicionar perante a grandiosidade do esporte e de sua tradição para a universidade de Clemson aos cortes bem executados entre uma câmera subjetiva ou um movimento de travelling para nos colocar no campo de jogo. Tudo isso, porém, são apenas elementos visualmente impactantes para emoldurar as mensagens inspiradoras e emocionantes, além de ótimos momentos que servem como alívios cômicos (principalmente com o ótimo Thaddeus J. Mixson - o irmão mais novo de Ray, Fahmarr).
"Safety" é repleto de clichês, mas que funciona perfeitamente para nos emocionar, além de trazer aquela sensação de bem-estar tão característico das produções da Disney que em nenhum momento perdem o seu brilho ou a simpatia dos personagens.
Vale muito a pena!
"Safety" é muito bacana (muito "mesmo"!) - daqueles filmes emocionantes que nos fazem sorrir com o coração e com a alma! Safety para quem está pouco familiarizado com o Futebol Americano é uma posição importante da linha de defesa de um time e que em uma tradução livre significa "segurança". Muito mais do que contar a história de um atleta que joga nessa posição, o título do filme pretende explorar o real significado da palavra dentro do âmbito familiar e é isso que transforma essa produção original da Disney em um filme simplesmente imperdível!
Essa é a história real de Ray McElrathbey (Jay Reeves), um jovem jogador de futebol americano recém chegado em uma das Universidades mais tradicionais dos EUA quando o assunto é o programa de bolsas para o esporte. A oportunidade de jogar nos "Tigers" de Clemson é tão relevante quanto ganhar uma bolsa integral da Universidade, porém McElrathbey precisa enfrentar uma série de desafiadores obstáculos na vida e lutar contra muitas adversidades para manter essa condição de estudante e atleta, ao mesmo tempo que precisa cuidar de seu irmão de 11 anos de idade enquanto sua mãe passa por um tratamento para se livrar das drogas. Confira o trailer:
Veja, mesmo com inúmeras referências ao esporte, inclusive com diálogos bastante complicados até para os mais familiarizados, "Safety" não é um filme de futebol americano na sua essência - são pouquíssimas cenas de jogos ou de citações sobre a necessidade de vencer o título da temporada. Obviamente que a atmosfera esportiva e a importância dos Tigers para a comunidade são claramente perceptíveis durante o desenrolar do filme, mas eu diria que a relação direta com o esporte em si para por aí. É inegável que a audiência acostumada com o futebol americano vai se relacionar de uma maneira muito mais profunda com a trama, mas o roteiro de Nick Santora (da série “Prison Break”) cumpre muito bem o papel didático para fisgar um público mais abrangente.
"Safety" é um excelente exemplo de história que daria um filme impactante se o conceito narrativo se apoiasse no realismo brutal do drama familiar como em "Florida Project"ou "Palmer", mas assim não seria um filme "Disney". A escolha (ou imposição) do diretor Reginald Hudlin (“O Pai da Black Music”) por um tom mais brando prejudica a experiência? Não, muito pelo contrário, mas não dá para negar que a busca pela solução do problema acaba ganhando uma importância narrativa muito maior do que o problema em si.
Tecnicamente o filme é muito bem realizado - dos planos abertos do campo de futebol americano para nos posicionar perante a grandiosidade do esporte e de sua tradição para a universidade de Clemson aos cortes bem executados entre uma câmera subjetiva ou um movimento de travelling para nos colocar no campo de jogo. Tudo isso, porém, são apenas elementos visualmente impactantes para emoldurar as mensagens inspiradoras e emocionantes, além de ótimos momentos que servem como alívios cômicos (principalmente com o ótimo Thaddeus J. Mixson - o irmão mais novo de Ray, Fahmarr).
"Safety" é repleto de clichês, mas que funciona perfeitamente para nos emocionar, além de trazer aquela sensação de bem-estar tão característico das produções da Disney que em nenhum momento perdem o seu brilho ou a simpatia dos personagens.
Vale muito a pena!
Se “Halston” é a versão biográfica hollywoodiana de um ícone da moda para o streaming, sem a menor dúvida que "Saint Laurent" cumpre o mesmo papel para o cinema independente - e essa analogia vai além do conteúdo, já que a forma com que o diretor francês Bertrand Bonello (de "Coma") cobre um recorte importante da carreira do estilista é pouco convencional e extremamente autoral. Certamente que as escolhas estéticas e narrativas do diretor vão afastar parte da audiência, porém, para o amante da moda, de cinebiografias e, principalmente, para quem gosta de filmes mais autorais, posso dizer que você está prestes a assistir um excelente filme!
O filme basicamente acompanha um recorte da vida de Yves Saint Laurent, especificamente entre os anos de 1967 e 1976, período em que, mesmo frágil emocionalmente, o famoso estilista estava no auge de sua carreira. confira o trailer:
Não por acaso "Saint Laurent" ostenta o selo de "Seleção Oficial" no Festival de Cannes 2014 e foi indicado pela França para concorrer na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2015. O curioso, porém, é que essa não é a única obra sobre o estilista que foi produzida e reconhecida naquele ano de 2014 - enquanto "Saint Laurent", de Bonello, insiste em explorar os aspectos mais sombrios da personalidade do protagonista."Yves Saint Laurent", de Jalil Lespert, uma versão "autorizada" por Pierre Bergé, companheiro do estilista que faleceu em 2008, foca na vida do jovem que vai se transformando na velocidade de seu prestígio e através da tumultuada relação com o próprio Bergé.
Veja, aqui o roteiro se propõe a mostrar o reinado de Saint Laurent no mundo da alta costura francesa sem se aprofundar em como ele conquistou esse status. O valor da obra está no processo criativo, nos relacionamentos amorosos, nas dificuldades emocionais e nas polêmicas com o marido e empresário Pierre Berger, mas sem levantar nenhuma bandeira ou provocar grandes discussões sobre os caminhos que o estilista escolheu durante a carreira - o que acaba distanciando a narrativa de "Halston", por exemplo. Em compensação, o recorte do filme é verdadeiramente impactante visualmente - seja pela maneira como o protagonista criava ou pela sua postura íntima em relação aos seus parceiros e amigos.
Propositalmente cadenciado e sem respeitar a linearidade das passagens retratadas, "Saint Laurent" vai incomodar os menos dispostos a encarar uma narrativa quase experimental. O primeiro ato, de fato, é o menos chamativo, porém ao entender a proposta do diretor, tudo muda de figura e nos conectamos com o personagem maravilhosamente interpretado pelo Gaspard Ulliel (de "Era uma segunda vez") - performance que lhe rendeu inúmeros prêmios e indicações, inclusive para o "Oscar Francês", o César Awards. Dito isso, é preciso comentar que o filme cresce muito quando se apoia na ruína íntima de Yves Saint Laurent (é onde se aproxima de Halston - por isso a comparação inicial), principalmente nos instantes em que a notoriedade, o dinheiro, a bajulação e o reconhecimento, já não eram suficientes para torna-lo uma pessoa feliz e realizada - por incrível que pareça!
Vale seu play!
Se “Halston” é a versão biográfica hollywoodiana de um ícone da moda para o streaming, sem a menor dúvida que "Saint Laurent" cumpre o mesmo papel para o cinema independente - e essa analogia vai além do conteúdo, já que a forma com que o diretor francês Bertrand Bonello (de "Coma") cobre um recorte importante da carreira do estilista é pouco convencional e extremamente autoral. Certamente que as escolhas estéticas e narrativas do diretor vão afastar parte da audiência, porém, para o amante da moda, de cinebiografias e, principalmente, para quem gosta de filmes mais autorais, posso dizer que você está prestes a assistir um excelente filme!
O filme basicamente acompanha um recorte da vida de Yves Saint Laurent, especificamente entre os anos de 1967 e 1976, período em que, mesmo frágil emocionalmente, o famoso estilista estava no auge de sua carreira. confira o trailer:
Não por acaso "Saint Laurent" ostenta o selo de "Seleção Oficial" no Festival de Cannes 2014 e foi indicado pela França para concorrer na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2015. O curioso, porém, é que essa não é a única obra sobre o estilista que foi produzida e reconhecida naquele ano de 2014 - enquanto "Saint Laurent", de Bonello, insiste em explorar os aspectos mais sombrios da personalidade do protagonista."Yves Saint Laurent", de Jalil Lespert, uma versão "autorizada" por Pierre Bergé, companheiro do estilista que faleceu em 2008, foca na vida do jovem que vai se transformando na velocidade de seu prestígio e através da tumultuada relação com o próprio Bergé.
Veja, aqui o roteiro se propõe a mostrar o reinado de Saint Laurent no mundo da alta costura francesa sem se aprofundar em como ele conquistou esse status. O valor da obra está no processo criativo, nos relacionamentos amorosos, nas dificuldades emocionais e nas polêmicas com o marido e empresário Pierre Berger, mas sem levantar nenhuma bandeira ou provocar grandes discussões sobre os caminhos que o estilista escolheu durante a carreira - o que acaba distanciando a narrativa de "Halston", por exemplo. Em compensação, o recorte do filme é verdadeiramente impactante visualmente - seja pela maneira como o protagonista criava ou pela sua postura íntima em relação aos seus parceiros e amigos.
Propositalmente cadenciado e sem respeitar a linearidade das passagens retratadas, "Saint Laurent" vai incomodar os menos dispostos a encarar uma narrativa quase experimental. O primeiro ato, de fato, é o menos chamativo, porém ao entender a proposta do diretor, tudo muda de figura e nos conectamos com o personagem maravilhosamente interpretado pelo Gaspard Ulliel (de "Era uma segunda vez") - performance que lhe rendeu inúmeros prêmios e indicações, inclusive para o "Oscar Francês", o César Awards. Dito isso, é preciso comentar que o filme cresce muito quando se apoia na ruína íntima de Yves Saint Laurent (é onde se aproxima de Halston - por isso a comparação inicial), principalmente nos instantes em que a notoriedade, o dinheiro, a bajulação e o reconhecimento, já não eram suficientes para torna-lo uma pessoa feliz e realizada - por incrível que pareça!
Vale seu play!
"Sandy & Junior: A História" é uma das coisas mais sensacionais que assisti recentemente ! A minissérie documental da Globoplay é de um primor técnico e artístico muito (mas muito) acima da média. Em pouco mais de sete horas, somos transportados para uma jornada de 30 anos de história através de uma dinâmica narrativa que é uma aula de roteiro, montagem, direção e, claro, de entretenimento, daqueles onde sentimos na alma a capacidade e a sensibilidade do diretor em nos colocar muito próximos do processo de construção de um projeto de sucesso de uma dupla que, para muitos, é a maior referência da música jovem que o Brasil já teve - e com muito merecimento! Sinceramente não me lembro de um documentário sobre a carreira de algum artista, seja ele de qualquer segmento, que tenha conseguido amarrar tantas passagens, épocas e histórias com tamanha competência! É de se emocionar, até para quem não é um grande fã da dupla, pelo simples fato que a história que vemos na tela tem muita verdade, coração! Confira o trailer:
Produzido pela Goga Cine e baseado em um vasto arquivo musical e pessoal, "Sandy & Junior: A História" acompanha diversos momentos da trajetória da dupla, com inúmeras cenas inéditas: desde a saída emocionados do palco em seu último show em 2007 até imagens caseiras de toda a infância cantando e dançando, em casa, ao lado dos pais. Entre tantas preciosidades, vemos depoimentos de artistas como Roberto Carlos, Ivete Sangalo, Laura Pausini, além de todos os bastidores, da concepção aos shows, da mega turnê "Nossa História" que aconteceu em 2019.
Olha, esse documentário é cheio de camadas, capaz de desmistificar alguns detalhes da vida pessoal da dupla, como reforçar que, além de muito talento, é preciso muito trabalho, dedicação e renúncia para alcançar objetivos profissionais com tanta excelência!
Talvez o maior mérito do diretor Douglas Aguilar tenha sido o de humanizar dois artistas tão diferentes, porém tão complementares, como a Sandy e o Junior. Se partirmos do princípio que os irmãos foram referência para uma geração, com fãs que cresceram e amadureceram ouvindo suas músicas, assistindo seus shows ou acompanhando a longa carreira, é natural a sensação de um certo distanciamento e até uma adoração pela "figura pública" que representa a dupla - e é aí que o documentário se diferencia: o que vemos nos episódios é o lado humano dos dois, com suas qualidades e talentos, mas também com suas fraquezas e inseguranças; e isso é lindo de ver! Com muita sensibilidade, Aguilar foi muito feliz na forma como reconstruiu uma história tão rica e tão importante para muitas pessoas - não são raros os momentos em que vemos o Junior se emocionar ao relembrar passagens delicadas da carreira. A própria Sandy confidencia sobre seus medos ou algum incomodo por um ou outro comentário sobre ela e sua vida pessoal. Tudo isso vem com um enquadramento perfeito, com uma luz linda, um movimento orgânico da câmera! Quando temos a nítida impressão de quão invencíveis eles foram se tornando ao passar por cima de tanta coisa e subir cada um desses degraus - da rotina cruel de trabalho às decisões mais delicadas que tinham que tomar visando uma melhor qualidade de vida, o tom dos depoimentos e a construção narrativa também vão se alinhando com as imagens certas de arquivo, com os offs colocados no lugar exato, com as pausas, com a trilha sonora! Demais! É muito bacana perceber que por trás de artistas tão completos, existem seres humanos - e nisso o documentário não economiza!
Outro elemento que vai chamar a atenção é a construção do projeto do retorno da dupla - a turnê "Nossa História" é um evento tão gigantesco que foi considerado a segunda maior do mundo, ficando atrás apenas da série de shows que o Elton John fez em 2019. É de fato uma coisa do outro mundo, nível popstar mesmo!!! O trabalho do diretor Raoni Carneiro ao lado do marido da Sandy, Lucas Lima e, claro, da própria dupla e do pai Xororó, é algo que merece muitos elogios. São tantos detalhes, tanto trabalho e cuidado, que, sem dúvida, muita gente que nem imaginava a quantidade de profissionais envolvidos para colocar um show como esse de pé, vai rever alguns conceitos!
"Sandy & Junior: A História" vai muito além do que vimos em "This is It" e "Never say Never" e não se surpreendam se trouxer muitos prêmios na próxima temporada de premiação, tanto de TV como de Cinema! Se você gosta da dupla, esse documentário é imperdível! Se você gosta de música e entretenimento, esse documentário é essencial! E se você é apenas um curioso, tenha certeza, você vai sair com uma outra visão sobre a Sandy, sobre o Junior e sobre todo o universo que rodeia esses dois artistas que, juntos, se transformaram em verdadeiros fenômenos e que merecem todo o respeito e admiração de milhões de pessoas!
Não perca tempo, dê o play, porque você não vai se arrepender!
"Sandy & Junior: A História" é uma das coisas mais sensacionais que assisti recentemente ! A minissérie documental da Globoplay é de um primor técnico e artístico muito (mas muito) acima da média. Em pouco mais de sete horas, somos transportados para uma jornada de 30 anos de história através de uma dinâmica narrativa que é uma aula de roteiro, montagem, direção e, claro, de entretenimento, daqueles onde sentimos na alma a capacidade e a sensibilidade do diretor em nos colocar muito próximos do processo de construção de um projeto de sucesso de uma dupla que, para muitos, é a maior referência da música jovem que o Brasil já teve - e com muito merecimento! Sinceramente não me lembro de um documentário sobre a carreira de algum artista, seja ele de qualquer segmento, que tenha conseguido amarrar tantas passagens, épocas e histórias com tamanha competência! É de se emocionar, até para quem não é um grande fã da dupla, pelo simples fato que a história que vemos na tela tem muita verdade, coração! Confira o trailer:
Produzido pela Goga Cine e baseado em um vasto arquivo musical e pessoal, "Sandy & Junior: A História" acompanha diversos momentos da trajetória da dupla, com inúmeras cenas inéditas: desde a saída emocionados do palco em seu último show em 2007 até imagens caseiras de toda a infância cantando e dançando, em casa, ao lado dos pais. Entre tantas preciosidades, vemos depoimentos de artistas como Roberto Carlos, Ivete Sangalo, Laura Pausini, além de todos os bastidores, da concepção aos shows, da mega turnê "Nossa História" que aconteceu em 2019.
Olha, esse documentário é cheio de camadas, capaz de desmistificar alguns detalhes da vida pessoal da dupla, como reforçar que, além de muito talento, é preciso muito trabalho, dedicação e renúncia para alcançar objetivos profissionais com tanta excelência!
Talvez o maior mérito do diretor Douglas Aguilar tenha sido o de humanizar dois artistas tão diferentes, porém tão complementares, como a Sandy e o Junior. Se partirmos do princípio que os irmãos foram referência para uma geração, com fãs que cresceram e amadureceram ouvindo suas músicas, assistindo seus shows ou acompanhando a longa carreira, é natural a sensação de um certo distanciamento e até uma adoração pela "figura pública" que representa a dupla - e é aí que o documentário se diferencia: o que vemos nos episódios é o lado humano dos dois, com suas qualidades e talentos, mas também com suas fraquezas e inseguranças; e isso é lindo de ver! Com muita sensibilidade, Aguilar foi muito feliz na forma como reconstruiu uma história tão rica e tão importante para muitas pessoas - não são raros os momentos em que vemos o Junior se emocionar ao relembrar passagens delicadas da carreira. A própria Sandy confidencia sobre seus medos ou algum incomodo por um ou outro comentário sobre ela e sua vida pessoal. Tudo isso vem com um enquadramento perfeito, com uma luz linda, um movimento orgânico da câmera! Quando temos a nítida impressão de quão invencíveis eles foram se tornando ao passar por cima de tanta coisa e subir cada um desses degraus - da rotina cruel de trabalho às decisões mais delicadas que tinham que tomar visando uma melhor qualidade de vida, o tom dos depoimentos e a construção narrativa também vão se alinhando com as imagens certas de arquivo, com os offs colocados no lugar exato, com as pausas, com a trilha sonora! Demais! É muito bacana perceber que por trás de artistas tão completos, existem seres humanos - e nisso o documentário não economiza!
Outro elemento que vai chamar a atenção é a construção do projeto do retorno da dupla - a turnê "Nossa História" é um evento tão gigantesco que foi considerado a segunda maior do mundo, ficando atrás apenas da série de shows que o Elton John fez em 2019. É de fato uma coisa do outro mundo, nível popstar mesmo!!! O trabalho do diretor Raoni Carneiro ao lado do marido da Sandy, Lucas Lima e, claro, da própria dupla e do pai Xororó, é algo que merece muitos elogios. São tantos detalhes, tanto trabalho e cuidado, que, sem dúvida, muita gente que nem imaginava a quantidade de profissionais envolvidos para colocar um show como esse de pé, vai rever alguns conceitos!
"Sandy & Junior: A História" vai muito além do que vimos em "This is It" e "Never say Never" e não se surpreendam se trouxer muitos prêmios na próxima temporada de premiação, tanto de TV como de Cinema! Se você gosta da dupla, esse documentário é imperdível! Se você gosta de música e entretenimento, esse documentário é essencial! E se você é apenas um curioso, tenha certeza, você vai sair com uma outra visão sobre a Sandy, sobre o Junior e sobre todo o universo que rodeia esses dois artistas que, juntos, se transformaram em verdadeiros fenômenos e que merecem todo o respeito e admiração de milhões de pessoas!
Não perca tempo, dê o play, porque você não vai se arrepender!
"Seberg", que no Brasil ganhou o subtítulo de "Contra Todos", passou quase despercebido pelos cinemas em 2020 e, sinceramente, merecia mais atenção. Primeiro pela força de uma história real, de fato, surpreendente e segundo pelo excelente trabalho de Kristen Stewart como protagonista.
Para quem não conhece, Seberg foi uma verdadeira estrela de um movimento cinematográfico francês chamado Nouvelle Vague,trabalhando com nomes consagrados como Jean-Luc Godard e François Truffaut. Embora tenha evitado Hollywood ao máximo, Seberg acabou escalada para viverJoana D’Arc de Otto Preminger, porém um acidente durante as filmagens quase matou a atriz queimada. Embora o filme pontue esse fato, é o inicio do romance com Hakim Jamal (Anthony Mackie), integrante dos Panteras Negras, e sua relação com o movimento dos direitos civis, que transformaram uma investigação feita pelo FBI no maior pesadelo da sua vida. Confira o trailer:
O fato do roteiro focar em um breve recorte da vida de Jean Seberg ajuda no desenvolvimento do drama pela qual a atriz passou, mas nos distancia do entendimento sobre o tamanho e a importância que ela tinha como figura pública. Dito isso, demoramos um pouco mais para mergulhar nas aflições da personagem - fato que não aconteceu em "Judy", por exemplo. Porém, assim que nos familiarizamos com o contexto politico e social da época e nos reconhecemos na forma como a atriz reage aos absurdos raciais, claro, tudo passa a fluir melhor. Kristen Stewart tem muito mérito nisso, já que seu trabalho explora todas as camadas de uma estrela, cheia de problemas pessoais, mas incrivelmente a frente do seu tempo. Vince Vaughn como o veterano radical e sem escrúpulos que trabalha no FBI, Carl Kowalski, também merece elogios. Reparem!
O interessante de "Seberg contra Todos", além de apresentar uma personagem forte e uma história que merecia ser contada, é a forma cruel como os fatos vão sendo construídos e como, pouco a pouco, isso vai interferindo na vida (e na sanidade) da protagonista. Saiba que o filme tem um caminho, uma direção clara, que impede maiores distrações, com isso tudo fica engessado e não dá tempo de provocar muitas reflexões como em "Infiltrado na Klan" ou em "Os Sete de Chicago"- para citar produções com eventos de uma mesma época e que trazem muitas referências. Independente disso, a recomendação é das mais tranquilas: trata-se de um ótimo filme, que acabou sendo deixado de lado injustamente e que merece muito o seu play!
Antes de terminar, mais uma observação: Rachel Morrison, jovem indicada ao Oscar na categoria "Melhor Fotografia" por "Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi" de 2017, e que também trabalhou em "Pantera Negra" (2018), mais uma vez dá um show - o trabalho dela em "Seberg" é digno de prêmios!
"Seberg", que no Brasil ganhou o subtítulo de "Contra Todos", passou quase despercebido pelos cinemas em 2020 e, sinceramente, merecia mais atenção. Primeiro pela força de uma história real, de fato, surpreendente e segundo pelo excelente trabalho de Kristen Stewart como protagonista.
Para quem não conhece, Seberg foi uma verdadeira estrela de um movimento cinematográfico francês chamado Nouvelle Vague,trabalhando com nomes consagrados como Jean-Luc Godard e François Truffaut. Embora tenha evitado Hollywood ao máximo, Seberg acabou escalada para viverJoana D’Arc de Otto Preminger, porém um acidente durante as filmagens quase matou a atriz queimada. Embora o filme pontue esse fato, é o inicio do romance com Hakim Jamal (Anthony Mackie), integrante dos Panteras Negras, e sua relação com o movimento dos direitos civis, que transformaram uma investigação feita pelo FBI no maior pesadelo da sua vida. Confira o trailer:
O fato do roteiro focar em um breve recorte da vida de Jean Seberg ajuda no desenvolvimento do drama pela qual a atriz passou, mas nos distancia do entendimento sobre o tamanho e a importância que ela tinha como figura pública. Dito isso, demoramos um pouco mais para mergulhar nas aflições da personagem - fato que não aconteceu em "Judy", por exemplo. Porém, assim que nos familiarizamos com o contexto politico e social da época e nos reconhecemos na forma como a atriz reage aos absurdos raciais, claro, tudo passa a fluir melhor. Kristen Stewart tem muito mérito nisso, já que seu trabalho explora todas as camadas de uma estrela, cheia de problemas pessoais, mas incrivelmente a frente do seu tempo. Vince Vaughn como o veterano radical e sem escrúpulos que trabalha no FBI, Carl Kowalski, também merece elogios. Reparem!
O interessante de "Seberg contra Todos", além de apresentar uma personagem forte e uma história que merecia ser contada, é a forma cruel como os fatos vão sendo construídos e como, pouco a pouco, isso vai interferindo na vida (e na sanidade) da protagonista. Saiba que o filme tem um caminho, uma direção clara, que impede maiores distrações, com isso tudo fica engessado e não dá tempo de provocar muitas reflexões como em "Infiltrado na Klan" ou em "Os Sete de Chicago"- para citar produções com eventos de uma mesma época e que trazem muitas referências. Independente disso, a recomendação é das mais tranquilas: trata-se de um ótimo filme, que acabou sendo deixado de lado injustamente e que merece muito o seu play!
Antes de terminar, mais uma observação: Rachel Morrison, jovem indicada ao Oscar na categoria "Melhor Fotografia" por "Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi" de 2017, e que também trabalhou em "Pantera Negra" (2018), mais uma vez dá um show - o trabalho dela em "Seberg" é digno de prêmios!
"A Vida e a História de Madam C.J. Walker" retrata a incrível história real deSarah Breedlove, a primeira mulher negra no mundo a tronar-se milionária. A minissérie de 4 capítulos da Netflix pode até ser reconhecida pela trajetória de sucesso da C.J. Walker e toda revolução que seus produtos representaram no setor de beleza para mulheres negras, mas na verdade, a história fala mesmo é de resiliência - para mim, uma das qualidades essenciais para quem quer (ou precisa) empreender. Confira o trailer:
A impressionante história de uma filha de escravos que se tornou uma das mulheres mais influentes de sua época foi contada na biografia On Her Own Ground, escrita por A'Lelia Bundles. O livro inspirou a série que tem como produtor executivo ninguém menos de LeBron James. Em 1908, na Louisiana, Sul dos Estados Unidos, Sarah Breedlove (Octavia Spencer) sobrevivia como lavadeira até que um dia ela recebeu a visita de Addie Munroe (Carmen Ejogo), uma vendedora que lhe oferecia um certo produto que prometia fazer seu cabelo crescer de uma forma mais rápida e sedosa. Com algum tempo de uso, a vida de Sarah muda completamente, aumentando sua auto-estima e abrindo a possibilidade de revender o produto usando seu depoimento real para convencer as possíveis compradoras. Sua estratégia funciona, porém Munroe impede que Breedlove continue com as vendas por não querer seu produto vinculado à uma lavandeira! Inconformada, ela resolve produzir seu próprio produto, atacando o ponto mais sensível da concorrente: o cheiro ruim que ficava no cabelo após a aplicação. A partir do sucesso do novo produto, "A Vida e a História de Madam C.J. Walker" pontua todos os momentos cruciais na construção de um império da beleza em uma época em que grande parte dos Estados Unidos vivia sob rígidas leis de segregação racial.
De cara, é preciso dizer que o roteiro da minissérie escrito pela Nicole Jefferson Asher, Elle Johnson (Bosh) e Janine Sherman (E.R.) tropeça na própria pretensão de se tornar inovador, porém entrega um resultado interessante e satisfatório - muito mais pela força da história de Breedlove do que pelas escolhas criativas das roteiristas. Existem algumas intervenções visuais durante os momentos de reflexão da protagonista que poderiam criar uma certa leveza artística para a minissérie, mas a forma como foi realizada tira completamente do contexto narrativo e não entrega o impacto visual que se propunha - se a culpa é da roteirista, da produção ou da própria diretora, fica difícil cravar, mas o fato é que não funcionou - ficou simples demais! Essa, aliás, é minha única critica em relação a minissérie - até sua proposta musical ao melhor estilo Baz Luhrmann eu gostei, ou seja, ao mesmo tempo em que se constrói uma história de época super engessada, também encontramos cenas importantes sendo embaladas ao som de um hip hop moderno, por exemplo!
A direção de DeMane Davis (de "How to Get Away with Murder") e de Kasi Lemmons (de "Harriet") não impressiona, mas também não compromete - cada uma dirigiu dois capítulos. Já a fotografia de Kira Kelly (de "A 13ª Emenda") está muito bonita, embora seja perceptível o incomodo por ser uma produção sem tantos recursos. Gostei muito do trabalho de arte e um pouco menos da montagem - o resultado final é uma minissérie com uma grande história que mereceria um maior investimento para alcançar o status de forte concorrente na próxima temporada de premiações - e aí nem preciso mencionar a qualidade do trabalho da Octavia Spencer, certo?
Agora, quando nos deparamos com frases impactantes como “o cabelo é nossa herança", "ele diz de onde viemos, onde estivemos e para onde vamos”, “o cabelo pode ser liberdade ou prisão” e “se ela fica bonita, todas nós ficamos bonita”, temos uma tendência natural em diminuir o valor do roteiro perante uma grande história, mas nesse caso o contexto faz todo o sentido, pois esse tipo de escolha serve como um impulso perante uma postura de marca que hoje é até usual, mas que na época foi um grande diferencial. Sarah Breedlove não vendia apenas um produto, ela vendia um novo estilo de vida; e construiu um império graças à coerência do seu discurso com seu propósito - ela queria criar possibilidades reais para uma ascensão social da mulher negra através de um trabalho digno, em um mercado até então dominado pelos brancos e isso acabou se tornando prioridade nos investimentos que ela sempre fez em treinamentos para que centenas de mulheres pudessem trabalhar como cabeleireiras e vendedoras de seus produtos.
Olha, a minissérie é inspiradora, tem uma dinâmica muito interessante e escancara alguns elementos essências para quem quer ou já empreende. Além de uma aula de percepção de mercado, desenvolvimento de produto, comunicação com seu publico (comunidade), estratégia de vendas e pitching; "A Vida e a História de Madam C.J. Walker" é um excelente entretenimento! Vale muito a pena!
"A Vida e a História de Madam C.J. Walker" retrata a incrível história real deSarah Breedlove, a primeira mulher negra no mundo a tronar-se milionária. A minissérie de 4 capítulos da Netflix pode até ser reconhecida pela trajetória de sucesso da C.J. Walker e toda revolução que seus produtos representaram no setor de beleza para mulheres negras, mas na verdade, a história fala mesmo é de resiliência - para mim, uma das qualidades essenciais para quem quer (ou precisa) empreender. Confira o trailer:
A impressionante história de uma filha de escravos que se tornou uma das mulheres mais influentes de sua época foi contada na biografia On Her Own Ground, escrita por A'Lelia Bundles. O livro inspirou a série que tem como produtor executivo ninguém menos de LeBron James. Em 1908, na Louisiana, Sul dos Estados Unidos, Sarah Breedlove (Octavia Spencer) sobrevivia como lavadeira até que um dia ela recebeu a visita de Addie Munroe (Carmen Ejogo), uma vendedora que lhe oferecia um certo produto que prometia fazer seu cabelo crescer de uma forma mais rápida e sedosa. Com algum tempo de uso, a vida de Sarah muda completamente, aumentando sua auto-estima e abrindo a possibilidade de revender o produto usando seu depoimento real para convencer as possíveis compradoras. Sua estratégia funciona, porém Munroe impede que Breedlove continue com as vendas por não querer seu produto vinculado à uma lavandeira! Inconformada, ela resolve produzir seu próprio produto, atacando o ponto mais sensível da concorrente: o cheiro ruim que ficava no cabelo após a aplicação. A partir do sucesso do novo produto, "A Vida e a História de Madam C.J. Walker" pontua todos os momentos cruciais na construção de um império da beleza em uma época em que grande parte dos Estados Unidos vivia sob rígidas leis de segregação racial.
De cara, é preciso dizer que o roteiro da minissérie escrito pela Nicole Jefferson Asher, Elle Johnson (Bosh) e Janine Sherman (E.R.) tropeça na própria pretensão de se tornar inovador, porém entrega um resultado interessante e satisfatório - muito mais pela força da história de Breedlove do que pelas escolhas criativas das roteiristas. Existem algumas intervenções visuais durante os momentos de reflexão da protagonista que poderiam criar uma certa leveza artística para a minissérie, mas a forma como foi realizada tira completamente do contexto narrativo e não entrega o impacto visual que se propunha - se a culpa é da roteirista, da produção ou da própria diretora, fica difícil cravar, mas o fato é que não funcionou - ficou simples demais! Essa, aliás, é minha única critica em relação a minissérie - até sua proposta musical ao melhor estilo Baz Luhrmann eu gostei, ou seja, ao mesmo tempo em que se constrói uma história de época super engessada, também encontramos cenas importantes sendo embaladas ao som de um hip hop moderno, por exemplo!
A direção de DeMane Davis (de "How to Get Away with Murder") e de Kasi Lemmons (de "Harriet") não impressiona, mas também não compromete - cada uma dirigiu dois capítulos. Já a fotografia de Kira Kelly (de "A 13ª Emenda") está muito bonita, embora seja perceptível o incomodo por ser uma produção sem tantos recursos. Gostei muito do trabalho de arte e um pouco menos da montagem - o resultado final é uma minissérie com uma grande história que mereceria um maior investimento para alcançar o status de forte concorrente na próxima temporada de premiações - e aí nem preciso mencionar a qualidade do trabalho da Octavia Spencer, certo?
Agora, quando nos deparamos com frases impactantes como “o cabelo é nossa herança", "ele diz de onde viemos, onde estivemos e para onde vamos”, “o cabelo pode ser liberdade ou prisão” e “se ela fica bonita, todas nós ficamos bonita”, temos uma tendência natural em diminuir o valor do roteiro perante uma grande história, mas nesse caso o contexto faz todo o sentido, pois esse tipo de escolha serve como um impulso perante uma postura de marca que hoje é até usual, mas que na época foi um grande diferencial. Sarah Breedlove não vendia apenas um produto, ela vendia um novo estilo de vida; e construiu um império graças à coerência do seu discurso com seu propósito - ela queria criar possibilidades reais para uma ascensão social da mulher negra através de um trabalho digno, em um mercado até então dominado pelos brancos e isso acabou se tornando prioridade nos investimentos que ela sempre fez em treinamentos para que centenas de mulheres pudessem trabalhar como cabeleireiras e vendedoras de seus produtos.
Olha, a minissérie é inspiradora, tem uma dinâmica muito interessante e escancara alguns elementos essências para quem quer ou já empreende. Além de uma aula de percepção de mercado, desenvolvimento de produto, comunicação com seu publico (comunidade), estratégia de vendas e pitching; "A Vida e a História de Madam C.J. Walker" é um excelente entretenimento! Vale muito a pena!