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O Homem do Norte

"O Homem do Norte" é impressionante visualmente, embora sua narrativa seja um pouco apressada - principalmente no prólogo. E aí, meu amigo, a culpa é do formato de longa-metragem que não permite um cuidado maior na hora de construir uma história repleta de simbolismos que impactam diretamente em inúmeras camadas da personalidade de cada personagem. Em “The Northman” (no original) é possível encontrar todo o talento e a identidade de Robert Eggers, cineasta responsável pelo “A Bruxa” e pelo surreal "O Farol", em uma atmosfera que equilibra perfeitamente fortes elementos teatrais shakespeareanos, ao melhor estilo “A Tragédia de Hamlet”, com épicos de ação, guerra e traição, daqueles grandiosos, como "300" e até "Game of Thrones".

O filme acompanha a história do Príncipe Amleth (Alexander Skarsgard), cuja missão de vida, assim profetizada, é vingar a morte do seu pai, o Rei Aurvandil (Ethan Hawke), que foi covardemente assassinado pelas mãos de seu tio bastardo, Fjölnir (Claes Bang), e assim salvar a sua mãe, a Rainha Gudrún (Nicole Kidman). Vamos ao trailer:

Esse é o primeiro grande filme (em orçamento) de Eggers, um diretor que ganhou notoriedade pela forma como transitou no cinema independente com projetos de gênero (no caso dramas, com fortes referências de terror e suspense psicológico) que fizeram muito sucesso entre os críticos e o público. Aqui, o diretor busca nos contos nórdicos da mitologia viking, um história sangrenta sobre vingança. Aliás, vale dizer que foi Shakespeare quem revisitou a história do Príncipe Amleth e a adaptou aos moldes da sociedade inglesa e não o contrário. Veja, Eggers não reproduz com fidelidade o conto escrito pelo historiador dinamarquês Saxo Grammaticus, que viveu entre os séculos XII e XIII., já que seu Amleth foi, propositalmente, apenas um recorte de uma saga fantástica muito maior, a "Gesta Danorum" - conhecida como a mais importante história medieval da Dinamarca.

Cinematograficamente falando, "O Homem do Norte" chama atenção por alguns elementos que não me surpreenderei se forem lembrados no próximo Oscar. O primeiro, sem dúvida, é a belíssima fotografia do seu parceiro de longa data, Jarin Blaschke - é incrível como Blaschke vai pontuando cada um dos capítulos do filme com cores e enquadramentos que são facilmente percebidos pelo tom dramático da evolução da história. Além de criativo, os planos são perfeitos tecnicamente. O outro ponto que merece nosso aplauso é a trilha sonora - fantástica! Os estreantes Robin Carolan e Sebastian Gainsborough dão um show! E para finalizar, o desenho de produção e o departamento de arte, puxa, impecáveis - reparem como os rituais (que vimos muito na série "Vikings") se integram perfeitamente no cotidiano e nos costumes daquele povo, com o roteiro que respeita a simbologia mitológica da história. A cena em que Björk revela ao Príncipe Amleth sua profecia, talvez seja o maior exemplo disso!

Com elenco afinado e muito bem inseridos na proposta conceitual do diretor, “O Homem do Norte” é um impressionante e verdadeiro espectáculo visual, rico em toda sua essência como obra cinematográfica e honesto com o estilo já estabelecido de Robert Eggers - talvez a única concessão do diretor tenha sido no idioma do filme, que para Eggers faria mais sentido se fosse falado só em nórdico antigo. Em todo caso, você pode esperar uma jornada sangrenta, brutal e empolgante; eu diria que é uma verdadeira viagem no tempo de um trabalho orientado pelos detalhes e pela precisão técnica e artística, mas sem esquecer daquele tempero independente de uma narrativa autoral.

Vale muito a pena!

Assista Agora

"O Homem do Norte" é impressionante visualmente, embora sua narrativa seja um pouco apressada - principalmente no prólogo. E aí, meu amigo, a culpa é do formato de longa-metragem que não permite um cuidado maior na hora de construir uma história repleta de simbolismos que impactam diretamente em inúmeras camadas da personalidade de cada personagem. Em “The Northman” (no original) é possível encontrar todo o talento e a identidade de Robert Eggers, cineasta responsável pelo “A Bruxa” e pelo surreal "O Farol", em uma atmosfera que equilibra perfeitamente fortes elementos teatrais shakespeareanos, ao melhor estilo “A Tragédia de Hamlet”, com épicos de ação, guerra e traição, daqueles grandiosos, como "300" e até "Game of Thrones".

O filme acompanha a história do Príncipe Amleth (Alexander Skarsgard), cuja missão de vida, assim profetizada, é vingar a morte do seu pai, o Rei Aurvandil (Ethan Hawke), que foi covardemente assassinado pelas mãos de seu tio bastardo, Fjölnir (Claes Bang), e assim salvar a sua mãe, a Rainha Gudrún (Nicole Kidman). Vamos ao trailer:

Esse é o primeiro grande filme (em orçamento) de Eggers, um diretor que ganhou notoriedade pela forma como transitou no cinema independente com projetos de gênero (no caso dramas, com fortes referências de terror e suspense psicológico) que fizeram muito sucesso entre os críticos e o público. Aqui, o diretor busca nos contos nórdicos da mitologia viking, um história sangrenta sobre vingança. Aliás, vale dizer que foi Shakespeare quem revisitou a história do Príncipe Amleth e a adaptou aos moldes da sociedade inglesa e não o contrário. Veja, Eggers não reproduz com fidelidade o conto escrito pelo historiador dinamarquês Saxo Grammaticus, que viveu entre os séculos XII e XIII., já que seu Amleth foi, propositalmente, apenas um recorte de uma saga fantástica muito maior, a "Gesta Danorum" - conhecida como a mais importante história medieval da Dinamarca.

Cinematograficamente falando, "O Homem do Norte" chama atenção por alguns elementos que não me surpreenderei se forem lembrados no próximo Oscar. O primeiro, sem dúvida, é a belíssima fotografia do seu parceiro de longa data, Jarin Blaschke - é incrível como Blaschke vai pontuando cada um dos capítulos do filme com cores e enquadramentos que são facilmente percebidos pelo tom dramático da evolução da história. Além de criativo, os planos são perfeitos tecnicamente. O outro ponto que merece nosso aplauso é a trilha sonora - fantástica! Os estreantes Robin Carolan e Sebastian Gainsborough dão um show! E para finalizar, o desenho de produção e o departamento de arte, puxa, impecáveis - reparem como os rituais (que vimos muito na série "Vikings") se integram perfeitamente no cotidiano e nos costumes daquele povo, com o roteiro que respeita a simbologia mitológica da história. A cena em que Björk revela ao Príncipe Amleth sua profecia, talvez seja o maior exemplo disso!

Com elenco afinado e muito bem inseridos na proposta conceitual do diretor, “O Homem do Norte” é um impressionante e verdadeiro espectáculo visual, rico em toda sua essência como obra cinematográfica e honesto com o estilo já estabelecido de Robert Eggers - talvez a única concessão do diretor tenha sido no idioma do filme, que para Eggers faria mais sentido se fosse falado só em nórdico antigo. Em todo caso, você pode esperar uma jornada sangrenta, brutal e empolgante; eu diria que é uma verdadeira viagem no tempo de um trabalho orientado pelos detalhes e pela precisão técnica e artística, mas sem esquecer daquele tempero independente de uma narrativa autoral.

Vale muito a pena!

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O Livro de Boba Fett

"O Livro de Boba Fett" talvez seja o maior exemplo (até aqui) da infinidade de possibilidades que um serviço de streaming proporciona para a construção (e recuperação) de uma narrativa que vai funcionar como uma importante peça de um enorme quebra-cabeça. Seguindo a cartilha de desenvolvimento de personagens e histórias secundárias, mas relevantes como arco maior, de um Universo repleto de fãs (bem ao estilo Marvel), a série da Disney+ usa seus 7 episódios para contar uma jornada (não revelada e que não mudaria o rumo dos acontecimentos da franquia) de Boba Fett dentro da linha temporal de Star Wars e, mais do que isso, que fortalece a sua relação com o fenômeno "The Mandalorian" abrindo caminho para outros cross-overs.

O foco da série está em acompanhar a ascensão de Boba Fett (Temuera Morrison) ao posto de chefe do crime em Tatooine (continuando de onde parou na segunda temporada de “The Mandalorian"). Após a morte de Jabba "the Hutt" em “O Retorno de Jedi”, a principal família criminosa do planeta ficou sem líder, com o Twi’Lek Bib Fortuna (Matthew Wood) assumindo sem inspirar muita confiança. Fett depõe o antigo mordomo com a brutalidade que lhe é peculiar, mas ele não é um senhor do crime - ele é um caçador de recompensas e com isso ele tem que provar que pode governar o local, ser mais diplomático, enfrentar alguma milícias e ainda manter a ordem e a paz para todos os habitantes do planeta. Confira o trailer:

É difícil não gostar de "O Livro de Boba Fett" depois de duas temporadas de "The Mandalorian" e do gancho deixado para que o personagem, definitivamente, brilhasse em uma jornada solo, porém é preciso que se diga: a construção narrativa de série, obedecendo duas linhas temporais (com o passado e o presente de Fett), não se sustenta - isso é tão claro que a duração dos episódios até a chegada de Mando na trama é de no máximo 30 minutos e depois praticamente dobra. Veja, o roteiro tenta priorizar o ecossistema conflituoso de Tatooine e relaciona-lo ao passado do protagonista, adicionando personagens como os Mods (um grupo de criminosos cyberpunks adolescentes) e até proporcionando o retorno de Cobb Vanth (Timothy Olyphant) e Cad Bane (Corey Burton), mas o fôlego só é recuperado de verdade quando o showrunner Robert Rodriguez transforma "O Livro de Boba Fett" em uma espécie de “Star Wars: a Série”!

Eu explico: o mood do que já deu certo anteriormente é praticamente "copiado e colado". Personagens como o Mandaloriano (Pedro Pascal), Luke Skywalker (Mark Hamill), Ahsoka Tano (Rosario Dawson) e Grogu vão ganhando tempo de tela e deixando o próprio Boba Fett em segundo plano - sem falar que praticamente esquece Fennec Shand (Ming-Na Wen). Por outro lado a dinâmica narrativa da série melhora, ganha mais ação, mais embates, tiroteios, perseguições, etc - só não segue a unidade e, muito menos, o conceito apresentado no primeiro episódio.

Dito isso, é possível que você estranhe essa quebra brusca de conceito (lá pelo quinto episódio). O ritmo muda e o foco também! A história de tudo que aconteceu entre "O Retorno de Jedi" (1983) até o retorno misterioso de Fett em "The Mandalorian", e a trama dele tentando se transformar no novo Daimiô de Tatooine, praticamente deixa de existir e o universo que nos fez reviver os bons tempos de Star Wars passa a ser melhor explorado - até Cad Bane, um dos personagens favoritos dos fãs das animações, surge em live action. O fato é que mesmo inconstante "O Livro de Boba Fett" é bom, cumpre seu papel e se torna uma série imperdível, mas deixa muito claro quem será o personagem-chave dessa nova fase da franquia (agora no streaming).

Vale o play se você for fã! 

Assista Agora

"O Livro de Boba Fett" talvez seja o maior exemplo (até aqui) da infinidade de possibilidades que um serviço de streaming proporciona para a construção (e recuperação) de uma narrativa que vai funcionar como uma importante peça de um enorme quebra-cabeça. Seguindo a cartilha de desenvolvimento de personagens e histórias secundárias, mas relevantes como arco maior, de um Universo repleto de fãs (bem ao estilo Marvel), a série da Disney+ usa seus 7 episódios para contar uma jornada (não revelada e que não mudaria o rumo dos acontecimentos da franquia) de Boba Fett dentro da linha temporal de Star Wars e, mais do que isso, que fortalece a sua relação com o fenômeno "The Mandalorian" abrindo caminho para outros cross-overs.

O foco da série está em acompanhar a ascensão de Boba Fett (Temuera Morrison) ao posto de chefe do crime em Tatooine (continuando de onde parou na segunda temporada de “The Mandalorian"). Após a morte de Jabba "the Hutt" em “O Retorno de Jedi”, a principal família criminosa do planeta ficou sem líder, com o Twi’Lek Bib Fortuna (Matthew Wood) assumindo sem inspirar muita confiança. Fett depõe o antigo mordomo com a brutalidade que lhe é peculiar, mas ele não é um senhor do crime - ele é um caçador de recompensas e com isso ele tem que provar que pode governar o local, ser mais diplomático, enfrentar alguma milícias e ainda manter a ordem e a paz para todos os habitantes do planeta. Confira o trailer:

É difícil não gostar de "O Livro de Boba Fett" depois de duas temporadas de "The Mandalorian" e do gancho deixado para que o personagem, definitivamente, brilhasse em uma jornada solo, porém é preciso que se diga: a construção narrativa de série, obedecendo duas linhas temporais (com o passado e o presente de Fett), não se sustenta - isso é tão claro que a duração dos episódios até a chegada de Mando na trama é de no máximo 30 minutos e depois praticamente dobra. Veja, o roteiro tenta priorizar o ecossistema conflituoso de Tatooine e relaciona-lo ao passado do protagonista, adicionando personagens como os Mods (um grupo de criminosos cyberpunks adolescentes) e até proporcionando o retorno de Cobb Vanth (Timothy Olyphant) e Cad Bane (Corey Burton), mas o fôlego só é recuperado de verdade quando o showrunner Robert Rodriguez transforma "O Livro de Boba Fett" em uma espécie de “Star Wars: a Série”!

Eu explico: o mood do que já deu certo anteriormente é praticamente "copiado e colado". Personagens como o Mandaloriano (Pedro Pascal), Luke Skywalker (Mark Hamill), Ahsoka Tano (Rosario Dawson) e Grogu vão ganhando tempo de tela e deixando o próprio Boba Fett em segundo plano - sem falar que praticamente esquece Fennec Shand (Ming-Na Wen). Por outro lado a dinâmica narrativa da série melhora, ganha mais ação, mais embates, tiroteios, perseguições, etc - só não segue a unidade e, muito menos, o conceito apresentado no primeiro episódio.

Dito isso, é possível que você estranhe essa quebra brusca de conceito (lá pelo quinto episódio). O ritmo muda e o foco também! A história de tudo que aconteceu entre "O Retorno de Jedi" (1983) até o retorno misterioso de Fett em "The Mandalorian", e a trama dele tentando se transformar no novo Daimiô de Tatooine, praticamente deixa de existir e o universo que nos fez reviver os bons tempos de Star Wars passa a ser melhor explorado - até Cad Bane, um dos personagens favoritos dos fãs das animações, surge em live action. O fato é que mesmo inconstante "O Livro de Boba Fett" é bom, cumpre seu papel e se torna uma série imperdível, mas deixa muito claro quem será o personagem-chave dessa nova fase da franquia (agora no streaming).

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O Rei Leão

É inegável a qualidade da história, agora em "live action", de "O Rei Leão", mas o filme é muito mais que isso - a releitura da animação de 1994 tem o que de melhor podemos encontrar em CG atualmente. Falo isso com a maior tranquilidade: se você assistiu "Dumbo" e se impressionou com a qualidade da textura da pele do elefantinho e com a aplicação dos outros animais em um cenário selvagem na última cena do filme, já te aviso: aquilo não passou de uma versão "beta" do que você vai assistir em "O Rei Leão".

Tudo está fantástico visualmente: a água, o fogo, os pêlos, a luz, a composição é extremamente orgânica... porém é preciso admitir (por mais que possa nos doer): a experiência de assistir novamente uma história que foi tão marcante em um momento das nossas vidas, não é tão sensacional como imaginaria que pudesse ser (ou como foi em 1994) - mas vou explicar melhor para não parecer que não gostei do filme. O filme é muito bom, merece ser visto, é divertido da mesma forma, só que se você assistiu a animação, provavelmente não vai se emocionar pela história.... vai se emocionar pela nostalgia! Confira o trailer:

A história é exatamente a mesma: vemos a jornada do jovem Simba que, após o assassinato de seu pai, o rei Mufasa, precisa fugir já que seu tio Star o culpa pela morte. Com a ajuda dos seus dois novos amigos, Timon e Pumbba, Simba cresce e descobre um outro propósito de vida, mas que é interrompido no encontro com sua melhor amiga de infância Nala. Sabendo por ela que seu tio está destruindo o Reino, Simba resolve retornar para reivindicar sua posição de herdeiro do rei e trazer novamente paz para o Reino. Embora essa nova versão tenha 30 minutos a mais que a animação original,  90% das cenas são iguais. O fato é que na nova versão ganhamos com a tecnologia, com planos muito bem filmados, movimentos de câmera muito inventivos e composições quase perfeitas. Ganhamos com o visual, com a perfeição dos animais, com o lindo cenário que parece ter sido tirado de um documentário da National Geographic.

O filme é lindo e espero que a nova geração se relacione com a história da mesma forma com que fizemos em 94. Para nós, maiores de 30 anos, o novo "Rei Leão" é um convite à nostalgia, à memória emotiva, ao saudosismo... Para os mais novos, a oportunidade de experienciar uma bela narrativa, com animais incrivelmente "reais" e lindas mensagens que podem trazer algum sentimento e aprendizado. A verdade é que são outros tempos e seria até injusto querer comparar as duas obras. Para mim, foi divertido, mas faltou aquele "algo mais"; para quem está assistindo pela primeira vez, provavelmente, terá mais valor!

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É inegável a qualidade da história, agora em "live action", de "O Rei Leão", mas o filme é muito mais que isso - a releitura da animação de 1994 tem o que de melhor podemos encontrar em CG atualmente. Falo isso com a maior tranquilidade: se você assistiu "Dumbo" e se impressionou com a qualidade da textura da pele do elefantinho e com a aplicação dos outros animais em um cenário selvagem na última cena do filme, já te aviso: aquilo não passou de uma versão "beta" do que você vai assistir em "O Rei Leão".

Tudo está fantástico visualmente: a água, o fogo, os pêlos, a luz, a composição é extremamente orgânica... porém é preciso admitir (por mais que possa nos doer): a experiência de assistir novamente uma história que foi tão marcante em um momento das nossas vidas, não é tão sensacional como imaginaria que pudesse ser (ou como foi em 1994) - mas vou explicar melhor para não parecer que não gostei do filme. O filme é muito bom, merece ser visto, é divertido da mesma forma, só que se você assistiu a animação, provavelmente não vai se emocionar pela história.... vai se emocionar pela nostalgia! Confira o trailer:

A história é exatamente a mesma: vemos a jornada do jovem Simba que, após o assassinato de seu pai, o rei Mufasa, precisa fugir já que seu tio Star o culpa pela morte. Com a ajuda dos seus dois novos amigos, Timon e Pumbba, Simba cresce e descobre um outro propósito de vida, mas que é interrompido no encontro com sua melhor amiga de infância Nala. Sabendo por ela que seu tio está destruindo o Reino, Simba resolve retornar para reivindicar sua posição de herdeiro do rei e trazer novamente paz para o Reino. Embora essa nova versão tenha 30 minutos a mais que a animação original,  90% das cenas são iguais. O fato é que na nova versão ganhamos com a tecnologia, com planos muito bem filmados, movimentos de câmera muito inventivos e composições quase perfeitas. Ganhamos com o visual, com a perfeição dos animais, com o lindo cenário que parece ter sido tirado de um documentário da National Geographic.

O filme é lindo e espero que a nova geração se relacione com a história da mesma forma com que fizemos em 94. Para nós, maiores de 30 anos, o novo "Rei Leão" é um convite à nostalgia, à memória emotiva, ao saudosismo... Para os mais novos, a oportunidade de experienciar uma bela narrativa, com animais incrivelmente "reais" e lindas mensagens que podem trazer algum sentimento e aprendizado. A verdade é que são outros tempos e seria até injusto querer comparar as duas obras. Para mim, foi divertido, mas faltou aquele "algo mais"; para quem está assistindo pela primeira vez, provavelmente, terá mais valor!

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Perdi Meu Corpo

"Perdi Meu Corpo" (I Lost My Body) é, sem dúvida, a maior surpresa entre os cinco indicados à Melhor Animação do Oscar 2020. A animação francesa, distribuída pela Netflix, desbancou concorrentes de peso como "Frozen 2" e o "Rei Leão", mas chega com um enorme status de azarão na premiação - não pela falta de qualidade técnica ou narrativa, mas pelos próprios caminhos conceituais que o projeto escolheu - e põe conceitual nisso! Repare na premissa: o filme acompanha a jornada de uma "mão" em busca do corpo do qual ela fazia parte! Por mais bizarro que possa parecer, "Perdi Meu Corpo" aproveita essa jornada um tanto quanto peculiar para falar de escolhas, de destino e de auto-conhecimento, já que a história se passa em duas linhas temporais distintas: o presente, onde a protagonista é a "mão"; e o passado, onde o protagonista é Naoufel, um jovem, órfão, que se apaixona por Gabriella, uma garota que ele conheceu através do interfone de um prédio em Paris. É fácil deduzir que a "mão" é de Naoufel e que são as "memórias" que amarram a história, mas não sabemos se ele morreu, como ele perdeu a mão, o que aconteceu com seu pais, por que ele se tornou um garoto introspectivo, etc. "Perdi Meu Corpo" não é uma animação infantil (nem para a família como costumamos encontrar por aí), tem um tom independente bastante presente, quase experimental, e sua história é muito mais contemplativa do que dinâmica - e isso pode causar um certo estranhamento e quebrar um pouco a expectativa de quem assiste. Não é um filme que vai agradar a todos - ele é um drama com elementos bastante enraizados do cinema francês, só que em animação! Eu gostei, mas só assista se você se identificar com os elementos que comentei, se não você vai se decepcionar!

Assista Agora ou

"Perdi Meu Corpo" (I Lost My Body) é, sem dúvida, a maior surpresa entre os cinco indicados à Melhor Animação do Oscar 2020. A animação francesa, distribuída pela Netflix, desbancou concorrentes de peso como "Frozen 2" e o "Rei Leão", mas chega com um enorme status de azarão na premiação - não pela falta de qualidade técnica ou narrativa, mas pelos próprios caminhos conceituais que o projeto escolheu - e põe conceitual nisso! Repare na premissa: o filme acompanha a jornada de uma "mão" em busca do corpo do qual ela fazia parte! Por mais bizarro que possa parecer, "Perdi Meu Corpo" aproveita essa jornada um tanto quanto peculiar para falar de escolhas, de destino e de auto-conhecimento, já que a história se passa em duas linhas temporais distintas: o presente, onde a protagonista é a "mão"; e o passado, onde o protagonista é Naoufel, um jovem, órfão, que se apaixona por Gabriella, uma garota que ele conheceu através do interfone de um prédio em Paris. É fácil deduzir que a "mão" é de Naoufel e que são as "memórias" que amarram a história, mas não sabemos se ele morreu, como ele perdeu a mão, o que aconteceu com seu pais, por que ele se tornou um garoto introspectivo, etc. "Perdi Meu Corpo" não é uma animação infantil (nem para a família como costumamos encontrar por aí), tem um tom independente bastante presente, quase experimental, e sua história é muito mais contemplativa do que dinâmica - e isso pode causar um certo estranhamento e quebrar um pouco a expectativa de quem assiste. Não é um filme que vai agradar a todos - ele é um drama com elementos bastante enraizados do cinema francês, só que em animação! Eu gostei, mas só assista se você se identificar com os elementos que comentei, se não você vai se decepcionar!

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Pinóquio

Pinóquio

Essa versão de "Pinóquio" feita em animação stop-motion pelo diretor Guillermo del Toro é uma graça! Além de uma estética espetacular (com uma técnica que mistura o artesanal da animação com composições em CGI de cair o queixo), o roteiro ainda explora temas delicados e relevantes sobre relações familiares, politica, bullying, luto e, claro, sobre a importância de aceitar as diferenças. Lindo como uma poesia visual, "Pinocchio" (no original - que ainda leva o nome de Del Toro em seu título para deixar claro sua chancela), na minha opinião, é a melhor animação de 2022 e com potencial de ser bastante celebrada na temporada de premiações.

Situada nos anos 1930, na Itália facista da Segunda Guerra, acompanhamos a jornada de um pai solitário, Geppetto (David Bradley), e seu desejo em dar vida para um boneco de madeira na tentativa de suprir a saudade de seu filho recém falecido. Com a ajuda dos espíritos mágicos, Pinóquio (Gregory Mann) ganha vida, porém sua condição cria uma atmosfera de confusão por ser tão diferente das outras crianças e pelo seu desejo de ser amado pelo pai. Quando Pinóquio foge de casa buscando encontrar seu lugar no mundo, ele se depara com uma série de perigos em uma aventura que vai muito além do clássico de Carlo Collodi. Confira o trailer:

Ao lado de Mark Gustafson (de "The PJs" e "Claymation Easter"), Del Toro busca discutir a relação entre pai e filho deixando de lado aquele tom de "conto de fadas" (eternizada pela versão Disney de 1940) em prol de uma narrativa mais contemporânea no seu contexto, onde mesmo em um universo de fantasia, ainda constrói uma trama com o intuito de gerar identificação de uma forma mais palpável, transportando para Geppetto a responsabilidade de lidar com suas escolhas - seja em uma posição de super proteção afetiva ao tentar impedir que Pinóquio se conecte com o mundo e sofra por ser diferente, seja se resguardar para não perder a própria reputação diante dessa mesma "diferença".

Obviamente que é possível encontrar na adaptação, muito do que já conhecemos da obra clássica de Collodi - principalmente no que diz respeito ao arquétipo da inocência em sua forma mais pura e em que condições o meio é capaz de tornar essa inocência influenciável. É muito interessante como Del Toro e Gustafson vão criando camadas muito mais profundas nos personagens secundários que ajudam a moldar a personalidade do protagonista a partir das lições aprendidas por ele durante a jornada - essa dinâmica cria um caráter menos infantil ao roteiro, promovendo uma experiência única que, eu diria, impacta mais os pais do que os filhos. Não serão raros os momentos em que você vai se pegar refletindo sobre a maneira como você se relaciona com seu filho e como isso poderia impactar em suas escolhas futuras.

Mesmo apresentado como um musical, "Pinóquio" é muito mais Pixar do que Disney, ou seja, o que vale é o que está sendo falado - as (poucas) performances musicais funcionam muito mais como uma ferramenta de gatilho emocional do que propriamente como uma estratégia narrativa que vai conduzir a trama até o seu final. Mesmo sem essa responsabilidade, as músicas são realmente lindas e acredite, a trilha sonora assinada por Alexandre Desplat, é só um dos vários elementos técnicos e artísticos que chegam como forte concorrente ao próximo Oscar - pode anotar!

Vale muito a pena!

Up-date: "Pinóquio" foi o grande vencedor do Oscar 2023 na categoria "Melhor Animação"!

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Essa versão de "Pinóquio" feita em animação stop-motion pelo diretor Guillermo del Toro é uma graça! Além de uma estética espetacular (com uma técnica que mistura o artesanal da animação com composições em CGI de cair o queixo), o roteiro ainda explora temas delicados e relevantes sobre relações familiares, politica, bullying, luto e, claro, sobre a importância de aceitar as diferenças. Lindo como uma poesia visual, "Pinocchio" (no original - que ainda leva o nome de Del Toro em seu título para deixar claro sua chancela), na minha opinião, é a melhor animação de 2022 e com potencial de ser bastante celebrada na temporada de premiações.

Situada nos anos 1930, na Itália facista da Segunda Guerra, acompanhamos a jornada de um pai solitário, Geppetto (David Bradley), e seu desejo em dar vida para um boneco de madeira na tentativa de suprir a saudade de seu filho recém falecido. Com a ajuda dos espíritos mágicos, Pinóquio (Gregory Mann) ganha vida, porém sua condição cria uma atmosfera de confusão por ser tão diferente das outras crianças e pelo seu desejo de ser amado pelo pai. Quando Pinóquio foge de casa buscando encontrar seu lugar no mundo, ele se depara com uma série de perigos em uma aventura que vai muito além do clássico de Carlo Collodi. Confira o trailer:

Ao lado de Mark Gustafson (de "The PJs" e "Claymation Easter"), Del Toro busca discutir a relação entre pai e filho deixando de lado aquele tom de "conto de fadas" (eternizada pela versão Disney de 1940) em prol de uma narrativa mais contemporânea no seu contexto, onde mesmo em um universo de fantasia, ainda constrói uma trama com o intuito de gerar identificação de uma forma mais palpável, transportando para Geppetto a responsabilidade de lidar com suas escolhas - seja em uma posição de super proteção afetiva ao tentar impedir que Pinóquio se conecte com o mundo e sofra por ser diferente, seja se resguardar para não perder a própria reputação diante dessa mesma "diferença".

Obviamente que é possível encontrar na adaptação, muito do que já conhecemos da obra clássica de Collodi - principalmente no que diz respeito ao arquétipo da inocência em sua forma mais pura e em que condições o meio é capaz de tornar essa inocência influenciável. É muito interessante como Del Toro e Gustafson vão criando camadas muito mais profundas nos personagens secundários que ajudam a moldar a personalidade do protagonista a partir das lições aprendidas por ele durante a jornada - essa dinâmica cria um caráter menos infantil ao roteiro, promovendo uma experiência única que, eu diria, impacta mais os pais do que os filhos. Não serão raros os momentos em que você vai se pegar refletindo sobre a maneira como você se relaciona com seu filho e como isso poderia impactar em suas escolhas futuras.

Mesmo apresentado como um musical, "Pinóquio" é muito mais Pixar do que Disney, ou seja, o que vale é o que está sendo falado - as (poucas) performances musicais funcionam muito mais como uma ferramenta de gatilho emocional do que propriamente como uma estratégia narrativa que vai conduzir a trama até o seu final. Mesmo sem essa responsabilidade, as músicas são realmente lindas e acredite, a trilha sonora assinada por Alexandre Desplat, é só um dos vários elementos técnicos e artísticos que chegam como forte concorrente ao próximo Oscar - pode anotar!

Vale muito a pena!

Up-date: "Pinóquio" foi o grande vencedor do Oscar 2023 na categoria "Melhor Animação"!

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Planeta dos Macacos: A Guerra

O terceiro capítulo da franquia "Planeta dos Macacos", possivelmente é o menos profundo se olharmos pela perspectiva de um roteiro cheio de camadas e nuances, que sempre nos deixou aquela sensação de ser algo inteligente, bem desenvolvido. No entanto, também é preciso que se diga, esse talvez seja o filme que melhor se aproxima de sua proposta em ser um thriller de ação e não um drama existencial. Lançado em 2017,  "A Guerra" (ou "War for the Planet of the Apes", no original) seria o encerramento épico da trilogia que redefiniu o legado da franquia, até que, sete anos depois, a 20th Century Studios inventou o competente, "O Reinado" - mas esse é assunto para outro review. Mais uma vez dirigido pelo Matt Reeves, esse filme combina um escopo grandioso de um universo bem construído e com uma abordagem emocionalmente íntima capaz de entregar uma história que explora as consequências do "Confronto"- especialmente temas como liderança e os limites da luta pela sobrevivência. Assim como grandes épicos do cinema, Reeves utiliza a grandiosidade de um conceito visual único e o impacto emocional de nossa relação com personagens já marcantes para oferecer um desfecho que é ao mesmo tempo espetacular e introspectivo.

A narrativa acompanha César (Andy Serkis), o líder dos macacos, enquanto ele enfrenta uma guerra implacável contra os humanos liderados por um coronel impiedoso (Woody Harrelson). Após sofrer uma perda devastadora, César embarca em uma jornada pessoal de vingança e redenção, que o coloca diante de decisões morais complexas e questionamentos sobre o verdadeiro significado de liderança e sacrifício. Confira o trailer:

Veja, "Planeta dos Macacos: A Guerra" até busca o equilibro entra a ação de grande escala com momentos de pura introspecção, no entanto a evolução emocional de César como personagem central já estava estabelecida desde os outros dois filmes, o que transformou sua motivação aqui em algo mais visceral (primitivo) - e funciona, mas causa uma certa estranheza ao percebermos que os sub-plots encontram soluções mais óbvias (e muitas vezes mais fáceis) do que estávamos acostumados. O roteiro, assinado por Reeves e pelo time liderado pelo Mark Bomback, se pauta nas consequências sanguinárias de uma guerra e na luta por encontrar um estado de paz que parece ser impossível. Bomback continua sua busca por humanizar os macacos ao mesmo tempo que usa da simbologia para questionar a crueldade e a hipocrisia dos humanos. A construção de César como um líder complexo e moralmente ambíguo é um dos grandes méritos da trilogia, e "A Guerra" só aprofunda ainda mais sua jornada, com mais ação para destacar, na prática, os dilemas éticos que ele enfrenta ao tentar proteger seu povo enquanto lida com sua sede de vingança (tão discutida no filme anterior "com" e "por" Koba).

Matt Reeves demonstra mais uma vez sua habilidade excepcional como diretor. Ele constrói uma narrativa explorando temas como empatia, moralidade e brutalidade. Sua segunda direção na franquia, dessa vez se destaca pela maneira como ele utiliza a fotografia e os efeitos visuais para dar mais amplitude e fluidez, e assim contar sua história - confiando nos movimentos, gestos e olhares tanto quanto nos diálogos. Sua escolha por planos longos em uma atmosfera desoladora reforça a sensação de tensão e melancolia que permeia o filme. Nesse sentido Andy Serkis entrega uma das melhores performances de sua carreira - ele é capaz de transmitir a dor, mas também a determinação e a sabedoria de César. Woody Harrelson, como o Coronel, é o outro pilar do conflito principal - ele traz intensidade ao papel de um antagonista cuja motivação é moldada pelo medo e pela crueldade, criando um vilão de fato ameaçador.

Tecnicamente, o filme é impecável. Os efeitos visuais, mais uma vez criados pela Weta Digital, elevam o realismo dos macacos para um novo patamar - garantindo, inclusive, a terceira indicação ao Oscar de Efeitos Visuais. É realmente incrível como, filme após filme, o visual em CG (e captura) só melhora! "Planeta dos Macacos: A Guerra" é uma conclusão coerente para a trilogia, com ação, tensão e ritmo, mas sem nunca esquecer da importância de um impacto emocional.  Para quem procura uma imersão ao universo da franquia, esse filme é tão essencial quanto os outros e certamente fará ainda mais sentido no destino de uma nova geração de personagens que vem por aí!

Vale seu play!

Assista Agora

O terceiro capítulo da franquia "Planeta dos Macacos", possivelmente é o menos profundo se olharmos pela perspectiva de um roteiro cheio de camadas e nuances, que sempre nos deixou aquela sensação de ser algo inteligente, bem desenvolvido. No entanto, também é preciso que se diga, esse talvez seja o filme que melhor se aproxima de sua proposta em ser um thriller de ação e não um drama existencial. Lançado em 2017,  "A Guerra" (ou "War for the Planet of the Apes", no original) seria o encerramento épico da trilogia que redefiniu o legado da franquia, até que, sete anos depois, a 20th Century Studios inventou o competente, "O Reinado" - mas esse é assunto para outro review. Mais uma vez dirigido pelo Matt Reeves, esse filme combina um escopo grandioso de um universo bem construído e com uma abordagem emocionalmente íntima capaz de entregar uma história que explora as consequências do "Confronto"- especialmente temas como liderança e os limites da luta pela sobrevivência. Assim como grandes épicos do cinema, Reeves utiliza a grandiosidade de um conceito visual único e o impacto emocional de nossa relação com personagens já marcantes para oferecer um desfecho que é ao mesmo tempo espetacular e introspectivo.

A narrativa acompanha César (Andy Serkis), o líder dos macacos, enquanto ele enfrenta uma guerra implacável contra os humanos liderados por um coronel impiedoso (Woody Harrelson). Após sofrer uma perda devastadora, César embarca em uma jornada pessoal de vingança e redenção, que o coloca diante de decisões morais complexas e questionamentos sobre o verdadeiro significado de liderança e sacrifício. Confira o trailer:

Veja, "Planeta dos Macacos: A Guerra" até busca o equilibro entra a ação de grande escala com momentos de pura introspecção, no entanto a evolução emocional de César como personagem central já estava estabelecida desde os outros dois filmes, o que transformou sua motivação aqui em algo mais visceral (primitivo) - e funciona, mas causa uma certa estranheza ao percebermos que os sub-plots encontram soluções mais óbvias (e muitas vezes mais fáceis) do que estávamos acostumados. O roteiro, assinado por Reeves e pelo time liderado pelo Mark Bomback, se pauta nas consequências sanguinárias de uma guerra e na luta por encontrar um estado de paz que parece ser impossível. Bomback continua sua busca por humanizar os macacos ao mesmo tempo que usa da simbologia para questionar a crueldade e a hipocrisia dos humanos. A construção de César como um líder complexo e moralmente ambíguo é um dos grandes méritos da trilogia, e "A Guerra" só aprofunda ainda mais sua jornada, com mais ação para destacar, na prática, os dilemas éticos que ele enfrenta ao tentar proteger seu povo enquanto lida com sua sede de vingança (tão discutida no filme anterior "com" e "por" Koba).

Matt Reeves demonstra mais uma vez sua habilidade excepcional como diretor. Ele constrói uma narrativa explorando temas como empatia, moralidade e brutalidade. Sua segunda direção na franquia, dessa vez se destaca pela maneira como ele utiliza a fotografia e os efeitos visuais para dar mais amplitude e fluidez, e assim contar sua história - confiando nos movimentos, gestos e olhares tanto quanto nos diálogos. Sua escolha por planos longos em uma atmosfera desoladora reforça a sensação de tensão e melancolia que permeia o filme. Nesse sentido Andy Serkis entrega uma das melhores performances de sua carreira - ele é capaz de transmitir a dor, mas também a determinação e a sabedoria de César. Woody Harrelson, como o Coronel, é o outro pilar do conflito principal - ele traz intensidade ao papel de um antagonista cuja motivação é moldada pelo medo e pela crueldade, criando um vilão de fato ameaçador.

Tecnicamente, o filme é impecável. Os efeitos visuais, mais uma vez criados pela Weta Digital, elevam o realismo dos macacos para um novo patamar - garantindo, inclusive, a terceira indicação ao Oscar de Efeitos Visuais. É realmente incrível como, filme após filme, o visual em CG (e captura) só melhora! "Planeta dos Macacos: A Guerra" é uma conclusão coerente para a trilogia, com ação, tensão e ritmo, mas sem nunca esquecer da importância de um impacto emocional.  Para quem procura uma imersão ao universo da franquia, esse filme é tão essencial quanto os outros e certamente fará ainda mais sentido no destino de uma nova geração de personagens que vem por aí!

Vale seu play!

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Planeta dos Macacos: A Origem

"Planeta dos Macacos: A Origem" é entretenimento puro - e se você também demorou para dar o play nessa nova versão do clássico de 1968, saiba que você está perdendo 120 minutos de muita diversão e adrenalina. Dirigido por Rupert Wyatt (da série "The Mosquito Coast") e baseado na obra de Pierre Boulle, esse filme é uma reinvenção ousada e tecnicamente impressionante da icônica franquia de ficção científica composta pelos cinco filmes originais - e que não tem nenhuma ligação com o filme do Tim Burton de 2001. Com um roteiro assinado por Rick Jaffa e Amanda Silver (dupla responsável por "Avatar: O Caminho da Água"), "Rise of the Planet of the Apes", no original, mistura ação e drama, com uma pitada de crítica social nas entrelinhas, para explorar as origens de um dos universos mais fascinantes do cinema. O interessante desse reboot, podemos chamar assim, é que ele equilibra perfeitamente o espetáculo visual com uma narrativa dinâmica e bem construída, criando uma obra que ressoa emocionalmente enquanto expande sua mitologia.

A história acompanha Will Rodman (James Franco), um cientista dedicado a encontrar a cura para o Alzheimer, doença que afeta seu pai, Charles (John Lithgow). Durante seus experimentos, no entanto, Will desenvolve uma espécie de vírus que nos macacos testados, aumenta significativamente sua inteligência. É nesse contexto que nasce César (Andy Serkis), um chimpanzé que herda a inteligência extraordinária do experimento e se torna o centro de uma revolução contra os humanos. Ao longo do filme, a relação entre César e Will evolui, enquanto questões de ética, controle e evolução são exploradas de forma realmente envolvente. Confira o trailer:

Rupert Wyatt dirige o filme com uma abordagem que busca nivelar elementos dramáticos que remetem tanto ao íntimo quanto ao épico. Wyatt constrói, cuidadosamente, a jornada de César, transformando um chimpanzé inocente e curioso em um líder carismático e inspirador - sim, você vai torcer para os macacos contra os seres-humanos (e isso é muito divertido)! Wyatt usa sequências de ação impactantes, mas sem sacrificar o desenvolvimento emocional dos personagens, criando assim uma narrativa que surpreendentemente se torna reflexiva. Obviamente que o gênero pede uma edição dinâmica com uma fotografia que capture tanto a beleza da natureza quanto a opressão dos ambientes controlados pelos humanos, no entanto é essa dicotomia bem pontuada no roteiro que coloca o filme em outro patamar. 

O roteiro de Jaffa e Silver é uma das maiores forças do filme. Ele consegue equilibrar o drama humano com questões éticas de forma acessível e envolvente. A transformação de César é o coração da história, claro, mas o roteiro consegue oferecer bons momentos de introspecção com a mesma potência com que traz a tensão para a narrativa. Ao abordar questões como a exploração científica, os impactos dos testes em animais e os perigos do poder descontrolado, "Planeta dos Macacos: A Origem" ganha musculatura e cria uma conexão interessante com a audiência sem precisar ser verborrágico demais. Aliás, ponto para Andy Serkis - ele entrega uma atuação impressionante como César, mesmo com sua composição em CG. Por meio de captura de movimento, Serkis traz uma complexidade emocional impressionante ao personagem, tornando-o uma figura sensível e poderosa ao mesmo tempo. James Franco também vai bem - ele entrega uma atuação sólida, especialmente na sua relação com John Lithgow, trazendo uma dose significativa de humanidade perante uma relação familiar pautada pela finitude. 

Mesmo datados, os efeitos visuais, criados pela Weta Digital, são um marco na indústria cinematográfica. A captura de movimentos e a animação digital que deu vida ao César (e aos outros macacos) têm um nível de realismo e expressividade sem precedentes - sem dúvida que elevou o filme a um novo patamar técnico (tanto que foi indicado ao Oscar da categoria em 2012). Cada detalhe, desde o olhar de César até suas interações com o ambiente, é meticulosamente projetado para criar uma experiência imersiva e emocionalmente impactante - funciona demais e foi o que abriu espaço para o que viria anos depois. A trilha sonora de Patrick Doyle (de "Frankenstein de Mary Shelley") intensifica o impacto emocional e a tensão do filme, enquanto o espetacular desenho de som destaca o contraste entre os mundos (humano e animal), amplificando a atmosfera de conflito e de transformação. Então, para finalizar um conselho: assista o filme na maior tela que puder e com o som mais alto que suportar, a experiência será sensacional!

Vale demais o seu play!

Assista Agora

"Planeta dos Macacos: A Origem" é entretenimento puro - e se você também demorou para dar o play nessa nova versão do clássico de 1968, saiba que você está perdendo 120 minutos de muita diversão e adrenalina. Dirigido por Rupert Wyatt (da série "The Mosquito Coast") e baseado na obra de Pierre Boulle, esse filme é uma reinvenção ousada e tecnicamente impressionante da icônica franquia de ficção científica composta pelos cinco filmes originais - e que não tem nenhuma ligação com o filme do Tim Burton de 2001. Com um roteiro assinado por Rick Jaffa e Amanda Silver (dupla responsável por "Avatar: O Caminho da Água"), "Rise of the Planet of the Apes", no original, mistura ação e drama, com uma pitada de crítica social nas entrelinhas, para explorar as origens de um dos universos mais fascinantes do cinema. O interessante desse reboot, podemos chamar assim, é que ele equilibra perfeitamente o espetáculo visual com uma narrativa dinâmica e bem construída, criando uma obra que ressoa emocionalmente enquanto expande sua mitologia.

A história acompanha Will Rodman (James Franco), um cientista dedicado a encontrar a cura para o Alzheimer, doença que afeta seu pai, Charles (John Lithgow). Durante seus experimentos, no entanto, Will desenvolve uma espécie de vírus que nos macacos testados, aumenta significativamente sua inteligência. É nesse contexto que nasce César (Andy Serkis), um chimpanzé que herda a inteligência extraordinária do experimento e se torna o centro de uma revolução contra os humanos. Ao longo do filme, a relação entre César e Will evolui, enquanto questões de ética, controle e evolução são exploradas de forma realmente envolvente. Confira o trailer:

Rupert Wyatt dirige o filme com uma abordagem que busca nivelar elementos dramáticos que remetem tanto ao íntimo quanto ao épico. Wyatt constrói, cuidadosamente, a jornada de César, transformando um chimpanzé inocente e curioso em um líder carismático e inspirador - sim, você vai torcer para os macacos contra os seres-humanos (e isso é muito divertido)! Wyatt usa sequências de ação impactantes, mas sem sacrificar o desenvolvimento emocional dos personagens, criando assim uma narrativa que surpreendentemente se torna reflexiva. Obviamente que o gênero pede uma edição dinâmica com uma fotografia que capture tanto a beleza da natureza quanto a opressão dos ambientes controlados pelos humanos, no entanto é essa dicotomia bem pontuada no roteiro que coloca o filme em outro patamar. 

O roteiro de Jaffa e Silver é uma das maiores forças do filme. Ele consegue equilibrar o drama humano com questões éticas de forma acessível e envolvente. A transformação de César é o coração da história, claro, mas o roteiro consegue oferecer bons momentos de introspecção com a mesma potência com que traz a tensão para a narrativa. Ao abordar questões como a exploração científica, os impactos dos testes em animais e os perigos do poder descontrolado, "Planeta dos Macacos: A Origem" ganha musculatura e cria uma conexão interessante com a audiência sem precisar ser verborrágico demais. Aliás, ponto para Andy Serkis - ele entrega uma atuação impressionante como César, mesmo com sua composição em CG. Por meio de captura de movimento, Serkis traz uma complexidade emocional impressionante ao personagem, tornando-o uma figura sensível e poderosa ao mesmo tempo. James Franco também vai bem - ele entrega uma atuação sólida, especialmente na sua relação com John Lithgow, trazendo uma dose significativa de humanidade perante uma relação familiar pautada pela finitude. 

Mesmo datados, os efeitos visuais, criados pela Weta Digital, são um marco na indústria cinematográfica. A captura de movimentos e a animação digital que deu vida ao César (e aos outros macacos) têm um nível de realismo e expressividade sem precedentes - sem dúvida que elevou o filme a um novo patamar técnico (tanto que foi indicado ao Oscar da categoria em 2012). Cada detalhe, desde o olhar de César até suas interações com o ambiente, é meticulosamente projetado para criar uma experiência imersiva e emocionalmente impactante - funciona demais e foi o que abriu espaço para o que viria anos depois. A trilha sonora de Patrick Doyle (de "Frankenstein de Mary Shelley") intensifica o impacto emocional e a tensão do filme, enquanto o espetacular desenho de som destaca o contraste entre os mundos (humano e animal), amplificando a atmosfera de conflito e de transformação. Então, para finalizar um conselho: assista o filme na maior tela que puder e com o som mais alto que suportar, a experiência será sensacional!

Vale demais o seu play!

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Planeta dos Macacos: O Confronto

No que se propõe, essa continuação é um raro caso de ser tão boa quanto o primeiro filme! "Planeta dos Macacos: O Confronto", dessa vez dirigido por um talentoso Matt Reeves que havia brilhado ao construir uma narrativa incrivelmente tensa e angustiante em "Cloverfield: Monstro" e em "Deixe-me Entrar", é um complemento interessante no projeto de  revitalizar a franquia. Continuando a história iniciada em "A Origem"de 2011, o filme expande sua proposta de modernizar um clássico da ficção cientifica com o equilíbrio magistral entre o drama humano, uma ação de tirar o fôlego e outras reflexões sobre poder, liderança e convivência entre diferentes. 

A trama se passa uma década após os eventos do primeiro filme. A vida como conhecemos foi transformada por uma pandemia causada pelo vírus símio (tema introduzido com muita inteligência em "A Origem"), enquanto os macacos liderados por César (Andy Serkis) prosperam em uma comunidade organizada e isolada nas florestas próximas a São Francisco. A paz entre humanos e macacos é colocada à prova quando um grupo de sobreviventes humanos, liderado por Malcolm (Jason Clarke), precisa acessar uma usina hidrelétrica na área dominada pelos símios para restaurar a energia de sua colônia. Apesar das tentativas de César e Malcolm de estabelecerem um entendimento pacífico, tensões externas e internas, especialmente com Koba (Toby Kebbell), ameaçam desencadear um confronto inevitável que pode mudar a história da humanidade. Confira o trailer:

É inegável a qualidade de Matt Reeves como diretor e ao imprimir sua marca - ele transforma "O Confronto" em uma experiência cinematográfica realmente épica e emocionalmente bem envolvente. Sua habilidade em equilibrar sequências de ação espetaculares com momentos mais intimistas e carregados de significado, eleva o filme a um nível muito interessante de sofisticação - especialmente se pensarmos que aqui temos uma continuação de um reboot! O trabalho de Reeves com seus belos planos e com o desenvolvimento de um ritmo que respeita a gramática do gênero, é exemplar - ele utiliza das nuances da natureza para contrastar a harmonia do mundo dos macacos com o caos e a desesperança de uma sociedade humana devastada. A frase de César "Macaco não mata Macaco", pode até parecer "pronta" demais, mas nesse contexto comparativo ela vem carregada de simbolismo - repare como a direção se aproveita disso para transmitir uma sensação constante de tensão crescente, culminando em um clímax emocionante e devastador.

O roteiro, assinado por Rick Jaffa e Amanda Silver (de "A Origem") com o reforço de Mark Bomback, (de "Em Defesa de Jacob"), traz para a jornada personagens ricos e mais complexos, que tomam decisões moralmente ambíguas. César se desenvolve como um líder carismático e ético, mas que passa a enfrentar os desafios e dúvidas em seu próprio grupo, principalmente com Koba - um macaco traumatizado pelos abusos humanos do passado. Do outro lado, somos apresentados a Malcolm que serve como um contraponto esperançoso ao pragmatismo brutal de Dreyfus (Gary Oldman). A construção desses quatro personagens e a forma como o roteiro explora as nuances das relações entre eles fazem de "O Confronto" uma história capaz de discutir nas entrelinhas, temas como confiança, traição e os perigos latentes do preconceito.

Com uma direção magistral de Matt Reeves, performances marcantes lideradas por Andy Serkis (agora 100% protagonista) e uma narrativa visualmente arrebatadora, com efeitos especiais ainda melhores que do primeiro filme, eu diria que "O Confronto" se consolida como um dos melhores da franquia e que deve ser encarado com um certo destaque na perspectiva do cinema contemporâneo de reinvenção. Esse "Planeta dos Macacos" é mesmo um espetáculo visual, emocionante e reflexivo, que transcende o entretenimento banal para se tornar uma obra profundamente impactante como experiência que vai fazer valer muito o seu play!

Pegue a pipoca e divirta-se!

Assista Agora

No que se propõe, essa continuação é um raro caso de ser tão boa quanto o primeiro filme! "Planeta dos Macacos: O Confronto", dessa vez dirigido por um talentoso Matt Reeves que havia brilhado ao construir uma narrativa incrivelmente tensa e angustiante em "Cloverfield: Monstro" e em "Deixe-me Entrar", é um complemento interessante no projeto de  revitalizar a franquia. Continuando a história iniciada em "A Origem"de 2011, o filme expande sua proposta de modernizar um clássico da ficção cientifica com o equilíbrio magistral entre o drama humano, uma ação de tirar o fôlego e outras reflexões sobre poder, liderança e convivência entre diferentes. 

A trama se passa uma década após os eventos do primeiro filme. A vida como conhecemos foi transformada por uma pandemia causada pelo vírus símio (tema introduzido com muita inteligência em "A Origem"), enquanto os macacos liderados por César (Andy Serkis) prosperam em uma comunidade organizada e isolada nas florestas próximas a São Francisco. A paz entre humanos e macacos é colocada à prova quando um grupo de sobreviventes humanos, liderado por Malcolm (Jason Clarke), precisa acessar uma usina hidrelétrica na área dominada pelos símios para restaurar a energia de sua colônia. Apesar das tentativas de César e Malcolm de estabelecerem um entendimento pacífico, tensões externas e internas, especialmente com Koba (Toby Kebbell), ameaçam desencadear um confronto inevitável que pode mudar a história da humanidade. Confira o trailer:

É inegável a qualidade de Matt Reeves como diretor e ao imprimir sua marca - ele transforma "O Confronto" em uma experiência cinematográfica realmente épica e emocionalmente bem envolvente. Sua habilidade em equilibrar sequências de ação espetaculares com momentos mais intimistas e carregados de significado, eleva o filme a um nível muito interessante de sofisticação - especialmente se pensarmos que aqui temos uma continuação de um reboot! O trabalho de Reeves com seus belos planos e com o desenvolvimento de um ritmo que respeita a gramática do gênero, é exemplar - ele utiliza das nuances da natureza para contrastar a harmonia do mundo dos macacos com o caos e a desesperança de uma sociedade humana devastada. A frase de César "Macaco não mata Macaco", pode até parecer "pronta" demais, mas nesse contexto comparativo ela vem carregada de simbolismo - repare como a direção se aproveita disso para transmitir uma sensação constante de tensão crescente, culminando em um clímax emocionante e devastador.

O roteiro, assinado por Rick Jaffa e Amanda Silver (de "A Origem") com o reforço de Mark Bomback, (de "Em Defesa de Jacob"), traz para a jornada personagens ricos e mais complexos, que tomam decisões moralmente ambíguas. César se desenvolve como um líder carismático e ético, mas que passa a enfrentar os desafios e dúvidas em seu próprio grupo, principalmente com Koba - um macaco traumatizado pelos abusos humanos do passado. Do outro lado, somos apresentados a Malcolm que serve como um contraponto esperançoso ao pragmatismo brutal de Dreyfus (Gary Oldman). A construção desses quatro personagens e a forma como o roteiro explora as nuances das relações entre eles fazem de "O Confronto" uma história capaz de discutir nas entrelinhas, temas como confiança, traição e os perigos latentes do preconceito.

Com uma direção magistral de Matt Reeves, performances marcantes lideradas por Andy Serkis (agora 100% protagonista) e uma narrativa visualmente arrebatadora, com efeitos especiais ainda melhores que do primeiro filme, eu diria que "O Confronto" se consolida como um dos melhores da franquia e que deve ser encarado com um certo destaque na perspectiva do cinema contemporâneo de reinvenção. Esse "Planeta dos Macacos" é mesmo um espetáculo visual, emocionante e reflexivo, que transcende o entretenimento banal para se tornar uma obra profundamente impactante como experiência que vai fazer valer muito o seu play!

Pegue a pipoca e divirta-se!

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Planeta dos Macacos: O Reinado

A longeva (e para alguns já desgastada) franquia "Planeta dos Macacos" retorna com mais um episódio, dessa vez "O Reinado". Dirigido por Wes Ball (de "Maze Runner"), o filme traz uma nova perspectiva ao universo estabelecido na trilogia de César, comandada por Rupert Wyatt e Matt Reeves. Ambientado muitos anos após os eventos de "A Guerra", "Kingdom of the Planet of the Apes" (no original) busca expandir a mitologia da saga, apresentando novos personagens, uma nova sociedade animal e outros dilemas morais em um mundo onde a humanidade se tornou uma sombra do que já foi. Novamente com um visual deslumbrante e uma trama que mantém a essência reflexiva da franquia, "O Reinado" é mais um bom entretenimento para um final de semana chuvoso - ainda que sem a mesma profundidade emocional dos filmes anteriores, vai te divertir!

A história se passa várias gerações após a morte de César, quando os macacos já estabeleceram diferentes comunidades e vivem em uma sociedade onde a hierarquia e o controle são disputados com novas ideologias. Noé (Owen Teague), um jovem macaco pertencente a um clã pacífico, vê sua vida mudar drasticamente quando seu vilarejo é atacado por Proximus César (Kevin Durand), um líder tirânico que distorce o legado do verdadeiro César para justificar sua busca por poder. Durante sua jornada de vingança e autodescoberta, Noé se alia à Nova (Freya Allan), cuja inteligência desafia a crença de que os humanos perderam completamente sua racionalidade. À medida que ambos exploram o mundo em transformação, o filme levanta questionamentos importantes sobre memória histórica, sobre poder e sobre a natureza da liderança sob diversos aspectos. Confira o trailer:

Diferente da trilogia anterior, que acompanhava a evolução filosófica de César e sua busca por coexistência, "O Reinado" adota uma estrutura mais próxima de uma aventura épica. Wes Ball imprime sua assinatura visual, criando um universo realmente grandioso e cheio de detalhes, com cenários impressionantes que mostram tanto a degradação humana quanto a ascensão das civilizações dos macacos. A direção se destaca pelas sequências de ação bem construídas e pelo ritmo que mantém a audiência realmente imersa na jornada do jovem Noé. Ainda assim, a profundidade emocional que marcou os filmes anteriores é diluída em prol de uma narrativa mais convencional de uma jornada do herói versus o tirano que agora é seu semelhante.

O roteiro de Josh Friedman (de "Avatar: O Caminho da Água") até que busca equilibrar bem os elementos de ficção científica com o drama íntimo e assim fortalecer a construção de um novo capítulo da franquia que certamente terá mais desdobramentos. A escolha de explorar um vilão como Proximus César, que manipula o legado de César para seus próprios fins, adiciona elementos interessantes sobre o uso da história para justificar o autoritarismo - uma temática, aliás, que dialoga fortemente com eventos do mundo real, não é mesmo? Contudo, Noé, apesar de ser um protagonista cativante, carece do tempo e de um arco transformador mais forte - algo que César teve durante sua trilogia. Sua jornada é eficiente, porém menos impactante, mas, sinceramente, acho que vale pelo beneficio da dúvida. Quem sabe não estamos sendo precipitados demais em julgar o personagem por um único filme?!

No campo técnico, "O Reinado" supera ainda mais o padrão que já era elevado. Os trabalhos de composição e de captura continuam impressionantes, tornando os macacos incrivelmente mais realistas, especialmente nas expressões faciais e agora com uma movimentação bem mais fluida - e claro que justifica sua indicação para o Oscar de Efeitos Visuais em 2025. A fotografia do húngaro Gyula Pados também merece destaque - ele captura com maestria a grandiosidade dos ambientes naturais e das ruínas de Proximus César, enquanto a trilha sonora de John Paesano complementa toda essa atmosfera épica da narrativa de Ball. O fato é que "Planeta dos Macacos: O Reinado" abre sim um caminho para novas possibilidades dentro desse universo, deixando plots promissores para futuras sequências e quem sabe, para consolidar ainda mais o valor e o poder da franquia!

Especialmente para os fãs da saga, vale muito o seu play!

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A longeva (e para alguns já desgastada) franquia "Planeta dos Macacos" retorna com mais um episódio, dessa vez "O Reinado". Dirigido por Wes Ball (de "Maze Runner"), o filme traz uma nova perspectiva ao universo estabelecido na trilogia de César, comandada por Rupert Wyatt e Matt Reeves. Ambientado muitos anos após os eventos de "A Guerra", "Kingdom of the Planet of the Apes" (no original) busca expandir a mitologia da saga, apresentando novos personagens, uma nova sociedade animal e outros dilemas morais em um mundo onde a humanidade se tornou uma sombra do que já foi. Novamente com um visual deslumbrante e uma trama que mantém a essência reflexiva da franquia, "O Reinado" é mais um bom entretenimento para um final de semana chuvoso - ainda que sem a mesma profundidade emocional dos filmes anteriores, vai te divertir!

A história se passa várias gerações após a morte de César, quando os macacos já estabeleceram diferentes comunidades e vivem em uma sociedade onde a hierarquia e o controle são disputados com novas ideologias. Noé (Owen Teague), um jovem macaco pertencente a um clã pacífico, vê sua vida mudar drasticamente quando seu vilarejo é atacado por Proximus César (Kevin Durand), um líder tirânico que distorce o legado do verdadeiro César para justificar sua busca por poder. Durante sua jornada de vingança e autodescoberta, Noé se alia à Nova (Freya Allan), cuja inteligência desafia a crença de que os humanos perderam completamente sua racionalidade. À medida que ambos exploram o mundo em transformação, o filme levanta questionamentos importantes sobre memória histórica, sobre poder e sobre a natureza da liderança sob diversos aspectos. Confira o trailer:

Diferente da trilogia anterior, que acompanhava a evolução filosófica de César e sua busca por coexistência, "O Reinado" adota uma estrutura mais próxima de uma aventura épica. Wes Ball imprime sua assinatura visual, criando um universo realmente grandioso e cheio de detalhes, com cenários impressionantes que mostram tanto a degradação humana quanto a ascensão das civilizações dos macacos. A direção se destaca pelas sequências de ação bem construídas e pelo ritmo que mantém a audiência realmente imersa na jornada do jovem Noé. Ainda assim, a profundidade emocional que marcou os filmes anteriores é diluída em prol de uma narrativa mais convencional de uma jornada do herói versus o tirano que agora é seu semelhante.

O roteiro de Josh Friedman (de "Avatar: O Caminho da Água") até que busca equilibrar bem os elementos de ficção científica com o drama íntimo e assim fortalecer a construção de um novo capítulo da franquia que certamente terá mais desdobramentos. A escolha de explorar um vilão como Proximus César, que manipula o legado de César para seus próprios fins, adiciona elementos interessantes sobre o uso da história para justificar o autoritarismo - uma temática, aliás, que dialoga fortemente com eventos do mundo real, não é mesmo? Contudo, Noé, apesar de ser um protagonista cativante, carece do tempo e de um arco transformador mais forte - algo que César teve durante sua trilogia. Sua jornada é eficiente, porém menos impactante, mas, sinceramente, acho que vale pelo beneficio da dúvida. Quem sabe não estamos sendo precipitados demais em julgar o personagem por um único filme?!

No campo técnico, "O Reinado" supera ainda mais o padrão que já era elevado. Os trabalhos de composição e de captura continuam impressionantes, tornando os macacos incrivelmente mais realistas, especialmente nas expressões faciais e agora com uma movimentação bem mais fluida - e claro que justifica sua indicação para o Oscar de Efeitos Visuais em 2025. A fotografia do húngaro Gyula Pados também merece destaque - ele captura com maestria a grandiosidade dos ambientes naturais e das ruínas de Proximus César, enquanto a trilha sonora de John Paesano complementa toda essa atmosfera épica da narrativa de Ball. O fato é que "Planeta dos Macacos: O Reinado" abre sim um caminho para novas possibilidades dentro desse universo, deixando plots promissores para futuras sequências e quem sabe, para consolidar ainda mais o valor e o poder da franquia!

Especialmente para os fãs da saga, vale muito o seu play!

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Red: Crescer é Uma Fera

“Red: Crescer É Uma Fera” é uma belíssima e divertida animação sobre crescimento e desafios da adolescência - bem ao "estilo Pixar" (como não poderia ser diferente, mas que se justifica por si só).

Na trama, Mei, uma adolescente de 13 anos que quando fica muito nervosa, agitada, emocionada ou estressada, se transforma em um panda vermelho gigante, e isso só resulta em mais problemas para a jovem. Confira o trailer (dublado):

Como o próprio trailer deixa muito claro, “Red: Crescer É Uma Fera” explora o amadurecimento e as inseguranças dessa fase tão particular da vida de uma garota que sempre foi reprimida pela mãe - e por isso está dividida entre ser a filha obediente ou se permitir ser seu novo "eu", que parece muito mais disposto a viver suas aventuras e emoções. Através dessa transformação incomum, a animação foi muito feliz ao usar de uma inteligente metáfora para discutir os desafios da adolescência e assim explorar o maior conflito interno da protagonista: viver uma vida dupla - já que fora de casa ela esbanja auto-confiança e dentro é como se vivesse em um casulo por medo do que sua mãe possa achar sobre seus gostos, desejos e vontades.

O roteiro além de abordar questões culturais, certamente fará os pais refletirem sobre algumas decisões em relação aos filhos, mas também garantirá aos pequeninos diversão, boas doses de fofura e muito humor genuíno. O público adulto, aliás, também vai se conectar com a história pelo elemento nostálgico, já que Mei usa um bichinho virtual, é apaixonada por uma boys band, os "4-Town" (que lembra bastante N’Sync e Backstreet Boys), além das revistas que logo remetem as famosas "Caprichos".

Dirigido por Domee Shi, que venceu o Oscar por Melhor Curta-Metragem de Animação por ”Bao”, o filme repete um pouco o conceito narrativo das relações entre mães e filhos, por isso percebe-se um certo cuidado nesse tratamento, já que a mãe não soa apenas como alguém autoritária, mas também alguém que ama sua filha e procura da maneira exagerada (como qualquer mãe) manter esse laço familiar tão forte.

O relacionamento "mãe e filha" facilmente vai conectar a audiência, pois o que vemos na tela é o que de fato acontece em muitas famílias - encontrar o equilíbrio perfeito entre uma mãe superprotetora e uma criança que também precisa de momentos de lazer, nem sempre é tarefa das mais fáceis. Sendo assim, como a maioria das animações da Pixar, na reta final a megalomania acaba tomando conta da narrativa e o foco mais certeiro dos primeiros atos, se dissolve em uma aventura mais genérica. Prejudica? Não, mas é um fato. Ainda assim, ”Red: Crescer é Uma Fera” finaliza com uma belíssima mensagem sobre amadurecimento e amor que vale a pena ser apreciada.

Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver

Assista Agora

“Red: Crescer É Uma Fera” é uma belíssima e divertida animação sobre crescimento e desafios da adolescência - bem ao "estilo Pixar" (como não poderia ser diferente, mas que se justifica por si só).

Na trama, Mei, uma adolescente de 13 anos que quando fica muito nervosa, agitada, emocionada ou estressada, se transforma em um panda vermelho gigante, e isso só resulta em mais problemas para a jovem. Confira o trailer (dublado):

Como o próprio trailer deixa muito claro, “Red: Crescer É Uma Fera” explora o amadurecimento e as inseguranças dessa fase tão particular da vida de uma garota que sempre foi reprimida pela mãe - e por isso está dividida entre ser a filha obediente ou se permitir ser seu novo "eu", que parece muito mais disposto a viver suas aventuras e emoções. Através dessa transformação incomum, a animação foi muito feliz ao usar de uma inteligente metáfora para discutir os desafios da adolescência e assim explorar o maior conflito interno da protagonista: viver uma vida dupla - já que fora de casa ela esbanja auto-confiança e dentro é como se vivesse em um casulo por medo do que sua mãe possa achar sobre seus gostos, desejos e vontades.

O roteiro além de abordar questões culturais, certamente fará os pais refletirem sobre algumas decisões em relação aos filhos, mas também garantirá aos pequeninos diversão, boas doses de fofura e muito humor genuíno. O público adulto, aliás, também vai se conectar com a história pelo elemento nostálgico, já que Mei usa um bichinho virtual, é apaixonada por uma boys band, os "4-Town" (que lembra bastante N’Sync e Backstreet Boys), além das revistas que logo remetem as famosas "Caprichos".

Dirigido por Domee Shi, que venceu o Oscar por Melhor Curta-Metragem de Animação por ”Bao”, o filme repete um pouco o conceito narrativo das relações entre mães e filhos, por isso percebe-se um certo cuidado nesse tratamento, já que a mãe não soa apenas como alguém autoritária, mas também alguém que ama sua filha e procura da maneira exagerada (como qualquer mãe) manter esse laço familiar tão forte.

O relacionamento "mãe e filha" facilmente vai conectar a audiência, pois o que vemos na tela é o que de fato acontece em muitas famílias - encontrar o equilíbrio perfeito entre uma mãe superprotetora e uma criança que também precisa de momentos de lazer, nem sempre é tarefa das mais fáceis. Sendo assim, como a maioria das animações da Pixar, na reta final a megalomania acaba tomando conta da narrativa e o foco mais certeiro dos primeiros atos, se dissolve em uma aventura mais genérica. Prejudica? Não, mas é um fato. Ainda assim, ”Red: Crescer é Uma Fera” finaliza com uma belíssima mensagem sobre amadurecimento e amor que vale a pena ser apreciada.

Escrito por Mark Hewes - uma parceria @indiqueipraver

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Relatos do Mundo

Antes de contar um pouco mais sobre o filme, eu peço licença para um comentário: a Academia deveria lançar um "Oscar Vitalício" para o Tom Hanks e assim desconsiderar todo trabalho que o ator fizer daqui para frente, pois todo filme que ele protagoniza (e nem todos tem um roteiro à altura dele) temos uma aula de interpretação! Dito isso, "Relatos do Mundo" é um excelente filme - ele tem a "alma" que pode ter faltado para o "O Céu da Meia-Noite" e mesmo sendo uma ação no velho-oeste e o outro uma ficção pós-apocalíptica, ambos tem elementos narrativos muito similares, que nos prendem à trama e nos movem até o final sem que a gente se dê conta de todas as variáveis que acompanhamos durante a jornada: "levar algo (ou alguém) do ponto A até o ponto B"!

Baseado no romance homônimo de Paulette Jiles, Tom Hanks interpreta o Capitão Jefferson Kyle Kidd, um veterano de guerra que trabalha viajando por diversas cidades pequenas do interior dos Estados Unidos lendo notícias dos principais jornais para uma curiosa população. No caminho entre um vilarejo e outro, Kidd encontra Johanna (Helena Zengel), uma jovem que foi sequestrada pelo povo indígena Kiowa e que não fala nada de inglês. Ele se oferece então, para levar a garota até a casa dos tios, os únicos parentes que sobreviveram ao ataque da tribo vários anos atrás. É nesse contexto, que a dupla inicia uma jornada pelo perigoso deserto texano ainda em ressaca pelo pós-guerra civil, em busca do novo lar para a pequena órfã. Confira o trailer:

Paul Greengrass é um grande diretor, responsável por sucessos como "Capitão Phillips", "Vôo United 93" e "Domingo Sangrento", o que chancela a qualidade em todos os aspectos técnicos e artísticos de "Relatos do Mundo" e, de cara, eu já cito um: a belíssima fotografia (digna de uma indicação ao Oscar) do experiente Dariusz Wolski (de "Perdido em Marte") - é um plano mais bonito que o outro, um equilíbrio entre as lentes abertas para as belas paisagens do deserto e as lentes fechadas para potencializar o trabalho de Tom Hanks e de Helena Zengel (indicada ao Globo de Ouro pela personagem). A trilha sonora do James Newton Howard (também indicado ao Globo de Ouro) cria uma atmosfera de tensão e angustia ao mesmo tempo em que traz a emoção que cenas algumas cenas pedem - é um trabalho belíssimo do compositor que já foi indicado 8 vezes ao Oscar!

Em um filme onde o próprio Tom Hanks compara a trama com a série “The Mandalorian”, onde o protagonista chega em uma região, encontra um desafio, vive uma aventura e parte para o próximo ponto, agora um pouco mais perto do seu objetivo, "Relatos do Mundo" não decepciona! Com um roteiro que aproveita das longas viagens entre as cidades para diminuir o ritmo da ação e estabelecer a relação afetiva entre os personagens, aprofundando suas histórias e criando uma série de camadas bem desenvolvidas, fica muito fácil recomendar o filme, já que agrada os interessados em ação da mesma forma que vai impactar aqueles que buscam um drama nada superficial. O fato é que "Relatos do Mundo" vale o seu play e muita gente vai gostar!

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Antes de contar um pouco mais sobre o filme, eu peço licença para um comentário: a Academia deveria lançar um "Oscar Vitalício" para o Tom Hanks e assim desconsiderar todo trabalho que o ator fizer daqui para frente, pois todo filme que ele protagoniza (e nem todos tem um roteiro à altura dele) temos uma aula de interpretação! Dito isso, "Relatos do Mundo" é um excelente filme - ele tem a "alma" que pode ter faltado para o "O Céu da Meia-Noite" e mesmo sendo uma ação no velho-oeste e o outro uma ficção pós-apocalíptica, ambos tem elementos narrativos muito similares, que nos prendem à trama e nos movem até o final sem que a gente se dê conta de todas as variáveis que acompanhamos durante a jornada: "levar algo (ou alguém) do ponto A até o ponto B"!

Baseado no romance homônimo de Paulette Jiles, Tom Hanks interpreta o Capitão Jefferson Kyle Kidd, um veterano de guerra que trabalha viajando por diversas cidades pequenas do interior dos Estados Unidos lendo notícias dos principais jornais para uma curiosa população. No caminho entre um vilarejo e outro, Kidd encontra Johanna (Helena Zengel), uma jovem que foi sequestrada pelo povo indígena Kiowa e que não fala nada de inglês. Ele se oferece então, para levar a garota até a casa dos tios, os únicos parentes que sobreviveram ao ataque da tribo vários anos atrás. É nesse contexto, que a dupla inicia uma jornada pelo perigoso deserto texano ainda em ressaca pelo pós-guerra civil, em busca do novo lar para a pequena órfã. Confira o trailer:

Paul Greengrass é um grande diretor, responsável por sucessos como "Capitão Phillips", "Vôo United 93" e "Domingo Sangrento", o que chancela a qualidade em todos os aspectos técnicos e artísticos de "Relatos do Mundo" e, de cara, eu já cito um: a belíssima fotografia (digna de uma indicação ao Oscar) do experiente Dariusz Wolski (de "Perdido em Marte") - é um plano mais bonito que o outro, um equilíbrio entre as lentes abertas para as belas paisagens do deserto e as lentes fechadas para potencializar o trabalho de Tom Hanks e de Helena Zengel (indicada ao Globo de Ouro pela personagem). A trilha sonora do James Newton Howard (também indicado ao Globo de Ouro) cria uma atmosfera de tensão e angustia ao mesmo tempo em que traz a emoção que cenas algumas cenas pedem - é um trabalho belíssimo do compositor que já foi indicado 8 vezes ao Oscar!

Em um filme onde o próprio Tom Hanks compara a trama com a série “The Mandalorian”, onde o protagonista chega em uma região, encontra um desafio, vive uma aventura e parte para o próximo ponto, agora um pouco mais perto do seu objetivo, "Relatos do Mundo" não decepciona! Com um roteiro que aproveita das longas viagens entre as cidades para diminuir o ritmo da ação e estabelecer a relação afetiva entre os personagens, aprofundando suas histórias e criando uma série de camadas bem desenvolvidas, fica muito fácil recomendar o filme, já que agrada os interessados em ação da mesma forma que vai impactar aqueles que buscam um drama nada superficial. O fato é que "Relatos do Mundo" vale o seu play e muita gente vai gostar!

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See

See

"See" é uma série pós-apocalíptica com toques medievais! Sim, é contraditório mesmo, assim como é a nossa sensação ao assistir os primeiros episódios disponíveis na AppleTV+. Em alguns momentos você vai amar a série, em outros você vai achar uma tremenda perda de tempo! Do criador de "Peaky Blinders", Steve Knight, e com Jason Momoa como protagonista, "See" trazia a responsabilidade de ser uma espécie de "Game of Thrones" da Apple, com uma produção grandiosa e uma direção competente, tinha tudo para alcançar um patamar de respeito no gênero, porém o roteiro derrapa na sua própria proposta e isso prejudica nossa experiência... até que a história vai melhorando e melhorando...

Quando a humanidade é atingida por um vírus mortal, deixando apenas dois milhões de pessoas vivas e sem a capacidade de enxergar, o retrocesso é tão grande que essa nova civilização precisa de séculos para se adaptar a cegueira e recomeçar com pouco conhecimento, nada de tecnologia e muita crença mitológica. Até que uma jovem aldeã dá a luz a um casal de gêmeos que nascem com a visão normal, porém essa condição passa a ser tratada como heresia pela Rainha desse novo Mundo, criando assim uma verdadeira caça as bruxas afim de eliminar todos que possuem o "dom de enxergar" e possam, de alguma forma, ameaçar o seu reinado. Confira o trailer:

O universo de "See" é interessante, pois cria um contraponto muito bacana entre a época e a capacidade cognitiva - é quase uma nova forma de "enxergar" o desenvolvimento da humanidade, que agora convive com uma limitação física importante e em condições precárias. A série é original por trazer elementos medievais para um cenário pós apocalíptico e nisso o roteiro sai ganhando; o que complica é a falta de uma apresentação mais inteligente - até um lettering inicial estabelecendo aquele universo e suas peculiaridades poderia ajudar a resolver esse problema, desde que a mitologia também fosse desenvolvida e explicada pelos personagens durante os episódios, claro! A minha sensação é que se criou uma mitologia tão complexa que nem a história é capaz de absorver! Um exemplo é o surgimento de personagens que caem de para-quedas e que somem com a mesma velocidade, deixando tantas brechas que incomoda - as "sombras" são um bom exemplo dessa falha de construção. Outra coisa que incomoda é a pressa em passar o tempo até as crianças crescerem. Ok, isso faz a história andar, mas é tão atropelado que até a caracterização falha em estabelecer essa cronologia. Eu sei que a comparação é desleal, mas será inevitável: lembro que a geografia de "Game of Thrones" era extremamente difícil, mas já em toda abertura tínhamos informações de como aquele mundo estava disposto e o que estava mudando - isso nos colocava dentro da história de cara; em "See" fiquei perdido, pois nada criativo me guiou!

O fato dos personagens serem cegos cria uma certa angústia nas cenas (lembra de "Bird Box"?) e isso o time de diretores, sob o comando do Francis Lawrence (de "Jogos Vorazes"), aproveita muito bem. Tanto o dia a dia nas aldeias, quanto as batalhas, são impecáveis e trazem uma dinâmica extremamente original para o gênero até quando o roteiro vacila - o "Haka" no episódio 1 é um bom exemplo, emocionante conceitualmente, mas com o passar do tempo, percebemos que não significa muito para aquele universo - é uma solução apenas visual! A produção também tem suas falhas (muito por causa do roteiro novamente), mas não podemos dizer que é ruim. O Desenho de Produção está impecável, com cenários e locações perfeitas (muito bem fotografada pelo Jo Willems), sem falar dos figurinos - digno de prêmios. 

"See" é realmente inconstante em um primeiro olhar, mas tem algo que nos faz acompanhar aquela jornada mesmo sabendo que sua complexidade é muito mais por uma falta de ajuste dos roteiristas do que pelo mérito de nos provocar a construir um quebra-cabeça digno de um RPG. Ok, com o passar das temporadas tudo melhora, mas será que todos vão ter essa paciência? O fato é que com o tempo realmente passamos a nos importar mais por alguns personagens e, claro, as ótimas batalhas e as cenas de ação também nos mantem ligados e fazem valer nosso tempo. Em resumo, "See" é um bom exemplo de uma série que começou morna, mas que foi se encontrando até nos entregar um final digno de aplausos.

Vale seu play.

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"See" é uma série pós-apocalíptica com toques medievais! Sim, é contraditório mesmo, assim como é a nossa sensação ao assistir os primeiros episódios disponíveis na AppleTV+. Em alguns momentos você vai amar a série, em outros você vai achar uma tremenda perda de tempo! Do criador de "Peaky Blinders", Steve Knight, e com Jason Momoa como protagonista, "See" trazia a responsabilidade de ser uma espécie de "Game of Thrones" da Apple, com uma produção grandiosa e uma direção competente, tinha tudo para alcançar um patamar de respeito no gênero, porém o roteiro derrapa na sua própria proposta e isso prejudica nossa experiência... até que a história vai melhorando e melhorando...

Quando a humanidade é atingida por um vírus mortal, deixando apenas dois milhões de pessoas vivas e sem a capacidade de enxergar, o retrocesso é tão grande que essa nova civilização precisa de séculos para se adaptar a cegueira e recomeçar com pouco conhecimento, nada de tecnologia e muita crença mitológica. Até que uma jovem aldeã dá a luz a um casal de gêmeos que nascem com a visão normal, porém essa condição passa a ser tratada como heresia pela Rainha desse novo Mundo, criando assim uma verdadeira caça as bruxas afim de eliminar todos que possuem o "dom de enxergar" e possam, de alguma forma, ameaçar o seu reinado. Confira o trailer:

O universo de "See" é interessante, pois cria um contraponto muito bacana entre a época e a capacidade cognitiva - é quase uma nova forma de "enxergar" o desenvolvimento da humanidade, que agora convive com uma limitação física importante e em condições precárias. A série é original por trazer elementos medievais para um cenário pós apocalíptico e nisso o roteiro sai ganhando; o que complica é a falta de uma apresentação mais inteligente - até um lettering inicial estabelecendo aquele universo e suas peculiaridades poderia ajudar a resolver esse problema, desde que a mitologia também fosse desenvolvida e explicada pelos personagens durante os episódios, claro! A minha sensação é que se criou uma mitologia tão complexa que nem a história é capaz de absorver! Um exemplo é o surgimento de personagens que caem de para-quedas e que somem com a mesma velocidade, deixando tantas brechas que incomoda - as "sombras" são um bom exemplo dessa falha de construção. Outra coisa que incomoda é a pressa em passar o tempo até as crianças crescerem. Ok, isso faz a história andar, mas é tão atropelado que até a caracterização falha em estabelecer essa cronologia. Eu sei que a comparação é desleal, mas será inevitável: lembro que a geografia de "Game of Thrones" era extremamente difícil, mas já em toda abertura tínhamos informações de como aquele mundo estava disposto e o que estava mudando - isso nos colocava dentro da história de cara; em "See" fiquei perdido, pois nada criativo me guiou!

O fato dos personagens serem cegos cria uma certa angústia nas cenas (lembra de "Bird Box"?) e isso o time de diretores, sob o comando do Francis Lawrence (de "Jogos Vorazes"), aproveita muito bem. Tanto o dia a dia nas aldeias, quanto as batalhas, são impecáveis e trazem uma dinâmica extremamente original para o gênero até quando o roteiro vacila - o "Haka" no episódio 1 é um bom exemplo, emocionante conceitualmente, mas com o passar do tempo, percebemos que não significa muito para aquele universo - é uma solução apenas visual! A produção também tem suas falhas (muito por causa do roteiro novamente), mas não podemos dizer que é ruim. O Desenho de Produção está impecável, com cenários e locações perfeitas (muito bem fotografada pelo Jo Willems), sem falar dos figurinos - digno de prêmios. 

"See" é realmente inconstante em um primeiro olhar, mas tem algo que nos faz acompanhar aquela jornada mesmo sabendo que sua complexidade é muito mais por uma falta de ajuste dos roteiristas do que pelo mérito de nos provocar a construir um quebra-cabeça digno de um RPG. Ok, com o passar das temporadas tudo melhora, mas será que todos vão ter essa paciência? O fato é que com o tempo realmente passamos a nos importar mais por alguns personagens e, claro, as ótimas batalhas e as cenas de ação também nos mantem ligados e fazem valer nosso tempo. Em resumo, "See" é um bom exemplo de uma série que começou morna, mas que foi se encontrando até nos entregar um final digno de aplausos.

Vale seu play.

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Soul

"Soul" é mais uma daquelas animações da Pixar que temos vontade de agradecer assim que ela termina, só pela oportunidade de ter assistido algo tão bacana! A delicadeza como assuntos tão profundos são retratados e a criatividade para transformar cada um dos elementos narrativos em signos que nos ajudam refletir a todo momento, é de uma sabedoria impressionante, embora, e é preciso que se diga, o filme não tenha alcançado o brilhantismo e a originalidade de "Divertidamente" ou de "A Vida é uma Festa" - o que não tem problema algum na verdade. Tenho, inclusive, a impressão que mesmo assim, "Soul" pode ser considerado um dos melhores filmes de 2020, pelo roteiro inteligente e pela qualidade técnica - essa sim, impecável!

Insatisfeito com a sua vida como professor, o sonhador Joe Gardner (Jamie Foxx) tem certeza absoluta que nasceu para ser um astro da música - esse era sua missão! Porém, após inúmeras tentativas fracassadas, sua auto-confiança parece estar tão abalada quanto a enorme pressão que sofre da família para encontrar um trabalho "de verdade". Até que ele recebe a oportunidade de sua vida ao ser convidado para tocar em um show de uma famosa banda de jazz. Acontece que tudo muda quando o Gardner sofre um repentino acidente e morre. Já no mundo astral, ele precisa encontrar uma forma de retornar a Terra para cumprir sua missão e dar um propósito a sua existência e para isso ele vai contar com a ajuda de 22, uma alma que precisa reencarnar, mas que tem verdadeiro pavor de lidar com a possibilidade de voltar a viver.

"Soul" é perfeito tecnicamente! A construção de Nova York chega a impressionar - sério, em vários momentos, não dá para saber se estamos diante de um live-action ou de uma animação, tamanho é o realismo. Outro elemento que me impressionou diz respeito a mixagem: tanto o desenho de som quanto a trilha sonora são tão bem ajustados que eu diria que é justamente eles que criam a dinâmica narrativa que a história pede - as sequências de jazz são de cair o queixo tanto quanto os momentos de silêncio que se equilibram com as músicas mais etéreas e que nos levam até uma outra dimensão. É quase um experiência sensorial - reparem! 

Olha, o filme é sensível, agradável, profundo e super reflexivo, além de muito simpático na composição de cada um dos seus personagens ao melhor "estilo Pixar" - aqui cabe o registro: Jamie Foxx e Tina Fey (22) estão afinadíssimos! "Soul", como o próprio nome sugere, vale muito a pena, pelo que vemos e pelo que sentimos!

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"Soul" é mais uma daquelas animações da Pixar que temos vontade de agradecer assim que ela termina, só pela oportunidade de ter assistido algo tão bacana! A delicadeza como assuntos tão profundos são retratados e a criatividade para transformar cada um dos elementos narrativos em signos que nos ajudam refletir a todo momento, é de uma sabedoria impressionante, embora, e é preciso que se diga, o filme não tenha alcançado o brilhantismo e a originalidade de "Divertidamente" ou de "A Vida é uma Festa" - o que não tem problema algum na verdade. Tenho, inclusive, a impressão que mesmo assim, "Soul" pode ser considerado um dos melhores filmes de 2020, pelo roteiro inteligente e pela qualidade técnica - essa sim, impecável!

Insatisfeito com a sua vida como professor, o sonhador Joe Gardner (Jamie Foxx) tem certeza absoluta que nasceu para ser um astro da música - esse era sua missão! Porém, após inúmeras tentativas fracassadas, sua auto-confiança parece estar tão abalada quanto a enorme pressão que sofre da família para encontrar um trabalho "de verdade". Até que ele recebe a oportunidade de sua vida ao ser convidado para tocar em um show de uma famosa banda de jazz. Acontece que tudo muda quando o Gardner sofre um repentino acidente e morre. Já no mundo astral, ele precisa encontrar uma forma de retornar a Terra para cumprir sua missão e dar um propósito a sua existência e para isso ele vai contar com a ajuda de 22, uma alma que precisa reencarnar, mas que tem verdadeiro pavor de lidar com a possibilidade de voltar a viver.

"Soul" é perfeito tecnicamente! A construção de Nova York chega a impressionar - sério, em vários momentos, não dá para saber se estamos diante de um live-action ou de uma animação, tamanho é o realismo. Outro elemento que me impressionou diz respeito a mixagem: tanto o desenho de som quanto a trilha sonora são tão bem ajustados que eu diria que é justamente eles que criam a dinâmica narrativa que a história pede - as sequências de jazz são de cair o queixo tanto quanto os momentos de silêncio que se equilibram com as músicas mais etéreas e que nos levam até uma outra dimensão. É quase um experiência sensorial - reparem! 

Olha, o filme é sensível, agradável, profundo e super reflexivo, além de muito simpático na composição de cada um dos seus personagens ao melhor "estilo Pixar" - aqui cabe o registro: Jamie Foxx e Tina Fey (22) estão afinadíssimos! "Soul", como o próprio nome sugere, vale muito a pena, pelo que vemos e pelo que sentimos!

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The Last Kingdom

Se você gosta de "Vikings", essa série produzida pela BBC não deixa absolutamente nada a desejar à produção do History Channel. 

Baseada no grande sucesso Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell, "The Last Kingdom" acompanha a jornada do jovem Uhtred (Alexander Dreymon) que foi sequestrado pelos dinamarqueses quando eles invadiram seu reino. Nobre de berço, Uhtred viu toda sua família ser assassinada, mas acabou sendo poupado e  criado como um filho nórdico ao lado de Brida (Emily Cox). Porém a desgraça parece acompanhar Uhtred e quando ele perde sua nova família em um ato de vingança, ele acaba sendo considerado o culpado. Sem chance alguma de explicação e jurado de morte, Uhtred e Brida precisam fugir para o único reino saxão ainda não dominado pelos Vikings: Wessex - comandado pelo aparentemente debilitado Rei Alfredo. Lá, apesar do desgosto de Brida, Uhtred passa a usar seus conhecimentos sobre os hábitos e estratégias dinamarquesas para ajudar o rei, tudo com o propósito egoísta de recuperar Bebbanburg, hoje controlada por seu tio traidor. Confira o trailer (em inglês):

"The Last Kingdom" é realmente muito bom e muito bem realizado - mais uma prova que é possível fazer um produto de qualidade desse gênero, com o cuidado que ele merece, com um roteiro bem trabalhado e sem um custo de produção proibitivo. Embora a história aparente ser complicada demais, cheia de nomes, territórios e deuses, o roteiro trabalha para criar uma linha narrativa quase intuitiva onde uma história vai levando a outra e assim por diante. Tenho a impressão que Vikings é mais dinâmica, mas nem por isso "The Last Kingdom" seja parada, muito pelo contrário, as vezes é até corrida demais, porém não é uma série que aposta em cenas grandiosas como Game of Thrones por exemplo. É uma série de história, não necessariamente de muitas batalhas!

A fotografia e a direção de arte são muito competentes e para quem gosta do gênero, vale muito a pena. Uma informação importante é que a Netflix assumiu a co-produtora a partir da segunda temporada, ou seja, houve um injeção de orçamento o que deu fôlego para, pelo menos, mais 3 temporadas!

Vale seu play!

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Se você gosta de "Vikings", essa série produzida pela BBC não deixa absolutamente nada a desejar à produção do History Channel. 

Baseada no grande sucesso Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell, "The Last Kingdom" acompanha a jornada do jovem Uhtred (Alexander Dreymon) que foi sequestrado pelos dinamarqueses quando eles invadiram seu reino. Nobre de berço, Uhtred viu toda sua família ser assassinada, mas acabou sendo poupado e  criado como um filho nórdico ao lado de Brida (Emily Cox). Porém a desgraça parece acompanhar Uhtred e quando ele perde sua nova família em um ato de vingança, ele acaba sendo considerado o culpado. Sem chance alguma de explicação e jurado de morte, Uhtred e Brida precisam fugir para o único reino saxão ainda não dominado pelos Vikings: Wessex - comandado pelo aparentemente debilitado Rei Alfredo. Lá, apesar do desgosto de Brida, Uhtred passa a usar seus conhecimentos sobre os hábitos e estratégias dinamarquesas para ajudar o rei, tudo com o propósito egoísta de recuperar Bebbanburg, hoje controlada por seu tio traidor. Confira o trailer (em inglês):

"The Last Kingdom" é realmente muito bom e muito bem realizado - mais uma prova que é possível fazer um produto de qualidade desse gênero, com o cuidado que ele merece, com um roteiro bem trabalhado e sem um custo de produção proibitivo. Embora a história aparente ser complicada demais, cheia de nomes, territórios e deuses, o roteiro trabalha para criar uma linha narrativa quase intuitiva onde uma história vai levando a outra e assim por diante. Tenho a impressão que Vikings é mais dinâmica, mas nem por isso "The Last Kingdom" seja parada, muito pelo contrário, as vezes é até corrida demais, porém não é uma série que aposta em cenas grandiosas como Game of Thrones por exemplo. É uma série de história, não necessariamente de muitas batalhas!

A fotografia e a direção de arte são muito competentes e para quem gosta do gênero, vale muito a pena. Uma informação importante é que a Netflix assumiu a co-produtora a partir da segunda temporada, ou seja, houve um injeção de orçamento o que deu fôlego para, pelo menos, mais 3 temporadas!

Vale seu play!

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The Last of Us

Se você ainda não assistiu, dê o play sem o menor receio de errar, mas saiba: muito mais do que uma "série de zumbis", "The Last of Us" é uma jornada de autoconhecimento, emocionalmente carregada de feridas profundas, onde as relações estabelecidas entre os personagens tem muito mais valor do que a mera luta pela sobrevivência ou pela cura da humanidade. Lançada em 2023 pela HBO, a série é uma adaptação do aclamado jogo de videogame da Naughty Dog, criado por Neil Druckmann. Com uma narrativa poderosa e personagens cheios de camadas, "The Last of Us" traz para as telas uma história de redenção em um mundo pós-apocalíptico que nos envolve do inicio ao fim! Desenvolvida por Craig Mazin (a mente criativa por trás de "Chernobyl") e pelo próprio Neil Druckmann, a série consegue capturar a essência do jogo ao mesmo tempo que expande as possibilidades dramáticas, oferecendo uma experiência cinematográfica intensa e emocionalmente, de fato, ressonante. Imperdível!

A trama se passa em uma realidade onde parte da humanidade foi dizimada por uma infecção fúngica que transforma pessoas em uma espécie de zumbi. Joel (Pedro Pascal), um sobrevivente que carrega a dor de ter perdido sua filha adolescente, é incumbido de proteger Ellie (Bella Ramsey), uma jovem que pode ser a chave para encontrar uma cura. A série segue sua perigosa jornada através de um Estados Unidos devastado, explorando os laços que se formam na busca por um bem maior e os sacrifícios feitos em troca de alguma esperança. Confira o trailer:

Mazin e Druckmann trazem para "The Last of Us" uma jornada sensível diante do caos que é 'viver sob uma ameaça invisível - algo que parecia distante, mas que, nas devidas proporções, experienciamos durante a pandemia. Acontece que aqui o invisível vai ganhando forma e o horror do inexplicável se transforma em algo ainda mais assustador. Embora a série nos entregue uma fotografia deslumbrante e grandiosa das paisagens devastadas de um EUA irreconhecível, é na intimidade das interações humanas (e na sua constante tensão) que a série muda de patamar. As cores sombrias e a iluminação naturalista extremamente recortada pelas intervenções externas da destruição, criam uma atmosfera tão opressiva quanto autêntica que acaba nos envolvendo em uma realidade brutal de um mundo pós-apocalíptico que nem parece tão absurdo assim - e esse fator mais, digamos, palpável diante do que em outros tempos parecia apenas ficção, é que se torna essencial para nossa imersão pela cruzada de Joel e Ellie. E olha, de certa forma foi assim do videogame, e agora só potencializou na série.

O roteiro é fiel ao material original e o conceito visual, idem. Mas é preciso dizer que a série também oferece novas camadas de profundidade aos personagens e ao mundo que nos é apresentado. Mazin e Druckmann sabem equilibrar a luta pela vida, em vários momentos de ação, com pausas introspectivas, poéticas até, que exploram temas como a dor e as marcas da perda, sugerindo um olhar de esperança e de fé na humanidade. É interessante como essa premissa mais sensível do roteiro impacta em diálogos mais afiados e cheios de subtexto, fugindo um pouco do gênero "sobrevivência" para refletir as complexidades das relações entre os personagens e os dilemas morais que cada um deles enfrentam durante a jornada. Pedro Pascal captura a dureza quase bronca de Joel com a vulnerabilidade interior de um pai marcado por uma tragédia - sua intensidade emocional torna seu personagem uma figura profundamente empática. Já Bella Ramsey traz uma mistura de coragem, inocência e determinação, sempre com um toque de ironia para não dizer, de deboche. Mas é a química entre os dois que deixa tudo ainda mais real, formando uma conexão emocional entre a audiência e a série que chama atenção desde o primeiro episódio.

"The Last of Us" não está isenta de críticas. Algumas pessoas podem achar que a série, em sua fidelidade ao jogo, é previsível demais. Eu discordo. Claro que a história é a mesma, alguns enquadramentos e várias sequências são praticamente uma cópia em live-action, mas a série traz uma intensidade emocional diferente, mais contemplativa até, e a violência gráfica que encontramos no jogo, na minha opinião, está ainda melhor aqui. O fato é que "The Last of Us" é uma adaptação notável, que consegue honrar o legado do jogo e ainda oferecer uma experiência cinematográfica envolvente e profunda -  uma exploração poderosa da condição humana em face da adversidade extrema, destacando os laços que nos definem e os sacrifícios que fazemos por aqueles que amamos. Sem dúvida, uma das melhores produções realizadas nos últimos anos!

"The Last of Us" ganhou 8 Emmys em 2023 depois de receber, surpreendentes, 24 indicações!

Vale muito o seu play!

Assista Agora

Se você ainda não assistiu, dê o play sem o menor receio de errar, mas saiba: muito mais do que uma "série de zumbis", "The Last of Us" é uma jornada de autoconhecimento, emocionalmente carregada de feridas profundas, onde as relações estabelecidas entre os personagens tem muito mais valor do que a mera luta pela sobrevivência ou pela cura da humanidade. Lançada em 2023 pela HBO, a série é uma adaptação do aclamado jogo de videogame da Naughty Dog, criado por Neil Druckmann. Com uma narrativa poderosa e personagens cheios de camadas, "The Last of Us" traz para as telas uma história de redenção em um mundo pós-apocalíptico que nos envolve do inicio ao fim! Desenvolvida por Craig Mazin (a mente criativa por trás de "Chernobyl") e pelo próprio Neil Druckmann, a série consegue capturar a essência do jogo ao mesmo tempo que expande as possibilidades dramáticas, oferecendo uma experiência cinematográfica intensa e emocionalmente, de fato, ressonante. Imperdível!

A trama se passa em uma realidade onde parte da humanidade foi dizimada por uma infecção fúngica que transforma pessoas em uma espécie de zumbi. Joel (Pedro Pascal), um sobrevivente que carrega a dor de ter perdido sua filha adolescente, é incumbido de proteger Ellie (Bella Ramsey), uma jovem que pode ser a chave para encontrar uma cura. A série segue sua perigosa jornada através de um Estados Unidos devastado, explorando os laços que se formam na busca por um bem maior e os sacrifícios feitos em troca de alguma esperança. Confira o trailer:

Mazin e Druckmann trazem para "The Last of Us" uma jornada sensível diante do caos que é 'viver sob uma ameaça invisível - algo que parecia distante, mas que, nas devidas proporções, experienciamos durante a pandemia. Acontece que aqui o invisível vai ganhando forma e o horror do inexplicável se transforma em algo ainda mais assustador. Embora a série nos entregue uma fotografia deslumbrante e grandiosa das paisagens devastadas de um EUA irreconhecível, é na intimidade das interações humanas (e na sua constante tensão) que a série muda de patamar. As cores sombrias e a iluminação naturalista extremamente recortada pelas intervenções externas da destruição, criam uma atmosfera tão opressiva quanto autêntica que acaba nos envolvendo em uma realidade brutal de um mundo pós-apocalíptico que nem parece tão absurdo assim - e esse fator mais, digamos, palpável diante do que em outros tempos parecia apenas ficção, é que se torna essencial para nossa imersão pela cruzada de Joel e Ellie. E olha, de certa forma foi assim do videogame, e agora só potencializou na série.

O roteiro é fiel ao material original e o conceito visual, idem. Mas é preciso dizer que a série também oferece novas camadas de profundidade aos personagens e ao mundo que nos é apresentado. Mazin e Druckmann sabem equilibrar a luta pela vida, em vários momentos de ação, com pausas introspectivas, poéticas até, que exploram temas como a dor e as marcas da perda, sugerindo um olhar de esperança e de fé na humanidade. É interessante como essa premissa mais sensível do roteiro impacta em diálogos mais afiados e cheios de subtexto, fugindo um pouco do gênero "sobrevivência" para refletir as complexidades das relações entre os personagens e os dilemas morais que cada um deles enfrentam durante a jornada. Pedro Pascal captura a dureza quase bronca de Joel com a vulnerabilidade interior de um pai marcado por uma tragédia - sua intensidade emocional torna seu personagem uma figura profundamente empática. Já Bella Ramsey traz uma mistura de coragem, inocência e determinação, sempre com um toque de ironia para não dizer, de deboche. Mas é a química entre os dois que deixa tudo ainda mais real, formando uma conexão emocional entre a audiência e a série que chama atenção desde o primeiro episódio.

"The Last of Us" não está isenta de críticas. Algumas pessoas podem achar que a série, em sua fidelidade ao jogo, é previsível demais. Eu discordo. Claro que a história é a mesma, alguns enquadramentos e várias sequências são praticamente uma cópia em live-action, mas a série traz uma intensidade emocional diferente, mais contemplativa até, e a violência gráfica que encontramos no jogo, na minha opinião, está ainda melhor aqui. O fato é que "The Last of Us" é uma adaptação notável, que consegue honrar o legado do jogo e ainda oferecer uma experiência cinematográfica envolvente e profunda -  uma exploração poderosa da condição humana em face da adversidade extrema, destacando os laços que nos definem e os sacrifícios que fazemos por aqueles que amamos. Sem dúvida, uma das melhores produções realizadas nos últimos anos!

"The Last of Us" ganhou 8 Emmys em 2023 depois de receber, surpreendentes, 24 indicações!

Vale muito o seu play!

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The Mandalorian

"The Mandalorian" é sem dúvida o maior acerto do Universo "Stars Wars" em muito tempo! A série da Disney+ foi capaz de captar a essência, tanto visual quanto narrativa, que parecia estar perdida em uma sequência de equívocos que colocaram em dúvida a capacidade da própria Disney em perpetuar uma franquia de sucesso e com tantos fãs - e mais uma vez, o streaming parece ter conseguido colocar o conceito criativo do próprio George Lucas nos eixos logo na estreia!

Ambientada na linha do tempo de "Star Wars" entre a "Era da Rebelião" de "Retorno de Jedi", cinco anos após a queda do Império, e a "Era da Resistência", 25 anos antes da ascensão da Primeira Ordem de "O Despertar da Força", "The Mandalorian" mostra a derrocada do Império quando a Galáxia se torna uma terra de ninguém, caótica, repleta de caçadores de recompensas, entre eles, o próprio "Mando" - como é conhecido por onde passa.

Com uma estrutura narrativa bem próxima de um "procedural", com episódios independentes entre si, que focam em uma nova missão do protagonista por semana, a trama traz uma arco maior muito interessante e que funciona como linha condutora para unir, de certa forma, toda temporada: o Mandalorian precisa proteger uma criatura chamada de "The Child", que também ficou conhecida como "Baby Yoda" -  aqui cabe uma observação importante:  ele não é o Mestre Yoda de Star Wars, eles são somente da mesma espécie e pertencem a uma ordem de "feiticeiros" conhecida como Jedi (assim se explica na primeira temporada)! Vamos ao trailer:

É natural uma certa confusão inicial para aqueles que não seguem o Universo Star Wars quase como uma religião - de fato, faltam referências mais óbvias para estabelecer o momento exato na linha do tempo e, vou além, para apresentar as peculiaridades daqueles personagens. Porém, quem tem algum conhecimento dos três primeiros filmes da franquia, ou melhor, os episódios IV, V e VI; facilmente embarca na jornada do personagem justamente pelo alinhamento conceitual que o diretorJon Favreau conseguiu recuperar.  

Claramente inspirado nos filmes de western, "The Mandalorian" equilibra muito bem aquela ficção cientifica raiz com a ação e os tiroteios do "velho oeste", em troca de algumas moedas. Não que os próprios filmes da franquia também não possuam essa inspiração, mas aqui é tudo mais claro - não existe (pelo menos por enquanto) a necessidade do protagonista se tornar algo maior ou importante demais para todo o universo: o foco é sobreviver de pequenos bicos enquanto tenta se livrar do "Baby Yoda".

Como em "WandaVision", a série original do Disney+ também não economiza na produção e muito menos relativiza os aspectos os aspectos técnicos e artistisicos por se tratar de um projeto para o streaming - isso não existe mais e aqui temos outra prova desse posicionamento! Desde os efeitos especiais, passando pela trilha sonora, edição de som, fotografia, desenho de produção, enquadramentos e até as coreografias das cenas de ação que são deslumbrantes, tudo tem nível de blockbuster! Então, se você é fã de Star Wars, claro que a série é imperdível, mas caso você queira iniciar essa jornada eu sugiro: assista os filmes I, II, III, IV, V e VI e depois venha voando para "The Mandalorian"!

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"The Mandalorian" é sem dúvida o maior acerto do Universo "Stars Wars" em muito tempo! A série da Disney+ foi capaz de captar a essência, tanto visual quanto narrativa, que parecia estar perdida em uma sequência de equívocos que colocaram em dúvida a capacidade da própria Disney em perpetuar uma franquia de sucesso e com tantos fãs - e mais uma vez, o streaming parece ter conseguido colocar o conceito criativo do próprio George Lucas nos eixos logo na estreia!

Ambientada na linha do tempo de "Star Wars" entre a "Era da Rebelião" de "Retorno de Jedi", cinco anos após a queda do Império, e a "Era da Resistência", 25 anos antes da ascensão da Primeira Ordem de "O Despertar da Força", "The Mandalorian" mostra a derrocada do Império quando a Galáxia se torna uma terra de ninguém, caótica, repleta de caçadores de recompensas, entre eles, o próprio "Mando" - como é conhecido por onde passa.

Com uma estrutura narrativa bem próxima de um "procedural", com episódios independentes entre si, que focam em uma nova missão do protagonista por semana, a trama traz uma arco maior muito interessante e que funciona como linha condutora para unir, de certa forma, toda temporada: o Mandalorian precisa proteger uma criatura chamada de "The Child", que também ficou conhecida como "Baby Yoda" -  aqui cabe uma observação importante:  ele não é o Mestre Yoda de Star Wars, eles são somente da mesma espécie e pertencem a uma ordem de "feiticeiros" conhecida como Jedi (assim se explica na primeira temporada)! Vamos ao trailer:

É natural uma certa confusão inicial para aqueles que não seguem o Universo Star Wars quase como uma religião - de fato, faltam referências mais óbvias para estabelecer o momento exato na linha do tempo e, vou além, para apresentar as peculiaridades daqueles personagens. Porém, quem tem algum conhecimento dos três primeiros filmes da franquia, ou melhor, os episódios IV, V e VI; facilmente embarca na jornada do personagem justamente pelo alinhamento conceitual que o diretorJon Favreau conseguiu recuperar.  

Claramente inspirado nos filmes de western, "The Mandalorian" equilibra muito bem aquela ficção cientifica raiz com a ação e os tiroteios do "velho oeste", em troca de algumas moedas. Não que os próprios filmes da franquia também não possuam essa inspiração, mas aqui é tudo mais claro - não existe (pelo menos por enquanto) a necessidade do protagonista se tornar algo maior ou importante demais para todo o universo: o foco é sobreviver de pequenos bicos enquanto tenta se livrar do "Baby Yoda".

Como em "WandaVision", a série original do Disney+ também não economiza na produção e muito menos relativiza os aspectos os aspectos técnicos e artistisicos por se tratar de um projeto para o streaming - isso não existe mais e aqui temos outra prova desse posicionamento! Desde os efeitos especiais, passando pela trilha sonora, edição de som, fotografia, desenho de produção, enquadramentos e até as coreografias das cenas de ação que são deslumbrantes, tudo tem nível de blockbuster! Então, se você é fã de Star Wars, claro que a série é imperdível, mas caso você queira iniciar essa jornada eu sugiro: assista os filmes I, II, III, IV, V e VI e depois venha voando para "The Mandalorian"!

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Toy Story 4

Tem franquias que não deveriam ter um fim!

Fiz questão de começar o review dessa forma para deixar bem claro que "Toy Story" vai muito além dos 4 filmes que a Pixar (e agora Disney) produziu! "Toy Story" representa uma mudança de paradigmas na animação (desde 1995), claro, mas talvez seu maior valor esteja na maneira como cada uma das 4 histórias foram criadas, contadas e consumidas por toda uma geração que aprendeu que os "valores" estão inseridos desde as pequenas atitudes até as grandes conquistas... Que esses "valores" não são um "fim" e sim um caminho que vale muito a pena ser percorrido ao lado das pessoas (ou brinquedos) que amaramos na construção do nosso caráter!!!

"Toy Story 4" mais uma vez nos faz refletir sobre a importância dessas pequenas conquistas e o quanto ela pode representar no nosso desenvolvimento como ser humano! "Toy Story 4" apresenta Bonnie, uma simpática e adorável criança (e é incrível como nos entregamos à ela - nem parece que estamos falando de uma animação, dada a qualidade emocional que os animadores e roteiristas aplicaram na personagem) que está a caminho do seu primeiro dia na escola. Todo receio de enfrentar essa nova situação é jogada na nossa cara de uma maneira muito real: toda a relação com seus pais, a vontade de se apegar a algum brinquedo como necessidade de estar ao lado de algo conhecido e seguro nessa jornada de descobertas e até a apresentação da primeira professora e daquele novo mundo que vai acompanha-la por muito tempo durante a vida. Confira o trailer:

É muito bacana que já na primeira atividade na sala de aula, Bonnie cria o simpático e descompensado "Garfinho". Nessa atividade solitária de artesanato, Bonnie estabelece sua identificação com o novo personagem e é inacreditável como passamos a nos importar com eles. Woody que não quis deixar Bonnie ir sozinha para escola, chega a duvidar se aquela "colagem" poderia mesmo representar algo para ela  e quando ele percebe que aquele garfo plástico também tem vida (e sentimento), mesmo não sendo um brinquedo, tudo muda! "Garfinho" representa tudo que foge do padrão, do "status quo", mas que aos olhos de uma criança, não importa, afinal as crianças não se preocupam com isso e sim com a magia de ter algo que represente algo verdadeiro para elas, mesmo que lúdico! A alegria da criança está na simplicidade e na inocência - "Slapt", tapa na cara!

A história mostra a jornada de Woody para provar que o "Garfinho" é realmente importante para Bonnie. Só que as coisas começam a sair do controle quando, em uma viagem, o "Garfinho" resolve fugir por acreditar que o melhor lugar para ele seria o lixo - afinal ele não é um brinquedo de verdade e foi de lá que ele saiu ("Slapt" de novo!). Entendendo a importância do novo "brinquedinho" de Bonnie, Woody enfrenta os mais diferentes desafios dentro de um "Antiquário" repleto de elementos "assustadores" para recuperar o bendito "Garfinho" antes mesmo que Bonnie se dê conta do seu desaparecimento definitivo. Mas "crianças perdem brinquedos a todo momento!" - essa frase é repetida várias vezes durante o filme, mas não justifica ou não conforta o sentimento de Woody perante aquela simpática criaturinha!!! Woody nunca deixa um brinquedo para trás, certo? É incrível como as metáforas são colocadas em todos os momentos durante o filme e isso, por si só, já credencia "Toy Story 4" como um dos grandes filmes do ano! Soma-se a isso uma animação de cair o queixo, principalmente nas cenas dentro do "Antiquário" cheio de teias de aranha e poeira; e das cenas noturnas do parque de diversão!!! A luz desfocada em segundo plano parece de verdade de tão perfeita que está. É realmente lindo!!!!

O fato é que a franquia "Toy Story" foi se reinventando (para nossa surpresa) e nos provocando para olhar o mundo de uma outra forma, sem vacilar um frame no que tem de mais importante, na sua essência: uma boa história, uma história com alma! "Toy Story 4" não foge disso, é uma aula de storyteling e de representatividade, mas sem levantar nenhuma bandeira, apenas tratando seu propósito com verdade e paixão! 

Não deixe de assistir com seu filhos, sozinho, com a namorada... e prepare-se para enxugar aquela lágrima que vai teimar em cair! Vale muito a pena!!!!!

Up-date: "Toy Story 4" ganhou em uma categoria no Oscar 2020: Melhor Animação!

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Tem franquias que não deveriam ter um fim!

Fiz questão de começar o review dessa forma para deixar bem claro que "Toy Story" vai muito além dos 4 filmes que a Pixar (e agora Disney) produziu! "Toy Story" representa uma mudança de paradigmas na animação (desde 1995), claro, mas talvez seu maior valor esteja na maneira como cada uma das 4 histórias foram criadas, contadas e consumidas por toda uma geração que aprendeu que os "valores" estão inseridos desde as pequenas atitudes até as grandes conquistas... Que esses "valores" não são um "fim" e sim um caminho que vale muito a pena ser percorrido ao lado das pessoas (ou brinquedos) que amaramos na construção do nosso caráter!!!

"Toy Story 4" mais uma vez nos faz refletir sobre a importância dessas pequenas conquistas e o quanto ela pode representar no nosso desenvolvimento como ser humano! "Toy Story 4" apresenta Bonnie, uma simpática e adorável criança (e é incrível como nos entregamos à ela - nem parece que estamos falando de uma animação, dada a qualidade emocional que os animadores e roteiristas aplicaram na personagem) que está a caminho do seu primeiro dia na escola. Todo receio de enfrentar essa nova situação é jogada na nossa cara de uma maneira muito real: toda a relação com seus pais, a vontade de se apegar a algum brinquedo como necessidade de estar ao lado de algo conhecido e seguro nessa jornada de descobertas e até a apresentação da primeira professora e daquele novo mundo que vai acompanha-la por muito tempo durante a vida. Confira o trailer:

É muito bacana que já na primeira atividade na sala de aula, Bonnie cria o simpático e descompensado "Garfinho". Nessa atividade solitária de artesanato, Bonnie estabelece sua identificação com o novo personagem e é inacreditável como passamos a nos importar com eles. Woody que não quis deixar Bonnie ir sozinha para escola, chega a duvidar se aquela "colagem" poderia mesmo representar algo para ela  e quando ele percebe que aquele garfo plástico também tem vida (e sentimento), mesmo não sendo um brinquedo, tudo muda! "Garfinho" representa tudo que foge do padrão, do "status quo", mas que aos olhos de uma criança, não importa, afinal as crianças não se preocupam com isso e sim com a magia de ter algo que represente algo verdadeiro para elas, mesmo que lúdico! A alegria da criança está na simplicidade e na inocência - "Slapt", tapa na cara!

A história mostra a jornada de Woody para provar que o "Garfinho" é realmente importante para Bonnie. Só que as coisas começam a sair do controle quando, em uma viagem, o "Garfinho" resolve fugir por acreditar que o melhor lugar para ele seria o lixo - afinal ele não é um brinquedo de verdade e foi de lá que ele saiu ("Slapt" de novo!). Entendendo a importância do novo "brinquedinho" de Bonnie, Woody enfrenta os mais diferentes desafios dentro de um "Antiquário" repleto de elementos "assustadores" para recuperar o bendito "Garfinho" antes mesmo que Bonnie se dê conta do seu desaparecimento definitivo. Mas "crianças perdem brinquedos a todo momento!" - essa frase é repetida várias vezes durante o filme, mas não justifica ou não conforta o sentimento de Woody perante aquela simpática criaturinha!!! Woody nunca deixa um brinquedo para trás, certo? É incrível como as metáforas são colocadas em todos os momentos durante o filme e isso, por si só, já credencia "Toy Story 4" como um dos grandes filmes do ano! Soma-se a isso uma animação de cair o queixo, principalmente nas cenas dentro do "Antiquário" cheio de teias de aranha e poeira; e das cenas noturnas do parque de diversão!!! A luz desfocada em segundo plano parece de verdade de tão perfeita que está. É realmente lindo!!!!

O fato é que a franquia "Toy Story" foi se reinventando (para nossa surpresa) e nos provocando para olhar o mundo de uma outra forma, sem vacilar um frame no que tem de mais importante, na sua essência: uma boa história, uma história com alma! "Toy Story 4" não foge disso, é uma aula de storyteling e de representatividade, mas sem levantar nenhuma bandeira, apenas tratando seu propósito com verdade e paixão! 

Não deixe de assistir com seu filhos, sozinho, com a namorada... e prepare-se para enxugar aquela lágrima que vai teimar em cair! Vale muito a pena!!!!!

Up-date: "Toy Story 4" ganhou em uma categoria no Oscar 2020: Melhor Animação!

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Um Lugar Silencioso: Dia Um

Esse é um filme que divide opiniões, especialmente se as expectativas não estiverem muito bem alinhadas. Veja, é preciso olhar para "Um Lugar Silencioso: Dia Um" como uma peça de um jogo mais elaborado - com uma estrutura conceitual muito parecida com "Cloverfield", por exemplo, ou seja, você não vai encontrar todas as respostas aqui, mas vai se divertir com um ótimo entretenimento que mistura ficção científica com algum drama. "A Quiet Place: Day One", no original, dirigido por Michael Sarnoski (de "Pig: A Vingança"), expande o universo tenso e aterrorizante criado por John Krasinski, porém com um olhar para os eventos que precederam o filme original. Este prelúdio aprofunda o impacto inicial da invasão das criaturas sensíveis ao som, proporcionando um mergulho visceral e emocional em um dos dias mais caóticos e desesperadores da humanidade. Assim como em "Bird Box" e até como em "Last of Us", o filme explora a fragilidade humana diante de uma invasão repentina e incompreensível, equilibrando momentos de angustia com uma incansável luta pela sobrevivência.

A história acompanha Samira (Lupita Nyong'o), uma mulher doente e solitária, que precisa lidar com o caos de Nova York enquanto o pânico inicial pela chegada das criaturas alienígenas se desenrola, capturando a devastação do primeiro dia da invasão. Embora se conecte tematicamente aos dois primeiros filmes da franquia, "Dia Um" funciona como uma narrativa independente, explorando o impacto local ao horror avassalador de um mundo subitamente silencioso. O foco está na luta para compreender o novo e assim sobreviver em um ambiente onde o menor ruído pode significar morte certa. Confira o trailer:

Michael Sarnoski traz uma abordagem intimista e emocional para o gênero de ficção científica, enquanto respeita os elementos de suspense que definiram a franquia. Sua direção se concentra em momentos de certa vulnerabilidade e coragem de Samira, utilizando o caos para explorar as escolhas morais e emocionais feitas sob extrema pressão. O resultado é um filme que é ao mesmo tempo um espetáculo visual aterrorizante e uma meditação "silenciosa" sobre a resiliência humana. A estética de "Dia Um" reflete o estilo de seus predecessores, mas com uma escala ampliada para capturar a devastação de Nova York. As cenas de destruição e de ação são realizadas com precisão técnica e visual, equilibrando a gramática do suspense com as explosões de terror e adrenalina. A direção de fotografia de Pat Scola (companheiro de Sarnoski em "Pig" ) transita entre a câmera fixa e uma mais nervosa, para criar uma atmosfera claustrofóbica, muitas vezes próxima aos personagens, amplificando a sensação de perigo iminente.

O som, como esperado, desempenha um papel crucial na narrativa. A trilha sonora é utilizada com parcimônia, deixando que o silêncio e o som ambiente dominem o espaço. O design de som é meticuloso nesse sentido, já que é ele que pontua e destaca o impacto aterrador de cada ruído - sério, é angustiante, uma tensão constante. Esse domínio técnico permite que "Um Lugar Silencioso: Dia Um"mantenha a audiência à beira da cadeira, transformando a falta de som em uma ferramenta narrativa tão poderosa quanto as próprias criaturas. Lupita Nyong'o entrega uma interpretação convincente que ancora esse tipo de terror com emoções reais. Nyong'o e Joseph Quinn, como Erick, são humanos, com medos, dúvidas e até momentos de heroísmo, o que permite uma certa conecção com suas lutas e triunfos. Embora menos focado em um núcleo familiar, como os dois primeiros filmes, "Dia Um" expande o universo explorando outras perspectivas e histórias de sobrevivência - se não com tanto brilho, pelo menos como um ótimo entretenimento.

"Um Lugar Silencioso" é uma franquia de regras muito bem estabelecidas, onde, desde a primeira cena do filme original, já sabemos que o menor barulho pode ser fatal para qualquer personagem. Dito isso, a repetição da experiência sensorial proposta por Krasinski em 2018 é mais que suficiente para fazer com que esse prelúdio funcione bem, mesmo que alguns ainda busquem maiores explicações canônicas para a invasão alienígena - o que não é o melhor caminho, já que o que vale aqui é a luta pela sobrevivência e só!

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Esse é um filme que divide opiniões, especialmente se as expectativas não estiverem muito bem alinhadas. Veja, é preciso olhar para "Um Lugar Silencioso: Dia Um" como uma peça de um jogo mais elaborado - com uma estrutura conceitual muito parecida com "Cloverfield", por exemplo, ou seja, você não vai encontrar todas as respostas aqui, mas vai se divertir com um ótimo entretenimento que mistura ficção científica com algum drama. "A Quiet Place: Day One", no original, dirigido por Michael Sarnoski (de "Pig: A Vingança"), expande o universo tenso e aterrorizante criado por John Krasinski, porém com um olhar para os eventos que precederam o filme original. Este prelúdio aprofunda o impacto inicial da invasão das criaturas sensíveis ao som, proporcionando um mergulho visceral e emocional em um dos dias mais caóticos e desesperadores da humanidade. Assim como em "Bird Box" e até como em "Last of Us", o filme explora a fragilidade humana diante de uma invasão repentina e incompreensível, equilibrando momentos de angustia com uma incansável luta pela sobrevivência.

A história acompanha Samira (Lupita Nyong'o), uma mulher doente e solitária, que precisa lidar com o caos de Nova York enquanto o pânico inicial pela chegada das criaturas alienígenas se desenrola, capturando a devastação do primeiro dia da invasão. Embora se conecte tematicamente aos dois primeiros filmes da franquia, "Dia Um" funciona como uma narrativa independente, explorando o impacto local ao horror avassalador de um mundo subitamente silencioso. O foco está na luta para compreender o novo e assim sobreviver em um ambiente onde o menor ruído pode significar morte certa. Confira o trailer:

Michael Sarnoski traz uma abordagem intimista e emocional para o gênero de ficção científica, enquanto respeita os elementos de suspense que definiram a franquia. Sua direção se concentra em momentos de certa vulnerabilidade e coragem de Samira, utilizando o caos para explorar as escolhas morais e emocionais feitas sob extrema pressão. O resultado é um filme que é ao mesmo tempo um espetáculo visual aterrorizante e uma meditação "silenciosa" sobre a resiliência humana. A estética de "Dia Um" reflete o estilo de seus predecessores, mas com uma escala ampliada para capturar a devastação de Nova York. As cenas de destruição e de ação são realizadas com precisão técnica e visual, equilibrando a gramática do suspense com as explosões de terror e adrenalina. A direção de fotografia de Pat Scola (companheiro de Sarnoski em "Pig" ) transita entre a câmera fixa e uma mais nervosa, para criar uma atmosfera claustrofóbica, muitas vezes próxima aos personagens, amplificando a sensação de perigo iminente.

O som, como esperado, desempenha um papel crucial na narrativa. A trilha sonora é utilizada com parcimônia, deixando que o silêncio e o som ambiente dominem o espaço. O design de som é meticuloso nesse sentido, já que é ele que pontua e destaca o impacto aterrador de cada ruído - sério, é angustiante, uma tensão constante. Esse domínio técnico permite que "Um Lugar Silencioso: Dia Um"mantenha a audiência à beira da cadeira, transformando a falta de som em uma ferramenta narrativa tão poderosa quanto as próprias criaturas. Lupita Nyong'o entrega uma interpretação convincente que ancora esse tipo de terror com emoções reais. Nyong'o e Joseph Quinn, como Erick, são humanos, com medos, dúvidas e até momentos de heroísmo, o que permite uma certa conecção com suas lutas e triunfos. Embora menos focado em um núcleo familiar, como os dois primeiros filmes, "Dia Um" expande o universo explorando outras perspectivas e histórias de sobrevivência - se não com tanto brilho, pelo menos como um ótimo entretenimento.

"Um Lugar Silencioso" é uma franquia de regras muito bem estabelecidas, onde, desde a primeira cena do filme original, já sabemos que o menor barulho pode ser fatal para qualquer personagem. Dito isso, a repetição da experiência sensorial proposta por Krasinski em 2018 é mais que suficiente para fazer com que esse prelúdio funcione bem, mesmo que alguns ainda busquem maiores explicações canônicas para a invasão alienígena - o que não é o melhor caminho, já que o que vale aqui é a luta pela sobrevivência e só!

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Viva - A Vida é uma Festa

"Viva - A Vida é uma Festa" é um jornada tão agradável que torcemos (e muito) para o filme nunca acabar - mesmo que tenhamos que lidar com os sentimentos mais escondidos (e muitas vezes doloridos) dentro de nós. Sim, não é um caminho emocionalmente dos mais fáceis, mas eu diria que mesmo assim é uma delicia ter lidar com o sentimento da saudade por uma perspectiva tão acolhedora e humana quanto essa! 

Apesar de a música ter sido banida há algumas gerações em sua família, Miguel (Anthony Gonzalez) sonha em se tornar um grande músico como seu ídolo, Ernesto de la Cruz (Benjamin Bratt). Desesperado para provar o seu talento, Miguel acaba sendo levado para o "Mundo dos Mortos" onde conhece um encantador trapaceiro chamado Hector (Gael García Bernal), e juntos eles partem em uma jornada extraordinária para descobrir a verdade por trás da história da família de Miguel.

De fato, o roteiro não é tão original ou criativo quanto "Divertidamente", mas certamente é uma das mensagens mais bonitas (e generosas) que um filme que Pixar já produziu - além de um visual incrivelmente lindo! Digno de Oscar! Vale dizer que "Viva - A Vida é uma Festa" foi dirigido por uma das mentes mais criativas da Disney/Pixar: Lee Unkrich de "Toy Story 3" e codirigido por Adrian Molina (story artist de “Universidade Monstros”).

"Coco" (título original) é daqueles filmes imperdíveis, para ver e rever quantas vezes nosso coração aguentar!

Up-date: "Viva - A Vida é uma Festa" ganhou em duas categorias no Oscar 2018: Melhor Música e Melhor Animação! 

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"Viva - A Vida é uma Festa" é um jornada tão agradável que torcemos (e muito) para o filme nunca acabar - mesmo que tenhamos que lidar com os sentimentos mais escondidos (e muitas vezes doloridos) dentro de nós. Sim, não é um caminho emocionalmente dos mais fáceis, mas eu diria que mesmo assim é uma delicia ter lidar com o sentimento da saudade por uma perspectiva tão acolhedora e humana quanto essa! 

Apesar de a música ter sido banida há algumas gerações em sua família, Miguel (Anthony Gonzalez) sonha em se tornar um grande músico como seu ídolo, Ernesto de la Cruz (Benjamin Bratt). Desesperado para provar o seu talento, Miguel acaba sendo levado para o "Mundo dos Mortos" onde conhece um encantador trapaceiro chamado Hector (Gael García Bernal), e juntos eles partem em uma jornada extraordinária para descobrir a verdade por trás da história da família de Miguel.

De fato, o roteiro não é tão original ou criativo quanto "Divertidamente", mas certamente é uma das mensagens mais bonitas (e generosas) que um filme que Pixar já produziu - além de um visual incrivelmente lindo! Digno de Oscar! Vale dizer que "Viva - A Vida é uma Festa" foi dirigido por uma das mentes mais criativas da Disney/Pixar: Lee Unkrich de "Toy Story 3" e codirigido por Adrian Molina (story artist de “Universidade Monstros”).

"Coco" (título original) é daqueles filmes imperdíveis, para ver e rever quantas vezes nosso coração aguentar!

Up-date: "Viva - A Vida é uma Festa" ganhou em duas categorias no Oscar 2018: Melhor Música e Melhor Animação! 

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Wish

"Wish", que aqui no Brasil ganhou o subtítulo de "O Poder dos Desejos", é uma graça -  e para muitos uma verdadeira viagem até uma época onde a técnica de animação funcionava a favor da história, não ao contrário. Talvez essa percepção mais nostálgica sobre os valores de uma filme com o "selo Disney" que para muitos representa uma força inimaginável, para outros tenha um impacto diametralmente inverso, ou seja, o da falta de criatividade e de ousadia para inovar - o que, acreditem, não é uma verdade absoluta. Sim, "Wish" pode despertar essa reflexão, mas dentro de um contexto mais amplo eu diria que o filme dirigido por Chris Buck (de "Frozen") e Fawn Veerasunthorn (de "Moana"), é um deleite atemporal para os amantes da animação clássica e um presente honesto e apaixonante pelo centenário do estúdio de animação fundado por Walt Disney.

A história é simples e direta, ela acompanha Asha (Ariana DeBose), uma jovem otimista e talentosa que vive em um reino onde os desejos podem se tornar realidade se o Rei Magnifico (Chris Pine) assim for convencido. Ao perceber que sua maior referência no mundo da magia é na verdade um ser desprezível, egocêntrico e egoísta, Asha embarca em uma aventura épica ao lado de Valentino (Alan Tudyk), determinada a encontrar a estrela cadente que realmente concede desejos e que pode ser a chave para desmascarar o Rei de Rosas. Confira o trailer:

Inteligente, "Wish" se apropria de inúmeras referências e até alguns easter eggs que funcionam como uma verdadeira homenagem aos clássicos do Estúdio, mesmo que em fases distintas de sua história. Com uma paleta de cores que nos remetem aos tons mágicos de uma aquarela, o visual do filme se conecta diretamente ao roteiro de Jennifer Lee (vencedora do Oscar por "Frozen") e de Allison Moore (do live-action de "A Bela e a Fera") que de repente transforma animais em personagens falantes, que entrega um vilão vaidoso e obcecado por espelhos logo de cara, e que dá para a protagonista sete amigos leais que vão ajuda-la em sua nobre missão. Entende o clima? Isso é Disney!

Mas calma, existem pontos que merecem ser mencionados: Asha, por exemplo, é uma protagonista forte e inspiradora que desafia os padrões tradicionais das princesas Disney. Sua inteligência, perspicácia e determinação fazem dela um modelo positivo, mesmo que inconsciente, para a jovem audiência - aqui existe uma atualização de conceito narrativo e de construção de personagem importantes. Ao longo da jornada, ela aprende o verdadeiro significado dos desejos e da felicidade, descobrindo que a força interior e a perseverança são as ferramentas mais poderosas para alcançar seus objetivos. Disney de novo! Já a trilha sonora original, composta por Dave Metzge (também de "Frozen"), é até competente, mas não tão grandiosa como estamos acostumados - talvez por isso "Wish" nos dê a sensação de que algo poderia ser melhor. Se antes as músicas complementavam nossa experiência com performances memoráveis que amplificavam nossas emoções, aqui ela soa mais protocolar. É fofo? Sim, mas não vai entrar naquela prateleira de "Alladin" ou da própria "Frozen". 

Em resumo, em seus erros e acertos, "Wish" é uma carta de amor à rica história secular da Disney. Elementos mágicos e inspiradores estão de volta em uma combinação do clássico com o atual em uma narrativa com personagens cativantes que torna o filme uma delicia de assistir com a família. O objetivo de ser uma celebração da esperança, da perseverança e da magia que habita dentro de cada um de nós, é cumprido, no entanto isso não chancela a história como inesquecível - e aqui, os anos podem funcionar muito a seu favor. Tenha certeza que teremos, no futuro, um olhar mais carinhoso por "Wish".

Vale muito pelo entretenimento afetivo, daqueles com um leve sorriso no rosto!

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"Wish", que aqui no Brasil ganhou o subtítulo de "O Poder dos Desejos", é uma graça -  e para muitos uma verdadeira viagem até uma época onde a técnica de animação funcionava a favor da história, não ao contrário. Talvez essa percepção mais nostálgica sobre os valores de uma filme com o "selo Disney" que para muitos representa uma força inimaginável, para outros tenha um impacto diametralmente inverso, ou seja, o da falta de criatividade e de ousadia para inovar - o que, acreditem, não é uma verdade absoluta. Sim, "Wish" pode despertar essa reflexão, mas dentro de um contexto mais amplo eu diria que o filme dirigido por Chris Buck (de "Frozen") e Fawn Veerasunthorn (de "Moana"), é um deleite atemporal para os amantes da animação clássica e um presente honesto e apaixonante pelo centenário do estúdio de animação fundado por Walt Disney.

A história é simples e direta, ela acompanha Asha (Ariana DeBose), uma jovem otimista e talentosa que vive em um reino onde os desejos podem se tornar realidade se o Rei Magnifico (Chris Pine) assim for convencido. Ao perceber que sua maior referência no mundo da magia é na verdade um ser desprezível, egocêntrico e egoísta, Asha embarca em uma aventura épica ao lado de Valentino (Alan Tudyk), determinada a encontrar a estrela cadente que realmente concede desejos e que pode ser a chave para desmascarar o Rei de Rosas. Confira o trailer:

Inteligente, "Wish" se apropria de inúmeras referências e até alguns easter eggs que funcionam como uma verdadeira homenagem aos clássicos do Estúdio, mesmo que em fases distintas de sua história. Com uma paleta de cores que nos remetem aos tons mágicos de uma aquarela, o visual do filme se conecta diretamente ao roteiro de Jennifer Lee (vencedora do Oscar por "Frozen") e de Allison Moore (do live-action de "A Bela e a Fera") que de repente transforma animais em personagens falantes, que entrega um vilão vaidoso e obcecado por espelhos logo de cara, e que dá para a protagonista sete amigos leais que vão ajuda-la em sua nobre missão. Entende o clima? Isso é Disney!

Mas calma, existem pontos que merecem ser mencionados: Asha, por exemplo, é uma protagonista forte e inspiradora que desafia os padrões tradicionais das princesas Disney. Sua inteligência, perspicácia e determinação fazem dela um modelo positivo, mesmo que inconsciente, para a jovem audiência - aqui existe uma atualização de conceito narrativo e de construção de personagem importantes. Ao longo da jornada, ela aprende o verdadeiro significado dos desejos e da felicidade, descobrindo que a força interior e a perseverança são as ferramentas mais poderosas para alcançar seus objetivos. Disney de novo! Já a trilha sonora original, composta por Dave Metzge (também de "Frozen"), é até competente, mas não tão grandiosa como estamos acostumados - talvez por isso "Wish" nos dê a sensação de que algo poderia ser melhor. Se antes as músicas complementavam nossa experiência com performances memoráveis que amplificavam nossas emoções, aqui ela soa mais protocolar. É fofo? Sim, mas não vai entrar naquela prateleira de "Alladin" ou da própria "Frozen". 

Em resumo, em seus erros e acertos, "Wish" é uma carta de amor à rica história secular da Disney. Elementos mágicos e inspiradores estão de volta em uma combinação do clássico com o atual em uma narrativa com personagens cativantes que torna o filme uma delicia de assistir com a família. O objetivo de ser uma celebração da esperança, da perseverança e da magia que habita dentro de cada um de nós, é cumprido, no entanto isso não chancela a história como inesquecível - e aqui, os anos podem funcionar muito a seu favor. Tenha certeza que teremos, no futuro, um olhar mais carinhoso por "Wish".

Vale muito pelo entretenimento afetivo, daqueles com um leve sorriso no rosto!

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