"Corpo e Alma" foi o representante Húngaro na disputa do Oscar 2018. Ele chegou com a validação por ter ganho o Urso de Ouro em Berlin em 2017. O filme conta a história de um homem e uma mulher, colegas de trabalho, que passam a se conhecer melhor e acabam descobrindo que eles sonham as mesmas coisas durante a noite. Com isso, eles decidem tornar essa relação incomum em algo real, apesar das dificuldades no mundo real. Confira o trailer:
"On Body and Soul" (título internacional)é tecnicamente muito bem realizado e tem uma história até que interessante - embora, tenha uma ou outra cena mais chocante envolvendo animais, porém apresentada de forma gratuita - muito mais para chocar do que para mover a história para frente. Até acho que faz algum sentido no contexto cruel daquele universo, mas, admito, marca demais!
Analisando isoladamente é um filme que te prende e te instiga assim que a trama central é apresentada. Os atores húngaros estão muito bem, com destaque para o Géza Morcsányi. Já a Alexandra Borbély, mais experiente, achei um pouco fora do tom, quase esteriotipada, mas como seu personagem pedia isso, certamente foi uma escolha justificada pelo contexto - penso que se não estivesse tão robótica ficaria mais fácil criar uma empatia. O fato é que em nenhum momento torci ou me preocupei com ela, talvez por isso não tenha gostado tanto do filme quanto gostei de "Loveless" e "The Square" que também estão na disputa pelo Oscar.
A diretora, Ildikó Enyedi, já havia ganho a Camera de Ouro em Cannes em 89 e vale a pena conhecer o trabalho dela. Ela não inventa, faz um cinema mais clássico e com muita qualidade. Gostei!
No geral, o filme é bacana. O cinema húngaro foi um novidade para mim, mas eu gostei do que vi e por isso indico tranquilamente!
"Corpo e Alma" foi o representante Húngaro na disputa do Oscar 2018. Ele chegou com a validação por ter ganho o Urso de Ouro em Berlin em 2017. O filme conta a história de um homem e uma mulher, colegas de trabalho, que passam a se conhecer melhor e acabam descobrindo que eles sonham as mesmas coisas durante a noite. Com isso, eles decidem tornar essa relação incomum em algo real, apesar das dificuldades no mundo real. Confira o trailer:
"On Body and Soul" (título internacional)é tecnicamente muito bem realizado e tem uma história até que interessante - embora, tenha uma ou outra cena mais chocante envolvendo animais, porém apresentada de forma gratuita - muito mais para chocar do que para mover a história para frente. Até acho que faz algum sentido no contexto cruel daquele universo, mas, admito, marca demais!
Analisando isoladamente é um filme que te prende e te instiga assim que a trama central é apresentada. Os atores húngaros estão muito bem, com destaque para o Géza Morcsányi. Já a Alexandra Borbély, mais experiente, achei um pouco fora do tom, quase esteriotipada, mas como seu personagem pedia isso, certamente foi uma escolha justificada pelo contexto - penso que se não estivesse tão robótica ficaria mais fácil criar uma empatia. O fato é que em nenhum momento torci ou me preocupei com ela, talvez por isso não tenha gostado tanto do filme quanto gostei de "Loveless" e "The Square" que também estão na disputa pelo Oscar.
A diretora, Ildikó Enyedi, já havia ganho a Camera de Ouro em Cannes em 89 e vale a pena conhecer o trabalho dela. Ela não inventa, faz um cinema mais clássico e com muita qualidade. Gostei!
No geral, o filme é bacana. O cinema húngaro foi um novidade para mim, mas eu gostei do que vi e por isso indico tranquilamente!
"Crash" é um daqueles filmes polêmicos que dividem opiniões - a minha, no entanto, é a melhor possível! "Crash" tem intensidade emocional e nos remete para aquela potência narrativa de "Amores Brutos", por exemplo - talvez com um toque a mais de provocação que faz toda a diferença durante a jornada. Com algumas passagens de difícil digestão, o vencedor do Oscar de "Melhor Filme" em 2006, dirigida por Paul Haggis, é uma obra que se propõe a ser um retrato cru das complexas relações raciais e sociais em Los Angeles, trazendo uma estrutura de múltiplas narrativas entrelaçadas que, de fato, transformam nossa experiência em algo único e visceral! Com um elenco cheio de estrelas e um roteiro realmente ambicioso, o filme escancara os preconceitos enraizados na sociedade moderna onde as dinâmicas de poder afetam não só o cotidiano de cada um dos personagens como também o seu íntimo - cada qual com sua dor e desprezo.
A sinopse oficial descreve "Crash" da seguinte maneira: Em Los Angeles, uma série de histórias se cruzam ao longo de 36 horas, revelando o impacto do racismo e da intolerância no dia a dia de pessoas de diferentes origens e classes sociais. Policiais corruptos, uma promotora branca privilegiada, um diretor de TV negro, um casal imigrante iraniano e um ladrão que questiona o próprio preconceito, são alguns dos personagens cujas vidas se chocam de maneiras inesperadas. Confira o belíssimo trailer (em inglês):
Paul Haggis conduz a trama com maestria, estruturando o filme de forma a criar conexões entre personagens que, à primeira vista, parecem não ter nada em comum. A montagem do vencedor do Oscar da categoria, Hughes Winborne, se alinha a esse conceito de forma ágil, enquanto o roteiro, também vencedor do ano, é bem estruturado ao ponto de fazer com que os acontecimentos fluam naturalmente, resultando em momentos de grande impacto emocional - para o bem e para o mal. Veja, a intenção do filme não é apenas apontar o preconceito alheio, mas provocar uma reflexão sobre nossas próprias percepções e como elas podem influenciar algumas ações que soam até inofensivas pelo olhar menos sensível e empático. O formato proposto por Haggis permite que a audiência experiencie diferentes perspectivas, julgue e tente (ou não) entender como o racismo pode surgir de formas tão inesperadas, até mesmo nas pessoas que acreditam ser imunes a ele.
Don Cheadle, Matt Dillon, Thandiwe Newton, Sandra Bullock, Michael Peña, Brendan Fraser, Terrence Howard e Ryan Phillippe entregam performances intensas, cada um trazendo nuances e humanidade para seus personagens. Dillon, em especial, se destaca interpretando um policial com atitudes questionáveis, mas que carrega uma certa complexidade que o torna mais do que apenas um vilão unidimensional. Já Michael Peña protagoniza uma das cenas mais emocionantes do filme, trazendo momentos de vulnerabilidade e conexão que sintetizam exatamente a mensagem que "Crash" se esforça tanto em passar - e que muitos não engoliram. Visualmente, o filme brinca com uma fotografia mais sóbria e realista possível - tudo para capturar o clima urbano e a sensação de tensão latente entre os personagens. A direção de fotografia do J. Michael Muro opta por uma iluminação dramática primorosa, eu diria até poética, criando um ambiente que reflete exatamente as emoções conflitantes presentes na narrativa. A trilha sonora de Mark Isham (de "Nada é para Sempre") traz composições melancólicas que reforçam a carga emocional dos eventos do filme - repare em "In the Deep" de Kathleen York e Michael Becker. Linda demais!
"Crash" constrói um estudo de personagens envolvente, trazendo diálogos afiados e cenas memoráveis. Em vez de tratar o racismo de maneira didática, o filme prefere mostrar como ele se manifesta no cotidiano, muitas vezes de formas sutis e inesperadas. A estrutura narrativa permite que os personagens sejam apresentados em situações que desafiam suas crenças e comportamentos, mostrando que ninguém é completamente bom ou mau, mas sim produto de suas experiências e do meio em que vivem. Mesmo que sua recepção tenha gerado discussões ao longo dos anos, especialmente pela sua sua abordagem, é inegável que o filme possui méritos significativos, técnicos e artísticos, além, é claro, de ser um catalizador disposto a estimular debates importantes.
Vale muito o seu play!
Up Date: "Crash" ganhou em três categorias das seis que disputou no Oscar 2006!
"Crash" é um daqueles filmes polêmicos que dividem opiniões - a minha, no entanto, é a melhor possível! "Crash" tem intensidade emocional e nos remete para aquela potência narrativa de "Amores Brutos", por exemplo - talvez com um toque a mais de provocação que faz toda a diferença durante a jornada. Com algumas passagens de difícil digestão, o vencedor do Oscar de "Melhor Filme" em 2006, dirigida por Paul Haggis, é uma obra que se propõe a ser um retrato cru das complexas relações raciais e sociais em Los Angeles, trazendo uma estrutura de múltiplas narrativas entrelaçadas que, de fato, transformam nossa experiência em algo único e visceral! Com um elenco cheio de estrelas e um roteiro realmente ambicioso, o filme escancara os preconceitos enraizados na sociedade moderna onde as dinâmicas de poder afetam não só o cotidiano de cada um dos personagens como também o seu íntimo - cada qual com sua dor e desprezo.
A sinopse oficial descreve "Crash" da seguinte maneira: Em Los Angeles, uma série de histórias se cruzam ao longo de 36 horas, revelando o impacto do racismo e da intolerância no dia a dia de pessoas de diferentes origens e classes sociais. Policiais corruptos, uma promotora branca privilegiada, um diretor de TV negro, um casal imigrante iraniano e um ladrão que questiona o próprio preconceito, são alguns dos personagens cujas vidas se chocam de maneiras inesperadas. Confira o belíssimo trailer (em inglês):
Paul Haggis conduz a trama com maestria, estruturando o filme de forma a criar conexões entre personagens que, à primeira vista, parecem não ter nada em comum. A montagem do vencedor do Oscar da categoria, Hughes Winborne, se alinha a esse conceito de forma ágil, enquanto o roteiro, também vencedor do ano, é bem estruturado ao ponto de fazer com que os acontecimentos fluam naturalmente, resultando em momentos de grande impacto emocional - para o bem e para o mal. Veja, a intenção do filme não é apenas apontar o preconceito alheio, mas provocar uma reflexão sobre nossas próprias percepções e como elas podem influenciar algumas ações que soam até inofensivas pelo olhar menos sensível e empático. O formato proposto por Haggis permite que a audiência experiencie diferentes perspectivas, julgue e tente (ou não) entender como o racismo pode surgir de formas tão inesperadas, até mesmo nas pessoas que acreditam ser imunes a ele.
Don Cheadle, Matt Dillon, Thandiwe Newton, Sandra Bullock, Michael Peña, Brendan Fraser, Terrence Howard e Ryan Phillippe entregam performances intensas, cada um trazendo nuances e humanidade para seus personagens. Dillon, em especial, se destaca interpretando um policial com atitudes questionáveis, mas que carrega uma certa complexidade que o torna mais do que apenas um vilão unidimensional. Já Michael Peña protagoniza uma das cenas mais emocionantes do filme, trazendo momentos de vulnerabilidade e conexão que sintetizam exatamente a mensagem que "Crash" se esforça tanto em passar - e que muitos não engoliram. Visualmente, o filme brinca com uma fotografia mais sóbria e realista possível - tudo para capturar o clima urbano e a sensação de tensão latente entre os personagens. A direção de fotografia do J. Michael Muro opta por uma iluminação dramática primorosa, eu diria até poética, criando um ambiente que reflete exatamente as emoções conflitantes presentes na narrativa. A trilha sonora de Mark Isham (de "Nada é para Sempre") traz composições melancólicas que reforçam a carga emocional dos eventos do filme - repare em "In the Deep" de Kathleen York e Michael Becker. Linda demais!
"Crash" constrói um estudo de personagens envolvente, trazendo diálogos afiados e cenas memoráveis. Em vez de tratar o racismo de maneira didática, o filme prefere mostrar como ele se manifesta no cotidiano, muitas vezes de formas sutis e inesperadas. A estrutura narrativa permite que os personagens sejam apresentados em situações que desafiam suas crenças e comportamentos, mostrando que ninguém é completamente bom ou mau, mas sim produto de suas experiências e do meio em que vivem. Mesmo que sua recepção tenha gerado discussões ao longo dos anos, especialmente pela sua sua abordagem, é inegável que o filme possui méritos significativos, técnicos e artísticos, além, é claro, de ser um catalizador disposto a estimular debates importantes.
Vale muito o seu play!
Up Date: "Crash" ganhou em três categorias das seis que disputou no Oscar 2006!
Antes de falar de "Creed 2", eu preciso admitir que, para mim, a franquia "Rocky" terminou no quarto filme, quando ele nocauteia Ivan Drago com Burning Heart ecoando nos meus ouvidos, no ápice da guerra fria de 1985 - Meu Deus, eu assisti esse filme no cinema (rs)!!! Aquelas presepadas do 5 e do 6, devem ser esquecidas em nome do sucesso que essa nova série de filmes, que tem o filho do Apollo como protagonista, vem alcançando, ok?
Dito isso, agora podemos continuar sem nenhum peso na consciência! Creed trás para os anos 2000, um pouco do que Rocky representou para os anos 80! Fazendo esse paralelo, podemos dizer que "Creed" (2015) tem aquela atmosfera de cinema independente do "Rocky 1 e 2" - quando, inclusive, "o lutador" ganhou o Oscar de melhor filme em 1977. Ele espelha aquele conceito de cinema de autor, focado muito mais no drama do que na ação, nas lutas em si. Claro que com uma pegada mais moderna, mas com o mesmo foco na história mais existencial, com um roteiro mais profundo, trabalhado e com um diretor extremamente competente como o Ryan Coogler (de Pantera Negra) no comando para criar uma identidade própria, forte, ao mesmo tempo que revive um gênero que foi se perdendo no meio de tanta porcaria que fizeram durante anos. Funcionou! "Creed" foi um sucesso de bilheteria e de crítica - até presenteando o Stallone com uma indicação de melhor ator no Oscar de 2016!!!
Bom, ai vem Creed 2, filme que acabei de assistir: definitivamente é um filme menos autoral, eu diria que é mais de Estúdio, estilo blockbuster mesmo; sem tanta alma, sem tanto roteiro, mas com muito mais ação e aquela fórmula consagrada da jornada de superação do herói inseguro - como foi Rocky 3 e 4. Isso é um problema? De maneira nenhuma, Rocky 3 e 4 são os meus favoritos (me julguem, rs) e Creed 2 é praticamente um reboot desses dois filmes em um só! "Creed 2" é completamente previsível, superficial, mas muito (muito) divertido! O filme trás aquele sorriso no rosto já nos primeiros acordes da música tema (aquela...) no momento da virada, na última luta, quando tudo parecia perdido...
É claro que você já viu isso, a sinopse já te entrega o que vem pela frente de cara: o filho do Apollo tendo que enfrentar o filho do Drago em busca de auto-afirmação fantasiada de vingança! O fato é que essa previsibilidade pouco importa, porque a sensação de assistir essa jornada "novamente" é maravilhosa!!! Aliás você que tem mais de 40 anos (e/ou é fã da série anterior), vai adivinhar o filme inteirinho; vai reconhecer muito dos filmes dos anos 80, mas vai se divertir como adolescente de novo!!! Já você, na casa do 20, vai começar a entender um pouco mais "por que?" o Stallone se tornou um dos atores mais bem pagos daquela época e um ícone de uma geração!!!
A verdade é que "Creed 2" é um conjunto de clichês, não tem nada de novo, tudo é uma versão mais moderna do que já foi contado um dia... Perde muito em qualidade cinematográfica para o primeiro filme, tem um diretor infinitamente menos relevante, deixam de lado aquela inserção gráfica magnífica do cartel dos lutadores que poderia virar uma marca da série (e que era linda), mas, mesmo assim, te garanto: "Creed 2" vale cada centavo!!! É muito divertido, além de ter aquele tom nostálgico dos anos 80...
Antes de falar de "Creed 2", eu preciso admitir que, para mim, a franquia "Rocky" terminou no quarto filme, quando ele nocauteia Ivan Drago com Burning Heart ecoando nos meus ouvidos, no ápice da guerra fria de 1985 - Meu Deus, eu assisti esse filme no cinema (rs)!!! Aquelas presepadas do 5 e do 6, devem ser esquecidas em nome do sucesso que essa nova série de filmes, que tem o filho do Apollo como protagonista, vem alcançando, ok?
Dito isso, agora podemos continuar sem nenhum peso na consciência! Creed trás para os anos 2000, um pouco do que Rocky representou para os anos 80! Fazendo esse paralelo, podemos dizer que "Creed" (2015) tem aquela atmosfera de cinema independente do "Rocky 1 e 2" - quando, inclusive, "o lutador" ganhou o Oscar de melhor filme em 1977. Ele espelha aquele conceito de cinema de autor, focado muito mais no drama do que na ação, nas lutas em si. Claro que com uma pegada mais moderna, mas com o mesmo foco na história mais existencial, com um roteiro mais profundo, trabalhado e com um diretor extremamente competente como o Ryan Coogler (de Pantera Negra) no comando para criar uma identidade própria, forte, ao mesmo tempo que revive um gênero que foi se perdendo no meio de tanta porcaria que fizeram durante anos. Funcionou! "Creed" foi um sucesso de bilheteria e de crítica - até presenteando o Stallone com uma indicação de melhor ator no Oscar de 2016!!!
Bom, ai vem Creed 2, filme que acabei de assistir: definitivamente é um filme menos autoral, eu diria que é mais de Estúdio, estilo blockbuster mesmo; sem tanta alma, sem tanto roteiro, mas com muito mais ação e aquela fórmula consagrada da jornada de superação do herói inseguro - como foi Rocky 3 e 4. Isso é um problema? De maneira nenhuma, Rocky 3 e 4 são os meus favoritos (me julguem, rs) e Creed 2 é praticamente um reboot desses dois filmes em um só! "Creed 2" é completamente previsível, superficial, mas muito (muito) divertido! O filme trás aquele sorriso no rosto já nos primeiros acordes da música tema (aquela...) no momento da virada, na última luta, quando tudo parecia perdido...
É claro que você já viu isso, a sinopse já te entrega o que vem pela frente de cara: o filho do Apollo tendo que enfrentar o filho do Drago em busca de auto-afirmação fantasiada de vingança! O fato é que essa previsibilidade pouco importa, porque a sensação de assistir essa jornada "novamente" é maravilhosa!!! Aliás você que tem mais de 40 anos (e/ou é fã da série anterior), vai adivinhar o filme inteirinho; vai reconhecer muito dos filmes dos anos 80, mas vai se divertir como adolescente de novo!!! Já você, na casa do 20, vai começar a entender um pouco mais "por que?" o Stallone se tornou um dos atores mais bem pagos daquela época e um ícone de uma geração!!!
A verdade é que "Creed 2" é um conjunto de clichês, não tem nada de novo, tudo é uma versão mais moderna do que já foi contado um dia... Perde muito em qualidade cinematográfica para o primeiro filme, tem um diretor infinitamente menos relevante, deixam de lado aquela inserção gráfica magnífica do cartel dos lutadores que poderia virar uma marca da série (e que era linda), mas, mesmo assim, te garanto: "Creed 2" vale cada centavo!!! É muito divertido, além de ter aquele tom nostálgico dos anos 80...
"Creed 3" é essencialmente um filme de boxe, com as forças e as franquezas que o fã desse subgênero de ação já está acostumado. No entanto, especificamente nesse capitulo da franquia, o filme sofre com a imaturidade de Michael B. Jordan na direção e com o roteiro pouco inspirado (e certamente o menos consistente) do Ryan Coogler, que, inclusive, escreveu os anteriores e me parece que aqui apenas supervisionou o trabalho de Keenan Coogler (de "Space Jam 2") e de Zach Baylin (de "King Richard"). Ok, mas o filme é ruim? Não, longe disso, mas é preciso dizer que ao dar o play, você vai encontrar "mais do mesmo"!
Depois de dominar o mundo do boxe, Adonis Creed (Michael B. Jordan) vem prosperando tanto na carreira quanto na vida familiar até que um amigo de infância e ex-prodígio do boxe, Damian (Jonathan Majors), ressurge após ficar 18 anos na prisão. Ansioso para provar que merece sua chance no ringue, Damian pede a ajuda de Creed. Apesar de apoio do amigo, Damian parece não estar nada satisfeito com a ideia de que Creed tenha "tomado seu lugar" e é aí que os dois velhos amigos resolvem lutar para enfrentar os fantasmas do passado e assim encontrar um futuro mais digno para ambos. Confira o trailer:
Como já era de se esperar, as sequências de luta são o ponto alto de "Creed 3" - coreografadas com maestria e filmadas de forma bastante imersiva pelo diretor de fotografia Kramer Morgenthau. Cada soco, cada movimento é capturado de uma maneira visceral, fazendo com que a audiência, de fato, se sinta parte do ringue. A energia e a intensidade dessas cenas são impressionantes e é o que mantém nossa adrenalina em alta ao longo da trama, no entanto essas cenas são pontuais e o drama dos personagens em si, parece não ter a mesma "alma" dos outros dois filmes (especialmente o primeiro pelo tom mais independente da direção do próprio Coogler ou até do segundo graças ao conceito mais nostálgico da narrativa).
É inegável que o roteiro até se esforça para explorar questões sociais relevantes, ao abordar assuntos como o impacto da fama e do sucesso, a importância de encontrar sua própria voz e até a luta para superar o passado em pró do futuro - eu diria até que esses elementos adicionam certa profundidade à história, mas falta desenvolvimento. A relação do próprio Adonis com Damian, o impacto desse convívio com o que ambos se tornaram e as conexões entre a juventude pobre com as questões raciais e de preconceito, parecem pouco exploradas e deixam uma certa sensação de frustração quando chegamos no terceiro ato.
A trilha sonora produzida pelo selo Dreamville com músicas do rapper J. Cole é um espetáculo à parte - a cada filme, uma identidade, um verdadeiro show. Repare como as canções se encaixam quando combinadas com os temas de perseverança e dedicação que são exploradas pelo roteiro. Esse impacto emocional continua sendo um trunfo da franquia e faz com que “Creed 3” se mantenha interessante, divertido e até alinhado com a essência de "Rocky", mas como amante de filmes de boxe, eu abriria os olhos para não cometer as mesmas falhas que o grande Stallone cometeu por não aceitar que existe uma hora de finalizar um ciclo - imagino que o de "Creed" está chegando.
Para você, fã, vale o play!
"Creed 3" é essencialmente um filme de boxe, com as forças e as franquezas que o fã desse subgênero de ação já está acostumado. No entanto, especificamente nesse capitulo da franquia, o filme sofre com a imaturidade de Michael B. Jordan na direção e com o roteiro pouco inspirado (e certamente o menos consistente) do Ryan Coogler, que, inclusive, escreveu os anteriores e me parece que aqui apenas supervisionou o trabalho de Keenan Coogler (de "Space Jam 2") e de Zach Baylin (de "King Richard"). Ok, mas o filme é ruim? Não, longe disso, mas é preciso dizer que ao dar o play, você vai encontrar "mais do mesmo"!
Depois de dominar o mundo do boxe, Adonis Creed (Michael B. Jordan) vem prosperando tanto na carreira quanto na vida familiar até que um amigo de infância e ex-prodígio do boxe, Damian (Jonathan Majors), ressurge após ficar 18 anos na prisão. Ansioso para provar que merece sua chance no ringue, Damian pede a ajuda de Creed. Apesar de apoio do amigo, Damian parece não estar nada satisfeito com a ideia de que Creed tenha "tomado seu lugar" e é aí que os dois velhos amigos resolvem lutar para enfrentar os fantasmas do passado e assim encontrar um futuro mais digno para ambos. Confira o trailer:
Como já era de se esperar, as sequências de luta são o ponto alto de "Creed 3" - coreografadas com maestria e filmadas de forma bastante imersiva pelo diretor de fotografia Kramer Morgenthau. Cada soco, cada movimento é capturado de uma maneira visceral, fazendo com que a audiência, de fato, se sinta parte do ringue. A energia e a intensidade dessas cenas são impressionantes e é o que mantém nossa adrenalina em alta ao longo da trama, no entanto essas cenas são pontuais e o drama dos personagens em si, parece não ter a mesma "alma" dos outros dois filmes (especialmente o primeiro pelo tom mais independente da direção do próprio Coogler ou até do segundo graças ao conceito mais nostálgico da narrativa).
É inegável que o roteiro até se esforça para explorar questões sociais relevantes, ao abordar assuntos como o impacto da fama e do sucesso, a importância de encontrar sua própria voz e até a luta para superar o passado em pró do futuro - eu diria até que esses elementos adicionam certa profundidade à história, mas falta desenvolvimento. A relação do próprio Adonis com Damian, o impacto desse convívio com o que ambos se tornaram e as conexões entre a juventude pobre com as questões raciais e de preconceito, parecem pouco exploradas e deixam uma certa sensação de frustração quando chegamos no terceiro ato.
A trilha sonora produzida pelo selo Dreamville com músicas do rapper J. Cole é um espetáculo à parte - a cada filme, uma identidade, um verdadeiro show. Repare como as canções se encaixam quando combinadas com os temas de perseverança e dedicação que são exploradas pelo roteiro. Esse impacto emocional continua sendo um trunfo da franquia e faz com que “Creed 3” se mantenha interessante, divertido e até alinhado com a essência de "Rocky", mas como amante de filmes de boxe, eu abriria os olhos para não cometer as mesmas falhas que o grande Stallone cometeu por não aceitar que existe uma hora de finalizar um ciclo - imagino que o de "Creed" está chegando.
Para você, fã, vale o play!
Sabe aquele tipo de filme que você assiste com um leve sorriso no rosto? Pois é, "Crescendo Juntas" talvez seja a melhor definição de filme "que te abraça" - principalmente se você tiver uma filha menina (meu caso). Essa é o tipo de adaptação cinematográfica que não pode passar despercebida, "Are You There God? It's Me, Margaret" (no original) transcende as barreiras do drama trazendo uma leveza impressionante para discutir assuntos, digamos, cotidianos da vida de uma pré-adolescente, oferecendo assim uma experiência cativante, envolvente e muito reflexiva. Aliás, pela resposta do público e da crítica, o filme faz jus ao sucesso da obra de Judy Blume - o que já não seria uma tarefa fácil.
Margaret (Abby Ryder Fortson), de 11 anos, muda-se para uma nova cidade e começa a contemplar tudo que a vida, a amizade e a adolescência têm para oferecer - é um período de descobertas, mas também de muita insegurança. Ela conta com a mãe, católica, Bárbara (Rachel McAdams), que oferece um apoio amoroso, e com a avó, judia, Sylvia (Kathy Bates), que está tentando encontrar a felicidade mesmo longe da neta. Questões de identidade, do lugar de cada um no mundo e do que dá sentido à vida rapidamente os aproximam mais do que nunca, mas ainda existe um ponto a ser discutido: que religião seguir? Confira o trailer:
Os elementos que tornam "Crescendo Juntas" imperdível, me parece, vão além da trama, ou seja, naturalmente passa pela nossa identificação com os personagens. Semelhante a outras obras que exploraram a complexidade da adolescência, como "Lady Bird" e até "As Vantagens de Ser Invisível", aqui temos um olhar verdadeiro sobre a jornada de aceitação perante o novo - e a metáfora da mudança de cidade e da dúvida sobre qual religião pertencer se encaixam perfeitamente na bola de neve que se transforma a vida da protagonista quando ela é confrontada com os desafios que todas as meninas enfrentam nessa fase: de aprender a usar um sutiã, passando pelo entendimento das mudanças do corpo e a chegada da menstruação, até a importância ou o tabu de dar o primeiro beijo.
A direção sensível de Kelly Fremon Craig (do elogiado "Quase 18") merece aplausos, pois ela não apenas captura a essência do livro, como adiciona camadas emocionais à narrativa que nos deixam encantados - e aqui é preciso que se diga: muito dessa percepção de realidade passa pela performance impressionante de Abby Ryder Fortson. Reparem como ela explora a vulnerabilidade e autodescoberta de sua personagem de maneira autêntica, contribuindo para que as relações construídas ao longo da trama façam total sentido dentro de um contexto emocional tão caótico - olha, eu não me surpreenderia se Craig recebesse uma indicação ao Oscar. Outro detalhe que merece sua atenção: a escolha da fotografia, com seus tons suaves e nostálgicos, nos leva para um mergulho profundo na atmosfera da década de 70 - não por acaso, mérito do diretor Tim Ives, indicado duas vezes ao Emmy por "Stranger Things".
Para finalizar, preciso reforçar que "Crescendo Juntas" é realmente mais do que uma simples adaptação; é uma celebração da juventude, da busca pela identidade e pelo entendimento da complexidade das relações humanas. Craig inteligentemente coloca a obra da premiada Judy Blume em outro patamar, oferecendo um filme intimista que ressoa com o público de todas as idades, que aquece o coração ao mesmo tempo que provoca ótimas discussões - é um olhar honesto sobre uma fase onde tudo ganha uma dimensão muito maior do que os fatos em si, mas que por outro lado ajuda a construir autonomia e uma percepção de vida onde nem tudo é simples!
Vale muito o seu play!
Sabe aquele tipo de filme que você assiste com um leve sorriso no rosto? Pois é, "Crescendo Juntas" talvez seja a melhor definição de filme "que te abraça" - principalmente se você tiver uma filha menina (meu caso). Essa é o tipo de adaptação cinematográfica que não pode passar despercebida, "Are You There God? It's Me, Margaret" (no original) transcende as barreiras do drama trazendo uma leveza impressionante para discutir assuntos, digamos, cotidianos da vida de uma pré-adolescente, oferecendo assim uma experiência cativante, envolvente e muito reflexiva. Aliás, pela resposta do público e da crítica, o filme faz jus ao sucesso da obra de Judy Blume - o que já não seria uma tarefa fácil.
Margaret (Abby Ryder Fortson), de 11 anos, muda-se para uma nova cidade e começa a contemplar tudo que a vida, a amizade e a adolescência têm para oferecer - é um período de descobertas, mas também de muita insegurança. Ela conta com a mãe, católica, Bárbara (Rachel McAdams), que oferece um apoio amoroso, e com a avó, judia, Sylvia (Kathy Bates), que está tentando encontrar a felicidade mesmo longe da neta. Questões de identidade, do lugar de cada um no mundo e do que dá sentido à vida rapidamente os aproximam mais do que nunca, mas ainda existe um ponto a ser discutido: que religião seguir? Confira o trailer:
Os elementos que tornam "Crescendo Juntas" imperdível, me parece, vão além da trama, ou seja, naturalmente passa pela nossa identificação com os personagens. Semelhante a outras obras que exploraram a complexidade da adolescência, como "Lady Bird" e até "As Vantagens de Ser Invisível", aqui temos um olhar verdadeiro sobre a jornada de aceitação perante o novo - e a metáfora da mudança de cidade e da dúvida sobre qual religião pertencer se encaixam perfeitamente na bola de neve que se transforma a vida da protagonista quando ela é confrontada com os desafios que todas as meninas enfrentam nessa fase: de aprender a usar um sutiã, passando pelo entendimento das mudanças do corpo e a chegada da menstruação, até a importância ou o tabu de dar o primeiro beijo.
A direção sensível de Kelly Fremon Craig (do elogiado "Quase 18") merece aplausos, pois ela não apenas captura a essência do livro, como adiciona camadas emocionais à narrativa que nos deixam encantados - e aqui é preciso que se diga: muito dessa percepção de realidade passa pela performance impressionante de Abby Ryder Fortson. Reparem como ela explora a vulnerabilidade e autodescoberta de sua personagem de maneira autêntica, contribuindo para que as relações construídas ao longo da trama façam total sentido dentro de um contexto emocional tão caótico - olha, eu não me surpreenderia se Craig recebesse uma indicação ao Oscar. Outro detalhe que merece sua atenção: a escolha da fotografia, com seus tons suaves e nostálgicos, nos leva para um mergulho profundo na atmosfera da década de 70 - não por acaso, mérito do diretor Tim Ives, indicado duas vezes ao Emmy por "Stranger Things".
Para finalizar, preciso reforçar que "Crescendo Juntas" é realmente mais do que uma simples adaptação; é uma celebração da juventude, da busca pela identidade e pelo entendimento da complexidade das relações humanas. Craig inteligentemente coloca a obra da premiada Judy Blume em outro patamar, oferecendo um filme intimista que ressoa com o público de todas as idades, que aquece o coração ao mesmo tempo que provoca ótimas discussões - é um olhar honesto sobre uma fase onde tudo ganha uma dimensão muito maior do que os fatos em si, mas que por outro lado ajuda a construir autonomia e uma percepção de vida onde nem tudo é simples!
Vale muito o seu play!
Na linha tênue de "Entre Facas e Segredos" e de "Magnatas do Crime", o diretor Tim Kirkby (de "Fleabag") até entrega um filme divertido e dinâmico, mas longe de ser genial. "Crimes em Hollywood" pode surpreender com sua narrativa, com ótimas performances de um elenco de peso e até pelo seu toque de mistério, mas não será lembrado como nada além de um bom entretenimento! Mesmo que a jornada do protagonista seja repleta de surpresas, fazendo com que algumas reviravoltas nos envolvam ainda mais com a trama, dá a impressão que falta um pouco de charme na proposta de Kirkby em transformar um filme "ok" em uma espécie de "noir moderninho" como na série "Knives Out", por exemplo.
"Last Looks" (no original) nos conduz por uma intrigante história de assassinato pelo olhar de Charlie Waldo (Charlie Hunnam), um detetive particular que se afastou de todos após um trágico (e mal explicado) incidente. Ele é arrastado de volta para o mundo da investigação quando uma antiga amiga, Lorena (Morena Baccarin), pede sua ajuda para resolver um crime onde o principal suspeito é um famoso astro da TV americana, o ator Alastair Pinch (Mel Gibson). Confira o trailer:
"Crimes em Hollywood" tem o mérito de construir uma história intrigante, sem cair no erro de se tornar um drama denso ou complexo demais. Longe disso, aqui o que encontramos é mais uma narrativa que se apoia na dramédia, com seus esteriótipos de gênero, que se propõe a entreter ao mesmo tempo em que habilmente captura a essência de uma investigação criminal que nos leva de volta aos clássicos repaginados de Agatha Christie. Kirkby, embora não arrisque como Rian Johnson ou Guy Ritchie, demonstra competência ao criar essa atmosfera inquietante dentro de um caos de tramas e sub-tramas que o roteiro propõe - e isso precisa ser ressaltado.
Já o roteiro de Howard Michael Gould (de "O Rei do Jogo") parece ser o calcanhar de Aquiles do filme. Muitas vezes ele se perde na necessidade de jogar várias peças no tabuleiro para nos afastar do que realmente importa: descobrir quem matou a mulher de Alastair Pinch. Essa escolha conceitual pode funcionar melhor em um livro, mas na adaptação me parece ser um erro, no entanto, e isso eu posso te garantir, não prejudica nossa experiência como audiência. Talvez, e aqui só o tempo dirá, a ideia seja mesmo deixar algo nas entrelinhas para justificar outros filmes e por assim dizer, iniciar uma franquia a partir de sua versão literária. Nesse sentido, surge outro problema: Charlie Hunnam sofre com a falta de carisma, principalmente quando está em cena com Mel Gibson. Gibson faz jus ao estereótipo de seu personagem com sua habilidade excepcional de ser caricato e humano ao mesmo tempo, enquanto Hunnam parece completamente dispensável como detetive - é como se esperássemos uma cartada genial de seu personagem e mesmo quando ela surge, não tem força para nos roubar um sorriso (ou um suspiro).
"Crimes em Hollywood" é bom, divertido e merece uma chance de ser descoberto pelo que oferece - mesmo com todos esses "poréns". Como história, o filme realmente cativa mais pelo seu inicio, do que pela conclusão do mistério, mas também não deixa aquela sensação de decepção, sabe? Como produção, a barra sobe mais um pouco e não deixa nada a desejar para outras produções do mesmo estilo. Como proposta para uma franquia, com um ou outro ajuste, podemos até seguir acreditando que mais histórias de crimes com essa atmosfera menos densa de narrativa vai continuar entregando ótimos momentos de diversão e entretenimento - mas não dá para esperar mais que isso, ok?
Na linha tênue de "Entre Facas e Segredos" e de "Magnatas do Crime", o diretor Tim Kirkby (de "Fleabag") até entrega um filme divertido e dinâmico, mas longe de ser genial. "Crimes em Hollywood" pode surpreender com sua narrativa, com ótimas performances de um elenco de peso e até pelo seu toque de mistério, mas não será lembrado como nada além de um bom entretenimento! Mesmo que a jornada do protagonista seja repleta de surpresas, fazendo com que algumas reviravoltas nos envolvam ainda mais com a trama, dá a impressão que falta um pouco de charme na proposta de Kirkby em transformar um filme "ok" em uma espécie de "noir moderninho" como na série "Knives Out", por exemplo.
"Last Looks" (no original) nos conduz por uma intrigante história de assassinato pelo olhar de Charlie Waldo (Charlie Hunnam), um detetive particular que se afastou de todos após um trágico (e mal explicado) incidente. Ele é arrastado de volta para o mundo da investigação quando uma antiga amiga, Lorena (Morena Baccarin), pede sua ajuda para resolver um crime onde o principal suspeito é um famoso astro da TV americana, o ator Alastair Pinch (Mel Gibson). Confira o trailer:
"Crimes em Hollywood" tem o mérito de construir uma história intrigante, sem cair no erro de se tornar um drama denso ou complexo demais. Longe disso, aqui o que encontramos é mais uma narrativa que se apoia na dramédia, com seus esteriótipos de gênero, que se propõe a entreter ao mesmo tempo em que habilmente captura a essência de uma investigação criminal que nos leva de volta aos clássicos repaginados de Agatha Christie. Kirkby, embora não arrisque como Rian Johnson ou Guy Ritchie, demonstra competência ao criar essa atmosfera inquietante dentro de um caos de tramas e sub-tramas que o roteiro propõe - e isso precisa ser ressaltado.
Já o roteiro de Howard Michael Gould (de "O Rei do Jogo") parece ser o calcanhar de Aquiles do filme. Muitas vezes ele se perde na necessidade de jogar várias peças no tabuleiro para nos afastar do que realmente importa: descobrir quem matou a mulher de Alastair Pinch. Essa escolha conceitual pode funcionar melhor em um livro, mas na adaptação me parece ser um erro, no entanto, e isso eu posso te garantir, não prejudica nossa experiência como audiência. Talvez, e aqui só o tempo dirá, a ideia seja mesmo deixar algo nas entrelinhas para justificar outros filmes e por assim dizer, iniciar uma franquia a partir de sua versão literária. Nesse sentido, surge outro problema: Charlie Hunnam sofre com a falta de carisma, principalmente quando está em cena com Mel Gibson. Gibson faz jus ao estereótipo de seu personagem com sua habilidade excepcional de ser caricato e humano ao mesmo tempo, enquanto Hunnam parece completamente dispensável como detetive - é como se esperássemos uma cartada genial de seu personagem e mesmo quando ela surge, não tem força para nos roubar um sorriso (ou um suspiro).
"Crimes em Hollywood" é bom, divertido e merece uma chance de ser descoberto pelo que oferece - mesmo com todos esses "poréns". Como história, o filme realmente cativa mais pelo seu inicio, do que pela conclusão do mistério, mas também não deixa aquela sensação de decepção, sabe? Como produção, a barra sobe mais um pouco e não deixa nada a desejar para outras produções do mesmo estilo. Como proposta para uma franquia, com um ou outro ajuste, podemos até seguir acreditando que mais histórias de crimes com essa atmosfera menos densa de narrativa vai continuar entregando ótimos momentos de diversão e entretenimento - mas não dá para esperar mais que isso, ok?
Costumo dizer que existe um tipo de história que não precisa muito para ser analisada, ela precisa ser sentida! Certamente "Daisy Jones & The Six" é uma delas! Essa minissérie da Prime Video, baseada no best-seller de Taylor Jenkins Reid, é um recorte profundamente emocional e nostálgico do representou o rock dos anos 70 - aliás, com forte inspiração em bandas icônicas como Fleetwood Mac (dizem até que as histórias se confundem). Criada por Scott Neustadter e Michael H. Weber (ambos de "Artista do Desastre") , essa minissérie de 10 episódios transforma o formato documental do livro em uma narrativa envolvente que mistura drama e música pela perspectiva da complexidade das relações humanas na busca pelo sucesso e reconhecimento em um período de auge da indústria fonográfica. "Daisy Jones & The Six" traz o melhor de "Quase Famosos" com a essência de qualquer grande cinebiografia musical de destaque - só que aqui, com muito mais tempo de tela para um desenvolvimento de personagens primoroso.
A trama de "Daisy Jones & The Six", basicamente, acompanha a ascensão e queda de uma talentosa banda fictícia, explorando os bastidores e a trajetória de cada um dos seus membros até o estrelato, além dos conflitos que levaram ao fim prematuro de um projeto que parecia único. Confira o trailer:
Em um primeiro olhar, é a narrativa estruturada como um documentário que vai chamar sua atenção. Essa proposta de Neustadter e Weber, de fato, cria uma dinâmica bastante interessante para quem assiste, trazendo uma certa sensação de realidade para a narrativa e fazendo com que as entrevistas dos integrantes da banda, relembrando eventos passados, soe nostálgica e ao mesmo tempo provocadora, já que o mistério sobre os acontecimentos que levaram ao fim da banda anos antes nos mantém engajados de uma forma impressionante. Nesse sentido, a ambientação acaba sendo um dos grandes trunfos da produção. O figurino, a direção de arte e a trilha sonora original capturam com autenticidade o espírito dos anos 70, nos transportando para uma época de excessos, criatividade e egos inflamados - um contraste com os dias atuais.
Riley Keough, neta de Elvis Presley, assume o papel da enigmática Daisy Jones, uma jovem cantora talentosa e autodestrutiva, cuja presença transforma completamente o destino da banda The Six. Sua performance carrega uma intensidade magnética, equilibrando insegurança com rebeldia. Ao seu lado, Sam Claflin interpreta Billy Dunne, o então líder da banda, cuja dinâmica com Daisy se torna o centro emocional da minissérie - repleta de tensão, uma química explosiva e, claro, sentimentos não tão bem resolvidos. A direção de James Ponsoldt (de "Falando a Real") e de Nzingha Stewart (de "Inventando Anna") aposta, com muita elegância, em uma estética granulada e um iluminação mais quente, evocando a sensação de estarmos assistindo a imagens de arquivo de uma Los Angeles dourada - os takes rodados em Super8, por exemplo, só valorizam esse conceito visual. Além disso, o uso das entrevistas intercaladas com flashbacks adiciona uma camada de profundidade à trama, revelando, pouco a pouco, como cada personagem enxerga os eventos do passado de forma subjetiva, muitas vezes até contraditória - e funciona demais!
"Daisy Jones & The Six" entrega uma experiência cativante, tanto para fãs da literatura quanto para amantes da música - aliás, é preciso que se diga: as músicas da banda foram compostas exclusivamente para a minissérie e entregam um realismo raro em produções desse tipo, algo que contribui demais para a imersão e para o senso de credibilidade da história. Com atuações marcantes, uma jornada emocional envolvente e uma trama que explora talento, o ego e as dores do sucesso, "Daisy Jones & The Six" é uma jóia que merece demais a sua atenção - por sua "forma" e por seu "conteúdo". Imperdível!
Vale muito o seu play!
Costumo dizer que existe um tipo de história que não precisa muito para ser analisada, ela precisa ser sentida! Certamente "Daisy Jones & The Six" é uma delas! Essa minissérie da Prime Video, baseada no best-seller de Taylor Jenkins Reid, é um recorte profundamente emocional e nostálgico do representou o rock dos anos 70 - aliás, com forte inspiração em bandas icônicas como Fleetwood Mac (dizem até que as histórias se confundem). Criada por Scott Neustadter e Michael H. Weber (ambos de "Artista do Desastre") , essa minissérie de 10 episódios transforma o formato documental do livro em uma narrativa envolvente que mistura drama e música pela perspectiva da complexidade das relações humanas na busca pelo sucesso e reconhecimento em um período de auge da indústria fonográfica. "Daisy Jones & The Six" traz o melhor de "Quase Famosos" com a essência de qualquer grande cinebiografia musical de destaque - só que aqui, com muito mais tempo de tela para um desenvolvimento de personagens primoroso.
A trama de "Daisy Jones & The Six", basicamente, acompanha a ascensão e queda de uma talentosa banda fictícia, explorando os bastidores e a trajetória de cada um dos seus membros até o estrelato, além dos conflitos que levaram ao fim prematuro de um projeto que parecia único. Confira o trailer:
Em um primeiro olhar, é a narrativa estruturada como um documentário que vai chamar sua atenção. Essa proposta de Neustadter e Weber, de fato, cria uma dinâmica bastante interessante para quem assiste, trazendo uma certa sensação de realidade para a narrativa e fazendo com que as entrevistas dos integrantes da banda, relembrando eventos passados, soe nostálgica e ao mesmo tempo provocadora, já que o mistério sobre os acontecimentos que levaram ao fim da banda anos antes nos mantém engajados de uma forma impressionante. Nesse sentido, a ambientação acaba sendo um dos grandes trunfos da produção. O figurino, a direção de arte e a trilha sonora original capturam com autenticidade o espírito dos anos 70, nos transportando para uma época de excessos, criatividade e egos inflamados - um contraste com os dias atuais.
Riley Keough, neta de Elvis Presley, assume o papel da enigmática Daisy Jones, uma jovem cantora talentosa e autodestrutiva, cuja presença transforma completamente o destino da banda The Six. Sua performance carrega uma intensidade magnética, equilibrando insegurança com rebeldia. Ao seu lado, Sam Claflin interpreta Billy Dunne, o então líder da banda, cuja dinâmica com Daisy se torna o centro emocional da minissérie - repleta de tensão, uma química explosiva e, claro, sentimentos não tão bem resolvidos. A direção de James Ponsoldt (de "Falando a Real") e de Nzingha Stewart (de "Inventando Anna") aposta, com muita elegância, em uma estética granulada e um iluminação mais quente, evocando a sensação de estarmos assistindo a imagens de arquivo de uma Los Angeles dourada - os takes rodados em Super8, por exemplo, só valorizam esse conceito visual. Além disso, o uso das entrevistas intercaladas com flashbacks adiciona uma camada de profundidade à trama, revelando, pouco a pouco, como cada personagem enxerga os eventos do passado de forma subjetiva, muitas vezes até contraditória - e funciona demais!
"Daisy Jones & The Six" entrega uma experiência cativante, tanto para fãs da literatura quanto para amantes da música - aliás, é preciso que se diga: as músicas da banda foram compostas exclusivamente para a minissérie e entregam um realismo raro em produções desse tipo, algo que contribui demais para a imersão e para o senso de credibilidade da história. Com atuações marcantes, uma jornada emocional envolvente e uma trama que explora talento, o ego e as dores do sucesso, "Daisy Jones & The Six" é uma jóia que merece demais a sua atenção - por sua "forma" e por seu "conteúdo". Imperdível!
Vale muito o seu play!
Essa é mais uma comédia inglesa, daquelas gostosas de assistir, bem ao estilo de "Um Lugar Chamado Notting Hill" ou "Yesterday" - o diferencial aqui, é que a história de "David contra os Bancos" é baseada em fatos "quase" reais. No filme dirigido pelo Chris Foggin (de "Um Natal Improvável") entendemos a importância histórica de retratar a jornada de resiliência de um homem comum em face de desafios extraordinários, no caso o sistema econômico britânico, mas sem esquecer daquilo que nos mantém sorrindo durante os momentos de dificuldade: o amor! Sim, a receita "Notting Hill" está em cada detalhe do roteiro e mesmo supondo como será o final, fica impossível não se envolver com aqueles personagens!
O filme, basicamente, narra a trajetória do empresário idealista Dave Fishwick (Rory Kinnear), proprietário de uma empresa de vans na pequena cidade de Burnley na Inglaterra, que decide lutar contra um sistema financeiro secular para conseguir uma licença e assim abrir seu próprio banco com o intuito de ajudar sua comunidade, sem cobrar taxas abusivas, em um período pós-recessão. Para isso ele conta como a ajuda do jovem advogado de Londres, Huch (Joel Fry), que acredita estar perdendo seu tempo até que se vê envolvido com a sobrinha de Dave, Alexandra (Phoebe Dynevor). Confira o trailer:
Se em "O Próprio Enterro" acompanhamos uma complexa batalha “David x Golias corporativo" com um toque de "Erin Brockovich", aqui temos o mesmo principio, porém em um tom infinitamente mais leve.Veja, as críticas contra o sistema econômico e a política elitista dos bancos britânicos estão lá. O desafio pela busca de prosperidade em pequenas comunidades que se organizam independente das dificuldades geográficas ou de segregação também. Mas talvez o fato que mais nos conecta com a história é o de sabermos que existe um homem (podemos dizer, milionário) que quer criar um banco para simplesmente fomentar o progresso de sua comunidade sem pedir absolutamente nada em troca! Essa foi a escolha mais sábia de Foggin e de seu roteirista Piers Ashworth (de "Fisherman's Friends: One and All"): realizar um filme positivo e simples em todos os sentidos, que não busca grandes coisas além de uma história feliz que agrade todos os públicos.
Quando o enredo resolve acompanhar a vida desse visionário empreendedor, imediatamente criamos empatia por Dave e pela sua causa - praticamente partimos para a luta contra as barreiras confortáveis do Sistema em uma jornada emocional e cativante repleta de aprendizado e superação. Se o alívio emocional vem da relação "(im)provável" de seu advogado com sua sobrinha, pode ter certeza que é pela seu envolvimento com a música que encontramos o combustível para seguir em clima de "juntos vamos conseguir". Pelas mãos do produtor e compositor Christian Henson partimos de um pub/karaokê onde parte da comunidade se reune todas as noites até seu ápice narrativo do terceiro ato com um grande espetáculo ao som da banda "Def Leppard" que, inexplicavelmente, multiplica toda aaquela noção de comunidade que o filme construiu nos seus primeiros atos - mas tudo bem, faz parte do estilo "Notting Hill" de mover a história que, no final das contas, se amarra de forma coerente, mesmo que sobrem passagens sem muito sentido e que só ocorrem para nos levar ao ponto que Foggin deslumbrou - e até que funciona com certa competência!
O fato é que "Bank of Dave" (no original) traz o ingênuo e o inofensivo para sua narrativa maniqueísta, buscando puramente o entretenimento e a sensação de que, com resiliência e muita vontade, tudo é possível. Mesmo sabendo que a política, em suas diversas formas e ideologias, está sempre presente nos diálogos e em vários momentos da trama, posso te garantir que a experiência está longe de ser profunda ou crítica demais, deixando apenas nas entrelinhas um material interessante para discussão que, mal colocado, poderia ter acabado com o que o filme tem de melhor: sua leveza chancelada pelo fato de ser uma história real e que merecia ser contada.
Vale muito o seu play!
Essa é mais uma comédia inglesa, daquelas gostosas de assistir, bem ao estilo de "Um Lugar Chamado Notting Hill" ou "Yesterday" - o diferencial aqui, é que a história de "David contra os Bancos" é baseada em fatos "quase" reais. No filme dirigido pelo Chris Foggin (de "Um Natal Improvável") entendemos a importância histórica de retratar a jornada de resiliência de um homem comum em face de desafios extraordinários, no caso o sistema econômico britânico, mas sem esquecer daquilo que nos mantém sorrindo durante os momentos de dificuldade: o amor! Sim, a receita "Notting Hill" está em cada detalhe do roteiro e mesmo supondo como será o final, fica impossível não se envolver com aqueles personagens!
O filme, basicamente, narra a trajetória do empresário idealista Dave Fishwick (Rory Kinnear), proprietário de uma empresa de vans na pequena cidade de Burnley na Inglaterra, que decide lutar contra um sistema financeiro secular para conseguir uma licença e assim abrir seu próprio banco com o intuito de ajudar sua comunidade, sem cobrar taxas abusivas, em um período pós-recessão. Para isso ele conta como a ajuda do jovem advogado de Londres, Huch (Joel Fry), que acredita estar perdendo seu tempo até que se vê envolvido com a sobrinha de Dave, Alexandra (Phoebe Dynevor). Confira o trailer:
Se em "O Próprio Enterro" acompanhamos uma complexa batalha “David x Golias corporativo" com um toque de "Erin Brockovich", aqui temos o mesmo principio, porém em um tom infinitamente mais leve.Veja, as críticas contra o sistema econômico e a política elitista dos bancos britânicos estão lá. O desafio pela busca de prosperidade em pequenas comunidades que se organizam independente das dificuldades geográficas ou de segregação também. Mas talvez o fato que mais nos conecta com a história é o de sabermos que existe um homem (podemos dizer, milionário) que quer criar um banco para simplesmente fomentar o progresso de sua comunidade sem pedir absolutamente nada em troca! Essa foi a escolha mais sábia de Foggin e de seu roteirista Piers Ashworth (de "Fisherman's Friends: One and All"): realizar um filme positivo e simples em todos os sentidos, que não busca grandes coisas além de uma história feliz que agrade todos os públicos.
Quando o enredo resolve acompanhar a vida desse visionário empreendedor, imediatamente criamos empatia por Dave e pela sua causa - praticamente partimos para a luta contra as barreiras confortáveis do Sistema em uma jornada emocional e cativante repleta de aprendizado e superação. Se o alívio emocional vem da relação "(im)provável" de seu advogado com sua sobrinha, pode ter certeza que é pela seu envolvimento com a música que encontramos o combustível para seguir em clima de "juntos vamos conseguir". Pelas mãos do produtor e compositor Christian Henson partimos de um pub/karaokê onde parte da comunidade se reune todas as noites até seu ápice narrativo do terceiro ato com um grande espetáculo ao som da banda "Def Leppard" que, inexplicavelmente, multiplica toda aaquela noção de comunidade que o filme construiu nos seus primeiros atos - mas tudo bem, faz parte do estilo "Notting Hill" de mover a história que, no final das contas, se amarra de forma coerente, mesmo que sobrem passagens sem muito sentido e que só ocorrem para nos levar ao ponto que Foggin deslumbrou - e até que funciona com certa competência!
O fato é que "Bank of Dave" (no original) traz o ingênuo e o inofensivo para sua narrativa maniqueísta, buscando puramente o entretenimento e a sensação de que, com resiliência e muita vontade, tudo é possível. Mesmo sabendo que a política, em suas diversas formas e ideologias, está sempre presente nos diálogos e em vários momentos da trama, posso te garantir que a experiência está longe de ser profunda ou crítica demais, deixando apenas nas entrelinhas um material interessante para discussão que, mal colocado, poderia ter acabado com o que o filme tem de melhor: sua leveza chancelada pelo fato de ser uma história real e que merecia ser contada.
Vale muito o seu play!
"De Cabeça Erguida" é um poderoso e denso drama francês que fala sobre ciclos. Ou melhor, talvez o filme seja muito mais uma provocação para uma reflexão sobre a possibilidade de uma quebra de um ciclo vicioso, recheado de violência e abandono, na esperança por uma segunda chance onde, aparentemente, isso parece impossível! Muito bem dirigido pela talentosa diretora (de atores), Emmanuelle Bercot (de "150 Miligramas"), o filme se apoia em um emaranhado de assuntos importantes e sensíveis que, através de uma jornada de 10 anos, tenta explicar (ou justificar) muitas das atitudes e como a experiência em reformatórios, impactaram na formação do caráter do protagonista.
Em "La Tête Haute" (no original) a história gira em torno de Malony (Rod Paradot), um garoto com sérios problemas disciplinares, e de sua educação dos 6 aos 18 anos de idade, período onde uma juíza da vara da infância e um assistente social tentam de todas as formas salvá-lo de um futuro com problemas ainda maiores. Confira o trailer:
Pode parecer que o roteiro escrito por Bercot ao lado de Marcia Romano (de "O Acontecimento") sofra de um vicio narrativo que escancara a fragilidade de uma estrutura “circular” onde o protagonista apronta, recebe e cumpre uma punição, então é liberado, aí apronta de novo, novamente é punido, e assim sucessivamente. Mas é preciso que se diga que essa estrutura, mesmo em alguns momentos cansativa, é totalmente proposital - ela reflete o ciclo vivido pela maioria dos garotos nas mesmas condições de Malony (algo parecido com o que encontramos em "DOM").
O interessante é que além dessa repetição quase insuportável para audiência (que nos faz desistir do protagonista em muitos momentos, inclusive), o roteiro vai inserindo outros elementos que funcionam como uma espécie de "bola de neve emocional": do romance com a filha de uma funcionária do centro educacional à separação do irmão mais novo que também vai para um reformatório, passando sempre pelo descontrole da mãe; o que temos é uma verdadeira personificação do caos! Sara Forastier está incrível (e irreconhecível) como a mãe inconsequente de Malony, Séverine; já Paradot, fazendo sua estreia no cinema como o protagonista revoltado, adicionam uma camada de tensão ao filme para lá de angustiante. Ainda sobre elenco, Catherine Deneuve como a juíza Florence e Benoît Magimel como o tutor Yann também merecem aplausos e são a "cereja do bolo" da trama.
Bem no estilo de "Florida Project", a grande verdade é que "De Cabeça Erguida" nos toca a alma em muitos sentidos, já que além de fomentar inúmeros julgamentos (muitos mesmo), ainda sugere profundas reflexões sobre a realidade de uma juventude esquecida, não amada, sofrida e que parece sem solução. O convite para enxergar o futuro desses jovens, passa pelo nosso entendimento de que antes do futuro, é preciso entender o passado e lutar por cada um deles no presente.
Vale muito seu play!
"De Cabeça Erguida" é um poderoso e denso drama francês que fala sobre ciclos. Ou melhor, talvez o filme seja muito mais uma provocação para uma reflexão sobre a possibilidade de uma quebra de um ciclo vicioso, recheado de violência e abandono, na esperança por uma segunda chance onde, aparentemente, isso parece impossível! Muito bem dirigido pela talentosa diretora (de atores), Emmanuelle Bercot (de "150 Miligramas"), o filme se apoia em um emaranhado de assuntos importantes e sensíveis que, através de uma jornada de 10 anos, tenta explicar (ou justificar) muitas das atitudes e como a experiência em reformatórios, impactaram na formação do caráter do protagonista.
Em "La Tête Haute" (no original) a história gira em torno de Malony (Rod Paradot), um garoto com sérios problemas disciplinares, e de sua educação dos 6 aos 18 anos de idade, período onde uma juíza da vara da infância e um assistente social tentam de todas as formas salvá-lo de um futuro com problemas ainda maiores. Confira o trailer:
Pode parecer que o roteiro escrito por Bercot ao lado de Marcia Romano (de "O Acontecimento") sofra de um vicio narrativo que escancara a fragilidade de uma estrutura “circular” onde o protagonista apronta, recebe e cumpre uma punição, então é liberado, aí apronta de novo, novamente é punido, e assim sucessivamente. Mas é preciso que se diga que essa estrutura, mesmo em alguns momentos cansativa, é totalmente proposital - ela reflete o ciclo vivido pela maioria dos garotos nas mesmas condições de Malony (algo parecido com o que encontramos em "DOM").
O interessante é que além dessa repetição quase insuportável para audiência (que nos faz desistir do protagonista em muitos momentos, inclusive), o roteiro vai inserindo outros elementos que funcionam como uma espécie de "bola de neve emocional": do romance com a filha de uma funcionária do centro educacional à separação do irmão mais novo que também vai para um reformatório, passando sempre pelo descontrole da mãe; o que temos é uma verdadeira personificação do caos! Sara Forastier está incrível (e irreconhecível) como a mãe inconsequente de Malony, Séverine; já Paradot, fazendo sua estreia no cinema como o protagonista revoltado, adicionam uma camada de tensão ao filme para lá de angustiante. Ainda sobre elenco, Catherine Deneuve como a juíza Florence e Benoît Magimel como o tutor Yann também merecem aplausos e são a "cereja do bolo" da trama.
Bem no estilo de "Florida Project", a grande verdade é que "De Cabeça Erguida" nos toca a alma em muitos sentidos, já que além de fomentar inúmeros julgamentos (muitos mesmo), ainda sugere profundas reflexões sobre a realidade de uma juventude esquecida, não amada, sofrida e que parece sem solução. O convite para enxergar o futuro desses jovens, passa pelo nosso entendimento de que antes do futuro, é preciso entender o passado e lutar por cada um deles no presente.
Vale muito seu play!
"De Rainha do Veganismo a Foragida" é mais uma história surpreendente onde uma mulher (aparentemente carente) é enganada por um homem (supostamente milionário) em nome do amor, porém, nesse caso, existe um certo ponto de interrogação já que a história é tão surreal que, de fora, fica quase impossível acreditar que uma empresária bem sucedida, bem relacionada, talentosa, bonita e inteligente fosse acreditar em qualquer que fossem as intenções do tal criminoso - e não estou falando de promessas falsas de amor em troca de dinheiro; estou falando de vida eterna, intervenção interplanetária, relação espiritual com forças dividas e por aí vai...
Bem na linha de "O Golpista do Tinder" e "The Con", "Bad Vegan: Fame. Fraud. Fugitives" (no original e infinitamente mais apropriado que o título em português) conta a história de Sarma Melngailis, uma famosa e bem sucedida empresaria e chef vegana que perde completamente o controle da própria vida depois de se casar com um homem misterioso que garante que, entre outras coisas absurdas, pode imortalizar o cachorro dela. Confira o trailer (em inglês):
Sarma Melngailis criou ao lado do ex-marido, o chef Matthew Kenney, e do mega empresário Jeffrey Chodorow, um restaurante vegano que movimentou a sociedade nova-iorquina em meados de 2004 - o Pure Food and Wine era, de fato, inovador e muito bem recomendado por especialistas, o que o transformou em um lugar requisitado por celebridades na época. Autoridade, fama, dinheiro e realização profissional não impediram que Sarma se envolvesse em uma complexa rede de crimes a partir de 2011, depois de conhecer Shane Fox no Twitter, um misterioso homem que de referência tinha apenas uma amizade virtual com um antigo affair da empresaria, o ator Alec Baldwin.
Dito isso, é possível ter uma ideia do que o diretor Chris Smith (de "Educação Americana: Fraude e Privilégio", "O Desaparecimento de Madeleine McCann" e "Fyre Festival: Fiasco no Caribe" e um dos produtores de "A Máfia dos Tigres ") foi capaz de fazer com esse material. Com uma dinâmica extremamente ágil e muito bem conectada com o drama da protagonista que conduz a narrativa com seus depoimentos, "De Rainha do Veganismo a Foragida" é o tipo da minissérie documental que você não consegue parar até encontrar seu final - são 4 episódios tão bem estruturados e completamente isentos, que temos a exata sensação de que tudo aquilo está acontecendo bem próximo de nós. São depoimentos de todos os envolvidos (com excessão de Shane), que vão de ex-funcionários do restaurante até investidores e jornalistas, passando por amigos e familiares de Sarma, além de inúmeras gravações telefônicas, reportagens da época e até uma transcrição que, juro, soa ficção.
"De Rainha do Veganismo a Foragida" não é um jornada fácil, é até indigesta, pois somos provocados ao julgamento a todo instante e nossa opinião muda a cada nova revelação, a cada nova falcatrua, mas, principalmente a cada postura de Sarma em relação aos fatos - o final sugerido por Smith, inclusive, foi muito feliz em desconstruir tudo que poderíamos em algum momento dar como certeza. Não se trata de criminalizar ou inocentar a vítima, mas é inegável o quanto a narrativa (e a excelente edição da Amanda C. Griffin e do Michael Mahaffie) vai mexendo com nossas percepções e gerando discussões internas que jamais nos daríamos conta caso não estivéssemos tão imersos na história - e te garanto: vale o mergulho!
"De Rainha do Veganismo a Foragida" é mais uma história surpreendente onde uma mulher (aparentemente carente) é enganada por um homem (supostamente milionário) em nome do amor, porém, nesse caso, existe um certo ponto de interrogação já que a história é tão surreal que, de fora, fica quase impossível acreditar que uma empresária bem sucedida, bem relacionada, talentosa, bonita e inteligente fosse acreditar em qualquer que fossem as intenções do tal criminoso - e não estou falando de promessas falsas de amor em troca de dinheiro; estou falando de vida eterna, intervenção interplanetária, relação espiritual com forças dividas e por aí vai...
Bem na linha de "O Golpista do Tinder" e "The Con", "Bad Vegan: Fame. Fraud. Fugitives" (no original e infinitamente mais apropriado que o título em português) conta a história de Sarma Melngailis, uma famosa e bem sucedida empresaria e chef vegana que perde completamente o controle da própria vida depois de se casar com um homem misterioso que garante que, entre outras coisas absurdas, pode imortalizar o cachorro dela. Confira o trailer (em inglês):
Sarma Melngailis criou ao lado do ex-marido, o chef Matthew Kenney, e do mega empresário Jeffrey Chodorow, um restaurante vegano que movimentou a sociedade nova-iorquina em meados de 2004 - o Pure Food and Wine era, de fato, inovador e muito bem recomendado por especialistas, o que o transformou em um lugar requisitado por celebridades na época. Autoridade, fama, dinheiro e realização profissional não impediram que Sarma se envolvesse em uma complexa rede de crimes a partir de 2011, depois de conhecer Shane Fox no Twitter, um misterioso homem que de referência tinha apenas uma amizade virtual com um antigo affair da empresaria, o ator Alec Baldwin.
Dito isso, é possível ter uma ideia do que o diretor Chris Smith (de "Educação Americana: Fraude e Privilégio", "O Desaparecimento de Madeleine McCann" e "Fyre Festival: Fiasco no Caribe" e um dos produtores de "A Máfia dos Tigres ") foi capaz de fazer com esse material. Com uma dinâmica extremamente ágil e muito bem conectada com o drama da protagonista que conduz a narrativa com seus depoimentos, "De Rainha do Veganismo a Foragida" é o tipo da minissérie documental que você não consegue parar até encontrar seu final - são 4 episódios tão bem estruturados e completamente isentos, que temos a exata sensação de que tudo aquilo está acontecendo bem próximo de nós. São depoimentos de todos os envolvidos (com excessão de Shane), que vão de ex-funcionários do restaurante até investidores e jornalistas, passando por amigos e familiares de Sarma, além de inúmeras gravações telefônicas, reportagens da época e até uma transcrição que, juro, soa ficção.
"De Rainha do Veganismo a Foragida" não é um jornada fácil, é até indigesta, pois somos provocados ao julgamento a todo instante e nossa opinião muda a cada nova revelação, a cada nova falcatrua, mas, principalmente a cada postura de Sarma em relação aos fatos - o final sugerido por Smith, inclusive, foi muito feliz em desconstruir tudo que poderíamos em algum momento dar como certeza. Não se trata de criminalizar ou inocentar a vítima, mas é inegável o quanto a narrativa (e a excelente edição da Amanda C. Griffin e do Michael Mahaffie) vai mexendo com nossas percepções e gerando discussões internas que jamais nos daríamos conta caso não estivéssemos tão imersos na história - e te garanto: vale o mergulho!
Se você tem mais que 40 anos e está lendo este review, provavelmente você deve ter assistido "Imensidão Azul" e se emocionado com a história marcante de Jacques Mayol (Jean-Marc Barr) e Enzo Molinari (Jean Reno) ao som de uma trilha sonora brilhante assinada por Éric Serra. Pois bem, "De Tirar o Fôlego", mesmo sendo um documentário, tem a mesma força dramática que o premiado filme de Luc Besson, ao contar a história de Stephen Keenan e Alessia Zecchini - que inicialmente se apoia no processo de superação e resiliência de uma atleta (campeã mundial de "mergulho livre"), mas que logo se transforma em uma jornada inspiradora sobre a paixão pela vida e seus limites.
Aqui conhecemos a impressionante cruzada do fenômeno Alessia Zecchini, uma vitoriosa mergulhadora italiana que treinou incansavelmente para bater o recorde mundial de mergulho livre. Porém, ela não esteve sozinha nessa missão: Alessia contou com a ajuda de Stephen Keenan, seu fiel treinador e responsável pela segurança nas competições que participava. Compartilhando o amor pelo mergulho livre, o documentário mostra as recompensas, desafios e escolhas de cada um deles, mostrando sua paixão quase obsessiva pelos oceanos e como os dois estiveram dispostos a arriscar tudo a fim de conquistarem um lugar na história. Confira o trailer:
Dirigido e roteirizado por Laura McGann (de "Revolutions", "The Deepest Breath" (no original) chega a ser impressionante de tão bom! Mesmo que inicialmente soe como mais um documentário sobre o encontro "improvável" de uma atleta em busca recordes que desafiam seus limites e de um técnico que tem uma relação muito particular com a natureza e com o esporte, o filme vai muito além graças a um simples elemento - ele tem alma! Seguindo duas linhas narrativas separadas e que, naturalmente, vão se cruzado, o roteiro é muito sagaz em nos provocar inúmeras emoções ao brincar com nossa percepção sobre o que de fato aconteceu com Keenan e com Zecchini. E aqui vai o meu conselho para que sua experiência seja única: não pesquise absolutamente nada sobre a história dos dois.
São inúmeras imagens de arquivo, depoimentos e reconstituições belíssimas que nos dão a exata sensação de mergulhar a mais de 100 metros de profundidade em cenários belíssimos. A estrutura narrativa que McGann usa para construir o documentário é tão bem planejada que parece uma ficção - é realmente impressionante como somos jogados para dentro da trama e como nos conectamos imediatamente com os personagens (da vida real). Reparem como o filme vai da apresentação dos protagonistas, passando pela contextualização de seus estilos de vida e sonhos até chegar no ápice de quando seus destinos se cruzaram em uma competição de mergulho. Agora veja, embora tudo leve a crer que algo deu errado, é pelo encontro dos dois e pela conexão instantânea através de uma paixão compartilhada, que torcemos.
É natural que "De Tirar o Fôlego" crie uma atmosfera envolvente, principalmente emocional, usando e abusando de imagens lindas, de uma trilha sonora extremamente alinhada com o conceito mais dramático para nos manter ligados em uma história onde dois personagens, juntos, formavam uma equipe aparentemente invencível, apoiando-se mutuamente e incentivando um ao outro para alcançar novos patamares no esporte. Eu diria que essa é uma história que nos deixa muitas lições e que, de fato, merecia ser contada, então prepare-se, pois certamente será um dos melhores documentários do ano - pode me cobrar depois!
Vale muito o seu play!
Se você tem mais que 40 anos e está lendo este review, provavelmente você deve ter assistido "Imensidão Azul" e se emocionado com a história marcante de Jacques Mayol (Jean-Marc Barr) e Enzo Molinari (Jean Reno) ao som de uma trilha sonora brilhante assinada por Éric Serra. Pois bem, "De Tirar o Fôlego", mesmo sendo um documentário, tem a mesma força dramática que o premiado filme de Luc Besson, ao contar a história de Stephen Keenan e Alessia Zecchini - que inicialmente se apoia no processo de superação e resiliência de uma atleta (campeã mundial de "mergulho livre"), mas que logo se transforma em uma jornada inspiradora sobre a paixão pela vida e seus limites.
Aqui conhecemos a impressionante cruzada do fenômeno Alessia Zecchini, uma vitoriosa mergulhadora italiana que treinou incansavelmente para bater o recorde mundial de mergulho livre. Porém, ela não esteve sozinha nessa missão: Alessia contou com a ajuda de Stephen Keenan, seu fiel treinador e responsável pela segurança nas competições que participava. Compartilhando o amor pelo mergulho livre, o documentário mostra as recompensas, desafios e escolhas de cada um deles, mostrando sua paixão quase obsessiva pelos oceanos e como os dois estiveram dispostos a arriscar tudo a fim de conquistarem um lugar na história. Confira o trailer:
Dirigido e roteirizado por Laura McGann (de "Revolutions", "The Deepest Breath" (no original) chega a ser impressionante de tão bom! Mesmo que inicialmente soe como mais um documentário sobre o encontro "improvável" de uma atleta em busca recordes que desafiam seus limites e de um técnico que tem uma relação muito particular com a natureza e com o esporte, o filme vai muito além graças a um simples elemento - ele tem alma! Seguindo duas linhas narrativas separadas e que, naturalmente, vão se cruzado, o roteiro é muito sagaz em nos provocar inúmeras emoções ao brincar com nossa percepção sobre o que de fato aconteceu com Keenan e com Zecchini. E aqui vai o meu conselho para que sua experiência seja única: não pesquise absolutamente nada sobre a história dos dois.
São inúmeras imagens de arquivo, depoimentos e reconstituições belíssimas que nos dão a exata sensação de mergulhar a mais de 100 metros de profundidade em cenários belíssimos. A estrutura narrativa que McGann usa para construir o documentário é tão bem planejada que parece uma ficção - é realmente impressionante como somos jogados para dentro da trama e como nos conectamos imediatamente com os personagens (da vida real). Reparem como o filme vai da apresentação dos protagonistas, passando pela contextualização de seus estilos de vida e sonhos até chegar no ápice de quando seus destinos se cruzaram em uma competição de mergulho. Agora veja, embora tudo leve a crer que algo deu errado, é pelo encontro dos dois e pela conexão instantânea através de uma paixão compartilhada, que torcemos.
É natural que "De Tirar o Fôlego" crie uma atmosfera envolvente, principalmente emocional, usando e abusando de imagens lindas, de uma trilha sonora extremamente alinhada com o conceito mais dramático para nos manter ligados em uma história onde dois personagens, juntos, formavam uma equipe aparentemente invencível, apoiando-se mutuamente e incentivando um ao outro para alcançar novos patamares no esporte. Eu diria que essa é uma história que nos deixa muitas lições e que, de fato, merecia ser contada, então prepare-se, pois certamente será um dos melhores documentários do ano - pode me cobrar depois!
Vale muito o seu play!
O documentário da Netflix, "De Volta ao Espaço", tem alguns elementos que a minissérie, também da plataforma, "Inspiration4 - Viagem Estelar", não conseguiu captar; porém, é preciso que se diga, grande parte da estrutura narrativa se repete para contar uma outra história e com o mesmo fim: ser um entretenimento de marca da Space X, mas aqui com uma participação mais ativa de Elon Musk - o que transforma o filme dirigido pela dupla Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhely (vencedores do Oscar de "Melhor Documentário" com "Free Solo") em um excelente e imperdível estudo de caso sobre acreditar em algo que muita gente via como impossível (sem romantismo e com uma sensibilidade que eu ainda não tinha presenciado em relação ao Musk).
O documentário relata a jornada de preparação da equipe SpaceX, junto ao trabalho de décadas desenvolvido ao lado de Elon Musk para a retomada das viagens espaciais desde o cancelamento do programa espacial da NASA em 2011. Confira o trailer (em inglês):
99% dos empreendedores sofrem questionamentos sobre seus negócios. Se o produto ou serviço prometem disruptar um mercado então, aí esse número sobe tranquilamente para 100% - não é uma jornada fácil lidar, dia a dia, com tanta rejeição, questionamentos e com a falta de percepção de pessoas que se julgam capazes de definir o que pode dar certo ou não baseados na "experiência". Acontece que vivemos em movimento, onde as regras nem sempre perpetuam ou acompanham as mudanças de paradigmas, onde transformar significa sair da zona de conforto e mergulhar no desconhecido baseado em uma tese que pode fazer algum sentido e é com essa crença que Elon Musk vem construindo sua fortaleza - em "De Volta ao Espaço" tudo isso fica muito claro!
Chin e Vasarhely foram muito felizes em equilibrar a narrativa do documentário, focando em Bob Behnken e Doug Hurley, os dois astronautas americanos que encabeçaram a missão de chegar a ISS (International Space Station ou Estação Espacial Internacional) decolando de solo americano, depois de tantos anos; ao mesmo tempo em que retrata as dores, os anseios, as decisões e as convicções de Elon Musk que o levaram a criar a SpaceX (investindo muito da sua fortuna). Um dos grande méritos da produção, sem dúvida, é o mood de muita intimidade da narrativa - isso humaniza a figura de Musk de uma forma que é impossível não torcer pelo seu sucesso. Quando ele diz que teria dinheiro para apenas três lançamentos; ou quando depois de mais um fracasso, ainda impactado emocionalmente, ele incentiva um outro lançamento a partir de todos os aprendizados que essas experiências deixaram; e ainda quando ele tem que ouvir de um de seus maiores ídolos, o astronauta Neil Armstrong, que aquele projeto não levaria a lugar algum e mesmo assim se manter alinhado com sua convicção; temos a certeza que estamos diante de alguém muito especial - como foi Steve Jobs por exemplo.
Com os depoimentos de muitas pessoas envolvidas com a SpaceX, engenheiros, astronautas, familiares e do próprio Musk, "De Volta ao Espaço" é um presente, um relato histórico para muitas gerações, mas principalmente é um material de muito aprendizado. São imagens belíssimas, mas que estão sempre acompanhadas de muita emoção, em um trabalho que mistura entretenimento com muitos insights empreendedores. De se aplaudir de pé!
Vale muito o seu play!
O documentário da Netflix, "De Volta ao Espaço", tem alguns elementos que a minissérie, também da plataforma, "Inspiration4 - Viagem Estelar", não conseguiu captar; porém, é preciso que se diga, grande parte da estrutura narrativa se repete para contar uma outra história e com o mesmo fim: ser um entretenimento de marca da Space X, mas aqui com uma participação mais ativa de Elon Musk - o que transforma o filme dirigido pela dupla Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhely (vencedores do Oscar de "Melhor Documentário" com "Free Solo") em um excelente e imperdível estudo de caso sobre acreditar em algo que muita gente via como impossível (sem romantismo e com uma sensibilidade que eu ainda não tinha presenciado em relação ao Musk).
O documentário relata a jornada de preparação da equipe SpaceX, junto ao trabalho de décadas desenvolvido ao lado de Elon Musk para a retomada das viagens espaciais desde o cancelamento do programa espacial da NASA em 2011. Confira o trailer (em inglês):
99% dos empreendedores sofrem questionamentos sobre seus negócios. Se o produto ou serviço prometem disruptar um mercado então, aí esse número sobe tranquilamente para 100% - não é uma jornada fácil lidar, dia a dia, com tanta rejeição, questionamentos e com a falta de percepção de pessoas que se julgam capazes de definir o que pode dar certo ou não baseados na "experiência". Acontece que vivemos em movimento, onde as regras nem sempre perpetuam ou acompanham as mudanças de paradigmas, onde transformar significa sair da zona de conforto e mergulhar no desconhecido baseado em uma tese que pode fazer algum sentido e é com essa crença que Elon Musk vem construindo sua fortaleza - em "De Volta ao Espaço" tudo isso fica muito claro!
Chin e Vasarhely foram muito felizes em equilibrar a narrativa do documentário, focando em Bob Behnken e Doug Hurley, os dois astronautas americanos que encabeçaram a missão de chegar a ISS (International Space Station ou Estação Espacial Internacional) decolando de solo americano, depois de tantos anos; ao mesmo tempo em que retrata as dores, os anseios, as decisões e as convicções de Elon Musk que o levaram a criar a SpaceX (investindo muito da sua fortuna). Um dos grande méritos da produção, sem dúvida, é o mood de muita intimidade da narrativa - isso humaniza a figura de Musk de uma forma que é impossível não torcer pelo seu sucesso. Quando ele diz que teria dinheiro para apenas três lançamentos; ou quando depois de mais um fracasso, ainda impactado emocionalmente, ele incentiva um outro lançamento a partir de todos os aprendizados que essas experiências deixaram; e ainda quando ele tem que ouvir de um de seus maiores ídolos, o astronauta Neil Armstrong, que aquele projeto não levaria a lugar algum e mesmo assim se manter alinhado com sua convicção; temos a certeza que estamos diante de alguém muito especial - como foi Steve Jobs por exemplo.
Com os depoimentos de muitas pessoas envolvidas com a SpaceX, engenheiros, astronautas, familiares e do próprio Musk, "De Volta ao Espaço" é um presente, um relato histórico para muitas gerações, mas principalmente é um material de muito aprendizado. São imagens belíssimas, mas que estão sempre acompanhadas de muita emoção, em um trabalho que mistura entretenimento com muitos insights empreendedores. De se aplaudir de pé!
Vale muito o seu play!
Debaixo da Ponte - A Verdadeira História do Assassinato de Reena Virk" é de fato envolvente, especialmente por transitar em universos tão distintos, mas que ao se complementarem, fazem com que a jornada ganhe um outro sentido. Se inicialmente temos a impressão de ser tratar de um drama criminal ao melhor estilo "Mare of Easttown"ou "Sharp Objects", rapidamente temos contato com outras camadas que trazem muito de "13 Reasons Why", ou mais ainda, de "Depois de Lúcia". Criada por Quinn Shephard e baseada no livro investigativo de Rebecca Godfrey, essa é uma minissérie que sabe mergulhar na brutalidade de um crime real que chocou o Canadá na década de 1990: o assassinato de Reena Virk, uma adolescente de 14 anos,, descendente indiana e com fortes influências religiosas, que foi brutalmente atacada por suas colegas. Com muita sensibilidade, a produção retrata não apenas o crime em si, mas também as dinâmicas sociais e culturais que culminaram na tragédia, oferecendo um olhar incisivo sobre questões sérias de bullying, racismo, exclusão social e violência juvenil. Assim como as referências citadas, a minissérie merece sua atenção justamente por explorar a fragilidade das estruturas sociais, bem como os impactos devastadores de uma tragédia que poderia ter sido evitada.
"Under de Bridge" (no original) se desenrola em um ritmo tenso e emocionalmente impactante, alternando entre os eventos que levaram ao assassinato de Reena (Vritika Gupta) e os desdobramentos posteriores, incluindo o impacto na comunidade, as investigações e os processos judiciais. A história não poupa a audiência de detalhes desconfortáveis, mas evita o sensacionalismo barato, optando por uma abordagem que busca compreender as motivações e circunstâncias por trás do crime. O roteiro é estruturado de maneira a apresentar as perspectivas de múltiplos personagens - desde os amigos e familiares de Reena até os jovens envolvidos no crime e as autoridades locais -, permitindo assim uma visão ampla e complexa do caso que mudou a história da ilha deVictoria, em British Columbia. Confira o trailer:
Quinn Shephard (de "Influencer de Mentira") adota uma estratégia no desenvolvimento da minissérie que equilibra a sensibilidade com a tensão. A sensibilidade certamente vem da obra de Manjit Virk, "Reena: A Father's Story", que complementa perfeitamente o estilo narrativo mais provocador de Rebecca Godfrey. Veja, o time de direção liderado pela própria Shephard, sabe disso e acaba construindo uma dinâmica onde os momentos de violência e confronto são filmados de forma crua, mas nunca explorados de maneira gráfica ou desnecessária, em contrapartida, os momentos mais introspectivos são carregados de emoção, com um uso habilidoso de silêncios e close-ups que capturam o peso daquela realidade dolosa para a família. A escolha de ambientar a série em cenários suburbanos aparentemente tranquilos cria um contraste poderoso com a violência latente da história, ressaltando como problemas sociais profundos podem estar ocultos sob uma superfície aparentemente comum.
A fotografia do Minka Farthing-Kohl (que não por acaso esteve na série "Você") utiliza tons mais sombrios e uma iluminação naturalista que reforça a autenticidade da narrativa - bem estilo HBO, sabe? Repare como as cenas ambientadas ao redor do rio e da ponte, o local onde Reena foi assassinada, são particularmente impactantes - é um visual dicotômico, que transmite tanto a beleza quanto a frieza do cenário, servindo como uma metáfora para a dualidade que a minissérie arquiteta com sabedoria entre um crime e seus responsáveis. Aqui eu preciso citar as performances do elenco - Vritika Gupta entrega uma performance comovente e autêntica, capturando a vulnerabilidade e o desejo de aceitação de Reena Virk. O elenco de apoio, especialmente Chloe Guidry, Aiyana Goodfellow e Javon 'Wanna' Walton, conseguem transmitir a mistura explosiva de imaturidade, crueldade e arrependimento que permeiam as ações daqueles adolescentes. Já Lily Gladstone (a policial Cam Bentland) e Riley Keough (a autora Rebecca Godfrey) são a base que sustentam essa trama capaz de explorar com profundidade todo aquele universo de inconsistências.
"Debaixo da Ponte" é fiel ao livro de Godfrey, mas é perspicaz ao adaptar os eventos com uma narrativa que busca tanto contar a história quanto provocar ótimas reflexões. Ao abordar questões sensíveis, especialmente sobre os perigos das dinâmicas de grupo entre adolescentes, a minissérie não se esquiva das nuances e contradições tão características da idade. O roteiro também explora a falha das instituições, desde escolas e orfanatos até a tão famigerada justiça, em proteger jovens vulneráveis como Reena, levantando assim questões relevantes sobre responsabilidade coletiva que, olha, dilaceram nosso coração. Saiba que "Debaixo da Ponte" é difícil de assistir devido à intensidade emocional e à natureza sombria de sua narrativa, no entanto posso garantir que para aqueles interessados em histórias reais que misturam investigação, drama e crítica social, o entretenimento está garantido!"
Vale o seu play!
PS: A autora Rebecca Godfrey faleceu de câncer de pulmão em outubro de 2022, apenas algumas semanas depois de assinar o contrato com o Hulu para uma adaptação de sua obra. Triste!
Debaixo da Ponte - A Verdadeira História do Assassinato de Reena Virk" é de fato envolvente, especialmente por transitar em universos tão distintos, mas que ao se complementarem, fazem com que a jornada ganhe um outro sentido. Se inicialmente temos a impressão de ser tratar de um drama criminal ao melhor estilo "Mare of Easttown"ou "Sharp Objects", rapidamente temos contato com outras camadas que trazem muito de "13 Reasons Why", ou mais ainda, de "Depois de Lúcia". Criada por Quinn Shephard e baseada no livro investigativo de Rebecca Godfrey, essa é uma minissérie que sabe mergulhar na brutalidade de um crime real que chocou o Canadá na década de 1990: o assassinato de Reena Virk, uma adolescente de 14 anos,, descendente indiana e com fortes influências religiosas, que foi brutalmente atacada por suas colegas. Com muita sensibilidade, a produção retrata não apenas o crime em si, mas também as dinâmicas sociais e culturais que culminaram na tragédia, oferecendo um olhar incisivo sobre questões sérias de bullying, racismo, exclusão social e violência juvenil. Assim como as referências citadas, a minissérie merece sua atenção justamente por explorar a fragilidade das estruturas sociais, bem como os impactos devastadores de uma tragédia que poderia ter sido evitada.
"Under de Bridge" (no original) se desenrola em um ritmo tenso e emocionalmente impactante, alternando entre os eventos que levaram ao assassinato de Reena (Vritika Gupta) e os desdobramentos posteriores, incluindo o impacto na comunidade, as investigações e os processos judiciais. A história não poupa a audiência de detalhes desconfortáveis, mas evita o sensacionalismo barato, optando por uma abordagem que busca compreender as motivações e circunstâncias por trás do crime. O roteiro é estruturado de maneira a apresentar as perspectivas de múltiplos personagens - desde os amigos e familiares de Reena até os jovens envolvidos no crime e as autoridades locais -, permitindo assim uma visão ampla e complexa do caso que mudou a história da ilha deVictoria, em British Columbia. Confira o trailer:
Quinn Shephard (de "Influencer de Mentira") adota uma estratégia no desenvolvimento da minissérie que equilibra a sensibilidade com a tensão. A sensibilidade certamente vem da obra de Manjit Virk, "Reena: A Father's Story", que complementa perfeitamente o estilo narrativo mais provocador de Rebecca Godfrey. Veja, o time de direção liderado pela própria Shephard, sabe disso e acaba construindo uma dinâmica onde os momentos de violência e confronto são filmados de forma crua, mas nunca explorados de maneira gráfica ou desnecessária, em contrapartida, os momentos mais introspectivos são carregados de emoção, com um uso habilidoso de silêncios e close-ups que capturam o peso daquela realidade dolosa para a família. A escolha de ambientar a série em cenários suburbanos aparentemente tranquilos cria um contraste poderoso com a violência latente da história, ressaltando como problemas sociais profundos podem estar ocultos sob uma superfície aparentemente comum.
A fotografia do Minka Farthing-Kohl (que não por acaso esteve na série "Você") utiliza tons mais sombrios e uma iluminação naturalista que reforça a autenticidade da narrativa - bem estilo HBO, sabe? Repare como as cenas ambientadas ao redor do rio e da ponte, o local onde Reena foi assassinada, são particularmente impactantes - é um visual dicotômico, que transmite tanto a beleza quanto a frieza do cenário, servindo como uma metáfora para a dualidade que a minissérie arquiteta com sabedoria entre um crime e seus responsáveis. Aqui eu preciso citar as performances do elenco - Vritika Gupta entrega uma performance comovente e autêntica, capturando a vulnerabilidade e o desejo de aceitação de Reena Virk. O elenco de apoio, especialmente Chloe Guidry, Aiyana Goodfellow e Javon 'Wanna' Walton, conseguem transmitir a mistura explosiva de imaturidade, crueldade e arrependimento que permeiam as ações daqueles adolescentes. Já Lily Gladstone (a policial Cam Bentland) e Riley Keough (a autora Rebecca Godfrey) são a base que sustentam essa trama capaz de explorar com profundidade todo aquele universo de inconsistências.
"Debaixo da Ponte" é fiel ao livro de Godfrey, mas é perspicaz ao adaptar os eventos com uma narrativa que busca tanto contar a história quanto provocar ótimas reflexões. Ao abordar questões sensíveis, especialmente sobre os perigos das dinâmicas de grupo entre adolescentes, a minissérie não se esquiva das nuances e contradições tão características da idade. O roteiro também explora a falha das instituições, desde escolas e orfanatos até a tão famigerada justiça, em proteger jovens vulneráveis como Reena, levantando assim questões relevantes sobre responsabilidade coletiva que, olha, dilaceram nosso coração. Saiba que "Debaixo da Ponte" é difícil de assistir devido à intensidade emocional e à natureza sombria de sua narrativa, no entanto posso garantir que para aqueles interessados em histórias reais que misturam investigação, drama e crítica social, o entretenimento está garantido!"
Vale o seu play!
PS: A autora Rebecca Godfrey faleceu de câncer de pulmão em outubro de 2022, apenas algumas semanas depois de assinar o contrato com o Hulu para uma adaptação de sua obra. Triste!
"Dentro da Casa", filme do diretor François Ozon, do também excelente, "O Amante Duplo", brinca com o mesmo elemento narrativo que nos motivou assistir "A Mulher na Janela"e "The Voyeurs" -aquela curiosidade incontrolável de saber o que acontece na vida dos outros, dentro de quatro paredes. Se nos filmes citados o foco era o suspense psicológico, aqui o objetivo é mostrar o poder que as palavras têm na construção de uma imaginação quase literal de uma história! "Dentro da Casa" também provoca um certo desconforto pelo receio de ser descoberto, mas está longe de ser um thriller - eu diria, inclusive, que ele é um ótimo e criativo drama de relações.
Um pouco cansado da rotina de professor de literatura francesa, Germain (Fabrice Luchini) chega a atormentar sua esposa Jeanne (Kristin Scott Thomas) com suas reclamações, mas ela também tem seus problemas profissionais para resolver e nem sempre dá a atenção desejada. Até o dia em que ele descobre na redação de um dos seus alunos, o adolescente Claude (Ernst Umhauer), um estilo diferente de escrita, que dá início a um intrigante jogo de sedução entre pupilo e mestre, que acaba envolvendo a própria esposa, a família de um colega de classe e seu dia a dia profissional. Confira o trailer:
Baseado na peça teatral "The Boy in the Last Row" de Juan Mayorga, "Dentro da Casa" tem o mérito de manipular a realidade pelos olhos de vários personagens de uma forma que em muitos momentos nos pegamos contestando se aquilo tudo pode ser verossímil. A cada capítulo escrito (vamos chamar assim) que Claude entrega para Germain ler, somos arremessados para dentro de um contexto palpável, o lar de uma família aparentemente feliz. O interessante é que levada autoral do filme torna impossível cravar o que é real e o que é imaginação nesse mesmo contexto. Se para Germain as histórias do seu aluno não passam de uma pura interpretação de seus desejos mais adolescentes, para sua esposa Jeanne, os detalhes são tão reais que ela mesmo duvida que aquela história possa ser fruto da criatividade de um rapaz tão jovem.
Esse "vai e vem" entre realidade e imaginação, através dos textos de Claude, é muito bem traduzido em imagens por Ozon, que também assinou o roteiro. As intervenções metalinguísticas que o diretor faz durante algumas cenas são sensacionais e tira, mais uma vez, o peso da necessidade de surpreender a audiência com um plot twist matador, típico do suspense, afinal, a cada momento, só temos ferramentas para "supor" e nunca para "afirmar" que aquilo tudo está, de fato, acontecendo. Quando Claude traz para a história suas fantasias adolescentes, é clara a identificação de Germain com seu passado de escritor, ao mesmo tempo quando as soluções de seu aluno são mais trágicas, o que vemos é o medo do professor em assumir que está indo longe demais em pró da sua paixão pela literatura (ou pela reparação de uma frustração antiga).
"Dentro da Casa" parece um jogo, cheio de provocações e fantasias, onde a relação entre as pessoas, em diferente níveis, são expostas de uma forma muito autêntica - é uma verdadeira celebração aos diversos tipos de arte (literatura, cinema, artes plásticas, pintura). Ozon foi muito feliz em usar vários conceitos cinematográficos para incitar nossa imaginação e desejos - Emmanuelle Seigner (Esther) funciona como gatilho para isso, mas seria injusto com todo o excelente elenco dar esse mérito apenas para ela. O filme é tão bom e dinâmico que quando Claude finaliza sua história, surpreendentemente, pouco nos importa se tudo aquilo foi real em algum momento - o que no moveu até ali foram as sensações provocadas, como em um bom livro, aliás.
Vale muito seu play! Filmaço!
"Dentro da Casa", filme do diretor François Ozon, do também excelente, "O Amante Duplo", brinca com o mesmo elemento narrativo que nos motivou assistir "A Mulher na Janela"e "The Voyeurs" -aquela curiosidade incontrolável de saber o que acontece na vida dos outros, dentro de quatro paredes. Se nos filmes citados o foco era o suspense psicológico, aqui o objetivo é mostrar o poder que as palavras têm na construção de uma imaginação quase literal de uma história! "Dentro da Casa" também provoca um certo desconforto pelo receio de ser descoberto, mas está longe de ser um thriller - eu diria, inclusive, que ele é um ótimo e criativo drama de relações.
Um pouco cansado da rotina de professor de literatura francesa, Germain (Fabrice Luchini) chega a atormentar sua esposa Jeanne (Kristin Scott Thomas) com suas reclamações, mas ela também tem seus problemas profissionais para resolver e nem sempre dá a atenção desejada. Até o dia em que ele descobre na redação de um dos seus alunos, o adolescente Claude (Ernst Umhauer), um estilo diferente de escrita, que dá início a um intrigante jogo de sedução entre pupilo e mestre, que acaba envolvendo a própria esposa, a família de um colega de classe e seu dia a dia profissional. Confira o trailer:
Baseado na peça teatral "The Boy in the Last Row" de Juan Mayorga, "Dentro da Casa" tem o mérito de manipular a realidade pelos olhos de vários personagens de uma forma que em muitos momentos nos pegamos contestando se aquilo tudo pode ser verossímil. A cada capítulo escrito (vamos chamar assim) que Claude entrega para Germain ler, somos arremessados para dentro de um contexto palpável, o lar de uma família aparentemente feliz. O interessante é que levada autoral do filme torna impossível cravar o que é real e o que é imaginação nesse mesmo contexto. Se para Germain as histórias do seu aluno não passam de uma pura interpretação de seus desejos mais adolescentes, para sua esposa Jeanne, os detalhes são tão reais que ela mesmo duvida que aquela história possa ser fruto da criatividade de um rapaz tão jovem.
Esse "vai e vem" entre realidade e imaginação, através dos textos de Claude, é muito bem traduzido em imagens por Ozon, que também assinou o roteiro. As intervenções metalinguísticas que o diretor faz durante algumas cenas são sensacionais e tira, mais uma vez, o peso da necessidade de surpreender a audiência com um plot twist matador, típico do suspense, afinal, a cada momento, só temos ferramentas para "supor" e nunca para "afirmar" que aquilo tudo está, de fato, acontecendo. Quando Claude traz para a história suas fantasias adolescentes, é clara a identificação de Germain com seu passado de escritor, ao mesmo tempo quando as soluções de seu aluno são mais trágicas, o que vemos é o medo do professor em assumir que está indo longe demais em pró da sua paixão pela literatura (ou pela reparação de uma frustração antiga).
"Dentro da Casa" parece um jogo, cheio de provocações e fantasias, onde a relação entre as pessoas, em diferente níveis, são expostas de uma forma muito autêntica - é uma verdadeira celebração aos diversos tipos de arte (literatura, cinema, artes plásticas, pintura). Ozon foi muito feliz em usar vários conceitos cinematográficos para incitar nossa imaginação e desejos - Emmanuelle Seigner (Esther) funciona como gatilho para isso, mas seria injusto com todo o excelente elenco dar esse mérito apenas para ela. O filme é tão bom e dinâmico que quando Claude finaliza sua história, surpreendentemente, pouco nos importa se tudo aquilo foi real em algum momento - o que no moveu até ali foram as sensações provocadas, como em um bom livro, aliás.
Vale muito seu play! Filmaço!
"Depois da Festa", produção original da Apple, é muito divertida e, sem a menor dúvida, veio para beber na mesma fonte de "Only Murders in the Building"- na sua forma e no seu conteúdo. Embora sejam histórias completamente diferentes, a série parte do mesmo principio: um assassinato onde todos são suspeitos (conteúdo). Misturando comédia com investigação (forma), "Depois da Festa" usa um conceito narrativo muito interessante: cada um dos interrogados conta sua versão da história respeitando as características de um determinado gênero de TV ou do cinema, criando uma dinâmica surpreendentemente criativa que vai do suspense à animação.
Na história acompanhamos a detetive Danner (Tiffany Haddish) que é chamada para investigar o assassinato do astro pop, Xavier (Dave Franco), morto em sua mansão durante uma festa entre amigos realizada após um evento de reencontro de 15 anos da sua turma do colégio. Confira o trailer:
Criada por Chris Miller, mente por trás do sucesso "Homem-Aranha no Aranhaverso"(2018), "Depois da Festa" agrada logo de cara, com sacadas muito bem inseridas no roteiro e com uma proposta narrativa das mais interessantes. O sucesso foi tão grande que mesmo antes do aguardado final da primeira temporada, a Apple já havia dado o sinal verde para uma segunda e confirmado o retorno de Haddish como detetive Danner para tentar desvendar o mistério de outro caso.
Veja, em um primeiro momento você pode até estranhar a forma como a história está sendo contada, com alguns erros de continuidade grosseiros e um certo descompasso entre os personagens e a trama que movimenta a história, porém logo percebemos que tudo isso faz parte da proposta - afinal as histórias são contadas pelo ponto de vista de quem viveu aquilo tudo e isso lhe dá o direito de construir a sua versão dos fatos, mesmo que soe fantasioso demais. A mudança de gênero que cada personagem escolhe para contar essa sua versão colabora para uma experiência única: o de tentar encontrar o assassino com as peças que nos são mostradas - e não se engane, essa peças são mostradas em todo momento, então preste muita atenção - o último episódio, inclusive, faz uso de uma montagem sensacional para nos provar que "quase" tudo foi realmente mostrado antes.
"The AfterParty" (no original) tem o mistério, ao melhor estilo "quem matou?", na sua essência, mas é durante a jornada que a série brilha (e brilha muito). Até o sétimo episódio, o mais fraco na minha opinião e que conta a história da detetive Danner, tem conexão com o arco central e se justifica logo no episódio seguinte. Esse cuidado em amarrar todas as pontas é uma aula de planejamento narrativo e faz de toda série imperdível - é impossível não ficar ansioso para conhecer as próximas pistas e assim construir a sua própria versão para o caso! Olha, se comentei no review de "Only Murders in the Building" que ao lado de "Ted Lasso" e "O Método Kominsky", aquela tinha sido a série que mais trouxe um frescor narrativo nos últimos anos, fico muito a vontade em adicionar mais um título nessa prateleira: "Depois da Festa"!
Vale muito o seu play!
"Depois da Festa", produção original da Apple, é muito divertida e, sem a menor dúvida, veio para beber na mesma fonte de "Only Murders in the Building"- na sua forma e no seu conteúdo. Embora sejam histórias completamente diferentes, a série parte do mesmo principio: um assassinato onde todos são suspeitos (conteúdo). Misturando comédia com investigação (forma), "Depois da Festa" usa um conceito narrativo muito interessante: cada um dos interrogados conta sua versão da história respeitando as características de um determinado gênero de TV ou do cinema, criando uma dinâmica surpreendentemente criativa que vai do suspense à animação.
Na história acompanhamos a detetive Danner (Tiffany Haddish) que é chamada para investigar o assassinato do astro pop, Xavier (Dave Franco), morto em sua mansão durante uma festa entre amigos realizada após um evento de reencontro de 15 anos da sua turma do colégio. Confira o trailer:
Criada por Chris Miller, mente por trás do sucesso "Homem-Aranha no Aranhaverso"(2018), "Depois da Festa" agrada logo de cara, com sacadas muito bem inseridas no roteiro e com uma proposta narrativa das mais interessantes. O sucesso foi tão grande que mesmo antes do aguardado final da primeira temporada, a Apple já havia dado o sinal verde para uma segunda e confirmado o retorno de Haddish como detetive Danner para tentar desvendar o mistério de outro caso.
Veja, em um primeiro momento você pode até estranhar a forma como a história está sendo contada, com alguns erros de continuidade grosseiros e um certo descompasso entre os personagens e a trama que movimenta a história, porém logo percebemos que tudo isso faz parte da proposta - afinal as histórias são contadas pelo ponto de vista de quem viveu aquilo tudo e isso lhe dá o direito de construir a sua versão dos fatos, mesmo que soe fantasioso demais. A mudança de gênero que cada personagem escolhe para contar essa sua versão colabora para uma experiência única: o de tentar encontrar o assassino com as peças que nos são mostradas - e não se engane, essa peças são mostradas em todo momento, então preste muita atenção - o último episódio, inclusive, faz uso de uma montagem sensacional para nos provar que "quase" tudo foi realmente mostrado antes.
"The AfterParty" (no original) tem o mistério, ao melhor estilo "quem matou?", na sua essência, mas é durante a jornada que a série brilha (e brilha muito). Até o sétimo episódio, o mais fraco na minha opinião e que conta a história da detetive Danner, tem conexão com o arco central e se justifica logo no episódio seguinte. Esse cuidado em amarrar todas as pontas é uma aula de planejamento narrativo e faz de toda série imperdível - é impossível não ficar ansioso para conhecer as próximas pistas e assim construir a sua própria versão para o caso! Olha, se comentei no review de "Only Murders in the Building" que ao lado de "Ted Lasso" e "O Método Kominsky", aquela tinha sido a série que mais trouxe um frescor narrativo nos últimos anos, fico muito a vontade em adicionar mais um título nessa prateleira: "Depois da Festa"!
Vale muito o seu play!
Poucos filmes me incomodaram tanto pela realidade brutal quanto "Depois de Lucia". Essa produção mexicana que recebeu o prêmio “Un Certain Regard”, no Festival de Cannes de 2012, discute o bullying de uma forma tão visceral que é quase insuportável assistir as quase duas horas de filme - ele é tão provocador e profundo na sua proposta que gostaríamos que a história durasse pelo menos mais trinta minutos para que todos os "pontos nos is" fossem colocados. De fato a sensação não é agradável, ou seja, não estamos falando de entretenimento, por outro lado, a mensagem que mais vinha na minha cabeça de pai (de menina) era: precisamos olhar pelos nossos filhos, sempre!
Quando a esposa de Roberto (Gonzalo Vega Jr.) morre em um acidente de carro, a relação dele com sua filha Alejandra (Tessa Ia), de 15 anos, fica abalada. Para escapar da tristeza que toma conta da rotina dos dois, pai e filha deixam a cidade de Vallarda e rumam para a Cidade do México em busca de uma nova vida. Alejandra ingressa em um novo colégio, e passa a sentir toda a dificuldade de começar de novo quando, gratuitamente, começa sofrer abusos físicos e emocionais dos colegas. Envergonhada, a menina não conta nada para o pai, e à medida que a violência toma conta da vida dos dois, eles vão se afastando cada vez mais. Confira o trailer:
Se é preciso falar sobre bullying, assistir "Depois de Lucia" é um bom começo - embora a jornada seja das mais penosas e não porquê o filme seja ruim, muito pelo contrário, mas porquê ele é muito bom! As sensações que o diretor Michel Franco consegue nos provocar são doloridas, reflexivas, revoltantes até. Aqui, é impossível não se conectar com Ale e, claro, entender as dores de Roberto - e o filme não se apropria de diálogos expositivos ou de qualquer tipo de verborragia, são as ações, muitas vezes em silêncio, que nos tocam a alma.
Se em "13 Reasons Why" o conceito narrativo se apropriou de uma linguagem mais jovem para equilibrar a seriedade do assunto com uma certa leveza visual para expor a influência dos personagens (e do meio) no destino da protagonista, em "Depois de Lucia" o tom é praticamente o inverso - o drama é pesado e o terror psicológico é quase o ponto de partida do segundo ato. Veja, Franco não economiza nos planos mais longos, cirurgicamente ensaiados e extremamente bem dirigidos em um mise-en-scène tão bem executado que chega a soar que os diálogos são improvisados dado o poder da naturalidade dos jovens atores - de todos. A câmera está sempre no lugar certo para contar a história, muitas vezes estática e abdicando da gramática usual do "plano e contra-plano", tudo isso para nos colocar na raiz do problema, no olho do furacão, com a terrível função de apenas observar, tornando o filme (e a experiência) bastante desconfortável.
Tecnicamente o bullying é um mecanismo grupal através de onde um bode expiatório, objeto de projeções maciças do grupo, é escolhido e sacrificado. É uma forma patológica de manejar as tensões do grupo, descarregando sobre um de seus membros, geralmente o mais frágil e indefeso, a agressividade de todos. Dito isso, não se pode fechar os olhos para o problema, já que muitas das atitudes do grupo se apoiam na desculpa da imaturidade para se safar das responsabilidades. O filme explora perfeitamente essa dinâmica e, mais uma vez, mesmo indigesto, consegue nos fazer refletir e, principalmente, abrir os olhos para um problema que só vem piorando, de geração para geração.
Se você já for pai, assista. Se ainda não for, esteja preparado.
Vale muito o seu play!
Poucos filmes me incomodaram tanto pela realidade brutal quanto "Depois de Lucia". Essa produção mexicana que recebeu o prêmio “Un Certain Regard”, no Festival de Cannes de 2012, discute o bullying de uma forma tão visceral que é quase insuportável assistir as quase duas horas de filme - ele é tão provocador e profundo na sua proposta que gostaríamos que a história durasse pelo menos mais trinta minutos para que todos os "pontos nos is" fossem colocados. De fato a sensação não é agradável, ou seja, não estamos falando de entretenimento, por outro lado, a mensagem que mais vinha na minha cabeça de pai (de menina) era: precisamos olhar pelos nossos filhos, sempre!
Quando a esposa de Roberto (Gonzalo Vega Jr.) morre em um acidente de carro, a relação dele com sua filha Alejandra (Tessa Ia), de 15 anos, fica abalada. Para escapar da tristeza que toma conta da rotina dos dois, pai e filha deixam a cidade de Vallarda e rumam para a Cidade do México em busca de uma nova vida. Alejandra ingressa em um novo colégio, e passa a sentir toda a dificuldade de começar de novo quando, gratuitamente, começa sofrer abusos físicos e emocionais dos colegas. Envergonhada, a menina não conta nada para o pai, e à medida que a violência toma conta da vida dos dois, eles vão se afastando cada vez mais. Confira o trailer:
Se é preciso falar sobre bullying, assistir "Depois de Lucia" é um bom começo - embora a jornada seja das mais penosas e não porquê o filme seja ruim, muito pelo contrário, mas porquê ele é muito bom! As sensações que o diretor Michel Franco consegue nos provocar são doloridas, reflexivas, revoltantes até. Aqui, é impossível não se conectar com Ale e, claro, entender as dores de Roberto - e o filme não se apropria de diálogos expositivos ou de qualquer tipo de verborragia, são as ações, muitas vezes em silêncio, que nos tocam a alma.
Se em "13 Reasons Why" o conceito narrativo se apropriou de uma linguagem mais jovem para equilibrar a seriedade do assunto com uma certa leveza visual para expor a influência dos personagens (e do meio) no destino da protagonista, em "Depois de Lucia" o tom é praticamente o inverso - o drama é pesado e o terror psicológico é quase o ponto de partida do segundo ato. Veja, Franco não economiza nos planos mais longos, cirurgicamente ensaiados e extremamente bem dirigidos em um mise-en-scène tão bem executado que chega a soar que os diálogos são improvisados dado o poder da naturalidade dos jovens atores - de todos. A câmera está sempre no lugar certo para contar a história, muitas vezes estática e abdicando da gramática usual do "plano e contra-plano", tudo isso para nos colocar na raiz do problema, no olho do furacão, com a terrível função de apenas observar, tornando o filme (e a experiência) bastante desconfortável.
Tecnicamente o bullying é um mecanismo grupal através de onde um bode expiatório, objeto de projeções maciças do grupo, é escolhido e sacrificado. É uma forma patológica de manejar as tensões do grupo, descarregando sobre um de seus membros, geralmente o mais frágil e indefeso, a agressividade de todos. Dito isso, não se pode fechar os olhos para o problema, já que muitas das atitudes do grupo se apoiam na desculpa da imaturidade para se safar das responsabilidades. O filme explora perfeitamente essa dinâmica e, mais uma vez, mesmo indigesto, consegue nos fazer refletir e, principalmente, abrir os olhos para um problema que só vem piorando, de geração para geração.
Se você já for pai, assista. Se ainda não for, esteja preparado.
Vale muito o seu play!
Se "O Céu da Meia-Noite" da Netflix trouxe alguns elementos do cinema catástrofe que esteve tão em evidência em 1998, e estamos falando mais especificamente de "Armageddon", "Destruição Final" da Amazon Prime Vídeo segue exatamente a mesma receita, mas buscando referências de outro filme lançado no mesmo ano e igualmente reconhecido: "Impacto Profundo"! Ou seja, se dois desses três filmes significaram um bom entretenimento para você, pode dar o play sem o menor receio porque a diversão está garantida!
"Destruição Final" (que tem "O Último Refúgio"como sub-título) acompanha aquela trama padrão de filmes catástrofe: um cometa está passando pela órbita da Terra e o que inicialmente parecia apenas curiosidade logo se transforma em terror quando o corpo celeste começa a se partir e seus fragmentos passam a causar uma devastação global sem precedentes. Ao longo da história, porém, acompanhamos a jornada da família de John Garrity (Gerard Butler) que, sorteados pelo governo, buscam chegar a um local seguro, uma espécie de bunker construído na Groenlândia. Confira o trailer:
O filme de Ric Roman Waugh (deInvasão ao Serviço Secreto) bebe da fonte de clássicos como o já citado "Impacto Profundo" (de Mimi Leder), mas também trás muitos elementos de "2012" (de Roland Emmerich) e, especialmente, de "Guerra dos Mundos", filme dirigido porSteven Spielberg, que se apega a luta de um homem pela vida de sua família em um momento de reconstrução da relação. Dito isso fica muito fácil afirmar que o roteiro de Chris Sparling segue a receita do gênero, mas peca em um único detalhe: você não vai encontrar uma cena marcante da destruição causada pelo cometa e isso, para mim, é um ponto bem sensível do filme - culpa do orçamento! Não que faça falta, mas estamos falando de entretenimento de gênero, a expectativa sempre vai existir quando escolhemos um filme como esse e aqui o impacto catastrófico é solucionado por reportagens da imprensa ao redor do mundo que misturam planos bem fechado e montagens que usam de pontos turísticos ou construções simbólicas para localizar a destruição, mas com um detalhe muito interessante: essas estruturas construídas pelo homem sobrevivem, já o próprio homem... Reparem!
Com total controle de suas limitações orçamentárias, o diretor Ric Roman Waugh usa e abusa da criatividade para nos entregar ótimos momentos de ação e planos bem impactantes onde o horror nos olhos de quem vê é mais importante do que, de fato, a destruição que ele está testemunhando. A angústia dos personagens em busca de sobrevivência é a principal linha narrativa, o resto é perfumaria - superficial, mas divertida!
"Destruição Final" (ou "Greenland", título original) é uma ótima sessão da tarde, sem pretensões de ser inesquecível, mas que traz para o sofá um entretenimento raiz, sem teorizações e alívios poéticos - é pura, e simplesmente, diversão! Vale o play!
Se "O Céu da Meia-Noite" da Netflix trouxe alguns elementos do cinema catástrofe que esteve tão em evidência em 1998, e estamos falando mais especificamente de "Armageddon", "Destruição Final" da Amazon Prime Vídeo segue exatamente a mesma receita, mas buscando referências de outro filme lançado no mesmo ano e igualmente reconhecido: "Impacto Profundo"! Ou seja, se dois desses três filmes significaram um bom entretenimento para você, pode dar o play sem o menor receio porque a diversão está garantida!
"Destruição Final" (que tem "O Último Refúgio"como sub-título) acompanha aquela trama padrão de filmes catástrofe: um cometa está passando pela órbita da Terra e o que inicialmente parecia apenas curiosidade logo se transforma em terror quando o corpo celeste começa a se partir e seus fragmentos passam a causar uma devastação global sem precedentes. Ao longo da história, porém, acompanhamos a jornada da família de John Garrity (Gerard Butler) que, sorteados pelo governo, buscam chegar a um local seguro, uma espécie de bunker construído na Groenlândia. Confira o trailer:
O filme de Ric Roman Waugh (deInvasão ao Serviço Secreto) bebe da fonte de clássicos como o já citado "Impacto Profundo" (de Mimi Leder), mas também trás muitos elementos de "2012" (de Roland Emmerich) e, especialmente, de "Guerra dos Mundos", filme dirigido porSteven Spielberg, que se apega a luta de um homem pela vida de sua família em um momento de reconstrução da relação. Dito isso fica muito fácil afirmar que o roteiro de Chris Sparling segue a receita do gênero, mas peca em um único detalhe: você não vai encontrar uma cena marcante da destruição causada pelo cometa e isso, para mim, é um ponto bem sensível do filme - culpa do orçamento! Não que faça falta, mas estamos falando de entretenimento de gênero, a expectativa sempre vai existir quando escolhemos um filme como esse e aqui o impacto catastrófico é solucionado por reportagens da imprensa ao redor do mundo que misturam planos bem fechado e montagens que usam de pontos turísticos ou construções simbólicas para localizar a destruição, mas com um detalhe muito interessante: essas estruturas construídas pelo homem sobrevivem, já o próprio homem... Reparem!
Com total controle de suas limitações orçamentárias, o diretor Ric Roman Waugh usa e abusa da criatividade para nos entregar ótimos momentos de ação e planos bem impactantes onde o horror nos olhos de quem vê é mais importante do que, de fato, a destruição que ele está testemunhando. A angústia dos personagens em busca de sobrevivência é a principal linha narrativa, o resto é perfumaria - superficial, mas divertida!
"Destruição Final" (ou "Greenland", título original) é uma ótima sessão da tarde, sem pretensões de ser inesquecível, mas que traz para o sofá um entretenimento raiz, sem teorizações e alívios poéticos - é pura, e simplesmente, diversão! Vale o play!
A nova produção da Prime Vídeo, "Detetive Alex Cross", traz a receita que deu mais do que certo em outras produções de seu catálogo de originais como "Jack Ryan" e "Reacher" - o protagonista herói quase sem "super-poderes", mas que resolve tudo com o que têm deles! É isso, "Cross" (no original), criada por Ben Watkins (de "Burn Notice") e baseada nos livros do renomado autor James Patterson, traz para o streaming um dos personagens mais icônicos da literatura policial contemporânea. Conhecido por sua sagacidade, inteligência emocional e dedicação implacável à justiça, Alex Cross finalmente ganha uma adaptação que explora suas habilidades como investigador e psicólogo forense, ao mesmo tempo em que mergulha em suas lutas pessoais mais íntimas. A série entrega uma narrativa tensa e emocional, seguindo a tradição de produções mais clássicas como "CSI" ou "Criminal Minds", mas com um toque de modernidade, abandonando o estilo procedural, para embarcar em uma jornada melhor desenvolvida onde o protagonista e as suas relações interpessoais também ganham os holofotes.
Na trama, Alex Cross (Aldis Hodge) é um detetive brilhante e comprometido que tenta de todas as formas equilibrar sua vida como pai viúvo com o peso de ser um especialista em casos de homicídios brutais em Washington, DC. A série começa com Cross investigando uma série de crimes que o levam a enfrentar alguns dos assassinos mais perigosos e perturbadores de sua carreira, enquanto lida com a dor de nunca ter conseguido encontrar o responsável pela morte de sua esposa. Conforme os episódios avançam, a história revela o impacto que esses casos têm na psique de Cross e em seus laços familiares, destacando o preço emocional de sua vocação, especialmente quando alguns fantasmas do passado voltam para assombra-lo. Confira o trailer:
Essa adaptação de Ben Watkins é entretenimento puro. Mesmo que o texto equilibre com perfeição o drama psicológico com boas sequências de tensão e mistério, é de se notar que a proposta aqui não é entregar uma experiência visualmente marcante ou uma trama complexa ao ponto de nos deixar fora da zona de conforto, mas sim nos colocar próximo ao protagonista para que possamos nos divertir com a jornada em si. A narrativa se desenrola em um ritmo envolvente, alternando momentos de mais introspecção com cenas de ação e investigação bem construídas. A escolha de explorar a personalidade multifacetada de Alex Cross em vez de focar exclusivamente nos casos é um elemento que merece ser destacado, pois adiciona profundidade emocional e humaniza o personagem sem que pese demais no ritmo. Nesse sentido, Watkins faz bom uso dos elementos clássicos da obra de Patterson, como os enigmas psicológicos e os antagonistas meticulosos, mas adapta com inteligência para um formato que realmente envolve quem assiste.
A performance de Aldis Hodge é excepcional. Ele entrega uma interpretação que captura tanto a força e a inteligência do personagem quanto suas fragilidades para alguns assuntos - um exemplo disso é a combinação entre a cena onde ele está jantando na casa da namorada com o prólogo onde ele confronta um criminoso em um interrogatório, ambos no primeiro episódio. Hodge se aproveita de um roteiro eficaz em manter a tensão e o mistério, mas que também reserva espaço para explorar temas como trauma, luto e a resiliência diante da adversidade, para brilhar - ele, de fato, é muito carismático. Os diálogos realmente são bem escritos, muitas vezes carregados de subtexto, e as reviravoltas são bem planejadas, nos moldes mais tradicionais, eu diria. Com isso "Detetive Alex Cross" não foge de temas difíceis, com cenas de violência onde a complexidade do comportamento humano é colocada à prova, mas, por outro lado, também evita cair em um sensacionalismo barato, abordando tais assuntos com mais respeito do que com enrolação.
Agora é preciso alinhar as expectativas. Para se divertir com a série é necessário entender que algumas subtramas podem parecer um pouco forçadas ou até apressadas. Que certos episódios se apoiam em convenções do gênero que podem ser mais previsíveis para aqueles que gostam de thrillers policiais, No entanto, essas questões não devem comprometer a experiência em si, ou seja, não espere uma jornada complexa demais, aqui em "Detetive Alex Cross" o que vale mesmo é o entretenimento despretensioso!
Pode dar o play sem medo e divirta-se!
A nova produção da Prime Vídeo, "Detetive Alex Cross", traz a receita que deu mais do que certo em outras produções de seu catálogo de originais como "Jack Ryan" e "Reacher" - o protagonista herói quase sem "super-poderes", mas que resolve tudo com o que têm deles! É isso, "Cross" (no original), criada por Ben Watkins (de "Burn Notice") e baseada nos livros do renomado autor James Patterson, traz para o streaming um dos personagens mais icônicos da literatura policial contemporânea. Conhecido por sua sagacidade, inteligência emocional e dedicação implacável à justiça, Alex Cross finalmente ganha uma adaptação que explora suas habilidades como investigador e psicólogo forense, ao mesmo tempo em que mergulha em suas lutas pessoais mais íntimas. A série entrega uma narrativa tensa e emocional, seguindo a tradição de produções mais clássicas como "CSI" ou "Criminal Minds", mas com um toque de modernidade, abandonando o estilo procedural, para embarcar em uma jornada melhor desenvolvida onde o protagonista e as suas relações interpessoais também ganham os holofotes.
Na trama, Alex Cross (Aldis Hodge) é um detetive brilhante e comprometido que tenta de todas as formas equilibrar sua vida como pai viúvo com o peso de ser um especialista em casos de homicídios brutais em Washington, DC. A série começa com Cross investigando uma série de crimes que o levam a enfrentar alguns dos assassinos mais perigosos e perturbadores de sua carreira, enquanto lida com a dor de nunca ter conseguido encontrar o responsável pela morte de sua esposa. Conforme os episódios avançam, a história revela o impacto que esses casos têm na psique de Cross e em seus laços familiares, destacando o preço emocional de sua vocação, especialmente quando alguns fantasmas do passado voltam para assombra-lo. Confira o trailer:
Essa adaptação de Ben Watkins é entretenimento puro. Mesmo que o texto equilibre com perfeição o drama psicológico com boas sequências de tensão e mistério, é de se notar que a proposta aqui não é entregar uma experiência visualmente marcante ou uma trama complexa ao ponto de nos deixar fora da zona de conforto, mas sim nos colocar próximo ao protagonista para que possamos nos divertir com a jornada em si. A narrativa se desenrola em um ritmo envolvente, alternando momentos de mais introspecção com cenas de ação e investigação bem construídas. A escolha de explorar a personalidade multifacetada de Alex Cross em vez de focar exclusivamente nos casos é um elemento que merece ser destacado, pois adiciona profundidade emocional e humaniza o personagem sem que pese demais no ritmo. Nesse sentido, Watkins faz bom uso dos elementos clássicos da obra de Patterson, como os enigmas psicológicos e os antagonistas meticulosos, mas adapta com inteligência para um formato que realmente envolve quem assiste.
A performance de Aldis Hodge é excepcional. Ele entrega uma interpretação que captura tanto a força e a inteligência do personagem quanto suas fragilidades para alguns assuntos - um exemplo disso é a combinação entre a cena onde ele está jantando na casa da namorada com o prólogo onde ele confronta um criminoso em um interrogatório, ambos no primeiro episódio. Hodge se aproveita de um roteiro eficaz em manter a tensão e o mistério, mas que também reserva espaço para explorar temas como trauma, luto e a resiliência diante da adversidade, para brilhar - ele, de fato, é muito carismático. Os diálogos realmente são bem escritos, muitas vezes carregados de subtexto, e as reviravoltas são bem planejadas, nos moldes mais tradicionais, eu diria. Com isso "Detetive Alex Cross" não foge de temas difíceis, com cenas de violência onde a complexidade do comportamento humano é colocada à prova, mas, por outro lado, também evita cair em um sensacionalismo barato, abordando tais assuntos com mais respeito do que com enrolação.
Agora é preciso alinhar as expectativas. Para se divertir com a série é necessário entender que algumas subtramas podem parecer um pouco forçadas ou até apressadas. Que certos episódios se apoiam em convenções do gênero que podem ser mais previsíveis para aqueles que gostam de thrillers policiais, No entanto, essas questões não devem comprometer a experiência em si, ou seja, não espere uma jornada complexa demais, aqui em "Detetive Alex Cross" o que vale mesmo é o entretenimento despretensioso!
Pode dar o play sem medo e divirta-se!
"Diana", filme que erroneamente foi vendido como uma cinebiografia, é uma espécie de "Um Lugar Chamado Notting Hill" da vida real - e não falo isso com demérito algum, mas é preciso alinhar as expectativas para que você não se decepcione com o recorte (e o caminho) escolhido para contar como foram os dois últimos anos de vida da princesa Diana, entre sua chocante entrevista para e jornalista Martin Bashir do programaPanorama, da BBC, em novembro de 1995 até sua morte em 31 de agosto de 1997, em Paris.
O filme mostra, basicamente, a princesa Diana (Naomi Watts), a mulher mais famosa do mundo na época, embarcando em um caso de amor complicado com um homem simples e reservado, o cirurgião cardíaco paquistanês Hasnat Khan (Naveen Andrews). Confira o trailer (em inglês):
Dirigido por Oliver Hirschbiegel (de "A Queda! As Últimas Horas de Hitler"), "Diana" é um filme agradável de assistir, mas funciona muito mais como curiosidade do que por sua narrativa dramática e cheia de camadas de uma protagonista complexa que todos conhecem seu destino. "Diana" é um sopro do que poderia representar uma cinebiografia de uma personalidade com esse tamanho, embora o roteiro Stephen Jeffreys, inspirado no livro de Kate Snell, "Diana Her Last Love'", deixe claro isso desde o seu início, ou seja, em hipótese nenhuma, depois do play, pode-se dizer que a audiência foi enganada. Tirando algumas passagens como quando Diana cruza o olhar com o médico Hasnat Khan e na cena seguinte ela já está sonhando com a cabeça no travesseiro, toda apaixonada; Hirschbiegel e Jeffreys foram muito felizes em expor alguns detalhes da intimidade da princesa sem precisar coloca-la em um pedestal. Se sua fama destruiu sua privacidade, afastou o que seria seu grande amor e a separou de seus filhos, seu ativismo em causas nobres e a forma como ela manipulava a imprensa também ajudou a transformar sua vida - a passagem que mostra sua relação com o repórter do "The Sun" para vazar as famosas fotos dela com Dodi Fayed (Cas Anvar) em seu iate, é um bom exemplo disso.
Muito bem fotografado pelo suíço Rainer Klausmann (do excelente "Em Pedaços"), "Diana" não compromete em absolutamente nenhum elemento técnico ou artístico. Naomi Watts fez um excelente trabalho - uma construção de personagem que merece elogios e, principalmente, com uma consciência corporal bastante competente, trazendo para tela vários trejeitos da Diana que, ao lado da maquiagem, facilmente nos transportam para o passado.
O farto é que "Diana" deixa um gostinho de "quero mais" por imaginarmos que sua vida seria muito mais interessante do que a que foi retratada no filme - mas repito, isso não diminui o valor da historia já que esse não era o objetivo e ponto final! Talvez em "The Crown" ou em "Spencer", filme dirigido por Pablo Larraín e com Kristen Stewart como protagonista, tenhamos isso. A questão do desejo das pessoas em viver uma vida através das atitudes de seus ídolos e o papel da mídia sensacionalista inglesa nisso tudo é até mencionada, mas sem muita força. Então lembre-se: "Diana" é "Um Lugar Chamado Notting Hill" da vida real e mais nada!
Dito isso, vale o play tranquilamente!
"Diana", filme que erroneamente foi vendido como uma cinebiografia, é uma espécie de "Um Lugar Chamado Notting Hill" da vida real - e não falo isso com demérito algum, mas é preciso alinhar as expectativas para que você não se decepcione com o recorte (e o caminho) escolhido para contar como foram os dois últimos anos de vida da princesa Diana, entre sua chocante entrevista para e jornalista Martin Bashir do programaPanorama, da BBC, em novembro de 1995 até sua morte em 31 de agosto de 1997, em Paris.
O filme mostra, basicamente, a princesa Diana (Naomi Watts), a mulher mais famosa do mundo na época, embarcando em um caso de amor complicado com um homem simples e reservado, o cirurgião cardíaco paquistanês Hasnat Khan (Naveen Andrews). Confira o trailer (em inglês):
Dirigido por Oliver Hirschbiegel (de "A Queda! As Últimas Horas de Hitler"), "Diana" é um filme agradável de assistir, mas funciona muito mais como curiosidade do que por sua narrativa dramática e cheia de camadas de uma protagonista complexa que todos conhecem seu destino. "Diana" é um sopro do que poderia representar uma cinebiografia de uma personalidade com esse tamanho, embora o roteiro Stephen Jeffreys, inspirado no livro de Kate Snell, "Diana Her Last Love'", deixe claro isso desde o seu início, ou seja, em hipótese nenhuma, depois do play, pode-se dizer que a audiência foi enganada. Tirando algumas passagens como quando Diana cruza o olhar com o médico Hasnat Khan e na cena seguinte ela já está sonhando com a cabeça no travesseiro, toda apaixonada; Hirschbiegel e Jeffreys foram muito felizes em expor alguns detalhes da intimidade da princesa sem precisar coloca-la em um pedestal. Se sua fama destruiu sua privacidade, afastou o que seria seu grande amor e a separou de seus filhos, seu ativismo em causas nobres e a forma como ela manipulava a imprensa também ajudou a transformar sua vida - a passagem que mostra sua relação com o repórter do "The Sun" para vazar as famosas fotos dela com Dodi Fayed (Cas Anvar) em seu iate, é um bom exemplo disso.
Muito bem fotografado pelo suíço Rainer Klausmann (do excelente "Em Pedaços"), "Diana" não compromete em absolutamente nenhum elemento técnico ou artístico. Naomi Watts fez um excelente trabalho - uma construção de personagem que merece elogios e, principalmente, com uma consciência corporal bastante competente, trazendo para tela vários trejeitos da Diana que, ao lado da maquiagem, facilmente nos transportam para o passado.
O farto é que "Diana" deixa um gostinho de "quero mais" por imaginarmos que sua vida seria muito mais interessante do que a que foi retratada no filme - mas repito, isso não diminui o valor da historia já que esse não era o objetivo e ponto final! Talvez em "The Crown" ou em "Spencer", filme dirigido por Pablo Larraín e com Kristen Stewart como protagonista, tenhamos isso. A questão do desejo das pessoas em viver uma vida através das atitudes de seus ídolos e o papel da mídia sensacionalista inglesa nisso tudo é até mencionada, mas sem muita força. Então lembre-se: "Diana" é "Um Lugar Chamado Notting Hill" da vida real e mais nada!
Dito isso, vale o play tranquilamente!
E se toda memória que te assombrou a vida inteira pudesse ser apagada? E se algo realmente horrível tivesse acontecido na sua infância e a pessoa que você mais ama pudesse tirar isso da sua mente?
Com essa premissa, qualquer filme ou série de ficção já chamaria a atenção de muita gente, certo? A grande questão é que "Diga quem sou" é um documentário! Um excelente documentário, eu diria! O filme mostra o dilema ético que Marcus Lewis, na época com 18 anos, enfrentou quando seu irmão gêmeo, Alex, despertou do coma após um acidente de moto, completamente sem memória. Marcus foi a única pessoa que ele reconheceu. Alex, então, confiou inteiramente em seu irmão para que pudesse reconstruir o seu passado a partir das lembranças que o irmão descrevia, porém nem tudo precisava ser dito e é aí que o documentário começa ganhar força, pois a todo momento nos colocamos na pele de Marcus e, mesmo sem entender a razão exata das suas escolhas, iniciamos um processo natural de julgamento: qual o preço que devemos pagar por nem sempre falarmos a verdade?
Se prepare, pois essa discussão moral de "Diga quem sou" é surpreendente, principalmente por tudo que vamos descobrindo durante o filme. Agora, nem de longe é um documentário fácil de digerir ou de aceitar, mas certamente te fará refletir muito!
"Diga quem sou" é dividido em três partes muito bem definidas: Primeiro acompanhamos o ponto de vista de Alex e como ele lidou com sua nova condição, sua relação com a família, amigos, namorada e, claro, com o apoio do irmão no processo de reaprendizado. Depois é a vez de Marcus e como ele se relacionou com o irmão logo após o acidente, como ele ajudou o irmão a reconstruir suas memórias a partir dos relatos das suas próprias "lembranças" e depois como ele enfrentou o peso de suas escolhas durante anos. Então, para finalizar, vemos em um terceiro momento, os dois irmãos sendo colocados frente a frente, olho no olho, ouvindo um ao outro e entendendo os motivos pelas quais os fizeram agir da forma com que eles mesmos relataram nos dois atos anteriores. É pesado!!!
O interessante do documentário é que o diretor Ed Perkins (indicado ao Oscar, ano passado, pelo seu curta-metragem documental "Black Sheep") foi capaz de estabelecer uma narrativa muito bem definida, respeitando o ponto de vista de cada um dos irmãos a partir de depoimentos e de dramatizações extremamente conceituais e lindamente filmadas. É perceptível o talento do diretor em nos colocar dentro da história, de uma forma muito envolvente e a cada nova informação, nos provocando, nos tirando de uma zona de conforto e, principalmente, nos mostrando que as histórias possuem sempre um outro lado - ele não faz isso apenas com um roteiro muito bem amarrado, mas com as imagens que se repetem e são interpretadas de um outro ponto de vista! É incrível! Outro detalhe de enorme sensibilidade do diretor, são os enquadramentos perfeitos. Nos dois primeiros atos, nos vemos dentro da sala, como co-protagonistas daqueles depoimentos, quase como entrevistadores; enquanto no terceiro ato, somos apenas observadores, constrangidos e receosos pelo que virá logo a frente - as pausas, o silêncio, são ensurdecedores e você vai entender na pele o que eu quero dizer assim que estiver assistindo!
"Diga quem sou" é uma surpresa "agradável", lançada sem muito marketing pela Netflix, mas com uma enorme qualidade artística! Um trabalho muito bem realizado a partir de uma autobiografia dos irmãos Lewis, onde Perkins cria um poderoso relato que ajuda o público a explorar essa incrível história e sua notável jornada de 35 anos após aquele "libertador" acidente. E como disse um crítico no Festival de Cinema de Londres: "é um exame profundamente comovente da memória e do trauma, da responsabilidade pessoal e, finalmente, do amor". Mas é preciso dizer também que não se trata de um entretenimento leve, muito pelo contrário, é uma história pesada, cheia de magoas, de mentiras, de desculpas, de dramas íntimos! É um documentário de pouco mais de uma hora que nos tira do sério, nos faz sentir medo do que vamos escutar, descobrir, e isso é raro; por isso indico de olhos fechados, mas esteja preparado para lidar com o lado mais sombrio que um ser humano pode suportar!
E se toda memória que te assombrou a vida inteira pudesse ser apagada? E se algo realmente horrível tivesse acontecido na sua infância e a pessoa que você mais ama pudesse tirar isso da sua mente?
Com essa premissa, qualquer filme ou série de ficção já chamaria a atenção de muita gente, certo? A grande questão é que "Diga quem sou" é um documentário! Um excelente documentário, eu diria! O filme mostra o dilema ético que Marcus Lewis, na época com 18 anos, enfrentou quando seu irmão gêmeo, Alex, despertou do coma após um acidente de moto, completamente sem memória. Marcus foi a única pessoa que ele reconheceu. Alex, então, confiou inteiramente em seu irmão para que pudesse reconstruir o seu passado a partir das lembranças que o irmão descrevia, porém nem tudo precisava ser dito e é aí que o documentário começa ganhar força, pois a todo momento nos colocamos na pele de Marcus e, mesmo sem entender a razão exata das suas escolhas, iniciamos um processo natural de julgamento: qual o preço que devemos pagar por nem sempre falarmos a verdade?
Se prepare, pois essa discussão moral de "Diga quem sou" é surpreendente, principalmente por tudo que vamos descobrindo durante o filme. Agora, nem de longe é um documentário fácil de digerir ou de aceitar, mas certamente te fará refletir muito!
"Diga quem sou" é dividido em três partes muito bem definidas: Primeiro acompanhamos o ponto de vista de Alex e como ele lidou com sua nova condição, sua relação com a família, amigos, namorada e, claro, com o apoio do irmão no processo de reaprendizado. Depois é a vez de Marcus e como ele se relacionou com o irmão logo após o acidente, como ele ajudou o irmão a reconstruir suas memórias a partir dos relatos das suas próprias "lembranças" e depois como ele enfrentou o peso de suas escolhas durante anos. Então, para finalizar, vemos em um terceiro momento, os dois irmãos sendo colocados frente a frente, olho no olho, ouvindo um ao outro e entendendo os motivos pelas quais os fizeram agir da forma com que eles mesmos relataram nos dois atos anteriores. É pesado!!!
O interessante do documentário é que o diretor Ed Perkins (indicado ao Oscar, ano passado, pelo seu curta-metragem documental "Black Sheep") foi capaz de estabelecer uma narrativa muito bem definida, respeitando o ponto de vista de cada um dos irmãos a partir de depoimentos e de dramatizações extremamente conceituais e lindamente filmadas. É perceptível o talento do diretor em nos colocar dentro da história, de uma forma muito envolvente e a cada nova informação, nos provocando, nos tirando de uma zona de conforto e, principalmente, nos mostrando que as histórias possuem sempre um outro lado - ele não faz isso apenas com um roteiro muito bem amarrado, mas com as imagens que se repetem e são interpretadas de um outro ponto de vista! É incrível! Outro detalhe de enorme sensibilidade do diretor, são os enquadramentos perfeitos. Nos dois primeiros atos, nos vemos dentro da sala, como co-protagonistas daqueles depoimentos, quase como entrevistadores; enquanto no terceiro ato, somos apenas observadores, constrangidos e receosos pelo que virá logo a frente - as pausas, o silêncio, são ensurdecedores e você vai entender na pele o que eu quero dizer assim que estiver assistindo!
"Diga quem sou" é uma surpresa "agradável", lançada sem muito marketing pela Netflix, mas com uma enorme qualidade artística! Um trabalho muito bem realizado a partir de uma autobiografia dos irmãos Lewis, onde Perkins cria um poderoso relato que ajuda o público a explorar essa incrível história e sua notável jornada de 35 anos após aquele "libertador" acidente. E como disse um crítico no Festival de Cinema de Londres: "é um exame profundamente comovente da memória e do trauma, da responsabilidade pessoal e, finalmente, do amor". Mas é preciso dizer também que não se trata de um entretenimento leve, muito pelo contrário, é uma história pesada, cheia de magoas, de mentiras, de desculpas, de dramas íntimos! É um documentário de pouco mais de uma hora que nos tira do sério, nos faz sentir medo do que vamos escutar, descobrir, e isso é raro; por isso indico de olhos fechados, mas esteja preparado para lidar com o lado mais sombrio que um ser humano pode suportar!