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Big Vape

Um verdadeiro estudo de caso! Na verdade eu iria até mais longe, "Big Vape - A Ascensão e Queda da Juul" é de fato um playbook do que "se deve" e do que "não se deve" fazer no lançamento de um produto de tecnologia que tem no seu DNA um elemento muito sensível e que era sabido, geraria muita polêmica - o vício. Olha, dadas as devidas diferenças, é impossível não lembrar do caso da Theranos que conhecemos em "A Inventora"! Bom, para quem não conhece, o Juul é um cigarro eletrônico estiloso, parecido com um pen drive, que pode ser carregado em portas USB do computador. Ao conectar um pequeno cartucho, disponível em sabores como manga, menta e até crème brûlée, o device prometia as mesmas sensações de fumar um cigarro tradicional só que sem fazer o mal que a combustão do tabaco proporcionava para a saúde - leia-se câncer no pulmão, doença cardiovascular e enfisema pulmonar. Porém, o que parecia de fato revolucionário se mostrou um tanto perigoso quando adolescentes passaram a se viciar com a nicotina contida nos cartuchos, graças a uma campanha de marketing belíssima, mas completamente desastrosa na sua estratégia, que transformou o ato de "Juular" em um "estilo de vida instagramável" com sérias consequências morais.

Essa minissérie documental da Netflix oferece, em 4 episódios, uma análise profunda e bastante imparcial sobre essa história fascinante e controversa do Juul. Produzida pela Amblin de Steven Spielberg, ela traz uma visão multifacetada do que aconteceu nos bastidores da empresa que revolucionou o mercado de cigarros eletrônicos e que por um breve período preocupou a gigantesca e opressora indústria do tabaco, explorando não apenas o sucesso meteórico da startup, mas também os inúmeros desafios que a envolveram. Confira o trailer (em inglês):

A partir de uma narrativa extremamente fluida que mistura depoimento reveladores, animações muito bem produzidas e uma infinidade de imagens de arquivo, a minissérie dirigida pelo multi-premiado R.J. Cutler (de "Elton John Live: Farewell from Dodger Stadium") é muito inteligente ao analisar como James Monsees e Adam Bowen, dois ex-alunos da Universidade de Stanford, conseguiram criar um device de tabaco esteticamente atraente, bem no "estilo Apple" de design, que transformou uma startup duvidosa em uma empresa de mais de 40 bilhões do dólares e líder absoluta de mercado. A grande questão, no entanto, é que nem Monsees, nem Bowen, participam do documentário, deixando assim suas visões e ideias para quem, de alguma forma, via no Juul o real propósito de ser uma opção segura para quem queria parar de fumar cigarros tradicionais.

E é aí que talvez surja o ponto mais interessante de toda minissérie: como um propósito que conquistou inúmeros investidores no powerpoint se transformou em uma bomba relógio prestes a explodir ao se apoiar em uma estratégia de lançamento completamente desconectada de seu objetivo inicial. Veja, ao focar no jovem e não no fumante, o Juul conquistou rapidamente uma base de fãs absurda - seu design moderno, a variedade de sabores e uma fácil acessibilidade através de lojas de conveniência e vendas online atraiu uma nova geração de usuários de tabaco que a colocou como uma verdadeira sensação tecnológica e um ícone cultural, mas que também ligou um sinal de alerta nas autoridades - essa passagem é praticamente uma aula sobre branding e produto, mas ao mesmo tempo um convite para reflexões importantes sobre ICP (pu perfil de cliente ideal) e sobre o preço da pressa!

"Big Vape - A Ascensão e Queda da Juul" é baseada no livro de Jamie Ducharme, um renomado correspondente de saúde e ciência da Time - o que chancela sua narrativa autêntica e confiável, enquanto temos acesso à entrevistas com diversas partes envolvidas na jornada da Juul Lab. Eu diria que essa minissérie é um "prato cheio" se você está interessado em conhecer os bastidores do empreendedorismo no Vale do Silício, o desenvolvimento de tecnologias e produtos disruptivos, de negócios de impacto, de discussões sobre a saúde pública ou até se você simplesmente gosta de um história tão envolvente quanto intrigante, com um leve toque de hipocrisia.

Vale muito o seu play!

Assista Agora

Um verdadeiro estudo de caso! Na verdade eu iria até mais longe, "Big Vape - A Ascensão e Queda da Juul" é de fato um playbook do que "se deve" e do que "não se deve" fazer no lançamento de um produto de tecnologia que tem no seu DNA um elemento muito sensível e que era sabido, geraria muita polêmica - o vício. Olha, dadas as devidas diferenças, é impossível não lembrar do caso da Theranos que conhecemos em "A Inventora"! Bom, para quem não conhece, o Juul é um cigarro eletrônico estiloso, parecido com um pen drive, que pode ser carregado em portas USB do computador. Ao conectar um pequeno cartucho, disponível em sabores como manga, menta e até crème brûlée, o device prometia as mesmas sensações de fumar um cigarro tradicional só que sem fazer o mal que a combustão do tabaco proporcionava para a saúde - leia-se câncer no pulmão, doença cardiovascular e enfisema pulmonar. Porém, o que parecia de fato revolucionário se mostrou um tanto perigoso quando adolescentes passaram a se viciar com a nicotina contida nos cartuchos, graças a uma campanha de marketing belíssima, mas completamente desastrosa na sua estratégia, que transformou o ato de "Juular" em um "estilo de vida instagramável" com sérias consequências morais.

Essa minissérie documental da Netflix oferece, em 4 episódios, uma análise profunda e bastante imparcial sobre essa história fascinante e controversa do Juul. Produzida pela Amblin de Steven Spielberg, ela traz uma visão multifacetada do que aconteceu nos bastidores da empresa que revolucionou o mercado de cigarros eletrônicos e que por um breve período preocupou a gigantesca e opressora indústria do tabaco, explorando não apenas o sucesso meteórico da startup, mas também os inúmeros desafios que a envolveram. Confira o trailer (em inglês):

A partir de uma narrativa extremamente fluida que mistura depoimento reveladores, animações muito bem produzidas e uma infinidade de imagens de arquivo, a minissérie dirigida pelo multi-premiado R.J. Cutler (de "Elton John Live: Farewell from Dodger Stadium") é muito inteligente ao analisar como James Monsees e Adam Bowen, dois ex-alunos da Universidade de Stanford, conseguiram criar um device de tabaco esteticamente atraente, bem no "estilo Apple" de design, que transformou uma startup duvidosa em uma empresa de mais de 40 bilhões do dólares e líder absoluta de mercado. A grande questão, no entanto, é que nem Monsees, nem Bowen, participam do documentário, deixando assim suas visões e ideias para quem, de alguma forma, via no Juul o real propósito de ser uma opção segura para quem queria parar de fumar cigarros tradicionais.

E é aí que talvez surja o ponto mais interessante de toda minissérie: como um propósito que conquistou inúmeros investidores no powerpoint se transformou em uma bomba relógio prestes a explodir ao se apoiar em uma estratégia de lançamento completamente desconectada de seu objetivo inicial. Veja, ao focar no jovem e não no fumante, o Juul conquistou rapidamente uma base de fãs absurda - seu design moderno, a variedade de sabores e uma fácil acessibilidade através de lojas de conveniência e vendas online atraiu uma nova geração de usuários de tabaco que a colocou como uma verdadeira sensação tecnológica e um ícone cultural, mas que também ligou um sinal de alerta nas autoridades - essa passagem é praticamente uma aula sobre branding e produto, mas ao mesmo tempo um convite para reflexões importantes sobre ICP (pu perfil de cliente ideal) e sobre o preço da pressa!

"Big Vape - A Ascensão e Queda da Juul" é baseada no livro de Jamie Ducharme, um renomado correspondente de saúde e ciência da Time - o que chancela sua narrativa autêntica e confiável, enquanto temos acesso à entrevistas com diversas partes envolvidas na jornada da Juul Lab. Eu diria que essa minissérie é um "prato cheio" se você está interessado em conhecer os bastidores do empreendedorismo no Vale do Silício, o desenvolvimento de tecnologias e produtos disruptivos, de negócios de impacto, de discussões sobre a saúde pública ou até se você simplesmente gosta de um história tão envolvente quanto intrigante, com um leve toque de hipocrisia.

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