A vida como ela é - talvez uns dois (ou três) tons acima, capaz de causar um desconforto proposital tão palpável que não se espante se você se reconhecer em algumas das situações que vai encontrar ao longo dessas duas temporadas. "Life & Beth", lançada pelo Hulu em 2022, é uma série de dramédia que explora a vida de uma mulher em busca de sentido e renovação após passar por um evento trágico que a força confrontar o passado para tentar entender o futuro que a espera. Mesclando um humor requintado (sempre na medida certa) e momentos profundamente emocionais, "Life & Beth", eu diria, é uma reflexão honesta sobre conexão na busca por identidade, por autoconhecimento e por aprendizado ao lidar com o trauma. Amy Schumer, criadora do projeto, é conhecida nos EUA por seu estilo de comédia mordaz e provocadora, no entanto, aqui, ela entrega uma jornada mais introspectiva e sutil, revelando uma faceta de sua atuação que vai além do tradicional - e funciona (mesmo que não para todos)!
Beth (Schumer) é uma mulher de 30 e poucos anos que vive em Nova York e aparentemente tem uma vida estável e bem-sucedida. No entanto, após um incidente que abala sua vida, ela se vê forçada a reavaliar suas escolhas e repensar quem realmente é e o que quer da vida. Esse processo a leva de volta para Long Island onde cresceu, porém agora Beth precisa lidar com as memórias de sua infância e adolescência, enquanto tenta encontrar um novo caminho de amadurecimento. Confira o trailer:
Fácil na teoria, mas extremamente complicado na prática, uma das forças de "Life & Beth" está justamente na forma como a série sabe equilibrar o humor com o drama. Embora Amy Schumer seja conhecida pelo "over", aqui ela opta por um conceito mais contido, entregando momentos de vulnerabilidade genuína que exploram o impacto de traumas do passado e o desafio que é redefinir a própria identidade na vida adulta. O humor, embora presente, é mais delicado no conteúdo e muitas vezes vem de situações cotidianas e constrangedoras em sua forma, ou seja, em vez de piadas diretas, o divertido está na provocação inteligente da união muitas vezes desconexa do texto com a imagem. Essa proposta cria uma narrativa realmente envolvente que é ao mesmo tempo tocante e engraçada para aqueles que gostam de dramas de relação.
Amy Schumer, como não poderia deixar de ser, leva a série nas costas - ela oferece uma performance surpreendentemente emocional como Beth. Schumer consegue capturar a ambiguidade de uma mulher que, por fora, parece ter tudo sob controle, mas por dentro está profundamente insatisfeita e perdida. Sua atuação alinhado com o seu texto, é cheia de nuances - ela de fato mostra uma capacidade impressionante ao transmitir a complexidade de Beth sem recorrer ao escrachado. Essa jornada de redescoberta é cheia de momentos íntimos que destacam a pressão social para se ter sucesso, para que as expectativas de felicidade se comprovem e para que o peso dos traumas de infância seja apenas uma fase. Quanto ao elenco, destaco também o trabalho de Michael Cera - seu John, um fazendeiro excêntrico e interesse amoroso de Beth, traz uma atuação sutil e cativante, equilibrando uma certa inocência com seu jeito peculiar e tranquilo de enxergar a vida.
"Life & Beth" é eficaz ao explorar como o passado pode influenciar nossas decisões quando adultas, e como muitas vezes somos forçados a confrontá-lo para encontrar um caminho mais autêntico - muita atenção as discussões levantadas sobre os traumas familiares e as expectativas que são impostas desde a juventude. Mesmo que a série soe ter um ritmo mais lento, especialmente para aqueles que esperam um foco maior na comédia, eu adianto que "Life & Beth" entrega muito ao desenvolver sua narrativa de uma forma mais reflexiva e introspectiva, se apoiando em uma abordagem sincera sobre os desafios da "nossa" vida adulta com muita sabedoria.
Vale muito o seu play!
A vida como ela é - talvez uns dois (ou três) tons acima, capaz de causar um desconforto proposital tão palpável que não se espante se você se reconhecer em algumas das situações que vai encontrar ao longo dessas duas temporadas. "Life & Beth", lançada pelo Hulu em 2022, é uma série de dramédia que explora a vida de uma mulher em busca de sentido e renovação após passar por um evento trágico que a força confrontar o passado para tentar entender o futuro que a espera. Mesclando um humor requintado (sempre na medida certa) e momentos profundamente emocionais, "Life & Beth", eu diria, é uma reflexão honesta sobre conexão na busca por identidade, por autoconhecimento e por aprendizado ao lidar com o trauma. Amy Schumer, criadora do projeto, é conhecida nos EUA por seu estilo de comédia mordaz e provocadora, no entanto, aqui, ela entrega uma jornada mais introspectiva e sutil, revelando uma faceta de sua atuação que vai além do tradicional - e funciona (mesmo que não para todos)!
Beth (Schumer) é uma mulher de 30 e poucos anos que vive em Nova York e aparentemente tem uma vida estável e bem-sucedida. No entanto, após um incidente que abala sua vida, ela se vê forçada a reavaliar suas escolhas e repensar quem realmente é e o que quer da vida. Esse processo a leva de volta para Long Island onde cresceu, porém agora Beth precisa lidar com as memórias de sua infância e adolescência, enquanto tenta encontrar um novo caminho de amadurecimento. Confira o trailer:
Fácil na teoria, mas extremamente complicado na prática, uma das forças de "Life & Beth" está justamente na forma como a série sabe equilibrar o humor com o drama. Embora Amy Schumer seja conhecida pelo "over", aqui ela opta por um conceito mais contido, entregando momentos de vulnerabilidade genuína que exploram o impacto de traumas do passado e o desafio que é redefinir a própria identidade na vida adulta. O humor, embora presente, é mais delicado no conteúdo e muitas vezes vem de situações cotidianas e constrangedoras em sua forma, ou seja, em vez de piadas diretas, o divertido está na provocação inteligente da união muitas vezes desconexa do texto com a imagem. Essa proposta cria uma narrativa realmente envolvente que é ao mesmo tempo tocante e engraçada para aqueles que gostam de dramas de relação.
Amy Schumer, como não poderia deixar de ser, leva a série nas costas - ela oferece uma performance surpreendentemente emocional como Beth. Schumer consegue capturar a ambiguidade de uma mulher que, por fora, parece ter tudo sob controle, mas por dentro está profundamente insatisfeita e perdida. Sua atuação alinhado com o seu texto, é cheia de nuances - ela de fato mostra uma capacidade impressionante ao transmitir a complexidade de Beth sem recorrer ao escrachado. Essa jornada de redescoberta é cheia de momentos íntimos que destacam a pressão social para se ter sucesso, para que as expectativas de felicidade se comprovem e para que o peso dos traumas de infância seja apenas uma fase. Quanto ao elenco, destaco também o trabalho de Michael Cera - seu John, um fazendeiro excêntrico e interesse amoroso de Beth, traz uma atuação sutil e cativante, equilibrando uma certa inocência com seu jeito peculiar e tranquilo de enxergar a vida.
"Life & Beth" é eficaz ao explorar como o passado pode influenciar nossas decisões quando adultas, e como muitas vezes somos forçados a confrontá-lo para encontrar um caminho mais autêntico - muita atenção as discussões levantadas sobre os traumas familiares e as expectativas que são impostas desde a juventude. Mesmo que a série soe ter um ritmo mais lento, especialmente para aqueles que esperam um foco maior na comédia, eu adianto que "Life & Beth" entrega muito ao desenvolver sua narrativa de uma forma mais reflexiva e introspectiva, se apoiando em uma abordagem sincera sobre os desafios da "nossa" vida adulta com muita sabedoria.
Vale muito o seu play!
Se você ainda não assistiu, saiba que você vai rir, mas provavelmente também vai ficar constrangido com algumas situações (bem absurdas) que Mickey e Gus vão passar em três ótimas temporadas de "Love". Essa produção original da Netflix que estreou em 2016, na época sem muito barulho, trouxe para a plataforma o talento de Judd Apatow, roteirista que virou referência em um tipo de narrativa que, muitas vezes escrachado ou dramático demais, esconde no seu subtexto um humor inteligente e bastante reflexivo - não por acaso multi-premiado, ele tem em seu currículo sucessos que vão de "Girls" até "Os Simpsons". Dito isso, fica fácil entender a razão pela qual "Love" recebeu tantos elogios da crítica e ainda conquistou o público ao longo de 34 episódios, provando ser um verdadeiro achado no vasto catálogo da Netflix - reparem como a série captura a essência de um relacionamento moderno com uma leveza, expondo a vulnerabilidade, os tropeços e a autenticidade que muitas vezes ignoramos no nosso dia a dia.
Estrelada pelos talentosos Gillian Jacobs e Paul Rust, "Love" segue a vida de Mickey Dobbs (Jacobs), uma jovem debochada e viciada em sexo, e Gus Cruikshank (Rust), um nerd que acabou de ser traído pela namorada. Quando essas duas almas completamente imperfeitas se encontram, começa uma jornada tão caótica quanto envolvente que explora com muita inteligência os altos e baixos de um relacionamento moderno. Confira o trailer:
Nesse universo bem representado de séries sobre relacionamentos, "Love", na minha opinião, sempre se destacou por sua abordagem sincera sobre o tema, mas sem se levar muito a sério. Ao mergulhar fundo nas complexidades da conexão humana, deixando de lado as idealizações comuns das comédias românticas, o roteiro de Apatow foi muito sagaz em potencializar a química absurda entre Gillian Jacobs e Paul Rust - é impossível não torcer por eles, mesmo que muitas vezes tenhamos a exata sensação de que tudo aquilo nunca vai funcionar. Essa nossa relação com o drama dos personagens fica tão palpável com o passar dos episódios que até a forma como eles retratam toda essa vulnerabilidade chega a incomodar (no bom sentido da experiência como audiência, claro).
A direção da série traz nomes como Dean Holland (de "The Office") e Lynn Shelton (de "The Morning Show") - o que dá o tom e o equilíbrio que o texto pede. É habilidosa a forma como os diretores capturam a essência de Los Angeles e a transformam em um personagem relevante para a história. Esse contexto deixa claro que existe uma complexidade geográfica que distancia pessoas de grupos tão diferentes e que só o acaso seria capaz de juntar um nerd introvertido com seus amigos esquisitos e a garota bonita e descolada, mas com seus sérios problemas de auto-estima. Veja, mesmo que soe estereotipado demais (e muitas vezes é) existe um cuidado absurdo ao retratar essa carga de manias que eles carregam com humanidade.
Ao abordar temas profundos, como vícios, comprometimento e autodescoberta, "Love" acrescenta camadas emocionais interessantes à trama, mas sem esquecer de uma certa simplicidade que se tornou uma marca e sua maior força. Digo isso pois a série não precisa de truques mirabolantes ou reviravoltas impressionantes para prender nossa atenção, por outro lado, talvez sua condução pessimista com um humor mais destrutivo seja demais e por isso pode não agradar a todos. As situações e referências batem muito com uma geração que iniciou sua era de consumo moldada por valores impulsionados pela internet e redes sociais e isso reflete na forma como lidamos com a história (sim, chega a dar raiva por algumas atitudes deles...rs). Agora, é um fato que muito daquilo tudo nos encanta com diálogos bem construídos e personagens que, de fato, se sentem e por isso parecem reais.
Prepare-se para se apaixonar e para se identificar com os altos e baixos de Mickey e Gus em uma jornada cheia de imperfeições que vale muito a pena acompanhar!
Se você ainda não assistiu, saiba que você vai rir, mas provavelmente também vai ficar constrangido com algumas situações (bem absurdas) que Mickey e Gus vão passar em três ótimas temporadas de "Love". Essa produção original da Netflix que estreou em 2016, na época sem muito barulho, trouxe para a plataforma o talento de Judd Apatow, roteirista que virou referência em um tipo de narrativa que, muitas vezes escrachado ou dramático demais, esconde no seu subtexto um humor inteligente e bastante reflexivo - não por acaso multi-premiado, ele tem em seu currículo sucessos que vão de "Girls" até "Os Simpsons". Dito isso, fica fácil entender a razão pela qual "Love" recebeu tantos elogios da crítica e ainda conquistou o público ao longo de 34 episódios, provando ser um verdadeiro achado no vasto catálogo da Netflix - reparem como a série captura a essência de um relacionamento moderno com uma leveza, expondo a vulnerabilidade, os tropeços e a autenticidade que muitas vezes ignoramos no nosso dia a dia.
Estrelada pelos talentosos Gillian Jacobs e Paul Rust, "Love" segue a vida de Mickey Dobbs (Jacobs), uma jovem debochada e viciada em sexo, e Gus Cruikshank (Rust), um nerd que acabou de ser traído pela namorada. Quando essas duas almas completamente imperfeitas se encontram, começa uma jornada tão caótica quanto envolvente que explora com muita inteligência os altos e baixos de um relacionamento moderno. Confira o trailer:
Nesse universo bem representado de séries sobre relacionamentos, "Love", na minha opinião, sempre se destacou por sua abordagem sincera sobre o tema, mas sem se levar muito a sério. Ao mergulhar fundo nas complexidades da conexão humana, deixando de lado as idealizações comuns das comédias românticas, o roteiro de Apatow foi muito sagaz em potencializar a química absurda entre Gillian Jacobs e Paul Rust - é impossível não torcer por eles, mesmo que muitas vezes tenhamos a exata sensação de que tudo aquilo nunca vai funcionar. Essa nossa relação com o drama dos personagens fica tão palpável com o passar dos episódios que até a forma como eles retratam toda essa vulnerabilidade chega a incomodar (no bom sentido da experiência como audiência, claro).
A direção da série traz nomes como Dean Holland (de "The Office") e Lynn Shelton (de "The Morning Show") - o que dá o tom e o equilíbrio que o texto pede. É habilidosa a forma como os diretores capturam a essência de Los Angeles e a transformam em um personagem relevante para a história. Esse contexto deixa claro que existe uma complexidade geográfica que distancia pessoas de grupos tão diferentes e que só o acaso seria capaz de juntar um nerd introvertido com seus amigos esquisitos e a garota bonita e descolada, mas com seus sérios problemas de auto-estima. Veja, mesmo que soe estereotipado demais (e muitas vezes é) existe um cuidado absurdo ao retratar essa carga de manias que eles carregam com humanidade.
Ao abordar temas profundos, como vícios, comprometimento e autodescoberta, "Love" acrescenta camadas emocionais interessantes à trama, mas sem esquecer de uma certa simplicidade que se tornou uma marca e sua maior força. Digo isso pois a série não precisa de truques mirabolantes ou reviravoltas impressionantes para prender nossa atenção, por outro lado, talvez sua condução pessimista com um humor mais destrutivo seja demais e por isso pode não agradar a todos. As situações e referências batem muito com uma geração que iniciou sua era de consumo moldada por valores impulsionados pela internet e redes sociais e isso reflete na forma como lidamos com a história (sim, chega a dar raiva por algumas atitudes deles...rs). Agora, é um fato que muito daquilo tudo nos encanta com diálogos bem construídos e personagens que, de fato, se sentem e por isso parecem reais.
Prepare-se para se apaixonar e para se identificar com os altos e baixos de Mickey e Gus em uma jornada cheia de imperfeições que vale muito a pena acompanhar!
Essa é uma série para você assistir acompanhado e acredite: vocês, juntos, vão rir de si. "Machos Alfa", é uma divertida comédia espanhola da Netflix que explora com sagacidade e ironia as transformações das dinâmicas de gênero em um mundo cada vez mais atento às questões de igualdade e empatia. Criada por Alberto Caballero, Laura Caballero e Daniel Deorador (reponsáveis pela premiada "La que se Avecina"), a série oferece uma abordagem cômica, mas crítica, sobre como os homens lidam com a desconstrução de sua masculinidade tradicional, em uma sociedade que avança para além dos antigos estereótipos. Com um tom que lembra produções como "Sentimental" misturado à perspicácia narrativa de "O que os homens falam" , "Machos Alfa" é o exemplo perfeito do equilíbrio primoroso entre humor, crítica social e desenvolvimento de ótimos personagens.
A série segue um grupo de quatro amigos: Pedro (Fernando Gil), Santi (Raúl Tejón), Luis (Fele Martínez) e Raúl (Gorka Otxoa). Todos enfrentam crises pessoais e profissionais enquanto tentam se adaptar às mudanças em suas vidas e em seus relacionamentos. Cada um representa um arquétipo masculino que é desconstruído ao longo da narrativa, seja pelo confronto com as expectativas sociais, seja por suas próprias inseguranças. A trama, que é leve e dinâmica, entrelaça os desafios desses homens com situações cômicas e por vezes reflexivas, criando uma jornada que é tão divertida quanto provocativa. Confira o trailer (com legendas em inglês):
Sem a menor dúvida que o roteiro assinado pelo trio criativo, é um dos grandes pontos fortes de "Machos Alfa".. Ele aborda questões sobre o machismo estrutural, sobre as relações de poder, sobre sexualidade e sobre a vulnerabilidade emocional, sempre com diálogos rápidos, repletos de ironia e de identificação. Apesar do tom cômico predominante, a série brilha ao conseguir explorar esses temas sem superficialidade, utilizando o humor "apenas" como ferramenta narrativa para provocar reflexão e, principalmente, gerar empatia. O equilíbrio entre situações absurdas e os momentos mais sensíveis permite que a audiência se conecte com os personagens, mesmo quando suas atitudes são moralmente questionáveis.
Laura Caballero, também responsável pela direção, imprime um ritmo ágil e um conceito acessível à série. A escolha de cores vivas e cenários cotidianos reflete uma atmosfera leve e contemporâneo de produção, enquanto os enquadramentos frequentemente destacam os momentos de constrangimento ou de revelação dos personagens, reforçando a ideia de que a desconstrução masculina é tanto um caminho individual quanto coletivo. As performances do elenco principal são cativantes e contribuem significativamente para o sucesso de "Machos Alfa". Fernando Gil destaca-se por sua capacidade de transmitir o conflito interno de um homem que tenta equilibrar seu ego e suas inseguranças em um casamento instável. Raúl Tejón traz uma mistura de ingenuidade e charme, enquanto Fele Martínez entrega um Luis que é ao mesmo tempo adorável e patético. Já Gorka Otxoa, por sua vez, tem uma intensidade cômica que frequentemente rouba a cena - para mim, o melhor dos quatro.
Veja, ao longo das temporadas, "Machos Alfa" acerta ao desenvolver arcos narrativos que crescem em complexidade sem a pressa de ter que se provar. A série evita repetir fórmulas e investe no aprofundamento dos personagens e em suas relações, pois sabe do seu potencial. No entanto, alguns episódios podem até parecer arrastados ou exagerar nas situações cômicas - o que de fato dilui a força das mensagens, mas acredite, essa é uma comédia tão inteligente e tão atual que nem nos damos conta dos seus pequenos deslizes. Saiba que "Machos Alfa" combina humor e crítica de maneira coerente, nos proporcionando assim uma experiência realmente divertida e bastante relevante.
Vale muito o seu play!
Essa é uma série para você assistir acompanhado e acredite: vocês, juntos, vão rir de si. "Machos Alfa", é uma divertida comédia espanhola da Netflix que explora com sagacidade e ironia as transformações das dinâmicas de gênero em um mundo cada vez mais atento às questões de igualdade e empatia. Criada por Alberto Caballero, Laura Caballero e Daniel Deorador (reponsáveis pela premiada "La que se Avecina"), a série oferece uma abordagem cômica, mas crítica, sobre como os homens lidam com a desconstrução de sua masculinidade tradicional, em uma sociedade que avança para além dos antigos estereótipos. Com um tom que lembra produções como "Sentimental" misturado à perspicácia narrativa de "O que os homens falam" , "Machos Alfa" é o exemplo perfeito do equilíbrio primoroso entre humor, crítica social e desenvolvimento de ótimos personagens.
A série segue um grupo de quatro amigos: Pedro (Fernando Gil), Santi (Raúl Tejón), Luis (Fele Martínez) e Raúl (Gorka Otxoa). Todos enfrentam crises pessoais e profissionais enquanto tentam se adaptar às mudanças em suas vidas e em seus relacionamentos. Cada um representa um arquétipo masculino que é desconstruído ao longo da narrativa, seja pelo confronto com as expectativas sociais, seja por suas próprias inseguranças. A trama, que é leve e dinâmica, entrelaça os desafios desses homens com situações cômicas e por vezes reflexivas, criando uma jornada que é tão divertida quanto provocativa. Confira o trailer (com legendas em inglês):
Sem a menor dúvida que o roteiro assinado pelo trio criativo, é um dos grandes pontos fortes de "Machos Alfa".. Ele aborda questões sobre o machismo estrutural, sobre as relações de poder, sobre sexualidade e sobre a vulnerabilidade emocional, sempre com diálogos rápidos, repletos de ironia e de identificação. Apesar do tom cômico predominante, a série brilha ao conseguir explorar esses temas sem superficialidade, utilizando o humor "apenas" como ferramenta narrativa para provocar reflexão e, principalmente, gerar empatia. O equilíbrio entre situações absurdas e os momentos mais sensíveis permite que a audiência se conecte com os personagens, mesmo quando suas atitudes são moralmente questionáveis.
Laura Caballero, também responsável pela direção, imprime um ritmo ágil e um conceito acessível à série. A escolha de cores vivas e cenários cotidianos reflete uma atmosfera leve e contemporâneo de produção, enquanto os enquadramentos frequentemente destacam os momentos de constrangimento ou de revelação dos personagens, reforçando a ideia de que a desconstrução masculina é tanto um caminho individual quanto coletivo. As performances do elenco principal são cativantes e contribuem significativamente para o sucesso de "Machos Alfa". Fernando Gil destaca-se por sua capacidade de transmitir o conflito interno de um homem que tenta equilibrar seu ego e suas inseguranças em um casamento instável. Raúl Tejón traz uma mistura de ingenuidade e charme, enquanto Fele Martínez entrega um Luis que é ao mesmo tempo adorável e patético. Já Gorka Otxoa, por sua vez, tem uma intensidade cômica que frequentemente rouba a cena - para mim, o melhor dos quatro.
Veja, ao longo das temporadas, "Machos Alfa" acerta ao desenvolver arcos narrativos que crescem em complexidade sem a pressa de ter que se provar. A série evita repetir fórmulas e investe no aprofundamento dos personagens e em suas relações, pois sabe do seu potencial. No entanto, alguns episódios podem até parecer arrastados ou exagerar nas situações cômicas - o que de fato dilui a força das mensagens, mas acredite, essa é uma comédia tão inteligente e tão atual que nem nos damos conta dos seus pequenos deslizes. Saiba que "Machos Alfa" combina humor e crítica de maneira coerente, nos proporcionando assim uma experiência realmente divertida e bastante relevante.
Vale muito o seu play!
Simplesmente genial - e vou mais longe, se "O Urso" despontou como uma das mais agradáveis surpresas de 2022, eu diria que, para nós, "Meu Querido Zelador" tem tudo para assumir esse papel em 2023. Muito inteligente, divertida, envolvente e especialmente irônica, bem ao estilo de seus criadores, os geniais Mariano Cohn e Gastón Duprat (aqui com Martin Bustos também), a série se destaca por uma abordagem única de eventos da vida real explorados com um certo exagero, claro, mas nunca fugindo das nuances cotidianas do relacionamento entre um "zelador" e os moradores de um prédio. Oferecendo uma experiência que vai além do humor convencional, Cohn e Duprat acertam de novo e provam, mais uma vez, que o sucesso de "Cidadão Ilustre" e "O Faz Nada" não foi por acaso.
Eliseo (Guillermo Francella) é um dedicado zelador de um edifício de alto padrão em Buenos Aires. Trabalhando há 30 anos no mesmo local, ele conhece todos aqueles que moram e trabalham por ali. Apesar de dedicar-se ao seu trabalho, Eliseo possui uma habilidade única de persuasão, aprimorada ao longo dos anos, que lhe permite saber tudo o que acontece no prédio. Quando necessário, inclusive, ele abusa desse seu poder de manipular os moradores para seu próprio bem. No entanto, seu senso de justiça o faz distinguir quem merece ou não sua proteção, e quando ele passa a ser a "vítima" de um grupo de moradores que querem modernizar o local, o que obviamente custaria seu emprego, Eliseu inicia uma cruzada para provar o seu real valor, custe o que custar. Confira o trailer (em espanhol):
Em um primeiro olhar, é impossível não ficar entusiasmado com a capacidade de Francella em nos conquistar com o seu Eliseo. E aqui eu peço licença para citar duas referências importantes sobre o personagem - ele, nem de longe, é unidimensional. Eliseu tem uma complexidade emocional que vai além do estereótipo que a própria narrativa procura pontuar para que a história ganhe um tom mais leve. Veja, ele faz com que "Meu Querido Zelador" transite entre a critica social dos personagens de "Parasita" e a dualidade genial de Walter White em "Breaking Bad". Eu sei que pode parecer exagerado, mas os elementos que constroem a trama, e consequentemente o seu protagonista, nos faz refletir sobre o que é certo e o que é errado a cada nosso desafio que Eliseo precisa superar para manter o seu emprego.
Sim, ao assistir "Meu Querido Zelador" somos cativados por uma nova perspectiva sobre as relações humanas - especialmente aquela que chamamos de "ocasião". A maneira como o roteiro subverte nossas expectativas é tão genial quanto as ferramentas corporais de Francella ao se desconstruir de acordo com a situação que acabou de lidar. Não tenho certeza se a série não transcende os estereótipos de tão real que é aquela dinâmica entre zelador e moradores; o que eu sei é que é muito fácil se conectar com tudo aquilo. A direção está 100% alinhada ao ótimo texto, capturando a essência de cada conflito sem esquecer do equilíbrio vital do cômico com o dramático - reparem como o texto brinca com essa gramática a todo instante de forma tão genuína.
"Meu Querido Zelador" oferece uma experiência imperdível, que vai muito além das risadas superficiais e das bengalas que algumas comédias insistem em repetir. Os elementos que poderiam passar despercebidos, como um olhar, uma pausa ou um sorriso amarelo, se revelam essenciais para a riqueza que é a narrativa da série. Não se surpreenda se você se sentir nervoso, ansioso ou angustiado ao assistir algum dos onze episódios dessa primeira temporada, pois aquele clima constante de “vai dar m...” vai sendo construído, se acumulando, criando brechas até que, de repente, vem aquela deliciosa sensação de alivio.
Viciante e com um leve sabor vingança, seu play é obrigatório!
Simplesmente genial - e vou mais longe, se "O Urso" despontou como uma das mais agradáveis surpresas de 2022, eu diria que, para nós, "Meu Querido Zelador" tem tudo para assumir esse papel em 2023. Muito inteligente, divertida, envolvente e especialmente irônica, bem ao estilo de seus criadores, os geniais Mariano Cohn e Gastón Duprat (aqui com Martin Bustos também), a série se destaca por uma abordagem única de eventos da vida real explorados com um certo exagero, claro, mas nunca fugindo das nuances cotidianas do relacionamento entre um "zelador" e os moradores de um prédio. Oferecendo uma experiência que vai além do humor convencional, Cohn e Duprat acertam de novo e provam, mais uma vez, que o sucesso de "Cidadão Ilustre" e "O Faz Nada" não foi por acaso.
Eliseo (Guillermo Francella) é um dedicado zelador de um edifício de alto padrão em Buenos Aires. Trabalhando há 30 anos no mesmo local, ele conhece todos aqueles que moram e trabalham por ali. Apesar de dedicar-se ao seu trabalho, Eliseo possui uma habilidade única de persuasão, aprimorada ao longo dos anos, que lhe permite saber tudo o que acontece no prédio. Quando necessário, inclusive, ele abusa desse seu poder de manipular os moradores para seu próprio bem. No entanto, seu senso de justiça o faz distinguir quem merece ou não sua proteção, e quando ele passa a ser a "vítima" de um grupo de moradores que querem modernizar o local, o que obviamente custaria seu emprego, Eliseu inicia uma cruzada para provar o seu real valor, custe o que custar. Confira o trailer (em espanhol):
Em um primeiro olhar, é impossível não ficar entusiasmado com a capacidade de Francella em nos conquistar com o seu Eliseo. E aqui eu peço licença para citar duas referências importantes sobre o personagem - ele, nem de longe, é unidimensional. Eliseu tem uma complexidade emocional que vai além do estereótipo que a própria narrativa procura pontuar para que a história ganhe um tom mais leve. Veja, ele faz com que "Meu Querido Zelador" transite entre a critica social dos personagens de "Parasita" e a dualidade genial de Walter White em "Breaking Bad". Eu sei que pode parecer exagerado, mas os elementos que constroem a trama, e consequentemente o seu protagonista, nos faz refletir sobre o que é certo e o que é errado a cada nosso desafio que Eliseo precisa superar para manter o seu emprego.
Sim, ao assistir "Meu Querido Zelador" somos cativados por uma nova perspectiva sobre as relações humanas - especialmente aquela que chamamos de "ocasião". A maneira como o roteiro subverte nossas expectativas é tão genial quanto as ferramentas corporais de Francella ao se desconstruir de acordo com a situação que acabou de lidar. Não tenho certeza se a série não transcende os estereótipos de tão real que é aquela dinâmica entre zelador e moradores; o que eu sei é que é muito fácil se conectar com tudo aquilo. A direção está 100% alinhada ao ótimo texto, capturando a essência de cada conflito sem esquecer do equilíbrio vital do cômico com o dramático - reparem como o texto brinca com essa gramática a todo instante de forma tão genuína.
"Meu Querido Zelador" oferece uma experiência imperdível, que vai muito além das risadas superficiais e das bengalas que algumas comédias insistem em repetir. Os elementos que poderiam passar despercebidos, como um olhar, uma pausa ou um sorriso amarelo, se revelam essenciais para a riqueza que é a narrativa da série. Não se surpreenda se você se sentir nervoso, ansioso ou angustiado ao assistir algum dos onze episódios dessa primeira temporada, pois aquele clima constante de “vai dar m...” vai sendo construído, se acumulando, criando brechas até que, de repente, vem aquela deliciosa sensação de alivio.
Viciante e com um leve sabor vingança, seu play é obrigatório!
Eu começo esse review admitindo que sou fã do cinema argentino e sugerindo que o que você vai ler daqui para frente pode parecer tendencioso, mas não é... pelo menos não em sua totalidade!!! Vamos lá: acabei de assistir um filme argentino extremamente despretensioso chamado "Minha Obra-Prima". Na verdade é uma co-produção Argentina/Espanha e isso diz muito, principalmente depois de descobrir que quem dirigiu o filme foi o Gastón Duprat! Se você não está ligando o nome a pessoa, estou aqui para te ajudar. Duprat co-dirigiu o excelente "El Ciudadano Ilustre"! Com esse cartão de visita, fica muito mais fácil definir "Minha Obra-Prima" porque o filme bebe na mesma fonte do mais que premiado "Cidadão" - talvez sem tanto brilho, mas ainda muito divertido e imperdível!!!!
A história do pintor rabugento e falido, Renzo Nervi, de seu melhor amigo, Arturo Silva, dono de uma galeria de arte, que tenta ajuda-lo de todas as maneiras e da relação conflituosa entre os dois na esperança de reviver os bons tempos do passado em uma realidade tão diferente, cheia de tanto modernismo de qualidade duvidosa. O filme trás esse resgate emotivo novamente, com dois grandes atores Guillermo Francella ("O Segredo dos Seus Olhos") e Luis Brandoni, como Nervi, comandados por uma delicadeza única na direção. É um grande trabalho, de fato!
"Minha Obra-Prima" é um ótimo filme, com dois personagens marcantes e cheio de camadas que podem te tocar em algum momento. Como em "Cidadão Ilustre", Duprat trabalha naquela linha bem tênue do non-sense cotidiano real com o drama existencial dos seus personagens. Nesse filme também funciona bem, mas é mais previsível - até propositalmente (me pareceu), mas atrapalha um pouco a experiência ao saber que falta algo que no "Cidadão Ilustre" sobrou! O problema não está na direção, que fique bem claro! Está no roteiro e mesmo assim é só uma referência cruel de comparação, porque é fato que o filme é muito bacana de assistir, daqueles bons pra ver na sexta a noite, sem a preocupação de ter que pensar muito, mesmo se aproximando de assuntos bem profundos, mas com a desculpa de parecer "sem noção"!
"Minha Obra-Prima" é entretenimento de primeira. Se você gosta de filme argentino ou de filme espanhol, que equilibra bem o que é drama e o que é comédia (inteligente) provavelmente você vai gostar desse filme. Daqueles filmes que já estão no catálogo e que deve ter passado despercebido pelas sugestões da plataforma... mas que nós resgatamos e indicamos com a maior tranquilidade! Filme premiado em Festivas e que vale o play!
Eu começo esse review admitindo que sou fã do cinema argentino e sugerindo que o que você vai ler daqui para frente pode parecer tendencioso, mas não é... pelo menos não em sua totalidade!!! Vamos lá: acabei de assistir um filme argentino extremamente despretensioso chamado "Minha Obra-Prima". Na verdade é uma co-produção Argentina/Espanha e isso diz muito, principalmente depois de descobrir que quem dirigiu o filme foi o Gastón Duprat! Se você não está ligando o nome a pessoa, estou aqui para te ajudar. Duprat co-dirigiu o excelente "El Ciudadano Ilustre"! Com esse cartão de visita, fica muito mais fácil definir "Minha Obra-Prima" porque o filme bebe na mesma fonte do mais que premiado "Cidadão" - talvez sem tanto brilho, mas ainda muito divertido e imperdível!!!!
A história do pintor rabugento e falido, Renzo Nervi, de seu melhor amigo, Arturo Silva, dono de uma galeria de arte, que tenta ajuda-lo de todas as maneiras e da relação conflituosa entre os dois na esperança de reviver os bons tempos do passado em uma realidade tão diferente, cheia de tanto modernismo de qualidade duvidosa. O filme trás esse resgate emotivo novamente, com dois grandes atores Guillermo Francella ("O Segredo dos Seus Olhos") e Luis Brandoni, como Nervi, comandados por uma delicadeza única na direção. É um grande trabalho, de fato!
"Minha Obra-Prima" é um ótimo filme, com dois personagens marcantes e cheio de camadas que podem te tocar em algum momento. Como em "Cidadão Ilustre", Duprat trabalha naquela linha bem tênue do non-sense cotidiano real com o drama existencial dos seus personagens. Nesse filme também funciona bem, mas é mais previsível - até propositalmente (me pareceu), mas atrapalha um pouco a experiência ao saber que falta algo que no "Cidadão Ilustre" sobrou! O problema não está na direção, que fique bem claro! Está no roteiro e mesmo assim é só uma referência cruel de comparação, porque é fato que o filme é muito bacana de assistir, daqueles bons pra ver na sexta a noite, sem a preocupação de ter que pensar muito, mesmo se aproximando de assuntos bem profundos, mas com a desculpa de parecer "sem noção"!
"Minha Obra-Prima" é entretenimento de primeira. Se você gosta de filme argentino ou de filme espanhol, que equilibra bem o que é drama e o que é comédia (inteligente) provavelmente você vai gostar desse filme. Daqueles filmes que já estão no catálogo e que deve ter passado despercebido pelas sugestões da plataforma... mas que nós resgatamos e indicamos com a maior tranquilidade! Filme premiado em Festivas e que vale o play!
"Modern Love", nova série da Prime Vídeo da Amazon, poderia tranquilamente se chamar "Crônicas de Nova York" e ter sido dirigida pelo Woody Allen. Inspirada em uma famosa coluna do jornal The New York Times, "Modern Love" fala desse sentimento tão único e ao mesmo tão plural que é o amor. De uma forma muito bacana, os 8 episódios de 30 minutos, mostram diversos tipos de relacionamentos, em estágios completamente diferentes, mas que possuem o amor como fio condutor, de uma forma leve e sensível.
Tendo como cenário uma Nova York charmosa, acolhedora, romântica e, claro, cosmopolita ao melhor estilo "Sex and City", "Modern Love" aproveita o elenco estrelado e o tom certo da direção para colocar sua irmã "Easy", da Netflix, no bolso. Olha, se você sorriu ao ler alguma das referências que citei, dê o play sem medo de errar, porque a diversão é garantida.
Uma amizade de certa forma comum entre as mulheres que moram em Nova York (e que são solteiras e sozinhas) com os porteiros dos seus prédios que cuidam delas como amigos confidentes, guarda-costas e até como figuras paternas - é nesse contexto que acontece a história do ótimo (e emocionante) primeiro episódio da série. Atenção para o excelente trabalho da Cristin Milioti (Balck Mirror) como uma mulher inteligente, porém insegura que vive em busca de um grande amor.
Já o segundo, acompanhamos a entrevista de uma famosa jornalista com o CEO de um aplicativo de namoro. Ao perguntar se ele já havia se apaixonado, Julie (Catherine Keener) desencadeia uma conversa que mudará o curso da vida dos dois de uma forma muito bem construída pelo roteiro. Tranquilamente esse é um dos melhores episódios da temporada: ele é dolorido, profundo e libertador. Destaque para incrível química entre Keener (a jornalista) e Patel (o entrevistado).
O terceiro episódio conta como uma Anne Hathaway na sua melhor forma como Lexi, uma mulher que precisa refletir sobre como sua experiência com o transtorno bipolar afetou sua vida amorosa e profissional durante anos. Impossível não se emocionar com o excelente trabalho de Hathaway, digna de prêmios! Outro ponto fora da curva foi o conceito visual que o diretor John Carney usou para retratar o distúrbio da protagonista - inventivo, criativo e na medida certa. É um grande e potente episódio também.
O quarto talvez seja o mais inconstante dos episódios dessa primeira temporada. Não que seja ruim, mas ele se apoia muito no trabalho da Tina Fey e acaba deixando uma discussão profunda e difícil em segundo plano. Durante o episódio isso vai se equilibrando e temos um cena excelente no restaurante entre Fey e John Slattery tentando ajustar um casamento que caminhava para o término. O roteiro é perfeito, pois trás a força de um conversa franca, direta e difícil para mesa com uma sensibilidade muito interessante.
Passando da metade, o quinto episódio usa o carisma de John Gallagher Jr, um jovem inseguro e depressivo que se apaixona por uma "famosa" influenciadora digital e que tem um primeiro encontro catastrófico. O trabalho de Gallagher como Ron traz uma sutileza muito interessante ao tratar de assuntos bastante delicados como depressão e ansiedade. Talvez esse seja com mais "Woody Allen" dos episódios e você vai ter essa certeza justamente no episódio final da temporada!
No sexto episódio Julia Garner (de Dirty John) diz a seguinte frase: "Ele era muito bonito. Usava suéteres de gola alta cinza e cheirava a loção pós-barba de menta e livros antigos. Ele tinha 55 anos e recentemente se divorciou pela segunda vez. Ele era meu pai. Ele não era realmente meu pai". Com essa premissa vemos pela primeira vez um amor diferente, mas que não é percebido facilmente pelo excelente Shea Whigham - um bem sucedido cientista que se apaixona pela estagiária 30 anos mais nova!
O sétimo episódio, para mim, foi o mais fraco de todos. Na história um casal gay resolve adotar uma bebê de uma moradora de rua. A história levanta temas importantes e até acerta o tom em alguns momentos, mas me pareceu muito arrastado, deixando o grande momento do episódio para uma única conversa como no episódio 4. Mesmo com o ótimo Andrew Scott, o episódio perdeu uma grande chance de ir mais fundo em assuntos espinhosos, preferindo ficar na superficialidade e na discussão existencial entre os personagens.
O oitavo e último episódio é dolorido na sua trama principal. Daqueles que aperta o coração ao contar a história de amor entre Margot e Kenji. Já na terceira idade os dois se apaixonam em uma prova de corrida de rua e se descobrem, pouco depois, uma espécie de almas gêmeas; porém nada dura para sempre e a forma como esse assunto passa a ser abordado no roteiro mexe com a gente! É uma linda história, com momentos emocionantes. Um outro grande destaque desse episódio é a maneira como os roteiristas encontram para amarrar todas as histórias e estabelecer a linha temporal entre elas - estabelecido um arco maior bem interessante.
"Modern Love" é uma série deliciosa de assistir. Você vai sorrir, se divertir, se emocionar e, principalmente, se identificar com alguma das 8 histórias dessa consistente primeira temporada! Vale muito a pena pela simplicidade do texto, mas pela profundidade dos assuntos e enorme qualidade do elenco e da produção!
"Modern Love", nova série da Prime Vídeo da Amazon, poderia tranquilamente se chamar "Crônicas de Nova York" e ter sido dirigida pelo Woody Allen. Inspirada em uma famosa coluna do jornal The New York Times, "Modern Love" fala desse sentimento tão único e ao mesmo tão plural que é o amor. De uma forma muito bacana, os 8 episódios de 30 minutos, mostram diversos tipos de relacionamentos, em estágios completamente diferentes, mas que possuem o amor como fio condutor, de uma forma leve e sensível.
Tendo como cenário uma Nova York charmosa, acolhedora, romântica e, claro, cosmopolita ao melhor estilo "Sex and City", "Modern Love" aproveita o elenco estrelado e o tom certo da direção para colocar sua irmã "Easy", da Netflix, no bolso. Olha, se você sorriu ao ler alguma das referências que citei, dê o play sem medo de errar, porque a diversão é garantida.
Uma amizade de certa forma comum entre as mulheres que moram em Nova York (e que são solteiras e sozinhas) com os porteiros dos seus prédios que cuidam delas como amigos confidentes, guarda-costas e até como figuras paternas - é nesse contexto que acontece a história do ótimo (e emocionante) primeiro episódio da série. Atenção para o excelente trabalho da Cristin Milioti (Balck Mirror) como uma mulher inteligente, porém insegura que vive em busca de um grande amor.
Já o segundo, acompanhamos a entrevista de uma famosa jornalista com o CEO de um aplicativo de namoro. Ao perguntar se ele já havia se apaixonado, Julie (Catherine Keener) desencadeia uma conversa que mudará o curso da vida dos dois de uma forma muito bem construída pelo roteiro. Tranquilamente esse é um dos melhores episódios da temporada: ele é dolorido, profundo e libertador. Destaque para incrível química entre Keener (a jornalista) e Patel (o entrevistado).
O terceiro episódio conta como uma Anne Hathaway na sua melhor forma como Lexi, uma mulher que precisa refletir sobre como sua experiência com o transtorno bipolar afetou sua vida amorosa e profissional durante anos. Impossível não se emocionar com o excelente trabalho de Hathaway, digna de prêmios! Outro ponto fora da curva foi o conceito visual que o diretor John Carney usou para retratar o distúrbio da protagonista - inventivo, criativo e na medida certa. É um grande e potente episódio também.
O quarto talvez seja o mais inconstante dos episódios dessa primeira temporada. Não que seja ruim, mas ele se apoia muito no trabalho da Tina Fey e acaba deixando uma discussão profunda e difícil em segundo plano. Durante o episódio isso vai se equilibrando e temos um cena excelente no restaurante entre Fey e John Slattery tentando ajustar um casamento que caminhava para o término. O roteiro é perfeito, pois trás a força de um conversa franca, direta e difícil para mesa com uma sensibilidade muito interessante.
Passando da metade, o quinto episódio usa o carisma de John Gallagher Jr, um jovem inseguro e depressivo que se apaixona por uma "famosa" influenciadora digital e que tem um primeiro encontro catastrófico. O trabalho de Gallagher como Ron traz uma sutileza muito interessante ao tratar de assuntos bastante delicados como depressão e ansiedade. Talvez esse seja com mais "Woody Allen" dos episódios e você vai ter essa certeza justamente no episódio final da temporada!
No sexto episódio Julia Garner (de Dirty John) diz a seguinte frase: "Ele era muito bonito. Usava suéteres de gola alta cinza e cheirava a loção pós-barba de menta e livros antigos. Ele tinha 55 anos e recentemente se divorciou pela segunda vez. Ele era meu pai. Ele não era realmente meu pai". Com essa premissa vemos pela primeira vez um amor diferente, mas que não é percebido facilmente pelo excelente Shea Whigham - um bem sucedido cientista que se apaixona pela estagiária 30 anos mais nova!
O sétimo episódio, para mim, foi o mais fraco de todos. Na história um casal gay resolve adotar uma bebê de uma moradora de rua. A história levanta temas importantes e até acerta o tom em alguns momentos, mas me pareceu muito arrastado, deixando o grande momento do episódio para uma única conversa como no episódio 4. Mesmo com o ótimo Andrew Scott, o episódio perdeu uma grande chance de ir mais fundo em assuntos espinhosos, preferindo ficar na superficialidade e na discussão existencial entre os personagens.
O oitavo e último episódio é dolorido na sua trama principal. Daqueles que aperta o coração ao contar a história de amor entre Margot e Kenji. Já na terceira idade os dois se apaixonam em uma prova de corrida de rua e se descobrem, pouco depois, uma espécie de almas gêmeas; porém nada dura para sempre e a forma como esse assunto passa a ser abordado no roteiro mexe com a gente! É uma linda história, com momentos emocionantes. Um outro grande destaque desse episódio é a maneira como os roteiristas encontram para amarrar todas as histórias e estabelecer a linha temporal entre elas - estabelecido um arco maior bem interessante.
"Modern Love" é uma série deliciosa de assistir. Você vai sorrir, se divertir, se emocionar e, principalmente, se identificar com alguma das 8 histórias dessa consistente primeira temporada! Vale muito a pena pela simplicidade do texto, mas pela profundidade dos assuntos e enorme qualidade do elenco e da produção!
“Nada a esconder” (título original - "Le seu") é um filme francês distribuído pela Netflix que é mais uma adaptação do premiadíssimo filme italiano de 2016, “Perfetti Sconosciuti” que, inclusive, já tinha ganhado uma versão espanhola do genial Álex de la Iglesia e que por muito tempo figurou na lista “não deixe de assistir” da Viu Review!
Vamos lá, essa versão francesa é muito parecida com a versão espanhola: Em um jantar entre amigos, para aliviar as tensões típicas da convivência, eles resolvem fazer uma brincadeira: todos os celulares são colocados na mesa e qualquer mensagem, e-mail ou ligação que eles receberem devem ser compartilhadas com os outros em voz alta, imediatamente, não importando o assunto ou quem esteja do outro lado da linha. Bem, só por essa breve sinopse dá para imaginar o constrangimento que se torna esse jantar. Impossível não se colocar na situação dos personagens e o clima que que se estabelece é angustiante e divertido. Confira o trailer (em francês):
O diretor Fred Cavayé trouxe para o filme um pouco menos de non-sense que o diretor espanhol - até por característica cinematográfica; trabalhando aquelas mesmas situações de uma forma mais realista, quase dramáticas em alguns momentos. É um conceito narrativo que funciona - talvez eu tivesse até ido por esse caminho se eu fosse dirigir esse roteiro, mas admito que com essa escolha, perdemos um pouco da inventividade e da fantasia que o Álex de la Iglesia havia mostrado anteriormente e que encaixou tão bem na trama.
Certamente, se eu não tivesse assistido a versão espanhola antes, eu teria colocado “Nada a esconder” na lista de imperdíveis com muita tranquilidade, mas eu gostaria de sugerir uma outra proposta com esse meu review: assistam as duas versões e vejam como, com um mesmo texto, os filmes podem ser tão diferentes e igualmente bons! Veja como o Non-sense espanhol é muito mais caricato e como o realismo francês é muito mais delicado. Veja como um não diminui o valor outro - é um bom exercício nos dias de hoje, afinal, ambos tem seus méritos, porém são sódiferentes!
“Nada a esconder” merece ser visto tanto quando “Perfectos Desconocidos”. Vale o play!!!
“Nada a esconder” (título original - "Le seu") é um filme francês distribuído pela Netflix que é mais uma adaptação do premiadíssimo filme italiano de 2016, “Perfetti Sconosciuti” que, inclusive, já tinha ganhado uma versão espanhola do genial Álex de la Iglesia e que por muito tempo figurou na lista “não deixe de assistir” da Viu Review!
Vamos lá, essa versão francesa é muito parecida com a versão espanhola: Em um jantar entre amigos, para aliviar as tensões típicas da convivência, eles resolvem fazer uma brincadeira: todos os celulares são colocados na mesa e qualquer mensagem, e-mail ou ligação que eles receberem devem ser compartilhadas com os outros em voz alta, imediatamente, não importando o assunto ou quem esteja do outro lado da linha. Bem, só por essa breve sinopse dá para imaginar o constrangimento que se torna esse jantar. Impossível não se colocar na situação dos personagens e o clima que que se estabelece é angustiante e divertido. Confira o trailer (em francês):
O diretor Fred Cavayé trouxe para o filme um pouco menos de non-sense que o diretor espanhol - até por característica cinematográfica; trabalhando aquelas mesmas situações de uma forma mais realista, quase dramáticas em alguns momentos. É um conceito narrativo que funciona - talvez eu tivesse até ido por esse caminho se eu fosse dirigir esse roteiro, mas admito que com essa escolha, perdemos um pouco da inventividade e da fantasia que o Álex de la Iglesia havia mostrado anteriormente e que encaixou tão bem na trama.
Certamente, se eu não tivesse assistido a versão espanhola antes, eu teria colocado “Nada a esconder” na lista de imperdíveis com muita tranquilidade, mas eu gostaria de sugerir uma outra proposta com esse meu review: assistam as duas versões e vejam como, com um mesmo texto, os filmes podem ser tão diferentes e igualmente bons! Veja como o Non-sense espanhol é muito mais caricato e como o realismo francês é muito mais delicado. Veja como um não diminui o valor outro - é um bom exercício nos dias de hoje, afinal, ambos tem seus méritos, porém são sódiferentes!
“Nada a esconder” merece ser visto tanto quando “Perfectos Desconocidos”. Vale o play!!!
Uma série divertida, inteligente, gostosa de assistir! "Ninguém Quer" poderia facilmente cair nos clichês clássicos da comédia romântica moderna, mas evita atalhos ao construir uma jornada deliciosa onde dois protagonistas, com visões de mundo radicalmente diferentes, fazem o básico para que qualquer relação dê certo: conversam sobre seus sentimentos sem medo de expor suas inseguranças, e conforme vão se conhecendo, vão se apaixonando ainda mais - consequentemente, a audiência também! "Nobody Wants This" (no original), criada por Erin Foster para a Netflix, é sim uma comédia romântica, mas que sabe fazer do drama um gatilho para suas intervenções mais sarcásticas e com isso navegar pelas complexidades dos relacionamentos com uma abordagem mais espirituosa e provocadora, sem nunca pesar na mão.
A trama segue o encontro inesperado entre Noah Roklov (Adam Brody) e Joanne (Kristen Bell), que rapidamente se transforma em um relacionamento tão cheio de desafios quanto de descobertas. Noah é um rabino progressista que tenta conciliar sua vida espiritual com as demandas da comunidade que lidera, enquanto Joanne é uma personalidade extravagante cuja visão cínica sobre o amor e a religião colide constantemente com as crenças de Noah. A dinâmica entre eles, embora improvável, gera momentos cômicos de um lado e profundamente tocantes do outro, e a medida que ambos enfrentam seus próprios preconceitos e fantasmas do passado, tudo ganha ainda mais graça. Confira o trailer:
Ao apresentar uma inusitada conexão entre um rabino, líder espiritual introspectivo e idealista, e uma mulher irreverente, barulhenta e agnóstica, conhecida por um podcast de sucesso que fala abertamente sobre sexo e relacionamentos, a série nem precisa se esforçar para se beneficiar de uma combinação certeira de humor ácido, diálogos afiados e reflexões sobre fé, amor e identidade. Erin Foster, de fato, cria um roteiro que equilibra habilmente esse tipo de humor com uma certa reflexão sem ser maçante. Os diálogos são rápidos e repletos de sarcasmo, mas também há espaço para momentos mais suaves com um toque emocional que nos atingem sem dó - repare como os personagens analisam suas escolhas e questionam o que realmente desejam na vida, da mesma forma como em algum momento já fizemos algo parecido.
Kristen Bell brilha como Joanne, trazendo uma energia vibrante e caótica que contrasta perfeitamente com o personagem meticuloso e ponderado de Adam Brody. Bell entrega uma performance que mistura irreverência com uma vulnerabilidade surpreendente, revelando as camadas emocionais por trás de uma fachada auto-suficiente. Brody, por sua vez, captura a complexidade de Noah, equilibrando seu idealismo e respeito pelas tradições familiares com dúvidas e inseguranças que tornam o personagem profundamente humano. E a química entre os dois, olha, é surpreendente - essa relação cheia de atrito e humor é o coração pulsante da série. Ah, Justine Lupe, a Morgan, irmã de Joanne, também brilha - ela é um ótimo contraponto para as dúvidas e surtos da irmã, eu diria até que ela é aquele tipo de conselheira que fala as verdades necessárias mesmo quando a gente não quer ouvir. Sabe?
"Ninguém Quer" enfatiza a intimidade e as nuances de um relacionamento que reflete mundos opostos de forma leve. Obviamente que aquele retrato é muito mais idealizado do que a vida como ela é, no entanto esse tom talvez seja a razão que vai fazer com que aqueles fãs de um bom romance não desgrudem da tela ou percam aquele sorrisinho no rosto. Importante, com o fim da primeira temporada daria pra encerrar a história e todo mundo ficaria feliz, mas, considerando o seu sucesso em poucos dias após a estreia, a Netflix já encomendou mais histórias de Joanne e Noah, só espero que a qualidade não diminua!
Vale muito o seu play!
Uma série divertida, inteligente, gostosa de assistir! "Ninguém Quer" poderia facilmente cair nos clichês clássicos da comédia romântica moderna, mas evita atalhos ao construir uma jornada deliciosa onde dois protagonistas, com visões de mundo radicalmente diferentes, fazem o básico para que qualquer relação dê certo: conversam sobre seus sentimentos sem medo de expor suas inseguranças, e conforme vão se conhecendo, vão se apaixonando ainda mais - consequentemente, a audiência também! "Nobody Wants This" (no original), criada por Erin Foster para a Netflix, é sim uma comédia romântica, mas que sabe fazer do drama um gatilho para suas intervenções mais sarcásticas e com isso navegar pelas complexidades dos relacionamentos com uma abordagem mais espirituosa e provocadora, sem nunca pesar na mão.
A trama segue o encontro inesperado entre Noah Roklov (Adam Brody) e Joanne (Kristen Bell), que rapidamente se transforma em um relacionamento tão cheio de desafios quanto de descobertas. Noah é um rabino progressista que tenta conciliar sua vida espiritual com as demandas da comunidade que lidera, enquanto Joanne é uma personalidade extravagante cuja visão cínica sobre o amor e a religião colide constantemente com as crenças de Noah. A dinâmica entre eles, embora improvável, gera momentos cômicos de um lado e profundamente tocantes do outro, e a medida que ambos enfrentam seus próprios preconceitos e fantasmas do passado, tudo ganha ainda mais graça. Confira o trailer:
Ao apresentar uma inusitada conexão entre um rabino, líder espiritual introspectivo e idealista, e uma mulher irreverente, barulhenta e agnóstica, conhecida por um podcast de sucesso que fala abertamente sobre sexo e relacionamentos, a série nem precisa se esforçar para se beneficiar de uma combinação certeira de humor ácido, diálogos afiados e reflexões sobre fé, amor e identidade. Erin Foster, de fato, cria um roteiro que equilibra habilmente esse tipo de humor com uma certa reflexão sem ser maçante. Os diálogos são rápidos e repletos de sarcasmo, mas também há espaço para momentos mais suaves com um toque emocional que nos atingem sem dó - repare como os personagens analisam suas escolhas e questionam o que realmente desejam na vida, da mesma forma como em algum momento já fizemos algo parecido.
Kristen Bell brilha como Joanne, trazendo uma energia vibrante e caótica que contrasta perfeitamente com o personagem meticuloso e ponderado de Adam Brody. Bell entrega uma performance que mistura irreverência com uma vulnerabilidade surpreendente, revelando as camadas emocionais por trás de uma fachada auto-suficiente. Brody, por sua vez, captura a complexidade de Noah, equilibrando seu idealismo e respeito pelas tradições familiares com dúvidas e inseguranças que tornam o personagem profundamente humano. E a química entre os dois, olha, é surpreendente - essa relação cheia de atrito e humor é o coração pulsante da série. Ah, Justine Lupe, a Morgan, irmã de Joanne, também brilha - ela é um ótimo contraponto para as dúvidas e surtos da irmã, eu diria até que ela é aquele tipo de conselheira que fala as verdades necessárias mesmo quando a gente não quer ouvir. Sabe?
"Ninguém Quer" enfatiza a intimidade e as nuances de um relacionamento que reflete mundos opostos de forma leve. Obviamente que aquele retrato é muito mais idealizado do que a vida como ela é, no entanto esse tom talvez seja a razão que vai fazer com que aqueles fãs de um bom romance não desgrudem da tela ou percam aquele sorrisinho no rosto. Importante, com o fim da primeira temporada daria pra encerrar a história e todo mundo ficaria feliz, mas, considerando o seu sucesso em poucos dias após a estreia, a Netflix já encomendou mais histórias de Joanne e Noah, só espero que a qualidade não diminua!
Vale muito o seu play!
"Normandia Nua" é daqueles filmes leves e divertidos com um leve toque de crítica social - nada que torne a narrativa reflexiva demais, mas que dá o seu recado. Essa produção francesa de 2018 dirigida pelo veterano e talentoso Philippe Le Guay (de "As Mulheres do Sexto Andar") traz um cinema francês diferente, com um tom mais próximo das dramédias argentinas como "Minha Obra-Prima" ou "O Cidadão Ilustre", ou seja, se você sabe do que eu estou falando, já deu para perceber que esse "play" vale a pena, né?
O filme acompanha Georges Balbuzard (François Cluzet), o prefeito da pequena cidade de Mêle sur Sarthe, na Normandia, onde os agricultores vêm sofrendo cada vez mais por conta de uma grave crise econômica. Quando o fotógrafo Blake Newman (Toby Jones), conhecido por deixar multidões nuas em suas obras, está passando pela região, Balbuzard enxerga nisso uma oportunidade perfeita para chamar atenção da grande mídia e salvar seu povo. Só falta convencer os cidadãos, digamos tradicionais, a tirarem a roupa. Confira o trailer:
Como já possível imaginar, "Normandia Nua" não se encaixa naquela prateleira de filmes profundos, com roteiros bem estruturados e mensagens impactantes - e isso tem o seu lado bom, e outro nem tanto. O fato de existir diversas narrativas correndo em paralelo faz com que muito do arco principal, a aceitação de ter um americano querendo deixar uma cidade inteira sem roupa, perca um pouco sua força - o que é um pecado, pois esse choque cultural poderia ter sido melhor aproveitado: vimos isso na série "Famoso na França", por exemplo. Por outro lado, toda a discussão sócio-político-econômica que pontua temas como o esvaziamento dos campos, a desestruturação da agricultura familiar e a destruição dos produtores nacionais em detrimento da concorrência estrangeira, é cirurgicamente inserida de maneira inteligente e sem pesar na mão - em nenhum momento somos mais impactados do que deveríamos sobre o assunto.
As outras tramas paralelas ajudam a compor a dinâmica da cidade pequena, portanto, propositalmente, elas são mais superficiais, mesmo que reflita no cotidiano daquele universo: temos o publicitário que se muda com a família de Paris para o vilarejo e mente insistentemente para si mesmo que agora é um homem feliz e realizado, o rapaz que retorna da capital para vender a antiga loja de fotografias herdada do pai e se apaixona por uma amiga da sua ex-namorada, temos também a história de um homem falido que se culpa por não ter mais os documentos de uma área que sempre foi a paixão da sua família e até a do açougueiro que casou com uma ex-miss da cidade e morre de ciúmes dela, ainda mais agora com a possibilidade de toda cidade ve-la "pelada".
"Normandia Nua" tem François Cluzet (uma espécie de Darin da França) mais uma vez dando um show, mas também tem um Toby Jones tão tímido quanto excêntrico em uma clara homenagem ao fotógrafo Spencer Tunick, conhecido como o “fotógrafo das multidões nuas”. Sem pretensão alguma de ser um filme inesquecível, "Normandie nue" (no original) é a escolha perfeita para um dia onde você só quer relaxar, assistir uma história agradável e ainda dar algumas boas risadas.
Vale a pena!
"Normandia Nua" é daqueles filmes leves e divertidos com um leve toque de crítica social - nada que torne a narrativa reflexiva demais, mas que dá o seu recado. Essa produção francesa de 2018 dirigida pelo veterano e talentoso Philippe Le Guay (de "As Mulheres do Sexto Andar") traz um cinema francês diferente, com um tom mais próximo das dramédias argentinas como "Minha Obra-Prima" ou "O Cidadão Ilustre", ou seja, se você sabe do que eu estou falando, já deu para perceber que esse "play" vale a pena, né?
O filme acompanha Georges Balbuzard (François Cluzet), o prefeito da pequena cidade de Mêle sur Sarthe, na Normandia, onde os agricultores vêm sofrendo cada vez mais por conta de uma grave crise econômica. Quando o fotógrafo Blake Newman (Toby Jones), conhecido por deixar multidões nuas em suas obras, está passando pela região, Balbuzard enxerga nisso uma oportunidade perfeita para chamar atenção da grande mídia e salvar seu povo. Só falta convencer os cidadãos, digamos tradicionais, a tirarem a roupa. Confira o trailer:
Como já possível imaginar, "Normandia Nua" não se encaixa naquela prateleira de filmes profundos, com roteiros bem estruturados e mensagens impactantes - e isso tem o seu lado bom, e outro nem tanto. O fato de existir diversas narrativas correndo em paralelo faz com que muito do arco principal, a aceitação de ter um americano querendo deixar uma cidade inteira sem roupa, perca um pouco sua força - o que é um pecado, pois esse choque cultural poderia ter sido melhor aproveitado: vimos isso na série "Famoso na França", por exemplo. Por outro lado, toda a discussão sócio-político-econômica que pontua temas como o esvaziamento dos campos, a desestruturação da agricultura familiar e a destruição dos produtores nacionais em detrimento da concorrência estrangeira, é cirurgicamente inserida de maneira inteligente e sem pesar na mão - em nenhum momento somos mais impactados do que deveríamos sobre o assunto.
As outras tramas paralelas ajudam a compor a dinâmica da cidade pequena, portanto, propositalmente, elas são mais superficiais, mesmo que reflita no cotidiano daquele universo: temos o publicitário que se muda com a família de Paris para o vilarejo e mente insistentemente para si mesmo que agora é um homem feliz e realizado, o rapaz que retorna da capital para vender a antiga loja de fotografias herdada do pai e se apaixona por uma amiga da sua ex-namorada, temos também a história de um homem falido que se culpa por não ter mais os documentos de uma área que sempre foi a paixão da sua família e até a do açougueiro que casou com uma ex-miss da cidade e morre de ciúmes dela, ainda mais agora com a possibilidade de toda cidade ve-la "pelada".
"Normandia Nua" tem François Cluzet (uma espécie de Darin da França) mais uma vez dando um show, mas também tem um Toby Jones tão tímido quanto excêntrico em uma clara homenagem ao fotógrafo Spencer Tunick, conhecido como o “fotógrafo das multidões nuas”. Sem pretensão alguma de ser um filme inesquecível, "Normandie nue" (no original) é a escolha perfeita para um dia onde você só quer relaxar, assistir uma história agradável e ainda dar algumas boas risadas.
Vale a pena!
Mais um filme imperdível! Uma co-produção Argentina/Espanha, vencedor do Prêmio Goya (o Oscar Espanhol) em 2017 na categoria "Best Iberoamerican Film" e dirigido pela dupla Gastón Duprat e Mariano Cohn. E, olha, em um país onde a qualidade cinematográfica já é referência, "O Cidadão Ilustre" foi o filme argentino mais assistido do ano! O filme é sensacional, na delicadeza de tocar em assuntos pesados à qualidade de uma interpretação irretocável - é possível sentir cada sensação do personagem, a cada situação que ele vive e sem passar do tom em nenhum momento - o monstro responsável por isso (não é o Darin...rs) é Oscar Martínez (o mesmo de "Toc Toc").
Martínez interpreta um premiado escritor argentino que vive fora do seu país desde muito jovem e em um determinado momento da sua vida, se sentindo sem muita motivação (e até com uma certa melancolia), ele recebe um convite de sua cidade natal para participar de algumas homenagens pelas suas mais recentes conquistas profissionais. Ao aceitar, ele precisa enfrentar tudo que deixou para trás há 40 anos e ao mesmo tempo recuperar sua essência para continuar contando boas histórias. Veja o Trailer:
Por essa curta sinopse, é fácil pensar que se trata de um drama pesado, triste, mas não, o mérito do filme é justamente esse - tratar esse vazio existencial com um humor inteligente e dramático ao mesmo tempo, e sem perder a mão. Tem um overacting estereotipado de alguns atores que são magistralmente inseridos em um contexto completamente non-sente. É perfeito!!!! Reparem no prefeito da cidade (Manuel Vicente - ele é a personificação desse conceito!!!
É realmente um grande roteiro, muito bem dirigido, muito bem produzido - eu só não gostei muito da câmera solta em alguns momentos quando os diretores apresentavam aquele universo da cidade natal, pois os enquadramentos traduziam a melancolia e a simplicidade do lugar por si só, não precisava de um movimento - aquilo poderia ser um quadro lindo, quase uma pintura (mas foi uma escolha criativa e é preciso respeitar).
Certamente um dos melhores filmes que assisti esse ano!
Dê o play e seja feliz, pois é um entretenimento de primeira qualidade!!!!
Mais um filme imperdível! Uma co-produção Argentina/Espanha, vencedor do Prêmio Goya (o Oscar Espanhol) em 2017 na categoria "Best Iberoamerican Film" e dirigido pela dupla Gastón Duprat e Mariano Cohn. E, olha, em um país onde a qualidade cinematográfica já é referência, "O Cidadão Ilustre" foi o filme argentino mais assistido do ano! O filme é sensacional, na delicadeza de tocar em assuntos pesados à qualidade de uma interpretação irretocável - é possível sentir cada sensação do personagem, a cada situação que ele vive e sem passar do tom em nenhum momento - o monstro responsável por isso (não é o Darin...rs) é Oscar Martínez (o mesmo de "Toc Toc").
Martínez interpreta um premiado escritor argentino que vive fora do seu país desde muito jovem e em um determinado momento da sua vida, se sentindo sem muita motivação (e até com uma certa melancolia), ele recebe um convite de sua cidade natal para participar de algumas homenagens pelas suas mais recentes conquistas profissionais. Ao aceitar, ele precisa enfrentar tudo que deixou para trás há 40 anos e ao mesmo tempo recuperar sua essência para continuar contando boas histórias. Veja o Trailer:
Por essa curta sinopse, é fácil pensar que se trata de um drama pesado, triste, mas não, o mérito do filme é justamente esse - tratar esse vazio existencial com um humor inteligente e dramático ao mesmo tempo, e sem perder a mão. Tem um overacting estereotipado de alguns atores que são magistralmente inseridos em um contexto completamente non-sente. É perfeito!!!! Reparem no prefeito da cidade (Manuel Vicente - ele é a personificação desse conceito!!!
É realmente um grande roteiro, muito bem dirigido, muito bem produzido - eu só não gostei muito da câmera solta em alguns momentos quando os diretores apresentavam aquele universo da cidade natal, pois os enquadramentos traduziam a melancolia e a simplicidade do lugar por si só, não precisava de um movimento - aquilo poderia ser um quadro lindo, quase uma pintura (mas foi uma escolha criativa e é preciso respeitar).
Certamente um dos melhores filmes que assisti esse ano!
Dê o play e seja feliz, pois é um entretenimento de primeira qualidade!!!!
Impossível não olhar Buenos Aires com um certo ar de romantismo e desejo depois de assistir aos cinco episódios dessa excelente (e despretensiosa) minissérie do Star+, "O Faz Nada". Ao melhor estilo Woody Allen de construir uma narrativa cinematográfica se apropriando de fortes elementos da crônica, com personagens complexos (e por isso charmosos), um cenário deslumbrante e um tema que normalmente se mistura entre o cotidiano e o imaginário, essa obra dos geniais Gastón Duprat e Mariano Cohn, ambos de "Cidadão Ilustre" e não por acaso sua maior referência conceitual, é uma divertida e sensível jornada pela gastronomia portenha pela perspectiva de quem é apaixonado pelos detalhes - para o bem e para o mal!
Na história, o bon vivant e icônico crítico gastronômico, Manuel Tamayo Prats (Luis Brandoni), mal tem recursos para manter seu estilo de vida abastado, mas nem por isso deixa de se aproveitar do respeito que adquiriu nos tempos áureos para viver e comer muito bem. Mal humorado e patologicamente sincero, Prats se vê em uma situação inédita quando precisa contratar uma jovem paraguaia, Antonia (Majo Cabrera), para substituir Celsa (María Rosa Fugazot) - uma antiga empregada que cuidou dele por mais de 40 anos, mas que "do nada" acaba de morrer. Confira o trailer (em espanhol):
Logo de cara, a presença de Robert De Niro já coloca nossa expectava em outro patamar. De Niro, com um certo ar "proposital" de superioridade, é basicamente o narrador dessa história que não sabemos exatamente onde vai nos levar. Suas aparições são cirurgias, misteriosas e cheias de elegância - como se estivesse nos preparando para uma epifania dramática matadora. De fato é isso que acontece, talvez sem tanto impacto narrativo, mas sem dúvida repleto de sentimento - e é ai que as conexões fazem sentido, já que a minissérie fala de arte de cultura, de gastronomia, mas são as relações de amizade que realmente tocam nossa alma.
O roteiro de Duprat e Cohn, ao lado do talentoso Emanuel Diez (de "A Extorsão"), sabe exatamente como equilibrar o drama com o cômico, ao mesmo tempo que se mostra extremamente capaz de discutir as nuances das relações humanas com muita honestidade (que personificado por Prats, soa até exagerado) e sensibilidade, sem nunca esquecer da ironia e do humor inteligente. A direção sabe que essa sagacidade e acidez criam laços improváveis entre a audiência e o protagonista - eles fizeram exatamente isso no premiado "Cidadão Ilustre", Marc Forster repetiu a fórmula em "O Pior Vizinho do Mundo" eChuck Lorre fechou com chave de ouro em "O Método Kominsky". Mas para tudo funcionar como se deve, esse protagonista tem que roubar a cena e é justamente o que Brandoni faz - não à toa, o seu Manuel Tamayo Prats sempre tem uma resposta na ponta da língua que contraria, provoca ou simplesmente debocha de alguém, com inteligência e crueldade (nunca uma sem a outra), nos causando até uma certa "inveja".
"Nada" (no original) sabe nos conquistar ao retratar a forma única de levar a vida de um senhor que já não espera muito da vida, mas que teima em não deixar de aproveita-la. As insinuações são excelentes (especialmente quando se trata da relação homem e mulher), mas é na qualidade do texto e na construção de uma atmosfera que celebra o amor de seus criadores pela cidade, pela gastronomia e pela ironia bem colocada, que a minissérie realmente decola. Como não poderia deixar de ser, essa brincadeira cosmopolita meio "woodyallenana" de Duprat e Cohn, é tão apaixonante e cheia de camadas que se dá o direito de trocar o tango pelo jazz, que mesmo mais casual traz leveza para as cenas, e até colocar no mesmo nível de importância o famoso bife de chorizo a cavalo com o conceito da gastronomia chinesa do Wen, Zhao e Wogh. Interessante, não?
Pois é! Eu diria, imperdível!
Impossível não olhar Buenos Aires com um certo ar de romantismo e desejo depois de assistir aos cinco episódios dessa excelente (e despretensiosa) minissérie do Star+, "O Faz Nada". Ao melhor estilo Woody Allen de construir uma narrativa cinematográfica se apropriando de fortes elementos da crônica, com personagens complexos (e por isso charmosos), um cenário deslumbrante e um tema que normalmente se mistura entre o cotidiano e o imaginário, essa obra dos geniais Gastón Duprat e Mariano Cohn, ambos de "Cidadão Ilustre" e não por acaso sua maior referência conceitual, é uma divertida e sensível jornada pela gastronomia portenha pela perspectiva de quem é apaixonado pelos detalhes - para o bem e para o mal!
Na história, o bon vivant e icônico crítico gastronômico, Manuel Tamayo Prats (Luis Brandoni), mal tem recursos para manter seu estilo de vida abastado, mas nem por isso deixa de se aproveitar do respeito que adquiriu nos tempos áureos para viver e comer muito bem. Mal humorado e patologicamente sincero, Prats se vê em uma situação inédita quando precisa contratar uma jovem paraguaia, Antonia (Majo Cabrera), para substituir Celsa (María Rosa Fugazot) - uma antiga empregada que cuidou dele por mais de 40 anos, mas que "do nada" acaba de morrer. Confira o trailer (em espanhol):
Logo de cara, a presença de Robert De Niro já coloca nossa expectava em outro patamar. De Niro, com um certo ar "proposital" de superioridade, é basicamente o narrador dessa história que não sabemos exatamente onde vai nos levar. Suas aparições são cirurgias, misteriosas e cheias de elegância - como se estivesse nos preparando para uma epifania dramática matadora. De fato é isso que acontece, talvez sem tanto impacto narrativo, mas sem dúvida repleto de sentimento - e é ai que as conexões fazem sentido, já que a minissérie fala de arte de cultura, de gastronomia, mas são as relações de amizade que realmente tocam nossa alma.
O roteiro de Duprat e Cohn, ao lado do talentoso Emanuel Diez (de "A Extorsão"), sabe exatamente como equilibrar o drama com o cômico, ao mesmo tempo que se mostra extremamente capaz de discutir as nuances das relações humanas com muita honestidade (que personificado por Prats, soa até exagerado) e sensibilidade, sem nunca esquecer da ironia e do humor inteligente. A direção sabe que essa sagacidade e acidez criam laços improváveis entre a audiência e o protagonista - eles fizeram exatamente isso no premiado "Cidadão Ilustre", Marc Forster repetiu a fórmula em "O Pior Vizinho do Mundo" eChuck Lorre fechou com chave de ouro em "O Método Kominsky". Mas para tudo funcionar como se deve, esse protagonista tem que roubar a cena e é justamente o que Brandoni faz - não à toa, o seu Manuel Tamayo Prats sempre tem uma resposta na ponta da língua que contraria, provoca ou simplesmente debocha de alguém, com inteligência e crueldade (nunca uma sem a outra), nos causando até uma certa "inveja".
"Nada" (no original) sabe nos conquistar ao retratar a forma única de levar a vida de um senhor que já não espera muito da vida, mas que teima em não deixar de aproveita-la. As insinuações são excelentes (especialmente quando se trata da relação homem e mulher), mas é na qualidade do texto e na construção de uma atmosfera que celebra o amor de seus criadores pela cidade, pela gastronomia e pela ironia bem colocada, que a minissérie realmente decola. Como não poderia deixar de ser, essa brincadeira cosmopolita meio "woodyallenana" de Duprat e Cohn, é tão apaixonante e cheia de camadas que se dá o direito de trocar o tango pelo jazz, que mesmo mais casual traz leveza para as cenas, e até colocar no mesmo nível de importância o famoso bife de chorizo a cavalo com o conceito da gastronomia chinesa do Wen, Zhao e Wogh. Interessante, não?
Pois é! Eu diria, imperdível!
"O melhor está por vir" é um filme francês surpreendente, pois equilibra muito bem dois gêneros que, ao mesmo tempo tão diferentes, se completam: a comédia e o drama. Reparem na história: após descobrir por engano que seu melhor amigo, César (Patrick Bruel), está com câncer e que tem apenas três meses de vida, Arthur (Fabrice Luchini) precisa contar esse duro diagnóstico, porém ele acaba se atrapalhando e deixa a entender que quem está doente é ele e não César. A partir daí eles resolvem deixar os problemas do cotidiano para trás, recuperar o tempo perdido e viver o pouco tempo que lhes restam juntos, da melhor maneira possível!
Olha, o filme é realmente uma graça! Embora a premissa possa parecer batida, dolorida e até indicar uma história cheia de sofrimento fantasiado de nostalgia, "O melhor está por vir" é justamente o contrário, ele é leve, divertido, inteligente e muito sensível para transitar entre o amor e a dor, entre a vida e a morte, sem pegar atalhos! Confesso que fui pego de surpresa, não sabia muito sobre o filme e posso garantir que a experiência não poderia ter sido melhor.
O roteiro, dos também diretores, Matthieu Delaporte e Alexandre De La Patellière, fala de amizade, claro, mas fala muito sobre o valor e a importância do perdão - para o outro e para si mesmo! É muito inteligente a maneira como o texto pontua algumas das situações de vida desses dois amigos de infância, com personalidades tão diferentes, que precisaram lidar com as consequências de algo que não saiu tão bem como planejado. Arthur tem uma personalidade difícil, sofre com o fim do seu casamento e com a dificuldade de se relacionar com a filha pré-adolescente. Já César é um fracassado profissional, que deve muito dinheiro, mas não abre mão da boa vida. O roteiro dá uma aula de estrutura, tudo é muito bem definido e perceptível: o primeiro ato funciona como apresentação dos personagens, a origem da amizade entre eles e suas particularidades emocionais. O conflito também é naturalmente construído e ainda fortalece a diferença e o estilo de vida de cada um, agora adultos , mas sempre pontuando um elo em comum: a forte amizade! O segundo ato, nos trás muitas referências de “Antes de Partir” com Jack Nicholson e Morgan Freeman, mas mesmo assim só faz aumentar nossa empatia com os personagens e nos divertir com as situações que eles estão passando juntos durante a jornada. E para finalizar, no terceiro ato, uma entrega sem ser excessivamente dramática, com uma mensagem completamente alinhada à tudo que foi construído durante a narrativa e o melhor: uma sensação de missão cumprida absurda - é lindo, emocionante e verdadeiro!
Se no inicio temos a sensação que "O melhor está por vir" é uma comédia "estilo pastelão" com atuações acima do tom, em seguida já percebemos algo mais suave, com mais pausas, olhares e uma química impressionante entre os dois atores que se sustenta até o final, onde a comédia, naturalmente, dá lugar ao drama - mas tudo, absolutamente tudo, sem perder a alma e a sutileza do texto - para mim, grande mérito de uma direção extremamente competente, técnica e segura de onde queria chegar! Uma menção importante: a fotografia do Guillaume Schiffman (indicado ao Oscar pelo "O Artista") é maravilhosa - vemos uma Paris pelos olhos de parisienses e isso faz toda a diferença - parece que estamos ouvindo uma história de quem realmente viveu tudo aquilo! É lindo!
Pode se preparar, "O melhor está por vir", vai mexer com seu coração, mas de uma forma leve, sem muito drama e com muita sinceridade e sutileza.
Vale muito a pena!
"O melhor está por vir" é um filme francês surpreendente, pois equilibra muito bem dois gêneros que, ao mesmo tempo tão diferentes, se completam: a comédia e o drama. Reparem na história: após descobrir por engano que seu melhor amigo, César (Patrick Bruel), está com câncer e que tem apenas três meses de vida, Arthur (Fabrice Luchini) precisa contar esse duro diagnóstico, porém ele acaba se atrapalhando e deixa a entender que quem está doente é ele e não César. A partir daí eles resolvem deixar os problemas do cotidiano para trás, recuperar o tempo perdido e viver o pouco tempo que lhes restam juntos, da melhor maneira possível!
Olha, o filme é realmente uma graça! Embora a premissa possa parecer batida, dolorida e até indicar uma história cheia de sofrimento fantasiado de nostalgia, "O melhor está por vir" é justamente o contrário, ele é leve, divertido, inteligente e muito sensível para transitar entre o amor e a dor, entre a vida e a morte, sem pegar atalhos! Confesso que fui pego de surpresa, não sabia muito sobre o filme e posso garantir que a experiência não poderia ter sido melhor.
O roteiro, dos também diretores, Matthieu Delaporte e Alexandre De La Patellière, fala de amizade, claro, mas fala muito sobre o valor e a importância do perdão - para o outro e para si mesmo! É muito inteligente a maneira como o texto pontua algumas das situações de vida desses dois amigos de infância, com personalidades tão diferentes, que precisaram lidar com as consequências de algo que não saiu tão bem como planejado. Arthur tem uma personalidade difícil, sofre com o fim do seu casamento e com a dificuldade de se relacionar com a filha pré-adolescente. Já César é um fracassado profissional, que deve muito dinheiro, mas não abre mão da boa vida. O roteiro dá uma aula de estrutura, tudo é muito bem definido e perceptível: o primeiro ato funciona como apresentação dos personagens, a origem da amizade entre eles e suas particularidades emocionais. O conflito também é naturalmente construído e ainda fortalece a diferença e o estilo de vida de cada um, agora adultos , mas sempre pontuando um elo em comum: a forte amizade! O segundo ato, nos trás muitas referências de “Antes de Partir” com Jack Nicholson e Morgan Freeman, mas mesmo assim só faz aumentar nossa empatia com os personagens e nos divertir com as situações que eles estão passando juntos durante a jornada. E para finalizar, no terceiro ato, uma entrega sem ser excessivamente dramática, com uma mensagem completamente alinhada à tudo que foi construído durante a narrativa e o melhor: uma sensação de missão cumprida absurda - é lindo, emocionante e verdadeiro!
Se no inicio temos a sensação que "O melhor está por vir" é uma comédia "estilo pastelão" com atuações acima do tom, em seguida já percebemos algo mais suave, com mais pausas, olhares e uma química impressionante entre os dois atores que se sustenta até o final, onde a comédia, naturalmente, dá lugar ao drama - mas tudo, absolutamente tudo, sem perder a alma e a sutileza do texto - para mim, grande mérito de uma direção extremamente competente, técnica e segura de onde queria chegar! Uma menção importante: a fotografia do Guillaume Schiffman (indicado ao Oscar pelo "O Artista") é maravilhosa - vemos uma Paris pelos olhos de parisienses e isso faz toda a diferença - parece que estamos ouvindo uma história de quem realmente viveu tudo aquilo! É lindo!
Pode se preparar, "O melhor está por vir", vai mexer com seu coração, mas de uma forma leve, sem muito drama e com muita sinceridade e sutileza.
Vale muito a pena!
Como normalmente acontece com a dramaturgia argentina, especialmente nas comédias, nem todos vão amar essa minissérie de seis episódios que está no Disney+. No entanto, para aqueles dispostos a embarcar em uma jornada envolvente e cheia de ironias, especialmente por sua abordagem mais humana e muito sincera sobre as pequenas tragédias do cotidiano, eu diria que "O Melhor Infarto da Minha Vida" é um tiro mais do que certeiro - pode apostar que será uma agradável surpresa! Antes do play, saiba que Hernán Casciari é um nome conhecido na literatura daquele país por sua escrita bem-humorada e quase sempre autobiográfica - foi a partir do material original de Casciari que o roteirista Lucas Figueroa (de "Viral") captura sua essência para adaptar uma inusitada experiência de quase-morte do escritor e assim entregar uma comédia com um olhar afiado sobre a vida, sobre o destino e sobre uma segunda chance. Na linha de obras como "After Life" de Ricky Gervais ou até da inesquecível "O Método Kominsky", ambas séries que misturam humor com muita reflexão, Figueroa desenvolve uma narrativa tão divertida quanto melancólica, mas sempre apaixonante.
Na trama acompanhamos Ariel (Alan Sabbagh), um "escritor fantasma" que leva um estilo de vida caótico e sem grandes perspectivas, até que um certo dia ele sofre um infarto fulminante. É justamente esse episódio que obriga Ariel a encarar sua própria mortalidade e a repensar a maneira como tem levado sua vida nos últimos anos. Enquanto se recupera, ele passa a ver o mundo de uma forma diferente e que, inevitavelmente, acaba transformando aqueles ao seu redor. Confia o trailer (em espanhol):
A diretora Mariana Wainstein até que acerta ao manter o tom agridoce que marca os textos de Casciari, equilibrando os momentos mais cômicos com uma sensibilidade emocional dos subtextos que dá uma interessante profundidade para a narrativa. Sua direção se destaca pelo uso inteligente de planos fechados que enfatizam os momentos de vulnerabilidade de Ariel, contrastando com uma paleta de cores mais acolhedora, que reforça o lado esperançoso da história - essa dicotomia visual, muito usada na cinematografia argentina, sem a menor sobra de dúvida, traz um charme extra para a minissérie. Nesse sentido, o roteiro, escrito por Figueroa em colaboração com Maria Zanetti e com a própria Wainstein, trabalha bem o conceito de renascimento pessoal, explorando como um evento traumático pode redefinir nossas prioridades, com leveza e uma certa despretensão.
Ao olhar para o elenco, encontramos Alan Sabbagh - o ator carrega a minissérie com uma atuação carismática, transitando com naturalidade entre o sarcasmo e a fragilidade de seu personagem, sem nunca escolher os caminhos mais fáceis. Sabbagh tem uma boa dinâmica com Olivia Molina, que interpreta Concha, e com Rogelio Gracia, que vive Javier - figuras essenciais na jornada do protagonista ao ponto de criar um retrato sincero de um homem em busca de um novo sentido para sua existência.
"O Melhor Infarto da Minha Vida" é, de fato, uma experiência enxuta e bem estruturada - daquelas que matamos em uma tarde, sem tempo para enrolações. A minissérie consegue ser leve e impactante com muita elegância, convidando a audiência a rir das ironias da vida enquanto reflete sobre a importância de estar presente no "agora". Aqui, não temos um drama convencional e tampouco uma história que se propõe a trazer grandes respostas filosóficas, muito pelo contrário, "O Melhor Infarto da Minha Vida" acerta mesmo ao construir um protagonista realista e falho enquanto torna sua jornada de redescoberta uma experiência realmente autêntica e marcante - para todos.
Se você gosta de narrativas que exploram o humor dentro de um contexto de tragédia, vale muito a pena dar uma chance para "O Melhor Infarto da Minha Vida"!
Como normalmente acontece com a dramaturgia argentina, especialmente nas comédias, nem todos vão amar essa minissérie de seis episódios que está no Disney+. No entanto, para aqueles dispostos a embarcar em uma jornada envolvente e cheia de ironias, especialmente por sua abordagem mais humana e muito sincera sobre as pequenas tragédias do cotidiano, eu diria que "O Melhor Infarto da Minha Vida" é um tiro mais do que certeiro - pode apostar que será uma agradável surpresa! Antes do play, saiba que Hernán Casciari é um nome conhecido na literatura daquele país por sua escrita bem-humorada e quase sempre autobiográfica - foi a partir do material original de Casciari que o roteirista Lucas Figueroa (de "Viral") captura sua essência para adaptar uma inusitada experiência de quase-morte do escritor e assim entregar uma comédia com um olhar afiado sobre a vida, sobre o destino e sobre uma segunda chance. Na linha de obras como "After Life" de Ricky Gervais ou até da inesquecível "O Método Kominsky", ambas séries que misturam humor com muita reflexão, Figueroa desenvolve uma narrativa tão divertida quanto melancólica, mas sempre apaixonante.
Na trama acompanhamos Ariel (Alan Sabbagh), um "escritor fantasma" que leva um estilo de vida caótico e sem grandes perspectivas, até que um certo dia ele sofre um infarto fulminante. É justamente esse episódio que obriga Ariel a encarar sua própria mortalidade e a repensar a maneira como tem levado sua vida nos últimos anos. Enquanto se recupera, ele passa a ver o mundo de uma forma diferente e que, inevitavelmente, acaba transformando aqueles ao seu redor. Confia o trailer (em espanhol):
A diretora Mariana Wainstein até que acerta ao manter o tom agridoce que marca os textos de Casciari, equilibrando os momentos mais cômicos com uma sensibilidade emocional dos subtextos que dá uma interessante profundidade para a narrativa. Sua direção se destaca pelo uso inteligente de planos fechados que enfatizam os momentos de vulnerabilidade de Ariel, contrastando com uma paleta de cores mais acolhedora, que reforça o lado esperançoso da história - essa dicotomia visual, muito usada na cinematografia argentina, sem a menor sobra de dúvida, traz um charme extra para a minissérie. Nesse sentido, o roteiro, escrito por Figueroa em colaboração com Maria Zanetti e com a própria Wainstein, trabalha bem o conceito de renascimento pessoal, explorando como um evento traumático pode redefinir nossas prioridades, com leveza e uma certa despretensão.
Ao olhar para o elenco, encontramos Alan Sabbagh - o ator carrega a minissérie com uma atuação carismática, transitando com naturalidade entre o sarcasmo e a fragilidade de seu personagem, sem nunca escolher os caminhos mais fáceis. Sabbagh tem uma boa dinâmica com Olivia Molina, que interpreta Concha, e com Rogelio Gracia, que vive Javier - figuras essenciais na jornada do protagonista ao ponto de criar um retrato sincero de um homem em busca de um novo sentido para sua existência.
"O Melhor Infarto da Minha Vida" é, de fato, uma experiência enxuta e bem estruturada - daquelas que matamos em uma tarde, sem tempo para enrolações. A minissérie consegue ser leve e impactante com muita elegância, convidando a audiência a rir das ironias da vida enquanto reflete sobre a importância de estar presente no "agora". Aqui, não temos um drama convencional e tampouco uma história que se propõe a trazer grandes respostas filosóficas, muito pelo contrário, "O Melhor Infarto da Minha Vida" acerta mesmo ao construir um protagonista realista e falho enquanto torna sua jornada de redescoberta uma experiência realmente autêntica e marcante - para todos.
Se você gosta de narrativas que exploram o humor dentro de um contexto de tragédia, vale muito a pena dar uma chance para "O Melhor Infarto da Minha Vida"!
Embora estivesse na minha lista desde o lançamento, eu comecei assistir "O Método Kominsky" apenas após as premiações do Globo de Ouro de 2019, onde a série levou "Melhor Comédia ou Musical" e "Melhor Ator" com o Michael Douglas. Olha, de cara eu posso te dizer que a série não é para qualquer um; ela tem um humor bem peculiar, muito ácido - quase inglês!!! A narrativa também não é tão dinâmica, pois o texto exige muitas pausas, reflexões - o silêncio diz muito nessa série!!! A verdade é que quem não estiver realmente disposto a mergulhar nesse universo (tão particular e reflexivo), não vai se divertir.
Dois grandes amigos, acima dos 70 anos: um respeitado Professor de Teatro (por isso a referência do título) e seu agente precisam lidar com os reflexos da idade e a relação com mundo em que vivem. E como todo senhor "bem" humorado, é no mal humor dessa intimidade verdadeira que estão as pérolas dessa série. Michael Douglas (como Sandy Kominsky) e Alan Arkin (como Norman) estão simplesmente perfeitos - aliás, merecidíssimo o prêmio de melhor ator para Douglas e a indicação de ator coadjuvante para Arkin!!! Os dois são a série e dão um show!!!
Eu não sabia absolutamente nada sobre a série e logo depois da primeira cena, já me arrependi de não ter assistido antes - ela é sensacional!!! Enganasse quem assiste com o intuito de encontrar uma comédia tipo "Two and a half man", por exemplo (que é do mesmo produtor - Chuck Lorre, por isso a comparação) - é completamente diferente, pois mesmo parecendo estereotipados, os personagens são muito humanos e isso trás para a tela uma complexidade muito bem trabalhada nas situações que esses dois amigos vivem! A série fala de amizade, de relações entre pessoas e com o amadurecimento como ser humano. Fala sobre envelhecer, sobre perder a vitalidade. Fala sobre as novas gerações, suas diferenças, peculiaridades. Mas principalmente, fala sobre o que projetamos para nossa vida em alguns anos! São muito sensíveis essas discussões no roteiro, tudo está muito escondido entre um comentário (que pode até soar engraçado) e uma piada (que nem sempre nos faz rir e sim refletir). Existe um leveza na dor de lidar com o tempo e isso é magnífico!
O Método Kominsky é daquelas séries que você não quer acabe. O fato de termos 8 episódios de 30 minutos ajuda na experiência, pois não cansa viver cada um daqueles minutos. O mal humor tem seu charme (vide Dr. House) e o desprendimento de lidar com ele de uma forma leve, trás muita coisa boa para essa comédia cheia de drama (e de verdade). Se você tem mais de 35 anos, fez teatro na adolescência, tem aqueles amigos de uma vida inteira, faz um favor pra você: não deixe de assistir! Se não se enquadra na lista anterior, mas está disposto a encarar como bom humor o que vem por aí, também aproveite, porque vale o play!
Embora estivesse na minha lista desde o lançamento, eu comecei assistir "O Método Kominsky" apenas após as premiações do Globo de Ouro de 2019, onde a série levou "Melhor Comédia ou Musical" e "Melhor Ator" com o Michael Douglas. Olha, de cara eu posso te dizer que a série não é para qualquer um; ela tem um humor bem peculiar, muito ácido - quase inglês!!! A narrativa também não é tão dinâmica, pois o texto exige muitas pausas, reflexões - o silêncio diz muito nessa série!!! A verdade é que quem não estiver realmente disposto a mergulhar nesse universo (tão particular e reflexivo), não vai se divertir.
Dois grandes amigos, acima dos 70 anos: um respeitado Professor de Teatro (por isso a referência do título) e seu agente precisam lidar com os reflexos da idade e a relação com mundo em que vivem. E como todo senhor "bem" humorado, é no mal humor dessa intimidade verdadeira que estão as pérolas dessa série. Michael Douglas (como Sandy Kominsky) e Alan Arkin (como Norman) estão simplesmente perfeitos - aliás, merecidíssimo o prêmio de melhor ator para Douglas e a indicação de ator coadjuvante para Arkin!!! Os dois são a série e dão um show!!!
Eu não sabia absolutamente nada sobre a série e logo depois da primeira cena, já me arrependi de não ter assistido antes - ela é sensacional!!! Enganasse quem assiste com o intuito de encontrar uma comédia tipo "Two and a half man", por exemplo (que é do mesmo produtor - Chuck Lorre, por isso a comparação) - é completamente diferente, pois mesmo parecendo estereotipados, os personagens são muito humanos e isso trás para a tela uma complexidade muito bem trabalhada nas situações que esses dois amigos vivem! A série fala de amizade, de relações entre pessoas e com o amadurecimento como ser humano. Fala sobre envelhecer, sobre perder a vitalidade. Fala sobre as novas gerações, suas diferenças, peculiaridades. Mas principalmente, fala sobre o que projetamos para nossa vida em alguns anos! São muito sensíveis essas discussões no roteiro, tudo está muito escondido entre um comentário (que pode até soar engraçado) e uma piada (que nem sempre nos faz rir e sim refletir). Existe um leveza na dor de lidar com o tempo e isso é magnífico!
O Método Kominsky é daquelas séries que você não quer acabe. O fato de termos 8 episódios de 30 minutos ajuda na experiência, pois não cansa viver cada um daqueles minutos. O mal humor tem seu charme (vide Dr. House) e o desprendimento de lidar com ele de uma forma leve, trás muita coisa boa para essa comédia cheia de drama (e de verdade). Se você tem mais de 35 anos, fez teatro na adolescência, tem aqueles amigos de uma vida inteira, faz um favor pra você: não deixe de assistir! Se não se enquadra na lista anterior, mas está disposto a encarar como bom humor o que vem por aí, também aproveite, porque vale o play!
Esse é mais um projeto dos criativos Mariano Cohn, Andrés Duprat e Gastón Duprat - e se você não sabe de quem eu estou falando, volte três casas e assista os imperdíveis: "O Cidadão Ilustre", "Meu Querido Zelador" e "O Faz Nada"! Olha, é impressionante como esse trio (um dos mais criativos do cinema argentino em muito tempo) tem uma capacidade absurda de criar personagens complexos e ao mesmo tempo apaixonantes - em todos os seus projetos, nada é o que parece e nem por isso o roteiro se apoia em esteriótipos para soar engraçado. Na verdade, e me contradizendo, os estereótipos até estão lá, mas mais humanizados, cheios de camadas, na linha tênue entre o ame ou odeie ou entre o mocinho e o bandido - simplesmente genial! Em "O Museu", mais uma vez, seu protagonista, o impagável Antonio Dumas (brilhantemente interpretado pelo Oscar Martínez), brilha e traz consigo a interessante premissa de discutir (e criticar) o papel da arte na superficial sociedade contemporânea.
Basicamente, "Bellas Artes" (no original) acompanha o dia a dia de Antonio Dumas, um renomado e cínico curador, que acaba de assumir a direção do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri. A partir dessa premissa aparentemente simples, essa série de seis episódios tece uma narrativa inteligente e multifacetada, explorando temas sensíveis como a mercantilização da arte, a superficialidade da elite cultural, a banalização da cultura woke e a busca por um significado em um mundo cada vez mais caótico. Confira o trailer:
Pautada pelo humor ácido e cirúrgico,"O Museu" nos apresenta a um universo peculiar, onde obras de arte desafiam as convenções e provocam questionamentos sobre o que realmente é arte - obviamente que sempre carregada de muita crítica e alguns apontamentos bem politicamente incorretos (ainda bem). É através do olhar aguçado de Antonio Dumas que somos confrontados com algumas das instalações mais bizarras, performances excêntricas e conceitos pseudo-abstratos que desafiam nossa percepção do belo. Com uma dinâmica narrativa das mais agradáveis, a série nos leva além das aparências ao buscar um significado mais profundo nas obras, questionando os valores e as crenças que permeiam o mundo na atualidade, sem perder a classe, o respeito ou a piada - não necessariamente nessa ordem.
Oscar Martínez (o protagonista de "O Cidadão Ilustre"), mais uma vez entrega uma performance magistral como Antonio Dumas, capturando com perfeição toda a arrogância, o egocentrismo, o cinismo e até um descompasso geracional do seu personagem com muita verdade. Veja, aqui não se trata de levantar bandeiras ou de diminuir algumas lutas, mas de discutir todas essas agendas por outras perspectivas ao ponto de refletirmos sobre algumas "verdades absolutas" que não se sustentam (ou pelo menos, não deveriam). Ao lado de Martínez, encontramos um elenco talentoso, incluindo um impagável Fernando Albizu e uma divertida Aixa Villagrán - mesmo sem tanto tempo de tela, eles a ajudam a construir um Antonio Duma bem mais palpável. Aqui a direção dos Duprat e de Cohn ganha força - utilizando de uma gramática cinematográfica já conhecida desde seus outros projetos, o trio basicamente recria a mesma atmosfera divertida e constrangedora que já virou uma identidade e que nos coloca na frente da tela com a certeza de que vamos encontrar um ótimo entretenimento.
A verdade é que "O Museu" é uma obra de arte em si mesma, desde que você se conecte com o humor mais ácido e provocador de seus criadores. Eu diria até que a série é um convite para uma jornada intelectual única que vai te fazer pensar ao mesmo tempo em que vai te desafiar a rever suas percepções sobre a arte em um mundo transformado, conectado e superficial, mas com um toque de cinismo divertidíssimo!
Vale muito o seu play!
Esse é mais um projeto dos criativos Mariano Cohn, Andrés Duprat e Gastón Duprat - e se você não sabe de quem eu estou falando, volte três casas e assista os imperdíveis: "O Cidadão Ilustre", "Meu Querido Zelador" e "O Faz Nada"! Olha, é impressionante como esse trio (um dos mais criativos do cinema argentino em muito tempo) tem uma capacidade absurda de criar personagens complexos e ao mesmo tempo apaixonantes - em todos os seus projetos, nada é o que parece e nem por isso o roteiro se apoia em esteriótipos para soar engraçado. Na verdade, e me contradizendo, os estereótipos até estão lá, mas mais humanizados, cheios de camadas, na linha tênue entre o ame ou odeie ou entre o mocinho e o bandido - simplesmente genial! Em "O Museu", mais uma vez, seu protagonista, o impagável Antonio Dumas (brilhantemente interpretado pelo Oscar Martínez), brilha e traz consigo a interessante premissa de discutir (e criticar) o papel da arte na superficial sociedade contemporânea.
Basicamente, "Bellas Artes" (no original) acompanha o dia a dia de Antonio Dumas, um renomado e cínico curador, que acaba de assumir a direção do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri. A partir dessa premissa aparentemente simples, essa série de seis episódios tece uma narrativa inteligente e multifacetada, explorando temas sensíveis como a mercantilização da arte, a superficialidade da elite cultural, a banalização da cultura woke e a busca por um significado em um mundo cada vez mais caótico. Confira o trailer:
Pautada pelo humor ácido e cirúrgico,"O Museu" nos apresenta a um universo peculiar, onde obras de arte desafiam as convenções e provocam questionamentos sobre o que realmente é arte - obviamente que sempre carregada de muita crítica e alguns apontamentos bem politicamente incorretos (ainda bem). É através do olhar aguçado de Antonio Dumas que somos confrontados com algumas das instalações mais bizarras, performances excêntricas e conceitos pseudo-abstratos que desafiam nossa percepção do belo. Com uma dinâmica narrativa das mais agradáveis, a série nos leva além das aparências ao buscar um significado mais profundo nas obras, questionando os valores e as crenças que permeiam o mundo na atualidade, sem perder a classe, o respeito ou a piada - não necessariamente nessa ordem.
Oscar Martínez (o protagonista de "O Cidadão Ilustre"), mais uma vez entrega uma performance magistral como Antonio Dumas, capturando com perfeição toda a arrogância, o egocentrismo, o cinismo e até um descompasso geracional do seu personagem com muita verdade. Veja, aqui não se trata de levantar bandeiras ou de diminuir algumas lutas, mas de discutir todas essas agendas por outras perspectivas ao ponto de refletirmos sobre algumas "verdades absolutas" que não se sustentam (ou pelo menos, não deveriam). Ao lado de Martínez, encontramos um elenco talentoso, incluindo um impagável Fernando Albizu e uma divertida Aixa Villagrán - mesmo sem tanto tempo de tela, eles a ajudam a construir um Antonio Duma bem mais palpável. Aqui a direção dos Duprat e de Cohn ganha força - utilizando de uma gramática cinematográfica já conhecida desde seus outros projetos, o trio basicamente recria a mesma atmosfera divertida e constrangedora que já virou uma identidade e que nos coloca na frente da tela com a certeza de que vamos encontrar um ótimo entretenimento.
A verdade é que "O Museu" é uma obra de arte em si mesma, desde que você se conecte com o humor mais ácido e provocador de seus criadores. Eu diria até que a série é um convite para uma jornada intelectual única que vai te fazer pensar ao mesmo tempo em que vai te desafiar a rever suas percepções sobre a arte em um mundo transformado, conectado e superficial, mas com um toque de cinismo divertidíssimo!
Vale muito o seu play!
Assistam esse filme - é sério!
Mesmo que essa jornada seja daquelas de apertar o coração, é bem provável que ao subirem os créditos, a sensação seja a melhor possível. Eu diria, inclusive, que "O Pior Vizinho do Mundo" tem muito do que fez nos apaixonarmos por "O Método Kominsky" - do mal humor do protagonista à sua maneira de lidar com um mundo que parece não servir mais para nada por estar repleto de idiotas (palavras do protagonista, não minhas...rs). Dirigido pelo alemão Marc Forster (de "Em Busca da Terra do Nunca"), "A Man Called Otto" (no original) é básico em muitos sentidos, mas sem dúvida alguma se aproveita da presença de Tom Hanks e da sua enorme capacidade como ator, para criar um ponto de conexão com a audiência que torna impossível não torcer por ele e por sua felicidade. É clichê dos grandes, eu sei - mas funciona demais aqui!
Otto Anderson (Hanks), é um viúvo, mal-humorado e cheio de hábitos, na sua maioria ranzinzas. Quando um jovem e atrapalhado casal, com suas duas filhas pequenas, chegam no bairro, Otto começa a perceber nos pequenos gestos de sua vizinha Marisol (Mariana Treviño), uma nova forma de olhar para a vida, o que leva para uma amizade improvável e que, por outro lado, coloca seu mundo (todo organizadinho) de cabeça para baixo. Confira o trailer:
Inspirado no livro de Fredrik Beckman, o roteiro de "O Pior Vizinho do Mundo" não surpreende ao seguir um padrão linear de narrativa (o que torna sua trama bastante previsível) onde os eventos se desenrolam de maneira conveniente para o desenvolvimento emocional do protagonista - veja, isso não é um problema se ficar claro desde a primeira cena, que estamos falando de um filme essencialmente de ator. Hanks, como não poderia deixar de ser, leva o filme nas costas e naturalmente vai entregando algumas peças que ao olharmos para o todo, um pouco mais a frente, fazem muito sentido - embora fique claro que essa sempre foi a zona de conforto do filme. Isso faz do filme ruim? Não, pelo contrário, apenas estabelece a proposta do diretor de priorizar a complexidade do ser humano, e de seus sentimentos, ao invés de uma espetacularização superficial de uma condição que merece ser discutida com mais profundidade.
Com a anuência do roteirista David Magee (do live-action de "A Pequena Sereia"), Forster abre mão do desenvolvimento dos personagens secundários para não tirar o foco do processo de transformação de Otto. Esses personagens têm certa importância, se relacionam com o protagonista no presente (alguns até no passado - nos flashbacks que ajudam a explicar alguns fatos), têm impacto na vida dele, mas são pouco explorados - eles acabam sendo retratados de maneira mais passageira, com características estereotipadas e unidimensionais, servindo como equilíbrio entre o drama e a comédia. Reparem no arco de Anita (Juanita Jennings) e Reuben (Peter Lawson Jones); eles são a personificação da dualidade desse conceito - a passagem onde Otto critica os carros de Reuben é impagável, mas o seu significado intimo vai além da escolha de uma marca de automóvel.
Por mais desconfortável que possa ser acompanhar Otto tentando o tirar sua vida, a forma como essas cenas são retratadas no filme, acreditem, trazem até uma certa comicidade para o assunto, onde suas falhas acabam mostrando muito mais um lado otimista do que o peso do ato em si - definir "O Pior Vizinho do Mundo" como uma dramédia clássica ajuda muito a entender esse conceito. Essa dualidade, que em muitos momentos define o jogo narrativo proposto por Magee e Forster dão o tom e entregam uma mensagem de mais empatia, de redenção e de aceitação sobre a importância das relações humanas (verdadeiras). A história de Otto se mistura com a de alguém que conhecemos e por isso acaba oferecendo ótimas reflexões sobre o envelhecimento, sobre a solidão e, principalmente, sobre a busca por um ressignificado na vida.
Dito tudo isso, minha recomendação é a seguinte: dê o play e seja feliz!
Assistam esse filme - é sério!
Mesmo que essa jornada seja daquelas de apertar o coração, é bem provável que ao subirem os créditos, a sensação seja a melhor possível. Eu diria, inclusive, que "O Pior Vizinho do Mundo" tem muito do que fez nos apaixonarmos por "O Método Kominsky" - do mal humor do protagonista à sua maneira de lidar com um mundo que parece não servir mais para nada por estar repleto de idiotas (palavras do protagonista, não minhas...rs). Dirigido pelo alemão Marc Forster (de "Em Busca da Terra do Nunca"), "A Man Called Otto" (no original) é básico em muitos sentidos, mas sem dúvida alguma se aproveita da presença de Tom Hanks e da sua enorme capacidade como ator, para criar um ponto de conexão com a audiência que torna impossível não torcer por ele e por sua felicidade. É clichê dos grandes, eu sei - mas funciona demais aqui!
Otto Anderson (Hanks), é um viúvo, mal-humorado e cheio de hábitos, na sua maioria ranzinzas. Quando um jovem e atrapalhado casal, com suas duas filhas pequenas, chegam no bairro, Otto começa a perceber nos pequenos gestos de sua vizinha Marisol (Mariana Treviño), uma nova forma de olhar para a vida, o que leva para uma amizade improvável e que, por outro lado, coloca seu mundo (todo organizadinho) de cabeça para baixo. Confira o trailer:
Inspirado no livro de Fredrik Beckman, o roteiro de "O Pior Vizinho do Mundo" não surpreende ao seguir um padrão linear de narrativa (o que torna sua trama bastante previsível) onde os eventos se desenrolam de maneira conveniente para o desenvolvimento emocional do protagonista - veja, isso não é um problema se ficar claro desde a primeira cena, que estamos falando de um filme essencialmente de ator. Hanks, como não poderia deixar de ser, leva o filme nas costas e naturalmente vai entregando algumas peças que ao olharmos para o todo, um pouco mais a frente, fazem muito sentido - embora fique claro que essa sempre foi a zona de conforto do filme. Isso faz do filme ruim? Não, pelo contrário, apenas estabelece a proposta do diretor de priorizar a complexidade do ser humano, e de seus sentimentos, ao invés de uma espetacularização superficial de uma condição que merece ser discutida com mais profundidade.
Com a anuência do roteirista David Magee (do live-action de "A Pequena Sereia"), Forster abre mão do desenvolvimento dos personagens secundários para não tirar o foco do processo de transformação de Otto. Esses personagens têm certa importância, se relacionam com o protagonista no presente (alguns até no passado - nos flashbacks que ajudam a explicar alguns fatos), têm impacto na vida dele, mas são pouco explorados - eles acabam sendo retratados de maneira mais passageira, com características estereotipadas e unidimensionais, servindo como equilíbrio entre o drama e a comédia. Reparem no arco de Anita (Juanita Jennings) e Reuben (Peter Lawson Jones); eles são a personificação da dualidade desse conceito - a passagem onde Otto critica os carros de Reuben é impagável, mas o seu significado intimo vai além da escolha de uma marca de automóvel.
Por mais desconfortável que possa ser acompanhar Otto tentando o tirar sua vida, a forma como essas cenas são retratadas no filme, acreditem, trazem até uma certa comicidade para o assunto, onde suas falhas acabam mostrando muito mais um lado otimista do que o peso do ato em si - definir "O Pior Vizinho do Mundo" como uma dramédia clássica ajuda muito a entender esse conceito. Essa dualidade, que em muitos momentos define o jogo narrativo proposto por Magee e Forster dão o tom e entregam uma mensagem de mais empatia, de redenção e de aceitação sobre a importância das relações humanas (verdadeiras). A história de Otto se mistura com a de alguém que conhecemos e por isso acaba oferecendo ótimas reflexões sobre o envelhecimento, sobre a solidão e, principalmente, sobre a busca por um ressignificado na vida.
Dito tudo isso, minha recomendação é a seguinte: dê o play e seja feliz!
"O que os homens falam" é excelente! Esse premiado filme espanhol é simplesmente delicioso de assistir, desde que goste daquelas histórias sobre relações tão particulares do Woody Allen e que praticamente se tornaram um subgênero da dramédia com produções como "Easy" da Netflix ou "Modern Love"da própria Prime Vídeo.
Seguindo a estrutura de "Relatos Selvagens", aqui temos oito homens que enfrentam a crise de meia-idade divididos em cinco episódios independentes. E. (Eduardo Fernandez) é aquele homem que se acha um fracassado, ele acaba de perder tudo (inclusive a mulher) e volta a morar na casa da mãe com seus 45 anos; ele se encontra casualmente com um amigo de longa data, J. (Eduardo Sbaraglia), que venceu profissionalmente na vida, conquistando tudo que sempre desejou, mas que sofre de ansiedade e depressão. Já S. (Javier Camara) tenta retomar o casamento dois anos após o divórcio, enquanto G. (Ricardo Darín) confessa para o conhecido L. (Luis Tosar) que desconfia que sua esposa está traindo ele. P. (Eduardo Noriega) é um jovem que tenta seduzir uma colega durante uma festa de trabalho, mas acaba sendo surpreendido por ela. E para finalizar, conhecemos A. (Alberto San Juan) e M. (Jordi Mollà) dois grandes amigos que têm seus segredos íntimos revelados pelas mulheres quando estão a caminho de uma festa de aniversário. Confira o trailer (em espanhol):
Os dois elementos que mais chamam atenção logo a primeira vista e que merece todos os elogios possíveis são: o roteiro e o trabalho do elenco. Ao partirmos do princípio que o filme se apropria de um estilo de crônicas sobre o universo masculino, formatadas para serem facilmente digeridas pela audiência e equilibrando o drama da situação com a leveza do diálogo, fica muito claro a importância de um texto inteligente e da performance dos atores - é impressionante como as histórias são próximas de uma realidade que "já ouvimos falar". Basicamente, "O que os homens falam" são como esquetes teatrais, elas seguem um ritmo próprio e a composição dos temas discutidos são parecidos, mas são as ironias que dão o toque final - eu diria, aliás, que essas ironias são recheadas de uma honestidade brutal, e isso é incrível.
É preciso dizer que "Una pistola en cada mano" (título original) transita muito bem entre a angústia de uma situação com a necessidade de não expor os sentimentos - tão particular do gênero masculino. Essa sutileza dramática eleva conversas que aparentemente são banais, mas que carregam muitos sentimentos e inseguranças! Não esperem conclusões filosóficas ao final de cada história, não é essa a intenção do roteiro e muito menos do diretor Cesc Gay - o que precisa ser dito, é dito e pronto; o segredo (e a beleza desse tipo de narrativa) é o que fazemos com toda informação que nos é dada e como refletimos ao projetarmos a mesma situação em nossa vida.
"O que os homens falam" é um filme que poderia ser uma temporada de "Easy" facilmente (ou de duas séries inglesas com o mesmo tema: "Dates" e "True Love" que infelizmente não chamaram tanta atenção até aqui). Vale muito a pena, é um entretenimento inteligente, com um toque de provocação e curiosidade feminina - prato cheio para o julgamento, mas sensata ao desconstruir o esteriótipo do macho alpha!
Pode dar o play sem receio!
"O que os homens falam" é excelente! Esse premiado filme espanhol é simplesmente delicioso de assistir, desde que goste daquelas histórias sobre relações tão particulares do Woody Allen e que praticamente se tornaram um subgênero da dramédia com produções como "Easy" da Netflix ou "Modern Love"da própria Prime Vídeo.
Seguindo a estrutura de "Relatos Selvagens", aqui temos oito homens que enfrentam a crise de meia-idade divididos em cinco episódios independentes. E. (Eduardo Fernandez) é aquele homem que se acha um fracassado, ele acaba de perder tudo (inclusive a mulher) e volta a morar na casa da mãe com seus 45 anos; ele se encontra casualmente com um amigo de longa data, J. (Eduardo Sbaraglia), que venceu profissionalmente na vida, conquistando tudo que sempre desejou, mas que sofre de ansiedade e depressão. Já S. (Javier Camara) tenta retomar o casamento dois anos após o divórcio, enquanto G. (Ricardo Darín) confessa para o conhecido L. (Luis Tosar) que desconfia que sua esposa está traindo ele. P. (Eduardo Noriega) é um jovem que tenta seduzir uma colega durante uma festa de trabalho, mas acaba sendo surpreendido por ela. E para finalizar, conhecemos A. (Alberto San Juan) e M. (Jordi Mollà) dois grandes amigos que têm seus segredos íntimos revelados pelas mulheres quando estão a caminho de uma festa de aniversário. Confira o trailer (em espanhol):
Os dois elementos que mais chamam atenção logo a primeira vista e que merece todos os elogios possíveis são: o roteiro e o trabalho do elenco. Ao partirmos do princípio que o filme se apropria de um estilo de crônicas sobre o universo masculino, formatadas para serem facilmente digeridas pela audiência e equilibrando o drama da situação com a leveza do diálogo, fica muito claro a importância de um texto inteligente e da performance dos atores - é impressionante como as histórias são próximas de uma realidade que "já ouvimos falar". Basicamente, "O que os homens falam" são como esquetes teatrais, elas seguem um ritmo próprio e a composição dos temas discutidos são parecidos, mas são as ironias que dão o toque final - eu diria, aliás, que essas ironias são recheadas de uma honestidade brutal, e isso é incrível.
É preciso dizer que "Una pistola en cada mano" (título original) transita muito bem entre a angústia de uma situação com a necessidade de não expor os sentimentos - tão particular do gênero masculino. Essa sutileza dramática eleva conversas que aparentemente são banais, mas que carregam muitos sentimentos e inseguranças! Não esperem conclusões filosóficas ao final de cada história, não é essa a intenção do roteiro e muito menos do diretor Cesc Gay - o que precisa ser dito, é dito e pronto; o segredo (e a beleza desse tipo de narrativa) é o que fazemos com toda informação que nos é dada e como refletimos ao projetarmos a mesma situação em nossa vida.
"O que os homens falam" é um filme que poderia ser uma temporada de "Easy" facilmente (ou de duas séries inglesas com o mesmo tema: "Dates" e "True Love" que infelizmente não chamaram tanta atenção até aqui). Vale muito a pena, é um entretenimento inteligente, com um toque de provocação e curiosidade feminina - prato cheio para o julgamento, mas sensata ao desconstruir o esteriótipo do macho alpha!
Pode dar o play sem receio!
Ninguém sabe captar a solidão, o vazio existencial ou a dor da alma como Sofia Coppola, mesmo que tudo isso seja fruto das neuras de um personagem. "On The Rocks", recém lançado filme da Diretora para o AppleTV+, trás o melhor de "Encontros e Desencontros" (ou "Lost in Translation") e "Somewhere" em um terreno onde Coppola domina: a sensibilidade de retratar as relações! Mais uma vez encontramos um texto completamente alinhado com o forma como o filme se apresenta na tela, com uma fotografia linda, uma trilha sonora belíssima e, claro, com o cenário (no caso Nova York) moldando a história, quase como um personagem - ela já fez a mesma coisa com Tóquio e Los Angeles!
Em "On The Rocks", Laura (Rashida Jones) é uma mulher ocupada, que cuida das duas filhas enquanto o marido trabalha. No momento em que ela enfrenta um terrível bloqueio criativo e tenta se readaptar a uma rotina para escrever um livro, seu marido, Dean (Marlon Wayans), vive um período mágico na sua vida profissional, colhendo os frutos de sua dedicação na empresa que criou do zero. Graças a isso, Dean precisa viajar muito e alguns mal-entendidos acabam colocando uma pulga atrás da orelha de Laura - ela acredita que ele pode estar tendo um caso extraconjugal com sua bela assistente Fiona (Jessica Henwick). Com o objetivo de descobrir a verdade, ela se une com seu pai, Felix (Bill Murray), um típico bon vivantnova iorquino apaixonado pela filha. Eles passam a seguir Dean, se colocando em situações extremamente constrangedoras, mas que acaba permitindo que ambos tenham mais tempo juntos para discutir alguns assuntos que, de alguma forma, prejudicaram a relação ente eles. Confira o trailer:
Talvez "On The Rocks" seja o filme mais leve que Sofia Coppola já dirigiu, sugerindo, inclusive, uma "quase" postura de auto-análise - veja, Laura é casada há quase tanto tempo quanto Coppola; elas têm o mesmo número de filhos, ela vem de uma família rica e com um pai famoso e carismático. Porém mais interessante que essas "coincidências", são as "neuras" que as escolhas de vida pode provocar em nós e, certamente, Coppola precisou lidar com muitas delas em vários momentos e talvez por isso ela seja capaz de entregar um filme tão humano, com alma! Antes do play, saiba que se trata de mais um filme de uma diretora que tem uma identidade e defende seu conceito narrativo e estético com unhas e dentes, ou seja, se você não se relacionou com suas obras anteriores, fuja; porém se o contrário for verdadeiro, prepare-se para 1:40 de um filme delicioso de assistir!
Ninguém sabe captar a solidão, o vazio existencial ou a dor da alma como Sofia Coppola, mesmo que tudo isso seja fruto das neuras de um personagem. "On The Rocks", recém lançado filme da Diretora para o AppleTV+, trás o melhor de "Encontros e Desencontros" (ou "Lost in Translation") e "Somewhere" em um terreno onde Coppola domina: a sensibilidade de retratar as relações! Mais uma vez encontramos um texto completamente alinhado com o forma como o filme se apresenta na tela, com uma fotografia linda, uma trilha sonora belíssima e, claro, com o cenário (no caso Nova York) moldando a história, quase como um personagem - ela já fez a mesma coisa com Tóquio e Los Angeles!
Em "On The Rocks", Laura (Rashida Jones) é uma mulher ocupada, que cuida das duas filhas enquanto o marido trabalha. No momento em que ela enfrenta um terrível bloqueio criativo e tenta se readaptar a uma rotina para escrever um livro, seu marido, Dean (Marlon Wayans), vive um período mágico na sua vida profissional, colhendo os frutos de sua dedicação na empresa que criou do zero. Graças a isso, Dean precisa viajar muito e alguns mal-entendidos acabam colocando uma pulga atrás da orelha de Laura - ela acredita que ele pode estar tendo um caso extraconjugal com sua bela assistente Fiona (Jessica Henwick). Com o objetivo de descobrir a verdade, ela se une com seu pai, Felix (Bill Murray), um típico bon vivantnova iorquino apaixonado pela filha. Eles passam a seguir Dean, se colocando em situações extremamente constrangedoras, mas que acaba permitindo que ambos tenham mais tempo juntos para discutir alguns assuntos que, de alguma forma, prejudicaram a relação ente eles. Confira o trailer:
Talvez "On The Rocks" seja o filme mais leve que Sofia Coppola já dirigiu, sugerindo, inclusive, uma "quase" postura de auto-análise - veja, Laura é casada há quase tanto tempo quanto Coppola; elas têm o mesmo número de filhos, ela vem de uma família rica e com um pai famoso e carismático. Porém mais interessante que essas "coincidências", são as "neuras" que as escolhas de vida pode provocar em nós e, certamente, Coppola precisou lidar com muitas delas em vários momentos e talvez por isso ela seja capaz de entregar um filme tão humano, com alma! Antes do play, saiba que se trata de mais um filme de uma diretora que tem uma identidade e defende seu conceito narrativo e estético com unhas e dentes, ou seja, se você não se relacionou com suas obras anteriores, fuja; porém se o contrário for verdadeiro, prepare-se para 1:40 de um filme delicioso de assistir!
Só assista "Rio, eu te amo" se você já conhecer a dinâmica narrativa da série de filmes que fazem parte do projeto "Cities of Love" dos ótimos "Paris Je T’Aime" e "New York, I Love You". Primeiro por ter uma identidade muito particular e segundo por se tratar de um projeto extremamente autoral e, em muitos momentos, bastante experimental. Pessoalmente, acho a série de filmes incrível, porém reconheço que existe uma oscilação entre uma história e outra que acaba englobando vários estilos e gêneros e isso afasta boa parte da audiência que está acostumada com uma narrativa mais conservadora e linear - e aqui não se trata de uma crítica, já que "gosto é gosto", mas é preciso alinhar as expectativas para você não se decepcionar com a proposta do filme.
Como os seus antecessores, "Rio, Eu Te Amo" reúne dez curtas de diretores brasileiros e internacionais que contam histórias que se passam em diferentes pontos do Rio de Janeiro, revelando as características da cidade e tendo um elemento em comum: o amor (ou a falta dele). Confira o trailer:
Produzida pelo francês Emmanuel Benbihy, "Rio, eu te amo" tem mais acertos do que falhas e um dos elementos que mais me atrai na proposta experimental do filme é a forma como a montagem vai encaixando as histórias que, diga-se de passagem, não tem a menor necessidade de conversarem entre si. Veja, como toda metrópole o Rio de Janeiro também tem as suas histórias e seus personagens muito particulares, além de um visual incrível (lindamente trabalhada na fotografia), com isso a passagem de bastão entre um curta-metragem e outro é muito fluida quando a interação entre os protagonistas acontecem. Claro que existem alguns desalinhamentos, mas a conexão cria, de fato, uma sensação de unidade, mesmo com conduções tão fragmentadas.
Reparem que nada indica quando uma história termina e outra começa, por isso conhecer o conceito ajuda a se relacionar melhor com o filme, mas é notório que algumas das propostas funcionam melhor do que outras quando observadas de perto. De cara vale destacar "O Milagre" de Nadine Labaki ("E Agora, Aonde Vamos"). Durante uma filmagem no Rio, um casal de atores famosos conhecem um menino que acredita receber telefonemas de Jesus. No início, eles o encaram com desconfiança, mas logo percebem que esse "Jesus" não é quem o menino está pensando e resolvem "ajudar" o simpático carioquinha - o jovem Cauã Antunes é uma pérola. Outro segmento que me chamou atenção foi "Texas" de Guillermo Arriaga (roteirista de "Babel"). Após um acidente de carro, Texas, um ex-lutador de boxe, perde um braço e sua esposa não consegue mais andar. Para conseguir pagar uma cirurgia que pode curar a esposa, ele acaba se envolvendo em uma rede lutas clandestinas que coloca o seu relacionamento em jogo. E para finalizar, "Pas de Deux" de Carlos Saldanha. Aqui temos uma curiosidade: esse foi o primeiro filme em live-action dirigido pelo animador brasileiro. Ele se passa no interior do belíssimo Teatro Municipal e retrata a relação de um casal de bailarinos que entra em crise por causa da carreira, que pode separá-los, momentos antes de iniciarem uma importante apresentação.
Claro que "Rio, eu te amo" é um recorte do Brasil, que está naquela mesma prateleira que vimos em New York e Paris - ou seja, o filme que se apropria da paisagem e das particularidades locais com aquela pitada de conto literal para "inglês ver". O filme tem o pretexto de misturar talento (e são muitos: Andrucha Waddington, José Padilha, Fernando Meirelles, Paolo Sorrentino, etc) com liberdade criativa, para fazer publicidade com um toque de homenagem, crítica social e até um certo ufanismo. Eu te digo que é uma experiência interessante, divertida, mas que não será uma unanimidade na sua totalidade. Como mérito, talvez essa versão brasileira do projeto "Cities of Love" seja a mais sincera e honesta até aqui.
Vale o play!
Só assista "Rio, eu te amo" se você já conhecer a dinâmica narrativa da série de filmes que fazem parte do projeto "Cities of Love" dos ótimos "Paris Je T’Aime" e "New York, I Love You". Primeiro por ter uma identidade muito particular e segundo por se tratar de um projeto extremamente autoral e, em muitos momentos, bastante experimental. Pessoalmente, acho a série de filmes incrível, porém reconheço que existe uma oscilação entre uma história e outra que acaba englobando vários estilos e gêneros e isso afasta boa parte da audiência que está acostumada com uma narrativa mais conservadora e linear - e aqui não se trata de uma crítica, já que "gosto é gosto", mas é preciso alinhar as expectativas para você não se decepcionar com a proposta do filme.
Como os seus antecessores, "Rio, Eu Te Amo" reúne dez curtas de diretores brasileiros e internacionais que contam histórias que se passam em diferentes pontos do Rio de Janeiro, revelando as características da cidade e tendo um elemento em comum: o amor (ou a falta dele). Confira o trailer:
Produzida pelo francês Emmanuel Benbihy, "Rio, eu te amo" tem mais acertos do que falhas e um dos elementos que mais me atrai na proposta experimental do filme é a forma como a montagem vai encaixando as histórias que, diga-se de passagem, não tem a menor necessidade de conversarem entre si. Veja, como toda metrópole o Rio de Janeiro também tem as suas histórias e seus personagens muito particulares, além de um visual incrível (lindamente trabalhada na fotografia), com isso a passagem de bastão entre um curta-metragem e outro é muito fluida quando a interação entre os protagonistas acontecem. Claro que existem alguns desalinhamentos, mas a conexão cria, de fato, uma sensação de unidade, mesmo com conduções tão fragmentadas.
Reparem que nada indica quando uma história termina e outra começa, por isso conhecer o conceito ajuda a se relacionar melhor com o filme, mas é notório que algumas das propostas funcionam melhor do que outras quando observadas de perto. De cara vale destacar "O Milagre" de Nadine Labaki ("E Agora, Aonde Vamos"). Durante uma filmagem no Rio, um casal de atores famosos conhecem um menino que acredita receber telefonemas de Jesus. No início, eles o encaram com desconfiança, mas logo percebem que esse "Jesus" não é quem o menino está pensando e resolvem "ajudar" o simpático carioquinha - o jovem Cauã Antunes é uma pérola. Outro segmento que me chamou atenção foi "Texas" de Guillermo Arriaga (roteirista de "Babel"). Após um acidente de carro, Texas, um ex-lutador de boxe, perde um braço e sua esposa não consegue mais andar. Para conseguir pagar uma cirurgia que pode curar a esposa, ele acaba se envolvendo em uma rede lutas clandestinas que coloca o seu relacionamento em jogo. E para finalizar, "Pas de Deux" de Carlos Saldanha. Aqui temos uma curiosidade: esse foi o primeiro filme em live-action dirigido pelo animador brasileiro. Ele se passa no interior do belíssimo Teatro Municipal e retrata a relação de um casal de bailarinos que entra em crise por causa da carreira, que pode separá-los, momentos antes de iniciarem uma importante apresentação.
Claro que "Rio, eu te amo" é um recorte do Brasil, que está naquela mesma prateleira que vimos em New York e Paris - ou seja, o filme que se apropria da paisagem e das particularidades locais com aquela pitada de conto literal para "inglês ver". O filme tem o pretexto de misturar talento (e são muitos: Andrucha Waddington, José Padilha, Fernando Meirelles, Paolo Sorrentino, etc) com liberdade criativa, para fazer publicidade com um toque de homenagem, crítica social e até um certo ufanismo. Eu te digo que é uma experiência interessante, divertida, mas que não será uma unanimidade na sua totalidade. Como mérito, talvez essa versão brasileira do projeto "Cities of Love" seja a mais sincera e honesta até aqui.
Vale o play!
Antes de continuarmos eu preciso te passar duas informações importantes: só assista "Saída à Francesa" se você gostar de filmes "estilo Woody Allen" e também saiba que esse filme não se trata de uma comédia romântica, muito pelo contrário, para mim, a história se encaixa muito mais como um drama de relações e, aí sim, com bons elementos de comédia - a famosa "dramédia". Dito isso, fica muito simples de analisar o conceito narrativo do filme dirigido pelo Azazel Jacobs (de "The Lovers") já que mesmo com escolhas narrativas que soam próximas do absurdo, é possível se divertir e ainda refletir sobre toda aquela atmosfera introspectiva que envolve a protagonistaFrances Price (uma Michelle Pfeiffer impagável - inclusive indicada ao Globo de Ouro por essa performance em 2021).
Frances (Michelle Pfeiffer) é uma socialite viúva e sem dinheiro que mora em Manhattan, cujo marido morreu há quase duas décadas. Com sua herança evaporando, ela recolhe o último de seus bens e resolve viver seus dias de solidão anonimamente em um apartamento emprestado em Paris, acompanhada por seu filho Malcolm (Lucas Hedge) e de um gato de estimação. Confira o trailer:
Baseado no livro homônimo de Patrick DeWitt (que também escreve o roteiro), "Saída à Francesa" é basicamente um estudo de caso psicológico de uma mulher marcada pelo seu passado que é incapaz de se relacionar com um presente completamente diferente do que ela jamais sonhou. Embora o filme possua uma narrativa bastante peculiar, com um ritmo até mais cadenciado, é impressionante como a trama usa do "insano" para nos envolver emocionalmente e nos mostrar que mesmo a partir de uma personagem essencialmente egoísta e inconsequente, existe um ser humano sensível que, infelizmente, não soube lidar com a melancolia e com a dor de ter priorizado a superficialidade do material para preencher seu vazio existencial.
Francis tem uma aura lunática, fato - que por sinal gera bons momentos como a cena em que um garçom francês demora para trazer a conta. Mas, na minha opinião, esse não é o ponto forte do filme e sim o gatilho para que possamos entender a profundidade do texto de DeWitt. Veja, aqui temos uma personagem imponente que costuma intimidar as pessoas sem precisar falar nada, sendo apenas imprevisível, que busca se relacionar com um filho que se anula de diversas formas para tentar se moldar a algo que agrade o ego inflado de sua mãe - mesmo que soe estereotipado em um primeiro olhar, essa construção tem um sentido verdadeiro, uma marca intensa, difícil de lidar e que quando desvendada, conecta vários pontos e faz tudo ganhar outro sentido. Isso sem falar na coragem de Jacobs e de DeWitt em entregar um final digno de um bom premiado drama independente ao som de uma trilha sonora belíssima e tendo Paris como cenário.
“Saída à Francesa” não vai agradar grande parte daquela audiência que vai cair na péssima estratégia de marketing da Sony - o filme não é nada daquilo que está sendo vendido: do nome engraçadinho ao tom comercial do trailer. O filme é sim uma obra das mais competentes, que sabe perfeitamente equilibrar a loucura aparente com a dor mais introspectiva de Francis sem soar clichê. Você vai encontrar ao longo da trama momentos engraçados, outros tocantes e até alguns poucos mais angustiantes - talvez seja assim o melhor caminho para definir a sanidade de uma personagem que pouco sabe sobre companheirismo, mas que ao entender o significado de ser adulto, aprende o que realmente importa na vida.
Vale o seu play!
Antes de continuarmos eu preciso te passar duas informações importantes: só assista "Saída à Francesa" se você gostar de filmes "estilo Woody Allen" e também saiba que esse filme não se trata de uma comédia romântica, muito pelo contrário, para mim, a história se encaixa muito mais como um drama de relações e, aí sim, com bons elementos de comédia - a famosa "dramédia". Dito isso, fica muito simples de analisar o conceito narrativo do filme dirigido pelo Azazel Jacobs (de "The Lovers") já que mesmo com escolhas narrativas que soam próximas do absurdo, é possível se divertir e ainda refletir sobre toda aquela atmosfera introspectiva que envolve a protagonistaFrances Price (uma Michelle Pfeiffer impagável - inclusive indicada ao Globo de Ouro por essa performance em 2021).
Frances (Michelle Pfeiffer) é uma socialite viúva e sem dinheiro que mora em Manhattan, cujo marido morreu há quase duas décadas. Com sua herança evaporando, ela recolhe o último de seus bens e resolve viver seus dias de solidão anonimamente em um apartamento emprestado em Paris, acompanhada por seu filho Malcolm (Lucas Hedge) e de um gato de estimação. Confira o trailer:
Baseado no livro homônimo de Patrick DeWitt (que também escreve o roteiro), "Saída à Francesa" é basicamente um estudo de caso psicológico de uma mulher marcada pelo seu passado que é incapaz de se relacionar com um presente completamente diferente do que ela jamais sonhou. Embora o filme possua uma narrativa bastante peculiar, com um ritmo até mais cadenciado, é impressionante como a trama usa do "insano" para nos envolver emocionalmente e nos mostrar que mesmo a partir de uma personagem essencialmente egoísta e inconsequente, existe um ser humano sensível que, infelizmente, não soube lidar com a melancolia e com a dor de ter priorizado a superficialidade do material para preencher seu vazio existencial.
Francis tem uma aura lunática, fato - que por sinal gera bons momentos como a cena em que um garçom francês demora para trazer a conta. Mas, na minha opinião, esse não é o ponto forte do filme e sim o gatilho para que possamos entender a profundidade do texto de DeWitt. Veja, aqui temos uma personagem imponente que costuma intimidar as pessoas sem precisar falar nada, sendo apenas imprevisível, que busca se relacionar com um filho que se anula de diversas formas para tentar se moldar a algo que agrade o ego inflado de sua mãe - mesmo que soe estereotipado em um primeiro olhar, essa construção tem um sentido verdadeiro, uma marca intensa, difícil de lidar e que quando desvendada, conecta vários pontos e faz tudo ganhar outro sentido. Isso sem falar na coragem de Jacobs e de DeWitt em entregar um final digno de um bom premiado drama independente ao som de uma trilha sonora belíssima e tendo Paris como cenário.
“Saída à Francesa” não vai agradar grande parte daquela audiência que vai cair na péssima estratégia de marketing da Sony - o filme não é nada daquilo que está sendo vendido: do nome engraçadinho ao tom comercial do trailer. O filme é sim uma obra das mais competentes, que sabe perfeitamente equilibrar a loucura aparente com a dor mais introspectiva de Francis sem soar clichê. Você vai encontrar ao longo da trama momentos engraçados, outros tocantes e até alguns poucos mais angustiantes - talvez seja assim o melhor caminho para definir a sanidade de uma personagem que pouco sabe sobre companheirismo, mas que ao entender o significado de ser adulto, aprende o que realmente importa na vida.
Vale o seu play!