Não se trata de recordes, se trata de um time! Sim, eu sei que essa frase pode parecer batida, pretensiosa e até hipócrita se enxergarmos pelo prisma do reconhecimento individual dos dias de hoje, e talvez, justamente por isso que "O Jogo de uma Vida" mereça sua atenção. Embora seja um filme sobre esportes (mais precisamente sobre o futebol americano) e longe de ser uma superprodução (mesmo contando com atores renomados), posso afirmar que mais uma vez o "fator humano" transforma uma linha narrativa usual (para não dizer batida) de um subgênero cinematográfico com uma audiência cativa, em algo muito interessante e com uma história que, de fato, merecia ser contada.
"When the Game Stands Tall" (no original) acompanha a trajetória lendária e recordista de Bob Ladouceur (Jim Caviezel), treinador de futebol americano que assumiu o desconhecido time De La Salle High School Spartans e conduziu seus atletas da obscuridade à incrível marca de 151 jogos de invencibilidade. Baseado em uma história real, o filme não retrata a jornada de vitórias especificamente, mas como Ladouceur transformou o conceito de um programa escolar vencedor em algo que ia muito além do esporte. Confira o trailer:
Thomas Carter foi o responsável por outra obra sobre um personagem sensacional do esporte, "Coach Carter". Seguindo exatamente a mesma linha, Carter sai do basquete e vai para o futebol americano para nos entregar mais um importante filme biográfico, mas dessa vez com um peso esportivo maior na história e na narrativa. Se em "Coach Carter" o basquete era "apenas" o ponto de partida para explorar a relação entre educação e esporte, e como isso está inserido na sociedade americana, "O Jogo de uma Vida" faz o caminho contrário, mas respeitando o conceito estabelecido pelo subgênero com belíssimas cenas no campo de jogo - drama e emoção não faltam. Claro que você também vai encontrar inúmeras lições de liderança e postura perante a vida, passagens de superação e frases inspiracionais, mas o mais interessante que o fato em si, é o exemplo, o legado.
Baseado no livro de Neil Hayes, a adaptação feita pelo Scott Marshall Smith (de "A cartada final") não é um primor, eu diria até que é cheia de furos e muito superficial, mas a montagem do Scott Richter (profissional com uma interessante carreira em clipes musicais) ajuda a conectar a audiência com o que realmente importa: a construção de uma (ou várias) narrativas que convergem lindamente no terceiro ato, dando a sensação de que o filme é até mais perfeito do que realmente é. Sempre apoiado em uma trilha sonora que pauta o clima de cada cena, Richter e Carter conseguem nos provocar emocionalmente e nos prender mesmo com todas as limitações artísticas da produção. Caviezel é sempre aquilo (alguns gostam, eu acho canastrão). Já Laura Dern, como a esposa de Ladouceur (Bev), essa sim entrega uma personagem mais verdadeira e honesta com a situação em que vive. Michael Chiklis, o assistente técnico e parceiro de Bob (Terry Eidson), também brilha e transita perfeitamente entre a dramaticidade e a humanidade que Caviezel dificilmente entrega.
Tão interessante quanto o filme, são nos créditos onde entendemos o tamanho de Bob Ladouceur e de seu trabalho. São imagens raras de arquivo e entrevistas como a do lendário e inesquecível ex-treinador do Raiders, John Madden, que considerava Ladouceur o melhor técnico de futebol americano de todos os tempos - mesmo ele sendo do High School. Veja, 151 vitórias consecutivas não é um feito a ser ignorado, mas mais interessante do que se apegar as vitórias, foi no momento da derrota e na reconstrução de um time com potencial vencedor, que a trama mostrou sua força e importância como recorte histórico.
É um filme para o amante do esporte que merece ser assistido e estudado. Vale seu play!
Não se trata de recordes, se trata de um time! Sim, eu sei que essa frase pode parecer batida, pretensiosa e até hipócrita se enxergarmos pelo prisma do reconhecimento individual dos dias de hoje, e talvez, justamente por isso que "O Jogo de uma Vida" mereça sua atenção. Embora seja um filme sobre esportes (mais precisamente sobre o futebol americano) e longe de ser uma superprodução (mesmo contando com atores renomados), posso afirmar que mais uma vez o "fator humano" transforma uma linha narrativa usual (para não dizer batida) de um subgênero cinematográfico com uma audiência cativa, em algo muito interessante e com uma história que, de fato, merecia ser contada.
"When the Game Stands Tall" (no original) acompanha a trajetória lendária e recordista de Bob Ladouceur (Jim Caviezel), treinador de futebol americano que assumiu o desconhecido time De La Salle High School Spartans e conduziu seus atletas da obscuridade à incrível marca de 151 jogos de invencibilidade. Baseado em uma história real, o filme não retrata a jornada de vitórias especificamente, mas como Ladouceur transformou o conceito de um programa escolar vencedor em algo que ia muito além do esporte. Confira o trailer:
Thomas Carter foi o responsável por outra obra sobre um personagem sensacional do esporte, "Coach Carter". Seguindo exatamente a mesma linha, Carter sai do basquete e vai para o futebol americano para nos entregar mais um importante filme biográfico, mas dessa vez com um peso esportivo maior na história e na narrativa. Se em "Coach Carter" o basquete era "apenas" o ponto de partida para explorar a relação entre educação e esporte, e como isso está inserido na sociedade americana, "O Jogo de uma Vida" faz o caminho contrário, mas respeitando o conceito estabelecido pelo subgênero com belíssimas cenas no campo de jogo - drama e emoção não faltam. Claro que você também vai encontrar inúmeras lições de liderança e postura perante a vida, passagens de superação e frases inspiracionais, mas o mais interessante que o fato em si, é o exemplo, o legado.
Baseado no livro de Neil Hayes, a adaptação feita pelo Scott Marshall Smith (de "A cartada final") não é um primor, eu diria até que é cheia de furos e muito superficial, mas a montagem do Scott Richter (profissional com uma interessante carreira em clipes musicais) ajuda a conectar a audiência com o que realmente importa: a construção de uma (ou várias) narrativas que convergem lindamente no terceiro ato, dando a sensação de que o filme é até mais perfeito do que realmente é. Sempre apoiado em uma trilha sonora que pauta o clima de cada cena, Richter e Carter conseguem nos provocar emocionalmente e nos prender mesmo com todas as limitações artísticas da produção. Caviezel é sempre aquilo (alguns gostam, eu acho canastrão). Já Laura Dern, como a esposa de Ladouceur (Bev), essa sim entrega uma personagem mais verdadeira e honesta com a situação em que vive. Michael Chiklis, o assistente técnico e parceiro de Bob (Terry Eidson), também brilha e transita perfeitamente entre a dramaticidade e a humanidade que Caviezel dificilmente entrega.
Tão interessante quanto o filme, são nos créditos onde entendemos o tamanho de Bob Ladouceur e de seu trabalho. São imagens raras de arquivo e entrevistas como a do lendário e inesquecível ex-treinador do Raiders, John Madden, que considerava Ladouceur o melhor técnico de futebol americano de todos os tempos - mesmo ele sendo do High School. Veja, 151 vitórias consecutivas não é um feito a ser ignorado, mas mais interessante do que se apegar as vitórias, foi no momento da derrota e na reconstrução de um time com potencial vencedor, que a trama mostrou sua força e importância como recorte histórico.
É um filme para o amante do esporte que merece ser assistido e estudado. Vale seu play!
"O Menino que Descobriu o Vento", produção da BBC e distribuição da Netflix, é um filme que realmente mexe com a gente... Fato! É uma história incrível, com um protagonista muito carismático que abraça sua jornada até seu êxito com muita resiliência, força de vontade e foco - e por ser uma história real, isso ainda ganha o peso da veracidade e nos provoca a experienciar aquele universo como se estivéssemos lá! Sem falar que nos faz enxergar nossa realidade com outros olhos - talvez seja esse o grande mérito do filme! Ele cumpre esse papel muito bem!!! Ponto!
Imagine que um garoto da República do Malawi, cercado de miséria, sem poder frequentar a escola por falta de dinheiro, sem o conhecimento científico e técnico, foi capaz de encontrar uma solução que mudaria a expectativa de vida da sua família e de toda uma comunidade, apoiado "apenas" na sua própria capacidade e na vontade de aprender por conta própria aquilo que se recusavam a ensinar! Sem falar na pressão, no medo de falhar e na responsabilidade de assumir, tão jovem, que essa derradeira tentativa de sobreviver poderia dar errado! É de levantar e aplaudir, pois, por todos os lados, ele só se encontrava dificuldade e isso nunca o abalava!
"O Menino que Descobriu o Vento" é um ótimo filme, com uma fotografia linda do experiente Dick Pope (duas vezes indicado ao Oscar) e o mérito de nos envolver com aquela jornada rapidamente! Chiwetel Ejiofor e Aïssa Maïga (pais do garoto) dão um show! Aïssa Maïga, guardem esse nome, merece um caminhão de prêmios por essa atuação - ela está impecável! É possível sentir sua dor só com seu olhar, com seu silêncio! Um show! O garoto, Maxwell Simba, também merece destaque. É seu primeiro filme e não me surpreenderia se ganhasse alguma indicação importante na próxima temporada de premiações.
Minha única critica é com a direção do, debutante na função, Chiwetel Ejiofor - não prejudica, não compromete, mas é impossível não pensar nessa história sendo contada por um grande diretor e, por incrível que pareça, me vinham dois nomes na cabeça: Steven Spielberg e Steve McQueen - certamente esse filme iria para outro patamar, patamar de Oscar, porque a história é sensacional! O roteiro, adaptado pelo Ejiofor, também não é ruim, mas poderia ser melhor - tem um 3º ato muito curto, ou seja, por mais que a jornada tenha sido longa, parece que a resolução é muito simples e rápida. Mais uma vez: nem a direção, nem o roteiro, prejudicam a experiência, mas a sensação que o filme poderia estar em outro nível, isso não dá para esconder!
Vale o play? Com a mais absoluta certeza! Filme feito para emocionar e para aquela reflexão "pós crédito"!
"O Menino que Descobriu o Vento", produção da BBC e distribuição da Netflix, é um filme que realmente mexe com a gente... Fato! É uma história incrível, com um protagonista muito carismático que abraça sua jornada até seu êxito com muita resiliência, força de vontade e foco - e por ser uma história real, isso ainda ganha o peso da veracidade e nos provoca a experienciar aquele universo como se estivéssemos lá! Sem falar que nos faz enxergar nossa realidade com outros olhos - talvez seja esse o grande mérito do filme! Ele cumpre esse papel muito bem!!! Ponto!
Imagine que um garoto da República do Malawi, cercado de miséria, sem poder frequentar a escola por falta de dinheiro, sem o conhecimento científico e técnico, foi capaz de encontrar uma solução que mudaria a expectativa de vida da sua família e de toda uma comunidade, apoiado "apenas" na sua própria capacidade e na vontade de aprender por conta própria aquilo que se recusavam a ensinar! Sem falar na pressão, no medo de falhar e na responsabilidade de assumir, tão jovem, que essa derradeira tentativa de sobreviver poderia dar errado! É de levantar e aplaudir, pois, por todos os lados, ele só se encontrava dificuldade e isso nunca o abalava!
"O Menino que Descobriu o Vento" é um ótimo filme, com uma fotografia linda do experiente Dick Pope (duas vezes indicado ao Oscar) e o mérito de nos envolver com aquela jornada rapidamente! Chiwetel Ejiofor e Aïssa Maïga (pais do garoto) dão um show! Aïssa Maïga, guardem esse nome, merece um caminhão de prêmios por essa atuação - ela está impecável! É possível sentir sua dor só com seu olhar, com seu silêncio! Um show! O garoto, Maxwell Simba, também merece destaque. É seu primeiro filme e não me surpreenderia se ganhasse alguma indicação importante na próxima temporada de premiações.
Minha única critica é com a direção do, debutante na função, Chiwetel Ejiofor - não prejudica, não compromete, mas é impossível não pensar nessa história sendo contada por um grande diretor e, por incrível que pareça, me vinham dois nomes na cabeça: Steven Spielberg e Steve McQueen - certamente esse filme iria para outro patamar, patamar de Oscar, porque a história é sensacional! O roteiro, adaptado pelo Ejiofor, também não é ruim, mas poderia ser melhor - tem um 3º ato muito curto, ou seja, por mais que a jornada tenha sido longa, parece que a resolução é muito simples e rápida. Mais uma vez: nem a direção, nem o roteiro, prejudicam a experiência, mas a sensação que o filme poderia estar em outro nível, isso não dá para esconder!
Vale o play? Com a mais absoluta certeza! Filme feito para emocionar e para aquela reflexão "pós crédito"!
Talvez o maior mérito de "O Milagre na Cela 7" seja estabelecer um vínculo emocional imediato com quem assiste, usando três elementos narrativos imbatíveis: uma criança, um pai autista e a injustiça! É impossível desvincular o sucesso dessa adaptação turca de um filme coreano de 2013, do poder que uma plataforma de streaming tem de alcançar um público certeiro e depois democratizar várias formas de dramaturgia - explicarei essa afirmação um pouco mais abaixo, já que esse é o tipo de filme que exige uma análise cuidadosa.
"O Milagre na Cela 7" conta a história de Memo (Aras Bulut Iynemli), um pai autista que vive em um pequeno vilarejo da Turquia com a filha, Ova (Nisa Sofiya Aksongur) e a avó, Fatma (Celile Toyon Uysal). Muito ingênuo e amável, Memo sempre foi muito querido por todos, mas sua vida muda completamente quando ele se envolve em um acidente que mata a filha de um importante tenente do exército turco (Yurdaer Okur). Acusado injustamente de assassinato e supostamente sem elementos para provar sua inocência, Memo é encaminhado para uma prisão enquanto aguarda o momento de sua execução de pena de morte. Confira o trailer:
Como é possível perceber pelo trailer, o roteiro constrói uma jornada extremamente sensível do ponto de vista de uma criança que não tem a menor noção da gravidade de uma acusação como a que o pai está sofrendo, ao mesmo tempo que o pai também não consegue entender aquela injusta realidade graças a sua condição - aliás, sua interpretação sobre o que está vivendo na prisão nos faz lembrar muito do conceito narrativo de "A Vida é Bela" (1997). Essa dinâmica, de fato, nos coloca dentro do filme durante duas horas, com muita leveza e pontuando alguns aspectos religiosos que humanizam os personagens e levantam questões tão atuais como culpa, perdão e com que olhos enxergamos isso tudo! Eu diria que o filme vale o play pela história, pela mensagem, mas para uma audiência com um olhar mais técnico, o filme não deve agradar!
Vamos lá, o diretor Mehmet Ada Öztekin entregou um filme, mas parecia que estava dirigindo uma novela. E aqui cabe uma observação importante: não por acaso a Turquia se tornou um grande exportador de novelas desde 2013 (algumas com grande sucesso no Brasil, inclusive) e "O Milagre na Cela 7" segue exatamente aquela linguagem. A Turquia é uma espécie de "México da Europa" no que diz respeito a qualidade de produção e dramaturgia - os atores são exagerados, a fotografia interna é falsa, os movimentos de câmera, na sua grande maioria, sem muito propósito e o desenho de produção é completamente fora da realidade.Isso é um problema? Claro que não, desde que você não se apegue ao trailer e a esse tipo de detalhe mais técnico; e foque no que mais te interessa: a história!
Dito isso, é natural que "O Milagre na Cela 7" agrade muita gente, da mesma forma que "A Cabana"agradou - em vários aspectos os filmes são similares, com uma história muito interessante, emocionante e que te prende do começo ao fim, mas sem um cuidado técnico e artístico que justifique voos mais altos. Eu indico o filme, é uma ótima "Sessão da Tarde", entretenimento despretensioso que vai mexer com suas emoções, mas dê o play sabendo das suas imitações para não se decepcionar!
Talvez o maior mérito de "O Milagre na Cela 7" seja estabelecer um vínculo emocional imediato com quem assiste, usando três elementos narrativos imbatíveis: uma criança, um pai autista e a injustiça! É impossível desvincular o sucesso dessa adaptação turca de um filme coreano de 2013, do poder que uma plataforma de streaming tem de alcançar um público certeiro e depois democratizar várias formas de dramaturgia - explicarei essa afirmação um pouco mais abaixo, já que esse é o tipo de filme que exige uma análise cuidadosa.
"O Milagre na Cela 7" conta a história de Memo (Aras Bulut Iynemli), um pai autista que vive em um pequeno vilarejo da Turquia com a filha, Ova (Nisa Sofiya Aksongur) e a avó, Fatma (Celile Toyon Uysal). Muito ingênuo e amável, Memo sempre foi muito querido por todos, mas sua vida muda completamente quando ele se envolve em um acidente que mata a filha de um importante tenente do exército turco (Yurdaer Okur). Acusado injustamente de assassinato e supostamente sem elementos para provar sua inocência, Memo é encaminhado para uma prisão enquanto aguarda o momento de sua execução de pena de morte. Confira o trailer:
Como é possível perceber pelo trailer, o roteiro constrói uma jornada extremamente sensível do ponto de vista de uma criança que não tem a menor noção da gravidade de uma acusação como a que o pai está sofrendo, ao mesmo tempo que o pai também não consegue entender aquela injusta realidade graças a sua condição - aliás, sua interpretação sobre o que está vivendo na prisão nos faz lembrar muito do conceito narrativo de "A Vida é Bela" (1997). Essa dinâmica, de fato, nos coloca dentro do filme durante duas horas, com muita leveza e pontuando alguns aspectos religiosos que humanizam os personagens e levantam questões tão atuais como culpa, perdão e com que olhos enxergamos isso tudo! Eu diria que o filme vale o play pela história, pela mensagem, mas para uma audiência com um olhar mais técnico, o filme não deve agradar!
Vamos lá, o diretor Mehmet Ada Öztekin entregou um filme, mas parecia que estava dirigindo uma novela. E aqui cabe uma observação importante: não por acaso a Turquia se tornou um grande exportador de novelas desde 2013 (algumas com grande sucesso no Brasil, inclusive) e "O Milagre na Cela 7" segue exatamente aquela linguagem. A Turquia é uma espécie de "México da Europa" no que diz respeito a qualidade de produção e dramaturgia - os atores são exagerados, a fotografia interna é falsa, os movimentos de câmera, na sua grande maioria, sem muito propósito e o desenho de produção é completamente fora da realidade.Isso é um problema? Claro que não, desde que você não se apegue ao trailer e a esse tipo de detalhe mais técnico; e foque no que mais te interessa: a história!
Dito isso, é natural que "O Milagre na Cela 7" agrade muita gente, da mesma forma que "A Cabana"agradou - em vários aspectos os filmes são similares, com uma história muito interessante, emocionante e que te prende do começo ao fim, mas sem um cuidado técnico e artístico que justifique voos mais altos. Eu indico o filme, é uma ótima "Sessão da Tarde", entretenimento despretensioso que vai mexer com suas emoções, mas dê o play sabendo das suas imitações para não se decepcionar!
Assistam esse filme - é sério!
Mesmo que essa jornada seja daquelas de apertar o coração, é bem provável que ao subirem os créditos, a sensação seja a melhor possível. Eu diria, inclusive, que "O Pior Vizinho do Mundo" tem muito do que fez nos apaixonarmos por "O Método Kominsky" - do mal humor do protagonista à sua maneira de lidar com um mundo que parece não servir mais para nada por estar repleto de idiotas (palavras do protagonista, não minhas...rs). Dirigido pelo alemão Marc Forster (de "Em Busca da Terra do Nunca"), "A Man Called Otto" (no original) é básico em muitos sentidos, mas sem dúvida alguma se aproveita da presença de Tom Hanks e da sua enorme capacidade como ator, para criar um ponto de conexão com a audiência que torna impossível não torcer por ele e por sua felicidade. É clichê dos grandes, eu sei - mas funciona demais aqui!
Otto Anderson (Hanks), é um viúvo, mal-humorado e cheio de hábitos, na sua maioria ranzinzas. Quando um jovem e atrapalhado casal, com suas duas filhas pequenas, chegam no bairro, Otto começa a perceber nos pequenos gestos de sua vizinha Marisol (Mariana Treviño), uma nova forma de olhar para a vida, o que leva para uma amizade improvável e que, por outro lado, coloca seu mundo (todo organizadinho) de cabeça para baixo. Confira o trailer:
Inspirado no livro de Fredrik Beckman, o roteiro de "O Pior Vizinho do Mundo" não surpreende ao seguir um padrão linear de narrativa (o que torna sua trama bastante previsível) onde os eventos se desenrolam de maneira conveniente para o desenvolvimento emocional do protagonista - veja, isso não é um problema se ficar claro desde a primeira cena, que estamos falando de um filme essencialmente de ator. Hanks, como não poderia deixar de ser, leva o filme nas costas e naturalmente vai entregando algumas peças que ao olharmos para o todo, um pouco mais a frente, fazem muito sentido - embora fique claro que essa sempre foi a zona de conforto do filme. Isso faz do filme ruim? Não, pelo contrário, apenas estabelece a proposta do diretor de priorizar a complexidade do ser humano, e de seus sentimentos, ao invés de uma espetacularização superficial de uma condição que merece ser discutida com mais profundidade.
Com a anuência do roteirista David Magee (do live-action de "A Pequena Sereia"), Forster abre mão do desenvolvimento dos personagens secundários para não tirar o foco do processo de transformação de Otto. Esses personagens têm certa importância, se relacionam com o protagonista no presente (alguns até no passado - nos flashbacks que ajudam a explicar alguns fatos), têm impacto na vida dele, mas são pouco explorados - eles acabam sendo retratados de maneira mais passageira, com características estereotipadas e unidimensionais, servindo como equilíbrio entre o drama e a comédia. Reparem no arco de Anita (Juanita Jennings) e Reuben (Peter Lawson Jones); eles são a personificação da dualidade desse conceito - a passagem onde Otto critica os carros de Reuben é impagável, mas o seu significado intimo vai além da escolha de uma marca de automóvel.
Por mais desconfortável que possa ser acompanhar Otto tentando o tirar sua vida, a forma como essas cenas são retratadas no filme, acreditem, trazem até uma certa comicidade para o assunto, onde suas falhas acabam mostrando muito mais um lado otimista do que o peso do ato em si - definir "O Pior Vizinho do Mundo" como uma dramédia clássica ajuda muito a entender esse conceito. Essa dualidade, que em muitos momentos define o jogo narrativo proposto por Magee e Forster dão o tom e entregam uma mensagem de mais empatia, de redenção e de aceitação sobre a importância das relações humanas (verdadeiras). A história de Otto se mistura com a de alguém que conhecemos e por isso acaba oferecendo ótimas reflexões sobre o envelhecimento, sobre a solidão e, principalmente, sobre a busca por um ressignificado na vida.
Dito tudo isso, minha recomendação é a seguinte: dê o play e seja feliz!
Assistam esse filme - é sério!
Mesmo que essa jornada seja daquelas de apertar o coração, é bem provável que ao subirem os créditos, a sensação seja a melhor possível. Eu diria, inclusive, que "O Pior Vizinho do Mundo" tem muito do que fez nos apaixonarmos por "O Método Kominsky" - do mal humor do protagonista à sua maneira de lidar com um mundo que parece não servir mais para nada por estar repleto de idiotas (palavras do protagonista, não minhas...rs). Dirigido pelo alemão Marc Forster (de "Em Busca da Terra do Nunca"), "A Man Called Otto" (no original) é básico em muitos sentidos, mas sem dúvida alguma se aproveita da presença de Tom Hanks e da sua enorme capacidade como ator, para criar um ponto de conexão com a audiência que torna impossível não torcer por ele e por sua felicidade. É clichê dos grandes, eu sei - mas funciona demais aqui!
Otto Anderson (Hanks), é um viúvo, mal-humorado e cheio de hábitos, na sua maioria ranzinzas. Quando um jovem e atrapalhado casal, com suas duas filhas pequenas, chegam no bairro, Otto começa a perceber nos pequenos gestos de sua vizinha Marisol (Mariana Treviño), uma nova forma de olhar para a vida, o que leva para uma amizade improvável e que, por outro lado, coloca seu mundo (todo organizadinho) de cabeça para baixo. Confira o trailer:
Inspirado no livro de Fredrik Beckman, o roteiro de "O Pior Vizinho do Mundo" não surpreende ao seguir um padrão linear de narrativa (o que torna sua trama bastante previsível) onde os eventos se desenrolam de maneira conveniente para o desenvolvimento emocional do protagonista - veja, isso não é um problema se ficar claro desde a primeira cena, que estamos falando de um filme essencialmente de ator. Hanks, como não poderia deixar de ser, leva o filme nas costas e naturalmente vai entregando algumas peças que ao olharmos para o todo, um pouco mais a frente, fazem muito sentido - embora fique claro que essa sempre foi a zona de conforto do filme. Isso faz do filme ruim? Não, pelo contrário, apenas estabelece a proposta do diretor de priorizar a complexidade do ser humano, e de seus sentimentos, ao invés de uma espetacularização superficial de uma condição que merece ser discutida com mais profundidade.
Com a anuência do roteirista David Magee (do live-action de "A Pequena Sereia"), Forster abre mão do desenvolvimento dos personagens secundários para não tirar o foco do processo de transformação de Otto. Esses personagens têm certa importância, se relacionam com o protagonista no presente (alguns até no passado - nos flashbacks que ajudam a explicar alguns fatos), têm impacto na vida dele, mas são pouco explorados - eles acabam sendo retratados de maneira mais passageira, com características estereotipadas e unidimensionais, servindo como equilíbrio entre o drama e a comédia. Reparem no arco de Anita (Juanita Jennings) e Reuben (Peter Lawson Jones); eles são a personificação da dualidade desse conceito - a passagem onde Otto critica os carros de Reuben é impagável, mas o seu significado intimo vai além da escolha de uma marca de automóvel.
Por mais desconfortável que possa ser acompanhar Otto tentando o tirar sua vida, a forma como essas cenas são retratadas no filme, acreditem, trazem até uma certa comicidade para o assunto, onde suas falhas acabam mostrando muito mais um lado otimista do que o peso do ato em si - definir "O Pior Vizinho do Mundo" como uma dramédia clássica ajuda muito a entender esse conceito. Essa dualidade, que em muitos momentos define o jogo narrativo proposto por Magee e Forster dão o tom e entregam uma mensagem de mais empatia, de redenção e de aceitação sobre a importância das relações humanas (verdadeiras). A história de Otto se mistura com a de alguém que conhecemos e por isso acaba oferecendo ótimas reflexões sobre o envelhecimento, sobre a solidão e, principalmente, sobre a busca por um ressignificado na vida.
Dito tudo isso, minha recomendação é a seguinte: dê o play e seja feliz!
Alguns filmes acabam passando pela nossa lista e muitas vezes nem damos o valor que eles realmente merecem - "O Primeiro Homem" pode ser um desses casos, mesmo chancelado por quatro indicações para o Oscar 2019 (todas técnicas, é verdade) e ganhando o de "Melhor Efeito Visual". Esse "descaso" pode até ser justificado, já que o diretor Damien Chazelle havia provado sua maestria ao explorar a obsessão em filmes como "Whiplash" e "La La Land", mas com "O Primeiro Homem", ao levar essa abordagem para um novo patamar de produção, ele não recebeu o reconhecimento que merecia. Ao mergulhar na jornada de Neil Armstrong com um olhar mais intimista, Chazelle sugere que a audiência esqueça a grandiosidade convencional dos épicos espaciais ou até aquela exaltação patriótica de filmes como "Apollo 13" e "Os Eleitos" para, aqui, a "conquista da Lua" ser retratada com um realismo quase documental, destacando não apenas o feito histórico, mas o custo emocional e psicológico para aqueles envolvidos. O resultado é um drama mais introspectivo, tenso e profundamente humano, que nos faz lembrar que por trás das maiores conquistas da humanidade estão indivíduos extremamente complexos.
"O Primeiro Homem" acompanha a fascinante história de um compromisso da NASA - o de levar o homem para a Lua antes da União Soviética. Focando em nada menos que Neil Armstrong (Ryan Gosling), no período de 1961 a 1969, o filme é um relato visceral e íntimo, baseado na biografia oficial escrita por James R. Hansen, que explora os sacrifícios e o custo - para Armstrong e para os Estados Unidos - de uma das missões mais perigosas da história da exploração espacial até hoje. Confira o trailer:
Chazelle e o roteirista Josh Singer (de "Spotlight" e "The Post") se baseiam no livro de Hansen para construir um retrato meticuloso de Armstrong, que foge completamente do arquétipo tradicional de herói. Gosling entrega uma atuação contida, minimalista, capturando a introspecção e o estoicismo do astronauta com uma precisão impressionante. Seu Neil Armstrong é um homem assombrado pela dolorosa perda da filha Karen e pelo peso de suas responsabilidades perante a nação - e o filme, ainda bem, não se esforça para romantizá-lo. Veja, Armstrong é alguém que carrega uma dor imensa e a canaliza em seu trabalho, muitas vezes se fechando emocionalmente para aqueles ao seu redor - essa abordagem pode afastar quem espera um protagonista mais carismático, mas é justamente essa contenção que torna o personagem tão fascinante. A relação entre Armstrong e sua esposa, Janet (Claire Foy), é outro ponto central da narrativa. Enquanto ele se mantém frio e reservado, Janet se torna o elo entre sua família e a realidade da missão, funcionando como uma espécie de âncora emocional. Claire Foy brilha em uma atuação que equilibra força e solidão, especialmente em cenas que evidenciam sua frustração com a incapacidade de Neil em se abrir sobre seus sentimentos - uma das melhores sequências do filme ocorre quando ela exige que ele explique aos filhos a possibilidade real dele não voltar para casa. Pesado!
Se há um elemento em "O Primeiro Homem" que merece destaque absoluto, é a fotografia de Linus Sandgren. Diferente da grandiosidade visual de "Gravidade", Sandgren opta por um realismo quase claustrofóbico, usando uma câmera mais nervosa com lentes mais fechadas, gerando close-ups intensos que nos colocam dentro da experiência angustiante de Armstrong. Desde os primeiros testes de voo até o pouso na Lua, Chazelle aposta em uma abordagem subjetiva, muitas vezes restrita à perspectiva do protagonista, tornando cada decolagem, cada turbulência e cada falha mecânica, uma experiência profunda e extremamente imersiva. A cena do pouso, em particular, é um espetáculo técnico e emocional: a tensão construída no silêncio do espaço, o som abafado dos instrumentos e a incerteza do sucesso tornam a chegada à Lua um momento de triunfo até melancólico. O Desenho de som é um dos melhores já feitos em filmes do gênero - o contraste entre o barulho ensurdecedor do foguete e o silêncio absoluto do espaço cria uma imersão inigualável. A trilha sonora de Justin Hurwitz, que colaborou com Chazelle em "La La Land" e em "Whiplash", foge do tradicional e aposta em melodias delicadas e etéreas, reforçando a sensação de isolamento e introspecção da jornada de Armstrong.
Agora é preciso que se diga, "O Primeiro Homem" não é um filme fácil. Seu ritmo mais contemplativo e sua abordagem emocionalmente distante podem frustrar aqueles que esperam um épico espacial tradicional - aqui estamos entre um "Gravidade" e um "Ad Astra". Saiba que a decisão de focar na jornada interna de Armstrong ao invés de enfatizar a grandiosidade do feito pode até parecer anticlimática, mas é essa perspectiva que torna o filme tão singular. Chazelle não quer glorificar a conquista da Lua; ele quer mostrar o preço que foi pago por ela. "O Primeiro Homem" é um filme que desafia expectativas, recusa sentimentalismos fáceis e entrega uma visão crua e poderosa sobre o que significa ir além dos limites do possível, ou seja, para quem busca uma experiência de fato imersiva, introspectiva e visualmente impecável, essa é uma obra que merece ser vista – e sentida.
Assista na maior tela tela que puder e com o melhor sistema som que existir, porque vai fazer toda diferença! Lindo demais!
Alguns filmes acabam passando pela nossa lista e muitas vezes nem damos o valor que eles realmente merecem - "O Primeiro Homem" pode ser um desses casos, mesmo chancelado por quatro indicações para o Oscar 2019 (todas técnicas, é verdade) e ganhando o de "Melhor Efeito Visual". Esse "descaso" pode até ser justificado, já que o diretor Damien Chazelle havia provado sua maestria ao explorar a obsessão em filmes como "Whiplash" e "La La Land", mas com "O Primeiro Homem", ao levar essa abordagem para um novo patamar de produção, ele não recebeu o reconhecimento que merecia. Ao mergulhar na jornada de Neil Armstrong com um olhar mais intimista, Chazelle sugere que a audiência esqueça a grandiosidade convencional dos épicos espaciais ou até aquela exaltação patriótica de filmes como "Apollo 13" e "Os Eleitos" para, aqui, a "conquista da Lua" ser retratada com um realismo quase documental, destacando não apenas o feito histórico, mas o custo emocional e psicológico para aqueles envolvidos. O resultado é um drama mais introspectivo, tenso e profundamente humano, que nos faz lembrar que por trás das maiores conquistas da humanidade estão indivíduos extremamente complexos.
"O Primeiro Homem" acompanha a fascinante história de um compromisso da NASA - o de levar o homem para a Lua antes da União Soviética. Focando em nada menos que Neil Armstrong (Ryan Gosling), no período de 1961 a 1969, o filme é um relato visceral e íntimo, baseado na biografia oficial escrita por James R. Hansen, que explora os sacrifícios e o custo - para Armstrong e para os Estados Unidos - de uma das missões mais perigosas da história da exploração espacial até hoje. Confira o trailer:
Chazelle e o roteirista Josh Singer (de "Spotlight" e "The Post") se baseiam no livro de Hansen para construir um retrato meticuloso de Armstrong, que foge completamente do arquétipo tradicional de herói. Gosling entrega uma atuação contida, minimalista, capturando a introspecção e o estoicismo do astronauta com uma precisão impressionante. Seu Neil Armstrong é um homem assombrado pela dolorosa perda da filha Karen e pelo peso de suas responsabilidades perante a nação - e o filme, ainda bem, não se esforça para romantizá-lo. Veja, Armstrong é alguém que carrega uma dor imensa e a canaliza em seu trabalho, muitas vezes se fechando emocionalmente para aqueles ao seu redor - essa abordagem pode afastar quem espera um protagonista mais carismático, mas é justamente essa contenção que torna o personagem tão fascinante. A relação entre Armstrong e sua esposa, Janet (Claire Foy), é outro ponto central da narrativa. Enquanto ele se mantém frio e reservado, Janet se torna o elo entre sua família e a realidade da missão, funcionando como uma espécie de âncora emocional. Claire Foy brilha em uma atuação que equilibra força e solidão, especialmente em cenas que evidenciam sua frustração com a incapacidade de Neil em se abrir sobre seus sentimentos - uma das melhores sequências do filme ocorre quando ela exige que ele explique aos filhos a possibilidade real dele não voltar para casa. Pesado!
Se há um elemento em "O Primeiro Homem" que merece destaque absoluto, é a fotografia de Linus Sandgren. Diferente da grandiosidade visual de "Gravidade", Sandgren opta por um realismo quase claustrofóbico, usando uma câmera mais nervosa com lentes mais fechadas, gerando close-ups intensos que nos colocam dentro da experiência angustiante de Armstrong. Desde os primeiros testes de voo até o pouso na Lua, Chazelle aposta em uma abordagem subjetiva, muitas vezes restrita à perspectiva do protagonista, tornando cada decolagem, cada turbulência e cada falha mecânica, uma experiência profunda e extremamente imersiva. A cena do pouso, em particular, é um espetáculo técnico e emocional: a tensão construída no silêncio do espaço, o som abafado dos instrumentos e a incerteza do sucesso tornam a chegada à Lua um momento de triunfo até melancólico. O Desenho de som é um dos melhores já feitos em filmes do gênero - o contraste entre o barulho ensurdecedor do foguete e o silêncio absoluto do espaço cria uma imersão inigualável. A trilha sonora de Justin Hurwitz, que colaborou com Chazelle em "La La Land" e em "Whiplash", foge do tradicional e aposta em melodias delicadas e etéreas, reforçando a sensação de isolamento e introspecção da jornada de Armstrong.
Agora é preciso que se diga, "O Primeiro Homem" não é um filme fácil. Seu ritmo mais contemplativo e sua abordagem emocionalmente distante podem frustrar aqueles que esperam um épico espacial tradicional - aqui estamos entre um "Gravidade" e um "Ad Astra". Saiba que a decisão de focar na jornada interna de Armstrong ao invés de enfatizar a grandiosidade do feito pode até parecer anticlimática, mas é essa perspectiva que torna o filme tão singular. Chazelle não quer glorificar a conquista da Lua; ele quer mostrar o preço que foi pago por ela. "O Primeiro Homem" é um filme que desafia expectativas, recusa sentimentalismos fáceis e entrega uma visão crua e poderosa sobre o que significa ir além dos limites do possível, ou seja, para quem busca uma experiência de fato imersiva, introspectiva e visualmente impecável, essa é uma obra que merece ser vista – e sentida.
Assista na maior tela tela que puder e com o melhor sistema som que existir, porque vai fazer toda diferença! Lindo demais!
"Stronger" (título original) conta a história real de uma das vítimas atingida por uma bomba no final da maratona de Boston em 2013. O filme mostra todo o processo de raiva, aceitação, superação e tudo mais que o tema pede! Mas é preciso relativizar a força do roteiro: poderia ser um grande filme, algo como o "Escafandro e a Borboleta", mas não será isso você vai encontrar e nem por isso sua experiência será ruim, muito pelo contrário, o filme é denso mas foi todo construído para te emocionar. Veja o trailer:
Aos 23 anos, Jeff (Jake Gyllenhaal), um trabalhador de classe média que tentava reconquistar o coração da sua ex-namorada, Erin (Tatiana Maslany). Enquanto esperava por ela ocorreu a explosão - Jeff perde ambas as pernas! Já no hospital, Jeff recupera a consciência e consegue ajudar a polícia a identificar um dos terroristas, mas a sua luta pessoal está só começando. Com a ajuda da família e de Erin, Jeff dedica meses e meses para sua reabilitação física e emocional. A sua determinação e coragem de viver, ultrapassar a devastadora adversidade até se tornar num símbolo de força, resistência e inspiração para sua família e para todo um país!
É fato que em "O que te faz mais Forte", o diretorDavid Gordon Green (de "Prova de Amor") e o roteiristaJohn Polono narram a jornada de Bauman com o objetivo de entender os efeitos íntimos de uma tragédia tão marcante. Embora abuse de um certo patriotismo vazio, o filme foca nas reações humanas e não na tragédia em si - medindo o peso daquele instante e os reflexos na vida da vítima, de seus familiares e de toda uma população apavorada com o terrorismo pós 11/9.
Jake Gyllenhaal entrega mais um grande trabalho! Em mais um trabalho impecável, ele assume todos os desafios da recuperação: as quedas, o esforço para tarefas mais simples como pegar papel higiênico no banheiro até o fato de ser alçado ao posto de herói pela mídia e pela família. Tatiana Maslany (a eterna Sarah Manning de Orphan Black) faz um trabalho igualmente competente - principalmente ao lidar com a culpa por ser a razão de Bauman estar onde estava! Reparem que o filme não se apoia no romantismo e sim na dificuldade que é ajudar alguém que não quer se ajudar!
"O que te faz mais Forte" vale o seu play, é um ótimo filme sem a menor dúvida - só acho que o roteiro vacila em alguns momentos e perde uma enorme oportunidade de ser inesquecível (como o livro)!
"Stronger" (título original) conta a história real de uma das vítimas atingida por uma bomba no final da maratona de Boston em 2013. O filme mostra todo o processo de raiva, aceitação, superação e tudo mais que o tema pede! Mas é preciso relativizar a força do roteiro: poderia ser um grande filme, algo como o "Escafandro e a Borboleta", mas não será isso você vai encontrar e nem por isso sua experiência será ruim, muito pelo contrário, o filme é denso mas foi todo construído para te emocionar. Veja o trailer:
Aos 23 anos, Jeff (Jake Gyllenhaal), um trabalhador de classe média que tentava reconquistar o coração da sua ex-namorada, Erin (Tatiana Maslany). Enquanto esperava por ela ocorreu a explosão - Jeff perde ambas as pernas! Já no hospital, Jeff recupera a consciência e consegue ajudar a polícia a identificar um dos terroristas, mas a sua luta pessoal está só começando. Com a ajuda da família e de Erin, Jeff dedica meses e meses para sua reabilitação física e emocional. A sua determinação e coragem de viver, ultrapassar a devastadora adversidade até se tornar num símbolo de força, resistência e inspiração para sua família e para todo um país!
É fato que em "O que te faz mais Forte", o diretorDavid Gordon Green (de "Prova de Amor") e o roteiristaJohn Polono narram a jornada de Bauman com o objetivo de entender os efeitos íntimos de uma tragédia tão marcante. Embora abuse de um certo patriotismo vazio, o filme foca nas reações humanas e não na tragédia em si - medindo o peso daquele instante e os reflexos na vida da vítima, de seus familiares e de toda uma população apavorada com o terrorismo pós 11/9.
Jake Gyllenhaal entrega mais um grande trabalho! Em mais um trabalho impecável, ele assume todos os desafios da recuperação: as quedas, o esforço para tarefas mais simples como pegar papel higiênico no banheiro até o fato de ser alçado ao posto de herói pela mídia e pela família. Tatiana Maslany (a eterna Sarah Manning de Orphan Black) faz um trabalho igualmente competente - principalmente ao lidar com a culpa por ser a razão de Bauman estar onde estava! Reparem que o filme não se apoia no romantismo e sim na dificuldade que é ajudar alguém que não quer se ajudar!
"O que te faz mais Forte" vale o seu play, é um ótimo filme sem a menor dúvida - só acho que o roteiro vacila em alguns momentos e perde uma enorme oportunidade de ser inesquecível (como o livro)!
"O Quinto Set" é um excelente filme - principalmente se você enxergar a história além da tríade "drama x esporte x superação". Obviamente que o fã de tênis vai se conectar imediatamente com a trama e com o personagem, mas acredite: não se trata unicamente de um filme de tênis, mas sim de uma jornada de resiliência, auto-conhecimento e acordos que, em vários níveis, vai se encontrar com alguma passagem da sua vida e com as relações que você teve, seja como casal ou em família.
"Cinquième set", no original, conta a história de Thomas (Alex Lutz), um experiente jogador de tênis que viu sua vida parar após passar de "grande promessa do esporte" à "grande decepção" assim que perdeu uma semi-final (quase ganha) em Roland Garros quando ainda era jovem - a final, inclusive, seria disputada contra o brasileiro Gustavo Kuerten em 2001. Acompanhado de várias lesões no joelho e uma enorme pressão, Thomas viu seu ritmo cair e a confiança praticamente desaparecer - e aqui incluo a relação conflituosa com sua mãe Judith Edison (Kristin Scott Thomas) e com sua mulher, a também ex-tenista, Eve (Ana Girardot). Agora, aos 37 anos, e já em final de carreira, ele precisa se reinventar para buscar algumas vitórias em seu último Roland Garros e ainda provar sua capacidade como atleta de elite. Confira o trailer (com legendas em inglês):
Embora o filme nos passe a clara sensação que existe mais assuntos do que tempo de tela para desenvolver todos eles, o diretor Quentin Reynaud (de "Paris-Willouby"), que também assina o roteiro, nos entrega um filme bastante competente visualmente e com uma narrativa extremamente fluída que, pouco a pouco, vai explorando o íntimo do protagonista e sua luta em busca de uma redenção final - no esporte e na vida. É muito interessante como sua vida e seu comportamento vão se transformando conforme ele avança nas qualificatórias de Roland Garros até estrear na competição principal já com os holofotes em si (e isso não é spoiler, pode ficar tranquilo). Alguns elementos dramáticos fortalecem sua jornada e acabam expondo suas fragilidades - a relação com a esposa, com a mãe, a forma de agir em quadra, com a imprensa e até com seu treinador, dizem muito sobre a personalidade de Thomas, mas principalmente em como ele lidou silenciosamente com todas as influências de anos de renúncia para se tornar atleta profissional e "falhar".
É preciso dizer que o belo conceito cinematográfico que Reynaud escolheu, junto com seu fotógrafo Vincent Mathias, para mostrar o embate nas quadras é completamente abandonado no terceiro ato para dar lugar a uma verdadeira transmissão de um jogo de tênis pela TV. Reynaud, inexplicavelmente, nos tira de dentro da quadra e nos coloca no sofá, passivamente - para quem é familiarizado com o esporte, certamente vai se divertir, mas quem não sabe nada sobre algumas regras e sobre a pontuação dos games e sets, por exemplo, vai boiar!
Com ótimas referências para quem gosta e conhece o esporte, "O Quinto Set" surpreende pela qualidade da produção, pelo trabalho do diretor e por atuações realistas e sinceras, seguindo perfeitamente o conceito dramático da jornada do herói de "Creed 2"ou "Gambito da Rainha". Ao mostrar uma carreira em declínio e tudo que podemos superar quando somos derrotados, o filme tem sim aquele mood motivacional que prova que é possível lutar pelos nossos sonhos, mas que sacrifícios devem ser feitos nesse processo e blá, blá, blá.
Antes de finalizar - mérito pelo final corajoso e inteligente que o diretor escolheu e que tirou a narrativa do "óbvio"!
Vale muito a pena!
"O Quinto Set" é um excelente filme - principalmente se você enxergar a história além da tríade "drama x esporte x superação". Obviamente que o fã de tênis vai se conectar imediatamente com a trama e com o personagem, mas acredite: não se trata unicamente de um filme de tênis, mas sim de uma jornada de resiliência, auto-conhecimento e acordos que, em vários níveis, vai se encontrar com alguma passagem da sua vida e com as relações que você teve, seja como casal ou em família.
"Cinquième set", no original, conta a história de Thomas (Alex Lutz), um experiente jogador de tênis que viu sua vida parar após passar de "grande promessa do esporte" à "grande decepção" assim que perdeu uma semi-final (quase ganha) em Roland Garros quando ainda era jovem - a final, inclusive, seria disputada contra o brasileiro Gustavo Kuerten em 2001. Acompanhado de várias lesões no joelho e uma enorme pressão, Thomas viu seu ritmo cair e a confiança praticamente desaparecer - e aqui incluo a relação conflituosa com sua mãe Judith Edison (Kristin Scott Thomas) e com sua mulher, a também ex-tenista, Eve (Ana Girardot). Agora, aos 37 anos, e já em final de carreira, ele precisa se reinventar para buscar algumas vitórias em seu último Roland Garros e ainda provar sua capacidade como atleta de elite. Confira o trailer (com legendas em inglês):
Embora o filme nos passe a clara sensação que existe mais assuntos do que tempo de tela para desenvolver todos eles, o diretor Quentin Reynaud (de "Paris-Willouby"), que também assina o roteiro, nos entrega um filme bastante competente visualmente e com uma narrativa extremamente fluída que, pouco a pouco, vai explorando o íntimo do protagonista e sua luta em busca de uma redenção final - no esporte e na vida. É muito interessante como sua vida e seu comportamento vão se transformando conforme ele avança nas qualificatórias de Roland Garros até estrear na competição principal já com os holofotes em si (e isso não é spoiler, pode ficar tranquilo). Alguns elementos dramáticos fortalecem sua jornada e acabam expondo suas fragilidades - a relação com a esposa, com a mãe, a forma de agir em quadra, com a imprensa e até com seu treinador, dizem muito sobre a personalidade de Thomas, mas principalmente em como ele lidou silenciosamente com todas as influências de anos de renúncia para se tornar atleta profissional e "falhar".
É preciso dizer que o belo conceito cinematográfico que Reynaud escolheu, junto com seu fotógrafo Vincent Mathias, para mostrar o embate nas quadras é completamente abandonado no terceiro ato para dar lugar a uma verdadeira transmissão de um jogo de tênis pela TV. Reynaud, inexplicavelmente, nos tira de dentro da quadra e nos coloca no sofá, passivamente - para quem é familiarizado com o esporte, certamente vai se divertir, mas quem não sabe nada sobre algumas regras e sobre a pontuação dos games e sets, por exemplo, vai boiar!
Com ótimas referências para quem gosta e conhece o esporte, "O Quinto Set" surpreende pela qualidade da produção, pelo trabalho do diretor e por atuações realistas e sinceras, seguindo perfeitamente o conceito dramático da jornada do herói de "Creed 2"ou "Gambito da Rainha". Ao mostrar uma carreira em declínio e tudo que podemos superar quando somos derrotados, o filme tem sim aquele mood motivacional que prova que é possível lutar pelos nossos sonhos, mas que sacrifícios devem ser feitos nesse processo e blá, blá, blá.
Antes de finalizar - mérito pelo final corajoso e inteligente que o diretor escolheu e que tirou a narrativa do "óbvio"!
Vale muito a pena!
"O som do silêncio" é um filme difícil, daqueles que doem na alma! Ele, basicamente, fala sobre a necessidade de aceitar as mudanças que a vida nos apresenta e da importância de entender que olhar para frente é a melhor escolha, mesmo sabendo que o que ficou para trás foi importante (mas passou)!
A história acompanha Ruben Stone (Riz Ahmed) um o baterista de uma banda de heavy metal que está em turnê pelos Estados Unidos. Ele namora com a vocalista, Lou (Olivia Cooke) há quatro anos, mesmo período em que ele está longe das drogas e ela, longe da automutilação. Eles parecem viver em um relacionamento verdadeiro, felizes dentro daquele universo que escolheram - tudo, de fato, está dando certo na vida do casal até que Ruben passa a sofrer com uma perda brusca de audição. Incapaz de ouvir como antes, de se expor ao barulho de sua profissão e sem dinheiro para um procedimento médico que talvez pudesse recuperá-lo, ele é obrigado a buscar ajuda em um centro de apoio para surdos, sozinho! Confira o trailer:
"O som do silêncio" é um filme cadenciado, o que pode gerar alguma resistência, principalmente durante o segundo ato. Ao mesmo tempo ele muito bem dirigido pelo estreante Darius Marder e com a ajuda de um desenho de som simplesmente magnifico, "O som do silêncio" é um mergulho nos medos mais profundos de um ser humano através da ausência do som! Com uma interpretação digna de prêmios de Riz Ahmed ("The Night Of"), "Sound of Metal" (título original) é uma agradável surpresa no catálogo da Prime Vídeo e chega com chancela do talentoso Derek Cianfrance ("Namorados para Sempre") que divide o roteiro com Abraham Marder (irmão do diretor).
Como já conhecemos o trabalho de Cianfrance, esse filme não foge a regra: é uma história composta por várias camadas, que usa do silêncio (literalmente) para nos criar sensações que vão da angústia ao sofrimento sem pedir muita licença e tudo pelos olhos de um grande ator e de uma atriz, Olivia Cooke, que mesmo sem muito tempo de tela, é capaz de nos tocar a cada cena! Temos um lindo e profundo filme para quem gosta de uma narrativa mais intimista e reflexiva! Vale muito seu play!
"O som do silêncio" é um filme difícil, daqueles que doem na alma! Ele, basicamente, fala sobre a necessidade de aceitar as mudanças que a vida nos apresenta e da importância de entender que olhar para frente é a melhor escolha, mesmo sabendo que o que ficou para trás foi importante (mas passou)!
A história acompanha Ruben Stone (Riz Ahmed) um o baterista de uma banda de heavy metal que está em turnê pelos Estados Unidos. Ele namora com a vocalista, Lou (Olivia Cooke) há quatro anos, mesmo período em que ele está longe das drogas e ela, longe da automutilação. Eles parecem viver em um relacionamento verdadeiro, felizes dentro daquele universo que escolheram - tudo, de fato, está dando certo na vida do casal até que Ruben passa a sofrer com uma perda brusca de audição. Incapaz de ouvir como antes, de se expor ao barulho de sua profissão e sem dinheiro para um procedimento médico que talvez pudesse recuperá-lo, ele é obrigado a buscar ajuda em um centro de apoio para surdos, sozinho! Confira o trailer:
"O som do silêncio" é um filme cadenciado, o que pode gerar alguma resistência, principalmente durante o segundo ato. Ao mesmo tempo ele muito bem dirigido pelo estreante Darius Marder e com a ajuda de um desenho de som simplesmente magnifico, "O som do silêncio" é um mergulho nos medos mais profundos de um ser humano através da ausência do som! Com uma interpretação digna de prêmios de Riz Ahmed ("The Night Of"), "Sound of Metal" (título original) é uma agradável surpresa no catálogo da Prime Vídeo e chega com chancela do talentoso Derek Cianfrance ("Namorados para Sempre") que divide o roteiro com Abraham Marder (irmão do diretor).
Como já conhecemos o trabalho de Cianfrance, esse filme não foge a regra: é uma história composta por várias camadas, que usa do silêncio (literalmente) para nos criar sensações que vão da angústia ao sofrimento sem pedir muita licença e tudo pelos olhos de um grande ator e de uma atriz, Olivia Cooke, que mesmo sem muito tempo de tela, é capaz de nos tocar a cada cena! Temos um lindo e profundo filme para quem gosta de uma narrativa mais intimista e reflexiva! Vale muito seu play!
"Oxigênio" segue o conceito narrativo de "Náufrago", filme lançado em 2000 com Tom Hanks. Mas calma, os ajustes entre gênero e modernidade, na minha opinião, funcionam muito melhor nessa ficção científica francesa da Netflix do diretor Alexandre Aja do que no filme do Robert Zemeckis . Veja, em pouco mais de 90 minutos acompanhamos uma única atriz, em um único cenário, atuando com uma voz sintetizada, ou seja, troque o ótimo trabalho de Tom Hanks pela igualmente competente Mélanie Laurent, uma ilha deserta por uma claustrofóbica câmara criogênica e o Wilson pela inteligência artificial, MILO (com um ótimo trabalho de voz de Mathieu Amalric) - e não acabou, adicione uma ambientação marcante cheia de mistério e incertezas, e a angústia da corrida contra o tempo na busca pela sobrevivência!
"Oxygène" (no original) conta a história de Elisabeth Hansen (Laurent), que acorda envolta de uma espécie de casulo em uma câmara criogênica. Ela retoma a consciência com dificuldade para lembrar o seu passado, sem entender como funciona a cápsula que se encontra trancada e ainda precisa correr contra o tempo para viver, afinal um monitor apresenta um limite de 35% de oxigênio disponível. A sensação de claustrofobia e o desespero a deixam confusa, sem saber o que é realidade e o que é uma memória falsa. No limite da sua sanidade, ela tenta entender o que está acontecendo, mas, principalmente, encontrar uma saída com vida. Confira o trailer:
Obviamente que dois elementos saltam aos olhos de cara: a capacidade de Mélanie Laurent carregar o filme praticamente sozinha sem contracenar com ninguém (nem com uma bola) e o roteiro inteligente e dinâmico da estreante Christie LeBlanc. É impressionante como não sentimos o tempo passar e como todos os melhores recursos de suspense e mistério funcionam em torno da história, conforme Elisabeth vai descobrindo cada novo dispositivo na câmara e como as pistas sobre como ela foi parar ali vão sendo apresentadas - aqui cabem duas ótimas referências: "Calls" e "A Chegada".
O trabalho do diretor Alexandre Aja merece elogios, afinal, mesmo preso em suas próprias limitações cênicas, ele consegue desenvolver uma movimentação de câmera bastante criativa, flutuando pelo espaço reduzido e criando momentos de alívios narrativos - que acaba trazendo uma sensação de "respiro", mas que imediatamente é diluída com a tensão limitadora da falta de oxigênio - aí ele usa e abusa das lentes mais fechadas, focando no rosto da protagonista para demonstrar suas reações perante essa situação. Reparem como a câmera, de fato, está ali para contar a história apoiada apenas em sensações que o diretor quer nos provocar! A fotografia, a base de leds e cirurgicamente azulada, do diretor Maxime Alexandre lembra muito o genial trabalho do Dion Beebe e do Paul Cameron em "Colateral".
“Oxigênio” transita entre o surpreendente e o óbvio, mas é inegável como tantos "pontos de virada" entregam um excelente ritmo ao filme. Veja, ele pode até começar com pegada claramente minimalista, mas não necessariamente terminará assim - na forma e no conteúdo. Minha única crítica diz respeito a última cena: completamente dispensável, mas aqui é uma opinião muito pessoal - sem impacto algum na ótima experiência que é assistir “Oxigênio”.
Embora seja uma ficção científica de qualidade, seus elementos de suspense psicológico só colaboram para que o roteiro e a performance da protagonista brilhem! Vale muito seu play por todos esses motivos e se você gostar do gênero!
"Oxigênio" segue o conceito narrativo de "Náufrago", filme lançado em 2000 com Tom Hanks. Mas calma, os ajustes entre gênero e modernidade, na minha opinião, funcionam muito melhor nessa ficção científica francesa da Netflix do diretor Alexandre Aja do que no filme do Robert Zemeckis . Veja, em pouco mais de 90 minutos acompanhamos uma única atriz, em um único cenário, atuando com uma voz sintetizada, ou seja, troque o ótimo trabalho de Tom Hanks pela igualmente competente Mélanie Laurent, uma ilha deserta por uma claustrofóbica câmara criogênica e o Wilson pela inteligência artificial, MILO (com um ótimo trabalho de voz de Mathieu Amalric) - e não acabou, adicione uma ambientação marcante cheia de mistério e incertezas, e a angústia da corrida contra o tempo na busca pela sobrevivência!
"Oxygène" (no original) conta a história de Elisabeth Hansen (Laurent), que acorda envolta de uma espécie de casulo em uma câmara criogênica. Ela retoma a consciência com dificuldade para lembrar o seu passado, sem entender como funciona a cápsula que se encontra trancada e ainda precisa correr contra o tempo para viver, afinal um monitor apresenta um limite de 35% de oxigênio disponível. A sensação de claustrofobia e o desespero a deixam confusa, sem saber o que é realidade e o que é uma memória falsa. No limite da sua sanidade, ela tenta entender o que está acontecendo, mas, principalmente, encontrar uma saída com vida. Confira o trailer:
Obviamente que dois elementos saltam aos olhos de cara: a capacidade de Mélanie Laurent carregar o filme praticamente sozinha sem contracenar com ninguém (nem com uma bola) e o roteiro inteligente e dinâmico da estreante Christie LeBlanc. É impressionante como não sentimos o tempo passar e como todos os melhores recursos de suspense e mistério funcionam em torno da história, conforme Elisabeth vai descobrindo cada novo dispositivo na câmara e como as pistas sobre como ela foi parar ali vão sendo apresentadas - aqui cabem duas ótimas referências: "Calls" e "A Chegada".
O trabalho do diretor Alexandre Aja merece elogios, afinal, mesmo preso em suas próprias limitações cênicas, ele consegue desenvolver uma movimentação de câmera bastante criativa, flutuando pelo espaço reduzido e criando momentos de alívios narrativos - que acaba trazendo uma sensação de "respiro", mas que imediatamente é diluída com a tensão limitadora da falta de oxigênio - aí ele usa e abusa das lentes mais fechadas, focando no rosto da protagonista para demonstrar suas reações perante essa situação. Reparem como a câmera, de fato, está ali para contar a história apoiada apenas em sensações que o diretor quer nos provocar! A fotografia, a base de leds e cirurgicamente azulada, do diretor Maxime Alexandre lembra muito o genial trabalho do Dion Beebe e do Paul Cameron em "Colateral".
“Oxigênio” transita entre o surpreendente e o óbvio, mas é inegável como tantos "pontos de virada" entregam um excelente ritmo ao filme. Veja, ele pode até começar com pegada claramente minimalista, mas não necessariamente terminará assim - na forma e no conteúdo. Minha única crítica diz respeito a última cena: completamente dispensável, mas aqui é uma opinião muito pessoal - sem impacto algum na ótima experiência que é assistir “Oxigênio”.
Embora seja uma ficção científica de qualidade, seus elementos de suspense psicológico só colaboram para que o roteiro e a performance da protagonista brilhem! Vale muito seu play por todos esses motivos e se você gostar do gênero!
"Padre Stu" não é sobre o que você está pensando ou baseado no marketing que foi construído em cima do filme. Não, "Padre Stu" é melhor, mais intenso, mais profundo e muito mais humano se nos permitirmos entender seu propósito. Aliás, o filme é justamente sobre encontrar um propósito depois de tantas rejeições - o prólogo expõe justamente essa condição e é a partir dele que toda narrativa é construída pelos olhos de quem busca uma chance de ser respeitado.
Baseado em uma história real, "Father Stu" (no original) acompanha a jornada de um boxeador que vira um padre. Quando uma lesão encerra sua carreira no boxe, Stuart Long (Mark Wahlberg) se muda para Los Angeles sonhando com uma nova carreira: se tornar ator. Enquanto trabalha no açougue de um supermercado, ele conhece Carmen (Teresa Ruiz), uma professora católica. Determinado a conquistá-la, o agnóstico de longa data começa a ir para igreja para impressioná-la. Mas sobreviver a um terrível acidente de motocicleta o deixa imaginando se ele poderia usar essa segunda chance para ajudar os outros a encontrar o caminho, levando à surpreendente percepção de que ele deveria ser um padre católico. Confira o trailer:
"Padre Stu" tem muitos elementos narrativos que nos remetem ao premiado "O Lutador" do Darren Aronofsky. O filme é muito bem dirigido pela estreante Rosalind Ross e tem na imersão através do íntimo do personagem um verdadeiro estudo sobre um homem marcado por uma única obsessão: provar que pode dar certo na vida, custe o que custar. Inegavelmente que Mark Wahlberg se aproveita da oportunidade para entregar um personagem extremamente visceral em todos os sentidos - sua performance é exemplar no que diz respeito ao range de atuação. Wahlberg transita entre extremos com muita naturalidade e usa do seu próprio corpo para simbolizar essa transformação de caráter - é chocante como ele se desconstrói. É só uma pena que uma inegável limitação técnica do roteiro lhe impeça um reconhecimento maior nas premiações - seria merecido.
Aliás é Ross que também assina o roteiro do seu primeiro longa-metragem. É um fato que ela escorrega na falta de experiência ao perder muito tempo pontuando as falhas e perdições do protagonista, para só depois explorar o seu interesse pela fé cristã - é como se o roteiro precisasse destacar o quão perdido Stu estava para assim valorizar seu processo de transformação. Não que isso seja um grande problema, mas em determinado momento temos a impressão que a história não evolui e quando ela de fato ganha força, o filme já está quase acabando e a emoção parece não ter tempo de aparecer. Eu não sei se essa escolha foi uma estratégia para o filme não parecer religioso demais, mas, sinceramente, em nenhum momento isso seria uma preocupação para quem assiste graças ao trabalho do próprio Wahlberg.
Inicialmente apresentado como "Luta Pela Fé: A História do Padre Stu", é preciso dizer que não se trata de um filme cristão em sua origem, embora tenha muitos elementos que justificariam essa classificação. Antes do play, saiba que mais do que a linda mensagem de superação e de transformação, a história por si só já se sustentaria sem a necessidade de se apegar tanto aos esteriótipos da religião (mesmo aproveitando o tema para discutir certos dogmas que em muitos momentos soam hipócritas) - eu diria até que "Padre Stu" tem uma trama mais espiritualista do que religiosa na sua essência, com aquele leve toque de lição de vida motivacional.
Agora, é um filme que vale sim por toda a jornada e que se apoia na qualidade da produção, na performance marcante de Wahlberg e na mensagem positiva do final para conquistar uma audiência bem especifica!
"Padre Stu" não é sobre o que você está pensando ou baseado no marketing que foi construído em cima do filme. Não, "Padre Stu" é melhor, mais intenso, mais profundo e muito mais humano se nos permitirmos entender seu propósito. Aliás, o filme é justamente sobre encontrar um propósito depois de tantas rejeições - o prólogo expõe justamente essa condição e é a partir dele que toda narrativa é construída pelos olhos de quem busca uma chance de ser respeitado.
Baseado em uma história real, "Father Stu" (no original) acompanha a jornada de um boxeador que vira um padre. Quando uma lesão encerra sua carreira no boxe, Stuart Long (Mark Wahlberg) se muda para Los Angeles sonhando com uma nova carreira: se tornar ator. Enquanto trabalha no açougue de um supermercado, ele conhece Carmen (Teresa Ruiz), uma professora católica. Determinado a conquistá-la, o agnóstico de longa data começa a ir para igreja para impressioná-la. Mas sobreviver a um terrível acidente de motocicleta o deixa imaginando se ele poderia usar essa segunda chance para ajudar os outros a encontrar o caminho, levando à surpreendente percepção de que ele deveria ser um padre católico. Confira o trailer:
"Padre Stu" tem muitos elementos narrativos que nos remetem ao premiado "O Lutador" do Darren Aronofsky. O filme é muito bem dirigido pela estreante Rosalind Ross e tem na imersão através do íntimo do personagem um verdadeiro estudo sobre um homem marcado por uma única obsessão: provar que pode dar certo na vida, custe o que custar. Inegavelmente que Mark Wahlberg se aproveita da oportunidade para entregar um personagem extremamente visceral em todos os sentidos - sua performance é exemplar no que diz respeito ao range de atuação. Wahlberg transita entre extremos com muita naturalidade e usa do seu próprio corpo para simbolizar essa transformação de caráter - é chocante como ele se desconstrói. É só uma pena que uma inegável limitação técnica do roteiro lhe impeça um reconhecimento maior nas premiações - seria merecido.
Aliás é Ross que também assina o roteiro do seu primeiro longa-metragem. É um fato que ela escorrega na falta de experiência ao perder muito tempo pontuando as falhas e perdições do protagonista, para só depois explorar o seu interesse pela fé cristã - é como se o roteiro precisasse destacar o quão perdido Stu estava para assim valorizar seu processo de transformação. Não que isso seja um grande problema, mas em determinado momento temos a impressão que a história não evolui e quando ela de fato ganha força, o filme já está quase acabando e a emoção parece não ter tempo de aparecer. Eu não sei se essa escolha foi uma estratégia para o filme não parecer religioso demais, mas, sinceramente, em nenhum momento isso seria uma preocupação para quem assiste graças ao trabalho do próprio Wahlberg.
Inicialmente apresentado como "Luta Pela Fé: A História do Padre Stu", é preciso dizer que não se trata de um filme cristão em sua origem, embora tenha muitos elementos que justificariam essa classificação. Antes do play, saiba que mais do que a linda mensagem de superação e de transformação, a história por si só já se sustentaria sem a necessidade de se apegar tanto aos esteriótipos da religião (mesmo aproveitando o tema para discutir certos dogmas que em muitos momentos soam hipócritas) - eu diria até que "Padre Stu" tem uma trama mais espiritualista do que religiosa na sua essência, com aquele leve toque de lição de vida motivacional.
Agora, é um filme que vale sim por toda a jornada e que se apoia na qualidade da produção, na performance marcante de Wahlberg e na mensagem positiva do final para conquistar uma audiência bem especifica!
"Pai, Filho, Pátria" (Father Soldier Son, título original) é um documentário que destrói seu coração - e é preciso dizer isso logo de cara, pois será necessário estar muito no clima para conseguir enfrentar a história da família Eisch até o final! O filme é uma produção do New York Times e foi um dos indicados como "Melhor Documentário" no Tribeca Film Festival de 2020 e vencedor na categoria "Melhor Edição" no mesmo evento. De fato, essa indicação só confirma o ótimo trabalho das jornalistas e diretoras Leslye Davis e Catrin Einhorn que acompanharam a jornada do sargento Brian Eisch para se reconectar com seus filhos depois de retornar da guerra do Afeganistão.
Propositalmente não vou colocar o trailer nessa primeira parte do review como de costume, pois a experiência de assistir "Pai, Filho, Pátria" sem saber muito sobre ele é visceral, quase devastadora, mas incrivelmente marcante - principalmente se você, como eu, já for pai. Eu admito que não tinha assistido cinco minutos do filme (fiz questão de pausar para ver o tempo) e já estava emocionado e, claro, muito angustiado pelo que poderia vir mais à frente. Posso adiantar que é um plot twist atrás do outro e muitos deles de difícil digestão. Olha, "Pai, Filho, Pátria" é cruel, mas vale muito a pena pela reflexão que ele nos provoca a fazer e pelo recorte de uma cultura que, mesmo conhecida, tem um impacto muito marcante dentro das famílias americanas!
Era pra ser apenas uma reportagem para o NYT sobre o drama de ser um jovem soldado, pai solteiro e obrigado a ficar longe dos filhos para lutar no Afeganistão, mas acabou se transformando em um documentário extremamente crítico sobre a real função das forças armadas, do patriotismo e da alternativa de ascensão social que o exército proporciona para muitos jovens. A equipe, então, passou a acompanhar Brian e seus dois filhos, Isaac, 12 anos, e Joey, com 7 anos,por dez anos. O que vemos a partir daí é uma série de situações que nos incomodam, seja pela ideologia, pelo modo de encarar a vida, pela maneira míope e antiquada de criar os filhos e também pelas surpresas que a vida teima em nos apresentar. Confira o trailer (em inglês):
Além do roteiro, tecnicamente o filme tem dois pontos altos: a direção foge um pouco da gramática documental - na verdade, ela se apoia muito mais na dinâmica de uma ficção quase poética, com enquadramentos belíssimos e uma sensibilidade muito grande para escolher o distanciamento exato de cada uma das discussões. A impressão que me deu é que as diretoras tinham sempre a lente certa para captar cada uma das emoções - como se já estivesse tudo programado. O outro ponto alto, claro, é a edição: a montadora Amy Foote foi brilhante ao encaixar as peças de 10 anos de material em apenas 1:40 de filme e mesmo assim contar uma história com uma lógica incrível, trazer tantas discussões e ainda por cima nos provocar tantas sensações.
"Pai, Filho, Pátria" é um documentário que não me surpreenderá se for indicado ao Oscar 2021 - tem potencial para isso, pelo tema e pela densidade que a história se transformou. Se prepare emocionalmente, dê o play e depois reflita sobre tudo o que acabou de assistir!
"Pai, Filho, Pátria" (Father Soldier Son, título original) é um documentário que destrói seu coração - e é preciso dizer isso logo de cara, pois será necessário estar muito no clima para conseguir enfrentar a história da família Eisch até o final! O filme é uma produção do New York Times e foi um dos indicados como "Melhor Documentário" no Tribeca Film Festival de 2020 e vencedor na categoria "Melhor Edição" no mesmo evento. De fato, essa indicação só confirma o ótimo trabalho das jornalistas e diretoras Leslye Davis e Catrin Einhorn que acompanharam a jornada do sargento Brian Eisch para se reconectar com seus filhos depois de retornar da guerra do Afeganistão.
Propositalmente não vou colocar o trailer nessa primeira parte do review como de costume, pois a experiência de assistir "Pai, Filho, Pátria" sem saber muito sobre ele é visceral, quase devastadora, mas incrivelmente marcante - principalmente se você, como eu, já for pai. Eu admito que não tinha assistido cinco minutos do filme (fiz questão de pausar para ver o tempo) e já estava emocionado e, claro, muito angustiado pelo que poderia vir mais à frente. Posso adiantar que é um plot twist atrás do outro e muitos deles de difícil digestão. Olha, "Pai, Filho, Pátria" é cruel, mas vale muito a pena pela reflexão que ele nos provoca a fazer e pelo recorte de uma cultura que, mesmo conhecida, tem um impacto muito marcante dentro das famílias americanas!
Era pra ser apenas uma reportagem para o NYT sobre o drama de ser um jovem soldado, pai solteiro e obrigado a ficar longe dos filhos para lutar no Afeganistão, mas acabou se transformando em um documentário extremamente crítico sobre a real função das forças armadas, do patriotismo e da alternativa de ascensão social que o exército proporciona para muitos jovens. A equipe, então, passou a acompanhar Brian e seus dois filhos, Isaac, 12 anos, e Joey, com 7 anos,por dez anos. O que vemos a partir daí é uma série de situações que nos incomodam, seja pela ideologia, pelo modo de encarar a vida, pela maneira míope e antiquada de criar os filhos e também pelas surpresas que a vida teima em nos apresentar. Confira o trailer (em inglês):
Além do roteiro, tecnicamente o filme tem dois pontos altos: a direção foge um pouco da gramática documental - na verdade, ela se apoia muito mais na dinâmica de uma ficção quase poética, com enquadramentos belíssimos e uma sensibilidade muito grande para escolher o distanciamento exato de cada uma das discussões. A impressão que me deu é que as diretoras tinham sempre a lente certa para captar cada uma das emoções - como se já estivesse tudo programado. O outro ponto alto, claro, é a edição: a montadora Amy Foote foi brilhante ao encaixar as peças de 10 anos de material em apenas 1:40 de filme e mesmo assim contar uma história com uma lógica incrível, trazer tantas discussões e ainda por cima nos provocar tantas sensações.
"Pai, Filho, Pátria" é um documentário que não me surpreenderá se for indicado ao Oscar 2021 - tem potencial para isso, pelo tema e pela densidade que a história se transformou. Se prepare emocionalmente, dê o play e depois reflita sobre tudo o que acabou de assistir!
"Passagem", de fato, não é um filme fácil! Sua narrativa, além de profunda e cheia de nuances emocionais, é cadenciada, reflexiva, provocativa até - algo como encontramos em "Nomadland", por exemplo. Dirigido pela talentosa Lila Neugebauer (de "Maid"), "Causeway" (no original) é um verdadeiro estudo sobre a solidão no sentido mais amplo da palavra - o roteiro se apoia na introspecção da dupla de protagonistas para discutir temas universais como os impactos dos traumas na vida das pessoas, como a resiliência pode ser a chave para uma segunda chance e, finalmente, como a amizade verdadeira pode mudar nossa perspectiva de mundo e nos dar um certo ar de esperança. Se a sinopse vai te apresentar a jornada de Lynsey como motivo para você dar o play, saiba que essa obra vai além, tecendo uma narrativa rica em detalhes que revelam a fragilidade e a força do ser humano sob vários pontos de vista.
A trama basicamente acompanha a história de Lynsey (Jennifer Lawrence) uma jovem militar que retorna para Nova Orleans e luta para se readaptar à vida civil após uma lesão traumática que sofreu no Afeganistão. Em meio à sua solidão e desespero, ela encontra em James (Brian Tyree Henry), um mecânico local, um inesperado refúgio e a chance de recomeçar. Confira o trailer (em inglês):
"Passagem" chama atenção pela profundidade de seu roteiro. Ao não se contentar em ser apenas mais uma história sobre os traumas de uma guerra, o filme acaba explorando de uma maneira muito sensível, as cicatrizes invisíveis que essa experiência deixa em seus soldados e como é árduo o processo de reconstrução da vida após um evento traumático. Sem passagens impactantes visualmente ou flashbacks que poderiam facilitar o caminho e dar uma ideia palpável do que é o horror de uma guerra, Neugebauer assume uma proposta narrativa menos expositiva nos convidando a refletir sobre a importância da conexão humana, do amor e da amizade como ferramenta de cura e redenção pela perspectiva da própria protagonista. Obviamente que essa escolha cobra o seu preço, sacrificando a dinâmica do primeiro ato e deixando para depois (e para quem tem um pouco mais de paciência) todas as conexões que vão se construindo entre Lynsey e James.
A direção de Neugebauer, nesse sentido, é impecável, pois ela arquiteta com muita inteligência todo um ambiente intimista e sensorial que nos joga na história sem pedir muita licença, ou seja, nada fica muito simples conforme vamos conhecendo os fantasmas do passado de cada um deles. Aliás, aqui a fotografia assinada por Diego García (de "Tokyo Vice"), ganha outro status como elemento narrativo - é impressionante como ele captura uma certa beleza da solidão e da melancolia colocando uma Nova Orleans cheia de contrastes como cenário sem perder o foco mais existencial dos personagens. A trilha sonora, composta por Alex Somers, é outro elemento fundamental para a construção dessa atmosfera, potencializando as emoções e intensificando o impacto das cenas quase sempre pontuando o silêncio e dando insumos para o incrível trabalho do elenco principal. Lawrence entrega uma performance visceral, transmitindo com maestria a dor e a angústia de Lynsey, enquanto Brian Tyree Henry exala carisma e magnetismo, mesmo quando destroçado emocionalmente. A química entre os dois atores é incrível e talvez o grande trunfo para a indicação de Tyree Henry ao Oscar de 2023.
Muito premiado em festivais por todo o globo, "Passagem" vai sim te tocar profundamente - mas te adianto que será preciso embarcar na proposta da diretora e no olhar menos usual de sua narrativa lenta para se conectar com a história. Saiba que mais do que um mero entretenimento, essa produção da A24 se apresenta como uma experiência de certa forma transformadora e que ficará marcada na sua memória, se não por uma trama impactante, pela atmosfera realista que Neugebauer foi capaz de imprimir ao preferir uma abordagem mais intimista, contemplativa e sensível de uma dor que teima em ser avassaladora: a dor da solidão, mesmo que acompanhada.
Vale seu play!
"Passagem", de fato, não é um filme fácil! Sua narrativa, além de profunda e cheia de nuances emocionais, é cadenciada, reflexiva, provocativa até - algo como encontramos em "Nomadland", por exemplo. Dirigido pela talentosa Lila Neugebauer (de "Maid"), "Causeway" (no original) é um verdadeiro estudo sobre a solidão no sentido mais amplo da palavra - o roteiro se apoia na introspecção da dupla de protagonistas para discutir temas universais como os impactos dos traumas na vida das pessoas, como a resiliência pode ser a chave para uma segunda chance e, finalmente, como a amizade verdadeira pode mudar nossa perspectiva de mundo e nos dar um certo ar de esperança. Se a sinopse vai te apresentar a jornada de Lynsey como motivo para você dar o play, saiba que essa obra vai além, tecendo uma narrativa rica em detalhes que revelam a fragilidade e a força do ser humano sob vários pontos de vista.
A trama basicamente acompanha a história de Lynsey (Jennifer Lawrence) uma jovem militar que retorna para Nova Orleans e luta para se readaptar à vida civil após uma lesão traumática que sofreu no Afeganistão. Em meio à sua solidão e desespero, ela encontra em James (Brian Tyree Henry), um mecânico local, um inesperado refúgio e a chance de recomeçar. Confira o trailer (em inglês):
"Passagem" chama atenção pela profundidade de seu roteiro. Ao não se contentar em ser apenas mais uma história sobre os traumas de uma guerra, o filme acaba explorando de uma maneira muito sensível, as cicatrizes invisíveis que essa experiência deixa em seus soldados e como é árduo o processo de reconstrução da vida após um evento traumático. Sem passagens impactantes visualmente ou flashbacks que poderiam facilitar o caminho e dar uma ideia palpável do que é o horror de uma guerra, Neugebauer assume uma proposta narrativa menos expositiva nos convidando a refletir sobre a importância da conexão humana, do amor e da amizade como ferramenta de cura e redenção pela perspectiva da própria protagonista. Obviamente que essa escolha cobra o seu preço, sacrificando a dinâmica do primeiro ato e deixando para depois (e para quem tem um pouco mais de paciência) todas as conexões que vão se construindo entre Lynsey e James.
A direção de Neugebauer, nesse sentido, é impecável, pois ela arquiteta com muita inteligência todo um ambiente intimista e sensorial que nos joga na história sem pedir muita licença, ou seja, nada fica muito simples conforme vamos conhecendo os fantasmas do passado de cada um deles. Aliás, aqui a fotografia assinada por Diego García (de "Tokyo Vice"), ganha outro status como elemento narrativo - é impressionante como ele captura uma certa beleza da solidão e da melancolia colocando uma Nova Orleans cheia de contrastes como cenário sem perder o foco mais existencial dos personagens. A trilha sonora, composta por Alex Somers, é outro elemento fundamental para a construção dessa atmosfera, potencializando as emoções e intensificando o impacto das cenas quase sempre pontuando o silêncio e dando insumos para o incrível trabalho do elenco principal. Lawrence entrega uma performance visceral, transmitindo com maestria a dor e a angústia de Lynsey, enquanto Brian Tyree Henry exala carisma e magnetismo, mesmo quando destroçado emocionalmente. A química entre os dois atores é incrível e talvez o grande trunfo para a indicação de Tyree Henry ao Oscar de 2023.
Muito premiado em festivais por todo o globo, "Passagem" vai sim te tocar profundamente - mas te adianto que será preciso embarcar na proposta da diretora e no olhar menos usual de sua narrativa lenta para se conectar com a história. Saiba que mais do que um mero entretenimento, essa produção da A24 se apresenta como uma experiência de certa forma transformadora e que ficará marcada na sua memória, se não por uma trama impactante, pela atmosfera realista que Neugebauer foi capaz de imprimir ao preferir uma abordagem mais intimista, contemplativa e sensível de uma dor que teima em ser avassaladora: a dor da solidão, mesmo que acompanhada.
Vale seu play!
Com todos os clichês românticos possíveis e uma narrativa que muitas vezes beira o dramalhão meloso, posso te garantir: você vai se surpreender e se apaixonar por "Recomeço"! Lançada em 2022 pela Netflix, a minissérie é um drama dos mais encantadores e emocionantes - criada por Tembi Locke e inspirada em suas próprias memórias, retratadas no livro "From Scratch: A Memoir of Love, Sicily, and Finding Home". Olha, não se engane, a minissérie não é uma jornada tão tranquila assim, embora o primeiro episódio deixe a falsa impressão que "tivesse algumas piadinhas", facilmente poderia ser uma comédia romântica, "Recomeço" sabe da sua força dramática ao explorar as nuances entre o poder do amor, a dor da perda e o processo de reconstrução após uma tragédia - sempre pela perspectiva, muitas vezes crítica, da família.
Basicamente a trama gira em torno de Amy Wheeler (Zoe Saldaña), uma americana que se muda para a Itália para estudar arte e que, durante sua estadia em Florença, se apaixona por Lino (Eugenio Mastrandrea), um adorável chef siciliano. À medida que o romance engata, a história passa explorar as dinâmicas culturais entre as famílias de Amy e Lino, e os desafios que o casal enfrenta em sua relação intercultural. No entanto, o drama aumenta quando Lino é diagnosticado com uma doença terminal, forçando o casal a enfrentar a dor e as dificuldades de uma perda iminente. Confira o trailer, mas separe o lencinho:
"Recomeço" é profundamente pessoal e intimista, e por mais que possa parecer "mais do mesmo" ao fazer um recorte mais romântico, e depois dramático, das experiências reais de Locke e de sua luta quando descobre a doença de seu marido, existe uma certa sensação de magia na sua narrativa. A forma como ela retrata a reconstrução de sua vida confere à narrativa uma autenticidade emocional que é palpável e incrivelmente empática - é impossível não se conectar com a protagonista. "Recomeço" é um drama que toca em temas universais, claro, mas faz de uma maneira honesta, pontuando as expectativas de Amy Wheeler em contrapartida à dura realidade de Lino.
Zoe Saldaña oferece uma performance poderosa e sensível. Ela captura a jornada emocional de uma mulher apaixonada e cheia de vida que é forçada a enfrentar uma perda devastadora. Saldaña equilibra momentos de alegria e esperança com cenas de profundo desespero, tornando a trajetória de Amy incrivelmente humana. Sua química com Eugenio Mastrandrea é autêntica e comovente - é impressionante como os dois juntos formam o coração emocional da minissérie. E aqui cabe um comentário importante: o roteiro exalta a gastronomia italiana como um alívio entre as cenas mais dramáticas e ainda que flerte com alguns estereótipos, consegue evidenciar questões culturais clássicas que separam um modo de vida europeu do americano.
A direção de Nzingha Stewart (de "Daisy Jones & The Six") e de Dennie Gordon (de "Bloodline") é visualmente impressionante - especialmente nas cenas que se passam na Itália. As paisagens da Toscana e da Sicília são capturadas de maneira belíssima, servindo como pano de fundo para a jornada do casal. A fotografia aproveita ao máximo os contrastes entre o calor da cultura italiana e o peso do drama familiar em Los Angeles, criando um gatilho que reflete as tensões emocionais e culturais presentes na história. Outro elemento que merece destaque é a trilha sonora: com músicas que vão de baladas emocionantes a sons italianos mais tradicionais, eu diria que esse é o ponto que dá o tom da minissérie - a música não apenas reforça a emoção das cenas, mas também ajuda a criar uma atmosfera que destaca o encontro de culturas tão diferentes.
Com atuações comoventes e uma narrativa rica em sentimentos e sensações, "From Scratch" (no original) é uma das boas surpresas escondidas no streaming. Uma história de amor que não esquece dos reflexos sobre a família. Uma história de resiliência que não esquece de como essa jornada pode ser dolorosa. Uma história de vida que não esquece de como a conexão entre diferentes pessoas e culturas exige tanto de nós. Tudo contado com uma autenticidade que traz as experiências pessoais da autora ao mesmo tempo que oferece uma visão honesta e sincera sobre como as memórias podem servir como um ponto de inflexão da vida e com aqueles que amamos.
Imperdível!
Com todos os clichês românticos possíveis e uma narrativa que muitas vezes beira o dramalhão meloso, posso te garantir: você vai se surpreender e se apaixonar por "Recomeço"! Lançada em 2022 pela Netflix, a minissérie é um drama dos mais encantadores e emocionantes - criada por Tembi Locke e inspirada em suas próprias memórias, retratadas no livro "From Scratch: A Memoir of Love, Sicily, and Finding Home". Olha, não se engane, a minissérie não é uma jornada tão tranquila assim, embora o primeiro episódio deixe a falsa impressão que "tivesse algumas piadinhas", facilmente poderia ser uma comédia romântica, "Recomeço" sabe da sua força dramática ao explorar as nuances entre o poder do amor, a dor da perda e o processo de reconstrução após uma tragédia - sempre pela perspectiva, muitas vezes crítica, da família.
Basicamente a trama gira em torno de Amy Wheeler (Zoe Saldaña), uma americana que se muda para a Itália para estudar arte e que, durante sua estadia em Florença, se apaixona por Lino (Eugenio Mastrandrea), um adorável chef siciliano. À medida que o romance engata, a história passa explorar as dinâmicas culturais entre as famílias de Amy e Lino, e os desafios que o casal enfrenta em sua relação intercultural. No entanto, o drama aumenta quando Lino é diagnosticado com uma doença terminal, forçando o casal a enfrentar a dor e as dificuldades de uma perda iminente. Confira o trailer, mas separe o lencinho:
"Recomeço" é profundamente pessoal e intimista, e por mais que possa parecer "mais do mesmo" ao fazer um recorte mais romântico, e depois dramático, das experiências reais de Locke e de sua luta quando descobre a doença de seu marido, existe uma certa sensação de magia na sua narrativa. A forma como ela retrata a reconstrução de sua vida confere à narrativa uma autenticidade emocional que é palpável e incrivelmente empática - é impossível não se conectar com a protagonista. "Recomeço" é um drama que toca em temas universais, claro, mas faz de uma maneira honesta, pontuando as expectativas de Amy Wheeler em contrapartida à dura realidade de Lino.
Zoe Saldaña oferece uma performance poderosa e sensível. Ela captura a jornada emocional de uma mulher apaixonada e cheia de vida que é forçada a enfrentar uma perda devastadora. Saldaña equilibra momentos de alegria e esperança com cenas de profundo desespero, tornando a trajetória de Amy incrivelmente humana. Sua química com Eugenio Mastrandrea é autêntica e comovente - é impressionante como os dois juntos formam o coração emocional da minissérie. E aqui cabe um comentário importante: o roteiro exalta a gastronomia italiana como um alívio entre as cenas mais dramáticas e ainda que flerte com alguns estereótipos, consegue evidenciar questões culturais clássicas que separam um modo de vida europeu do americano.
A direção de Nzingha Stewart (de "Daisy Jones & The Six") e de Dennie Gordon (de "Bloodline") é visualmente impressionante - especialmente nas cenas que se passam na Itália. As paisagens da Toscana e da Sicília são capturadas de maneira belíssima, servindo como pano de fundo para a jornada do casal. A fotografia aproveita ao máximo os contrastes entre o calor da cultura italiana e o peso do drama familiar em Los Angeles, criando um gatilho que reflete as tensões emocionais e culturais presentes na história. Outro elemento que merece destaque é a trilha sonora: com músicas que vão de baladas emocionantes a sons italianos mais tradicionais, eu diria que esse é o ponto que dá o tom da minissérie - a música não apenas reforça a emoção das cenas, mas também ajuda a criar uma atmosfera que destaca o encontro de culturas tão diferentes.
Com atuações comoventes e uma narrativa rica em sentimentos e sensações, "From Scratch" (no original) é uma das boas surpresas escondidas no streaming. Uma história de amor que não esquece dos reflexos sobre a família. Uma história de resiliência que não esquece de como essa jornada pode ser dolorosa. Uma história de vida que não esquece de como a conexão entre diferentes pessoas e culturas exige tanto de nós. Tudo contado com uma autenticidade que traz as experiências pessoais da autora ao mesmo tempo que oferece uma visão honesta e sincera sobre como as memórias podem servir como um ponto de inflexão da vida e com aqueles que amamos.
Imperdível!
Essa é mais uma história do esporte que merecia ser contada e diferente do que estamos acostumados, aqui o foco é o remo! Mas não desanime, já que esse esporte pode até parecer pouco convencional para nós brasileiros, mas aqui é a jornada que importa. Dirigido pelo astro George Clooney e baseado na história real da equipe de remo da Universidade de Washington, o filme nos convida a mergulhar na década de 1930, época marcada pela Grande Depressão e pela ascensão do nazismo - embora o contexto sócio-politico, de fato, não seja o foco. Eu quero dizer é que em "Remando para o Ouro" o que realmente interessa é o drama esportivo pela perspectiva de seus atletas, da perseverança, da superação e de certa forma, do poder transformador do trabalho em equipe.
"The Boys in the Boat" (no original) basicamente retrata a história real de um grupo de jovens azarões que acabam sob os holofotes do esporte ao enfrentarem de igual para igual rivais da elite americana do remo até alcançarem o grande objetivo de disputar os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936. Confira o trailer (em inglês):
Se você procura originalidade pode ser que você não se conecte com "Remando para o Ouro", já que sua narrativa é extremamente linear e muito previsível. Por outro lado, o que nos encanta nesse projeto liderado por Clooney é justamente a simplicidade com que ele conta essa história - claramente esse é um daqueles filmes despretensiosos e gostosos de assistir. Para alinhar as expectavas, não espere mais do que um agradável e curioso entretenimento. Embora o roteiro do Daniel James Brown (autor do livro que deu origem ao filme) e do Mark L. Smith (de "O Regresso") não se limite a ser um mero conto de fadas sobre uma equipe de remo, eu diria que é na fórmula "importância da resiliência", "trabalho em equipe" e "busca pelos nossos sonhos" que a narrativa se apoia. Agora é preciso ressaltar: todo o contexto que a equipe de remo da Universidade de Washington estava inserida faz dessa jornada algo muito especial!
A direção de Clooney é precisa e envolvente, mas conservadora. Ele conduz a narrativa com ritmo impecável, alternando com maestria momentos de ação e tensão com cenas de profunda introspecção e emoção. A fotografia do Martin Ruhe (de "O Céu da Meia-Noite") captura com maestria a beleza das paisagens e a grandiosidade das competições de remo nos EUA e depois em Berlin - as cenas das regatas, acreditem, são excelentes! Obviamente que a trilha sonora, em um filme esportivo, é um elemento essencial para a construção das camadas emocionais da história e aqui o trabalho de Alexandre Desplat (vencedor de dois Oscars por "A Forma da Água" e "O Grande Hotel Budapeste") é simplesmente sensacional!
Embora o filme peque na construção de personagens complexos e multidimensionais, Callum Turner, ainda assim, entrega uma performance honesta. O ponto é que "Remando para o Ouro" vem com esse mood inspirador, emocionante e visualmente deslumbrante - um filme feito para te tocar com uma história improvável de jovens remadores que, contra todas as probabilidades, alcançaram a glória e provaram (e aqui me desculpe o tom auto-ajuda) que mais importante que o "destino" é o "caminho"!
Vale seu play!
Essa é mais uma história do esporte que merecia ser contada e diferente do que estamos acostumados, aqui o foco é o remo! Mas não desanime, já que esse esporte pode até parecer pouco convencional para nós brasileiros, mas aqui é a jornada que importa. Dirigido pelo astro George Clooney e baseado na história real da equipe de remo da Universidade de Washington, o filme nos convida a mergulhar na década de 1930, época marcada pela Grande Depressão e pela ascensão do nazismo - embora o contexto sócio-politico, de fato, não seja o foco. Eu quero dizer é que em "Remando para o Ouro" o que realmente interessa é o drama esportivo pela perspectiva de seus atletas, da perseverança, da superação e de certa forma, do poder transformador do trabalho em equipe.
"The Boys in the Boat" (no original) basicamente retrata a história real de um grupo de jovens azarões que acabam sob os holofotes do esporte ao enfrentarem de igual para igual rivais da elite americana do remo até alcançarem o grande objetivo de disputar os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936. Confira o trailer (em inglês):
Se você procura originalidade pode ser que você não se conecte com "Remando para o Ouro", já que sua narrativa é extremamente linear e muito previsível. Por outro lado, o que nos encanta nesse projeto liderado por Clooney é justamente a simplicidade com que ele conta essa história - claramente esse é um daqueles filmes despretensiosos e gostosos de assistir. Para alinhar as expectavas, não espere mais do que um agradável e curioso entretenimento. Embora o roteiro do Daniel James Brown (autor do livro que deu origem ao filme) e do Mark L. Smith (de "O Regresso") não se limite a ser um mero conto de fadas sobre uma equipe de remo, eu diria que é na fórmula "importância da resiliência", "trabalho em equipe" e "busca pelos nossos sonhos" que a narrativa se apoia. Agora é preciso ressaltar: todo o contexto que a equipe de remo da Universidade de Washington estava inserida faz dessa jornada algo muito especial!
A direção de Clooney é precisa e envolvente, mas conservadora. Ele conduz a narrativa com ritmo impecável, alternando com maestria momentos de ação e tensão com cenas de profunda introspecção e emoção. A fotografia do Martin Ruhe (de "O Céu da Meia-Noite") captura com maestria a beleza das paisagens e a grandiosidade das competições de remo nos EUA e depois em Berlin - as cenas das regatas, acreditem, são excelentes! Obviamente que a trilha sonora, em um filme esportivo, é um elemento essencial para a construção das camadas emocionais da história e aqui o trabalho de Alexandre Desplat (vencedor de dois Oscars por "A Forma da Água" e "O Grande Hotel Budapeste") é simplesmente sensacional!
Embora o filme peque na construção de personagens complexos e multidimensionais, Callum Turner, ainda assim, entrega uma performance honesta. O ponto é que "Remando para o Ouro" vem com esse mood inspirador, emocionante e visualmente deslumbrante - um filme feito para te tocar com uma história improvável de jovens remadores que, contra todas as probabilidades, alcançaram a glória e provaram (e aqui me desculpe o tom auto-ajuda) que mais importante que o "destino" é o "caminho"!
Vale seu play!
É muito provável que se você está lendo esse review, você também conheça o astro do basquete norte-americano e MVP da NBA em 2021, Giannis Antetokounmpo. O que provavelmente você ainda não conheça é sua incrível história de vida e o que levou um jovem grego de descendência africana até o topo do esporte ao fazer do modesto Milwaukee Bucks, campeão depois de meio século da sua última conquista e, pasmem, marcando 50 pontos no jogo final - onde apenas 7 jogadores na história conseguiram esse feito.
"Rise" não mostra o sucesso de Giannis mais sim a jornada da família Antetokounmpo após Veronika (Yetide Badaki) e Charles (Dayo Okeniyi) chegarem na Grécia, vindos na Nigéria, onde lutaram para sobreviver e sustentar seus cinco filhos, enquanto viviam sob a ameaça diária de deportação. Com seu filho mais velho ainda na Nigéria com parentes, o casal estava desesperado para obter cidadania grega mas se via minado por um sistema que bloqueava, a cada tentativa, todas as possibilidades de se legalizarem. Quando não estavam estudando ou vendendo artigos para turistas nas ruas com o resto da família, os irmãos Thanasis (Ral Agada) e Giannis (Uche Agada) iam escondidos jogar basquete com um time juvenil local. Ingressando tarde no esporte, eles descobriram suas grandes habilidades na quadra e se esforçaram muito para se tornarem atletas de altíssimo nível. Com a ajuda de um jovem agente, Haris (Efthimis Chalkidis), Giannis se credenciou para o NBA Draft em 2013 em uma improvável perspectiva que mudaria não apenas sua vida, mas a vida de toda a sua família. Confira o trailer (dublado):
"Rise" é uma mistura de "Arremessando Alto" com "King Richard" e com um toque de "American Underdog" - ou seja, se você gostou de qualquer um desses títulos, você está no lugar certo! Embora o roteiro do Arash Amel (indicado ao Emmy em 2014 por "Grace of Monaco") não seja um primor e a direção do nigeriano Akin Omotoso (mais conhecido como o ator que interpretou o General Solomon em "Senhor das Armas") seja apenas mediana, "Rise" tem uma história sensacional e extremamente curiosa - eu diria até surpreendente visto que os três irmão de Giannis também conseguiram jogar no basquete americano.
Obviamente que pelo tamanho do seu protagonista, essa história merecia um diretor mais experiente e uma produção mais bem cuidada, mas em nada isso atrapalha nossa experiência como audiência. Você vai se revoltar, se emocionar e ainda torcer pelos personagens (mesmo sabendo o que a realidade já tratou de nos contar), mas também vai encontrar inúmeras frases de efeito (sempre com aquele tom motivacional barato) e algumas cenas super clichês (mesmo que bonitas visualmente), como a de Thanasis e Giannis treinando na chuva sob o olhar atento do seu pai Charles. Um ponto alto, sem dúvida, é a presença de Fela Kuti na trilha sonora, que, diga-se de passagem, é um dos elementos mais bem trabalhados no filme.
O fato é que "Rise", embora seja um filme para quem gosta de histórias marcantes e de superação sobre, hoje, astros do esporte; ainda traz um drama familiar muito interessante e real, além de uma jornada pela busca de pertencimento que toca em assuntos delicados e sensíveis como o racismo e a crise de imigração da Grécia no inicio dos anos 2000, mas que peca pela superficialidade como tratou o processo de ascensão de Giannis até chegar na NBA - talvez não fosse nem essa a proposta, eu entendo, mas é impossível não lembrar de como os títulos recentes que mencionei acima olharam para esse elemento dramático tão essencial e que acaba colocando o filme em outro patamar.
Vale pela história, pelo entretenimento e pela sensação de alegria e satisfação ao ver os créditos subindo com o resultado real de toda essa jornada!
É muito provável que se você está lendo esse review, você também conheça o astro do basquete norte-americano e MVP da NBA em 2021, Giannis Antetokounmpo. O que provavelmente você ainda não conheça é sua incrível história de vida e o que levou um jovem grego de descendência africana até o topo do esporte ao fazer do modesto Milwaukee Bucks, campeão depois de meio século da sua última conquista e, pasmem, marcando 50 pontos no jogo final - onde apenas 7 jogadores na história conseguiram esse feito.
"Rise" não mostra o sucesso de Giannis mais sim a jornada da família Antetokounmpo após Veronika (Yetide Badaki) e Charles (Dayo Okeniyi) chegarem na Grécia, vindos na Nigéria, onde lutaram para sobreviver e sustentar seus cinco filhos, enquanto viviam sob a ameaça diária de deportação. Com seu filho mais velho ainda na Nigéria com parentes, o casal estava desesperado para obter cidadania grega mas se via minado por um sistema que bloqueava, a cada tentativa, todas as possibilidades de se legalizarem. Quando não estavam estudando ou vendendo artigos para turistas nas ruas com o resto da família, os irmãos Thanasis (Ral Agada) e Giannis (Uche Agada) iam escondidos jogar basquete com um time juvenil local. Ingressando tarde no esporte, eles descobriram suas grandes habilidades na quadra e se esforçaram muito para se tornarem atletas de altíssimo nível. Com a ajuda de um jovem agente, Haris (Efthimis Chalkidis), Giannis se credenciou para o NBA Draft em 2013 em uma improvável perspectiva que mudaria não apenas sua vida, mas a vida de toda a sua família. Confira o trailer (dublado):
"Rise" é uma mistura de "Arremessando Alto" com "King Richard" e com um toque de "American Underdog" - ou seja, se você gostou de qualquer um desses títulos, você está no lugar certo! Embora o roteiro do Arash Amel (indicado ao Emmy em 2014 por "Grace of Monaco") não seja um primor e a direção do nigeriano Akin Omotoso (mais conhecido como o ator que interpretou o General Solomon em "Senhor das Armas") seja apenas mediana, "Rise" tem uma história sensacional e extremamente curiosa - eu diria até surpreendente visto que os três irmão de Giannis também conseguiram jogar no basquete americano.
Obviamente que pelo tamanho do seu protagonista, essa história merecia um diretor mais experiente e uma produção mais bem cuidada, mas em nada isso atrapalha nossa experiência como audiência. Você vai se revoltar, se emocionar e ainda torcer pelos personagens (mesmo sabendo o que a realidade já tratou de nos contar), mas também vai encontrar inúmeras frases de efeito (sempre com aquele tom motivacional barato) e algumas cenas super clichês (mesmo que bonitas visualmente), como a de Thanasis e Giannis treinando na chuva sob o olhar atento do seu pai Charles. Um ponto alto, sem dúvida, é a presença de Fela Kuti na trilha sonora, que, diga-se de passagem, é um dos elementos mais bem trabalhados no filme.
O fato é que "Rise", embora seja um filme para quem gosta de histórias marcantes e de superação sobre, hoje, astros do esporte; ainda traz um drama familiar muito interessante e real, além de uma jornada pela busca de pertencimento que toca em assuntos delicados e sensíveis como o racismo e a crise de imigração da Grécia no inicio dos anos 2000, mas que peca pela superficialidade como tratou o processo de ascensão de Giannis até chegar na NBA - talvez não fosse nem essa a proposta, eu entendo, mas é impossível não lembrar de como os títulos recentes que mencionei acima olharam para esse elemento dramático tão essencial e que acaba colocando o filme em outro patamar.
Vale pela história, pelo entretenimento e pela sensação de alegria e satisfação ao ver os créditos subindo com o resultado real de toda essa jornada!
"Safety" é muito bacana (muito "mesmo"!) - daqueles filmes emocionantes que nos fazem sorrir com o coração e com a alma! Safety para quem está pouco familiarizado com o Futebol Americano é uma posição importante da linha de defesa de um time e que em uma tradução livre significa "segurança". Muito mais do que contar a história de um atleta que joga nessa posição, o título do filme pretende explorar o real significado da palavra dentro do âmbito familiar e é isso que transforma essa produção original da Disney em um filme simplesmente imperdível!
Essa é a história real de Ray McElrathbey (Jay Reeves), um jovem jogador de futebol americano recém chegado em uma das Universidades mais tradicionais dos EUA quando o assunto é o programa de bolsas para o esporte. A oportunidade de jogar nos "Tigers" de Clemson é tão relevante quanto ganhar uma bolsa integral da Universidade, porém McElrathbey precisa enfrentar uma série de desafiadores obstáculos na vida e lutar contra muitas adversidades para manter essa condição de estudante e atleta, ao mesmo tempo que precisa cuidar de seu irmão de 11 anos de idade enquanto sua mãe passa por um tratamento para se livrar das drogas. Confira o trailer:
Veja, mesmo com inúmeras referências ao esporte, inclusive com diálogos bastante complicados até para os mais familiarizados, "Safety" não é um filme de futebol americano na sua essência - são pouquíssimas cenas de jogos ou de citações sobre a necessidade de vencer o título da temporada. Obviamente que a atmosfera esportiva e a importância dos Tigers para a comunidade são claramente perceptíveis durante o desenrolar do filme, mas eu diria que a relação direta com o esporte em si para por aí. É inegável que a audiência acostumada com o futebol americano vai se relacionar de uma maneira muito mais profunda com a trama, mas o roteiro de Nick Santora (da série “Prison Break”) cumpre muito bem o papel didático para fisgar um público mais abrangente.
"Safety" é um excelente exemplo de história que daria um filme impactante se o conceito narrativo se apoiasse no realismo brutal do drama familiar como em "Florida Project"ou "Palmer", mas assim não seria um filme "Disney". A escolha (ou imposição) do diretor Reginald Hudlin (“O Pai da Black Music”) por um tom mais brando prejudica a experiência? Não, muito pelo contrário, mas não dá para negar que a busca pela solução do problema acaba ganhando uma importância narrativa muito maior do que o problema em si.
Tecnicamente o filme é muito bem realizado - dos planos abertos do campo de futebol americano para nos posicionar perante a grandiosidade do esporte e de sua tradição para a universidade de Clemson aos cortes bem executados entre uma câmera subjetiva ou um movimento de travelling para nos colocar no campo de jogo. Tudo isso, porém, são apenas elementos visualmente impactantes para emoldurar as mensagens inspiradoras e emocionantes, além de ótimos momentos que servem como alívios cômicos (principalmente com o ótimo Thaddeus J. Mixson - o irmão mais novo de Ray, Fahmarr).
"Safety" é repleto de clichês, mas que funciona perfeitamente para nos emocionar, além de trazer aquela sensação de bem-estar tão característico das produções da Disney que em nenhum momento perdem o seu brilho ou a simpatia dos personagens.
Vale muito a pena!
"Safety" é muito bacana (muito "mesmo"!) - daqueles filmes emocionantes que nos fazem sorrir com o coração e com a alma! Safety para quem está pouco familiarizado com o Futebol Americano é uma posição importante da linha de defesa de um time e que em uma tradução livre significa "segurança". Muito mais do que contar a história de um atleta que joga nessa posição, o título do filme pretende explorar o real significado da palavra dentro do âmbito familiar e é isso que transforma essa produção original da Disney em um filme simplesmente imperdível!
Essa é a história real de Ray McElrathbey (Jay Reeves), um jovem jogador de futebol americano recém chegado em uma das Universidades mais tradicionais dos EUA quando o assunto é o programa de bolsas para o esporte. A oportunidade de jogar nos "Tigers" de Clemson é tão relevante quanto ganhar uma bolsa integral da Universidade, porém McElrathbey precisa enfrentar uma série de desafiadores obstáculos na vida e lutar contra muitas adversidades para manter essa condição de estudante e atleta, ao mesmo tempo que precisa cuidar de seu irmão de 11 anos de idade enquanto sua mãe passa por um tratamento para se livrar das drogas. Confira o trailer:
Veja, mesmo com inúmeras referências ao esporte, inclusive com diálogos bastante complicados até para os mais familiarizados, "Safety" não é um filme de futebol americano na sua essência - são pouquíssimas cenas de jogos ou de citações sobre a necessidade de vencer o título da temporada. Obviamente que a atmosfera esportiva e a importância dos Tigers para a comunidade são claramente perceptíveis durante o desenrolar do filme, mas eu diria que a relação direta com o esporte em si para por aí. É inegável que a audiência acostumada com o futebol americano vai se relacionar de uma maneira muito mais profunda com a trama, mas o roteiro de Nick Santora (da série “Prison Break”) cumpre muito bem o papel didático para fisgar um público mais abrangente.
"Safety" é um excelente exemplo de história que daria um filme impactante se o conceito narrativo se apoiasse no realismo brutal do drama familiar como em "Florida Project"ou "Palmer", mas assim não seria um filme "Disney". A escolha (ou imposição) do diretor Reginald Hudlin (“O Pai da Black Music”) por um tom mais brando prejudica a experiência? Não, muito pelo contrário, mas não dá para negar que a busca pela solução do problema acaba ganhando uma importância narrativa muito maior do que o problema em si.
Tecnicamente o filme é muito bem realizado - dos planos abertos do campo de futebol americano para nos posicionar perante a grandiosidade do esporte e de sua tradição para a universidade de Clemson aos cortes bem executados entre uma câmera subjetiva ou um movimento de travelling para nos colocar no campo de jogo. Tudo isso, porém, são apenas elementos visualmente impactantes para emoldurar as mensagens inspiradoras e emocionantes, além de ótimos momentos que servem como alívios cômicos (principalmente com o ótimo Thaddeus J. Mixson - o irmão mais novo de Ray, Fahmarr).
"Safety" é repleto de clichês, mas que funciona perfeitamente para nos emocionar, além de trazer aquela sensação de bem-estar tão característico das produções da Disney que em nenhum momento perdem o seu brilho ou a simpatia dos personagens.
Vale muito a pena!
Vamos filosofar um pouquinho! Sementes podres nunca irão cultivar bons frutos, correto? Mas como saber quais sementes são realmente ruins? A frase do célebre escritor Victor Hugo vai mais fundo nesta questão ao afirmar o seguinte: “Não há nem ervas daninhas, nem homens maus. Há sim, maus cultivadores.” Esta frase inicia esse ótimo filme francês “Sementes Podres”, assim como a introdução deste texto reflete a sua mensagem e tema.
Na trama, o trapaceiro Wael (Kheiron) vive de pequenos golpes com Monique (Catherine Deneuve), sua mãe adotiva. Sua vida se transforma no dia em que um amigo, Victor (André Dussollier), oferece a ele, por insistência de Monique, um pequeno trabalho voluntário como mentor de um grupo de estudantes com dificuldades. A partir desse entrecho, o filme irá promover muitos ensinamentos e reflexões. Confira o trailer (com legendas em inglês):
Aprendemos que crianças e jovens precisam de educação, cuidado e oportunidades para se tornarem bons cidadãos. E que mesmo aqueles, rotulados como rebeldes infratores (ou as sementes podres do título), podem ter os seus destinos mudados caso uma mão seja estendida para que eles possam ter um novo recomeço. Esta temática - riquíssima e sempre muito necessária - nos é apresentada de forma leve e descontraída. O roteiro apresenta um humor simples e até mesmo inocente, mas ao mesmo tempo muito objetivo e assertivo nas suas intenções.
A mensagem é transmitida de forma tão clara que até mesmo uma criança de pouca idade poderá compreendê-la. O filme tem um apelo autobiográfico muito forte, já que o protagonista da história, o ator iraniano Kheiron, também é o roteirista e o diretor. As suas vivências pessoais, como refugiado de origem islâmica na Europa, serviram de inspiração para compor o seu personagem, dando um brilho ainda maior para obra. E o brilho não para aí, Kheiron divide a cena com a diva francesa Catherine Deneuve, numa dobradinha perfeita!
Misturando comédia e drama de forma equilibrada, “Sementes Podres” diverte, emociona e passa a sua mensagem com maestria e simplicidade.
Vale muito a pena!
Escrito por Lucio Tannure - uma parceria @dicas_pra_maratonar
Vamos filosofar um pouquinho! Sementes podres nunca irão cultivar bons frutos, correto? Mas como saber quais sementes são realmente ruins? A frase do célebre escritor Victor Hugo vai mais fundo nesta questão ao afirmar o seguinte: “Não há nem ervas daninhas, nem homens maus. Há sim, maus cultivadores.” Esta frase inicia esse ótimo filme francês “Sementes Podres”, assim como a introdução deste texto reflete a sua mensagem e tema.
Na trama, o trapaceiro Wael (Kheiron) vive de pequenos golpes com Monique (Catherine Deneuve), sua mãe adotiva. Sua vida se transforma no dia em que um amigo, Victor (André Dussollier), oferece a ele, por insistência de Monique, um pequeno trabalho voluntário como mentor de um grupo de estudantes com dificuldades. A partir desse entrecho, o filme irá promover muitos ensinamentos e reflexões. Confira o trailer (com legendas em inglês):
Aprendemos que crianças e jovens precisam de educação, cuidado e oportunidades para se tornarem bons cidadãos. E que mesmo aqueles, rotulados como rebeldes infratores (ou as sementes podres do título), podem ter os seus destinos mudados caso uma mão seja estendida para que eles possam ter um novo recomeço. Esta temática - riquíssima e sempre muito necessária - nos é apresentada de forma leve e descontraída. O roteiro apresenta um humor simples e até mesmo inocente, mas ao mesmo tempo muito objetivo e assertivo nas suas intenções.
A mensagem é transmitida de forma tão clara que até mesmo uma criança de pouca idade poderá compreendê-la. O filme tem um apelo autobiográfico muito forte, já que o protagonista da história, o ator iraniano Kheiron, também é o roteirista e o diretor. As suas vivências pessoais, como refugiado de origem islâmica na Europa, serviram de inspiração para compor o seu personagem, dando um brilho ainda maior para obra. E o brilho não para aí, Kheiron divide a cena com a diva francesa Catherine Deneuve, numa dobradinha perfeita!
Misturando comédia e drama de forma equilibrada, “Sementes Podres” diverte, emociona e passa a sua mensagem com maestria e simplicidade.
Vale muito a pena!
Escrito por Lucio Tannure - uma parceria @dicas_pra_maratonar
O esporte é incrível em construir narrativas simplesmente sensacionais, mas quase sempre o contexto é tão importante quanto o arco principal e talvez por isso que nos impacte tanto e deixe tantas lições. "Sobre Milagres e Homens", documentário produzido pela ESPN, é mais um filme disposto a contar a façanha do time de hóquei no gelo dos Estados Unidos durante as Olimpíadas de Inverno de 1980, porém com um diferencial fundamental para colocar essa obra naquela prateleira de "Imperdível" - pela primeira vez, essa história é contada pelo ponto de vista de quem perdeu aquele jogo, ou seja, os jogadores da ex-URSS.
Numa sexta-feira à noite, em Lake Placid, Nova York, um grupo de universitários norte-americanos surpreendeu a quase imbatível equipe nacional soviética, na competição de hóquei nas Olimpíadas de 1980. Os americanos começaram a acreditar em milagres naquela noite, já que algumas semanas antes, em um amistoso, os soviéticos haviam humilhado os americanos com um sonoro 10 a 3. Quando os membros da equipe americana conquistaram a medalha de ouro, eles se tornaram um time histórico, mas outro lado nunca havia sido escutado... até aqui.
"Of Miracles and Men" (no original) é muito mais importante do que o simples recorte daquela façanha esportiva que acabou virando filme em 2004 pelas mãos do diretor Gavin O'Connor e com Kurt Russell no papel do lendário treinador Herb Brook. Em "Miracle" (por aqui "Desafio no Gelo") os EUA são os mocinhos e os soviéticos os bandidos, uma escolha narrativa muito diferente do que o diretor Jonathan Hock escolheu para seu documentário.
A produção da ESPN que venceu o "Sports Emmy Awards" em 2015 é cirúrgica em retratar um lado pouco romântico para os americanos, trazendo para o protagonismo os jogadores soviéticos que estiveram no rinque. Digo pouco romântico, pois estávamos no auge da Guerra Fria, em um ano que os americanos boicotaram as Olimpíadas de Moscou e que usavam do esporte como uma forma de orientar seus cidadãos na promoção de tensão politica onde não existiam "santos" - para se ter uma ideia, o time de hóquei soviético ficou em uma prisão que serviu de vila olímpica durante a competição.
Momentos marcantes para a história estão nesse documentário: a criação de uma cultura vencedora na URSS a partir da chegada do hóquei canadense foi o inicio de uma jornada interessante que teve Anatoly Tarasov como responsável pela formação de um dos maiores times de esporte coletivo já visto. O time de hóquei soviético se tornou uma espécie de Drean Team (sem exageros, como aquele do basquete que encantou em 92). Liderado por Slava Fetisov (o primeiro atleta russo a jogar na NHL em plena Guerra Fria), o quinteto soviético ficou 12 anos sem perder um único jogo olímpico, criou um estilo de jogo que privilegiava o grupo em detrimento do individual e ainda se sobressaia até quando enfrentava os "All Stars" da liga profissional.
Mas como tudo que é revolucionário também é romântico, e depois se torna fanático até se transformar em cínico, o modelo soviético de preparação para eventos esportivos deixou Tarasov em segundo plano para ascender Tikhonov que, como o regime politico do seu país, pautava seu treinamento no controle absoluto e em um playbook com processos rigorosamente definidos. É aí que Slava Fetisov ganha protagonismo no documentário expondo sua relação conturbada com seu técnico e começa a se tornar a referência entre os "Homens" do título que estiveram naquela final olímpica e que precisaram lidar com aquela derrota.
"Sobre Milagres e Homens" fala muito sobre os valores do esporte, mas também sobre politica, sobre hipocrisia, sobre transformação, sobre aprendizados nas derrotas, sobre os perigos do excesso de confiança que vem com as vitórias e, finalmente, fala sobre pessoas. São histórias incríveis contatadas por quem viveu esse período de uma forma muito humana: são jogadores, jornalistas, treinadores e até familiares. Eu diria que o filme é um presente da ESPN, que está disponível no Disney+ e te garanto: você não precisa saber nada de hóquei no gelo para se apaixonar por essa obra!
Vale muito o seu play!
O esporte é incrível em construir narrativas simplesmente sensacionais, mas quase sempre o contexto é tão importante quanto o arco principal e talvez por isso que nos impacte tanto e deixe tantas lições. "Sobre Milagres e Homens", documentário produzido pela ESPN, é mais um filme disposto a contar a façanha do time de hóquei no gelo dos Estados Unidos durante as Olimpíadas de Inverno de 1980, porém com um diferencial fundamental para colocar essa obra naquela prateleira de "Imperdível" - pela primeira vez, essa história é contada pelo ponto de vista de quem perdeu aquele jogo, ou seja, os jogadores da ex-URSS.
Numa sexta-feira à noite, em Lake Placid, Nova York, um grupo de universitários norte-americanos surpreendeu a quase imbatível equipe nacional soviética, na competição de hóquei nas Olimpíadas de 1980. Os americanos começaram a acreditar em milagres naquela noite, já que algumas semanas antes, em um amistoso, os soviéticos haviam humilhado os americanos com um sonoro 10 a 3. Quando os membros da equipe americana conquistaram a medalha de ouro, eles se tornaram um time histórico, mas outro lado nunca havia sido escutado... até aqui.
"Of Miracles and Men" (no original) é muito mais importante do que o simples recorte daquela façanha esportiva que acabou virando filme em 2004 pelas mãos do diretor Gavin O'Connor e com Kurt Russell no papel do lendário treinador Herb Brook. Em "Miracle" (por aqui "Desafio no Gelo") os EUA são os mocinhos e os soviéticos os bandidos, uma escolha narrativa muito diferente do que o diretor Jonathan Hock escolheu para seu documentário.
A produção da ESPN que venceu o "Sports Emmy Awards" em 2015 é cirúrgica em retratar um lado pouco romântico para os americanos, trazendo para o protagonismo os jogadores soviéticos que estiveram no rinque. Digo pouco romântico, pois estávamos no auge da Guerra Fria, em um ano que os americanos boicotaram as Olimpíadas de Moscou e que usavam do esporte como uma forma de orientar seus cidadãos na promoção de tensão politica onde não existiam "santos" - para se ter uma ideia, o time de hóquei soviético ficou em uma prisão que serviu de vila olímpica durante a competição.
Momentos marcantes para a história estão nesse documentário: a criação de uma cultura vencedora na URSS a partir da chegada do hóquei canadense foi o inicio de uma jornada interessante que teve Anatoly Tarasov como responsável pela formação de um dos maiores times de esporte coletivo já visto. O time de hóquei soviético se tornou uma espécie de Drean Team (sem exageros, como aquele do basquete que encantou em 92). Liderado por Slava Fetisov (o primeiro atleta russo a jogar na NHL em plena Guerra Fria), o quinteto soviético ficou 12 anos sem perder um único jogo olímpico, criou um estilo de jogo que privilegiava o grupo em detrimento do individual e ainda se sobressaia até quando enfrentava os "All Stars" da liga profissional.
Mas como tudo que é revolucionário também é romântico, e depois se torna fanático até se transformar em cínico, o modelo soviético de preparação para eventos esportivos deixou Tarasov em segundo plano para ascender Tikhonov que, como o regime politico do seu país, pautava seu treinamento no controle absoluto e em um playbook com processos rigorosamente definidos. É aí que Slava Fetisov ganha protagonismo no documentário expondo sua relação conturbada com seu técnico e começa a se tornar a referência entre os "Homens" do título que estiveram naquela final olímpica e que precisaram lidar com aquela derrota.
"Sobre Milagres e Homens" fala muito sobre os valores do esporte, mas também sobre politica, sobre hipocrisia, sobre transformação, sobre aprendizados nas derrotas, sobre os perigos do excesso de confiança que vem com as vitórias e, finalmente, fala sobre pessoas. São histórias incríveis contatadas por quem viveu esse período de uma forma muito humana: são jogadores, jornalistas, treinadores e até familiares. Eu diria que o filme é um presente da ESPN, que está disponível no Disney+ e te garanto: você não precisa saber nada de hóquei no gelo para se apaixonar por essa obra!
Vale muito o seu play!
Muito emocionante na sua essência e reflexivo na sua proposta, assim é o excelente "Super/Man: A História de Christopher Reeve"! Esse documentário dirigido por Ian Bonhôte e Peter Ettedgui, ambos do premiado "McQueen" de 2018, é um retrato profundamente comovente e inspirador de um homem que transcendeu seu papel icônico como o Super-Homem no cinema para se tornar um símbolo global de resiliência, coragem e determinação. A produção combina com muito equilíbrio e sensibilidade, a ascensão de Christopher Reeve ao estrelato com sua luta monumental para encontrar uma cura para lesões na medula espinhal após o acidente que o deixou tetraplégico, entregando uma narrativa que vai te deixar grudado na tela da Max!
O documentário é basicamente dividido em duas linhas temporais. A primeira aborda a vida de Reeve antes do acidente, explorando sua carreira de ator, desde sua formação no teatro até sua meteórica ascensão como o protagonista de "Superman: O Filme" em 1978. A segunda, porém, é o coração emocional da narrativa. Após o trágico acidente em 1995, Reeve transformou sua luta pessoal em uma missão pública, tornando-se um dos maiores defensores da pesquisa sobre lesões na medula espinhal. A obra mergulha em sua vida após o acidente, destacando sua determinação inabalável em enfrentar desafios físicos e emocionais enquanto liderava uma cruzada para trazer esperança a milhões de pessoas com deficiências. Confira o trailer:
Bonhôte e Ettedgui utilizam imagens de arquivo inéditas (inclusive de acervo pessoal), entrevistas com colegas de trabalho e cenas dos bastidores de seus filmes, para pintar o retrato de um ator dedicado e de um homem profundamente comprometido com suas crenças. "Super/Man" revela o lado humano de Reeve, mostrando sua paixão pela arte, seu senso de humor e a complexidade de lidar com a fama repentina. Por outro lado, os diretores também trazem para os holofotes, familiares (especialmente os três filhos e Reeve) e médicos especialistas, para explorar o impacto do acidente e como o ator se viu na posição de transformar o mundo através da ciência e da filantropia. Bonhôte e Ettedgui equilibram habilmente o tom inspirador da história com momentos de introspecção mais pesados, lembrando muito do que vimos em "Val" ou em "Gleason".
Tecnicamente, o documentário é primoroso.A montagem alterna entre cenas emblemáticas de Reeve como Super-Homem e momentos reais de sua vida pessoal, criando um contraste poderoso entre o herói invencível da ficção e o homem vulnerável que enfrentou desafios inimagináveis. Essa justaposição reforça a mensagem central do documentário: a verdadeira força de Christopher Reeve não estava em sua capacidade de voar, mas em sua determinação de se levantar, mesmo fisicamente incapaz. Nesse sentido, as entrevistas com seus filhos se tornam um dos pontos altos do documentário - são depoimentos sinceros e emocionantes, revelando um lado de Reeve que poucos conheciam. Sua esposa, Dana Reeve, vale reforçar, recebe um destaque especial, com o documentário reconhecendo seu papel como uma parceira inabalável em sua jornada, pessoal e pública. Enquanto a curiosidade fica pela relação de irmãos que Reeve tinha com o saudoso Robin Williams.
"Super/Man: A História de Christopher Reeve", claro, é uma celebração profundamente tocante de um homem que, mesmo diante de adversidades esmagadoras, encontrou forças para inspirar milhões - não foi fácil e o roteiro não se exime de pontuar esse lado também. Dirigido com precisão por Bonhôte e Ettedgui, o documentário brilha por capturar não apenas o brilho de Reeve como ator, mas também sua grandeza como ser humano. Dito isso, fica fácil afirmar que "Super/Man" é uma experiência poderosa que vai ressoar muito além da tela, reafirmando o verdadeiro significado de ser um herói, mesmo soando poético demais. Para fãs do cinema com mais de 45 anos, de histórias de superação ou aqueles em busca por alguma reflexão sobre a vida, essa produção é realmente indispensável.
Vale muito o seu play!
Muito emocionante na sua essência e reflexivo na sua proposta, assim é o excelente "Super/Man: A História de Christopher Reeve"! Esse documentário dirigido por Ian Bonhôte e Peter Ettedgui, ambos do premiado "McQueen" de 2018, é um retrato profundamente comovente e inspirador de um homem que transcendeu seu papel icônico como o Super-Homem no cinema para se tornar um símbolo global de resiliência, coragem e determinação. A produção combina com muito equilíbrio e sensibilidade, a ascensão de Christopher Reeve ao estrelato com sua luta monumental para encontrar uma cura para lesões na medula espinhal após o acidente que o deixou tetraplégico, entregando uma narrativa que vai te deixar grudado na tela da Max!
O documentário é basicamente dividido em duas linhas temporais. A primeira aborda a vida de Reeve antes do acidente, explorando sua carreira de ator, desde sua formação no teatro até sua meteórica ascensão como o protagonista de "Superman: O Filme" em 1978. A segunda, porém, é o coração emocional da narrativa. Após o trágico acidente em 1995, Reeve transformou sua luta pessoal em uma missão pública, tornando-se um dos maiores defensores da pesquisa sobre lesões na medula espinhal. A obra mergulha em sua vida após o acidente, destacando sua determinação inabalável em enfrentar desafios físicos e emocionais enquanto liderava uma cruzada para trazer esperança a milhões de pessoas com deficiências. Confira o trailer:
Bonhôte e Ettedgui utilizam imagens de arquivo inéditas (inclusive de acervo pessoal), entrevistas com colegas de trabalho e cenas dos bastidores de seus filmes, para pintar o retrato de um ator dedicado e de um homem profundamente comprometido com suas crenças. "Super/Man" revela o lado humano de Reeve, mostrando sua paixão pela arte, seu senso de humor e a complexidade de lidar com a fama repentina. Por outro lado, os diretores também trazem para os holofotes, familiares (especialmente os três filhos e Reeve) e médicos especialistas, para explorar o impacto do acidente e como o ator se viu na posição de transformar o mundo através da ciência e da filantropia. Bonhôte e Ettedgui equilibram habilmente o tom inspirador da história com momentos de introspecção mais pesados, lembrando muito do que vimos em "Val" ou em "Gleason".
Tecnicamente, o documentário é primoroso.A montagem alterna entre cenas emblemáticas de Reeve como Super-Homem e momentos reais de sua vida pessoal, criando um contraste poderoso entre o herói invencível da ficção e o homem vulnerável que enfrentou desafios inimagináveis. Essa justaposição reforça a mensagem central do documentário: a verdadeira força de Christopher Reeve não estava em sua capacidade de voar, mas em sua determinação de se levantar, mesmo fisicamente incapaz. Nesse sentido, as entrevistas com seus filhos se tornam um dos pontos altos do documentário - são depoimentos sinceros e emocionantes, revelando um lado de Reeve que poucos conheciam. Sua esposa, Dana Reeve, vale reforçar, recebe um destaque especial, com o documentário reconhecendo seu papel como uma parceira inabalável em sua jornada, pessoal e pública. Enquanto a curiosidade fica pela relação de irmãos que Reeve tinha com o saudoso Robin Williams.
"Super/Man: A História de Christopher Reeve", claro, é uma celebração profundamente tocante de um homem que, mesmo diante de adversidades esmagadoras, encontrou forças para inspirar milhões - não foi fácil e o roteiro não se exime de pontuar esse lado também. Dirigido com precisão por Bonhôte e Ettedgui, o documentário brilha por capturar não apenas o brilho de Reeve como ator, mas também sua grandeza como ser humano. Dito isso, fica fácil afirmar que "Super/Man" é uma experiência poderosa que vai ressoar muito além da tela, reafirmando o verdadeiro significado de ser um herói, mesmo soando poético demais. Para fãs do cinema com mais de 45 anos, de histórias de superação ou aqueles em busca por alguma reflexão sobre a vida, essa produção é realmente indispensável.
Vale muito o seu play!
"Talento e Fé" é um amontoado de clichês, mas, sinceramente, pouco importa, o filme é muito bacana - principalmente por se tratar de uma história real e inspiradora onde o esporte é o pano de fundo, no caso o futebol americano. Talvez o que possa incomodar alguns é sua deliberada linha religiosa e aqui cabe um comentário de quem analisa um filme como obra artística e não como panfletagem: não atrapalha a experiência, mesmo que em alguns momentos o roteiro tenha pesado um pouco demais na mão, porém, também é preciso admitir que o filme tem uma mensagem muito honesta e nos provoca uma reflexão que vai além da crença de cada um.
O filme acompanha a história de Tony Nathan (Caleb Castille) um jovem negro, jogador de futebol americano, que representa uma escola de Birmingham, no Alabama, e que diariamente precisa lutar contra as pressões sociais e raciais para encontrar seu espaço na sociedade e no esporte, em um momento histórico dos EUA onde o racismo extrapola os discursos de políticos extremistas. Talentoso, mas considerado um perdedor, Tony sofre com a desunião do time até que o pregador Hank Erwin (Sean Astin, do inesquecível "Rudy") surge com uma mensagem de fé e assim consegue iniciar uma verdadeira transformação nos jogadores e em todos que os rodeiam. Confira o trailer:
Tecnicamente, os diretores Andrew Erwin e Jon Erwin souberam captar a atmosfera esportiva tão cultural da sociedade americana com a mesma capacidade em que criaram ótimas cenas de ação em campo - se não com a maestria de Oliver Stone em "Um Domingo Qualquer", pelo menos com sua competência. A montagem, inclusive, foi muito feliz em alternar cenas reais com reconstituições bastante fiéis, trazendo para o filme um conceito quase documental e que valida o maior objetivo do roteiro: mostrar que é possível fazer uma impensável revolução se nos apegarmos na fé (seja ela qual for). Vale dizer que os irmãos Erwin estão envolvidos no filme que vai contar a história do astro da NFL, Kurt Warner, e que terá Zachary Levi, Denis Quaid e Anna Paquin no elenco.
Já o roteiro de Jon Erwin, baseado no livro "Woodlawn" (que também é o título original do filme) de Todd Gerelds, acaba deixando a questão racial para o primeiro ato e passa a se apoiar no viés religioso da trama. Como disse, não é que atrapalhe a experiência, mas faltou sensibilidade para equilibrar com outros temas relevantes pela qual o personagem estava lutando - eu diria que se não fosse uma história real, certamente, teríamos a sensação de estarmos acompanhando uma certa espetacularização da fé. Agora, são passagens muito marcantes e a mensagem por trás de algumas cenas recheadas de clichês (da trilha sonora ao texto motivacional), nem de longe vão ofender quem não está alinhado ao tema. No final das contas o saldo é positivo, te garanto.
"Talento e Fé" não é um filme sobre futebol americano, mas conhecer o esporte e a dinâmica esportiva nos EUA vai melhorar a experiência. Também não é uma história de superação e luta racial, embora esses dois elementos narrativos estejam presentes na história. O título "Talento e Fé" talvez fosse melhor resolvido com "Talento, Trabalho e Fé" e assim direcionasse a história mais para Tony Nathan do que para Hank Erwin, aí teríamos uma impressão de obra mais isenta.
"Woodlawn" é bom para aqueles dias que precisamos entender que existe algo que vai além do talento e do trabalho! É filme bom de assistir, pode ir sem receio!
"Talento e Fé" é um amontoado de clichês, mas, sinceramente, pouco importa, o filme é muito bacana - principalmente por se tratar de uma história real e inspiradora onde o esporte é o pano de fundo, no caso o futebol americano. Talvez o que possa incomodar alguns é sua deliberada linha religiosa e aqui cabe um comentário de quem analisa um filme como obra artística e não como panfletagem: não atrapalha a experiência, mesmo que em alguns momentos o roteiro tenha pesado um pouco demais na mão, porém, também é preciso admitir que o filme tem uma mensagem muito honesta e nos provoca uma reflexão que vai além da crença de cada um.
O filme acompanha a história de Tony Nathan (Caleb Castille) um jovem negro, jogador de futebol americano, que representa uma escola de Birmingham, no Alabama, e que diariamente precisa lutar contra as pressões sociais e raciais para encontrar seu espaço na sociedade e no esporte, em um momento histórico dos EUA onde o racismo extrapola os discursos de políticos extremistas. Talentoso, mas considerado um perdedor, Tony sofre com a desunião do time até que o pregador Hank Erwin (Sean Astin, do inesquecível "Rudy") surge com uma mensagem de fé e assim consegue iniciar uma verdadeira transformação nos jogadores e em todos que os rodeiam. Confira o trailer:
Tecnicamente, os diretores Andrew Erwin e Jon Erwin souberam captar a atmosfera esportiva tão cultural da sociedade americana com a mesma capacidade em que criaram ótimas cenas de ação em campo - se não com a maestria de Oliver Stone em "Um Domingo Qualquer", pelo menos com sua competência. A montagem, inclusive, foi muito feliz em alternar cenas reais com reconstituições bastante fiéis, trazendo para o filme um conceito quase documental e que valida o maior objetivo do roteiro: mostrar que é possível fazer uma impensável revolução se nos apegarmos na fé (seja ela qual for). Vale dizer que os irmãos Erwin estão envolvidos no filme que vai contar a história do astro da NFL, Kurt Warner, e que terá Zachary Levi, Denis Quaid e Anna Paquin no elenco.
Já o roteiro de Jon Erwin, baseado no livro "Woodlawn" (que também é o título original do filme) de Todd Gerelds, acaba deixando a questão racial para o primeiro ato e passa a se apoiar no viés religioso da trama. Como disse, não é que atrapalhe a experiência, mas faltou sensibilidade para equilibrar com outros temas relevantes pela qual o personagem estava lutando - eu diria que se não fosse uma história real, certamente, teríamos a sensação de estarmos acompanhando uma certa espetacularização da fé. Agora, são passagens muito marcantes e a mensagem por trás de algumas cenas recheadas de clichês (da trilha sonora ao texto motivacional), nem de longe vão ofender quem não está alinhado ao tema. No final das contas o saldo é positivo, te garanto.
"Talento e Fé" não é um filme sobre futebol americano, mas conhecer o esporte e a dinâmica esportiva nos EUA vai melhorar a experiência. Também não é uma história de superação e luta racial, embora esses dois elementos narrativos estejam presentes na história. O título "Talento e Fé" talvez fosse melhor resolvido com "Talento, Trabalho e Fé" e assim direcionasse a história mais para Tony Nathan do que para Hank Erwin, aí teríamos uma impressão de obra mais isenta.
"Woodlawn" é bom para aqueles dias que precisamos entender que existe algo que vai além do talento e do trabalho! É filme bom de assistir, pode ir sem receio!