"Girl", que por aqui ganhou o sugestivo título de "O Florescer de Uma Garota", é um filme que precisa ser levado muito a sério e que certamente vai te exigir alguma reflexão, além de muita (mas, muita) empatia - e olha, não será uma jornada fácil! É inegável que essa obra dirigida pelo Lukas Dhont (o mesmo de "Close") se destaca não apenas pela delicadeza com que trata o tema da transição de gênero, como também pela intensidade de sua narrativa extremamente realista, profunda e visceral! A obra é uma verdadeira joia escondida no catálogo do streaming, capaz de capturar a complexidade de uma jovem bailarina em sua busca por identidade e aceitação - é de cortar a alma! Premiado com a "Camera d'Or" de Melhor Diretor, com o prêmio "FIPRESCI", com o " Victor Polster e com "Queer Palm", todos no Festival de Cannes de 2018, esse filme de fato se sobressai perante outras produções menos sensíveis sobre a experiência trans, por justamente se apoiar em uma abordagem única e corajosa de um assunto tão importante!
A trama segue Lara (Polster) uma garota de 16 anos que se dedica ao balé enquanto enfrenta a difícil jornada de sua transição de gênero. Ao lado de seu pai, Mathias (Arieh Worthalter), ela navega pelas complexidades emocionais e físicas do processo, enquanto se esforça para se relacionar normalmente com suas amigas adolescentes e com sua paixão pela dança. Essa história é um retrato íntimo e angustiante de Lara, que luta não só contra a disforia de gênero, mas também contra o preconceito e o auto-julgamento. Confira o trailer (com legendas em inglês):
De uma forma muito inteligente, Lukas Dhont combina a intensidade física da dedicação de Lara pelo balé com a sua dolorosa experiência em se aceitar - essa dinâmica narrativa cria uma sensação de angústia absurda que realmente chama nossa atenção. A câmera do fotógrafo Frank van den Eeden (também de "Close"), com seus closes inquietantes e longas tomadas, enfatiza ainda mais esse conceito ao focar na fisicalidade extrema da dança de um lado e nos desafios pessoais de Lara do outro, tornando palpável o esforço titânico da personagem em um jogo de simbologias dos mais interessantes. O balé, aqui, além de retratado como uma paixão da protagonista, também funciona como um campo de batalha onde cada movimento e cada ensaio se tornam um reflexo de sua luta diária por identidade. A precisão dessa conexão entre a semiose e a semiótica é poderoso e serve de contexto para explorar a necessidade de Lara em se adaptar a um mundo em movimento que constantemente testa e desafia sua alma de várias formas.
A performance de Victor Polster é impecável - chega a ser surpreendente como ele não foi indicado ao Oscar de 2019, especialmente quando lembramos que o vencedor daquele ano foi Rami Malek. Com pouca experiência até aquele momento, Polster entrega uma performance surpreendentemente madura e autêntica, trabalhando a vulnerabilidade e a determinação de Lara de maneira que transcende a tela e realmente nos toca fundo. Sua interpretação, combinada com a abordagem sensível do roteiro, evita estereótipos, mergulhando na psicologia do personagem como raramente vemos - repare nos olhares, nos momentos de silêncio, na respiração pausada. Embora seja uma performance que exige empatia e oferece uma janela indigesta para a realidade de uma jovem em transição, é incrível como seu trabalho reforça a sensação de humanidade de Lara sem reduzi-la a um símbolo ou um arquétipo.
A escolha de uma narrativa que não se esquiva de momentos dolorosos e desconfortáveis é um dos pontos altos de "Girl". As sequências em que Lara enfrenta seus próprios limites em um vestiário feminino ou na casa de uma de suas amigas do balé são particularmente impactantes. E esses são só dois rápidos exemplos da atmosfera emocional que o filme representa - um misto de angústia e esperança que nos acompanha durante toda jornada. Então, para aqueles que apreciam histórias duras, difíceis e que desafiam (e provocam) reflexões, esta é realmente uma obra que merece ser vista e discutida com um olhar mais humano. Impressionante!
Dê o play e embarque nessa experiência sem receios!
"Girl", que por aqui ganhou o sugestivo título de "O Florescer de Uma Garota", é um filme que precisa ser levado muito a sério e que certamente vai te exigir alguma reflexão, além de muita (mas, muita) empatia - e olha, não será uma jornada fácil! É inegável que essa obra dirigida pelo Lukas Dhont (o mesmo de "Close") se destaca não apenas pela delicadeza com que trata o tema da transição de gênero, como também pela intensidade de sua narrativa extremamente realista, profunda e visceral! A obra é uma verdadeira joia escondida no catálogo do streaming, capaz de capturar a complexidade de uma jovem bailarina em sua busca por identidade e aceitação - é de cortar a alma! Premiado com a "Camera d'Or" de Melhor Diretor, com o prêmio "FIPRESCI", com o " Victor Polster e com "Queer Palm", todos no Festival de Cannes de 2018, esse filme de fato se sobressai perante outras produções menos sensíveis sobre a experiência trans, por justamente se apoiar em uma abordagem única e corajosa de um assunto tão importante!
A trama segue Lara (Polster) uma garota de 16 anos que se dedica ao balé enquanto enfrenta a difícil jornada de sua transição de gênero. Ao lado de seu pai, Mathias (Arieh Worthalter), ela navega pelas complexidades emocionais e físicas do processo, enquanto se esforça para se relacionar normalmente com suas amigas adolescentes e com sua paixão pela dança. Essa história é um retrato íntimo e angustiante de Lara, que luta não só contra a disforia de gênero, mas também contra o preconceito e o auto-julgamento. Confira o trailer (com legendas em inglês):
De uma forma muito inteligente, Lukas Dhont combina a intensidade física da dedicação de Lara pelo balé com a sua dolorosa experiência em se aceitar - essa dinâmica narrativa cria uma sensação de angústia absurda que realmente chama nossa atenção. A câmera do fotógrafo Frank van den Eeden (também de "Close"), com seus closes inquietantes e longas tomadas, enfatiza ainda mais esse conceito ao focar na fisicalidade extrema da dança de um lado e nos desafios pessoais de Lara do outro, tornando palpável o esforço titânico da personagem em um jogo de simbologias dos mais interessantes. O balé, aqui, além de retratado como uma paixão da protagonista, também funciona como um campo de batalha onde cada movimento e cada ensaio se tornam um reflexo de sua luta diária por identidade. A precisão dessa conexão entre a semiose e a semiótica é poderoso e serve de contexto para explorar a necessidade de Lara em se adaptar a um mundo em movimento que constantemente testa e desafia sua alma de várias formas.
A performance de Victor Polster é impecável - chega a ser surpreendente como ele não foi indicado ao Oscar de 2019, especialmente quando lembramos que o vencedor daquele ano foi Rami Malek. Com pouca experiência até aquele momento, Polster entrega uma performance surpreendentemente madura e autêntica, trabalhando a vulnerabilidade e a determinação de Lara de maneira que transcende a tela e realmente nos toca fundo. Sua interpretação, combinada com a abordagem sensível do roteiro, evita estereótipos, mergulhando na psicologia do personagem como raramente vemos - repare nos olhares, nos momentos de silêncio, na respiração pausada. Embora seja uma performance que exige empatia e oferece uma janela indigesta para a realidade de uma jovem em transição, é incrível como seu trabalho reforça a sensação de humanidade de Lara sem reduzi-la a um símbolo ou um arquétipo.
A escolha de uma narrativa que não se esquiva de momentos dolorosos e desconfortáveis é um dos pontos altos de "Girl". As sequências em que Lara enfrenta seus próprios limites em um vestiário feminino ou na casa de uma de suas amigas do balé são particularmente impactantes. E esses são só dois rápidos exemplos da atmosfera emocional que o filme representa - um misto de angústia e esperança que nos acompanha durante toda jornada. Então, para aqueles que apreciam histórias duras, difíceis e que desafiam (e provocam) reflexões, esta é realmente uma obra que merece ser vista e discutida com um olhar mais humano. Impressionante!
Dê o play e embarque nessa experiência sem receios!
"Girls5Eva" é um estilo de comédia que, sem dúvida, funciona melhor na sua língua nativa e dentro da cultura americana, do que para nós, uma audiência que não vai entender muito das piadas escritas no roteiro - mais ou menos como acontece no Oscar, onde achamos sem graça pelo simples fato de não pertencermos àquele universo crítico. Mal e porcamente comparando, é como se colocássemos um americano que mal fala português para assistir a "TV Pirata" ou "Tá no Ar" (para ser menos nostálgico). Isso é um problema? Não e vou te explicar a razão...
A série é uma produção da NBC para o seu Peacock, tem 8 episódios de 30 minutos e conta a história do reencontro das integrantes de um grupo musical de sucesso efêmero dos anos 1990. Tempos depois do sucesso, cada personagem passou a levar uma vida longe dos holofotes. “Girls5Eva” foi uma banda famosa por apenas um único hit, esquecido pouco depois do lançamento. Porém, quase que milagrosamente, um rapper em ascensão se depara com o hit do passado e decide usar a batida em sua nova criação. O gesto, aparentemente inocente, reacende o desejo das quatro cantoras em retornar ao mundo artístico. O quarteto culpa o antigo agente pela rápida derrocada naquela época. Então essa é a oportunidade perfeita para o grupo, após anos de amadurecimento, trilhar uma carreira mais autêntica e honesta. Confira o trailer, em inglês:
Escrita e criada por Meredith Scardino, roteirista de “Unbreakble Kimmy Schmidt” (Netflix), e com produção executiva de Tina Fey, “Girls5Eva” tem um humor bastante peculiar - uma marca registrada de Fey que transforma críticas pontuais em ações que beiram o absurdo estético, desequilibrando a narrativa propositalmente para que o tom seja estereotipado, mesmo que soe realista para as personagens. Scardino, inclusive, é uma das aprendizes de Tina Fey e ainda carrega consigo a experiência de mais de 6 anos com Stephen Colbert do "The Colbert Report", com isso é natural que a sátira esteja fortemente embutida na série, bem non-sense, mas que causa uma certa quebra de expectativa e abusa de referências culturais do momento para divertir.
Protagonizada por Sara Bareilles (Dawn), Renée Elise Goldsberry (Wickie), Paula Pell (Gloria) e Busy Philipps (Summer) a série soa despretensiosa e mesmo perdendo muito do que o roteiro sugere em inglês, nos divertimos. Eu diria, inclusive, que as personagens ajudam muito nessa dinâmica e mesmo com um over-acting claro, nos importamos com elas já que suas dores nos tocam - você pode até achar que não, mas preste atenção porque se depois do último episódio você sentir aquela vontade de assistir a segunda temporada imediatamente, me desculpe: “Girls5Eva” te fisgou.
É verdade que a série leva um tempo até encontrar o seu ritmo e o seu equilíbrio cômico: seja percebendo qual personagem se desenvolve melhor, entendendo seu conceito narrativo mais "pastelão" ou até descobrindo a razão e os alvos de cada uma das sátiras. Mais uma vez o elenco ajuda muito e destaco Renée Elise Goldsberry (Wickie) - guardem esse nome, pois ela pode surpreender nas premiações de 2022.
Se você não gosta do trabalho de Tina Fey, “Girls5Eva” não é para você; caso contrário se prepare para se divertir, se emocionar e até se empolgar com um roteiro preciso e muito inteligente. Vale o play!
"Girls5Eva" é um estilo de comédia que, sem dúvida, funciona melhor na sua língua nativa e dentro da cultura americana, do que para nós, uma audiência que não vai entender muito das piadas escritas no roteiro - mais ou menos como acontece no Oscar, onde achamos sem graça pelo simples fato de não pertencermos àquele universo crítico. Mal e porcamente comparando, é como se colocássemos um americano que mal fala português para assistir a "TV Pirata" ou "Tá no Ar" (para ser menos nostálgico). Isso é um problema? Não e vou te explicar a razão...
A série é uma produção da NBC para o seu Peacock, tem 8 episódios de 30 minutos e conta a história do reencontro das integrantes de um grupo musical de sucesso efêmero dos anos 1990. Tempos depois do sucesso, cada personagem passou a levar uma vida longe dos holofotes. “Girls5Eva” foi uma banda famosa por apenas um único hit, esquecido pouco depois do lançamento. Porém, quase que milagrosamente, um rapper em ascensão se depara com o hit do passado e decide usar a batida em sua nova criação. O gesto, aparentemente inocente, reacende o desejo das quatro cantoras em retornar ao mundo artístico. O quarteto culpa o antigo agente pela rápida derrocada naquela época. Então essa é a oportunidade perfeita para o grupo, após anos de amadurecimento, trilhar uma carreira mais autêntica e honesta. Confira o trailer, em inglês:
Escrita e criada por Meredith Scardino, roteirista de “Unbreakble Kimmy Schmidt” (Netflix), e com produção executiva de Tina Fey, “Girls5Eva” tem um humor bastante peculiar - uma marca registrada de Fey que transforma críticas pontuais em ações que beiram o absurdo estético, desequilibrando a narrativa propositalmente para que o tom seja estereotipado, mesmo que soe realista para as personagens. Scardino, inclusive, é uma das aprendizes de Tina Fey e ainda carrega consigo a experiência de mais de 6 anos com Stephen Colbert do "The Colbert Report", com isso é natural que a sátira esteja fortemente embutida na série, bem non-sense, mas que causa uma certa quebra de expectativa e abusa de referências culturais do momento para divertir.
Protagonizada por Sara Bareilles (Dawn), Renée Elise Goldsberry (Wickie), Paula Pell (Gloria) e Busy Philipps (Summer) a série soa despretensiosa e mesmo perdendo muito do que o roteiro sugere em inglês, nos divertimos. Eu diria, inclusive, que as personagens ajudam muito nessa dinâmica e mesmo com um over-acting claro, nos importamos com elas já que suas dores nos tocam - você pode até achar que não, mas preste atenção porque se depois do último episódio você sentir aquela vontade de assistir a segunda temporada imediatamente, me desculpe: “Girls5Eva” te fisgou.
É verdade que a série leva um tempo até encontrar o seu ritmo e o seu equilíbrio cômico: seja percebendo qual personagem se desenvolve melhor, entendendo seu conceito narrativo mais "pastelão" ou até descobrindo a razão e os alvos de cada uma das sátiras. Mais uma vez o elenco ajuda muito e destaco Renée Elise Goldsberry (Wickie) - guardem esse nome, pois ela pode surpreender nas premiações de 2022.
Se você não gosta do trabalho de Tina Fey, “Girls5Eva” não é para você; caso contrário se prepare para se divertir, se emocionar e até se empolgar com um roteiro preciso e muito inteligente. Vale o play!
Dos indicados ao Oscar de 2019 na categoria "Melhor Filme", "Green Book" é sem dúvida o mais sensível!!! É uma espécie de "Sideways" com "Intouchables" no que há de melhor dos dois filmes.
Em um período onde a segregação racial imperava, o pianista Don Shirley (Mahershala Ali) resolve recrutar um motorista, Tony Vallelonga (Viggo Mortensen), para acompanhar-lo em uma turnê pelo sul dos EUA. O titulo do filme é uma referência ao guia usado na época para orientar os negros que viajavam pela região. Nele, eram indicados os hotéis, restaurantes e outros locais onde os negros tinham permissão para circular (e de fato esse guia existiu).
Agora fica fácil imaginar o quanto a amizade improvável dos dois personagens fortalece a relação da audiência com o filme - e o diretor Peter Farrelly (de "Debi & Lóide 2"- isso mesmo meu amigo, o cara está no Oscar agora...rs) não faz questão nenhuma de esconder essa sua estratégia - e ele entrega um grande filme!!!!!
"Green Book" recebeu 5 indicações: (1) "Edição", esquece, não vai levar - embora seja uma montagem muito competente, não trás elementos que justificariam uma vitória sobre "Vice", por exemplo! (2) "Roteiro Original", tem chance, mas a briga é de cachorro grande com "Vice" e "Roma"! (3) "Ator Coadjuvante", Mahershala Ali está incrível no personagem e é a minha aposta! (4) "Ator", Viggo Mortensen mereceu a indicação, é sua terceira e talvez a mais forte delas, mas em uma categoria com Christian Bale e Rami Malek acho muito improvável - uma pena, porque seria merecidíssimo! (5) "Filme", olha, vou dizer uma coisa que disse quando assisti "Moonlight" e "O Artista", não vou me surpreender se ganhar - é difícil, mas tem tantos elementos que a Academia adora, que é factível uma vitória correndo por fora!!!
O fato é que "Green Book" é um grande filme e se não tem a elegância cinematográfica de "Roma", tem, talvez, o único elemento que falta para "Roma" se tornar uma unanimidade: o carisma!!! Assista e me agradeça eternamente, vale muito o play!!!
Up-date: "Green Book" ganhou em três categorias no Oscar 2019: Roteiro Original, Ator Coadjuvante e Melhor Filme"!
Dos indicados ao Oscar de 2019 na categoria "Melhor Filme", "Green Book" é sem dúvida o mais sensível!!! É uma espécie de "Sideways" com "Intouchables" no que há de melhor dos dois filmes.
Em um período onde a segregação racial imperava, o pianista Don Shirley (Mahershala Ali) resolve recrutar um motorista, Tony Vallelonga (Viggo Mortensen), para acompanhar-lo em uma turnê pelo sul dos EUA. O titulo do filme é uma referência ao guia usado na época para orientar os negros que viajavam pela região. Nele, eram indicados os hotéis, restaurantes e outros locais onde os negros tinham permissão para circular (e de fato esse guia existiu).
Agora fica fácil imaginar o quanto a amizade improvável dos dois personagens fortalece a relação da audiência com o filme - e o diretor Peter Farrelly (de "Debi & Lóide 2"- isso mesmo meu amigo, o cara está no Oscar agora...rs) não faz questão nenhuma de esconder essa sua estratégia - e ele entrega um grande filme!!!!!
"Green Book" recebeu 5 indicações: (1) "Edição", esquece, não vai levar - embora seja uma montagem muito competente, não trás elementos que justificariam uma vitória sobre "Vice", por exemplo! (2) "Roteiro Original", tem chance, mas a briga é de cachorro grande com "Vice" e "Roma"! (3) "Ator Coadjuvante", Mahershala Ali está incrível no personagem e é a minha aposta! (4) "Ator", Viggo Mortensen mereceu a indicação, é sua terceira e talvez a mais forte delas, mas em uma categoria com Christian Bale e Rami Malek acho muito improvável - uma pena, porque seria merecidíssimo! (5) "Filme", olha, vou dizer uma coisa que disse quando assisti "Moonlight" e "O Artista", não vou me surpreender se ganhar - é difícil, mas tem tantos elementos que a Academia adora, que é factível uma vitória correndo por fora!!!
O fato é que "Green Book" é um grande filme e se não tem a elegância cinematográfica de "Roma", tem, talvez, o único elemento que falta para "Roma" se tornar uma unanimidade: o carisma!!! Assista e me agradeça eternamente, vale muito o play!!!
Up-date: "Green Book" ganhou em três categorias no Oscar 2019: Roteiro Original, Ator Coadjuvante e Melhor Filme"!
"Por que eu não assisti essa série antes?" - é assim que você vai se sentir após assistir três episódios de "Hacks". Mas, "três episódios"? Sim, pois como "Método Kominsky", é preciso um tempo até entender o tom desse texto brilhante e como sua narrativa vai se aprofundando sem aquela pressa usual para tratar de assuntos delicados - nesse caso com um toque de humor e muita ironia. Para quem não sabe, essa premiada série da HBO, criada por Lucia Aniello, Paul W. Downs e Jen Statsky, é uma comédia afiada e profundamente humana que explora o choque de gerações e o processo criativo através do relacionamento entre uma mal humorada veterana de stand-up e uma jovem escritora. Misturando aquele humor mais ácido com momentos de pura sensibilidade, a série é de fato uma obra-prima, capaz de explorar as nuances emocionais com a mesma capacidade com que entrega diálogos brilhantes - e não por acaso, é considerada uma das melhores produções da atualidade. Saiba que "Hacks" vai além das risadas fáceis, justamente por ser uma análise sincera e complexa sobre a busca por relevância, aceitação e reinvenção entre duas personagens tão diferentes - de idade e de postura perante a vida.
"Hacks", basicamente, acompanha Deborah Vance (Jean Smart), uma icônica comediante cuja carreira começa a enfrentar um declínio. Em um esforço para revitalizar seu show em Las Vegas e atrair um público mais jovem, ela se junta a Ava (Hannah Einbinder), uma escritora sarcástica e recém-cancelada nas redes sociais depois de uma "piada de mal gosto". O relacionamento inicialmente tumultuado entre as duas evolui de maneira inesperada, com ambas desafiando e aprendendo uma com a outra, enquanto exploram questões delicadas como envelhecimento, identidade e a pressão de se manter relevante em uma indústria tão implacável como a do entretenimento. Confira o trailer (em inglês):
Começar uma análise mais profunda sem citar Jean Smart seria um sacrilégio - ela entrega uma performance magistral como Deborah Vance, equilibrando perfeitamente o carisma de uma estrela em decadência com as inseguranças de uma mulher que luta para aceitar as mudanças em sua carreira e, principalmente, na sua vida pessoal. Sua habilidade de transmitir vulnerabilidade e força com sutileza faz de Deborah um dos personagens mais ricos e cativantes já criados - uma espécie de "Dr. House" do entretenimento feminino. Hannah Einbinder também brilha como Ava - ela traz um frescor para o papel de uma jovem desajustada que enfrenta seus próprios demônios enquanto tenta navegar em mundo que não se cansa de ser cruel. A química entre as duas protagonistas, aliás, é o coração pulsante da série, proporcionando momentos de humor e de emoção realmente marcantes.
O roteiro é outro dos grandes triunfos de "Hacks". Aniello, Downs e Statsky criam diálogos que são engraçados no tom, mas carregados de significado na sua essência. O texto explora temas universais de maneira acessível e profunda, se aproveitando das dinâmicas de poder entre Deborah e Ava para trabalhar, com delicadeza, as camadas de complexidade emocional que adicionam uma profundidade impressionante à narrativa. A direção que ficou sob a responsabilidade de Lucia Aniello é ágil e bem pontuada, com uma estética visual que reflete a grandiosidade decadente de Las Vegas, enquanto também enfatiza os momentos mais íntimos e pessoais das personagens - ao utilizar o universo do stand-up comedy para abordar a evolução do humor ao longo das décadas, a direção traz para a discussão toda dicotomia sobre relevância cultural e como é necessário se adapta às mudanças geracionais de tempos em tempos.
Com cores vibrantes e uma iluminação dramática que destaca o contraste entre o glamour superficial de Vegas com as emoções mais cruas que permeiam a história e suas personagens, "Hacks" transcende o gênero para nos oferecer uma narrativa inteligente, sagaz e rica em humor - um convite para reflexões sobre o envelhecimento, sobre o processo criativo e sobre os relacionamentos interpessoais, ou seja, como "Método Kominsky", essa série é uma verdadeira celebração do poder da reinvenção sob o olhar da conexão humana.
Simplesmente imperdível!
"Por que eu não assisti essa série antes?" - é assim que você vai se sentir após assistir três episódios de "Hacks". Mas, "três episódios"? Sim, pois como "Método Kominsky", é preciso um tempo até entender o tom desse texto brilhante e como sua narrativa vai se aprofundando sem aquela pressa usual para tratar de assuntos delicados - nesse caso com um toque de humor e muita ironia. Para quem não sabe, essa premiada série da HBO, criada por Lucia Aniello, Paul W. Downs e Jen Statsky, é uma comédia afiada e profundamente humana que explora o choque de gerações e o processo criativo através do relacionamento entre uma mal humorada veterana de stand-up e uma jovem escritora. Misturando aquele humor mais ácido com momentos de pura sensibilidade, a série é de fato uma obra-prima, capaz de explorar as nuances emocionais com a mesma capacidade com que entrega diálogos brilhantes - e não por acaso, é considerada uma das melhores produções da atualidade. Saiba que "Hacks" vai além das risadas fáceis, justamente por ser uma análise sincera e complexa sobre a busca por relevância, aceitação e reinvenção entre duas personagens tão diferentes - de idade e de postura perante a vida.
"Hacks", basicamente, acompanha Deborah Vance (Jean Smart), uma icônica comediante cuja carreira começa a enfrentar um declínio. Em um esforço para revitalizar seu show em Las Vegas e atrair um público mais jovem, ela se junta a Ava (Hannah Einbinder), uma escritora sarcástica e recém-cancelada nas redes sociais depois de uma "piada de mal gosto". O relacionamento inicialmente tumultuado entre as duas evolui de maneira inesperada, com ambas desafiando e aprendendo uma com a outra, enquanto exploram questões delicadas como envelhecimento, identidade e a pressão de se manter relevante em uma indústria tão implacável como a do entretenimento. Confira o trailer (em inglês):
Começar uma análise mais profunda sem citar Jean Smart seria um sacrilégio - ela entrega uma performance magistral como Deborah Vance, equilibrando perfeitamente o carisma de uma estrela em decadência com as inseguranças de uma mulher que luta para aceitar as mudanças em sua carreira e, principalmente, na sua vida pessoal. Sua habilidade de transmitir vulnerabilidade e força com sutileza faz de Deborah um dos personagens mais ricos e cativantes já criados - uma espécie de "Dr. House" do entretenimento feminino. Hannah Einbinder também brilha como Ava - ela traz um frescor para o papel de uma jovem desajustada que enfrenta seus próprios demônios enquanto tenta navegar em mundo que não se cansa de ser cruel. A química entre as duas protagonistas, aliás, é o coração pulsante da série, proporcionando momentos de humor e de emoção realmente marcantes.
O roteiro é outro dos grandes triunfos de "Hacks". Aniello, Downs e Statsky criam diálogos que são engraçados no tom, mas carregados de significado na sua essência. O texto explora temas universais de maneira acessível e profunda, se aproveitando das dinâmicas de poder entre Deborah e Ava para trabalhar, com delicadeza, as camadas de complexidade emocional que adicionam uma profundidade impressionante à narrativa. A direção que ficou sob a responsabilidade de Lucia Aniello é ágil e bem pontuada, com uma estética visual que reflete a grandiosidade decadente de Las Vegas, enquanto também enfatiza os momentos mais íntimos e pessoais das personagens - ao utilizar o universo do stand-up comedy para abordar a evolução do humor ao longo das décadas, a direção traz para a discussão toda dicotomia sobre relevância cultural e como é necessário se adapta às mudanças geracionais de tempos em tempos.
Com cores vibrantes e uma iluminação dramática que destaca o contraste entre o glamour superficial de Vegas com as emoções mais cruas que permeiam a história e suas personagens, "Hacks" transcende o gênero para nos oferecer uma narrativa inteligente, sagaz e rica em humor - um convite para reflexões sobre o envelhecimento, sobre o processo criativo e sobre os relacionamentos interpessoais, ou seja, como "Método Kominsky", essa série é uma verdadeira celebração do poder da reinvenção sob o olhar da conexão humana.
Simplesmente imperdível!
Existe uma beleza em "Império da Luz" que dificilmente percebemos se não nos permitimos mergulhar na proposta dramática do diretor - e digo isso, pois esse tipo de filme parece se apropriar dos sentimentos mais íntimos de seu realizador, de sua identidade como artista, de seu modo de interpretar algumas questões e até do seu olhar mais poético, para, aí sim, encontrar uma audiência capaz de enxergar aquela história como algo único, sensível e tocante. A magia do cinema, desde seu enquadramento ao trabalho dedicado dos atores, é capaz de alcançar essa complexidade sem tanto esforço, basta um quadro; no entanto, ao sentirmos a verdade, quase sempre, saímos transformados e com o coração, digamos, mais aquecido - então saiba: se aqui não encontraremos uma unanimidade, pode ter certeza, existirá uma conexão capaz de explicar muitas coisas escondidas dentro de nós.
Essa é uma história de amor e amizade ambientada em um antigo cinema de rua, na costa sul da Inglaterra, durante a década de 1980. Em um período de recessão, onde o desemprego e o racismo assombravam a sociedade, conhecemos Hilary (Olivia Colman), uma adorada gerente que sofre com sua sua instabilidade de humor e depressão. Embora ela tenha uma ótima relação com seus companheiros de trabalho, seu estado de solidão e tristeza, mesmo em tratamento, parece cada vez mais profundo. Quando o novo vendedor de ingressos, Stephen (Micheal Ward), um simpático jovem negro, percebe sua conexão com Hilary, um ar de esperança toma conta do ambiente até que as coisas saem do controle. Confira o trailer:
Em um primeiro olhar, você pode imaginar que "Império da Luz" se trata de um filme nostálgico, talvez até autoral, sobre o cinema. Não se engane, o filme está longe de representar o que foi "Cinema Paradiso" e mais recentemente "Os Fabelmans". Aqui o foco está na importância de uma conexão humana verdadeira, tendo a magia do cinema apenas como subtexto para envolver, ou até "empacotar", os inúmeros temas espinhosos que o roteiro faz questão de levantar. Sem dúvida que a "forma" como o diretor Sam Mendes (de "1917") constrói essa narrativa, ao lado de seu parceiro na fotografia, Roger Deakins (de "Blade Runner 2049" e também "1917"), impressiona tanto pela beleza quanto pelo simbolismo gráfico. Deakins empresta para aquela ambientação litorânea, um olhar que estimula a audiência a enxergar esse conto moral de uma maneira menos grosseira - em algumas passagens, até mais gentil do que o próprio texto mereceria.
Com (a sempre impressionante) Olivia Colman e seu parceiro de cena, Micheal Ward, temos um embate sentimental, ideológico e marcante, onde as dores desses dois personagens muitas vezes se sobrepõem até ao verdadeiro objetivo do próprio texto. O que eu quero dizer é que a história pode até patinar em sua pretensão de cobrir tantos assuntos importantes em tão pouco tempo, mas quando o elenco coloca toda sua verdade em cena, percebemos o quanto o racismo e as consequências de distúrbios mentais podem impactar nas relações humanas, cada qual em sua forma de enxergar o mundo. E é justamente nesse momento que o ponto de convergência entre realidade e fantasia encontra seu valor: o cinema é tratado como ferramenta de escapismo, com planos que são verdadeiras pinturas e que, de fato, fazem todo sentido ao drama que Mendes vai pontuando "visualmente" com muita sensibilidade.
"Empire Of Light" (no original) tem mais acertos do que erros, mas deve agradar quem está a procura de um drama menos convencional. Se em alguns momentos da história você tem a exata sensação de estar de frente com uma trama simplista e pouco inspirada, em outros a impressão é que tudo é tão profundo e cuidadoso que até uma pausa para a reflexão se faz necessária - e aqui cito uma passagem que vai fazer muita diferença na sua experiência (e que apenas o mais atentos podem ter percebido): reparem quando Hilary, já no final do filme, assiste "Muito Além do Jardim", clássico de Hal Ashby. Ele serve como uma espécie de síntese para sua história, por ser uma mulher que também precisa olhar além de sua enfermidade para poder libertar a si mesma de uma casca inerte. Veja, é nesse tipo de detalhe que entendemos a complexidade desse grande filme!
Vale muito o seu play!
Existe uma beleza em "Império da Luz" que dificilmente percebemos se não nos permitimos mergulhar na proposta dramática do diretor - e digo isso, pois esse tipo de filme parece se apropriar dos sentimentos mais íntimos de seu realizador, de sua identidade como artista, de seu modo de interpretar algumas questões e até do seu olhar mais poético, para, aí sim, encontrar uma audiência capaz de enxergar aquela história como algo único, sensível e tocante. A magia do cinema, desde seu enquadramento ao trabalho dedicado dos atores, é capaz de alcançar essa complexidade sem tanto esforço, basta um quadro; no entanto, ao sentirmos a verdade, quase sempre, saímos transformados e com o coração, digamos, mais aquecido - então saiba: se aqui não encontraremos uma unanimidade, pode ter certeza, existirá uma conexão capaz de explicar muitas coisas escondidas dentro de nós.
Essa é uma história de amor e amizade ambientada em um antigo cinema de rua, na costa sul da Inglaterra, durante a década de 1980. Em um período de recessão, onde o desemprego e o racismo assombravam a sociedade, conhecemos Hilary (Olivia Colman), uma adorada gerente que sofre com sua sua instabilidade de humor e depressão. Embora ela tenha uma ótima relação com seus companheiros de trabalho, seu estado de solidão e tristeza, mesmo em tratamento, parece cada vez mais profundo. Quando o novo vendedor de ingressos, Stephen (Micheal Ward), um simpático jovem negro, percebe sua conexão com Hilary, um ar de esperança toma conta do ambiente até que as coisas saem do controle. Confira o trailer:
Em um primeiro olhar, você pode imaginar que "Império da Luz" se trata de um filme nostálgico, talvez até autoral, sobre o cinema. Não se engane, o filme está longe de representar o que foi "Cinema Paradiso" e mais recentemente "Os Fabelmans". Aqui o foco está na importância de uma conexão humana verdadeira, tendo a magia do cinema apenas como subtexto para envolver, ou até "empacotar", os inúmeros temas espinhosos que o roteiro faz questão de levantar. Sem dúvida que a "forma" como o diretor Sam Mendes (de "1917") constrói essa narrativa, ao lado de seu parceiro na fotografia, Roger Deakins (de "Blade Runner 2049" e também "1917"), impressiona tanto pela beleza quanto pelo simbolismo gráfico. Deakins empresta para aquela ambientação litorânea, um olhar que estimula a audiência a enxergar esse conto moral de uma maneira menos grosseira - em algumas passagens, até mais gentil do que o próprio texto mereceria.
Com (a sempre impressionante) Olivia Colman e seu parceiro de cena, Micheal Ward, temos um embate sentimental, ideológico e marcante, onde as dores desses dois personagens muitas vezes se sobrepõem até ao verdadeiro objetivo do próprio texto. O que eu quero dizer é que a história pode até patinar em sua pretensão de cobrir tantos assuntos importantes em tão pouco tempo, mas quando o elenco coloca toda sua verdade em cena, percebemos o quanto o racismo e as consequências de distúrbios mentais podem impactar nas relações humanas, cada qual em sua forma de enxergar o mundo. E é justamente nesse momento que o ponto de convergência entre realidade e fantasia encontra seu valor: o cinema é tratado como ferramenta de escapismo, com planos que são verdadeiras pinturas e que, de fato, fazem todo sentido ao drama que Mendes vai pontuando "visualmente" com muita sensibilidade.
"Empire Of Light" (no original) tem mais acertos do que erros, mas deve agradar quem está a procura de um drama menos convencional. Se em alguns momentos da história você tem a exata sensação de estar de frente com uma trama simplista e pouco inspirada, em outros a impressão é que tudo é tão profundo e cuidadoso que até uma pausa para a reflexão se faz necessária - e aqui cito uma passagem que vai fazer muita diferença na sua experiência (e que apenas o mais atentos podem ter percebido): reparem quando Hilary, já no final do filme, assiste "Muito Além do Jardim", clássico de Hal Ashby. Ele serve como uma espécie de síntese para sua história, por ser uma mulher que também precisa olhar além de sua enfermidade para poder libertar a si mesma de uma casca inerte. Veja, é nesse tipo de detalhe que entendemos a complexidade desse grande filme!
Vale muito o seu play!
Se você está em busca de uma experiência cinematográfica que misture boas risadas com algumas lágrimas de emoção, nem perca seu tempo lendo essa análise - pode dar o play que seu entretenimento está garantido! Ao embarcar na incrível jornada que é "Intocáveis", dirigido e escrito por Olivier Nakache e Éric Toledano, você vai encontrar um verdadeiro tesouro do cinema contemporâneo, graças a uma história cativante, com elementos técnicos extremamente bem trabalhados, da direção às performances do elenco (passando pela fotografia e trilha sonora impecáveis), além de uma rara conexão emocional tão profunda que nos acompanha muito depois dos créditos finais. Olha, essa premiadíssima produção francesa de 2011 é realmente imperdível!
Na trama somos apresentado a uma improvável amizade entre o rabugento Philippe (François Cluzet), um aristocrata rico que sofreu um grave acidente e ficou tetraplégico, e o esforçado Driss (Omar Sy), um jovem problemático que não tem a menor experiência em cuidar de pessoas com problemas físicos. Aos poucos, Driss aprende a função, apesar das diversas gafes que comete. Philippe, por sua vez, se afeiçoa cada vez mais pelo jovem por ele não tratá-lo como um pobre coitado. Confira o trailer e saiba o que espera:
"Intocáveis" mergulha na jornada de transformação de ambos os personagens, explorando suas diferenças culturais e sociais de maneira tocante. A narrativa tem o mérito de equilibrar momentos hilários com passagens de grande emoção, receita infalível para conquistar os corações da audiência. O filme, de fato, conquistou não apenas os franceses, mas também o público ao redor do mundo - para você ter uma ideia, o filme custou pouco menos de 10 milhões de euros e faturou mais de 425 milhões de dólares. Um verdadeiro fenômeno de bilheteria!
Nakache e Toledano mostram toda sua maestria na direção ao criar passagens que nos envolvem profundamente com a história. Ao focar na importância da empatia e da quebra de barreiras sociais, os cineastas que estiveram juntos na versão francesa de "Sessão de Terapia", exploram com tanta sensibilidade e inteligência a relação entre Philippe e Driss ao ponto de criar um potente lembrete sobre a importância da amizade e como ela pode surgir nas circunstâncias mais inesperadas - reafirmando que e conexão humana vai muito além de diferenças de classe, cultura ou até de currículo.. A cinematografia do talentoso Mathieu Vadepied (que também assina a direção de arte do filme) captura perfeitamente tanto a grandiosidade dos cenários parisienses quanto a intimidade dos momentos compartilhados entre os dois protagonistas com a mesma delicadeza - é impressionante como os planos bem construídos tocam nossa alma. Aliás, falando em tocar a alma, o que dizer da trilha sonora de "Intocáveis"? É ela que dá o tom do filme, intensificando os sentimentos dos personagens e adicionando camadas emocionais à narrativa como poucas vezes encontramos.
"Intocáveis" é mesmo um filme especial - daqueles que deixam uma marca duradoura em quem o assiste devido a sua história envolvente, com valores emocionais verdadeiramente profundos e que elevam sua narrativa muito além de uma simples comédia dramática - como, aliás, a obra é percebida inicialmente. Eu diria que o filme é uma celebração da amizade genuína, da superação de obstáculos e do poder essencial do amor capaz de transformar as relações humanas. Um filme lindo, para rir, para chorar, mas, principalmente, para refletir sobre o que realmente importa nessa breve passagem que vivenciamos por aqui.
Vale muito o seu play!
Se você está em busca de uma experiência cinematográfica que misture boas risadas com algumas lágrimas de emoção, nem perca seu tempo lendo essa análise - pode dar o play que seu entretenimento está garantido! Ao embarcar na incrível jornada que é "Intocáveis", dirigido e escrito por Olivier Nakache e Éric Toledano, você vai encontrar um verdadeiro tesouro do cinema contemporâneo, graças a uma história cativante, com elementos técnicos extremamente bem trabalhados, da direção às performances do elenco (passando pela fotografia e trilha sonora impecáveis), além de uma rara conexão emocional tão profunda que nos acompanha muito depois dos créditos finais. Olha, essa premiadíssima produção francesa de 2011 é realmente imperdível!
Na trama somos apresentado a uma improvável amizade entre o rabugento Philippe (François Cluzet), um aristocrata rico que sofreu um grave acidente e ficou tetraplégico, e o esforçado Driss (Omar Sy), um jovem problemático que não tem a menor experiência em cuidar de pessoas com problemas físicos. Aos poucos, Driss aprende a função, apesar das diversas gafes que comete. Philippe, por sua vez, se afeiçoa cada vez mais pelo jovem por ele não tratá-lo como um pobre coitado. Confira o trailer e saiba o que espera:
"Intocáveis" mergulha na jornada de transformação de ambos os personagens, explorando suas diferenças culturais e sociais de maneira tocante. A narrativa tem o mérito de equilibrar momentos hilários com passagens de grande emoção, receita infalível para conquistar os corações da audiência. O filme, de fato, conquistou não apenas os franceses, mas também o público ao redor do mundo - para você ter uma ideia, o filme custou pouco menos de 10 milhões de euros e faturou mais de 425 milhões de dólares. Um verdadeiro fenômeno de bilheteria!
Nakache e Toledano mostram toda sua maestria na direção ao criar passagens que nos envolvem profundamente com a história. Ao focar na importância da empatia e da quebra de barreiras sociais, os cineastas que estiveram juntos na versão francesa de "Sessão de Terapia", exploram com tanta sensibilidade e inteligência a relação entre Philippe e Driss ao ponto de criar um potente lembrete sobre a importância da amizade e como ela pode surgir nas circunstâncias mais inesperadas - reafirmando que e conexão humana vai muito além de diferenças de classe, cultura ou até de currículo.. A cinematografia do talentoso Mathieu Vadepied (que também assina a direção de arte do filme) captura perfeitamente tanto a grandiosidade dos cenários parisienses quanto a intimidade dos momentos compartilhados entre os dois protagonistas com a mesma delicadeza - é impressionante como os planos bem construídos tocam nossa alma. Aliás, falando em tocar a alma, o que dizer da trilha sonora de "Intocáveis"? É ela que dá o tom do filme, intensificando os sentimentos dos personagens e adicionando camadas emocionais à narrativa como poucas vezes encontramos.
"Intocáveis" é mesmo um filme especial - daqueles que deixam uma marca duradoura em quem o assiste devido a sua história envolvente, com valores emocionais verdadeiramente profundos e que elevam sua narrativa muito além de uma simples comédia dramática - como, aliás, a obra é percebida inicialmente. Eu diria que o filme é uma celebração da amizade genuína, da superação de obstáculos e do poder essencial do amor capaz de transformar as relações humanas. Um filme lindo, para rir, para chorar, mas, principalmente, para refletir sobre o que realmente importa nessa breve passagem que vivenciamos por aqui.
Vale muito o seu play!
A vida como ela é - talvez uns dois (ou três) tons acima, capaz de causar um desconforto proposital tão palpável que não se espante se você se reconhecer em algumas das situações que vai encontrar ao longo dessas duas temporadas. "Life & Beth", lançada pelo Hulu em 2022, é uma série de dramédia que explora a vida de uma mulher em busca de sentido e renovação após passar por um evento trágico que a força confrontar o passado para tentar entender o futuro que a espera. Mesclando um humor requintado (sempre na medida certa) e momentos profundamente emocionais, "Life & Beth", eu diria, é uma reflexão honesta sobre conexão na busca por identidade, por autoconhecimento e por aprendizado ao lidar com o trauma. Amy Schumer, criadora do projeto, é conhecida nos EUA por seu estilo de comédia mordaz e provocadora, no entanto, aqui, ela entrega uma jornada mais introspectiva e sutil, revelando uma faceta de sua atuação que vai além do tradicional - e funciona (mesmo que não para todos)!
Beth (Schumer) é uma mulher de 30 e poucos anos que vive em Nova York e aparentemente tem uma vida estável e bem-sucedida. No entanto, após um incidente que abala sua vida, ela se vê forçada a reavaliar suas escolhas e repensar quem realmente é e o que quer da vida. Esse processo a leva de volta para Long Island onde cresceu, porém agora Beth precisa lidar com as memórias de sua infância e adolescência, enquanto tenta encontrar um novo caminho de amadurecimento. Confira o trailer:
Fácil na teoria, mas extremamente complicado na prática, uma das forças de "Life & Beth" está justamente na forma como a série sabe equilibrar o humor com o drama. Embora Amy Schumer seja conhecida pelo "over", aqui ela opta por um conceito mais contido, entregando momentos de vulnerabilidade genuína que exploram o impacto de traumas do passado e o desafio que é redefinir a própria identidade na vida adulta. O humor, embora presente, é mais delicado no conteúdo e muitas vezes vem de situações cotidianas e constrangedoras em sua forma, ou seja, em vez de piadas diretas, o divertido está na provocação inteligente da união muitas vezes desconexa do texto com a imagem. Essa proposta cria uma narrativa realmente envolvente que é ao mesmo tempo tocante e engraçada para aqueles que gostam de dramas de relação.
Amy Schumer, como não poderia deixar de ser, leva a série nas costas - ela oferece uma performance surpreendentemente emocional como Beth. Schumer consegue capturar a ambiguidade de uma mulher que, por fora, parece ter tudo sob controle, mas por dentro está profundamente insatisfeita e perdida. Sua atuação alinhado com o seu texto, é cheia de nuances - ela de fato mostra uma capacidade impressionante ao transmitir a complexidade de Beth sem recorrer ao escrachado. Essa jornada de redescoberta é cheia de momentos íntimos que destacam a pressão social para se ter sucesso, para que as expectativas de felicidade se comprovem e para que o peso dos traumas de infância seja apenas uma fase. Quanto ao elenco, destaco também o trabalho de Michael Cera - seu John, um fazendeiro excêntrico e interesse amoroso de Beth, traz uma atuação sutil e cativante, equilibrando uma certa inocência com seu jeito peculiar e tranquilo de enxergar a vida.
"Life & Beth" é eficaz ao explorar como o passado pode influenciar nossas decisões quando adultas, e como muitas vezes somos forçados a confrontá-lo para encontrar um caminho mais autêntico - muita atenção as discussões levantadas sobre os traumas familiares e as expectativas que são impostas desde a juventude. Mesmo que a série soe ter um ritmo mais lento, especialmente para aqueles que esperam um foco maior na comédia, eu adianto que "Life & Beth" entrega muito ao desenvolver sua narrativa de uma forma mais reflexiva e introspectiva, se apoiando em uma abordagem sincera sobre os desafios da "nossa" vida adulta com muita sabedoria.
Vale muito o seu play!
A vida como ela é - talvez uns dois (ou três) tons acima, capaz de causar um desconforto proposital tão palpável que não se espante se você se reconhecer em algumas das situações que vai encontrar ao longo dessas duas temporadas. "Life & Beth", lançada pelo Hulu em 2022, é uma série de dramédia que explora a vida de uma mulher em busca de sentido e renovação após passar por um evento trágico que a força confrontar o passado para tentar entender o futuro que a espera. Mesclando um humor requintado (sempre na medida certa) e momentos profundamente emocionais, "Life & Beth", eu diria, é uma reflexão honesta sobre conexão na busca por identidade, por autoconhecimento e por aprendizado ao lidar com o trauma. Amy Schumer, criadora do projeto, é conhecida nos EUA por seu estilo de comédia mordaz e provocadora, no entanto, aqui, ela entrega uma jornada mais introspectiva e sutil, revelando uma faceta de sua atuação que vai além do tradicional - e funciona (mesmo que não para todos)!
Beth (Schumer) é uma mulher de 30 e poucos anos que vive em Nova York e aparentemente tem uma vida estável e bem-sucedida. No entanto, após um incidente que abala sua vida, ela se vê forçada a reavaliar suas escolhas e repensar quem realmente é e o que quer da vida. Esse processo a leva de volta para Long Island onde cresceu, porém agora Beth precisa lidar com as memórias de sua infância e adolescência, enquanto tenta encontrar um novo caminho de amadurecimento. Confira o trailer:
Fácil na teoria, mas extremamente complicado na prática, uma das forças de "Life & Beth" está justamente na forma como a série sabe equilibrar o humor com o drama. Embora Amy Schumer seja conhecida pelo "over", aqui ela opta por um conceito mais contido, entregando momentos de vulnerabilidade genuína que exploram o impacto de traumas do passado e o desafio que é redefinir a própria identidade na vida adulta. O humor, embora presente, é mais delicado no conteúdo e muitas vezes vem de situações cotidianas e constrangedoras em sua forma, ou seja, em vez de piadas diretas, o divertido está na provocação inteligente da união muitas vezes desconexa do texto com a imagem. Essa proposta cria uma narrativa realmente envolvente que é ao mesmo tempo tocante e engraçada para aqueles que gostam de dramas de relação.
Amy Schumer, como não poderia deixar de ser, leva a série nas costas - ela oferece uma performance surpreendentemente emocional como Beth. Schumer consegue capturar a ambiguidade de uma mulher que, por fora, parece ter tudo sob controle, mas por dentro está profundamente insatisfeita e perdida. Sua atuação alinhado com o seu texto, é cheia de nuances - ela de fato mostra uma capacidade impressionante ao transmitir a complexidade de Beth sem recorrer ao escrachado. Essa jornada de redescoberta é cheia de momentos íntimos que destacam a pressão social para se ter sucesso, para que as expectativas de felicidade se comprovem e para que o peso dos traumas de infância seja apenas uma fase. Quanto ao elenco, destaco também o trabalho de Michael Cera - seu John, um fazendeiro excêntrico e interesse amoroso de Beth, traz uma atuação sutil e cativante, equilibrando uma certa inocência com seu jeito peculiar e tranquilo de enxergar a vida.
"Life & Beth" é eficaz ao explorar como o passado pode influenciar nossas decisões quando adultas, e como muitas vezes somos forçados a confrontá-lo para encontrar um caminho mais autêntico - muita atenção as discussões levantadas sobre os traumas familiares e as expectativas que são impostas desde a juventude. Mesmo que a série soe ter um ritmo mais lento, especialmente para aqueles que esperam um foco maior na comédia, eu adianto que "Life & Beth" entrega muito ao desenvolver sua narrativa de uma forma mais reflexiva e introspectiva, se apoiando em uma abordagem sincera sobre os desafios da "nossa" vida adulta com muita sabedoria.
Vale muito o seu play!
Um estado de indecisão, incerteza, indefinição; é mais ou menos isso que significa "Limbo" em seu sentido figurado. "Limbo", o filme, usa de alguma simbologia para contar a história dolorosa de como é estar em um país desconhecido, cercado de incertezas, sendo um refugiado. Dirigido pelo talentoso Ben Sharrock (de "Pikadero"), essa produção britânica é um verdadeiro soco no estômago ao narrar com muita sensibilidade, mas sem deixar de pesar na mão no texto e no visual, toda a dor, sofrimento e humilhação que essas pessoas sofrem ao sair de sua terra natal, do seu lugar, de suas referências, para encarar o desconhecido na busca pela liberdade. Aqui um elemento chama atenção: a perda de toda a essência que se tem de si e da sua cultura - é de machucar a alma.
"Limbo", basicamente, conta a história de Omar (Amir El-Masry), um jovem sírio que se vê obrigado a fugir de seu país devido os conflitos sociais e políticos que já conhecemos. Juntamente com outros três refugiados, um do Afeganistão, um de Gana e um da Nigéria, ele finca morada em uma remota e gélida ilha ao sul da Escócia enquanto espera a regularização de sua situação como refugiado. No entanto, é na relação com seus pais, que também se refugiam não muito longe da Síria, e com seu irmão, que resolveu ficar e lutar, que seus fantasmas ganham força e as lembranças tomam proporções quase insuportáveis. Confira o trailer (em inglês):
Com um tom bastante autoral, Sharrock sabe da dramaticidade de sua história, no entanto ele busca suavizar essa jornada usando um certo humor ácido para contar esse lado obscuro do abandono. Não sei se em algum momento achamos graça de algo, talvez um certo alívio com o personagem Farhad (Vikash Bhai), um afegão apaixonado por Freddie Mercury; mas fora isso somos muito tocados é mesmo pelas situações e também pela subjetividade de uma narrativa precisa que dá uma sofisticada em “Limbo” - tanto é que o filme foi indicado em duas categorias no "BAFTA Awards" e foi um dos vencedores no renomado Festival de San Sebastián.
Logo de cara já chama a atenção ver que o filme é apresentado em uma janela 4:3 e não 16:9. Esse aspecto provoca uma sensação de aprisionamento e mesmo não sendo uma grande inovação criativa, funciona para criar uma atmosfera de desconforto em quem assiste. Os planos lindamente construídos pelo fotógrafo Nick Cooke (de "Anadolu Leopar") parecem pinturas, por outro lado, exploram perfeitamente as sensações mais profundas de melancolia e de esperança simultaneamente - uma linha tênue, mas essencial para o sucesso da narrativa. Aliás, é impressionante como "Limbo" traz aquele contexto emocional complexo de "Nomadland" e "Sombras da Vida".
"Limbo" não é apenas um filme sobre refugiados, é uma experiência visceral que transcende barreiras culturais e ressoa com a essência da humanidade - perdida nas bolhas dos "especialistas de Instagram". De fato não é um filme fácil, sua estética mais autoral não será uma unanimidade e seu ritmo deve afastar boa parte da audiência; agora, e é preciso que se dia, ao embarcar na proposta de Ben Sharrock você estará diante de uma obra de arte que, além de sua beleza estética, oferece uma reflexão realista sobre a busca por identidade e pertencimento. Esqueça os estereótipos, Amir El-Masry é o que mais tememos dentro das jornadas das histórias humanas - ele é a personificação da solidão, da saudade, do receio de falhar, e isso dói de verdade!
Um testemunho duradouro de resiliência e da busca pela esperança em tempos adversos, dê o play e encare essa jornada com o coração aberto!
Um estado de indecisão, incerteza, indefinição; é mais ou menos isso que significa "Limbo" em seu sentido figurado. "Limbo", o filme, usa de alguma simbologia para contar a história dolorosa de como é estar em um país desconhecido, cercado de incertezas, sendo um refugiado. Dirigido pelo talentoso Ben Sharrock (de "Pikadero"), essa produção britânica é um verdadeiro soco no estômago ao narrar com muita sensibilidade, mas sem deixar de pesar na mão no texto e no visual, toda a dor, sofrimento e humilhação que essas pessoas sofrem ao sair de sua terra natal, do seu lugar, de suas referências, para encarar o desconhecido na busca pela liberdade. Aqui um elemento chama atenção: a perda de toda a essência que se tem de si e da sua cultura - é de machucar a alma.
"Limbo", basicamente, conta a história de Omar (Amir El-Masry), um jovem sírio que se vê obrigado a fugir de seu país devido os conflitos sociais e políticos que já conhecemos. Juntamente com outros três refugiados, um do Afeganistão, um de Gana e um da Nigéria, ele finca morada em uma remota e gélida ilha ao sul da Escócia enquanto espera a regularização de sua situação como refugiado. No entanto, é na relação com seus pais, que também se refugiam não muito longe da Síria, e com seu irmão, que resolveu ficar e lutar, que seus fantasmas ganham força e as lembranças tomam proporções quase insuportáveis. Confira o trailer (em inglês):
Com um tom bastante autoral, Sharrock sabe da dramaticidade de sua história, no entanto ele busca suavizar essa jornada usando um certo humor ácido para contar esse lado obscuro do abandono. Não sei se em algum momento achamos graça de algo, talvez um certo alívio com o personagem Farhad (Vikash Bhai), um afegão apaixonado por Freddie Mercury; mas fora isso somos muito tocados é mesmo pelas situações e também pela subjetividade de uma narrativa precisa que dá uma sofisticada em “Limbo” - tanto é que o filme foi indicado em duas categorias no "BAFTA Awards" e foi um dos vencedores no renomado Festival de San Sebastián.
Logo de cara já chama a atenção ver que o filme é apresentado em uma janela 4:3 e não 16:9. Esse aspecto provoca uma sensação de aprisionamento e mesmo não sendo uma grande inovação criativa, funciona para criar uma atmosfera de desconforto em quem assiste. Os planos lindamente construídos pelo fotógrafo Nick Cooke (de "Anadolu Leopar") parecem pinturas, por outro lado, exploram perfeitamente as sensações mais profundas de melancolia e de esperança simultaneamente - uma linha tênue, mas essencial para o sucesso da narrativa. Aliás, é impressionante como "Limbo" traz aquele contexto emocional complexo de "Nomadland" e "Sombras da Vida".
"Limbo" não é apenas um filme sobre refugiados, é uma experiência visceral que transcende barreiras culturais e ressoa com a essência da humanidade - perdida nas bolhas dos "especialistas de Instagram". De fato não é um filme fácil, sua estética mais autoral não será uma unanimidade e seu ritmo deve afastar boa parte da audiência; agora, e é preciso que se dia, ao embarcar na proposta de Ben Sharrock você estará diante de uma obra de arte que, além de sua beleza estética, oferece uma reflexão realista sobre a busca por identidade e pertencimento. Esqueça os estereótipos, Amir El-Masry é o que mais tememos dentro das jornadas das histórias humanas - ele é a personificação da solidão, da saudade, do receio de falhar, e isso dói de verdade!
Um testemunho duradouro de resiliência e da busca pela esperança em tempos adversos, dê o play e encare essa jornada com o coração aberto!
Essa é uma série para você assistir acompanhado e acredite: vocês, juntos, vão rir de si. "Machos Alfa", é uma divertida comédia espanhola da Netflix que explora com sagacidade e ironia as transformações das dinâmicas de gênero em um mundo cada vez mais atento às questões de igualdade e empatia. Criada por Alberto Caballero, Laura Caballero e Daniel Deorador (reponsáveis pela premiada "La que se Avecina"), a série oferece uma abordagem cômica, mas crítica, sobre como os homens lidam com a desconstrução de sua masculinidade tradicional, em uma sociedade que avança para além dos antigos estereótipos. Com um tom que lembra produções como "Sentimental" misturado à perspicácia narrativa de "O que os homens falam" , "Machos Alfa" é o exemplo perfeito do equilíbrio primoroso entre humor, crítica social e desenvolvimento de ótimos personagens.
A série segue um grupo de quatro amigos: Pedro (Fernando Gil), Santi (Raúl Tejón), Luis (Fele Martínez) e Raúl (Gorka Otxoa). Todos enfrentam crises pessoais e profissionais enquanto tentam se adaptar às mudanças em suas vidas e em seus relacionamentos. Cada um representa um arquétipo masculino que é desconstruído ao longo da narrativa, seja pelo confronto com as expectativas sociais, seja por suas próprias inseguranças. A trama, que é leve e dinâmica, entrelaça os desafios desses homens com situações cômicas e por vezes reflexivas, criando uma jornada que é tão divertida quanto provocativa. Confira o trailer (com legendas em inglês):
Sem a menor dúvida que o roteiro assinado pelo trio criativo, é um dos grandes pontos fortes de "Machos Alfa".. Ele aborda questões sobre o machismo estrutural, sobre as relações de poder, sobre sexualidade e sobre a vulnerabilidade emocional, sempre com diálogos rápidos, repletos de ironia e de identificação. Apesar do tom cômico predominante, a série brilha ao conseguir explorar esses temas sem superficialidade, utilizando o humor "apenas" como ferramenta narrativa para provocar reflexão e, principalmente, gerar empatia. O equilíbrio entre situações absurdas e os momentos mais sensíveis permite que a audiência se conecte com os personagens, mesmo quando suas atitudes são moralmente questionáveis.
Laura Caballero, também responsável pela direção, imprime um ritmo ágil e um conceito acessível à série. A escolha de cores vivas e cenários cotidianos reflete uma atmosfera leve e contemporâneo de produção, enquanto os enquadramentos frequentemente destacam os momentos de constrangimento ou de revelação dos personagens, reforçando a ideia de que a desconstrução masculina é tanto um caminho individual quanto coletivo. As performances do elenco principal são cativantes e contribuem significativamente para o sucesso de "Machos Alfa". Fernando Gil destaca-se por sua capacidade de transmitir o conflito interno de um homem que tenta equilibrar seu ego e suas inseguranças em um casamento instável. Raúl Tejón traz uma mistura de ingenuidade e charme, enquanto Fele Martínez entrega um Luis que é ao mesmo tempo adorável e patético. Já Gorka Otxoa, por sua vez, tem uma intensidade cômica que frequentemente rouba a cena - para mim, o melhor dos quatro.
Veja, ao longo das temporadas, "Machos Alfa" acerta ao desenvolver arcos narrativos que crescem em complexidade sem a pressa de ter que se provar. A série evita repetir fórmulas e investe no aprofundamento dos personagens e em suas relações, pois sabe do seu potencial. No entanto, alguns episódios podem até parecer arrastados ou exagerar nas situações cômicas - o que de fato dilui a força das mensagens, mas acredite, essa é uma comédia tão inteligente e tão atual que nem nos damos conta dos seus pequenos deslizes. Saiba que "Machos Alfa" combina humor e crítica de maneira coerente, nos proporcionando assim uma experiência realmente divertida e bastante relevante.
Vale muito o seu play!
Essa é uma série para você assistir acompanhado e acredite: vocês, juntos, vão rir de si. "Machos Alfa", é uma divertida comédia espanhola da Netflix que explora com sagacidade e ironia as transformações das dinâmicas de gênero em um mundo cada vez mais atento às questões de igualdade e empatia. Criada por Alberto Caballero, Laura Caballero e Daniel Deorador (reponsáveis pela premiada "La que se Avecina"), a série oferece uma abordagem cômica, mas crítica, sobre como os homens lidam com a desconstrução de sua masculinidade tradicional, em uma sociedade que avança para além dos antigos estereótipos. Com um tom que lembra produções como "Sentimental" misturado à perspicácia narrativa de "O que os homens falam" , "Machos Alfa" é o exemplo perfeito do equilíbrio primoroso entre humor, crítica social e desenvolvimento de ótimos personagens.
A série segue um grupo de quatro amigos: Pedro (Fernando Gil), Santi (Raúl Tejón), Luis (Fele Martínez) e Raúl (Gorka Otxoa). Todos enfrentam crises pessoais e profissionais enquanto tentam se adaptar às mudanças em suas vidas e em seus relacionamentos. Cada um representa um arquétipo masculino que é desconstruído ao longo da narrativa, seja pelo confronto com as expectativas sociais, seja por suas próprias inseguranças. A trama, que é leve e dinâmica, entrelaça os desafios desses homens com situações cômicas e por vezes reflexivas, criando uma jornada que é tão divertida quanto provocativa. Confira o trailer (com legendas em inglês):
Sem a menor dúvida que o roteiro assinado pelo trio criativo, é um dos grandes pontos fortes de "Machos Alfa".. Ele aborda questões sobre o machismo estrutural, sobre as relações de poder, sobre sexualidade e sobre a vulnerabilidade emocional, sempre com diálogos rápidos, repletos de ironia e de identificação. Apesar do tom cômico predominante, a série brilha ao conseguir explorar esses temas sem superficialidade, utilizando o humor "apenas" como ferramenta narrativa para provocar reflexão e, principalmente, gerar empatia. O equilíbrio entre situações absurdas e os momentos mais sensíveis permite que a audiência se conecte com os personagens, mesmo quando suas atitudes são moralmente questionáveis.
Laura Caballero, também responsável pela direção, imprime um ritmo ágil e um conceito acessível à série. A escolha de cores vivas e cenários cotidianos reflete uma atmosfera leve e contemporâneo de produção, enquanto os enquadramentos frequentemente destacam os momentos de constrangimento ou de revelação dos personagens, reforçando a ideia de que a desconstrução masculina é tanto um caminho individual quanto coletivo. As performances do elenco principal são cativantes e contribuem significativamente para o sucesso de "Machos Alfa". Fernando Gil destaca-se por sua capacidade de transmitir o conflito interno de um homem que tenta equilibrar seu ego e suas inseguranças em um casamento instável. Raúl Tejón traz uma mistura de ingenuidade e charme, enquanto Fele Martínez entrega um Luis que é ao mesmo tempo adorável e patético. Já Gorka Otxoa, por sua vez, tem uma intensidade cômica que frequentemente rouba a cena - para mim, o melhor dos quatro.
Veja, ao longo das temporadas, "Machos Alfa" acerta ao desenvolver arcos narrativos que crescem em complexidade sem a pressa de ter que se provar. A série evita repetir fórmulas e investe no aprofundamento dos personagens e em suas relações, pois sabe do seu potencial. No entanto, alguns episódios podem até parecer arrastados ou exagerar nas situações cômicas - o que de fato dilui a força das mensagens, mas acredite, essa é uma comédia tão inteligente e tão atual que nem nos damos conta dos seus pequenos deslizes. Saiba que "Machos Alfa" combina humor e crítica de maneira coerente, nos proporcionando assim uma experiência realmente divertida e bastante relevante.
Vale muito o seu play!
Simplesmente genial - e vou mais longe, se "O Urso" despontou como uma das mais agradáveis surpresas de 2022, eu diria que, para nós, "Meu Querido Zelador" tem tudo para assumir esse papel em 2023. Muito inteligente, divertida, envolvente e especialmente irônica, bem ao estilo de seus criadores, os geniais Mariano Cohn e Gastón Duprat (aqui com Martin Bustos também), a série se destaca por uma abordagem única de eventos da vida real explorados com um certo exagero, claro, mas nunca fugindo das nuances cotidianas do relacionamento entre um "zelador" e os moradores de um prédio. Oferecendo uma experiência que vai além do humor convencional, Cohn e Duprat acertam de novo e provam, mais uma vez, que o sucesso de "Cidadão Ilustre" e "O Faz Nada" não foi por acaso.
Eliseo (Guillermo Francella) é um dedicado zelador de um edifício de alto padrão em Buenos Aires. Trabalhando há 30 anos no mesmo local, ele conhece todos aqueles que moram e trabalham por ali. Apesar de dedicar-se ao seu trabalho, Eliseo possui uma habilidade única de persuasão, aprimorada ao longo dos anos, que lhe permite saber tudo o que acontece no prédio. Quando necessário, inclusive, ele abusa desse seu poder de manipular os moradores para seu próprio bem. No entanto, seu senso de justiça o faz distinguir quem merece ou não sua proteção, e quando ele passa a ser a "vítima" de um grupo de moradores que querem modernizar o local, o que obviamente custaria seu emprego, Eliseu inicia uma cruzada para provar o seu real valor, custe o que custar. Confira o trailer (em espanhol):
Em um primeiro olhar, é impossível não ficar entusiasmado com a capacidade de Francella em nos conquistar com o seu Eliseo. E aqui eu peço licença para citar duas referências importantes sobre o personagem - ele, nem de longe, é unidimensional. Eliseu tem uma complexidade emocional que vai além do estereótipo que a própria narrativa procura pontuar para que a história ganhe um tom mais leve. Veja, ele faz com que "Meu Querido Zelador" transite entre a critica social dos personagens de "Parasita" e a dualidade genial de Walter White em "Breaking Bad". Eu sei que pode parecer exagerado, mas os elementos que constroem a trama, e consequentemente o seu protagonista, nos faz refletir sobre o que é certo e o que é errado a cada nosso desafio que Eliseo precisa superar para manter o seu emprego.
Sim, ao assistir "Meu Querido Zelador" somos cativados por uma nova perspectiva sobre as relações humanas - especialmente aquela que chamamos de "ocasião". A maneira como o roteiro subverte nossas expectativas é tão genial quanto as ferramentas corporais de Francella ao se desconstruir de acordo com a situação que acabou de lidar. Não tenho certeza se a série não transcende os estereótipos de tão real que é aquela dinâmica entre zelador e moradores; o que eu sei é que é muito fácil se conectar com tudo aquilo. A direção está 100% alinhada ao ótimo texto, capturando a essência de cada conflito sem esquecer do equilíbrio vital do cômico com o dramático - reparem como o texto brinca com essa gramática a todo instante de forma tão genuína.
"Meu Querido Zelador" oferece uma experiência imperdível, que vai muito além das risadas superficiais e das bengalas que algumas comédias insistem em repetir. Os elementos que poderiam passar despercebidos, como um olhar, uma pausa ou um sorriso amarelo, se revelam essenciais para a riqueza que é a narrativa da série. Não se surpreenda se você se sentir nervoso, ansioso ou angustiado ao assistir algum dos onze episódios dessa primeira temporada, pois aquele clima constante de “vai dar m...” vai sendo construído, se acumulando, criando brechas até que, de repente, vem aquela deliciosa sensação de alivio.
Viciante e com um leve sabor vingança, seu play é obrigatório!
Simplesmente genial - e vou mais longe, se "O Urso" despontou como uma das mais agradáveis surpresas de 2022, eu diria que, para nós, "Meu Querido Zelador" tem tudo para assumir esse papel em 2023. Muito inteligente, divertida, envolvente e especialmente irônica, bem ao estilo de seus criadores, os geniais Mariano Cohn e Gastón Duprat (aqui com Martin Bustos também), a série se destaca por uma abordagem única de eventos da vida real explorados com um certo exagero, claro, mas nunca fugindo das nuances cotidianas do relacionamento entre um "zelador" e os moradores de um prédio. Oferecendo uma experiência que vai além do humor convencional, Cohn e Duprat acertam de novo e provam, mais uma vez, que o sucesso de "Cidadão Ilustre" e "O Faz Nada" não foi por acaso.
Eliseo (Guillermo Francella) é um dedicado zelador de um edifício de alto padrão em Buenos Aires. Trabalhando há 30 anos no mesmo local, ele conhece todos aqueles que moram e trabalham por ali. Apesar de dedicar-se ao seu trabalho, Eliseo possui uma habilidade única de persuasão, aprimorada ao longo dos anos, que lhe permite saber tudo o que acontece no prédio. Quando necessário, inclusive, ele abusa desse seu poder de manipular os moradores para seu próprio bem. No entanto, seu senso de justiça o faz distinguir quem merece ou não sua proteção, e quando ele passa a ser a "vítima" de um grupo de moradores que querem modernizar o local, o que obviamente custaria seu emprego, Eliseu inicia uma cruzada para provar o seu real valor, custe o que custar. Confira o trailer (em espanhol):
Em um primeiro olhar, é impossível não ficar entusiasmado com a capacidade de Francella em nos conquistar com o seu Eliseo. E aqui eu peço licença para citar duas referências importantes sobre o personagem - ele, nem de longe, é unidimensional. Eliseu tem uma complexidade emocional que vai além do estereótipo que a própria narrativa procura pontuar para que a história ganhe um tom mais leve. Veja, ele faz com que "Meu Querido Zelador" transite entre a critica social dos personagens de "Parasita" e a dualidade genial de Walter White em "Breaking Bad". Eu sei que pode parecer exagerado, mas os elementos que constroem a trama, e consequentemente o seu protagonista, nos faz refletir sobre o que é certo e o que é errado a cada nosso desafio que Eliseo precisa superar para manter o seu emprego.
Sim, ao assistir "Meu Querido Zelador" somos cativados por uma nova perspectiva sobre as relações humanas - especialmente aquela que chamamos de "ocasião". A maneira como o roteiro subverte nossas expectativas é tão genial quanto as ferramentas corporais de Francella ao se desconstruir de acordo com a situação que acabou de lidar. Não tenho certeza se a série não transcende os estereótipos de tão real que é aquela dinâmica entre zelador e moradores; o que eu sei é que é muito fácil se conectar com tudo aquilo. A direção está 100% alinhada ao ótimo texto, capturando a essência de cada conflito sem esquecer do equilíbrio vital do cômico com o dramático - reparem como o texto brinca com essa gramática a todo instante de forma tão genuína.
"Meu Querido Zelador" oferece uma experiência imperdível, que vai muito além das risadas superficiais e das bengalas que algumas comédias insistem em repetir. Os elementos que poderiam passar despercebidos, como um olhar, uma pausa ou um sorriso amarelo, se revelam essenciais para a riqueza que é a narrativa da série. Não se surpreenda se você se sentir nervoso, ansioso ou angustiado ao assistir algum dos onze episódios dessa primeira temporada, pois aquele clima constante de “vai dar m...” vai sendo construído, se acumulando, criando brechas até que, de repente, vem aquela deliciosa sensação de alivio.
Viciante e com um leve sabor vingança, seu play é obrigatório!
Não deixe de assistir esse filme - tenho certeza que você vai se surpreender! O premiado diretor Hirokazu Koreeda, conhecido por explorar com delicadeza as complexidades das relações humanas em filmes como "Assunto de Família" e "Depois da Tempestade", retorna com "Monster" para entregar mais uma obra sensível e multifacetada que transcende o drama familiar para abordar temas importantes como a busca por uma identidade pela perspectiva da empatia - mesmo que inicialmente Koreeda nos guie por um caminho completamente oposto (o que aliás, é genial como proposta narrativa). "Monster", premiado em Cannes pelo seu roteiro em 2023, é um filme que nos convida a olhar para alguns eventos a partir do ponto de vista de três personagens, desafiando a ideia de uma única verdade. Inegavelmente provocador se tratando de uma produção japonesa, esse é um filme que encontra ecos de sua estrutura narrativa em obras como "Close" e "A Caça", ou seja, esteja preparado para uma jornada bastante desconfortável que vai, de fato, mexer com suas emoções.
A história começa em uma pequena cidade japonesa, quando Minato (Soya Kurokawa), um menino retraído e sensível, começa a agir de maneira estranha após um incidente na escola. Sua mãe, Saori (Sakura Ando), acredita que um professor, Hori (Eita Nagayama), é o responsável pela mudança de comportamento do filho, o que desencadeia uma série de eventos que gradualmente revelam os segredos e as verdades escondidas sob as aparências cotidianas de uma sociedade tão patriarcal. Confira o trailer:
Sem a menor dúvida, é a proposta narrativa, contada por diferentes olhares (de Saori, do professor Hori e de Minato), que nos move diante de uma trama que sabe brincar com nossa percepção e que vai nos colocando em determinados lugares que dificilmente temos condições de julgar. Cada um dos personagens vai adicionando camadas de nuances e de profundidade ao mistério central que, olha, nos tira do eixo de uma forma muito cruel, eu diria. Koreeda dirige o filme com sutileza e atenção aos detalhes, permitindo que nossas emoções fluam de maneira orgânica, acompanhando os fatos e se transformando a cada novo olhar. Ele utiliza a estrutura narrativa fragmentada para construir uma tensão emocional crescente, enquanto desvenda os eventos de maneira gradual, quase como um quebra-cabeça. O interessante é que o diretor faz escolhas visuais que reforçam essa complexidade, com enquadramentos que frequentemente isolam os personagens em ambientes amplos, sugerindo uma certa desconexão que permeiam suas vidas - é lindo de ver!
Yuji Sakamoto, o roteirista, complementa perfeitamente a abordagem de Koreeda, explorando questões delicadas como bullying, como luto, como a culpa e os desafios de entender e aceitar o outro. Obviamente que "Monster" é o tipo de filme que evita respostas fáceis ou resoluções apressadas, optando por deixar espaço para a interpretação da audiência e para as ambiguidades que tornam a história tão ressonante. Os diálogos são cuidadosamente escritos, muitas vezes revelando mais nas pausas e no silêncio do que necessariamente nas palavras ditas, capturando assim, as dinâmicas de tensão, de angustia, de insegurança, em subtextos realmente marcantes entre os personagens. Sakura Ando, como a mãe protetora de Minato , transmite uma vulnerabilidade comovente e poderosa, enquanto Eita Nagayama entrega uma atuação mais contida como o professor cuja vida é virada de cabeça para baixo pelas suspeitas e preconceitos dos outros. O jovem Soya Kurokawa, o Minato, é extraordinário - ele traz uma autenticidade rara para um papel que exige tanto sutileza quanto intensidade emocional. Seu desempenho é o núcleo emocional do filme, e sua evolução ao longo da narrativa é dolorosa e profundamente impactante (digna de muitos prêmios).
Antes de finalizar, peço que repare na belíssima trilha sonora composta pelo lendário Ryuichi Sakamoto (vencedor do Oscar por "O Último Imperador") - ela é delicada e evocativa, sublinhando as emoções dos personagens sem jamais dominar a narrativa. Suas composições adicionam um ar de melancolia mais poética que só evidencia a beleza do filme. Com tons suaves na sua forma e uma história potente em seu conteúdo, "Monster" é deliciosamente desafiador, ou seja, para aqueles que se identificam com um cinema mais autoral e independente, onde a ambiguidade dita as regras, pode dar o play, pois essa será uma experiência tão rica quanto recompensadora.
Imperdível!
Não deixe de assistir esse filme - tenho certeza que você vai se surpreender! O premiado diretor Hirokazu Koreeda, conhecido por explorar com delicadeza as complexidades das relações humanas em filmes como "Assunto de Família" e "Depois da Tempestade", retorna com "Monster" para entregar mais uma obra sensível e multifacetada que transcende o drama familiar para abordar temas importantes como a busca por uma identidade pela perspectiva da empatia - mesmo que inicialmente Koreeda nos guie por um caminho completamente oposto (o que aliás, é genial como proposta narrativa). "Monster", premiado em Cannes pelo seu roteiro em 2023, é um filme que nos convida a olhar para alguns eventos a partir do ponto de vista de três personagens, desafiando a ideia de uma única verdade. Inegavelmente provocador se tratando de uma produção japonesa, esse é um filme que encontra ecos de sua estrutura narrativa em obras como "Close" e "A Caça", ou seja, esteja preparado para uma jornada bastante desconfortável que vai, de fato, mexer com suas emoções.
A história começa em uma pequena cidade japonesa, quando Minato (Soya Kurokawa), um menino retraído e sensível, começa a agir de maneira estranha após um incidente na escola. Sua mãe, Saori (Sakura Ando), acredita que um professor, Hori (Eita Nagayama), é o responsável pela mudança de comportamento do filho, o que desencadeia uma série de eventos que gradualmente revelam os segredos e as verdades escondidas sob as aparências cotidianas de uma sociedade tão patriarcal. Confira o trailer:
Sem a menor dúvida, é a proposta narrativa, contada por diferentes olhares (de Saori, do professor Hori e de Minato), que nos move diante de uma trama que sabe brincar com nossa percepção e que vai nos colocando em determinados lugares que dificilmente temos condições de julgar. Cada um dos personagens vai adicionando camadas de nuances e de profundidade ao mistério central que, olha, nos tira do eixo de uma forma muito cruel, eu diria. Koreeda dirige o filme com sutileza e atenção aos detalhes, permitindo que nossas emoções fluam de maneira orgânica, acompanhando os fatos e se transformando a cada novo olhar. Ele utiliza a estrutura narrativa fragmentada para construir uma tensão emocional crescente, enquanto desvenda os eventos de maneira gradual, quase como um quebra-cabeça. O interessante é que o diretor faz escolhas visuais que reforçam essa complexidade, com enquadramentos que frequentemente isolam os personagens em ambientes amplos, sugerindo uma certa desconexão que permeiam suas vidas - é lindo de ver!
Yuji Sakamoto, o roteirista, complementa perfeitamente a abordagem de Koreeda, explorando questões delicadas como bullying, como luto, como a culpa e os desafios de entender e aceitar o outro. Obviamente que "Monster" é o tipo de filme que evita respostas fáceis ou resoluções apressadas, optando por deixar espaço para a interpretação da audiência e para as ambiguidades que tornam a história tão ressonante. Os diálogos são cuidadosamente escritos, muitas vezes revelando mais nas pausas e no silêncio do que necessariamente nas palavras ditas, capturando assim, as dinâmicas de tensão, de angustia, de insegurança, em subtextos realmente marcantes entre os personagens. Sakura Ando, como a mãe protetora de Minato , transmite uma vulnerabilidade comovente e poderosa, enquanto Eita Nagayama entrega uma atuação mais contida como o professor cuja vida é virada de cabeça para baixo pelas suspeitas e preconceitos dos outros. O jovem Soya Kurokawa, o Minato, é extraordinário - ele traz uma autenticidade rara para um papel que exige tanto sutileza quanto intensidade emocional. Seu desempenho é o núcleo emocional do filme, e sua evolução ao longo da narrativa é dolorosa e profundamente impactante (digna de muitos prêmios).
Antes de finalizar, peço que repare na belíssima trilha sonora composta pelo lendário Ryuichi Sakamoto (vencedor do Oscar por "O Último Imperador") - ela é delicada e evocativa, sublinhando as emoções dos personagens sem jamais dominar a narrativa. Suas composições adicionam um ar de melancolia mais poética que só evidencia a beleza do filme. Com tons suaves na sua forma e uma história potente em seu conteúdo, "Monster" é deliciosamente desafiador, ou seja, para aqueles que se identificam com um cinema mais autoral e independente, onde a ambiguidade dita as regras, pode dar o play, pois essa será uma experiência tão rica quanto recompensadora.
Imperdível!
"Moonlight" é um grande filme - uma história que mostra uma realidade dura, mas sem ser piegas. Chega ser surpreendente como as coisas acontecem na vida do protagonista! "Moonlight" tem o mérito de focar nas ligações humanas e na auto-descoberta, através da vida de um jovem afro-americano desde a sua infância até à idade adulta, acompanhando a sua luta até encontrar um lugar no mundo à medida que vai crescendo em um bairro pobre de Miami. O filme é um retrato real da vida contemporânea da comunidade afro-americana ao mesmo tempo que é um convite à uma reflexão profundamente pessoal sobre identidade! Confira o trailer:
Sem dúvida, o melhor trabalho entre os indicados ao Oscar 2017 para melhor diretor ao lado do Denis Villeneuve (com "A Chegada") - e isso fez muita diferença no filme, pois a sensibilidade do diretor transformou uma jornada impactante (e até já vista) em algo original e surpreendente em muitos momentos. Baseado no projeto “In Moonlight Black Boys Look Blue” de Tarell Alvin McCraney, acompanhar a transformação na vida de Chiron (Ashton Sanders) durante três fases: infância, adolescência e maturidade, nos tira completamente da zona de conforto e nos move em uma incrível jornada - se não tão emotiva como em "Lion", certamente mais impactante!
Barry Jenkins mandou muito bem nas escolhas dos planos, dos movimentos e principalmente na direção dos atores - Mahershala Ali como Juan é quase uma barbada na categoria de ator coadjuvante! A maneira como Jenkins usou o silencio para trazer as sensações que a história pedia é impressionante! Confesso que não conhecia o trabalho dele e gostei muito! Um diretor com muita personalidade pra quem está apenas no segundo longa-metragem e que merece ser observado de perto - vale ressaltar que Barry Jenkins já tinha uma carreira bastante sólida em festivais de curtas-metragem e seu primeiro filme já havia chamado muita atenção dos críticos!
A fotografia de "Moonlight" do diretor James Laxton (companheiro de longa data de Jenkins desde seu primeiro curta em 2003) também é incrível, mas não acho que levaria o prêmio pelos concorrentes fortes que tem nessa categoria! Outra do elenco que mereceria o prêmio é a Naomie Harris que interpreta a mãe do protagonista e concorre como atriz coadjuvante! Está certo que o papel é um presente: uma viciada em crack! Ma ela simplesmente destrói!
Nas outras categorias em que o filme foi indicado, e são 8 no total, Roteiro Adaptado corre por fora, mas não me surpreenderia se ganhasse. Embora "Moonlight" tenha sido muito premiado em festivas pelo mundo, não acho que teria força pra desbancar os favoritos como Melhor Filme, embora tem tenha todos os elementos para isso! O que eu posso dizer é que, independente de qualquer coisa, temos mais um grande filme em uma temporada muito pulverizada nos gêneros!
Vale muito o seu play - daquele para ver e rever!
Up-date: "Moonlight" ganhou em três categorias no Oscar 2017: Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado e, surpreendeu como, Melhor Filme!
"Moonlight" é um grande filme - uma história que mostra uma realidade dura, mas sem ser piegas. Chega ser surpreendente como as coisas acontecem na vida do protagonista! "Moonlight" tem o mérito de focar nas ligações humanas e na auto-descoberta, através da vida de um jovem afro-americano desde a sua infância até à idade adulta, acompanhando a sua luta até encontrar um lugar no mundo à medida que vai crescendo em um bairro pobre de Miami. O filme é um retrato real da vida contemporânea da comunidade afro-americana ao mesmo tempo que é um convite à uma reflexão profundamente pessoal sobre identidade! Confira o trailer:
Sem dúvida, o melhor trabalho entre os indicados ao Oscar 2017 para melhor diretor ao lado do Denis Villeneuve (com "A Chegada") - e isso fez muita diferença no filme, pois a sensibilidade do diretor transformou uma jornada impactante (e até já vista) em algo original e surpreendente em muitos momentos. Baseado no projeto “In Moonlight Black Boys Look Blue” de Tarell Alvin McCraney, acompanhar a transformação na vida de Chiron (Ashton Sanders) durante três fases: infância, adolescência e maturidade, nos tira completamente da zona de conforto e nos move em uma incrível jornada - se não tão emotiva como em "Lion", certamente mais impactante!
Barry Jenkins mandou muito bem nas escolhas dos planos, dos movimentos e principalmente na direção dos atores - Mahershala Ali como Juan é quase uma barbada na categoria de ator coadjuvante! A maneira como Jenkins usou o silencio para trazer as sensações que a história pedia é impressionante! Confesso que não conhecia o trabalho dele e gostei muito! Um diretor com muita personalidade pra quem está apenas no segundo longa-metragem e que merece ser observado de perto - vale ressaltar que Barry Jenkins já tinha uma carreira bastante sólida em festivais de curtas-metragem e seu primeiro filme já havia chamado muita atenção dos críticos!
A fotografia de "Moonlight" do diretor James Laxton (companheiro de longa data de Jenkins desde seu primeiro curta em 2003) também é incrível, mas não acho que levaria o prêmio pelos concorrentes fortes que tem nessa categoria! Outra do elenco que mereceria o prêmio é a Naomie Harris que interpreta a mãe do protagonista e concorre como atriz coadjuvante! Está certo que o papel é um presente: uma viciada em crack! Ma ela simplesmente destrói!
Nas outras categorias em que o filme foi indicado, e são 8 no total, Roteiro Adaptado corre por fora, mas não me surpreenderia se ganhasse. Embora "Moonlight" tenha sido muito premiado em festivas pelo mundo, não acho que teria força pra desbancar os favoritos como Melhor Filme, embora tem tenha todos os elementos para isso! O que eu posso dizer é que, independente de qualquer coisa, temos mais um grande filme em uma temporada muito pulverizada nos gêneros!
Vale muito o seu play - daquele para ver e rever!
Up-date: "Moonlight" ganhou em três categorias no Oscar 2017: Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado e, surpreendeu como, Melhor Filme!
Mais do que uma história sobre amizade, "My Brilliant Friend" é uma verdadeira jornada de descoberta! Premiadíssima, "L'amica geniale" (no original) é uma adaptação das mais ambiciosas e delicadas da obra de Elena Ferrante, e acompanha a complexa e intensa relação entre duas mulheres ao longo de décadas, retratando tanto as mudanças pessoais quanto os contextos sociais e políticos que moldam suas vidas. A narrativa é uma fusão de um profundo drama íntimo com uma pertinente reflexão social, tecendo uma história envolvente sobre a identidade e os desafios da emancipação feminina em uma sociedade patriarcal.
Criada por Saverio Costanzo, a série começa nos anos 1950, em um bairro pobre de Nápoles, e segue a vida de Elena Greco (apelidada de Lenù) e Raffaella Cerullo (a Lila), duas meninas de personalidades opostas, mas ligadas por uma amizade verdadeira. Lenù (Margherita Mazzucco e Elisa Del Genio) é introspectiva e estudiosa, enquanto Lila (Gaia Girace e Ludovica Nasti) é determinada e impulsiva, com um intelecto brilhante que desafia sua condição social. À medida que crescem, a amizade das duas passa por transformações, da infância para a adolescência, e depois para a vida adulta; enquanto lidam com expectativas, com a violência e com oportunidades desiguais. Confira o trailer:
Pode ser que você não se apaixone imediatamente por "My Brilliant Friend" - seu ritmo é lento e sua abordagem é mais contemplativa. Para aqueles acostumados com narrativas mais aceleradas, essa produção da HBO em parceira com a RAI pode parecer excessivamente meticulosa, mas acredite: é justamente essa escolha conceitual, parte de sua identidade e do compromisso em capturar a profundidade das emoções e dos dilemas vividos pelas protagonistas, que vai fazer você não tirar os olhos da tela por algumas boas temporadas. Costanzo faz um trabalho cuidadoso na reconstrução dos cenários e na criação de uma atmosfera que envolve a audiência através dos anos do pós-guerra. Com uma fotografia linda, ele utiliza de uma paleta de cores sombria e uma estética realista para nos deixar imersos nas ruas apertadas de Nápoles onde as fachadas desgastadas dos prédios refletem a dureza da vida cotidiana e a opressão social que define os destinos de seus personagens. Esse realismo cru se estende ao uso do dialeto napolitano, que intensifica a sensação palpável do contraste entre o mundo local e as aspirações intelectuais e culturais de Lenù, por exemplo.
A direção de Costanzo é muito feliz ao evitar o melodrama, mantendo um tom introspectivo que dá espaço para que as emoções dos personagens sejam sentidas de forma orgânica. Mesmo com uma narrativa cadenciada, focada nos detalhes da vida cotidiana, é nas nuances das relações humanas que a série ganha seu brilho. A amizade entre Lenù e Lila é retratada com verdade diante de sua complexidade, revelando tanto a cumplicidade quanto a competição que define o vínculo entre elas. A tensão constante entre admiração e ressentimento é um dos eixos de "My Brilliant Friend", assim como a forma com que elas tentam escapar das limitações impostas por sua classe social e gênero - olha, é lindo de se ver. Margherita Mazzucco e Gaia Girace, que interpretam as versões adolescentes de Lenù e Lila, trazem uma intensidade visceral ao capturar a dualidade de suas personagens - a admiração mútua e a rivalidade, a esperança e a frustração. De maneira autêntica e envolvente, a transição para a vida adulta é marcada por muitos desafios - algo que a série explora com inteligência e competência durante as temporadas. É impressionante como o nível não cai, eu diria até que só melhora.
Com um roteiro fiel à obra de Ferrante, preservando a estrutura literária e o tom introspectivo do texto original, e uma narração em off (de Lenù), que reflete sobre os eventos com o distanciamento de alguém que olha para o passado, temos uma jornada que, de fato, mantém a essência contemplativa do livro. Ou seja, "My Brilliant Friend" é uma aula de adaptação bem sucedida, que aborda questões amplas como a violência de gênero, a educação como forma de ascensão social e a opressão patriarcal através dos tempos, sem jamais perder de vista a intimidade e a amizade que é o coração dessa história imperdível! Olha, acho que é o respeito ao espírito da obra original e a profundidade psicológica das protagonistas que tornam essa série uma experiência realmente envolvente - mas é só para aqueles que buscam uma narrativa que vai além do entretenimento superficial.
Mais do que uma história sobre amizade, "My Brilliant Friend" é uma verdadeira jornada de descoberta! Premiadíssima, "L'amica geniale" (no original) é uma adaptação das mais ambiciosas e delicadas da obra de Elena Ferrante, e acompanha a complexa e intensa relação entre duas mulheres ao longo de décadas, retratando tanto as mudanças pessoais quanto os contextos sociais e políticos que moldam suas vidas. A narrativa é uma fusão de um profundo drama íntimo com uma pertinente reflexão social, tecendo uma história envolvente sobre a identidade e os desafios da emancipação feminina em uma sociedade patriarcal.
Criada por Saverio Costanzo, a série começa nos anos 1950, em um bairro pobre de Nápoles, e segue a vida de Elena Greco (apelidada de Lenù) e Raffaella Cerullo (a Lila), duas meninas de personalidades opostas, mas ligadas por uma amizade verdadeira. Lenù (Margherita Mazzucco e Elisa Del Genio) é introspectiva e estudiosa, enquanto Lila (Gaia Girace e Ludovica Nasti) é determinada e impulsiva, com um intelecto brilhante que desafia sua condição social. À medida que crescem, a amizade das duas passa por transformações, da infância para a adolescência, e depois para a vida adulta; enquanto lidam com expectativas, com a violência e com oportunidades desiguais. Confira o trailer:
Pode ser que você não se apaixone imediatamente por "My Brilliant Friend" - seu ritmo é lento e sua abordagem é mais contemplativa. Para aqueles acostumados com narrativas mais aceleradas, essa produção da HBO em parceira com a RAI pode parecer excessivamente meticulosa, mas acredite: é justamente essa escolha conceitual, parte de sua identidade e do compromisso em capturar a profundidade das emoções e dos dilemas vividos pelas protagonistas, que vai fazer você não tirar os olhos da tela por algumas boas temporadas. Costanzo faz um trabalho cuidadoso na reconstrução dos cenários e na criação de uma atmosfera que envolve a audiência através dos anos do pós-guerra. Com uma fotografia linda, ele utiliza de uma paleta de cores sombria e uma estética realista para nos deixar imersos nas ruas apertadas de Nápoles onde as fachadas desgastadas dos prédios refletem a dureza da vida cotidiana e a opressão social que define os destinos de seus personagens. Esse realismo cru se estende ao uso do dialeto napolitano, que intensifica a sensação palpável do contraste entre o mundo local e as aspirações intelectuais e culturais de Lenù, por exemplo.
A direção de Costanzo é muito feliz ao evitar o melodrama, mantendo um tom introspectivo que dá espaço para que as emoções dos personagens sejam sentidas de forma orgânica. Mesmo com uma narrativa cadenciada, focada nos detalhes da vida cotidiana, é nas nuances das relações humanas que a série ganha seu brilho. A amizade entre Lenù e Lila é retratada com verdade diante de sua complexidade, revelando tanto a cumplicidade quanto a competição que define o vínculo entre elas. A tensão constante entre admiração e ressentimento é um dos eixos de "My Brilliant Friend", assim como a forma com que elas tentam escapar das limitações impostas por sua classe social e gênero - olha, é lindo de se ver. Margherita Mazzucco e Gaia Girace, que interpretam as versões adolescentes de Lenù e Lila, trazem uma intensidade visceral ao capturar a dualidade de suas personagens - a admiração mútua e a rivalidade, a esperança e a frustração. De maneira autêntica e envolvente, a transição para a vida adulta é marcada por muitos desafios - algo que a série explora com inteligência e competência durante as temporadas. É impressionante como o nível não cai, eu diria até que só melhora.
Com um roteiro fiel à obra de Ferrante, preservando a estrutura literária e o tom introspectivo do texto original, e uma narração em off (de Lenù), que reflete sobre os eventos com o distanciamento de alguém que olha para o passado, temos uma jornada que, de fato, mantém a essência contemplativa do livro. Ou seja, "My Brilliant Friend" é uma aula de adaptação bem sucedida, que aborda questões amplas como a violência de gênero, a educação como forma de ascensão social e a opressão patriarcal através dos tempos, sem jamais perder de vista a intimidade e a amizade que é o coração dessa história imperdível! Olha, acho que é o respeito ao espírito da obra original e a profundidade psicológica das protagonistas que tornam essa série uma experiência realmente envolvente - mas é só para aqueles que buscam uma narrativa que vai além do entretenimento superficial.
“Nada a esconder” (título original - "Le seu") é um filme francês distribuído pela Netflix que é mais uma adaptação do premiadíssimo filme italiano de 2016, “Perfetti Sconosciuti” que, inclusive, já tinha ganhado uma versão espanhola do genial Álex de la Iglesia e que por muito tempo figurou na lista “não deixe de assistir” da Viu Review!
Vamos lá, essa versão francesa é muito parecida com a versão espanhola: Em um jantar entre amigos, para aliviar as tensões típicas da convivência, eles resolvem fazer uma brincadeira: todos os celulares são colocados na mesa e qualquer mensagem, e-mail ou ligação que eles receberem devem ser compartilhadas com os outros em voz alta, imediatamente, não importando o assunto ou quem esteja do outro lado da linha. Bem, só por essa breve sinopse dá para imaginar o constrangimento que se torna esse jantar. Impossível não se colocar na situação dos personagens e o clima que que se estabelece é angustiante e divertido. Confira o trailer (em francês):
O diretor Fred Cavayé trouxe para o filme um pouco menos de non-sense que o diretor espanhol - até por característica cinematográfica; trabalhando aquelas mesmas situações de uma forma mais realista, quase dramáticas em alguns momentos. É um conceito narrativo que funciona - talvez eu tivesse até ido por esse caminho se eu fosse dirigir esse roteiro, mas admito que com essa escolha, perdemos um pouco da inventividade e da fantasia que o Álex de la Iglesia havia mostrado anteriormente e que encaixou tão bem na trama.
Certamente, se eu não tivesse assistido a versão espanhola antes, eu teria colocado “Nada a esconder” na lista de imperdíveis com muita tranquilidade, mas eu gostaria de sugerir uma outra proposta com esse meu review: assistam as duas versões e vejam como, com um mesmo texto, os filmes podem ser tão diferentes e igualmente bons! Veja como o Non-sense espanhol é muito mais caricato e como o realismo francês é muito mais delicado. Veja como um não diminui o valor outro - é um bom exercício nos dias de hoje, afinal, ambos tem seus méritos, porém são sódiferentes!
“Nada a esconder” merece ser visto tanto quando “Perfectos Desconocidos”. Vale o play!!!
“Nada a esconder” (título original - "Le seu") é um filme francês distribuído pela Netflix que é mais uma adaptação do premiadíssimo filme italiano de 2016, “Perfetti Sconosciuti” que, inclusive, já tinha ganhado uma versão espanhola do genial Álex de la Iglesia e que por muito tempo figurou na lista “não deixe de assistir” da Viu Review!
Vamos lá, essa versão francesa é muito parecida com a versão espanhola: Em um jantar entre amigos, para aliviar as tensões típicas da convivência, eles resolvem fazer uma brincadeira: todos os celulares são colocados na mesa e qualquer mensagem, e-mail ou ligação que eles receberem devem ser compartilhadas com os outros em voz alta, imediatamente, não importando o assunto ou quem esteja do outro lado da linha. Bem, só por essa breve sinopse dá para imaginar o constrangimento que se torna esse jantar. Impossível não se colocar na situação dos personagens e o clima que que se estabelece é angustiante e divertido. Confira o trailer (em francês):
O diretor Fred Cavayé trouxe para o filme um pouco menos de non-sense que o diretor espanhol - até por característica cinematográfica; trabalhando aquelas mesmas situações de uma forma mais realista, quase dramáticas em alguns momentos. É um conceito narrativo que funciona - talvez eu tivesse até ido por esse caminho se eu fosse dirigir esse roteiro, mas admito que com essa escolha, perdemos um pouco da inventividade e da fantasia que o Álex de la Iglesia havia mostrado anteriormente e que encaixou tão bem na trama.
Certamente, se eu não tivesse assistido a versão espanhola antes, eu teria colocado “Nada a esconder” na lista de imperdíveis com muita tranquilidade, mas eu gostaria de sugerir uma outra proposta com esse meu review: assistam as duas versões e vejam como, com um mesmo texto, os filmes podem ser tão diferentes e igualmente bons! Veja como o Non-sense espanhol é muito mais caricato e como o realismo francês é muito mais delicado. Veja como um não diminui o valor outro - é um bom exercício nos dias de hoje, afinal, ambos tem seus méritos, porém são sódiferentes!
“Nada a esconder” merece ser visto tanto quando “Perfectos Desconocidos”. Vale o play!!!
"Nomadland" é um filme sobre a solidão - então saiba que aquele aperto no peito quase insuportável vai te acompanhar por quase duas horas!
Ok, mas existe beleza na solidão? A diretora Chloé Zhao, ao lado do jovem fotógrafo Joshua James Richards, tenta mostrar que sim - mesmo apoiada em um drama extremamente denso e introspectivo que além de nos provocar inúmeras reflexões sobre as nossas escolhas ao longo da vida, ainda nos conduz para discussões pertinentes sobre o luto, sobre a saudade e, principalmente, sobre a fragilidade dos relacionamentos (seja entre casais ou com a família) em uma sociedade americana extremamente capitalista que nos inunda de expectativas.
Após o colapso econômico de uma cidade na zona rural de Nevada, nos Estados Unidos, em 2011, Fern (Frances McDormand), uma mulher de 60 anos, entra em sua van e parte para a estrada, vivendo uma vida fora da sociedade convencional como uma nômade moderna. Confira o trailer:
A experiência de assistir "Nomadland" é incrivelmente sensorial. A capacidade de Zhao em construir uma narrativa tão profunda, se aproveitando do silêncio, da natureza e da incrível performance de Frances McDormand para conectar visualmente as dores da personagem em passagens muito bem pontuadas com uma trilha sonora maravilhosa, olha, é de tirar o chapéu! Veja, não se trata um filme sobre uma jornada de auto-conhecimento ou superação, se trata de um recorte bastante realista sobre o dia a dia de uma pessoa que "escolheu" estar/ficar sozinha, uma pessoa que perdeu a vontade de se relacionar intimamente e que, para mim, abriu mão da felicidade.
O roteiro da própria Zhao, baseado no livro "Nomadland: Sobrevivendo aos Estados Unidos no século XXI" da autora Jessica Bruder, traz muito do que experienciamos em "Na Natureza Selvagem" (2007) com o mérito de adicionar uma certa dualidade para a discussão. A montagem, também de Zhao (sim, ela fez quase tudo pelo filme e por isso seu Oscar é muito mais do que merecido) sugere uma quebra de linearidade tão orgânica que estabelecer tempo e espaço fica praticamente impossível. O interessante que esse conceito de "simplesmente ver o tempo passar" é justamente o gatilho para refletirmos sobre as escolhas da personagem - o que seria melhor: viver livre e viver mal, entre o trabalho braçal e o ócio criativo, entre o tédio da rotina e o maravilhamento com a natureza, ou simplesmente seguir a cartilha que a sociedade nos impõe mesmo que isso nos sufoque? - o comentário sobre o "barco no quintal" é cirúrgico para fomentar essa discussão. Reparem.
"Nomadland" é duro, difícil e pode parecer muito cadenciado para a maior parte da audiência - mas é viceral! Sua narrativa foi arriscada, com um toque autoral e independente que normalmente gera alguma repulsa no circuito comercial - mas não foi o caso aqui já que o filme custou certa de 5 milhões de dólares e faturou próximo de 8 vezes esse valor. Felizmente, o "singelo" que vemos na tela é tão profundo que nos toca a alma - a sensibilidade de Zhao em nenhum momento ignora a frieza da realidade, mas ao mesmo tempo também se esforça para nos mostrar a magia da escolha de Fern e, de alguma forma, cumpre muito bem esse papel.
Vale muito o seu play.
Up-date: "Nomadland" ganhou em três categorias no Oscar 2021 das seis indicações que recebeu, inclusive como Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz! Aliás, o filme de Zhao ganhou mais de 250 prêmios e recebeu mais de 150 indicações nos mais renomados festivais do mundo.
"Nomadland" é um filme sobre a solidão - então saiba que aquele aperto no peito quase insuportável vai te acompanhar por quase duas horas!
Ok, mas existe beleza na solidão? A diretora Chloé Zhao, ao lado do jovem fotógrafo Joshua James Richards, tenta mostrar que sim - mesmo apoiada em um drama extremamente denso e introspectivo que além de nos provocar inúmeras reflexões sobre as nossas escolhas ao longo da vida, ainda nos conduz para discussões pertinentes sobre o luto, sobre a saudade e, principalmente, sobre a fragilidade dos relacionamentos (seja entre casais ou com a família) em uma sociedade americana extremamente capitalista que nos inunda de expectativas.
Após o colapso econômico de uma cidade na zona rural de Nevada, nos Estados Unidos, em 2011, Fern (Frances McDormand), uma mulher de 60 anos, entra em sua van e parte para a estrada, vivendo uma vida fora da sociedade convencional como uma nômade moderna. Confira o trailer:
A experiência de assistir "Nomadland" é incrivelmente sensorial. A capacidade de Zhao em construir uma narrativa tão profunda, se aproveitando do silêncio, da natureza e da incrível performance de Frances McDormand para conectar visualmente as dores da personagem em passagens muito bem pontuadas com uma trilha sonora maravilhosa, olha, é de tirar o chapéu! Veja, não se trata um filme sobre uma jornada de auto-conhecimento ou superação, se trata de um recorte bastante realista sobre o dia a dia de uma pessoa que "escolheu" estar/ficar sozinha, uma pessoa que perdeu a vontade de se relacionar intimamente e que, para mim, abriu mão da felicidade.
O roteiro da própria Zhao, baseado no livro "Nomadland: Sobrevivendo aos Estados Unidos no século XXI" da autora Jessica Bruder, traz muito do que experienciamos em "Na Natureza Selvagem" (2007) com o mérito de adicionar uma certa dualidade para a discussão. A montagem, também de Zhao (sim, ela fez quase tudo pelo filme e por isso seu Oscar é muito mais do que merecido) sugere uma quebra de linearidade tão orgânica que estabelecer tempo e espaço fica praticamente impossível. O interessante que esse conceito de "simplesmente ver o tempo passar" é justamente o gatilho para refletirmos sobre as escolhas da personagem - o que seria melhor: viver livre e viver mal, entre o trabalho braçal e o ócio criativo, entre o tédio da rotina e o maravilhamento com a natureza, ou simplesmente seguir a cartilha que a sociedade nos impõe mesmo que isso nos sufoque? - o comentário sobre o "barco no quintal" é cirúrgico para fomentar essa discussão. Reparem.
"Nomadland" é duro, difícil e pode parecer muito cadenciado para a maior parte da audiência - mas é viceral! Sua narrativa foi arriscada, com um toque autoral e independente que normalmente gera alguma repulsa no circuito comercial - mas não foi o caso aqui já que o filme custou certa de 5 milhões de dólares e faturou próximo de 8 vezes esse valor. Felizmente, o "singelo" que vemos na tela é tão profundo que nos toca a alma - a sensibilidade de Zhao em nenhum momento ignora a frieza da realidade, mas ao mesmo tempo também se esforça para nos mostrar a magia da escolha de Fern e, de alguma forma, cumpre muito bem esse papel.
Vale muito o seu play.
Up-date: "Nomadland" ganhou em três categorias no Oscar 2021 das seis indicações que recebeu, inclusive como Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz! Aliás, o filme de Zhao ganhou mais de 250 prêmios e recebeu mais de 150 indicações nos mais renomados festivais do mundo.
Mais um filme imperdível! Uma co-produção Argentina/Espanha, vencedor do Prêmio Goya (o Oscar Espanhol) em 2017 na categoria "Best Iberoamerican Film" e dirigido pela dupla Gastón Duprat e Mariano Cohn. E, olha, em um país onde a qualidade cinematográfica já é referência, "O Cidadão Ilustre" foi o filme argentino mais assistido do ano! O filme é sensacional, na delicadeza de tocar em assuntos pesados à qualidade de uma interpretação irretocável - é possível sentir cada sensação do personagem, a cada situação que ele vive e sem passar do tom em nenhum momento - o monstro responsável por isso (não é o Darin...rs) é Oscar Martínez (o mesmo de "Toc Toc").
Martínez interpreta um premiado escritor argentino que vive fora do seu país desde muito jovem e em um determinado momento da sua vida, se sentindo sem muita motivação (e até com uma certa melancolia), ele recebe um convite de sua cidade natal para participar de algumas homenagens pelas suas mais recentes conquistas profissionais. Ao aceitar, ele precisa enfrentar tudo que deixou para trás há 40 anos e ao mesmo tempo recuperar sua essência para continuar contando boas histórias. Veja o Trailer:
Por essa curta sinopse, é fácil pensar que se trata de um drama pesado, triste, mas não, o mérito do filme é justamente esse - tratar esse vazio existencial com um humor inteligente e dramático ao mesmo tempo, e sem perder a mão. Tem um overacting estereotipado de alguns atores que são magistralmente inseridos em um contexto completamente non-sente. É perfeito!!!! Reparem no prefeito da cidade (Manuel Vicente - ele é a personificação desse conceito!!!
É realmente um grande roteiro, muito bem dirigido, muito bem produzido - eu só não gostei muito da câmera solta em alguns momentos quando os diretores apresentavam aquele universo da cidade natal, pois os enquadramentos traduziam a melancolia e a simplicidade do lugar por si só, não precisava de um movimento - aquilo poderia ser um quadro lindo, quase uma pintura (mas foi uma escolha criativa e é preciso respeitar).
Certamente um dos melhores filmes que assisti esse ano!
Dê o play e seja feliz, pois é um entretenimento de primeira qualidade!!!!
Mais um filme imperdível! Uma co-produção Argentina/Espanha, vencedor do Prêmio Goya (o Oscar Espanhol) em 2017 na categoria "Best Iberoamerican Film" e dirigido pela dupla Gastón Duprat e Mariano Cohn. E, olha, em um país onde a qualidade cinematográfica já é referência, "O Cidadão Ilustre" foi o filme argentino mais assistido do ano! O filme é sensacional, na delicadeza de tocar em assuntos pesados à qualidade de uma interpretação irretocável - é possível sentir cada sensação do personagem, a cada situação que ele vive e sem passar do tom em nenhum momento - o monstro responsável por isso (não é o Darin...rs) é Oscar Martínez (o mesmo de "Toc Toc").
Martínez interpreta um premiado escritor argentino que vive fora do seu país desde muito jovem e em um determinado momento da sua vida, se sentindo sem muita motivação (e até com uma certa melancolia), ele recebe um convite de sua cidade natal para participar de algumas homenagens pelas suas mais recentes conquistas profissionais. Ao aceitar, ele precisa enfrentar tudo que deixou para trás há 40 anos e ao mesmo tempo recuperar sua essência para continuar contando boas histórias. Veja o Trailer:
Por essa curta sinopse, é fácil pensar que se trata de um drama pesado, triste, mas não, o mérito do filme é justamente esse - tratar esse vazio existencial com um humor inteligente e dramático ao mesmo tempo, e sem perder a mão. Tem um overacting estereotipado de alguns atores que são magistralmente inseridos em um contexto completamente non-sente. É perfeito!!!! Reparem no prefeito da cidade (Manuel Vicente - ele é a personificação desse conceito!!!
É realmente um grande roteiro, muito bem dirigido, muito bem produzido - eu só não gostei muito da câmera solta em alguns momentos quando os diretores apresentavam aquele universo da cidade natal, pois os enquadramentos traduziam a melancolia e a simplicidade do lugar por si só, não precisava de um movimento - aquilo poderia ser um quadro lindo, quase uma pintura (mas foi uma escolha criativa e é preciso respeitar).
Certamente um dos melhores filmes que assisti esse ano!
Dê o play e seja feliz, pois é um entretenimento de primeira qualidade!!!!
"O melhor está por vir" é um filme francês surpreendente, pois equilibra muito bem dois gêneros que, ao mesmo tempo tão diferentes, se completam: a comédia e o drama. Reparem na história: após descobrir por engano que seu melhor amigo, César (Patrick Bruel), está com câncer e que tem apenas três meses de vida, Arthur (Fabrice Luchini) precisa contar esse duro diagnóstico, porém ele acaba se atrapalhando e deixa a entender que quem está doente é ele e não César. A partir daí eles resolvem deixar os problemas do cotidiano para trás, recuperar o tempo perdido e viver o pouco tempo que lhes restam juntos, da melhor maneira possível!
Olha, o filme é realmente uma graça! Embora a premissa possa parecer batida, dolorida e até indicar uma história cheia de sofrimento fantasiado de nostalgia, "O melhor está por vir" é justamente o contrário, ele é leve, divertido, inteligente e muito sensível para transitar entre o amor e a dor, entre a vida e a morte, sem pegar atalhos! Confesso que fui pego de surpresa, não sabia muito sobre o filme e posso garantir que a experiência não poderia ter sido melhor.
O roteiro, dos também diretores, Matthieu Delaporte e Alexandre De La Patellière, fala de amizade, claro, mas fala muito sobre o valor e a importância do perdão - para o outro e para si mesmo! É muito inteligente a maneira como o texto pontua algumas das situações de vida desses dois amigos de infância, com personalidades tão diferentes, que precisaram lidar com as consequências de algo que não saiu tão bem como planejado. Arthur tem uma personalidade difícil, sofre com o fim do seu casamento e com a dificuldade de se relacionar com a filha pré-adolescente. Já César é um fracassado profissional, que deve muito dinheiro, mas não abre mão da boa vida. O roteiro dá uma aula de estrutura, tudo é muito bem definido e perceptível: o primeiro ato funciona como apresentação dos personagens, a origem da amizade entre eles e suas particularidades emocionais. O conflito também é naturalmente construído e ainda fortalece a diferença e o estilo de vida de cada um, agora adultos , mas sempre pontuando um elo em comum: a forte amizade! O segundo ato, nos trás muitas referências de “Antes de Partir” com Jack Nicholson e Morgan Freeman, mas mesmo assim só faz aumentar nossa empatia com os personagens e nos divertir com as situações que eles estão passando juntos durante a jornada. E para finalizar, no terceiro ato, uma entrega sem ser excessivamente dramática, com uma mensagem completamente alinhada à tudo que foi construído durante a narrativa e o melhor: uma sensação de missão cumprida absurda - é lindo, emocionante e verdadeiro!
Se no inicio temos a sensação que "O melhor está por vir" é uma comédia "estilo pastelão" com atuações acima do tom, em seguida já percebemos algo mais suave, com mais pausas, olhares e uma química impressionante entre os dois atores que se sustenta até o final, onde a comédia, naturalmente, dá lugar ao drama - mas tudo, absolutamente tudo, sem perder a alma e a sutileza do texto - para mim, grande mérito de uma direção extremamente competente, técnica e segura de onde queria chegar! Uma menção importante: a fotografia do Guillaume Schiffman (indicado ao Oscar pelo "O Artista") é maravilhosa - vemos uma Paris pelos olhos de parisienses e isso faz toda a diferença - parece que estamos ouvindo uma história de quem realmente viveu tudo aquilo! É lindo!
Pode se preparar, "O melhor está por vir", vai mexer com seu coração, mas de uma forma leve, sem muito drama e com muita sinceridade e sutileza.
Vale muito a pena!
"O melhor está por vir" é um filme francês surpreendente, pois equilibra muito bem dois gêneros que, ao mesmo tempo tão diferentes, se completam: a comédia e o drama. Reparem na história: após descobrir por engano que seu melhor amigo, César (Patrick Bruel), está com câncer e que tem apenas três meses de vida, Arthur (Fabrice Luchini) precisa contar esse duro diagnóstico, porém ele acaba se atrapalhando e deixa a entender que quem está doente é ele e não César. A partir daí eles resolvem deixar os problemas do cotidiano para trás, recuperar o tempo perdido e viver o pouco tempo que lhes restam juntos, da melhor maneira possível!
Olha, o filme é realmente uma graça! Embora a premissa possa parecer batida, dolorida e até indicar uma história cheia de sofrimento fantasiado de nostalgia, "O melhor está por vir" é justamente o contrário, ele é leve, divertido, inteligente e muito sensível para transitar entre o amor e a dor, entre a vida e a morte, sem pegar atalhos! Confesso que fui pego de surpresa, não sabia muito sobre o filme e posso garantir que a experiência não poderia ter sido melhor.
O roteiro, dos também diretores, Matthieu Delaporte e Alexandre De La Patellière, fala de amizade, claro, mas fala muito sobre o valor e a importância do perdão - para o outro e para si mesmo! É muito inteligente a maneira como o texto pontua algumas das situações de vida desses dois amigos de infância, com personalidades tão diferentes, que precisaram lidar com as consequências de algo que não saiu tão bem como planejado. Arthur tem uma personalidade difícil, sofre com o fim do seu casamento e com a dificuldade de se relacionar com a filha pré-adolescente. Já César é um fracassado profissional, que deve muito dinheiro, mas não abre mão da boa vida. O roteiro dá uma aula de estrutura, tudo é muito bem definido e perceptível: o primeiro ato funciona como apresentação dos personagens, a origem da amizade entre eles e suas particularidades emocionais. O conflito também é naturalmente construído e ainda fortalece a diferença e o estilo de vida de cada um, agora adultos , mas sempre pontuando um elo em comum: a forte amizade! O segundo ato, nos trás muitas referências de “Antes de Partir” com Jack Nicholson e Morgan Freeman, mas mesmo assim só faz aumentar nossa empatia com os personagens e nos divertir com as situações que eles estão passando juntos durante a jornada. E para finalizar, no terceiro ato, uma entrega sem ser excessivamente dramática, com uma mensagem completamente alinhada à tudo que foi construído durante a narrativa e o melhor: uma sensação de missão cumprida absurda - é lindo, emocionante e verdadeiro!
Se no inicio temos a sensação que "O melhor está por vir" é uma comédia "estilo pastelão" com atuações acima do tom, em seguida já percebemos algo mais suave, com mais pausas, olhares e uma química impressionante entre os dois atores que se sustenta até o final, onde a comédia, naturalmente, dá lugar ao drama - mas tudo, absolutamente tudo, sem perder a alma e a sutileza do texto - para mim, grande mérito de uma direção extremamente competente, técnica e segura de onde queria chegar! Uma menção importante: a fotografia do Guillaume Schiffman (indicado ao Oscar pelo "O Artista") é maravilhosa - vemos uma Paris pelos olhos de parisienses e isso faz toda a diferença - parece que estamos ouvindo uma história de quem realmente viveu tudo aquilo! É lindo!
Pode se preparar, "O melhor está por vir", vai mexer com seu coração, mas de uma forma leve, sem muito drama e com muita sinceridade e sutileza.
Vale muito a pena!
Como normalmente acontece com a dramaturgia argentina, especialmente nas comédias, nem todos vão amar essa minissérie de seis episódios que está no Disney+. No entanto, para aqueles dispostos a embarcar em uma jornada envolvente e cheia de ironias, especialmente por sua abordagem mais humana e muito sincera sobre as pequenas tragédias do cotidiano, eu diria que "O Melhor Infarto da Minha Vida" é um tiro mais do que certeiro - pode apostar que será uma agradável surpresa! Antes do play, saiba que Hernán Casciari é um nome conhecido na literatura daquele país por sua escrita bem-humorada e quase sempre autobiográfica - foi a partir do material original de Casciari que o roteirista Lucas Figueroa (de "Viral") captura sua essência para adaptar uma inusitada experiência de quase-morte do escritor e assim entregar uma comédia com um olhar afiado sobre a vida, sobre o destino e sobre uma segunda chance. Na linha de obras como "After Life" de Ricky Gervais ou até da inesquecível "O Método Kominsky", ambas séries que misturam humor com muita reflexão, Figueroa desenvolve uma narrativa tão divertida quanto melancólica, mas sempre apaixonante.
Na trama acompanhamos Ariel (Alan Sabbagh), um "escritor fantasma" que leva um estilo de vida caótico e sem grandes perspectivas, até que um certo dia ele sofre um infarto fulminante. É justamente esse episódio que obriga Ariel a encarar sua própria mortalidade e a repensar a maneira como tem levado sua vida nos últimos anos. Enquanto se recupera, ele passa a ver o mundo de uma forma diferente e que, inevitavelmente, acaba transformando aqueles ao seu redor. Confia o trailer (em espanhol):
A diretora Mariana Wainstein até que acerta ao manter o tom agridoce que marca os textos de Casciari, equilibrando os momentos mais cômicos com uma sensibilidade emocional dos subtextos que dá uma interessante profundidade para a narrativa. Sua direção se destaca pelo uso inteligente de planos fechados que enfatizam os momentos de vulnerabilidade de Ariel, contrastando com uma paleta de cores mais acolhedora, que reforça o lado esperançoso da história - essa dicotomia visual, muito usada na cinematografia argentina, sem a menor sobra de dúvida, traz um charme extra para a minissérie. Nesse sentido, o roteiro, escrito por Figueroa em colaboração com Maria Zanetti e com a própria Wainstein, trabalha bem o conceito de renascimento pessoal, explorando como um evento traumático pode redefinir nossas prioridades, com leveza e uma certa despretensão.
Ao olhar para o elenco, encontramos Alan Sabbagh - o ator carrega a minissérie com uma atuação carismática, transitando com naturalidade entre o sarcasmo e a fragilidade de seu personagem, sem nunca escolher os caminhos mais fáceis. Sabbagh tem uma boa dinâmica com Olivia Molina, que interpreta Concha, e com Rogelio Gracia, que vive Javier - figuras essenciais na jornada do protagonista ao ponto de criar um retrato sincero de um homem em busca de um novo sentido para sua existência.
"O Melhor Infarto da Minha Vida" é, de fato, uma experiência enxuta e bem estruturada - daquelas que matamos em uma tarde, sem tempo para enrolações. A minissérie consegue ser leve e impactante com muita elegância, convidando a audiência a rir das ironias da vida enquanto reflete sobre a importância de estar presente no "agora". Aqui, não temos um drama convencional e tampouco uma história que se propõe a trazer grandes respostas filosóficas, muito pelo contrário, "O Melhor Infarto da Minha Vida" acerta mesmo ao construir um protagonista realista e falho enquanto torna sua jornada de redescoberta uma experiência realmente autêntica e marcante - para todos.
Se você gosta de narrativas que exploram o humor dentro de um contexto de tragédia, vale muito a pena dar uma chance para "O Melhor Infarto da Minha Vida"!
Como normalmente acontece com a dramaturgia argentina, especialmente nas comédias, nem todos vão amar essa minissérie de seis episódios que está no Disney+. No entanto, para aqueles dispostos a embarcar em uma jornada envolvente e cheia de ironias, especialmente por sua abordagem mais humana e muito sincera sobre as pequenas tragédias do cotidiano, eu diria que "O Melhor Infarto da Minha Vida" é um tiro mais do que certeiro - pode apostar que será uma agradável surpresa! Antes do play, saiba que Hernán Casciari é um nome conhecido na literatura daquele país por sua escrita bem-humorada e quase sempre autobiográfica - foi a partir do material original de Casciari que o roteirista Lucas Figueroa (de "Viral") captura sua essência para adaptar uma inusitada experiência de quase-morte do escritor e assim entregar uma comédia com um olhar afiado sobre a vida, sobre o destino e sobre uma segunda chance. Na linha de obras como "After Life" de Ricky Gervais ou até da inesquecível "O Método Kominsky", ambas séries que misturam humor com muita reflexão, Figueroa desenvolve uma narrativa tão divertida quanto melancólica, mas sempre apaixonante.
Na trama acompanhamos Ariel (Alan Sabbagh), um "escritor fantasma" que leva um estilo de vida caótico e sem grandes perspectivas, até que um certo dia ele sofre um infarto fulminante. É justamente esse episódio que obriga Ariel a encarar sua própria mortalidade e a repensar a maneira como tem levado sua vida nos últimos anos. Enquanto se recupera, ele passa a ver o mundo de uma forma diferente e que, inevitavelmente, acaba transformando aqueles ao seu redor. Confia o trailer (em espanhol):
A diretora Mariana Wainstein até que acerta ao manter o tom agridoce que marca os textos de Casciari, equilibrando os momentos mais cômicos com uma sensibilidade emocional dos subtextos que dá uma interessante profundidade para a narrativa. Sua direção se destaca pelo uso inteligente de planos fechados que enfatizam os momentos de vulnerabilidade de Ariel, contrastando com uma paleta de cores mais acolhedora, que reforça o lado esperançoso da história - essa dicotomia visual, muito usada na cinematografia argentina, sem a menor sobra de dúvida, traz um charme extra para a minissérie. Nesse sentido, o roteiro, escrito por Figueroa em colaboração com Maria Zanetti e com a própria Wainstein, trabalha bem o conceito de renascimento pessoal, explorando como um evento traumático pode redefinir nossas prioridades, com leveza e uma certa despretensão.
Ao olhar para o elenco, encontramos Alan Sabbagh - o ator carrega a minissérie com uma atuação carismática, transitando com naturalidade entre o sarcasmo e a fragilidade de seu personagem, sem nunca escolher os caminhos mais fáceis. Sabbagh tem uma boa dinâmica com Olivia Molina, que interpreta Concha, e com Rogelio Gracia, que vive Javier - figuras essenciais na jornada do protagonista ao ponto de criar um retrato sincero de um homem em busca de um novo sentido para sua existência.
"O Melhor Infarto da Minha Vida" é, de fato, uma experiência enxuta e bem estruturada - daquelas que matamos em uma tarde, sem tempo para enrolações. A minissérie consegue ser leve e impactante com muita elegância, convidando a audiência a rir das ironias da vida enquanto reflete sobre a importância de estar presente no "agora". Aqui, não temos um drama convencional e tampouco uma história que se propõe a trazer grandes respostas filosóficas, muito pelo contrário, "O Melhor Infarto da Minha Vida" acerta mesmo ao construir um protagonista realista e falho enquanto torna sua jornada de redescoberta uma experiência realmente autêntica e marcante - para todos.
Se você gosta de narrativas que exploram o humor dentro de um contexto de tragédia, vale muito a pena dar uma chance para "O Melhor Infarto da Minha Vida"!
Embora estivesse na minha lista desde o lançamento, eu comecei assistir "O Método Kominsky" apenas após as premiações do Globo de Ouro de 2019, onde a série levou "Melhor Comédia ou Musical" e "Melhor Ator" com o Michael Douglas. Olha, de cara eu posso te dizer que a série não é para qualquer um; ela tem um humor bem peculiar, muito ácido - quase inglês!!! A narrativa também não é tão dinâmica, pois o texto exige muitas pausas, reflexões - o silêncio diz muito nessa série!!! A verdade é que quem não estiver realmente disposto a mergulhar nesse universo (tão particular e reflexivo), não vai se divertir.
Dois grandes amigos, acima dos 70 anos: um respeitado Professor de Teatro (por isso a referência do título) e seu agente precisam lidar com os reflexos da idade e a relação com mundo em que vivem. E como todo senhor "bem" humorado, é no mal humor dessa intimidade verdadeira que estão as pérolas dessa série. Michael Douglas (como Sandy Kominsky) e Alan Arkin (como Norman) estão simplesmente perfeitos - aliás, merecidíssimo o prêmio de melhor ator para Douglas e a indicação de ator coadjuvante para Arkin!!! Os dois são a série e dão um show!!!
Eu não sabia absolutamente nada sobre a série e logo depois da primeira cena, já me arrependi de não ter assistido antes - ela é sensacional!!! Enganasse quem assiste com o intuito de encontrar uma comédia tipo "Two and a half man", por exemplo (que é do mesmo produtor - Chuck Lorre, por isso a comparação) - é completamente diferente, pois mesmo parecendo estereotipados, os personagens são muito humanos e isso trás para a tela uma complexidade muito bem trabalhada nas situações que esses dois amigos vivem! A série fala de amizade, de relações entre pessoas e com o amadurecimento como ser humano. Fala sobre envelhecer, sobre perder a vitalidade. Fala sobre as novas gerações, suas diferenças, peculiaridades. Mas principalmente, fala sobre o que projetamos para nossa vida em alguns anos! São muito sensíveis essas discussões no roteiro, tudo está muito escondido entre um comentário (que pode até soar engraçado) e uma piada (que nem sempre nos faz rir e sim refletir). Existe um leveza na dor de lidar com o tempo e isso é magnífico!
O Método Kominsky é daquelas séries que você não quer acabe. O fato de termos 8 episódios de 30 minutos ajuda na experiência, pois não cansa viver cada um daqueles minutos. O mal humor tem seu charme (vide Dr. House) e o desprendimento de lidar com ele de uma forma leve, trás muita coisa boa para essa comédia cheia de drama (e de verdade). Se você tem mais de 35 anos, fez teatro na adolescência, tem aqueles amigos de uma vida inteira, faz um favor pra você: não deixe de assistir! Se não se enquadra na lista anterior, mas está disposto a encarar como bom humor o que vem por aí, também aproveite, porque vale o play!
Embora estivesse na minha lista desde o lançamento, eu comecei assistir "O Método Kominsky" apenas após as premiações do Globo de Ouro de 2019, onde a série levou "Melhor Comédia ou Musical" e "Melhor Ator" com o Michael Douglas. Olha, de cara eu posso te dizer que a série não é para qualquer um; ela tem um humor bem peculiar, muito ácido - quase inglês!!! A narrativa também não é tão dinâmica, pois o texto exige muitas pausas, reflexões - o silêncio diz muito nessa série!!! A verdade é que quem não estiver realmente disposto a mergulhar nesse universo (tão particular e reflexivo), não vai se divertir.
Dois grandes amigos, acima dos 70 anos: um respeitado Professor de Teatro (por isso a referência do título) e seu agente precisam lidar com os reflexos da idade e a relação com mundo em que vivem. E como todo senhor "bem" humorado, é no mal humor dessa intimidade verdadeira que estão as pérolas dessa série. Michael Douglas (como Sandy Kominsky) e Alan Arkin (como Norman) estão simplesmente perfeitos - aliás, merecidíssimo o prêmio de melhor ator para Douglas e a indicação de ator coadjuvante para Arkin!!! Os dois são a série e dão um show!!!
Eu não sabia absolutamente nada sobre a série e logo depois da primeira cena, já me arrependi de não ter assistido antes - ela é sensacional!!! Enganasse quem assiste com o intuito de encontrar uma comédia tipo "Two and a half man", por exemplo (que é do mesmo produtor - Chuck Lorre, por isso a comparação) - é completamente diferente, pois mesmo parecendo estereotipados, os personagens são muito humanos e isso trás para a tela uma complexidade muito bem trabalhada nas situações que esses dois amigos vivem! A série fala de amizade, de relações entre pessoas e com o amadurecimento como ser humano. Fala sobre envelhecer, sobre perder a vitalidade. Fala sobre as novas gerações, suas diferenças, peculiaridades. Mas principalmente, fala sobre o que projetamos para nossa vida em alguns anos! São muito sensíveis essas discussões no roteiro, tudo está muito escondido entre um comentário (que pode até soar engraçado) e uma piada (que nem sempre nos faz rir e sim refletir). Existe um leveza na dor de lidar com o tempo e isso é magnífico!
O Método Kominsky é daquelas séries que você não quer acabe. O fato de termos 8 episódios de 30 minutos ajuda na experiência, pois não cansa viver cada um daqueles minutos. O mal humor tem seu charme (vide Dr. House) e o desprendimento de lidar com ele de uma forma leve, trás muita coisa boa para essa comédia cheia de drama (e de verdade). Se você tem mais de 35 anos, fez teatro na adolescência, tem aqueles amigos de uma vida inteira, faz um favor pra você: não deixe de assistir! Se não se enquadra na lista anterior, mas está disposto a encarar como bom humor o que vem por aí, também aproveite, porque vale o play!
Esse é mais um projeto dos criativos Mariano Cohn, Andrés Duprat e Gastón Duprat - e se você não sabe de quem eu estou falando, volte três casas e assista os imperdíveis: "O Cidadão Ilustre", "Meu Querido Zelador" e "O Faz Nada"! Olha, é impressionante como esse trio (um dos mais criativos do cinema argentino em muito tempo) tem uma capacidade absurda de criar personagens complexos e ao mesmo tempo apaixonantes - em todos os seus projetos, nada é o que parece e nem por isso o roteiro se apoia em esteriótipos para soar engraçado. Na verdade, e me contradizendo, os estereótipos até estão lá, mas mais humanizados, cheios de camadas, na linha tênue entre o ame ou odeie ou entre o mocinho e o bandido - simplesmente genial! Em "O Museu", mais uma vez, seu protagonista, o impagável Antonio Dumas (brilhantemente interpretado pelo Oscar Martínez), brilha e traz consigo a interessante premissa de discutir (e criticar) o papel da arte na superficial sociedade contemporânea.
Basicamente, "Bellas Artes" (no original) acompanha o dia a dia de Antonio Dumas, um renomado e cínico curador, que acaba de assumir a direção do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri. A partir dessa premissa aparentemente simples, essa série de seis episódios tece uma narrativa inteligente e multifacetada, explorando temas sensíveis como a mercantilização da arte, a superficialidade da elite cultural, a banalização da cultura woke e a busca por um significado em um mundo cada vez mais caótico. Confira o trailer:
Pautada pelo humor ácido e cirúrgico,"O Museu" nos apresenta a um universo peculiar, onde obras de arte desafiam as convenções e provocam questionamentos sobre o que realmente é arte - obviamente que sempre carregada de muita crítica e alguns apontamentos bem politicamente incorretos (ainda bem). É através do olhar aguçado de Antonio Dumas que somos confrontados com algumas das instalações mais bizarras, performances excêntricas e conceitos pseudo-abstratos que desafiam nossa percepção do belo. Com uma dinâmica narrativa das mais agradáveis, a série nos leva além das aparências ao buscar um significado mais profundo nas obras, questionando os valores e as crenças que permeiam o mundo na atualidade, sem perder a classe, o respeito ou a piada - não necessariamente nessa ordem.
Oscar Martínez (o protagonista de "O Cidadão Ilustre"), mais uma vez entrega uma performance magistral como Antonio Dumas, capturando com perfeição toda a arrogância, o egocentrismo, o cinismo e até um descompasso geracional do seu personagem com muita verdade. Veja, aqui não se trata de levantar bandeiras ou de diminuir algumas lutas, mas de discutir todas essas agendas por outras perspectivas ao ponto de refletirmos sobre algumas "verdades absolutas" que não se sustentam (ou pelo menos, não deveriam). Ao lado de Martínez, encontramos um elenco talentoso, incluindo um impagável Fernando Albizu e uma divertida Aixa Villagrán - mesmo sem tanto tempo de tela, eles a ajudam a construir um Antonio Duma bem mais palpável. Aqui a direção dos Duprat e de Cohn ganha força - utilizando de uma gramática cinematográfica já conhecida desde seus outros projetos, o trio basicamente recria a mesma atmosfera divertida e constrangedora que já virou uma identidade e que nos coloca na frente da tela com a certeza de que vamos encontrar um ótimo entretenimento.
A verdade é que "O Museu" é uma obra de arte em si mesma, desde que você se conecte com o humor mais ácido e provocador de seus criadores. Eu diria até que a série é um convite para uma jornada intelectual única que vai te fazer pensar ao mesmo tempo em que vai te desafiar a rever suas percepções sobre a arte em um mundo transformado, conectado e superficial, mas com um toque de cinismo divertidíssimo!
Vale muito o seu play!
Esse é mais um projeto dos criativos Mariano Cohn, Andrés Duprat e Gastón Duprat - e se você não sabe de quem eu estou falando, volte três casas e assista os imperdíveis: "O Cidadão Ilustre", "Meu Querido Zelador" e "O Faz Nada"! Olha, é impressionante como esse trio (um dos mais criativos do cinema argentino em muito tempo) tem uma capacidade absurda de criar personagens complexos e ao mesmo tempo apaixonantes - em todos os seus projetos, nada é o que parece e nem por isso o roteiro se apoia em esteriótipos para soar engraçado. Na verdade, e me contradizendo, os estereótipos até estão lá, mas mais humanizados, cheios de camadas, na linha tênue entre o ame ou odeie ou entre o mocinho e o bandido - simplesmente genial! Em "O Museu", mais uma vez, seu protagonista, o impagável Antonio Dumas (brilhantemente interpretado pelo Oscar Martínez), brilha e traz consigo a interessante premissa de discutir (e criticar) o papel da arte na superficial sociedade contemporânea.
Basicamente, "Bellas Artes" (no original) acompanha o dia a dia de Antonio Dumas, um renomado e cínico curador, que acaba de assumir a direção do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri. A partir dessa premissa aparentemente simples, essa série de seis episódios tece uma narrativa inteligente e multifacetada, explorando temas sensíveis como a mercantilização da arte, a superficialidade da elite cultural, a banalização da cultura woke e a busca por um significado em um mundo cada vez mais caótico. Confira o trailer:
Pautada pelo humor ácido e cirúrgico,"O Museu" nos apresenta a um universo peculiar, onde obras de arte desafiam as convenções e provocam questionamentos sobre o que realmente é arte - obviamente que sempre carregada de muita crítica e alguns apontamentos bem politicamente incorretos (ainda bem). É através do olhar aguçado de Antonio Dumas que somos confrontados com algumas das instalações mais bizarras, performances excêntricas e conceitos pseudo-abstratos que desafiam nossa percepção do belo. Com uma dinâmica narrativa das mais agradáveis, a série nos leva além das aparências ao buscar um significado mais profundo nas obras, questionando os valores e as crenças que permeiam o mundo na atualidade, sem perder a classe, o respeito ou a piada - não necessariamente nessa ordem.
Oscar Martínez (o protagonista de "O Cidadão Ilustre"), mais uma vez entrega uma performance magistral como Antonio Dumas, capturando com perfeição toda a arrogância, o egocentrismo, o cinismo e até um descompasso geracional do seu personagem com muita verdade. Veja, aqui não se trata de levantar bandeiras ou de diminuir algumas lutas, mas de discutir todas essas agendas por outras perspectivas ao ponto de refletirmos sobre algumas "verdades absolutas" que não se sustentam (ou pelo menos, não deveriam). Ao lado de Martínez, encontramos um elenco talentoso, incluindo um impagável Fernando Albizu e uma divertida Aixa Villagrán - mesmo sem tanto tempo de tela, eles a ajudam a construir um Antonio Duma bem mais palpável. Aqui a direção dos Duprat e de Cohn ganha força - utilizando de uma gramática cinematográfica já conhecida desde seus outros projetos, o trio basicamente recria a mesma atmosfera divertida e constrangedora que já virou uma identidade e que nos coloca na frente da tela com a certeza de que vamos encontrar um ótimo entretenimento.
A verdade é que "O Museu" é uma obra de arte em si mesma, desde que você se conecte com o humor mais ácido e provocador de seus criadores. Eu diria até que a série é um convite para uma jornada intelectual única que vai te fazer pensar ao mesmo tempo em que vai te desafiar a rever suas percepções sobre a arte em um mundo transformado, conectado e superficial, mas com um toque de cinismo divertidíssimo!
Vale muito o seu play!