indika.tv - Ficção

Ruptura

Sabe aquele episódio de "Black Mirror" que daria uma excelente série se fosse desenvolvido com mais calma, com ótimos personagens e ainda um arco cheio de mistério para "Iniciativa Dharma" alguma colocar defeito? Pois é, temos! "Ruptura", nova série da AppleTV+, é uma jóia para quem gosta de um drama bem construído, com elementos de ficção cientifica (com alma!) ao melhor estilo "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças", cheio de camadas e muito bem dirigido pela talentosa Aoife McArdle e pelo, acreditem, Ben Stiller - tudo isso baseado na criação de um estreante, o surpreendente Dan Erickson (guardem esse nome)!

Na trama conhecemos a história de alguns funcionários de uma empresa de tecnologia chamada Lumon. Sem muitas explicações, eles aceitam fazer um procedimento chamado de Severance, ou seja, eles separam suas personalidades em duas: uma que representa um funcionário exclusivo da Lumon e outra que é a pessoa que eles realmente são na vida real. O intrigante é que uma versão não sabe da outra, fazendo com que a mesma pessoa, viva em duas realidades distintas. Confira o trailer:

Em tempos pós-pandemia "Ruptura" tem um texto muito inteligente, cheio de críticas à tecnologia e, principalmente, perante nossas dinâmicas através dela. Claramente cheia de alegorias, muito bem colocadas e sempre cercada de muita ironia, o roteiro transforma o cotidiano dos personagens em uma espécie de prisão corporativista, explorando uma rotina exaustiva e completamente alienada que serve como fuga para o "eu" real - curioso como conhecemos muitas pessoas assim, não?

Mark (Adam Scott) resolveu fazer a ruptura para esquecer por 8 horas que sua mulher morreu em um acidente de carro, porém o mistério acompanha todos os outros personagens: seja a chefona durona totalmente non-sense, Harmony (Patricia Arquette), até o funcionário modelo Irving (John Turturro), ou o excêntrico Dylan (Zach Cherry) e a rebelde nova funcionária Holly (Britt Lower) - o elenco é tão incrível que eu já separaria muitos prêmios no próximo Emmy. Isso porque eu nem citei o impagável segurança Milchick (Tramell Tillman).

Outro ponto que merece sua atenção diz respeito ao desenho de produção: o ambiente criado pelo Jeremy Hindle ("A hora mais escura") é genial - uma verdadeira folha em branco, cheia de corredores e totalmente desprovido de vida - o movimento de câmera acompanhando os atores pelos longos corredores dá a exata impressão de que todos são ratos de laboratório num labirinto interminável. Chega a ser claustrofóbico! Aliás a sensação de vazio que o cenário nos passa é impressionante - eu diria que essa configuração visual é tão impactante e importante que pode ser considerado um personagem.

Antes de finalizar, é preciso dizer que "Ruptura" tem uma narrativa bastante cadenciada, o que pode dar a impressão que a história não está indo para lugar algum - esquece, pois tudo (eu disse "tudo") tem uma razão de estar em cena. Todo diálogo é importante. E toda pergunta parece ter uma resposta - os dois últimos episódios dão uma boa ideia de como essa série pode entrar para a história. Sem exageros, "Ruptura" é uma das melhores coisas que assisti em muitos anos - desde o cuidado técnico para nos mergulhar em inúmeras alegorias e mistérios até os subtextos críticos e filosóficos em torno de temas profundamente realistas e atuais.

Vale muito seu play!

Assista Agora

Sabe aquele episódio de "Black Mirror" que daria uma excelente série se fosse desenvolvido com mais calma, com ótimos personagens e ainda um arco cheio de mistério para "Iniciativa Dharma" alguma colocar defeito? Pois é, temos! "Ruptura", nova série da AppleTV+, é uma jóia para quem gosta de um drama bem construído, com elementos de ficção cientifica (com alma!) ao melhor estilo "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças", cheio de camadas e muito bem dirigido pela talentosa Aoife McArdle e pelo, acreditem, Ben Stiller - tudo isso baseado na criação de um estreante, o surpreendente Dan Erickson (guardem esse nome)!

Na trama conhecemos a história de alguns funcionários de uma empresa de tecnologia chamada Lumon. Sem muitas explicações, eles aceitam fazer um procedimento chamado de Severance, ou seja, eles separam suas personalidades em duas: uma que representa um funcionário exclusivo da Lumon e outra que é a pessoa que eles realmente são na vida real. O intrigante é que uma versão não sabe da outra, fazendo com que a mesma pessoa, viva em duas realidades distintas. Confira o trailer:

Em tempos pós-pandemia "Ruptura" tem um texto muito inteligente, cheio de críticas à tecnologia e, principalmente, perante nossas dinâmicas através dela. Claramente cheia de alegorias, muito bem colocadas e sempre cercada de muita ironia, o roteiro transforma o cotidiano dos personagens em uma espécie de prisão corporativista, explorando uma rotina exaustiva e completamente alienada que serve como fuga para o "eu" real - curioso como conhecemos muitas pessoas assim, não?

Mark (Adam Scott) resolveu fazer a ruptura para esquecer por 8 horas que sua mulher morreu em um acidente de carro, porém o mistério acompanha todos os outros personagens: seja a chefona durona totalmente non-sense, Harmony (Patricia Arquette), até o funcionário modelo Irving (John Turturro), ou o excêntrico Dylan (Zach Cherry) e a rebelde nova funcionária Holly (Britt Lower) - o elenco é tão incrível que eu já separaria muitos prêmios no próximo Emmy. Isso porque eu nem citei o impagável segurança Milchick (Tramell Tillman).

Outro ponto que merece sua atenção diz respeito ao desenho de produção: o ambiente criado pelo Jeremy Hindle ("A hora mais escura") é genial - uma verdadeira folha em branco, cheia de corredores e totalmente desprovido de vida - o movimento de câmera acompanhando os atores pelos longos corredores dá a exata impressão de que todos são ratos de laboratório num labirinto interminável. Chega a ser claustrofóbico! Aliás a sensação de vazio que o cenário nos passa é impressionante - eu diria que essa configuração visual é tão impactante e importante que pode ser considerado um personagem.

Antes de finalizar, é preciso dizer que "Ruptura" tem uma narrativa bastante cadenciada, o que pode dar a impressão que a história não está indo para lugar algum - esquece, pois tudo (eu disse "tudo") tem uma razão de estar em cena. Todo diálogo é importante. E toda pergunta parece ter uma resposta - os dois últimos episódios dão uma boa ideia de como essa série pode entrar para a história. Sem exageros, "Ruptura" é uma das melhores coisas que assisti em muitos anos - desde o cuidado técnico para nos mergulhar em inúmeras alegorias e mistérios até os subtextos críticos e filosóficos em torno de temas profundamente realistas e atuais.

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Se eu não tivesse te conhecido

Vou começar o review de uma forma diferente. Prestem a atenção na história: Um bem sucedido executivo catalão perde sua família em um acidente de carro. Além da dor, a culpa toma conta dele, afinal sua mulher havia se queixado de um problema no carro um dia antes, mas ele não deu a mínima atenção. Com isso vem a depressão e a vontade de acabar com a própria vida, porém no momento do suicídio surge uma mulher e impede que o ato seja consumado! Essa mulher, uma Mestre em astrofísica americana, sabendo que a vida já não importava mais para ele, convida nosso protagonista para participar de uma experiência única! Ela desenvolveu uma tecnologia capaz de abrir portais para os mais diversos universos, ou seja, seria possível ver (e interferir?!) nos rumos da história para entender o que poderia ser diferente se uma ou outra decisão fosse tomada, por ele e por quem o rodeia. Será que o acidente poderia ter sido evitado se ele não tivesse deixado a mulher sair com o carro dela naquele estado? Acontece que nem tudo sai como ele imaginava (claro!!!) e ao perceber que essas outras decisões também teriam suas consequências, o caos se instala na sua vida em diversas dimensões e suas interferências acabam virando uma bola de neve!!! - Nada muito original, mas interessante, não?

Acontece que "Se eu não tivesse te conhecido", produção catalã Original Netflix (de 10 episódios com 50 minutos cada) reuniu tudo o que existe de mais clichê em uma única série - na verdade, é um novelão! O over acting é tão presente em todos os personagens que qualquer possibilidade de imersão naquele realismo fantástico vai para o ralo. O primeiro episódio, sem brincadeira, são 40 minutos de lamentações para justificar uma coisa que seria tão natural: se sentir arrasado e sem esperanças após perder toda sua família em um acidente trágico! Não precisa alimentar esse sentimento mais do que 5 minutos, porque é óbvio que o personagem se sentiria assim, mas não, existe uma necessidade enorme de atingir a audiência com gatilhos emocionais completamente dispensáveis!!! Por exemplo: o desenho de som é terrível, a cada cena surge um violino depressivo tentando te fazer chorar... Eu não estou brincando, acho que a cada 2 minutos tem uma intervenção como essa, sem o menor sentido narrativo porque a história parece não te levar para frente nunca (ou pelo menos demora muito)! A produção também não ajuda, a qualidade oscila muito: as vezes temos planos lindos, com uma bela fotografia, uma qualidade cinematográfica incrível e logo em seguida uma cena que não consegue esconder que foi rodada em estúdio (ou na garagem de casa) - muito, mas muito, mal iluminada! Maquiagem e efeitos especiais dignos de Chapollin Colorado... 

Mas tem gente que gosta de um dramalhão, então vamos dar algum crédito: os ganchos entre um episódio e outro são excelentes (por incrível que pareça). Se você estiver disposto a fechar os olhos para a qualidade estética e narrativa da série, por gostar do tema ou do gênero, é  bem capaz que você consiga seguir por mais de um episódio. Sério, os ganchos são tão bons que me fizeram assistir 3 episódios seguidos mesmo com todas essas limitações. O problema é que o gancho não se sustenta quando começa o episódio, dois minutos e tudo vai para o lixo de novo, mas aí você se esforça, se permite, vem outro gancho bom e resolve ir para mais um episódio e assim vai feito um ciclo vicioso até que você diz: "Chega!"

Bom, se você gostou de "O Barco", você talvez se interesse pela série. Se você gostou de "Dark", não dê o play em hipótese alguma!!!  Enfim, tudo é uma questão de gosto! Assista por conta e risco!!!

Assista Agora

Vou começar o review de uma forma diferente. Prestem a atenção na história: Um bem sucedido executivo catalão perde sua família em um acidente de carro. Além da dor, a culpa toma conta dele, afinal sua mulher havia se queixado de um problema no carro um dia antes, mas ele não deu a mínima atenção. Com isso vem a depressão e a vontade de acabar com a própria vida, porém no momento do suicídio surge uma mulher e impede que o ato seja consumado! Essa mulher, uma Mestre em astrofísica americana, sabendo que a vida já não importava mais para ele, convida nosso protagonista para participar de uma experiência única! Ela desenvolveu uma tecnologia capaz de abrir portais para os mais diversos universos, ou seja, seria possível ver (e interferir?!) nos rumos da história para entender o que poderia ser diferente se uma ou outra decisão fosse tomada, por ele e por quem o rodeia. Será que o acidente poderia ter sido evitado se ele não tivesse deixado a mulher sair com o carro dela naquele estado? Acontece que nem tudo sai como ele imaginava (claro!!!) e ao perceber que essas outras decisões também teriam suas consequências, o caos se instala na sua vida em diversas dimensões e suas interferências acabam virando uma bola de neve!!! - Nada muito original, mas interessante, não?

Acontece que "Se eu não tivesse te conhecido", produção catalã Original Netflix (de 10 episódios com 50 minutos cada) reuniu tudo o que existe de mais clichê em uma única série - na verdade, é um novelão! O over acting é tão presente em todos os personagens que qualquer possibilidade de imersão naquele realismo fantástico vai para o ralo. O primeiro episódio, sem brincadeira, são 40 minutos de lamentações para justificar uma coisa que seria tão natural: se sentir arrasado e sem esperanças após perder toda sua família em um acidente trágico! Não precisa alimentar esse sentimento mais do que 5 minutos, porque é óbvio que o personagem se sentiria assim, mas não, existe uma necessidade enorme de atingir a audiência com gatilhos emocionais completamente dispensáveis!!! Por exemplo: o desenho de som é terrível, a cada cena surge um violino depressivo tentando te fazer chorar... Eu não estou brincando, acho que a cada 2 minutos tem uma intervenção como essa, sem o menor sentido narrativo porque a história parece não te levar para frente nunca (ou pelo menos demora muito)! A produção também não ajuda, a qualidade oscila muito: as vezes temos planos lindos, com uma bela fotografia, uma qualidade cinematográfica incrível e logo em seguida uma cena que não consegue esconder que foi rodada em estúdio (ou na garagem de casa) - muito, mas muito, mal iluminada! Maquiagem e efeitos especiais dignos de Chapollin Colorado... 

Mas tem gente que gosta de um dramalhão, então vamos dar algum crédito: os ganchos entre um episódio e outro são excelentes (por incrível que pareça). Se você estiver disposto a fechar os olhos para a qualidade estética e narrativa da série, por gostar do tema ou do gênero, é  bem capaz que você consiga seguir por mais de um episódio. Sério, os ganchos são tão bons que me fizeram assistir 3 episódios seguidos mesmo com todas essas limitações. O problema é que o gancho não se sustenta quando começa o episódio, dois minutos e tudo vai para o lixo de novo, mas aí você se esforça, se permite, vem outro gancho bom e resolve ir para mais um episódio e assim vai feito um ciclo vicioso até que você diz: "Chega!"

Bom, se você gostou de "O Barco", você talvez se interesse pela série. Se você gostou de "Dark", não dê o play em hipótese alguma!!!  Enfim, tudo é uma questão de gosto! Assista por conta e risco!!!

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Silo

Você não vai precisar mais do que um episódio para se perguntar "por que diabos eu não assisti essa série antes?". "Silo", da AppleTV+, é uma ficção científica de respeito, que se baseia no aclamado romance "Wool" de Hugh Howey. Desenvolvida por Graham Yost (de "From the Earth to the Moon"), a série nos transporta para um futuro distópico onde a humanidade vive em um gigantesco silo subterrâneo de 144 andares, protegido de um mundo exterior tóxico e desconhecido. Com uma narrativa das mais misteriosas e envolventes, um conceito visual impressionante e um elenco de peso, "Silo" realmente chama atenção pela forma como oferece uma exploração profunda, cheia de simbologia, sobre o controle da informação, os mistérios da sobrevivência e a incessante busca pela verdade.

Basicamente, a trama gira em torno dos habitantes desse silo, uma sociedade fechada e rigidamente controlada que obedece a um conjunto de estritas regras chamada de Pacto, com a mais radical sendo que, se alguém manifestar a vontade de sair de lá e encarar o envenenado mundo exterior, esse desejo passa ser obrigatório e a pessoa será, então, expulsa do silo com um único pedido: antes de morrer ela precisa limpar a lente do sensor que é o único olhar de seus pares para a desolação do lado de fora. Quando uma sucessão de acontecimentos faz com que Juliette Nichols (Rebecca Ferguson), uma engenheira do andar mais profundo do silo, hesitantemente aceite ser a nova chefe de polícia, ela começa a fazer investigações que a levam a duvidar de tudo aquilo que conhece, com consequências cada vez mais angustiantes e perigosas. Confira o trailer:

Antes de mais nada é preciso dizer que "Silo" é muito bem-sucedida em criar um mundo envolvente e misterioso, no entanto o seu estilo de narrativa, naturalmente, brinca com nossa percepção ao deixar claro que as respostas não virão com tanta facilidade - certamente isso vai testar a paciência de quem espera por uma jornada de fácil entendimento. Ao melhor estilo "Lost" com um toque de "Ruptura", a densidade do texto adaptado por Yost faz com que certos aspectos da trama pareçam complexos demais para serem totalmente explorados em uma única temporada, ou seja, esteja preparado para lidar com a angústia de um dia saber o final - internamente é sugerido que a série tenha 4 temporadas.

O roteiro é habilmente construído para equilibrar o desenvolvimento de personagens cheio de camadas com uma progressão da trama que envolve todas essas revelações e mistérios. Yost sabe como manter a audiência engajada, oferecendo reviravoltas e momentos de alta tensão sempre no tom certo - dificilmente você terá a sensação de que está sendo "enrolado". Ao trazer temas profundos como a verdade versus a mentira, o controle autoritário e a natureza da liberdade, tudo de uma maneira que é ao mesmo tempo intelectual e emocionalmente ressonante, a série adiciona o drama real mesmo envelopada de distópica. Rebecca Ferguson entrega uma performance poderosa e convincente como Juliette, capturando a determinação, a inteligência e a vulnerabilidade da sua personagem - existe uma profundidade emocional impressionante no seu trabalho. Aliás, o elenco de apoio inteiro, incluindo Tim Robbins como o misterioso Bernard e Rashida Jones como Allison, também oferece atuações sólidas que só enriquecem a narrativa.

"Silo" tem uma estética visual sombria e claustrofóbica que reflete a opressão do ambiente subterrâneo que, de fato, é impactante. Os enquadramentos acentuam essa sensação de confinamento e a tensão constantes, o que nos leva a uma reflexão importante sobre os extremos do controle social e da vulnerabilidade de uma pseudo-resistência humana - essa abordagem mais intelectual e emocional, repare, só complementa perfeitamente a atmosfera dessa série imperdível.

Saiba que "Silo" vale muito o seu play, especialmente se você for fã de ficção científica com esse mood mais distópico.

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Você não vai precisar mais do que um episódio para se perguntar "por que diabos eu não assisti essa série antes?". "Silo", da AppleTV+, é uma ficção científica de respeito, que se baseia no aclamado romance "Wool" de Hugh Howey. Desenvolvida por Graham Yost (de "From the Earth to the Moon"), a série nos transporta para um futuro distópico onde a humanidade vive em um gigantesco silo subterrâneo de 144 andares, protegido de um mundo exterior tóxico e desconhecido. Com uma narrativa das mais misteriosas e envolventes, um conceito visual impressionante e um elenco de peso, "Silo" realmente chama atenção pela forma como oferece uma exploração profunda, cheia de simbologia, sobre o controle da informação, os mistérios da sobrevivência e a incessante busca pela verdade.

Basicamente, a trama gira em torno dos habitantes desse silo, uma sociedade fechada e rigidamente controlada que obedece a um conjunto de estritas regras chamada de Pacto, com a mais radical sendo que, se alguém manifestar a vontade de sair de lá e encarar o envenenado mundo exterior, esse desejo passa ser obrigatório e a pessoa será, então, expulsa do silo com um único pedido: antes de morrer ela precisa limpar a lente do sensor que é o único olhar de seus pares para a desolação do lado de fora. Quando uma sucessão de acontecimentos faz com que Juliette Nichols (Rebecca Ferguson), uma engenheira do andar mais profundo do silo, hesitantemente aceite ser a nova chefe de polícia, ela começa a fazer investigações que a levam a duvidar de tudo aquilo que conhece, com consequências cada vez mais angustiantes e perigosas. Confira o trailer:

Antes de mais nada é preciso dizer que "Silo" é muito bem-sucedida em criar um mundo envolvente e misterioso, no entanto o seu estilo de narrativa, naturalmente, brinca com nossa percepção ao deixar claro que as respostas não virão com tanta facilidade - certamente isso vai testar a paciência de quem espera por uma jornada de fácil entendimento. Ao melhor estilo "Lost" com um toque de "Ruptura", a densidade do texto adaptado por Yost faz com que certos aspectos da trama pareçam complexos demais para serem totalmente explorados em uma única temporada, ou seja, esteja preparado para lidar com a angústia de um dia saber o final - internamente é sugerido que a série tenha 4 temporadas.

O roteiro é habilmente construído para equilibrar o desenvolvimento de personagens cheio de camadas com uma progressão da trama que envolve todas essas revelações e mistérios. Yost sabe como manter a audiência engajada, oferecendo reviravoltas e momentos de alta tensão sempre no tom certo - dificilmente você terá a sensação de que está sendo "enrolado". Ao trazer temas profundos como a verdade versus a mentira, o controle autoritário e a natureza da liberdade, tudo de uma maneira que é ao mesmo tempo intelectual e emocionalmente ressonante, a série adiciona o drama real mesmo envelopada de distópica. Rebecca Ferguson entrega uma performance poderosa e convincente como Juliette, capturando a determinação, a inteligência e a vulnerabilidade da sua personagem - existe uma profundidade emocional impressionante no seu trabalho. Aliás, o elenco de apoio inteiro, incluindo Tim Robbins como o misterioso Bernard e Rashida Jones como Allison, também oferece atuações sólidas que só enriquecem a narrativa.

"Silo" tem uma estética visual sombria e claustrofóbica que reflete a opressão do ambiente subterrâneo que, de fato, é impactante. Os enquadramentos acentuam essa sensação de confinamento e a tensão constantes, o que nos leva a uma reflexão importante sobre os extremos do controle social e da vulnerabilidade de uma pseudo-resistência humana - essa abordagem mais intelectual e emocional, repare, só complementa perfeitamente a atmosfera dessa série imperdível.

Saiba que "Silo" vale muito o seu play, especialmente se você for fã de ficção científica com esse mood mais distópico.

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Solos

"A memória é uma homenagem a que se ama!" - com essa frase dita por nada menos que Morgan Freeman no último episódio dessa belíssima série antológica da Amazon para o seu Prime Vídeo, fica muito fácil ter uma noção do que podemos encontrar pela frente. "Solos" é um ensaio sobre a solidão sob diversos aspectos e pontos de vista. Como em "Black Mirror", a tecnologia e o futuro das coisas são os gatilhos para profundas discussões (e reflexões) filosóficas e de auto-conhecimento. O que eu quero dizer é que se você procura uma ficção científica com alguma ação ou suspense, "Solos" não é para você! 

Com uma premissa das mais interessantes, "Solos" explora o significado mais profundo da conexão humana através das lentes do indivíduo. As histórias são guiadas por personagens únicos, cada uma com uma perspectiva e em momentos diferentes, demonstrando que mesmo durante nossos momentos mais isolados, nas mais díspares das circunstâncias, estamos todos conectados através da experiência humana. Confira o trailer:

De cara, o que mais chama atenção é o elenco incrível - dada a proposta narrativa e conceitual de se apoiar basicamente em monólogos para contar a história, Anne Hathaway, Helen Mirren, Morgan Freeman, Uzo Aduba, Anthony Mackie, Constance Wu, Dan Stevens e Nicole Beharie, simplesmente brilham - uns com mais força emocional, outros com mais potência cênica, mas todos em um nível de performance impressionante. Veja, são histórias curtas, em média trinta minutos por episódio, ou seja, é como se estivéssemos assistindo esquetes teatrais com roteiros inteligentes e bastante provocadores - não necessariamente fáceis de digerir ou de compreender imediatamente, mas cheio de símbolos e mensagens relevantes para esse momento que a humanidade está passando.

O projeto é uma criação de David Weil (“Hunters”). Ele é o showrunner junto a Sam Taylor-Johnson. Ambos dirigem alguns episódios da série ao lado de Zach Braff e Tiffany Johnson o que reflete na qualidade narrativa focada no ator - o cenário, é simplesmente um cenário. A beleza de "Solos" está no cuidado do texto e nas sensações que as histórias nos provocam - e importante: o ponto em comum entre todas elas é a exploração (no bom sentido) de sentimentos e os conflitos familiares e isso é pega forte!

Como comentei assim que o trailer foi liberado pela Amazon: "Solos" vai muito além de ser um novo "Black Mirror", mas não vai agradar a todos - será preciso muita sensibilidade para mergulhar nas profundezas da psiquê de cada um dos personagens! Como em "Tales from the Loop", essa série é de fato surpreendente, vale a pena!

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"A memória é uma homenagem a que se ama!" - com essa frase dita por nada menos que Morgan Freeman no último episódio dessa belíssima série antológica da Amazon para o seu Prime Vídeo, fica muito fácil ter uma noção do que podemos encontrar pela frente. "Solos" é um ensaio sobre a solidão sob diversos aspectos e pontos de vista. Como em "Black Mirror", a tecnologia e o futuro das coisas são os gatilhos para profundas discussões (e reflexões) filosóficas e de auto-conhecimento. O que eu quero dizer é que se você procura uma ficção científica com alguma ação ou suspense, "Solos" não é para você! 

Com uma premissa das mais interessantes, "Solos" explora o significado mais profundo da conexão humana através das lentes do indivíduo. As histórias são guiadas por personagens únicos, cada uma com uma perspectiva e em momentos diferentes, demonstrando que mesmo durante nossos momentos mais isolados, nas mais díspares das circunstâncias, estamos todos conectados através da experiência humana. Confira o trailer:

De cara, o que mais chama atenção é o elenco incrível - dada a proposta narrativa e conceitual de se apoiar basicamente em monólogos para contar a história, Anne Hathaway, Helen Mirren, Morgan Freeman, Uzo Aduba, Anthony Mackie, Constance Wu, Dan Stevens e Nicole Beharie, simplesmente brilham - uns com mais força emocional, outros com mais potência cênica, mas todos em um nível de performance impressionante. Veja, são histórias curtas, em média trinta minutos por episódio, ou seja, é como se estivéssemos assistindo esquetes teatrais com roteiros inteligentes e bastante provocadores - não necessariamente fáceis de digerir ou de compreender imediatamente, mas cheio de símbolos e mensagens relevantes para esse momento que a humanidade está passando.

O projeto é uma criação de David Weil (“Hunters”). Ele é o showrunner junto a Sam Taylor-Johnson. Ambos dirigem alguns episódios da série ao lado de Zach Braff e Tiffany Johnson o que reflete na qualidade narrativa focada no ator - o cenário, é simplesmente um cenário. A beleza de "Solos" está no cuidado do texto e nas sensações que as histórias nos provocam - e importante: o ponto em comum entre todas elas é a exploração (no bom sentido) de sentimentos e os conflitos familiares e isso é pega forte!

Como comentei assim que o trailer foi liberado pela Amazon: "Solos" vai muito além de ser um novo "Black Mirror", mas não vai agradar a todos - será preciso muita sensibilidade para mergulhar nas profundezas da psiquê de cada um dos personagens! Como em "Tales from the Loop", essa série é de fato surpreendente, vale a pena!

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Sombra Lunar

Sombra Lunar

"Sombra Lunar" é uma ficção científica que a Netflix produziu que conta com muitos elementos do gênero policial. Esse mix de conceitos narrativos trás uma certa grife para o filme, algo interessante, misterioso e até surpreendente, principalmente no primeiro ato - a impressão é que o filme vai entregar algo além da nossa expectativa! Mas a história que explora a vida do investigador Thomas Lockhart (Boyd Holbrook) e sua obsessão pelo responsável por uma série de assassinatos misteriosos que acontece na Filadélfia de 9 em 9 anos, vai perdendo força até cair no usual com um final óbvio! De fato "Sombra Lunar" é um bom entretenimento, com coisas muito bacanas e outras nem tanto, mas não deixa de ser um filme pipoca para um dia chuvoso que não vai te fazer pensar tanto!

Em uma noite chuvosa de 1988, o policial Thomas Lockhart sai de casa para o que deveria ser uma noite normal de trabalho quando, em quatro pontos diferentes da cidade, quatro pessoas, sem qualquer ligação entre si, são encontradas mortas com uma estranha hemorragia, tendo seus cérebros destruídos e vazando pelas orelhas, olhos e nariz. As cenas por si só já chocariam pela estranheza, porém Lock encontra uma misteriosa marca no pescoço das vítimas - três perfurações provavelmente causadas por uma injeção! - aqui eu já achei que o roteiro perdeu uma grande oportunidade de criar um tom ainda maior de mistério, ao entregar de cara que não se tratava de algo místico ou fantasioso, mas ok!!!

O primeiro ato inteiro acompanha as investigações desses assassinatos até o encontro do policial com a suspeita - os primeiros 30/40 minutos de filme são realmente muito dinâmicos, com cenas grandiosas até, e temos a impressão que a história será capaz de nos deixar com a cabeça fervendo, principalmente se você gosta de filmes policiais! A partir do segundo ato a ficção científica se torna mais presente e começa dividir a atenção com as investigações, quando 9 anos depois outra série de assassinatos repetem o mesmo padrão de 1988. É aqui que o tom realista perde espaço para uma narrativa menos inspirada e mais óbvia. Embora o tom misterioso da trama ganhe mais força, a qualidade da produção começa a sofrer sensivelmente com as escolhas erradas do roteiro e isso vai atrapalhando a nossa experiência.

Mais um salto na linha do tempo, já em 2006, começa o terceiro ciclo de 9 anos. Tudo aquilo de excelente que vimos no trailer e que nos empolgou no primeiro ato vai se transformando em um amontoado de esteriótipos - e aqui cabe uma observação: embora a maquiagem seja apenas mediana, o trabalho do Boyd Holbrook convence com o passar dos anos, pena que a história começa a perder o sentido. As falhas e incoerências do roteiro vão aparecendo com mais frequência e aí, meu amigo, só com pipoca para nos segurar até o final do filme. O resultado dos dois primeiros ciclos quase desaparecem no terceiro e no quarto (2015), deixando claro que, talvez, o projeto tivesse uma outra sorte se fosse uma série e não um filme. Tudo fica muito superficial, espremido, inconsistente. Muitos elementos de "Dark" são facilmente encontrados em "Sombra Lunar", mas não com tanta competência e complexidade como da série alemã. A direção do Jim Mickle e a fotografia do David Lanzenberg até tentam se manter inventivos, mas claramente o roteiro não acompanha esse suspiro de criatividade. O texto no finalzinho do filme define o que a história se tornou: ultrapassada!

"Sombra Lunar" tem um argumento potente, mas seu desenvolvimento é decrescente. A empolgação do inicio se torna quase decepcionante quando chegamos no final. Não é um filme ruim, isso é um fato, mas nem de longe cumpre o que prometia. Tem ação, mistério, ficção e até um drama água com açúcar ao melhor estilo novela mexicana, só que não convence como um produto cinco estrelas. Se você gostou de "Dark", mas achou complicado, é possível que "Sombra Lunar" te divirta mais e te prenda até o final, agora se você espera algo além de um bom "filme pipoca" e que será esquecido na semana que vem, nem dê o play!

Assista Agora

"Sombra Lunar" é uma ficção científica que a Netflix produziu que conta com muitos elementos do gênero policial. Esse mix de conceitos narrativos trás uma certa grife para o filme, algo interessante, misterioso e até surpreendente, principalmente no primeiro ato - a impressão é que o filme vai entregar algo além da nossa expectativa! Mas a história que explora a vida do investigador Thomas Lockhart (Boyd Holbrook) e sua obsessão pelo responsável por uma série de assassinatos misteriosos que acontece na Filadélfia de 9 em 9 anos, vai perdendo força até cair no usual com um final óbvio! De fato "Sombra Lunar" é um bom entretenimento, com coisas muito bacanas e outras nem tanto, mas não deixa de ser um filme pipoca para um dia chuvoso que não vai te fazer pensar tanto!

Em uma noite chuvosa de 1988, o policial Thomas Lockhart sai de casa para o que deveria ser uma noite normal de trabalho quando, em quatro pontos diferentes da cidade, quatro pessoas, sem qualquer ligação entre si, são encontradas mortas com uma estranha hemorragia, tendo seus cérebros destruídos e vazando pelas orelhas, olhos e nariz. As cenas por si só já chocariam pela estranheza, porém Lock encontra uma misteriosa marca no pescoço das vítimas - três perfurações provavelmente causadas por uma injeção! - aqui eu já achei que o roteiro perdeu uma grande oportunidade de criar um tom ainda maior de mistério, ao entregar de cara que não se tratava de algo místico ou fantasioso, mas ok!!!

O primeiro ato inteiro acompanha as investigações desses assassinatos até o encontro do policial com a suspeita - os primeiros 30/40 minutos de filme são realmente muito dinâmicos, com cenas grandiosas até, e temos a impressão que a história será capaz de nos deixar com a cabeça fervendo, principalmente se você gosta de filmes policiais! A partir do segundo ato a ficção científica se torna mais presente e começa dividir a atenção com as investigações, quando 9 anos depois outra série de assassinatos repetem o mesmo padrão de 1988. É aqui que o tom realista perde espaço para uma narrativa menos inspirada e mais óbvia. Embora o tom misterioso da trama ganhe mais força, a qualidade da produção começa a sofrer sensivelmente com as escolhas erradas do roteiro e isso vai atrapalhando a nossa experiência.

Mais um salto na linha do tempo, já em 2006, começa o terceiro ciclo de 9 anos. Tudo aquilo de excelente que vimos no trailer e que nos empolgou no primeiro ato vai se transformando em um amontoado de esteriótipos - e aqui cabe uma observação: embora a maquiagem seja apenas mediana, o trabalho do Boyd Holbrook convence com o passar dos anos, pena que a história começa a perder o sentido. As falhas e incoerências do roteiro vão aparecendo com mais frequência e aí, meu amigo, só com pipoca para nos segurar até o final do filme. O resultado dos dois primeiros ciclos quase desaparecem no terceiro e no quarto (2015), deixando claro que, talvez, o projeto tivesse uma outra sorte se fosse uma série e não um filme. Tudo fica muito superficial, espremido, inconsistente. Muitos elementos de "Dark" são facilmente encontrados em "Sombra Lunar", mas não com tanta competência e complexidade como da série alemã. A direção do Jim Mickle e a fotografia do David Lanzenberg até tentam se manter inventivos, mas claramente o roteiro não acompanha esse suspiro de criatividade. O texto no finalzinho do filme define o que a história se tornou: ultrapassada!

"Sombra Lunar" tem um argumento potente, mas seu desenvolvimento é decrescente. A empolgação do inicio se torna quase decepcionante quando chegamos no final. Não é um filme ruim, isso é um fato, mas nem de longe cumpre o que prometia. Tem ação, mistério, ficção e até um drama água com açúcar ao melhor estilo novela mexicana, só que não convence como um produto cinco estrelas. Se você gostou de "Dark", mas achou complicado, é possível que "Sombra Lunar" te divirta mais e te prenda até o final, agora se você espera algo além de um bom "filme pipoca" e que será esquecido na semana que vem, nem dê o play!

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Soulmates

Se a HBO (em co-produção com a BBC) trouxe com muita competência a sua visão "Black Mirror" para o streaming com "Years and Years", agora é a vez da Prime Vídeo (via AMC) de seguir pelo mesmo caminho e com igual qualidade - "Soulmates" (Almas Gêmeas) tem uma primeira temporada de 6 episódios praticamente perfeita! São roteiros inteligentes, ousados, profundos (uns mais que outros, claro) e muito bem dirigidos.

A série se passa quinze anos no futuro, quando uma empresa acaba de fazer uma descoberta que muda para sempre a maneira como as pessoas se relacionam entre si: através de um rápido teste realizado cientificamente, agora é possível encontrar sua “alma gémea” e assim que ambos entram no sistema, um app imediatamente avisa sobre o "match". Confira o trailer:

Vale ressaltar que a série foi desenvolvida pelo talentoso Will Bridges, responsável por “Stranger Things” e pelo próprio “Black Mirror”, e pelo Brett Goldstein, do surpreendente “Ted Lasso”, o que mostra que a escolha conceitual pela narrativa antológica, onde cada episódio corresponde por uma história com começo, meio e fim, foi a decisão mais inteligente já que as tramas podem transitar por vários gêneros captando o que cada um dos criadores tem de melhor, mas mantendo qualidade, o equilíbrio e nunca se afastando do ponto em comum: como lidar com a informação que pode fazer a maior diferença na vida de um ser humano, aquela que muitas pessoas buscam incansavelmente e que pode definir um lugar entre a felicidade de conhecer sua alma gêmea ou a dúvida de ter feito uma escolha errada.

É muito inteligente como as histórias abordam o tema em diferentes situações e talvez esse seja o grande diferencial da série em relação a uma produção francesa da Netflix que gostei muito e que também fala sobre "almas gêmeas", mas de um ponto de vista mais tecnológico e, digamos, sem muita "alma": "Osmosis".

Se nos três primeiros episódios de "Soulmates" a provocação é mais filosófica, focada nas relações em si, onde se discute se as pessoas deveriam ou não fazer o teste, já que tem suas vidas estabelecidas com outros parceiros. Nos três episódios seguintes a direção muda um pouco, a série passa a ser um entretenimento menos despretensioso, com histórias de gênero e sem a necessidade de reflexões mais profundas - em ambos os casos a qualidade é alta, mas será natural uma identificação com um ou outro episódio como, inclusive, acontece muito em "Black Mirror".

"Soulmates"foi já descrita por vários críticos como“a união entre Black Mirror e Modern Love"- talvez nos episódios inicias essa definição faça sentido, mas o que vemos depois serve muito mais para mostrar que a série tem potencial para se transformar em uma franquia de sucesso (se não perder a sua essência) e que veio, de fato, para ficar - tanto que a segunda temporada já foi garantida pelo AMC! Vale muito a pena!

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Se a HBO (em co-produção com a BBC) trouxe com muita competência a sua visão "Black Mirror" para o streaming com "Years and Years", agora é a vez da Prime Vídeo (via AMC) de seguir pelo mesmo caminho e com igual qualidade - "Soulmates" (Almas Gêmeas) tem uma primeira temporada de 6 episódios praticamente perfeita! São roteiros inteligentes, ousados, profundos (uns mais que outros, claro) e muito bem dirigidos.

A série se passa quinze anos no futuro, quando uma empresa acaba de fazer uma descoberta que muda para sempre a maneira como as pessoas se relacionam entre si: através de um rápido teste realizado cientificamente, agora é possível encontrar sua “alma gémea” e assim que ambos entram no sistema, um app imediatamente avisa sobre o "match". Confira o trailer:

Vale ressaltar que a série foi desenvolvida pelo talentoso Will Bridges, responsável por “Stranger Things” e pelo próprio “Black Mirror”, e pelo Brett Goldstein, do surpreendente “Ted Lasso”, o que mostra que a escolha conceitual pela narrativa antológica, onde cada episódio corresponde por uma história com começo, meio e fim, foi a decisão mais inteligente já que as tramas podem transitar por vários gêneros captando o que cada um dos criadores tem de melhor, mas mantendo qualidade, o equilíbrio e nunca se afastando do ponto em comum: como lidar com a informação que pode fazer a maior diferença na vida de um ser humano, aquela que muitas pessoas buscam incansavelmente e que pode definir um lugar entre a felicidade de conhecer sua alma gêmea ou a dúvida de ter feito uma escolha errada.

É muito inteligente como as histórias abordam o tema em diferentes situações e talvez esse seja o grande diferencial da série em relação a uma produção francesa da Netflix que gostei muito e que também fala sobre "almas gêmeas", mas de um ponto de vista mais tecnológico e, digamos, sem muita "alma": "Osmosis".

Se nos três primeiros episódios de "Soulmates" a provocação é mais filosófica, focada nas relações em si, onde se discute se as pessoas deveriam ou não fazer o teste, já que tem suas vidas estabelecidas com outros parceiros. Nos três episódios seguintes a direção muda um pouco, a série passa a ser um entretenimento menos despretensioso, com histórias de gênero e sem a necessidade de reflexões mais profundas - em ambos os casos a qualidade é alta, mas será natural uma identificação com um ou outro episódio como, inclusive, acontece muito em "Black Mirror".

"Soulmates"foi já descrita por vários críticos como“a união entre Black Mirror e Modern Love"- talvez nos episódios inicias essa definição faça sentido, mas o que vemos depois serve muito mais para mostrar que a série tem potencial para se transformar em uma franquia de sucesso (se não perder a sua essência) e que veio, de fato, para ficar - tanto que a segunda temporada já foi garantida pelo AMC! Vale muito a pena!

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Tales from the Loop

"Tales from the Loop" é uma série da Prime Vídeo da Amazon, inspirada no belíssimo livro de contos do suíçoSimon Stalenhag, que se passa em Mercer (Ohio), uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, um cenário completamente retrô, onde uma instituição subterrânea conhecida como "The Loop" realiza misteriosos experimentos científicos que, de alguma forma, impactam os moradores daquela comunidade. Confira o trailer:

"Contos do Loop" (título em português) tem uma estrutura interessante, pois lembra muito as séries procedurais (aquelas com o caso da semana, mas com um arco maior que liga as histórias dos personagens durante a temporada). Aqui, a cada episódio, somos apresentados a um personagem e sua respectiva história que, de certa forma, funciona isolada, se conectando com o universo de Loop sem uma continuidade tão rígida que possa ser considerada uma linha temporal linear durante a narrativa. Aliás, o "tempo" talvez seja o elemento mais importante dessa ficção, afinal ele é interpretado de várias formas, mas sem a necessidade de maiores explicações cientificas - e é aí que a série fica na linha tênue do "ame ou odeie"! Embora "Contos do Loop" seja, de fato, um ficção científica, o gênero funciona muito mais como cenário do que como conteúdo, já que as histórias falam muito mais sobre as relações humanas e como elas deixam marcas na nossa existência. Eu definiria a série como uma "poesia visual com muita alma". Vale muito a pena, as histórias se aproximam muito do estilo "Twilight Zone", mas em um mesmo universo, com personagens fixos e com uma discussão mais existencial do que científica!

"Tales from the Loop" foi indicada para "apenas" dois Emmys em 2020: Efeitos Especiais e Fotografia! A Fotografia dessa série é uma coisa sensacional, parece uma pintura mesmo - um dos conceitos visuais do projeto foi justamente transportar para tela a qualidade artística das ilustrações da obra de Simon Stalenhag. Essa ambientação já surge como uma provocação, afinal estamos em um universo completamente anos 50, em uma cidade do interior dos EUA, discutindo experimentos que exigem a mais alta tecnologia, o que justifica, inclusive, a indicação em efeitos especiais: são sucatas e materiais de ferro-velho se transformando em projetos inimagináveis para época, graças a combinação entre Engenharia Mecânica, Mecatrônica e muita Fantasia!

A trilha sonora original de Paul Leonard-Morgan é outro elemento que merece sua atenção: junto com um desenho de som impressionante, essa junção cirúrgica dá o tom dramático e de suspense da série sem perder a elegância! Para muitos, a série pode parecer lenta demais, para mim essa característica é um dos postos altos do projeto: ela possui um ritmo tão particular, que nos permite contemplar o visual ao mesmo tempo que refletimos sobre as dores de cada um dos personagens - é como se observássemos de camarote as idiossincrasias humanas a partir dos fenômenos causados pelo Loop. Embora o roteiro tenha alguns buracos se observarmos essa primeira temporada como um todo, fica impossível não elogiar a escolha do conceito narrativo imposta pelo criador da série, Nathaniel Halpern de "Legião". Dividida em oito contos de quase uma hora de duração, mergulhamos em temas como solidão, abandono, amor e morte, que, de alguma forma, se tornam cíclicos e muito bem estruturados.

No elenco eu destaco o trabalho de Jonathan Pryce (Dois Papas), Rebecca Hall (Vicky Cristina Barcelona) e Paul Schneider (Parks and Recreation), além de Duncan Joiner como Cole - aliás, é inacreditável que Pryce e Joiner não tenham sido indicados ao Emmy! Na direção temos outro ponto interessante e que certamente ajudou na concepção mais autoral e independente do projeto - embora mantenha uma unidade visual, cada um dos episódios é dirigido por um diretor diferente. Destaco Ti West (de VHS) que dirigiu o fantástico (e tenso) episódio "Enemies", Andrew Stanton (de Wall-E) que comandou o emocionante "Echo Sphere" e Jodie Foster que vinha de um "Arkangel" em Black Mirror e nos brindou com o último episódio da temporada: "Home". 

"Tales from the Loop" não é uma série fácil, muito menos um entretenimento despretensioso. Será preciso uma certa sensibilidade e uma predisposição em aceitar os fatos da maneira que eles são mostrados, sem muitos questionamentos científicos ou narrativos. O que faz da série imperdível é justamente a experiência de se entregar àquele universo sem a necessidade de encontrar respostas e onde o inexplicável funciona apenas como convite para encontrar o ponto de inflexão entre o filosófico e o poético! 

Se você gosta do estilo do diretor Terrence Malick, é bem provável que você vá gostar da série e pode ter certeza, "Contos do Loop" vai valer muito seu play!

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"Tales from the Loop" é uma série da Prime Vídeo da Amazon, inspirada no belíssimo livro de contos do suíçoSimon Stalenhag, que se passa em Mercer (Ohio), uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, um cenário completamente retrô, onde uma instituição subterrânea conhecida como "The Loop" realiza misteriosos experimentos científicos que, de alguma forma, impactam os moradores daquela comunidade. Confira o trailer:

"Contos do Loop" (título em português) tem uma estrutura interessante, pois lembra muito as séries procedurais (aquelas com o caso da semana, mas com um arco maior que liga as histórias dos personagens durante a temporada). Aqui, a cada episódio, somos apresentados a um personagem e sua respectiva história que, de certa forma, funciona isolada, se conectando com o universo de Loop sem uma continuidade tão rígida que possa ser considerada uma linha temporal linear durante a narrativa. Aliás, o "tempo" talvez seja o elemento mais importante dessa ficção, afinal ele é interpretado de várias formas, mas sem a necessidade de maiores explicações cientificas - e é aí que a série fica na linha tênue do "ame ou odeie"! Embora "Contos do Loop" seja, de fato, um ficção científica, o gênero funciona muito mais como cenário do que como conteúdo, já que as histórias falam muito mais sobre as relações humanas e como elas deixam marcas na nossa existência. Eu definiria a série como uma "poesia visual com muita alma". Vale muito a pena, as histórias se aproximam muito do estilo "Twilight Zone", mas em um mesmo universo, com personagens fixos e com uma discussão mais existencial do que científica!

"Tales from the Loop" foi indicada para "apenas" dois Emmys em 2020: Efeitos Especiais e Fotografia! A Fotografia dessa série é uma coisa sensacional, parece uma pintura mesmo - um dos conceitos visuais do projeto foi justamente transportar para tela a qualidade artística das ilustrações da obra de Simon Stalenhag. Essa ambientação já surge como uma provocação, afinal estamos em um universo completamente anos 50, em uma cidade do interior dos EUA, discutindo experimentos que exigem a mais alta tecnologia, o que justifica, inclusive, a indicação em efeitos especiais: são sucatas e materiais de ferro-velho se transformando em projetos inimagináveis para época, graças a combinação entre Engenharia Mecânica, Mecatrônica e muita Fantasia!

A trilha sonora original de Paul Leonard-Morgan é outro elemento que merece sua atenção: junto com um desenho de som impressionante, essa junção cirúrgica dá o tom dramático e de suspense da série sem perder a elegância! Para muitos, a série pode parecer lenta demais, para mim essa característica é um dos postos altos do projeto: ela possui um ritmo tão particular, que nos permite contemplar o visual ao mesmo tempo que refletimos sobre as dores de cada um dos personagens - é como se observássemos de camarote as idiossincrasias humanas a partir dos fenômenos causados pelo Loop. Embora o roteiro tenha alguns buracos se observarmos essa primeira temporada como um todo, fica impossível não elogiar a escolha do conceito narrativo imposta pelo criador da série, Nathaniel Halpern de "Legião". Dividida em oito contos de quase uma hora de duração, mergulhamos em temas como solidão, abandono, amor e morte, que, de alguma forma, se tornam cíclicos e muito bem estruturados.

No elenco eu destaco o trabalho de Jonathan Pryce (Dois Papas), Rebecca Hall (Vicky Cristina Barcelona) e Paul Schneider (Parks and Recreation), além de Duncan Joiner como Cole - aliás, é inacreditável que Pryce e Joiner não tenham sido indicados ao Emmy! Na direção temos outro ponto interessante e que certamente ajudou na concepção mais autoral e independente do projeto - embora mantenha uma unidade visual, cada um dos episódios é dirigido por um diretor diferente. Destaco Ti West (de VHS) que dirigiu o fantástico (e tenso) episódio "Enemies", Andrew Stanton (de Wall-E) que comandou o emocionante "Echo Sphere" e Jodie Foster que vinha de um "Arkangel" em Black Mirror e nos brindou com o último episódio da temporada: "Home". 

"Tales from the Loop" não é uma série fácil, muito menos um entretenimento despretensioso. Será preciso uma certa sensibilidade e uma predisposição em aceitar os fatos da maneira que eles são mostrados, sem muitos questionamentos científicos ou narrativos. O que faz da série imperdível é justamente a experiência de se entregar àquele universo sem a necessidade de encontrar respostas e onde o inexplicável funciona apenas como convite para encontrar o ponto de inflexão entre o filosófico e o poético! 

Se você gosta do estilo do diretor Terrence Malick, é bem provável que você vá gostar da série e pode ter certeza, "Contos do Loop" vai valer muito seu play!

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The Feed

Antes de mais nada, "The Feed" é uma provocação das mais interessantes - especialmente se você se permitir buscar na realidade atual referências que de alguma forma nos remetem ao perigo que é a possibilidade de perdermos o equilíbrio entre o bom senso e a tecnologia. Ao melhor estilo "Black Mirror" (aquele mais raiz), mas com um toque bem presente de "Devs" e "Osmosis", "The Feed" explora os impactos da tecnologia em um futuro próximo, onde a conectividade total transformou as interações humanas (e a privacidade) em uma mercadoria obsoleta. Baseada no romance homônimo de Nick Clark Windo, essa série de ficção científica distópica da Prime Vídeo, lançada em 2019, mistura elementos de thriller psicológico, drama familiar e crítica social, abordando temas que ressoam profundamente em um mundo cada vez mais dependente do controle total da informação - eu diria até que "The Feed" é um reflexo inquietante do nosso presente projetado em um futuro realmente perturbador.

A trama é centrada na família Hatfield, criadora de um implante neural chamado "The Feed", que permite às pessoas compartilhar informações, emoções e memórias em tempo real. Apesar de ser uma revolução tecnológica que conecta o mundo em níveis sem precedentes, o Feed começa a apresentar falhas, transformando os usuários em assassinos incontroláveis. À medida que o sistema ameaça se desintegrar, a família Hatfield é forçada a confrontar os custos éticos e pessoais de sua criação, enquanto lutam para salvar o que resta da sociedade. Confira o trailer (em inglês):

"The Feed" é muito inteligente ao utilizar a premissa do desenvolvimento tecnológico brutal dos dias de hoje para explorar dinâmicas humanas e familiares de uma forma mais intimista e reflexiva - mas sem esquecer da ação. O protagonista Tom Hatfield (Guy Burnet) se vê dividido entre sua desconfiança em relação ao Feed e sua lealdade à sua família, particularmente seu pai, Lawrence Hatfield (David Thewlis), o criador visionário e impiedoso do sistema. O conflito entre a inovação sem limites e as consequências não intencionais cria uma tensão constante que impulsiona a narrativa de um maneira surpreendente - você não vai precisar mais do que um episódio para se sentir dentro da trama como se fosse algo bem palpável. A direção, seguindo esse caminho, enfatiza o contraste entre a conectividade e o isolamento emocional, com uma estética visual que mistura ambientes minimalistas e frios com cenas mais caóticas e visceralmente humanas. É interessante como a série alterna entre tons suaves e estéreis para as cenas conectadas ao Feed com os tons mais naturais para os momentos de desconexão, refletindo o conflito central da narrativa sem pesar na mão ou inventar a roda.

O roteiro, embora ambicioso, nem sempre mantém o ritmo perfeito entre o thriller tecnológico e o drama humano. Alguns diálogos expõem ideias complexas de maneira didática, enquanto outras subtramas parecem excessivamente dependentes de clichês do gênero - isso é uma fraqueza, não há como negar, mas também é preciso dizer que alguns gaps podem até passar despercebidos quando os temas centrais são explorados com mais profundidade. Repare como assuntos atuais como a perda de privacidade, o impacto da hiperconectividade como identidade e as consequências éticas da inovação, são jogadas na narrativa com muita sabedoria, nos provocando reflexões pertinentes.

Mesmo com alguns esteriótipos marcantes, as performances do elenco justificam o interesse na série - especialmente David Thewlis, que entrega uma interpretação intensa e multifacetada como Lawrence Hatfield, um visionário bem Elon Musk, que luta para justificar os sacrifícios feitos em nome do progresso. Guy Burnet traz vulnerabilidade e determinação ao seu Tom, enquanto Nina Toussaint-White, como Kate, a esposa de Tom, adiciona camadas de conflito e resiliência à história. Outro ponto técnico bacana de se observar é o desenho de som: ao lado da trilha sonora, eles desempenham papéis importantes na criação da atmosfera da série com sons eletrônicos e pulsantes que refletem o domínio do Feed na vida das pessoas, enquanto os momentos de silêncio ou efeitos sonoros naturais sublinham a desconexão e a luta por autenticidade em um mundo dominado pela tecnologia.

Apesar de seus méritos, "The Feed" se torna excessivamente dependente de reviravoltas, sacrificando o desenvolvimento orgânico dos personagens em prol do impacto narrativo - funciona, mas soa familiar demais. Além disso, a ambição da série em abordar múltiplos temas nem sempre é acompanhada por uma execução consistente, resultando em algumas tramas subdesenvolvidas que vão exigir mais boa vontade do que empolgação. Mesmo deixando alguns pontos abertos, "The Feed" entrega um entretenimento que vai fazer valer muito o seu play em uma primeira temporada intrigante e, por vezes, perturbadora sobre o impacto da tecnologia na sociedade!

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Antes de mais nada, "The Feed" é uma provocação das mais interessantes - especialmente se você se permitir buscar na realidade atual referências que de alguma forma nos remetem ao perigo que é a possibilidade de perdermos o equilíbrio entre o bom senso e a tecnologia. Ao melhor estilo "Black Mirror" (aquele mais raiz), mas com um toque bem presente de "Devs" e "Osmosis", "The Feed" explora os impactos da tecnologia em um futuro próximo, onde a conectividade total transformou as interações humanas (e a privacidade) em uma mercadoria obsoleta. Baseada no romance homônimo de Nick Clark Windo, essa série de ficção científica distópica da Prime Vídeo, lançada em 2019, mistura elementos de thriller psicológico, drama familiar e crítica social, abordando temas que ressoam profundamente em um mundo cada vez mais dependente do controle total da informação - eu diria até que "The Feed" é um reflexo inquietante do nosso presente projetado em um futuro realmente perturbador.

A trama é centrada na família Hatfield, criadora de um implante neural chamado "The Feed", que permite às pessoas compartilhar informações, emoções e memórias em tempo real. Apesar de ser uma revolução tecnológica que conecta o mundo em níveis sem precedentes, o Feed começa a apresentar falhas, transformando os usuários em assassinos incontroláveis. À medida que o sistema ameaça se desintegrar, a família Hatfield é forçada a confrontar os custos éticos e pessoais de sua criação, enquanto lutam para salvar o que resta da sociedade. Confira o trailer (em inglês):

"The Feed" é muito inteligente ao utilizar a premissa do desenvolvimento tecnológico brutal dos dias de hoje para explorar dinâmicas humanas e familiares de uma forma mais intimista e reflexiva - mas sem esquecer da ação. O protagonista Tom Hatfield (Guy Burnet) se vê dividido entre sua desconfiança em relação ao Feed e sua lealdade à sua família, particularmente seu pai, Lawrence Hatfield (David Thewlis), o criador visionário e impiedoso do sistema. O conflito entre a inovação sem limites e as consequências não intencionais cria uma tensão constante que impulsiona a narrativa de um maneira surpreendente - você não vai precisar mais do que um episódio para se sentir dentro da trama como se fosse algo bem palpável. A direção, seguindo esse caminho, enfatiza o contraste entre a conectividade e o isolamento emocional, com uma estética visual que mistura ambientes minimalistas e frios com cenas mais caóticas e visceralmente humanas. É interessante como a série alterna entre tons suaves e estéreis para as cenas conectadas ao Feed com os tons mais naturais para os momentos de desconexão, refletindo o conflito central da narrativa sem pesar na mão ou inventar a roda.

O roteiro, embora ambicioso, nem sempre mantém o ritmo perfeito entre o thriller tecnológico e o drama humano. Alguns diálogos expõem ideias complexas de maneira didática, enquanto outras subtramas parecem excessivamente dependentes de clichês do gênero - isso é uma fraqueza, não há como negar, mas também é preciso dizer que alguns gaps podem até passar despercebidos quando os temas centrais são explorados com mais profundidade. Repare como assuntos atuais como a perda de privacidade, o impacto da hiperconectividade como identidade e as consequências éticas da inovação, são jogadas na narrativa com muita sabedoria, nos provocando reflexões pertinentes.

Mesmo com alguns esteriótipos marcantes, as performances do elenco justificam o interesse na série - especialmente David Thewlis, que entrega uma interpretação intensa e multifacetada como Lawrence Hatfield, um visionário bem Elon Musk, que luta para justificar os sacrifícios feitos em nome do progresso. Guy Burnet traz vulnerabilidade e determinação ao seu Tom, enquanto Nina Toussaint-White, como Kate, a esposa de Tom, adiciona camadas de conflito e resiliência à história. Outro ponto técnico bacana de se observar é o desenho de som: ao lado da trilha sonora, eles desempenham papéis importantes na criação da atmosfera da série com sons eletrônicos e pulsantes que refletem o domínio do Feed na vida das pessoas, enquanto os momentos de silêncio ou efeitos sonoros naturais sublinham a desconexão e a luta por autenticidade em um mundo dominado pela tecnologia.

Apesar de seus méritos, "The Feed" se torna excessivamente dependente de reviravoltas, sacrificando o desenvolvimento orgânico dos personagens em prol do impacto narrativo - funciona, mas soa familiar demais. Além disso, a ambição da série em abordar múltiplos temas nem sempre é acompanhada por uma execução consistente, resultando em algumas tramas subdesenvolvidas que vão exigir mais boa vontade do que empolgação. Mesmo deixando alguns pontos abertos, "The Feed" entrega um entretenimento que vai fazer valer muito o seu play em uma primeira temporada intrigante e, por vezes, perturbadora sobre o impacto da tecnologia na sociedade!

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The Last of Us

Se você ainda não assistiu, dê o play sem o menor receio de errar, mas saiba: muito mais do que uma "série de zumbis", "The Last of Us" é uma jornada de autoconhecimento, emocionalmente carregada de feridas profundas, onde as relações estabelecidas entre os personagens tem muito mais valor do que a mera luta pela sobrevivência ou pela cura da humanidade. Lançada em 2023 pela HBO, a série é uma adaptação do aclamado jogo de videogame da Naughty Dog, criado por Neil Druckmann. Com uma narrativa poderosa e personagens cheios de camadas, "The Last of Us" traz para as telas uma história de redenção em um mundo pós-apocalíptico que nos envolve do inicio ao fim! Desenvolvida por Craig Mazin (a mente criativa por trás de "Chernobyl") e pelo próprio Neil Druckmann, a série consegue capturar a essência do jogo ao mesmo tempo que expande as possibilidades dramáticas, oferecendo uma experiência cinematográfica intensa e emocionalmente, de fato, ressonante. Imperdível!

A trama se passa em uma realidade onde parte da humanidade foi dizimada por uma infecção fúngica que transforma pessoas em uma espécie de zumbi. Joel (Pedro Pascal), um sobrevivente que carrega a dor de ter perdido sua filha adolescente, é incumbido de proteger Ellie (Bella Ramsey), uma jovem que pode ser a chave para encontrar uma cura. A série segue sua perigosa jornada através de um Estados Unidos devastado, explorando os laços que se formam na busca por um bem maior e os sacrifícios feitos em troca de alguma esperança. Confira o trailer:

Mazin e Druckmann trazem para "The Last of Us" uma jornada sensível diante do caos que é 'viver sob uma ameaça invisível - algo que parecia distante, mas que, nas devidas proporções, experienciamos durante a pandemia. Acontece que aqui o invisível vai ganhando forma e o horror do inexplicável se transforma em algo ainda mais assustador. Embora a série nos entregue uma fotografia deslumbrante e grandiosa das paisagens devastadas de um EUA irreconhecível, é na intimidade das interações humanas (e na sua constante tensão) que a série muda de patamar. As cores sombrias e a iluminação naturalista extremamente recortada pelas intervenções externas da destruição, criam uma atmosfera tão opressiva quanto autêntica que acaba nos envolvendo em uma realidade brutal de um mundo pós-apocalíptico que nem parece tão absurdo assim - e esse fator mais, digamos, palpável diante do que em outros tempos parecia apenas ficção, é que se torna essencial para nossa imersão pela cruzada de Joel e Ellie. E olha, de certa forma foi assim do videogame, e agora só potencializou na série.

O roteiro é fiel ao material original e o conceito visual, idem. Mas é preciso dizer que a série também oferece novas camadas de profundidade aos personagens e ao mundo que nos é apresentado. Mazin e Druckmann sabem equilibrar a luta pela vida, em vários momentos de ação, com pausas introspectivas, poéticas até, que exploram temas como a dor e as marcas da perda, sugerindo um olhar de esperança e de fé na humanidade. É interessante como essa premissa mais sensível do roteiro impacta em diálogos mais afiados e cheios de subtexto, fugindo um pouco do gênero "sobrevivência" para refletir as complexidades das relações entre os personagens e os dilemas morais que cada um deles enfrentam durante a jornada. Pedro Pascal captura a dureza quase bronca de Joel com a vulnerabilidade interior de um pai marcado por uma tragédia - sua intensidade emocional torna seu personagem uma figura profundamente empática. Já Bella Ramsey traz uma mistura de coragem, inocência e determinação, sempre com um toque de ironia para não dizer, de deboche. Mas é a química entre os dois que deixa tudo ainda mais real, formando uma conexão emocional entre a audiência e a série que chama atenção desde o primeiro episódio.

"The Last of Us" não está isenta de críticas. Algumas pessoas podem achar que a série, em sua fidelidade ao jogo, é previsível demais. Eu discordo. Claro que a história é a mesma, alguns enquadramentos e várias sequências são praticamente uma cópia em live-action, mas a série traz uma intensidade emocional diferente, mais contemplativa até, e a violência gráfica que encontramos no jogo, na minha opinião, está ainda melhor aqui. O fato é que "The Last of Us" é uma adaptação notável, que consegue honrar o legado do jogo e ainda oferecer uma experiência cinematográfica envolvente e profunda -  uma exploração poderosa da condição humana em face da adversidade extrema, destacando os laços que nos definem e os sacrifícios que fazemos por aqueles que amamos. Sem dúvida, uma das melhores produções realizadas nos últimos anos!

"The Last of Us" ganhou 8 Emmys em 2023 depois de receber, surpreendentes, 24 indicações!

Vale muito o seu play!

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Se você ainda não assistiu, dê o play sem o menor receio de errar, mas saiba: muito mais do que uma "série de zumbis", "The Last of Us" é uma jornada de autoconhecimento, emocionalmente carregada de feridas profundas, onde as relações estabelecidas entre os personagens tem muito mais valor do que a mera luta pela sobrevivência ou pela cura da humanidade. Lançada em 2023 pela HBO, a série é uma adaptação do aclamado jogo de videogame da Naughty Dog, criado por Neil Druckmann. Com uma narrativa poderosa e personagens cheios de camadas, "The Last of Us" traz para as telas uma história de redenção em um mundo pós-apocalíptico que nos envolve do inicio ao fim! Desenvolvida por Craig Mazin (a mente criativa por trás de "Chernobyl") e pelo próprio Neil Druckmann, a série consegue capturar a essência do jogo ao mesmo tempo que expande as possibilidades dramáticas, oferecendo uma experiência cinematográfica intensa e emocionalmente, de fato, ressonante. Imperdível!

A trama se passa em uma realidade onde parte da humanidade foi dizimada por uma infecção fúngica que transforma pessoas em uma espécie de zumbi. Joel (Pedro Pascal), um sobrevivente que carrega a dor de ter perdido sua filha adolescente, é incumbido de proteger Ellie (Bella Ramsey), uma jovem que pode ser a chave para encontrar uma cura. A série segue sua perigosa jornada através de um Estados Unidos devastado, explorando os laços que se formam na busca por um bem maior e os sacrifícios feitos em troca de alguma esperança. Confira o trailer:

Mazin e Druckmann trazem para "The Last of Us" uma jornada sensível diante do caos que é 'viver sob uma ameaça invisível - algo que parecia distante, mas que, nas devidas proporções, experienciamos durante a pandemia. Acontece que aqui o invisível vai ganhando forma e o horror do inexplicável se transforma em algo ainda mais assustador. Embora a série nos entregue uma fotografia deslumbrante e grandiosa das paisagens devastadas de um EUA irreconhecível, é na intimidade das interações humanas (e na sua constante tensão) que a série muda de patamar. As cores sombrias e a iluminação naturalista extremamente recortada pelas intervenções externas da destruição, criam uma atmosfera tão opressiva quanto autêntica que acaba nos envolvendo em uma realidade brutal de um mundo pós-apocalíptico que nem parece tão absurdo assim - e esse fator mais, digamos, palpável diante do que em outros tempos parecia apenas ficção, é que se torna essencial para nossa imersão pela cruzada de Joel e Ellie. E olha, de certa forma foi assim do videogame, e agora só potencializou na série.

O roteiro é fiel ao material original e o conceito visual, idem. Mas é preciso dizer que a série também oferece novas camadas de profundidade aos personagens e ao mundo que nos é apresentado. Mazin e Druckmann sabem equilibrar a luta pela vida, em vários momentos de ação, com pausas introspectivas, poéticas até, que exploram temas como a dor e as marcas da perda, sugerindo um olhar de esperança e de fé na humanidade. É interessante como essa premissa mais sensível do roteiro impacta em diálogos mais afiados e cheios de subtexto, fugindo um pouco do gênero "sobrevivência" para refletir as complexidades das relações entre os personagens e os dilemas morais que cada um deles enfrentam durante a jornada. Pedro Pascal captura a dureza quase bronca de Joel com a vulnerabilidade interior de um pai marcado por uma tragédia - sua intensidade emocional torna seu personagem uma figura profundamente empática. Já Bella Ramsey traz uma mistura de coragem, inocência e determinação, sempre com um toque de ironia para não dizer, de deboche. Mas é a química entre os dois que deixa tudo ainda mais real, formando uma conexão emocional entre a audiência e a série que chama atenção desde o primeiro episódio.

"The Last of Us" não está isenta de críticas. Algumas pessoas podem achar que a série, em sua fidelidade ao jogo, é previsível demais. Eu discordo. Claro que a história é a mesma, alguns enquadramentos e várias sequências são praticamente uma cópia em live-action, mas a série traz uma intensidade emocional diferente, mais contemplativa até, e a violência gráfica que encontramos no jogo, na minha opinião, está ainda melhor aqui. O fato é que "The Last of Us" é uma adaptação notável, que consegue honrar o legado do jogo e ainda oferecer uma experiência cinematográfica envolvente e profunda -  uma exploração poderosa da condição humana em face da adversidade extrema, destacando os laços que nos definem e os sacrifícios que fazemos por aqueles que amamos. Sem dúvida, uma das melhores produções realizadas nos últimos anos!

"The Last of Us" ganhou 8 Emmys em 2023 depois de receber, surpreendentes, 24 indicações!

Vale muito o seu play!

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The Mandalorian

"The Mandalorian" é sem dúvida o maior acerto do Universo "Stars Wars" em muito tempo! A série da Disney+ foi capaz de captar a essência, tanto visual quanto narrativa, que parecia estar perdida em uma sequência de equívocos que colocaram em dúvida a capacidade da própria Disney em perpetuar uma franquia de sucesso e com tantos fãs - e mais uma vez, o streaming parece ter conseguido colocar o conceito criativo do próprio George Lucas nos eixos logo na estreia!

Ambientada na linha do tempo de "Star Wars" entre a "Era da Rebelião" de "Retorno de Jedi", cinco anos após a queda do Império, e a "Era da Resistência", 25 anos antes da ascensão da Primeira Ordem de "O Despertar da Força", "The Mandalorian" mostra a derrocada do Império quando a Galáxia se torna uma terra de ninguém, caótica, repleta de caçadores de recompensas, entre eles, o próprio "Mando" - como é conhecido por onde passa.

Com uma estrutura narrativa bem próxima de um "procedural", com episódios independentes entre si, que focam em uma nova missão do protagonista por semana, a trama traz uma arco maior muito interessante e que funciona como linha condutora para unir, de certa forma, toda temporada: o Mandalorian precisa proteger uma criatura chamada de "The Child", que também ficou conhecida como "Baby Yoda" -  aqui cabe uma observação importante:  ele não é o Mestre Yoda de Star Wars, eles são somente da mesma espécie e pertencem a uma ordem de "feiticeiros" conhecida como Jedi (assim se explica na primeira temporada)! Vamos ao trailer:

É natural uma certa confusão inicial para aqueles que não seguem o Universo Star Wars quase como uma religião - de fato, faltam referências mais óbvias para estabelecer o momento exato na linha do tempo e, vou além, para apresentar as peculiaridades daqueles personagens. Porém, quem tem algum conhecimento dos três primeiros filmes da franquia, ou melhor, os episódios IV, V e VI; facilmente embarca na jornada do personagem justamente pelo alinhamento conceitual que o diretorJon Favreau conseguiu recuperar.  

Claramente inspirado nos filmes de western, "The Mandalorian" equilibra muito bem aquela ficção cientifica raiz com a ação e os tiroteios do "velho oeste", em troca de algumas moedas. Não que os próprios filmes da franquia também não possuam essa inspiração, mas aqui é tudo mais claro - não existe (pelo menos por enquanto) a necessidade do protagonista se tornar algo maior ou importante demais para todo o universo: o foco é sobreviver de pequenos bicos enquanto tenta se livrar do "Baby Yoda".

Como em "WandaVision", a série original do Disney+ também não economiza na produção e muito menos relativiza os aspectos os aspectos técnicos e artistisicos por se tratar de um projeto para o streaming - isso não existe mais e aqui temos outra prova desse posicionamento! Desde os efeitos especiais, passando pela trilha sonora, edição de som, fotografia, desenho de produção, enquadramentos e até as coreografias das cenas de ação que são deslumbrantes, tudo tem nível de blockbuster! Então, se você é fã de Star Wars, claro que a série é imperdível, mas caso você queira iniciar essa jornada eu sugiro: assista os filmes I, II, III, IV, V e VI e depois venha voando para "The Mandalorian"!

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"The Mandalorian" é sem dúvida o maior acerto do Universo "Stars Wars" em muito tempo! A série da Disney+ foi capaz de captar a essência, tanto visual quanto narrativa, que parecia estar perdida em uma sequência de equívocos que colocaram em dúvida a capacidade da própria Disney em perpetuar uma franquia de sucesso e com tantos fãs - e mais uma vez, o streaming parece ter conseguido colocar o conceito criativo do próprio George Lucas nos eixos logo na estreia!

Ambientada na linha do tempo de "Star Wars" entre a "Era da Rebelião" de "Retorno de Jedi", cinco anos após a queda do Império, e a "Era da Resistência", 25 anos antes da ascensão da Primeira Ordem de "O Despertar da Força", "The Mandalorian" mostra a derrocada do Império quando a Galáxia se torna uma terra de ninguém, caótica, repleta de caçadores de recompensas, entre eles, o próprio "Mando" - como é conhecido por onde passa.

Com uma estrutura narrativa bem próxima de um "procedural", com episódios independentes entre si, que focam em uma nova missão do protagonista por semana, a trama traz uma arco maior muito interessante e que funciona como linha condutora para unir, de certa forma, toda temporada: o Mandalorian precisa proteger uma criatura chamada de "The Child", que também ficou conhecida como "Baby Yoda" -  aqui cabe uma observação importante:  ele não é o Mestre Yoda de Star Wars, eles são somente da mesma espécie e pertencem a uma ordem de "feiticeiros" conhecida como Jedi (assim se explica na primeira temporada)! Vamos ao trailer:

É natural uma certa confusão inicial para aqueles que não seguem o Universo Star Wars quase como uma religião - de fato, faltam referências mais óbvias para estabelecer o momento exato na linha do tempo e, vou além, para apresentar as peculiaridades daqueles personagens. Porém, quem tem algum conhecimento dos três primeiros filmes da franquia, ou melhor, os episódios IV, V e VI; facilmente embarca na jornada do personagem justamente pelo alinhamento conceitual que o diretorJon Favreau conseguiu recuperar.  

Claramente inspirado nos filmes de western, "The Mandalorian" equilibra muito bem aquela ficção cientifica raiz com a ação e os tiroteios do "velho oeste", em troca de algumas moedas. Não que os próprios filmes da franquia também não possuam essa inspiração, mas aqui é tudo mais claro - não existe (pelo menos por enquanto) a necessidade do protagonista se tornar algo maior ou importante demais para todo o universo: o foco é sobreviver de pequenos bicos enquanto tenta se livrar do "Baby Yoda".

Como em "WandaVision", a série original do Disney+ também não economiza na produção e muito menos relativiza os aspectos os aspectos técnicos e artistisicos por se tratar de um projeto para o streaming - isso não existe mais e aqui temos outra prova desse posicionamento! Desde os efeitos especiais, passando pela trilha sonora, edição de som, fotografia, desenho de produção, enquadramentos e até as coreografias das cenas de ação que são deslumbrantes, tudo tem nível de blockbuster! Então, se você é fã de Star Wars, claro que a série é imperdível, mas caso você queira iniciar essa jornada eu sugiro: assista os filmes I, II, III, IV, V e VI e depois venha voando para "The Mandalorian"!

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Um Lugar Silencioso: Dia Um

Esse é um filme que divide opiniões, especialmente se as expectativas não estiverem muito bem alinhadas. Veja, é preciso olhar para "Um Lugar Silencioso: Dia Um" como uma peça de um jogo mais elaborado - com uma estrutura conceitual muito parecida com "Cloverfield", por exemplo, ou seja, você não vai encontrar todas as respostas aqui, mas vai se divertir com um ótimo entretenimento que mistura ficção científica com algum drama. "A Quiet Place: Day One", no original, dirigido por Michael Sarnoski (de "Pig: A Vingança"), expande o universo tenso e aterrorizante criado por John Krasinski, porém com um olhar para os eventos que precederam o filme original. Este prelúdio aprofunda o impacto inicial da invasão das criaturas sensíveis ao som, proporcionando um mergulho visceral e emocional em um dos dias mais caóticos e desesperadores da humanidade. Assim como em "Bird Box" e até como em "Last of Us", o filme explora a fragilidade humana diante de uma invasão repentina e incompreensível, equilibrando momentos de angustia com uma incansável luta pela sobrevivência.

A história acompanha Samira (Lupita Nyong'o), uma mulher doente e solitária, que precisa lidar com o caos de Nova York enquanto o pânico inicial pela chegada das criaturas alienígenas se desenrola, capturando a devastação do primeiro dia da invasão. Embora se conecte tematicamente aos dois primeiros filmes da franquia, "Dia Um" funciona como uma narrativa independente, explorando o impacto local ao horror avassalador de um mundo subitamente silencioso. O foco está na luta para compreender o novo e assim sobreviver em um ambiente onde o menor ruído pode significar morte certa. Confira o trailer:

Michael Sarnoski traz uma abordagem intimista e emocional para o gênero de ficção científica, enquanto respeita os elementos de suspense que definiram a franquia. Sua direção se concentra em momentos de certa vulnerabilidade e coragem de Samira, utilizando o caos para explorar as escolhas morais e emocionais feitas sob extrema pressão. O resultado é um filme que é ao mesmo tempo um espetáculo visual aterrorizante e uma meditação "silenciosa" sobre a resiliência humana. A estética de "Dia Um" reflete o estilo de seus predecessores, mas com uma escala ampliada para capturar a devastação de Nova York. As cenas de destruição e de ação são realizadas com precisão técnica e visual, equilibrando a gramática do suspense com as explosões de terror e adrenalina. A direção de fotografia de Pat Scola (companheiro de Sarnoski em "Pig" ) transita entre a câmera fixa e uma mais nervosa, para criar uma atmosfera claustrofóbica, muitas vezes próxima aos personagens, amplificando a sensação de perigo iminente.

O som, como esperado, desempenha um papel crucial na narrativa. A trilha sonora é utilizada com parcimônia, deixando que o silêncio e o som ambiente dominem o espaço. O design de som é meticuloso nesse sentido, já que é ele que pontua e destaca o impacto aterrador de cada ruído - sério, é angustiante, uma tensão constante. Esse domínio técnico permite que "Um Lugar Silencioso: Dia Um"mantenha a audiência à beira da cadeira, transformando a falta de som em uma ferramenta narrativa tão poderosa quanto as próprias criaturas. Lupita Nyong'o entrega uma interpretação convincente que ancora esse tipo de terror com emoções reais. Nyong'o e Joseph Quinn, como Erick, são humanos, com medos, dúvidas e até momentos de heroísmo, o que permite uma certa conecção com suas lutas e triunfos. Embora menos focado em um núcleo familiar, como os dois primeiros filmes, "Dia Um" expande o universo explorando outras perspectivas e histórias de sobrevivência - se não com tanto brilho, pelo menos como um ótimo entretenimento.

"Um Lugar Silencioso" é uma franquia de regras muito bem estabelecidas, onde, desde a primeira cena do filme original, já sabemos que o menor barulho pode ser fatal para qualquer personagem. Dito isso, a repetição da experiência sensorial proposta por Krasinski em 2018 é mais que suficiente para fazer com que esse prelúdio funcione bem, mesmo que alguns ainda busquem maiores explicações canônicas para a invasão alienígena - o que não é o melhor caminho, já que o que vale aqui é a luta pela sobrevivência e só!

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Esse é um filme que divide opiniões, especialmente se as expectativas não estiverem muito bem alinhadas. Veja, é preciso olhar para "Um Lugar Silencioso: Dia Um" como uma peça de um jogo mais elaborado - com uma estrutura conceitual muito parecida com "Cloverfield", por exemplo, ou seja, você não vai encontrar todas as respostas aqui, mas vai se divertir com um ótimo entretenimento que mistura ficção científica com algum drama. "A Quiet Place: Day One", no original, dirigido por Michael Sarnoski (de "Pig: A Vingança"), expande o universo tenso e aterrorizante criado por John Krasinski, porém com um olhar para os eventos que precederam o filme original. Este prelúdio aprofunda o impacto inicial da invasão das criaturas sensíveis ao som, proporcionando um mergulho visceral e emocional em um dos dias mais caóticos e desesperadores da humanidade. Assim como em "Bird Box" e até como em "Last of Us", o filme explora a fragilidade humana diante de uma invasão repentina e incompreensível, equilibrando momentos de angustia com uma incansável luta pela sobrevivência.

A história acompanha Samira (Lupita Nyong'o), uma mulher doente e solitária, que precisa lidar com o caos de Nova York enquanto o pânico inicial pela chegada das criaturas alienígenas se desenrola, capturando a devastação do primeiro dia da invasão. Embora se conecte tematicamente aos dois primeiros filmes da franquia, "Dia Um" funciona como uma narrativa independente, explorando o impacto local ao horror avassalador de um mundo subitamente silencioso. O foco está na luta para compreender o novo e assim sobreviver em um ambiente onde o menor ruído pode significar morte certa. Confira o trailer:

Michael Sarnoski traz uma abordagem intimista e emocional para o gênero de ficção científica, enquanto respeita os elementos de suspense que definiram a franquia. Sua direção se concentra em momentos de certa vulnerabilidade e coragem de Samira, utilizando o caos para explorar as escolhas morais e emocionais feitas sob extrema pressão. O resultado é um filme que é ao mesmo tempo um espetáculo visual aterrorizante e uma meditação "silenciosa" sobre a resiliência humana. A estética de "Dia Um" reflete o estilo de seus predecessores, mas com uma escala ampliada para capturar a devastação de Nova York. As cenas de destruição e de ação são realizadas com precisão técnica e visual, equilibrando a gramática do suspense com as explosões de terror e adrenalina. A direção de fotografia de Pat Scola (companheiro de Sarnoski em "Pig" ) transita entre a câmera fixa e uma mais nervosa, para criar uma atmosfera claustrofóbica, muitas vezes próxima aos personagens, amplificando a sensação de perigo iminente.

O som, como esperado, desempenha um papel crucial na narrativa. A trilha sonora é utilizada com parcimônia, deixando que o silêncio e o som ambiente dominem o espaço. O design de som é meticuloso nesse sentido, já que é ele que pontua e destaca o impacto aterrador de cada ruído - sério, é angustiante, uma tensão constante. Esse domínio técnico permite que "Um Lugar Silencioso: Dia Um"mantenha a audiência à beira da cadeira, transformando a falta de som em uma ferramenta narrativa tão poderosa quanto as próprias criaturas. Lupita Nyong'o entrega uma interpretação convincente que ancora esse tipo de terror com emoções reais. Nyong'o e Joseph Quinn, como Erick, são humanos, com medos, dúvidas e até momentos de heroísmo, o que permite uma certa conecção com suas lutas e triunfos. Embora menos focado em um núcleo familiar, como os dois primeiros filmes, "Dia Um" expande o universo explorando outras perspectivas e histórias de sobrevivência - se não com tanto brilho, pelo menos como um ótimo entretenimento.

"Um Lugar Silencioso" é uma franquia de regras muito bem estabelecidas, onde, desde a primeira cena do filme original, já sabemos que o menor barulho pode ser fatal para qualquer personagem. Dito isso, a repetição da experiência sensorial proposta por Krasinski em 2018 é mais que suficiente para fazer com que esse prelúdio funcione bem, mesmo que alguns ainda busquem maiores explicações canônicas para a invasão alienígena - o que não é o melhor caminho, já que o que vale aqui é a luta pela sobrevivência e só!

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Vórtex

"Vórtex" é um espécie de "Ghost" com "Black Mirror" e mais ótimos elementos de "Efeito Borboleta". Embora essa produção francesa de 2022 exija uma boa dose de suspensão da realidade, principalmente no que diz respeito ao viés tecnológico da história, posso te garantir que o entretenimento, de fato, vale muito a pena. A trama dividida em 6 episódios de 60 minutos, constrói sua base em cima de um consistente drama policial, porém sem esquecer da importância das relações humanas, familiar e de casal, para nos proporcionar uma experiência das mais interessantes a partir de um gatilho narrativo que sempre chama atenção da audiência: a viagem no tempo.  

Em um futuro próximo, no ano de 2025, a realidade virtual se tornou uma ferramenta comum nas investigações policiais. O procedimento é simples: uma equipe de drones escaneia a cena do crime e os detetives acessam essas informações em um espaço de realidade virtual para tentar encontrar novas pistas. Depois do corpo de uma mulher ser encontrado na praia, a história se concentra em Ludovic Beguin (Tomer Sisley), conhecido como Ludo, um policial da cidade francesa de Brest que, graças a uma falha nessa tecnologia chamada "vórtex", consegue se comunicar sua mulher,Mélanie (Camille Claris), que havia morrido, misteriosamente, em 1998, no mesmo local do crime atual. Confira on trailer (em francês):

Embora "Vórtex" esteja longe de ser um primor estético de ficção cientifica como "Minority Report", um dos aspectos mais notáveis da produção é a forma como diretor Slimane-Baptiste Berhoun é capaz de criar uma atmosfera sombria e envolvente desde as primeiras cenas mesmo com todas as suas limitações técnicas  - em um primeiro olhar, ele traz muito do conceito visual (e até narrativo) das séries nórdicas. Sua competente direção explora uma sensação constante de tensão e mistério, fazendo com que a audiência  se sinta tão intrigada quanto confusa, principalmente quando o "Efeito Borboleta" entra em cena. Reparem como tudo se encaixa e como os detalhes são pontuados com muita sensibilidade pelo texto, ou seja, ou você presta muita atenção ou sua teoria de "quem matou?" pode ser bastante prejudicada. 

Um ponto interessante da minissérie é como o roteiro de Camille Couasse e Sarah Farkas, baseado na história de Franck Thilliez, aborda temas mais profundos e até existenciais, explorando questões sobre destino e livre arbítrio ao mesmo tempo em que o texto trabalha o caso policial como um verdadeiro clássico do gênero. Já o viés tecnológico é fraco, mas importante para a narrativa. Por outro lado, à medida que a trama vai se desenrolando, somos confrontados com questionamentos sobre a natureza da realidade e os limites do conhecimento humano, adicionando ainda mais camadas aos personagens e complexidade para a narrativa - o plot investigativo é muito bem desenhado e vai te surpreender.

Apesar de todas as qualidades, "Vórtex" pode apresentar alguns momentos onde o ritmo mais lento, especialmente nos episódios iniciais, quando a trama está sendo estabelecida, possa incomodar. No entanto, isso é compensado pelo aumento constante da tensão e do mistério, que vai ganhando cada vez mais corpo com as reviravoltas que ocorrem nos episódios subsequentes. Outro incômodo diz respeito ao distanciamento natural da ficção científica - ele vira um drama de relação até chegar em um thriller policial. Tudo isso é bem dinâmico, mas acontece.

Enfim "Vórtex" é divertido e envolvente. Mais uma agradável supresa que certamente vai te conquistar! Pode dar o play sem receio!

PS: as referências à Copa do Mundo de 1998, podem causar algum desconforto para os amantes do futebol...rs

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"Vórtex" é um espécie de "Ghost" com "Black Mirror" e mais ótimos elementos de "Efeito Borboleta". Embora essa produção francesa de 2022 exija uma boa dose de suspensão da realidade, principalmente no que diz respeito ao viés tecnológico da história, posso te garantir que o entretenimento, de fato, vale muito a pena. A trama dividida em 6 episódios de 60 minutos, constrói sua base em cima de um consistente drama policial, porém sem esquecer da importância das relações humanas, familiar e de casal, para nos proporcionar uma experiência das mais interessantes a partir de um gatilho narrativo que sempre chama atenção da audiência: a viagem no tempo.  

Em um futuro próximo, no ano de 2025, a realidade virtual se tornou uma ferramenta comum nas investigações policiais. O procedimento é simples: uma equipe de drones escaneia a cena do crime e os detetives acessam essas informações em um espaço de realidade virtual para tentar encontrar novas pistas. Depois do corpo de uma mulher ser encontrado na praia, a história se concentra em Ludovic Beguin (Tomer Sisley), conhecido como Ludo, um policial da cidade francesa de Brest que, graças a uma falha nessa tecnologia chamada "vórtex", consegue se comunicar sua mulher,Mélanie (Camille Claris), que havia morrido, misteriosamente, em 1998, no mesmo local do crime atual. Confira on trailer (em francês):

Embora "Vórtex" esteja longe de ser um primor estético de ficção cientifica como "Minority Report", um dos aspectos mais notáveis da produção é a forma como diretor Slimane-Baptiste Berhoun é capaz de criar uma atmosfera sombria e envolvente desde as primeiras cenas mesmo com todas as suas limitações técnicas  - em um primeiro olhar, ele traz muito do conceito visual (e até narrativo) das séries nórdicas. Sua competente direção explora uma sensação constante de tensão e mistério, fazendo com que a audiência  se sinta tão intrigada quanto confusa, principalmente quando o "Efeito Borboleta" entra em cena. Reparem como tudo se encaixa e como os detalhes são pontuados com muita sensibilidade pelo texto, ou seja, ou você presta muita atenção ou sua teoria de "quem matou?" pode ser bastante prejudicada. 

Um ponto interessante da minissérie é como o roteiro de Camille Couasse e Sarah Farkas, baseado na história de Franck Thilliez, aborda temas mais profundos e até existenciais, explorando questões sobre destino e livre arbítrio ao mesmo tempo em que o texto trabalha o caso policial como um verdadeiro clássico do gênero. Já o viés tecnológico é fraco, mas importante para a narrativa. Por outro lado, à medida que a trama vai se desenrolando, somos confrontados com questionamentos sobre a natureza da realidade e os limites do conhecimento humano, adicionando ainda mais camadas aos personagens e complexidade para a narrativa - o plot investigativo é muito bem desenhado e vai te surpreender.

Apesar de todas as qualidades, "Vórtex" pode apresentar alguns momentos onde o ritmo mais lento, especialmente nos episódios iniciais, quando a trama está sendo estabelecida, possa incomodar. No entanto, isso é compensado pelo aumento constante da tensão e do mistério, que vai ganhando cada vez mais corpo com as reviravoltas que ocorrem nos episódios subsequentes. Outro incômodo diz respeito ao distanciamento natural da ficção científica - ele vira um drama de relação até chegar em um thriller policial. Tudo isso é bem dinâmico, mas acontece.

Enfim "Vórtex" é divertido e envolvente. Mais uma agradável supresa que certamente vai te conquistar! Pode dar o play sem receio!

PS: as referências à Copa do Mundo de 1998, podem causar algum desconforto para os amantes do futebol...rs

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